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Saúde Agora | Hantavírus pode virar uma nova pandemia?
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Saúde Agora | Hantavírus pode virar uma nova pandemia?

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Após casos suspeitos investigados pela OMS, o hantavírus voltou a chamar atenção e gerou dúvidas sobre o risco de uma nova pandemia. Nesta entrevista, a infectologista Paula Pinhão esclarece mitos e verdades sobre a doença, explica as formas de transmissão, os sintomas, os riscos e as medidas de prevenção. Afinal, o hantavírus pode se espalhar entre pessoas? Entenda o que dizem os especialistas.

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Olá, saúde agora já está no ar e na edição de hoje vamos falar sobre rantavírus. O tema ganhou repercussão internacional envolvendo mortes e casos suspeitos em um navio de cruzeiro investigado pela Organização Mundial de Saúde. E para esclarecer mitos e verdades, convidamos a infectologista Dra. Paula Pinhão, diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida. Seja muito bem-vinda, Dra. Paula. Bom dia, Ciene. Obrigada pelo convite. Bom, esse assunto realmente ganhou repercussão, né, Dra. Paula, né, mediante a esses casos, esse cenário, né, o que podemos então levar em consideração aqui, né, para nós nesse cenário, diante desses casos todos, eh, o que de fato é o rantavírus, né, e como é feita essa transmissão, né, como que surge a transmissão desse vírus. Eh, é comum depois da pandemia que a gente viveu, eh, surgir um receio, um medo de que aconteça tudo aquilo novamente. Então, toda vez que tem uma notícia de alguma doença infecciosa causada por um vírus que possa ter algum potencial de se alastrar, todo mundo fica com as antenas ligadas. Mas nesse caso, seguindo todas as as orientações e recomendações da Organização Mundial da Saúde, o que a gente sabe sobre o rantavírus? Rantavírus é uma doença, rantavirose é uma doença causada por um vírus que é transmitido através de inalação de partículas do vírus, que elas vêm pra gente através de dejetos, urina, feeses, salivas de roedores. Então, esses animais são reservatórios do vírus. Eles eliminam o vírus no ambiente através desses dejetos. Esse vírus sofre uma transformação que a gente chama de aerosolização. Ele consegue subir pro ar e ficar na altura da nossa respiração. A gente inala essas partículas desses vírus e pode adoecer através dessa inalação. Essa é o é a principal forma é a principal forma de contágose. por inalação de partículas virais que estão no ambiente pelos dejetos dos roedores. Existe um tipo, uma um subtipo de rantavírus que há uma suspeita que possa ser transmitido entre humanos quando tem um contato muito próximo, muito junto, por um período prolongado. Mas essa transmissão não é amplamente documentada. A transmissão do rantavírus acontece através da inalação de partículas de roedores. É, esse caso que aconteceu, que está acontecendo nesse navio, chama atenção porque, segundo informações oficiais do Ministério da Saúde, existem oito casos de rantavirose confirmados dentro desse cruzeiro, dos quais três, infelizmente, evoluíram paraa morte. E por causa disso, acendeu-se um alerta em torno dessa população que tá nesse navio para monitoramento, para identificação precoce dos casos e para evitar outras transmissões que eventualmente possam acontecer, certo? Mas diante então esse cenário, Dra. Paula, a como que fica, né, esse alerta aqui para nós? É um caso de que pode virar uma pandemia, uma epidemia ou não é o motivo por enquanto, né, paraa preocupação nesse sentido. Essa é uma ótima pergunta e é importante a gente esclarecer isso paraa população. Segundo a Organização Mundial da Saúde, não há risco de pandemia nesse momento relacionada ao rantavírus. Eh, e acho que esse caso é muito importante pra gente entender por que é tão importante o monitoramento e a notificação de suspeitas. Então, como que a gente ficou sabendo disso? A própria tripulação do navio levantou uma suspeita, falou: "Tá estranho, tem muitos casos parecidos e notificou a Organização Mundial da Saúde." Através dessa notificação, a gente encontra caminhos para atender melhor as pessoas que estão lá, para detectar mais rápido se houverem novos casos, e para evitar maiores transmissões, que é o que está fazendo atualmente uma força tarefa da UMS paraa população que está nesse navio. Então, nesse momento, informações oficiais da UMS, não há risco de pandemia pelo rantavírus. As pessoas do navio estão sendo atendidas e monitoradas quanto potenciais suspeitas e transmissões e tratadas de acordo com as necessidades. Então agora o que precisa é cautela em relação a esse cruzeiro e ficar atento às informações oficiais da UMS para os próximos dias. Perfeitamente, Dra. Paula, falando um pouquinho então sobre os sintomas, né, para também esclarecer aí os sintomas, eles se confundem com sintomas de gripe, por exemplo, né? Então aqui é o momento também pra gente falar sobre os mitos e verdades, sobre isso que é pouco falado, né, mas como teve essa repercussão, então como que ele se manifesta, né, no organismo em relação aos sintomas. Isso, como eu falei, a gente se contamina inalando partículas e a hora que a gente inala, isso vai pro sistema respiratório e aí o nosso organismo começa a se defender. Então essa defesa vai provocar sintomas e isso acontece com a imensa maioria dos vírus respiratórios. São sintomas comuns entre várias doenças respiratórias que que contemplam febre, tosse, dor no corpo, malestar, sintomas de resfriado, nariz escorrendo, dor de cabeça. E aqui eu vou abrir um um leque imenso, principalmente nesse período do ano aqui no Brasil, que a gente tá entrando no outono inverno, que aumentam os casos de doenças respiratórias por vírus de circulação comuns nesse período. E a gente não vai precisar aumentar o pânico em relação a se é ou não rantavírus. Não há evidência de circulação no Brasil do rantavírus entre pessoas. Eh, então, nesse momento, não tem evidência de suspeita dessa doença acontecendo entre nós no Brasil. Está eh está restrita aos passageiros desse navio e mas os sintomas são muito parecidos. Ah, e como que a gente da área da saúde vai identificar uma suspeita? Tem alguns dados importantes que podem mostrar pra gente de levantar a suspeita. Então, por exemplo, rancavírus é uma doença grave pulmonar. Uma das formas, tem dois duas formas. Uma das formas é uma doença grave pulmonar, que causa uma inflamação pulmonar muito grave, que traz consequências muito graves. Então aquele paciente vai apresentar alguns sintomas de gravidade que provavelmente vai precisar ficar internado, mas a doença começa como uma infecção respiratória simples, das quais a gente tá acostumado, principalmente nessa época do ano, tem que tá atento aos sintomas. E o diagnóstico, doutora, como que ele é feito, né? Eh, nesse sentido tem todos esses exames, tem alguns exames para identificar além, né, do exame clínico mesmo. E uma outra questão também eh, o paciente que viajou também tem relação assim fora em alguns lugares também é mais tem mais eh situações que pode mesmo a ter, né, o vírus, acometer aí o vírus em algumas situações, algumas regiões, né, da do do estado. É, então assim, é o diagnóstico, primeira parte da sua pergunta, o diagnóstico é um é simples, é por exame de sangue, não é difícil fazer o diagnóstico, o difícil é levantar a suspeita, porque não é para qualquer caso de sintoma respiratório que a gente vai pensar em rantavirose. Não é uma doença comum igual, por exemplo, um resfriado ou uma gripe por H1N1 nesse período, nessa época do ano aqui no Brasil. Então, eh, levantar a hipótese é o mais difícil. A partir disso, fazer o exame não é difícil, porque é um exame de sangue simples, comum. Agora, pra gente levantar a suspeita, você perguntou: "E quem viajou?" Essa é uma pergunta que a gente tem recebido muito, com muito receio, porque teve a história de que uma pessoa que saiu do navio com suspeita pegou um avião e aí pessoas desse avião ficaram com sintomas também. Mas esse passageiro do navio que viajou nesse avião, não foi confirmado o caso dele. Ele não estava com ranta virose. Então, se a gente não tem um passageiro fonte, a gente não tem outras suspeitas dentro daquele avião. Eh, tem alguns voos que estão sendo monitorados relacionados a passageiros que saíram do navio em sua Organização Mundial da Saúde detalha nos boletins. Agora, não é qualquer viagem para qualquer lugar que levanta-se a suspeita. Eh, uma coisa importante da gente dizer, o os locais mais comuns de transmissão são locais que ficaram muito fechados por um tempo maior e que aqueles roedores ficaram lá por um tempo maior. Por exemplo, lá um porão de um local abandonado que você vai lá mexer nesse porão, que tem muitos ratos que ficaram lá muito tempo. É um local que pode ter suspeita. Então isso é importante a gente conversar com o paciente, onde você andou, onde você esteve, eh o que aconteceu nos últimos 20, 30 dias para saber se tem algum local que pode ser suspeito. Não há uma área da terra do do mundo que tenha mais circulação ou menos, mas há locais mais suspeitos, como eu falei, por exemplo, um local que ficou um período mais fechado, com presença de roedores e pode ter uma quantidade maior. Perfeito. E Dra. Paula, falando do tratamento, né, no caso da confirmação, existe vacina? Como que é feito esse tratamento? Eh, infelizmente a gente não tem remédio contra o vírus. especificamente, assim como a gente também não tinha remédio contra COVID especificamente, o que a gente precisa é cuidar desse paciente como um todo. É um paciente que apresenta alguns sintomas de gravidade pulmonares, às vezes cardiovasculares, de frequência cardíaca, de pressão. É um paciente que pode ter algumas repercussões clínicas graves. A gente precisa cuidar disso. a gente precisa que esse paciente receba oxigênio de maneira adequada, receba a hidratação de maneira adequada para que o organismo dele se fortaleça para combater o vírus. Então o tratamento é um tratamento amplo, complexo, às vezes precisa de unidade de terapia intensiva para isso e esse paciente precisa ser bem atendido de maneira clínica. Não tem remédio contra o vírus, mas tem um tratamento clínico eficaz que precisa ser adotado de maneira eficaz. E Dra. Paula, quais então são as orientações, né, e as dicas para prevenir essa doença, né, prevenir essa infecção? A principal delas, Ciane, eu sempre falo, é na presença de sintomas de uma doença respiratória, todo mundo precisa de um atendimento médico. Mesmo que ah, pode ser só um resfriado comum, mas precisa de um atendimento médico. A equipe de saúde é quem tá preparado para avaliar se aquele caso tem algum potencial de gravidade ou não. Então, todo mundo que tem sintomas respiratórios precisa ir ao médico e ser acompanhado e ser monitorado dos seus sintomas, independente de por onde você andou. Mesmo que você não tenha estado e nesse cruzeiro, mesmo que você não tenha estado em um local que tenha muitos roedidores, você precisa ser atendido. Por quê? Além do rantavírus, existem outros vírus respiratórios muito mais comuns nessa época do ano e que são importantes de serem monitorados. Eu falo que um dos riscos desse tipo de acontecimento agora é a gente perder o foco na na nos vírus mais comuns entre nós nesse momento e esquecer de olhar para isso. Então, a primeira orientação, procure atendimento médico a qualquer sinal de doença respiratória. Outra orientação muito importante, vacine-se. Existem vacinas contra alguns vírus respiratórios muito comuns nessa época que precisam ser tomadas porque fazem parte de uma proteção individual e da proteção coletiva de quem está ao redor. Então, vacinação e atendimento médico, assim que tiver sintomas são as orientações mais importantes. Tá certo, Dra. Paula? Muito obrigada pela sua participação e o mais importante, né, esclarecer sobre esse cenário. Então não a pânico. Muito obrigada, viu? Eu agradeço pelo convite, pela entrevista. Bom dia para vocês. Nós que agradecemos. Um ótimo dia. Bom, o saúde agora fica por aqui. Espero que tenha esclarecido. Não há necessidade então de pânico. Conversamos com a infectologista Paula Pinhão. Te espero então na próxima edição do Saúde Agora. Até lá.
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