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Olá, sejam muito bem-vindos ao quadro Saúde Agora, dedicado à promoção da saúde integral e bem-estar. Hoje vamos falar sobre incontinência urinária. Apesar de ser um problema de saúde comum, o assunto ainda é acercado de tabus e constrangimento, fatores que retardam o diagnóstico e o acesso ao tratamento. Convidamos o Dr. Carlos Delroy, uroginecologista do Hospital e Maternidade Santa Joana. Seja muito bem-vindo, Dr. Carlos. Bom dia. Obrigado pelo convite. Será um prazer conversar com vocês sobre esse tema importante, até porque no dia 14 de março foi o dia internacional da incontinência urinária, né? Acho que você vai falar disso, né? Prazer falar contigo. Muito obrigada, Dr. Carlos. Sim, é um assunto, né, importante e embora, né, seja comum, mas ainda assim, exatamente, tem esses tabus, tem esses constrangimentos, né, por conta da incontinência. E segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, a incontinência urinária atinge mais de 10 milhões de brasileiros. E isso é um número expressivo, Dr. Carlos? É muito expressivo, né? Eh, quando a Sociedade Brasileira de Urologia fala em 10 milhões, ela fala entre homens e mulheres, né? Se você pegar só as mulheres, no caso eu só trato de mulher, a gente tem uma estatística americana que dá conta de que uma em cada três mulheres acima de 45 anos apresentam algum tipo de incontinência urinária. Um em cada seis tem a bexiga nervosa e uma em cada 10 tem prolapso, a bexiga caída, a vagina larga. Muita gente não gosta desse termo, mas ele é muito utilizado. Aí então você tá falando de um número gigantesco. Você tá falando aí entre 6 a 8% da população mundial feminina sofre de algum tipo de incontinência urinária. Certo? E Dr. Carlos, falando sobre os tipos, né? Eh, queria que o senhor explicasse, contextualizasse de fato o que é a incontinência e também quais são os tipos que existem desta condição. A incontinência urinária de esforço é aquela em que a mulher apresenta qualquer tipo de perda eh a qualquer tipo de esforço. Pode ser subir escada, sorrir, pular, jogar. É quando ela tiver no intercurso sexual com parceria de outro sexo, eh, qualquer dessas situações. A outra é a urgência, né, que a gente chama bexiga nervosa, é aquela premência de ir ao banheiro, você não consegue controlar e você acaba por perder. E as outras condições são mais raras, são aquela aqueles problemas quando, por exemplo, a a paciente ela tira o útero por qualquer situação e fica uma comunicação anônoma entre a bexiga e a vagina, entre o uretério e a vagina, que são as fístolas. E o quarto tipo, é aquela paciente que tem algum tipo de bexiga flácida, ela não consegue urinar porque ela não consegue, o seu sistema autonômico simpático e parassimpático, ele tá com problema e ela pede urina por transbordamento. Esses são por alto assim os quatro principais pilares da incontinência urinária, certo? E o senhor comentou, né, a respeito sobre a condição atinge, né, principalmente as mulheres. E tem uma idade que isso acontece, uma faixa etária, idosos tendem a ter também essa condição, Dr. Carlos? Sim, no Brasil o idoso é quem tem acima de 60 anos, né? Então você tem aí um outro dado americano que em 10 anos a população acima de 65 anos nos Estados Unidos vai dobrar de tamanho. Então você tem eh principalmente a perda de urina, ela pode acontecer eh nas primeiras décadas de vida, terceira, quarta década. Mas assim, o o o principal é esse dado que eu dei no comecinho. Uma em cada três mulheres americanas acima de 45 anos tem algum tipo de incontinente? Os idosos podem ter a incontinência de esforço, mas eles têm muito mais a incontinência eh por bexiga hiperativa, onde a a a senhora perde eh sem perceber. E Dr. Carlos, quais são as causas mais comuns, né? Existem alguns fatores que eh que prevalecem para esta condição? Excelente pergunta. O principal é a idade, o envelhecimento natural. O envelhecimento saudável, ele pode ajudar a postergar essa curva. o trauma obstétrico, né? O parto, o parto nem sempre bem assistido ou bem assistido, mas aqui não foi devidamente explicado, não foi devidamente eh trabalhado esse açoalho pél para esse momento do nascimento, né? Isso é um eh a obesidade, o sedentarismo, o cigarro, o álcool. Esses são os os a gente tem hoje uma epidemia de obesidade, né? Muitas mulheres que estão obesas, quando elas perdem peso, elas perdem, param de perder urina. É interessante isso. Mas acho que a característica fundamental da do problema, Claudine, é que a mulher se sente envergonhada de tratar esse problema. É difícil a gente ter um acolhimento no Santa Joana. A gente tá criando essa ideia de um centro de apoio complexo de tratamento do problema para poder acolher essa mulher lá e dar todo o tratamento desde da fisioterapia, psicologia, enfim, dá um um acompanhamento geral, né? Certo? E Dr. Carlos, existem sintomas, né? quando que essa paciente ela percebe que ela está com essa condição, com incontinência urinária ou se é apenas um escape, né, de urina, como que ela percebe que de fato ela precisa procurar aí uma orientação médica? Excelente questão também. A primeira é sentir que a veste íntima tá com mau cheiro. Então assim, ela começa perdendo um pouquinho, duas vezes na semana. Aí ela pergunta pro pra colega, pergunta pra mãe, fala: "Ah, normal assim, não é normal perder urina em nenhuma situação, tá?" Aí ela começa a usar um forrinho, às vezes não tem condições de comprar um absorvente. Eh, existem muitas críticas a isso, né? E aí ela se percebe mal cheirosa, ela se percebe chateada, medrosa, envergonhada e aí ela começa a usar cada vez mais vestes escuras. Então é uma característica interessante desse grupo de pessoa, entendeu? E muitas vezes ela não escuta, ela não, ela não tem aonde perguntar. Essa acho que é a grande questão. Elas ficam tão envergonhadas com a situação, né, que acabam silenciando isso. Por isso que é difícil esse diagnóstico no início, o início do tratamento, né, Dr. Carlos? Vamos entrar na questão do tratamento. Então, como que funciona essa avaliação, né? Como que é feita a avaliação para entrar no tratamento adequado? Eh, principal é a entrevista clínica com um médico que tem a experiência. A uroginecologia não existe como subespecializada no Brasil, né? A gente tá lutando por isso junto aos órgãos associação médica brasileira. Mas assim, ao exame clínico, a paciente pode apresentar perda. Uma dica para os médicos em geral é examinar a paciente de pé com a bexiga confortavelmente cheia, protege o chão, pede para ela tir, apresentou a perda. Aí você precisa documentar isso de duas maneiras. um exame invasivo que é o estudo dinâmico, em que você coloca um catéter na no canal da bexiga, um canal no reto e um outro uma um eletrodo no abdômen. Você faz junto à eletromiografia, porque para os planos de saúde você precisa ter o documento. E a outra ferramenta que é muito interessante é a ultrassom translal, que você vê todo o aumento do perímetro da do corpo do perínio, aquilo que se chama de pagina larga, né? Você vê tudo isso aí. Com isso você consegue ter exatamente o diagnóstico. Aí você pode começar com medidas comportamentais, né? como mudar alimentação, iniciar a perda de peso, inicia a fisioterapia, observa 4 8 semanas, eh, obteve resultado, tá satisfeita com isso, OK? Alguns casos também, o laser vaginal, ele ajuda principalmente no pós-parto, assim, paciente deu a luz de parto normal, ainda tem uma perda pequena. O laser é muito interessante. Feito isso, essa essa condição inicial, ela não funcionou. A outra coisa que funciona muito bem eh o tratamento cirúrgico. É feito até a técnica de um sling com material sintético mesmo que se usa para hérnea, né? Você tem três tipos, né? o vertical, o horizontal e o mini sling. Cada um tem a sua indicação. Ele é uma técnica recente, ela tem 25 anos de mercado e o estudo mais longo que tem no mundo, que é o sueco, ele dá conta de que depois de 20, 20 e poucos anos, esses pacientes, 90% deles estão secos. O, a grande questão aí do tratamento cirúrgico é quem faz essa cirurgia. No começo ela caiu no gosto popular e hoje ela mais eh realizada por eh especializados, vamos chamar assim, ela dá um excelente resultado, porque o problema, como toda a cirurgia, são as intercorrências que podem vir daí, mas os pacientes ficam assim muito satisfeitos, retornam à vida e aí ela retorna pra fisioterapia mais quatro, o semanas e aí ela mantém os cuidados de não engordar, envelhecer saudável, não fumar, não beber. e segue a vida normal. Então é uma condição, né, Dr. Carlos, que tem cura, tem tratamento, tem caso da cirurgia, né, para pessoas que realmente necessitam da cirurgia, o tratamento a laser, né, que são tratamentos menos invasivos e tem como prevenir, então nesse caso, mudando o estilo de vida, né? Sim, começa durante a gestação, né? Se você tem uma pessoa que tem uma complexão física menor e ela tem um um esposo ou uma esposa de maior tamanho, essa relação eh mãe feto, ela tem que tá equilibrada, né? Porque fetos acima de 3,500, 3,800, elas podem gerar eh problemas já de cara. Eh, e outras coisas, né? um reforço do açólio pévico durante toda a gestação, anestesia no período de expulsão, tudo isso é fundamentalmente importante. Esses dois momentos, né, cuidado com a vida, hábitos de vida saudáveis e o momento da parturição são os dois fatores que ficam de conselho paraas nossas mulheres eh terem em mente isso. Eh, não tô demonizando o parto normal. Hum. De maneira nenhuma. Eh, isso é uma escolha pessoal da mãe, do casal, enfim, mas precisa est preparado para esse momento aí. E, Dr. Carlos, o que que a Sociedade Brasileira de Urologia, né, tem feito em relação a essa conscientização mesmo, né, paraas mulheres, para que eh esse cenário do tabu, do constrangimento, ele mude, né, por conta dessa condição. Me permita uma parte. Existe a Sociedade Brasileira de Urologia, que é ampla, e existe a Sociedade Brasileira de Uoginecologia, que ela é mais multicompetente. Ela tem ginecologistas, urologistas, fisioterapeutas, enfermeiras. Ela é mais assim, essa é aonde a gente faz parte, chama-se Uroginap. A Uruginap junto com outras fundações, ela faz campanhas recorrentes através de webinares de conscientização de eh não normalizar a perda, a consciente. Procure um profissional, você tem direito aí no posto de saúde, você vá, questione um médico aí até que ele derive você a um centro terciário, né? Por exemplo, na região de Campinas, você tem dois grandes polos aí públicos, a Unicamp e a PUC de Campinas, que são duas universidades competentíssimas, com pessoas competentíssimas, tanto da Gineco quanto da UR, para tratar o problema, né? Mas todas as sociedades, eh, eu, eu sou ginecologista, eu não posso participar da sociedade de urologia, a gente participa da Sociedade Brasileira de uroginecologia. No sábado mesmo a gente teve uma campanha internacional e nacional de conscientização do problema. Tá certo, Dr. Carlos? Muito obrigada, viu, pela sua participação, por compartilhar e mandar, né, essa mensagem sobre não ter vergonha dessa condição que tem cura, tem tratamento e tem aí que ter uma ótima qualidade de vida. Então, novamente, muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço. Espero ter ajudado eh de sobre a maneira todas essas mulheres que sofrem desse problema. Obrigado pela participação. Obrigado, Santa Joana pela oportunidade. Nós que agradecemos, Dr. Carlos. Bom pessoal, saúde agora fica por aqui. Você pode acompanhar esse episódio no canal do YouTube da TV Câmara Campinas. Continue aproveitando a programação. Eu te espero na próxima edição. Até lá. เ