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Olá, saúde agora no ar, o quadro que aborda com os especialistas os temas da atualidade. E no episódio de hoje vamos falar sobre as chamadas canetas emagrecedoras que ganharam popularidade nos últimos meses e passaram a fazer parte das conversas e pesquisas de quem busca o emagrecimento, mas surgem dúvidas sobre os riscos, efeitos colaterais e a utilização. Por isso, convidamos a endocrinologista Larissa Pontes, que já está conectada aqui conosco. Seja muito bem-vinda, Larissa. Muito obrigada, pessoal. Obrigada pelo convite e pela oportunidade, né, de estar aqui falando desse tema tão importante pra população. Isso mesmo, Larissa. Bom, e esse assunto acabou virando uma febre, né, de fato, a utilização aí dessas canetas. A gente vê a quantidade, né, de busca, eh, das buscas, né, pelos medicamentos. A primeira coisa, então, né, vamos abordar de fato primeiro o que são esses medicamentos, como que eles agem no nosso organismo, Larissa, esses medicamentos injetáveis, né, principalmente esses os últimos, né, usados aí pro tratamento da obesidade, nada mais são do que hormônios que a gente tem no nosso organismo, né? Quando a gente fala de obesidade, a gente tem que lembrar que é um tema extremamente complexo, que é baseado em eixos hormonais. Então, a gente tá fazendo uma regulação de fato do metabolismo do no corpo do paciente e consequentemente vem a perda de peso, vem a a diminuição da fome, a saciedade e consequentemente os resultados esperados aí em que a gente tá vendo cada vez mais nos nossos no nosso dia a dia. Sim. Eh, e Larissa, eh, muito, né, tem falado sobre isso. A internet principalmente, né, está recheada com essas informações das canetas emagrecedoras. E a Anvisa, ela emitiu um alerta primeiramente, né, sobre os riscos de pancreatite e também eh fez agora a proibição do uso desse medicamento. Então, queria que você explicasse pra gente eh quais são os riscos de fato, né, paraa pessoa que faz a utilização desse produto. A Anvisa identificou, na verdade, que estavam sendo vendidos injetáveis para emagrecimento, sem o registro adequado, né, em alguns casos, com substâncias ainda de formato experimental. Isso é extremamente grave, né? A gente tá falando de produtos que vão diretamente pro nosso corpo. Eh, então esses produtos, muitos que a Anvisa proibiu, eles não tinham um controle de qualidade adequado como o produto original tem. Então, não tinha uma garantia de dose correta, não tinham estudos adequados de segurança, né? Porque quando um medicamento é colocado pra população, ele tem todo estudo de qualidade, de segurança, né? E consequentemente a gente já conhece os possíveis efeitos adversos e colaterais que essa droga pode causar para o paciente, que é o que acontece com esses injetáveis que não estão sendo regulados pela Anvisa, né? Em relação à pancreatite, a gente sabe que a pancreatite, né, ela tá muito relacionada de fato com o quadro da obesidade. Então, a gente sabe que a gente, o paciente que é obeso, ele tem maior propensão à colelitíase, que é a formação de pedra na vesícula, e, consequentemente a pancreatite. É o relato da Anvisa, né, que foi colocado foi uma uma manchete, digamos assim, sensacionalista que foi colocado na nas revistas, nos jornais, nos meios de circulação, que as canetas estavam causando pancreatite. Só que a gente sabe que menos de 1% da população dessa população que já tem um risco aumentado de pancreatite, tá? Pode vir a evoluir com a pancreatite, mas não por causa da caneta, tá? é um risco muito baixo, é muito raro esse efeito colateral da caneta com a pancreatite, certo, Larissa? Bom, a gente vai eh contex contextualizar um pouquinho sobre as canetas disponíveis, né? Essas canetas injetáveis. Aqui no Brasil existem outros tipos, existem mais de uma. queria que você explicasse, né, contextualizasse pra gente a diferença entre elas também, né, para deixar a população mais eh por dentro dessas informações com de fato uma especialista sobre esse assunto, né, que tem realmente sido alarmante aí nas redes sociais, na internet. Isso. Hoje a gente tem três principais canetas, né? Acho que a primeira caneta que a gente teve foi a liraglutida, né, que é um tipo de uma semaglutida, é um hormônio, é um análogo do GLP1. E hoje o que mais nós endocrinologistas e a população mais trabalha é com eh o Igov, o Ozenique, né, que são as semaglutidas. E aí a gente já tem outras empresas que tiveram quebra de patente que estão usando essa substância, né, que é o análogo do GLP1. E a gente tem a substância da tesis hepatida, que é o monjaro, né, em que a gente tem o análogo do GLP1 com o gip. Então, basicamente são diferenças hormonais. Então, o monjaro que ele tem um pouco a mais em relação à semanglutida é que o monjaro, além de ser um análogo do GLP1, ele é um gip, tá? Eh, são tipos de hormônios, são siglas de hormônios aí intestinais que vão regular todo o nosso eixo eh hormonal eh do apetite de saciedade, de fome e toda essa parte metabólica. E Larissa, a gente vê, né, no início do do quadro a gente falou sobre a busca, que é pelo emagrecimento, né? A maioria das pessoas, elas estão em busca aí das canetas de fato pelo emagrecimento rápido. Mas o que que essa pessoa, ela tem que levar em consideração quando for então fazer a utilização desse produto? Quem pode utilizar e precisa de fato ser com acompanhamento médico, né? É, eu acho que é é muito é muito complicado o o meio e essa questão, né, do emagrecimento rápido, né? Isso porque o emagrecimento saudável não é um milagre, né? é um, digamos assim, é um percurso, é um caminho. Essa perda de peso muito rápida, ela pode significar perda de músculo, ela pode desencadear uma desidratação sever, o paciente pode ter alterações renais sérias e diversos outros efeitos colaterais e adversos importantes. Então, além disso, né, dessas promessas que costumam esconder os riscos e as contraindicações, né, é importante o paciente parar e pensar que, tipo, o caminho do emagrecimento, a obesidade é um problema crônico, então é um caminho longo, né? E se fosse simples assim, se fosse seguro, se fosse tão milagroso essa questão desse emagrecimento rápido, desso, não estaria sendo vendido, né, essas canetas aí de forma clandestina, né, essas canetas milagrosas aí de forma clandestina. Então, é muito complicado tudo isso em que a gente tá passando atualmente eh aí nos nossos dias, certo? E Larissa, quando você recebe, né, um paciente, né, no seu consultório sobre o emagrecimento ou para fazer assim esse checkup, o mapeamento mesmo do paciente, eh, como que ele deve procurar, o que ele precisa fazer para utilizar esse esse produto? tem contraindicação. Eh, e como eh a partir do momento que ele usa esse essa caneta, né, que o paciente usa a caneta, se não fizer a dosagem correta, pode ter um efeito colateral de engordar tudo de novo ou isso pode trazer riscos paraa saúde? Uhum. Veja, eh, a primeira pergunta, né? Lógico, todo paciente precisa ser avaliado eh de forma personalizada. Então, a gente existe vários tipos, digamos assim, de fome, né? Tem aquele padrão beliscador, padrão ansioso, o padrão que é aquele padrão hiperfágico, que é aquela pessoa que come muito, né? Então, existem vários tipos, eh, digamos assim, de fenótipos, né, desses pacientes que a gente precisa avaliar e ver qual a melhor medicação, né, para aquele paciente. Nem todo mundo vai se beneficiar de do medicamento X, né? Às vezes você vai ser beneficiado de outro tipo de medicamento, né? Então precisa sim desse acompanhamento personalizado. Qual foi a outra pergunta que você fez? Me perdoa, eu esqueci. É, é que eu a gente foi no bate-papo, aí eu fui falando se existe essa contraindicação, né? E como que ela, a pessoa ela faz esse acompanhamento, né? por exemplo, ela utilizou, se ela usar de uma forma inadequada, eh, corre o risco de perder tudo aquilo que que estava no tratamento, de engordar tudo de novo, como que funciona no organismo? Tá, em relação à contraindicação, a gente tem algumas contraindicações que são bem importantes, tá? uma principal fonteindicação, principalmente ao uso do monjaro, da tres hepatida, é o carcinoma médula de tireoide, tal. Então, muitas vezes as contraindicações, os riscos não se é passado na mídia, tá? Eh, não se é passado paraa população, mas pessoas que têm casinoma medalada de tiroide ou até mesmo pessoas que têm nenhum, que é um tipo de uma síndrome rara, que é tratada por endocrinologistas, tá? Essas pessoas elas não podem, tá? São as principais contraindicações do uso dessas medicações, tá? Sem contar, por exemplo, litíase renal, que é pedra no rim, tá? Quando você usa essas medicações, consequentemente você tem um retardo no esvaziamento gástro que às vezes as pessoas não conseguem gerir de forma adequada a água e aí consequentemente elas ficam mais propensas a terem pedra no rim, a terem litíase renal. Então, as pessoas que já tm uma litíase renal, eh, digamos assim, de repetição ou já tem histórico dessa litiase renal, elas precisam ser acompanhadas de forma mais, digamos assim, personalizada, de forma mais contínua e às vezes até elas não têm indicação do uso da medicação, tá? Dentre diversas outras contraindicações que a gente tem. E existe alguma, algum efeito colateral no início do uso dessa caneta? ela pode sentir alguma abstinência em algum momento. Como que funciona? Para alertar mesmo, né, a população que faz uso dessa caneta. Larissa, veja, os análogos do GLP1, tá? Principalmente eles vão ter efeitos de trato gastrointestinal, então é muita náusea, é vômito. Como eles fazem aquele retardo do eszeamento gástico? Ou seja, o que significa isso, Larissa? gástico, é como se seu estômago ele demorasse mais pra comida passar do estômago para o intestino. Então, consequentemente você é como se você ficasse mais empxado, mais cheio, mais estufado. Então é um dos grandes efeitos colaterais da medicação, tá? Tem paciente meio que diz assim, jovem, diz: "Doutora, para que eu fui tomar isso, né? Eu não consigo mais beber minha cervejinha no final de semana, entendeu? justamente porque o paciente fica cheio, fica, fica estufado, né? Então existem algumas medicações que ele não consegue fazer. Existe alguns alguns alimentos, algumas bebidas que o paciente de fato não consegue mais fazer. E quando é perceptível, quando ele precisa prestar atenção que esses sintomas, né, eh, estão cada vez mais assim prolongados, que precisa de uma atenção. Existe isso também de o organismo não está recebendo bem essa medicação e precisa procurar um atendimento médico. Exige principalmente quando a pessoa tem quadros de diarreia, que pode ter, pode afetar quadro de diarreia quanto quadro de constipação. Então, às vezes o paciente ele pode até evoluir com quadro de diarreia mais importante, aí consequentemente pode levar um quadro de desidratação e aí até mesmo uma lesão renal aguda, tá? Ou seja, problema no rim, tá? de forma aguda que tem como resolver, mas assim precisa ter uma atenção, precisa procurar um pronto atendimento. É importante que todo paciente que faz o tratamento com os injetáveis, eh, e também os não injetáveis ten o contato do seu médico, tá? Porque qualquer complicação, qualquer eh percurso, digamos assim, diferente do que foi o habituado, do que foi o explicado na consulta, ele precisa entrar em contato com o seu médico e até mesmo procurar atendimento eh em pronto atendimento, certo? E Larissa, a gente também eh gostaria de ressaltar a questão da compra, né, desse desse medicamento. A gente vê que tem aí um mercado paralelo também, essa compra, né, clandestina. né? Então, queria que você eh relatasse pra gente sobre essa questão também da compra desse produto, que também contribui muito aí pra qualidade desse paciente, né? Acaba sendo um agravante também. a gente vê que tipo várias assim várias pessoas, a gente viu vários relatos na mídia, né, de pessoas que fizeram uso dessas medicações aí clandestinas que tiveram até eh, digamos assim, comprometimentos graves em relação à sua saúde, como por exemplo o Guilherme Barreter. Então, a gente vê muitos brasileiros eh se deslocando, né, indo para fora do país ou até mesmo comprando em clínicas clandestinas, em redes sociais, eh seguindo influenceres, seguindo blogueiros. Mas eu acho que as pessoas precisam ver que o emagrecimento seguro não acontece fora do consultório médico, né? Saúde não pode ser tratada como tendência de internet, como tenência de mídia, como moda, tá? Saúde é coisa séria. As pessoas precisam entender que precisam procurar um médico especializado para o seu acompanhamento, que é o endocrinologista e metabologista. Entender de fato que a obesidade é uma doença crônica e exige um acompanhamento sério. Isso, a questão do uso desse medicamento, né, do falando aí das canetas, dos injetáveis, que de fato é o que mais chama essa atenção. Ele pode ser utilizado por qual período? Ele também não é por um período longo aí a longo prazo a utilização dele, né? tem um limite aí de utilização. Veja, pelos últimos guidelines e pelos últimos estudos em que foi colocado pra gente, principalmente nos últimos guidelines da Beso da Sociedade Brasileira de Obesidade, a gente viu que eh os estudos mostram que é como ela é uma doença crônica é pro resto da vida, como hipertensão, como diabetes, como colesterol, que entra aí no fator da deslipidemia. Existem hoje alguns poucos estudos em que falam do desmame da medicação, da retirada da medicação, mas concomitantemente, com atividade física regrada, com uma disciplina, com uma reeducação alimentar, ou seja, com de fato a mudança de estilo de vida, tá? Mas são poucos estudos, a gente ainda não tem estudos robustos na literatura médica, né? E os últimos guidelines, o que eles colocam, tá? é que é um tratamento crônico, né? Então a gente são medicações novas ainda para medicina. Então o que a gente tem hoje é que um tratamento crônico, um tratamento a longo prazo, tá? Não sei como vai ser daqui a 5, 10 anos, né? A medicina evolui a cada dia, mas hoje é um tratamento crônico e a longo prazo. Tá certo? Dout. Larissa, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso quadro Saúde agora trazendo essas informações. Então, queria que você fizesse aí as suas considerações finais, né, com essa importância mesmo da pessoa fazer esse acompanhamento e sempre em busca de um especialista, né? É, é isso, pessoal. Entendam que por trás da obesidade sempre tem alguma outra doença importante, né, que tá relacionada ali, seja uma resistência insulina, seja um diabetes, um pré-diabetes, uma hipertensão. Então, a obesidade é uma doença de fato complexa, é uma doença que não é só aparência, ela tem toda uma regulação hormonal, ela tem uma regulação a nível de sistema nervoso central, a nível de cérebro. Então, procureem atendimento personalizado, procure um profissional qualificado, tá? E lembre, emagrecimento seguro, tá? Não acontece fora do consultório médico, tá certo, Larissa? Muito obrigada mais uma vez pela sua participação. Bom, o saúde agora fica por aqui. Você pode assistir esse episódio e tantos outros pelo YouTube da TV Câmara Campinas. Continue acompanhando a programação. Até a próxima edição. Até lá. เฮ