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Olá, começa agora mais uma edição do Saúde. Agora vamos falar de saúde pública porque novos casos de MPOX t surgido aqui no Brasil. Só neste ano foram registrados 88 casos, a maioria no estado de São Paulo. A Secretaria Estadual da Saúde confirma em 2026 um total de 50 casos em território paulista. A capital é a cidade com maior número, 31 casos. Campinas com dois casos, Paulíia com um, Sumaré com um caso e Hortolândia também com um caso. São as cidades aqui da região metropolitana de Campinas com notificações, cinco no total. Por isso, então convidamos o Dr. Marcos Davi Gomes de Souza, médico infectologista, mestre em pesquisa clínica em infectologia pela Fiocruz e ele já está conectado aqui conosco. Seja muito bem-vindo, Dr. Marcos. Muito obrigado, Casse. Bom dia a todos. Bom dia, Dr. Marcos. Bom, pra gente iniciar, como que está, né, essa relação, como que o Brasil eh vê essa situação desse vírus, né, e falar um pouquinho também sobre o que vem a ser esse vírus MPOX, que tem acendido um alerta também na população. Bom dia a todos os telespectadores. Eh, a Mipox é uma zoonose, né? Então, o que que é uma zoonose? é uma doença que ela teve origem, né, em animais e acidentalmente ela foi transmitida pro ser humano, né? Então isso inicialmente ela tinha até um nome, né, que ficou conhecido, mas por questões eh ambientais para não estigmatizar, né, os animais, até porque hoje eles praticamente não fazem mais parte, né, desse ciclo da doença. A doença ela no contexto atual, ela é transmitida de humanos para humanos. a gente fala, né, em Mipox. Então, ela é uma doença viral, uma doença de manifestação predominantemente cutânea, né? Então, ela dá vários sintomas, ela pode afetar vários órgãos, mas o principal órgão afetado que a gente primeiro suspeita da doença é a pele, né? Ela não tem tratamento, mas ela possui diagnóstico. E Can, o mais importante que eu acho hoje aqui nosso papel é desmistificar, né, e tentar, porque tá tendo um pânico nas redes sociais. Não sei se você vai, né, abordar isso mais para frente, mas a gente precisa dizer que ela não é tudo isso que está, né, apresentando aí. as pessoas muitas vezes postam fotos, né, isoladas de casos mais graves que são muito raros, né, mas isso não corresponde à realidade da MPOX, né, a maioria dos casos, pelo menos. Certo, Dr. Marcos? Então, a gente vai entrar, né, nessa questão dos sintomas. Então, queria que explicasse exatamente como que é feita essa transmissão, né? Quais são os cuidados que as pessoas elas têm que ter? Exatamente. As redes sociais, né? internet aí está cheia de informações em relação ao vírus, principalmente, né, nos casos aqui no Brasil. Então tem esse alerta, né, justamente as pessoas estão eh realmente preocupadas, né, com a com a disseminação desse vírus aqui. Então, vamos esclarecer de fato como que é feita essa transmissão, né, e o que a pessoa ela tem que tomar cuidado. É, então assim, uma uma informação muito importante é que as doenças infecciosas elas são muito dinâmicas. Às vezes elas começam de uma forma e elas evoluem, né? o próprio vírus ele evolui, né? Então esse vírus que a gente tem hoje, ele não é igual ao vírus lá que foi identificado no início da epidemia, né? A gente chama de clados, né? São clados, são como se fossem cepas, né? Diferentes. E curiosamente ele tomou uma característica de infecção sexualmente transmissível. Então, mais de 95% dos casos de MPOX que a gente atende tem relação com a relação sexual, tá? Então, as pessoas ficam muito preocupadas, ah, eu vou pegar MPOX na maçaneta, ah, eu vou ter que, né, não vou tocar nas pessoas. E cria aquele pânico, até porque no início, realmente, como a gente nunca tinha ouvido falar, né, a maioria das pessoas, criou-se esse esse terrorismo, mas não é. Atualmente a transmissão da MPOX, ela é principalmente por via sexual, pelo contato sexual. E a gente atende, né, os casos e muitas vezes o paciente chega, ele nem sabe que tá com mipoxi. Às vezes é uma lesãozinha tão pequena, né, que aquilo ali vai sumir espontaneamente, não vai acontecer nada mais sério e a gente acaba descobrindo porque a gente faz o exame. Mas se não fizesse o exame, até a gente médico mesmo às vezes fica na dúvida, tá? Então, ela é transmitida de pessoa a pessoa, pode ser transmitida por objetos, pode, tá? Se aquela pessoa que tá infectada, né, e e tiver aquele objeto tiver contato com a lesão, né, ela pode haver a transmissão, mas isso é muito raro. O mais comum mesmo é a transmissão eh por via sexual. A, doutora, quais são os primeiros sintomas, então? como que vocês identificam, né, já que às vezes pode confundir aí esse diagnóstico. Então, tem um desafio também de ter esse diagnóstico precoce? Sim, é muito desafiador, porque quando a gente vai ler no livro, né, lá tá escrito que a pessoa tem febre, dor de cabeça, dor no corpo, que são sintomas inespecíficos, né? uma dengue pode causar isso. Eh, qualquer doença, né, infecciosa ou não infecciosa mesmo pode causar isso. Então, o que que a gente vê na prática? Os pacientes muitas vezes tor não senti nada. Simplesmente apareceu essa feridinha aqui na região genital, na região anal ou na boca. E eu não sei que ferida é essa, né? Alguns pacientes se queixam de dor na ferida, né? Outros não, tá? Então tem essa essa diferença também. Nem sempre é uma lesão dolorosa, mas habitualmente a história natural da doença, o paciente ele vai ter um quadro de febre, mesmo que imperceptível, às vezes aquela febrinha mais baixa, o paciente ele se sente um pouquinho mais fraco, mais cansado, tá? Alguns casos também podem cursar com calafrios e alguns dias depois, né, eh, ele vai manifestar, pode manifestar, né, não é obrigatório, mas pode manifestar essas erupções cutâneas que são, é como se parece uma verruga, né? Ela começa com com uma bolha, com uma vesícula, que é uma lesão cheia de água. E aquilo ali vira uma crosta com o passar do tempo, mesmo sem tratamento, né? Vira uma crosta e essa crosta com depois de duas, tr semanas ela cai espontaneamente, tá? E a resolução eh é é espontânea, né? A gente atualmente não tem tratamento, certo? E como que é feita essa avaliação, né? Eh, o exame, qual que é o primordial exame que é detectado então esse vírus? É, ax, o diagnóstico dela é clínico laboratorial, né? Então a gente que os médicos que estão acostumados a ver a MPOX, a gente bate o olho, a gente já suspeita, né, que pode ser. Se o paciente falar que teve uma uma relação sexual desprotegida, né, mais um ponto para CMPOX. E mais o diagnóstico definitivo, ele é feito através do PCR, da reação em cadeia de polimerase. Que que é isso? um exame você pega um um suab que é um contonetezinho, você passa ali na lesão e manda isso pro laboratório, né? Todos os lacenses, né? Os laboratórios centrais de saúde pública que tem todos os estados do Brasil estão preparados para fazer esse exame. Então a pessoa que ela teve um um suspeita, ela vai procurar a sua unidade básica de saúde, né, seu profissional de saúde ali de referência, ele vai avaliar, se possuir critérios, ele vai coletar aquele material e vai mandar pro lacem. É importante a gente ressaltar também do período de incubação. O que que é o período de incubação? É o é o período entre o momento que a pessoa se expôs à doença e o momento dos primeiros sintomas. Então isso não é imediato, né? Isso pode levar até 21 dias, né? De eh eh eh ele ele varia de pessoa para pessoa, mas eh varia de 5 a 21 dias, tá? Então, às vezes a pessoa ela disse: "Não, mas eu não tive nenhum nenhuma relação nesses dias, mas pode ter sido aquela relação de três, quatro semanas atrás que está se manifestando agora". E nesse período então, né, desses 20, 21 dias, o que que essa pessoa ela deve fazer? Você disse que não tem um tratamento específico, né? Mas ele precisa tomar uma medicação. Como que funciona essa parte para minimizar aí os efeitos, né, as dores e também para ir sarando toda aquela erupção cutânea. Isso, isso é é muito importante, né? Porque as pessoas é muito estranho a gente dizer assim: "Olha, não tem tratamento para sua doença, né?" E a pessoa fica, como assim não existe tratamento? Então, até existe, né, um antiviral que é o Tecoate, mas esse antiviral ele não mostrou eh nos estudos, né, que foram feitos, não mostrou um benefício claro, tá? Foram divididos dois grupos de pacientes, um tomou, outro não, e no final das contas aqueles que tomaram não tiveram um benefício tão claro. Então, eh, atualmente, e ele só era empregado para pacientes com doença grave, né, que é a minoria dos casos, né? É bom que a gente reforçar isso. Quem é o paciente que vai ter doença grave? Aquele paciente que tem problemas na imunidade, né? Que tem uma imunidade muito deficiente por alguma doença, tá? Então, eh, o que que a gente pode fazer é o cuidado local, né? lavar com água e sabão. Em alguns casos pode acontecer uma coisa que a gente chama de infecção secundária, que é quando uma bactéria da pele, ela se aproveita daquele daquela lesão e acaba causando, né, ali uma lesãozinha bacteriana. E aí a gente vai tratar a lesão bacteriana, né, infecção bacteriana. Eh, mas para impox mesmo não é importante que no período uma pessoa com suspeita ou diagnosticada com a impox que ela fique isolada. Isso é muito importante, pessoal, porque que que acontece? Como eu falei para vocês, muitas vezes a lesão ela é muito muito pequena, né? Quase imperceptível. E eu tive muita dificuldade, muitos empregadores não queriam afastar o a o seu funcionário. Ele diz: "Não, isso aí você vai ficar de atestado por causa disso, mas é um é um é um problema de saúde pública, né? é risco sanitário de transmissão. Então, para aquela pessoa, ela pode não manifestar, né, sintomas mais graves, mas se ela transmitir, né, para uma criança, para uma pessoa com câncer, para uma pessoa eh que vive com HIV, com uma imunidade muito baixa, isso pode ser catastrófico. Então, é muito importante que que a pessoa que tem a suspeita, ela fique afastada até o esclarecimento e se for confirmado, né, que cumpra aí o período de quarentena, né, período até a a crosta cair, certo? Então, Dr. Marcos, nesse sentido, eh, de repente essa evolução, né, dos surtos do vírus aqui no Brasil, em algumas cidades aqui da região metropolitana de Campinas, que tiveram casos justamente por conta, né, desse, eh, desse decreto também, essa declaração de emergência, né, da da vigilância e também da Organização Mundial de Saúde. É justamente por conta dessa quarentena e desse afastamento que muitos pacientes não fizeram de acordo. Talvez seja isso eh esse aumento aí nos casos, né? Perfeito, perfeito. Eh, é muito importante, né? E como toda doença infecciosa, a gente não pode ser egoísta, né? E às vezes muitas pessoas até por quererem trabalhar, não, não, po, não quero ficar em casa, eu quero ir trabalhar, né? Mas você tem que pensar no outro também, principalmente quem trabalha na área da saúde, né? Você vai tá lidando ali com pessoas eh possivelmente debilitadas e que se houver uma transmissão, né, para aquela pessoa pode ter uma consequência mais séria. Daí daí a importância da gente primeiro não entrar em pânico, né? Essa eu acho que é a principal mensagem aqui hoje. Não há motivo para pânico, né? Eh, a a a MPOX, ela tem essa característica de transmissão sexual. Então, muito raramente alguém que não teve, né, um contato sexual eh eh pode adquirir, né? E segundo que mesmo que a pessoa adquira eh a minoria vai ter complicações, né? Muito muito poucas pessoas vão ter complicações. O que que a gente viu na primeira fase da epidemia? Muitas pessoas que viviam com HIV, que não sabiam que tinha o HIV, né, que tinha uma imunidade já muito baixa, elas adquiriam a mxí essa doença evoluía de forma mais grave, né? Então ela diagnosticava o HIV junto com a MPOX. Então, esses pacientes foram os que, infelizmente, né, vieram a óbito, porque não foi só pela Mipox, não foi a combinação da Mipox com uma outra doença, né, que afeta profundamente o sistema imune. Tá certo, Dr. Marcos? Agora, pra gente então eh finalizar, né, o nosso quadro, como que está a situação no Brasil? Então, quais são, né, as dicas e orientações, né? A primeira delas é não entrar em pânico, né? Não criar essa sensação de que o vírus ele está eh que está alarmante aqui no Brasil. Eh, então queria que você passasse essas recomendações. É, perfeito. Então, assim, atualmente, né, eh, os últimos dados, a gente tem menos de 200 casos confirmados no Brasil, tá? Então, primeira coisa, menos de 200 casos em 2026, tá? existem cerca de 500 e pouco em investigação, né, que estão a os centros de vigilância epidemiológica estão investigando. É uma doença que ela não desapareceu, né? Então isso é importante também. Eh, o fato de não estar na mídia não significa que a doença desapareceu, ela estava aí, né? A gente identificava um outro outros casos. E as doenças infecciosas, elas têm muitas vezes essa característica, né, de picos, né, momentos que t mais casos aí depois dá uma diminuída. depois volta a subir de novo. Então isso é uma dinâmica mesmo das doenças infecciosas e até o momento nenhum óbito, né, foi registrado pela MPOX. Então, eh é importante que as pessoas conheçam, né, se informem sobre a doença em em canais confiáveis, né, como é o trabalho que vocês TV Câmara estão fazendo, né? Nós temos também o site da Sociedade Brasileira de Infectologia que tem todas as informações, o site do Ministério da Saúde, né, saúde de A a Z. Você pode entrar lá no na letra M de MPOX e aí você pode se informar sobre todas as as informações da doença. Não sei se você vai perguntar sobre a vacina também, que é uma dúvida, né, que as pessoas sempre perguntam nessa questão da vacina, porque como a gente falou, né, sobre a questão do tratamento, mas tem também essa dúvida em relação à vacina, Dr. Marcos. É, e aí é é outra coisa muito importante também sobre a vacina. O que que acontece? A gente estimula, né, as pessoas a se vacinarem, eh, né, porque por para várias doenças, mas infelizmente a MPOX só é uma empresa no mundo que produz a vacina da MPOX e ela não tem para quem quer, digamos assim, né? Ela é uma é uma vacina limitada, ela tem algumas características que depois que ela que você descongela, né, ela tem um tempo para ser aplicada. Se ela não for aplicada, ela tem que ser descartada. Isso tudo é programado, né, pelo Ministério da Saúde em parceria com as secretarias estaduais e municipais de saúde para que nenhuma dose seja perdida. Então, para quem que a vacina é eh ela vai ser dispensada prioritariamente, né, para aquelas pessoas que têm um risco maior de adoecer e morrer, né, pela Mipox, que eu já falei, que são aquelas pessoas que têm algum problema na imunidade, né, uma imunidade muito baixa, ou então aquelas pessoas que epidemiologicamente estão em maior risco, né? A gente tem alguns grupos populacionais mais vulnerabilizados que têm maior risco de adquirir as ax. e algumas eh secretarias de saúde também colocam eh essa vacina para essas pessoas. A vacina ela é dada em duas doses, tá? E tem esse público alvo aí como como prioritário. Tá certo, Dr. Marcos? Muito obrigada pela sua participação aqui na saúde agora. Ficou então esclarecido sobre esse vírus. Não precisa ter esse pânico. Então, quero agradecer novamente pela sua participação e compartilhar todo o seu conhecimento em relação a esse vírus aí que tem acendido esse alerta. Muito obrigada. Eu que agradeço, Cende. Bom dia a todos. Bom, pessoal, conversamos então com o Dr. Marcos, ele que é médico infectologista, mestre em pesquisa clínica em infectologia pela Fiocruz e trouxe todas as explicações sobre esse vírus. Então não precisa de pânico. O nosso quadro fica por aqui. Te espero na próxima edição. Até lá. เ