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Olá, saúde agora no ar. Na edição de hoje, vamos falar de uma decisão que mudou os rumos dos procedimentos estéticos no Brasil, mas também a acendeu um alerta vermelho. O Conselho Federal de Medicina proibiu oficialmente o uso do PMMA por médicos para fins estéticos e reparadores. Estamos recebendo o Dr. Daniel Regazini, ele que é cirurgião plástico e também diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica para abordar esse tema. Está conosco já conectado. Seja muito bem-vindo, Dr. Daniel. Obrigado pelo convite. É sempre bom estar aqui. Bom, primeiramente, doutor, a gente vai falar sobre o cenário atual, né? Queria que o senhor explicasse primeiro o que é PMMA. E ele é usado para qual finalidade, doutor? Vamos deixar isso mais simples para a população geral. Interprete isso como um produto de estético para aumento de tecidos moles, tá? Então eu posso tratar desde ruga simples até aumento de volume de braço, tórax, bumbum, ah cuja parte química principal é um acrilato, é um acrílico. É a mesma coisa que eu tivesse colocando num acrílico. Na hora que eu injeto esse produto, eu faço um volume criado por uma uma um produto não ã de não assim, diremos assim compatível com o tecido humano, mas é um acrílico cuja reação de fibrose causada leva um aumento do volume dos tecidos, tá? Ele se ele é teve registro, primeiro registro do PNA foi para tratar de pacientes de HIV naquela época do passado que os pacientes ficavam muito magros e eles eram utilizados junto do osso para aumentar o tecido do rosto. Esse foi o primeiro ahã registro do produto. O que acontece é que com o tempo ele foi aumentando o seu uso e hoje se tornou um problema de saúde pública. E doutor, eh, o que levou, né, o que motivou então essa proibição, o que aconteceu, né, quais são os riscos e complicações deste produto no nosso organismo, né? queria que entrasse um pouquinho nessa questão mesmo da proibição. Na proibição, eh, eu acabei de falar que é um problema de saúde pública. O produto em si, ele não é dos piores. O problema é o exagero do uso. Nós chegamos num num num parâmetro atualmente de usar 2 L de produto injetado num glúteo do paciente, entendeu? Então esse exagero se tornou um problema de saúde pública, não? A os órgãos oficiais não têm como fazer a toda a fiscalização que precisa. Então assim, um produto que tem uma origem boa, que foi desviado do seu caminho para chegar num exagero que a gente vê atualmente. E com esse tempo passado, os estudos mostram que o produto, mesmo em pequenas doses, ele pode causar alterações renais graves. Então, se a gente junta a complicação do exagero com as complicações do próprio produto, se tornou um produto de um problema de saúde pública. O o produto foi proibido uma vez, depois voltou ao uso, foi proibido de novo e atualmente chegamos numa lei mais ah focada na saúde pública do Brasil. Certo. E, Dr. Daniel, como que a gente pode classificar então a questão dos sintomas, né? O que acontece com esse paciente que tem essa substância, né, no corpo, esses sinais, eles são de imediato ou não? Pode acometer esse paciente que pode ficar com essa substância muito tempo no organismo? Como que funciona essa substância? Nunca vai embora. Uma vez colocada, ela não tem como a gente remover, a não ser quando a gente remove tecidos junto com o produto junto, tá? a gente corta tudo, arranca fora no português mais claro e a gente consegue tratar esses esses pacientes. O produto, uma vez colocado no seu organismo, ele faz uma fibrose, uma reação cicatricial ao redor dele. Ah, mas ele continua ativo. Então, você vai passar a mão embaixo da pele, você vai sentir ondulações ou a as fibroses. Você pode olhar a pele aonde foi aplicado e você que ela fique mais avermelhada. ou ela muda de cor, chegando a ficar até mais roxo, tá? Nos casos de exagero, eu tô falando, tá? Além disso, esteticamente ele faz peso. Então, o bumbum que tá lá no alto, com o passar do tempo, ele vai descendo, tá? Então, a gente tem dois tipos de característica, uma característica mais inflamatória e uma característica mais estética. Além disso, como esses estudos mostram, eu só vi uma paciente na minha vida inteira que teve alteração renal grave pelo PMMA. Então assim, paciente que tem PMMA hoje não é questão de sair correndo para tirar, tá? A gente não vai tirar todos, a gente vai tirar aqueles que causam lesão na paciente, tá? Ou estética ou sistêmica. exames de atividade renal e atividade inflamatória uma vez por ano e métodos de imagem uma vez por ano para fazer o acompanhamento desse produto, tá? Com isso a gente consegue garantir a saúde do nosso paciente. Saúde, estética é outra coisa. é nessa busca, né, eh, da estética de melhorar o corpo, o pessoal acaba, eh, tendo essa informação, chega com esse acesso fácil à informação, né, doutor, e acaba às vezes trazendo consigo eh prejudicando a saúde em si, né? Vamos falar dessa forma porque oi são dois te interromper, mas são dois fatos bem sabidos hoje. O exagero vem da além das mídias do custo. É um produto de baixo custo, entendeu? Então assim, atinge uma grande parcela da população, se tornando um problema de saúde pública. Desculpa te interromper de novo. Não, de forma alguma. E do Senhor tava comentando sobre essa questão eh da fiscalização, né? A fiscalização ela veio, baniu, proibiu, mas é difícil ainda, é desafiador como que essa fiscalização ela vai conseguir controlar de fato eh o uso, né, desse medicamento por outros especialistas, esteticistas, eh dermatos e também ao mercado clandestino, né? Difícil chegar nesse ponto aí. É desafiador mesmo, né? O mais importante que eu acho é que a gente tem que a gente tem uma um o maior órgão fiscalizador do mundo são os nossos pacientes, é a população. Na hora que você foi fazer um tratamento, independente de qualquer outra coisa, peça para ver o produto. Vai lá e veja o registro na visa desse produto. vai procurar um profissional que tenha o seu CRM ou o seu registro devidamente ã publicado nas nas mídias sociais ou tá na internet. O maior órgão fiscalizador não é um órgão, é a população. Quem vai sofrer com isso é a população e vai ser nosso maior aliado. Exatamente. Doutor, eh, o senhor tava comentando também a respeito da uma das suas especialidades é retirar, né, esse produto, essa substância. Hoje, eh, no, no seu consultório, quais são a as reclamações? O senhor tem recebido bastante, né, pacientes eh nessa situação mesmo, que utilizou ou que tem vontade de fazer essas modificações no corpo, utilizando esses produtos, tem alternativas para isso? Paciente que me procura, ele tem tem que conversa duas coisas. Primeiro, o quanto isso está, o que ele colocou no seu passado, o quanto isso está atrapalhando a vida de saúde dele ou a vida eh de dos resultados estéticos. Se for em termos de saúde, a gente faz acompanhamento para ver se precisa mesmo retirar. Esteticamente já é outra coisa. A gente tem que avaliar se a cicatriz que a gente vai causar vai valer a pena em relação à remoção do produto, tá? É preciso tirar de todo mundo, é para sair todo mundo correndo para tirar. Não. É preciso ter ciência que você tem um produto aí dentro que pode te fazer mal e como algum fiscalizador que você vai ser a correr atrás de um médico para poder acertar essas esses problemas de saúde. Então, nesse caso, doutor, tem os exames específicos, né, para para indicar o que está acontecendo com esse paciente que foi acometido com essa substância. tem a questão renal que o senhor mencionou e tem também a parte física, né, da das modificações do corpo. Isso seria uma cirurgia paraa retirada? Eh, seria nesse sentido ou existe uma complicação também no procedimento paraa retirada? Ah, uma vez colocado o PMA no corpo, a gente nunca vai conseguir tirar ele 100%. Tá? Então a gente utiliza de meios de remoção da maior parte, que é retirados de tecidos, de um bloco de tecido com produto no meio, tá? Então não tem uma uma ampola ou uma seringa, uma cânula que eu vou lá e aspiro, tá? Isso não existe. Da mesma forma que eu não preciso tirar de todo mundo, eu só posso acompanhar, tá? Quando o paciente, quando a gente junta alterações físicas, laboratoriais e estéticas, a gente vai avaliar se a cicatriz gerada final vale a pena paraa remoção, tá? A maior parte vale. Os resultados são muito bons no glúteo. Desculpa falar, na face já é mais complicado. Então, na verdade, o que a gente pode deixar de mensagem, doutora, que também não há pânico com essa proibição. Acende um alerta, mas não há pânico, né? É isso que eu mais gostaria de deixar de mensagem. É um problema de saúde pública que não deve levar uma corrida dos pacientes altos consultórios. Eles precisam ser conscientizados que existe um problema, tá? Que vai precisar tirar. Talvez sim, talvez não, mas o mais importante é ah não usar, fiscalizar o uso, tá? E em qualquer sintoma, ficou vermelho, mudou de cor, dor, a irregularidade da pele muito grande, corra para um profissional qualificado, um bermato seja, um plástico para ver o que pode fazer feito. O mais importante é não precisa correr. Eu não preciso tirar todo mundo. Basta só prestar atenção no corpo, na reação do corpo e buscar profissional especialista, correto, né, doutora? Isso. E o mais importante que eu gostaria de deixar também é que toda essa briga com o PMA foi fruto do CFM. O CFM junto com a Dra. Gabriela, que é uma plástica, que faz parte do CFM, conseguiu de uma vez por todas proibir o produto e pra gente isso vai ser para pra gente não, pra população geral, isso vai ser muito bom. Tá certo, Dr. Daniel? Eu quero agradecer imensamente a sua participação e também esclarecer, né, essa polêmica aí que surgiu, mas agora realmente ficou claro que não precisa de pânico. Muito obrigada pelos seus esclarecimentos e a Sociedade de Cirurgia Plástica tá sempre a dispor para qualquer eh esclarecimento da população. Muito obrigada, Dr. Daniel. Bom, o quadro Saúde agora fica por aqui. Você pode acompanhar também a programação pelo portal tvcameracampinas.com.br. Te espero na próxima edição. Até lá.