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Está no ar mais uma edição do Saúde Agora, o quadro voltado para conscientização e informação sobre temas médicos, prevenção de doenças e dicas de bem-estar e qualidade de vida. Hoje vamos falar sobre as diferenças entre fome, gula e compulsão alimentar. Em um cenário em que a obesidade avança no Brasil, entender a relação com a comida se torna fundamental. Segundo dados do atlas mundial da obesidade de 2025, 31% da população adulta vive com a condição e 68% apresenta excesso de peso. Por isso, hoje convidamos a nutricionista Ana Beatriz Guisser. Ela tem especialização em obesidade e emagrecimento e saúde e já está conectada aqui com a gente. Seja muito bem-vinda, Ana. Obrigada pelo convite. Bom, Ana, pra gente iniciar então esse nosso bate-papo, né, falando um pouquinho sobre essa questão da fome, da gula e também compulsão alimentar, né? Entender um pouquinho essas diferenças, as diferenças, né, desses três tipos. Mas, primeiramente, né, fome é um sinal fisiológico, primeiramente, né, mas quando os sinais ele ultrapassam aí o limite? Então, vamos começar pela fome especificamente, Ana. Então, a fome é quando a gente realmente, né, tem aquele roncar do estômago, eh, já estamos um tempo sem comer e a gente começa já a sentir uma fraqueza. Então, a gente tem esse sinal fisiológico, eh, onde a gente deve respeitar e se alimentar, né? Eh, quando a gente entra, né, eh, em exageros, né, eh, exageros podem acontecer ocasionalmente, né, que é aí que a gente classifica uma gula, eh, estar comendo um pedaço e de repente querer, ai, tá tão gostosa essa torta, repetir esse pedaço. Eh, mas acontece, né, eh, de forma mais ocasional. esse esse exagero. Então, eh a fome, né, e a gula, ela elas vão estar presentes na nossa rotina, no nosso dia a dia, certo? No caso da gula, né, essa questão de exagerar um pouquinho, como você bem colocou, né, faz parte ali do nosso dia a dia. Situações emocionais, por exemplo, elas também contribuem, interferem na alimentação, né? Porque muita gente acaba descontando ali as emoções nos alimentos. Então esse comportamento ele afeta o organismo? Com certeza. Eh, a gente percebe essa essa questão, né, de uma fome mais emocional e com a nossa rotina, né? o a falta de tempo às vezes para ter um planejamento alimentar, a correria do dia a dia para dar conta do trabalho, da família, né, e ainda eh conseguir aí um tempo pro lazer. E às vezes a gente chega eh talvez um pouco frustrado em casa e busca o prazer nos alimentos, né? E e geralmente, na maioria das vezes, são alimentos de alto teor calórico, né? Então, a gente busca os lanches, né, rápidos, eh, pizza. E isso também tem um efeito, né, às vezes potencializado, dependendo de como é o nosso social. Se a gente frequenta muito muito evento também, né, pode ser ainda potencializado. Agora, o que a gente precisa ficar atento, como eh eu mencionei no começo, é a frequência desses episódios, né? Eh, então se começa a acontecer com uma frequência muito grande, muitas vezes na semana, episódios de exagero, de quantidade ou de tipos de alimento, né, muito alimento industrializado, alimento eh com presença de fritura na preparação, a gente deve eh ter aí o sinal de alerta, né? É, exatamente. Eh, a você comentou essa questão sobre os eventos, né, no dia a dia. É uma situação também no caso confraternização, né? Muitas pessoas que acabam indo muito em festas ou até mesmo festas ali de familiares, um churrasco, isso acaba também se tornando algo em excesso quando a gente fala em alimento, né? fala em comida, porque às vezes a gente nem tá com fome, mas passa o dia todo ali eh comendo, né, sem estar com fome. Isso também já é um motivo de preocupação ou não? Até que ponto a gente consegue separar esse limite, Dra. Ana, olha, quando a gente tem consciência que a gente tá fazendo a escolha alimentar, né? eh e está escolhendo naquele momento viver a situação eh ali da reunião de amigos, família, aproveitar e no dia seguinte a gente consegue retomar a nossa rotina. Eh, até esse ponto tá tranquilo. Agora, quando esse consumo ah, muitas vezes exagerado, no dia seguinte ou algumas horas depois, traz um quadro já de angústia, de arrependimento, de às vezes falha na tentativa de um planejamento aí para emagrecimento, né, está mexendo muito com o emocional da pessoa e ela não consegue, né, sair desse ciclo. é, é um sinal de que é necessário um acompanhamento multidisciplinar, então com nutricionista, apoio psicológico e psiquiátrico para que a gente consiga, né, conduzir e e trazer esse paciente eh para um conforto emocional, para escolhas melhores com a comida, independente da situação, né, se é em casa, se é em reuniões sociais. Mas essa questão, né, da ajuda eh profissional, quando, né, buscar um profissional de saúde, ele já entra na situação de uma compulsão alimentar mesmo. Qual que é essa diferença? Quando que a gente vai perceber de fato que é só uma agula ali do momento, que é um exagero do momento e quando isso se transforma mesmo em compulsão alimentar. Cassiane, quando começa a acontecer eh assim num volume grande durante a semana, não é mais uma coisa pontual de um sábado, um domingo ali, ah, né, a cada 15 dias, uma vez na semana, eh, aí já é um alerta pra gente buscar ajuda. Muitas vezes a gente acha que ah tá num momento mais estressante, mais corrido, acaba demorando muito para buscar ajuda profissional. E é por isso que hoje a gente tem, né, esse número tão grande de pacientes ou com algum grau de sobrepeso ou com eh ou portadores, né, aí da obesidade, né, em em graus mais elevados. Como que é feito então, Dra. Ana, essa questão do acompanhamento, né? Existe um tratamento especializado para essas pessoas que já foram diagnosticada com essa compulsão alimentar? Porque como a doutora falou, eh, às vezes esse paciente ele demora um pouco justamente por essas questões do dia a dia mesmo, né? Às vezes eles não entendem esses sinais como um alerta e sim como uma consequência ali do dia a dia, né, da rotina estressante, de uma movimentação diferente nessa rotina aí, eh, no dia a dia. Então, como chegar nesse diagnóstico, né, como que é realizado esse mapeamento, essa triagem com esse paciente e o tratamento eficaz? Então, geralmente, né, eh quando a gente identifica isso no consultório eh da nutricionista ou da psicóloga, o caminho é encaminhar para uma avaliação psiquiátrica, porque quem vai fechar esse diagnóstico é o psiquiatra, né? E a partir do diagnóstico fechado, né, de de compulsão de qual é o transtorno alimentar que que esse paciente apresenta, é que a gente vai traçar o plano de tratamento. Então, vai envolver um acompanhamento com dieta, com planejamento, vai envolver também as sessões de terapia, podendo ser individuais ou em grupo. E em alguns casos, é necessário a medicação. Então temos que avaliar, né, individualmente, caso a caso, mas não é um tratamento de um profissional único, né? Acho que isso que é o o importante a gente reforçar, né? que quando o paciente ele tem o apoio eh de uma equipe que fala a mesma língua, ele tem uma chance de se recuperar e conseguir lidar melhor com essa compulsão. Existem outros eh transtornos alimentares também que a gente pode classificar nessa mesma linha, né, de da compulsão da gula, eh, e que geram também impactos assim negativos paraa saúde. a gente pode eh colocar aí como a bulimia, né, que é um transtorno quando a gente tem o consumo abusivo, em seguida tem o quadro aí do arrependimento, da angústia ou de simplesmente querer se livrar daquele alimento que foi consumido. E a gente busca práticas eh para eh compensar essas calorias consumidas. Então, desde purgação, que são os episódios de vômito, excesso de exercício físico, onde o paciente pode se lesionar, uso de laxantes, né? Então, a bulimia, ela é um transtorno alimentar também muito presente quando a gente eh enxerga aí eh os quadros de abuso alimentar. Dra. Qual é o grau, né, de um transtorno assim que é preciso levar em consideração para esse tratamento mais eficaz? Olha, quando a gente identifica que o paciente ele tá tendo, né, já tem de repente diagnóstico de compulsão acompanhado de episódios de bulimia, às vezes uma busca eh por um corpo perfeito, uma distorção de imagem, mesmo quando ele chega eh no peso ideal, ele quer também sempre continuar emagrecendo cada vez mais, podendo desenvolver aí quadros também de anorexia nervosa, né? Eh, eh, são os casos mais complicados quando não existe apenas um transtorno, mas existe a presença de vários transtornos eh alimentares juntos, né? E o emocional eh do paciente fica muito fragilizado, ele tem uma dificuldade de colocar eh as condutas nutricionais, né, de manter a frequência na terapia. Então esses geralmente são os quadros eh aí mais graves de um transtorno alimentar, tá certo, Dra. Ana, bom, pra gente então finalizar, né, queria que você eh falasse sobre os primeiros passos, então, que esse paciente ele precisa dar para mudar esse padrão, né, dessa compulsão de comer em exagero, né, e buscar realmente esse profissional. Então, qual que é a primeira mudança desse paciente? Eu acho que a primeira mudança é buscar ajuda, sendo ela eh com uma nutricionista, eh com uma psicóloga, né? eh para que a gente identificando o próprio profissional em consultório tentar eh reunir essa equipe, se ele não tiver essa equipe, sugerir, né, o no meu caso, né, eu sugiro o acompanhamento com a terapia e também com o psiquiatra para fazer uma avaliação para entender se eh esse paciente ele tem somente uma dificuldade, alguns abusos ou se ele tem realmente compulsão alimentar. A partir daí, a gente vai trabalhar dentro de eh condutas aí dietéticas, um bom fracionamento alimentar, que é dividir a alimentação, né? não passar longos períodos sem se alimentar, eh, ou então, né, eh, corrigir aqueles hábitos do bilisco, eh, onde o paciente não faz, eh, as refeições, né, de forma organizada, mas ele passa o dia ali, eh, tendo pequenos consumos de bolachas, de biscoitos, né, eh integrar essa equipe, né, é muito importante como como nutricion não trabalhar sozinha, né? eh ter essa essa consciência de eh pegar, né, realmente aí o telefone e ajudar esse paciente eh fazendo contato com a terapia com a terapeuta que ele escolheu, com o psiquiatra que ele escolheu, para que a gente possa tratar eh o paciente eh globalmente. Então, entender o que que ele tá trabalhando na terapia, entender se o psiquiatra está fazendo uso de alguma medicação, como essa medicação pode interferir no comportamento alimentar, né? E assim a gente vai conseguindo eh ter esse controle, ter essa ter essa melhora. Muito obrigada, Dra. a Ana por trazer toda a sua experiência aqui pro Saúde agora e passar um pouquinho desse compartilhar um pouquinho aí da sua história, né, em relação aos pacientes com esses transtornos, essas compulsões e mostrar de fato que realmente a busca pelo profissional é tão importante aí quanto, né, a saúde e bem-estar. Então, muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço. Obrigada. Bom, saúde agora fica por aqui. Nós temos um encontro marcado na próxima edição. Te espero. Até lá. เฮ