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Olá, [música] está no ar mais uma edição do Saúde Agora, o nosso momento de tirar dúvidas e ficar bem informado sobre saúde e bem-estar. Com a chegada das férias escolares, o tempo que as crianças e adolescentes passam em frente às telas tende a aumentar significativamente, o que deveria ser apenas um período de descanso. Pode, na verdade, esconder riscos importantes para a saúde ocular. Para abordar esse tema, convidamos a oftalmologista Dra. Renata Alves, que já está conectada. Seja muito bem-vinda no saúde agora. Obrigada, gente. É um prazer estar aqui com vocês pra gente falar desse tema que é tão importante. É muito importante esse tema. Assim, Dra. Renata, primeiramente a gente vai falar sobre esse aumentos, né, significativo, realmente esse período de férias, né, aliado à permanência mais prolongada, né, nas telas. Realmente isso faz sentido nesse período. E eu queria que você falasse também sobre as principais queixas, né, como oftalmologista, o que chega para você nesse período? Bom, pessoal, é muito comum os pais levarem os filhos para visitarem o oftalmologista nesse período de férias e tudo mais e trazerem justamente essa queixa de dificuldade no controle do tempo de tela das crianças. Eu sei que eu sempre falo para eles que é muito fácil a gente se posicionar de fora de tire a criança da tela, porque a gente sabe que nossa realidade hoje em dia acaba sendo muito voltada pros dispositivos eletrônicos, mas tem algumas regrinhas que ajudam a gente a controlar e achar um equilíbrio saudável, vamos se dizer assim. Quais são algumas dicas importantes? Existe uma regrinha que a gente chama de 20 20. O que que é essa regra? A cada 20 minutos, a criança assistiu um desenho, assistiu um episódio de alguma coisa, um vídeo no YouTube, descansa um pouquinho, vai beber uma água, vai usar o banheiro, vai tomar um banho, vai brincar um pouquinho, depois volta. Nem que for 20 segundinhos, 20 minutos para pelo menos 20 segundos, olhando uma distância maior que 20 pés, que são 6 m. Então, na prática, assistiu alguma coisa, vem cá, vamos tomar uma água, vamos comer alguma coisinha, vamos ali fazer alguma coisa, sempre fazer essas pausas e tudo que a gente conseguir jogar na TV, TV, janela aberta, melhor. Quanto mais próximo e mais escuro o ambiente, maiores os riscos. Quanto de desenvolver uma miopia, que a gente vê que é muito comum a gente vê as crianças com mais óculos e a gente compara até às vezes, puxa vida, parece que 10, 15 anos atrás não tinha tanta criança usando óculos assim. Então é um facilitador, vamos se dizer, de desenvolver miopia, principalmente quando os pais são milps. É um facilitador também pro desenvolvimento de estrabismo, que é o olhinho desviado para dentro, em pacientes que já têm essa predisposição. Além dos riscos como dor de cabeça, eh chega no consultório com queixa que a criança tá piscando muito, entre todos os outros riscos, né? Então, Dra. Renato, os principais sinais de alerta é é prestar atenção nessas queixas, porque tem criança que quando é muito pequenininha ainda não sabe identificar se realmente tá com aquele problema no olhinho, né? Então, o que que os pais precisam ficar atentos, né? Onde eles têm que observar melhor? E quando começa essa faixa etária? Que idade mais ou menos que eles começam a ter essa dificuldade? Ó, a partir de 6 meses é um ano de vida, é a idade ideal de levar o oftalmo, justamente pra gente controlar essas dúvidas. Isso que você falou sobre às vezes a criança não tem queixo, é muito importante justificar justamente a vinda oftalmologista, porque as crianças ela tem uma capacidade de acomodação do olho muito maior que do adulto, por exemplo. Então, às vezes ela fica exposta na tela muito tempo e ela não se queixa de nada. às vezes os pais vem, não vem nisso um problema e aí a situação acaba sendo arrastada, arrastada. Por isso a orientação especializada no Hospital Sema é tão importante para que a gente possa justamente bater esse papo, né? Então, a partir de um ano de vida, é sempre importante a gente levar, independente da criança, apresentar uma queixa ou não, para que a gente possa seguir as orientações corretas, que às vezes a gente escuta na internet, hoje em dia a internet é um facilitador pra gente também, né? pros pais, pros orientadores e tudo mais. Então, às vezes a gente escuta muita coisa e sim, tem muita coisa boa, mas tem muita coisa que a gente tem que filtrar. Então, é nessa hora que eu acho que uma avaliação especializada, um bate-papo, mesmo quando a criança não tem uma queixa, é muito importante. Doutora, você comentou sobre as dicas, né, essas considerações em relação ao intervalo aí no período que a criança fica conectada a essa tela, mas tem um tempo diário considerado ideal para cada faixa etária, né, além desse descanso, tem esse período recomendado? Sim, sim. Existe um período sim que é preconizado baseado na faixa etária que é baseado pela Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria, né? A partir dos 2 anos é que começam a ser recomendados o tempo e aí baseado no aumento da idade da criança, vão aumentando o número de horas progressivamente, mas esse tempo não passa de 4 horas eh numa criança de até 10, 12 anos. Mas é muito importante a gente adequar isso ao nosso dia a dia. Por exemplo, uma criança menor que 2 anos, ai vai viajar no carro, uma situação extrema, precisa usar ali um uso de eletrônico eventual, tá tudo bem, a gente pode adaptar isso à nossa realidade, mas sempre com um ambiente claro, luz do sol, fazendo as pausas. Uma criança que tá usando, vamos dar um exemplo agora nas férias, 8, 10 horas de eletrônica, não adianta a gente querer adotar um extremo de vamos reduzir isso direto para 3 horas, vamos adequando a nossa realidade, diminuindo devagarinho para que a gente possa conseguir atingir o objetivo a longo prazo, né? A gente vai se educando, aprendendo a lidar com a tela, certo? Você falou a questão também da da televisão, né? Eh, existe essa diferença então entre o impacto do celular, tablet para televisão? Quanto maior a tela, fica menos pior nesse sentido, doutora? Exato. Eu acho que você usou a palavra ideal. Exatamente isso. É menos pior. Quanto mais distante, quanto mais iluminado de luz solar, melhor, tá? E sempre fazendo as pausas, pelo menos a cada 20 minutos, meia hora, para, vai, bebe uma água, nunca ficar muito tempo direto. Isso também é importante a gente alertar. E por que que isso é tão importante? Para que a gente possa entender. Quando a gente fica muito tempo concentrado em algum dispositivo, a gente esquece de piscar. Isso já é cientificamente comprovado. Então, o olho fica mais seco, a gente fica com aquela sensação de astopia que a gente fala que é dor de cabeça. Tudo isso é muito importante que a gente possa orientar. E, doutora, a gente vai falar um pouquinho sobre o extrabismo, né, mais especificamente. Eh, como que funciona esse tratamento? O olho, ele volta sozinho, precisa de um tratamento específico e quando que é recomendada a cirurgia nesse caso desse paciente? Um paciente que a gente fala que ele tem estrabismo por uso de tela, é importante a gente destacar aqui, já é um paciente que tem uma predisposição a estrabismo. Que que é isso? Estrabismo ao uso de tela de uma forma mais dinâmica é quando o olho desvia para dentro pelo paciente ficar ali muito tempo de olho na tela, principalmente próximo. Por quê? O olho ele fica alinhado por um equilíbrio de forças. Tem uma força que puxa para fora, uma força que puxa para dentro, dois músculos e eles se equilibram. Quando a gente fica muito tempo ali exposto a tela de perto, quem vence, vamos usar assim, é o músculo que tá puxando para dentro. Então esse músculo fica mais forte, puxa o olho para dentro. Às vezes esse olho volta e a gente consegue tratamentos com tampão, com educação no sentido de diminuir o tempo de tela e tudo mais, mas às vezes esse olho não volta e aí esse paciente precisa inclusive de cirurgia. Então isso é muito importante a gente orientar. Paciente que tem uma miopia muito alta, por exemplo, que tem mais de 40 anos, inclusive em adultos, não só crianças e adolescentes, que tira o óculos e segura aqui pertinho, mesma coisa. pode causar um desequilíbrio de forças, o músculo que puxa para dentro ganha essa disputa de forças e aí o olho desvia para dentro. E aí no dia a dia do paciente isso torna uma situação muito insustentável, porque que que o paciente tem uma queixa muito comum quando isso é de forma aguda, de forma súbita. Visão dupla. a gente viver com visão dupla é muito difícil, então é uma coisa que interfere muito em sentido de qualidade de vida mesmo para esse paciente. As consequências são muito severas e é justamente por isso que eu acho que a gente precisa bater esse papo, porque às vezes a gente não tem noção das consequências que isso pode trazer. daí a avaliação com oftalmologista, o especialista ser tão importante. Exatamente. E doutora, a gente fala muito sobre a questão de mitos e verdades, né, aqui no quadro saúde agora, eh, falando sobre a mi pia, né, esse grau, essa pessoa que já tem mi pia uma boa parte, né, nas telas, sem o uso do óculos, por exemplo, ou até mesmo com óculos, mas pra gente saber sobre o mito e verdade, se realmente tende a aumentar esse grau nesse paciente. Quem já tem, né, uma um problema ocular, se deixar um pouquinho, esquecer um pouquinho ali o óculos, realmente o grau ele pode aumentar ou isso é um mito? O grau ele pode aumentar mais associado ao tempo de uso e a proximidade do que diretamente a estar usando ou não o óculos. Usar ou não óculos tem mais a ver com a isotropia comitante adquirida que a gente fala que é o estrabismo pelo uso de tela. Agora, o tempo de exposição à tela e quanto mais próxima no sentido de celular e tablet e quanto mais escuro o ambiente, isso faz aumentar o grau de miopia. Eu costumo fazer uma analogia que é o seguinte: quando a mãe leva o filho no pediatra, ele não fala que tem as dores do crescimento, que criança cresce à noite, por isso que criança tem que dormir bem. O olho é a mesma coisa. Um olho milp é um olho grande. Então se a gente estimula muito ele ali muito perto e no ambiente escuro, esse olho tende a crescer. Por isso essa miopia tende a aumentar. E esse esse chamado é muito importante pros pais que têm miopia, porque quando os pais têm miopia, a criança já tem um fator de risco não modificável, que é esse fator genético. Não quer dizer que ela tá condenada a ter miopia, mas a gente precisa bater nessa tecla de controle dos fatores de risco modificáveis, que são justamente essa exposição à tela. Doutora, a gente é difícil a gente falar, né, sobre as doenças oculares sem falar sobre essa questão mesmo da tecnologia, porque hoje eh tudo é celular, tudo é tablet, né, televisão, mais o celular, porque crianças hoje pequenas, já na primeira infância já tem o acesso ao celular que fica no desenho, realmente, né, mas é difícil controlar nesse sentido quando a tecnologia e o acesso é muito mais fácil hoje. hoje. Então, por isso mesmo que houve esse aumento significativo nesses casos dessas doenças oculares, né? Importante também a gente levar em consideração essa questão da escola também, né? A gente fala sobre o período de férias, só que também tem que observar também na sala de aula, né? Sim, com certeza. Tanto que é uma tendência das escolas estarem cada vez com iluminação natural, as janelas serem maiores, o ambiente mais aberto, que é justamente nessa questão da saúde ocular. Isso bate também com a saúde ocular. E eu acho muito importante essa questão do acompanhamento com oftalmologista nesse sentido, pros pais verem que eles não estão sozinhos. Eu falo muito que é muito fácil falar de fora, não mexa na tela. Quando a gente tá dentro da situação é diferente. A gente pode ir adequando devagar, mas a gente tem que saber o caminho para que a gente possa ir se alinhando. E é nessa hora que fez uma consulta, tem uma outra consulta agendada, você vai se esforçar para na próxima consulta tá melhor e vai se esforçar para depois tá melhor. E a gente justamente batendo nessa tecla do cuidado, da prevenção, né, para não deixar numa situação extrema de, por exemplo, um paciente com visão dupla ter que fazer uma cirurgia por conta do estrabismo por uso de tela, que aí já não adianta só controlar o tempo de tela mais. E doutora, e o astigmatismo, ele também tem essa, o paciente também tem essa dificuldade de enxergar, de enxergar de perto e longe? Como que é a diferença dessa condição? Também o astigmatismo ele é um pouquinho diferente, é uma ametropia também. A o a miopia e o astigmatismo, eles estão juntos nos quadros das ametropias e podem estar associados. Um paciente pode ter miopia, que é mais comum é axiar o olho grande, e ter um astigmatismo. Que o que que é o astigmatismo? É a mudança, na maioria das vezes, do formato da córnea, que é o vidrinho de relógio do olho. Eh, essa mudança ela causa uma maior dispersão dos raios. Então, o paciente com astigmatismo é o paciente que queixa que a luz estoura. Sabe quando você olha no farol e parece que a luz tá estourada? Esse é o paciente com astigmatismo. Isso independente de de perto ou de longe, ele tem essa distorção nas duas dimensões. Diferente do paciente com miopia que tende a ter mais dificuldade de longe, dependendo do grau de miopia que se define essa distância. Mas essa é a diferença básica entre os dois. Então, Dra. Renato, importante, né, é a gente manter a nossa saúde ocular em dia, fazendo, né, todos os exames necessários e indo no ofitalm justamente para identificar se tem alguma doença, alguma correção e sim tem tratamentos aí que não precisam de cirurgia. O diagnóstico precoce, ele faz toda a diferença, né? Com certeza. É muito importante a gente fazer essa chamada pros pais para aproveitarem justamente esse período de férias para vir, pra gente bater um papo, para tirar dúvida de um tema que é tão importante, ainda que a criança não tenha nenhuma queixa, porque prevenir é sempre o melhor remédio. Muito obrigada, Dra. Renata, pela sua participação aqui no Saúde agora e por compartilhar todo o seu conhecimento e deixar essas dicas e orientações também. Agradeço a sua participação. Eu que agradeço. É um prazer precisando no Hospital SEMA 24 horas. Estamos disponíveis em várias unidades com uma equipe totalmente especializada para atender vocês com maior carinho. Muito obrigada doutora. Eu que agradeço. Bom, quadro saúde agora fica por aqui. Você pode acompanhar esse episódio pelo portal tvccamaracampinas.com.br. Te espero na próxima edição. Até lá.