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Saúde Agora | Obesidade no Brasil e tratamento bariátrico eficaz
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Saúde Agora | Obesidade no Brasil e tratamento bariátrico eficaz

24 views Publicado 07/05/2026 HD · 17:50
Resumo editorial

O Saúde Agora dedica um episódio inteiro à obesidade, doença que avança no Brasil em proporções de pandemia. O cirurgião bariátrico convidado apresenta o cenário, entre 26 e 35 por cento da população adulta brasileira convive com obesidade, com IMC acima de 30, e mais de 60 por cento já apresenta algum grau de sobrepeso. O programa explica como funciona a classificação por índice de massa corporal, com graus 1, 2 e 3, e introduz o conceito de superobesidade quando o paciente ultrapassa em 150 por cento o peso ideal. O debate destaca que o peso isolado nem sempre é o critério mais perigoso, o que aumenta o risco real são as comorbidades metabólicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia, que comprometem artérias, coração e cérebro de forma silenciosa. O especialista também aborda o papel da prevenção desde a infância, a importância da educação alimentar nas escolas e quando a cirurgia bariátrica e metabólica passa a ser indicada. Conteúdo essencial para campineiros que buscam informação séria sobre saúde.

Descrição do vídeo

Entre 26% e 35% dos adultos brasileiros convivem com obesidade, afirma o cirurgião bariátrico José Afonso Sallet, do Instituto Sallet, no Saúde Agora. Ele detalha a classificação por IMC, da faixa de sobrepeso à obesidade grau 3 e à superobesidade (150% do peso ideal), e explica por que diabetes tipo 2, hipertensão e dislipidemia pesam mais que o peso isolado, ao lesionar o endotélio das artérias e abrir caminho para AVC e infarto. O episódio segue o formato de entrevista médica com pauta apurada adotado pela emissora.

Transcrição completa do vídeo

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Olá, saúde agora começando e o tema de hoje é sobre o avanço da obesidade. A gente vai falar sobre uma porcentagem que de 26 e 35% da população adulta brasileira convive com essa doença. Então, para abordar o tema de hoje, convidamos o Dr. José Afonso Saletê, ele que é cirurgião digestivo bariátrico, médico, diretor também do Instituto Salê. Seja muito bem-vindo, doutor. Muito obrigado pelo convite. Eh, prazer táar aí com vocês e ajudar a esclarecer melhor a a população em relação a a essa doença que realmente nos últimos 50 anos virou uma pandemia mundial. você deu números muito precisos aí sobre o percentual no Brasil de pacientes com obesidade, ou seja, o o a relação entre o peso de altura com IMC acima de 30, que chega aí a 25, 30% da população, mas você sabe que mais de 60% da população brasileira já está com algum grau de sobrepeso, né? Então isso deixa muito claro que a perspectiva futura do aumento da obesidade, se não tivermos programas sociais de prevenção mais vigoroso, realmente é assustador. E doutor, exatamente, né, falando sobre essa esse cenário, né, assustador aí do avanço da obesidade, eh, como é classificada a obesidade, né? Como que a gente pode identificar se essa pessoa ela está acima do peso apenas ali um excesso, né, de gordura e a obesidade em si, porque são situações diferentes, né? Exato. Olha, a gente tem dois pontos importantes a considerar. Um deles é a classificação da obesidade. A gente tem a classificação pelo IMC, que é uma uma continha simples que a gente faz pegando o peso do paciente, dividindo pelo quadrado da altura. se dá entre 25 e menor que 30, a gente chama de sobrepeso. Entre 30 e menor que 35 é obesidade grau 1. Eh, entre 35 e menor que 40 é obesidade grau 2. E maior que 40 obesidade grau 3. Chegando a níveis mais extremo com o super 150 que a gente chama de super obesidade. Então esse é um dado importante paraa classificação. Mas tem um outro ponto que talvez seja até mais importante, que é a associação do excesso de peso com as doenças metabólicas, principalmente o diabetes tipo 2, a hipertensão, a dislipidemia. E o que eu quero dizer com isso? que às vezes você tem um paciente que não tem tanto excesso de peso, tem obesidade, mas não é num nível extremo, mas já tem doenças metabólicas graves que por si só causam um risco maior à saúde do paciente do que o próprio excesso de peso. Tanto que nos últimos anos a maioria das nossas sociedades especializadas acrescentaram, por exemplo, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica de 8 anos para cá ganhou o sobrenome de cirurgia bariátrica e metabólica. Sociedade Americana de Cirurgia Bariátrica também recebeu o sobrenome de metabólica, Federação Internacional também, dada a importância de tudo, de tudo isso daqui. Eh, eu acho que um ponto importante que nós estamos aí na semana de alerta e prevenção à hipertensão arterial sistêmica, eh, que é uma doença que está intimamente ligada ao excesso de peso, não é? E tanto a obesidade como a hipertensão, como o diabetes, como a deslipidemia, são doenças silenciosas. Ou seja, a gente tem um excesso de peso, não dá muita atenção a menos quando começa a ter limitações físicas importantes, distúrbios da saúde e tal, assim como essas doenças metabólicas, principalmente a hipertensão, a dislipidemia e o diabetes, que vão junto com a obesidade levar um um uma dificuldade eh de passagem do sangue pelas artérias e veias, eh uma exigência maior do bombeamento cardíaco, que são fatores que levam à hipertensão. E o que que essa hipertensão causa? Ela causa um dano no revestimento interno das artérias, principalmente, eh, lesando, a gente chama falar um medique aqui, não tem jeito, é o endotélio, que é esse revestimento externo, causando uma lesão. E isso associado ao aumento de açúcar no sangue, que é o diabetes, o aumento do colesterol, do triglic, que são as gorduras, vão se depositando na parede dos vasos e causam obstrução. Aí é a causa do do do derrame cerebral, acidente vascular cerebral, do infarto agudo do do miocárdio e todas as suas repercussões. Então esse é mais ou menos o mecanismo que leva a a a atenção que a saúde pública tem que ter em relação à obesidade associada às doenças metabólicas. Isso é muito claro, doutor. E a gente fala, né, sobre essas outras doenças, né, que podem ser eh desencadeadas por conta da do da própria obesidade, né? Mas o cenário hoje, como que o senhor enxerga os fatores de risco, né? De fato, a gente pode falar sobre uma má alimentação, porque hoje a gente já vê também essa obesidade infantil, né? as crianças aí estão cada vez mais também com um excesso de peso, já partindo paraa obesidade. Então é realmente uma situação preocupante. Muito bem colocado a sua a a sua pergunta. Eh, olha, objetivamente 80% dos pacientes adultos que nós operamos para tratar obesidade, doença metabólica, tem obesidade desde a primeira infância. Então isso deixa muito claro que a a a prevenção, o local de ser eh eh a digamos assim atacado preventivamente essa doença já é na primeira infância. Então na idade escolar adequar a alimentação, evitar alimentos gordurosos, eh alimentos que tenham um um excesso de sal, estimular as crianças a uma atividade física. Hoje a gente vive muito online nos tablets, nos joguinhos e tal e tal. Eh, o ideal é uma alimentação saudável, com muita frutas, legumes, com proteínas, eh, e uma atividade física regular que se pede aí pelo menos uma hora, três vezes por semana. e a gente mesclando atividades aeróbicas, que é caminhada ou ou ou corrida, com atividades de musculação, não é? Isso seria eh o ideal tanto na prevenção como quem já tem no tratamento. Eh, a obesidade e as doenças associadas são de 20 anos para cá a principal causa de morte evitável no mundo. Já ultrapassou, por exemplo, o tabagismo. Porque ao contrário do que essa geração mais nova que você citou, que que a maioria não fuma pelo menos o cigarro tradicional, né? Nós temos o desafio que aqueles aqueles outros similares aí que estão chegando. É, exatamente, mas eles foram bem menos do que a geração mais antiga, não é? Mas em contrapartida, se alimentam eh de maneira mais inadequada e fazem menos atividade física. Então, a gente tem que procurar conciliar isso. Eh, um uma mensagem que eu acho muito importante, eu acho que hoje eh a primeiro a obesidade tá muito longe de ser uma fraqueza de personalidade. Eh, o o diagnóstico da obesidade e das doenças associadas é facíimo de fazer, mas o tratamento também é facíimo de fazer. Eh, quem já não ouviu, quer emagrecer, fecha a boca e vai malhar. Se fosse fácil, não estava com 60% da população brasileira e mundial em níveis de excesso de peso, não é? Então, ah, a mensagem fundamental é: se você tem problema de excesso de peso, com ou sem doenças associadas, procure uma equipe médica especializada. É importante que essa equipe médica seja especializada em tratar a obesidade das diferentes formas, tanto com mudança comportamental, que é a base dessa pirâmide, que é orientar uma alimentação adequada com nutricionistas que sejam da da focados na especialidade, orientar uma atividade física regular, não é? E se necessário associar medicações. A gente tem hoje medicações muito efetivas aí tá na moda aí as famosas canetas emagrecedoras que t dado resultados muito bons também os procedimentos endoscópicos como o balão, as gastroplastias endoscópicos em situações mais extremas a cirurgia bariátrica e metabólica. O que é importante deixar com mensagem, eh, o tratamento eh intermediário com com procedimento endoscópico, balão e caneta, ele não substitui a cirurgia bariátrica e metabólica. Quando o paciente chega em níveis de indicação cirúrgica, sem dúvida nenhuma, ele continua sendo melhor tratado pela cirurgia, porque vai ajudar ele ter uma perda de peso mais significativa e manter a longo prazo, não é? Então, na verdade, o a equipe médica tem que ser uma equipe médica que faça a gestão e individualização de cada paciente e esteja apto a oferecer o melhor tratamento de forma individualizada, certo? Então, a cirurgia bariátrica, por exemplo, né, que foi mencionado, ela também ela precisa ter uma recomendação, né? Não é assim, a pessoa ela tá obesa e já vai querer [roncando] direto a cirurgia, precisa ter um determinado peso, ela tem uma recomendação assim para poder partir paraa cirurgia, doutor? Tem eh é um protocolo internacional. Eh, a gente combina duas situações das variáveis. Uma é o excesso de peso puro, que é o índice de massa corpórea. Ele tem que ser acima de igual superior a 35 com alguma doença associada, tipo uma pessoa de 1,70 m com 110 kg, não é? Isso aí já tem indicação cirúrgica e MC acima de 40 ou até 6, 105 com eh hipertensão, diabetes e tal. Então, para dar um exemplo prático, a partir daí já existe indicação cirúrgica. As outras situações intermediárias, nós temos como alternativas muito boas o auxílio à mudança comportamental, que é dieta, atividade física, medicação ou procedimento endoscópico ou balão intragásico dlutível, não é? Eh, eu sei que uma pergunta que é inevitável você fazer é assim, eh, primeiro, eu posso não ter índices que me indiquem a cirurgia bariátrica e fazer a cirurgia? Não. Eh, isso não existe. Se você não tem indicação cirúrgica dentro dessa orientação profissional correta e ética, não deve fazer a cirurgia. Agora, se você tem indicação cirúrgica e você por algum motivo não quer operar, o livre arbítrio é seu, não é? Ou você tem receio da cirurgia, ou você quer se dar uma oportunidade de um tratamento intermediário, a equipe médica especializada pode oferecer essa possibilidade. O que a gente não pode fazer é o caminho contrário. Então, doutor, pra gente eh só para passar pro pessoal, né, e explicar um pouquinho, fazer um resumo, né, um contexto sobre a obesidade, ela é uma doença, é uma condição, mas ela tem cura, né? a gente pode dizer que ela tem cura, ela não é algo crônico, que esse paciente ele vai fazer o tratamento e pode voltar a atingir aquele peso, aquele excesso de peso que vinha antes. Como que é classificado isso? Tem cura de fato? Olha, eh, assim, a a obesidade é uma doença multifatorial, [roncando] tem fator genético hereditário, o preponderante é é hábito do dia a dia, é comer de maneira adequada, não fazer atividade física, eh outros fatores que é tipo de alimentação e tal, mas assim, é uma doença crônica. Eh, e como toda a doença crônica, ela tem tratamento. Eh, por exemplo, a cirurgia bariátrica permite a remissão de mais de 90% dos pacientes que têm obesidade e diabetes tipo 2, não insulinodependente. Mas a gente nunca chega a falar em cura. Por quê? Porque se o paciente não mantiver os cuidados, mesmo com a cirurgia, ao longo dos anos, pode reghar peso e ter recidiva da doença. Eh, mesma coisa, por exemplo, da hipertensão, já que é um dos temas importantes que nós estamos falando. Uma vez diagnosticado, as medicações são muito efetivas. Agora, se você para de tomar a medicação, a hipertensão volta, né? Então, se você tem hipertensão ou diabetes ou dislipidemia e obesidade, a a o correto é fazer um tratamento para o controle de peso, juntamente com o tratamento medicamentoso dessas doenças. Eh, no tratamento cirúrgico, para você ter uma ideia, de maneira geral, a gente tem remissão. A gente não fala cura porque pode ter recidiva se não continuar o cuidado. A gente tem remissão em torno de 80 a 90% dos diabetes tipo 2, mais de 70% da hipertensão e mais de 90% das deslipidemias. Entra aí nesse rol a pneia do sono, né, que é um índice de remissão de mais de 90%. melhora dos problemas osteoarticulares por uma diminuição de peso em cima do nosso arcabolso ósseo, não é? Então, a diminuição, por exemplo, a gente sabe que existe alguns tipos de câncer onde a obesidade aumenta a incidência desses câncer quase cinco vezes mais. Câncer de ovário, câncer de andométrio, câncer de mama, câncer de colo, não é? Então entra tudo isso na prevenção também a a a ao fator de câncer, câncer de fígado relacionado à gordura do fígado, esteatose. Então essa essa é a a a abordagem correta. E a resposta à sua pergunta é: obesidade é uma doença crônica, tem tratamento, os tratamentos são muito efetivos, mas há que se ter um cuidado eh durante a vida toda, né? Porque às vezes o paciente fala assim: "Ai, doutor, mas eu vou ter que me cuidar o resto da vida". A paciente é uma moça de 25 anos. Aí eu falo: "Não, minha filha, você não é o resto da vida. uma menina de 25 anos tem mais de uns 70 pela frente. [risadas] Então é a vida inteira, né? Mas ah o bom disso é que a qualidade de vida melhora em muito. A qualidade de relacionamento social, afetivo, profissional, eh assim, a imensa mais de 95% dos pacientes, o a primeira consideração que eles fazem depois de um tratamento efetivo com a cirurgia bariátrica. Doutor, por que que eu não fiz antes? Não é, mas cada um tem o seu time. Então, a hora que você procura esse tipo de ajuda, é o momento que você está preparado normalmente para se submeter a esse tratamento. Tá certo, Dr. José Afonso? Muito obrigada pela sua participação. Foi uma satisfação recebê-lo aqui no Saúde agora e explicar um pouquinho pra gente sobre a obesidade, mais do que isso, dar dicas e orientações para quem está nos assistindo. Então, quero agradecer novamente a sua participação. Muito obrigada. Muito obrigado a vocês pela oportunidade e estamos à disposição. Um bom final de semana para todos. Igualmente. Muito obrigada. Tá bom, saúde agora fica por aqui. Te espero na próxima edição. Até lá. [música]
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