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Saúde agora começando e o nosso tema de hoje é sobre uma bebida presente em 98% dos lares brasileiros, considerada a segunda mais consumida, ficando atrás apenas da água. Estamos falando do café. Vamos abordar hoje sobre a cafeína presente no nosso dia a dia e sobre o consumo desta bebida. Será que a cafeína é uma vilã do bem-estar ou uma aliada? Convidamos a Irane Gomes dos Santos Souza, nutricionista, mestre em ciências da saúde, coordenadora do curso de nutrição da faculdade Santa Marcelina. Seja muito bem-vinda, Dra. Ah, muito obrigada pelo convite. Um bom dia. Bom dia. Bom, realmente, né, o café é a bebida aí mais consumida, né, entre os brasileiros. Durante ali a manhã, pela manhã, acordou, já toma aquele cafezinho. Vamos falar então, primeiramente, Irani, é realmente uma aliada ou uma vilã, né? Vamos começar pela questão de ser uma aliada, trazendo os benefícios, né, desta bebida. É, então, eh, o cafezinho realmente é uma preferência nacional e não dá pra gente imaginar isso como vilã, né, como ovilão. Mas qual é essa propriedade do café? Acho que o que mais chama atenção é ele sendo usado como estimulante. Então, com certeza você já ouviu falar: "Ah, eu tomo café e ele me deixa acordada", né? Isso tem a ver com melhorar a questão do nosso foco, melhorar a questão do nosso humor. Então, realmente, ele é estimulante e ele é protetor, porque também é antioxidante. Que história é essa de antioxidante? ele combate a produção de radicais livres, que são aquelas substâncias, aqueles componentes que potencializam o processo de envelhecimento ou lesão aos nossos órgãos, né? Ele ajuda também na digestão, a gente tem que considerar isso, e é rico em nutrientes, então, principalmente as vitaminas B1, B2, B3 é essencial. Eh, só que esse esses componentes também podem trazer malefício se consumido em grande quantidade. Então, eh, o café é sim um o bonzinho da história. Talvez o ruim, né, que a gente vai falar daqui a pouco, é como a gente usa esse bonzinho na nossa história, que daí pode ter os nossos malefícios. Então assim, a gente pode dizer que ele tem essas propriedades, né, de benefícios paraa nossa saúde, mas o consumo em excesso, como tantos outros, né, eh produtos, eles podem trazer malefícios. Então vamos falar qual é a quantidade, né, recomendada para se consumir aí o café e também produtos à base de cafeína, né, doutora? [roncando] É, é assim, acho que o que a gente tem que pensar não só na quantidade, mas com o que esse café está sendo veiculado. Então, se eu digo assim que o ideal são duas xícaras de café, aquelas xícaras pequenas de café por dia, é excelente, indicado, mas o que é que eu coloco neste café? Então, acho que daí também tem as questões aí dos malefícios, né? Então, o cafezinho é bom, duas xícaras diárias, OK? de café, mas eu tô falando de café puro, né? Eu não tô falando de café bem doce, né? Eu não tô falando das coisas que a gente vai incrementando, né? H, os o creme de avelã que coloca na borda, o caramelo que coloca na borda, doce de leite. Então, não é esse café que a gente tá falando não. A gente tá falando daquele nosso cafezinho preto e aí sem açúcar. E, Dra. Irani, como que a gente pode eh trazer pro público a questão do nosso cérebro, né? Porque eh muitas situações, ai alguém diminui o café e fica com uma dorzinha de cabeça, isso é um sinal de que aquela pessoa já está dependente, já é um vício quando o consumo se torna viciante de fato eh o vício é aquela pessoa que tudo tem que tomar um cafezinho, né? E isso faz parte da nossa vida. Então, de manhã, o que que a gente vai fazer? Tomar um café. Chegou uma amiga, vamos fazer um cafezinho com bolo. Depois do almoço, um cafezinho. Então, já fez, faz parte do nosso cotidiano. Porém, a gente entende como vício quando eu não consigo mais ficar sem e o meu corpo começa a ser dependente dessa substância. É por isso que pessoas que ficam resolvem parar o café do nada começa a ter dor de cabeça, né? sente mesmo que a gente chama de abstinência. Então, e esse é o momento do vício. Mas não entenda isso como uma algo ruim, não. Entenda que o excesso do café vai trazer malefícios. Então, se eu já me percebo neste momento, então tá no momento então de regredir. Eu vou tirando aos poucos para que o meu corpo se adapte a essa ausência e não tenha efeitos negativos. Então, muitas pessoas tiram drasticamente, não precisa, não tem porquê, porque o corpo vai sentir. Então, vai regredindo, regredindo até muitas vezes nem precisar mais ou manter as duas xícaras de café diário. Perfeito. E vamos falar sobre a questão dos produtos, né, que tem como base a cafeína, produtos como pré-treinos, por exemplo, né, eles são prejudiciais pra saúde? como que a essa pessoa ela pode aliar também esse produto, né, como um pré-treino. Precisa de uma certa atenção, doutora? Sim, sim, precisa sim de uma certa atenção, porque imagine que eu tomo o café e não é a única coisa que tem no café, a cafeína, né? Porém, quando eu tô falando de um pré-treino, eu tô falando de um isolado, eu tô [roncando] falando de uma concentração muito grande. E isso pode, entre outras outros problemas aumentar muito o trabalho cardíaco e essa pessoa ter problemas, por exemplo, de uma possibilidade de infarto, né? Então, é, o problema da cafeína nesses pré-treinos é um uso muito maior do que se a gente tomasse uma xícara de café. E se a gente fala de excesso de café, imagine que eh num dia eu tomo 10 xícaras de café e em um pré-treino pode est essa quantidade de cafeína em um único horário, né? É daí que vem o perigo. É uma quantidade maior nesse sentido, porque hoje a gente percebe vários produtos, né, com cafeína. Tem até refrigerantes à base de cafeína, eh barrinhas, até cápsulas, né, que a pessoa ela faz o uso. Então isso também deve ser através de uma orientação médica também, né, com uma prescrição adequada, né, doutora. Eh, precisa ser monitorado porque eu preciso entender que quem é essa pessoa, ela tem algum problema cardiovascular, porque [roncando] isso potencializa com a cafeína. Mas acho que a primeira coisa é, eu preciso de cápsulas de cafeína, realmente eu preciso disso. Então, às vezes é por indicação de um colega ou de alguém da academia e eu começo a usar. É um paciente que já enartou uma vez, olha o perigo que ele tá correndo, né? Então precisa ser mesmo indicação médica e indicação do nutricionista. Não dá para usar porque o colega falou que é bom, não funciona desse jeito. Então, nesse sentido, essas pessoas que possuem eh certas comorbidades devem evitar o consumo. Aí é tudo com uma base de uma triagem, um mapeamento desse paciente, né? Eh, na verdade ela deve, antes de pensar em consumir consultar um profissional, [roncando] porque uma vez que eu já tomei uma dose muito grande de cafeína, o malefício pode acontecer naquele momento. Então, consulte o profissional, consulte o médico, consulte o nutricionista primeiro para saber se você tem essa necessidade, o seu corpo precisa desse plus, que é o que a cafeína traz, né? desse aumento da taxa de metabolismo basal, né, do gasto energético. Eu preciso disso, eu preciso desse estímulo. Qual é o horário que eu tenho que tomar, né? Então, pensar que se eu tomar cafeína à noite, eu não vou dormir e já é uma pessoa que tem uma dificuldade de dormir, já tem insônia. Então, mesmo que ele não tenha uma comorbidade, né, que é uma patologia prévia, é importante que toda indicação de cafeína seja feita por um profissional habilitado. E, doutora, no caso de uma substituição, né, da cafeína, quais são as alternativas? Por exemplo, os chás, eles têm também cafeína, tem essa propriedade? Como que funciona? Ou existem substâncias que são semelhantes? Explica para nós. Sim. Eh, é que a gente liga cafeína a café, mas chá mate, chá preto, o chá verde, ele tem uma grande concentração de cafeína também. Por isso, né, às vezes a gente encontra aí pessoas tomando, principalmente o chá verde livre demanda, cuidado, porque ele tem uma grande quantidade de cafeína e ele também pode ser um grande estimulante. Então, eu posso usar como substituição, tudo bem, mas eu também tenho que tomar cuidado com a quantidade que eu uso. É, e alguns desses chás, assim como café, ele aumenta a produção de ácido clorídrico, né, que é o ácido que a gente tem no estômago. As pessoas podem sentir dor, podem sentir náusea, então tudo tem que ser bem indicado. Eh, tem sido muito indicado o uso de chá verde como pré-treino e muitas pessoas então começam a sentir dor de estômago e não sabe nem o porquê. E é esse excesso aí de cafeína. esse excesso. Então, é que muita gente foi bem explicado nesse sentido, doutora, porque às vezes as pessoas elas vão fazer essa substituição e vão logo no chá, né, acreditando que estão fazendo aí uma troca consciente. Na verdade não, porque existe uma maior dosagem da substância. É isso. É isso mesmo. Eh, então por isso que às vezes a gente fala: "Chá, pode tomar, é saudável". Não, mas ele tem uma grande concentração, no caso aí do chá verde de cafeína. Então tem que ser, a gente nem indica o uso de chá verde em grande quantidade para hipertenso, por exemplo. Tamanha tamanha a potencialidade de alteração da pressão arterial. Entendi. Então, nesse sentido, doutora, qual que é a melhor alternativa? A gente pode colocar então nesse cenário que o café ele não é o vilão, ele basta tomar aí com uma quantidade recomendada, precisa saber exatamente os horários também que é permitido, né, tomar o café e não consumir em excesso. Mas não precisa tirar do cardápio aí do dia a dia, né? Não precisa. O café até não comentei, acho que vale a pena comentar que você tava falando que horário é o certo de tomar. ele interage negativamente com a absorção de nutrientes. Então, a gente pede para que na hora do almoço e na hora do jantar aquele nosso cafezinho pós almoço pós não aconteça, porque ele vai interagir negativamente durante essas duas refeições, principalmente, né? Então, a regra é o seguinte, e eu costumo dizer isso, né? Pouco não é bom, muito também não é. Então é todo o olhar do controle que a gente tem que ter na nossa saúde. Então o café não é vilão. Quem torna o café vilão somos nós pela quantidade que consumimos diariamente. Então ele é gostoso, ele é gostoso, dá bem-estar, melhor humor, mas em excesso traz o seu todo o seu efeito negativo. Bom, então agora nós descobrimos que não precisamos tirar o nosso cafezinho, né? somente eh aproveitar essas dicas e orientações da Irani, consumir com qualidade, né, com essa noção também, eh, de quantidade exata e não fazer o uso excessivo. Assim todo mundo fica tranquilo com a saúde e com o bem-estar, né, doutora? [roncando] É, e eu convido a todos a começar a mudar o hábito para tomar o cafezinho sem açúcar. É difícil, é muito difícil. Então, coloca um pouquinho menos de açúcar, vai reduzindo e o nosso paladar vai sendo alterado e vocês vão sentir o verdadeiro sabor do café, porque normalmente sente-se o sabor do açúcar, né? Então, convido a todos a começar a mudar esse hábito aí pras duas xícaras de café, mas sem açúcar. Perfeito, Dra. Irane, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde agora e trazer todas essas informações, principalmente essa orientação muito importante sobre o consumo do café. Muito obrigada, viu? Eu que agradeço. E vamos tomar um cafezinho. [risadas] Vamos tomar um cafezinho. É isso aí. Bom, esse foi o nosso quadro Saúde Agora. Espero que você tenha gostado. Continue aproveitando a programação ao vivo da TV Câmara Campinas. Eu te espero na próxima edição. Até lá. [música]