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Saúde Agora | Declaração emergência OMS ebola
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Saúde Agora | Declaração emergência OMS ebola

39 views Publicado semana passada HD · 14:26
Resumo editorial

No quadro "Saúde Agora", o infectologista Dr. Alessandro Pascoaloto (Sociedade Brasileira de Infectologia, Santa Casa de Porto Alegre) analisa o surto de ebola na República Democrática do Congo e Uganda, declarado emergência pela OMS. Ele explica que a doença mata cerca de metade dos infectados, mas tem transmissão limitada (só por contato direto com secreções, não pelo ar como a Covid). Não há vacina para o subtipo que circula agora. Pro Brasil, o risco é baixo — mas o médico defende mais centros descentralizados de diagnóstico molecular pra qualquer doença emergente.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

A doença Ebola tem acendido alerta entre as autoridades após casos na República Democrática do Congo e em Uganda, como uma emergência de saúde pública. Vamos entender como está o cenário no brasil com o infectologista Alessandro Pasqualotto.

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Olá, [música] [música] está no ar mais uma edição do quadro Saúde Agora e vamos falar sobre o surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda como uma emergência de saúde pública. Será que devemos nos preocupar aqui no Brasil? Sobre esse tema, convidamos o Dr. Alessandro Pascoaloto. Ele que é médico infectologista, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia e chefia o Serviço de Infectologia da Santa Casa de Porto Alegre. ele já está conectado aqui com a gente. Seja muito bem-vindo, doutor. >> Obrigado. Boa tarde e obrigado pela oportunidade. >> Bom, doutor, primeiramente, né, a gente vai falar um pouquinho sobre os fatores, né, que preocupam aí as autoridades, né, sobre o ebola. Queria então começar sobre essa questão desse surto, né, que tem alertado aí as autoridades e preocupando também aqui no Brasil, né? >> Eh, surto de infecção por ebola não é algo novo no mundo, né? Já tem muitos surdos relatados de tempos em tempos. Eh, isso foge ao controle e o que a gente vê agora é um grande número de pessoas que adoeceram e muitas que morreram por essa infecção. [roncando] O grande problema da ebola que é uma infecção muito grave. Mas o lado que eh torna as coisas um pouco mais tranquilas, pelo menos na perspectiva do Brasil, é que é uma infecção muito localizada geograficamente para aquela região da África, né? >> Então o cenário, o que podemos dizer sobre o Brasil aqui, né? Exige um monitoramento falando desse cenário, doutor, né? As pessoas que elas estão em viagem, por exemplo, o que a gente pode levar em consideração aqui no nosso país? O ebola ele não se transmite tão facilmente como a COVID se transmitia, por exemplo, né? Porque ele não vai por via respiratória, não vai por via aérea. Então para pegar a infecção por elebola, tem que entrar em contato com o doente, mas não só na pele, com as secreções do doente, com o sangue, com a urina, com algum material que possa carrear esse vírus. Então, as pessoas que pegam ebola são aquelas que chegam de modo muito próximo com as secreções de um doente. Então, é um familiar, é um profissional de saúde, é alguém que cuida do cadáver, é da pessoa que que morreu dessa doença. Então, é uma doença que se transmite com menos eficiência do que a COVID e ela vai passando então localmente para essas pessoas todas. O problema que eu vejo do ebola é que as manifestações clínicas dessa doença são muito pouco específicas. Então, começa com uma febre, uma dor no corpo, uma dor de barriga, uma dor de cabeça. Isso é isso é comum a muitas doenças, né? E mais tarde tem uma fase que se chamam de úmida, que é uma fase quando tem muita diarreia, dor abdominal, vômitos. E aí fica mais fácil de pensar em ebola. Mas o fato é qualquer pessoa que veio dessa região e que esteja doente, especialmente com febre, [roncando] ela é potencialmente uma pessoa que possa ter doença, mas é fácil de conter. Essa pessoa fica isolada e a doença não passa, né? E não existe um tratamento, eh, porque não tem vacina, né, Dr. Alessandro, para que se faça esse controle também vacinal? Pode-se dizer de cura sobre essa doença? >> Existem medidas de prevenção e de tratamento, mas para um tipo específico do Ebola, [roncando] que curiosamente não é o tipo que tá acontecendo agora como causadora de surto eh no Congo e em Uganda. Então o que tem de diferente é que é um surto que não é causado pelo subtipo a lá, que era o tipo que eles tinham que fazer, digamos, contra essa infecção. Mas mesmo quando se trata, tem que tratar muito rápido, tipo com 2, trê dias de doença. E nesse período a pessoa tem sintomas que são muito comuns a outras doenças. Então não é fácil. Por isso o alerta da OMS, porque é uma doença que mata muita gente. Quando eu falo muita gente, mata quase metade das pessoas que pegam a doença. Então, mata muita gente, eh, e é difícil de reconhecer e o tratamento é pouco disponível ou ou é ou é eficaz só para um tipo mais restrito desse vírus, né? Então, essa é a preocupação. Por outro lado, eh, não existe um risco real de uma pandemia por esse vírus. Se a gente pegar quantos casos já tiveram nos Estados Unidos, por exemplo, eu acho que são quatro ou seis casos, um caso na Itália, um ou dois no Reino Unido, é tudo muito pingado, assim, que gente que viajou e e caiu naquele país ou de lá se infectou. Então, uma vez identificado, o paciente é isolado, acabou a transmissão da doença. Então, reforçando, é uma doença de preocupação, mas é uma doença que não tem o potencial, como o COVID tinha, de se espalhar pelo mundo. >> Tá certo, doutor? Mas assim, eh, diante, né, desse cenário, falando sobre o tratamento e também do desafio desse diagnóstico, né, fica até complicado falar sobre essa propagação, né, porque se o diagnóstico ele precoce, ele é um desafio, então precisa realmente dessa, desse monitoramento, né, eficaz, esse alerta, principalmente na questão também de saúde dos próprios médicos, né, as pessoas que estão lidando com esse esse paciente com essa doença também, porque tem todo um manuseio diferenciado, todo um protocolo diferenciado diante desta doença. >> Sim, os médicos têm que tomar as devidas medidas de bloqueio, digamos assim, de roupa, luva, né, para não entrar em contato com as secreções do paciente. Os pacientes têm que se rapidamente identificados, diagnosticados. E o teste é um teste que não é simples, não é disponível para pelo menos aqui, né? Tem que se fazer um PCR para o vírus ebola. Eh, talvez tenham laboratórios no Brasil que disponha, mas não é um teste disponível na saúde pública, claro, até porque essa doença não existe aqui. E os pacientes têm que ser então efetivamente tratados, uma vez diagnosticados, né? E e acima de tudo tem que haver um bloqueio e separando quem tá doente, quem não tá. Mas o que eu vi na, pelo menos pela mídia, porque eu não visitei esse local, eh, é que tem um número limitado de doentes, mas tem um número gigante de pessoas que estão, que adoeceram e outras tantas que morreram de causas parecidas e que ainda não foram investigadas. Ou seja, eh, esse surto possivelmente é bem maior do que foi documentado, né? Mas ainda reforço, isso não significa risco pro Brasil, isso é um risco para eles que lá vivem num país que tem muitos conflitos armados, que tem uma desestruturação do sistema de saúde. Então acho que a OMS fez bem em alertar sobre a preocupação em relação a essa doença. >> Perfeito. Bom, falamos então sobre essa questão aqui no Brasil, que não há risco, então, né, de surto pandemia aqui. Então, esse cenário a gente pode ficar, né, tranquilo quanto a isso, mas queria, doutor, que eh você falasse sobre o vírus em si, né, entrasse um pouquinho nessa questão de como surgiu, porque já é uma doença já, né, antiga que a gente já fala sobre é que não chegou no Brasil, mas quando há essas informações de surto em outros lugares, né, sempre tem também tem esse alerta aqui, mas já é uma doença considerada antiga, né? ela é antiga porque na verdade assim, primeiro vem a doença, né? E aí mais tarde se identifica o agente que causa doença, que é esse vírus. Tem que ter técnicas adequadas para identificar o vírus, né? Então o vírus é recente, mas a doença é bastante antiga e o que parece é que ela chega nos humanos por morcegos. Então, por algum motivo, ou o morcego ou outro animal eh se infecta e ele transmite pros humanos que uma vez infectado vai aí sim de humano para humano é o grande mecanismo de transmissão. Vai passando para uma pessoa, para outra, para outra, até que se perceba, opa, tem muita gente adoecendo eh de uma doença grave que causa diarreia e mata. Mas isso é, a gente pensa [limpando a garganta] bem na África quantas doenças causam diarreia e matam, né? Então não é fácil de dizer: "Opa, isso é isso é Ibola, né?" Então tem que ter um teste que daí ele se identifique e comece se colocar números nessas doenças e se instale as medidas, como eu comentei, devidas para separar quem tá doente e quem não tá. Eh, não é fácil, não é nada fácil, ainda mais em países pobres, né? Então, a gente percebeu fazendo, né, essa pesquisa diante da doença e também nos lugares, né, que ela está eh disseminando, ela geralmente afeta as pessoas em situação de mais assim vulnerabilidade nessas regiões, né, propriamente dizendo sobre esse caso agora então que tá tendo essa informação, doutor, esses são sempre os mais vulneráveis que são os que se prejudicam, né, eh, em zonas de conflito, onde tem deslocamento de pessoas que tem onde tem fome, [roncando] eh, onde tem violência, onde o sistema de saúde está estruturado. Eh, esse eh cada vez mais é o mundo que a gente vive, né? É o mundo das guerras e e as e pobre das populações que vivem nesses locais que ainda são acometidas por doenças, somado a toda o problema social que ali já existe, né? E eh o senhor, né, como infectologista e também chefeando, né, um departamento específico, doutor, como que tá sendo feito então esse monitoramento eh nos aeroportos, né, nos locais onde tem bastante aglomeração, né, nesse nessa questão mesmo de tentar eh evitar essa disseminação aqui pra gente também ou em outros lugares, né, também da África, falando sobre a região, como que que o senhor enxerga, né, essa situação então desta doença como letal, né, >> muito letal. [limpando a garganta] Eu acho que a medida mais eh mais óbvia, digamos assim, que uma vez que essa doença ela tá restrita a uma área geográfica relativamente pequena, né, eh eh é rastrear todos os pacientes que cheguem com sintomas dessas regiões. Eh, agora, a partir de isso é o ponto um. Agora, o que se faz a partir desse rastreio? Para onde vão essas pessoas? Quem vai ver se elas têm sintomas ou não, se elas estão isoladas ou não, que tipo de teste vai se coletar, para onde vai esse teste? Eu não vou saber te dizer como esse fluxo tá montado. Eu não sei. O que eu o que eu posso te dizer é que nós deveríamos, eu acho, pelo menos num país como o nosso, ter centros capacitados a fazer diagnóstico de condições como essas, porque é só ter um teste do freezer no num laboratório de referências de biologia molecular. para que quando surgissem casos não precisasse mandar, sei lá, talvez a Fio Cruz tem esse teste ou outro laboratório de referência no país, mas isso deveria ser um pouco mais descentralizado no Brasil, eu acho. Não tô falando aqui só de bola, tô falando de doenças que possam ser de importância para para pro país, né, para que se faça o diagnóstico mais rápido, porque enquanto não tem diagnóstico, fica tudo de uma incerteza muito grande, né? Então assim, é é difícil falar se se é esse vírus, né, falando sobre essa epidemia, vamos supor que, infelizmente, né, chegasse aqui no Brasil, você acredita que talvez não o país não eh estaria preparado para lidar com esse tipo de de vírus aqui? >> Eu acho que não estaria se fosse em larga escala, tá? Mas não é o caso do Ebola, é porque ele transmite pessoa a pessoa. Então, eh, instalando uma medida de isolamento, por exemplo, chegou uma pessoa suspeita e deixando aspas em quarentena, essa pessoa poderia ser o suficiente para acabar com uma chance surto, entende? Porque é um caso isolado. O que eu tô dizendo é que para outras tantas doenças ainda a gente carece de testes estocados nesses locais tais que possam, quando necessário, dar uma resposta mais rápida. Eu digo aqui, por exemplo, nós tivemos uma enchente no Rio Grande do Sul gigante há do anos atrás e tem doenças como merocata da leptospirose, nós queríamos ter um teste para leposirose, não tínhamos. E quando esse teste veio e chegou tipo três semanas depois, ele foi para um laboratório só, mas a doença acontecia em vários lugares do estado e não tinha mais estrada para mandar amostra para um lado pro outro. Eu quero dizer que eu tô defendendo a importância de a gente ter recurso, diagnóstico disponível nos diversos locais desse país continental, que é o Brasil, perante diferentes situações. Ebola, falando especificamente, eu não tô muito preocupado não, porque é uma doença bem localizada de dois, por enquanto, dois países da África. Então, é mais fácil pegar quem vem de lá, quem tem sintoma e deixar essa pessoa em isolamento em quarentena até que se investigue, né? >> É mais fácil de monitorar, né, doutor? mais fácil ter esse controle fazendo esse monitoramento, né, diante desses pacientes. >> É, é assim. Agora, lembra, lembre da COVID, por exemplo, quando nós tivemos uma epidemia sem proporção nesse [limpando a garganta] país, no início não tinha teste, não tinha teste de diagnóstico. E esse teste veio para para alguns laboratórios privados, ele veio pro estado, mas o estado ainda não tinha como dar conta da quantidade que tinha. Ou seja, e eu tô aproveitando o teu assunto aqui para defender a importância da gente ter teste diagnóstico nesse país para qualquer doença que seja de interesse médico e e que possa vir a acontecer num contexto menos mesmo que menos provável, né? Perfeitamente, doutor, tendo esses testes de prevenção, né, para que consiga aí ter um diagnóstico mais precoce, não só dessa doença que nós estamos falando e bola, mas tantas outras aí virais e, infelizmente, letais também. Eu quero agradecer a sua participação aqui no programa. Muito obrigada, viu, por trazer esclarecer tudo pra gente. >> Obrigado vocês. >> Muito obrigada, doutor, pela sua participação. Bom, quadro saúde agora fica por aqui. Temos um encontro marcado na próxima edição. Até lá. [música] heฮ
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