Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, saúde agora começando. Hoje vamos falar sobre a liberação do Monjaro para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. Vamos entender o que muda com essa ampliação e quais os cuidados fundamentais para os pacientes nessa fase. Convidamos a Dra. Maria Edna de Melo, ela que é endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional, São Paulo. Seja muito bem-vinda, doutora. Olá, obrigada pelo convite, a oportunidade de falar sobre tema. Bom, doutora, nós que agradecemos a sua participação, um tema bastante, né, importante, já que falamos muito sobre as essas canetas emagrecedoras e agora essa liberação da Anvisa, né, do Mjaro para crianças e adolescentes. Bom, pra gente começar então qual a faixa etária exatamente, né, que a Anvisa liberou aí esse tratamento e quem pode usar, existe alguma contraindicação e somente nos casos de diabetes tipo dois. É isso. Isso. Diabetes tipo um é caracterizado pela deficiência de insulina, então o tratamento é insulinoterapia. Já o diabetes tipo do, que era uma doença que acontecia mais em pessoas eh depois dos 40 anos, a gente viu ao longo dos anos com o a progressão dos números de obesidade que esses casos a vão acontecendo cada vez eh em pessoas mais jovens, inclusive em crianças e adolescentes. a idade, né, aprovada, né, e talvez seja uma grande diferença, é que eles ele foi aprovado a partir dos 10 anos de idade, que o estudo avaliou crianças e adolescentes a partir de 10 anos de idade. E a o mecanismo de ação é melhorar a produção de insulina. E essa medicação, todo mundo sabe, leva a perda de peso. E com isso a gente tem também uma melhora da ação da insulina e levando a um controle glicêmico excepcional desses pacientes, né, com a redução da hemoglobina glicada, que é aquele aquela dosagem eh que a gente faz para monitorar a glicemia de mais de dois pontos percentuais, que é uma redução muito significativa, certo? Então, existe já um estudo clínico que eh comprovou que essa idade, né, nessa faixa etá, com o uso desse medicamento, houve então essas reduções. É isso. E e a aprovação dessa ampliação foi baseada nesse estudo clínico e e é sempre assim, sempre quem avisa vai aprovar, ela pega um estudo clínico, ela avalia se aquele estudo clínico foi bem desenhado, se ele foi bem feito, se aquela informação ela é realmente factível para poder aprovar com segurança e também com demonstração de eficácia, né? Então, sim, teve esse estudo. Eh, a as crianças e adolescentes, eles têm os efeitos colaterais muito parecidos com os adultos, que geralmente são efeitos gastrointestinais, como náusea, eh, vômito, diarreia e constipação também pode acontecer. O que a gente vê nos estudos e também na nossa prática é que a frequência desses eventos ela é maior em crianças e adolescentes, né? Então não é que eles são mais intensos, mas eles acabam tendo uma frequência maior desses efeitos colaterais, certo? E doutora, quando é feito então essa recomendação, né, para tem alguma contraindicação também para esse paciente? que vocês avaliam também outros, né, outras questões com com exames para saber se esse paciente ele pode ou não utilizar esse tratamento com Monjaro. Esses medicamentos eles são muito seguros hoje, né? Então as contraindicações elas são elas são mínimas, né? Então assim, eh, gravidez, que é algo que a gente não deve se preocupar, embora possa acontecer nessa faixa etária, mas eh é uma é uma contraindicação. Outro aspecto que a gente vai avaliar é o se aquela se aquela criança, se aquela aquele adolescente já tem, por exemplo, um refluxo gastroesfágico, porque esses medicamentos eles seguram mais a comida no estômago, isso pode eh se intensificar com o uso da medicação. Então, não é uma contraindicação absoluta, mas é um ponto de atenção na hora de prescrever e fazer progressão de dose, porque esses medicamentos a gente não começa com a dose cheia, né? Então a gente começa com dose baixa e vai progredindo conforme a eficácia e principalmente com a tolerabilidade do paciente, certo? E no caso, doutora, ele não substitui nenhum outro tratamento. Um paciente que ele já está, né, em tratamento aí do diabetes tipo 2 e vai fazer essa troca, né, desse tratamento, como que funciona nesse sentido? Ele substitui ou ele vai reduzindo aos poucos o tratamento convencional aí do diabetes? esses esse eh o tratamento padrão, né, do diabetes tipo 2 nessa faixa etária era geralmente metiformina. E quando não respondia com metiformina a partir dos 10 anos também, aí a gente começava já a insulina porque os outros medicamentos orais eles não são não foram estudados nessa faixa etária, né? Eh, mais e mais recentemente, então, a gente tem a chegada desses análogos que t essa a classe dessa dessa medicação, ela acaba eh levando a uma perda de peso significativa e essa perda de peso significativa leva a remissão do diabetes. Então a gente não só vai chegar no controle da doença, mas a gente vai chegar na remissão, ou seja, a glicemia, a hemoglobina glicada e todos os parâmetros gliccêêmicos, eles vão pra faixa de normalidade. É mais de 80% dos casos de diabetes, tanto em adolescentes quanto em adultos, também tá relacionado com excesso de peso. Então isso fala pra gente que a gente que se uma medicação leva a uma perda de peso, essa medicação ela vai levar a um desecho melhor nessa população, certo? E doutora, com essa mudança, né? Então, eh você acredita que foi uma mudança, né, positiva para esses pacientes, né? Qual é o impacto então no sistema, né, de saúde, tanto na rede privada e também no Sistema Único de Saúde, com essa nova então aplicação para esses pacientes? Olha, isso é um ponto de atenção, porque a gente fala de evolução, eh, mas a gente sabe que esses medicamentos eles não estão disponíveis na rede pública, né? E são medicamentos que são muito caros e tem um um uma complicação, né, que é o número de pacientes que precisam desses medicamentos. Então, a gente tem muita gente que precisa e é um medicamento muito caro. Então, fica eh muito difícil incorporar esses medicamentos na rede pública, mesmo no setor privado, né? O paciente, às vezes ele pode passar numa consulta, mas nem sempre ele vai poder comprar a medicação. Então a gente tem aí um desafio muito grande que é o desafio de de fazer com que essa medicação chegue, porque uma coisa, é, tá, a medicação existir, outra coisa é a medicação ser estudada, ser aprovada e outra coisa é ela chegar para quem realmente precisa. E aí eu acho que esse é o desafio eh da gente como sociedade, como um todo, de identificar os pacientes que mais precisam dessas medicações, já que a gente sabe que não vai ser possível prescre e eh disponibilizar essas medicações para todo mundo, né? Nenhum país do mundo faz isso. Imagino que que a gente seria o primeiro. A gente bem que poderia, a gente bem que gostaria, mas a gente tem que ter essa noção de que é muita gente e é muito caro. E aí a gente precisa identificar quais são os pacientes que mais se beneficiam para pelo menos para esses a gente já deixar disponível. Perfeito, doutora. E é bom a gente também, né, fazer esse alerta, né, eh, salientando que esse medicamento, né, com prescrição, como todos os outros, né, que é preciso procurar o especialista para poder ter essa recomendação, né, e lembrando que a gente não tá falando sobre a questão de emagrecimento, né, como é bem visto aí esse medicamento, mas sim num tratamento de diabetes tipo 2, que precisa sim ter esse acompanhamento especializado. né? Sim. E até porque são medicações para uso crônico, então não adianta comprar um mês de tratamento, comprar dois meses de tratamento e fazer interromper, porque o medicamento ele deixa de fazer efeito, porque ele vai deixar desistir na circulação e todos os benefícios que foram conseguidos vão acabar eh sumindo porque o peso volta. Então, e além disso, a frustração volta maior, né? Então, a gente tem uma agravante também de que, ah, agora eu vou vou fazer para eh fazer vou para dar um ou para fazer um empurrãozinho e depois eu consigo. Dependendo do paciente, isso é extremamente danoso, porque se é um paciente hiperfágico, que tem muita fome e que responde muito bem à medicação e depois você vai precisar interromper porque você não pode pagar, então isso é é gera uma frustração, gera uma insatisfação. E aí quando essas pessoas estão eh psicologicamente abaladas, elas vão comer mais, então a gente acaba tendo um resultado pior. Tá certo? Então, Dra. Maria, muito obrigada pela sua participação, por compartilhar e tirar essas dúvidas, né, em relação a esse medicamento que muito tem se falado, mas agora que tem essa diferença aí por conta desse tratamento. Então, mais uma vez quero agradecer a sua participação aqui no Saúde Agora. Obrigada, até uma próxima. Muito obrigada, doutora. Bom, o saúde agora fica por aqui. Nós temos um encontro marcado na próxima edição. Eu espero por você. Até lá. เ