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Olá, começa agora mais uma edição do Saúde Agora, o seu ponto de encontro com o bem-estar e a inovação médica. Você já ouviu falar em carticel? Esse é o nosso tema de hoje. Convidamos o hematologista Vanderson Rocha, também coordenador do Comitê de Terapia Celular da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Seja muito bem-vindo, Dr. Vanderson. Bom dia. Muito obrigado pelo convite. Doutor. Bom, primeiramente vamos entender melhor sobre essa terapia, né? algo novo, talvez não tão novo assim falando, né, de outros países, mas aqui no Brasil. Então, o que é essa terapia e para qual público alvo então ela se estende aí nessas condições da medicina, doutora? Pois bem, essa terapia se chama células car ou carticels, sendo céu do inglês. Ela é uma terapia que foi aprovada nos Estados Unidos já praticamente quase 10 anos, né? Ah, para alguns tipos de câncer hematológico. Então, quais são esses cânceres? a os linfomas não rodin de células B, as leucemias linfoblásticas agudas de células B e um outro tipo de câncer chamado mieloma múltiplo que também todos os três são cânceres hematológicos. No Brasil, esse tipo de terapia já tem sido utilizado há mais ou menos uns 4, 5 anos depois da aprovação da Anvisa, né, e mais recentemente para meloma múltiplo. O que consiste esse tipo de terapia? É chamado de terapia celular avançada. é uma terapia individualizada para pacientes que têm esses três tipos de cânceres que eu falei. É claro que essa terapia ela não é a chamada de terapia de primeira linha, ela já é situada em linhas posteriores ao tratamento. Então quais são os pacientes? são pacientes, né, portadores desses três tipos de câncer, os linfomas não ródicos de células B, as lecemias linfoblásticas agudas de células B até 25 anos de idade e o meloma múltiplo, que também é outro tipo de câncer, consiste em retirar as células do paciente, as células T, por isso que chama carticel ou células KT, que são células do sistema imune que combate as infecções, mas também tenta combater o câncer, mas não consegue. Então, nós retiramos essas células. Essas células são manipuladas em laboratório através de uma terapia gênica, em que você vai colocar nessas células T instrumentos para combater as células do câncer, né, através de uma terapia gênica. E isso tudo é feito fora do Brasil, quando é o produto comercial. E essas células posteriormente, em torno aí de um mês a 2 meses depois da retirada, são infundidas no paciente após um regime de quimioterapia. Então, atualmente, em torno aí de 200 a 250 pacientes no Brasil já foram tratados com esse tipo de terapia, porém é uma terapia muito cara e para a poder a gente aumentar o acesso da população brasileira, estão tendo os estudos no Brasil, fabricando essas células. E doutor, esse tratamento ele é indicado logo no início do diagnóstico ou funciona como uma alternativa, né? Como que é feito exatamente? Como eu já disse, são terapias de segunda ou terceira linha, né? Então, primeiro são aqueles pacientes que se submetem ao tratamento convencional, porque eh toda nova terapia, ela precisa de estudos clínicos, né? Então, ah, esse tipo de terapia, ele é deixado para fases mais avançadas em que não há outras opções terapêuticas, né, outras opções de tratamento. Não é uma terapia de primeira linha, né, é uma terapia para aqueles casos que a doença volta ou que não respondem bem à terapia convencional. E doutor, e já tem uma estudos, né, falando cientificamente aí falando da taxa de remissão com pacientes que fizeram desse tratamento. Sim, a gente já tem pelo produto comercial a o quer dizer o seguinte, a taxa de remissão não quer dizer cura, né? em câncer, toda cura precisa de ter pelo menos 5 anos depois do tratamento. Porém, conseguimos já com esse tipo de terapia em torno aí de 80 a 90% de remissão. Porém, se a gente vê a sobrevida é em torno aí de 50%. Então, mesmo com essa terapia temos ainda pacientes que recaem ou que não respondem. Mas já é um grande avanço, porque com certeza todos esses pacientes já não teriam opções de tratamento. Ah, e o carticel vem como uma terapia inovadora. E doutora, falando sobre eh no caso, né, tem a o tratamento convencional, a quimioterapia, eh quais são as principais diferenças e também no sentido dos efeitos colaterais desse paciente, né? como que é a rotina de recuperação desse paciente eh que fez essa a terapia, né, cartel e paraa quimioterapia, o tratamento convencional. Bom, a a na realidade o carticel é o mecanismo de ação, ele é diferente, são é uma terapia individualizada, então quer dizer o quê? que são as células do próprio paciente. Porém, para infundir essas células no paciente, a gente precisa ainda dar um pouco de quimioterapia para que essas células possam funcionar bem. Então, de uma forma ou de outra, a quimioterapia ou a quioimunoterapia que damos antes do carticel, ela visa que a essas células sejam bem eh toleradas e que possam atacar as células do câncer. Já quando fazemos a quimioterapia convencional, são quimioterapias de doses altas em que cai o cabelo, o paciente tem muita náusea, você tem que fazer vários cursos de quimioterapia, então é o tratamento convencional, né? Mas mesmo carticel a gente precisa de fazer também um pouco de quimioterapia. Quais são os efeitos colaterais? A gente pode imaginar que uma vez que essas células entram no organismo, elas vão matar as células do câncer. Então isso vai criar uma luta, uma guerra interna e que isso vai levar a uma inflamação, né, no pós infusão. Então, uma vez que você infunde, os pacientes começam a ter muita febre, precisam em torno de 30 a 40% irem para uma UTI, né? essas reações chamadas síndrome de liberação de citocina é uma síndrome inflamatória e posteriormente a gente pode ter algumas eh efeitos colaterais neurológicos, como por exemplo, a caligrafia do paciente muda, ele pode ter convulsões. Isso tudo dura em torno aí de 2 a 3 dias até 14 dias após a infusão. posteriormente o paciente recupera e aí as complicações infecciosas que são muito frequentes. Então por isso esses pacientes são chamados de imunodeprimidos, justamente porque eles estão mais susceptíveis às infecções e isso dura durante pelo menos dois a tr anos depois dessa terapia. Então, esses pacientes têm que ser monitorizados, né, para as infecções, tomar medicamentos para evitar infecções, tomar vacinas, ah, para, ah, justamente não ter essas infecções que podem eventualmente matar o paciente. E doutor, o senhor havia falado a respeito também desse do tratamento aqui no Brasil, né, focado, que ele eh já funciona aqui h 5, né, 10 anos, como o senhor mencionou. A Anvisa, ela inclui esse tratamento em um fluxo prioritário, né, digamos assim. Como que está o desafio desse tratamento no Sistema Único de Saúde, doutor? Pois bem, no Sistema Único de Saúde, nós sabemos que essa terapia é uma terapia muito cara. O valor somente deste produto tem em torno aí de 2 a R$ 3 milhões deais. O fato de retirar as células é um tratamento individualizado, de mandá-las pro exterior, de fazer voltá-las. Então, somente o produto celular tá em torno aí de 2 a R$ 3 milhõesa. Então, nós vemos que, não é mesmo as seguradoras de saúde, elas têm muita dificuldade em aprovar esse tipo de terapia. Então, a grande maioria dos casos são por ah liminares da justiça. Como fazemos então para aumentar o acesso paraa população do SUS? Então, há vários anos atrás, o grupo de Ribeirão Preto, Emocentro de Ribeirão Preto, a USP de Ribeirão Preto começou a criar, né, maneiras de poder produzir essas células no Brasil com tecnologia brasileira através de fomentos de pesquisa. Então, junto com Ribeirão Preto e a São Paulo, a Universidade de São Paulo, foi possível tratar em torno de 20 pacientes inicialmente pelo chamado uso compassivo, que é aquele uso em que não existe mais possibilidade. Esses pacientes, esses 20 pacientes responderam muito bem a essa terapia. Então, o governo então investiu em um estudo clínico e tá sendo realizado esse estudo clínico para comprovar que as células aplicadas no Brasil t o mesmo poder de matar as células do câncer sem trazer nenhuma toxicidade, nenhum efeito colateral maior para os pacientes brasileiros. Este estudo financiado pelo Ministério da Saúde está em curso. Ah, vamos incluir, né, o Hospital de Clínicas de Ribeirão Preto, Hospital de Clínicas de São Paulo, que eu coordeno, Hospital Cílio Libanês, a Unicamp, né, aí a de Campinas e o Hospital da Beneficiência Portuguesas estão recrutando esses pacientes para essa pesquisa. E doutor, falando então agora sobre a questão da medicina mesmo, né, a gente percebe obviamente que a medicina ela tem avançado várias tecnologias, né, essas terapias também avançadas para eh para esses pacientes, né, com câncer. Eh, para o pro senhor hematologista, qual que é o maior desafio hoje dessa terapia aqui no Brasil? Pois bem, o maior desafio é justamente o acesso, né? Porque uma vez que no sistema privado você tem indicação de fazer, demora muito tempo para que esse paciente possa ter esse tipo de terapia. Já no SUS, né, a questão do SUS é que esses pacientes que têm a necessidade tem que entrar e tem que ter critérios para entrar dentro ah do estudo clínico. Então, este é o problema e este é o tempo, né? Por exemplo, este estudo clínico, a gente espera que até no início do ano que vem a gente já tenha resultados e que na aproximadamente um a dois anos possamos incorporar esse tipo de tratamento no SUS. Mas a grande dificuldade é o acesso, isso não é só no Brasil, em vários países do mundo. Inclusive nos Estados Unidos, se calcula que 80% da população que precisaria desse tratamento não tem acesso a esse tratamento. Isso nos Estados Unidos. Tá certo, Dr. Vanderson? Muito obrigada por compartilhar todo esse conhecimento e trazer também informações, né, sobre essa terapia avançada. E a gente espera que no próximo ano a gente traga mais notícia, uma notícia boa, né, sobre essa terapia com muitas pessoas aí, pacientes que precisam terem mais acesso a ela. Muito obrigada. Isso que nós todos esperamos. Muito obrigado pelo convite. Bom, o nosso quadro saúde agora fica por aqui. Você pode acompanhar esse episódio pelas redes sociais e também pelo portal tvcamaracampinas.com. BR. Te espero na próxima edição. Até lá.