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Olá, está no ar mais uma edição do Saúde Agora. O tema desse episódio é sobre convulsão. Recentemente, o ator Henry Castelli teve uma crise convulsiva durante a participação em um reality show, o que acende um alerta para essa condição. Como identificar, quais são os sinais? Por isso, convidamos a Dra. Letícia Pereira de Brito Sampaio. Ela que é neurofisiologista, clínica e epileptologista. Ela já está conectada aqui conosco. Olá, Dra. Letícia, muito obrigada pela sua participação. Seja muito bem-vinda. Obrigada. Muito obrigada pelo convite. Bom, Letícia, pra gente iniciar, então, queria que eh a doutora explicasse pra gente o que de fato é a convulsão e quando, né, que ela surge, o por que ela surge. Bom, então, que é uma convulsão, né? Uma convulsão é uma descarga anormal do cérebro que acontece no nosso sistema nervoso central, no cérebro. O cérebro da gente funciona mais ou menos como uma rede elétrica de transmissão entre os neurônios, né? E de vez em quando essa rede ela pode dar um curto circuito, tá? Então é uma atividade elétrica anormal que acontece no sistema nervoso central. E aí o paciente pode ter manifestação como parada comportamental, movimentos, alterações de movimentos musculares, né? Ele perde a consciência. E no caso que aconteceu, ele teve uma crise que a gente chama uma crise tônicocônica generalizada ou uma convulsão. Então é uma descarga normal do cérebro que tem diferentes causas, né? Mas eu acho que uma coisa que é muito importante, que chamou muita atenção da gente nesse episódio, que eu acho que as pessoas têm que saber o que fazer na hora que acontece essa convulsão. Acho que isso é muito importante. É uma coisa de primeiros socorros que assim a gente até em 2026 a gente vê que tem gente que não sabe, que nunca viu, que fica com medo e você precisa acolher a pessoa que tá tendo uma convulsão, né? Então o que que você precisa fazer? Primeiro você precisa colocar a pessoa de lado para que ela eh não aspire por acaso se ela tiver um vômito, né? Proteger, tirar de perto dela as coisas que podem machucar, por exemplo, para porque ela vai est se batendo. Ela pode bater a cabeça numa quina, por exemplo, para ela não machucar, não conter a pessoa, não segurar, porque ela tá tendo uma movimentação muscular. Então você pode até trazer assim algum prejuízo para ela, você tentando conter os movimentos, né? Uma coisa que ainda tem com convulsão hoje em dia que as pessoas ai não chega perto porque a salivação, né? As pessoas falam a baba contamina, não existe isso. Aquilo é uma salivação, né? que a pessoa não tá conseguindo engolir a saliva, então isso não vai contaminar ninguém, não segura a língua. Ninguém precisa segurar a língua porque a língua não enrola. Isso é um mito, né? Então o que você tem que fazer é proteger a pessoa, ficar calmo, né? Não adianta gritar que a pessoa não vai estar te escutando. Quando você grita, você tá apavorando mais as pessoas que estão por perto, né? Então assim, fica calmo e é muito importante olhar pro relógio para saber quanto tempo esse evento tá durando, essa convulsão tá durando, sabe? E aí depois disso a pessoa às vezes fica confusa, às vezes ela fica sonolenta, você tem que ficar do lado dessa pessoa até ela recuperar, porque aí você vai saber, por exemplo, você já te perguntar pra pessoa depois, é a primeira vez que você tem esse evento, você já tinha isso antes, a pessoa pode ter uma epilepsia, então ela já fala: "Não, já tive esses eventos antes". É diferente. Diferente quando tem uma pessoa que tem a primeira vez, né? E aí você precisa investigar a causa. E a causa podem ser, tem a gente tem muitas causas paraa convulsão, tá? Tem aquelas convulsões que a gente chama de sintomática aguda, por exemplo, que acontece se a pessoa tem uma hipoglicemia, ela pode ter uma convulsão, uso de álcool e uso de drogas pode levar a uma convulsão, né? um distúbio metabólico, uma desidratação, pode levar uma convulsão. Então, essas são as causas que a gente fala sintomáticas e tem as epilepsias, que daí a gente tem que investigar dentro da causa das epilsias. Um traumatismo craniano pode levar uma convulsão. Perfeitamente falei, não perfeitamente, né? Eh, a doutora está aqui justamente para isso, para trazer, né, o que é mito e o que é verdade e também alertar a população sobre isso, porque bem como a doutora explicou, é muito importante é que quem está ao redor perceba, né, essa condição e saiba como ajudar no momento certo, né, e fazendo exatamente o que a doutora explicou naquele momento, porque muita gente acaba ficando nervoso também diante dessa situação, né? Eh, uma situação também que a doutora falou sobre a questão de prestar atenção aí nos sinais, né? E essa diferença da epilepsia e também da convulsão. É possível, né? Eu sei que a a você também atende, né, público assim infantil, então assim, é possível já ter o quadro infantil no nascimento, ter esse quadro de epilepsia. Qual que é essa diferença? Bom, eh, eu sou neurologista infantil, então eu atendo principalmente crianças, tá? Mas as epilpsias acontecem ao longo da vida toda, tá? Predomina em crianças e em idosos, tá? E existem muitas causas. Então, por exemplo, tem as causas genéticas que a criança nasce com uma alteração genética que vai levar eh a começar a ter crise epilética, né, e desenvolver a epilepsia. Geralmente são essas causas genéticas são as doenças raras, tá? Agora, por exemplo, se a criança tem uma encefalopatia hipóxisquêmica, logo que ela nasce, que que é isso? falta de oxigenação cerebral. Isso pode levar uma sequela e depois mais tarde ela vem a ter crise epilética, tá? Então existem diferentes tipos de crise epilética. Convulsão, que a gente chama é essa que a pessoa se bate toda, sabe? E perde a consciência, que é uma crise tônico-clônica generalizada. E tem essa atividade muscular junto. Tem outras crises, por exemplo, tem uma crise que a gente chama de ausência, que eu tô aqui falando com você, de repente eu paro 10, 15 segundos e volto a falar de novo que eu tava, continuo fazendo o que eu tava fazendo. Isso acontece principalmente em criança, acontece às vezes várias vezes ao dia e às vezes a criança fica, ah, essa criança é mais desligada. ela fica brisando e às vezes é uma crise de ausência, né? Então essa é um tipo, tem outro tipo que a pessoa para, tem uma parada comportamental, eh começa a ter um movimento com a boca, um movimento mastigatório ou um movimento com a mão, né? Então essa é uma crise focal. Essas são diferentes tipos de crise e essa que tem essa contração muscular mais intensa é o que a gente chama de convulsão, tá? E aí tem as causas que, igual você perguntou, que eh que acontecem mais em bebê, tem aquelas que acontecem mais no pré-escolar, tem aquelas mais frequentes do escolar, do adolescente e da vida adulta. Então isso pode se desenvolver durante toda a vida. E qual é o primeiro passo, né, para investigar uma crise? Eh, o que esse paciente ele precisa fazer? Os familiares que estão ao redor, que já presenciaram aí essa condição anteriormente, qual é a primeira situação, o primeiro sinal de alerta, Letícia? Bom, a partir da do momento que a pessoa teve, né, uma convulsão ou uma crise epilética, ela geralmente a maioria das crises duram em torno de 30 segundos a 2 minutos, tá? E a maioria passa sozinha, a pessoa fica bem depois. A gente pede para olhar no relógio por chegou com 5 minutos, é a hora que você tem que chamar o SAMU, você tem que chamar a emergência, porque quanto mais a crise se prolonga além de 5 minutos, que aí a gente começa a chamar de estado de mal epilético, é quando a chance dela parar sozinha por ela mesmo diminui. Então, talvez essa pessoa precise, vai precisar de uma medicação na veia ou por via nasal ou por outras vias para parar essa crise, para que essa crise não evolua e continue esse estado de mal epilético, tá? Então, tempo é uma coisa importante. Passou de 5 minutos, a gente lembrar que tempo é cérebro também, né? Então, chamar o SAMU, se essa crise tá se prolongando e aí depois a pessoa vai voltar e aí você vai ter que investigar, né? Por exemplo, se ela tá tendo febre, pode ser no caso de uma meningite, de uma infecção do sistema nervoso central, né? Então, tem que procurar um atendimento para que seja investigado. E aí vai ser muito importante a história do paciente desde o nascimento até quando aconteceu o evento, tá? pra gente, para que a gente possa direcionar a investigação. A maioria dos pacientes vai precisar de investigar com eletroencefalograma e com uma neuroimagem, por exemplo, uma ressonância de crânio. E a partir desse momento, né, a partir desse momento, eh, de acordo com esse mapeamento, né, que é feito aí com o paciente, aí sim tem um tratamento, né, doutora? Sim. Aí você vai começar o tratamento. Se for, por exemplo, uma crise que a gente chama sintomática aguda de uma hipoglicemia, eh de uma desidratação, né? Às vezes você trata durante pouco tempo, que aí você tem que corrigir esses fatores, né? uma epilpsia que você vai tratar de forma contínua e mais crônica com os fármacos anticrises, tá? Em crianças tem algumas até que a gente geralmente tem a primeira crise, a gente espera a segunda para começar o tratamento. Isso depende muito de cada caso. Perfeito. E no caso dessa demora, né, eh o tempo ele é crucial, né, nesse momento, quando a pessoa ela está tendo essa convulsão. Qual é a sequela, né, que fica? Fica uma sequela, se demorar muito, como que funciona o organismo, né, diante aí dessa demora no atendimento, por exemplo? É, não, essas crises que passam rápida, rapidamente de 2 minutos, né, e acontecem esporadicamente, é muito difícil se deixar uma sequela, tá? A sequela vem se essa pessoa prolonga essa crise mais que 5 minutos, né? Ela não parou sozinha, né? E e aí você vai colocar a medicação e se não parar com medicação, aí ela entra em uma crise atrás da outra que é o estado de mal epilético, que aí a gente tem que identificar a causa desse estado de mal, né? E tratar, porque aí traz outras consequências também, né? no organismo, consequências cardiológicas e aí já entra num outro processo. São muitos fatores, né, Letícia? No caso, além do desses fatores da medicina em si, tem também os externos, né, como foi falado aqui no início, eh ansiedade, essa essa correria da vida. Então, muitas pessoas elas podem ter esses tipos de convulsões por conta desses fatores ex eh externos também, né? Uma ansiedade, pânico, tudo isso acaba trazendo essa essa condição também pro paciente. É, o estress normal da vida, nenhuma situação de pânico, de ansiedade, não vai trazer uma convulsão, certo? Mas o que traz, por exemplo, a gente sabe que tem alguns eh gatilhos paraas convulsões, né? Por exemplo, o gatilho mais bem estudado e conhecido é o sono, tá? Então, se a pessoa não dorme bem, se ela faz muita privação de sono, dorme pouco, é uma pessoa que tem uma predisposição a ter epilepsia, isso vai desencadear a crise, tá? Se essa pessoa vem numa situação de estress que ela não tá dormindo bem, não tá se alimentando bem, não se hidrata, isso também vai predispor a uma convulsão, né? Então, tudo isso pode trazer eh fazer com que aconteça uma convulsão. E além do tratamento, né, se for diagnosticado depois que faz todo esse mapeamento com o paciente, além da medicação, quais são, né, os outros tratamentos, alimentação, entra nessa questão também, atividade física, o que que é aliado junto com o tratamento, Letícia? Bom, no tratamento da epilepsia, né, primeiro a gente vai tratar com o fármaco anticrise, né, que a pessoa tem que tomar regularmente todos os dias nos horários certos, tá? Às vezes você esquecer um dia a medicação, pular dois dias a medicação, faz até às vezes que venha depois uma crise mais forte. Então, tem que tomar a medicação regularmente, tá? E aí, que que a pessoa precisa? Que que eu falei aqui que era um gatilho, o sono. Ela precisava ter uma um sono, uma rotina de sono, né? Tudo bem se ela sair um dia, for numa festa, dormir mais tarde, no outro dia ela compensa, dorme até mais tarde, né? Para ela ter um tempo de sono. Então é importante ter um sono regrado, é importante se alimentar bem, é importante fazer exercício físico, né? É tudo isso que traz bem-estar pra pessoa, fazer uma yoga, isso ajuda no controle das convulsões. Além disso, não ignorar os sinais, né? Prestar atenção aí, ficar atento, né, ao organismo, qualquer sinal de alerta, né, buscar um profissional, né, Letícia? Isso, qualquer evento que você ache, né, estranho, porque, por exemplo, às vezes tem gente que tem somente uma sensação de malestar, que a gente fala epigástrica, né, que às vezes depois pode evoluir com uma convulsão. Então, às vezes alguma coisa diferente do que você tá habituado, você sente e aí você procura ajuda. Perfeita, muito obrigada pela sua participação. Quero agradecer então por compartilhar todo o seu conhecimento aqui com a gente. Muito obrigada, viu, Dra. Letícia. Muito obrigada. Obrigada porque eu acho que é muito importante a divulgação disso tudo para as pessoas saberem o que fazer na hora da convulsão, né? Então é isso é importante que todo mundo saiba. Ninguém apavore. Tudo bem? Você pode apavorar porque não é um evento que é fácil, mas assim, saiba como agir, né? saiba como agir naquele momento para que você possa ajudar a pessoa. Perfeitamente foi esclarecido, né? O primeiro ponto aí, o primeiro passo é saber o que fazer nessas condições. Muito obrigada pela sua participação. O saúde agora fica por aqui. Espero que você tenha gostado. Continue assistindo a programação da TV Câmara Campinas e te espero no próximo, na próxima edição. Até mais.