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Olá. a falta de habilidade para as pessoas perceber as plantas ao seu redor, no próprio ambiente, o que conduz ainda a incapacidade de reconhecer a importância das plantas para a biosfera e para os humanos, a incapacidade de apreciar a beleza e as características peculiares das plantas e até uma visão equivocada das plantas como inferiores aos animais. mais podendo, por isso serem desprezadas, é um termo que tem nome. E hoje no giro ambiental a gente vai entender qual é esse nome e por todos esses aspectos são levados em consideração quando a gente pensa em sustentabilidade e meio ambiente. Para isso, quem está conectado no giro ambiental de hoje é a bióloga de Assis. Seja bem-vinda e já conta pra gente, por favor, qual é o nome dado a todas essas características, qual é o termo e como se chegou a esse nome. Seja bem-vinda. Boa tarde, Mirna. Boa tarde, pessoal. Então, né, Mirna, eh, a gente conhece como cegueira botânica, né, conhecer as plantas hoje é bem raro quem conhece, né, a gente tá cada vez mais vivendo na parte urbana, nos grandes centros urbanos, cada vez mais distante da área rural. E a gente acabou perdendo um pouco, né, dessa conexão e e conhecer, né, as plantas, conhecer os nomes delas, conhecer quais são, para que que serve. as características de cada uma. É, eu lembro que Laí, quando eu vou à casa da de uma das minhas tias, elas têm muitas plantas e elas sabem exatamente essa questão, o nome e para que serve. Isso é para achar, isso é bom para comer, isso pode refogar e tantas coisas assim. E recentemente, inclusive aqui na TV Câmara Campinas também, a gente fez uma reportagem, por exemplo, sobre as punks, né, que são as plantas alimentícias não convencionais. Eh, quando a gente pensa nessa cegueira botânica, também tá incluído esse contexto? Ah, sim, né? As plantas são plantas importantíssimas na parte medicinal, né? para quem quer fugir dos tratamentos, né, tradicionais de remédio, né, são importantes também. Eh, ter conhecer que tem algumas plantas nativas que podem ser comidas, né, que às vezes a gente acha que não, que são só verdes. E é, a gente lembra que os nossos avós, né, eles tinham mais essa proximidade, né, com a roça, com a natureza. né? Então tinha um conhecimento bem grande com relação a tanto as planks quanto as ervas medicinais e de de nome de árvores, nomes de flores, como você falou, né? Na casa dos seus avós, na sua tia, você elas tinham esse conhecimento, né? E a gente tá cada vez perdendo mais. Eh, antigamente tinha uma profissão que a gente falava que era mateiro, né? que é aquela pessoa que não tem uma formação eh convencional, né, de faculdade, assim, mas tem um conhecimento incrível com relação à identificação dessas plantas. E a gente, eu acho que hoje é difícil achar quem tem esse conhecimento, né? cada vez mais estão se perdendo. Hoje o pessoal já tem investido em aplicativos, né, para identificar as plantas, mas eu já usei muitos e muitas vezes não dá muito certo. Eh, no Brasil a gente tem uma diversidade de espécie muito grande, né? Aqui eu trabalho aqui na Mata de Santa Genebra, né? Então eu conheço mais a Mata Atlântica, né, da floresta semidecida. E só aqui na Santa Genebra a gente tem mais de 600 espécies de plantas. Então é uma diversidade bem grande e a população cada vez mais tá distante dela, né, de conhecer ela. Com essa equação que nós não temos mais mateiros, pelo menos na nossa região, é quase impossível de se encontrar um. Não temos mais aquela sabedoria passada de geração para geração com esse conhecimento lá em casa mesmo do que, né, do que é cada planta, qual a importância dela. Qual é o caminho então Laí? Olha, eu [risadas] não tá muito fácil não. Eu acho que o pessoal tá apostando muito na inteligência artificial, né? Eu tenho um pouco das minhas dúvidas. Hoje a gente tem a parte de genética, né, que consegue fazer uma identificação daí mais assertiva, mas também por enquanto é é caro e não é tão acessível, mas eu vejo que são raras as pessoas que realmente entendem e sabem identificar as plantas. Eh, a gente pensa, por exemplo, você disse que tá aí na Mata Santa Genebra, que a gente sabe que inclusive tem aí um ponto que trata da educação ambiental. Hoje, quando a gente pensa nesse conhecimento para que a gente tire essa cegueira botânica, né, que a gente pelo menos minimize, a educação é um caminho. Sim, a educação com certeza ajuda muito. A gente tem aqui na Santa Genebra e grupos que vêm explicar um pouco das planks, né, aqui das punks e também das ervas medicinais. Tem um grupo da Unicampineiramente vem aqui na mata para est apresentando as plantas pros visitantes e, né, mostrar um pouquinho desse conhecimento. E então isso eu acho que ajuda bastante, né? Mas até eh as ervas medicinais eh são poucas pessoas que sabem, né, que conhecem e que e geralmente são as mesmas que o pessoal conhece, né? Eu falo que até em viveiros de mudas, quando a gente vai comprar mudas nativas em viveiros, eles sempre produzem as mesmas espécies. Como eu te falei aqui na Santa Genebra, a gente tem mais de 600 espécies de plantas, são mais de 300 espécies só de árvores. E se eu for num viveiro convencional hoje, eu vou encontrar umas, no máximo umas 50 espécies. Então você vê que acaba perdendo muito aí nesse caminho, né? Sim. como os projetos de conservação, por exemplo, podem ajudar nesse contexto para que a população tenha mais acesso e se interesse também por esse tema para minimizar essa cegueira botânica. Eu acho que deveria também eh fazer parte do currículo, né, da educação, assim, ter um pouco mais esse conhecimento fora da da sala de aula. a gente perdeu um pouco isso, né, de plantar algumas plantas, fazer uma horta na escola. Eu acho que isso ajudaria também a gente diminuir essa cegueira, né, botânica e para que no futuro as pessoas conheçam um pouquinho mais. Eu acho que a gente focou muito no vestibular, né, entrar na faculdade e acabou perdendo um pouquinho. Algumas escolas ainda tem, né, essa parte mais de vivência fora da da sala de aula, mas eu acho que poderia ser fazer parte do currículo, né, nacional essa essa questão da botânica um pouquinho mais para ter um uma ampla divulgação, né? Uma das consequências, inclusive é a questão de como a gente não conhece, a gente acha que tudo é erva daninha, tudo é mato, vamos podar, vamos cortar tudo, né? Fala um pouquinho também dessa percepção dessa cegueira que leva à desvalorização arbória de muitas vezes indivíduos ali, coisa que tá no cantinho que você acha que não é importante, mas é. É verdade. A gente olha, é, é treinar o olho, né? Porque às vezes a gente olha para uma área de mata ou que tá com com mato, né? A gente acha é tudo verde, é tudo igual. E conforme a gente vai conhecendo, a gente vai vendo a especificidade de cada tipo de planta, né? Que nem a a hora pronobs, você olha uma planta com espinho, né? O o que chama atenção, mas você não conhece, né? que é uma pan, que pode comer. Eh, então tem várias plantas. Eh, a taboa também é outra que pode também, eh, servir como alimento. A costela de Adão, né? Agora também tem gente que tá divulgando, né? A gente olha às vezes a costela de Adão e o Guaiambê. acha que é a mesma planta, que os dois têm folha grande, mas não conhece e não consegue ver essa diferença. Então é um treinamento do olhar. E então você tem que conhecer no dia a dia e você vai conseguindo ver que tem muitas plantas importantes que às vezes você acha que é uma erva daninha e simplesmente tira, né, do jardim. E tem um outro lado também, inclusive recentemente a gente teve aqui no Brasil mesmo a notícia de que uma planta que a família pensava que era uma couve e não era, ela foi nem eh a família foi alimentada com essa com essa planta, inclusive causou óbito. Também tem que ter esse olhar, né? Sim, com certeza. Por isso que é importante conhecimento, né? também, porque para divulgar que que serve como alimento sem muito critério. Eh, tem muitas plantas que são muito parecidas, né? Tem até aquele filme, né, que que o eu até esqueci o nome agora, mas que também o cara foi a óbito, né, porque confundiu. Tem algumas plantas que são muito parecidas, que é difícil de você identificar. Então, até por isso que é importante a gente diminuir essa cegueira, né? Conhecer. Tem algumas que são horticantes, tem algumas que podem ser tóxicas pros animais também. Então é bom você conhecer para você, né? Quem tem eh cachorro, que tem um jeito certo de cozinhar para tirar a toxicidade também, não é isso? Também. Sim, sim. Tem também. E partindo de toda essa análise, Laí, como que a gente pode pensar nas futuras gerações, como a gente pensa em conservar e valorizar essas plantas para que a gente saiba no futuro que elas estão aí e que fazem parte de todo o nosso na da dessa do nosso biossistema, digamos assim, para poder mantê-las e também que ela tem uma importância dentro de quanto a gente pensa. de todos eh, sejam os animais, os seres humanos e também a parte das plantas. É, eu acredito que é trazer mesmo pro dia a dia, né, desde criança, a gente conhecer, fazer horta, começar, já ter essa introdução com relação a essas plantas e e tá dentro do currículo ali escolar. E eu acho que com tempo é uma cultura, né? a gente focou para uma cultura urbana. Eu acho que agora a gente tem que pisar um pouquinho para trás assim no sentido de revisar alguns algum algumas vivências e recuperar essa parte mais ligada à natureza, né, como dizem, né, a gente só preserva se a gente conhecer, né? Se a gente não conhece, a gente não dá devida importância. Então, se você trouxer paraa escola, você ter essa vivência fora da sala de aula, conhecer a importância dessas plantas, a diversidade, quão rico, né, o Brasil é um país riquíssimo em tipos de vegetação, né, não é qualquer formação de vegetação, que a gente tem mais de 600 espécies de plantas, imagina, é muita coisa e tem algumas que a gente nem conhece ainda, né? Então é trazer isso e pro dia a dia, né, pra gente ir conhecendo e e também usufruir desse benefício que a natureza nos traz, né, que nem plantas medicinais, que é uma maravilha a gente conseguir, né, a casca do jatobá, né, faz chá que é bom para tose. Então são alguns conhecimentos da dá um pouquinho de saudade da das avós assim, né, que que trazia qualquer probleminha. tinha um chá na ponta da língua para como remédio, né, mais saudável. E a gente acabou que agora tudo a gente recorre à farmácia, né? Mas eu acho que é a gente dar um passinho para trás e e repensar nessa nossa cultura, introduzindo o dia a dia. Eu acho que a gente vai mudando essa cultura pra gente ter um uma condição de vida melhor, né? Mais conectado com a natureza, conhecendo um pouco mais de todos esses benefícios que a natureza traz pra gente, né? que a gente são muitos, né? Muito obrigada então Laí Santos Assis que trouxe aqui um pouquinho desse conhecimento, dessa questão de agora você aí na sua casa, dá um passinho para trás, começa a conhecer o que sua avó tem no quintal. Se você ainda tem algumas plantas aí no quintal, já perguntou pra sua mãe, para alguém da sua família o que é essa planta? Comece a ter um pouquinho mais dessa curiosidade. Muito obrigada, Laí. E olha só, o giro ambiental não para por aqui, não. Fique agora com notícias e curiosidades sobre a sustentabilidade e o meio ambiente. O planeta Terra rompeu sete dos noves limites planetários, os indicadores científicos que definem as condições seguras para a vida. A nova atualização realizada por pesquisadores do Instituto Potsdan, incluiu a acidificação dos oceanos na lista dos processos que ultrapassaram a fronteira de segurança. Sete limites rompidos que compõem o equilíbrio ambiental são mudanças climáticas, biodiversidade, ciclo do nitrogênio e do fósforo, mudanças no uso da terra, acidificação dos oceanos, uso de água doce e a poluição química. Uma nova pesquisa estabelece uma ligação direta entre tempestades tropicais, como tufões e furacões, e a dispersão de microplásticos, adicionando uma preocupação invisível aos seus impactos. Publicado em uma revista norte-americana, o estudo sugere que sistemas meteorológicos formados sobre os oceanos podem aspirar partículas microscópicas de água contaminada e transportá-las para terra firme. A pesquisa analisou a cidade de Ningbina durante a passagem de três tufões. Os resultados mostram que com a chegada das tempestades, a taxa de deposição de microplásticos na atmosfera aumentou drasticamente, em alguns casos, em até [música] uma ordem de magnitude em comparação com os períodos de calmaria.