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Olá, [música] começa agora o programa Saúde à Vida com muita informação para você sobre [música] saúde e bem-estar. E hoje vamos entender tudo sobre câncer infanto juvenil, os sinais de alerta, prevenção, [música] diagnóstico e tratamento. Convidamos o Dr. Nevistolino Carvalho, ele que é um oncologista pediátrico, [música] já está conectado aqui com a gente. Muito obrigada pela participação, doutor, e seja muito bem-vindo. Muito obrigada pelo convite e vamos conversar sobre câncer, infanto juvenil e seus diversos aspectos. Perfeitamente, doutor. Bom, pra gente iniciar então, né, o câncer infanto juvenil, ele engloba um grupo de várias doenças, né? Então, primeiramente eh gostaria que o senhor falasse um pouquinho sobre os tipos, né, as doenças, os tipos mais comuns aí do câncer infanto juvenil. Acho que é importante a gente situar que o câncer infanto juvenil ele engloba, como você falou, muitos tipos de tumores. E a gente tem sema nenhuma aqueles que são os principais tipos de tumores na infância, que são as leucemias agudas. Depois das leucemias agudas, os tumores, o sistema nervoso central, os linfomas e depois a gente tem um grande grupo de tumores que a gente agrupa dentro de uma denominação de tumores sólidos extracranianos. E aí a gente tem vários exemplos, como neuroblastoma, como nefroblastoma, retinoblastoma, são conhecidos como tumores embrionários, que são tumores muito frequentes na população até 5 anos de idade. Doutor, para cada uma dessas doenças, né, desse grupo de doenças, tem um sinal de alerta, um tratamento e um diagnóstico. Então, para cada uma delas, esse é um desafio? Isso é um grande desafio, porque a maior parte dos sinais, sintomas que estão relacionados a esses diversos tipos de tumores, eles são sintomas que se confundem com sintomas de muitas outras doenças mais comuns na infância. Então isso torna o diagnóstico do câncer um grande desafio, porque pro pediatra geral, muit das vezes esses sinais de sintomas iniciais eh podem estar correlacionado com doenças que eles vêm com muito maior frequência no dia a dia. E às vezes é essa baixa suspeção que às vezes faz com que o diagnóstico ele possa ser atrasado. Então, é muito importante que os pediatras e quem os profissionais de saúde que estão na assistência primária, eles possam ter conhecimento de que e que sejam alertas que alguns sintomas e especialmente a persistência e a progressão de intensidade de sintomas pode tá relacionada a um câncer. E sim, cada um desses cânceres têm sinais muito próprios, muito específicos. Então, leucemias tem seus finais sintomas, os tumores sistema nervoso central também tem os seus, os tumores sólidos estocranianos também tem. Algumas vezes ele se superpõe, mas o que tem que chamar a atenção do profissional que tá na assistência primária, que vai ter o primeiro contato com a família, com o paciente, eh entender que sintomas que não estão passando, que estão piorando, tem que merecer uma investigação, porque esses sintomas podem, na realidade, tá sendo associados a um tipo de câncer na infância. E os sintomas, doutor, quais são eles? O que que a gente pode deixar aqui de alerta, né, falando sobre os principais sintomas e o tempo de permanência desses sintomas, como mesmo o senhor mencionou, que precisa ter essa atenção especial. Bem, a gente pode dividir, por exemplo, em relação às leucemias, que representam eh os principais tipos de câncer na infância. Então, por exemplo, palidez, aquela criança começa a ficar muito pálida, que é confundido ou não é um sintoma que é muito relacionado à anemia e anemia é uma doença que é muito mais prevalente na população pediátrica do que, de fato uma leucemia. Mas essa anemia que não melhora, que não responde aos tratamentos convencionais, que as caulas convencionais e de anemia estão sendo excluídas, a gente tem que lembrar que pode ser leucemia, que também pode ter manifestações, como, por exemplo, alterações eh de coloração na pele, aqueles hematomas. Então, hematomas, aquelas manchas roxas que geralmente quando você, por exemplo, ah, ele bateu a perna, tava correndo, aí forma uma mancha roxa, tem uma causa, ele tava brincando, correu, se machucou, fez um hematoma. Mas olha, o aparecimento de uma hematoma numa área que não é comum trauma na criança e que não tá relacionada de fato a um a um evento que a gente saiba que possa ter produzido, tem que chamar atenção. Então, quematomas, manchas arrocheadas, pequenas manchas, são bem pequenas, que a gente chama de petéquias, o termo técnico, mas é como se fosse, lembra muitas vezes aquelas bolinhas vermelhas quando um inseto a criança. Então, isso às vezes pode ser uma petéquia e petque também em áreas que não estão relacionadas a trauma, a gente tem que imaginar que pode tá tendo alguma alteração na formação do sangue. E isso por trás disso pode ter uma leucemia. Febre inexplicada, emagrecimento também inexplicado, falta de ânimo. A criança que tava brincando o tempo inteiro, que a mãe conhece, começa a ficar. Então, é uma conjunção de sintomas e o pediatra tem que tá habilitado para entender que é a somatória desses dessas informações que a mãe dá, que vai fazer com que ele construa um raciocínio clínico que possa pensar, por exemplo, em leucemia. Tumores sistema nervoso central, que são os tumores que acometem principalmente o cérebro. Então, queixas como dor de cabeça, é óbvio que dor de cabeça na infância pode ser muito mais frequente em doenças benignas. E é mais dor de cabeça que não melhora, dor de cabeça que acorda a criança, dor de cabeça que tá associada a vômitos eh muito fortes, que a criança quando vomita, vomita longe. A gente chama isso de vômito em jato, geralmente quando a criança acorda, perda de equilíbrio. criança que também não tá tendo eh não está andando normalmente, fala tá com uma marcha desequilibrada, alterações oculares como estrabismo, um olhinho ficar convergente ou divergente. Então são alterações sutis também que podem ser o sinal inicial de alerta se isso não tá relacionado a doenças comuns e a persistência desse sintoma tem que provocar no profissional que tá acompanhando esse paciente a necessidade de uma investigação mais detalhada. E quando a gente fala de tumores, por exemplo, como os tumores embrionários, que são os tumores mais comuns em crianças menores de 5 anos, uma das manifestações mais comuns é o aumento do volume abdominal. Quer dizer, a criança começa a aumentar o o volume do abdômen, a mãe reclama, às vezes a mãe até percebe que tem alguma coisa ali alterada. Então, a gente tá diante dos tumores que a gente configura dentro de uma manifestação que a gente chama de massa abdominal, que é muito confundido pelo pediatra, como ah, ah, criança pode estar com verminose, tá constipada. E às vezes, eh, a gente percebe que no dia a dia, devido também a um volume gigantesco, às vezes nas unidades básicas de saúde, nas UPAs, o pediatra não examina essa criança. Então, um outro ponto fundamental que tem que ser lembrado é não só escutar o que a mãe, o que o pai está trazendo de queixa, mas também examinar essa criança, porque às vezes a simples palpação do abdômen seria suficiente para perceber que aquele aumento volume do volume abdominal é as custas de uma massa abdominal e qualquer massa abdominal palpável, ela tem que ser investigada. E nesse caso, doutor, eh todos esses essas doenças elas exigem, como o senhor mencionou, exames, né, além do clínico, além dessa conversa também, essa triagem com a família para entender o comportamento dessa criança, para cada um existe um exame específico que é realizado? Sim, para cada um desses grupos de tumores, frente aos sinais, sintomas, quer dizer, o que os pais trazem na fala. E após o médico realizar um exame físico adequado, ele vai começar a identificar quais são os exames necessários para confirmar ou afastar aquela hipótese diagnóstica de um tumor. Então, para cada um desses tipos de grupos de tumores, a gente tem uma uma lista de exames que é necessária pra gente prosseguir com a investigação, também fazer uma investigação racional, não pedir exames também desnecessários, mas o profissional, o médico que tá atendendo essa criança tem que tá habilitado para poder fazer esta investigação e dar os próximos passos para poder chegar a uma conclusão de diagnóstico. Certo, doutor? a gente fala muito sobre a questão dos fatores de risco, né? Quando é em adulto que tem essa diferença, é qualidade de vida, a gente fala sobre o tabagismo, mas no mas nesse caso, né, do câncer infanto juuvenil, é mais genética, como que a gente pode classificar então o surgimento dessas doenças, né, nessa idade, na infância? você tocou num ponto muito importante que gera muita, muita dúvida e na realidade é uma pergunta às vezes central dos pais quando eles estão frente a um diagnóstico de câncer na infância e na adolescência, né? A gente sempre quer entender a causa, o que produziu aquele aquele câncer. E sem dúvida nenhuma, a gente sabe que existe uma série de fatores de risco aos quais a nós todos estamos eh expostos ao longo da vida. O câncer é uma doença do envelhecimento. Vale lembrar que apenas 2% dos cânceres que acometem a população globalmente é na faixa etária pediátrica. Então é uma doença felizmente rara na idade pediátrica, mas extremamente importante devido a amorbidade que a doença causa. Então, essa questão de prevenção e rastreamento que é muito eh aplicável ao câncer de adulto, isso no câncer pediátrico é bem pouco frequente a gente poder fazer rastreamento ou fazer prevenção, porque são tumores que não estão associados ou o seu surgimento necessariamente a essa exposição prévia. É óbvio que a gente sabe que existem alguns fatores, inclusive relacionados ao período gestacional, às vezes fatores que são vinculados aos pais, mas isso em oncologia pediátrica, né, quando a gente fala especificamente de câncer, implante juvenil, a gente não tem dados suficientes para correlacionar essa exposição, mas de fato o desenvolvimento de tumores. Então esse de fato é um capítulo importante e que ainda a gente tem que aprender muita coisa, mas atualmente a gente sabe que essa questão de rastreabilidade, de prevenção câncer pediátrico é um grande desafio porque não existe essa relação de causa de efeito como existe no câncer de adulto. Então isso ainda acaba, né, como a gente falou sobre o diagnóstico, né, da medicina em relação ao diagnóstico precoce, isso acaba sendo muito mais desafiador por conta dessa situação mesmo, né, porque não tem como fazer essa prevenção de rastreio, então isso se torna cada vez mais difícil, né, digamos assim, nesse sentido mesmo, né, doutor, não tenha dúvida. a gente tem eh a possibilidade de fazer eh uma um rastreamento numa porcentagem pequena de cânceres pediátricos. Em torno mais ou menos de 10% dos cânceres pediátricos, tá vinculado a alguma síndrome genética de predisposição a câncer? Isso é importante porque o pediatra também tem um papel fundamental nesse cenário que é identificar. Às vezes existem situações em que pode que podem ser diagnosticadas ainda às vezes na sala de parto ou nos primeiros meses de segmento da criança. Situações em que a criança tem uma síndrome genética que pode ter manifestações no corpo da criança e que isso já seria um sinal para identificar que aquela criança pode ter um risco aumentado de algum tipo de tumor. Então isso também é um foco que tem que ser muito estimulado entre os pediatras a reconhecer essas síndromees genéticas desde o primeiro momento. Porque dentro desses desses dessa população, como eu te falei, é uma população menor, a gente pode fazer algum tipo de rastreamento. Então, estes esses são exemplos, por exemplo, a doenças como a neurofibromatose, que podem ser reconhecidas a partir de um exame clínico, de um exame físico, eu sei que aquela população tem risco aumentado para desenvolver alguns tipos de tumores. A própria síndrome de D também tá relacionada ao desenvolvimento de leucemias. Então, outro exemplo que a gente pode dar são síndromes de hipercrescimento. Às vezes tem criança que tem um lado maior do corpo do que o outro. Isso é um dado que o próprio pediatra no exame clínico pode perceber e diagnosticar. Crianças que têm essas síntomas de hipercrescimento, elas têm maior chance de ter alguns tumores abdominais. Então, um ultrassom simples a cada 3, 4 meses é uma recomendação que já existe há muitos anos pela Academia Americana de Pediatria, pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Então, é necessário que o pediatra fique atento a essas alterações que podem ser perceptíveis ao exame físico e lembrar: "Olha, isso aqui não é convencional. Não é convencional uma criança ter uma perninha um pouco maior que a outra. Então, lembrar que isso pode estar dentro de um espectro de uma síndrome e essa síndrome pode eventualmente facilitar o aparecimento de tumores. Então essa criança ela tem que ter uma atenção especial que a gente vê muito nos serviços especializados em tratamento de câncer e infanto juvenil é que a criança chega com 3, 4 anos com tumor abdominal, sem sequer ter o diagnóstico da síndrome genética, que já poderia ter sido feito nos anos anteriores. E a criança poderia ter sido avaliada de forma eh regular antes de chegar até a gente e às vezes até ter feito o diagnóstico do tumor numa fase mais inicial. E doutor, já pegando um pouquinho esse gancho, né, falando sobre, a gente comentou sobre a o Sistema Único de Saúde, falando sobre também esse olhar, né, diferenciado dos dos profissionais, dos especialistas, como que o senhor enxerga hoje então no Brasil eh novos casos, né, do câncer infanto juvenil e esse olhar mesmo da medicina diante deste desafio mesmo do diagnóstico precoce? Ah, a gente tem que entender que para fazer diagnóstico, o médico tem ter estudado isso em algum momento na sua formação. é um dos pontos mais críticos também que vem sendo discutido há décadas já dentro da medicina e do cenário eh de diagnóstico precoce em câncer, infanto juvenil, que é o acesso dos médicos e profissionais de saúde desde a graduação já terem contato com a a especialidade com a oncologia. Muitas faculdades de medicina ainda não dispõe nas suas grades curriculares uma disciplina de oncologia. Muitas residências de que formam pediatras também não tem dentro da sua grade curricular a necessidade de ter um momento para ver o oncologia. Então, quando a gente não estuda, quando a gente não olhou aquela doença em algum momento, dificilmente o médico faz diagnóstico. Então, precisa ter uma formação, tem que ser lembrado. De fato, é uma doença rara. Então, muitas vezes o pediatra pode, no exercício da sua profissão, passar anos sem realmente se deparar com uma situação de câncer infantil, mas ele tem que estar preparado para isso, porque a partir do momento em que ele se lembra que aqueles sinais e sintomas podem eh ser câncer, esse profissional ele vai fazer uma investigação inicial necessária, pelo menos para ele descartar essa possibilidade. Então é uma questão de formação, formação, educação, educação continuada é uma coisa que é fundamental para que a gente possa avançar na melhoria do diagnóstico do câncer em todo o país. Tá certo, doutora? A gente vai entrar um pouquinho agora eh no tratamento, né? Queria que o senhor explicasse como a partir do momento então do diagnóstico, como que inicia esse tratamento, né? Dependendo aí também de qual doença é uma dessas mais comuns, né, que o senhor mencionou, ã, o tratamento ele é diferente de um adulto, mas a criança ela precisa passar pela quimioterapia, pela rádio, como que funciona pra criança? Dependendo da idade também, né? Pra gente falar sobre tratamento, eh, a gente tem que antes do tratamento, a gente tem que ter uma confirmação do diagnóstico. Esse é um outro grande desafio no nosso meio, como a gente vem comentando ao longo da nossa conversa, é uma doença rara. Então, a gente exige também para um diagnóstico especialistas que tenham conhecimento do ponto de vista de patologia para poder dar um diagnóstico eh assertivo. Quando a gente fala isso, eu tô te colocando numa situação que às vezes também é comum nos centros especializados, eh, no tratamento do cancelo infantil, a gente receber pacientes em que é obrigatório que a gente faça uma revisão do laudo, que às vezes é vem junto com aquele paciente. E posso te garantir que um uma boa porcentagem dos casos, aquele diagnóstico inicial ele muda, porque se não for um patologista com experiência em oncologia pediátrica que teve a possibilidade de avaliar aquele caso, pode ser que a gente tenha essa surpresa e o diagnóstico da criança mude. Então, pra gente fazer um tratamento adequado, a gente também tem que ter um diagnóstico adequado. E para muitos cânceres hoje a gente tem muitas outras ferramentas para poder ter um diagnóstico preciso, né, e informações a nível molecular. Então, hoje em dia, a biologia molecular é fundamental paraa confirmação desse diagnóstico. Ela é necessária a muit das vezes para que eu entenda que aquela leucemia que eu tô chamando de uma leucemia linfoide aguda, ela pode ter uma característica biológica que vai direcionar o meu tratamento, porque aquela alteração biológica tá associada a uma maior ou menor agressividade da doença. Então, antes de tratar, é muito importante que o paciente também tenha acesso a esse diagnóstico assertivo. E isso é um desafio ainda no país, porque eh a gente tem que louvar muito o Sistema Único de Saúde, porque ele já proporciona muitos acessos para esses pacientes, mas a gente ainda tem um desafio que é poder proporcionar de fato dentro do conhecimento atual da oncologia exames que possam garantir essa melhor definição do diagnóstico e da estratificação de risco. E a gente sabe que eh são exames caros, são exames que precisam também de laboratórios que tenham uma experiência eh maior nesse contexto, nesse conteúdo. E isso tudo tem um custo e a a gente ainda não tem isso totalmente disponível no país. Então esse é um grande desafio. E quando você fala em tratamento dito isso, né, a questão da necessidade da gente ter um diagnóstico correto, preciso, a gente tem que est tratando essa criança dentro de centros especializados, com equipes especializadas, porque o tratamento do câncer infantil também envolve muitas peculiaridades. E a gente tem como ofertar tratamento para alguns tipos de câncer que às vezes só cirurgia é suficiente. outros que só a quimioterapia é suficiente, outros em que só a radioterapia é suficiente, mas de modo geral, uma boa parcela dos cânceres pediátricos, a gente precisa associar estas modalidades de tratamento. E sem falar que com o avanço dessa medicina de precisão, a gente também hoje tem novos tratamentos. exatamente. A gente conhece melhor a doença e hoje a gente tem tratamentos que a gente pode eh denominar como terapias da alvo dentro do capítulo também da imunoterapia, o desenvolvimento de novos de novas formas de tratar esses pacientes. Então o câncer pediátrico, de modo geral é muito mais curável do que o câncer de adulto. E a gente tem um desafio que é poder integrar todas essas modalidades de tratamento, incluindo as novas, para que a gente possa dar a melhor chance de cura pra criança. E felizmente essas crianças, a grande maior parte delas vai sobreviver ao câncer, mas a gente também tem que pensar que ela será um adulto e a gente tem que pensar e que esse adulto seja um adulto produtivo. Então, a gente também tem que pensar num tratamento que a longo prazo ele não ofereça tantas eh sequelas pro paciente que possam limitar a vida adulta eh tornando incapaz. Então esse é o grande desafio também da oncologia pediátrica hoje, de desenvolver tratamentos que eh sejam tratamentos eficientes, que garantam, continuam garantindo essa chance de cura, mas que a longo prazo esse tratamento não deixe sequelas que possam interferir na qualidade de vida e no desenvolvimento desse cidadão, eh, como cidadão que tem que tá participando integralmente da sociedade após seu tratamento. E doutor, esses tratamentos, né, que evoluíram ao longo dos anos, né, eles eles trazem esses benefícios eh dos efeitos colaterais também. Quando a gente fala sobre câncer, né, muito se fala sobre o pós, né, o acompanhamento e também eh os efeitos, né, que são piores propriamente dizendo assim do que a doença. Alguns relatam, né, algumas pessoas relatam isso. E isso traz de benefício então ah essa diminuição do efeito colateral para essa criança, principalmente, né, por ser criança, que está em fase de desenvolvimento. Não, sem dúvida. O tratamento do câncer, ele tem tanto efeitos agudos, que são os efeitos que acontecem durante o tratamento, quanto efeitos a longo prazo. O esforço que a gente tem feito é sempre olhar para essas duas frentes, desenvolvendo eh a melhor terapia de suporte durante o tratamento, justamente pra gente garantir qualidade de vida também durante o tratamento. Então, a gente tem hoje um arsenal terapêutico eh bastante eficiente para controle de náusea, vômitos, todo suporte eh durante o tratamento em relação ao risco de infecções, porque esses pacientes durante o tratamento eles ficam mais vulneráveis a infecções. E como a gente também quando tá desenvolvendo e tá tratando esse paciente, a gente pensa nas sequelas a longo prazo. Isso colocou bem, a criança ela tá em desenvolvimento e a quimioterapia, por exemplo, e a rádio são duas modalidades de tratamento que a longo prazo a gente sabe reconhecidamente que podem ter efeito sobre o crescimento da criança, sobre a função de vários órgãos, como o rim, como o coração, como às vezes o próprio sistema auditivo, enfim, todo o corpo da criança de alguma forma pode sofrer a médio e longo prazo com os efeitos do tratamento. Então isso também é sempre muito considerado quando a gente tá tratando uma criança. É ofertar a melhor forma dela ficar curada, mas sempre pensando na menor possibilidade de que o tratamento possa comprometer a qualidade de vida dela a longo prazo. E doutora, eh falando sobre essa questão mesmo da qualidade de vida, é também o acolhimento da família, né? Porque a família também, ela passa por esse momento justamente por conta do diagnóstico. A gente sempre fala aqui no programa, né, com outros especialistas também que trazem que o diagnóstico não é sentença, mas que a família também precisa desse acolhimento, né? Então, uma equipe multidisciplinar para auxiliar também nesse acompanhamento, né? Porque é um período longo de tratamento, né, doutor? E acaba que a família, os pais responsáveis também vivem aquela jornada, né, diretamente ali em período integral, porque acaba mudando tudo, né? muda a rotina, muda a qualidade de vida dos pais, dos responsáveis, acaba sendo realmente desafiador também para quem passa por essa situação. Isso é um ponto muito importante e fundamental, inclusive pra adesão desse paciente ao tratamento, né? A gente tem que olhar não só pro paciente, mas tem que ter um olhar integral pra família. A vida dessas famílias muda muito de uma hora para outra. muuit das vezes os pais eh têm que se dedicar exclusivamente para a criança. Então isso muit das vezes implica às vezes até eles saírem dos seus empregos e isso já tem um impacto gigantesco, né, na na questão socioeconômica desse paciente. Então, sem dúvida nenhuma, eh, o acolhimento e a humanização desse tratamento é um ponto que, eh, faz parte, na realidade, eu posso te afirmar isso, hum, com muita segurança de que esse acolhimento e esse olhar paraa família é uma vertente central dos centros de tratamento de câncer infanto juvenil ao redor do país. Então, existe uma grande rede de apoio que dá todo, dá muito suporte para esses pacientes eh poderem, juntamente com suas famílias, poder esperar esse momento que, como você falou, vai ser um momento muito difícil, mas que a gente sabe que vai valer muito a pena, porque a gente sabe que a chance de cura ela é real na grande maioria dos tumores, óbvio, a gente ainda tem desafios em tumores que, apesar de todo o avanço eh da mente medicina, a gente ainda sabe que, infelizmente, a gente não consegue curar, mas felizmente também é a menor parte. Mas esta essa multidisciplinaridade no tratamento, ela é fundamental. Então, o tratamento a gente pode comparar com uma grande orquestra em que de fato o pediátrico vai tá ali como um elemento central, mas ela ele, esse tratamento não funciona sem essa multidisciplinaridade, sem psicologia, sem odontologia, sem serviço social, fisioterapia, enfermagem, farmacêuticos, radioterapeutas, cirurgiões, as mais diferentes especialidades. Então nós nos unimos em torno dessa criança de forma integral com todos esses atores pra gente poder ofertar a melhor chance de cura paraa criança e dar todo esse suporte e esse acolhimento, essa humanização que essa família merece durante esse período de tratamento que muitas das vezes não é um período curto, às vezes é em torno de um, em algumas situações até 2 anos de tratamento. e o pós que a gente vai acompanhar todo esse paciente aí durante um período prolongado, justamente para poder entender eh se ele realmente ficou curado da sua doença ou como também ficar atento às possibilidades, as sequelas que possam vir a ser desenvolvidas nesse paciente. Tá certo, doutor? Nosso programa chegou ao fim, mas eu quero agradecer imensamente a sua participação, por ter compartilhado todo o seu conhecimento, né, e deixar todas essas orientações, né, e esse desafio aí então da medicina. Queria que o senhor fizesse as suas eh recomendações, as suas considerações finais aqui pro programa. É, primeiramente eu quero agradecer o espaço que vocês deram pra gente poder falar sobre um tema que é tão importante. A gente tá nesse mês de setembro exatamente falando sobre a importância dos profissionais eh da área de saúde primária entenderem que eles são fundamentais nesse nesse caminho em que essa criança vai ter que percorrer. Então, entender e poder lembrar que alguns sinais, sintomas podem ser câncer, isso é fundamental, isso curto há muito tempo. Eh, o diagnóstico oportuno, ele é absolutamente fundamental nessa jornada, mas a gente também tem que entender que ele não é a única peça dessa jornada. Então, a gente precisa fazer diagnóstico, correto? a gente precisa que essa criança esteja dentro de um centro especializado e que ela faça um tratamento também direcionado ao risco. Então são várias etapas, né? O suporte durante o tratamento pras infecções, enfim, pro controle de efeitos agudos e como também a gente tem que monitorar a longo prazo os efeitos tardios dessa terapia. Então é uma grande máquina com várias peças. Essas peças têm que estar todas funcionando para que a gente possa eh realmente dar o melhor para essa criança que passa por uma situação tão difícil num momento tão terro da vida. Eu acho que é um espaço muito importante dentro da TV Câmara, porque a gente não vai conseguir eh isso sozinho. Isso passa pelo poder público, isso passa por políticas públicas e é importante que as autoridades vejam o câncer infantil com todas as suas especificidades e peculiaridades, porque a gente também precisa avançar muito ainda em alguns aspectos que são fundamentais e a gente tem que ter o apoio do poder público, a visão do poder público em relação que câncer infantil tem sim cura, que a gente pode devolver um adulto absolutamente capaz. e no futuro também tá contribuindo pro desenvolvimento econômico do país. Então, queria deixar aqui esse esse lembrete de que o câncer infantil ele existe, ele é raro, mas ele tem cura e essas crianças merecem essa cura independente de onde elas nasçam. a gente tem que garantir a mesma chance de cura para as nossas crianças, mesmo que elas tenham nascido numa zona economicamente muito privilegiada ou mesmo que ela seja em uma zona periférica e que a gente sabe que a gente tem muitas diferenças econômicas e sociais no país, mas isso não pode nortear o futuro de nenhuma criança do nosso país. Bom, o nosso programa chegou ao fim, [música] espero que você tenha gostado. Você pode acompanhar esse conteúdo também pelo portal tvcamaracampinas.com.br. Temos o encontro marcado na próxima [música] edição. Até lá. [música] [música]