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[Música] [Música] Olá pessoal mais um saúde é vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas hoje nós vamos falar sobre o Dezembro vermelho o mês de luta contra aides HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis Mas antes você precisa saber que para participar de saúde é vida e sugerir um tema para o programa é bem fácil é só entrar em contato pelo nosso WhatsApp o DDD é o 19 o número é o 977 829 3776 vai aparecer aí na sua tela também tamb um qrcode para você acessar pelo celular nos últimos anos as ists as infecções sexualmente transmissíveis apresentaram um aumento substancial de casos em diversas cidades do mundo inclusive aqui no Brasil segundo o Ministério da Saúde os novos casos de HIV tem se concentrado sobretudo em jovens de 15 a 24 anos por isso os dados reforçam a importância das campanhas de prevenção como dezembro vermelho para falar sobre esse tema a entrevistada do do primeiro bloco né do nosso programa de hoje é a Lilian Ávila infectologista do Hospital Edmundo Vasconcelos Doutora muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa no saúde e a vida obrigada pelo convite Doutora pra gente comear que noss bate-papo acho importante a gente esclarecer pro pessoal que tá em casa acompanhando aqui o programa O que são as chamadas ists as infecções sexualmente transmissíveis são aquelas que são predominantemente transmitidas através do ato sexual seja ele qual for e Doutora qual que a diferença entre IST e DST né Houve essa mudança de nomenclatura Eu gostaria que você explicasse Por que que houve essa mudança e a principal diferença entre essas duas siglas na verdade ambas as siglas denotam a mesma coisa e o mesmo grupo de infecções Mas a questão por trás da mudança da nomenclatura foi principalmente a tentativa de reduzir o estigma relacionado a essas infecções porque muitas vezes ou uma boa parte das vezes as pessoas ainda têm uma dificuldade de lidar com o diagnóstico ou até mesmo de encarar um teste por causa do receio e de todo o contexto social que cerca você ser diagnosticado com uma infecção sexualmente transmissível e Doutora Quais são as as infecções sexualmente transmissíveis que mais afetam a população brasileira bom nós sabemos que tem algumas que são primordiais em termos de prevenção a gente nunca deixa de lembrar do HIV das hepatites virais principalmente a hepatite b e a hepatite C e a sífilis elas acabam sendo de certa forma o carro chefe que o governo eh acaba priorizando na hora da prevenção Claro que existe tem outras infecções sexualmente transmissíveis e que todas essas estão abarcadas no nos planos de governo né e de prevenção mas essas três ou quatro na verdade acabam sendo prioritárias porque são as que a gente vê com mais frequência certo e Doutora pra gente falar de uma forma geral Quais são as causas dessas ists na maior parte das vezes acontece quando tem uma exposição sexual desprotegida ou seja uma relação sexual onde houve um contato de uma pessoa que previamente não tinha uma infecção com outra que já tinha a infecção e talvez não tivesse ainda sido detectada ou já até podendendo ter sido detectada mas que não foi tratada Então as relações sexuais são como a gente já falou antes o principal fator paraa transmissão dessas infecções Doutora agora além das relações sexuais desprotegidas existem outras formas de transmissão sim para qualquer doença infecciosa existe na maior parte das vezes uma fonte de transmissão predominante e outras que são também relacionadas mais menos frequent então a gente sabe que pode acontecer a transmissão dessas infecções de maneira parenteral por exemplo que é quando eu tenho o contato com algum tipo de material contaminado que seria o caso por exemplo das hepatites B e C hoje em dia não é o mais frequente mas a gente sabe que e no passado principalmente muitas infecções aconteceram eh pelo contato com agulhas de tatuagem contaminadas eh com material cirúrgico contaminado em cirurgias ou até mesmo com outros tipo de materiais eh no consultório do dentista Então essa transmissão através de um outro eh instrumento que estivesse contaminado com o com o vírus também é uma forma potencial de transmissão mas que a gente vê muito menos hoje em dia aqui no no país e existe Claro a a forma de transmissão através das transfusões sanguíneas mas que a gente sabe que hoje em dia já é quase impossível no sentido de que os bancos de sangue seguem uma regulamentação muito Severa de para que isso não aconteça né Para que não possa haver a transmissão de um vírus através da transfusão sanguínea de modo a tornar segura qualquer transmissão então há uma série de Barreiras que são implementadas para que uma bolsa contaminada não chegue até um paciente que na verdade precisa daquela bolsa de sangue eh Doutora falando até nessa questão da contaminação a gente acompanhou recentemente um caso no Rio de Janeiro que os pacientes se infectaram com HIV por conta de uma eh transplante de órgãos né na verdade e é um caso praticamente bem difícil de acontecer né bem raro sim a repercussão foi muito grande claro também por causa da gravidade da situação porque é algo que a gente não quer que aconteça de forma alguma a gente sempre quer garantir a segurança de todo o processo do transplante e o nosso no sistema brasileiro aqui de como os transplantes funcionam é um sistema muito robusto e que é eh modelo para fora do país né então Claro gerou esse Impacto também por causa da seriedade eh dessa questão mas isso é extremamente difícil de que aconteça quando todos os passos São seguidos para que a gente evite esse tipo de situação né então tem que haver o envolvimento do local onde você vai eh captar o órgão E aí existe um uma série de questionários que são preenchidos antes pela equipe médica existe também os cuidados que são relacionados ao laboratório que vai testar essas amostras quando o transplante tá sendo preparado e também a outros mecanismos no momento ali em que você recebe o órgão para ser transplantado mas espera-se que na hora que o órgão chegou e tá indo paraa cirurgia que todo o processo tenha seguido de maneira adequada e tenha seguido critérios rigorosos para que isso não aconteça né aquilo que aconteceu no Rio de Janeiro não aconteça em outras situações sim exatamente Doutora essas infecções elas também podem ser transmitidas de mãe para filho sim com certeza a transmissão vertical é uma possibilidade e já muitos anos aí pelo menos três décadas o governo tem feito a prevenção de transmissão de infecções através eh de mãe para filho como uma prioridade para extinguir as transmissões eh através seja da gestação ou mesmo do parto né o do período perinatal que a gente chama Então existe essa possibilidade e é por isso que é muito importante que as gestantes passem por um pré-natal e que elas sejam acompanhadas por um médico para que todos os exames que são necessários pra gente identificar infecções que potencialmente podem ser transmitidas da mãe para o feto sejam eh identificadas em tempo oportuno e sejam tratadas eh para evitar a transmissão ou para evitar sequelas graves dout Lilian agora vamos falar um pouquinho sobre os principais sintomas que as ists causam acho importante a gente até como um sinal aqui de alerta né paraa população ficar atento mesmo a esses sinais a esses sintomas Ok bom nós vamos de maneira geral abordar as infecções sexualmente transmissíveis de uma maneira sindrômica que nós falamos então por um tipo de manifestação específica que eu vou reconhecer na pessoa que está buscando um serviço de saúde ou um atendimento então para homens e mulheres nós eh tentamos sempre identificar por exemplo os corrimentos seja o o corrimento uretral ou o corrimento vaginal esse pode ser um primeiro sinal de alerta de que alguma coisa não está certa e várias infecções podem causar OC corrimento o que faz aí muito necessário o atendimento de um profissional que tem a capacitação para fazer o reconhecimento a outra coisa que também pode acontecer é o surgimento de uma úlcera ou de uma lesão de pele seja ela na região da boca na região genital então no pênis ou na região da vulva próximo à vagina e em algumas situações elas também podem acontecer próximo à região anal que a gente chama de pele anal então o surgimento de lesões de pele que a pessoa anteriormente não tinha ou com alguma característica que ela considere ali é mais importante como dor no local da da lesão saída de secreção naquele ponto são também sinais de CTA e tem algumas infecções que a manifestação não vai ser necessariamente essa né do corrimento ou das úlceras genitais então para algumas pessoas elas podem surgir com sintomas que a gente chama constitucionais que é o malestar a febre ou uma febre baixinha ou às vezes pode não acontecer febre eh o surgimento de gânglios que são os linfonodos aumentados então esses também são sinais para procurar o médico é Doutora tem algumas infecções que podem não provocar nem que podem não provocar nem sintomas aí a pessoa também vai ficar sem saber o que ela tem na verdade né exatamente algumas infecções sexualmente transmissíveis podem não causar nenhuma manifestação Esse é sempre um risco com as infecções de uma maneira geral existe uma parcela das pessoas que vai adquirir a infecção seja ela por um vírus uma bactéria ou outro tipo de patógeno e ela não vai demonstrar sinais a sífilis por exemplo pode eh não demonstrar nenhuma alteração e a pessoa só descobre quando ela vai se testar se ela se testa hoje em dia como há uma eh abordagem muito mais forte para que as pessoas se testem periodicamente a gente consegue detectar muito mais cedo do que no passado esse tipo de infecções mas para algumas pessoas que fogem do médico ou que T medo das testagens eh isso pode acabar demorando um pouco mais para ser reconhecido no caso dessas infecções D Lilian se elas não forem tratadas identificadas Quais são as complicações que as pessoas podem cada infecção pode vir acompanhada de complicações diferentes Então mas falando de uma maneira generalizada eh a gente sabe que podem acontecer manifestações com reações de pele de ter lesões generalizadas como a sífilis por exemplo chega um momento em que pode acontecer isso para algumas pessoas pode acontecer acometimento do sistema nervoso central também pensando na sífilis quando a gente fala das hepatites por exemplo eh se elas não são descobertas no início do quadro a pessoa pode chegar a evoluir com acometimento do fígado eh com alteração das enzimas que a gente acaba detectando por exame de sangue ou até mesmo evoluindo para uma cirrose quando já está num estágio muito avançado e no HIV por exemplo a a gente sabe que uma infecção não detectada de maneira rápida pode evoluir para um estágio de ides em que a pessoa tem um risco muito aumentado de desenvolver outras infecções que nós chamamos de oportunistas porque elas se aproveitam do momento em que o sistema imunológico já tá muito fragilizado e acabam aparecendo algo que numa pessoa que tem o sistema funcionando de maneira adequada não costuma acontecer eh Doutora Eu gostaria que você abordasse um pouquinho agora sobre o diagnóstico como que é feito né a como é que é feita a identificação dessas ists é necessário são necessários né na verdade alguns exames como que é todo esse procedimento nós temos um um Arsenal bastante extenso de exames laboratoriais que são importantes para o diagnóstico de todas essas infecções de uma maneira mais rápida e simples algo que tem sido muito interessante aí que o governo tem implementado pelo Brasil todo é a facilidade de acesso a testes rápidos que são aqueles testes iniciais que a gente faz para detectar principalmente HIV sífilis e as hepatites então esses são testes eh falando muito grosseiramente simplificados em que você adquire uma amostra quando a pessoa chega no serviço de saúde e ela é feita naquele mesmo momento e fica pronto o resultado em 15 minutos Esse é um teste que nós chamamos de triagem é uma triagem inicial a gente tá tentando reconhecer se há alguma dessas infecções na pessoa que tá buscando o sistema de saúde para que se forem positivos os testes um ou mais ela tenha uma abordagem eh oportuna e seja direcionada para o tratamento outros testes que a gente tem à disposição em geral exigem que um médico faça a solicitação em alguns Laboratórios particulares às vezes não é necessário que o médico solicite o próprio paciente pode chegar e solicitar que o teste seja feito né mas na maior parte das vezes é um médico que vai fazer um pedido para que a pessoa faça uma coleta de exame de sangue e possa ser testada nesse caso os testes que a gente utiliza são as sorologias as sorologias são testes que ajudam a gente a identificar anticorpos contra infecções contra vírus e contra bactérias então eu não estou detectando diretamente o microrganismo o patógeno eu estou detectando sinais de que ele passou por ali e isso também é uma maneira da gente Direcionar para o tratamento oportuno então esses são os principais testes que a gente tem à disposição eu não não vou citar aqui alguns outros testes específicos que a gente tem mas existem outros tipos de testes mais específicos que a gente pode utilizar também no diagnóstico certo e Doutora essa triagem que você comentou ela é fundamental né Principalmente ali no SUS para identificar já esses entes e já começar ali o tratamento né sim é uma facilidade que acelera bastante né o encaminhamento da pessoa que é diagnosticada com uma infecção para um acompanhamento adequado porque sempre que nós falamos de infecções sexualmente transmissíveis a gente tá falando de uma um mecanismo de prevenção que não é baseado em apenas um fator então Eh sempre que nós falamos de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis a gente tá falando de uma abordagem que é muito Ampla em que a gente vai conversar com o paciente sobre como é a vida sexual dele qual é o momento de vida que ele tá passando a gente vai fazer uma abordagem comportamental para tambm também tentar entender como que é o uso de preservativo de lubrificante se a pessoa já foi vacinada contra aquelas infecções que a gente pode prevenir através de vacina Então tudo isso acaba muitas vezes acontecendo só no momento em que a pessoa chega ao serviço de saúde Então essa porta de entrada do teste rápido ela potencializa essa abordagem aí oportuna das pessoas que precisam desse atendimento e Doutora falando agora em tratamentos quais são de uma forma geral também claro Quais são os mais indicados para esses casos né que a pessoa tá infectada com alguma né com alguma doença bom os tratamentos vão ser diferentes de acordo com as infecções por isso que a gente bate tanto na tecla e reforça tanto que é importante o atendimento com um profissional capacitado para isso porque não não é uma única medicação que vai ser utilizada para absolutamente todas as infecções então para o HIV Por exemplo quando é detectado e confirmada a infecção deve ser direcionado o paciente para fazer o tratamento com os antirretrovirais que são as medicações específicas para o tratamento de HIV no caso das hepatites uma vez que seja confirmada a infecção a hepatite C tem uma série de medicamentos que são diretos eh diretamente ativos contra a hepatite C que tem alta eficácia e já não são os mesmos medicamentos que a gente utiliza para Hepatite B por exemplo para Hepatite B nós utilizamos um tipo de antirretroviral que nós também utilizamos para o tratamento do HIV e para sífilis o tratamento é com antibiótico sendo o principal a benzetacil E aí o número de doses da benzetacil vai depender do estágio em que a infecção está e outras infecções sexualmente transmissíveis seja Clamídia gonorreia donovanose essas exigem tratamento também com antibióticos Mas podem muitas vezes ser tratadas ou com antibiótico administrado de maneira intramuscular ou com um antibiótico administrado por via oral diferente desses que a gente já falou anteriormente eh Doutora Vamos falar agora então da prevenção como que as pessoas podem evitar se infectar né com essas com essas doenças o que que elas devem fazer eu acho importante a gente reforçar aqui no sentido de orientar mesmo quem tá acompanhando o nosso programa passar essa informação ok Um dos principais eh instrumentos que a gente tem paraa prevenção de infecções sexualmente trans í ainda é a camisinha seja a camisinha feminina ou a camisinha masculina existe uma um maior uso das camisinhas masculinas de uma maneira geral até hoje mas ele é um método de barreira ou seja impede que o semem ou outras secreções entrem em contato com outra pessoa não é um método Claro 100% eficaz porque nenhum método é 100% eficaz mas é um dos principais que a gente tem à disposição ainda existe sim muito muita dificuldade por parte de algumas pessoas de aderir ao uso da camisinha mas a gente continua eh Lembrando que ainda é eh um instrumento muito importante que a gente tem na prevenção a outra coisa que nós podemos fazer em termos de prevenção é vacinar como nós comentamos anteriormente então para algumas eh infecções como a hepatite b e a o HPV nós temos vacinas à disposição tanto no calendário do programa nacional de imunizações que é parte do SUS como também disponíveis no no particular também existe por exemplo a as abordagens da pep e da prep quando nós estamos falando a respeito de HIV então a PEP é a profilaxia pós exposição que a gente utiliza para aquelas situações em que houve uma exposição sexual desprotegida com uma parceria em que não se sabe o status sorológico que pode ter sido consentida ou não consentida para evitar que essa pessoa desenvolva HIV caso a fonte fosse positiva eh esse tipo de tratamento né de prevenção na verdade é feito através do SUS mesmo a pessoa tem até 72 horas para iniciar a medicação e é necessário o acompanhamento com o médico porque depois outros testes serão necessários para observar se houve infecção ou não existe também a prep que é a profilaxia pré-exposição que a gente utiliza aqui no Brasil para algumas populações que são consideradas chave e que é para evitar também a infecção pelo HIV então a pessoa toma o comprimido que é de feito de antiretrovirais que são medicações que inicialmente foram utilizadas para o tratamento do HIV e hoje a gente usa para prevenção também e existem formas diferentes de tomar a pessoa pode tomar o comprimido diariamente ou ela pode fazer um uso sob demanda que é quando ela sabe que ela vai ter uma exposição sexual ela faz uso da medicação falando de maneira simplificada e existem outras coisas né como o diagnóstico oportuno é uma forma de prevenção porque você reduz o risco de que essa infecção a partir de uma pessoa se dissemine para outras o uso de Lubrificantes que pode parecer algo é estranho mas também é algo que ajuda na prevenção sempre que nós que acontece muito atrito na região perianal ou genital de uma maneira geral isso pode favorecer a formação de fissuras locais e essas fissuras facilitam a entrada de determinados microrganismos então a gente fazer o uso do lubrificante ajuda a reduzir esse atrito e o surgimento dessas fissuras que aumentariam o risco das infecções Então como falei anteriormente é sempre uma combinação de Várias Vários métodos para que a gente possa reduzir de maneira Global a exposição e a infecção Com certeza Doutora agora pra gente encerrar esse primeiro bloco Eu gostaria que você falasse um pouquinho né Qual que é a importância né do SUS eh na no combate de dessas doenças né dessas dessas infecções sexualmente transmissíveis o SUS Hoje é com certeza eh extremamente importante relevante nesse combate todas as estratégias para o combate prevenção tratamento de infecções sexualmente transmissíveis são desenrolados ou deflagrados a partir dos atendimentos do SUS claro que isso também acontece a partir de um atendimento que é feito no particular mas a dimensão do que é feito pelo SUS é muito diferente né a gente tá falando de uma abordagem que é feita de maneira a atingir o maior número possível de pessoas de detectar de maneira rápida as infecções para que elas possam ser tratadas de TR acompanhar a uma uma vez que haja o diagnóstico para que o tratamento seja feito a contento até o final e o principal Claro é o fato do SUS disponibilizar isso de maneira gratuita para qualquer cidadão brasileiro isso é de certa forma extremamente difícil de ver em outras localidades a gente sabe que o SUS é referência fora do país porque a gente atende uma população eh muito grande que a gente vê em poucos poucas localidades com uma capilaridade muito grande ou seja a gente consegue fazer isso chegar ali na ponta em locais mais remotos onde o acesso é mais difícil aos Serviços de Saúde e eh a gente claro sempre acaba eh Lembrando que de maneiras sem preconceito sem julgamentos para que o maior número de pessoas possa ser atingido então o SUS é extremamente relevante nesse combate Doutora Lilian eu queria agradecer a sua participação sua disposição aqui para ajudar a gente com esse assunto neste primeiro bloco do saúde e vida Muito obrigada Eu que agradeço eu Convido você a continuar aqui conosco Porque no próximo bloco nós nós vamos falar sobre HIV e aides eu vou para um rápido intervalo e já [Música] [Música] volto estamos de volta como saúde a vida e hoje falando sobre o Dezembro vermelho mês de luta contra aides HIV e outras ists as infecções sexualmente transmissíveis a aid que é a síndrome da imunodeficiência adquirida é uma doença que desperta muitas dúvidas e preocupações e quem vai explicar tudo pra gente sobre esse assunto neste segundo bloco é a Fernanda Rique etologista da câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial D Fernanda muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa no saúde e a vida obrigada vocês pelo convite e Doutora pra gente começar aqui já nesse segundo bloco do programa Eu gostaria que você explicasse que é uma dúvida muito comum qual que é a diferença entre HIV e aides o Hi é o vírus que causa a infecção né que pode ser transmitida sexualmente transmitida eh a gente acho que vai debater isso um pouquinho mais tarde mas o fato de que você se infecta com com o HIV e caso você não diagnostique caso você não saiba que você tem até saiba que você tem mas você não inicia o tratamento com os antirretrovirais ao longo de alguns anos você vai eh diminuindo a sua imunidade que é a consequência que o que o vírus causa no nosso corpo ele ataca as nossas células de defesa diminui a nossa imunidade a ponto da gente ficar suscetível a ter certas doenças certas infecções que um organismo com uma imunidade normal não afetada pelo vírus do HIV eh não teria E aí quando a gente chega nesse estágio que a nossa defesa tá tão baixa e que a gente fica eh se infectando com microrganismos que estão né no nosso meio ambiente mas PR a gente perder a capacidade de se defender a gente desenvolve o que se chama aides né Eh hoje a gente a nossa principal Bandeira a nossa principal campo de atuação é que as pessoas consigam saber mais rápido possível do diagnóstico delas que elas TM A infecção que elas vivem com com o HIV e que elas recebam o tratamento o mais precocemente possível para não chegar a esse estágio de da Aid não sei se eu já fui bem claro se você não foi sim Doutora Foi sim eh até Aproveitando né Eu gostaria que você explicasse o que que é a chamada janela imunológica que eu acho que isso é bem importante o a população entender uhum a janela imunológica é o tempo que a gente tem entre a gente entrar em contato com vírus com algum microrganismo seja isso serve para várias infecções para várias outras doenças no momento que a gente entra em contato com esse microrganismo que ele entra no nosso corpo e o tempo para desenvolver eh ou a doença ou sinais e sintomas ou para que ele seja detectável através de de testes laboratoriais no no nosso coro em geral pro HIV esse tempo pode ser de seis a 8 semanas então se eu me infectei hoje pode ser que se eu me testar hoje o meu teste ainda venha negativo por isso que a gente eh é sempre recomendável a gente eh abordar de uma forma muito sincera muito eh humanizada muito respeitosa sem sem sem julgamentos O que aconteceu com aquela pessoa no momento que ela tá se testando pra gente saber quando foi a exposição dela né quando foi o o risco dela foi ontem foi a duas semanas foi a um mês foi foi todos os dias no nos últimos anos isso pode interferir eh no momento que você vai fazer fazer a testagem e o resultado do do seu exame Então para que ele seja um exame mais acurado com uma resposta mais verdadeira a gente tem que entender esse contexto de cada pessoa Cada pessoa tem um contexto diferente e você pode estar ou não na janela im monológica Então vale a pena conversar com o profissional de saúde que tiver te apoiando no momento do que você for realizar algum teste Doutora por isso que é tão importante a campanha do dezembro vermelho né que é exatamente essa prevenção né reforçar essa prevenção gostaria que a doutora falasse um pouquinho sobre as ações dessa campanha a campanha do dezembro vermelho ela é instituída né no no Brasil eh e o dia ela vem em Dezembro porque o dia mundial de luta contra aides eh no dia primeiro de dezembro então é um é um momento que a gente quer que a que a população eh fique mais consciente onde os esforços sejam mais concentrados né que as campanhas sejam mais concentradas isso Visa eh a gente criar uma consciência maior um conhecimento maior que a população eh tem uma informação mais qualificada sobre aquela doença aquele ag grau e Que ela possa acessar eh meios de prevenção e como você falou Ana é importante mesmo as pessoas estarem conscientes se testarem eh Se testar hoje é uma forma de atenção porque como eu falei anteriormente quando a gente se testa a gente tem a possibilidade de entrar num tratamento mais precocemente possível não ficar com um vírus circulando no no corpo não não não transmitir esse vírus né então o o Dezembro vermelho ele é muito importante e eu agradeço muito esse esse espaço porque eu acho que é uma é uma resposta que toda a sociedade tem que dar né todos setores Então não é só a saúde é o Executivo é o legislativo é a sociedade civil eh São diversos meios diversos eh setores que tem que estar envolvidos educação também com certeza Doutora levar essa informação acho que é primordial né pra gente começar a combater mesmo esses tipos de doenças né com informação eh Doutora uma pergunta né que é bem específica uma dúvida a pessoa pessa aqu ela é exposta ao HIV ela é exposta somente se ela tiver relações sexuais desprotegidas eh relações sexuais desprotegidas sem o uso de preservativo é uma dos principais formas de de transmissão né mas a gente viu agora recentemente um caso que que que escandalizou eu acho que a sociedade brasileira que foram seis eh pessoas que hav havam passado por Um transplante de de órgãos e por uma falha que ainda tá sendo investigada né Eh de laboratório ouve a transmissão para de HIV para essas seis pessoas eu acho que vale a pena eh frisar eh a gente falar aqui um pouquinho de transmissão que pode ser transmitida por componentes sanguíneos por órgãos eh Mas essa não é a via mais comum principalmente no Brasil Brasil é o país que o segundo país que mais transplanta no mundo eh desde a lei Betinho a gente tem um Protocolos de segurança muito bem estabelecidos eh nos Laboratórios é proibida a comercialização de de qualquer componente humano exatamente para diminuir esse risco de transmissão Então não é a via mais comum hoje porque hoje com materiais descartáveis com procedimentos de controle de infecção e com protocolos muito bem estabelecidos e muito rigorosos essa possibilidade ela é menor ela existe por isso que existem todos esses protocolos mas eu acho que é importante frisar porque eu acho que esse foi um evento excepcional muito triste para para para para nós infectologistas e para todos que estão envolvidos na na luta contra o o HIV mas hoje Principalmente as relações sexuais eh tem tem tem as devidas proteções eh inseguras né são a principal forma acho bacana a gente falar aqui pro pessoal de casa também como que surgiu a AIDS É uma longa história na verdade né Se a gente for olhar muito lá atrás olhar a o o abrir o Genoma do HIV a gente consegue até ver que é um vírus que já circulava há há muitos anos principalmente que ele já já havia sido identificado eh em alguns continentes continente Africano mas na década de 80 que esse vírus é identificado eh Há uma briga aí entre pesquisadores americanos e franceses para para saber quem que identificou esse vírus primeiro mas não importa o primeiro caso eh é documentado né oficialmente através da de jornais científicos e 1981 E aí a gente vê que existe um vírus que circula e que e e que destrói as nossas defesas e E aí a partir de então a gente vive toda aquela comoção que quem viveu a década de 80 vai lembrar muito bem aonde a gente perdia muitos artistas eh muitas pessoas né famosas ah faleceu de a eh hoje a gente não fala né Mas a pessoa tem a a a pessoa tem eh tem HIV a gente fala que são pessoas que vivem com HIV como eu vivo com diabetes como eu vivo com hipertensão isso é é um eu eu gosto de falar desse Marco porque eh isso tem muito a ver com a nossa luta contra o preconceito e a discriminação a gente olhar Como era na década de 80 e a gente olhar como a gente enxerga hoje essa infecção é totalmente diferente né hoje a gente tem muito mais Conhecimento hoje não é mais um vírus que quem viveu a década de 80 ele aterroriza como aterrorizava e como isso também permitia muita muita muitos debates e muitas discussões muitas vezes muito preconceituosas né as pessoas que viviam com a HIV na época elas eram altamente estigmatizadas ainda são mas a década de 80 é muito marcante certeza até ia entrar nesse assunto mesmo Doutora se você acredita que esse preconceito ele tem diminuído aí ao longo dos anos ou ainda falta muito para para avançar Eu acho que o preconceito e a discriminação eh é o que mais mata no no HIV ainda é um problema Um Desafio muito grande não é toa que o nides que a agência da ONU pro pro HIV e aid esse ano dezembro vermelho eh permeado por lança a campanha permeada pelos Direitos Humanos ou seja eh as pessoas têm o direito e a liberdade de viver com toda a dignidade vivendo com aiv vivendo com qualquer outra infecção com qualquer outra doença o fato ainda ser uma doença extremamente estigmatizada principalmente talvez por esse tabu de estar envolvida com relações sexuais faz com que as pessoas sejam tachadas sejam julgadas imediatamente ao ao revelar né o seu diagnóstico o seu o seu status e isso faz com que muitas pessoas tenham medo de receber esse diagnóstico se elas têm medo de receber esse diagnóstico Elas têm medo de se testar Elas têm medo de se testar elas não acessam o o serviço de saúde não procuram né diagnóstico não procuram tratamento muitas vezes as pessoas sabem que tem o que vivem com com o vírus mas eh o preconceito em torno da vida delas é tão grande que elas não conseguem tomar os medicamentos eh receber o tratamento adequadamente ou aderir ao tratamento adequadamente e isso faz com que elas acabem falecendo então Eh o preconceito e e a discrimin ação eles matam antes durante e depois do do diagnóstico Se a gente fosse uma sociedade um pouco mais livre desses julgamentos eh moralistas as pessoas se sentiriam mais confortáveis de fazer um diagnóstico de HIV como fazem de diabetes de câncer e acessarem o o tratamento de forma mais rto é Doutora uma outra dúvida muito comum também que surge é se o beijo na boca ele transmite o HIV a a troca de salivas eh abraço beijo não transmite HIV inclusive eh essas pessoas elas na década de 80 elas foram tão fachadas que elas não elas foram proibidas jamar né E hoje a gente sabe que a troca entre salivas não não não transmite existe uma possibilidade de ser pessoa tá infectada com uma alta viral aa beijar alguém que tem uma ferida na boca não é nem beijar é talvez através do sexo oral eh existiria essa essa possibilidade mas vale a pena frisar que hoje uma pessoa que vive com HIV que toma os seus medicamentos eh corretamente diariamente ela não transmite o HIV mesmo em relações sexuais sem preservativo então o risco de trans missão uma pessoa que está em tratamento e tem a carga viral que a gente chama zerada indetectável ou seja ela não é capaz de ser detectada eh por exames convencionais essa pessoa não transmite HIV que tá um beijo Eh Doutora pra gente começar já encerrar aqui nosso segundo bloco eh qual que é a importância então da gente destacar a prevenção né prevenir essa infecção pela HIV né e depois isso se tornar aides Qual que é a importância disso passar até um recado aqui para quem tá acompanhando o nosso programa eh eu acho que prevenção Hoje é a palavra chave eh hoje a gente tem terapias muito eficazes eh sem efeitos colaterais sem interações com outros medicamentos a pessoa pode ter uma vida absolutamente normal tomando os remédios e aí como eu disse ela não transmite o o o HIV Então essa é uma forma de prevenção existem outras tecnologias por exemplo você se expôs você teve uma relação sem preservativo uma pessoa que você conhece não conhece mas você tá na dúvida se agora você tá exposto ou não ao HIV você pode acessar um serviço de saúde é gratuito no SUS você recebe um kit para um mês de medicação que é chamada a PEP que é a profilaxia pós exposição eu tomo essa medicação durante um mês e eu não me infecto a outra possibilidade é eu não consigo usar preservativo eu posso usar a prep que é a profilaxia pré-exposição um comprimido todos os dias eh e eu não me infecto pelo HIV mesmo me expondo mesmo tendo relações sexuais sem preservativo Ah eu tenho dúvida eu ainda não sei eu não eu não tomo prep eu não tomo PEP eh eu mas eu tenho exposição eu posso me testar teste rápido na pontinha do dedo uma gota 15 minutos para você ter o resultado gratuito disponível no SUS em todos os serviços de saúde Principalmente nos postos de saúde é muito IMP a gente saber o nosso status se a gente tem ou não se a gente tá infectado ou não com HIV se não tivermos a gente pode eh conversar com o nosso profissional de saúde que esteja nos atendendo para debater qual que é a melhor Prevenção ou se eu tiver sido diagnosticado com HIV eu entro em tratamento hoje o tratamento também é distribuído no SUS de forma gratuita é muito ágil é muito rápido do diagnóstico no início do tratamento eh pode levar de um dia a 14 dias na rede do SUS e seis meses você não tá mais transmitindo o h também é uma forma de prevenção o uso do preservativo continua eh eh em eh na moda tá a gente sabe que a maioria dos nossos jovens e dos nossos adolescentes não aderem ao uso do preservativo Mas é por isso que a gente também tem essas outras tecnologias eh e é importante dizer pra população que não existe uma uma receita de bolo a gente hoje tem muitas formas de prevenção eu citei quatro mas informação também é uma forma de prevenção eh a melhor forma de prevenção é aquela que combina com o seu momento de vida com o seu estilo de vida eu sempre encorajo as pessoas a procurarem um serviço de saúde a procurarem um profissional de saúde e debaterem quais dessas tecnologias eh combinam melhor comigo a gente sabe que uma tecnologia uma estratégia sozinha Apenas não é 100% eficaz o ideal é que a gente combine testagem com uso de pré e com uso de preservativo por exemplo mas quem vai determinar isso é a pessoa e em debate justo e honesto sem moralismos com o o seu profissional de de saúde é o que a gente chama hoje de prevenção combinada a combinação de várias estratégias combinadas com o seu estilo de vida com o seu momento de vida então Eh hoje Diferente de quando a aid surgiu eh a a gente tem muitas formas de de prevenção e eu acho que ainda a gente tem que trabalhar muito novamente no estigma e no preconceito para que Essas tecnologias de prevenção essas estratégias estão todas disponíveis gratuitamente no no SUS entrem de fato em contato com a nossa realidade e com e que todas as pessoas possam ao menos ter o direito de debater com com seu profissional de saúde D Fernanda muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa Eu que agradeço saúde a vida fica por aqui obrigada ao pessoal de casa também pela companhia Lembrando que você pode conferir todos os nossos conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais a gente se vê no próximo programa [Música] i