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Olá, saúde a vida já está no ar. Sejam muito bem-vindos na edição de hoje. Vamos falar sobre colesterol, que é frequentemente visto como vilão, mas o problema surge quando há um desequilíbrio entre os seus diferentes tipos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, no Brasil, quatro em cada 10 adultos têm diagnóstico de colesterol alto e mais de 1/4 das crianças brasileiras já apresentam níveis elevados de colesterol. Bom, pra gente entender sobre isso, convidamos Marília Bortoloto Felipe Trentim, ela que é endocrinologista e diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia da Regional de São Paulo. Seja muito bem-vinda, Marília. Muito obrigada por ter aceito o nosso convite. Bom dia a todos. Eu que agradeço de estar aqui com vocês falando desse tema tão importante. Perfeito, Marília. Bom, pra gente iniciar, então, quero que você fale qual é o papel, né, que papel que o colesterol desempenha no nosso organismo? Primeiramente, o colesterol ele não é apenas um vilão. Então, o colesterol ele é importante para formar as membranas da célula, para formar os hormônios, para formar, por exemplo, a vitamina D. Então ele só se torna um vilão quando a gente tem o colesterol ruim em excesso, mas ele é importante também para formação celular e hormonal. Perfeito. E qual é eh quais são, né, os tipos de colesterol, né? Você mencionou, a gente tem o ruim, o bom, né? Que ele é classificado, tem também o total. Queria que você explicasse quais são os tipos e como que a gente identifica isso no nosso organismo. A gente tem várias moléculas de colesterol. Então, a gente tem aquele que é considerado colesterol bom, que a gente chama de HDL. E por que que ele é bom? Porque ele tira o colesterol da artéria e manda pro fígado. Então, ele faz essa limpeza. a gente tem os chamados, né, as moléculas que são chamadas de ruins. A gente tem o LDL, que é o mais conhecido, que é uma molécula que tem capacidade de se depositar nas nossas artérias e isso gerar pra gente o risco do infarto e do AVC. E a gente tem outras moléculas também que também tem essa capacidade de formar essas placas de gordura, que a gente chama de não HDL, que é uma forma também da gente avaliar o colesterol ruim. Atualmente a a quando a gente fala sobre o colesterol total, ele não traz tanta informação, a gente considera mais as frações. Então o ruim, que é o LDL e o não HDL, que são os que vão se acumular nas placas de gordura nas artérias. E o bom, né, que é o HDL, que traz essa proteção pro nosso coração. Perfeito. E Marília, eles têm alguns níveis, né, valores de referência. a gente consegue classificá-los eles nesses valores de referência para saber se a gente tá com um colesterol alto, se está acima ali do nível indicado. Atualmente nós temos algumas ferramentas que são calculadoras em que a gente coloca o paciente e individualiza. Então tem alguns fatores: hipertensão, tabagismo, diabetes, se ele já teve um infarto ou um AVC. Então, a gente considera uma série de fatores e de acordo com esses fatores, a gente vai considerar qual que é o risco daquele paciente. E a meta para deixar o colesterol ruim é de acordo com esse risco. Então, varia com idade, varia com ter ou não diabetes, ter ou não já tido algum evento. Então, é muito individualizado e hoje a gente tem ferramentas que nos ajudam a calcular esse risco, certo? No caso dessas doenças, então, por exemplo, se uma pessoa ela tem diabetes, ela pode ter colesterol alto ou o colesterol eh ele traz outras doenças também para esse paciente. Ele tem uma relação com problemas com a saúde cardiovascular também, né, Marília? Isso. O colesterol ruim. A nossa principal preocupação, né, diante de um paciente que tem o colesterol elevado é em relação a esse risco pro coração do infarto. A gente sabe hoje que as doenças cardiovasculares elas acometras. E além disso, o AVC, que além de o risco de mortalidade, você traz também uma qualidade de vida ruim, muitas complicações associadas, né? E quando o paciente, por exemplo, ele tem o diabetes ou a hipertensão, a gente tem mais fatores de riscos associados a essa doença. Então, a gente traz uma preocupação maior, porque além do colesterol elevado, o diabetes, a hipertensão também trazem pro coração os riscos, né? Certo? qual que é o principal fator de risco, né? Tem a questão da alimentação, eh, mas qual que é o principal fator de risco e também se tem relação com eh a questão genética, hereditária? Também existem três coisas que são importantes quando a gente fala sobre o colesterol. Primeira delas, né, existe a relação com a genética. Então, a gente sabe que existem pacientes que tem uma genética favorável ao aumento do colesterol. Tem a alimentação, que é um fator de risco importante. Quando a gente fala sobre alimentação, são aqueles alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, ricos em açúcar adicionado, que tem entrado na rotina alimentar e que traz hoje o que a gente também vê, que é o colesterol elevado nas nossas crianças, né? E a gente tem também, além disso, o sedentarismo. A gente sabe que a atividade física, ela é extremamente importante pro controle do colesterol. Então, a atividade física, a alimentação e a genética, elas vão se unir ali para trazer ou não o controle do colesterol, né? Perfeito. E Marília, eh, o colesterol ele apresenta sintomas, né? No caso, a pessoa, ela está ali com o colesterol alto, ela consegue sentir algo diferente no corpo. Como que é feito esse diagnóstico? O colesterol elevado, ele não traz nenhum sintoma que avise pro paciente que ele tá com esses níveis altos. Então, na maioria das vezes, a gente faz o exame de rotina e descobre que esse paciente tem níveis elevados. a o aumento do colesterol, ele vai trazer pra gente alguma repercussão clínica pro organismo, infelizmente quando você já tem o evento, então quando você já tem o infarto, quando você já tem uma obstrução arterial, quando você já tem o AVC. Então quando acontece o evento, é que a gente tem realmente o sintoma relacionado, que aí você já perdeu o tempo de tratamento, né? Então, o ideal é que a gente faça exames de sangue. Os exames laboratoriais, eles conseguem nos ajudar a identificar esses pacientes e ver a real necessidade do tratamento, certo? E com qual é essa frequência, né, para para fazer esses exames, para ter esse diagnóstico precoce, né, para saber aí o nível de colesterol, tanto o bom quanto o ruim. No caso, pessoal, ela precisa fazer um acompanhamento, né? tem uma periodicidade habitualmente a gente vai levar em consideração. Então, idade, se o paciente já tem outros fatores de risco, como por exemplo, né, como a gente já falou, a hipertensão e o diabetes, se o paciente tem algum antecedente familiar, então teve um pai ou uma mãe ou um avô, um irmão que tiveram doença cardiovascular muito precoce, né, que acabou sendo acometido por essa doença. Então, a gente vai muito avaliar todos esses fatores. Os pacientes que têm doença familiar, pacientes que têm diabetes, que têm hipertensão, a gente tem que fazer uma avaliação em menor espaço de tempo e mais precoce. Aqueles pacientes que não têm outros fatores de risco associado, aí a gente pode considerar uma avaliação até anual. Perfeitamente. E Marília, queria que você falasse um pouquinho a respeito de outros eventos. Por exemplo, uma pessoa que ela tem aquela vida mais corrida, né? é mais estressada, tem aqueles picos de ansiedade, isso acaba também influenciando ou não? Na verdade, o a gente na nossa correria, né, do dia a dia, a gente deixa de priorizar os bons hábitos e quando a gente deixa de priorizar os bons hábitos, que a gente se expõe ao aumento do colesterol. Então, é aquela coisa de você ter o celular e pedir por um aplicativo alimentação, que a gente sabe que são alimentações que acabam trazendo paraa gente alimentos de qualidade não tão boa. Eh, na correria do dia a dia, a falta de tempo paraa atividade física e pro movimento, passar mais tempo sentada. No caso das nossas crianças, infelizmente a televisão, né, a gente hoje com a violência, com o medo, acaba ficando mais tempo em casa e não tem aquela coisa de brincar na rua, de correr, de movimentar, enfim. Então, pra gente é muito essa falta de tempo traz hábitos que não são tão favoráveis quando a gente pensa na nossa saúde, né? E aí que a gente cai nessa coisa dos riscos, tanto pro colesterol quanto pra glicemia e outros fatores também. E essa questão mesmo, né, do da vida corrida, ela permite tantas outras, né, doenças, porque é uma porta de entrada mesmo quando a gente esquece de fazer esse checkup, de prestar atenção na nossa saúde, não só o colesterol, como tantas outras. E aí que a gente vê essa possibilidade, realmente uma porta aberta para essas eh tantas doenças, né, que prejudica a nossa saúde. E Marília, falando um pouquinho sobre a questão das crianças, né, eh nessa pesquisa, né, 1/4 aí das crianças brasileiras, elas já são diagnosticadas, mas tem uma idade específica que já é possível verificar aí o nível de colesterol. No caso das crianças, apenas é mudar o hábito, mudar a alimentação. Na maioria das vezes, a gente consegue com a mudança da alimentação e com a atividade física controlar as nossas crianças, porque a gente tem um crescente também em relação às crianças, que é o ganho de peso, né? Então, a gente vê muito mais obesidade nas nossas crianças do que nós tínhamos algumas décadas atrás. Pra gente, a partir de 5 anos de idade, a gente já pode fazer uma avaliação inicial. E o que que é importante? Mudança do hábito. Porque a criança ela acaba refletindo o hábito ali da casa, né, do contexto familiar, que muitas vezes nessa rotina mais agitada deixa de priorizar essa questão do exercício e da alimentação mais regular. Então, a gente tem uma uma genética muitas vezes muito importante. Em algumas crianças precisam de um tratamento muito precoce, mas isso é muito raro. Assim, a doença genética de você precisa tratar uma criança é muito rara, né? A maioria das nossas crianças tá associado a essa questão do hábito de vida, à televisão, a tela, ao celular, né? É, na verdade é uma questão mesmo de mudança de hábito, né? como você mesma disse. E essa questão da alimentação é tudo muito processado, é muito mais prático você comprar ali uma uma comida congelada, tem essa praticidade, mas os riscos, né, a longo prazo, ela tem aí esse problema que vai ocasionar no nosso organismo e principalmente pras crianças, né? Então, às vezes, é preferível a gente trabalhar um pouquinho mais nessa questão, gastar um pouquinho mais de tempo em algo saudável do que correr esse perigo aí futuramente, né, Marília? Com certeza. É cuidando das crianças que a gente cria, deixa, né, um adulto jovem mais saudável. Eu sempre falo, né, pros pacientes, evitar de abrir pacote, né, quando a gente abre pacote, a gente tá errando, né? Então, quanto mais natural o alimento, verdura, fruta, fazer a comida lá no dia a dia, com certeza melhor qualidade esse alimento vai trazer. Perfeito. Bom, já que a gente entrou nessa questão da alimentação, dos bons hábitos, a internet está cheia de receitas ali prontas, né, de mito e verdade, o que pode, o que não pode, para diminuir aí o colesterol alto. A gente ouve muito falar sobre a beringela, sobre a água, né, da beringjela nessa situação. Realmente isso faz sentido? É um mito ou não? a gente não tem nenhuma evidência científica robusta que nos traga realmente que tomar a água com berinjela ou o consumo da beringela vá trazer melhora no nos níveis do colesterol ruim, que é o LDL, né? Então, a gente não tem isso como evidências importante. Toda vez que a gente fala sobre evidência é a gente considerar que o estudo foi feito numa população numerosa, que não trouxe riscos e que realmente comprovou um benefício. E no caso da beringela, a gente não tem isso como um benefício comprovado que vá trazer pro paciente uma redução significativa. Perfeito. Mas tem algumas possibilidades de alimentos que eles ajudam. Por exemplo, um alimento com uma gordura que é boa, vai ser benéfica pro organismo. Quais Quais são esses alimentos? Tem uma seleção que a pessoa ela pode substituir aí no dia a dia? Sim, existem alguns alimentos que são mais favoráveis. Então, o peixe, né? Então, o salmão, que é um peixe que traz pra gente o ômega-3. Além disso, as castanhas, elas têm um óleo que a gente considera, né, como um óleo bom, alimentação rica em fibras. Aí entra mais uma vez os legumes e as verduras, as sementes, que também são fibras importantes paraa nossa alimentação. Então, pra gente alguns alimentos podem trazer esse benefício e mais uma vez são alimentos saudáveis, né? e evitar, no caso, os carboidratos, aquela dieta, Marília, que ela eh tem a falta ou ela é rica em carboidratos, porque a gente vê muito essa questão também dos carboidratos na dieta, né? Algumas dietas tboidrato, outras não. Isso depende também do que esse paciente ele está buscando. Mas em relação ao colesterol, qual é o recomendado? Os carboidratos quando em excesso, eles também são ruins pro colesterol. Então, a gente tem que ter na nossa alimentação carboidrato. Ele faz parte do nutriente importante paraas nossas células, mas as quantidades que tm que ser consideradas. Então, quando a gente fala sobre carboidrato, não tem nenhum problema de você comer o arroz, a batata, a mandioca. O que é ruim é aquele carboidrato do doce, o excesso de massa, né? Aqueles alimentos. Eu não sei se vocês já perceberam, a gente tem, né, tem trazido agora nos nos alimentos, nas embalagens, adicionado carboidrato, que é para alertar a população que realmente aquilo existe um excesso. Então, na nossa rotina não existe nenhuma contraindicação de você tirar todo o carboidrato. E isso não é pra gente, pra nossa rotina, né, alimentar, uma coisa necessária, até porque o carboidrato é uma fonte de energia importante para as nossas células. O que que é mais importante? É o tipo de carboidrato que você vai escolher e a quantidade, né? Então você comer o arroz, você comer a a mandioca e a batata, não é um problema, mas se você fazer o excesso de massa, pão, farinha, aí você gera um excesso. Mais uma vez os doces, né? E aí você acaba pro organismo trazendo uma alimentação inadequada. Tudo é uma questão de equilíbrio mesmo, né? de tudo ser dosado, ter um limite ali da alimentação e prestar bastante atenção nos sinais que o corpo ele está nos dando pra gente ter esse alerta, né, ficar atento. E Marília, uma questão em relação às idades, né? No comecinho da nossa conversa você mencionou sobre a questão de de da idade também, fora alguns fatores de risco. Eh, no caso das mulheres, né, a menopausa, nesse processo da da menopausa da mulher, tem alguma relação com esse colesterol? Interfere em algum sentido? Começa a ter alguns sinais de colesterol alto por conta da menopausa ou não? Sim, nós mulheres, quando a gente entra na menopausa, a gente deixa de produzir pelo ovário o estrógeno, que é um hormônio muito importante pra gente. E essa queda no estrógeno faz com que a gente aumente o risco cardiovascular e aumente os nossos níveis de colesterol. Então, quando a gente tá pré-menopausa, nós somos mais protegidas em relação aos homens. A partir do momento que a gente para de produzir o estrógeno, a gente aumenta o nosso nível de colesterol e também aumenta o nosso risco cardiovascular. Então esse já é também um fator de risco, infelizmente, né, no caso das mulheres aí que nessa idade, quando está na pré-menopausa ou na menopausa, o acompanhamento ele deve ser mais rigoroso nesse sentido, né? Os cuidados devem ser redobrados, né, Marília? Sim, com certeza. é uma fase da mulher que exige muito mais cuidado em todos os aspectos, né? metabólico também a gente sabe que tem uma mudança da composição corporal associada, uma perda de massa muscular, que também é importante. Então, com certeza é uma fase que ela tem que ter um cuidado maior. E no caso dos homens, tenha uma idade assim específica que também pode acometer, né, pode desencadear colesterol alto aí, um nível acima do que é permitido no nosso organismo? Os homens eles têm em comparação às mulheres, né, quando mais jovens um risco aumentado e depois quando eles alcançam a idade próxima aos 50 anos de idade, aí a vigilância também tem que ser mais cuidadosa. Quanto mais a gente tem o passar da idade, maior a chance da gente ter tanto a hipertensão quanto o diabetes, né, que são doenças que também acabam sendo ruim, tanto o colesterol alto, com os riscos associados a tudo isso. Então, pro homem, o risco ele acontece, né, ele é maior durante a vida quando a gente compara as mulheres. Aí na menopausa as mulheres aumentam esse risco e os homens a partir de 50 anos aí o cuidado tem que ser um pouquinho maior, né? Os cuidados devem ser redobrados aí em qualquer momento, né? Principalmente aí numa na melhor idade, né? Como a gente fala agora, a respeito do tratamento, é algo que tem realmente tratamento. Eh, a gente falou sobre a alimentação, né? falou muito sobre essa alimentação na mudança dos hábitos, mas em que momento esse paciente, além de fazer essa dieta balanceada, tomar cuidado com a alimentação, eh qual o momento que precisa entrar com uma medicação? Eh, esse paciente ele vai ficar a vida toda tomando essa medicação? O colesterol ele tem cura? Como que funciona essa parte mais detalhada que vai influenciar no nosso organismo? Marília, a gente hoje tem tratamento farmacológico, que são medicações muito importantes, porque eles diminuem a mortalidade, que a gente tem como primeira linha de tratamento que a gente chama de estatinas, né? A dose, qual estatina a gente vai fazer e qual é é o nível do colesterol, depende muito do paciente que a gente tá falando. Então, como a gente falou, cada paciente tem um índice de colesterol desejável e de acordo com esse índice, a gente vai orientar qual seria o melhor tratamento. São medicações seguras, são medicações que trazem muito benefício, elas diminuem a produção do colesterol e elas deixam a placa do colesterol que já tá formada com menos riscos. Então pra gente realmente é muito importante essas medicações que são, né, as estatinas, elas são medicações que a partir do momento que você inicia o tratamento, ele é um tratamento que vai pro resto da vida, né? Então, a gente sabe que o colesterol ele tem controle, mas a gente não tem cura. E uma vez que a que o início do tratamento ele se impõe, a gente tem que manter esse tratamento e fazer o ajuste de acordo com os exames, né? Mas é um tratamento paraa vida toda. Então, e no caso, né, de um paciente, ele está fazendo ali a dieta, entrou com esse tratamento e num determinado momento da vida ele para de tomar a medicação, para com o tratamento. O que isso causa? Piora esse colesterol? Qual que é o efeito nesse sentido de parar com a medicação mesmo, Marília? Quando a gente tem o tratamento, o que ele faz? Então, ele vai diminuir lá no seu fígado essa produção do colesterol ruim. Quando a gente para a medicação, os níveis de colesterol voltam a subir. Então, a gente acaba às vezes vendo, né, muito isso do paciente não manter o tratamento ou parar a medicação e ele volta pros níveis de colesterol que ele tinha antes do tratamento. E aí esse colesterol ruim, ele vai se depositando pelas artérias e gerando esse risco que a gente falou, né, do infarto e do AVC. Então, pra gente, o uso da medicação aliado a uma alimentação adequada e uma atividade física, é o que vai trazer esse bom controle ao longo do tempo e diminuir os riscos, né? Perfeito. E essa junção da medicação, né? uma pessoa que ela já foi diagnosticada com diabetes, por exemplo, ou com outra doença aí cardiovascular, ela tem que fazer o tratamento com essas medicações da da diabetes e também do colesterol. Isso acaba mascarando um pouquinho também a função do colesterol. Por exemplo, ela não sabe que ela tem o colesterol porque ele não tem os sintomas, como você mencionou, né? Mas ela tem uma outra doença, isso acaba mascarando um pouquinho se ela não fizer o exame, né, não tiver esse diagnóstico precoce, tem algum problema com essas outras medicações? Então, na verdade, o o exame laboratorial é que vai nos vai trazer essa informação. A gente sabe que o fato de ter hipertensão, por exemplo, ter o diabetes, que é uma doença muito prevalente, ela gera um risco também, né? ela aumenta o risco desse paciente. Então, fazer o exame de sangue, nesse caso, é o que vai trazer pra gente o diagnóstico e trazer um tratamento adequado para para essa proteção. Então, por exemplo, os pacientes que têm diabetes, a gente sabe que além do colesterol ser ruim, é um colesterol que a gente chama de mais aterogênico. É um colesterol que se adere mais à parede do vaso, é um colesterol que ele tem mais propensão de formar placa de gordura. Então, no diabetes, na obesidade, a gente sabe que além do paciente ter aquele nível de colesterol que eu tô vendo no exame de sangue, essa molécula é uma molécula pior, é uma molécula que vai se aderir mais nas nossas artérias, é uma molécula que vai trazer para esse paciente maiores riscos. Então, além do valor, a gente sabe que existem algumas doenças, como, por exemplo, diabetes, que tornam essa molécula pior, né, que facilitando a adesão dela na artéria. Bom, então realmente é uma, a gente pode classificar ela como uma doença, né, mesmo. E no caso, Marília, a gente fala muito sobre essa questão das doenças silenciosas, né, que isso acaba sendo um perigo mesmo, né? Eh, você acha que nesse cenário de tantas doenças aí existentes, né, pré-existentes também, em função da rotina, em função da alimentação, do dos hábitos, né, alimentares? Eh, você acredita que as pessoas elas estão buscando mais orientação médica? Porque às vezes o paciente ele descobre algo, quando ele tá sentindo alguma coisa, ele vai ver um problema e descobre outro, né? Geralmente acontece isso. Você acha que isso tem mudado esse cenário ou não? Ainda assim, as pessoas elas precisam se atentar mais quanto a isso. Felizmente hoje a gente tem mais acesso à saúde, né, do que nós tínhamos há algum tempo atrás e mais acesso aos exames, mais facilidade no atendimento médico. Então, muitas vezes eu atendo alguns pacientes que tem uma faixa de idade ali em torno de 60 anos e que quando eu pergunto se tem algum antecedente na família de doença, eles me falam: "Ah, minha mãe nunca foi no médico, o meu pai nunca foi no médico, então eu não sei o que que eles tinham". Então, felizmente hoje a gente muda esse cenário, a gente tem um acesso à saúde melhor, a gente tem mais acesso aos exames e a gente consegue de forma mais precoce identificar esses pacientes e esses riscos. E eu vejo muito uma preocupação que vem crescendo, né, da das pessoas com relação à saúde, a se cuidar, a qualidade de vida. Então é uma coisa que vem, esse cenário, ele vem se transformando. Tanto que a mortalidade, quando a gente olha, né, a mortalidade por doença cardiovascular, ela caiu. E caiu por quê? Porque a gente tá olhando para esses pacientes, tá tratando esses pacientes melhor, eles estão tendo mais acesso, né, às medicações e aos tratamentos. Isso é muito importante. É, acredito assim que a muitas pessoas acabam, né, quando sente alguma coisa. A internet ela é boa. Eh, tem dois e dividida, né? Tem dois, duas duas vertentes aí da internet. Algumas pessoas acabam buscando muita informação e fazendo uso daquela informação sem buscar um profissional, né? E outras acabam olhando ali fala: "Nossa, tô sentindo isso, deixa eu dar uma olhadinha aqui. Ah, mas é bom eu ir no médico para saber exatamente o que eu tenho e fazer um tratamento". Muita gente tem medo desse resultado, tem medo do diagnóstico ainda, né? Sim. Eu, o mais importante é você procurar um médico que seja da sua confiança, né? para que você tenha melhor orientação, porque às vezes a gente lê uma informação que ela não é uma informação tão real ou tão fidedigna. Então, o mais importante, procurar um médico de confiança, conversar sobre o assunto, tentar esclarecer todas as dúvidas e não ter medo, né? A gente tá ali sempre para buscar o melhor e isso e buscar uma qualidade de vida. Eu acho que isso é o mais importante, é a gente envelhecer, a nossa expectativa de vida tem aumentado. Envelhecer com qualidade, né, é o mais importante. Exatamente, Marila. Envelhecer com qualidade, prestar atenção no nosso corpo, né, e gastar tempo fazendo algo bom, né? Não gastar o tempo aí tomando medicação ou gastar o tempo ficando internado, cuidando da saúde. Eu acho que isso faz toda a diferença, né? E a gente fala nessa questão das, a gente até comentou das receitas básicas que estão na internet. Às vezes uma pessoa comenta com outra: "Ah, eu tô com colesterol alto, ah, mas eu fiz isso e melhorou". Não, em hipótese alguma isso pode acontecer, né? Ter uma referência de alguém de dessas receitas básicas, não. É preferível realmente buscar informação correta pra gente ter essa qualidade de vida mesmo, né? é buscar o médico de confiança, buscar uma informação correta, tirar todas as dúvidas, né, e para que a gente possa cuidar, né, de da nossa saúde da melhor forma possível. No caso, Marília, no caso você como endocrinologista, né, eh a pessoa ela às vezes não tem tanto conhecimento assim, né? ela tem o centro de saúde que ela vai no clínico geral, mas a pessoa ela pode ir direto, né, buscar o especialista para fazer esses exames ou tem que passar pel um clínico geral para depois ter esse encaminhamento, como que funciona para quem quer essa especialidade, quer buscar essa orientação, né, mais aprofundada do assunto. A o paciente ele pode procurar diretamente a especialidade, mas também pode procurar o clínico, né? Hoje, a, o colesterol é uma alteração que a gente consegue tratar, o clínico geral também tem essa informação de tratamento. Então, o mais importante é você ir num médico que seja de confiança, que você tenha o acesso, que você possa conversar sobre o assunto. O endocrinologista é uma especialidade que cuida dessa parte do colesterol também, né, assim como outras especialidades. E procurar o endocrinologista de forma direta também é uma possibilidade. E existem eh algumas campanhas relacionadas à questão do colesterol. Marília, a gente tem algumas eh alguns dias, né, que a gente elege para falar sobre determinados assuntos e a gente acaba olhando para isso com mais carinho naquela ocasião. Mas o colesterol ele ele entra, né, ele entra junto com todas as outras doenças, ele entra junto com esse cuidado cardiovascular. Então é uma coisa que a gente tá o tempo todo falando, né? a gente tá o tempo todo explicando e falando e orientando e mostrando pro paciente, explicando o que é o bom, que é o ruim. Então é uma coisa que a gente batalha ali o ano todo para levar informação de qualidade. Perfeito, Marília. Quero agradecer a sua participação. Muito obrigada por trazer todo o seu conhecimento e acredito que foi realmente foi válida, né, todas as suas respostas em relação a essa doença que está aí, né, muita gente tem e acaba não sabendo. Então, por isso a importância de buscar um profissional. Quero agradecer. Muito obrigada, viu? Eu que agradeço vocês. Muito obrigada e bom fim de semana a todos. Muito obrigada, Marília. Bom, a gente conversou então com a endocrinologista falando sobre essa doença silenciosa e a dica, né, recomendação. Você que tem dúvidas, busque um especialista, tire todas suas dúvidas e tenha aí uma alimentação saudável, né, para ter mais qualidade de vida. Então esse foi o tema do saúde é vida e eu te espero na próxima edição. Até lá. [música] เฮ [música] [música] [música]