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Questão de Ordem | Setembro Amarelo
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Questão de Ordem | Setembro Amarelo

143 views Publicado há 3 semanas HD · 1:05:09

Descrição do vídeo

A psiquiatra Flávia Rodrigues Brandão, da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas, cita que quase 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo a cada ano e detalha fatores de risco como transtornos mentais, dependência química, isolamento e perdas abruptas. Ao lado dela, a voluntária do CVV Adriana Rizzo explica o atendimento gratuito e sigiloso pelo telefone 188. A conversa marca o Setembro Amarelo e a Semana de Prevenção ao Suicídio da SMCC, de 10 a 14 de setembro, dentro da programação de entrevista e cidadania da TV Câmara.

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Olá, começa agora o Questão de Ordem, que hoje vai debater o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. é a maior campanha antistigma do mundo. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda. Entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha. é um problema de saúde pública com impactos na sociedade como um todo. Então, para falar sobre políticas públicas, como familiares e amigos devem ajudar, saber identificar, eu recebo aqui no estúdio a Flávia Rodrigues Brandão, ela que é psiquiatra da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e também psico eh terapeuta. e de forma online a Adriana Riso, que é voluntária do Centro de Valorização da Vida, uma organização não governamental brasileira que oferece apoio emocional gratuito e prevenção do suicídio, uma das ONGs mais antigas do nosso país. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Flávia, começo com a senhora. como abordar este assunto que é importante de uma forma aberta para que essa informação chegue em todos os cantos, mas também de uma forma responsável, né? Seja bem-vinda e uma boa tarde. Boa tarde. Obrigada. É um prazer tá aqui. É uma honra. Acho muito importante falar. Eh, eu trabalho no pronto socorro, atendo tentativa de suicídio, infelizmente, toda semana. Acho importante a gente falar sobre alguns números, quase 800.000 1000 pessoas por ano falecem por suicídio. Os números mundialmente têm diminuído, mas tem aumentado a porcentagem no terceiro mundo. E geralmente os homens se matam mais efetivamente, chegam a a concretizar o suicídio, as mulheres tentam mais. Então, acho que é importante as pessoas ficam se perguntando quais os fatores de risco. São vários. A causa do suicídio é é multifatorial. Eh, biopsicossocial, tem a questão genética, eh a questão dos transtornos mentais que são transmitidos geneticamente, tentativas de suicídio anterior, eh isso traz um alarme e é é um alarme para pensarmos. E muitos colegas acham que se a pessoa tenta muitas vezes isso é para chamar atenção. Uhum. Nunca é sempre isso aumenta o risco de conseguir efetivar a tentativa, as doenças mentais. Muitas pessoas que tentaram suicídio eh possuem diagnóstico de transtorno mental. Então, pensar em depressão, eh, dependência de substância, transtornos bipolares, desregulações emocionais nos transtornos de personalidade, principalmente nos emocionalmente estáveis. borderline, como é mais conhecido hoje em dia, eh dependência química na intoxicação, na abstinência, isolamento, pessoas que não fazem o tratamento de saúde mental adequadamente, quadros psicóticos. Que que é um quadro psicótico? uma pessoa tá fora da realidade, então ela tem um delírio ou uma ideia eh que para ela é verdadeira, é uma alteração do conteúdo do pensamento, pode ter alucinações auditivas quando é quadro orgânico visual, pessoas eh que estão em risco, pessoas que sofreram violência. Agora, se fala muito da violência em relação à mulher, os quadros de relações tóxicas, não só da mulher, também com homem, né, acontece eh traumas, traumas de infância, abusos, eh pessoas que não têm um suporte emocional, eh perdas financeiras no envelhecimento, a gente pensar pro homem a impotência, desemprego, pensar eh o quanto um país desestruturado. Por isso também que no terceiro mundo estão aumentado, eh, gera eh, muita falta de dinheiro, de recursos, de moradia. Então, isso também aumenta o risco. E a gente fala nos 4Ds, desesperança, desespero, desamparo e depressão. Então, eh, muitas vezes as pessoas têm perdas abruptas, perda de um filho ou perda de eh eh às vezes a pessoa tem muito dinheiro e tem uma perda. Isso a pessoa tá em risco. Então são vários fatores e pensar no idoso, aquele idoso que tá morando sozinho em casa, tá viúvo, dor crônica, uma doença crônica, uma pessoa com quadro de neoplasia já muito avançada, dores, pessoas com insônia sabe que à noite é um horário quando a pessoa tem insônia, aumenta o risco de suicídio, uma desassistência. Então são múltiplos fatores e temos que ficar de olho o bullying, pensando nos adolescentes, o cyber bullying, porque antes a gente sempre existia o bullying, só que antes ficava ali circunscrito aquela situação alguns dias, só que agora coloca na internet até teve aquela série 13 Reasons Why, em 2017 em e que a a moça se mata. Sim. que é do de um de um cyber bullying. E também não podemos esquecer das minorias, dos indígenas que t uma um alto índice de suicídio e eh também eh das pessoas LGBT, dos transexuais, que também sofrem muito preconceito, bullying e muitas vezes não conseguem pertencer ao grupo, porque nós queremos pertencer. Olha só que resposta importante, né? Quantos fatores que não levam uma pessoa a algo extremo, né, até o suicídio. Então, a gente vai abordar muito ao longo do programa. Então, é, esses fatores, a questão das políticas públicas, né, o quanto que familiares e amigos e o quanto, né, que o estado aí não pode e não deve eh ajudar. Eh, Adriana Riso, primeiramente, como é que é desenvolvido o trabalho no CVV, o Centro de Valorização da Vida? Existe um espaço físico para uma escuta acolhedora? Quais são as dificuldades? seja bem-vinda e uma boa tarde. Boa tarde. Obrigada pelo convite. Pra gente também é super importante poder estar aqui e poder, né, falar um pouco mais sobre essa questão que, como a doutora falou, né, é uma questão de saúde pública mesmo, né, e que muitas vezes a gente acaba não conversando, né, porque não é assunto fácil, não é um assunto agradável, né, mas é um assunto humano que a gente precisa tratar para poder realmente fazer prevenção, né? Eh, o Centro de Valorização da Vida, ele existe há quase 65 anos no Brasil. Eh, é uma organização governamental mantida totalmente por voluntáis, né? Eh, e a gente desde a nossa fundação, ela tem essa essa questão de oferecer esse apoio emocional. Que que é isso, né? eh é aquela atenção, eh, aquele ombro amigo, aquele eh ouvir mesmo, escutar as pessoas quando elas estão passando por momentos difíceis. Então, a gente oferece esse acolhimento. Eh, hoje em grande parte, né, acho que 95% do aconhimento que a gente faz, né, essa conversa com as pessoas é por telefone, pelo número 188, que ele é gratuito no Brasil todo. Então, é um número de urgência e emergência. Se você ligar de telefone fixo, celular sem crédito, eh, orelhão, ele a a ligação é completada, né? Eh, e é uma parceria que a gente tem com o Ministério da Saúde que a gente opera esse número, né, de presenciando suicídio do Ministério da Saúde, mas a gente é que mantém esse número, né? não recebemos financiamento do Ministério da Saúde. Nós aqui mantemos voluntariamente eh esse esse número, a estrutura que a gente tem para poder atender todo o Brasil. Então, a gente tem algumas sedes eh que a gente chama de posto de atendimento. Em Campinas a gente tem um, né? Eh, e mais 88 espalhadas pelo Brasil todo. Porém, eh, hoje você pode ligar para esse telefone 188. ter ser atendido em qualquer lugar do Brasil, né? Com essa parceria com o Ministério da Saúde permitiu isso, né? Que a gente pudesse, mesmo em cidades onde não tem um posto de CV, você possa conversar com o CBV. Isso aconteceu lá por 2015, 2017, né? Foi um processo que aconteceu de nacionalização do número, né? E a partir daí a gente saiu de 1 milhão de atendimentos que a gente fazia por ano e foi crescendo para 2.3 milhões que a gente fez no ano passado, né? Então a gente conseguiu dar voz assim para algumas pessoas que antes não conseguiam conversar. E a ideia é justamente é oferecer esse eh esse espaço para que a pessoa possa desabafar, possa falar sobre o que tá acontecendo com ela, para que a gente possa, né, organizar as ideias, né, eh, não passar por esses momentos de isolamento e e de crítica muitas vezes, né, que às vezes a gente vai contar alguma coisa que tá acontecendo pro pro alguém próximo, a pessoa critica, julga, a gente, né, não tem uma visão ão mais compreensiva de que todo mundo passa por dificuldades, né? E aí esse acúmulo de dificuldades pode levar a pessoa a pensar e não querer mais viver dessa forma que ela tá vivendo, né? Então a ideia é oferecer um põ e um suporte, né? Que a gente nós somos todos voluntários. Hoje nós somos 2400 voluntários no Brasil que se dispõe, né? 24 horas todos os dias da semana. a gente faz um revezamento entre a gente para poder estar disponível para quem telefonar e quiser conversar por vós. E também tem a opção de você conversar em alguns lugares pessoalmente. Em Campinas no momento não temos esse atendimento, mas em alguns outros lugares a gente tem, mas a gente pode, quem preferir escrever também, a gente tem opção de atendimento pro chat e por e-mail, né? Se a pessoa entrar no nosso site que é cbv.org.br, br, ela vai poder acessar essas informações, né? Então, a ideia é é a gente eh ajudar as pessoas de uma outra forma, né? De uma forma que a gente considera simples, mas que é muitas vezes preciosa, que é doando atenção, doando eh aquele aquele momento onde eu alguém precisa falar e alguém pode ouvir, né? Então essa que é a ideia do funcionamento de CVV como um todo. Ótimo, Flávia e depois Adriana. Existe ainda muito tabu em torno deste tema, né? Falar sobre suicídio pode ajudar até na prevenção e como que como abordar o assunto sem estimular comportamentos de risco? É imprescindível, por isso eu estou muito feliz de estar aqui. Só que temos que ter cuidado de não romantizar. Tem dois efeitos, você como jornalista sabe, tem o efeito Verter e o efeito papagêno. O que que seria o Verter? Eh, é inspirado na obra do Get, que depois que que é um personagem Wter, que ele se suicida depois de um de sabor amoroso. E aí vários jovens na época começaram a se suicidar, eram encontrados com livro, com a roupa do personagem. Então isso ficou conhecido no jornalismo como efeito verter muito ruim. Então, o que a gente eh preconiza é não eh falar sobre o método, não dar dicas sobre o método, não glamorizar, porque não romantizar, não banalizar a tentativa ou ou suicídio propriamente dito. O que a gente tem que fazer é o efeito eh para proteger, para conscientizar e dar um andamento, dar uma uma solução, né? o efeito papagênio que é que é embasado aí na flauta, na obra da flauta mágica do Mozart, em que ele queria se matar o personagem, mas depois ele não se mata e aí tem uma ajuda. Então é isso. Então algo que é importante eh nos trabalhos a gente sabe que as pessoas que pensam em se suicidar, elas procuram ajuda. E muitas vezes até falar com os colegas que não são psiquiatras, não são da saúde mental, vai a uma unidade básica de saúde ou mesmo liga para um amigo, não minimizar isso e e ficar atento a essa pessoa, porque isso é é um minuto. Então esse trabalho do CVV é fantástico, salva muitas vidas, é é um minuto de um desespero, pode mudar o o curso aí do do andamento de uma atitude e principalmente as pessoas do pronto socorro, porque o médico ele é ele é formado para salvar vidas. Às vezes quem tenta suicídio é visto com certo preconceito por outros colegas, porque nossa, eu estou aqui para salvar vidas e ele tá querendo tirar a vida. Eh, então tem que ter uma capacitação de atendimento. É isso, eh, olhar a dor daquela pessoa, aquela pessoa tá sofrendo. Imagina para chegar nesse ponto, muitas vezes estão adoecidos, que eu falo com quadro de transtorno mental, não estão tratados adequadamente ou estão em um quadro psicótico, então estão fora e da da lucidez, tratar com carinho, mas assim intervir eh eh no pronto socorro da PUC, a gente deixa pelo menos 24 horas em observação e se precisar encaminha para uma internação, avaliar a família, porque muitas vezes o ambiente no qual a pessoa eh está inserida é muito tóxico. Às vezes você dá alta para um paciente para para que para aqueles elementos eh pode ser prejudicial e pode enfatizar o fato da pessoa querer se matar e principalmente casos de violência. Então, a gente tem que tomar cuidado de avaliar para onde essa pessoa vai voltar, orientar os familiares. Então, outro algo de política pública, falando em eh manejo para proteger a pessoa, tirar eh o acesso a medicações, a facas na casa, eh se for uma casa com janela, eh proteger, não deixar a pessoa sozinha, orientar a família. E também as pessoas têm uma falsa crença de que se eu perguntar pro paciente, você quis se matar, você quer se matar, eh ter detalhes porque a gente precisa disso, a gente precisa saber. Já teve tentativa de suicídio anterior, como foi a tentativa? Tem um termo que a gente chama de intencionalidade. Quanto maior a intencionalidade, maior o risco. Que seria o quê? A pessoa pulou do 10º andar, intencionalidade altíssima, não é? ou a pessoa tomou remédio e já avisou o marido, a esposa, então tem uma esperança, tem um lado saudável que não quer falecer. Então assim, quantas tentativas recorrentes, se tem tentativas anteriores na família e esse paciente tem que ser seguido, tá? Eh, tem que ficar de olho, tem que fazer tratamento. E é isso que nas políticas públicas eh teria que ser visto, que assim, ele vai ser visto logo, tem que ser visto logo, não pode marcar uma consulta e ser visto daqui 3s meses. A pessoa fica muito em risco, não é? E há uma falha aí do sistema ou não? Muito, muito, porque falta, né? falta serviço. Eh, e é o que eu falei, tem que o as pessoas que vão atender esse tipo de de de paciente tá muito fragilizado, muitas pessoas julgam, se irritam e assim, o ambiente de pronto socorro é um ambiente de muito estress, muita correria. Então, aquela pessoa que chega, ela ela você tem que o paciente quer ser visto e muitas vezes a pessoa não quer tirar vida, ela quer tirar dor. Os pacientes muitas vezes falam assim: "Eu quero acabar com essa dor". Só que para isso precisa morrer, não é? Eh, na cabeça deles e e muitas vezes tem uma noção de que não não tem solução. E também pedir paraas famílias tomarem muito cuidado com as frases que são ditas. Por exemplo, idoso que tá dando trabalho, às vezes a família fala: "Nossa, eu não aguento mais, é um estorvo, era melhor se você tivesse morto." Parece um absurdo eu falar isso, mas as pessoas falam isso, né? no calor de uma discussão e e as pessoas dão sinais. Então, eu queria que as pessoas ficassem atentas. Então, mudança de comportamento, pessoa para de comer, o idoso começa a distribuir as coisas, sabe? Eh, começa a fazer testamento ou aquele, aquela pessoa começa a se acidentar muito, bate muito o carro, porque tem o suicídio inconsciente, tem muitos acidentes de carro que são uma tentativa de suicídio, tá? Atropelamentos. Então, a gente tem que estar atento e naquele momento olhar pro paciente e falar: "Eu enxergo você, eu enxergo a sua dor. Isso é o principal. Estou aqui para te acolher, para ele poder falar sem julgar." Mas as pessoas têm muita vergonha de dizer, porque também vivemos numa sociedade na qual nas redes sociais todo mundo tá lindo, tá maquiado, tá feliz. Então assim, nossa, como eu estou triste, como eu não consigo pagar o boleto, porque só acontece comigo, né? É só comigo, né? como que eu tô e e as pessoas também não tm muita paciência. Às vezes você vai falar com amigo, o amigo começa a falar do problema dele. Então assim, não tem esse acolhimento. Então assim, e já começa no acolhimento, um acolhimento adequado, um lugar calmo, a pessoa separada, sempre primeiro separada de quem levou, porque às vezes quem levou é o motivo pelo qual tá querendo se suicidar, tá? Então assim, avaliar a a funcionalidade, a sanidade daquelas pessoas que levaram, se forem disfuncionais, acessar outra pessoa para ir embora com essa outra pessoa e e traçar um plano de tratamento. E outra questão que eu queria falar que não é dito, tratados enlutados. É muito é trágico eh as pessoas que sobrevivem a a um suicídio que, né, que que chegam a acontecer. pai e mãe, às vezes deixa a carta, às vezes a pessoa fica muito culpada. Então a gente tem que olhar também para essa população que ficou que isso não é dito muito na mídia. Então eu gostaria de falar sobre isso, sabe? Programas para tratar das pessoas que sobreviveram a essa tragédia e às vezes as pessoas encontram, imagina você chega, encontra seu pai enforcado, a cena. Então assim, quem fica é um trauma absurdo. Então precisamos falar sobre isso também. falar sobre eh relações saudáveis, então eh inserir os pacientes nos programas, nas unidades básicas de saúde, porque você começa a se relacionar, então fatores protetores, a fé, eh eh as pessoas frequentarem lugares, né, não só à igreja, mas no clube, ter um grupo que possa acolher, né, deixar de usar droga, porque muitas vezes a droga aumenta, a impulsividade aumenta o risco. ser feito um diagnóstico correto, as pessoas impulsivas, eh, por exemplo, quem tem transtorno de déficit de atenção hiperatividade, eh, morrem mais de acidente de trânsito, porque eles são impulsivos, né? Não significa que seja uma ideiação suicida, é por conta do quadro, mas sempre tratar adequadamente, porque os pacientes muitas vezes começam a melhorar e param de tomar a medicação, tá? E também eu queria falar que hoje na psiquiatria nós temos algo que se chama psiquiatria intervencionista. Então, nós temos eh e uma medicação que está sendo usada agora, que pode ser usada de maneira endovenosa ou intranasal, que que é muito eficaz com a ideiação suicida. Então, o paciente atendido eh é submetido a sessões, alivia aquela angústia ou eletroconvulsoterapia, todo mundo tem preconceito, porque teve aquele filme e o bicho de sete cabeças com santório que mostrou como se fosse algo punitivo, sem uma anestesia, não é um tratamento eficaz também, é muito bom para quadro de depressão grave, de ação suicida, para para, por exemplo, uma grávida bipolar que está muito comprometida e não pode usar medicação por conta do feto. Mas como é feito? É num centro cirúrgico, a pessoa é anestesiada, eh é aplicado um relaxante muscular, você só vem mexer um pouquinho a perninha. Então, não é mais aquilo de fraturar osso, é é super assistido, é eficaz, temos a estimulação magnética transcraniana, as medicações psiquiátricas evoluíram muito, tem bem menos efeitos colaterais e também existe a terapia, claro, a terapia da pessoa que é imprescindível e familiar, aquele ambiente que também tá adoecido. Adriana, quero ouvi-la também sobre essa questão, desde da vergonha e também do tabu. Perdemos o contato com a Adriana, talvez já a gente restabelece então o contato com a Adriana Siglo aqui com a Flávia com este assunto importantíssimo na sua resposta de conseguir identificar na questão também eh de saúde pública. É, é possível identificar os sinais que uma pessoa tá passando por um sofrimento psíquico importante, mesmo quando ela não fala diretamente sobre suicídio? Ah, Adriana, Adriana, restabelecemos o contato. Você tá me ouvindo? Então, só para não perder o gancho do da fala aqui da Flávia sobre essa questão também da vergonha do tabu, queria com a sua experiência que você contribuísse. Pico aqui, voltou, graças a Deus. Eh, bom, então, eh, o que o que a gente, né, ouve, né, porque a gente acaba conversando muito com as pessoas mesmo, né, que esse é o nosso papel como voluntário de viver. e elas acabam relatando em várias situações, né? Eh, a gente eh conversa assim, desde pessoas que pensam, né, e em em morrer por conta de de situações da vida que ela tá vivendo de muito tempo. Eh, a gente ouve também as pessoas muitas vezes eh a doutora falou do dos enlutados, né, que muitas vezes procuram a gente assim para falar sobre isso, mas eh os assuntos são os mais diversos. às vezes coisas que para nós talvez não tenham um valor tão tão relevante, né, para outra pessoa tem. E e eu acho que a gente tenta entender que aquilo que muitas vezes paraa gente é é corriqueiro, é coisas do dia a dia, é para outras pessoas não tem um valor grande, né? Tem eh a questão das minorias mesmo que a doutora falou, tá, né? às vezes, eh, a gente que não vive uma situação de de racismo ou de desconforto ou de discriminação, a gente às vezes não acha que isso não é tão relevante, importante, né? Mas quem traz isso na pele mesmo, né, de de que vivencia tudo isso, acaba contando, né? E e eu eu acredito que assim, com com o tempo, né, até com com o surgimento do da do movimento Setembro Amarelo, a gente tá falando um pouco mais sobre isso, né? Falando sobre a importância da prevenção, falando sobre que, poxa, ó, você não tá bem, eh, vai procurar ajuda de alguma forma, que essa é a intenção, né, eh, da gente falar pra sociedade, falar para as pessoas que é normal estar bem, né, e é normal pedir ajuda quando você não tá bem, né? Eh, acho acho que a gente ficar um pouco essa questão de de que eh a gente pode ficar doente emocionalmente e psicologicamente eh e e de que não são doenças visíveis, né, como, por exemplo, uma fratura, né, ou ou algo assim, mas que elas são tão importantes e relevantes paraa nossa vida, eh, porque ela que vai deixar a gente, né, se sentir bem ou não com aquilo que acontece, né? Então eu eu acredito, né, que a gente falar sobre isso, você vai ver também, né, eh, desde o início, tá tá envolvido com com essa campanha de do setembro amarelo, justamente para, para colocar um pouco de luz sobre o assunto, né, eh, e pra gente poder falar um pouco mais abertamente sobre isso, porque eh por muito tempo se jogou para baixo do tapete essa questão, né, e, eh, a gente precisa conversar para poder se prevenir mesmo, né? Eh, é, é uma questão que que se a gente não conversar sobre ela, vai continuar acontecendo pessoas morrendo porque não se sentiram à vontade para falar de como estão se sentindo, daquilo que tá deixando elas desconfortável, né? Então, que eu eu acredito assim que a melhorou, né, a a divulgação e a questão da gente conversar sobre isso, mas que espaços e e políticas públicas, como como a doutora disse também, ainda ainda faltam nesse sentido, né, que realmente eh muita muitas pessoas acabam dizendo pra gente, né, que quase em tratamento, que que buscam, né, universidades, caps, de saúde para poderem ser atendidas, mas que demora muito, né, que demora muito para ela, para ela conseguir conversar de novo com o psiquiatra, com o psicólogo. Então, eh, a gente ouve essas pessoas, mas obviamente a gente não tem uma formação, em saúde para poder, eh, atendê-las, porque o que a gente oferece mesmo é uma questão de humanidade humanitária mesmo, né, de poder conversar com essa pessoa e, e,, né, fazer com que muitas vezes ela se sinta melhor para depois procurar, né, ter um pouco mais de tempo para conseguir esse atendimento. Mas a gente sabe que não é fácil, né? a gente tem questões difíceis de saúde pública no Brasil e que eh precisam ser conversadas, né? Mas e mas se a gente não inici essa conversa, as coisas vão se arrastando e e, né, é importante que que as pessoas possam contar com algum tipo de ajuda de alguma forma, né? O CV é um tipo de ajuda, mas não substitui nenhum outro, né? E e ele a gente acredita muito na questão da rede de prevenção, né? que ela precisa funcionar em vários aspectos para que as pessoas possam contar com com a ajuda que elas precisarem, né? Seja de profissionais da área de saúde, seja de alguém que realmente eh converse com elas e outras outras, né, ajudas possam aparecer. Sem dúvida. Eh, Flávia, eu tinha te feito uma pergunta, mas eu quero pegar o gancho de uma coisa que a Adriana falou que ficou aqui para mim, né? Eh, as redes sociais elas são constantemente apontadas aí como uma grande vilã nessa questão eh de saúde mental. Existe alguma evidência que de fato ela amplifica um sofrimento psíquico? Eh, eu eh sim, mas a gente também não pode demonizar a tecnologia. Eu acho que temos que ter o equilíbrio. Eh, o que é muito ruim é a comparação, principalmente com os adolescentes. Então, eh, brincava com uma paciente, ela era baixinha como eu e ela e ela queria ser uma Gisele Bint em alta 1,80 m. Eu falava impossível para nós duas. Então, e a e aquela questão de que tudo é maquiado, não é? Então você não vai colocar, até inadequado você colocar eh fatos ruins ali, mas tudo tem filtro. Então é isso, você olha, então porque assim, o ser humano ele quer ser visto. Eu brinco que antigamente a gente tinha a máxima do Decard que era eu penso logo existo. Hoje é sou visto, logo existo. Se eu não sou visto, eu não existo. Sim. principalmente entre os adolescentes. Então essa comparação que fala: "Nossa, mas todo mundo está na mal nas maldivas e e é a relação eh perfeita e depois um dia depois se separam, aí vê que tava com fulano." Então assim, a vida como ela é não é não é daquele jeito. E aí as pessoas não se sentem pertencentes porque o ser humano quer quer ser visto, validado, pertencente. Isso isso é básico em nós. Então isso prejudica muito, mas por outro lado também tem campanhas que ajudam, eu acho que com a pandemia aumentou eh a propaganda e o fato de se falar sobre a saúde mental. Acho que isso ajuda, as pessoas estão com menos preconceito, então tem esse lado positivo, tá? Mas algo que eu acho que tem a ver com a política pública é uma segurança cibernética. Eu acho que precisa ser visto porque tem um descontrole e aí pode ter um mau uso disso. É o que eu falei, eh, tem tem sites, tem lugares que ensinam como que você pode se matar. Isso é um absurdo, isso é péssimo. Ou fica glamorizando, fulano se matou e fala o método e vira meio que um herói. Isso é muito ruim. E pros adolescentes também dá dá a falsa impressão de que ele morreu, mas vai continuar vivo, sabe? Tem uma uma ideia errônea aí. Então eu acho que tem os dois lados, mas mas tem se falado bastante e eu acho importante falar sobre saúde mental com qualidade, então também vê os canais que que as pessoas estão acessos, mas isso tem melhorado, as pessoas têm procurado mais terapia, isso, né, tem caído, tá bom? Então são as duas vertentes aí, né? Como como tudo. Acho que também não podemos demonizar. E outra questão que eu fiquei pensando em termos de saúde pública, eh, no exterior eles eles pesquisam os lugares das cidades nos quais tem muitas tentativas de suicídio, por exemplo, pontes e aí eles fecham as pontes. Então, eu acho que isso também é um recurso bem interessante, estudando a cidade, sabe onde que acontece? eh diminuir o acesso, prejudicar o acesso e e eu acho que capacitar, então tava se falando de que realmente as unidades de saúde mental não dão conta, né? tem que ter muita gente, as pessoas estão mais adoecidas, infelizmente. Piorou com a pandemia e eu eu trabalho no pronto socorro, isso tá bem complicado. Eh, capacitar os os agentes de saúde, eh, os os profissionais que não são da saúde mental, mas podem dar esse primeiro atendimento, pode eh dar uma assistência, entrar com uma medicação e seguir essa pessoa. Então, quanto mais também a gente orientar e falar de uma maneira ilustrativa, é muito bom. Então, eu acho que assim, não vamos demonizar também a rede social, né? Mas é é muito assim a questão das telas que as pessoas ficam horas e horas ali, isso é muito prejudicial até pro cérebro, a gente sabe disso. Então também algo que eu acho importante dizer é não colocar tudo também na nas telas, nas redes sociais. Os pais, as pessoas que convivem com ou com o idoso ou com o adolescente que não tem tanta crítica ou um adulto que tá vulnerável, controla o acesso. O que que está acessando? Teve out aquela outra série britânica adolescência incrível, vejam que coloca isso que assim o perigo antes era a pessoa ir pro centrão da cidade onde tinha os dependentes. Cara, hoje o perigo tá na casa dentro do quarto, porque muitas vezes os pais não sabem o que aquela pessoa tá acessando, quanto tempo. Então tem os sites de pedofilia, de pornografia. Então, o que eu acho imprescindível antes da gente jogar só nas telas e na rede social é como é que tá a organização dentro de casa, sabe? Eh, como estão as relações. Eu acho que isso precisa ser visto. Eh, cuidar mesmo, o que que você tá acessando, quanto tempo as crianças e os adolescentes ficam na tela, porque assim, é a chupeta moderna. Então a tela é a chupeta moderna e assim nois pais que chegam exaustos em casa, eh, que trabalharam o dia inteiro, que no trânsito, aí chega, não tem energia para brincar com aquela criança. Então assim, tô atéa bom, mas assim, tomar muito cuidado com essa conduta. Então a gente demoniza, mas eh eh controla, veja eh o que quem quem o que é o amigo. Ele tá no quarto, porque os adolescentes agora eles ficam indor, né? Eles muitas vezes eles ficam trancados no quarto. O que que acontece nesse quarto? Ou o idoso que aprendeu e e olha, já peguei vários casos assim, idoso que está demenciando, isso tem acontecido muito. Eles caem nos golpes, sim. Eh, que pessoas que se fazem, que estão apaixonados e aí caem no nos golpes e aí pode sair de casa para encontrar com o fulana, a outra foi encontrar com o Brad Pitt, né? a gente viu isso que aconteceu recente, não é? Então assim, também olhe, sabe o que que tá acontecendo, porque eles aprendem, é maravilhoso mexer com a tecnologia, mas o que que tá usando? Então eu acho que o principal nas relações saudáveis, cuidar um do o que que acontece com você, porque infelizmente as pessoas estão conversando, então não sabe o que tá acontecendo com outro, né? É mais fácil ficar ali olhando para baixo, um b um monte de zumbi. Nossa vida tá ali. Então isso está disfuncional. A gente aprender a criar vínculos verdadeiros, conversar, falar das vulnerabilidades, isso muitas vezes é muito difícil, porque essa interação, essa intimidade já não existe. Eu atendo casais em terapia e que estão vivendo ali na casa, mas são dois estranhos. Na pandemia, a gente viu muitas pessoas se separando, não foi por conta da pandemia, porque o casamento, a relação já tinha acabado, olham pro outro, nossa, você existe, você é meu marido, então temos que fazer algo com isso porque ficamos todos presos. Então, eh, é cuidar das relações, sabe como estão suas relações? as pessoas eh sabem, eh, eu atendia muito idoso, agora eu tô atendendo a faixa mais nova, mas durante a pandemia os idosos começaram a me encaminhar os netos pro consultório, porque eh teve casos em que eles começaram a morar todos juntos e aí eles falavam para mim: "Olha, meu neto tá esquisito, você dá, você avalia". Muitas vezes tinha um espectro autista, tinha um transtorno de défic atenção, hiperatividade, sabe? Eu tava psicótico, só que ninguém se olhava. Então assim, eh, então eu acho que a comunicação, estar presente, o o que é muito difícil hoje em dia, estarmos presente. Então, estou aqui na entrevista, estou aqui, só que a gente tá no celular, a gente tá pensando na roupa, no no no que você vai ter que fazer. vai ter que levar o filho na escola. Então você sua atenção futuro, pensando não. E a sua atenção não está ali, você não vê o que tá acontecendo. Então às vezes você perguntou de sinais, às vezes o filho ou alguém da casa tá gritando que tá muito ruim. Então os sinais, a pessoa começa a ter comportamentos diferentes do que tinha. Então assim, pegando exemplo eh de um paciente meu, ele amava ficar com os netos, passou a não gostar de ficar com os netos, ficar irritada, pessoa muito irritada, estourada, porque a depressão não é só aquele quietinho num canto que par de comer, pode vir seguida de muita irritabilidade, de muita agressividade, ou então o adolescente tá sofrendo eh uma violência eh tá sendo eh ameaçado, mandou uma foto de um nude, por exemplo, sei lá, E aí tá sendo ameaçado, já aconteceu suicídio por conta disso. Então é atento a principal, você está você está atento ao que tá acontecendo com você, porque também eh quero ressaltar, ter tristeza, ter medo, às vezes você tem um estouro, raiva, ciúme, inveja, isso faz parte do ser humano. São emoções que que estão conosco. Isso não é doença mental. Doença mental é quando a pessoa começa a ter o dia a dia prejudicado, sua funcionalidade. Isso dura um tempo maior ou a pessoa teve um trauma, um evento traumático, pode desenvolver um transtorno de estress póst-traumático que fica pensando, nossa, eu trabalhei na linha de frente do do COVID lá no pronto socorro, não como clínica, mas como psiquiatra e muitos dos colegas tiveram um transtorno de estresse pós-traumático, um burnout, porque ali a gente não sabia se ia sair vivo dali, né? chegava em casa, eh, teve que se se afastar dos familiares para não contaminar ninguém. Os pacientes falecendo ali eh, na maca, uma doença que a gente não sabia o que era, né, uma falta de garantia. Então, assim, pessoa, então isso é importante falar, às vezes a pessoa não tem problema de saúde mental nenhum, mas ocorre um evento, então eu acho que a pandemia é um evento traumático que nos atravessou, todos nós. Sim. E e muitas pessoas saíram bem, outras não. Pensar também nas pessoas que tiveram, que perderam seus familiares e não teve enterro, não podia encontrar com a pessoa. Imagina, você não poôde despedir no hospital, a gente ligava e e eu fiz isso várias vezes, que era uma cena que a pessoa sabia que eu ficava também não não demonstrava, mas depois dá-lhe energia porque [limpando a garganta] a pessoa se despedia, né? A gente então se despede, mas não podia ver, não podia falar. Então assim, como ficaram esses lutos, entendeu? Como ficou isso paraas pessoas? Muitas pessoas quebraram, não é assim, eh, falta de muitas pessoas se separaram, às vezes as pessoas engravidaram, aumentou, infelizmente, o feminicídio, aumentou o uso de de substância durante a pandemia. Então, o que que a gente precisa olhar? O que que tá em torno? Então não é só um item, é isso que eu falo. Eu sou apaixonada pelo que eu faço. Que bom. Eu falo que psiquiatria a gente é detetive, sabe? Chega, a gente vai ver assim qual é a sua história, sabe? sem preconceito, sem julgamento. Me conta a sua história. E o paciente percebe quando alguém tá escutando uma escuta ativa, porque não adianta também tá na frente do paciente, tá com o celular, tá pensando, sabe em outra, o paciente sabe, não é visto. Então, eu acho que o principal quando alguém for atender eh algum paciente que tentou suicídio é: "Esteja presente de fato, queira saber a história daquela pessoa, o que que como eu posso te ajudar, o que que não está bom, o que que não tá funcionando, porque ninguém eh tenta contra a própria vida à toa." Claro, isso é a ponta do iceberg de de algo que já, né? ou ou algo traumático que aconteceu agora que pode acontecer, por exemplo, perda de um filho, sei lá, você tá você tá andando seu filho abalhado do seu lado, sabe? Algo que te atravessa e aí você pode ter, querer falecer, mas na maior parte dos casos não é assim, é uma história. Então vamos sentar na frente daquela pessoa e perguntar qual é a sua história. Uhum. sabe? Tô aqui para te ajudar e não, eu tenho tenho uma frase que eu amo que é dizem que é do Yung, é que tem muitas frases na internet que a gente nunca sabe, sim, mas que fala o seguinte, eu me baseio muito nela. Quando você tá diante de alguém em sofrimento, esqueça seus diplomas, esqueça, esqueça sua toda a sua formação. Seja apenas uma alma humana, tratando de outra alma humana. Então eu acho que essa postura faz muita diferença e e os pacientes saberem que hoje você pode achar que se sua dor nunca vai passar, que que isso não tem solução, mas tem solução. E hoje eu que falei, há medicações que tiram isso, essa sensação física que bom que a psiquiatria tá evoluindo muito associada com a neurologia. Hoje a gente pode fazer ressonância, pode descobrir pacientes que t demência agora tem biomarcadores, então evoluiu muito. Então pode passar só que um minuto dessa escuta no CVV, que é esse trabalho fantástico ou de um profissional capaz, não precisa ser psiquiatra. Ou a vizinha, né? Vai na vizinha. Vou vou contar um caso que é que é lindo, que eu atendi lá no Pronto Socorro. Eh, um senhor eh tava lá com a esposa na casa, a esposa tava lavando a louça e ele se enforcou na árvore do quintal, né? Tentou sobreviveu, o vizinho viu, saiu correndo. Ele não é da área de da saúde, ele salvou esse senhor. Então assim, estarmos atento, mas se ele tivesse no celular, né, ele não ia ver. Vivemos em sociedade, precisamos estar atentos. Então estar atento à vida, porque a vida é tão fantástica, sabe? Então é bacana. Não, não quero pontuar, não quero demonizar. Tecnologia incrível. É bom, é bom. É, é esse acesso. Eh, mas com equilíbrio tem que saber usar, né? E tudo. Sim. Espero que você que está nos acompanhando aí esteja com a escutativa, hein? Aula da Flávia aqui muito importante. Adriana, quero ouvi-la também. se o assunto rede social chega através do 188, se chega também através de de e-mail e também um pouquinho sobre faixa etária, se essa questão de rede social é mais mesmo dos jovens ou a Flávia trouxe alguns eh exemplos aqui também dos idosos, né, que estão se interessando também. A gente tem muitas reclamações que muitas vezes eles ficam fora, né? Mas quando eles estão aqui neste meio também tem um certo perigo. Eu a gente recebe sim às vezes pessoas falando, né, sobre eh as a questão da das comparações mesmo, né, que a Flávia falou, né, eh que se comparam com outras, eh a questão da dos jovens que acabam vivendo uma vida de ilusão ali, né, de achar que tudo aquilo que é postado nas redes sociais Eh, eh, é, é a vida perfeita, eh, que o, que o outro tem uma vida muito melhor do que a minha, né, e tal, querem tá presentes ali e muitas vezes, né, não é não é força, né, não é todo mundo que tem a, eh, o canal que dá certo, né, o o a postagem ali que é super vista e tal, né? Então, e acho que tem tem esse esse lado, eh, a questão de chamada de atenção mesmo, né? Eh, às vezes a gente fala, né? Ah, a pessoa tá chamando atenção. Muitas vezes ela tá mesmo e e porque ela tá querendo ser vista, né? E muitas vezes ela não é não é vista, não é reconhecida, não é acolhida no meio que ela vive. Então, acho que a rede social acabou dando voz para para isso também, né? Não, não acho que, né, a gente não acredita que que seja realmente o o principal vilão da da vida, né, porque ela inclusive possibilita eu est conversando com vocês agora, porque eu não tô em Campinha. Se a gente tivesse internet, se tivesse redes sociais, a gente não estaria eh conversando, né? Então eh eh como tudo na vida, né? É é é a parcimônia, né? Como usar aquilo que você tem de ferramentas, né? Então a gente acredita hoje que né? muit muitos jovens entram em contato com a gente pelas pelas redes sociais a gente não atende, não faz atendimento por lá, é apenas para divulgação do nosso serviço e de assuntos que estão ligados à saúde mental, saúde emocional, mas muita gente entra em contato por e-mail, por chat, se sente mais à vontade para escrever, por exemplo, do que falar, porque falar muitas vezes a pessoa tá tá próximo de alguém, né? Então ela não se sente à vontade de ir para sua ouvida. Eu esqueci de falar antes, mas quando você entra em contato com o CDV, você não precisa se identificar. Então, ninguém vai perguntar para você seu nome nem nada, né? Então, você vai, né, telefonar ou mandar um e-mail ou conversar com o chat não vão perguntar nada de você assim, né, de que cidade você tá falando, quem você é. Então, aquela conversa mesmo para eh sem crítica, sem julgamento num ambiente que você pode se sentir seguro para falar, né, sobre o que tá acontecendo com você. Então, muitas muitos jovens acabam procurando, sim, mas não só jovens, a gente não faz uma eh essa esse rastreio, né, de da idade da pessoa nem nada. Eh, mas eh a gente só média ali a quantidade de atendimentos que a gente teve, mas muitas muitos muitos foram, né? Eu tenho tantos anos, né? Eu eu tô sozinho, eh, eu tô eu mesmo tendo família perto de mim, morando com mais gente, eu me sinto só. Eh, então a gente tem um pouquinho de tudo, né? E a pessoa se sente um pouco mais confortável para falar, muitas vezes pela questão de não precisar dizer quem ela é, né? Então ela acaba tendo esse esse conforto de, ó, eu vou falar com você, você não me conhece, eh, e você não não tem essa amanhã, né, se eu quiser telefonar de novo, professor VB, normalmente ela não vai falar com a mesma da pessoa. É difícil até ela conseguir falar, né? A gente atende todo o Brasil. Então, se alguém telefonar agora de Campinas, não vai ser atendido necessariamente por alguém de Campinas, vai ter vai ser atendido por alguém que tá disponível no Brasil inteiro, né? Então, eh eh olha a internet também ajudando a gente, porque eh isso facilitou a vida, né? A gente tem hoje eh quem tá disponível no Brasil todo é que vai atender a pessoa que tá negando, né? Então acho que a gente tem que ter sempre essa essa questão, né, de ponderação, né, como usar, né? Eh, eu sempre lembro do do veneno e remédio, né? Tem a diferença é a dose, né? É, eh, o que é usado. Então, é sempre a dosagem que a gente usa, né, para tudo na vida. Sem dúvida. Quero pegar aqui eh uma palavra que a Adriana utilizou, Flávio, e aí eu vou fazer até uma provocação sobre algo que que você diz também, que é a questão do julgamento, né? Como é que vocês lidam com o julgamento? Porque eh numa resposta sua você falou assim: "Olha, é muito importante é uma vizinha, uma amiga conversar com essa pessoa, né, nesse primeiro contato." Só que muitas vezes essa pessoa pode ser que ela não faça um julgamento, porque eu já vi até nas redes sociais quando sai, principalmente com uma pessoa que é famosa, que é artista, né? Fala que tá com depressão, aqueles comentários de: "Nossa, mas você tem tudo e tá depressivo ou ah, isso é falta de Deus na sua vida. Olha, é só pensar positivo que tudo vai melhorar. Não pode ter um efeito contrário também uma pessoa que não é especializada e vai dar um tipo de ajuda para uma pessoa que já tá depressiva? É sim. Não, eh, o ideal não é a vizinha fazer o atendimento. Eu falei que eh acho que pessoas próximas eh com contato saudável, mas o ideal sempre é algum profissional. Por isso que eu falei o quão é importante a capacitação de quem vai atender essa pessoa. O ideal sempre é alguém da saúde mental, um psiquiatra, um psicólogo que tem esse respaldo, esse preparo, é que às vezes as pessoas naquele momento não não conseguem, não tem acesso a um serviço e se eh tem um amigo adequado e e que pode ser às vezes muito mais adequado do que um profissional que não está capacitado, não é? que não gosta, que tem preconceito. Agora, eh, as pessoas têm muito preconceito em relação à dor, porque parece que ficou proibido o ruim, né? Então, ter ruga é proibido, envelhecer é proibido, estar triste é proibido, isso faz parte do ser humano. Durante um dia a gente não tá igual o tempo todo. Faz parte você ficar frustrado, ter raiva, eh ficar triste. E e e eu e eu eh reitero, estar triste não é estar com transtorno depressivo, é diferente. Essas emoções elas transitam aí dentro de nós. E e o dia tem 1000 intercorrências, não é? Eh, agora tem os haters também que aun eu dei risada, tava vendo uma palestra falando sobre isso, haters que sempre vão criticar e e falar contra. Aí a palestrante brincou, falou assim: "Ele foi pros lençóis maranhenses e falou: "Tinha muita areia". Então, então [limpando a garganta] você vai para que lado? Então, sempre o ideal é alguém capacitado. Às vezes a pessoa mesmo da família não tá adequada para naquele momento dar aquele acolhimento. Também está com sofrimento mental, tá pior do que a pessoa que tentou. O ideal e e sim, existe muito julgamento o tempo todo de tudo, de tudo. Vivemos uma e agora que as pessoas que a gente vive aí um Big Brother, né, estamos expostos, tudo é julgado, né? O cabelo, a pessoa que tá magra, tá magra demais. se engordou porque tá nunca tá bom, não é? Então isso é muito perigoso também porque você nunca se encaixa, eh nunca você agrada. Então eh eu acho que sim. Então então de novo, repito, ideal é o atendimento num lugar adequado. Eh se não tiver, depois é encaminhado para ser assistido. Se precisar usar medicação, usa. Senão já segue com a terapia. Eh avaliar a família, ter a família próxima. é que isso é o ideal. Nem nem sempre a gente consegue, não é, mas estar atento aquela pessoa. Então, sempre a pessoa que tentou, não importa um comprimido que as pessoas minimizam e falam: "Ah, vai lavar roupa que fica bom, eh, não para de sofrer". E e eu queria também detalhar uma coisa. O setembro amarelo, ele foi baseado na no falecimento de um jovem que tinha o Mustang amarelo e e ele estava com quadro depressivo grave, mas como ele era dócil, ele sorria. Eh, tem trabalhos que mostram isso. Às vezes a pessoa que se matou no dia anterior, a foto no, na rede social tava sorrindo. Então, sorrir também não é sinônimo de que está tudo bem. Uhum. E ele se matou. E aí durante o velório foi entregue uma fitinha amarela falando para cuidar, para ficar mais atento. E aí que, né, foi eh foi embasado e feito. Eh, então o cara também não diz o que tá dentro da pessoa, que eu digo, eh, tristeza, a gente não consegue fazer raio X da tristeza e é subjetivo, a gente precisa acreditar no outro e nunca minimizar a queixa do outro. Eh, porque para mim algo pode ser catastrófico, pro outro não. E cada um tem a sua medida. Bom, programa ótimo, passa rápido também, com muitas informações. Já estou aqui na reta final, então, eh, fazer uma uma última questão para vocês duas. Eh, Adriana, todo mês de setembro surgem campanhas, palestras, ações relacionadas ao setembro amarelo. O que que uma campanha como essa precisa fazer realmente para poder produzir prevenção e não apenas gerar visibilidade para este mês? Se é algo mais permanente? A gente costuma dizer que a prevenção a gente faz todo dia, na verdade, né? O ano todo, né? Não é só em setembro. Setembro a gente quer dar uma luz maior porque 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do suicídio. Então que a Organização Mundial da Saúde estabeleceu isso. Então a gente só quer chamar atenção, mas eh a gente faz isso o tempo todo, né? O esses 64 anos, né? que existe, a gente trabalha com prevenção, doando atenção. Eh, a gente tem uma grande preocupação assim, né, como a doutora falou, da forma como as pessoas tratam a questão do suicídio, tanto na forma como elas eh falam sobre, né, e muitas vezes eh glamonizam mesmo, né, a questão de do morrer ali, né, de tirar sua vida. quanto a como a a imprensa divulga isso, né? A gente tem tido um trabalho intenso eh para com jornalistas, com formadores de opinião para para incentivar as pessoas a entenderem eh o do que que a gente tá falando e como é a melhor forma de da gente poder falar sobre isso, né? Nós até esse ano lançamos eh um um cartilha para jornalistas para que eles entendam como, né, jornalistas, estudantes, profissionais da área de comunicação, que eles entendam como eh eh como seria um bom caminho para que a gente pudesse falar sobre isso de uma forma que incentivasse a prevenção, incentivasse a busca de ajuda, incentivasse a oferta de ajuda. eh nesses momentos de crise, nesses momentos de dificuldade, eh é é quem tá próximo que vai conseguir detectar que tá acontecendo alguma coisa, né? E a gente quer ofertar isso, né? A possibilidade de eu ficar atenta, poxa, né? Meu meu colega não tá bem, alguém da minha família não tá bem, eh eu não tô bem, né? O que que eu posso fazer? O que que eu tenho que fazer? Então essa é a ideia, né? Então a gente tem um site setembroamarelo.org.br do R, que a gente todo ano lança uma campanha, né, para incentivar as pessoas a procurarem ajuda, buscarem ajuda. Então, lá também a gente tem essa cartilha, né, eh, voltada paraos jornalistas e temos uma outra aqui paraa sociedade em geral que chama Falando abertamente sobre a prevenção de suicídio, que você pode também ali consultar, né, eh, coisas que eu, eh, não sendo especialista, mas sendo um humano, posso fazer ajudando alguém, né? Então essa que é a ideia assim, né? Os profissionais eles têm uma competência e uma e uma importância assim gigantesca, né? Mas a gente como sociedade a gente também pode ajudar uns aos outros a se sentir melhor, né? A estar melhor com você mesmo e com os outros, né? Essa que é a ideia assim da gente ter uma sociedade melhor, pra gente poder, né? Ter menos crítica, menos julgamento, eh conviver melhor com as diferenças, que às vezes é tão difícil, né? Mas que a gente pode, não é porque a pessoa pensa diferente de mim que eu preciso, né, ser o hater, né, como vocês falaram aí, né, eh, e entender que eu tenho minha visão, vocês têm a de vocês, que a gente pode conviver em harmonia em sociedade, né, respeitando tudo isso. Esse muitas vezes esse jeito da gente ser, né, eh eh de criticar, de julgar quem é diferente da gente, faz com que as pessoas se sintam mal, não se sintam aceitas e acolhidas. E isso pode trazer consequências férias, né, para pra nossa saúde mental e emocional. [música] Então, eh, fica aí o convite para vocês visitarem nossos sites, usarem todo o material que tá lá, tanto do subv.org.br, quanto do setembroamarelo.org.br. É, OK. Material que tá lá é para para causar reflexão, para trazer essa essa luz, a questão da prevenção suicídio que a gente quer que seja mais difundida cada vez mais. Convite aceito da minha parte. Já entrei no site para me preparar aqui pro programa e realmente o site é muito bom com muitas informações. Flávia, quero ouvi-la também porque setembro tem muita visibilidade, a imprensa acaba falando, mas e nos outros meses? Há um erro aí de comunicação, o assunto ele vai ficando por debaixo do tapete novamente. Acho que sempre temos que falar favor da vida. Se matar nunca é a opção. E é o que eu falei, é capacitação das pessoas, por favor, procurem ajuda, não estão bem, é percam a vergonha, o preconceito, eh, tomem as medicações adequadamente, se olhem, se escutem, se ajudem e essa questão que a Drana falou, a polarização também, isso está muito complicado, porque estamos vivendo uma bolha, então só me relaciono com quem tem as mesmas mesmas ideias. Na minha rede social só aparece isso, o outro é estranho. Isso tá prejudicando muitas pessoas, leva muita violência e que também acarreta as tentativas de suicídio. Então, procurar os serviços, adesão, impedir o acesso a aos meios detais e conviver. Tem um estudo de Harvard que fala que um dos principais motivos para nossa longevidade saudável são as relações saudáveis. Então, interagir, ficar menos na tela e fazer atividade física. A fé também ajuda em muitos casos e e se nos cuidarmos, acho que o autoconhecimento, antes olharmos para nós para até entender o que tá acontecendo e sempre optar para algo melhor e nunca tirar vida. Ótimo, Adriana. Agradeço muito a sua participação de grande valia o trabalho contar aqui que o CVV faz através do 188, através do e-mail, tem o site também. Já faço um novo convite para você retornar, seja aqui nos nossos estúdios, se um diaver passando por Campinas, mas também de maneira online, sabemos, né, utilizar aí a tecnologia e fica aberto à suas considerações finais. Eu que agradeço em nome do ver o espaço que a TV Câmara tá tá dando pra gente, né, que acho que é super importante. A gente conta eh com esses espaços abertos da sociedade no geral para poder fazer nossa divulgação, né? Eh, fica o convite, o convite já tá aceito, aliás, para eu voltar outras vezes. Fico à disposição de vocês e fica o convite mesmo para você seguir o CBV nas redes sociais, né? a gente tá como CVV oficial em todas elas, trazendo material, conteúdo, né, para reflexão, para pra gente prestar atenção nas nossas emoções e na e na saúde mental e emocional. Eh, e lembrar você que se você quiser conversar, se você tiver passando por algum momento de dificuldade, eh, pode ligar para um 88, é gratuito, funciona 24 horas, todos os dias da semana, Natal, Ano Novo, a gente tá sempre disponível lá para conversar com você. Eh, e se você conhece alguém que possa precisar da gente também, tá, para divulgar, ajudar a gente a divulgar, que a nossa divulgação ela é feita por quem abrir o espaço gratuitamente pra gente, né? A gente sempre conta com parcerias como a TV Câmara para poder fazer isso, né? Então, se vocês puderem ajudar a gente a a divulgar nosso trabalho, se você eh se interessou pelo trabalho e pense em ser voluntário, né? Qu dá uma olhadinha no site, as inscrições, a gente faz um curso para seu voluntário, é um curso gratuito para se capacitar, para conversar com as pessoas de forma adequada e e é aberto para todo mundo que tenha mais de 18 anos e queira ajudar alguém. Então fica aqui o convite também para você eh acessar o nosso site e ver como se tornar voluntário lá. E agradeço aí conhecer a doutora também, que foi muito interessante as informações que ela trouxe. Sempre bom, né, tá com pessoas que se preocupam com saúde mental, com saúde emocional e trabalham na área. Nós aqui agradecemos a Adriana Rizo, que é a voluntária aí do Centro de Valorização da Vida. E claro, agradeço também a Flávia Rodrigues Brandão, que é psicoterapeuta, psiquiatra também, pela aula, por todas as informações que você deu aqui pra gente, de grande valia pro nosso telespectador. Já faço um novo convite também pra senhora retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse, mas também sobre outros assuntos e fica aberto aí as suas considerações finais. Quero agradecer, uma honra estar aqui, muito feliz aí pelo convite. Uhum. E eu quero ler uma poesia. que se chama não te rendas, porque um dos um dos principais sinais de que algo pode ocorrer eh caminhando aí pro suicídio é a falta de esperança, a desesperança. Então, quero trazer esperança para as pessoas para elas pensarem que e saberem que o suicídio nunca é uma opção. E o autor é desconhecido. Não te rendas, não te rendas ainda a tempo de alcançar e começar de novo. Aceitar tua sombra, enterrar os teus medos, largar o lastro, retomar o voo. Não te rendas que a vida é isso. Continuar a viagem, perseguir os teus sonhos, destravar o tempo, arrumar os escombros e destapar o céu. Não te rendas, por favor, não cedas. Ainda que o frio queime, ainda que o medo morda, ainda que o sol se esconda e se calhe o vento, ainda há fogo em tua alma, ainda há vida nos teus sonhos, porque a vida é tua e teu é também o desejo. Porque o quiseste, eu te amo. Porque existe o vinho e o amor. Porque não existem feridas que o tempo não cure. Abrir as portas, tirar os ferrolhos, abandonar as muralhas que te protegem, viver a vida e aceitar o desafio. Recuperar o riso, ensaiar um canto, baixar a guarda e estender as mãos, abrir as asas e tentar de novo celebrar a vida, relançar-se ao infinito. Não te rendas, por favor, não cedas. Mesmo que que o frio queime, mesmo que o medo morda, mesmo que o sol se ponha e se calhe o vento, ainda há fogo na tua alma. Ainda existe vida nos teus sonhos, porque cada dia é um novo início, porque esta é a hora e o melhor momento, porque não estás só porque eu te amo. Muito obrigada. E o programa Questão de Orden fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha levado esta informação até você, mas também aos familiares, amigos, vizinhos. Coloquea este programa aí nas redes sociais, no WhatsApp, porque é informação de credibilidade e de grande valia. Até sábado que vem. Ciao. Ciao. [música] [música] เ Olá, começa agora o Questão de Ordem, que hoje vai debater o Setembro Amarelo, uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio. é a maior campanha antistigma do mundo. É importante falar sobre o assunto para que as pessoas que estejam passando por momentos difíceis e de crise busquem ajuda. Entendam que a vida sempre vai ser a melhor escolha. é um problema de saúde pública com impactos na sociedade como um todo. Então, para falar sobre políticas públicas, como familiares e amigos devem ajudar, saber identificar, eu recebo aqui no estúdio a Flávia Rodrigues Brandão, ela que é psiquiatra da Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas e também psico eh terapeuta. e de forma online a Adriana Riso, que é voluntária do Centro de Valorização da Vida, uma organização não governamental brasileira que oferece apoio emocional gratuito e prevenção do suicídio, uma das ONGs mais antigas do nosso país. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Flávia, começo com a senhora. como abordar este assunto que é importante de uma forma aberta para que essa informação chegue em todos os cantos, mas também de uma forma responsável, né? Seja bem-vinda e uma boa tarde. Boa tarde. Obrigada. É um prazer tá aqui. É uma honra. Acho muito importante falar. Eh, eu trabalho no pronto socorro, atendo tentativa de suicídio, infelizmente, toda semana. Acho importante a gente falar sobre alguns números, quase 800.000 1000 pessoas por ano falecem por suicídio. Os números mundialmente têm diminuído, mas tem aumentado a porcentagem no terceiro mundo. E geralmente os homens se matam mais efetivamente, chegam a a concretizar o suicídio, as mulheres tentam mais. Então, acho que é importante as pessoas ficam se perguntando quais os fatores de risco. São vários. A causa do suicídio é é multifatorial. Eh, biopsicossocial, tem a questão genética, eh a questão dos transtornos mentais que são transmitidos geneticamente, tentativas de suicídio anterior, eh isso traz um alarme e é é um alarme para pensarmos. E muitos colegas acham que se a pessoa tenta muitas vezes isso é para chamar atenção. Uhum. Nunca é sempre isso aumenta o risco de conseguir efetivar a tentativa, as doenças mentais. Muitas pessoas que tentaram suicídio eh possuem diagnóstico de transtorno mental. Então, pensar em depressão, eh, dependência de substância, transtornos bipolares, desregulações emocionais nos transtornos de personalidade, principalmente nos emocionalmente estáveis. borderline, como é mais conhecido hoje em dia, eh dependência química na intoxicação, na abstinência, isolamento, pessoas que não fazem o tratamento de saúde mental adequadamente, quadros psicóticos. Que que é um quadro psicótico? uma pessoa tá fora da realidade, então ela tem um delírio ou uma ideia eh que para ela é verdadeira, é uma alteração do conteúdo do pensamento, pode ter alucinações auditivas quando é quadro orgânico visual, pessoas eh que estão em risco, pessoas que sofreram violência. Agora, se fala muito da violência em relação à mulher, os quadros de relações tóxicas, não só da mulher, também com homem, né, acontece eh traumas, traumas de infância, abusos, eh pessoas que não têm um suporte emocional, eh perdas financeiras no envelhecimento, a gente pensar pro homem a impotência, desemprego, pensar eh o quanto um país desestruturado. Por isso também que no terceiro mundo estão aumentado, eh, gera eh, muita falta de dinheiro, de recursos, de moradia. Então, isso também aumenta o risco. E a gente fala nos 4Ds, desesperança, desespero, desamparo e depressão. Então, eh, muitas vezes as pessoas têm perdas abruptas, perda de um filho ou perda de eh eh às vezes a pessoa tem muito dinheiro e tem uma perda. Isso a pessoa tá em risco. Então são vários fatores e pensar no idoso, aquele idoso que tá morando sozinho em casa, tá viúvo, dor crônica, uma doença crônica, uma pessoa com quadro de neoplasia já muito avançada, dores, pessoas com insônia sabe que à noite é um horário quando a pessoa tem insônia, aumenta o risco de suicídio, uma desassistência. Então são múltiplos fatores e temos que ficar de olho o bullying, pensando nos adolescentes, o cyber bullying, porque antes a gente sempre existia o bullying, só que antes ficava ali circunscrito aquela situação alguns dias, só que agora coloca na internet até teve aquela série 13 Reasons Why, em 2017 em e que a a moça se mata. Sim. que é do de um de um cyber bullying. E também não podemos esquecer das minorias, dos indígenas que t uma um alto índice de suicídio e eh também eh das pessoas LGBT, dos transexuais, que também sofrem muito preconceito, bullying e muitas vezes não conseguem pertencer ao grupo, porque nós queremos pertencer. Olha só que resposta importante, né? Quantos fatores que não levam uma pessoa a algo extremo, né, até o suicídio. Então, a gente vai abordar muito ao longo do programa. Então, é, esses fatores, a questão das políticas públicas, né, o quanto que familiares e amigos e o quanto, né, que o estado aí não pode e não deve eh ajudar. Eh, Adriana Riso, primeiramente, como é que é desenvolvido o trabalho no CVV, o Centro de Valorização da Vida? Existe um espaço físico para uma escuta acolhedora? Quais são as dificuldades? seja bem-vinda e uma boa tarde. Boa tarde. Obrigada pelo convite. Pra gente também é super importante poder estar aqui e poder, né, falar um pouco mais sobre essa questão que, como a doutora falou, né, é uma questão de saúde pública mesmo, né, e que muitas vezes a gente acaba não conversando, né, porque não é assunto fácil, não é um assunto agradável, né, mas é um assunto humano que a gente precisa tratar para poder realmente fazer prevenção, né? Eh, o Centro de Valorização da Vida, ele existe há quase 65 anos no Brasil. Eh, é uma organização governamental mantida totalmente por voluntáis, né? Eh, e a gente desde a nossa fundação, ela tem essa essa questão de oferecer esse apoio emocional. Que que é isso, né? eh é aquela atenção, eh, aquele ombro amigo, aquele eh ouvir mesmo, escutar as pessoas quando elas estão passando por momentos difíceis. Então, a gente oferece esse acolhimento. Eh, hoje em grande parte, né, acho que 95% do aconhimento que a gente faz, né, essa conversa com as pessoas é por telefone, pelo número 188, que ele é gratuito no Brasil todo. Então, é um número de urgência e emergência. Se você ligar de telefone fixo, celular sem crédito, eh, orelhão, ele a a ligação é completada, né? Eh, e é uma parceria que a gente tem com o Ministério da Saúde que a gente opera esse número, né, de presenciando suicídio do Ministério da Saúde, mas a gente é que mantém esse número, né? não recebemos financiamento do Ministério da Saúde. Nós aqui mantemos voluntariamente eh esse esse número, a estrutura que a gente tem para poder atender todo o Brasil. Então, a gente tem algumas sedes eh que a gente chama de posto de atendimento. Em Campinas a gente tem um, né? Eh, e mais 88 espalhadas pelo Brasil todo. Porém, eh, hoje você pode ligar para esse telefone 188. ter ser atendido em qualquer lugar do Brasil, né? Com essa parceria com o Ministério da Saúde permitiu isso, né? Que a gente pudesse, mesmo em cidades onde não tem um posto de CV, você possa conversar com o CBV. Isso aconteceu lá por 2015, 2017, né? Foi um processo que aconteceu de nacionalização do número, né? E a partir daí a gente saiu de 1 milhão de atendimentos que a gente fazia por ano e foi crescendo para 2.3 milhões que a gente fez no ano passado, né? Então a gente conseguiu dar voz assim para algumas pessoas que antes não conseguiam conversar. E a ideia é justamente é oferecer esse eh esse espaço para que a pessoa possa desabafar, possa falar sobre o que tá acontecendo com ela, para que a gente possa, né, organizar as ideias, né, eh, não passar por esses momentos de isolamento e e de crítica muitas vezes, né, que às vezes a gente vai contar alguma coisa que tá acontecendo pro pro alguém próximo, a pessoa critica, julga, a gente, né, não tem uma visão ão mais compreensiva de que todo mundo passa por dificuldades, né? E aí esse acúmulo de dificuldades pode levar a pessoa a pensar e não querer mais viver dessa forma que ela tá vivendo, né? Então a ideia é oferecer um põ e um suporte, né? Que a gente nós somos todos voluntários. Hoje nós somos 2400 voluntários no Brasil que se dispõe, né? 24 horas todos os dias da semana. a gente faz um revezamento entre a gente para poder estar disponível para quem telefonar e quiser conversar por vós. E também tem a opção de você conversar em alguns lugares pessoalmente. Em Campinas no momento não temos esse atendimento, mas em alguns outros lugares a gente tem, mas a gente pode, quem preferir escrever também, a gente tem opção de atendimento pro chat e por e-mail, né? Se a pessoa entrar no nosso site que é cbv.org.br, br, ela vai poder acessar essas informações, né? Então, a ideia é é a gente eh ajudar as pessoas de uma outra forma, né? De uma forma que a gente considera simples, mas que é muitas vezes preciosa, que é doando atenção, doando eh aquele aquele momento onde eu alguém precisa falar e alguém pode ouvir, né? Então essa que é a ideia do funcionamento de CVV como um todo. Ótimo, Flávia e depois Adriana. Existe ainda muito tabu em torno deste tema, né? Falar sobre suicídio pode ajudar até na prevenção e como que como abordar o assunto sem estimular comportamentos de risco? É imprescindível, por isso eu estou muito feliz de estar aqui. Só que temos que ter cuidado de não romantizar. Tem dois efeitos, você como jornalista sabe, tem o efeito Verter e o efeito papagêno. O que que seria o Verter? Eh, é inspirado na obra do Get, que depois que que é um personagem Wter, que ele se suicida depois de um de sabor amoroso. E aí vários jovens na época começaram a se suicidar, eram encontrados com livro, com a roupa do personagem. Então isso ficou conhecido no jornalismo como efeito verter muito ruim. Então, o que a gente eh preconiza é não eh falar sobre o método, não dar dicas sobre o método, não glamorizar, porque não romantizar, não banalizar a tentativa ou ou suicídio propriamente dito. O que a gente tem que fazer é o efeito eh para proteger, para conscientizar e dar um andamento, dar uma uma solução, né? o efeito papagênio que é que é embasado aí na flauta, na obra da flauta mágica do Mozart, em que ele queria se matar o personagem, mas depois ele não se mata e aí tem uma ajuda. Então é isso. Então algo que é importante eh nos trabalhos a gente sabe que as pessoas que pensam em se suicidar, elas procuram ajuda. E muitas vezes até falar com os colegas que não são psiquiatras, não são da saúde mental, vai a uma unidade básica de saúde ou mesmo liga para um amigo, não minimizar isso e e ficar atento a essa pessoa, porque isso é é um minuto. Então esse trabalho do CVV é fantástico, salva muitas vidas, é é um minuto de um desespero, pode mudar o o curso aí do do andamento de uma atitude e principalmente as pessoas do pronto socorro, porque o médico ele é ele é formado para salvar vidas. Às vezes quem tenta suicídio é visto com certo preconceito por outros colegas, porque nossa, eu estou aqui para salvar vidas e ele tá querendo tirar a vida. Eh, então tem que ter uma capacitação de atendimento. É isso, eh, olhar a dor daquela pessoa, aquela pessoa tá sofrendo. Imagina para chegar nesse ponto, muitas vezes estão adoecidos, que eu falo com quadro de transtorno mental, não estão tratados adequadamente ou estão em um quadro psicótico, então estão fora e da da lucidez, tratar com carinho, mas assim intervir eh eh no pronto socorro da PUC, a gente deixa pelo menos 24 horas em observação e se precisar encaminha para uma internação, avaliar a família, porque muitas vezes o ambiente no qual a pessoa eh está inserida é muito tóxico. Às vezes você dá alta para um paciente para para que para aqueles elementos eh pode ser prejudicial e pode enfatizar o fato da pessoa querer se matar e principalmente casos de violência. Então, a gente tem que tomar cuidado de avaliar para onde essa pessoa vai voltar, orientar os familiares. Então, outro algo de política pública, falando em eh manejo para proteger a pessoa, tirar eh o acesso a medicações, a facas na casa, eh se for uma casa com janela, eh proteger, não deixar a pessoa sozinha, orientar a família. E também as pessoas têm uma falsa crença de que se eu perguntar pro paciente, você quis se matar, você quer se matar, eh ter detalhes porque a gente precisa disso, a gente precisa saber. Já teve tentativa de suicídio anterior, como foi a tentativa? Tem um termo que a gente chama de intencionalidade. Quanto maior a intencionalidade, maior o risco. Que seria o quê? A pessoa pulou do 10º andar, intencionalidade altíssima, não é? ou a pessoa tomou remédio e já avisou o marido, a esposa, então tem uma esperança, tem um lado saudável que não quer falecer. Então assim, quantas tentativas recorrentes, se tem tentativas anteriores na família e esse paciente tem que ser seguido, tá? Eh, tem que ficar de olho, tem que fazer tratamento. E é isso que nas políticas públicas eh teria que ser visto, que assim, ele vai ser visto logo, tem que ser visto logo, não pode marcar uma consulta e ser visto daqui 3s meses. A pessoa fica muito em risco, não é? E há uma falha aí do sistema ou não? Muito, muito, porque falta, né? falta serviço. Eh, e é o que eu falei, tem que o as pessoas que vão atender esse tipo de de de paciente tá muito fragilizado, muitas pessoas julgam, se irritam e assim, o ambiente de pronto socorro é um ambiente de muito estress, muita correria. Então, aquela pessoa que chega, ela ela você tem que o paciente quer ser visto e muitas vezes a pessoa não quer tirar vida, ela quer tirar dor. Os pacientes muitas vezes falam assim: "Eu quero acabar com essa dor". Só que para isso precisa morrer, não é? Eh, na cabeça deles e e muitas vezes tem uma noção de que não não tem solução. E também pedir paraas famílias tomarem muito cuidado com as frases que são ditas. Por exemplo, idoso que tá dando trabalho, às vezes a família fala: "Nossa, eu não aguento mais, é um estorvo, era melhor se você tivesse morto." Parece um absurdo eu falar isso, mas as pessoas falam isso, né? no calor de uma discussão e e as pessoas dão sinais. Então, eu queria que as pessoas ficassem atentas. Então, mudança de comportamento, pessoa para de comer, o idoso começa a distribuir as coisas, sabe? Eh, começa a fazer testamento ou aquele, aquela pessoa começa a se acidentar muito, bate muito o carro, porque tem o suicídio inconsciente, tem muitos acidentes de carro que são uma tentativa de suicídio, tá? Atropelamentos. Então, a gente tem que estar atento e naquele momento olhar pro paciente e falar: "Eu enxergo você, eu enxergo a sua dor. Isso é o principal. Estou aqui para te acolher, para ele poder falar sem julgar." Mas as pessoas têm muita vergonha de dizer, porque também vivemos numa sociedade na qual nas redes sociais todo mundo tá lindo, tá maquiado, tá feliz. Então assim, nossa, como eu estou triste, como eu não consigo pagar o boleto, porque só acontece comigo, né? É só comigo, né? como que eu tô e e as pessoas também não tm muita paciência. Às vezes você vai falar com amigo, o amigo começa a falar do problema dele. Então assim, não tem esse acolhimento. Então assim, e já começa no acolhimento, um acolhimento adequado, um lugar calmo, a pessoa separada, sempre primeiro separada de quem levou, porque às vezes quem levou é o motivo pelo qual tá querendo se suicidar, tá? Então assim, avaliar a a funcionalidade, a sanidade daquelas pessoas que levaram, se forem disfuncionais, acessar outra pessoa para ir embora com essa outra pessoa e e traçar um plano de tratamento. E outra questão que eu queria falar que não é dito, tratados enlutados. É muito é trágico eh as pessoas que sobrevivem a a um suicídio que, né, que que chegam a acontecer. pai e mãe, às vezes deixa a carta, às vezes a pessoa fica muito culpada. Então a gente tem que olhar também para essa população que ficou que isso não é dito muito na mídia. Então eu gostaria de falar sobre isso, sabe? Programas para tratar das pessoas que sobreviveram a essa tragédia e às vezes as pessoas encontram, imagina você chega, encontra seu pai enforcado, a cena. Então assim, quem fica é um trauma absurdo. Então precisamos falar sobre isso também. falar sobre eh relações saudáveis, então eh inserir os pacientes nos programas, nas unidades básicas de saúde, porque você começa a se relacionar, então fatores protetores, a fé, eh eh as pessoas frequentarem lugares, né, não só à igreja, mas no clube, ter um grupo que possa acolher, né, deixar de usar droga, porque muitas vezes a droga aumenta, a impulsividade aumenta o risco. ser feito um diagnóstico correto, as pessoas impulsivas, eh, por exemplo, quem tem transtorno de déficit de atenção hiperatividade, eh, morrem mais de acidente de trânsito, porque eles são impulsivos, né? Não significa que seja uma ideiação suicida, é por conta do quadro, mas sempre tratar adequadamente, porque os pacientes muitas vezes começam a melhorar e param de tomar a medicação, tá? E também eu queria falar que hoje na psiquiatria nós temos algo que se chama psiquiatria intervencionista. Então, nós temos eh e uma medicação que está sendo usada agora, que pode ser usada de maneira endovenosa ou intranasal, que que é muito eficaz com a ideiação suicida. Então, o paciente atendido eh é submetido a sessões, alivia aquela angústia ou eletroconvulsoterapia, todo mundo tem preconceito, porque teve aquele filme e o bicho de sete cabeças com santório que mostrou como se fosse algo punitivo, sem uma anestesia, não é um tratamento eficaz também, é muito bom para quadro de depressão grave, de ação suicida, para para, por exemplo, uma grávida bipolar que está muito comprometida e não pode usar medicação por conta do feto. Mas como é feito? É num centro cirúrgico, a pessoa é anestesiada, eh é aplicado um relaxante muscular, você só vem mexer um pouquinho a perninha. Então, não é mais aquilo de fraturar osso, é é super assistido, é eficaz, temos a estimulação magnética transcraniana, as medicações psiquiátricas evoluíram muito, tem bem menos efeitos colaterais e também existe a terapia, claro, a terapia da pessoa que é imprescindível e familiar, aquele ambiente que também tá adoecido. Adriana, quero ouvi-la também sobre essa questão, desde da vergonha e também do tabu. Perdemos o contato com a Adriana, talvez já a gente restabelece então o contato com a Adriana Siglo aqui com a Flávia com este assunto importantíssimo na sua resposta de conseguir identificar na questão também eh de saúde pública. É, é possível identificar os sinais que uma pessoa tá passando por um sofrimento psíquico importante, mesmo quando ela não fala diretamente sobre suicídio? Ah, Adriana, Adriana, restabelecemos o contato. Você tá me ouvindo? Então, só para não perder o gancho do da fala aqui da Flávia sobre essa questão também da vergonha do tabu, queria com a sua experiência que você contribuísse. Pico aqui, voltou, graças a Deus. Eh, bom, então, eh, o que o que a gente, né, ouve, né, porque a gente acaba conversando muito com as pessoas mesmo, né, que esse é o nosso papel como voluntário de viver. e elas acabam relatando em várias situações, né? Eh, a gente eh conversa assim, desde pessoas que pensam, né, e em em morrer por conta de de situações da vida que ela tá vivendo de muito tempo. Eh, a gente ouve também as pessoas muitas vezes eh a doutora falou do dos enlutados, né, que muitas vezes procuram a gente assim para falar sobre isso, mas eh os assuntos são os mais diversos. às vezes coisas que para nós talvez não tenham um valor tão tão relevante, né, para outra pessoa tem. E e eu acho que a gente tenta entender que aquilo que muitas vezes paraa gente é é corriqueiro, é coisas do dia a dia, é para outras pessoas não tem um valor grande, né? Tem eh a questão das minorias mesmo que a doutora falou, tá, né? às vezes, eh, a gente que não vive uma situação de de racismo ou de desconforto ou de discriminação, a gente às vezes não acha que isso não é tão relevante, importante, né? Mas quem traz isso na pele mesmo, né, de de que vivencia tudo isso, acaba contando, né? E e eu eu acredito que assim, com com o tempo, né, até com com o surgimento do da do movimento Setembro Amarelo, a gente tá falando um pouco mais sobre isso, né? Falando sobre a importância da prevenção, falando sobre que, poxa, ó, você não tá bem, eh, vai procurar ajuda de alguma forma, que essa é a intenção, né, eh, da gente falar pra sociedade, falar para as pessoas que é normal estar bem, né, e é normal pedir ajuda quando você não tá bem, né? Eh, acho acho que a gente ficar um pouco essa questão de de que eh a gente pode ficar doente emocionalmente e psicologicamente eh e e de que não são doenças visíveis, né, como, por exemplo, uma fratura, né, ou ou algo assim, mas que elas são tão importantes e relevantes paraa nossa vida, eh, porque ela que vai deixar a gente, né, se sentir bem ou não com aquilo que acontece, né? Então eu eu acredito, né, que a gente falar sobre isso, você vai ver também, né, eh, desde o início, tá tá envolvido com com essa campanha de do setembro amarelo, justamente para, para colocar um pouco de luz sobre o assunto, né, eh, e pra gente poder falar um pouco mais abertamente sobre isso, porque eh por muito tempo se jogou para baixo do tapete essa questão, né, e, eh, a gente precisa conversar para poder se prevenir mesmo, né? Eh, é, é uma questão que que se a gente não conversar sobre ela, vai continuar acontecendo pessoas morrendo porque não se sentiram à vontade para falar de como estão se sentindo, daquilo que tá deixando elas desconfortável, né? Então, que eu eu acredito assim que a melhorou, né, a a divulgação e a questão da gente conversar sobre isso, mas que espaços e e políticas públicas, como como a doutora disse também, ainda ainda faltam nesse sentido, né, que realmente eh muita muitas pessoas acabam dizendo pra gente, né, que quase em tratamento, que que buscam, né, universidades, caps, de saúde para poderem ser atendidas, mas que demora muito, né, que demora muito para ela, para ela conseguir conversar de novo com o psiquiatra, com o psicólogo. Então, eh, a gente ouve essas pessoas, mas obviamente a gente não tem uma formação, em saúde para poder, eh, atendê-las, porque o que a gente oferece mesmo é uma questão de humanidade humanitária mesmo, né, de poder conversar com essa pessoa e, e,, né, fazer com que muitas vezes ela se sinta melhor para depois procurar, né, ter um pouco mais de tempo para conseguir esse atendimento. Mas a gente sabe que não é fácil, né? a gente tem questões difíceis de saúde pública no Brasil e que eh precisam ser conversadas, né? Mas e mas se a gente não inici essa conversa, as coisas vão se arrastando e e, né, é importante que que as pessoas possam contar com algum tipo de ajuda de alguma forma, né? O CV é um tipo de ajuda, mas não substitui nenhum outro, né? E e ele a gente acredita muito na questão da rede de prevenção, né? que ela precisa funcionar em vários aspectos para que as pessoas possam contar com com a ajuda que elas precisarem, né? Seja de profissionais da área de saúde, seja de alguém que realmente eh converse com elas e outras outras, né, ajudas possam aparecer. Sem dúvida. Eh, Flávia, eu tinha te feito uma pergunta, mas eu quero pegar o gancho de uma coisa que a Adriana falou que ficou aqui para mim, né? Eh, as redes sociais elas são constantemente apontadas aí como uma grande vilã nessa questão eh de saúde mental. Existe alguma evidência que de fato ela amplifica um sofrimento psíquico? Eh, eu eh sim, mas a gente também não pode demonizar a tecnologia. Eu acho que temos que ter o equilíbrio. Eh, o que é muito ruim é a comparação, principalmente com os adolescentes. Então, eh, brincava com uma paciente, ela era baixinha como eu e ela e ela queria ser uma Gisele Bint em alta 1,80 m. Eu falava impossível para nós duas. Então, e a e aquela questão de que tudo é maquiado, não é? Então você não vai colocar, até inadequado você colocar eh fatos ruins ali, mas tudo tem filtro. Então é isso, você olha, então porque assim, o ser humano ele quer ser visto. Eu brinco que antigamente a gente tinha a máxima do Decard que era eu penso logo existo. Hoje é sou visto, logo existo. Se eu não sou visto, eu não existo. Sim. principalmente entre os adolescentes. Então essa comparação que fala: "Nossa, mas todo mundo está na mal nas maldivas e e é a relação eh perfeita e depois um dia depois se separam, aí vê que tava com fulano." Então assim, a vida como ela é não é não é daquele jeito. E aí as pessoas não se sentem pertencentes porque o ser humano quer quer ser visto, validado, pertencente. Isso isso é básico em nós. Então isso prejudica muito, mas por outro lado também tem campanhas que ajudam, eu acho que com a pandemia aumentou eh a propaganda e o fato de se falar sobre a saúde mental. Acho que isso ajuda, as pessoas estão com menos preconceito, então tem esse lado positivo, tá? Mas algo que eu acho que tem a ver com a política pública é uma segurança cibernética. Eu acho que precisa ser visto porque tem um descontrole e aí pode ter um mau uso disso. É o que eu falei, eh, tem tem sites, tem lugares que ensinam como que você pode se matar. Isso é um absurdo, isso é péssimo. Ou fica glamorizando, fulano se matou e fala o método e vira meio que um herói. Isso é muito ruim. E pros adolescentes também dá dá a falsa impressão de que ele morreu, mas vai continuar vivo, sabe? Tem uma uma ideia errônea aí. Então eu acho que tem os dois lados, mas mas tem se falado bastante e eu acho importante falar sobre saúde mental com qualidade, então também vê os canais que que as pessoas estão acessos, mas isso tem melhorado, as pessoas têm procurado mais terapia, isso, né, tem caído, tá bom? Então são as duas vertentes aí, né? Como como tudo. Acho que também não podemos demonizar. E outra questão que eu fiquei pensando em termos de saúde pública, eh, no exterior eles eles pesquisam os lugares das cidades nos quais tem muitas tentativas de suicídio, por exemplo, pontes e aí eles fecham as pontes. Então, eu acho que isso também é um recurso bem interessante, estudando a cidade, sabe onde que acontece? eh diminuir o acesso, prejudicar o acesso e e eu acho que capacitar, então tava se falando de que realmente as unidades de saúde mental não dão conta, né? tem que ter muita gente, as pessoas estão mais adoecidas, infelizmente. Piorou com a pandemia e eu eu trabalho no pronto socorro, isso tá bem complicado. Eh, capacitar os os agentes de saúde, eh, os os profissionais que não são da saúde mental, mas podem dar esse primeiro atendimento, pode eh dar uma assistência, entrar com uma medicação e seguir essa pessoa. Então, quanto mais também a gente orientar e falar de uma maneira ilustrativa, é muito bom. Então, eu acho que assim, não vamos demonizar também a rede social, né? Mas é é muito assim a questão das telas que as pessoas ficam horas e horas ali, isso é muito prejudicial até pro cérebro, a gente sabe disso. Então também algo que eu acho importante dizer é não colocar tudo também na nas telas, nas redes sociais. Os pais, as pessoas que convivem com ou com o idoso ou com o adolescente que não tem tanta crítica ou um adulto que tá vulnerável, controla o acesso. O que que está acessando? Teve out aquela outra série britânica adolescência incrível, vejam que coloca isso que assim o perigo antes era a pessoa ir pro centrão da cidade onde tinha os dependentes. Cara, hoje o perigo tá na casa dentro do quarto, porque muitas vezes os pais não sabem o que aquela pessoa tá acessando, quanto tempo. Então tem os sites de pedofilia, de pornografia. Então, o que eu acho imprescindível antes da gente jogar só nas telas e na rede social é como é que tá a organização dentro de casa, sabe? Eh, como estão as relações. Eu acho que isso precisa ser visto. Eh, cuidar mesmo, o que que você tá acessando, quanto tempo as crianças e os adolescentes ficam na tela, porque assim, é a chupeta moderna. Então a tela é a chupeta moderna e assim nois pais que chegam exaustos em casa, eh, que trabalharam o dia inteiro, que no trânsito, aí chega, não tem energia para brincar com aquela criança. Então assim, tô atéa bom, mas assim, tomar muito cuidado com essa conduta. Então a gente demoniza, mas eh eh controla, veja eh o que quem quem o que é o amigo. Ele tá no quarto, porque os adolescentes agora eles ficam indor, né? Eles muitas vezes eles ficam trancados no quarto. O que que acontece nesse quarto? Ou o idoso que aprendeu e e olha, já peguei vários casos assim, idoso que está demenciando, isso tem acontecido muito. Eles caem nos golpes, sim. Eh, que pessoas que se fazem, que estão apaixonados e aí caem no nos golpes e aí pode sair de casa para encontrar com o fulana, a outra foi encontrar com o Brad Pitt, né? a gente viu isso que aconteceu recente, não é? Então assim, também olhe, sabe o que que tá acontecendo, porque eles aprendem, é maravilhoso mexer com a tecnologia, mas o que que tá usando? Então eu acho que o principal nas relações saudáveis, cuidar um do o que que acontece com você, porque infelizmente as pessoas estão conversando, então não sabe o que tá acontecendo com outro, né? É mais fácil ficar ali olhando para baixo, um b um monte de zumbi. Nossa vida tá ali. Então isso está disfuncional. A gente aprender a criar vínculos verdadeiros, conversar, falar das vulnerabilidades, isso muitas vezes é muito difícil, porque essa interação, essa intimidade já não existe. Eu atendo casais em terapia e que estão vivendo ali na casa, mas são dois estranhos. Na pandemia, a gente viu muitas pessoas se separando, não foi por conta da pandemia, porque o casamento, a relação já tinha acabado, olham pro outro, nossa, você existe, você é meu marido, então temos que fazer algo com isso porque ficamos todos presos. Então, eh, é cuidar das relações, sabe como estão suas relações? as pessoas eh sabem, eh, eu atendia muito idoso, agora eu tô atendendo a faixa mais nova, mas durante a pandemia os idosos começaram a me encaminhar os netos pro consultório, porque eh teve casos em que eles começaram a morar todos juntos e aí eles falavam para mim: "Olha, meu neto tá esquisito, você dá, você avalia". Muitas vezes tinha um espectro autista, tinha um transtorno de défic atenção, hiperatividade, sabe? Eu tava psicótico, só que ninguém se olhava. Então assim, eh, então eu acho que a comunicação, estar presente, o o que é muito difícil hoje em dia, estarmos presente. Então, estou aqui na entrevista, estou aqui, só que a gente tá no celular, a gente tá pensando na roupa, no no no que você vai ter que fazer. vai ter que levar o filho na escola. Então você sua atenção futuro, pensando não. E a sua atenção não está ali, você não vê o que tá acontecendo. Então às vezes você perguntou de sinais, às vezes o filho ou alguém da casa tá gritando que tá muito ruim. Então os sinais, a pessoa começa a ter comportamentos diferentes do que tinha. Então assim, pegando exemplo eh de um paciente meu, ele amava ficar com os netos, passou a não gostar de ficar com os netos, ficar irritada, pessoa muito irritada, estourada, porque a depressão não é só aquele quietinho num canto que par de comer, pode vir seguida de muita irritabilidade, de muita agressividade, ou então o adolescente tá sofrendo eh uma violência eh tá sendo eh ameaçado, mandou uma foto de um nude, por exemplo, sei lá, E aí tá sendo ameaçado, já aconteceu suicídio por conta disso. Então é atento a principal, você está você está atento ao que tá acontecendo com você, porque também eh quero ressaltar, ter tristeza, ter medo, às vezes você tem um estouro, raiva, ciúme, inveja, isso faz parte do ser humano. São emoções que que estão conosco. Isso não é doença mental. Doença mental é quando a pessoa começa a ter o dia a dia prejudicado, sua funcionalidade. Isso dura um tempo maior ou a pessoa teve um trauma, um evento traumático, pode desenvolver um transtorno de estress póst-traumático que fica pensando, nossa, eu trabalhei na linha de frente do do COVID lá no pronto socorro, não como clínica, mas como psiquiatra e muitos dos colegas tiveram um transtorno de estresse pós-traumático, um burnout, porque ali a gente não sabia se ia sair vivo dali, né? chegava em casa, eh, teve que se se afastar dos familiares para não contaminar ninguém. Os pacientes falecendo ali eh, na maca, uma doença que a gente não sabia o que era, né, uma falta de garantia. Então, assim, pessoa, então isso é importante falar, às vezes a pessoa não tem problema de saúde mental nenhum, mas ocorre um evento, então eu acho que a pandemia é um evento traumático que nos atravessou, todos nós. Sim. E e muitas pessoas saíram bem, outras não. Pensar também nas pessoas que tiveram, que perderam seus familiares e não teve enterro, não podia encontrar com a pessoa. Imagina, você não poôde despedir no hospital, a gente ligava e e eu fiz isso várias vezes, que era uma cena que a pessoa sabia que eu ficava também não não demonstrava, mas depois dá-lhe energia porque [limpando a garganta] a pessoa se despedia, né? A gente então se despede, mas não podia ver, não podia falar. Então assim, como ficaram esses lutos, entendeu? Como ficou isso paraas pessoas? Muitas pessoas quebraram, não é assim, eh, falta de muitas pessoas se separaram, às vezes as pessoas engravidaram, aumentou, infelizmente, o feminicídio, aumentou o uso de de substância durante a pandemia. Então, o que que a gente precisa olhar? O que que tá em torno? Então não é só um item, é isso que eu falo. Eu sou apaixonada pelo que eu faço. Que bom. Eu falo que psiquiatria a gente é detetive, sabe? Chega, a gente vai ver assim qual é a sua história, sabe? sem preconceito, sem julgamento. Me conta a sua história. E o paciente percebe quando alguém tá escutando uma escuta ativa, porque não adianta também tá na frente do paciente, tá com o celular, tá pensando, sabe em outra, o paciente sabe, não é visto. Então, eu acho que o principal quando alguém for atender eh algum paciente que tentou suicídio é: "Esteja presente de fato, queira saber a história daquela pessoa, o que que como eu posso te ajudar, o que que não está bom, o que que não tá funcionando, porque ninguém eh tenta contra a própria vida à toa." Claro, isso é a ponta do iceberg de de algo que já, né? ou ou algo traumático que aconteceu agora que pode acontecer, por exemplo, perda de um filho, sei lá, você tá você tá andando seu filho abalhado do seu lado, sabe? Algo que te atravessa e aí você pode ter, querer falecer, mas na maior parte dos casos não é assim, é uma história. Então vamos sentar na frente daquela pessoa e perguntar qual é a sua história. Uhum. sabe? Tô aqui para te ajudar e não, eu tenho tenho uma frase que eu amo que é dizem que é do Yung, é que tem muitas frases na internet que a gente nunca sabe, sim, mas que fala o seguinte, eu me baseio muito nela. Quando você tá diante de alguém em sofrimento, esqueça seus diplomas, esqueça, esqueça sua toda a sua formação. Seja apenas uma alma humana, tratando de outra alma humana. Então eu acho que essa postura faz muita diferença e e os pacientes saberem que hoje você pode achar que se sua dor nunca vai passar, que que isso não tem solução, mas tem solução. E hoje eu que falei, há medicações que tiram isso, essa sensação física que bom que a psiquiatria tá evoluindo muito associada com a neurologia. Hoje a gente pode fazer ressonância, pode descobrir pacientes que t demência agora tem biomarcadores, então evoluiu muito. Então pode passar só que um minuto dessa escuta no CVV, que é esse trabalho fantástico ou de um profissional capaz, não precisa ser psiquiatra. Ou a vizinha, né? Vai na vizinha. Vou vou contar um caso que é que é lindo, que eu atendi lá no Pronto Socorro. Eh, um senhor eh tava lá com a esposa na casa, a esposa tava lavando a louça e ele se enforcou na árvore do quintal, né? Tentou sobreviveu, o vizinho viu, saiu correndo. Ele não é da área de da saúde, ele salvou esse senhor. Então assim, estarmos atento, mas se ele tivesse no celular, né, ele não ia ver. Vivemos em sociedade, precisamos estar atentos. Então estar atento à vida, porque a vida é tão fantástica, sabe? Então é bacana. Não, não quero pontuar, não quero demonizar. Tecnologia incrível. É bom, é bom. É, é esse acesso. Eh, mas com equilíbrio tem que saber usar, né? E tudo. Sim. Espero que você que está nos acompanhando aí esteja com a escutativa, hein? Aula da Flávia aqui muito importante. Adriana, quero ouvi-la também. se o assunto rede social chega através do 188, se chega também através de de e-mail e também um pouquinho sobre faixa etária, se essa questão de rede social é mais mesmo dos jovens ou a Flávia trouxe alguns eh exemplos aqui também dos idosos, né, que estão se interessando também. A gente tem muitas reclamações que muitas vezes eles ficam fora, né? Mas quando eles estão aqui neste meio também tem um certo perigo. Eu a gente recebe sim às vezes pessoas falando, né, sobre eh as a questão da das comparações mesmo, né, que a Flávia falou, né, eh que se comparam com outras, eh a questão da dos jovens que acabam vivendo uma vida de ilusão ali, né, de achar que tudo aquilo que é postado nas redes sociais Eh, eh, é, é a vida perfeita, eh, que o, que o outro tem uma vida muito melhor do que a minha, né, e tal, querem tá presentes ali e muitas vezes, né, não é não é força, né, não é todo mundo que tem a, eh, o canal que dá certo, né, o o a postagem ali que é super vista e tal, né? Então, e acho que tem tem esse esse lado, eh, a questão de chamada de atenção mesmo, né? Eh, às vezes a gente fala, né? Ah, a pessoa tá chamando atenção. Muitas vezes ela tá mesmo e e porque ela tá querendo ser vista, né? E muitas vezes ela não é não é vista, não é reconhecida, não é acolhida no meio que ela vive. Então, acho que a rede social acabou dando voz para para isso também, né? Não, não acho que, né, a gente não acredita que que seja realmente o o principal vilão da da vida, né, porque ela inclusive possibilita eu est conversando com vocês agora, porque eu não tô em Campinha. Se a gente tivesse internet, se tivesse redes sociais, a gente não estaria eh conversando, né? Então eh eh como tudo na vida, né? É é é a parcimônia, né? Como usar aquilo que você tem de ferramentas, né? Então a gente acredita hoje que né? muit muitos jovens entram em contato com a gente pelas pelas redes sociais a gente não atende, não faz atendimento por lá, é apenas para divulgação do nosso serviço e de assuntos que estão ligados à saúde mental, saúde emocional, mas muita gente entra em contato por e-mail, por chat, se sente mais à vontade para escrever, por exemplo, do que falar, porque falar muitas vezes a pessoa tá tá próximo de alguém, né? Então ela não se sente à vontade de ir para sua ouvida. Eu esqueci de falar antes, mas quando você entra em contato com o CDV, você não precisa se identificar. Então, ninguém vai perguntar para você seu nome nem nada, né? Então, você vai, né, telefonar ou mandar um e-mail ou conversar com o chat não vão perguntar nada de você assim, né, de que cidade você tá falando, quem você é. Então, aquela conversa mesmo para eh sem crítica, sem julgamento num ambiente que você pode se sentir seguro para falar, né, sobre o que tá acontecendo com você. Então, muitas muitos jovens acabam procurando, sim, mas não só jovens, a gente não faz uma eh essa esse rastreio, né, de da idade da pessoa nem nada. Eh, mas eh a gente só média ali a quantidade de atendimentos que a gente teve, mas muitas muitos muitos foram, né? Eu tenho tantos anos, né? Eu eu tô sozinho, eh, eu tô eu mesmo tendo família perto de mim, morando com mais gente, eu me sinto só. Eh, então a gente tem um pouquinho de tudo, né? E a pessoa se sente um pouco mais confortável para falar, muitas vezes pela questão de não precisar dizer quem ela é, né? Então ela acaba tendo esse esse conforto de, ó, eu vou falar com você, você não me conhece, eh, e você não não tem essa amanhã, né, se eu quiser telefonar de novo, professor VB, normalmente ela não vai falar com a mesma da pessoa. É difícil até ela conseguir falar, né? A gente atende todo o Brasil. Então, se alguém telefonar agora de Campinas, não vai ser atendido necessariamente por alguém de Campinas, vai ter vai ser atendido por alguém que tá disponível no Brasil inteiro, né? Então, eh eh olha a internet também ajudando a gente, porque eh isso facilitou a vida, né? A gente tem hoje eh quem tá disponível no Brasil todo é que vai atender a pessoa que tá negando, né? Então acho que a gente tem que ter sempre essa essa questão, né, de ponderação, né, como usar, né? Eh, eu sempre lembro do do veneno e remédio, né? Tem a diferença é a dose, né? É, eh, o que é usado. Então, é sempre a dosagem que a gente usa, né, para tudo na vida. Sem dúvida. Quero pegar aqui eh uma palavra que a Adriana utilizou, Flávio, e aí eu vou fazer até uma provocação sobre algo que que você diz também, que é a questão do julgamento, né? Como é que vocês lidam com o julgamento? Porque eh numa resposta sua você falou assim: "Olha, é muito importante é uma vizinha, uma amiga conversar com essa pessoa, né, nesse primeiro contato." Só que muitas vezes essa pessoa pode ser que ela não faça um julgamento, porque eu já vi até nas redes sociais quando sai, principalmente com uma pessoa que é famosa, que é artista, né? Fala que tá com depressão, aqueles comentários de: "Nossa, mas você tem tudo e tá depressivo ou ah, isso é falta de Deus na sua vida. Olha, é só pensar positivo que tudo vai melhorar. Não pode ter um efeito contrário também uma pessoa que não é especializada e vai dar um tipo de ajuda para uma pessoa que já tá depressiva? É sim. Não, eh, o ideal não é a vizinha fazer o atendimento. Eu falei que eh acho que pessoas próximas eh com contato saudável, mas o ideal sempre é algum profissional. Por isso que eu falei o quão é importante a capacitação de quem vai atender essa pessoa. O ideal sempre é alguém da saúde mental, um psiquiatra, um psicólogo que tem esse respaldo, esse preparo, é que às vezes as pessoas naquele momento não não conseguem, não tem acesso a um serviço e se eh tem um amigo adequado e e que pode ser às vezes muito mais adequado do que um profissional que não está capacitado, não é? que não gosta, que tem preconceito. Agora, eh, as pessoas têm muito preconceito em relação à dor, porque parece que ficou proibido o ruim, né? Então, ter ruga é proibido, envelhecer é proibido, estar triste é proibido, isso faz parte do ser humano. Durante um dia a gente não tá igual o tempo todo. Faz parte você ficar frustrado, ter raiva, eh ficar triste. E e e eu e eu eh reitero, estar triste não é estar com transtorno depressivo, é diferente. Essas emoções elas transitam aí dentro de nós. E e o dia tem 1000 intercorrências, não é? Eh, agora tem os haters também que aun eu dei risada, tava vendo uma palestra falando sobre isso, haters que sempre vão criticar e e falar contra. Aí a palestrante brincou, falou assim: "Ele foi pros lençóis maranhenses e falou: "Tinha muita areia". Então, então [limpando a garganta] você vai para que lado? Então, sempre o ideal é alguém capacitado. Às vezes a pessoa mesmo da família não tá adequada para naquele momento dar aquele acolhimento. Também está com sofrimento mental, tá pior do que a pessoa que tentou. O ideal e e sim, existe muito julgamento o tempo todo de tudo, de tudo. Vivemos uma e agora que as pessoas que a gente vive aí um Big Brother, né, estamos expostos, tudo é julgado, né? O cabelo, a pessoa que tá magra, tá magra demais. se engordou porque tá nunca tá bom, não é? Então isso é muito perigoso também porque você nunca se encaixa, eh nunca você agrada. Então eh eu acho que sim. Então então de novo, repito, ideal é o atendimento num lugar adequado. Eh se não tiver, depois é encaminhado para ser assistido. Se precisar usar medicação, usa. Senão já segue com a terapia. Eh avaliar a família, ter a família próxima. é que isso é o ideal. Nem nem sempre a gente consegue, não é, mas estar atento aquela pessoa. Então, sempre a pessoa que tentou, não importa um comprimido que as pessoas minimizam e falam: "Ah, vai lavar roupa que fica bom, eh, não para de sofrer". E e eu queria também detalhar uma coisa. O setembro amarelo, ele foi baseado na no falecimento de um jovem que tinha o Mustang amarelo e e ele estava com quadro depressivo grave, mas como ele era dócil, ele sorria. Eh, tem trabalhos que mostram isso. Às vezes a pessoa que se matou no dia anterior, a foto no, na rede social tava sorrindo. Então, sorrir também não é sinônimo de que está tudo bem. Uhum. E ele se matou. E aí durante o velório foi entregue uma fitinha amarela falando para cuidar, para ficar mais atento. E aí que, né, foi eh foi embasado e feito. Eh, então o cara também não diz o que tá dentro da pessoa, que eu digo, eh, tristeza, a gente não consegue fazer raio X da tristeza e é subjetivo, a gente precisa acreditar no outro e nunca minimizar a queixa do outro. Eh, porque para mim algo pode ser catastrófico, pro outro não. E cada um tem a sua medida. Bom, programa ótimo, passa rápido também, com muitas informações. Já estou aqui na reta final, então, eh, fazer uma uma última questão para vocês duas. Eh, Adriana, todo mês de setembro surgem campanhas, palestras, ações relacionadas ao setembro amarelo. O que que uma campanha como essa precisa fazer realmente para poder produzir prevenção e não apenas gerar visibilidade para este mês? Se é algo mais permanente? A gente costuma dizer que a prevenção a gente faz todo dia, na verdade, né? O ano todo, né? Não é só em setembro. Setembro a gente quer dar uma luz maior porque 10 de setembro é o dia mundial da prevenção do suicídio. Então que a Organização Mundial da Saúde estabeleceu isso. Então a gente só quer chamar atenção, mas eh a gente faz isso o tempo todo, né? O esses 64 anos, né? que existe, a gente trabalha com prevenção, doando atenção. Eh, a gente tem uma grande preocupação assim, né, como a doutora falou, da forma como as pessoas tratam a questão do suicídio, tanto na forma como elas eh falam sobre, né, e muitas vezes eh glamonizam mesmo, né, a questão de do morrer ali, né, de tirar sua vida. quanto a como a a imprensa divulga isso, né? A gente tem tido um trabalho intenso eh para com jornalistas, com formadores de opinião para para incentivar as pessoas a entenderem eh o do que que a gente tá falando e como é a melhor forma de da gente poder falar sobre isso, né? Nós até esse ano lançamos eh um um cartilha para jornalistas para que eles entendam como, né, jornalistas, estudantes, profissionais da área de comunicação, que eles entendam como eh eh como seria um bom caminho para que a gente pudesse falar sobre isso de uma forma que incentivasse a prevenção, incentivasse a busca de ajuda, incentivasse a oferta de ajuda. eh nesses momentos de crise, nesses momentos de dificuldade, eh é é quem tá próximo que vai conseguir detectar que tá acontecendo alguma coisa, né? E a gente quer ofertar isso, né? A possibilidade de eu ficar atenta, poxa, né? Meu meu colega não tá bem, alguém da minha família não tá bem, eh eu não tô bem, né? O que que eu posso fazer? O que que eu tenho que fazer? Então essa é a ideia, né? Então a gente tem um site setembroamarelo.org.br do R, que a gente todo ano lança uma campanha, né, para incentivar as pessoas a procurarem ajuda, buscarem ajuda. Então, lá também a gente tem essa cartilha, né, eh, voltada paraos jornalistas e temos uma outra aqui paraa sociedade em geral que chama Falando abertamente sobre a prevenção de suicídio, que você pode também ali consultar, né, eh, coisas que eu, eh, não sendo especialista, mas sendo um humano, posso fazer ajudando alguém, né? Então essa que é a ideia assim, né? Os profissionais eles têm uma competência e uma e uma importância assim gigantesca, né? Mas a gente como sociedade a gente também pode ajudar uns aos outros a se sentir melhor, né? A estar melhor com você mesmo e com os outros, né? Essa que é a ideia assim da gente ter uma sociedade melhor, pra gente poder, né? Ter menos crítica, menos julgamento, eh conviver melhor com as diferenças, que às vezes é tão difícil, né? Mas que a gente pode, não é porque a pessoa pensa diferente de mim que eu preciso, né, ser o hater, né, como vocês falaram aí, né, eh, e entender que eu tenho minha visão, vocês têm a de vocês, que a gente pode conviver em harmonia em sociedade, né, respeitando tudo isso. Esse muitas vezes esse jeito da gente ser, né, eh eh de criticar, de julgar quem é diferente da gente, faz com que as pessoas se sintam mal, não se sintam aceitas e acolhidas. E isso pode trazer consequências férias, né, para pra nossa saúde mental e emocional. [música] Então, eh, fica aí o convite para vocês visitarem nossos sites, usarem todo o material que tá lá, tanto do subv.org.br, quanto do setembroamarelo.org.br. É, OK. Material que tá lá é para para causar reflexão, para trazer essa essa luz, a questão da prevenção suicídio que a gente quer que seja mais difundida cada vez mais. Convite aceito da minha parte. Já entrei no site para me preparar aqui pro programa e realmente o site é muito bom com muitas informações. Flávia, quero ouvi-la também porque setembro tem muita visibilidade, a imprensa acaba falando, mas e nos outros meses? Há um erro aí de comunicação, o assunto ele vai ficando por debaixo do tapete novamente. Acho que sempre temos que falar favor da vida. Se matar nunca é a opção. E é o que eu falei, é capacitação das pessoas, por favor, procurem ajuda, não estão bem, é percam a vergonha, o preconceito, eh, tomem as medicações adequadamente, se olhem, se escutem, se ajudem e essa questão que a Drana falou, a polarização também, isso está muito complicado, porque estamos vivendo uma bolha, então só me relaciono com quem tem as mesmas mesmas ideias. Na minha rede social só aparece isso, o outro é estranho. Isso tá prejudicando muitas pessoas, leva muita violência e que também acarreta as tentativas de suicídio. Então, procurar os serviços, adesão, impedir o acesso a aos meios detais e conviver. Tem um estudo de Harvard que fala que um dos principais motivos para nossa longevidade saudável são as relações saudáveis. Então, interagir, ficar menos na tela e fazer atividade física. A fé também ajuda em muitos casos e e se nos cuidarmos, acho que o autoconhecimento, antes olharmos para nós para até entender o que tá acontecendo e sempre optar para algo melhor e nunca tirar vida. Ótimo, Adriana. Agradeço muito a sua participação de grande valia o trabalho contar aqui que o CVV faz através do 188, através do e-mail, tem o site também. Já faço um novo convite para você retornar, seja aqui nos nossos estúdios, se um diaver passando por Campinas, mas também de maneira online, sabemos, né, utilizar aí a tecnologia e fica aberto à suas considerações finais. Eu que agradeço em nome do ver o espaço que a TV Câmara tá tá dando pra gente, né, que acho que é super importante. A gente conta eh com esses espaços abertos da sociedade no geral para poder fazer nossa divulgação, né? Eh, fica o convite, o convite já tá aceito, aliás, para eu voltar outras vezes. Fico à disposição de vocês e fica o convite mesmo para você seguir o CBV nas redes sociais, né? a gente tá como CVV oficial em todas elas, trazendo material, conteúdo, né, para reflexão, para pra gente prestar atenção nas nossas emoções e na e na saúde mental e emocional. Eh, e lembrar você que se você quiser conversar, se você tiver passando por algum momento de dificuldade, eh, pode ligar para um 88, é gratuito, funciona 24 horas, todos os dias da semana, Natal, Ano Novo, a gente tá sempre disponível lá para conversar com você. Eh, e se você conhece alguém que possa precisar da gente também, tá, para divulgar, ajudar a gente a divulgar, que a nossa divulgação ela é feita por quem abrir o espaço gratuitamente pra gente, né? A gente sempre conta com parcerias como a TV Câmara para poder fazer isso, né? Então, se vocês puderem ajudar a gente a a divulgar nosso trabalho, se você eh se interessou pelo trabalho e pense em ser voluntário, né? Qu dá uma olhadinha no site, as inscrições, a gente faz um curso para seu voluntário, é um curso gratuito para se capacitar, para conversar com as pessoas de forma adequada e e é aberto para todo mundo que tenha mais de 18 anos e queira ajudar alguém. Então fica aqui o convite também para você eh acessar o nosso site e ver como se tornar voluntário lá. E agradeço aí conhecer a doutora também, que foi muito interessante as informações que ela trouxe. Sempre bom, né, tá com pessoas que se preocupam com saúde mental, com saúde emocional e trabalham na área. Nós aqui agradecemos a Adriana Rizo, que é a voluntária aí do Centro de Valorização da Vida. E claro, agradeço também a Flávia Rodrigues Brandão, que é psicoterapeuta, psiquiatra também, pela aula, por todas as informações que você deu aqui pra gente, de grande valia pro nosso telespectador. Já faço um novo convite também pra senhora retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse, mas também sobre outros assuntos e fica aberto aí as suas considerações finais. Quero agradecer, uma honra estar aqui, muito feliz aí pelo convite. Uhum. E eu quero ler uma poesia. que se chama não te rendas, porque um dos um dos principais sinais de que algo pode ocorrer eh caminhando aí pro suicídio é a falta de esperança, a desesperança. Então, quero trazer esperança para as pessoas para elas pensarem que e saberem que o suicídio nunca é uma opção. E o autor é desconhecido. Não te rendas, não te rendas ainda a tempo de alcançar e começar de novo. Aceitar tua sombra, enterrar os teus medos, largar o lastro, retomar o voo. Não te rendas que a vida é isso. Continuar a viagem, perseguir os teus sonhos, destravar o tempo, arrumar os escombros e destapar o céu. Não te rendas, por favor, não cedas. Ainda que o frio queime, ainda que o medo morda, ainda que o sol se esconda e se calhe o vento, ainda há fogo em tua alma, ainda há vida nos teus sonhos, porque a vida é tua e teu é também o desejo. Porque o quiseste, eu te amo. Porque existe o vinho e o amor. Porque não existem feridas que o tempo não cure. Abrir as portas, tirar os ferrolhos, abandonar as muralhas que te protegem, viver a vida e aceitar o desafio. Recuperar o riso, ensaiar um canto, baixar a guarda e estender as mãos, abrir as asas e tentar de novo celebrar a vida, relançar-se ao infinito. Não te rendas, por favor, não cedas. Mesmo que que o frio queime, mesmo que o medo morda, mesmo que o sol se ponha e se calhe o vento, ainda há fogo na tua alma. Ainda existe vida nos teus sonhos, porque cada dia é um novo início, porque esta é a hora e o melhor momento, porque não estás só porque eu te amo. Muito obrigada. E o programa Questão de Orden fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha levado esta informação até você, mas também aos familiares, amigos, vizinhos. Coloquea este programa aí nas redes sociais, no WhatsApp, porque é informação de credibilidade e de grande valia. Até sábado que vem. Ciao. Ciao. [música] [música] เ
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