Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, começa agora o Questão de Ordem, que hoje vai abordar o Maio Laranja, mês de combate ao abuso e a exploração sexual infantil no Brasil. A cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. Cerca de 50% tem entre um a 5 anos de idade. Todos os anos, 500.000 crianças e adolescentes são explorados sexualmente no nosso país, fora os casos que não são notificados. Desde 2000 existe aqui no país a lei que cria em 18 de maio o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Uma conquista que demarca a luta pelos direitos humanos de crianças e adolescentes no território. Agora, se tantos casos continuam acontecendo, quais ações precisam acontecer? Como coibir estes crimes? É uma questão de educação, mais punição, políticas públicas e qual o papel da sociedade? Bom, muitos questionamentos e para participar do programa, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Débora Palermo. Ela que é presidente da Frente Parlamentar de Políticas Públicas para crianças e adolescentes aqui da Câmara. Participa também a Paula Karine de Souza, que é presidente do CMDCA, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a Alessandra Saldanha, que é a coordenadora geral do CRAM, o Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na infância. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Débora Palermo, começo com a senhora, né? A cada hora, três crianças são abusadas no nosso país. Mais da metade das crianças, de 1 a 5 anos. Como é que a senhora enxerga este dado e qual que é o tamanho da preocupação? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Cumprimento a todos. Esses números, Gabriel, eh eh eu falo que são enlouquecedores, né? Porque passa ano e nada muda. Todos os anos em maio a gente faz esse movimento que é muito importante, que traz a lembrança da Aracelei, né, que é em memória essa criança de 8 anos que foi estuprada, violentada e morta, né? Eh, por isso que a gente faz no mês de maio, 18 de maio. Os números não melhoram, só aumentam. Eu acho que muito a ver com a impunidade, porque nos meus 12 anos de Conselho Tutelar, eu vi dois eh apenas dois agressores violentadores serem punidos, serem presos. Então ainda é um crime que passa impune, né? Então eu acho que isso tem muito muito dos números, é por conta da impunidade da legislação também da legislação e e a questão da escuta especializada, Gabriel, é muito importante porque o que eu vi na minha na minha história no Conselho Tutelar, a Criança ia ao conselho e fazia um relato. A gente mandava aquele relatório para a delegacia da mulher para fazer a o boletinho de ocorrência lá. A criança, naturalmente, ela não consegue falar a mesma história que ela contou no conselho. E às vezes uma mudança de uma de uma informação, o advogado entra com pedido dizendo: "Olha, existe contradição, não é bem assim que não sei o quê". e consegue livrar esse criminoso, essa pessoa, esse algos essa pessoa sem adjetivo que comete esse tipo de crime contra a criança. Então eu ainda reforço, como todos os anos, que a impunidade é uma das grandes causadoras do abuso sexual contra crianças e adolescentes permanecer aí em números tão altos e também a questão da do do cuidado, né, Gabriel? Eu acho assim, e é, esse é um recado que eu dou sempre pros pais, criança não pode ficar sozinho. Criança tem que ter vigilância o tempo todo, uma vigilância, uma um cuidado, às vezes a gente fala excessivo, mas tem que ter. Não dá para confiar, não tá escrito, né, que é pedófilo, que é abusador. Às vezes aquela pessoa que você menos espera é quem tá cometendo os piores atos contra o seu filho. Então, sempre acompanhar, sempre acompanhar no futebol, entrar dentro do vestiário junto, esperar usar o banheiro, esperar tomar banho, é no campo de futebol, é em qualquer espaço, é nas festas de família, é em todos, são em todos os lugares. o abusador não escolhe local para est fazendo seu seus atos criminosos, ainda que os maiores a maior incidência ainda sejam dentro da casa das crianças, né? E é um assunto que nós vamos abordar ao longo do nosso questão de ordem, porque nós temos, né, esta estatística que dentro de casa onde acontecem os maiores abusos e a importância também da conversa, da fala e dessa confiança, do vínculo da criança aí com os pais e responsáveis. Paula, primeiro, para quem está nos acompanhando, qual que é o trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Número de representantes? Quais são os desafios? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada. Cumprimento aqui a vereadora, representante do CRM, Alessandra. Prazer tá aqui. Eh, pro CMDCA é um desafio muito grande lidar com essa questão, como a vereadora muito bem colocou. a gente tem a lei da escuta protegida de 2017, que desde 2021 em Campinas tem sendo vem sendo implementada e a gente tem feito um trabalho de atuação em rede. Então, como isso tem sido articulado com a segurança pública, que é uma peçachave para questões criminais, como isso tem sido trabalhado com o judiciário, com pastas do poder público, então quando a gente pensa a saúde, já que muitas vezes os casos chegam lá na Unidade Básica de Saúde ou na educação, às vezes a professora é para quem a criança faz a revelação espontânea. Então, dentro do CDCA existe o comitê que é dedicado a pensar essa questão da escuta especializada e que tem muitas ações de articulação para pensar esses diferentes atores, para pensar o sistema de garantia de direitos e pensar também, especialmente a questão da multiplicação da informação. Então, como que você chega lá na ponta para todos os profissionais da área? Quando uma pessoa vai fazer a revelação espontânea, o profissional sabe receber essa informação? Como que a gente lida para que justamente que a vereadora trouxe, a criança não vai necessariamente fazer o relato da mesma forma duas vezes. Então, como que a gente faz? Como que a gente tá preparado para receber essa informação no momento que a criança isso, identificar os sinais e levar isso pro fluxo? Então, qual que a denúncia chegou aqui, a revelação foi feita aqui, quais são os próximos passos? E aí, nesse sentido, com em parceria com a Tridehood Brasil e com a FEAC, foi publicado o guia de implementação da da escuta especializada, que é para pensar esses fluxos, né? Qual é o caminho? Se a entrada foi pela assistência social, se foi pela saúde, se foi pela educação, se foi pelo Conselho Tutelar. Uhum. como deve ser feito, né, o procedimento. Então, isso é um trabalho que tem sido feito dentro do dentro do CMDCA e que ainda tem, nossa, a gente pode passar o dia falando disso porque tem uma capilaridade muito grande e e eu tenho certeza que com a participação ativa desses atores que a gente tem, o Conselho Tutelar, Ministério Público, do Judiciário, da Segurança Pública, das pastas, do poder legislativo, a gente consegue avançar. Ótimo, Alessandra. Também quero primeiro que você nos conte, né, o trabalho que é desenvolvido no Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na Infância e quais são as maiores dificuldades. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. gostaria de agradecer o convite da Débora, né? Está aqui junto com a Paula também, agradecer vocês. Então, o CRAM tá em Campinas eh há 40 anos, né? E quando ele inicia em 4 de julho de 85, né? A gente não tinha nenhum Conselho Tutelar, né? Então, quando constituiu mesmo o CRAM, foi através das denúncias de violência sexual, né? Um grupo de estudo, né? Da Unicamp, médicos, né? Eles começaram, eles tinham, eles recebiam esses casos, mas não sabiam como encaminhar. Então eles começaram a estudar os casos para dar, né, andamento e fazer os atendimentos. Então inicia assim, né, hoje o CRAM, né, atua em duas regiões em Campinas, região leste e noroeste, não mais atendendo somente a violência doméstica sexual, mas atendendo todas as violações de direitos. Então, a gente atende hoje 210 famílias na região noroeste e 90 famílias na região leste, né? Todos esses casos eles vêm encaminhado do Creias, né? E as violências chegam pra gente. Então, a gente trabalha hoje com 10 assistentes sociais, 10 psicólogos, quatro educadores sociais fazendo esse trabalho com as famílias, né? O ano passado a gente teve até um projeto que a gente desenvolveu na região noroeste porque a gente tinha as creches, é meio semi batendo na porta do CRAM e falando: "Ah, a gente precisa de capacitação, vocês não podem vir falar sobre violência, né, violência sexual na escola, tudo." Então nós desenvolvemos um projeto proteger, eh, conhecer para proteger, aonde a gente capacitou 564 pessoas na EMEI, CEMI, né? onde nós pudemos falar sobre a questão da violência, né, entendendo que é a primeira infância, né, aonde a criança vai chegar ali, aonde eles precisam ter um olhar maior neste momento, porque, né, a criança às vezes não fala ainda, não. Então, a gente capacitou e dentro desses profissionais a gente pegou o apoio base mesmo, né? Então, os auxiliares que ficam ali, né, o porteiro, as cozinheiras, a gente conseguiu fazer essa capacitação. E assim, foi muito importante porque a gente teve resultado assim de pessoas que estavam profissionais ali dizendo: "Eu não sei o que é o disque sem, né? Eu não sei o do que que você está falando." A informação não chegou até não chegava, né? Então, eh, esse ano nós vamos, né, a partir de setembro continuar, né? Na região Noroeste a gente vai capacitar as escolas fundamentais. né? E na região leste a gente vai começar com as a com as crianças meio e mês sem mês para poder levar a questão da violência, como fazer uma denúncia, né? Como atender essa criança, atender essa mãe, né? Porque realmente eles estão no território, esses profissionais, mas eles têm medo de fazer a denúncia. Ah, né? Minha vizinha, como que eu vou fazer essa denúncia, né? Então, acho que isso medo de retalhação, né? De retalhação, né? Então eu acho que assim, eh, são essas políticas que precisam começar a funcionar pra gente realmente capacitar essas pessoas e que elas conheçam realmente, né? Você pode denunciar, você deve, né? Então isso o CRE vem fazendo e aí a gente atende, né, essas 300 famílias dentro do CRAM e a violência sexual realmente precisa, né, de um de um olhar maior, né? Não é só agora no mês de maio a gente parar para falar sobre isso, né? Eu acho que é o ano inteiro a gente tem que falar, porque a violência não acontece só no mês de maio, né? Claro, né? Então é um pouco do trabalho do CRAM hoje que a gente vem desenvolvendo. Ótimo. Para você que está nos acompanhando, percebeu na resposta da Alessandra uma palavra que ela utilizou, violências no plural, porque muitas vezes para quem está acompanhando, né, e até no geral fica muito implícita a questão da violência sexual ou da violência física, só que outras violências acontecem também, a patrimonial, a psicológica. A gente vai abordar isso ao longo do nosso questão de ordem. Débora, o que que representa o Maio Laranja paraa cidade de Campinas? Qual que é a importância de discutirmos isso também aqui na Câmara Municipal? eh trazer uma reflexão, né, uma para esse tema pesado, doído para todos, mas eu acho que é importante, como a Alessandra muito bem disse, a violência ela ocorre todos os dias, o ano todo, todos os dias, em todos os locais, mas nós precisamos ter eh o a importância do maio é que a gente traz esses números, evidencia essa violência, traz informações de como denunciar os números. Então, a gente faz um debate e uma reflexão maior com a sociedade, né? É bom, é ruim falar, mas é bom falar porque eh os números estão aí para dizer, ela existe, precisa ser combatida e a gente precisa falar, a gente precisa tratar desse tema com a seriedade que ele que ele precisa, né? Uhum. Lembrando, como você muito bem diz, que não só a violência sexual, violência sexual normalmente eh vem acompanhada de outras violências, obrigatoriamente da violência psicológica, porque a violência sexual acompanha obrigatoriamente a violência psicológica, mas pode ter a violência física, a negligência, o abandono. Então, a violência de forma geral tem que ser tratada com debatida, tratada com a sociedade com muita seriedade. E e essa responsabilidade, o estatuto fala, né, que é dever de todos, né, zelar pela proteção integral das crianças e adolescente. Então, ah, não é dever do Conselho Tutelar ou da do CR só ou da escola ou da assistência, não. É dever de todos. Toda pessoa, todo cidadão tem o dever de denunciar maus tratos contra crianças, né? E como Alessandra falou, não precisa eh ser uma denúncia, você precisa dar o nome, às vezes você pode fazer uma denúncia pelo disquissima ou no Conselho Tutelar, mas o que a gente não pode, eh, Gabriel, é se calar, né, diante de uma violência contra a criança, porque a criança ela não sabe se defender sozinha. Então, se a gente não se cala, ela vai continuar sofrendo. E eu acho que isso é para mim, assim, é inadmissível uma pessoa saber que uma criança sofre a violência e ficar quieto, ficar com medo. Eu acho que a gente não tem o direito de ter medo nesses casos. É. E não precisa ter 100% de certeza. Percebeu que tá acontecendo alguma coisa, faz a ligação, vai averiguar. É uma denúncia. Você não tá já condenando a pessoa? E mesmo a lei garante isso, porque o estatuto fala, em caso de suspeita ou confirmação de maus tratos, o Conselho Tutelar deverá obrigatoriamente ser notificado. Ótimo. É obrigatório notificar. E você não vai, se for depois, olha, você fez uma denúncia, mas averigou e não era nada daquilo, não vai acontecer nada com o denunciante, nada. Não vai responder processo, não vai ser acusado, nada. Não acontece nada. Então, por isso que é importante que às vezes nós tivemos casos, e eu vou contar um caso que foi muito emblemático de uma criança que gritava demais. Uhum. E o vizinho do prédio denunciou. Sim. E a mãe foi lá, o menino tinha autismo. O menino tinha um autismo. E aí nós atendemos a mãe, fizemos um vários encaminhamentos pra mãe, né, para ajudar essa mãe, tudo que ele ele ele é um autismo eh grave, né, nível de autismo três. E ela aí ele foi atendido tudo e esse esse esse denunciante voltou no Conselho Tutelar porque ele fez a denúncia anônima e nós pudemos contar para ele. Ótimo. Aí ele falou: "Agora eu vou ajudar essa mãe, eu vou procurar e vou ajudar essa mãe". Então, eh, não, não tem problema de fazer a denúncia, sabe? Eu acho que eu o que a gente não pode eh se calar contra qualquer tipo de violência, seja contra criança, seja contra mulher, seja contra animais. Eu acho que a a nós, enquanto cidadãos, nós temos esse dever de inibir qualquer tipo de violação de de direito, violência contra pessoas e animais. Então é papel nosso, eu acho que assim, a responsabilidade, eu acho que o medo não pode nos dominar a ponto da gente se calar diante de uma situação dessas. É isso. A gente precisa aprender a viver em sociedade, né? Olhar sempre ao seu redor, no seu bairro, pros seus vizinhos, começa ali, né? Da onde é a nossa zona muitas vezes de conforto. E é o que tá na Constituição, né? é dever da sociedade, da família e do estado garantir com prioridade absoluta o direito das crianças adolescentes. Então é uma responsabilidade compartilhada, né? Todos os dias a gente tem essa, a gente acorda e sabe que a gente detém essa responsabilidade. Paula, e depois, Alessandra, a data, ela realmente chama a atenção da sociedade, ela é importante este mês de maio, deveriam acontecer mais debates neste mês? Como é que vocês enxergam o que é feito e o que deveria ser feito para este tema ser levado por toda a cidade? Alexandra muito bem colocou que maio laranja é todo dia, né? O dia 18 de maio é a data alusiva referente à questão do do combate ao abuso e exploração sexual, mas todos os dias a gente tem que ter essa esse dever, né? O CDCA tem ações focadas no mês de maio, mas a gente tem trabalhado muito também como que a gente consegue levar isso para outros meses. A gente sabe que o número de denúncias aumenta durante esse momento porque é um momento que traz muita visibilidade pra pauta, mas a gente sabe que isso não se restringe somente esse momento. Então a gente precisa ter ações continuadas para pensar ao longo do ano como a gente consegue tratar essas questões. Alessandra, e quais ações deveriam acontecer na cidade? Olha, eu acho que acho que a divulgação, né, eu acho que, né, os canais de de divulgação, aonde a pessoa pode fazer, né, acho que precisar, a gente precisa dar um pouco mais de atenção, porque realmente a gente tem pessoas que não sabe, tem medo, não conhece. Então acho que assim, isso o ano inteiro a gente fazendo, né, essas divulgações, isso ajuda muito, né, o CRAM, né, na região leste a gente vai estar nas escolas, né, já começou a fazer algumas palestras, tudo. Então o conto aumenta, porque durante uma palestra ali com o adolescente, com a criança, eles começam a trazer, ah, então acho que aconteceu isso, eu preciso falar com você depois, porque pode ser que eles nem saibam o que tem acontecido com eles, sim, né? Então isso assim ajuda então só no mês de maio fazer essas palestras nas escolas, né? Não, eu acho que tem que chegar mais, né? O ano inteiro tem que tá acontecendo. A gente tem que levar esse tema porque realmente éonde começa a aparecer e aí depois para, né? Se a gente pensar terminou maio, acabou, então não tem mais violência, né? Não. E a violência continua, né? Então acho que a gente precisa divulgar muito essa questão. Já que você falou de divulgação, deixa eu vou deixar aberto para vocês os canais. Às vezes tá acontecendo alguma coisa em casa, você conhece alguma coisa, para onde que essa pessoa liga? A gente já falou aqui do disque sem, que é do direitos humanos, mas isso é nacional. Vocês querem dar algum contato aqui da cidade de Campinas? Fiquem à vontade. Agora também tem 190, né, que as pessoas podem fazer as denúncias por lá. Conselho Tutelar também? Sim, é o Conselho Tutelar, o 190, 180, diz que 100. São todos canais eh de denúncia, né? pode pessoalmente, pode pessoalmente no Ministério Público, pode pessoalmente no Conselho Tutelar, o que não pode ficar quieto, né? Então, em caso de suspeita ou confirmação. E uma das das características, Gabriel, que é importante falar, né, que as pessoas saibam, é a mudança de comportamento da criança, né? Eu acho que a Alessandra, que é especialista nisso, ela pode falar um pouco sobre os sinais que a criança que tá sofrendo abuso, ela ela demonstra. Uhum. Né? Porque às vezes a pessoa fala: "Mas como que eu vou saber?", né? E às vezes a criança ficou mais quieta, começou a ficar mais eh introspectiva, introspectiva, meio deprimida e a mãe não sabe por que é que o filho, a filha, lembrando isso que às vezes as pessoas, muitas pessoas pensam que o abuso sexual é só com meninas. É. E não é. Muitos meninos são abusados sexualmente, só que eles são mais difícil de falar. Então, esse olhar atento na mudança de comportamento, na e essa conversa com os filhos, essa convivência, eu digo assim, diária, saudável, de perguntar como é que foi o dia, ai parece uma coisa boba. Ficar perguntando, vai ficar perguntando, não é coisa boba. Ou fala que é da idade, né? Ah, é daadeix, às vezes não é da idade. Então eu acho que a gente tem que ter assim, o olhar tem que tá mais atento. O olhar tem que estar mais atento. E os sintomas, eu gostaria que a Alessandra falasse, Alessandra, dos da do desses sintomas, desses sinais que a criança apresenta quando tá sofrendo violência. É, é assim, o que eles apresentam muito, né? Às vezes o adolescente em si, né, aquele adolescente que brincava, que corria, de repente começa já a usar um calor tremendo, uma roupa mais, né, fechada, não quer mais expor o corpo, né, na escola é aquele adolescente que fica de lado, né, a criança também, ela começa a se recuar, não quer ficar próximo dos amiguinhos, né? Eh, tem medo de uma conversa, essa professora às vezes vai conversar, a criança não quer falar. Então são sinais que a gente precisa ficar atento que a criança começa a demonstrar, o adolescente começa a demonstrar de que tá acontecendo. E se a gente tem profissionais capacitados, né, que fala: "Olha, esse aqui tá diferente, né? Ele começou a mudar o jeito, né?" Então é voltar esse olhar, né? Como a Débora disse, os meninos, né? Que são abusados. Hoje a gente também tem as mulheres que abusam, né? Dos filhos também, né? Não é só o homem e o, né? O abusador, a gente tem mulheres também, né? Então assim, quando a gente começa a mudar esse olhar, né, começar a olhar diretamente dentro da escola, né, lá na na primeira infância, né, aquela criança, ah, chegou com, né, algo diferente aí, né, é prestar atenção ou é chamar a diretora, chamar a coordenadora e avisar, né, não guardar e falar: "Ah, deixa ali, né, não tem problema nenhum". Mas as pessoas ainda têm esse medo da denúncia, tá vendo, né, que tá acontecendo, né, o idoso, até mesmo, né, às vezes a gente atende caso de idosos que assim os vizinhos estão percebendo que a família tá sendo negligente, que aquele idoso tá ali, tá apresentando sinais, mas a pessoa tem medo, né? E não precisa ter medo de denunciar, né? A denúncia anônima é muito tranquila em fazer, né? Entrar no disc, ligar, fazer, é muito tranquilo isso, né? Então são sinais que eles começam a apresentar, né? Aquela criança, ela se retrai, não quer conversar, fica ali no cantinho. Às vezes o toque de outra pessoa, ela chora, né? Porque ela tem medo, ela não quer que outra pessoa, né? Na hora do banho, principalmente em crete, que, né? As crianças precisam passar, às vezes é aquela criança que vai chorar, que vai apresentar sinais de que assim o outro tem que estar atento, né? O profissional que está vai ter que ter uma atenção maior em relação a isso. Ótimo, Débora. E depois, Paula, eh, principalmente, então, este olhar, ele precisa acontecer dos pais, né, que estão dentro de casa ou do dos responsáveis dessa criança. Mas eu acho que daí a gente consegue ampliar isso, né, paraa escola, o professor no dia a dia conhece muito bem os alunos. Muitas vezes essa criança, esse adolescente frequenta a igreja, os amigos que estão próximos dele também. Então, este olhar ele precisa ser amplificado, né? Sim. a a escola, Gabriel, é um local, principalmente as creches, né? Eh, eu me lembro muito dos casos que era encaminhado pelas creches de abuso sexual, porque a criança pequena, primeira infância até os 3 anos, como ela não sabe o que o que aquilo que ela tá vivenciando é uma violência, ela costuma reproduzir com outras crianças os atos, os abusos que ela sofre. E a creche eh percebe, o professor da da creche, o monitor, ele percebe com muita tranquilidade isso e comunica o conselho. E isso é importantíssimo, esse olhar. Como Alessandra falou, a criança que sempre era amorosa, carinhosa, vim abraçar, vai, quando você vai abraçar começa não querer mais um abraço, carinho, demonstrações de carinho. Então, as osques, né, que atendem no contraturno, por a criança que que sofre violência, ela sempre vai se abrir com uma pessoa que ela tem vínculo. Uhum. Que ela tem ela tem confiança. Sim. Então, às vezes é com alguém da família, às vezes é com professor, às vezes é aquela tia lá da da OSK, da ON, né, que o pessoal fala que fica com ela no período da tarde. Eh, às vezes é um um cozinheira, né, que faz, né, a faxineira. Sim, sim. É aquela pessoa que a criança, porque chega um momento que ela não consegue mais segurar e aí ela fala ou se ela não fala, ela demonstra. Uhum. Ela deixa transparecer na mudança de comportamento, às vezes se retraindo e às vezes aquela criança que era tranquila e se torna agressiva do nada. Sim. Sim. Uma criança que era calma, amorosa, amigável, se torna agressiva, começa do nada a ser extremamente agressiva na fala, começa a ser agressiva nos atos. Então essa mudança de comportamento tem que acender um alerta na família e nos profissionais, né, que que convivem com essa criança ou com esse adolescente. Aí se aproximar e, né, não adianta forçar, porque eles não vão falar se forçar, mas e essa essa aproximação, essa conversa até conseguir entender o que que tá te incomodando, né? Porque é um, eu falo que é um pedido de socorro. É lógico, é um período de socorro. não direto, mas indireto, né? Então, a gente tem que estar atento para socorrê-los a tempo, né, dessas violações. E a e a escola eh é um local, eu digo que hoje as crianças às vezes ficam mais com o professor do que com os pais, né? Período integral, principalmente 4, 5 horas, no mínimo na escola, né? Às vezes o pai e a mãe chega no final da tarde cansado do trabalho, prepara aquela mesa, serve a janta, vão dormir e fica lá 2 horas, nem às vezes nem isso, é, né? Mais no final de semana, mas o professor ele tá ali todos os dias, então ele tem essa eh ah, mas o papel do professor é é ensinar. Não, não é o papel do professor. Eu sou professora, eu sou, fui professora de educação física há mais de 20 anos e muitos casos eu levei a direção, porque o professor de educação física tem esse olhar do corpo mais geral, porque a gente tá em contato ali no ambiente da quadra, tudo. Então a gente, eu levei vários casos de de violência, como Alessandra falou, marcas, hematomas, eh violência sexual, porque professor de educação física é muito amigo do aluno, então eles conversam mais descontraído e acaba. Então é um é um ator muito importante dentro da escola. Ótimo, né? Eu acho assim, basta a gente saber o nosso papel na sociedade, seja onde for. Uhum. Seja quem for, desde da do porteiro da escola até o diretor da escola, eu acho que todos têm o mesmo papel dentro da escola, que é educar de forma completa paraa cidadania plena, para saber o que é dever, o que é o que é direito e para que a gente deixe pra sociedade pessoas de bem, né? E essa e para a violência gera violência. Sim. Se a gente quer uma sociedade melhor, a gente tem que inibir a violência. E e essa violência na infância, ela deixa marca pro resto da vida. Essa pessoa vai e eh via de regra, quem vivencia a violência, ela vai reproduzir a violência. Raramente é diferente disso. Então quando a gente corta esse ciclo, que é esse o papel, por exemplo, do crame, né? trabalhar com essas famílias para cessar esse ambiente violento, cessar a violência para que a gente deixa deixa a sociedade cada vez melhor, as pessoas uma convivência saudável, uma família saudável para cada vez a gente ter tentar diminuir esses números. Quem sabe o ano que vem, né, a gente veja números menores aí, porque é difícil a gente se deparar com a com esse aumento. Sempre o mesmo cenário, né? Sempre aumentando. Eu fico assim ainda falando: "Meu Deus, onde a gente tá errando?" Uhum. né, Paul? Quero ouvi-la também. Eh, acho que a vereadora colocou muito bem e essa fala que ela trouxe sobre a questão da da infância nos acompanha a vida toda. Tem até um ditado que diz, né, a infância nos acompanha a vida toda. Então, como que a gente lida com isso? Uma vez que o fato aconteceu? Eu acho que assim, esse olhar pedagógico que os professores têm agrega muito, porque quando a Alessandra fala sobre os sinais, quando a gente pensa crianças que você compara ali com os colegas e de repente alguma criança tem algum conhecimento mais avançado do que é esperado pra idade dela, então esse olhar é importante para ter, né? Porque a gente sabe que hoje em dia com as redes sociais, de fato, as informações chegam nas crianças muito antes do que em outros tempos chegavam. Mas às vezes não foi ali pela internet que a criança aprendeu alguma coisa. Às vezes tem alguma influência ali do contexto que ela vive e que o pedagogo, a professora, o professor consegue ter a análise para fazer o comparativo de ver como essa criança era, como ela é e como são os colegas, né, como é o contexto como um todo. Então acho que esse olhar pedagógico é fundamental para conseguir chegar no que da questão. Eu ia entrar na questão dos dados, mas a Paula levantou uma questão muito importante das redes sociais. Então, quero ouvir a Alessandra e depois a Débora. Essa é uma questão que nos últimos tempos eh tem ganhado muita atenção, porque o acesso à internet tem cada vez mais sendo facilitado, seja na época da pandemia por conta da educação em que não podia ir pra escola e foi fornecido um material, mas seja pelo poder econômico também da família. Celular hoje em dia se tornou um item muito importante. A gente se comunica, ele facilita muito, né? Ele encurta as distâncias. Então, a gente sabe que dentro de casa os aparelhos estão presentes e muitas vezes as crianças acabam tendo acesso e adolescentes também. Esse é um fator muito importante que os pais responsáveis precisam estar atentos e o acesso da internet em função deles. Sim. Eh, eu acho que a importância dos pais acompanharem, né, o dia a dia dessa criança com um celular, com esses acessos, porque assim, a gente teve até um caso de uma criança dentro de uma oficina, a oficineira veio conversar comigo e dizer, ela tá acessando eh sites de de lutas, tem muita coisa de sangue, tudo, né? Você consegue chamar essa mãe, conversar com essa mãe e alertar, né? Porque ela falou assim, durante a oficina eu tenho percebido que essa criança, né, ela fala muito desse site, ela mostra e aí em uma das salas da criança é eh um dia eu vou matar minha professora e falou pra oficineira, né? E aí quando eu sentei com a mãe para conversar, ela falou: "Não, mas eu acompanho. Só que às vezes ela pega escondido, eu não vejo e também eu não vou depois no histórico para buscar o que ela tá acessando, né?" né? Ela falou: "Às vezes à noite ela quer ficar até um pouco mais, eu deixo, mas eu nunca paro para isso." E aí ela falou: "Não, eu vou a partir de agora começar a acompanhar e ver". E aí depois ela falou: "Olha, Alessandra, depois conversando, né, com a minha filha, tudo, ela ficou muito brava. Por que que a oficineira foi contar que era um segredo isso daí?" Nossa, né? Então, realmente é isso, né? As crianças acessam, elas fazem isso, mas não as os pais às vezes por aquilo, ah não, eu vi, tava ali fazendo um joguinho, né? Não prestei atenção, mas se se os pais não acompanharem aquele momento ali e não ficar, eles vão acessar, eles vão ter amigos, né, de outros lugares que vão demandar aí coisas aí, né, que nem ela falou: "Um dia eu vou matar minha professora". A gente não sabe quem era essa pessoa que tava conversando com ela, que tava dando essas dicas, né, para ela, o que que fazer. Então, acho que é muito importante, né? E eu acho que a rede social hoje ela faz uma diferença grande, porque todo mundo tem acesso, né? Todo mundo tem, né? Então, e a criança e o adolescente em si, eles vão acessar mesmo, né? Tô ali. E são mais rápido às vezes do que a gente, né? Porque quando a mãe chega perto, já mudei de sala, né? Já mudei de já muda a já. [risadas] Enquanto a gente tá tentando mudar, eles já mudaram, né? Então eu acho que isso é um ponto importante, sim, que a gente precisa, né? Trabalhar com esses pais, com esses responsáveis, dessa responsabilidade, né? do acesso até onde a criança pode, o adolescente pode acessar. E aí, Débora, proibir é muito difícil, porque às vezes, muitas vezes, ela faz até a lição de maneira online. Aham. E aí, como é que fica essa questão de acesso, o que que elas estão acessando? Com quem que elas estão conversando, até onde o pai ele pode ir ali nessa conversa com a criança e ficar olhando onde ela entra? A responsabilidade dos pais, nesse caso, Gabriel, é imensa. O o que os pais têm que ter em mente, o responsável, os pais, é que o o celular é o mundo na mão da da das pessoas, da criança, do adolescente. Ali ele acessa o que ele quiser. É o que a gente quiser tá na palma da nossa mão hoje. E você é como você dar uma arma na mão de uma criança. Então, se você não tiver uma vigilância e saber o que o seu filho tá cessando, é uma irresponsabilidade imensa. Sem falar que na rede social as pessoas só postam que é bom, né, da família, de da vida deles. Só posta. Ninguém posta quando você tá com espinha descabelado, a hora que você levanta, ninguém posta os problemas. Todo mundo. [risadas] É a família doriana lá, né? Isso de Margar. Aí nós adultos, nós temos maturidade para saber que a vida não é assim. Uhum. Só que o adolescente, a criança, ele começa a ver aquilo, ó, meu amigo viaja, ó, meu amigo assim, olha, olha que bonita que ela é, aqu Isso vai fazendo um mal pra saúde mental. Sim, porque eles não têm o princípio da realidade. Uhum. Não é a toa que a gente vê hoje números absurdos de tentativas de suicídio e suicídio entre adolescentes, automutilação, porque eles não sabem lidar com a rede social. Eles precisam adolescente e criança grande. Ponto. As pessoas, ai já tá grande, não é? Adolescente é criança grande, tá transitando entre a a infância para a idade adulta, precisa ser também supervisionado. E aí que os pais erram. acha que ah, ele já tem, mas não tem maturidade. Não tem maturidade. Precisa e eles precisam, Gabriel, o que os pais precisam entender é que criança que tem pai e mãe chato, que vigia, que põe regra, que põe limite, que acompanha, que olha, que pergunta, que cobra, cresce com autoestima boa e cresce seguro, porque a criança ela te testa o tempo todo para ver que você tá mandando nela. Uhum. para ver se você tá se preocupando. Sim. Quando você deixa, ela vai se sentindo abandonada e aí ela vai buscar na rede social, na internet, ex, entendeu? Então a criança ela precisa de regras e limites bem postos, bem colocados e o adolescente também. E a rede social tem sim que ser supervisionada, tem que ser olhada, tem que ser fiscalizada pelos pais. O abusador tá ali. Quantos casos de meninas e meninos que saíram para um encontro e não voltaram? Uhum. Por conta de internet, por conta de rede social. Sim. Quantos casos de morte de adultos, Gabriel? Tem dúvida? Adultos que marcam encontros amorosos. A gente cai em golpe direto em rede social. Imagina em criança, adolescente agora. Imagina uma criança. Então é uma responsabilidade enorme você não vigiar. Tem que vigiar, tem que olhar, tem que eh deix, lógico que hoje todo mundo, como você falou, o o todo mundo tem um celular, hoje ele é ótimo porque sabendo usar ele é excelente, mas não dá para deixar assim acesso livre, porque o mau caráter, o bandido, o malfeitor, o pedófilo, o o violentador, ele tá ele está nas redes sociais atuando com muita tranquilidade. Então a gente precisa estar muito de olho. Painel de dados da Ovidoria Nacional de Direitos Humanos 2025 em Campinas pelo disque sem 1007 protocolos de denúncias, 3.240 denúncias e 20.275 violações. Paula, que análise dá para fazer sobre esses dados? É, a gente pode concluir é que os números de denúncias, como a vereadora bem trouxe, continuam crescendo. Eh, o que choca também para além do número de denúncias é o número de violações. Então, quando a gente fala do número de direitos violados, é muito chocante. Então, numa denúncia, uma série de direitos podem ser violados. Então, a gente não tá falando só de abuso sexual, a gente pode estar falando do abuso psicológico, de outros tipos de abuso, que a criança tá sendo vítima numa mesma situação. Então, é um trabalho muito extenso que tem que ser feito para lidar e acompanhar, né? Porque uma vez que você recebe a denúncia, não é só ah, passa pro próximo, né? Não é um trabalho de continuidade. Então, uma vez que chega naquele ator, o ator que recebeu, tem que ter um encaminhamento e também ter a continuidade daquilo até que o ciclo de fato se feche. Mas sabendo da complexidade da situação, a gente sabe que a rede nem sempre consegue estar tão bem articulada para conseguir dar conta de toda essa demanda. Quero ouvir todo mundo agora. Eh, olha esse dado do cenário de violação. Casa onde reside a vítima e o suspeito, 2323 denúncias e 15.425 425 violações. Depois, números bem inferiores. Só na Casa da Vítima, 332 denúncias e 1784 violações. Instituição de ensino, nós tivemos 207 denúncias e 1017 violações. E depois vai na Casa do Suspeito, em via pública e em estabelecimento comercial. Alessandra, a dificuldade estar neste ambiente que é difícil de ter acesso, que é a residência do suspeito e da vítima. Sim, no caso da violência sexual é mais difícil, né? Porque quando a equipe chega para fazer o atendimento, em alguns momentos, né, a mãe tá ali, às vezes ela já dá um sinal, tipo, não dá, ele tá lá dentro, você não pode entrar, né? Eh, a criança às vezes ela quer falar, ela quer trazer o adolescente aquilo do que tá acontecendo, mas não consegue. Eles vão até o atendimento, né? Porque aí quando a equipe ela presencia que ela percebe que tem algo ali estranho, né, naquele momento. Então, o convite é feito para ir pra instituição. Em alguns momentos, o agressor ele vai junto, hum, né? Ele acompanha, ele quer saber o que tá acontecendo, né? Então isso é difícil. Então assim, a violência sexual ela acaba sendo mais difícil nesse caso, né? A violência física em alguns momentos, né? A mãe tá junto, que às vezes a gente sabe que a mãe que foi lá e bateu por algum motivo, alguma coisa, negligência psicológica, mas a violência sexual, o agressor em si, ele às vezes ele vai junto, ele quer saber o que tá acontecendo, ele fala que não é nada daquilo. Por mais que a equipe marque um outro dia para conversar com ele e explicar porque eles eram encaminhado, né? ele não aceita, né? E aí neste momento que ele não aceita, ele ameaça às vezes a equipe, ameaça a instituição falando que não é nada disso. E, né, às vezes a mulher ela até, a família ela some do atendimento porque ela tá sendo ameaçada ainda. Então, com o agressor em casa, a violência sexual é muito difícil, né? Então, eu acho que também são políticas que precisavam cuidar desses agressores, né? Porque em e o que acontece, né? a violência sexual, se ela tá ali acontecendo, em algum momento a gente vai ter que retirar essa criança, né? Vai ter que encaminhar para um acolhimento e ele vai continuar ali, né? Então assim, você tá tirando a criança do seu lar, da sua convivência, da escola, dos seus coleguinhas, tudo você vai encaminhar para um, né, para um acolhimento e ele vai continuar ali, porque com a vida dele normal, de outros, vi, sim, então é difícil. Analisando a faixa etária das vítimas, até 6 anos são mais meninos e depois disso mais violações em meninas. No total deu 43% em meninos e 47% em violações em meninas. São números muito próximos, mas dá para perceber aí que a violação ela é muito grande, né? É, Paula e Débora. É, mas isso eu acho que são números gerais de violência física, eh psicológica, negligência, abandono e violência fatal, né, que são as cinco violências que a gente tem aí padronizadas, vamos dizer assim, mas a sexual ela ainda é muito maior nas em meninas, em números de denúncia, tá? Porque eu acredito, Gabriel, que a subnotificação ainda é muito grande das denúncias de abuso sexual, não só de de abuso sexual, de todo tipo de violência. É por medo ou por não saber onde denunciar? Eu acho que as duas coisas, eu acho que muito é é a questão da omissão. As pessoas por medo acabam não denunciando por uma questão que ainda cultural de ah eh cada um no seu canto, a vida deles, eu não vou me meter. Fala aquela que briga de marido e mulher não se mete colher, ainda se fala essa besteira, porque por isso que as mulheres estão morrendo, continuam morrendo. Então, eh, tem essa cultura ainda de não denunciar, tá? né, de não denunciar e e medo também, porque as pessoas um ambiente violento, a pessoa tem medo, porque Alessandra falou, eu vi muito isso no conselho, né? Eu não fui ameaçada uma vez, eu fui ameaçada muitas vezes pel por, principalmente por agressor sexual, porque eles não aceitam, eles negam veementemente, eles querem te provar que não é verdade. Eles vão no atendimento, eles não querem que a criança entre sozinha. é uma das características do agressor sexual. Eles são extremamente controladores. Eles não deixam a menina ir em festas, não deixa ter amigos, não deixa participar de festa na escola, não deixa eh não eh sabe, ele ele quer um controle da vítima com medo que ela conte porque também ele tem um tipo de de eh possessividade sobre aquela criança ou aquele adolescente. Então, eh esse perfil é muito claro. Uma das coisas que eu vi funcionar no no Conselho Tutelar e eu acho, dou sempre essa dica pro pros profissionais, se é que eu posso dar dica para alguém, mas assim, os os casos que eu consegui afastar a criança que supostamente era vítima da família, por exemplo, o caso de um menino que há muitos anos chegavam denúncias que eles eram abusados pelo padrasto. Eles estavam desde os 5 anos chegando denúncia no conselho. Ele já tava com uns 13 anos. Nossa. E a gente nunca conseguia elucidar, nunca conseguia. Esses meninos, eles negavam, negavam, negavam, negavam. Aí eu eu tive uma, eu falo que foi, foi uma direção de Deus, porque não só pode ter sido. Eu liguei pro pai de um deles e perguntei se podia ficar com ele, porque tava chegando muita denúncia. Não abria a denúncia para porque senão o pai pode ir matar, né, o o infeliz que eu vou falar, né? Uhum. Mas eu afastei esse menino e ele foi morar com o pai. Dentro de uns dois meses, nem dois meses, Gabriel, o pai chega de manhã no conselho com o filho. Débora, preciso conversar com você. Eu falei: "Não, vamos, né?" Já pus eles para dentro da sala. Aí o pai falou: "Ontem o meu filho teve uma crise compulsiva de choro. Ele chorou umas duas horas dela. Ele não falava, ele só chorava. Ele não, ele não chorava, ele urrava dentro do quarto encolhido assim, acho que quase como uma posição fetal, pelo que o pai falou falou, mostrando assim para mim. E ele gritou, ele chorou, chorou, chorou e eu achava que é porque ele queria ir embora pra casa da mãe. Depois que ele se acalmou, que ele chorou, eu fal, fui conversar com ele, o que que tá acontecendo? Você quer voltar para casa da sua mãe, né? E aí ele falou que ele vem sendo abusado pelo padraço desde que ele era bebê. ele e o irmão. Então, quando ele se sentiu seguro longe do agressor com o pai, que eu acho que ele se sentiu seguro com o pai, que ele tava num ambiente seguro, ele sentiu que o pai tava ali do lado dele, ele conseguiu falar. E a mesma coisa aconteceu com uma menina que o padrasto abusava. Eu não esqueço da dele atrás da cadeira dela, assim, eu falando com a menina, ele atrás. E eu fiz a mesma coisa. Essa menina foi para para uma cidade aqui da região, na casa do pai, e foi o mesmo quadro, Gabriel, igualzinho. Dentro de uns um mês, mês e meio, dois meses ou algo assim, vem o pai com essa menina e [roncando] fala: "Débora, ontem ela chorou muito, chorou muito e me contou que ela tá sendo abusada sexualmente." Então, por quê? Porque você afasta do agressor, porque a criança também cria um vínculo, por incrível que pareça, cria um vínculo e tem e tem medo também, porque eles falam: "Eu vou matar tua mãe, eu vou matar a família inteira". São ameaçados, ameaça. Eles vivem sobre um uma um ambiente de ameaça. Então, às vezes você tirando ele daquele ambiente, colocando em segurança, eles falam: "Mas é sempre muito muito triste". E como eu sempre falo, ó, dentro de casa, o o não tá escrito, Gabriel, não tá escrito, é que que é abusador. Então, por isso que eu falo, tem que tomar cuidado. A, às vezes a gente fala assim que nós que trabalhamos com essas violências, a gente fica meio neurótica, né, Alessandra, com os filhos, porque a gente vê situações que a gente fala: "Meu Deus do céu, né? Eu lembro de um caso que um avô foi denunciar o genro que denun que que tava estranho, que a menina isso que a menininha aquilo. A menina tinha 5 anos e nós encaminhamos na época, eu acho que foi pro Crâme. O Cram que começou a atender essa criança para saber se o que se a denúncia realmente era real. E na verdade a menina nos atendimentos acabou contando dos abusos e era o avô. Nossa. E o avô foi denunciar o pai porque ele queria a guarda dela para continuar os abusos. Então você vê como é uma coisa doentia, maquiavélica. As famílias têm que ter cuidado com as crianças, tem que estar com os olhos muito abertos, muito atentos o tempo todo, porque até aquele que se diz o protetor, né, da precisa ter desconfiança, né? tomar cuidado. E e quando a gente fala nessa questão de, ah, porque às vezes a denúncia não é feita, né, tá vivendo uma subnotificação, a gente também tem que considerar que nessas ameaças às vezes tem a questão do controle patrimonial. Então, se o provedor também é o abusador, ele pode ameaçar, né? Ah, você não vai ter comida, vou vou abandonar a família. E aí numa dessas a a família às vezes até sabe quantos casos no Brasil não acontece da família que sabe que o caso acontece, mas que se omite porque a pessoa tá provendo ali para casa, então a pessoa acaba se sujeitando a aceitar aquela situação e não faz a denúncia, né? E tem também os casos que eu vi inúmeros, Alessandra também pode falar sobre isso, de mães que abandonam a a filha, purificam com o agressor e negam, falam: "Não, ela que seduziu o meu namorado, ela que seduziu o padrasto, ela que seduziu, porque ela que se insinuava." E são histórias, Gabriel, que eu falo que é bom a gente falar que as pessoas não têm ideia do que acontece, né? Eu acho que eu gosto de dar exemplos porque as pessoas ficam mais perto da realidade, né? Dudo que a gente vivenciou, vivenciou e a Alessandra até hoje vivencia. Mas ah, quantos casos da menina chorar desesperada na frente da mãe pedindo pelo amor de Deus, mãe, fica não é isso. A gente ter que acolher a criança num serviço de acolhimento ou mandar pra família extensa e a mãe sair com o agressor da sala do do Conselho Tutelar embora. E essas coisas assim, eu falo, por isso que eu fico muito brava com a questão da impunidade. Uhum. Porque eu acho que essa mãe devia responder criminalmente por ser conivente e esse agressor também ser preso os dois. Como que a gente deixa na sociedade convivendo aí? Porque não pensa você que você tirou, como a Alessandra falou, a gente revitimiza que além dela ter vivido, sofrido a violência, sofrido toda essa essa essa esse horror, ainda a gente tira ela do ambiente familiar dela e leva para um serviço de acolhimento longe da família. Ela perde os irmãos, ela perde convivência com com a família, com a escola, com tudo por e o agressor continua e não pensa que ele vai parar, ele vai continuar abusando de outras crianças. Isso precisa ser mudado gente, sabe? É, eh, essa lógica da gente, a, a a o estatuto fala que a gente pode pedir o afastamento do agressor do lar e a gente, quando a mãe concorda, a gente pedia até via juízo. Se ele não saía por bem, a gente pedia via juízo para tirar, né? Mas aí envolve tantas outras coisas. A questão que a a Paula muito bem disse, às vezes essa mãe não tem renda, aí ela fica às vezes quieta porque ela não tem depende do financiamento. E ele fala isso todo dia. É, vocês vão ficar aí com fome, vocês vão morrer de fome, eu vou vir aqui, vou matar todo mundo. As histórias são assim as piores que vocês possam imaginar. Então, por isso que eu falo que a gente tem que primeiro, eh, eu sempre eu vou morrer falando isso. Eu acredito que o que funciona é prevenção. É não deixar não ter espaço para acontecer a violência, não deixar acontecer a primeira violência. Isso é o que funciona, porque depois que a violência se instalou, é um estrago tão grande que a gente custa, o CRAM tá aí para para dizer para dizer o que custa para você conseguir eh cessar esse ciclo de violência, dar uma nova vida, né, para para essa criança. Quer compartilhar algum caso, Alessandra? Olha, teve um caso que eu antes de ser coordenadora geral, tava como assistente social e foi um caso de uma tia que abusava da criança, do sobrinho. Então, chegou como violação de direito falando que era negligência da da madrasta. E a gente começou a atender essa madrasta, atender o menino e depois foi chegando o pai. E essa criança ela começou a trazer que acontecia alguma coisa nos finais de semana na casa da tia. Então, que a tia dava doce, que a tia falava que ele tinha aqui todos os finais de semana para lá, que era o combinado e que não podia contar nada o que acontecia pro pai. E aí a madraça começou a perceber, né, de que ele voltava diferente, que ele, né, a forma como ele estava agindo. E aí em uma conversa com esse pai, ele trouxe, ele falou: "Eu estou começando a lembrar que eu passei por isso com ela, né? Eu perdi minha mãe cedo e quem cuidou de mim foi essa tia". Uhum. E ele falou: "E eu tenho lembranças dela fazendo isso comigo. Ela abusou de mim também, né?" E aí quando a gente conversa com ele, traz isso para ele, como que vai ser agora, né? Ele falou: "Não, para lá ele não vai mais, mas eu vou conversar com as minhas primas para falar". E aí ele trazem um atendimento que assim que a prima falou: "Não, mas minha mãe já tá idosa, você não pode denunciar minha mãe, você não pode fazer isso. Por mais que ela esteja de errado, você não pode fazer isso. Você vai querer ver sua, né, a sua mãe também, porque ela foi sua mãe, ela cuidou de você, né?" Então assim, ele falou: "Olha o quanto é difícil também, porque assim, ela cuidou de mim, ela teve lá, mas eu tô lembrando do que ela fazia comigo e ela tá fazendo com meu filho agora". Nossa, né? Então assim, o quanto era difícil também foi trabalhar com ele, né, conseguir, né, trazer ele de volta para essa realidade e dizer, você não vai denunciar, mas o que que você vai fazer para proteger seu filho a partir de agora, né? Será que ele vai entender que ele não pode mais ir pra casa dessa tia, que essa tia dá doce, que essa tia traz tudo isso para ele, né? Então assim, eh, o quanto é difícil, né, pro outro também entender. E ele só foi entendendo quando a gente começou a trazer a história, né? Olha, a criança tá trazendo isso, ela tá falando isso. E aí ele falou: "Não, agora eu consigo entender porque eu passei por isso, eu fui violado por ela também, né?" Então é muito difícil, muito complicado. Ô Paulo, a gente tá falando de uma cidade como Campinas, que é uma metrópole, mais de 1 milhão de habitantes. O CMDCA, ele consegue estar presente, por exemplo, em bairros periféricos? Existem ações que são realizadas em escolas, em igrejas? Como é que é um pouquinho este trabalho longe aí do do centro da cidade? Então, no CDCA, a gente tem uma comissão que olha especificamente para essa questão, né, do enfrentamento à violência à criança adolescente. E nessa comissão a gente tem a participação dos cinco territórios de Campinas. E aí então a gente tem a participação dos CRAS, dos CREAS, das oscas que estão nos territórios para que sejam pensadas as ações descentralizadas. Então, os territórios têm autonomia para propor ações que vão ser custeadas com recurso do fundo, que é do conselho, para que eles consigam viabilizar essas ações para chegar na ponta de fato, porque eles conhecem o entorno, conhecem o bairro, conhecem a comunidade e sabem como comunicar, quais ações são mais interessantes. Então, ao longo desde o mês de abril até junho, a gente tem ações mais enfáticas voltad pro Maio Laranja, que a gente pensa ao longo do ano, mas também dando muito mais ênfase nesse momento. Então tem desde cine debate, roda de conversa, saral, passeata, ótimo, uma série de ações que são feitas de forma descentralizada, porque a gente entende que não faz sentido o CMDCA concentrar essa essa tarefa, já que os territórios sabem qual é a realidade deles, quais ações fazem mais sentido. Então, nas passeatas, por exemplo, a gente tem a participação de vários atores, a gente tem também eh trio elétrico, é feito de formas que ficam fiquem lúdicas também, né, para que o público se engaje e que ao longo de todo o mês a gente tem a participação. Então, inclusive agora nesse momento a gente tem no site do CMDCA todo o cronograma de ações previstas para esse momento que foram pensadas e estão sendo realizadas pelos territórios. Isso é importante, né, Débora, porque é claro que isso pode acontecer em qualquer lugar da cidade, mas em áreas que são mais vulneráveis, em que o poder público tem dificuldade de chegar, que essa pessoa ela muitas vezes já se sente marginalizada, aí precisa fazer este trabalho para você tentar aproximar ainda mais, né? É, esse trabalho que as escolas e as OSCs fazem é fundamental porque eles estão lá no território, lá na comunidade, né? Eles conhecem as pessoas, eles acessam mais fácil. Então, para eles levarem essas informações é muito mais fácil, muito mais rápido e muito mais eficiente. Porque as pessoas eh basta a gente pensar, a gente a informação que você tem de alguém que você conhece, que você já tem um vínculo, que você confia, você presta muito mais atenção do que um estranho te passar uma informação. Então esse trabalho que eles fazem, eles fazem passeata nos bairros com as crianças, com faixa, fazem palestras falando da da questão do 18 de maio. Isso é muito importante porque a informação ela vai reverberando, né? Faz no território noroeste, faz no sul, no norte, no noroeste, faz toda a região de Campinas, todo mundo agora nesse mês ele faz ações descentralizadas e muito importantes, cada um no seu espaço, para que essas informações cheguem de canais de denúncia. de comportamento do agressor, de cuidado, de proteção, tudo isso que a gente tem falado aqui hoje. Olha só quantas informações importantes e por isso o programa passou rápido. Débora, pra gente poder encerrar na minha abertura, eu fiz até alguns questionamentos, né, na sua visão, é, a gente precisa melhorar a questão de educação, a questão de punição, políticas públicas, o que que falta pra gente diminuir muito esses números mais políticas públicas, eu acho assim, por exemplo, o CRAM, o CRAM é um um serviço, Gabriel, extremamente eficiente, extremamente competente. equipes assim que fazem um trabalho. Eh, nos 12 anos que eu tive ali no conselho, eu pude eh, acompanhar e constatar. Eles têm têm resultados muito bons. Ela falou hoje para nós que eles estão em apenas duas regiões de Campinas, região leste e noroeste e a região sul. Uhum. E a região sudoeste e a região norte. Nós temos CRAS, temos, mas não é suficiente. Nós temos os CRAS, mas não é suficiente. E eu tô falando de proteção básica. Crasça é proteção básica, que é o que funciona. Nós estamos muito abaixo do que é indicado pela legislação, pelos. Então, nós tínhamos que ter mais Cras, porque o CAS, a assistência social, a dupla psicossocial, tá ali no território acompanhando de perto as famílias. Se a gente tivesse números eh ideais de Cras de CR nas regiões, com certeza esses números diminuiriam. Se nós tivermos uma punição maior a esses agressores, não só do abuso sexual, a gente não pode admitir nenhum tipo de violência, mas eu costumo dizer que esse país é o país do não danada. Aqui não dá nada, Gabriel. Político rouba não dá nada. Violência, cara, mata, atropela, bebe, dirige, mata, não dá nada. Entra na casa das pessoas, assaltam, mata, não dá. Aqui é o país não dá nada. Por isso que a violência só aumenta, por isso que a impunidade ela precisa acabar. As a lei tem que ser rígida. As pessoas têm que pagar por aquilo que elas fazem de mal. As pessoas têm que ter eh convicção de que vão responder poros seus atos. Enquanto não mudar essa realidade do Brasil, não é de Campinas, é do país. Essa realidade tem que ser mudada. Enquanto não tiver punição, o país vai continuar sendo esse país do não danada e que o crime compensa. O Brasil hoje é um país onde o crime compensa. Eu eu tô cada dia mais desacreditada porque eu vejo que aqui o crime compensa. Esse país é bom para bandido, sabia? Esse país é bom para bandido, paraa gente que trabalha, paga as impostos, faz tudo certinho, o Brasil não reconhece. Agora aqui tá todos os jornais, o crime compensa. Mas eu quero deixar um convite também, Gabriel. Só tava pedindo pro João mandar o dia aqui que nós vamos ter a reunião do maio de da Comissão da Pessoa com Deficiência, tá? Olha, vai ser no dia 21/05, das 10 às 12, e nós vamos falar sobre a violência sexual contra pessoas com deficiência. Ótimo. Que é um número absurdo também. Como a pessoa com deficiência, ela é mais vulnerável ainda. Uhum. Elas sofrem, elas são muito mais fáceis de ser abusadas sexualmente. Alessandra deve ter até números, né, Alessandra? Mas é muito grande o número de de crianças e adultos com deficiências abusados sexualmente dentro de seus lares. Já passa pra gente, Alessandro. Eu não vou ter aqui não, mas dia 21 votar junto com a Débora. Eu não tenho número também, mas é absurdo, sabe? Então nós vamos tratar desse tema. Alessandra vai est aqui conosco no dia que ela vai vai falar sobre especialmente sobre esse tema, porque também é uma grande preocupação, porque aí a a crueldade ainda é maior, né? Sem dúvida. ainda é maior. Débora, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui de grande valia pro nosso telespectador, de toda a experiência que você tem eh na área do Conselho Tutelar, nesse cuidado com as crianças, com os adolescentes. Já faço um novo convite para você retornar aqui aos nossos estúdios para falar sobre este assunto, que seja num cenário melhor, mas também sobre outros. E fica aberto as suas considerações finais. Eu agradeço, Gabriel. Eu acho que é um tema que sempre me deixa muito incomodada. Eu fico muito triste de falar todos os anos, mas a gente tem que falar, tem que tratar. Eu agradeço muito, agradeço muito a presença da Alessandra, da Paula, com as contribuições dela, de vocês e quero desejar uma boa tarde a todos. Muito obrigado. Paula Karine de Souza, presidente do CMDCA, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente também. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir até os nossos estúdios, participar do nosso programa, informações de credibilidade, de grande valia para quem está nos acompanhando. Também já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Eu agradeço o espaço, é sempre uma honra tá podendo representar o CMDCA. A gente sabe, né, vereadora, que a caminhada é muito longa, a gente tem muito trabalho pela frente, mas felizmente nós temos uma rede com pessoas muito engajadas e eu acredito que a gente tá caminhando para um futuro mais positivo. Ótimo. Alessandra Saldanha, coordenadora Geral do CRAM, que é o Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na Infância, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. É, os casos que foram trazidos ajudam, né, para quem está nos acompanhando a entender o que acontece na cidade de Campinas, mas é um reflexo do que acontece em todo o país. Já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Agradeço, né, o convite da Débora de estar aqui. Agradeço estar com a Paula também, né? Eh, e eu acho que a luta continua, né? A questão da violência ela não vai cessar, né? Sim. Então acho que a gente vai continuar nessa luta combatendo isso e que a gente tenha políticas públicas que possam estar junto com a gente pra gente dar uma amenizada um pouco, né? Sim. E eu agradeço você de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha elucidado, dado uma luz sobre o que acontece na cidade de Campinas, sobre o papel de cada um como sociedade, pra gente olhar dentro de casa, você que tem criança, que [música] tem adolescente, mas conversar com o vizinho aí no seu bairro. Hoje tem grupo de WhatsApp, dá para facilitar essa comunicação pra gente diminuir o quanto antes [música] os números de violações aqui no nosso município. Questão de ordem fica por aqui. Até a próxima [música] semana. Ciao. Ciao. [música] Olá, começa agora o Questão de Ordem, que hoje vai abordar o Maio Laranja, mês de combate ao abuso e a exploração sexual infantil no Brasil. A cada hora, três crianças são abusadas no Brasil. Cerca de 50% tem entre um a 5 anos de idade. Todos os anos, 500.000 crianças e adolescentes são explorados sexualmente no nosso país, fora os casos que não são notificados. Desde 2000 existe aqui no país a lei que cria em 18 de maio o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Uma conquista que demarca a luta pelos direitos humanos de crianças e adolescentes no território. Agora, se tantos casos continuam acontecendo, quais ações precisam acontecer? Como coibir estes crimes? É uma questão de educação, mais punição, políticas públicas e qual o papel da sociedade? Bom, muitos questionamentos e para participar do programa, eu recebo aqui no estúdio a vereadora Débora Palermo. Ela que é presidente da Frente Parlamentar de Políticas Públicas para crianças e adolescentes aqui da Câmara. Participa também a Paula Karine de Souza, que é presidente do CMDCA, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a Alessandra Saldanha, que é a coordenadora geral do CRAM, o Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na infância. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Débora Palermo, começo com a senhora, né? A cada hora, três crianças são abusadas no nosso país. Mais da metade das crianças, de 1 a 5 anos. Como é que a senhora enxerga este dado e qual que é o tamanho da preocupação? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Cumprimento a todos. Esses números, Gabriel, eh eh eu falo que são enlouquecedores, né? Porque passa ano e nada muda. Todos os anos em maio a gente faz esse movimento que é muito importante, que traz a lembrança da Aracelei, né, que é em memória essa criança de 8 anos que foi estuprada, violentada e morta, né? Eh, por isso que a gente faz no mês de maio, 18 de maio. Os números não melhoram, só aumentam. Eu acho que muito a ver com a impunidade, porque nos meus 12 anos de Conselho Tutelar, eu vi dois eh apenas dois agressores violentadores serem punidos, serem presos. Então ainda é um crime que passa impune, né? Então eu acho que isso tem muito muito dos números, é por conta da impunidade da legislação também da legislação e e a questão da escuta especializada, Gabriel, é muito importante porque o que eu vi na minha na minha história no Conselho Tutelar, a Criança ia ao conselho e fazia um relato. A gente mandava aquele relatório para a delegacia da mulher para fazer a o boletinho de ocorrência lá. A criança, naturalmente, ela não consegue falar a mesma história que ela contou no conselho. E às vezes uma mudança de uma de uma informação, o advogado entra com pedido dizendo: "Olha, existe contradição, não é bem assim que não sei o quê". e consegue livrar esse criminoso, essa pessoa, esse algos essa pessoa sem adjetivo que comete esse tipo de crime contra a criança. Então eu ainda reforço, como todos os anos, que a impunidade é uma das grandes causadoras do abuso sexual contra crianças e adolescentes permanecer aí em números tão altos e também a questão da do do cuidado, né, Gabriel? Eu acho assim, e é, esse é um recado que eu dou sempre pros pais, criança não pode ficar sozinho. Criança tem que ter vigilância o tempo todo, uma vigilância, uma um cuidado, às vezes a gente fala excessivo, mas tem que ter. Não dá para confiar, não tá escrito, né, que é pedófilo, que é abusador. Às vezes aquela pessoa que você menos espera é quem tá cometendo os piores atos contra o seu filho. Então, sempre acompanhar, sempre acompanhar no futebol, entrar dentro do vestiário junto, esperar usar o banheiro, esperar tomar banho, é no campo de futebol, é em qualquer espaço, é nas festas de família, é em todos, são em todos os lugares. o abusador não escolhe local para est fazendo seu seus atos criminosos, ainda que os maiores a maior incidência ainda sejam dentro da casa das crianças, né? E é um assunto que nós vamos abordar ao longo do nosso questão de ordem, porque nós temos, né, esta estatística que dentro de casa onde acontecem os maiores abusos e a importância também da conversa, da fala e dessa confiança, do vínculo da criança aí com os pais e responsáveis. Paula, primeiro, para quem está nos acompanhando, qual que é o trabalho desenvolvido pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Número de representantes? Quais são os desafios? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada. Cumprimento aqui a vereadora, representante do CRM, Alessandra. Prazer tá aqui. Eh, pro CMDCA é um desafio muito grande lidar com essa questão, como a vereadora muito bem colocou. a gente tem a lei da escuta protegida de 2017, que desde 2021 em Campinas tem sendo vem sendo implementada e a gente tem feito um trabalho de atuação em rede. Então, como isso tem sido articulado com a segurança pública, que é uma peçachave para questões criminais, como isso tem sido trabalhado com o judiciário, com pastas do poder público, então quando a gente pensa a saúde, já que muitas vezes os casos chegam lá na Unidade Básica de Saúde ou na educação, às vezes a professora é para quem a criança faz a revelação espontânea. Então, dentro do CDCA existe o comitê que é dedicado a pensar essa questão da escuta especializada e que tem muitas ações de articulação para pensar esses diferentes atores, para pensar o sistema de garantia de direitos e pensar também, especialmente a questão da multiplicação da informação. Então, como que você chega lá na ponta para todos os profissionais da área? Quando uma pessoa vai fazer a revelação espontânea, o profissional sabe receber essa informação? Como que a gente lida para que justamente que a vereadora trouxe, a criança não vai necessariamente fazer o relato da mesma forma duas vezes. Então, como que a gente faz? Como que a gente tá preparado para receber essa informação no momento que a criança isso, identificar os sinais e levar isso pro fluxo? Então, qual que a denúncia chegou aqui, a revelação foi feita aqui, quais são os próximos passos? E aí, nesse sentido, com em parceria com a Tridehood Brasil e com a FEAC, foi publicado o guia de implementação da da escuta especializada, que é para pensar esses fluxos, né? Qual é o caminho? Se a entrada foi pela assistência social, se foi pela saúde, se foi pela educação, se foi pelo Conselho Tutelar. Uhum. como deve ser feito, né, o procedimento. Então, isso é um trabalho que tem sido feito dentro do dentro do CMDCA e que ainda tem, nossa, a gente pode passar o dia falando disso porque tem uma capilaridade muito grande e e eu tenho certeza que com a participação ativa desses atores que a gente tem, o Conselho Tutelar, Ministério Público, do Judiciário, da Segurança Pública, das pastas, do poder legislativo, a gente consegue avançar. Ótimo, Alessandra. Também quero primeiro que você nos conte, né, o trabalho que é desenvolvido no Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na Infância e quais são as maiores dificuldades. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. gostaria de agradecer o convite da Débora, né? Está aqui junto com a Paula também, agradecer vocês. Então, o CRAM tá em Campinas eh há 40 anos, né? E quando ele inicia em 4 de julho de 85, né? A gente não tinha nenhum Conselho Tutelar, né? Então, quando constituiu mesmo o CRAM, foi através das denúncias de violência sexual, né? Um grupo de estudo, né? Da Unicamp, médicos, né? Eles começaram, eles tinham, eles recebiam esses casos, mas não sabiam como encaminhar. Então eles começaram a estudar os casos para dar, né, andamento e fazer os atendimentos. Então inicia assim, né, hoje o CRAM, né, atua em duas regiões em Campinas, região leste e noroeste, não mais atendendo somente a violência doméstica sexual, mas atendendo todas as violações de direitos. Então, a gente atende hoje 210 famílias na região noroeste e 90 famílias na região leste, né? Todos esses casos eles vêm encaminhado do Creias, né? E as violências chegam pra gente. Então, a gente trabalha hoje com 10 assistentes sociais, 10 psicólogos, quatro educadores sociais fazendo esse trabalho com as famílias, né? O ano passado a gente teve até um projeto que a gente desenvolveu na região noroeste porque a gente tinha as creches, é meio semi batendo na porta do CRAM e falando: "Ah, a gente precisa de capacitação, vocês não podem vir falar sobre violência, né, violência sexual na escola, tudo." Então nós desenvolvemos um projeto proteger, eh, conhecer para proteger, aonde a gente capacitou 564 pessoas na EMEI, CEMI, né? onde nós pudemos falar sobre a questão da violência, né, entendendo que é a primeira infância, né, aonde a criança vai chegar ali, aonde eles precisam ter um olhar maior neste momento, porque, né, a criança às vezes não fala ainda, não. Então, a gente capacitou e dentro desses profissionais a gente pegou o apoio base mesmo, né? Então, os auxiliares que ficam ali, né, o porteiro, as cozinheiras, a gente conseguiu fazer essa capacitação. E assim, foi muito importante porque a gente teve resultado assim de pessoas que estavam profissionais ali dizendo: "Eu não sei o que é o disque sem, né? Eu não sei o do que que você está falando." A informação não chegou até não chegava, né? Então, eh, esse ano nós vamos, né, a partir de setembro continuar, né? Na região Noroeste a gente vai capacitar as escolas fundamentais. né? E na região leste a gente vai começar com as a com as crianças meio e mês sem mês para poder levar a questão da violência, como fazer uma denúncia, né? Como atender essa criança, atender essa mãe, né? Porque realmente eles estão no território, esses profissionais, mas eles têm medo de fazer a denúncia. Ah, né? Minha vizinha, como que eu vou fazer essa denúncia, né? Então, acho que isso medo de retalhação, né? De retalhação, né? Então eu acho que assim, eh, são essas políticas que precisam começar a funcionar pra gente realmente capacitar essas pessoas e que elas conheçam realmente, né? Você pode denunciar, você deve, né? Então isso o CRE vem fazendo e aí a gente atende, né, essas 300 famílias dentro do CRAM e a violência sexual realmente precisa, né, de um de um olhar maior, né? Não é só agora no mês de maio a gente parar para falar sobre isso, né? Eu acho que é o ano inteiro a gente tem que falar, porque a violência não acontece só no mês de maio, né? Claro, né? Então é um pouco do trabalho do CRAM hoje que a gente vem desenvolvendo. Ótimo. Para você que está nos acompanhando, percebeu na resposta da Alessandra uma palavra que ela utilizou, violências no plural, porque muitas vezes para quem está acompanhando, né, e até no geral fica muito implícita a questão da violência sexual ou da violência física, só que outras violências acontecem também, a patrimonial, a psicológica. A gente vai abordar isso ao longo do nosso questão de ordem. Débora, o que que representa o Maio Laranja paraa cidade de Campinas? Qual que é a importância de discutirmos isso também aqui na Câmara Municipal? eh trazer uma reflexão, né, uma para esse tema pesado, doído para todos, mas eu acho que é importante, como a Alessandra muito bem disse, a violência ela ocorre todos os dias, o ano todo, todos os dias, em todos os locais, mas nós precisamos ter eh o a importância do maio é que a gente traz esses números, evidencia essa violência, traz informações de como denunciar os números. Então, a gente faz um debate e uma reflexão maior com a sociedade, né? É bom, é ruim falar, mas é bom falar porque eh os números estão aí para dizer, ela existe, precisa ser combatida e a gente precisa falar, a gente precisa tratar desse tema com a seriedade que ele que ele precisa, né? Uhum. Lembrando, como você muito bem diz, que não só a violência sexual, violência sexual normalmente eh vem acompanhada de outras violências, obrigatoriamente da violência psicológica, porque a violência sexual acompanha obrigatoriamente a violência psicológica, mas pode ter a violência física, a negligência, o abandono. Então, a violência de forma geral tem que ser tratada com debatida, tratada com a sociedade com muita seriedade. E e essa responsabilidade, o estatuto fala, né, que é dever de todos, né, zelar pela proteção integral das crianças e adolescente. Então, ah, não é dever do Conselho Tutelar ou da do CR só ou da escola ou da assistência, não. É dever de todos. Toda pessoa, todo cidadão tem o dever de denunciar maus tratos contra crianças, né? E como Alessandra falou, não precisa eh ser uma denúncia, você precisa dar o nome, às vezes você pode fazer uma denúncia pelo disquissima ou no Conselho Tutelar, mas o que a gente não pode, eh, Gabriel, é se calar, né, diante de uma violência contra a criança, porque a criança ela não sabe se defender sozinha. Então, se a gente não se cala, ela vai continuar sofrendo. E eu acho que isso é para mim, assim, é inadmissível uma pessoa saber que uma criança sofre a violência e ficar quieto, ficar com medo. Eu acho que a gente não tem o direito de ter medo nesses casos. É. E não precisa ter 100% de certeza. Percebeu que tá acontecendo alguma coisa, faz a ligação, vai averiguar. É uma denúncia. Você não tá já condenando a pessoa? E mesmo a lei garante isso, porque o estatuto fala, em caso de suspeita ou confirmação de maus tratos, o Conselho Tutelar deverá obrigatoriamente ser notificado. Ótimo. É obrigatório notificar. E você não vai, se for depois, olha, você fez uma denúncia, mas averigou e não era nada daquilo, não vai acontecer nada com o denunciante, nada. Não vai responder processo, não vai ser acusado, nada. Não acontece nada. Então, por isso que é importante que às vezes nós tivemos casos, e eu vou contar um caso que foi muito emblemático de uma criança que gritava demais. Uhum. E o vizinho do prédio denunciou. Sim. E a mãe foi lá, o menino tinha autismo. O menino tinha um autismo. E aí nós atendemos a mãe, fizemos um vários encaminhamentos pra mãe, né, para ajudar essa mãe, tudo que ele ele ele é um autismo eh grave, né, nível de autismo três. E ela aí ele foi atendido tudo e esse esse esse denunciante voltou no Conselho Tutelar porque ele fez a denúncia anônima e nós pudemos contar para ele. Ótimo. Aí ele falou: "Agora eu vou ajudar essa mãe, eu vou procurar e vou ajudar essa mãe". Então, eh, não, não tem problema de fazer a denúncia, sabe? Eu acho que eu o que a gente não pode eh se calar contra qualquer tipo de violência, seja contra criança, seja contra mulher, seja contra animais. Eu acho que a a nós, enquanto cidadãos, nós temos esse dever de inibir qualquer tipo de violação de de direito, violência contra pessoas e animais. Então é papel nosso, eu acho que assim, a responsabilidade, eu acho que o medo não pode nos dominar a ponto da gente se calar diante de uma situação dessas. É isso. A gente precisa aprender a viver em sociedade, né? Olhar sempre ao seu redor, no seu bairro, pros seus vizinhos, começa ali, né? Da onde é a nossa zona muitas vezes de conforto. E é o que tá na Constituição, né? é dever da sociedade, da família e do estado garantir com prioridade absoluta o direito das crianças adolescentes. Então é uma responsabilidade compartilhada, né? Todos os dias a gente tem essa, a gente acorda e sabe que a gente detém essa responsabilidade. Paula, e depois, Alessandra, a data, ela realmente chama a atenção da sociedade, ela é importante este mês de maio, deveriam acontecer mais debates neste mês? Como é que vocês enxergam o que é feito e o que deveria ser feito para este tema ser levado por toda a cidade? Alexandra muito bem colocou que maio laranja é todo dia, né? O dia 18 de maio é a data alusiva referente à questão do do combate ao abuso e exploração sexual, mas todos os dias a gente tem que ter essa esse dever, né? O CDCA tem ações focadas no mês de maio, mas a gente tem trabalhado muito também como que a gente consegue levar isso para outros meses. A gente sabe que o número de denúncias aumenta durante esse momento porque é um momento que traz muita visibilidade pra pauta, mas a gente sabe que isso não se restringe somente esse momento. Então a gente precisa ter ações continuadas para pensar ao longo do ano como a gente consegue tratar essas questões. Alessandra, e quais ações deveriam acontecer na cidade? Olha, eu acho que acho que a divulgação, né, eu acho que, né, os canais de de divulgação, aonde a pessoa pode fazer, né, acho que precisar, a gente precisa dar um pouco mais de atenção, porque realmente a gente tem pessoas que não sabe, tem medo, não conhece. Então acho que assim, isso o ano inteiro a gente fazendo, né, essas divulgações, isso ajuda muito, né, o CRAM, né, na região leste a gente vai estar nas escolas, né, já começou a fazer algumas palestras, tudo. Então o conto aumenta, porque durante uma palestra ali com o adolescente, com a criança, eles começam a trazer, ah, então acho que aconteceu isso, eu preciso falar com você depois, porque pode ser que eles nem saibam o que tem acontecido com eles, sim, né? Então isso assim ajuda então só no mês de maio fazer essas palestras nas escolas, né? Não, eu acho que tem que chegar mais, né? O ano inteiro tem que tá acontecendo. A gente tem que levar esse tema porque realmente éonde começa a aparecer e aí depois para, né? Se a gente pensar terminou maio, acabou, então não tem mais violência, né? Não. E a violência continua, né? Então acho que a gente precisa divulgar muito essa questão. Já que você falou de divulgação, deixa eu vou deixar aberto para vocês os canais. Às vezes tá acontecendo alguma coisa em casa, você conhece alguma coisa, para onde que essa pessoa liga? A gente já falou aqui do disque sem, que é do direitos humanos, mas isso é nacional. Vocês querem dar algum contato aqui da cidade de Campinas? Fiquem à vontade. Agora também tem 190, né, que as pessoas podem fazer as denúncias por lá. Conselho Tutelar também? Sim, é o Conselho Tutelar, o 190, 180, diz que 100. São todos canais eh de denúncia, né? pode pessoalmente, pode pessoalmente no Ministério Público, pode pessoalmente no Conselho Tutelar, o que não pode ficar quieto, né? Então, em caso de suspeita ou confirmação. E uma das das características, Gabriel, que é importante falar, né, que as pessoas saibam, é a mudança de comportamento da criança, né? Eu acho que a Alessandra, que é especialista nisso, ela pode falar um pouco sobre os sinais que a criança que tá sofrendo abuso, ela ela demonstra. Uhum. Né? Porque às vezes a pessoa fala: "Mas como que eu vou saber?", né? E às vezes a criança ficou mais quieta, começou a ficar mais eh introspectiva, introspectiva, meio deprimida e a mãe não sabe por que é que o filho, a filha, lembrando isso que às vezes as pessoas, muitas pessoas pensam que o abuso sexual é só com meninas. É. E não é. Muitos meninos são abusados sexualmente, só que eles são mais difícil de falar. Então, esse olhar atento na mudança de comportamento, na e essa conversa com os filhos, essa convivência, eu digo assim, diária, saudável, de perguntar como é que foi o dia, ai parece uma coisa boba. Ficar perguntando, vai ficar perguntando, não é coisa boba. Ou fala que é da idade, né? Ah, é daadeix, às vezes não é da idade. Então eu acho que a gente tem que ter assim, o olhar tem que tá mais atento. O olhar tem que estar mais atento. E os sintomas, eu gostaria que a Alessandra falasse, Alessandra, dos da do desses sintomas, desses sinais que a criança apresenta quando tá sofrendo violência. É, é assim, o que eles apresentam muito, né? Às vezes o adolescente em si, né, aquele adolescente que brincava, que corria, de repente começa já a usar um calor tremendo, uma roupa mais, né, fechada, não quer mais expor o corpo, né, na escola é aquele adolescente que fica de lado, né, a criança também, ela começa a se recuar, não quer ficar próximo dos amiguinhos, né? Eh, tem medo de uma conversa, essa professora às vezes vai conversar, a criança não quer falar. Então são sinais que a gente precisa ficar atento que a criança começa a demonstrar, o adolescente começa a demonstrar de que tá acontecendo. E se a gente tem profissionais capacitados, né, que fala: "Olha, esse aqui tá diferente, né? Ele começou a mudar o jeito, né?" Então é voltar esse olhar, né? Como a Débora disse, os meninos, né? Que são abusados. Hoje a gente também tem as mulheres que abusam, né? Dos filhos também, né? Não é só o homem e o, né? O abusador, a gente tem mulheres também, né? Então assim, quando a gente começa a mudar esse olhar, né, começar a olhar diretamente dentro da escola, né, lá na na primeira infância, né, aquela criança, ah, chegou com, né, algo diferente aí, né, é prestar atenção ou é chamar a diretora, chamar a coordenadora e avisar, né, não guardar e falar: "Ah, deixa ali, né, não tem problema nenhum". Mas as pessoas ainda têm esse medo da denúncia, tá vendo, né, que tá acontecendo, né, o idoso, até mesmo, né, às vezes a gente atende caso de idosos que assim os vizinhos estão percebendo que a família tá sendo negligente, que aquele idoso tá ali, tá apresentando sinais, mas a pessoa tem medo, né? E não precisa ter medo de denunciar, né? A denúncia anônima é muito tranquila em fazer, né? Entrar no disc, ligar, fazer, é muito tranquilo isso, né? Então são sinais que eles começam a apresentar, né? Aquela criança, ela se retrai, não quer conversar, fica ali no cantinho. Às vezes o toque de outra pessoa, ela chora, né? Porque ela tem medo, ela não quer que outra pessoa, né? Na hora do banho, principalmente em crete, que, né? As crianças precisam passar, às vezes é aquela criança que vai chorar, que vai apresentar sinais de que assim o outro tem que estar atento, né? O profissional que está vai ter que ter uma atenção maior em relação a isso. Ótimo, Débora. E depois, Paula, eh, principalmente, então, este olhar, ele precisa acontecer dos pais, né, que estão dentro de casa ou do dos responsáveis dessa criança. Mas eu acho que daí a gente consegue ampliar isso, né, paraa escola, o professor no dia a dia conhece muito bem os alunos. Muitas vezes essa criança, esse adolescente frequenta a igreja, os amigos que estão próximos dele também. Então, este olhar ele precisa ser amplificado, né? Sim. a a escola, Gabriel, é um local, principalmente as creches, né? Eh, eu me lembro muito dos casos que era encaminhado pelas creches de abuso sexual, porque a criança pequena, primeira infância até os 3 anos, como ela não sabe o que o que aquilo que ela tá vivenciando é uma violência, ela costuma reproduzir com outras crianças os atos, os abusos que ela sofre. E a creche eh percebe, o professor da da creche, o monitor, ele percebe com muita tranquilidade isso e comunica o conselho. E isso é importantíssimo, esse olhar. Como Alessandra falou, a criança que sempre era amorosa, carinhosa, vim abraçar, vai, quando você vai abraçar começa não querer mais um abraço, carinho, demonstrações de carinho. Então, as osques, né, que atendem no contraturno, por a criança que que sofre violência, ela sempre vai se abrir com uma pessoa que ela tem vínculo. Uhum. Que ela tem ela tem confiança. Sim. Então, às vezes é com alguém da família, às vezes é com professor, às vezes é aquela tia lá da da OSK, da ON, né, que o pessoal fala que fica com ela no período da tarde. Eh, às vezes é um um cozinheira, né, que faz, né, a faxineira. Sim, sim. É aquela pessoa que a criança, porque chega um momento que ela não consegue mais segurar e aí ela fala ou se ela não fala, ela demonstra. Uhum. Ela deixa transparecer na mudança de comportamento, às vezes se retraindo e às vezes aquela criança que era tranquila e se torna agressiva do nada. Sim. Sim. Uma criança que era calma, amorosa, amigável, se torna agressiva, começa do nada a ser extremamente agressiva na fala, começa a ser agressiva nos atos. Então essa mudança de comportamento tem que acender um alerta na família e nos profissionais, né, que que convivem com essa criança ou com esse adolescente. Aí se aproximar e, né, não adianta forçar, porque eles não vão falar se forçar, mas e essa essa aproximação, essa conversa até conseguir entender o que que tá te incomodando, né? Porque é um, eu falo que é um pedido de socorro. É lógico, é um período de socorro. não direto, mas indireto, né? Então, a gente tem que estar atento para socorrê-los a tempo, né, dessas violações. E a e a escola eh é um local, eu digo que hoje as crianças às vezes ficam mais com o professor do que com os pais, né? Período integral, principalmente 4, 5 horas, no mínimo na escola, né? Às vezes o pai e a mãe chega no final da tarde cansado do trabalho, prepara aquela mesa, serve a janta, vão dormir e fica lá 2 horas, nem às vezes nem isso, é, né? Mais no final de semana, mas o professor ele tá ali todos os dias, então ele tem essa eh ah, mas o papel do professor é é ensinar. Não, não é o papel do professor. Eu sou professora, eu sou, fui professora de educação física há mais de 20 anos e muitos casos eu levei a direção, porque o professor de educação física tem esse olhar do corpo mais geral, porque a gente tá em contato ali no ambiente da quadra, tudo. Então a gente, eu levei vários casos de de violência, como Alessandra falou, marcas, hematomas, eh violência sexual, porque professor de educação física é muito amigo do aluno, então eles conversam mais descontraído e acaba. Então é um é um ator muito importante dentro da escola. Ótimo, né? Eu acho assim, basta a gente saber o nosso papel na sociedade, seja onde for. Uhum. Seja quem for, desde da do porteiro da escola até o diretor da escola, eu acho que todos têm o mesmo papel dentro da escola, que é educar de forma completa paraa cidadania plena, para saber o que é dever, o que é o que é direito e para que a gente deixe pra sociedade pessoas de bem, né? E essa e para a violência gera violência. Sim. Se a gente quer uma sociedade melhor, a gente tem que inibir a violência. E e essa violência na infância, ela deixa marca pro resto da vida. Essa pessoa vai e eh via de regra, quem vivencia a violência, ela vai reproduzir a violência. Raramente é diferente disso. Então quando a gente corta esse ciclo, que é esse o papel, por exemplo, do crame, né? trabalhar com essas famílias para cessar esse ambiente violento, cessar a violência para que a gente deixa deixa a sociedade cada vez melhor, as pessoas uma convivência saudável, uma família saudável para cada vez a gente ter tentar diminuir esses números. Quem sabe o ano que vem, né, a gente veja números menores aí, porque é difícil a gente se deparar com a com esse aumento. Sempre o mesmo cenário, né? Sempre aumentando. Eu fico assim ainda falando: "Meu Deus, onde a gente tá errando?" Uhum. né, Paul? Quero ouvi-la também. Eh, acho que a vereadora colocou muito bem e essa fala que ela trouxe sobre a questão da da infância nos acompanha a vida toda. Tem até um ditado que diz, né, a infância nos acompanha a vida toda. Então, como que a gente lida com isso? Uma vez que o fato aconteceu? Eu acho que assim, esse olhar pedagógico que os professores têm agrega muito, porque quando a Alessandra fala sobre os sinais, quando a gente pensa crianças que você compara ali com os colegas e de repente alguma criança tem algum conhecimento mais avançado do que é esperado pra idade dela, então esse olhar é importante para ter, né? Porque a gente sabe que hoje em dia com as redes sociais, de fato, as informações chegam nas crianças muito antes do que em outros tempos chegavam. Mas às vezes não foi ali pela internet que a criança aprendeu alguma coisa. Às vezes tem alguma influência ali do contexto que ela vive e que o pedagogo, a professora, o professor consegue ter a análise para fazer o comparativo de ver como essa criança era, como ela é e como são os colegas, né, como é o contexto como um todo. Então acho que esse olhar pedagógico é fundamental para conseguir chegar no que da questão. Eu ia entrar na questão dos dados, mas a Paula levantou uma questão muito importante das redes sociais. Então, quero ouvir a Alessandra e depois a Débora. Essa é uma questão que nos últimos tempos eh tem ganhado muita atenção, porque o acesso à internet tem cada vez mais sendo facilitado, seja na época da pandemia por conta da educação em que não podia ir pra escola e foi fornecido um material, mas seja pelo poder econômico também da família. Celular hoje em dia se tornou um item muito importante. A gente se comunica, ele facilita muito, né? Ele encurta as distâncias. Então, a gente sabe que dentro de casa os aparelhos estão presentes e muitas vezes as crianças acabam tendo acesso e adolescentes também. Esse é um fator muito importante que os pais responsáveis precisam estar atentos e o acesso da internet em função deles. Sim. Eh, eu acho que a importância dos pais acompanharem, né, o dia a dia dessa criança com um celular, com esses acessos, porque assim, a gente teve até um caso de uma criança dentro de uma oficina, a oficineira veio conversar comigo e dizer, ela tá acessando eh sites de de lutas, tem muita coisa de sangue, tudo, né? Você consegue chamar essa mãe, conversar com essa mãe e alertar, né? Porque ela falou assim, durante a oficina eu tenho percebido que essa criança, né, ela fala muito desse site, ela mostra e aí em uma das salas da criança é eh um dia eu vou matar minha professora e falou pra oficineira, né? E aí quando eu sentei com a mãe para conversar, ela falou: "Não, mas eu acompanho. Só que às vezes ela pega escondido, eu não vejo e também eu não vou depois no histórico para buscar o que ela tá acessando, né?" né? Ela falou: "Às vezes à noite ela quer ficar até um pouco mais, eu deixo, mas eu nunca paro para isso." E aí ela falou: "Não, eu vou a partir de agora começar a acompanhar e ver". E aí depois ela falou: "Olha, Alessandra, depois conversando, né, com a minha filha, tudo, ela ficou muito brava. Por que que a oficineira foi contar que era um segredo isso daí?" Nossa, né? Então, realmente é isso, né? As crianças acessam, elas fazem isso, mas não as os pais às vezes por aquilo, ah não, eu vi, tava ali fazendo um joguinho, né? Não prestei atenção, mas se se os pais não acompanharem aquele momento ali e não ficar, eles vão acessar, eles vão ter amigos, né, de outros lugares que vão demandar aí coisas aí, né, que nem ela falou: "Um dia eu vou matar minha professora". A gente não sabe quem era essa pessoa que tava conversando com ela, que tava dando essas dicas, né, para ela, o que que fazer. Então, acho que é muito importante, né? E eu acho que a rede social hoje ela faz uma diferença grande, porque todo mundo tem acesso, né? Todo mundo tem, né? Então, e a criança e o adolescente em si, eles vão acessar mesmo, né? Tô ali. E são mais rápido às vezes do que a gente, né? Porque quando a mãe chega perto, já mudei de sala, né? Já mudei de já muda a já. [risadas] Enquanto a gente tá tentando mudar, eles já mudaram, né? Então eu acho que isso é um ponto importante, sim, que a gente precisa, né? Trabalhar com esses pais, com esses responsáveis, dessa responsabilidade, né? do acesso até onde a criança pode, o adolescente pode acessar. E aí, Débora, proibir é muito difícil, porque às vezes, muitas vezes, ela faz até a lição de maneira online. Aham. E aí, como é que fica essa questão de acesso, o que que elas estão acessando? Com quem que elas estão conversando, até onde o pai ele pode ir ali nessa conversa com a criança e ficar olhando onde ela entra? A responsabilidade dos pais, nesse caso, Gabriel, é imensa. O o que os pais têm que ter em mente, o responsável, os pais, é que o o celular é o mundo na mão da da das pessoas, da criança, do adolescente. Ali ele acessa o que ele quiser. É o que a gente quiser tá na palma da nossa mão hoje. E você é como você dar uma arma na mão de uma criança. Então, se você não tiver uma vigilância e saber o que o seu filho tá cessando, é uma irresponsabilidade imensa. Sem falar que na rede social as pessoas só postam que é bom, né, da família, de da vida deles. Só posta. Ninguém posta quando você tá com espinha descabelado, a hora que você levanta, ninguém posta os problemas. Todo mundo. [risadas] É a família doriana lá, né? Isso de Margar. Aí nós adultos, nós temos maturidade para saber que a vida não é assim. Uhum. Só que o adolescente, a criança, ele começa a ver aquilo, ó, meu amigo viaja, ó, meu amigo assim, olha, olha que bonita que ela é, aqu Isso vai fazendo um mal pra saúde mental. Sim, porque eles não têm o princípio da realidade. Uhum. Não é a toa que a gente vê hoje números absurdos de tentativas de suicídio e suicídio entre adolescentes, automutilação, porque eles não sabem lidar com a rede social. Eles precisam adolescente e criança grande. Ponto. As pessoas, ai já tá grande, não é? Adolescente é criança grande, tá transitando entre a a infância para a idade adulta, precisa ser também supervisionado. E aí que os pais erram. acha que ah, ele já tem, mas não tem maturidade. Não tem maturidade. Precisa e eles precisam, Gabriel, o que os pais precisam entender é que criança que tem pai e mãe chato, que vigia, que põe regra, que põe limite, que acompanha, que olha, que pergunta, que cobra, cresce com autoestima boa e cresce seguro, porque a criança ela te testa o tempo todo para ver que você tá mandando nela. Uhum. para ver se você tá se preocupando. Sim. Quando você deixa, ela vai se sentindo abandonada e aí ela vai buscar na rede social, na internet, ex, entendeu? Então a criança ela precisa de regras e limites bem postos, bem colocados e o adolescente também. E a rede social tem sim que ser supervisionada, tem que ser olhada, tem que ser fiscalizada pelos pais. O abusador tá ali. Quantos casos de meninas e meninos que saíram para um encontro e não voltaram? Uhum. Por conta de internet, por conta de rede social. Sim. Quantos casos de morte de adultos, Gabriel? Tem dúvida? Adultos que marcam encontros amorosos. A gente cai em golpe direto em rede social. Imagina em criança, adolescente agora. Imagina uma criança. Então é uma responsabilidade enorme você não vigiar. Tem que vigiar, tem que olhar, tem que eh deix, lógico que hoje todo mundo, como você falou, o o todo mundo tem um celular, hoje ele é ótimo porque sabendo usar ele é excelente, mas não dá para deixar assim acesso livre, porque o mau caráter, o bandido, o malfeitor, o pedófilo, o o violentador, ele tá ele está nas redes sociais atuando com muita tranquilidade. Então a gente precisa estar muito de olho. Painel de dados da Ovidoria Nacional de Direitos Humanos 2025 em Campinas pelo disque sem 1007 protocolos de denúncias, 3.240 denúncias e 20.275 violações. Paula, que análise dá para fazer sobre esses dados? É, a gente pode concluir é que os números de denúncias, como a vereadora bem trouxe, continuam crescendo. Eh, o que choca também para além do número de denúncias é o número de violações. Então, quando a gente fala do número de direitos violados, é muito chocante. Então, numa denúncia, uma série de direitos podem ser violados. Então, a gente não tá falando só de abuso sexual, a gente pode estar falando do abuso psicológico, de outros tipos de abuso, que a criança tá sendo vítima numa mesma situação. Então, é um trabalho muito extenso que tem que ser feito para lidar e acompanhar, né? Porque uma vez que você recebe a denúncia, não é só ah, passa pro próximo, né? Não é um trabalho de continuidade. Então, uma vez que chega naquele ator, o ator que recebeu, tem que ter um encaminhamento e também ter a continuidade daquilo até que o ciclo de fato se feche. Mas sabendo da complexidade da situação, a gente sabe que a rede nem sempre consegue estar tão bem articulada para conseguir dar conta de toda essa demanda. Quero ouvir todo mundo agora. Eh, olha esse dado do cenário de violação. Casa onde reside a vítima e o suspeito, 2323 denúncias e 15.425 425 violações. Depois, números bem inferiores. Só na Casa da Vítima, 332 denúncias e 1784 violações. Instituição de ensino, nós tivemos 207 denúncias e 1017 violações. E depois vai na Casa do Suspeito, em via pública e em estabelecimento comercial. Alessandra, a dificuldade estar neste ambiente que é difícil de ter acesso, que é a residência do suspeito e da vítima. Sim, no caso da violência sexual é mais difícil, né? Porque quando a equipe chega para fazer o atendimento, em alguns momentos, né, a mãe tá ali, às vezes ela já dá um sinal, tipo, não dá, ele tá lá dentro, você não pode entrar, né? Eh, a criança às vezes ela quer falar, ela quer trazer o adolescente aquilo do que tá acontecendo, mas não consegue. Eles vão até o atendimento, né? Porque aí quando a equipe ela presencia que ela percebe que tem algo ali estranho, né, naquele momento. Então, o convite é feito para ir pra instituição. Em alguns momentos, o agressor ele vai junto, hum, né? Ele acompanha, ele quer saber o que tá acontecendo, né? Então isso é difícil. Então assim, a violência sexual ela acaba sendo mais difícil nesse caso, né? A violência física em alguns momentos, né? A mãe tá junto, que às vezes a gente sabe que a mãe que foi lá e bateu por algum motivo, alguma coisa, negligência psicológica, mas a violência sexual, o agressor em si, ele às vezes ele vai junto, ele quer saber o que tá acontecendo, ele fala que não é nada daquilo. Por mais que a equipe marque um outro dia para conversar com ele e explicar porque eles eram encaminhado, né? ele não aceita, né? E aí neste momento que ele não aceita, ele ameaça às vezes a equipe, ameaça a instituição falando que não é nada disso. E, né, às vezes a mulher ela até, a família ela some do atendimento porque ela tá sendo ameaçada ainda. Então, com o agressor em casa, a violência sexual é muito difícil, né? Então, eu acho que também são políticas que precisavam cuidar desses agressores, né? Porque em e o que acontece, né? a violência sexual, se ela tá ali acontecendo, em algum momento a gente vai ter que retirar essa criança, né? Vai ter que encaminhar para um acolhimento e ele vai continuar ali, né? Então assim, você tá tirando a criança do seu lar, da sua convivência, da escola, dos seus coleguinhas, tudo você vai encaminhar para um, né, para um acolhimento e ele vai continuar ali, porque com a vida dele normal, de outros, vi, sim, então é difícil. Analisando a faixa etária das vítimas, até 6 anos são mais meninos e depois disso mais violações em meninas. No total deu 43% em meninos e 47% em violações em meninas. São números muito próximos, mas dá para perceber aí que a violação ela é muito grande, né? É, Paula e Débora. É, mas isso eu acho que são números gerais de violência física, eh psicológica, negligência, abandono e violência fatal, né, que são as cinco violências que a gente tem aí padronizadas, vamos dizer assim, mas a sexual ela ainda é muito maior nas em meninas, em números de denúncia, tá? Porque eu acredito, Gabriel, que a subnotificação ainda é muito grande das denúncias de abuso sexual, não só de de abuso sexual, de todo tipo de violência. É por medo ou por não saber onde denunciar? Eu acho que as duas coisas, eu acho que muito é é a questão da omissão. As pessoas por medo acabam não denunciando por uma questão que ainda cultural de ah eh cada um no seu canto, a vida deles, eu não vou me meter. Fala aquela que briga de marido e mulher não se mete colher, ainda se fala essa besteira, porque por isso que as mulheres estão morrendo, continuam morrendo. Então, eh, tem essa cultura ainda de não denunciar, tá? né, de não denunciar e e medo também, porque as pessoas um ambiente violento, a pessoa tem medo, porque Alessandra falou, eu vi muito isso no conselho, né? Eu não fui ameaçada uma vez, eu fui ameaçada muitas vezes pel por, principalmente por agressor sexual, porque eles não aceitam, eles negam veementemente, eles querem te provar que não é verdade. Eles vão no atendimento, eles não querem que a criança entre sozinha. é uma das características do agressor sexual. Eles são extremamente controladores. Eles não deixam a menina ir em festas, não deixa ter amigos, não deixa participar de festa na escola, não deixa eh não eh sabe, ele ele quer um controle da vítima com medo que ela conte porque também ele tem um tipo de de eh possessividade sobre aquela criança ou aquele adolescente. Então, eh esse perfil é muito claro. Uma das coisas que eu vi funcionar no no Conselho Tutelar e eu acho, dou sempre essa dica pro pros profissionais, se é que eu posso dar dica para alguém, mas assim, os os casos que eu consegui afastar a criança que supostamente era vítima da família, por exemplo, o caso de um menino que há muitos anos chegavam denúncias que eles eram abusados pelo padrasto. Eles estavam desde os 5 anos chegando denúncia no conselho. Ele já tava com uns 13 anos. Nossa. E a gente nunca conseguia elucidar, nunca conseguia. Esses meninos, eles negavam, negavam, negavam, negavam. Aí eu eu tive uma, eu falo que foi, foi uma direção de Deus, porque não só pode ter sido. Eu liguei pro pai de um deles e perguntei se podia ficar com ele, porque tava chegando muita denúncia. Não abria a denúncia para porque senão o pai pode ir matar, né, o o infeliz que eu vou falar, né? Uhum. Mas eu afastei esse menino e ele foi morar com o pai. Dentro de uns dois meses, nem dois meses, Gabriel, o pai chega de manhã no conselho com o filho. Débora, preciso conversar com você. Eu falei: "Não, vamos, né?" Já pus eles para dentro da sala. Aí o pai falou: "Ontem o meu filho teve uma crise compulsiva de choro. Ele chorou umas duas horas dela. Ele não falava, ele só chorava. Ele não, ele não chorava, ele urrava dentro do quarto encolhido assim, acho que quase como uma posição fetal, pelo que o pai falou falou, mostrando assim para mim. E ele gritou, ele chorou, chorou, chorou e eu achava que é porque ele queria ir embora pra casa da mãe. Depois que ele se acalmou, que ele chorou, eu fal, fui conversar com ele, o que que tá acontecendo? Você quer voltar para casa da sua mãe, né? E aí ele falou que ele vem sendo abusado pelo padraço desde que ele era bebê. ele e o irmão. Então, quando ele se sentiu seguro longe do agressor com o pai, que eu acho que ele se sentiu seguro com o pai, que ele tava num ambiente seguro, ele sentiu que o pai tava ali do lado dele, ele conseguiu falar. E a mesma coisa aconteceu com uma menina que o padrasto abusava. Eu não esqueço da dele atrás da cadeira dela, assim, eu falando com a menina, ele atrás. E eu fiz a mesma coisa. Essa menina foi para para uma cidade aqui da região, na casa do pai, e foi o mesmo quadro, Gabriel, igualzinho. Dentro de uns um mês, mês e meio, dois meses ou algo assim, vem o pai com essa menina e [roncando] fala: "Débora, ontem ela chorou muito, chorou muito e me contou que ela tá sendo abusada sexualmente." Então, por quê? Porque você afasta do agressor, porque a criança também cria um vínculo, por incrível que pareça, cria um vínculo e tem e tem medo também, porque eles falam: "Eu vou matar tua mãe, eu vou matar a família inteira". São ameaçados, ameaça. Eles vivem sobre um uma um ambiente de ameaça. Então, às vezes você tirando ele daquele ambiente, colocando em segurança, eles falam: "Mas é sempre muito muito triste". E como eu sempre falo, ó, dentro de casa, o o não tá escrito, Gabriel, não tá escrito, é que que é abusador. Então, por isso que eu falo, tem que tomar cuidado. A, às vezes a gente fala assim que nós que trabalhamos com essas violências, a gente fica meio neurótica, né, Alessandra, com os filhos, porque a gente vê situações que a gente fala: "Meu Deus do céu, né? Eu lembro de um caso que um avô foi denunciar o genro que denun que que tava estranho, que a menina isso que a menininha aquilo. A menina tinha 5 anos e nós encaminhamos na época, eu acho que foi pro Crâme. O Cram que começou a atender essa criança para saber se o que se a denúncia realmente era real. E na verdade a menina nos atendimentos acabou contando dos abusos e era o avô. Nossa. E o avô foi denunciar o pai porque ele queria a guarda dela para continuar os abusos. Então você vê como é uma coisa doentia, maquiavélica. As famílias têm que ter cuidado com as crianças, tem que estar com os olhos muito abertos, muito atentos o tempo todo, porque até aquele que se diz o protetor, né, da precisa ter desconfiança, né? tomar cuidado. E e quando a gente fala nessa questão de, ah, porque às vezes a denúncia não é feita, né, tá vivendo uma subnotificação, a gente também tem que considerar que nessas ameaças às vezes tem a questão do controle patrimonial. Então, se o provedor também é o abusador, ele pode ameaçar, né? Ah, você não vai ter comida, vou vou abandonar a família. E aí numa dessas a a família às vezes até sabe quantos casos no Brasil não acontece da família que sabe que o caso acontece, mas que se omite porque a pessoa tá provendo ali para casa, então a pessoa acaba se sujeitando a aceitar aquela situação e não faz a denúncia, né? E tem também os casos que eu vi inúmeros, Alessandra também pode falar sobre isso, de mães que abandonam a a filha, purificam com o agressor e negam, falam: "Não, ela que seduziu o meu namorado, ela que seduziu o padrasto, ela que seduziu, porque ela que se insinuava." E são histórias, Gabriel, que eu falo que é bom a gente falar que as pessoas não têm ideia do que acontece, né? Eu acho que eu gosto de dar exemplos porque as pessoas ficam mais perto da realidade, né? Dudo que a gente vivenciou, vivenciou e a Alessandra até hoje vivencia. Mas ah, quantos casos da menina chorar desesperada na frente da mãe pedindo pelo amor de Deus, mãe, fica não é isso. A gente ter que acolher a criança num serviço de acolhimento ou mandar pra família extensa e a mãe sair com o agressor da sala do do Conselho Tutelar embora. E essas coisas assim, eu falo, por isso que eu fico muito brava com a questão da impunidade. Uhum. Porque eu acho que essa mãe devia responder criminalmente por ser conivente e esse agressor também ser preso os dois. Como que a gente deixa na sociedade convivendo aí? Porque não pensa você que você tirou, como a Alessandra falou, a gente revitimiza que além dela ter vivido, sofrido a violência, sofrido toda essa essa essa esse horror, ainda a gente tira ela do ambiente familiar dela e leva para um serviço de acolhimento longe da família. Ela perde os irmãos, ela perde convivência com com a família, com a escola, com tudo por e o agressor continua e não pensa que ele vai parar, ele vai continuar abusando de outras crianças. Isso precisa ser mudado gente, sabe? É, eh, essa lógica da gente, a, a a o estatuto fala que a gente pode pedir o afastamento do agressor do lar e a gente, quando a mãe concorda, a gente pedia até via juízo. Se ele não saía por bem, a gente pedia via juízo para tirar, né? Mas aí envolve tantas outras coisas. A questão que a a Paula muito bem disse, às vezes essa mãe não tem renda, aí ela fica às vezes quieta porque ela não tem depende do financiamento. E ele fala isso todo dia. É, vocês vão ficar aí com fome, vocês vão morrer de fome, eu vou vir aqui, vou matar todo mundo. As histórias são assim as piores que vocês possam imaginar. Então, por isso que eu falo que a gente tem que primeiro, eh, eu sempre eu vou morrer falando isso. Eu acredito que o que funciona é prevenção. É não deixar não ter espaço para acontecer a violência, não deixar acontecer a primeira violência. Isso é o que funciona, porque depois que a violência se instalou, é um estrago tão grande que a gente custa, o CRAM tá aí para para dizer para dizer o que custa para você conseguir eh cessar esse ciclo de violência, dar uma nova vida, né, para para essa criança. Quer compartilhar algum caso, Alessandra? Olha, teve um caso que eu antes de ser coordenadora geral, tava como assistente social e foi um caso de uma tia que abusava da criança, do sobrinho. Então, chegou como violação de direito falando que era negligência da da madrasta. E a gente começou a atender essa madrasta, atender o menino e depois foi chegando o pai. E essa criança ela começou a trazer que acontecia alguma coisa nos finais de semana na casa da tia. Então, que a tia dava doce, que a tia falava que ele tinha aqui todos os finais de semana para lá, que era o combinado e que não podia contar nada o que acontecia pro pai. E aí a madraça começou a perceber, né, de que ele voltava diferente, que ele, né, a forma como ele estava agindo. E aí em uma conversa com esse pai, ele trouxe, ele falou: "Eu estou começando a lembrar que eu passei por isso com ela, né? Eu perdi minha mãe cedo e quem cuidou de mim foi essa tia". Uhum. E ele falou: "E eu tenho lembranças dela fazendo isso comigo. Ela abusou de mim também, né?" E aí quando a gente conversa com ele, traz isso para ele, como que vai ser agora, né? Ele falou: "Não, para lá ele não vai mais, mas eu vou conversar com as minhas primas para falar". E aí ele trazem um atendimento que assim que a prima falou: "Não, mas minha mãe já tá idosa, você não pode denunciar minha mãe, você não pode fazer isso. Por mais que ela esteja de errado, você não pode fazer isso. Você vai querer ver sua, né, a sua mãe também, porque ela foi sua mãe, ela cuidou de você, né?" Então assim, ele falou: "Olha o quanto é difícil também, porque assim, ela cuidou de mim, ela teve lá, mas eu tô lembrando do que ela fazia comigo e ela tá fazendo com meu filho agora". Nossa, né? Então assim, o quanto era difícil também foi trabalhar com ele, né, conseguir, né, trazer ele de volta para essa realidade e dizer, você não vai denunciar, mas o que que você vai fazer para proteger seu filho a partir de agora, né? Será que ele vai entender que ele não pode mais ir pra casa dessa tia, que essa tia dá doce, que essa tia traz tudo isso para ele, né? Então assim, eh, o quanto é difícil, né, pro outro também entender. E ele só foi entendendo quando a gente começou a trazer a história, né? Olha, a criança tá trazendo isso, ela tá falando isso. E aí ele falou: "Não, agora eu consigo entender porque eu passei por isso, eu fui violado por ela também, né?" Então é muito difícil, muito complicado. Ô Paulo, a gente tá falando de uma cidade como Campinas, que é uma metrópole, mais de 1 milhão de habitantes. O CMDCA, ele consegue estar presente, por exemplo, em bairros periféricos? Existem ações que são realizadas em escolas, em igrejas? Como é que é um pouquinho este trabalho longe aí do do centro da cidade? Então, no CDCA, a gente tem uma comissão que olha especificamente para essa questão, né, do enfrentamento à violência à criança adolescente. E nessa comissão a gente tem a participação dos cinco territórios de Campinas. E aí então a gente tem a participação dos CRAS, dos CREAS, das oscas que estão nos territórios para que sejam pensadas as ações descentralizadas. Então, os territórios têm autonomia para propor ações que vão ser custeadas com recurso do fundo, que é do conselho, para que eles consigam viabilizar essas ações para chegar na ponta de fato, porque eles conhecem o entorno, conhecem o bairro, conhecem a comunidade e sabem como comunicar, quais ações são mais interessantes. Então, ao longo desde o mês de abril até junho, a gente tem ações mais enfáticas voltad pro Maio Laranja, que a gente pensa ao longo do ano, mas também dando muito mais ênfase nesse momento. Então tem desde cine debate, roda de conversa, saral, passeata, ótimo, uma série de ações que são feitas de forma descentralizada, porque a gente entende que não faz sentido o CMDCA concentrar essa essa tarefa, já que os territórios sabem qual é a realidade deles, quais ações fazem mais sentido. Então, nas passeatas, por exemplo, a gente tem a participação de vários atores, a gente tem também eh trio elétrico, é feito de formas que ficam fiquem lúdicas também, né, para que o público se engaje e que ao longo de todo o mês a gente tem a participação. Então, inclusive agora nesse momento a gente tem no site do CMDCA todo o cronograma de ações previstas para esse momento que foram pensadas e estão sendo realizadas pelos territórios. Isso é importante, né, Débora, porque é claro que isso pode acontecer em qualquer lugar da cidade, mas em áreas que são mais vulneráveis, em que o poder público tem dificuldade de chegar, que essa pessoa ela muitas vezes já se sente marginalizada, aí precisa fazer este trabalho para você tentar aproximar ainda mais, né? É, esse trabalho que as escolas e as OSCs fazem é fundamental porque eles estão lá no território, lá na comunidade, né? Eles conhecem as pessoas, eles acessam mais fácil. Então, para eles levarem essas informações é muito mais fácil, muito mais rápido e muito mais eficiente. Porque as pessoas eh basta a gente pensar, a gente a informação que você tem de alguém que você conhece, que você já tem um vínculo, que você confia, você presta muito mais atenção do que um estranho te passar uma informação. Então esse trabalho que eles fazem, eles fazem passeata nos bairros com as crianças, com faixa, fazem palestras falando da da questão do 18 de maio. Isso é muito importante porque a informação ela vai reverberando, né? Faz no território noroeste, faz no sul, no norte, no noroeste, faz toda a região de Campinas, todo mundo agora nesse mês ele faz ações descentralizadas e muito importantes, cada um no seu espaço, para que essas informações cheguem de canais de denúncia. de comportamento do agressor, de cuidado, de proteção, tudo isso que a gente tem falado aqui hoje. Olha só quantas informações importantes e por isso o programa passou rápido. Débora, pra gente poder encerrar na minha abertura, eu fiz até alguns questionamentos, né, na sua visão, é, a gente precisa melhorar a questão de educação, a questão de punição, políticas públicas, o que que falta pra gente diminuir muito esses números mais políticas públicas, eu acho assim, por exemplo, o CRAM, o CRAM é um um serviço, Gabriel, extremamente eficiente, extremamente competente. equipes assim que fazem um trabalho. Eh, nos 12 anos que eu tive ali no conselho, eu pude eh, acompanhar e constatar. Eles têm têm resultados muito bons. Ela falou hoje para nós que eles estão em apenas duas regiões de Campinas, região leste e noroeste e a região sul. Uhum. E a região sudoeste e a região norte. Nós temos CRAS, temos, mas não é suficiente. Nós temos os CRAS, mas não é suficiente. E eu tô falando de proteção básica. Crasça é proteção básica, que é o que funciona. Nós estamos muito abaixo do que é indicado pela legislação, pelos. Então, nós tínhamos que ter mais Cras, porque o CAS, a assistência social, a dupla psicossocial, tá ali no território acompanhando de perto as famílias. Se a gente tivesse números eh ideais de Cras de CR nas regiões, com certeza esses números diminuiriam. Se nós tivermos uma punição maior a esses agressores, não só do abuso sexual, a gente não pode admitir nenhum tipo de violência, mas eu costumo dizer que esse país é o país do não danada. Aqui não dá nada, Gabriel. Político rouba não dá nada. Violência, cara, mata, atropela, bebe, dirige, mata, não dá nada. Entra na casa das pessoas, assaltam, mata, não dá. Aqui é o país não dá nada. Por isso que a violência só aumenta, por isso que a impunidade ela precisa acabar. As a lei tem que ser rígida. As pessoas têm que pagar por aquilo que elas fazem de mal. As pessoas têm que ter eh convicção de que vão responder poros seus atos. Enquanto não mudar essa realidade do Brasil, não é de Campinas, é do país. Essa realidade tem que ser mudada. Enquanto não tiver punição, o país vai continuar sendo esse país do não danada e que o crime compensa. O Brasil hoje é um país onde o crime compensa. Eu eu tô cada dia mais desacreditada porque eu vejo que aqui o crime compensa. Esse país é bom para bandido, sabia? Esse país é bom para bandido, paraa gente que trabalha, paga as impostos, faz tudo certinho, o Brasil não reconhece. Agora aqui tá todos os jornais, o crime compensa. Mas eu quero deixar um convite também, Gabriel. Só tava pedindo pro João mandar o dia aqui que nós vamos ter a reunião do maio de da Comissão da Pessoa com Deficiência, tá? Olha, vai ser no dia 21/05, das 10 às 12, e nós vamos falar sobre a violência sexual contra pessoas com deficiência. Ótimo. Que é um número absurdo também. Como a pessoa com deficiência, ela é mais vulnerável ainda. Uhum. Elas sofrem, elas são muito mais fáceis de ser abusadas sexualmente. Alessandra deve ter até números, né, Alessandra? Mas é muito grande o número de de crianças e adultos com deficiências abusados sexualmente dentro de seus lares. Já passa pra gente, Alessandro. Eu não vou ter aqui não, mas dia 21 votar junto com a Débora. Eu não tenho número também, mas é absurdo, sabe? Então nós vamos tratar desse tema. Alessandra vai est aqui conosco no dia que ela vai vai falar sobre especialmente sobre esse tema, porque também é uma grande preocupação, porque aí a a crueldade ainda é maior, né? Sem dúvida. ainda é maior. Débora, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui de grande valia pro nosso telespectador, de toda a experiência que você tem eh na área do Conselho Tutelar, nesse cuidado com as crianças, com os adolescentes. Já faço um novo convite para você retornar aqui aos nossos estúdios para falar sobre este assunto, que seja num cenário melhor, mas também sobre outros. E fica aberto as suas considerações finais. Eu agradeço, Gabriel. Eu acho que é um tema que sempre me deixa muito incomodada. Eu fico muito triste de falar todos os anos, mas a gente tem que falar, tem que tratar. Eu agradeço muito, agradeço muito a presença da Alessandra, da Paula, com as contribuições dela, de vocês e quero desejar uma boa tarde a todos. Muito obrigado. Paula Karine de Souza, presidente do CMDCA, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente também. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir até os nossos estúdios, participar do nosso programa, informações de credibilidade, de grande valia para quem está nos acompanhando. Também já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Eu agradeço o espaço, é sempre uma honra tá podendo representar o CMDCA. A gente sabe, né, vereadora, que a caminhada é muito longa, a gente tem muito trabalho pela frente, mas felizmente nós temos uma rede com pessoas muito engajadas e eu acredito que a gente tá caminhando para um futuro mais positivo. Ótimo. Alessandra Saldanha, coordenadora Geral do CRAM, que é o Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na Infância, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. É, os casos que foram trazidos ajudam, né, para quem está nos acompanhando a entender o que acontece na cidade de Campinas, mas é um reflexo do que acontece em todo o país. Já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Agradeço, né, o convite da Débora de estar aqui. Agradeço estar com a Paula também, né? Eh, e eu acho que a luta continua, né? A questão da violência ela não vai cessar, né? Sim. Então acho que a gente vai continuar nessa luta combatendo isso e que a gente tenha políticas públicas que possam estar junto com a gente pra gente dar uma amenizada um pouco, né? Sim. E eu agradeço você de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha elucidado, dado uma luz sobre o que acontece na cidade de Campinas, sobre o papel de cada um como sociedade, pra gente olhar dentro de casa, você que tem criança, que [música] tem adolescente, mas conversar com o vizinho aí no seu bairro. Hoje tem grupo de WhatsApp, dá para facilitar essa comunicação pra gente diminuir o quanto antes [música] os números de violações aqui no nosso município. Questão de ordem fica por aqui. Até a próxima [música] semana. Ciao. Ciao. [música]