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gravando. Olá, começa agora o programa Questão de Ordem, 51 anos do reconhecimento oficial do Dia Internacional da Mulher. pela Organização das Nações Unidas. O 8 de março deste ano foi marcado em todo o país com protestos contra a violência de gênero. Dados do estudo, elas vivem a urgência da vida. Da Rede Observatórios da Segurança monitorou nove estados brasileiros ao longo do ano e mostrou que, preste bem atenção, hein? A cada 24 horas em 2025, aproximadamente 12 mulheres foram vítimas de algum tipo de violência.88 mulheres foram vitimadas. Casos de violência sexual e estupro aumentaram 56,6%, passando de 602 para 961 casos. O perfil das vítimas, crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos. O cenário ele é assustador e urgente. Então, para debater o atual estágio do nosso país e, claro, o contexto da cidade de Campinas, mas também as conquistas que foram realizadas ao longo do último e deste século também. Eu recebo aqui no estúdio a vereadora Mariana Conte, ela que é presidenta da Comissão Permanente da Mulher aqui da Câmara, a vereadora Paula Miguel, que é membra desta mesma comissão e a Fábia Bigarani, que é presidente da comissão de combate à Violência contra a mulher da OAB Campinas. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Mariana Conte, começo com a senhora. Primeiro, como é que enxerga, né, este 8 de março, o dia, o mês de muitas ações. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Gabriel, obrigada a todo mundo que tá nos ouvindo. Quero cumprimentar Paola, Fábia, minhas parceiras. Então, é um cenário difícil. Nós estamos sobre uma epidemia de feminicídios e de violência. Assim, a gente olha as notícias cada dia mais e muita coisa não é noticiada, muita coisa não vem à tona. Eh, a gente tem um cenário terrível de violência contra as mulheres e o 8 de março e todo as manifestações, as atividades desse mês internacional de luta das mulheres, tá nesse contexto. O dia o eh as atividades elas são muito importantes porque isso permite uma organização das mulheres, a organização do movimento feminista. E essa organização do movimento feminista, ela é central para dar resposta para esse cenário que a gente tá vivendo. O fato é, a gente até tava comentando da trend do TikTok, que é uma trend que tá circulando com milhões de visualizações e milhares de de vídeos, que é treinando caso ela diga não. Na verdade é uma apologia ao feminicídio e a violência contra as mulheres. Isso mostra que existe uma uma diretriz das bigtecs, das grandes empresas de tecnologia e das redes sociais de eh favorecerem a disseminação de conteúdos que são conteúdos que vão moldando a subjetividade principalmente de meninos, adolescentes e jovens. O a epidemia de feminicídio, ela não é por acaso, ela tá ligada a essa essa subjetividade que vai sendo construída com ódio à mulheres. As mulheres, isso a gente sabe que é uma reação, né? é uma é uma é um tem um sentido reacionário, reação ao fato de que as mulheres conquistaram espaço, de que as mulheres tão mais eh por meio da luta da luta que nós fizemos, a gente conseguiu liberdade, liberdade de pensamento, liberdade econômicas. Quer dizer, tem muito a conquistar, mas a gente deu passos importantes, né? As mulheres se libertaram de muitas coisas e e essa é uma reação que a gente vê incentivada por grupos, por figuras, que é o que a gente chama dos reds, figuras que pregam ódio às mulheres, que atacam o feminismo, que divulgam, incentivam eh a violência contra a mulher. E isso tem sido incentivado pelos algoritmos das plataformas que fazem esses vídeos circular em grande proporção. Então, nós estamos numa luta eh para responsabilizar os autores desses vídeos. Eh, inclusive eu entrei agora com uma ação do Ministério Público e vi que tem outras iniciativas nesse sentido também, eh, de responsabilizar os autores dos vídeos, mas mais que isso, é preciso responsabilizar as redes sociais, as empresas, TikTok, eh, Discord, Instagram, porque a gente precisa que a regulamentação das redes sociais impeça a disseminação de conteúdos que de ódio às mulheres. conteúdos misógenos e conteúdos que incentive a violência, porque eh senão a gente enxuga gelo. Uhum. Né? E a gente vai se construindo e se moldando uma mentalidade violenta que despreza as mulheres. E aí a gente vê que os números estão aí, estão na notícia, estão nos casos de feminicídio, estão no estúpido coletivo, estão em tudo isso que a gente tá vendo. Debate de dados e estatísticas, né? Apenas. Exatamente. Então, eu acho que a gente precisa avançar em políticas públicas, mas eu acho que tem uma coisa muito central hoje no nossa na nossa realidade, que é a regulamentação. Até a Sha Bonfim, a nossa deputada apresentou um projeto para que a misogenia seja considerado crime, regulamento, o crime de misogenia e na no Código Penal e que também tá nessa luta pela regulamentação das das empresas, né, que eu acho que é assim, não tem como assim, a gente precisa lidar com isso e a gente precisa ter uma formação, um debate disso, de como é que a sociedade lida com isso, porque são os nossos meninos jovens, entendeu, que estão sendo colocados desde muito cedo numa numa numa ideologia de gênero, uma ideologia de gênero machista, né? Nos acusam da ideologia de gênero, mas a ideologia de gênero que eles colocam é o machismo, desprezo e o ódio das mulheres, né? Então, por isso também o feminismo é tão central. Uhum. Vereadora Paula Miguel, data é celebrada oficialmente desde 1975, mas a origem é lá do início do século XX, quando diversos protestos de mulheres aconteceram exigindo melhores condições de trabalho. De lá para cá, como é que enxerga este dia que virou semana e até mês em que o assunto é debatido? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Muitíssimo obrigada, Gabriel. Gostaria aqui de saudar sempre uma grande honra, tá com a vereadora Mariana Conte, com a Dra. Fábia dizer que o dia internacional de luta das mulheres, né, e eu acho que nos últimos anos isso ficou bem marcado, né, é um dia de luta, né, eh, ele cada vez mais tem conseguido fazer unificação de pautas e esse ano foi o primeiro ano que a gente conseguiu ter uma unificação total no manifesto a nível nacional, justamente por aquilo que a vereadora Mariana Conte traz, né, essa epidemia de feminicídios de forma brutal, bárbara, né, inúmeros casos eh absurdos que estão acontecendo, tão fazendo de fato com que as organizações de mulheres elas cada vez mais eh se juntem para tentar lutar pela nossa, mais do que nossa vida, mas pela nossa sobrevivência diária. Então, a gente teve o caso eh do absurdo Rio de Janeiro de estupro coletivo de uma adolescente. a gente teve o caso e de juízes deliberando, né, que um homem de 35 anos e uma jovem de 12, uma criança de 12 anos, ela eh poderia ter uma relação consentida. Depois foi investigado e visto que esse mesmo juiz tinha cometido, né, tentativas de abuso sexual contra o próprio sobrinho, que era menor de 14 anos na época. Eh, a gente com isso escancarou o número de casamentos de crianças, né, no estado de Minas Gerais, mas isso é uma realidade que a gente já vinha denunciando. E no Brasil todo a gente teve a volta, né, do mote criança não é mãe nem esposa, muito menos objeto sexual, muito com uma com uma luta, né, das nossas ancestrais para que elas não fossem entregue pra família, né, para um homem para lhe fazer os trabalhos, os afazeres domésticos, né, e com isso também ser entregue como esposa para ele, assim como era no passado. E esse ano também a gente teve a luta lá do início, né, por o fim da escala 6x1, com a redução da jornada de trabalho sem a redução de salário, né? Eh, então a gente vê que apesar de ter passado, né, 51 anos, a gente ainda tá lutando pelos mesmos direitos, né? a gente tá lutando pelos mesmos, talvez com morte um pouquinho mais eh refinado do que era, mas a gente ainda tá lutando por melhores condições de trabalho, melhores condições de vida, melhores condições de sobrevivência. Então eu acho que a gente tá no momento de que essa epidemia de feminicídio, ela tá sendo exibida. Teve um caso de uma pessoa que matou a a companheira, filmou para mandar no grupo de zap da família dela que tava fazendo isso. Eh, um sogro que tirou a vida e foi no enterro eh ao lado da esposa. eh inúmeros casos e sem contar, né, que as redes sociais, né, acho que esse é um ponto muito significativo, eles têm sido um grande propagador dessa desse ódio, essa violência brutal contra as mulheres, quando tem, né, essa trende de o que fazer quando, né, o que que eu vou fazer quando ela dizer não, né, e essa violência, né, já na perspectiva da agressão, né, da arma, teve uma mulher que foi essa assassinada no trabalho em São Bernardo, que era um trabalho no shopping, então não era um local privado, era um local público e não conseguiu, ela tinha medida protetiva contra esse homem. Então assim, chega num ponto que a gente olha e fala assim: "O que nos protege?" E para nós mulheres, mesmo quando a gente fica atrás de uma tela, a gente não tá protegida. Porque a partir do momento que a gente posta uma foto numa rede social, mesmo vestida, mesmo como a forma com que a gente tá aqui, você pode colocar ela numa inteligência artificial e ela tá ali, gerando eh imagens com roupa íntima ou até mesmo sem roupa. E tem várias mulheres, inclusive que estão nesse momento, né, eh sentindo acuadas porque elas vão se sentir segura para postar uma foto independente da vestimento que elas estejam, né, que é o caso do do Grock. Então eu acho que tudo isso que vem acontecendo nesse momento demonstra como ainda a gente tem uma sociedade, um estado que é negligente com os nossos direitos, que ele é negligente em fiscalizar aquilo que nos protege, que ele é negligente em garantir que a gente tenha o mínimo de dignidade, respeito e a garantia de direitos das mulheres garantidos e assegurados. Então, a gente tem a lei Maria da Penha, a lei Carolina Dikma, a gente tem a lei do Stalker, a gente tem eh diversas legislações que a gente também pode trazer aqui, mas isso ainda é insuficiente para impedir que o número de casos de violência continue crescendo e dessa vez atingindo meninas e adolescentes. Então, eh, eu acho que de todos os anos que que eu fui pro 8 de março, que eu tinha uma perspectiva ainda de melhoria, né, de que a gente tava avançando, né, que a gente estava conseguindo conquistar direitos, esse foi o primeiro ano que eu realmente até tenho receio de voltar do ato, porque em São Paulo teve ainda um ataque que aconteceu no ato 2 de março, que foi um homem que foi para lá e começou a atacar as manifestantes, né? né? Então assim, é aonde a gente vai parar com tudo isso, né? Com mulheres com mais mulheres mortas sendo enterradas ou então sofrendo enclausurada dentro da sua própria casa, sem poder ter acesso nem à rede social, nem à tecnologia e nem a a inteligência artificial, porque nós somos atacadas diariamente e essa propagação de ódio acontece, infelizmente, em todos os ambientes que a gente tá. seja em casa, seja no local de trabalho, seja na escola, seja com um momento que a gente achou que a gente ia estar segura, seja na hora quando você posta uma foto feliz com as suas amigas, com seus afetos. Então, a insegurança para nós em 2026, ela parece que tá maior do que quando, pelo menos eu comecei a ir pro pro ato do 8 de março, assim. Então são 51 anos de luta, que eu gostaria de falar que a gente avançou muito, que a gente tem um exemplo, né, de legislação que é conhecido pela ONU, mas isso ainda é muito pouco para dar garantia de que a gente vai ter a nossa vida garantida e assegurada. Já já vou explorar mais sobre essa resposta da Paola e também da Mariana na questão de legislação, na questão desses exemplos atuais que estão acontecendo pelo nosso país. Fábia, para quem está nos acompanhando, não conhece o trabalho da OAB Campinas, quais são os objetivos da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher, o que tem sido realizado? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Primeiro, muito prazer, Gabriel, o convite. Prazer enorme estar com as vereadoras, discurso, diálogos muito ricos e explanar um pouco sobre o trabalho eh da Comissão de Combate à Violência contra a mulher dentro do AB, porque nós temos 80 comissões e todas ligadas a temáticas. só da temática da mulher, nós temos também a de combate e também das mulheres advogadas. o trabalho específico da comissão de combate. Eh, além de nós fazermos parcerias não só com os órgãos públicos, mas nós fazemos também com o terceiro setor, eh, no intuito com escolas, faculdades, com intuito de palestras, rodas de conversas e também prestação jurídica geral para as pessoas nos eventos determinados por parcerias nossas. Então esse é um trabalho efetivo que nós fazemos com as munícipes de Campinas, além do trabalho dentro da própria OAB, que são palestras, seminários, workshop, eh, que mais? Ã, fóruns de discussão, sempre trazendo eh pessoas, convidando o público em geral para poder participar desse momento, poder contribuir também. Ótimo. Infelizmente, nós precisamos dedicar aqui um bom tempo do programa para o assunto violência, né? Esses dados eles são alarmantes, eles são assustadores. O Brasil batendo recorde de violência contra a mulher. Outro dado que trago aqui no programa, Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que em 202570 mulheres foram vítimas de feminicídio, assassinadas por conta do gênero. Mariana Conte, Paola Miguel, o que que tem acontecido? E aí eu quero saber de vocês. É um crescimento essa violência contra a mulher. eram casos que antigamente não apareciam e agora as redes sociais elas estão dando uma visibilidade maior. A questão da internet, por outro lado, tem incentivado, entre aspas, e captado esses jovens, esses adolescentes ou até adultos que tinham este mesmo pensamento e agora se sentem livres para cometerem esses crimes. O que que tem acontecido pra gente ter um recorde no número de mulheres sendo vitimadas? Olha, Gabriel, eu acho que é importante a gente fazer uma leitura histórica das coisas, né? Até legal a Fábia tá aqui, porque eu sou testemunha que a Fábia pessoalmente e a comissão da OAB foi muito parceira em 2017, quando o Campinas começou o ano com um feminicídio, uma chacina em que várias mulheres foram mortas. Era um momento em que o tema feminicídio não se usava. Então, a primeira embate que nós fizemos, Fábio, foi para dizer: "Olha, é feminicídio, a mídia precisa tratar com feminicídio, a câmara, a política foi uma para consolidar a ideia, porque a lei do feminicídio de 2015, sim. Então, e a gente fez um embate aqui para trazer a estrutura da vara de a toda a estrutura prevista na Lei Maria da Penha, a vara de violência doméstica familiar, o Centro de Responsabilização do Autor de Violência, que são estruturas que a Lei Maria da Penha previa, mas Campinas ainda não tinha implementado. Então, nós fizemos esse trabalho. Na ocasião, a gente debatia bastante a questão da violência. É claro, a violência ela já é uma é uma constante na vida das mulheres, né? As mulheres sofrem violência eh há séculos. Uhum. Eh, existe uma uma um conservadorismo, eh, que é tá permeia a nossa sociedade. A ideia de que as mulheres são um objeto, estão sobre a vida e a morte das mulheres, eh eh são propriedade do marido, do pai. Isso, né? O é o o patriarcado é uma uma realidade, o casamento, né, o dote, né, que você compra, né, que a mulher ela é sua propriedade, né, literalmente assim, que você é dono dela. Isso é reconhecido inclusive na na na justiça, né? Quero lembrar aqui da luta da década de 70 contra a tese, né, o assassinato da Débora Ângela Diniz, da Ângela Diniz e que o a defesa do do assassino foi de que foi a legítima defesa da honra. Isso até muito recentemente ainda era utilizado como argumento para se ter para justificar o assassinato de mulheres. Mas o que o que eu acho que tem uma diferença é que de lá para cá a gente fez muita luta e mudou assim, eu acho assim, eu vejo quando você vê as a as mulheres e de todas as idades, eu acho que teve uma um protagonismo da da juventude, porque a juventude tem isso de trazer novos ares, mas que foi plenamente apoiado. Então, eh mulheres assim, né, dos dos 30, 40 anos mais, você vê que as mulheres assim, nós nos libertamos de várias coisas. Entendeu? Nós demos mudanças radicais da nossa vida de autonomia, de afirmação, de não topar relacionamento machista, de não ficar sofrendo calada, de tá junto, né, querer fazendo, realizando o que a gente quer. Entendeu que é um relacionamento abusivo também, porque até então era normalizado, né? Ah, meu marido reage dessa maneira, tal. E isso foi. E eu acho muito louco porque em 2017, eu lembro, eu tava no meu primeiro ano de vereadora, a gente comparava: "Ai, o que que é relacionamento abusivo?" não tava generalizado. Dá nome paraas coisas. Quando a gente passa, as coisas passam a ter nome, muda de cenário. Então, essa coisa da relacionamento abusivo era uma novidade esse termo. Eu lembro que a gente fez aqui entrevistas entre nós em que a gente discutiu o que que é relacionamento abusivo, ou seja, deu passos, nós demos passos. Isso por conta da luta, porque a gente ocupa as ruas. Agora a gente vê que existe um movimento reacionário, né? reacionário tanto do ponto de vista eh e aí acho que tem braços como, por exemplo, das redes sociais, né? E aí não é não não vamos não dá não cabe ingenuidade. Os casos EPS tem estão estourando em nível nacional, em nível nacional e internacional, né? denúncias de abuso sexual, tráfico de crianças, meninas que envolvem eh Jeff Bezos, Elon Musk, todos os grandes grandes aí das das corporações das BigTechs, né? Eles estão envolvidos até o pescoço num escândalo internacional de abuso sexual contra meninas, né? Não é à toa que esse que os algoritmos das redes sociais são pensados para incentivar isso mesmo. É por isso que assim, a gente o Brasil tem uma regulamentação, ato de soberania. Eu só para para complementar isso, acho que tem uma uma questão tem que da Paola. Para quem não sabe, a Paola é ela faz pesquisas em inteligência artificial. É, mas eu acho que tem um ponto central sobre tudo isso que acho que é muito importante a contextualização histórica que a vereadora Mina Conte traz, porque eu acho que tem um momento específico onde a gente tem um aumento de casos de violência e uma diminuição da notificação e que isso dá uma falsa sensação de que agora os casos estão explodindo. Mas a gente tá esquecendo a pandemia. Então assim, a pandemia foi um momento onde teve uma uma crescente de casos de violência e uma subnotificações. Então, até mesmo quando a gente olha pro serviço público, né, a gente pode, a gente tem uma, uma queda ali de notificações, que é uma, que foi uma a sua pergunta, né, Gabriel? Ah, a gente tá tendo maior notificação, provogação das redes sociais, mas o que que a pandemia faz? A pandemia ela massifica essa utilização das redes sociais, né, e também faz com que essas bigtecs ela consigam se desenvolver, porque foi a partir daí que a gente conseguiu desenvolver mais ferramentas de reuniões online, foi a partir daí que outras ferramentas eh de home office foram desenvolvidas, foi a partir daí que as redes sociais que já eram muito utilizadas, elas tiveram uma grande explosão, porque essa forma de comunicação foi a que era a única possível, muitas vezes naquele momento. E no pós-pandemia a gente vê uma crescente ali das eh uma crescente dos casos de violência, inclusive acho que que a Dra. Fábia consegue eh comentar melhor sobre isso. Mas tem um ponto significativo sobre as bigtecs. Foi nesse momento que elas também começam a fazer um autodesenvolvimento. E aí, por exemplo, você pega redes sociais, eh, como, por exemplo, o Instagram ou o Snapchat, né? a quantidade de tempo que elas demoraram para atingir 1 bilhão de usuários, né? No o Instagram, por exemplo, foram o que é a mais recente, né? A que era mais rápida até o momento, foi assim, 5 anos. O chat EPT demorou 4 meses para conseguir ter 1 bilhão de usuários e isso fez com que essa bigtec explodisse e não só ela, várias outras. E aí o Elon Musk que tem que comprou o Twitter, que virou X, que tem o Grock, né? e todos os outros modelos de intelig. Então essa explosão que cresceu, ela vem tudo nesse nesse pós-pandemia. E aí quando a gente tem a eleição do Trump, a gente tem uma nova mudança da forma com que esses algoritmos eles são disseminados. E aí mais eh dessas disso que a vereadora Mariana Constraz, você começa a ter uma grande explosão de vídeos sobre misogenia, sobre LGBTfobia, eh com uma linha mais eh fascista, uma linha mais eh realmente agora de propagação de ódio. E tudo isso não tá desvinculado também nesse cenário político nacional da eleição do Trump, né? Era só esse o ponto, assim, não e até pegar o gancho aqui com isso que a Paula falou. Porque também essa questão dessa disseminação, isso virou o você fazer a a apologia ao feminicídio, a violência contra a mulher, o ódio das mulheres, virou um ativo, um ativo econômico, porque as redes sociais, né, os algoritmos, eles muita gente monetiza ou ou ganha ganha com as propagandas. Então é um ativo econômico e um ativo político, porque você tem a eleição de pessoas que viralizam na internet propagando o ódio contra as mulheres. E aí e isso é e e eu acho que o a Paula falou do do 8 de março. Esse 8 de março foi um 8 de março num momento muito crítico, porque essa eleição que a gente tá para vir uma eleição extremamente eh em que esse tema vai est colocado, porque a gente tá vendo que pessoas misógenas, machistas, que desprezam as mulheres, que têm como forma sistemática o ataque às mulheres, estão se localizando para serem candidatos. É isso, estão se localizando. E e e veja, a a mesmo tempo você tem aquele falso conservadorismo, da aprovação de leis extremamente retrógradas. Quero lembrar aqui que se tentou, por exemplo, tirar o aborto legal eh no caso de estupro, sendo que a grande maioria dos estupros acontece acontece contra crianças adolescentes. Foi dentro de casa foi o movimento criança não é mãe que aí o movimento feminista explodiu, foi pra rua, porque não dá para legalizar o aborto. Quer dizer, quando a gravidez da adolescência e o aborto seral é inclusive uma forma de de que essa violência vem à tona, de que essa de que o abuso sexual de crianças adolescentes chegue no estado. Então, a gente vê que tem uma tem uma existe um conserto conservador, um conserto conservador reacionário que tá ligado às grande a indústria da tecnologia, né, que tem aí tem apoiado eh e disseminado políticas de extrema direita contra as mulheres, que é um dos setores mais avançados da sociedade hoje no hoje no no Brasil e no mundo. Se dependesse do voto das mulheres, a extrema direita não se criava. E aí, só para para colaborar com isso, né? O dia que o Nicolas Ferreira mais ganhou seguidores no na rede social, né, a mais utilizada que que a gente tem, foi no dia que ele subiu na tribuna, colocou uma peruca loira, né, eh, e atacou Mulheres Trans. Foi o dia que ele mais ganhou seguidores na história dele, assim, na história da internet. E isso demonstra como a propagação do ódio, da violência, o ataque às mulheridades, né, nesse caso específico lá, mulheres trans, como que isso engaja, faz você ter likes, ganhar seguidor e aí faz com que você seja essa essa pessoa, né, que consiga fazer com que a tua palavra chegue mais longe. E aí eu eu acho que a grande mudança eh que a gente tem é que alguns pensamentos que eram isolados e ficavam em bolhas, né? Porque a gente teve a gente teve antes disso eh o o a percepção, né, com a a pesquisadora Adriana Dias do crescimento de células nazistas, de crescimento desse pensamento reacionário fascista, eh eh LGBT fóbico, misógeno, isso já tava aparecendo, mas a diferença é que isso era localizado, isso eram células, né, que a gente que a gente chamava. A partir do momento que você tem isso propagado na rede social, de uma forma sem repressão, com falso argumento de que isso é liberdade de expressão, né, as pessoas começam e aí, né, quais pessoas, meninos, adolescentes, crianças, começam a olhar para isso e começam a entrar dentro dessa política, dessa ideologia em céill, que é a propagação do ódio às mulheres. Isso dá like, né? E no ano eleitoral isso dá voto. Fábia, o percentual das mulheres que declararam ter medo de sofrer estupro também cresceu. É uma pesquisa que foi realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva. 82% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter muito medo de serem vítimas de um estupro. Esse sentimento do que pode acontecer, ele é muito prejudicial paraa saúde. Essa insegurança traz muitas consequências também, né? De alguma maneira a OAB trabalha este assunto, conversa com essas mulheres em roda de palestras, em workshops. Sim. E fogo dizer que é 100%. Hum. Toda mulher tem medo de ser estuprada. Tem medo até de responder pergunta, né? A partir do momento que ela sai de casa, ela já tem medo de ser estuprada. diferente de um homem que só vai ter esse medo quando está em cárcere. Uhum. Eh, nós sempre trazemos essa discussão. É uma discussão assim que ela provoca várias reações. Algumas pessoas se levantam porque elas não querem tocar nesse assunto. Eh, por uma questão histórica também, porque foi pelo patriarcado, familiares, uma naturalização do patriarcado nesse aspecto. Eh, mulheres, quando nós estamos nas regiões mais periféricas de Campinas, elas se manifestam, é muito interessante, mas desde que seja uma roda totalmente democrática, se tiverem representatividades da administração municipal, elas vão ficar retidas porque elas têm medo de uma retaliação, até mesmo com relação ao ponto de vista delas, com relação ao que elas pensam do estupro, por exemplo, mulheres pardas e pretas são as mais estupradas desde o momento que sai de casa até o momento que volta. Mariana e Paula, dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em 2025 foram 98 casos de estupro em Campinas. E agora para nós compararmos, janeiro de 2025 foram contabilizados cinco casos. Neste ano a gente só tem o dado do mês de janeiro, já foram 10 casos. o dobro em relação ao ano passado. Na visão de vocês, Campinas está inserida diante deste contexto de Brasil que vocês citaram ou há necessidade de um trabalho específico aqui na nossa cidade para remar na contramão do país? Na verdade, assim, claro, tá inserida, porque as dinâmicas que estão de Campinas são as mesmas dinâmicas do Brasil e do mundo, né? Então eu acho que essa questão do estupro, do crescimento dos casos de estupro é alarmante. Eh, eu, se eu fosse, não sei, eh, detalhe, a gente precisava olhar com detalhe esse dado, mas eu aposto que esse dado traz sobretudo o estupro como de estupro de violência urbana, tá? Eh, mas aí tem um estupro que é um estupro muito menos dito e muito menos quantificado, que é o estupro em casa. né? A a Fábia falou do da partir do momento que a gente sai de casa, comra certeza, né? quando a gente tá na rua tem essa essa esse medo e é incentivado quando os quando as mulheres são objeto, são tratados como objeto, se naturaliza que as mulheres são objeto e que vai ter uma clicidade. Porque a questão da da agressão contra as mulheres é isso, assim, é o homem ter a certeza de que ele pode fazer o que ele quiser, que ele não vai ser punido. Uhum. que ele vai ter a broderagem, a cumplicidade das instituições protegendo. Então ele vai ter a cumlicidade do sistema de segurança, ele vai ter a cumplicidade do ML que vai fazer o o o a o exame o exame do médico legal. Então assim, eh e que muitas vezes tem, né, desculpa te cortar, esse é um problema também, né? Porque às vezes tem medida protetiva, vai lá e acontece o assassinado. Tem medo, mas vai lá e faz da mesma maneira. As mulheres são julgadas o tempo todo. Às vezes você sofre violência, você é julgada, responsabilizada, sei lá, tem algo clássico, né? Que roupa você tava, que que você tava fazendo fora de casa. Ah, se tivesse dentro de casa, não teria acontecido isso. Só que aí também tem a questão de que dentro de casa também é perigoso. Existe o estupro maritral, que as mulheres estão se rebelando contra isso e tem um monte, um monte de redill na internet falando quanto é absurdo se sua mulher não corresponde, você casou para quê? Sabe como se assim, ah, se eu eu eu casei, né, tô namorando, tenho sou obrigada a a satisfazer todas as vontades do do bonito, né, entendeu? Então assim, eh, tem o estupro marital e tem o estupro que é o estupro contra crianças e adolescentes, que tem sobretudo dentro de casa ou no caso do estupro coletivo que aconteceu, aquela menina foi para, ela foi numa relação de confiança, ela acha na imagino que na cabeça dela, não sei, né, ela tinha algum afeto, uma fé, sei lá, eles tinham tido um relacionamento, né, ele também era da mesma idade que ela, né? tinham terminado e terminado. É, e foram conversando e, ou seja, é a ideia da punição, sabe? É, é uma é uma é uma ideia de que as mulheres têm que ser punidas, né? E aí esse cara vai lá, arma umauca para ela e para e ela é estuprada coletivamente. Então assim, eh, você pensa aquela aquela menina, imagina ela nunca passou pela cabeça dela que isso poderia acontecer a um ex-namorado, entendeu? Então assim, eh essa e eu acho que esses esses dados e e você veja, né, quando apareceu essa denúncia desse estupro coletivo, começou a aparecer várias, porque a mesma dinâmica é sempre assim, caso de violência é sempre assim. Basta uma ter a coragem de falar que começa a pipocar, né? Por isso também é tão tão indignante o caso dos desembargadores lá de Minas Gerais, que tavam inocentando com base numa tese, eh, inocentando um homem que de 35 anos, com base uma tese de relação afetiva a vínculo familiar, que tava assim, ele tava tendo uma relação, uma relação de estupro permanente, condicionado inclusive a uma criança pobre, né, condicionado a pagamento de benefícios para pra família é a posse. É, então, ou seja, a gente vê que existe uma clicidade colocada, né? Existe uma uma uma clicidade que vai vai sendo vai os agressores de mulheres eles acabam sendo não apenas eles não são punidos, mas como a gente tem visto no caso decisões, a gente tá falando dos ativos financeiros e e e votos são recompensados. Éim. E isso também é uma realidade em Campinas. Por isso que a gente luta tanto, a gente lutou tanto pela vara de violência doméstica familiar que não funciona contento, que não tem uma articulação. O Serave, a gente vai voltar agora a funcionar por meio de uma emenda da Samfim, que a gente pediu pra Sam, ela Sam atendeu, mas o Serave não funciona da forma como a gente queria, que era articulado com a vara de violência. Porque assim, o que eu o que eu assim além da estrutura existir, você precisa ter vontade de que ela funcione. E ter vontade de que ela funcione e precisa ter um olhar feminista para as coisas, sabe? Você precisa ter um olhar sem o olhar feminista, porque às vezes a vou vou vou vou combater a violência, né? Os conservadores, cara, se você tem um olhar conservador, você não vai fazer o negócio funcionar. Essa é a experiência que eu acho que a gente aqui de experiência própria, contando para vocês, nós conseguimos tudo, conseguimos formar todos os serviços. Por que que não funciona? Porque não tem vontade de funcionar, não é por falta da existência. Paula, quero ouvi-la também sobre a cidade de Campinas inserida neste contexto. Olha, eu concordo muito com a vereadora Mariana Conte e de que assim, Campinas não tá apartada apartada da do que é o Brasil hoje, do que é essa realidade de Brasil e nem desse do que é essa sociedade que tá se formando nessa dessa propagação de ódio, essa misogenia contra as mulheres. É, o que eu acredito é que Campinas precisa sim ter uma um trabalho específico, porque esse é o final da da fala da vereadora Mariana Conte, é muito central. Nós temos todos os serviços que foram pensados no enfrentamento da violência contra a mulher, mas a gente ainda tem uma crescente de casos de estupro, de violência doméstica, de assédio sexual, de violência eh em todos os âmbitos. Então assim, se a gente tem todos os serviços, todos os o todas as estruturas, por que que a gente ainda não consegue fazer com que os dados da cidade de Campinas sejam menores? E isso e esses dados, né, a média de feminicídio na cidade de Campinas, na região de Campinas, ela já é maior do que a média do estado. Então a gente precisa olhar para isso, a gente precisa entender o que tá acontecendo. E aí eh uma coisa que eu ouço muito, né, quando a gente vai conversar também, às vezes a gente tem eh mulheres de diferentes situações econômicas e as eh mais vulneráveis, muitas vezes elas têm às vezes a coragem, a audácia de falar que elas passaram por isso. Uhum. Quem tá mais ali abastada, que tem uma condição econômica um pouco mais estruturada, ela tem vergonha, ela tem medo, ela tem receio, ela passa também por isso, mas ela não divulga. Só ela não divulga. E aí mesmo pessoas que conhecem a legislação, que sabem o caminho, que sabe aonde ela pode buscar ajuda, né? conhece o disco, o discou de ser reestruturado para ter novamente o atendimento somente de mulheres, porque isso é uma questão específica e já tem dados dizendo que mulheres elas sentem mais seguras de fazer esse relato para outras mulheres pela compreensão mesmo e o não julgamento sobre aquela situação, que é a dificuldade que a gente tem nas DDMs, né? Fora o fato delas não serem não, nem todas serem 24 horas por dia, porque aí a gente sabe, né, que a violência doméstica ela acontece quando? Feriado prolongado, final de semana, no período noturno. Se a delegacia não funciona, essa mulher tem que fazer o quê? Ou ela tem que fugir paraa casa geralmente de uma amiga, de uma mãe, né? eh, de uma outra mulher para se esconder ali. E aí, muitas vezes, se essa outra pessoa que ela vai buscar ajuda tem uma estrutura familiar, né, de com crianças pequenas, ela também fica com medo do que vai acontecer com ela pelo fato dela ter acolhido, né, aquela mulher. E aí toda essa situação de tensão faz com que muitas vezes a denúncia ela vá demorando para chegar, né? E é esse o momento que o agressor tem muitas vezes de cometer mais um ato de violência. A gente teve uma mudança aqui no sistema de abrigagem que a mulher só pode ser abrigada quando ela tiver na eminência da morte. Mas quem que pode responder qual que vai ser essa eminência da morte? Tem mulheres que relatam que nunca haviam sofrido nenhuma violência. E no dia que teve a tentativa, foi de feminicídio, né, de que elas quase morreram, que teve ter uma intervenção das pessoas. E acho que tem um outro problema que é esse pacto que é construído, né, que muitas vezes na hora que a gente tá na roda de conversa, né, os homens que t a piadinha, aquela coisa mais agressiva, mais violenta, pode até eh haver um não concordo silencioso. Então, a omissão faz com que muitas vezes esse pensamento seja propagado como se ele fosse a realidade e a verdade sobre como que como que deve se agir, né? E muitas vezes quando o homem também não se enquadra dentro desse dessa expectativa, ele começa a buscar meio de se enquadrar, ele começa a buscar meios também de ser aceito dentro daquele ambiente, né? eh, masculino, tóxico. E aí, se ele também não é esse homem que a vadora Marana Fonte descreve, né, que é o violento, que é o que chega em casa e obriga a mulher a fazer o que ele quer, né, a obriga a satisfazer, ele também é desqualificado dentro desse ambiente. E esse processo de desqualificação também vão gerando violências naquele ser. E aí a gente tem já inúmeros relatos de problemas de saúde mental. que acabam acontecendo, né, também em homens que são menos ditos. E a explosão de de essa esse momento de explosão diferente do que é em mulheres na população LGBT que é mais interno, que que um dado que a gente não olhou, mas é acrescente de suicídio, de tentativa de suicídios, que é para essa população de mulheres, principalmente meninas de até 14 anos, por conta do processo das redes sociais, né, de mulheres que sofreram com o processo de violência doméstica e não encontrar acolhimento no ambiente familiar ou em outros ambientes, né, ou que foram estupradas e que sente muito culpadas por isso. Outra população LGBT, quando não é assassinada de forma violenta, muitas vezes acaba eh tirando a própria vida, como aconteceu com um jovem negro que denunciou um caso de racismo e passou menos de duas semanas, acabou se matando. No caso dos homens, essa explosão é para fora, é no outro, né? E geralmente esse outro é uma mulher. E aí quando isso acontece, vem novamente a sociedade passando a mão na cabeça desse homem. Ah, coitado, né? Ele tava doente. Mas todas as vezes, independente da situação que a gente esteja, as mulheres são responsabilizadas por qualquer coisa que aconteça, ou pelo batom, ou pela roupa. E agora nem é por isso, é pela foto que ela postou vestida com roupa em ambiente eh de trabalho, em ambiente familiar, que foi colocado numa rede social. as mulheres estão sendo responsabilizadas por, de novo, homens, às vezes, até mesmo aqui em Campinas teve um caso de adolescentes, né, que compartilharam fotos de colegas de trabalho, eh, colegas de escola, perdão, no groque e colocaram no site de pornografia. Eram eram adolescentes que foram que tiveram suas imagens expostas. Então assim, o processo que há hoje na cidade de Campinas não é diferente que acontece no mundo, né, e sobretudo no Brasil. Mas a gente precisa entender porque que mesmo tendo todos os equipamentos, a gente ainda tá tendo uma crescente dos casos de violência. Fábia, em janeiro deste ano, a cada três dias, um estupro em Campinas é uma cidade violenta e perigosa para as mulheres? Extremamente, extremamente é uma cidade violenta, mesmo quando a mulher é estuprada, não tem uma rede de apoio para incentivá-la a fazer essa denúncia. Então, muitas mulheres às vezes vão denunciar do tr meses depois, quando não se consegue nem fazer um exame de corpo delito e muito menos às vezes elas estão também atrasadas para os meios antes de concepção, para prevenção de doenças, etc e tal. Então, a cidade de Campinas é extremamente violenta pra mulher, é um risco pra mulher. Os últimos 15 minutos do nosso questão de ordem passa rápido, viu? Estamos aqui na na reta final, falar um pouquinho sobre políticas públicas também. Mariana Conte, Paula Miguel, como é que vocês enxergam a criação e o trabalho desenvolvido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres? Olha, eu acho que a secretaria ainda precisa mostrar que veio, né? A gente defendeu a secretaria, lutamos pela secretaria. Eu acho necessário ter uma secretaria. Eh, mas eu acho que ainda precisa mostrar a que veio sobretudo, e eu falei isso paraa secretária, que eu entendia que o principal papel da secretaria era articular os serviços, porque é impressionante se os serviços existem, mas não existe intercâmbio, estratégia, eh, entre eles, articular os serviços para criar essa rede de proteção e ter mais investimentos com equipe. Porque não tem jeito. Política se faz com equipe, é trabalho. Eh, executar qualquer coisa. Se você vai fazer, sei lá, uma reforma na cozinha da sua casa, um bolo ou eh é trabalho. Você precisa ter trabalho, você precisa ter gente para executar, você precisa ter. Agora, sem trabalhador para fazer a política, a política não vai surgir do nada, não vai brotar do chão, né? E aí vira só retórica. Então, o que eu acho é que a a secretaria, o governo Dário precisa dar esse passo, né, de dar da secretaria deixar de ser uma retórica e virar uma uma política real, ter o seamo ampliação, ter seo que a gente fala o seamo itinerante, ter ampliação da da casa abrigo. tem uma demanda da casa de passagem, mas também tem a demanda sobre o apoio, o auxílio para mulheres eh saírem de casa, o auxílio moradia, que hoje demora muito para sair, eh, e que não tem não a tem em em volume suficiente. Então, tem uma série de coisas que são necessárias serem feito eh ao mesmo tempo. Mas aí eu quero de novo, eu acho que tem uma questão do olhar conservador, por exemplo, isso que a Fábia falou é muito importante. Quer dizer, as mulheres, na medida a mulher sofreu um estupro, ela precisa ter algum grau de confiança de onde ela vai buscar, onde que eu vou buscar, eu vou fazer uma denúncia na delegacia, onde eu vou ser desacreditada, dependendo da da da formação e da sensibilidade da pessoa que vai atender. A menina de Copacabana eh mandou mensagem para um amigo, por exemplo, tipo, me ajuda. Exato. Vou vou vou procurar um hospital que eu não sei se eu vou ser Imagina essa isso que a Fábia fala, quer dizer você ter acesso ao anticoncepcional, a ter o dependendo do do do grau da mentalidade, o hospital vai vai divulga, é, vai colocar essa menina numa numa situação de exposição. Primeira coisa é o seguinte, o conservadorismo ele tira a relação de confiança, que eu acho que é a primeira coisa para você ter combater a violência é relação de confiança. Isso não é isso as as mulheres que estão nos assistindo pode dizer isso, porque geralmente quando você só faz uma denúncia quando você tá segura para fazer a denúncia, é muito difícil fazer uma denúncia sozinha. Você conta para as pessoas que você sabe que você não vai ser julgada. E assim, eu sei que todas as mulheres, todas nós já sofremos alguma violência na vida e a gente só conta para quem a gente sabe que não vai ser julgada. E a gente sabe que a maior parte da das das do julgamento contra as mulheres, ela é assim, é tem assim, ele ele ele ele ele é fulminante, sabe? Porque é o julgamento, é a moral. Então eu eh os serviços, na medida em que você tem os serviços, quem executa a política não é uma política conservadora, não vai dar certo, não vai ser efetiva. Essa experiência que a gente tem. Eu acho que eh para mim é isso. A Secretaria da Mulher, ela precisa mostrar que veio. Não tô falando que a secretária é conservadora, não me pareceu uma pessoa conservadora, mas aí você vê assim, ai o prefeito, o prefeito Dário Saad eh, circulando politicamente com o o governador Tarcísio, que tá dentro de toda essa rede de pessoas aí que são red pill, que incentivam a violência, sabe? Então assim, eu eu ainda não para mim não fui convencida de que existe de fato uma intenção, um não vi com os meus próprios olhos uma uma ideia, uma real e concreta, além da retórica de que vamos melhorar o serviço, vamos fazer da de Campinas uma política mais segura, criar um bolão de segurança ali para que as mulheres possam para que os as trabalhadoras que já existem possam fazer o seu trabalho, que muitas vezes elas são limitadas em fazer o seu trabalho e segundo que possa fazer a a melhorar, né? Paula, eu acho que só uma uma questão importante, assim, a secretaria, a Coordenadoria da Mulher ficava na assistência antes e tinha uma política que ela era eh assistencial, né? Então assim, mulheres que eh buscavam, né, a Secretaria de Assistência, elas tinham a política direcionada para esse assistencial, né? Então, se a gente for olhar os programas da cidade de Campinas, né, eh, para além do cartão nutrir, a gente tem programas de geração de autonomia das mulheres, né? Quando a Secretaria da Mulher ela é criada, a política de segurança, que essa essa proposta inclusive de integração dos serviços, né? Então, integração com a secretaria de assistência, integração com a secretaria de segurança pública, integração com secretaria eh de cultura, integração com a secretaria de meio ambiente, isso não é feito. E a gente ainda tem agora eh não tem mais a política assistencial, porque isso continua na assistência, mas a gente tem somente a perspectiva da mulher empreendedora. Então assim, se a mulher ela não for empreendedora, se ela não tiver conseguido atingir esse nível de que ela consegue sair de casa, que ela consegue eh fazer o trabalho, de que ela consegue se organizar, que ela consegue estar na feira da mulher empreendedora, a política não chega até ela. A outra coisa importante é que a gente tem visto nesse último período uma uma lógica, né, de você dar selo para empresas que são amigas da mulher. E aí eu falo assim: "Mas o que que isso significa e qual é o real impacto disso para com a gente consiga diminuir o dado de que meninas são estupradas dentro de casa? Como que a gente consegue fazer com que esse selo, né, da empresa amiga da mulher vai impactar diretamente na diminuição de casos de estupro na cidade de Campinas? Como que a gente vai tirar essa mulher da situação de violência que ela vive hoje, da insegurança alimentar que ela vive hoje? para conseguir para de fato colocar ela num programa de empreendedora, esse empreendedorismo, onde ela vai morar, onde essas crianças vão estudar, como que ela vai, né, conseguir se transportar pela cidade de Campinas, como que esse programa de de mobilidade urbana é integrado com a Secretaria da Mulher. A gente lutou muito para que a Secretaria da Mulher chegasse, fosse criado com orçamento próprio para pensar políticas públicas, mas isso não acontece. Então assim, a gente tem hoje a Casa da Mulher Campineira, que é uma cópia do programa do governo federal, que é a Casa da Mulher Brasileira, que fazia esse processo de integração de serviços, mas sem integração de serviços. A gente teve a criação da Secretaria da Mulher, mas cadê as servidoras? Quem que vai fazer atendimento? Como que a gente vai conseguir fazer com que a mulher que tá lá no Vida Nova, que tá lá no Bassole, que tá lá no no Gargantilha, que tá lá no no Vale das Garças, o Piracambaia, chegue até o centro, você não tem nem transporte para essa mulher chegar, gente. Então assim, é, para mim é muito uma política conservadora na perspectiva de você colocar no papel, você publica no Diário Oficial como se tudo estivesse resolvido e você não estrutura, você não olha para aquilo, qual que é inclusive a pluralidade e a diversidade de mulheridades que tem dentro da secretaria para fazer acolhimento de mulheres trans, de mulheres negras, de mulheres periféricas, de mulheres com deficiência, tem acessib possibilidade pr as mulheres chegarem que acontece. Tem um telefone que ela pode ser buscada na emergência no final de semana, no sábado à noite, no meio do carnaval, tem algum espaço que ela pode buscar? Então assim, eh, e aí eu vejo algumas políticas acontecendo que são muito válidas, né, mas sem ter esse processo de integração. Então, a secretaria tal faz isso, secretaria tal faz aquilo outro, tal. E aí isso vira uma política. eh aquilo que a gente chama de marginal, periférica, pontual e não permanente. Então eu acho que essa é a maior dificuldade que a gente tem na cidade de Campinas como um todo, sobretudo sobre a política de mulheres. Fábia, além do sobre a descrição, né, a criação da secretaria, é para fazer uma integração com outras secretarias, para planejar, para articular, para ampliar ações que promovam direitos, a questão da proteção, da autonomia econômica, da qualidade de vida para as mulheres. Este é um caminho muito importante em se colocar tudo isso em prática. Sim, e vou mais além. Eu acho que é mais ou menos o que a Mariana falou, tem que integrar não só em termos de gestão administrativa, mas em termos também de delegacias, em termos do judiciário, porque se todos não funcionarem, em algum momento vai se quebrar. Falando especificamente sobre o judiciário, nós temos a vara de violência doméstica contra mulher, só que os julgamentos continuam ainda seguindo os ritos do criminal, ou seja, em dúvida para ré, que significa na dúvida absolvo o réu. Se não houver provas materiais, aquele agressor vai ser inocentado. Aí a vítima vira para você que tá na assistência de acusação e te pergunta: "Mas e aquele negócio que falavam que a palavra da mulher vale na Maria da Penha?" Entendeu? Então é é todo, é um todo que precisa funcionar, delegacias, administração, judiciário. Mariana, aqui em Campinas a prefeitura informou que o projeto Bem me quero realiza rodas de conversa, palestras com estudantes do ensino fundamental, doe eja, profissionais da educação. Os temas incluem: prevenção à violência contra a mulher, combate ao machismo e racismo, saúde da mulher, prevenção da gravidez na adolescência e dignidade menstrual. Conversar sobre estes assuntos com e com as adolescentes é fundamental para combater este machismo já nesta fase que eles estão? Com certeza, até porque elas estão vivendo, seja as adolescentes e os adolescentes, eles estão vivendo, vocês sabem muito bem que é um momento de muitas descobertas, tensões, dilemas, tudo é muito intenso e elas e e eles estão vivendo a sexualidade, vivendo violência, vivendo os os grandes dilemas estão acontecendo ali. Aí você pode fechar os olhos e dizer que não que não existe e cada um que se resolva. Ou você pode abrir, acolher, orientar, eh, e e construir alguma política. Eu acho que é importante esse programa. Mas tem uma coisa, Gabriel, isso precisa tá dentro da escola, como a gente falou da articulação. A gente, a Paola tem um projeto, eu tinha um projeto também lá no meu primeiro mandato que é Lei Maria da Penha nas escolas. Hum. Isso a gente sempre insiste, porque é preciso que a Maria da Penha seja de seja. E isso significa que a gente precisa trazer os professores. Sem os professores, os professores já lidam com isso. Tem professor que é punido por debater a questão de feminismo, de violência doméstica, ele é punido. Ele não é só que não é incentivado. Se ele abre essa discussão, ele é punido, porque também faz parte dessa da política, né, do ódio, o ódio, do ódio às mulheres, mas também o ódio à escola e o ódio aos professores, né? Então, os professores também estão sendo expostos, sobretudo as professoras estão sendo expostas, mas assim, o fato é que as professoras lidam com isso. Eu já dei aula na rede pública e eu me lembro de uma menina que veio me procurar e me dizer assim: "Professora, eu tô grávida". Que que você acha disso? Nossa, você acha que isso é bom ou é ruim? Aí eu simplesmente olhei para ela e falei assim: "Meu Deus do céu, essa menina não tem ninguém para conversar. Elas estão vivendo isso. E professor, a pessoa, a pessoa que que que é é é uma referência que tá ali perto. E o que que você faz quando professor? Se você tá sempre na berlinda, não tem apoio, não tem política pedagógica para lidar com esses conflitos e ainda tá sofrendo perseguição, porque tão falando que você tá querendo passar ideologia pros estudantes. Eu acho que assim, esse a gente tá na a secretaria de educação tá de mal a pior, vai de mal a pior aqui em Campinas nós estamos tendo privatização das escolas. Nós estamos tendo eh ingerência sobre o projeto pedagógico. O o a a o Dário tá fazendo uma que a gente chama da da tarcização, é pegar o mesmo modelo do Tarcis e implementar na cidade de Campinas, sendo que Campinas sempre teve uma rede de educação muito melhor, com pessoas muito mais muito mais qualificadas, engajadas e valorizadas por conta da luta. Então, a gente teve aí tá tendo quase como uma intervenção do Tarcísio na política de educação. E nessa linha não vai ter espaço para uma política tão fundamental e essencial que é abrir o debate com as nossas crianças adolescentes sobre o tema da violência, sobre o tema da do direito das mulheres, sobre o respeito múltuo, sobre tudo isso nessa política conservadora. autoritária, intervencionista, não tem espaço. Isso é e assim não a a intervenção, a militarização e tudo isso que tá acontecendo no estado de São Paulo e que o DAR importou para cá, isso é parte do processo de dessa dessa dessa dessa fórmula conservadora que penaliza sobretudo as mulheres, a negritude, as pessoas com deficiência, quem tá a o sentido dos os desviantes penalizam os desviantes. Mas eu acho muito louco porque ao mesmo tempo, acho que para concluir também a gente vê que tem uma crise entre os meninos e os homens, eles não se enquadram. Você tem tem uma uma coisa que é o adoecimento mental. A Paula falou sobre isso, o adoecimento assim generalizado nos Estados Unidos, inclusive eu tava vendo dados que é onde porque a gente também importa tudos esses modelos é importados Estados Unidos e fica, né, sendo a gente acata como se fosse a quinta maravilha do mundo, mas pelo por exemplo a expectativa de vida dos homens pela primeira vez caiu. Quer dizer, os homens eles estão adoecendo e morrendo mais. O suicídio é uma realidade, o adoecimento mental é uma realidade. Então, esse essa esse esse processo que a gente tá vendo dessa e eh ele penaliza as mulheres, mas ele penaliza também os homens. penaliza, porque são padrões que são em padrões que vão sendo vão sendo formados e formatados que gera sofrimento. Esses padrões estão estão gerando sofrimento inclusive nos nossos meninos. Então eu acho que assim, a gente precisa ter uma política muito muito firme, sabe? E é por isso que eu acho que assim, foi super importante o criança não é mãe, foi importante eh a mulheres vivas ano passado. Sabe por quê? Porque nas redes sociais o algoritmo também cria uma distorção. Uhum. Parece que todo mundo é assim. Parece que eles são a a são maioria. E quando a gente vai pra rua, enche, disputa, né? Furou a bolha, né? Fura a bolha. E assim, a gente é maioria social, porque eu tenho certeza que a maioria das pessoas que estão vendo aqui, elas se indignam com caso de violência. A, na vida real, a maior parte das pessoas são generosas. A parcela generosa da humanidade é muito maior, só que hoje tá mais desorganizada e com menos acesso a esse mundo de, né, de algoritmos, de robôs, de tudo que, infelizmente tem moldado muito da nossa sociedade. Pra gente encerrar, Paula, eh, eu acho interessante que o projeto Bem mequera é pro EJA, né? Eh, mas a gente tá vendo uma crescente de problemas no fundamental um e dois. E eu sempre conto isso paraas pessoas, né? Eu sou nascida e criada na cidade de Campinas. Toda a minha educação foi eh em escola pública aqui na cidade de Campinas. quando eu tava no fundamental dois, né, que hoje eh ali no início dos anos 2000, na hoje fundamental dois é lido como do sexto ao 9º ano, a gente tinha aula de orientação sexual para diminuir o número de gradidência na adolescência, né? Então assim, eh, e e Aides, ISTs, né, ali, né, que era o processo que tinha vindo muito dos anos 80, anos 90, né, então discutindo muito sobre isso. Tinha ali a as agentes eh comunitárias de saúde que passavam na sala ensinando colocar camisinha e hoje isso virou um grande tabu. Virou um grande tabu. Então, assim, isso não é falado, né? A gente não tá falando sobre eh sexualidade em si. tá falando assim: "Olha, você que já está, né, predisposto, com vontade, com desejo de ter uma relação, né, de de ter um relacionamento ou uma relação sexual, sabe como fazer isso, sabe como se proteger." E muitas vezes ali explicava o básico do corpo humano, o que você pode, o que não pode, até onde você pode ir. E essa e essa matéria, né, eh, extracurricular, ao longo dos anos, ela foi reprimida, ela foi tirada. Isso não pode ser discutido porque isso é incentivar. A gravid adolescência, ela voltou, cresceu, a violência, eh, os estupros eles voltaram a acontecer, estão crescendo sobre principalmente crianças e adolescentes. Se um professor identifica que uma criança tá sofrendo violência, muitas vezes ele é reprimido para que ele não denuncie aquilo que tá acontecendo. Muitas vezes há inclusive uma um viés eh religioso que fala assim: "Não, quem tem que ver isso são outras pessoas. deixa quieto, não se meta nisso. E antigamente, né, e o período na pandemia demonstrou qual era a importância da escola para conseguir identificar problemas domésticos. Muitas vezes a violência doméstica ela é identificada não por uma colega de trabalho, não por conta eh da sua família, mas por conta da escola, porque o comportamento da criança muda. E quero lembrar aqui que a gente já teve outros processos onde a gente discutiu novamente a questão de saúde mental dos meninos. Se a gente lembrar, né, quando a vereadora Mariana Conte falou do dos Estados Unidos, quando a gente começa a ter os ataques nas escolas com arma de fogo, né, e isso chegou até o Brasil também, quem são os maiores autores disso também são os meninos, também são os homens. Então assim, e a gente não discutiu isso naquele momento e agora a gente vê essa violência extrapolando desse ambiente escolar e indo para o corpo, que são as mulheres, que são esses supostos, eh, nesse caso, né, que eles trazem como seram os amores, os afetos, né? Eh, então para mim isso demonstra como há esse adoecimento de sociedade e como cada vez menos a gente tem discutido, a gente tem propagado isso, mas a gente não tem discutido sobre isso, a gente não tem falado sobre isso. E eu acho que o movimento da gente ir pras ruas, da gente se organizar, né, eu eu tenho uma avaliação um pouco diferente. Não é que a gente tá desorganizado, mas a gente tá sobrecarregado. Hoje não tem garantia, não tem segurança alimentar para que a população consiga se organizar. As pessoas trabalham na escala 6. As mulheres estão sobrecarregadas com com o trabalho, a dupla, a tripla, a quadra pra jornada. A pandemia veio para não sobrecarregar ainda mais, porque depois de lá a gente não conseguiu fazer esse redistribuição de tarefa entre mulheres e homem de forma militária. A gente voltou para um ambiente que a gente cuida dos mais novos, dos mais velhos, da casa, do ambiente de trabalho. E os homens voltaram a ficar em ambientes, eh, em trabalhos que vão, que eles saem de casa, né, que eles ficam mais tempo fora de casa, o processo de empobrecimento, o processo do próprio mercado de trabalho, essa essa nas escolas, né, qual que é o xingamento que tem CLT, entendeu? Então assim, a o o modelo de ataque ao trabalho nos atinge diretamente, porque alguém que trabalha na escala 6 por1, nesse único dia que essa pessoa tem livre, muito dificilmente ela vai ter condições físicas e mentais de se organizar politicamente para lutar pelos seus direitos. O que ela vai fazer muitas vezes é ficar em casa cuidando desse processo de casa e adoecendo, né? Então, hoje há uma uma esse conservadorismo, né, político, né, que tá atingindo o poder, ele é feito de forma proposital para que a gente não tenha garantia nem de que a gente consiga se organizar, se reorganizar, se estruturar para poder lutar pelas nossas pautas. Debate bom, importante, mas meu tempo está encerrado. Então, Fábia Bigarani, presidente da Comissão de Combate à Violência contra a mulher da Óbia Campinas, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo ter vindo até aqui aos nossos estúdios. Já faço um novo convite pra senhora retornar e fica aberto à suas considerações finais. Eh, só abrindo justamente o que a Paula falou, fala-se muito, mas não discute-se, então fica algo muito raso, muito na superfície. E como ela mesmo falou, a mulher é cansada, no único dia que ela tem de descanso, pode ter certeza, ela vai querer tudo menos discutir algo que realmente incomoda ela. Vereadora Paula Miguel, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Mais uma vez está aceito convite para participar aqui do Questão de Ordem. Já faço um novo convite pra senhora retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse, mas também outros assuntos e fica aberto às considerações finais. Muitíssimo obrigada, Gabriel. sempre uma grande honra aqui com a vereadora Mariana Conte, com Dra. Fábia, com todo mundo que nos acompanhou até aqui. Acho que o importante sempre de lembrar é que a violência contra, né, essa violência de gênero, principalmente a misogenia, ela é uma é um desafio de toda uma sociedade e não somente das mulheres. E também criança não é mãe, criança não é esposa e criança não é objeto sexual. Vereadora Mariana Conte, presidente da Comissão da Mulher aqui da Câmara de Campinas, muito obrigado também pela disponibilidade do seu tempo. Mais uma vez está aceito o convite para participar aqui do Questão de Ordem. Já faço um novo convite pra senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Bom, é sempre um prazer tá com você, Gabriel, tá com a Paola, com a Fábia. Eh, e eu acho assim que, na verdade, acho que tem muitas lutas acontecendo. Super concordo que a Paola falou que existe um esgotamento de tempo, de energia, porque a gente trabalha como nunca, então tem muitas demandas, muitas lutas. E eu quero convidar as pessoas a se engajarem na luta pela regulamentação das redes sociais para que a misogenia não seja um ativo de monetização, não seja que o ódio às mulheres não seja como um atrativo para venda de produtos, nem votos, ainda mais num ano eleitoral. E eu acho que essa é uma responsabilidade de toda a sociedade. Então, acompanha as nossas redes, acompanha o nosso trabalho e vamos focar um basta nessa divulgação indiscriminada da misogenia e da apologia ao feminicídio. E eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído para este debate sobre este diagnóstico, né, do que acontece no nosso país, mas claro que a cidade de Campinas está inserida neste contexto. Questão de ordem fica por aqui. Até semana que vem. Ciao. Ciao.