Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, [música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater o fevereiro Violeta, pela superação do analfabetismo. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, coletados em dezembro de 2025, em Campinas, cerca de 1,6% da população campineira ou 14.000 pessoas com mais de 16 anos são analfabetas. um número significativo. Então, sobre os prejuízos às pessoas que não sabem ler nem escrever, as ações de buscativa para aqueles que não frequentam a escola em tempo propício, a importância da campanha. Eu recebo aqui no estúdio o vereador Benelima, ele que é o presidente da Comissão Permanente de Educação e Esporte aqui da Câmara, a Ana Guedes, professora titular do Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Unicamp e de forma online a Eloía Helena Dias Martins Proça, que é coordenadora da pós-graduação em coordenação pedagógica e gestão de escolas do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Benel Lima, começo com o senhor. Ano passado participou do programa Questão de Ordem com esta mesma temática. Há um ano Campinas tinha 14.262 analfabetos e hoje 14.015. Portanto, há uma redução para você é positivo, é pouco? Que análise que dá para se fazer? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigado, Gabriel. Quero cumprimentar aqui a professora Ana, professora Eloía. É um prazer estar aqui com pessoas tão bem instruídas, né? Eh, eu acho que é um número baixo ainda, mas tendo em vista que eu tava pesquisando o número 2022, são 22.000 pessoas que eram, n? Então, uma redução de 8.000, Aí já seria um número um pouco maior, que eu ainda creio que seja um pouco mais esse número, porque tem muitas pessoas que têm vergonha de se declarar analfabeta. Então a gente sabe que tem essa questão social também, a questão de quem também tem muitas pessoas analfabetas que nem tem título, então ela já nem entraria nesse dado, né? Então eu acho que é um é um número diferente ainda baixo, mas a prefeitura eh por por sua vez tá fazendo sua parte aí, né, que essa campanha é fevereiro violeta. Eu espero que dê bons resultados e na verdade a prefeitura não tá fazendo mais que a obrigação dela, né, que é um papel constitucional aí de levar educação para quem os colocou aí no poder. Professor Ana Guedes, mais de 14.000 pessoas acima dos 16 anos não sabem nem ler e nem escrever em Campinas. Como que a senhora enxerga esta situação dentro de uma normalidade? É expirado diante de tantos problemas existentes ou não dá para aceitar em uma cidade rica? em um estado rico ter milhares de pessoas sem estes aprendizados, sem dignidade, enfim. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada, eh, Gabriel, muito obrigada pelo convite, por estar aqui. É um prazer estar com o vereador Benê Lima. Um prazer tá encontrando aqui a Elô, Elô, né? Eh, eh, que bom te encontrar nesse programa. E então o que eu essa questão da do problema do do analfabetismo é muito importante de tá sendo tematizada aqui, porque sem dúvida alguma é um desafio, né? É um desafio que a gente precisa enfrentar e superar. É um desafio antigo, né? Eh, ele remete a nossa história da educação do Brasil. Eh, e a considero que é um ponto assim que a gente não pode eh olhar para ele, olhar para esses números de forma naturalizada, entendendo que faz parte da de uma porcentagem, né, de um número. É, é importante e nós olharmos para essa demanda, né, por essa, por esse número expresso que você acabou de nos descrever aí segundo os dados de informação, eh, que, ah, historicamente o que eu tenho testemunhado como professora é o quanto tem sido difícil a manutenção das vagas das classes, das salas de aula paraa EJA, pra educação de jovens e adultos. Eh, tem eh tem sido assim, eu diria na última década uma luta dos professores da Prefeitura Municipal de Campinas para que as classes permaneçam, porque o porque como existe, o Benê Lima acabou de dizer, o quanto há de ah vergonha, dificuldade da das pessoas eh se autorreconhecerem com a serem analfabetas, a questão de preenchimento das salas de aula, muitas vezes ela é a a sala não é tão lotada como o a prefeitura gostaria que fosse para justificar esses professores em sala de aula. Eh, porém isso tem sido uma característica, eh, por conta de existir todo um lado de convencimento e de um trabalho a ser consolidado em relação à alfabetização de jovens e adultos. Se antigamente eh a EJA estava mais eh identificada com as pessoas mais idosas, já há um bom tempo nós temos um número considerável de jovens Uhum. que não conseguiram concluir o ensino por razões eh diferentes, né? Eh, e que então pessoas jovens que não que tiveram ah não tiveram sucesso na escola. Sim. E, portanto, elas precisam, é fundamental que elas sejam eh bem recebidas e com práticas de trabalho com a linguagem eh que possam favorecer que eles se apropriem da língua escrita. E só finalizando a essa esse primeiro momento, ah, mais do que alfabetização, a gente eh precisa na escola de uma, eh, de um trabalho consistente com as práticas sociais de uso da língua, de forma que o trabalho com a escrita, com a o numeramento, né, com com a matemática, com as ciências sociais, ele pode acontecer de forma articulada, propiciando assim que a o ensino da língua seja um ensino que articule as demandas da realidade. Acho que eu paro por aqui. Obrigada. Não falou muitas coisas interessantes que ao longo do programa eu vou abordar sobre os diversos motivos. Acho que isso é importante porque a gente sabe que uma parte da população precisa entrar no mercado de trabalho e aí tem a questão do cansaço aí. Como que você vai conversar com essa pessoa que chega no final do dia, tá? exausta ou que tem dois empregos para convencer ela da necessidade, né, de ter que ler e de ter que escrever. A questão da metodologia que você falou também é o que eu quero abordar ao longo deste questão de ordem. Mas participa com a gente a Eloía, que eu quero uma análise também, já que o Tribunal Superior Eleitoral soltou há poucos meses esses dados. Eles estão atualizados deste número que cai, mas em ritmo lento, Eloía, de analfabetos acima dos 16 anos em Campinas. Que análise que dá para fazer? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada. Boa tarde, Benê. Boa tarde, Ana. Que bom reencontrá-la aqui. Eh, em primeiro lugar, eu acho que a gente não pode pensar nos dados de Campinas isolados dos dados nacionais, né? Nós temos no Brasil em torno de 29% da população que não é proficiente na leitura e na escrita, que não faz uso da leitura e da escrita na sua vida cotidiana. E esse é um dado que merece esforço de todo mundo, da sociedade, do setor educacional, das políticas públicas educacionais, né, de todos nós. E trazendo essa análise para Campinas, eh, eu não consigo entender essa pequena mudança como um progresso. E eu vou explicar um pouco melhor por não, né? Nós estamos numa cidade que é um centro eh de recursos no país e nós temos uma oscilação de população grande nesse sentido. A gente recebe imigrantes de todo o Brasil e inclusive recebemos imigrantes em situações bastante precárias também, né? E nesse sentido o o esse número ele é um ponto de partida, mas como já foi dito anteriormente pelo Benê e pela ANA, eh, ele não é um dado puro, né, e que precisa ser analisado de diferentes formas. A educação de jovens e adultos, ela é uma necessidade nacional ainda e nós temos várias situações para enfrentar em relação a ela, né? não só eh o oferecimento das salas de aula de alfabetização para jovens e adultos, mas tem outras questões que eu considero que elas são complexas. Não dá para pensar o analfabetismo sem pensar no processo de alfabetização, né? sem pensar em todas as demandas sociais, culturais que nós temos numa população que vive sim em situação de desigualdade. Então, acho que eh esse número ele é um ponto de partida paraa nossa conversa, mas ele demanda inúmeras ações, tanto para nós que somos da área educacional, mas para toda a sociedade de uma forma geral e do poder público, né? Para que a gente consiga reverter. E quando a Ana termina a fala dela falando das práticas sociais de leitura escrita, acho que tem uma questão que me chama muita atenção, que o Brasil é um dos países que mais produz material escrito e principalmente livros, né, e que são comercializados de diferentes formas. E como essa essa disparidade ainda continua tão grande, né, no uso funcional da língua escrita. gostaria de acrescentar, acho que a Elô eh eh chamou um ponto aqui que é super importante, o quanto que eh é a gente não olhar para Campinas, né? Olhar para Campinas no Brasil. Uhum. E quando eh eu me preparei para essa conversa, né, eu fui olhar o INAF, que é o índice de alfabetismo, o indicador de a de alfabetismo funcional, que é um índice utilizado como referência sobre a questão do alfabetismo no Brasil, a última vez que ele foi feito foi em 2024. E os dados do INAF, ele apresenta pra gente um Brasil que não é novidade, infelizmente, o quanto que as a esse número eh a porcentagem que ainda é não não é inaceitável, mas é um dado do analfabetismo no Brasil, o quanto que ela tá relacionada às desigualdades sociais. Uhum. que existem no Brasil, desigualdades históricas na distribuição de renda, eh, nas pessoas negras e pardas, eh, ou todos os indicadores que compõem eh esse eh esse descritivo apresentado pelo INAF, que é um dos indicadores referência, eh, mostram um uma situação geral do Brasil. Claro que há questões regionais, mas uma questão que assim eh essa a educação no Brasil ela tá ligada a uma questão histórica de acesso desigual aos bens culturais. E a escola ela é a uma a instituição, né, social que tem essa função de eh garantir o acesso, né, esse direito educacional. E só para terminar aqui essa mais uma um momento de de da abordagem do tema, a questão metodológica, né? A questão de como a gente trabalha isso, eh, na sala de aula, como a Elô falou, nós temos aqui no Brasil bastante material produzido. Ah, a gente tem, eh, vamos dizer assim, ah, produção tanto na pesquisa de conhecimento quanto na produção de material. E o quanto ainda é uma coisa muito importante trabalhar com os objetos culturais que estão, por exemplo, ah, a questão da do nível proficiência, né, de proficiência na apropriação da escrita. Eu trouxe aqui alguns materiais rápidos. Esse aqui é um plano, é o metrô, é o plano do metrô de São Paulo. O quanto que aqui tem de informação a ser problematizada quando a gente se depara com uma um material escrito do cotidiano que uma pessoa que não tem prociência na língua pode ter dificuldade. Eh, o quanto que é importante a gente, Elô, que bom, o Manuel de Barros, né, Eloí adora também, né, a que a escola quando a gente eh não o o a alfabetização proficiente, ela não se reduz ao sistema, né, ela não se reduz a uma aprendizagem apenas do da do sistema linguístico, mas da gente apreciar um poema, né, eh, e poder a a gente poder se deleitar, por exemplo, em frases como: "Eu sempre guardei nas palavras os meus desconcertos". É uma frase, né? Apreciar um poema, eh, como um poema desse aqui. E termino aqui, eu trouxe um poema que chama, né? Se chama xadrez. E ele é simples. Ele é um xadrez e amor, ardor, a dor. Uhum. São palavras simples. Sim, é um poema simples, mas o quanto é fundamental no trabalho com jovens e adultos, com crianças, né, em qualquer segmento, um trabalho de qualidade e que favoreça eh a apreciação estética, fonética, sentido das palavras. É uma questão ampla de apropriação da língua. Isso tem tudo a ver daí fechando então um trabalho com a formação de professores continuada e fico por e também eu quero abordar já já essa questão da formação, porque tem até aqui uma aspas de um professor da USP que eu quero repercutir com vocês. Antes Ben, o poder executivo lançou na segunda-feira, dia 9, a 13ª edição do Fevereiro Violeta, aqui em Campinas. O tema deste ano é os exercícios da cidadania e os desafios da superação do analfabetismo de Campinas na educação de jovens e adultos. Qual que é a importância dessa concentração de esforços e de incentivo às pessoas a voltarem a estudar? Olha, na verdade, eh o que eu penso eh eu acho que a prefeitura leis já existem, eh o acesso à educação, ela é um direito já constitucional. Eu acho que a prefeitura ela não tá fazendo mais que a sua obrigação, só que eu também não acho que eh só fazer bonito um evento e não colocar isso em prática também não vai adiantar de nada. Eu acho que o poder executivo ele tem que fazer mais ações, principalmente em comunidades assim como Campo Belo, eh comunidades que que o número de pessoas concentra maior pobreza de Campinas, então tem que ser eh efetivo o que eles estão fazendo. Não adianta fazer vendo bonito, falar que tá fazendo, erradicando, erradicando a analfabetização que não está. Eh, a questão de, eu não vou falar muito técnico igual as professoras, porque eu não sou professor, mas da parte política, eh, o que eu vejo eh os políticos, no geral eles não querem investir na educação, porque a educação ela, na verdade, derruba um político, né? as pessoas iriam aprender votar, votar um pouco melhor. E o que eu o que eu vejo da parte política, que a os políticos não investem na política pública para para erradicar a analfabetização, porque vai depender eh esses analfabetos, eles vão vão meio cabrechear eles. É, recentemente aí a gente viu, o governo federal aumentou é R$ 18 pros professores. Então é um número mínimo também. Os professores na sala de aula não t incentivo. Aqui em Campinas também tem a questão aí que a esquerda tá batendo, a questão do dos monitor. Eh, eu acho que é uma luta justa reconhecê-los como professores, até para dar mais dignidade aí pro pros monitores. Então, eu creio que falte um pouco mais de vontade política. Eu acho que política pública para reficação da alfabização já tem muita, mas falta um pouco de vontade política. Uhum. E essa crítica eu faço pros políticos também que estão aí, eh, professora, aí realmente não olham paraa educação. Eu acho que quando você melhora o número de educação, você melhora todas as áreas, inclusive saúde, segurança, todas as áreas. Então, assim, eu acho que a educação ela é o pilar da sociedade. Eu acho que é o que vai mudar eh tudo em todos os aspectos. Eu acho que o foco seria a educação, mas mais uma vez os políticos não estão interessados em erradicar a a anofabetização. Quero pegar o gancho de uma coisa que o Ben falou, Ana, e depois Eloía, que ele citou alguns bairros carentes aqui na cidade de Campinas, né? E essa campanha, ela pretende divulgar nos meios de comunicação tradicionais, nas redes sociais, utilizar carros de som diferentes regiões aqui do município, distribuir panfletos, fixação de cartazes em ônibus, em estabelecimentos comerciais sobre esta campanha. Essas ações tem o poder de atrair aquele que hoje tá afastado dos estudos? É, eh, eu acho, penso que campanhas são importantes, né? né? Eu acho que todo o esforço é válido, mas eh o que a a Eloía também apontou isso é e acho que vai ao encontro do que o Benê também tá chamando a atenção da eh vontade política e mas essa vontade política numa perspectiva de continuidade é é importante eh a que haja uma política públa pública eh que se mantenha, apesar das mudanças de eh de partidos políticos, por exemplo, que se mantenha como política de estado. Então, é fundamental no caso da EJA, por exemplo, não é, a gente tá aqui hoje abordando a questão da educação de jovens e adultos, mas de que haja uma postura política de investimento permanente, que a gente hoje a gente tem usado uma um termo que tá em alta e ele é importantíssimo, que é políticas de permanência, políticas de permanente eh incentivo e de permanente investimento. ento e de preocupação, quer dizer, investimento tanto na questão infraestrutural de salas de aula, quando eu falo salas de aula, eu sou professora de estágio. Eu sou professora de estágio no curso de pedagogia. O que significa isso? Quando você supervisiona um estágio obrigatório, eh, e eu trabalho com os anos iniciais, eu tenho vários estudantes que se dirigem a escolas de EJA, né? Porque anos iniciais em EJA. E o que eu leio e acompanho dos relatórios dos estudantes, eh, primeiro, muitas dessas, eu tô falando de Campinas, tá? muitas dessas salas de aula não é só eh o Benê citou alguns bairros específicos, mesmo na região central, que essas salas de aula funcionam em em salas, por exemplo, paroquiais, em salas que ginásios, em lugares que nem são eh apropriados como sala de aula. A a Eloía usou uma a precarização de algumas situações. Uhum. Daí já vem até a precarização no sentido da da de o reconhecimento desse segmento de ensino para os próprios estudantes que eles estão eh no, eu tô falando de relatórios que eu leio, que eu tô de agora de agora que eles estão a a é tipo uma um puxadinho, sabe? Uma adequação desvalorizados pela situação pela própria situação de ensino da EJA aqui em Campinas. Outro ponto que eu quero também abordar que volta na questão eh da formação, eh, por exemplo, materiais, né? Ah, eles desenvolveram, quando eu falo eles, os estudantes, eles desenvolveram, por exemplo, no semestre retrasado, um propostas de uso da língua com jogos, eh, usando, trabalhando matemática, articulando, eh, trabalhos de percurso, jogos de memória, eh trabalhos de recuperação das memórias desses estudantes, eh porque existe diversidade de idade, etc e tal. Ou seja, e e foi muito bom no trabalho de eh relacionamento com os professores de sala de aula. Porém, eu volto a dizer, eh os esses registros eh relacionam e mostram situações, por exemplo, dessas salas de aula, que são salas de aula que não é a sala de aula da escola, de uma escola. Sim. Elas são eh não tô dizendo que essa é a regra, que essa é a regra, mas é o que acontece. Mas acontece sim, né? E isso tem a ver com essa eh própria desvalorização que acompanha o EJA, infelizmente, né? É isso. Eloía, quero ouvi-la também nesta campanha, né? Carro de som e coloca em ônibus, entrega panfleto. É uma maneira de tentar se aproximar dessas pessoas. Pode ser eficaz chamar a atenção desse público? Eu me lembrei de várias situações. Eu já atuei em escola de educação de jovens e adultos como orientadora pedagógica aqui em Campinas por bastante tempo. E a gente vai se lembrando das experiências e da vida das pessoas, né? Então, eu queria voltar a essa temática das campanhas dizendo o seguinte: "Eu reconheço quanto as campanhas são importantes, mas as campanhas não são ações suficientes para resolver as necessidades que nós temos nessa temática. A campanha, ela é um mobilizador, ela é um disparador, mas a ação ela não pode ter o fim na campanha, né? A campanha ela é um agente de mobilização. Eu atuo em vários projetos de mobilização social e a campanha ela tá no lugar da informação, né? E a própria campanha ela já é tão complexa, porque com panfletos, com cartazes, como que a gente vai atingir o público que não lê com proficiência, não é? Então tem uma série de limitações nesse sentido. Eu queria compartilhar com vocês duas experiências. uma eh que era recorrente, mas eu me lembrei de uma situação específica em que eu chego para trabalhar, né, numa escola daqui de da rede municipal de Campinas, quando atuava como orientadora pedagógica. E tem uma aluna da EJA me esperando muito antes do horário de aula dela, né? E aí eu faço o acolhimento e ela me diz e ela era considerada uma das melhores alunas da escola. E ela vem muito cabisbaixa, muito triste, diz que ela eh veio solicitar o trancamento da matrícula e dizer que ela não tinha como continuar. E aí, né, numa conversa com muito usando da experiência para me aproximar dessa aluna, depois de bastante tempo, mais de hora conversando, ela me disse que o problema dela era de ordem financeira e que ela não tinha condição para estar na escola todos os dias e que ela tinha uma filha pequena e as condições precárias do trabalho ela havia sido demitida recentemente, etc. Eh, eu quero usar essa história como um disparador de algumas coisas para nós pensarmos, né? As se nós vivemos numa situação de desigualdade e que essa situação de desigualdade gera precarização do acesso no a gente tá falando aqui do acesso à educação, nenhuma ação vai ser pertinente se ela não cuidar da base que acaba, né, gerando essa dificuldade do acesso. Então eu entendo que essa questão é uma questão importante, não é apenas trazer o estudante ou esse jovem adulto pra posição de estudante, mas é como a gente cria condições para que esse essa pessoa possa permanecer e investir nos estudos. O que que é importante a gente dizer quando a alfabetização não se dá na idade certa, ou seja, lá, né, no na idade que a gente imagina que deva acontecer até os 8, 9 anos de idade, exagerando muito nesse tempo, o que acontece? Eh, o acesso a todas as condições que envolvem o ler e escrever, ele se precariza ao longo da vida. Isso significa que aquela pessoa com mais de 16 anos ou na vida adulta, como acontece muito, ela vai precisar de um esforço muito maior do que o esforço de uma criança quando ela está no processo de alfabetização regular. Isso significa que as condições que a gente vai oferecer quando ela já está institucionalizada, né? Então, a campanha deu certo, funcionou, veio todo mundo pra escola, as salas de aula estão organizadas, não são precárias, né? É suficiente? Eu vou dizer que ainda não, porque a manutenção dessa pessoa numa situação de escolarização, ela depende de inúmeros outros fatores. Ela depende do recurso econômico para que essa pessoa possa estar ali. Ela depende da aceitação e da luta com questões de ordem afetiva, de ordem social, né? A gente começou a conversa aqui hoje falando de do tanto que as pessoas têm vergonha de dizer que não leem. Eu convivo no meu cotidiano profissional com uma pessoa que não é proficiente na leitura e na escrita. E o a equipe que trabalha com essa pessoa, para que ela não se sinta, né, em de forma alguma eh, fora do grupo, toda a equipe, numa situação que envolve ler e escrever contribui para que ela não precise dizer para ninguém que ela não sabe ler e escrever. Então, alguém senta junto com ela para fazer a leitura daquele texto. Se é uma instrução, na hora de organizar, tem o desenho e tem a palavra escrita, né? Então, acho que para além das campanhas e do acesso, a gente precisa pensar na permanência dessas pessoas para poder sim efetivamente a gente conseguir radicar o analfabetismo no Brasil, né? E aí num terceiro ponto que eu acho que ele é tão relevante quanto, né? Não é não está em terceiro lugar, mas é um outro ponto importante, é como a gente lida com as políticas educacionais para que a educação de jovens e adultos aconteça com qualidade, né? Eh, o que a gente entende é que também esse profissional que vai paraa EJA, normalmente ele tá no seu segundo, terceiro turno de trabalho. Eh, o investimento na formação, ele também fica precarizado, porque esse profissional já tá atuando em inúmeras outras frentes, né? Eu acho que uma luta que a gente vem travando na educação é para escola de tempo integral, não só pro estudante, mas pros educadores, né? pra gente melhorar mesmo a qualidade, como o Benê falou, sobre a luta dos profissionais da educação infantil, né, e por aí adiante. Então, tem muitas questões voltadas para, infelizmente, para engrossar essa dificuldade da alfabetização, né? E a gente precisa pensar para além da campanha, no meu ponto de vista. Acho que essa é uma ótima oportunidade, né? Nós estamos aqui eh num espaço de discussão sociopolítica da cidade e a gente aqui chama outras pessoas para engrossar essa luta, né, e pensar o tanto que cada pessoa também pode contribuir dentro do seu microespaço para esse coletivo que é erradicar a a a o analfabetismo. E antes da gente falar mais sobre essa manutenção, porque acontece na primeira infância, a gente tá falando que são pessoas eh acima dos 16 anos que não conseguem nem ler, nem escrever, porque alguma coisa aconteceu ali numa faixa etária em que muitas vezes nem foi ela que tomou essa decisão da evasão escolar. Então, só antes da gente abordar esses motivos, ô Benê, uma das principais ações que está sendo executada é chama busca ativa, que consiste na ida dos agentes aos bairros e residências para realizar abordagens, entrevistas e levantamento de dados, buscando identificar aí possíveis candidatos à EJA. Esse corpo a corpo é interessante ou é ineficaz como Campinas? Olha, eu acho importante, mas eu acho ineficaz, porque a prefeitura ela poderia eh pegar esses dados com o IBGE e saber efetivamente quem são essas pessoas. Eh, muitas dessas pessoas não vão estar na rua, vão estar em trabalhos informais, a maioria delas são informais, que abandona a escola por conta, creio eu, que a maioria é por conta de trabalho, por conta da sua condição financeira. Então eles acabam buscando eh trabalhos autônomos como pedreiro, ajudante pedreiro, eh até mesmo eh trabalhos informais. Então eu creio que é ineficaz. Eu acho que a prefeitura não vai ter êxito dessa parte de ir no bairro atrás dessas pessoas. Eu creio que poderia ter ter sido feito uma um, né, um combinado aí com o TSE, até porque nós temos acesso ao juiz aqui de Campinas que é TSE. Eu sou vereador tem, imagine eh o prefeito. Então, então eu creio que falte um pouco eh dessa vontade política. Eh, eu eu sinto eu acho uma pena eh fazer propaganda em cima de um tema tão importante, tão relevante e não com uma eficácia como deveria ser. Então, eu acho que não pode passar do papel. E tem a questão do que a professora Ana falou também, que eh às vezes o aluno chega na sala de aula, uma sala de aula precária e assim e aí o estado acha que tá fazendo um favor pro pro cidadão de trazer ele paraa sala de aula, aonde ele tá fazendo a sua obrigação, seu papel constitucional. Eh, eu tenho, eu tava vendo números do maioria dos alunos que abandona eh essas salas de aula pela questão financeira ou pelo que a pelo professora falou. Cada um tem uma história, então também precisa de incentivo para que essa pessoa fique ali no trabalho, né? E eu acho uma pena aí, na verdade a gente tá falando de erradicação do analfabetismo, mas tem muitas pessoas que são alfabetas, só que também não tem estudo, né? tipo, não tem o o seu terceiro terceiro grau grau complexo, são funcionais, sabe ler, escrever, mas também não tem um diploma e muit a gente sabe que muitas das empresas pedem diploma hoje em dia e e justamente por isso as pessoas querem trabalhos mais fáceis, mais acessíveis, que não exige o diploma. Aí mais uma vez eu volto pro poder público. Acho que a culpa é totalmente do poder público. Leis tem, política pública, tem falta à vontade política. E tem temos professores aqui também que sabem muito bem que falta essa vontade política. E aí a gente tem que eh tentar eh como cidadão do bem acordar essas pessoas para que, né, incentivar elas para para virem pra escola, tal. Eu mesmo conheço pessoas que são alfabetas, alfabetizadas, só que não tem o o diploma. Então eu incentivo para que ela frequenteja, frequente a escola, termine seu est tudo, porque eu acho que ainda mais uma vez eu acho que é o que vai mudar o mundo, é educação. Eh, complementando, eh, eu tô me lembrando quando eu, eh, li o relatório do INAF, né, do indicador de alfabetismo funcional, que foi produzido em 2024, a diretora da ONG, que a Ana Lima, que foi uma das diretoras que eh se responsabilizou pela elaboração do relatório, ela chama atenção do quanto é importante a articulação entre as políticas públicas. E eu quero eh lembrar aqui e tocar num assunto eh que é já foi muito polêmico e alvo de muitas críticas, que foi uma política geral pública, nem é educacional, mas foi uma política geral que é o o Bolsa, o Bolsa Família, que foi tão criticado e tomado como referência de crítica Eh, porque poucas pessoas sabem que e, por exemplo, esse programa ele, ah, para que a família recebesse bolsa família, muitas políticas eram articuladas. Era fundamental que as crianças estivessem matriculadas na escola. era fundamental que essas famílias eh estivessem eh frequentemente indo a postos de saúde em relação à vacinação das crianças. Eh, muita o que a Eloía chamou atenção da importância de que eh quando ela contou a história, né, como forma de essa história compartilhada, ah, eu vim aqui dizer que eu tô saindo da escola porque eu não tenho condições econômicas. né, de me manter como estudante. quer dizer que há políticas públicas que procuram eh juntar muitas políticas eh para que você como estado, você favoreça que as famílias pobres, as famílias que recebam auxílio não sejam receber um auxílio eh um auxílio assim, ah, isso agora, eh, foi muitas falas eh equivocadas, ah, recebe o Bolsa Família, não trabalha mais, mas Não, primeiro, entre aspas, muitas dessas pessoas que fazem esse comentário depreciativo não sabem de fato como que determinadas políticas que já ocorreram, elas eh têm uma perspectiva de juntar saúde, educação, condições de eh dar condições paraas paraas pessoas mais pobres, procurando equalizar condições de vida, né? Então, só quis a eh também, como a Eloía mencionou, de compartilhar histórias, de compartilhar aqui um dado que foi eh que foi já bastante alvo de muitas questões eh como um exemplo de uma tentativa de eh tratar de assuntos eh diferentes que t a ver com a desigualdade social brasileira, buscando alternativas do poder público eh ter uma interferência, uma intervenção que possa ter eh desdobramentos eh eh que produzam impactos mesmos no na vida da população brasileira. Eu só tô dando um exemplo, né? Era isso. Oi, Eloía, na sua visão, é preciso se trabalhar em duas frentes. Em primeiro lugar, é nessa primeira infância, para que essa evasão escolar não aconteça, para que essa criança ela cresça dentro da escola e aprenda no tempo propício para que não precise doja. Então, a gente precisa desse esforço, dessa estrutura que foi citada e dessa criança permanecer na escola. E um segundo esforço, caso isso aqui não aconteça, é entender o motivo, e acredito que principalmente seja econômico de do por que essa pessoa, ela não conseguiu estudar e ter um poder de convencimento para ela retornar à escola. Porque muito provavelmente, se ela não conseguiu estudar neste tempo propício com a vida, com a rotina que a gente tem hoje, é muito difícil também este retorno à escola, porque ela pode ter um, dois empregos, ela pode ter uma família grande, ela precisa cuidar de casa, muitas vezes ela é uma mãe solo. Então são duas frentes. primeiro trabalhar essa questão da primeira infância da invasão escolar e depois tentar parar de enxugar gelo e ficar entendendo o motivo de cada um do por que isso aconteceu. Eu acho que essa é uma das bases, né? Levar em consideração esses dois, essas duas entradas, vamos dizer assim. Mas eu fiquei pensando aqui numa outra coisa que que tá muito relacionada a essa ideia, que é o seguinte, a Ana falou sobre as políticas intersetoriais, né? Como que a gente pode se juntar e cada um do seu lugar contribuir para que esse processo avance. Eh, pensando nas crianças pequenas ou mesmo nos jovens e nos adultos, acho que tem uma questão fundamental que a gente entender quais são os fatores de desigualdade e que levam a essa condição, né? Então, por exemplo, se a gente for olhar pros índices, a gente vai encontrar que mulheres pobres e pretas são aquelas que têm mais dificuldade, inclusive com o acesso à alfabetização e a continuação da sua escolaridade. Então, a gente precisa entender que parte dos fatores e uma grande parte, né, bem relevante, ela está onde? ela está na condição social, na condição econômica da população, na forma como as pessoas vivem. E ela também está na forma como a nossa sociedade se constitui. E aí eu queria contar essa essa segunda experiência também de uma aluna da EJA mais velha, né, uma senhora e que ela sempre quis estudar e, enfim, ela consegue voltar pra escola. Mas aí o que que acontece com ela? Ela tá se saindo bem, ela tira a primeira certificação porque a EJA ela tá sempre organizada em dois blocos, né? Então, equivalente a 2 anos de escolaridade. Ela tira a primeira certificação nos primeiros seis meses e ela vai pros pra segunda etapa para poder acessar a segunda certificação, como o Benedice que é importante para as pessoas terem um certificado de escolaridade, né? E aí o que que acontece? Ela é uma mulher vítima de violência doméstica e o companheiro, né, se é que a gente pode usar essa palavra para uma pessoa que pratica essa ação, diz para ela que ela tá proibida de voltar pra escola e que se ela voltar, ele vai pegar a dentadura que ele tinha dado para ela de presente e vai jogar fora, né? Então ele usa eh tudo que envolve, né, esse lugar de pertencimento, de identidade dessa mulher já com uma vida bastante precarizada e numa posição totalmente machista, impede, né, que a a aquela mulher continue os estudos. Por que que eu tô trazendo essa história aqui pro nosso debate? Porque quando a gente pensa nas crianças, eh, o acesso das crianças à escola, ele não está marcado a um único, uma única questão, né? Nós temos inúmeras questões que impedem que essa criança estude, inclusive aquela ideia que ainda é presente, infelizmente, de que mulher não precisa estudar, né? E junto a tudo isso, a gente tem outras condições. Eu tô pensando aqui, por exemplo, nas pessoas com alguma deficiência, que uma boa parte dos estudantes da EJA, principalmente os mais novos, é composta por esses estudantes, essas pessoas que têm uma necessidade de inclusão e que a escola ainda não consegue acolher por inúmeros fatores, né? Por que que eu tô trazendo todos esses pontos para responder a sua pergunta? Porque a gente não pode olhar pro analfabetismo de forma eh unilateral. A gente precisa entender o tanto que essa questão é ampla e extremamente complexa e por isso que precisa de esforços de todas os setores da sociedade civil, né? E não apenas das políticas públicas. As políticas públicas elas são essenciais porque além de responder às leis, elas garantem o acesso aquelas pessoas que normalmente não acessam, né? E garantem que a gente tenha movimentos e ações a favor de de garantir que aconteça o acesso. Mas as políticas públicas não dão contas sozinhas. A gente precisa de uma mobilização maior, uma mobilização social. Eu fico pensando aqui, né? Às vezes você investir 6 meses, um ano na escolarização pode ser algo inviável. a gente poderia ter outras práticas para além dessa, né, não descaracterizando essa, que pudesse fazer o acolhimento e que ajudasse a diminuir o analfabetismo e o analfabetismo funcional, porque apenas escrever o nome não é estar alfabetizado. Uma pessoa que vai para mercado de trabalho e que não é um leitor proficiente e ela precisa ler o rótulo de um produto, ler uma instrução, né? ela não consegue porque ela não entende aquela comunicação. Então, acho que a gente precisa olhar dessa forma mais abrangente, intersetorial, com a participação de diferentes segmentos da sociedade para que a gente possa sim encontrar soluções mais efetivas e, claro, continuar com as campanhas, né, continuar com a a você falou da buscativa. buscativa é uma metodologia essencial para as escolas. Hoje em dia, as equipes gestoras das escolas, elas praticam cotidianamente a buscativa, quando, por exemplo, um estudante ficou lá três dias sem vir pra escola e a escola busca a família entra em contato com ela, né? E a gente tem aí órgãos para ajudar nessa busca como o Conselho Tutelar, por exemplo, quando a gente fala dos menores de idade, acho que é pensar dessa forma um pouco mais abrangente para conseguir soluções que sejam mais sustentáveis e que não sejam soluções de campanha, soluções de uma propaganda pontual, né, ou de uma data no calendário, como a gente já falou anteriormente, as frentes, né, de trabalho, pelo que a gente tá eh percebendo, né, Não tem uma solução. Olha, vamos fazer isso para poder resolver o problema. É, até pensei aqui o o Benelima, né? Você é da comissão, eu tava lembrando a comissão de educação e esportes. Então, até pegando carona, eu fiquei pensando, nossa, ele é da área de esportes também. o quanto eh a Eloía acabou de chamar atenção, né, da complexidade e da abrangência, que ela é realmente maior do que a a gente pensar a EJA apenas numa dentro da casinha, dentro de um de um quadradinho, um professor isso. e por exemplo, a eh iniciativas buscando eh uma prática social maior integrativa da escola, articulando questões do esporte. Quer dizer, a escola já tem na sua área curricular a área de educação física, por exemplo, porém a cidade, o município, ele tem várias ações na área do esporte. Por exemplo, eu só tô dando esse exemplo porque nós estamos com Benê Lima aqui, mas o quanto que a gente pode, o quanto que a gente favorece o terreno, eh, tendo em vista o olhar abrangente paraa questão, buscando articulações, né, em cada, como a Eloía falou, né, em cada microespaço nosso de atuação, no âmbito da sua atuação, da minha atuação na na universidade, de da prefeitura, né, buscando eh esforços na direção dessa eh permanente busca, voltando à questão, de superar um desafio, né, que historicamente tem ah sido que tá sendo cada eh ainda se mostra como uma realidade na na educação brasileira, sem dúvida. E Benê, a cor violeta, ela foi escolhida por simbolizar dignidade, prosperidade e o respeito, até porque essas pessoas no dia a dia elas passam muito perrengue, né? Então, por exemplo, no trabalho, se precisar responder uma mensagem, o WhatsApp que hoje em dia todo mundo utiliza, tem que ser apenas por áudio. Se você vai pegar um ônibus, não consegue ler uma placa. Se a gente for pensar na parte nutricional, vai no supermercado, quantas vezes a gente já não viu uma reportagem, precisa saber o que você tá consumindo, ler os ingredientes, essa pessoa não consegue isso também. Então, acho que ao longo do dia a dia é muito perrengue, benê e depois a Ana vai complementar. Na verdade, eu vou voltar no poema que ela que ela leu, que amor, dor e ardor. É, é o cotidiano de de muitos brasileiros, né? A realidade não é como a nossa. Eh, eu vou vou debater um pouco a professora que eu sou um grande crítico aqui do Bolsa Família. Eh, a gente sabe que tem o programa Pé de Meia também, mas metade do Bolsa Família, que não é o nosso tema, mas eu acho que é uma fábrica de vagabundo, assim, tô falando pros adultos, tá? Até porque hoje o custo de vida tá muito alto. Às vezes tem um amigo meu que é empresário, que oferece R$800 de salário. A gente sabe que não é só isso, que ele tem que pagar o dobro pro governo e tal. E o Bolsa Família acaba sendo 1200. Então compensa às vezes o cara ficar em casa ganha 1200 do que ganha 1800. É uma opção dele. Mas eh não critico, por exemplo, quem tem criança, que a gente sabe que tem essa política pública, de ter que mostrar boletim, ter que dar vacina. A gente também tem o o programa Pé de Meia, que também eu que eu acho que é muito válido para manter os jovens na escola, até porque a invasão de jovens hoje na escola é muito alta e o pé de meia acaba segurando um pouco, se eu não me engano é R$ 200, mas é um valor que segura aquele adolescente ali para ter o dinheiro dele. A questão do esporte também, eh, eu protocolei um projeto aqui na casa para que as políticas públicas de esporte Campinas ela tivesse no mínimo 30% de alunos da escola pública, porque o o aluno que é mais pobre, ele às vezes ele não consegue até o Taquaral, por exemplo, para ter aula de karatê. Como que um menino lá do Campo Belo ou do Dick ou de um bairro mais afastado vai até o Taquaral? Então, assim, para que o secretário se organize e tem uma política pública, eh, sei lá, de dar o transporte para essa, para esse aluno, para esse jovem, porque aí entra num outro campo que em vez dele tá na rua fazendo coisa errada, usando droga, ele tá ali praticando o esporte dele. Então, creio que esse conjunto de políticas públicas aí, igual a professora falou aí, eh, ajude muito. Então eu protocolei esse projeto de lei, nem sei o andamento que tá, dar uma consultada depois para que o o executivo eh tenha 30% de alunos da escola pública aqui de Campinas eh matriculado aí até inclusive na na natação também de Campinas, que a gente tem bastante eh piscina pública aqui em Campinas para que seja realmente para pras pessoas carentes, né? Não apenas para rico, né? Porque, por exemplo, um taquaral quem vai hoje, a gente sabe que a maioria são pessoas de poder aquisitivo alto, até pela nem alto também, eh, só de morar na região do Taquaral, a gente já sabe que é um curso de vida um pouco mais alto. Então, automaticamente ele, a renda per capta dele é um pouco maior e é ele que frequenta esse espaço. Então, esse projeto ele vem de encontro com isso para que incentive alunos da periferia a frequentar esses lugares e praticar esporte também. Tô na reta final aqui do questão de ordem, restando 8 minutos. Tem dois assuntos que eu ainda queria abordar, então eu vou partir pro próximo já. Eloía e depois Anne e quero depois o Benê também. Estudando pro programa, eu li uma reportagem e uma frase me chamou atenção do Emerson, que é um professor da USP. Então, abro aspas. Em geral, quem se forma em pedagogia não aprende conhecimentos de língua portuguesa sobre produção textual e leitura de textos mais complexos. Então, os estudantes não avançam tanto em letramento e quem se forma em letras não aprende a alfabetizar. Quando chega um estudante na sala de aula que não se alfabetizou, não sabem como trabalhar com eles. Existe de fato esta ruptura. Há um problema na formação de profissionais. Como é que vocês enxergam isso, Ana? E Eloía, Elô, a formação de educadores, ela é um outro campo [risadas] polêmico que a gente precisaria muito mais de 8 minutos para discutir, né? Eh, eu acho que tem uma pertinência sim, né, nessa expressão e acho que é importante a gente entender que o educador ele é um profissional em constante formação e que a pedagogia ela é um curso amplo, né, que vai formar o profissional não apenas para ele ser um um professor, um docente, mas também paraa coordenação pedagógica, para gestão escolar e etc. Então, sendo um campo abrangente, após a graduação, sempre é necessário uma investidura maior naquele campo de interesse. Eu, por exemplo, atuei muitos anos como professora alfabetizadora. Hoje eu atuo em práticas de formação continuada para professores alfabetizadores, tanto para crianças quanto para jovens e adultos. E é importante a gente entender que sim, criança não aprende do mesmo jeito que um jovem. E um jovem não aprende do mesmo jeito que um adulto. A gente precisa de conhecimentos específicos para que a prática efetiva, a didática da alfabetização aconteça, né? E nesse sentido a gente precisa e deve, inclusive faz parte da política educacional investir na formação continuada, que é normalmente onde acontece a especialização dos profissionais e ele cada um vai escolhendo por interesse, por proximidade, por desejo, em qual campo deseja atuar. sobre as licenciaturas, o caso, né, o curso de Letras e as outras licenciaturas, a gente tem um debate amplo que já acontece há muito tempo no Brasil, que é a importância dos processos didáticos, né? Porque não adianta você ser um leitor proficiente, como no exemplo, se você não domina eh a didática da aprendizagem, do ensino, de como você se aproxima da prática, né, da escolarização no processo de ensinar e aprender. Então, acho que sim, tem o a sua pertinência essa expressão do professor, mas também tem uma grande complexidade que a gente precisaria olhar, né, com mais profundidade também. Ana, é o que eu quero dizer é a mesma coisa. Eu vou, eu só quero assim, concordo com todas as considerações que a Eloía fez e vou dizer, vou repetir que esse ponto que você citou, Gabriel, eh dessa fala do professor, só pra gente tratar dele, precisaria de um programa de uma hora como ele, porque ele é bastante é é bastante complexa a frase que você destacou. Eh, eu só quero então poucos minutos dizer primeiro uma questão eh de grade curricular como exemplo. A grade curricular da pedagogia, ela tem eh do curso de pedagogia, ela aborda, por exemplo, especificamente questões sobre alfabetização. a uma grade curricular do curso, eu não sou do curso de letras, mas o curso de Letras ele a a o enfoque dele não é voltado pros anos iniciais, como a Eloí acabou de dizer. Ao mesmo tempo, os professores que que a cursam tanto pedagogia quanto letras, eles, muitos deles vão para dar aula nas escolas. Uhum. E quando ingressam nas escolas, muitos dos professores que ingressam no as aulas de português eh do sexto ano ao nono, ou no primeiro ou terceiro do ensino médio se deparam com o desafio da alfabetização, que eles não estão, eh, vamos dizer assim, o curso deles de licenciatura teve sim eh disciplinas didáticas, mas de podemos dizer que o curso de pedagogia aborda com mais com mais qualidade ou força as questões pedagógicas do ensino. E o foco da licenciatura, ele tem questões da didática e das questões pedagógicas, mas não é o carro chefe do curso. Então assim, é uma questão bastante complexa, como a Eloisa falou, pertinência tem essa observação, mas ela é muito maior para ser discutida. E só fechando, né, dando ênfase a uma fala final da Elô, do quanto então a partir até dessa observação que o professor faz da USP, o quanto é importante o campo da formação continuada de professores, porque na formação continuada, ou seja, na reflexão ao longo do desenvolvimento profissional, os professores, tanto dos anos iniciais quanto os professores eh do ensino médio e dos anos finais do fundamental, tem a possibilidade de se debruçar sobre demandas práticas, demandas do campo da escola, demand dos estudantes da questão da aprendizagem, do campo das práticas de linguagem, né, para eh tomar como objeto de ensino, de reflexão, esses desafios que a gente eh se depara no cotidiano da vida. Sem dúvida. O último tema aqui na reta final do nosso questão de ordem que eu pensei aqui pro programa a título de curiosidade, Eloía, Benê, Ana, eh, a gente tem visto muito falar sobre inteligência artificial. Então, tem inteligência artificial pro lado pessoal que a gente vê nas redes sociais, então tira dúvida, ele cria foto, enfim, e também a inteligência artificial já muito presente nas empresas também. para facilitar a questão de custo de tabela diante deste nosso assunto, essa questão de tecnologia e de inteligência artificial, de alguma maneira ela vem para auxiliar os professores, as universidades, as prefeituras, governo estadual, governo federal, pra gente conseguir erradicar o analfabetismo, inteligência artificial, analfabetismo, eles estão em campos completamente opostos ou de alguma alguma maneira essa tecnologia consegue nos auxiliar, encontrar alguma maneira de chegar nessas pessoas e trazer de novo pro estudo. Eloía Bene Lima e depois Ana. Eh, a temática da inteligência artificial necessitaria de mais longas horas aqui. [risadas] Em primeiro lugar, eu quero dizer assim, eu não sou contra a IA, né? Eu utilizo recursos das ferramentas de inteligência artificial no meu cotidiano, mas eu acho que a gente precisa ter muita responsabilidade, muito cuidado quando a gente fala de inteligência artificial. em primeiro lugar, entender que a inteligência artificial, ela é um recurso, uma ferramenta e que, em hipótese alguma, ela pode ser vista como uma possibilidade de solucionar problemas de natureza humana e que a inteligência artificial não substitui o pensamento e a lógica humana. Eu li recentemente uma matéria de uma autora que ela tava sendo acusada pelo seu público leitor, né, de que os textos dela estavam sendo produzidos com apoio da inteligência artificial. E ela respondeu: "Olha, eu uso inteligência artificial no meu dia a dia, mas os meus textos eles são produzidos por mim e pelo meu pensamento. Então eu acho que para te responder, eu nós não temos conhecimento suficiente sobre inteligência artificial como esse agente de contribuição pro nosso fazer profissional. É necessário que a gente aprenda mais sobre isso, né? é uma discussão muito recente. Eu acredito sim que a gente possa se beneficiar em algum sentido desses recursos tecnológicos, mas a gente não pode esquecer que nós estamos falando de um problema estrutural e problemas estruturais eles precisam ser cuidados com bases também estruturais, né? por mais que a gente use o o recurso tecnológico para nos ajudar, eh, claro que minimiza muito o nosso esforço, né, na coleta de dados, na organização de informações, na elaboração de projetos, mas as ideias concretas elas precisam de ação humana, né? Então, acha que pode haver uma colaboração, mas o nosso papel não pode ser delegado paraa inteligência artificial. BN e aí, inteligência artificial tá chegando nas empresas, tá chegando, as pessoas estão utilizando? Será que de alguma maneira essa tecnologia pode auxiliar? Olha, na verdade eu creio que a IA ela é um pouco preocupante. Ela, como a professora falou, ela ajuda bastante, mas é um pouco preocupante porque as pessoas acabam que ficando para trás, embora não substitua o ser humano, mas a gente sabe que é preocupante. Eh, então as pessoas vão ter, então, vão ter que se adequar a às novas tendências mundiais aí, né? A IA é uma delas. E isso também acaba que gerando uma sensação de que a pessoa tem ter que estudar, ter que se atualizar. Então, ao mesmo tempo que eu acho que ela atrapalha, ela também ajuda. Então, é é eu acho preocupante um pouco aí, Ana, eh, em geral, a minha tendência a uma, como a Eloía falou também, eh, nós estamos no final do programa e é um ponto que você trouxe que daria também outro programa. Eh, mas eh eu não vejo a tecnologia, nunca vi como concorrente da escola ou concorrente dos professores. Ela tem a característica, como a Eloía falou, ela é um recurso. Eu vejo como um recurso. Eh, a eu como professora, eh, tomo como primeiro plano a questão das práticas materiais de escritas, né? Então, eh, eu me volto ainda fortemente a à divulgação e a problematizar ainda o material escrito, que ainda tem muita coisa pra gente trabalhar nessa materialidade desse suporte do papel, mas ao mesmo tempo que a minha opção seja por trabalhar com ah com esse objeto cultural que parece estar sendo menos osado, eh, Eu eu vejo como a a IA nesse cenário como uma questão, vamos dizer assim, natural, no sentido de que eu não vejo, eu acho preocupante qualquer alarmismo pra escola, né, como já teve antes em relação ao celular, em relação eu sou da época da televisão, né, e a televisão não acabou com o sistema educacional, a televisão, né, A a escrita passou por muitas revoluções, né? Houve tempo que você achou que a máquina de escrever ela ia colocar em situação de desuso a caligrafia. O se achava que a caligrafia hoje hoje não estaria sendo mais usada. Se você olhar hoje há um retorno à caligrafia eh a estudantes que buscam a caligrafia comum. Então acho que essa contradição ela faz parte do cotidiano de nós pensarmos a formação de professores e a escola. Acredito que cautela sempre é bom, né? É uma questão nova, mas eu acho que é importante nós, ainda mais porque somos professores, educadores, formadores, é importante a gente se deparar com essa realidade da IA como uma questão a nós nos apropriarmos mais, compreendermos mais para podermos lidar melhor com ela na escola. Penso isso. Ana Guedes, professora titular do Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Unicamp. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador toda a contribuição que você deu, o material que você trouxe aqui, que nos abrilhantou. Já faço um novo convite para retornar aos nossos estúdios, porque ficaram muitos temas para serem debatidos e fica aberto à suas considerações finais. Ah, então, eh, bom, eh, acredito que o tema que nos trouxe aqui é um tema fundamental, né, que é a EJA, educação de jovens e adultos. é um tema para continuarmos a debater e não só debater, né? Que a gente possa avançar na avançar estatisticamente, mas mais que estatisticamente, eu acho que é avançar no sentido de proporcionar que os jovens e adultos possam cada vez mais eh incorporar a o a língua escrita no seu cotidiano de forma proficiente. Muito obrigada. Nós aqui agradecemos, vereador Benel Lima, presidente da Comissão Permanente de Educação e Esporte aqui da Câmara de Campinas, também muito obrigado novamente por ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa. De grande valia a sua contribuição também. Já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse e também outros assuntos e fica aberto aí as suas considerações finais. Obrigado. Ó, já quero fazer um convite aqui já ao ao vivo, não gravado, né, pra Ana, paraa Eloía, para vir participar da da Comissão de Educação. Eh, nós tentamos fazer bastante audiência pública para entender eh o cenário municipal. Eh, a gente acaba que envolvendo o cenário estadual e federal também, mas eu quero convidar as duas aqui para participar, que são pessoas de grande valia aqui pro pro município e pra população. Eh, o que me preocupa muito aqui, nós debatemos o analfabetismo, mas o que me preocupa muito também é o analfabetismo funcional. Até uma assessora tava soprando no meu ouvido aqui que eh pro IBG é só basta você saber ler e escrever um bilhete que você já não é analfabeto. Então nós sabemos que grande parte da população creiou que mais de 50% seja analfabeto funcional também é uma grande preocupação e eu tenho certeza que com políticas públicas e vontade política e a participação dos professores aí a gente vai chegar num num bem comum aí que vai agradar a todos. Eloís Helena Dias Martins Proença, também do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores. Muito obrigado. De forma online, contribuiu muito. Obrigado pela disponibilidade do seu tempo com a nossa equipe. Já faço um novo convite também para você retornar ao nosso programa e fica aberto à suas considerações finais. Gabriel, eu que agradeço você por essa condução aqui brilhante, acolhedora, generosa, né, para que o nosso debate fosse possível. agradecer ao Benelima e a Ana Guedes, né? A Ana parceira de longas datas, a gente já atuou juntas em projetos de alfabetização, né? e o Ben representante da comissão de educação tão importante. E eu gostaria de dizer que é fundamental que cada um de nós olhe para si, pro seu cotidiano, paraas suas práticas, né, para paraas pessoas com as quais convive e encontre também um uma forma de participação e de contribuição para resolver um problema que é tão amplo, né? eu, a Ana, o Benê, nós continuaremos na nossa luta cotidiana enfrentando esse desafio do analfabetismo e outros do nosso campo de trabalho, mas é importante que a gente tenha outros setores, né, da sociedade também contribuindo com esse fazer. Eh, importante que a gente entenda que apenas ter o reconhecimento, né, de uma alfabetização funcional não é suficiente para uma vida adequada em sociedade com a leituria escrita. A gente precisa muito mais do que isso e esse papel é de todos nós, né? Então, muito obrigada e que a gente tenha outras oportunidades de diálogo. Certamente terá. E eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído, né, já que estamos no mês de fevereiro, violeta, sobre este combate ao analfabetismo, pra gente sair só deste número, dessa estatística e entender, né, o motivo do por que milhares de pessoas são analfabetas aqui na cidade de Campinas, que está inserida neste contexto do nosso país, do Brasil. A você aí de casa, até a próxima semana. Ciao. Ciao. [música] [música] เฮ Olá, [música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater o fevereiro Violeta, pela superação do analfabetismo. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, coletados em dezembro de 2025, em Campinas, cerca de 1,6% da população campineira ou 14.000 pessoas com mais de 16 anos são analfabetas. um número significativo. Então, sobre os prejuízos às pessoas que não sabem ler nem escrever, as ações de buscativa para aqueles que não frequentam a escola em tempo propício, a importância da campanha. Eu recebo aqui no estúdio o vereador Benelima, ele que é o presidente da Comissão Permanente de Educação e Esporte aqui da Câmara, a Ana Guedes, professora titular do Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Unicamp e de forma online a Eloía Helena Dias Martins Proça, que é coordenadora da pós-graduação em coordenação pedagógica e gestão de escolas do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Benel Lima, começo com o senhor. Ano passado participou do programa Questão de Ordem com esta mesma temática. Há um ano Campinas tinha 14.262 analfabetos e hoje 14.015. Portanto, há uma redução para você é positivo, é pouco? Que análise que dá para se fazer? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigado, Gabriel. Quero cumprimentar aqui a professora Ana, professora Eloía. É um prazer estar aqui com pessoas tão bem instruídas, né? Eh, eu acho que é um número baixo ainda, mas tendo em vista que eu tava pesquisando o número 2022, são 22.000 pessoas que eram, n? Então, uma redução de 8.000, Aí já seria um número um pouco maior, que eu ainda creio que seja um pouco mais esse número, porque tem muitas pessoas que têm vergonha de se declarar analfabeta. Então a gente sabe que tem essa questão social também, a questão de quem também tem muitas pessoas analfabetas que nem tem título, então ela já nem entraria nesse dado, né? Então eu acho que é um é um número diferente ainda baixo, mas a prefeitura eh por por sua vez tá fazendo sua parte aí, né, que essa campanha é fevereiro violeta. Eu espero que dê bons resultados e na verdade a prefeitura não tá fazendo mais que a obrigação dela, né, que é um papel constitucional aí de levar educação para quem os colocou aí no poder. Professor Ana Guedes, mais de 14.000 pessoas acima dos 16 anos não sabem nem ler e nem escrever em Campinas. Como que a senhora enxerga esta situação dentro de uma normalidade? É expirado diante de tantos problemas existentes ou não dá para aceitar em uma cidade rica? em um estado rico ter milhares de pessoas sem estes aprendizados, sem dignidade, enfim. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada, eh, Gabriel, muito obrigada pelo convite, por estar aqui. É um prazer estar com o vereador Benê Lima. Um prazer tá encontrando aqui a Elô, Elô, né? Eh, eh, que bom te encontrar nesse programa. E então o que eu essa questão da do problema do do analfabetismo é muito importante de tá sendo tematizada aqui, porque sem dúvida alguma é um desafio, né? É um desafio que a gente precisa enfrentar e superar. É um desafio antigo, né? Eh, ele remete a nossa história da educação do Brasil. Eh, e a considero que é um ponto assim que a gente não pode eh olhar para ele, olhar para esses números de forma naturalizada, entendendo que faz parte da de uma porcentagem, né, de um número. É, é importante e nós olharmos para essa demanda, né, por essa, por esse número expresso que você acabou de nos descrever aí segundo os dados de informação, eh, que, ah, historicamente o que eu tenho testemunhado como professora é o quanto tem sido difícil a manutenção das vagas das classes, das salas de aula paraa EJA, pra educação de jovens e adultos. Eh, tem eh tem sido assim, eu diria na última década uma luta dos professores da Prefeitura Municipal de Campinas para que as classes permaneçam, porque o porque como existe, o Benê Lima acabou de dizer, o quanto há de ah vergonha, dificuldade da das pessoas eh se autorreconhecerem com a serem analfabetas, a questão de preenchimento das salas de aula, muitas vezes ela é a a sala não é tão lotada como o a prefeitura gostaria que fosse para justificar esses professores em sala de aula. Eh, porém isso tem sido uma característica, eh, por conta de existir todo um lado de convencimento e de um trabalho a ser consolidado em relação à alfabetização de jovens e adultos. Se antigamente eh a EJA estava mais eh identificada com as pessoas mais idosas, já há um bom tempo nós temos um número considerável de jovens Uhum. que não conseguiram concluir o ensino por razões eh diferentes, né? Eh, e que então pessoas jovens que não que tiveram ah não tiveram sucesso na escola. Sim. E, portanto, elas precisam, é fundamental que elas sejam eh bem recebidas e com práticas de trabalho com a linguagem eh que possam favorecer que eles se apropriem da língua escrita. E só finalizando a essa esse primeiro momento, ah, mais do que alfabetização, a gente eh precisa na escola de uma, eh, de um trabalho consistente com as práticas sociais de uso da língua, de forma que o trabalho com a escrita, com a o numeramento, né, com com a matemática, com as ciências sociais, ele pode acontecer de forma articulada, propiciando assim que a o ensino da língua seja um ensino que articule as demandas da realidade. Acho que eu paro por aqui. Obrigada. Não falou muitas coisas interessantes que ao longo do programa eu vou abordar sobre os diversos motivos. Acho que isso é importante porque a gente sabe que uma parte da população precisa entrar no mercado de trabalho e aí tem a questão do cansaço aí. Como que você vai conversar com essa pessoa que chega no final do dia, tá? exausta ou que tem dois empregos para convencer ela da necessidade, né, de ter que ler e de ter que escrever. A questão da metodologia que você falou também é o que eu quero abordar ao longo deste questão de ordem. Mas participa com a gente a Eloía, que eu quero uma análise também, já que o Tribunal Superior Eleitoral soltou há poucos meses esses dados. Eles estão atualizados deste número que cai, mas em ritmo lento, Eloía, de analfabetos acima dos 16 anos em Campinas. Que análise que dá para fazer? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada. Boa tarde, Benê. Boa tarde, Ana. Que bom reencontrá-la aqui. Eh, em primeiro lugar, eu acho que a gente não pode pensar nos dados de Campinas isolados dos dados nacionais, né? Nós temos no Brasil em torno de 29% da população que não é proficiente na leitura e na escrita, que não faz uso da leitura e da escrita na sua vida cotidiana. E esse é um dado que merece esforço de todo mundo, da sociedade, do setor educacional, das políticas públicas educacionais, né, de todos nós. E trazendo essa análise para Campinas, eh, eu não consigo entender essa pequena mudança como um progresso. E eu vou explicar um pouco melhor por não, né? Nós estamos numa cidade que é um centro eh de recursos no país e nós temos uma oscilação de população grande nesse sentido. A gente recebe imigrantes de todo o Brasil e inclusive recebemos imigrantes em situações bastante precárias também, né? E nesse sentido o o esse número ele é um ponto de partida, mas como já foi dito anteriormente pelo Benê e pela ANA, eh, ele não é um dado puro, né, e que precisa ser analisado de diferentes formas. A educação de jovens e adultos, ela é uma necessidade nacional ainda e nós temos várias situações para enfrentar em relação a ela, né? não só eh o oferecimento das salas de aula de alfabetização para jovens e adultos, mas tem outras questões que eu considero que elas são complexas. Não dá para pensar o analfabetismo sem pensar no processo de alfabetização, né? sem pensar em todas as demandas sociais, culturais que nós temos numa população que vive sim em situação de desigualdade. Então, acho que eh esse número ele é um ponto de partida paraa nossa conversa, mas ele demanda inúmeras ações, tanto para nós que somos da área educacional, mas para toda a sociedade de uma forma geral e do poder público, né? Para que a gente consiga reverter. E quando a Ana termina a fala dela falando das práticas sociais de leitura escrita, acho que tem uma questão que me chama muita atenção, que o Brasil é um dos países que mais produz material escrito e principalmente livros, né, e que são comercializados de diferentes formas. E como essa essa disparidade ainda continua tão grande, né, no uso funcional da língua escrita. gostaria de acrescentar, acho que a Elô eh eh chamou um ponto aqui que é super importante, o quanto que eh é a gente não olhar para Campinas, né? Olhar para Campinas no Brasil. Uhum. E quando eh eu me preparei para essa conversa, né, eu fui olhar o INAF, que é o índice de alfabetismo, o indicador de a de alfabetismo funcional, que é um índice utilizado como referência sobre a questão do alfabetismo no Brasil, a última vez que ele foi feito foi em 2024. E os dados do INAF, ele apresenta pra gente um Brasil que não é novidade, infelizmente, o quanto que as a esse número eh a porcentagem que ainda é não não é inaceitável, mas é um dado do analfabetismo no Brasil, o quanto que ela tá relacionada às desigualdades sociais. Uhum. que existem no Brasil, desigualdades históricas na distribuição de renda, eh, nas pessoas negras e pardas, eh, ou todos os indicadores que compõem eh esse eh esse descritivo apresentado pelo INAF, que é um dos indicadores referência, eh, mostram um uma situação geral do Brasil. Claro que há questões regionais, mas uma questão que assim eh essa a educação no Brasil ela tá ligada a uma questão histórica de acesso desigual aos bens culturais. E a escola ela é a uma a instituição, né, social que tem essa função de eh garantir o acesso, né, esse direito educacional. E só para terminar aqui essa mais uma um momento de de da abordagem do tema, a questão metodológica, né? A questão de como a gente trabalha isso, eh, na sala de aula, como a Elô falou, nós temos aqui no Brasil bastante material produzido. Ah, a gente tem, eh, vamos dizer assim, ah, produção tanto na pesquisa de conhecimento quanto na produção de material. E o quanto ainda é uma coisa muito importante trabalhar com os objetos culturais que estão, por exemplo, ah, a questão da do nível proficiência, né, de proficiência na apropriação da escrita. Eu trouxe aqui alguns materiais rápidos. Esse aqui é um plano, é o metrô, é o plano do metrô de São Paulo. O quanto que aqui tem de informação a ser problematizada quando a gente se depara com uma um material escrito do cotidiano que uma pessoa que não tem prociência na língua pode ter dificuldade. Eh, o quanto que é importante a gente, Elô, que bom, o Manuel de Barros, né, Eloí adora também, né, a que a escola quando a gente eh não o o a alfabetização proficiente, ela não se reduz ao sistema, né, ela não se reduz a uma aprendizagem apenas do da do sistema linguístico, mas da gente apreciar um poema, né, eh, e poder a a gente poder se deleitar, por exemplo, em frases como: "Eu sempre guardei nas palavras os meus desconcertos". É uma frase, né? Apreciar um poema, eh, como um poema desse aqui. E termino aqui, eu trouxe um poema que chama, né? Se chama xadrez. E ele é simples. Ele é um xadrez e amor, ardor, a dor. Uhum. São palavras simples. Sim, é um poema simples, mas o quanto é fundamental no trabalho com jovens e adultos, com crianças, né, em qualquer segmento, um trabalho de qualidade e que favoreça eh a apreciação estética, fonética, sentido das palavras. É uma questão ampla de apropriação da língua. Isso tem tudo a ver daí fechando então um trabalho com a formação de professores continuada e fico por e também eu quero abordar já já essa questão da formação, porque tem até aqui uma aspas de um professor da USP que eu quero repercutir com vocês. Antes Ben, o poder executivo lançou na segunda-feira, dia 9, a 13ª edição do Fevereiro Violeta, aqui em Campinas. O tema deste ano é os exercícios da cidadania e os desafios da superação do analfabetismo de Campinas na educação de jovens e adultos. Qual que é a importância dessa concentração de esforços e de incentivo às pessoas a voltarem a estudar? Olha, na verdade, eh o que eu penso eh eu acho que a prefeitura leis já existem, eh o acesso à educação, ela é um direito já constitucional. Eu acho que a prefeitura ela não tá fazendo mais que a sua obrigação, só que eu também não acho que eh só fazer bonito um evento e não colocar isso em prática também não vai adiantar de nada. Eu acho que o poder executivo ele tem que fazer mais ações, principalmente em comunidades assim como Campo Belo, eh comunidades que que o número de pessoas concentra maior pobreza de Campinas, então tem que ser eh efetivo o que eles estão fazendo. Não adianta fazer vendo bonito, falar que tá fazendo, erradicando, erradicando a analfabetização que não está. Eh, a questão de, eu não vou falar muito técnico igual as professoras, porque eu não sou professor, mas da parte política, eh, o que eu vejo eh os políticos, no geral eles não querem investir na educação, porque a educação ela, na verdade, derruba um político, né? as pessoas iriam aprender votar, votar um pouco melhor. E o que eu o que eu vejo da parte política, que a os políticos não investem na política pública para para erradicar a analfabetização, porque vai depender eh esses analfabetos, eles vão vão meio cabrechear eles. É, recentemente aí a gente viu, o governo federal aumentou é R$ 18 pros professores. Então é um número mínimo também. Os professores na sala de aula não t incentivo. Aqui em Campinas também tem a questão aí que a esquerda tá batendo, a questão do dos monitor. Eh, eu acho que é uma luta justa reconhecê-los como professores, até para dar mais dignidade aí pro pros monitores. Então, eu creio que falte um pouco mais de vontade política. Eu acho que política pública para reficação da alfabização já tem muita, mas falta um pouco de vontade política. Uhum. E essa crítica eu faço pros políticos também que estão aí, eh, professora, aí realmente não olham paraa educação. Eu acho que quando você melhora o número de educação, você melhora todas as áreas, inclusive saúde, segurança, todas as áreas. Então, assim, eu acho que a educação ela é o pilar da sociedade. Eu acho que é o que vai mudar eh tudo em todos os aspectos. Eu acho que o foco seria a educação, mas mais uma vez os políticos não estão interessados em erradicar a a anofabetização. Quero pegar o gancho de uma coisa que o Ben falou, Ana, e depois Eloía, que ele citou alguns bairros carentes aqui na cidade de Campinas, né? E essa campanha, ela pretende divulgar nos meios de comunicação tradicionais, nas redes sociais, utilizar carros de som diferentes regiões aqui do município, distribuir panfletos, fixação de cartazes em ônibus, em estabelecimentos comerciais sobre esta campanha. Essas ações tem o poder de atrair aquele que hoje tá afastado dos estudos? É, eh, eu acho, penso que campanhas são importantes, né? né? Eu acho que todo o esforço é válido, mas eh o que a a Eloía também apontou isso é e acho que vai ao encontro do que o Benê também tá chamando a atenção da eh vontade política e mas essa vontade política numa perspectiva de continuidade é é importante eh a que haja uma política públa pública eh que se mantenha, apesar das mudanças de eh de partidos políticos, por exemplo, que se mantenha como política de estado. Então, é fundamental no caso da EJA, por exemplo, não é, a gente tá aqui hoje abordando a questão da educação de jovens e adultos, mas de que haja uma postura política de investimento permanente, que a gente hoje a gente tem usado uma um termo que tá em alta e ele é importantíssimo, que é políticas de permanência, políticas de permanente eh incentivo e de permanente investimento. ento e de preocupação, quer dizer, investimento tanto na questão infraestrutural de salas de aula, quando eu falo salas de aula, eu sou professora de estágio. Eu sou professora de estágio no curso de pedagogia. O que significa isso? Quando você supervisiona um estágio obrigatório, eh, e eu trabalho com os anos iniciais, eu tenho vários estudantes que se dirigem a escolas de EJA, né? Porque anos iniciais em EJA. E o que eu leio e acompanho dos relatórios dos estudantes, eh, primeiro, muitas dessas, eu tô falando de Campinas, tá? muitas dessas salas de aula não é só eh o Benê citou alguns bairros específicos, mesmo na região central, que essas salas de aula funcionam em em salas, por exemplo, paroquiais, em salas que ginásios, em lugares que nem são eh apropriados como sala de aula. A a Eloía usou uma a precarização de algumas situações. Uhum. Daí já vem até a precarização no sentido da da de o reconhecimento desse segmento de ensino para os próprios estudantes que eles estão eh no, eu tô falando de relatórios que eu leio, que eu tô de agora de agora que eles estão a a é tipo uma um puxadinho, sabe? Uma adequação desvalorizados pela situação pela própria situação de ensino da EJA aqui em Campinas. Outro ponto que eu quero também abordar que volta na questão eh da formação, eh, por exemplo, materiais, né? Ah, eles desenvolveram, quando eu falo eles, os estudantes, eles desenvolveram, por exemplo, no semestre retrasado, um propostas de uso da língua com jogos, eh, usando, trabalhando matemática, articulando, eh, trabalhos de percurso, jogos de memória, eh trabalhos de recuperação das memórias desses estudantes, eh porque existe diversidade de idade, etc e tal. Ou seja, e e foi muito bom no trabalho de eh relacionamento com os professores de sala de aula. Porém, eu volto a dizer, eh os esses registros eh relacionam e mostram situações, por exemplo, dessas salas de aula, que são salas de aula que não é a sala de aula da escola, de uma escola. Sim. Elas são eh não tô dizendo que essa é a regra, que essa é a regra, mas é o que acontece. Mas acontece sim, né? E isso tem a ver com essa eh própria desvalorização que acompanha o EJA, infelizmente, né? É isso. Eloía, quero ouvi-la também nesta campanha, né? Carro de som e coloca em ônibus, entrega panfleto. É uma maneira de tentar se aproximar dessas pessoas. Pode ser eficaz chamar a atenção desse público? Eu me lembrei de várias situações. Eu já atuei em escola de educação de jovens e adultos como orientadora pedagógica aqui em Campinas por bastante tempo. E a gente vai se lembrando das experiências e da vida das pessoas, né? Então, eu queria voltar a essa temática das campanhas dizendo o seguinte: "Eu reconheço quanto as campanhas são importantes, mas as campanhas não são ações suficientes para resolver as necessidades que nós temos nessa temática. A campanha, ela é um mobilizador, ela é um disparador, mas a ação ela não pode ter o fim na campanha, né? A campanha ela é um agente de mobilização. Eu atuo em vários projetos de mobilização social e a campanha ela tá no lugar da informação, né? E a própria campanha ela já é tão complexa, porque com panfletos, com cartazes, como que a gente vai atingir o público que não lê com proficiência, não é? Então tem uma série de limitações nesse sentido. Eu queria compartilhar com vocês duas experiências. uma eh que era recorrente, mas eu me lembrei de uma situação específica em que eu chego para trabalhar, né, numa escola daqui de da rede municipal de Campinas, quando atuava como orientadora pedagógica. E tem uma aluna da EJA me esperando muito antes do horário de aula dela, né? E aí eu faço o acolhimento e ela me diz e ela era considerada uma das melhores alunas da escola. E ela vem muito cabisbaixa, muito triste, diz que ela eh veio solicitar o trancamento da matrícula e dizer que ela não tinha como continuar. E aí, né, numa conversa com muito usando da experiência para me aproximar dessa aluna, depois de bastante tempo, mais de hora conversando, ela me disse que o problema dela era de ordem financeira e que ela não tinha condição para estar na escola todos os dias e que ela tinha uma filha pequena e as condições precárias do trabalho ela havia sido demitida recentemente, etc. Eh, eu quero usar essa história como um disparador de algumas coisas para nós pensarmos, né? As se nós vivemos numa situação de desigualdade e que essa situação de desigualdade gera precarização do acesso no a gente tá falando aqui do acesso à educação, nenhuma ação vai ser pertinente se ela não cuidar da base que acaba, né, gerando essa dificuldade do acesso. Então eu entendo que essa questão é uma questão importante, não é apenas trazer o estudante ou esse jovem adulto pra posição de estudante, mas é como a gente cria condições para que esse essa pessoa possa permanecer e investir nos estudos. O que que é importante a gente dizer quando a alfabetização não se dá na idade certa, ou seja, lá, né, no na idade que a gente imagina que deva acontecer até os 8, 9 anos de idade, exagerando muito nesse tempo, o que acontece? Eh, o acesso a todas as condições que envolvem o ler e escrever, ele se precariza ao longo da vida. Isso significa que aquela pessoa com mais de 16 anos ou na vida adulta, como acontece muito, ela vai precisar de um esforço muito maior do que o esforço de uma criança quando ela está no processo de alfabetização regular. Isso significa que as condições que a gente vai oferecer quando ela já está institucionalizada, né? Então, a campanha deu certo, funcionou, veio todo mundo pra escola, as salas de aula estão organizadas, não são precárias, né? É suficiente? Eu vou dizer que ainda não, porque a manutenção dessa pessoa numa situação de escolarização, ela depende de inúmeros outros fatores. Ela depende do recurso econômico para que essa pessoa possa estar ali. Ela depende da aceitação e da luta com questões de ordem afetiva, de ordem social, né? A gente começou a conversa aqui hoje falando de do tanto que as pessoas têm vergonha de dizer que não leem. Eu convivo no meu cotidiano profissional com uma pessoa que não é proficiente na leitura e na escrita. E o a equipe que trabalha com essa pessoa, para que ela não se sinta, né, em de forma alguma eh, fora do grupo, toda a equipe, numa situação que envolve ler e escrever contribui para que ela não precise dizer para ninguém que ela não sabe ler e escrever. Então, alguém senta junto com ela para fazer a leitura daquele texto. Se é uma instrução, na hora de organizar, tem o desenho e tem a palavra escrita, né? Então, acho que para além das campanhas e do acesso, a gente precisa pensar na permanência dessas pessoas para poder sim efetivamente a gente conseguir radicar o analfabetismo no Brasil, né? E aí num terceiro ponto que eu acho que ele é tão relevante quanto, né? Não é não está em terceiro lugar, mas é um outro ponto importante, é como a gente lida com as políticas educacionais para que a educação de jovens e adultos aconteça com qualidade, né? Eh, o que a gente entende é que também esse profissional que vai paraa EJA, normalmente ele tá no seu segundo, terceiro turno de trabalho. Eh, o investimento na formação, ele também fica precarizado, porque esse profissional já tá atuando em inúmeras outras frentes, né? Eu acho que uma luta que a gente vem travando na educação é para escola de tempo integral, não só pro estudante, mas pros educadores, né? pra gente melhorar mesmo a qualidade, como o Benê falou, sobre a luta dos profissionais da educação infantil, né, e por aí adiante. Então, tem muitas questões voltadas para, infelizmente, para engrossar essa dificuldade da alfabetização, né? E a gente precisa pensar para além da campanha, no meu ponto de vista. Acho que essa é uma ótima oportunidade, né? Nós estamos aqui eh num espaço de discussão sociopolítica da cidade e a gente aqui chama outras pessoas para engrossar essa luta, né, e pensar o tanto que cada pessoa também pode contribuir dentro do seu microespaço para esse coletivo que é erradicar a a a o analfabetismo. E antes da gente falar mais sobre essa manutenção, porque acontece na primeira infância, a gente tá falando que são pessoas eh acima dos 16 anos que não conseguem nem ler, nem escrever, porque alguma coisa aconteceu ali numa faixa etária em que muitas vezes nem foi ela que tomou essa decisão da evasão escolar. Então, só antes da gente abordar esses motivos, ô Benê, uma das principais ações que está sendo executada é chama busca ativa, que consiste na ida dos agentes aos bairros e residências para realizar abordagens, entrevistas e levantamento de dados, buscando identificar aí possíveis candidatos à EJA. Esse corpo a corpo é interessante ou é ineficaz como Campinas? Olha, eu acho importante, mas eu acho ineficaz, porque a prefeitura ela poderia eh pegar esses dados com o IBGE e saber efetivamente quem são essas pessoas. Eh, muitas dessas pessoas não vão estar na rua, vão estar em trabalhos informais, a maioria delas são informais, que abandona a escola por conta, creio eu, que a maioria é por conta de trabalho, por conta da sua condição financeira. Então eles acabam buscando eh trabalhos autônomos como pedreiro, ajudante pedreiro, eh até mesmo eh trabalhos informais. Então eu creio que é ineficaz. Eu acho que a prefeitura não vai ter êxito dessa parte de ir no bairro atrás dessas pessoas. Eu creio que poderia ter ter sido feito uma um, né, um combinado aí com o TSE, até porque nós temos acesso ao juiz aqui de Campinas que é TSE. Eu sou vereador tem, imagine eh o prefeito. Então, então eu creio que falte um pouco eh dessa vontade política. Eh, eu eu sinto eu acho uma pena eh fazer propaganda em cima de um tema tão importante, tão relevante e não com uma eficácia como deveria ser. Então, eu acho que não pode passar do papel. E tem a questão do que a professora Ana falou também, que eh às vezes o aluno chega na sala de aula, uma sala de aula precária e assim e aí o estado acha que tá fazendo um favor pro pro cidadão de trazer ele paraa sala de aula, aonde ele tá fazendo a sua obrigação, seu papel constitucional. Eh, eu tenho, eu tava vendo números do maioria dos alunos que abandona eh essas salas de aula pela questão financeira ou pelo que a pelo professora falou. Cada um tem uma história, então também precisa de incentivo para que essa pessoa fique ali no trabalho, né? E eu acho uma pena aí, na verdade a gente tá falando de erradicação do analfabetismo, mas tem muitas pessoas que são alfabetas, só que também não tem estudo, né? tipo, não tem o o seu terceiro terceiro grau grau complexo, são funcionais, sabe ler, escrever, mas também não tem um diploma e muit a gente sabe que muitas das empresas pedem diploma hoje em dia e e justamente por isso as pessoas querem trabalhos mais fáceis, mais acessíveis, que não exige o diploma. Aí mais uma vez eu volto pro poder público. Acho que a culpa é totalmente do poder público. Leis tem, política pública, tem falta à vontade política. E tem temos professores aqui também que sabem muito bem que falta essa vontade política. E aí a gente tem que eh tentar eh como cidadão do bem acordar essas pessoas para que, né, incentivar elas para para virem pra escola, tal. Eu mesmo conheço pessoas que são alfabetas, alfabetizadas, só que não tem o o diploma. Então eu incentivo para que ela frequenteja, frequente a escola, termine seu est tudo, porque eu acho que ainda mais uma vez eu acho que é o que vai mudar o mundo, é educação. Eh, complementando, eh, eu tô me lembrando quando eu, eh, li o relatório do INAF, né, do indicador de alfabetismo funcional, que foi produzido em 2024, a diretora da ONG, que a Ana Lima, que foi uma das diretoras que eh se responsabilizou pela elaboração do relatório, ela chama atenção do quanto é importante a articulação entre as políticas públicas. E eu quero eh lembrar aqui e tocar num assunto eh que é já foi muito polêmico e alvo de muitas críticas, que foi uma política geral pública, nem é educacional, mas foi uma política geral que é o o Bolsa, o Bolsa Família, que foi tão criticado e tomado como referência de crítica Eh, porque poucas pessoas sabem que e, por exemplo, esse programa ele, ah, para que a família recebesse bolsa família, muitas políticas eram articuladas. Era fundamental que as crianças estivessem matriculadas na escola. era fundamental que essas famílias eh estivessem eh frequentemente indo a postos de saúde em relação à vacinação das crianças. Eh, muita o que a Eloía chamou atenção da importância de que eh quando ela contou a história, né, como forma de essa história compartilhada, ah, eu vim aqui dizer que eu tô saindo da escola porque eu não tenho condições econômicas. né, de me manter como estudante. quer dizer que há políticas públicas que procuram eh juntar muitas políticas eh para que você como estado, você favoreça que as famílias pobres, as famílias que recebam auxílio não sejam receber um auxílio eh um auxílio assim, ah, isso agora, eh, foi muitas falas eh equivocadas, ah, recebe o Bolsa Família, não trabalha mais, mas Não, primeiro, entre aspas, muitas dessas pessoas que fazem esse comentário depreciativo não sabem de fato como que determinadas políticas que já ocorreram, elas eh têm uma perspectiva de juntar saúde, educação, condições de eh dar condições paraas paraas pessoas mais pobres, procurando equalizar condições de vida, né? Então, só quis a eh também, como a Eloía mencionou, de compartilhar histórias, de compartilhar aqui um dado que foi eh que foi já bastante alvo de muitas questões eh como um exemplo de uma tentativa de eh tratar de assuntos eh diferentes que t a ver com a desigualdade social brasileira, buscando alternativas do poder público eh ter uma interferência, uma intervenção que possa ter eh desdobramentos eh eh que produzam impactos mesmos no na vida da população brasileira. Eu só tô dando um exemplo, né? Era isso. Oi, Eloía, na sua visão, é preciso se trabalhar em duas frentes. Em primeiro lugar, é nessa primeira infância, para que essa evasão escolar não aconteça, para que essa criança ela cresça dentro da escola e aprenda no tempo propício para que não precise doja. Então, a gente precisa desse esforço, dessa estrutura que foi citada e dessa criança permanecer na escola. E um segundo esforço, caso isso aqui não aconteça, é entender o motivo, e acredito que principalmente seja econômico de do por que essa pessoa, ela não conseguiu estudar e ter um poder de convencimento para ela retornar à escola. Porque muito provavelmente, se ela não conseguiu estudar neste tempo propício com a vida, com a rotina que a gente tem hoje, é muito difícil também este retorno à escola, porque ela pode ter um, dois empregos, ela pode ter uma família grande, ela precisa cuidar de casa, muitas vezes ela é uma mãe solo. Então são duas frentes. primeiro trabalhar essa questão da primeira infância da invasão escolar e depois tentar parar de enxugar gelo e ficar entendendo o motivo de cada um do por que isso aconteceu. Eu acho que essa é uma das bases, né? Levar em consideração esses dois, essas duas entradas, vamos dizer assim. Mas eu fiquei pensando aqui numa outra coisa que que tá muito relacionada a essa ideia, que é o seguinte, a Ana falou sobre as políticas intersetoriais, né? Como que a gente pode se juntar e cada um do seu lugar contribuir para que esse processo avance. Eh, pensando nas crianças pequenas ou mesmo nos jovens e nos adultos, acho que tem uma questão fundamental que a gente entender quais são os fatores de desigualdade e que levam a essa condição, né? Então, por exemplo, se a gente for olhar pros índices, a gente vai encontrar que mulheres pobres e pretas são aquelas que têm mais dificuldade, inclusive com o acesso à alfabetização e a continuação da sua escolaridade. Então, a gente precisa entender que parte dos fatores e uma grande parte, né, bem relevante, ela está onde? ela está na condição social, na condição econômica da população, na forma como as pessoas vivem. E ela também está na forma como a nossa sociedade se constitui. E aí eu queria contar essa essa segunda experiência também de uma aluna da EJA mais velha, né, uma senhora e que ela sempre quis estudar e, enfim, ela consegue voltar pra escola. Mas aí o que que acontece com ela? Ela tá se saindo bem, ela tira a primeira certificação porque a EJA ela tá sempre organizada em dois blocos, né? Então, equivalente a 2 anos de escolaridade. Ela tira a primeira certificação nos primeiros seis meses e ela vai pros pra segunda etapa para poder acessar a segunda certificação, como o Benedice que é importante para as pessoas terem um certificado de escolaridade, né? E aí o que que acontece? Ela é uma mulher vítima de violência doméstica e o companheiro, né, se é que a gente pode usar essa palavra para uma pessoa que pratica essa ação, diz para ela que ela tá proibida de voltar pra escola e que se ela voltar, ele vai pegar a dentadura que ele tinha dado para ela de presente e vai jogar fora, né? Então ele usa eh tudo que envolve, né, esse lugar de pertencimento, de identidade dessa mulher já com uma vida bastante precarizada e numa posição totalmente machista, impede, né, que a a aquela mulher continue os estudos. Por que que eu tô trazendo essa história aqui pro nosso debate? Porque quando a gente pensa nas crianças, eh, o acesso das crianças à escola, ele não está marcado a um único, uma única questão, né? Nós temos inúmeras questões que impedem que essa criança estude, inclusive aquela ideia que ainda é presente, infelizmente, de que mulher não precisa estudar, né? E junto a tudo isso, a gente tem outras condições. Eu tô pensando aqui, por exemplo, nas pessoas com alguma deficiência, que uma boa parte dos estudantes da EJA, principalmente os mais novos, é composta por esses estudantes, essas pessoas que têm uma necessidade de inclusão e que a escola ainda não consegue acolher por inúmeros fatores, né? Por que que eu tô trazendo todos esses pontos para responder a sua pergunta? Porque a gente não pode olhar pro analfabetismo de forma eh unilateral. A gente precisa entender o tanto que essa questão é ampla e extremamente complexa e por isso que precisa de esforços de todas os setores da sociedade civil, né? E não apenas das políticas públicas. As políticas públicas elas são essenciais porque além de responder às leis, elas garantem o acesso aquelas pessoas que normalmente não acessam, né? E garantem que a gente tenha movimentos e ações a favor de de garantir que aconteça o acesso. Mas as políticas públicas não dão contas sozinhas. A gente precisa de uma mobilização maior, uma mobilização social. Eu fico pensando aqui, né? Às vezes você investir 6 meses, um ano na escolarização pode ser algo inviável. a gente poderia ter outras práticas para além dessa, né, não descaracterizando essa, que pudesse fazer o acolhimento e que ajudasse a diminuir o analfabetismo e o analfabetismo funcional, porque apenas escrever o nome não é estar alfabetizado. Uma pessoa que vai para mercado de trabalho e que não é um leitor proficiente e ela precisa ler o rótulo de um produto, ler uma instrução, né? ela não consegue porque ela não entende aquela comunicação. Então, acho que a gente precisa olhar dessa forma mais abrangente, intersetorial, com a participação de diferentes segmentos da sociedade para que a gente possa sim encontrar soluções mais efetivas e, claro, continuar com as campanhas, né, continuar com a a você falou da buscativa. buscativa é uma metodologia essencial para as escolas. Hoje em dia, as equipes gestoras das escolas, elas praticam cotidianamente a buscativa, quando, por exemplo, um estudante ficou lá três dias sem vir pra escola e a escola busca a família entra em contato com ela, né? E a gente tem aí órgãos para ajudar nessa busca como o Conselho Tutelar, por exemplo, quando a gente fala dos menores de idade, acho que é pensar dessa forma um pouco mais abrangente para conseguir soluções que sejam mais sustentáveis e que não sejam soluções de campanha, soluções de uma propaganda pontual, né, ou de uma data no calendário, como a gente já falou anteriormente, as frentes, né, de trabalho, pelo que a gente tá eh percebendo, né, Não tem uma solução. Olha, vamos fazer isso para poder resolver o problema. É, até pensei aqui o o Benelima, né? Você é da comissão, eu tava lembrando a comissão de educação e esportes. Então, até pegando carona, eu fiquei pensando, nossa, ele é da área de esportes também. o quanto eh a Eloía acabou de chamar atenção, né, da complexidade e da abrangência, que ela é realmente maior do que a a gente pensar a EJA apenas numa dentro da casinha, dentro de um de um quadradinho, um professor isso. e por exemplo, a eh iniciativas buscando eh uma prática social maior integrativa da escola, articulando questões do esporte. Quer dizer, a escola já tem na sua área curricular a área de educação física, por exemplo, porém a cidade, o município, ele tem várias ações na área do esporte. Por exemplo, eu só tô dando esse exemplo porque nós estamos com Benê Lima aqui, mas o quanto que a gente pode, o quanto que a gente favorece o terreno, eh, tendo em vista o olhar abrangente paraa questão, buscando articulações, né, em cada, como a Eloía falou, né, em cada microespaço nosso de atuação, no âmbito da sua atuação, da minha atuação na na universidade, de da prefeitura, né, buscando eh esforços na direção dessa eh permanente busca, voltando à questão, de superar um desafio, né, que historicamente tem ah sido que tá sendo cada eh ainda se mostra como uma realidade na na educação brasileira, sem dúvida. E Benê, a cor violeta, ela foi escolhida por simbolizar dignidade, prosperidade e o respeito, até porque essas pessoas no dia a dia elas passam muito perrengue, né? Então, por exemplo, no trabalho, se precisar responder uma mensagem, o WhatsApp que hoje em dia todo mundo utiliza, tem que ser apenas por áudio. Se você vai pegar um ônibus, não consegue ler uma placa. Se a gente for pensar na parte nutricional, vai no supermercado, quantas vezes a gente já não viu uma reportagem, precisa saber o que você tá consumindo, ler os ingredientes, essa pessoa não consegue isso também. Então, acho que ao longo do dia a dia é muito perrengue, benê e depois a Ana vai complementar. Na verdade, eu vou voltar no poema que ela que ela leu, que amor, dor e ardor. É, é o cotidiano de de muitos brasileiros, né? A realidade não é como a nossa. Eh, eu vou vou debater um pouco a professora que eu sou um grande crítico aqui do Bolsa Família. Eh, a gente sabe que tem o programa Pé de Meia também, mas metade do Bolsa Família, que não é o nosso tema, mas eu acho que é uma fábrica de vagabundo, assim, tô falando pros adultos, tá? Até porque hoje o custo de vida tá muito alto. Às vezes tem um amigo meu que é empresário, que oferece R$800 de salário. A gente sabe que não é só isso, que ele tem que pagar o dobro pro governo e tal. E o Bolsa Família acaba sendo 1200. Então compensa às vezes o cara ficar em casa ganha 1200 do que ganha 1800. É uma opção dele. Mas eh não critico, por exemplo, quem tem criança, que a gente sabe que tem essa política pública, de ter que mostrar boletim, ter que dar vacina. A gente também tem o o programa Pé de Meia, que também eu que eu acho que é muito válido para manter os jovens na escola, até porque a invasão de jovens hoje na escola é muito alta e o pé de meia acaba segurando um pouco, se eu não me engano é R$ 200, mas é um valor que segura aquele adolescente ali para ter o dinheiro dele. A questão do esporte também, eh, eu protocolei um projeto aqui na casa para que as políticas públicas de esporte Campinas ela tivesse no mínimo 30% de alunos da escola pública, porque o o aluno que é mais pobre, ele às vezes ele não consegue até o Taquaral, por exemplo, para ter aula de karatê. Como que um menino lá do Campo Belo ou do Dick ou de um bairro mais afastado vai até o Taquaral? Então, assim, para que o secretário se organize e tem uma política pública, eh, sei lá, de dar o transporte para essa, para esse aluno, para esse jovem, porque aí entra num outro campo que em vez dele tá na rua fazendo coisa errada, usando droga, ele tá ali praticando o esporte dele. Então, creio que esse conjunto de políticas públicas aí, igual a professora falou aí, eh, ajude muito. Então eu protocolei esse projeto de lei, nem sei o andamento que tá, dar uma consultada depois para que o o executivo eh tenha 30% de alunos da escola pública aqui de Campinas eh matriculado aí até inclusive na na natação também de Campinas, que a gente tem bastante eh piscina pública aqui em Campinas para que seja realmente para pras pessoas carentes, né? Não apenas para rico, né? Porque, por exemplo, um taquaral quem vai hoje, a gente sabe que a maioria são pessoas de poder aquisitivo alto, até pela nem alto também, eh, só de morar na região do Taquaral, a gente já sabe que é um curso de vida um pouco mais alto. Então, automaticamente ele, a renda per capta dele é um pouco maior e é ele que frequenta esse espaço. Então, esse projeto ele vem de encontro com isso para que incentive alunos da periferia a frequentar esses lugares e praticar esporte também. Tô na reta final aqui do questão de ordem, restando 8 minutos. Tem dois assuntos que eu ainda queria abordar, então eu vou partir pro próximo já. Eloía e depois Anne e quero depois o Benê também. Estudando pro programa, eu li uma reportagem e uma frase me chamou atenção do Emerson, que é um professor da USP. Então, abro aspas. Em geral, quem se forma em pedagogia não aprende conhecimentos de língua portuguesa sobre produção textual e leitura de textos mais complexos. Então, os estudantes não avançam tanto em letramento e quem se forma em letras não aprende a alfabetizar. Quando chega um estudante na sala de aula que não se alfabetizou, não sabem como trabalhar com eles. Existe de fato esta ruptura. Há um problema na formação de profissionais. Como é que vocês enxergam isso, Ana? E Eloía, Elô, a formação de educadores, ela é um outro campo [risadas] polêmico que a gente precisaria muito mais de 8 minutos para discutir, né? Eh, eu acho que tem uma pertinência sim, né, nessa expressão e acho que é importante a gente entender que o educador ele é um profissional em constante formação e que a pedagogia ela é um curso amplo, né, que vai formar o profissional não apenas para ele ser um um professor, um docente, mas também paraa coordenação pedagógica, para gestão escolar e etc. Então, sendo um campo abrangente, após a graduação, sempre é necessário uma investidura maior naquele campo de interesse. Eu, por exemplo, atuei muitos anos como professora alfabetizadora. Hoje eu atuo em práticas de formação continuada para professores alfabetizadores, tanto para crianças quanto para jovens e adultos. E é importante a gente entender que sim, criança não aprende do mesmo jeito que um jovem. E um jovem não aprende do mesmo jeito que um adulto. A gente precisa de conhecimentos específicos para que a prática efetiva, a didática da alfabetização aconteça, né? E nesse sentido a gente precisa e deve, inclusive faz parte da política educacional investir na formação continuada, que é normalmente onde acontece a especialização dos profissionais e ele cada um vai escolhendo por interesse, por proximidade, por desejo, em qual campo deseja atuar. sobre as licenciaturas, o caso, né, o curso de Letras e as outras licenciaturas, a gente tem um debate amplo que já acontece há muito tempo no Brasil, que é a importância dos processos didáticos, né? Porque não adianta você ser um leitor proficiente, como no exemplo, se você não domina eh a didática da aprendizagem, do ensino, de como você se aproxima da prática, né, da escolarização no processo de ensinar e aprender. Então, acho que sim, tem o a sua pertinência essa expressão do professor, mas também tem uma grande complexidade que a gente precisaria olhar, né, com mais profundidade também. Ana, é o que eu quero dizer é a mesma coisa. Eu vou, eu só quero assim, concordo com todas as considerações que a Eloía fez e vou dizer, vou repetir que esse ponto que você citou, Gabriel, eh dessa fala do professor, só pra gente tratar dele, precisaria de um programa de uma hora como ele, porque ele é bastante é é bastante complexa a frase que você destacou. Eh, eu só quero então poucos minutos dizer primeiro uma questão eh de grade curricular como exemplo. A grade curricular da pedagogia, ela tem eh do curso de pedagogia, ela aborda, por exemplo, especificamente questões sobre alfabetização. a uma grade curricular do curso, eu não sou do curso de letras, mas o curso de Letras ele a a o enfoque dele não é voltado pros anos iniciais, como a Eloí acabou de dizer. Ao mesmo tempo, os professores que que a cursam tanto pedagogia quanto letras, eles, muitos deles vão para dar aula nas escolas. Uhum. E quando ingressam nas escolas, muitos dos professores que ingressam no as aulas de português eh do sexto ano ao nono, ou no primeiro ou terceiro do ensino médio se deparam com o desafio da alfabetização, que eles não estão, eh, vamos dizer assim, o curso deles de licenciatura teve sim eh disciplinas didáticas, mas de podemos dizer que o curso de pedagogia aborda com mais com mais qualidade ou força as questões pedagógicas do ensino. E o foco da licenciatura, ele tem questões da didática e das questões pedagógicas, mas não é o carro chefe do curso. Então assim, é uma questão bastante complexa, como a Eloisa falou, pertinência tem essa observação, mas ela é muito maior para ser discutida. E só fechando, né, dando ênfase a uma fala final da Elô, do quanto então a partir até dessa observação que o professor faz da USP, o quanto é importante o campo da formação continuada de professores, porque na formação continuada, ou seja, na reflexão ao longo do desenvolvimento profissional, os professores, tanto dos anos iniciais quanto os professores eh do ensino médio e dos anos finais do fundamental, tem a possibilidade de se debruçar sobre demandas práticas, demandas do campo da escola, demand dos estudantes da questão da aprendizagem, do campo das práticas de linguagem, né, para eh tomar como objeto de ensino, de reflexão, esses desafios que a gente eh se depara no cotidiano da vida. Sem dúvida. O último tema aqui na reta final do nosso questão de ordem que eu pensei aqui pro programa a título de curiosidade, Eloía, Benê, Ana, eh, a gente tem visto muito falar sobre inteligência artificial. Então, tem inteligência artificial pro lado pessoal que a gente vê nas redes sociais, então tira dúvida, ele cria foto, enfim, e também a inteligência artificial já muito presente nas empresas também. para facilitar a questão de custo de tabela diante deste nosso assunto, essa questão de tecnologia e de inteligência artificial, de alguma maneira ela vem para auxiliar os professores, as universidades, as prefeituras, governo estadual, governo federal, pra gente conseguir erradicar o analfabetismo, inteligência artificial, analfabetismo, eles estão em campos completamente opostos ou de alguma alguma maneira essa tecnologia consegue nos auxiliar, encontrar alguma maneira de chegar nessas pessoas e trazer de novo pro estudo. Eloía Bene Lima e depois Ana. Eh, a temática da inteligência artificial necessitaria de mais longas horas aqui. [risadas] Em primeiro lugar, eu quero dizer assim, eu não sou contra a IA, né? Eu utilizo recursos das ferramentas de inteligência artificial no meu cotidiano, mas eu acho que a gente precisa ter muita responsabilidade, muito cuidado quando a gente fala de inteligência artificial. em primeiro lugar, entender que a inteligência artificial, ela é um recurso, uma ferramenta e que, em hipótese alguma, ela pode ser vista como uma possibilidade de solucionar problemas de natureza humana e que a inteligência artificial não substitui o pensamento e a lógica humana. Eu li recentemente uma matéria de uma autora que ela tava sendo acusada pelo seu público leitor, né, de que os textos dela estavam sendo produzidos com apoio da inteligência artificial. E ela respondeu: "Olha, eu uso inteligência artificial no meu dia a dia, mas os meus textos eles são produzidos por mim e pelo meu pensamento. Então eu acho que para te responder, eu nós não temos conhecimento suficiente sobre inteligência artificial como esse agente de contribuição pro nosso fazer profissional. É necessário que a gente aprenda mais sobre isso, né? é uma discussão muito recente. Eu acredito sim que a gente possa se beneficiar em algum sentido desses recursos tecnológicos, mas a gente não pode esquecer que nós estamos falando de um problema estrutural e problemas estruturais eles precisam ser cuidados com bases também estruturais, né? por mais que a gente use o o recurso tecnológico para nos ajudar, eh, claro que minimiza muito o nosso esforço, né, na coleta de dados, na organização de informações, na elaboração de projetos, mas as ideias concretas elas precisam de ação humana, né? Então, acha que pode haver uma colaboração, mas o nosso papel não pode ser delegado paraa inteligência artificial. BN e aí, inteligência artificial tá chegando nas empresas, tá chegando, as pessoas estão utilizando? Será que de alguma maneira essa tecnologia pode auxiliar? Olha, na verdade eu creio que a IA ela é um pouco preocupante. Ela, como a professora falou, ela ajuda bastante, mas é um pouco preocupante porque as pessoas acabam que ficando para trás, embora não substitua o ser humano, mas a gente sabe que é preocupante. Eh, então as pessoas vão ter, então, vão ter que se adequar a às novas tendências mundiais aí, né? A IA é uma delas. E isso também acaba que gerando uma sensação de que a pessoa tem ter que estudar, ter que se atualizar. Então, ao mesmo tempo que eu acho que ela atrapalha, ela também ajuda. Então, é é eu acho preocupante um pouco aí, Ana, eh, em geral, a minha tendência a uma, como a Eloía falou também, eh, nós estamos no final do programa e é um ponto que você trouxe que daria também outro programa. Eh, mas eh eu não vejo a tecnologia, nunca vi como concorrente da escola ou concorrente dos professores. Ela tem a característica, como a Eloía falou, ela é um recurso. Eu vejo como um recurso. Eh, a eu como professora, eh, tomo como primeiro plano a questão das práticas materiais de escritas, né? Então, eh, eu me volto ainda fortemente a à divulgação e a problematizar ainda o material escrito, que ainda tem muita coisa pra gente trabalhar nessa materialidade desse suporte do papel, mas ao mesmo tempo que a minha opção seja por trabalhar com ah com esse objeto cultural que parece estar sendo menos osado, eh, Eu eu vejo como a a IA nesse cenário como uma questão, vamos dizer assim, natural, no sentido de que eu não vejo, eu acho preocupante qualquer alarmismo pra escola, né, como já teve antes em relação ao celular, em relação eu sou da época da televisão, né, e a televisão não acabou com o sistema educacional, a televisão, né, A a escrita passou por muitas revoluções, né? Houve tempo que você achou que a máquina de escrever ela ia colocar em situação de desuso a caligrafia. O se achava que a caligrafia hoje hoje não estaria sendo mais usada. Se você olhar hoje há um retorno à caligrafia eh a estudantes que buscam a caligrafia comum. Então acho que essa contradição ela faz parte do cotidiano de nós pensarmos a formação de professores e a escola. Acredito que cautela sempre é bom, né? É uma questão nova, mas eu acho que é importante nós, ainda mais porque somos professores, educadores, formadores, é importante a gente se deparar com essa realidade da IA como uma questão a nós nos apropriarmos mais, compreendermos mais para podermos lidar melhor com ela na escola. Penso isso. Ana Guedes, professora titular do Departamento de Ensino e Práticas Culturais da Faculdade de Educação da Unicamp. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador toda a contribuição que você deu, o material que você trouxe aqui, que nos abrilhantou. Já faço um novo convite para retornar aos nossos estúdios, porque ficaram muitos temas para serem debatidos e fica aberto à suas considerações finais. Ah, então, eh, bom, eh, acredito que o tema que nos trouxe aqui é um tema fundamental, né, que é a EJA, educação de jovens e adultos. é um tema para continuarmos a debater e não só debater, né? Que a gente possa avançar na avançar estatisticamente, mas mais que estatisticamente, eu acho que é avançar no sentido de proporcionar que os jovens e adultos possam cada vez mais eh incorporar a o a língua escrita no seu cotidiano de forma proficiente. Muito obrigada. Nós aqui agradecemos, vereador Benel Lima, presidente da Comissão Permanente de Educação e Esporte aqui da Câmara de Campinas, também muito obrigado novamente por ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa. De grande valia a sua contribuição também. Já faço um novo convite para você retornar aos nossos estúdios para falar sobre esse e também outros assuntos e fica aberto aí as suas considerações finais. Obrigado. Ó, já quero fazer um convite aqui já ao ao vivo, não gravado, né, pra Ana, paraa Eloía, para vir participar da da Comissão de Educação. Eh, nós tentamos fazer bastante audiência pública para entender eh o cenário municipal. Eh, a gente acaba que envolvendo o cenário estadual e federal também, mas eu quero convidar as duas aqui para participar, que são pessoas de grande valia aqui pro pro município e pra população. Eh, o que me preocupa muito aqui, nós debatemos o analfabetismo, mas o que me preocupa muito também é o analfabetismo funcional. Até uma assessora tava soprando no meu ouvido aqui que eh pro IBG é só basta você saber ler e escrever um bilhete que você já não é analfabeto. Então nós sabemos que grande parte da população creiou que mais de 50% seja analfabeto funcional também é uma grande preocupação e eu tenho certeza que com políticas públicas e vontade política e a participação dos professores aí a gente vai chegar num num bem comum aí que vai agradar a todos. Eloís Helena Dias Martins Proença, também do Instituto Brasileiro de Formação de Educadores. Muito obrigado. De forma online, contribuiu muito. Obrigado pela disponibilidade do seu tempo com a nossa equipe. Já faço um novo convite também para você retornar ao nosso programa e fica aberto à suas considerações finais. Gabriel, eu que agradeço você por essa condução aqui brilhante, acolhedora, generosa, né, para que o nosso debate fosse possível. agradecer ao Benelima e a Ana Guedes, né? A Ana parceira de longas datas, a gente já atuou juntas em projetos de alfabetização, né? e o Ben representante da comissão de educação tão importante. E eu gostaria de dizer que é fundamental que cada um de nós olhe para si, pro seu cotidiano, paraas suas práticas, né, para paraas pessoas com as quais convive e encontre também um uma forma de participação e de contribuição para resolver um problema que é tão amplo, né? eu, a Ana, o Benê, nós continuaremos na nossa luta cotidiana enfrentando esse desafio do analfabetismo e outros do nosso campo de trabalho, mas é importante que a gente tenha outros setores, né, da sociedade também contribuindo com esse fazer. Eh, importante que a gente entenda que apenas ter o reconhecimento, né, de uma alfabetização funcional não é suficiente para uma vida adequada em sociedade com a leituria escrita. A gente precisa muito mais do que isso e esse papel é de todos nós, né? Então, muito obrigada e que a gente tenha outras oportunidades de diálogo. Certamente terá. E eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído, né, já que estamos no mês de fevereiro, violeta, sobre este combate ao analfabetismo, pra gente sair só deste número, dessa estatística e entender, né, o motivo do por que milhares de pessoas são analfabetas aqui na cidade de Campinas, que está inserida neste contexto do nosso país, do Brasil. A você aí de casa, até a próxima semana. Ciao. Ciao. [música] [música] เฮ