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Questão de Ordem | Festival artes pela paz
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Questão de Ordem | Festival artes pela paz

8 views Publicado 05/05/2026 HD · 1:05:08
Resumo editorial

O programa Questão de Ordem desta edição aborda um tema que parece distante mas chega na rotina de Campinas, a cultura de paz em meio ao cenário global de conflitos. A reportagem apresenta dados que assustam, 61 guerras em 36 países em 2024 segundo o Instituto de Pesquisas para a Paz de Oslo, mais de 200 mil mortes em 134 conflitos armados entre 2023 e 2024 conforme o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, e 120 milhões de pessoas deslocadas pela violência segundo a ACNUR, uma em cada 67 do planeta. A conversa reúne um vereador, a idealizadora do festival Artes pela Paz e um ex-secretário de cultura para discutir como esses números afetam o cotidiano emocional e econômico da cidade, multiplicando ansiedade, sensação de impotência e violência simbólica nas redes sociais. O debate também apresenta o Festival Artes pela Paz, que ocupa Campinas até 27 de junho com programação cultural gratuita.

Descrição do vídeo

Questão de Ordem debate guerras globais e cultura de paz local em Campinas! 🌍 61 guerras 36 países 2024 (Instituto Pesquisas Países Oslo - recorde pós-Segunda Guerra); 200 mil mortes 134 conflitos 2023-2024 (Instituto Estudos Estratégicos); 120 milhões deslocados (ACNUR - 1/67 população mundial). Impactos emocionais/econômicos chegam Campinas: Violência urbana, misogenia escolas, polarização política. Convidados vereador Wagner Romão, Silvana Bragato (idealizadora Festival Artes pela Paz) e Célio Turino (ex-secretário Cultura/curador festival). 🔥 Debate guerras: Wagner Romão: Redes viralizam chocantes; estresse saúde mental. Guerra urbana/policial Brasil; cultura paz combate absorção violência. Silvana Bragato: Brasil receptivo SP acolhe refugiados; solidariedade brasileira enfraquece (redes?). Festival promove paz interna/coletiva. Célio Turino: Paz inicia indivíduo (corpo/coração/mão harmonia - Papa Francisco). Bem-viver indígena (harmonia eu/comunidade/natureza); Ubuntu africano (humanidade no outro - Mandela/Tutu). 🎭 Festival Artes pela Paz (até 27/6 - Instituto Casa Comum): Abertura Teatro Arena Teresa Aguiar: Orquestra Sinfônica + dança Cacheeiras das Nascentes + poetas (20 campineiros semeados). Exposição Saguo Centro Convivência: 14 módulos 32 artistas; 3 mil alunos municipais (Secretaria Educação). Oficinas gratuitas: Justiça restaurativa, audiovisual jovens (produzem vídeo paz), mais programação (institutoacasacomum.org / @festivalartespelapaz). Encerramento 27/6: Dança circular alunos escolas + grupos culturais. Peças: Rio que Passa (infantojuvenil 17/5), Anelo (9/6), Moreno Ver (1/5). 🧠 Cultura paz prática: Escuta/dialogo/consenso (não conformismo); arte humaniza (alteridade); educação arte/convivência (não conteudista). Polarização: Invasão moral/pessoal (PT/PSDB 90s negociavam); Trump polariza global (taxas afetam preços/combustíveis Brasil). Soluções: Escolas humanizam; poder público fóruns diálogo (Cmara comissões); acolhimento SUS/enfermagem. Célio: IA manipula divisão (Palantir militar); Gaza holocausto tempo real. Wagner: Diálogo poder público/escola/comunidade. Silvana: Indivíduo repensar atitudes (cachorros parques exemplo harmonia). Festival gratuito transforma: Visite exposições/oficinas! Compartilhe paz, curta 👍, comente ação diária paz, inscreva-se 🔔 debates urgentes Campinas! 📲 Acompanhe TV Câmara Campinas: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas 📺 Playlists: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas

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Olá, começa agora o programa Questão de [música] Ordem. Certamente, quando você liga a televisão e assiste a um telejornal, vai se deparar com reportagens sobre guerras que estão acontecendo no Irã, na faixa de Gaza, Palestina, Ucrânia, Síria, entre muitas outras que não [música] aparecem nos noticiários. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas de Pais de Oslo revela que em 2024 foram 61 guerras em 36 países, o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Outra pesquisa agora do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Mais de 200.000 1000 pessoas foram mortas entre 2023 e 2024 em 134 guerras e conflitos armados pelo mundo. Número 37% maior que um ano antes. Segundo estudo da ACNUR, uma agência da ONU para refugiados, até o final de 2024, uma em cada 67 pessoas em todo o mundo foi ou estava sendo obrigada a se deslocar devido à perseguições, conflitos ou violência, o que representa mais de 120 milhões de pessoas. Um cenário que assusta. Então, o que nós que moramos aqui em Campinas, por exemplo, podemos fazer para contribuir para um mundo melhor, com mais harmonia e paz? É o que eu quero saber do vereador Wagner Romão, da Silvana Bragato, idealizadora do festival Artes pela Paz e do Célio Turino, ex-secretário de cultura de Campinas e curador do Festival Artes pela Paz, que acontece na cidade até o dia 27 de junho. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Wagner Romão, começo com o senhor. guerras, conflitos, disputas estão todos os dias aí na TV, nos telejornais. De que maneira esses fatos afetam as pessoas e os nossos atos? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordens. Obrigado, Gabriel. Boa tarde ao Célio, a Silvana também, as pessoas que estão nos assistindo. Eh, eu penso que a gente fica muito chocado, né, com tudo isso que tem acontecido, com as imagens que são veiculadas. Hoje a gente tem nas redes sociais uma interação praticamente instantânea com o que tá acontecendo no planeta e as imagens mais chocantes acabam sendo viralizadas, né? a lógica das redes sociais, do algoritmo, ela tá muito ligada a isso. Então, eu penso que as pessoas têmse cada vez mais eh sido afetadas com conflitos que estão acontecendo muito distantes delas, né? Eh, claro que isso não é novo. As redes sociais elas só intensificaram isso, né? Eu acho que desde Guerra do Vietnã, acho que talvez tenha sido aquela a primeira em que eh a televisão tava muito marcante, né? mostrando muito as cenas das batalhas lá nos anos 60, 70, mas eh o que nós temos hoje é muito diferente. Então eu eu penso que a gente tem ficado sim eh numa situação de muita de muito estress eh abalados na nossa saúde mental, né? E acho que as pessoas precisam realmente eh acho que a gente tem que pensar, né? pensar em termos de uma cultura de paz ou da paz, eh penso que tem muito a ver também com a gente, eh, tentar pensar em como em mecanismos pelos quais eh a nós possamos também nos primeiro que nos precaver sobre eh acabar absorvendo eventualmente esse tipo de violência, esse tipo de sentimento, esse tipo de ação, né, violenta. e de outro lado, eh, utilizar esse, assim, acho que ter uma posição mesmo de repulsa a esse tipo de violência, né, a esses conflitos. Eh, entendendo também que, eh, claro que as guerras elas chocam mais, as guerras envolvem conflitos entre países, né, entre nações, mas a gente vive uma guerra no nosso dia a dia, uma guerra urbana. A gente vê muita violência acontecendo, a gente vê, infelizmente, ainda muita violência policial, né? o que é mais eh ruim ainda, porque são agentes públicos, são agentes pagos pelo Estado, pelos impostos dos cidadãos, das cidadãs. E e acho que é muito importante que a gente possa ter sim uma atitude ativa, né, proativa no sentido de conter, né, esse essa violência, de conter essa esse tipo de ação. Eh, penso que é isso que a gente tem que, né, quer dizer, essa essa forma de de ação, essa forma de agir que nós temos que ter em mente, né, Silvana? Uma em cada 67 pessoas em todo o mundo foi ou estava sendo obrigada a se deslocar devido a perseguições, conflitos ou violência. Você enxerga o Brasil preparado para receber essas pessoas ou é um trabalho que precisa ser realizado para não termos mais casos de intolerância? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Agradeço o convite. Uma boa tarde a todos. Muito boa tarde a Wagner Aélio. Eh, eu acho que o Brasil, eu ainda entendo ele como um país receptivo. Ele não tem todo, talvez toda a estrutura e não esteja eh parlamentado para essa recepção. Mas eu vejo muito receptivo em comparado aos outros países, né, que eles têm toda essa violência de não aceitar que as pessoas entrem. Então, as pessoas já vem sofrendo uma violência, vem fugindo de uma violência e enfrentam uma talvez seja até pior, né, por ela esperar ser acalentada, abraçada e ela não é. Então, eu creio que sim, a gente deve ter uma estrutura melhor, mas eh mas eu ainda entendo o Brasil como receptivo, principalmente o estado de São Paulo. Acho que o estado de São Paulo é refugiados, né, de outros países que vê justamente fugindo dessa violência. Mas eu vejo até de outros estados também que às vezes recorrem aqui, eles são acolhidos. Então eu acho que isso não deixa de ser um perfil do brasileiro, né, de ainda ter esse acolhimento. Eu eu vejo sim, eu sinto pelo menos que a nossa sociedade ela ela tá se tornando mais violenta do que era. Eu vejo o brasileiro antes era muito mais solidário, né? Hoje eu não vejo assim. H, aí a gente pode até conversar melhor sobre isso, talvez a influência das redes sociais, alguma coisa assim. E mas eu acho que a gente tem tudo para preparar para pra gente voltar a ser o que era antes como perfil. Eu vejo que nós temos que conversar mais sobre paz, sobre cultura de paz e como as pessoas podem ser voltar ao que eram e até um pouco melhor. Célio, apesar do Brasil não estar envolvido diretamente nestes conflitos, mas sempre traz um impacto, né, seja ele econômico, social ou mesmo emocional. Tem como escapar de tanta notícia ruim sem ficar alienado? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigado, Gabriel Wagner seu, do Instituto Casa Comum, da qual eu faço parte, né? Eh, sim, é que fazer alguma coisa. O mundo o mundo tá entrando numa situação muito complicada. Veja que a semana passada soubemos que o dispositivo de bomba atômica foi acionado pelo presidente dos Estados Unidos e ele foi impedido de ativá-lo por alguns generais do dos Estados Unidos, mas ele chegou a iniciar o dispositivo para atacar, no caso, o Irã, né? Isso aferta ao planeta todo, né? como a próprio impacto da guerra, né, afeta economicamente, psicologicamente. Como que nós vamos enfrentar isso? Eh, pela cultura de paz. E agora há que compreender que a cultura de paz ela tem uma série de aspectos. Às vezes se pensa: "Ah, paz entre os povos". Mas para chegar na a paz entre os povos, entre os estados, é preciso iniciar com a paz que começa dentro da gente, porque a gente também tá em conflito conosco mesmo. eh uma pessoa que muito nos incentivou a a organizar ações pela cultura de pais foi o Papa Francisco em vários encontros que tivemos com ele desde 10 anos atrás e alguns que mantivemos depois em sequência, né? Isso ainda antes da pandemia, né? Ele falava muito da necessidade da harmonização das linguagens eh do corpo. E harmonizar a linguagem do coração, da cabeça e da mão e colocá-las num só sentido. Pode parecer algo simples, mas não é porque a gente sente de uma forma, pensa de outra e age de outra mais diferente ainda. Então esse é o grande desafio da humanidade. Quando nós pensamos o o festival Artes pela paz, esse foi o eixo. Então, por exemplo, no concerto que fizemos ali na no Teatro de Arena, né, com orquestra sinfônica. harmonizar uma sinfonia já é muita coisa. São vários instrumentos e tudo mais, mas a gente queria dar mais uma harmonizada com a dança, né? e não só em criar uma música, uma peça sinfônica a partir da dança. Ela foi criada, foi o contrário. Normalmente você dança a partir da música, não pensou-se o conceito do da apresentação de dança a partir e a partir daí o Rafael dos Santos, né, que é foi o compositor que nós convidamos, ele fez uma sinfonia maravilhosa, né, mas também não bastava, porque era necessário mostrar também que a chamada música erudita, né, ou a música clássica europeia, né? Ela tem que também tá harmonizada com as expressões da cultura popular, da cultura do povo. E assim tivemos que harmonizar também chamando a, no caso, as cacheeiras das nascentes, né? E também não bastava porque era necessário chamar os poetas. Não sei se os os telespectadores sabem, mas tem uma passagem, tá tá em Platão, na República de Platão. Ele expulsa os poetas da cidade, isso há 2500 anos atrás. Isso porque ele dizia que os poetas trabalhavam com a emoção e por isso eles turvavam a razão. Então eles tinham que ser expulsos da cidade para ter uma república ideal. Veja que uma forma de a gente construir a paz é recompor eh razão e emoção num só sentido também, que é a mesma linguagem aqui. Então, tudo isso eh é um exercício cotidiano. Capaz nas escolas tá aumentando por demais a violência das crianças nas escolas, adolescentes, eh cultura de de ódio às mulheres, misogenia, a ataques, pequenas gangues, né? Então a gente precisa ter essa paz, além da paz que começa dentro, paz com a natureza também. O o senhor citou o Papa Francisco. Espero que dê tempo, que eu quero falar dessa sua relação com o Papa que nós conversamos no sábado lá na apresentação do Teatro de Arena, né, Teresa Aguiar. E se der tempo, eu quero que o senhor conte mais sobre essa relação. Sabe que a Teresa era fundadora do Instituto Casa Comum também. Olha só que legal. Nós temos uma relação assim de muita, muita paixão, muito carinho com ela. E paião. Antes disso, Romão, neste mundo globalizado, né, o Célio tava falando do Trump, uma ação do presidente dos Estados Unidos, por exemplo, da taxação, o quanto não mexeu, né, com os preços dos produtos, aí vem pressão dos empresários aqui no nosso país, entra poder de negociação do governo brasileiro, como a alta de preços de produtos, uma possível instabilidade econômica, insegurança internacional chegam à vida do trabalhador campineiro. Pois é, a gente tem uma situação, eh, eu acho que a figura do Trump, ela sintetiza muito isso, né, de políticos de extrema direita que tem acabam detendo muito poder, né? E os Estados Unidos, mesmo digamos num processo de decadência, na comparação com outros países, né, os Estados Unidos já foram muito mais potência do que são atualmente. Hoje a China é muito forte, mesmo a a Rússia em termos bélicos continua, né, muito potente também. Mas o fato é que sobretudo a China ela polariza com os Estados Unidos em termos de força global, né? Mas ainda os Estados Unidos t muita tem muita força e quando são governados por por essa figura, né, eh que tem que ela que é absolutamente eh fora dos padrões do que a diplomacia eh prediz, né, eh do que a política de multilateralismo que vinha sendo construída, né, com muita dificuldade ao longo depois do da queda do muro de Berlim, depois do do final da Guerra Fria. né, a política de um mundo multilateral em que eh diversas nações pudessem eh opinar e construir uma uma situação eh de paz, realmente, né? Eh, nós temos essa figura do Trump que eh age politicamente com muita violência, né? seja a violência verbal, mas seja também uma violência contra outros países. O que aconteceu na Venezuela foi muito eh inédito, né, de certo modo, o sequestro de um presidente. Eh, o que tá acontecendo no Irã é outra é outra forma, é outro modo. E claro que isso tem um impacto, sim, eh, muito importante, eh, na vida das pessoas. Pode ser pelo preço dos alimentos, pode ser por essa agora especialmente na situação com o Irã, né? E a delicadeza ali do estreito de Ormuso, toda aquela situação geopolítica de países muito ligados à economia do petróleo, não por acaso a Venezuela também, outro país petroleiro, né? E isso impacta diretamente aqui no Brasil por conta dos preços dos combustíveis. E se não houver uma ação realmente muito forte do governo brasileiro, como tem havido, né, pelo menos na tentativa de diminuir o impacto disso na inflação desses preços, desses produtos, a vida das pessoas ela acaba sendo impactada e, infelizmente, eh, fica uma situação, uma uma sensação de impotência muito grande, né? O que aparenta é que mesmo a população dos Estados Unidos tem visto, né, ali também uma situação de muita divisão, muito semelhante ao que a gente tem visto nas últimas eleições aqui no Brasil, né, em que a os segundos turnos têm sido decididos ali por alguns milhões de votos, o que no Brasil é muita coisa, tá? Poucos milhões de votos, uma percentagem ali, né, de de de votação. Eh, e também nos Estados Unidos. Mas o que eu tenho visto é que a opinião pública também nos Estados Unidos tem sido tem cada tem sido cada vez mais crítica, né, a esse estilo do Trump eh presidir aquela nação, né? Então, eu penso que sim, há uma eh ela afeta fortemente e acho que a população tem que também perceber isso, né? Eh, quando políticos fazem a defesa desse estilo de governo, né? ou eh de certo modo até gostariam que um presidente ao estilo do Trump fosse presidente no Brasil também, né? Eh, acho que esse isso acende sim um sinal de alerta, né, de que a gente deve continuar fortalecer o diálogo com a população, fortalecer a ideia de que a violência ela não leva a nada, ela só vai prejudicar eh cada vez mais as pessoas, né? E que a gente tem que retomar na política algo que sempre foi o cerne da política. né? Seja a política entre as nações via diplomacia, né? Quando que a diplomacia, a diplomacia acaba quando a guerra eh se inicia, né? E vice-versa. E no caso da política nacional, a negociação, o diálogo, né? O se há um uma discordância, isso é importante que haja também, né? A política é feita dessas discordâncias, mas que haja cordialidade, que haja condições para que as pessoas possam encontrar caminhos em comum, né? Criar consensos, trabalhar nos consensos menos do que nos dissensos. Penso que esse é que é o recado que esse tipo de ação que nós estamos vendo a partir dos Estados Unidos hoje deve trazer para nós nesse objetivo, né, de uma construção de uma cultura política que seja uma cultura também de paz nesse sentido, Silvana. Célio, pode ser que quem está nos acompanhando pode estar pensando: "Ah, vocês estão falando de paz mundial, isso é algo utópico, isso nunca vai acontecer, a gente sempre teve guerra, a gente sempre teve conflito." Então, para quem está nos acompanhando, pais é a ausência de conflito ou é a capacidade de lidar com o conflito sem violência? É, a cultura de paz diz isso, né? Nós não somos eh ah para esquecer o conflito, mas é justamente jogar a luz no conflito. É você explicitar esse conflito e chegar ao entendimento. É o que o Wagner tava falando, chegar a um consenso e a partir daí é saber escutar, que eu acho que é o que a sociedade no geral não tá fazendo, né? Você vê até nas próprias redes sociais, a pessoa escreve, a outra já tá pensando no que vai escrever. Eh, você nós estamos ficando com a incapacidade de escutar e isso mesmo falando no global, mas é no no individual, em casa, no nas relações de trabalho, é é escutar primeiro o que o outro tá falando e depois você responder colocando seu argumento. É para se chegar a um bom senso. Parece que as pessoas não querem e essa concordância. Parece que isso não é bom. elas não se sentem à vontade. Isso é assim que a gente consegue acabar com a violência. Eu acho que a violência mundial ela ela tem a capacidade de ser perdida a partir do momento que nós como indivíduo eh começarmos a a trabalhar mais a paz, né? a paz dentro da gente, a paz com quem está ao nosso entorno, a aprender a esse diálogo. E eu acho isso muito importante, que seja aplicado nas escolas, nas casas, nos trabalhos, porque é esse exercício que pode fazer com que a gente, eu sei que a a violência muito grande, depende de muito poucos, mas eu acho que nós temos a capacidade de fazer essa mudança. E aí, Célio, paz é ausência de conflito ou é saber lidar com os conflitos que vão aparecer? É o que você disse, é preciso enxergar o conflito, identificar e o problema e buscar resolvê-lo, né? Porque também a acomodação com a com as injustiças não é paz, é uma submissão à guerra, como na relação que nós temos com a natureza. Diria que a primeira de todas as guerras é a guerra da humanidade contra a natureza. Isso tá até na Bíblia, certo? Quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso, eles viviam em estado de natureza e a partir de então houve a a ruptura. E a humanidade ela precisa declarar paz com a natureza. Então, são identificações e métodos, mas está havendo também no mundo um dissenso programado que é muito próximo com esse fenômeno da dessa ferramenta que é a inteligência artificial. Eh, a inteligência artificial, ela vai nos levando a um processo de de quebra de da nossa própria humanidade, né? ela vai mudar, mudar a nossa forma de pensar, inclusive, porque a humanidade é resultado da interação do humano com as ferramentas, o uso de um osso, de uma pedra, de um pau. Eh, lá na pré-história foi determinando a forma do cérebro, da linguagem irem se desenvolvendo. E agora com essa ferramenta chamada inteligência artificial, essa modificação ela se eh vai a ao nível exponencial, né? E por quê? Porque e por que desse dissenso programado, né? Eh, ele é uma forma de enriquecimento. A Palantir, que é uma empresa, a gente fala muito da Openai, Gemini, né? Uhum. Eh, mas tem uma empresa que e é uma empresa que vai crescer muito. Eh, ela ela trabalha com inteligência artificial pro militarismo, pra morte. O grande cliente deles é o o governo. Eu vejo essas esses assassinatos que tem ocorrido assim, tudo é tudo com muita precisão, né? Eles sabem, acompanham as pessoas, tudo. Então, tudo isso é uma forma de enriquecimento também. E já já se identificou que eh o mundo, no tamanho que ele está, na população que a humanidade tem aí 8 bilhões de pessoas, ele é insustentável porque ela tá chupando pela intelig pelos que controlam a inteligência artificial, estão chupando todos os conhecimentos do mundo. Ou seja, a gente em breve terá aí uma uma classe de pessoas jogadas à obsolescência. É mais que o proletariado, é o o o o obsolescente, o descartável, né? E e a Iá talvez tenha uma solução para isso. E a solução não é boa. Por isso que essas esses exercícios de guerra, de genocídio e inclusive de de domesticação do dos sentimentos e das sensações. Veja o que ocorreu em Gasa, né? que tá ocorrendo. Ocorreu não tá ocorrendo. Eh, é mais grave do que o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. Eu digo paraa humanidade porque sabia-se que havia campos de extermínio na na Alemanha nazista? Ou não sabias. Sabas que havia campos de concentração, que as pessoas eram muito maltratadas, morriam, eram escravizadas, mas o contato com o holocausto, ele só se deu quando o exército vermelho chegou em Auschwitz no começo de 45. Foi aí que a humanidade se espantou. Agora é diferente. Você deu o exemplo lá da da do Viet, o Wagner, né, falou do Vietnã, mas era num nível, né, tempo real. Agora não, agora é em tempo real. Você vê ali a criança sendo decepada, perdendo braço, as famílias morrendo, se as casas bombardeadas assim em tempo real, viu? De acho que ontem, anteontem, a família brasileira lá no sul do Líbano, né? Sim, mas a gente vai se conformando com isso. Então é um processo de conformação da consciência que pode nos levar a uma situação muito mais grave e que vai atingir o planeta todo. Por isso a cultura de paz tem que est na ordem do dia praticada em todo o campo como um exercício, porque a humanidade também ela vai se modificando a partir de pequenas configurações, que são configurações de longo de de curto prazo, né? Pequenas mudanças que elas resultam numa num outro patamar de consciência. E e essa tem sido a tentativa aí com com o Festival Artes pela Paz de mostrar essas pequenas mudanças, né? Então, exatamente sobre isso, sobre as práticas e os exercícios. Já já vou falar sobre este festival que aconteceu aqui na cidade de Campinas, mas Romão, o principal desafio é trazer dessas teorias como a cultura do encontro, do bem viver, fortalecimento, eh desenvolvimento de uma cidadania ativa para poder reduzir as desigualdades, produzir aí uma emancipação, seja ela social, política, cultural, econômica, para a prática, para que as pessoas assimilhem no dia a dia, para quem está nos acompanhandos fala: "Olha, a minha rotina ela é difícil, eu tenho dois, três empregos, eu tenho aqui três, quatro filhos, não é fácil, mas no dia a dia, isso que vocês estão falando, eu vou conseguir reproduzir." A principal dificuldade é essa da prática de discutir para quem está nos acompanhando assimilar, mas conseguir produzir isso no dia a dia. Eu acho que se as pessoas mantiverem uma postura de confronto sempre, né, elas elas vão se sentir muito mal, né? É muito difícil que você consiga algo eh paraa sua própria vida se você tiver ou pr pra vida da sua comunidade, né? Se você tiver sempre numa postura de confronto. É claro que tava lembrando aqui, tava falando da paz, né? lembrei do poeta, eh, paz sem voz não é paz, é medo, né? Então isso é muito importante também. Quando a gente pensa em paz, nós não estamos falando de eh de uma mera de um conformismo, né, de que é melhor ficar quieto, é melhor deixar quieto, não. As pessoas precisam sim se colocar, precisam as pessoas precisam ir atrás dos seus direitos. as pessoas que se sentem invadidas, violentadas, elas precisam sim buscar justiça, buscar eh os meios pelos quais elas cessem esse sofrimento, essa dor, né? Eh, e eu penso que eh as comunidades elas precisam, e nesse sentido as pessoas precisam ser acolhidas, né? Você falou, Silvana, da ideia de acolhimento, né? E aí é preciso, e aí a gente entende que embora essa postura da do sofrer a violência ou do praticar a violência seja uma postura individual, a gente só vai conseguir adquirir solução para isso, busca de consenso numa perspectiva comunitária, numa perspectiva solidária, numa perspectiva coletiva, né? Então eu acho que esse é o sentido principal do que eh, né, as pessoas que estão nos assistindo hoje eh devem pensar, devem considerar a cultura de paz. Não, não é algo abstrato, não é algo etéreo, não é algo longe, é algo que tá muito perto, né, da vida da gente. É, eh, diz respeito a conflitos são muito cotidianos mesmo na na vizinhança, no com seu, né, com seu vizinho. Outro dia teve uma uma uma fala interessante de um de um companheiro que eh gosta de frequentar parques, né? E agora houve uma liberação, colocar um conflito aqui muito atual aqui em Campinas. Hum. Houve a liberação pela prefeitura de animais domésticos, especialmente cães em parques municipais. E isso tá trazendo uma situação de conflito, especialmente naqueles parques ou bosques em que você tem uma fauna ali, aves, aves aquáticas, pequenos mamíferos, roedores que a princípio estavam liberados, né? Tavam livres desse incômodo dos cães. Como é que resolve isso, né? As cutias lá b as cutias, né? Eh, ah, então assim, os os gansos lá no no no no Hermógenes lá em Barão Geraldo, né, ou lá no Alagoa do Mingone lá em Ouro Verde, enfim. Então são situações em que se a gente não tiver uma instância, né, e aí primeiro a disposição do diálogo, né, olha, pera aí, se o cachorro não tava aqui e ele tem que ficar longe porque a situação anterior sempre foi assim. Uhum. Ô, pera aí, mas tem um você tem uma situação aí de uma quase tem uma demanda chegando, né? Tem uma, tem um certo conflito por direitos, né? Ninguém tem um direito é melhor do que o outro. Uhum. Então, a perspectiva, eu acho, tem que ser, né, de um lado, que as pessoas tenham disposição para o diálogo, né? Quer dizer, não enfrentem eh diretamente, às vezes com violência, com agressão verbal, né, a os outros. E de outro lado aí eu acho falando aqui como, né, vereador que o poder público também possa oferecer esses espaços, esses canais, né, pelo que realmente efetivos. Não se trata de uma mera ouvidoria, né, que ouvidoria é fácil, né? Manda por um 56 ali, faz a sua reclamação, quando que isso vai aparecer como uma solução? Cria uma estatística, né, e pronto. Não, você tem que ter que ter canais efetivos de diálogo, né? E acho que eh a cultura de pais informa muito esse tipo de ação também do poder público, né, do estabelecimento de fóruns, de diálogo, de mesas de negociação, enfim, eu acho que é nesse sentido que a gente deve pensar essa concretude do quando, né, Célio Silvana trazem a questão do festival, trazem a concepção de cultura de pais, né? Eu acho que é uma coisa muito próxima da vida da gente, né, Silvana? E depois, Célio, quais são os obstáculos para que a gente tenha de fato uma realidade diferente dessa que nós estamos vendo de tantos conflitos? Tem a ver só com os governantes ou a sociedade tem um papel importante também? Preferia que não tivesse obstáculo, [risadas] que obstáculo nenhum. Eh, eu os dois, né, lógico, tanto de governantes como dos próprios indivíduos. E aí, eh, o Wagner falando, eu fico pensando aqui, eu falo assim: "É, mas aí é o problema de não pensar o coletivo é pensar individual, né? Eu sou, eu tenho meu cachorro, eu preciso proteger o meu cachorro, ele precisa do espaço dele e eu não consigo pensar no coletivo que isso tem que harmonizar. É, então eu acho que que talvez seja a própria sociedade, ela seja o seu obstáculo e também a sua solução. Eu não consigo ter um obstáculo, uma coisa tão grande assim. Eh, eu acho que as pessoas têm que pensar, quando você fala em paz, todo mundo acha lindo e fala: "Nossa, eu quero a paz". Mas talvez obstáculo esse do indivíduo, ele é incapaz de de repensar suas atitudes para alcançar essa paz coletiva. E isso às vezes são coisas muito simples no seu dia a dia, como eu falei, de escuta, de respeitar o outro, principalmente você não ter uma uma violência assim, não tem uma comunicação violenta que o ofende. O que a gente vê ultimamente, que é um absurdo, são os feminicídios que nós estamos encontrando, tá? Cada dia tá crescendo mais, tá todo mundo falando e parece que quanto mais se fala isso mais cresce. Então é dos próprios vizinhos se preocuparem com isso, a própria família. Eh, eu vejo isso, eu vejo que a paz não é difícil de ser encontrado a partir do momento que tem essa alteração de cada indivíduo, né, Céli? Quero ouvi-lo também. Eu tô aqui pensando nas cutias do bosque, sabe que eu trabalhei no no bosque do Check Tibass, nos museus nos anos 80. E eu gostava de ver as cotinas soltas. E aí quando de lá ainda tá a lá é uma exceção, é a única exceção da bosta de baix, mas a gente tem vários outros que a coisa tá muito solta, né? E eu fico imaginando esse conflito mesmo, [risadas] né, entre as cutias, é real da cidade. Não diria nem entre os cachorros, mas o os tutores dos cachorros assim daqui a pouco perseguindo, né? Então tava pensando nisso, mas é é é muito o que a Sil falou, né? É a busca de de uma harmonização de convivência, porque a natureza ela ela tem convivência. a gente vive o bem viver, né? Qual que é o conceito do bem-viver para explicar que é uma filosofia de tradição ameríndia, né? Foi mais sistematizada ali pelo nos Andes, né? No Equador, Bolívia, né? com culturaquiteimara, mas também aqui no Brasil com os povos indígenas no pros povos guaranil tecoá porã, o modo bom de viver na casa e que é muito simples e compreender o que é o bem viver. O bem viver é a harmonia do indivíduo com ele mesmo, do indivíduo com a comunidade e da comunidade com a coletividade da vida. Isso teve aplicação constitucional. Eh, a Constituição do Equador foi a primeira constituição do mundo de 2017 a incorporar a natureza como sujeito de direitos. É diferente da forma com que a gente trata a natureza. A gente trata da preservação do meio ambiente, mas ainda como uma reserva de recursos para serem usufruídas pelos humanos. No caso da Constituição do Equador, eh, e do bem viver, da filosofia do bem viver, eh, não é isso, é entender que a água, o rio tem direito de ser rio, porque ele é uma comunidade de seres, o bosque, as montanhas, enfim. E e tudo isso a gente consegue compreender quando se aproxima também dessas filosofias de povos e de raiz, como no caso do bem viver, né? O outro é o Ubunto. O Bunto é uma filosofia de de origem banto, né? E que ela é muito prática e Campinas sabe que pratica bem. Inclusive tem o juiz Marcelo, né? Tem um juiz aqui muito muito bacana que eu não conheço pessoalmente, mas que ele trabalha com justiça restaurativa. Uhum. A justiça restaurativa, ela tem origem na filosofia Ubunto, que foi aplicada pelo Nelson Mandela e o Desmo Tutu eh no processo de superação do apartadide. E o que consiste, né? O bunto. A tradução seria força e movimento, mas ela também é traduzida da seguinte forma: "Eu sou porque nós somos". Ou mais que isso, a minha humanidade ela só se realiza em relação com a humanidade do outro. Quando você percebe isso, né? Ou seja, eu eu não serei humano se eu não tiver relação com o outro. Eh, a gente vai ter esse ambiente do que a Wagner aqui colocaram em termos de dessas harmonizações e tentar dar esses equilíbrios. Eu espero que o que as cutias continuem soltas lá pelo bosque, mas pode ter cachorro também lá, dependendo de como se organiza o processo de circulação de vida, né, ou enfim, é o a a o a vida, ela é um sistema complexo, então a gente tem que saber transacionar nele. Mas a a se criou uma cultura de que para se viver em segurança, a complexidade ela tem que ser abolida e você tem que viver em tudo em processos uniformes, tudo padronizadinho, certinho. É aí que ocorre a maior de todas as violências, porque você rompeu com a própria vitalidade, com a energia vital que que rege o conjunto de seres, a existência no planeta. e tudo mais. Romão, vamos falar então sobre essa complexidade na política, né? Porque além dos conflitos que estão acontecendo em praticamente todos os continentes, né, um tema que tem aumentado as tensões é a política brasileira, né, no fator da polarização. A ideia é que eu veja que no passado as divergências existentes eram debatidas em bares, nas praças, em programas televisivos e muitas vezes ficava restrito a isso. e hoje invadiu completamente as famílias, parentes distantes, não conversam mais, clima ruim e de tensão no trabalho, intolerância na internet também. O que que aconteceu com o brasileiro que ele não consegue mais debater política? Uhum. É, eu eu acho que a gente vivia, né, vamos colocar aí depois da redemocratização, década de pelo menos a partir da década de 90, com a eleição do Fernando Henrique Cado, né, uma havia ali uma uma espécie de uma polarização política entre PSDB e PT em nível nacional, né, pra gente não f não ir para municípios, que aí complica demais, mas havia uma polarização política. Esses dois partidos se revesavam em termos de de um de posições muito de de posições eh com com um bom nível de antagonismo em termos de políticas públicas, concepção de Estado, concepção de economia. Eh, mas havia uma certa, de modo geral, né? Claro que pontualmente exceções aconteciam e o terreno da política ele, infelizmente sempre foi muito eivado, né? sempre foi muito preenchido por eh maledicências, por golpes, por traições, né? E de certo modo isso é é o é a parte obscura, né? Da política. Mas faz parte, né? Isso acontecia sempre, né? De algum modo, já desde tempo você falou do Aristóteles, né? Desde lá da da Grécia antiga. Agora, o que aconteceu de uns tempos para cá, eu acho que foi uma invasão do terreno da política. por ah uma espécie de um jogo eh em que aspectos pessoais, aspectos morais, né, eles ficaram muito eh eh tomaram um vulto muito grande, né? De modo a que as pessoas que optam por um ou outro partido político, por uma ou outra liderança política, simplesmente não se suportem, né? não consigam viver em conjunto, não consigam sentar a mesma mesa em que filhos rompem relações com pais e vice-versa e primos, irmãos, né? E e isso é muito e aí o nível da polarização, né? Ele deixa de ser meramente uma polarização política no sentido da disputa, né, sadia que deve acontecer para um nível de um antagonismo absolutamente sem freios. Uhum. Eh, e infelizmente isso foi muito alimentado, né, por eh, pelos campos da política. Eu acho que aqui importa menos saber quem começou essa história, né? Mas de fato, eh, infelizmente muita gente acaba ganhando muito com esse tipo de antagonismo. Ele ele é especialmente no campo das disputas proporcionais, né? ele é eleitoralmente eh ele é eleitoralmente traz votos, né, para para simplificar, né, ele traz votos. Então a gente vê figuras, né, que t uma que fazem um discurso muito violento, que utilizam redes sociais, meios de comunicação de uma maneira muito violenta e que acabam conseguindo ter 1 milhão de votos, né? Eh, e então assim, e gera, isso gera uma prática muito danosa, né? eh pro para pro ambiente político. Então a gente perdeu aí nesse sentido muito do que essa característica tava começando, né? Acho que a primeira questão que você fez tava tentando caminhar um pouco para esse sentido, que é o da negociação, que é o de identificar aquilo que é distinto, aquilo que é diferente, aquilo com o qual eu não concordo e buscar, opa, pera aí, se a gente não concorda com isso, e a gente não concorda com isso, com o que que, afinal de contas, a gente concorda para que a gente possa agir, né, de uma maneira responsável, não para conosco, para pr para reeleições e assim por diante, mas com o cidadão, a cidadã que tá tá esperando uma ação, né, do poder público, né, dos legisladores, do executivo, que talvez não seja que as pessoas aquela perfeita que todo mundo, que as pessoas individualmente querem, mas é aquela que é possível no ambiente coletivo, né, num ambiente eh de coletividade. Então eu penso que é isso que que essa essa esse tipo de acusação, né, que invariavelmente ela vai pro campo moral, né, ela ela ela faz parte de julgamentos, assim, julgamentos que não tem volta, né, e de e de um estigma mesmo, né, sobre determinadas figuras políticas que impede que as pessoas possam sentar à mesma mesa, que as pessoas possam conversar, possam permanecer eh eh em em comunhão ali para determinados propósitos, né? Acho que esse é o aspecto mais terrível do que tem acontecido e e do que do que a violência, pelo menos não só a violência física, a violência política de, né, de morte, de assassinato, que que acontece também já há muito tempo, mas a violência verbal, né, nas campanhas do vamos metralhar, vamos exterminar, vamos acabar com eles. Eh, isso era menos frequente anteriormente, né? E hoje se tornou moeda comum. E, infelizmente, eh, aí de novo, eu vou votar nas redes sociais, não quero culpabilizar a rede social porque eu acho que sempre tem alguém por trás delas, né? Mas, infelizmente, é esse mecanismo que acaba eh eh disseminando isso e fortalecendo isso, né? Então eu acho que é essa situação que a gente tá vivendo e é uma situação muito preocupante. Você falou sobre campos de polarização e tem eh uma analogia que o Marcos Nobre faz, que eu acho muito interessante. Eu quero trazer pra Silvana e pro Célio. Na minha abertura, né? E o Wagner Romão disse agora a gente tá falando sobre polarização. E o Marcos Nobre que é professor titular de filosofia da Unicamp, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, ele fala que o mundo polarizado acabou. que nós temos hoje duas visões de futuro que são incompatíveis entre si. E aí ele faz uma analogia, né, uma divisão na sociedade entre dois grupos que não compartilham das mesmas premissas e que não existe margem para acordo. É como se existissem aí dois campos de futebol, só que cada time tá num campo. Então eles não jogam entre si, não tem essa discussão, não tem um time contra o outro. Um time tá aqui, ele fala: "Eu torço para esse". Um time tá aqui, um time tá e são dois campos diferentes, não é um mesmo jogo, né? Eh, vocês enxergam dessa maneira também. O mundo hoje estão dois campos ou ainda existe uma polarização? Existe uma margem para negociação? Tem como a gente voltar algumas casas, igual o Romão diz, PT, PSDB da década de 90 aqui, pode ser de outros partidos. Para quem está nos acompanhando, é só dois exemplos. Para que essa disputa continue ou é um caminho meio que ser em volta? Silvano S. Ah, eu sou sempre otimista. Eu não [risadas] acredito. Isso é bom. Eu não consigo conceber na minha cabeça eu acho que o cé assim, mas eu não se tiver divergência é ótimo também. É bom a gente ilumina esse complo. Mas eu não consigo partir dessa concepção e eu posso ser um assim muito iludida, vamos dizer nesse sentido, mas eu acho que se cada vez mais a gente acreditar nisso, isso vai se concretizar, tá? Então eu prefiro acreditar que não, entendeu? que é uma polarização e que ela vai ser revertida, a gente vai voltar a casas, porque eu acredito ainda no ser humano, nas pessoas como vida, como quererem como quererem solidariedade e viver bem, né? Mas o viver bem ou bem viver, né, que eh para mim é uma coisa só, é isso, é você saber que você só vai conseguir tá bem se o outro também tiver, porque senão você não consegue. Eh, eu vejo muito assim, parece que o mundo caminha muito para filme de ficção científica, sabe? Às vezes eu tô vendo o mundo, parece que eu tô vendo um filme de ficção científica, porque eu acredito que é isso que as pessoas estão acreditando e estão achando assim que não tem volta. Quando você fala o problema climático que a gente tem, o que eu mais ouço das pessoas é: "Ah, mas a gente não pode fazer mais nada, que isso é inevitável". E eu acho que não. A gente tem como retroceder as casas. Então, eu acho que mesmo paraa pacificação do mundo, a gente tem que que retroceder, sabe? Então, eu acredito, não consigo, [risadas] respeito muito o professor. Ótimo. Mas eu prefiro acreditar que não. Eu também prefiro. Sério? É bom. Eu concordo com a minha, mas eh há uma sisânia programada, né? Então nós somos, estamos nesse processo de de manipulação algorítmica. Ela ela incentiva essa sisânia também. Um, houve um deslocamento da noção de realidade muito grande. Quando você tem a o deslocamento é isso, cada um vai para um campo, eu vejo esse campo de futebol e eu não vejo esse, que eu me desloqueio e eu trabalho só com uma determinada realidade aí nesse sentido. Concordo com com o nobre, não é? E é possível reverter. É, aí tem um livrinho do Marx eem que ele fala, o título é realismos e capitalista, em que o subtítulo é uma pergunta, né, porque as pessoas eh conseguem enxergar o fim do mundo, mas não o fim do capitalismo. Verdade. O sistema que a gente tem vivido, ele é um sistema absolutamente lógico, porque nós vivemos num num planeta que é finito. Então, os recursos eles têm têm uma dimensão aqui, tamanho do planeta, não tem não tem como pensar numa lógica de acumulação infinita, que é a lógica que move capitalista. Então, é preciso romper com essa lógica. No contrário, a gente vai para uma para uma explosão de vida e e aí a o Lab Gaza terá sido um laboratório de experimentação do que pode acontecer em escala global em algum tempo. Romão, essa polarização política tem dificultado o diálogo aqui na cidade de Campinas, seja ela nas reuniões ordinárias, de comissões, em espaços públicos e também nas redes sociais? Ah, eu acho que assim, o que a Silvana coloca e que acho que é que é muito importante é que há sempre um espaço para pro livre arbítrio, pra ação das pessoas, né? E e acho que há uma, quer dizer, eh especialmente em espaços aqui como a Câmara, né, que nós temos 33 vereadores e vereadoras que é precisam entrar em determinados consensos, né, ou pelo menos buscar isso, né? A lógica da maioria vence tudo, né? Ela é uma lógica ruim nesse sentido. E eu tô na oposição, né? Então aqui nós temos cerca de seis vereadores que fazem essa tentativa de estabelecer um contraponto aqui com posições, né, que são muito marcadas pela maioria do ligada ao governo municipal, né, ligada aos projetos do executivo. Eh, mas eu penso que a maioria de nós, pelo menos, acho que há um desejo, né, tanto das da oposição como também de vários setores da de vereadores ligados ao governo por estabelecer aquilo que possa ser o o melhor projeto, né, pra cidade. Claro que a gente tem posições distintas em muitos momentos, né? Mas eu acho que sobretudo no trabalho que a gente tenta fazer nas comissões, nas audiências públicas, ou seja, nas instâncias previstas no regimento da casa, né? Eh, trata-se de de um trabalho que é muito em prol de buscar a melhor solução pros cidadãos, paraas cidadãs de Campinas, né? Acho que nem sempre isso é possível. às vezes há sim uma uma lógica da maioria que acaba, né, eh, vencendo, né, mas em outras situações, eu posso afirmar que é possível sim estabelecer diálogo, né? É possível sim encontrar canais eh de diálogo entre o campo governista, o campo da oposição. Eh, há muita coisa que tem sido feita, não só por mim enquanto vereador, mas por vários colegas, né, da oposição em diálogo com setores do governo municipal, né? Eh, porque há sim pessoas muito eh eh eh ações políticas muito interessantes em em setores do governo, né? Claro que de maneira geral a gente discorda, né, da da linha geral do governo. Eu acho que eh isso isso se coloca mesmo em posições antagônicas. E acho que aí, nesse caso, nós temos que preservar muito a cordialidade e uma possibilidade de estabelecer uma um confronto político com regras muito bem estabelecidas, né? De maneira que isso também possa servir pra população. Opa, pera aí, eu tenho aqui duas, três opções de candidatos, candidatas a prefeito ou a vereadores, né? Eh, em que eles se diferem, né? Quais são as diferenças? como é que eu posso eh escolher melhor, né? E aí, nesse sentido, é muito importante que os projetos se coloquem, né? De novo, a ideia da voz, a ideia de que sem que a gente possa instituir uma cultura política de eh encontro de seja de e de diferenças, porque nas democracias as diferenças aparecem e é bom que elas apareçam, é só nas ditaduras que não tem diferença nenhuma, né? nas ditaduras não tem não tem eh oposição, né, na ditadura, mas mas não, a gente precisa preservar esses espaços. Então eu acho que eh esse é o espírito do que a gente tem que trabalhar aqui, tanto na Câmara como nas relações do legislativo com o executivo. O Célio eh comentou a respeito de um juiz, né, que tem uma perspectiva de justiça restaurativa, ou seja, de estabelecer [limpando a garganta] diálogo. Eu tenho tido experiências positivas com o Ministério Público, né, como eh de maneira geral, né, como um ente que cobra sim do executivo, mas cobra do legislativo, que tenta mediar conflitos também, né? Não não necessariamente tem uma posição de impor, olha, a Constituição prevê isso aqui, então façam, né? Então eu acho que é ao contrário, né? é de tentar enxergar pros problemas reais e tentar caminhar no sentido de uma solução que possa, se não contemplar todas as partes, porque às vezes é muito difícil realmente, mas encontrar um caminho que seja um caminho de diálogo, né, de comunicação, eh, né, como um dos elementos importantes da cultura de pais, né, a comunicação não violenta, né? E a comunicação não violenta, ela também envolve a existência de fóruns nos quais você possa falar, o outro possa falar, outra possa falar também, que todos possam se escutar, se ouvir, né? Então é isso, acho que a gente tem que caminhar nesse sentido. Acho que combater polarização tem que ser nesse diapazão, né? Tem que ser dessa forma, tem que ser a partir dessa eh orientação política mesmo. Eu acredito nisso também. Aí nesse sentido, estamos estamos juntos. [risadas] programa bom é programa que passa rápido e com muitas informações. Últimos 5 minutos, mas tem duas questões que eu quero abordar ainda. Então vou fazer uma pergunta para cada, tá? a do Festival das Artes da Paz, eu vou deixar com a Silvana e Célia, eu quero com você na questão da educação. Quais são os desafios e qual que é o papel das escolas aqui da cidade de Campinas na formação de uma geração que seja mais tolerante e menos violenta? Humanização, convivência e arte no outro caminho. A arte é que nos mantém humanos e a quando a gente se distancia dessa habilidade, a gente perde a nossa humanidade. Por quê? Porque a arte de toda, todas as criações humanas é a que mais permite com que a gente exercite alteridade, se veja no lugar do outro e se transponha no tempo e no espaço. Então, educação sem arte, sem convivência. Mas as escolas estão preparadas para isso? Elas não estão mais conteudistas. Elas precisam se preparar para isso, porque conteúdo, conteúdo se pega aqui no celular, ele vai tirar. Isso, isso é o que tá acontecendo agora. Isso chupa tudo. Então agora você tem que voltar a ter essa capacidade, arte, arte, arte, convivência e humanidade. Sobre essa arte, então, Silvana, nós tivemos eh a abertura, né, do Festival Artes pela Paz no Teatro de Arena Teresa Guiar, no Centro de Convivência. Teve apresentação da Orquestra Sinfônica, tem uma exposição lá no Saguão para quem quiser conferir. Até 27 de junho, nós teremos eh muitas atividades aqui pela cidade de Campinas. Queria que você falasse sobre essa iniciativa e já fizesse um convite aí para todos os campineiros durante esta época. E a transformação que vocês esperam, feedback que já recebeu do que já aconteceu em Campinas, tá? O festival Artes pela paz, o nome já tá falando, ele é sensorial. É isso que nós queríamos desde o começo, né? Um festival que fosse sensorial para que as pessoas sentissem o que é a paz e como elas podem trazer essa paz para si. E não teria outra forma, como o Célio falou, com a importância da arte. Então, arte sensorial e transformação. É isso que nós pensamos. O festival teve a abertura que o Célio já comentou, tem a exposição. A exposição ela é toda voltada com são 14 módulos voltados paraa paz, né? Ele ele tem esse sentido da paz. Envolveu 32 artistas de Campinas. E como vocês estão falando da educação, é isso, a gente conseguiu junto à Secretaria de Educação de Campinas a visita do de escolas municipais. Serão 150 alunos por dia, ao final de 3.000 alunos que visitarão a exposição. Nós estamos com monitores junto a esses alunos para passar a algumas algum alguns pontos de cultura de paz para que eles sintam o que é a cultura de paz. essa parte de convivência entre eles. Então, é, esse é o nosso começo com os alunos e convido a todos para irem ver exposição que tá muito bonita, ela é muito interativa, eh tem até stickers pela paz, enfim, é uma exposição que tá belíssima. Além da exposição, até 27 de junho, como você falou, nós temos oficinas. entre as oficinas tem de justiça restaurativa que nós estamos conversando. Tudo eh, no festival é gratuito, as oficinas, a exposição, tudo gratuito. Então, as oficinas t de justiça restaurativa, tem uma que eu acho super interessante que são jovens do ensino médio, que vão dar oficina para jovens também de audiovisual e ao final dessa oficina eles vão produzir um audiovisual pela página. Então, essa oficina também tá sendo dada e e várias outras que nós estamos colocando. Gostaria que as pessoas visitassem ou pelo Instagram, que é Festival Artes pela Paz, ou pelo nosso site, institutasacomum.org, que daí tem toda a programação, tem como o pessoal pode se inscrever nas oficinas. Nós vamos ter também um uma peça de teatro com o grupo Último tipo. Vai ser no dia 17 de eu confundo as datas que uma coisa, vai ser 17 de maio, às 15 horas. Estão todos convidados. Que é o rio que passa, né? Um rio que passa lá. Um rio que passa lá, infanto juvenil, né? Principalmente. Isso. Então vai ser assim muito bom. Temos também o grupo Anelo no dia 9 de junho com apresentação musical. Eh, no dia 1eo de maio, nós já pode falar, prima, posso falar? primeiro de maio, o moreno verá também como uma apresentação musical. E o final do do festival, né, o seu encerramento é no dia 27 de junho, vai ser no Teatro de Arena também Teresa Aguiar, eh que nós vamos ter uma apresentação de dança circular com os alunos de da escola municipal também, duas escolas municipais e vamos ter o o grupos de cultura de Campinas que também vão fazer esse encerramento. Programação completa tá no site da Casa Comum. site Instituto Casa Comum e também no Instagram Festival Artes pela Paz também tem a programação. O site é institutoasacomum.org.org. Isso mesmo. E queria só deixar claro que é um festival que tá envolvendo mais de 200 artistas e 200 artistas de Campinas. Ótimo. Boa notícia. Vereador Wagner Romão. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite mais uma vez para participar do nosso questão de ordem. Já faço um novo convite, senhor retornar aos nossos estúdios, mas fica aberto as suas considerações finais. Eu quero dizer que é um debate, uma uma pauta, né, a questão da da cultura de pais que é isso de novo, a gente já conversou aqui, ao contrário de ser uma coisa abstrata, de ser uma coisa etérea, de ser uma coisa longe da da vida das pessoas, ela ela permeia toda a nossa vida, né? a vida na escola, a vida no trabalho, a vida na política, a vida na nossa comunidade, na nossa vizinhança, né? Então, eh eu acho que eh eh a gente precisa encontrar mecanismos realmente, né? Eu acho que aqui no campo da Câmara, né, no campo legislativo, de estimular aqui eh poder público, eh poder executivo, eh pensar uma legislação também que a gente possa estimular isso. Cério falou, né, você fez a pergunta sobre as escolas, como é que a gente pensa isso na saúde, né, no serviço público? Como é que a gente pensa a respeito também às pessoas quando a gente cobra eh, por exemplo, que num balcão de atendimento, num centro de saúde, as pessoas sejam recebidas com acolhimento, com dignidade. É disso que a gente tá falando. A gente também tá falando de cultura de pais. A gente, por outro lado, né, pauta um projeto de lei aqui contra a violência, contra profissionais da enfermagem, que às vezes são eh vítimas, né, de de pessoas que estão sentindo dor, que estão tão esperando por muitas horas para serem atendidas. Eh, a gente também tá falando de, opa, pera aí, as coisas não podem ser resolvidas na violência, por mais que as pessoas estejam sofrendo, né? Então isso tá permeando também as nossas preocupações aqui na Câmara, né? Então, queria também agradecer a oportunidade de falar, né, de estar aqui com vocês. Também agradecer a Silvana e ao Célio por essa oportunidade, ao pessoal aqui da técnica também e dizer que tô sempre à disposição. Ótimo, Silvana Bragato também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir aqui nos nossos estúdios, já faça um novo convite para retornar aqui e fica aberto as suas considerações finais. Eu queria agradecer muito a oportunidade de estar aqui com vocês. É sempre bom esse envolvimento e novamente convidando toda a população para ir na exposição e todas as atividades do festival. Célio Turino também muito obrigado por ter aceito o convite para participar aqui do questão de ordem. já faço um novo convite para retornar aqui, para falar isso, mas também outros assuntos e fica aberto as considerações. É só agradecer, aliás, eh a eu queria falar da equipe aqui da davor da TV que eu vim quando vocês acolheram os poetas, né? Sim. que você veja, é muito difícil projetos culturais incorporarem poetas e a gente fez questão de fazer um convite para 20 poetas campineiros escreverem poemas sobre a paz e fizemos uma semeadura lá na no concerto, né, no teatro de arena. E a gente queria que eles pudessem declamar esses poemas, gravar de uma forma bonita, né, organizada assim. E e foi a TV Câmera que os acolheu e eu vim aqui duas vezes. Então fiquei muito feliz pela acolhida e queria parabenizar e agradecer por isso. Nós aqui agradecemos e eu agradeço você de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído com este tema que é tão urgente, né? Todo mundo clama por pais. Mas o que fazer? Acho que a gente deu um bom exemplo aqui do dia a dia, como é que a gente pode construir isso. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até [música] semana que vem. Ciao. Ciao. [música] [música] Olá, começa agora o programa Questão de [música] Ordem. Certamente, quando você liga a televisão e assiste a um telejornal, vai se deparar com reportagens sobre guerras que estão acontecendo no Irã, na faixa de Gaza, Palestina, Ucrânia, Síria, entre muitas outras que não [música] aparecem nos noticiários. Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas de Pais de Oslo revela que em 2024 foram 61 guerras em 36 países, o maior número desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Outra pesquisa agora do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Mais de 200.000 1000 pessoas foram mortas entre 2023 e 2024 em 134 guerras e conflitos armados pelo mundo. Número 37% maior que um ano antes. Segundo estudo da ACNUR, uma agência da ONU para refugiados, até o final de 2024, uma em cada 67 pessoas em todo o mundo foi ou estava sendo obrigada a se deslocar devido à perseguições, conflitos ou violência, o que representa mais de 120 milhões de pessoas. Um cenário que assusta. Então, o que nós que moramos aqui em Campinas, por exemplo, podemos fazer para contribuir para um mundo melhor, com mais harmonia e paz? É o que eu quero saber do vereador Wagner Romão, da Silvana Bragato, idealizadora do festival Artes pela Paz e do Célio Turino, ex-secretário de cultura de Campinas e curador do Festival Artes pela Paz, que acontece na cidade até o dia 27 de junho. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Wagner Romão, começo com o senhor. guerras, conflitos, disputas estão todos os dias aí na TV, nos telejornais. De que maneira esses fatos afetam as pessoas e os nossos atos? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordens. Obrigado, Gabriel. Boa tarde ao Célio, a Silvana também, as pessoas que estão nos assistindo. Eh, eu penso que a gente fica muito chocado, né, com tudo isso que tem acontecido, com as imagens que são veiculadas. Hoje a gente tem nas redes sociais uma interação praticamente instantânea com o que tá acontecendo no planeta e as imagens mais chocantes acabam sendo viralizadas, né? a lógica das redes sociais, do algoritmo, ela tá muito ligada a isso. Então, eu penso que as pessoas têmse cada vez mais eh sido afetadas com conflitos que estão acontecendo muito distantes delas, né? Eh, claro que isso não é novo. As redes sociais elas só intensificaram isso, né? Eu acho que desde Guerra do Vietnã, acho que talvez tenha sido aquela a primeira em que eh a televisão tava muito marcante, né? mostrando muito as cenas das batalhas lá nos anos 60, 70, mas eh o que nós temos hoje é muito diferente. Então eu eu penso que a gente tem ficado sim eh numa situação de muita de muito estress eh abalados na nossa saúde mental, né? E acho que as pessoas precisam realmente eh acho que a gente tem que pensar, né? pensar em termos de uma cultura de paz ou da paz, eh penso que tem muito a ver também com a gente, eh, tentar pensar em como em mecanismos pelos quais eh a nós possamos também nos primeiro que nos precaver sobre eh acabar absorvendo eventualmente esse tipo de violência, esse tipo de sentimento, esse tipo de ação, né, violenta. e de outro lado, eh, utilizar esse, assim, acho que ter uma posição mesmo de repulsa a esse tipo de violência, né, a esses conflitos. Eh, entendendo também que, eh, claro que as guerras elas chocam mais, as guerras envolvem conflitos entre países, né, entre nações, mas a gente vive uma guerra no nosso dia a dia, uma guerra urbana. A gente vê muita violência acontecendo, a gente vê, infelizmente, ainda muita violência policial, né? o que é mais eh ruim ainda, porque são agentes públicos, são agentes pagos pelo Estado, pelos impostos dos cidadãos, das cidadãs. E e acho que é muito importante que a gente possa ter sim uma atitude ativa, né, proativa no sentido de conter, né, esse essa violência, de conter essa esse tipo de ação. Eh, penso que é isso que a gente tem que, né, quer dizer, essa essa forma de de ação, essa forma de agir que nós temos que ter em mente, né, Silvana? Uma em cada 67 pessoas em todo o mundo foi ou estava sendo obrigada a se deslocar devido a perseguições, conflitos ou violência. Você enxerga o Brasil preparado para receber essas pessoas ou é um trabalho que precisa ser realizado para não termos mais casos de intolerância? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Agradeço o convite. Uma boa tarde a todos. Muito boa tarde a Wagner Aélio. Eh, eu acho que o Brasil, eu ainda entendo ele como um país receptivo. Ele não tem todo, talvez toda a estrutura e não esteja eh parlamentado para essa recepção. Mas eu vejo muito receptivo em comparado aos outros países, né, que eles têm toda essa violência de não aceitar que as pessoas entrem. Então, as pessoas já vem sofrendo uma violência, vem fugindo de uma violência e enfrentam uma talvez seja até pior, né, por ela esperar ser acalentada, abraçada e ela não é. Então, eu creio que sim, a gente deve ter uma estrutura melhor, mas eh mas eu ainda entendo o Brasil como receptivo, principalmente o estado de São Paulo. Acho que o estado de São Paulo é refugiados, né, de outros países que vê justamente fugindo dessa violência. Mas eu vejo até de outros estados também que às vezes recorrem aqui, eles são acolhidos. Então eu acho que isso não deixa de ser um perfil do brasileiro, né, de ainda ter esse acolhimento. Eu eu vejo sim, eu sinto pelo menos que a nossa sociedade ela ela tá se tornando mais violenta do que era. Eu vejo o brasileiro antes era muito mais solidário, né? Hoje eu não vejo assim. H, aí a gente pode até conversar melhor sobre isso, talvez a influência das redes sociais, alguma coisa assim. E mas eu acho que a gente tem tudo para preparar para pra gente voltar a ser o que era antes como perfil. Eu vejo que nós temos que conversar mais sobre paz, sobre cultura de paz e como as pessoas podem ser voltar ao que eram e até um pouco melhor. Célio, apesar do Brasil não estar envolvido diretamente nestes conflitos, mas sempre traz um impacto, né, seja ele econômico, social ou mesmo emocional. Tem como escapar de tanta notícia ruim sem ficar alienado? Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Obrigado, Gabriel Wagner seu, do Instituto Casa Comum, da qual eu faço parte, né? Eh, sim, é que fazer alguma coisa. O mundo o mundo tá entrando numa situação muito complicada. Veja que a semana passada soubemos que o dispositivo de bomba atômica foi acionado pelo presidente dos Estados Unidos e ele foi impedido de ativá-lo por alguns generais do dos Estados Unidos, mas ele chegou a iniciar o dispositivo para atacar, no caso, o Irã, né? Isso aferta ao planeta todo, né? como a próprio impacto da guerra, né, afeta economicamente, psicologicamente. Como que nós vamos enfrentar isso? Eh, pela cultura de paz. E agora há que compreender que a cultura de paz ela tem uma série de aspectos. Às vezes se pensa: "Ah, paz entre os povos". Mas para chegar na a paz entre os povos, entre os estados, é preciso iniciar com a paz que começa dentro da gente, porque a gente também tá em conflito conosco mesmo. eh uma pessoa que muito nos incentivou a a organizar ações pela cultura de pais foi o Papa Francisco em vários encontros que tivemos com ele desde 10 anos atrás e alguns que mantivemos depois em sequência, né? Isso ainda antes da pandemia, né? Ele falava muito da necessidade da harmonização das linguagens eh do corpo. E harmonizar a linguagem do coração, da cabeça e da mão e colocá-las num só sentido. Pode parecer algo simples, mas não é porque a gente sente de uma forma, pensa de outra e age de outra mais diferente ainda. Então esse é o grande desafio da humanidade. Quando nós pensamos o o festival Artes pela paz, esse foi o eixo. Então, por exemplo, no concerto que fizemos ali na no Teatro de Arena, né, com orquestra sinfônica. harmonizar uma sinfonia já é muita coisa. São vários instrumentos e tudo mais, mas a gente queria dar mais uma harmonizada com a dança, né? e não só em criar uma música, uma peça sinfônica a partir da dança. Ela foi criada, foi o contrário. Normalmente você dança a partir da música, não pensou-se o conceito do da apresentação de dança a partir e a partir daí o Rafael dos Santos, né, que é foi o compositor que nós convidamos, ele fez uma sinfonia maravilhosa, né, mas também não bastava, porque era necessário mostrar também que a chamada música erudita, né, ou a música clássica europeia, né? Ela tem que também tá harmonizada com as expressões da cultura popular, da cultura do povo. E assim tivemos que harmonizar também chamando a, no caso, as cacheeiras das nascentes, né? E também não bastava porque era necessário chamar os poetas. Não sei se os os telespectadores sabem, mas tem uma passagem, tá tá em Platão, na República de Platão. Ele expulsa os poetas da cidade, isso há 2500 anos atrás. Isso porque ele dizia que os poetas trabalhavam com a emoção e por isso eles turvavam a razão. Então eles tinham que ser expulsos da cidade para ter uma república ideal. Veja que uma forma de a gente construir a paz é recompor eh razão e emoção num só sentido também, que é a mesma linguagem aqui. Então, tudo isso eh é um exercício cotidiano. Capaz nas escolas tá aumentando por demais a violência das crianças nas escolas, adolescentes, eh cultura de de ódio às mulheres, misogenia, a ataques, pequenas gangues, né? Então a gente precisa ter essa paz, além da paz que começa dentro, paz com a natureza também. O o senhor citou o Papa Francisco. Espero que dê tempo, que eu quero falar dessa sua relação com o Papa que nós conversamos no sábado lá na apresentação do Teatro de Arena, né, Teresa Aguiar. E se der tempo, eu quero que o senhor conte mais sobre essa relação. Sabe que a Teresa era fundadora do Instituto Casa Comum também. Olha só que legal. Nós temos uma relação assim de muita, muita paixão, muito carinho com ela. E paião. Antes disso, Romão, neste mundo globalizado, né, o Célio tava falando do Trump, uma ação do presidente dos Estados Unidos, por exemplo, da taxação, o quanto não mexeu, né, com os preços dos produtos, aí vem pressão dos empresários aqui no nosso país, entra poder de negociação do governo brasileiro, como a alta de preços de produtos, uma possível instabilidade econômica, insegurança internacional chegam à vida do trabalhador campineiro. Pois é, a gente tem uma situação, eh, eu acho que a figura do Trump, ela sintetiza muito isso, né, de políticos de extrema direita que tem acabam detendo muito poder, né? E os Estados Unidos, mesmo digamos num processo de decadência, na comparação com outros países, né, os Estados Unidos já foram muito mais potência do que são atualmente. Hoje a China é muito forte, mesmo a a Rússia em termos bélicos continua, né, muito potente também. Mas o fato é que sobretudo a China ela polariza com os Estados Unidos em termos de força global, né? Mas ainda os Estados Unidos t muita tem muita força e quando são governados por por essa figura, né, eh que tem que ela que é absolutamente eh fora dos padrões do que a diplomacia eh prediz, né, eh do que a política de multilateralismo que vinha sendo construída, né, com muita dificuldade ao longo depois do da queda do muro de Berlim, depois do do final da Guerra Fria. né, a política de um mundo multilateral em que eh diversas nações pudessem eh opinar e construir uma uma situação eh de paz, realmente, né? Eh, nós temos essa figura do Trump que eh age politicamente com muita violência, né? seja a violência verbal, mas seja também uma violência contra outros países. O que aconteceu na Venezuela foi muito eh inédito, né, de certo modo, o sequestro de um presidente. Eh, o que tá acontecendo no Irã é outra é outra forma, é outro modo. E claro que isso tem um impacto, sim, eh, muito importante, eh, na vida das pessoas. Pode ser pelo preço dos alimentos, pode ser por essa agora especialmente na situação com o Irã, né? E a delicadeza ali do estreito de Ormuso, toda aquela situação geopolítica de países muito ligados à economia do petróleo, não por acaso a Venezuela também, outro país petroleiro, né? E isso impacta diretamente aqui no Brasil por conta dos preços dos combustíveis. E se não houver uma ação realmente muito forte do governo brasileiro, como tem havido, né, pelo menos na tentativa de diminuir o impacto disso na inflação desses preços, desses produtos, a vida das pessoas ela acaba sendo impactada e, infelizmente, eh, fica uma situação, uma uma sensação de impotência muito grande, né? O que aparenta é que mesmo a população dos Estados Unidos tem visto, né, ali também uma situação de muita divisão, muito semelhante ao que a gente tem visto nas últimas eleições aqui no Brasil, né, em que a os segundos turnos têm sido decididos ali por alguns milhões de votos, o que no Brasil é muita coisa, tá? Poucos milhões de votos, uma percentagem ali, né, de de de votação. Eh, e também nos Estados Unidos. Mas o que eu tenho visto é que a opinião pública também nos Estados Unidos tem sido tem cada tem sido cada vez mais crítica, né, a esse estilo do Trump eh presidir aquela nação, né? Então, eu penso que sim, há uma eh ela afeta fortemente e acho que a população tem que também perceber isso, né? Eh, quando políticos fazem a defesa desse estilo de governo, né? ou eh de certo modo até gostariam que um presidente ao estilo do Trump fosse presidente no Brasil também, né? Eh, acho que esse isso acende sim um sinal de alerta, né, de que a gente deve continuar fortalecer o diálogo com a população, fortalecer a ideia de que a violência ela não leva a nada, ela só vai prejudicar eh cada vez mais as pessoas, né? E que a gente tem que retomar na política algo que sempre foi o cerne da política. né? Seja a política entre as nações via diplomacia, né? Quando que a diplomacia, a diplomacia acaba quando a guerra eh se inicia, né? E vice-versa. E no caso da política nacional, a negociação, o diálogo, né? O se há um uma discordância, isso é importante que haja também, né? A política é feita dessas discordâncias, mas que haja cordialidade, que haja condições para que as pessoas possam encontrar caminhos em comum, né? Criar consensos, trabalhar nos consensos menos do que nos dissensos. Penso que esse é que é o recado que esse tipo de ação que nós estamos vendo a partir dos Estados Unidos hoje deve trazer para nós nesse objetivo, né, de uma construção de uma cultura política que seja uma cultura também de paz nesse sentido, Silvana. Célio, pode ser que quem está nos acompanhando pode estar pensando: "Ah, vocês estão falando de paz mundial, isso é algo utópico, isso nunca vai acontecer, a gente sempre teve guerra, a gente sempre teve conflito." Então, para quem está nos acompanhando, pais é a ausência de conflito ou é a capacidade de lidar com o conflito sem violência? É, a cultura de paz diz isso, né? Nós não somos eh ah para esquecer o conflito, mas é justamente jogar a luz no conflito. É você explicitar esse conflito e chegar ao entendimento. É o que o Wagner tava falando, chegar a um consenso e a partir daí é saber escutar, que eu acho que é o que a sociedade no geral não tá fazendo, né? Você vê até nas próprias redes sociais, a pessoa escreve, a outra já tá pensando no que vai escrever. Eh, você nós estamos ficando com a incapacidade de escutar e isso mesmo falando no global, mas é no no individual, em casa, no nas relações de trabalho, é é escutar primeiro o que o outro tá falando e depois você responder colocando seu argumento. É para se chegar a um bom senso. Parece que as pessoas não querem e essa concordância. Parece que isso não é bom. elas não se sentem à vontade. Isso é assim que a gente consegue acabar com a violência. Eu acho que a violência mundial ela ela tem a capacidade de ser perdida a partir do momento que nós como indivíduo eh começarmos a a trabalhar mais a paz, né? a paz dentro da gente, a paz com quem está ao nosso entorno, a aprender a esse diálogo. E eu acho isso muito importante, que seja aplicado nas escolas, nas casas, nos trabalhos, porque é esse exercício que pode fazer com que a gente, eu sei que a a violência muito grande, depende de muito poucos, mas eu acho que nós temos a capacidade de fazer essa mudança. E aí, Célio, paz é ausência de conflito ou é saber lidar com os conflitos que vão aparecer? É o que você disse, é preciso enxergar o conflito, identificar e o problema e buscar resolvê-lo, né? Porque também a acomodação com a com as injustiças não é paz, é uma submissão à guerra, como na relação que nós temos com a natureza. Diria que a primeira de todas as guerras é a guerra da humanidade contra a natureza. Isso tá até na Bíblia, certo? Quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso, eles viviam em estado de natureza e a partir de então houve a a ruptura. E a humanidade ela precisa declarar paz com a natureza. Então, são identificações e métodos, mas está havendo também no mundo um dissenso programado que é muito próximo com esse fenômeno da dessa ferramenta que é a inteligência artificial. Eh, a inteligência artificial, ela vai nos levando a um processo de de quebra de da nossa própria humanidade, né? ela vai mudar, mudar a nossa forma de pensar, inclusive, porque a humanidade é resultado da interação do humano com as ferramentas, o uso de um osso, de uma pedra, de um pau. Eh, lá na pré-história foi determinando a forma do cérebro, da linguagem irem se desenvolvendo. E agora com essa ferramenta chamada inteligência artificial, essa modificação ela se eh vai a ao nível exponencial, né? E por quê? Porque e por que desse dissenso programado, né? Eh, ele é uma forma de enriquecimento. A Palantir, que é uma empresa, a gente fala muito da Openai, Gemini, né? Uhum. Eh, mas tem uma empresa que e é uma empresa que vai crescer muito. Eh, ela ela trabalha com inteligência artificial pro militarismo, pra morte. O grande cliente deles é o o governo. Eu vejo essas esses assassinatos que tem ocorrido assim, tudo é tudo com muita precisão, né? Eles sabem, acompanham as pessoas, tudo. Então, tudo isso é uma forma de enriquecimento também. E já já se identificou que eh o mundo, no tamanho que ele está, na população que a humanidade tem aí 8 bilhões de pessoas, ele é insustentável porque ela tá chupando pela intelig pelos que controlam a inteligência artificial, estão chupando todos os conhecimentos do mundo. Ou seja, a gente em breve terá aí uma uma classe de pessoas jogadas à obsolescência. É mais que o proletariado, é o o o o obsolescente, o descartável, né? E e a Iá talvez tenha uma solução para isso. E a solução não é boa. Por isso que essas esses exercícios de guerra, de genocídio e inclusive de de domesticação do dos sentimentos e das sensações. Veja o que ocorreu em Gasa, né? que tá ocorrendo. Ocorreu não tá ocorrendo. Eh, é mais grave do que o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. Eu digo paraa humanidade porque sabia-se que havia campos de extermínio na na Alemanha nazista? Ou não sabias. Sabas que havia campos de concentração, que as pessoas eram muito maltratadas, morriam, eram escravizadas, mas o contato com o holocausto, ele só se deu quando o exército vermelho chegou em Auschwitz no começo de 45. Foi aí que a humanidade se espantou. Agora é diferente. Você deu o exemplo lá da da do Viet, o Wagner, né, falou do Vietnã, mas era num nível, né, tempo real. Agora não, agora é em tempo real. Você vê ali a criança sendo decepada, perdendo braço, as famílias morrendo, se as casas bombardeadas assim em tempo real, viu? De acho que ontem, anteontem, a família brasileira lá no sul do Líbano, né? Sim, mas a gente vai se conformando com isso. Então é um processo de conformação da consciência que pode nos levar a uma situação muito mais grave e que vai atingir o planeta todo. Por isso a cultura de paz tem que est na ordem do dia praticada em todo o campo como um exercício, porque a humanidade também ela vai se modificando a partir de pequenas configurações, que são configurações de longo de de curto prazo, né? Pequenas mudanças que elas resultam numa num outro patamar de consciência. E e essa tem sido a tentativa aí com com o Festival Artes pela Paz de mostrar essas pequenas mudanças, né? Então, exatamente sobre isso, sobre as práticas e os exercícios. Já já vou falar sobre este festival que aconteceu aqui na cidade de Campinas, mas Romão, o principal desafio é trazer dessas teorias como a cultura do encontro, do bem viver, fortalecimento, eh desenvolvimento de uma cidadania ativa para poder reduzir as desigualdades, produzir aí uma emancipação, seja ela social, política, cultural, econômica, para a prática, para que as pessoas assimilhem no dia a dia, para quem está nos acompanhandos fala: "Olha, a minha rotina ela é difícil, eu tenho dois, três empregos, eu tenho aqui três, quatro filhos, não é fácil, mas no dia a dia, isso que vocês estão falando, eu vou conseguir reproduzir." A principal dificuldade é essa da prática de discutir para quem está nos acompanhando assimilar, mas conseguir produzir isso no dia a dia. Eu acho que se as pessoas mantiverem uma postura de confronto sempre, né, elas elas vão se sentir muito mal, né? É muito difícil que você consiga algo eh paraa sua própria vida se você tiver ou pr pra vida da sua comunidade, né? Se você tiver sempre numa postura de confronto. É claro que tava lembrando aqui, tava falando da paz, né? lembrei do poeta, eh, paz sem voz não é paz, é medo, né? Então isso é muito importante também. Quando a gente pensa em paz, nós não estamos falando de eh de uma mera de um conformismo, né, de que é melhor ficar quieto, é melhor deixar quieto, não. As pessoas precisam sim se colocar, precisam as pessoas precisam ir atrás dos seus direitos. as pessoas que se sentem invadidas, violentadas, elas precisam sim buscar justiça, buscar eh os meios pelos quais elas cessem esse sofrimento, essa dor, né? Eh, e eu penso que eh as comunidades elas precisam, e nesse sentido as pessoas precisam ser acolhidas, né? Você falou, Silvana, da ideia de acolhimento, né? E aí é preciso, e aí a gente entende que embora essa postura da do sofrer a violência ou do praticar a violência seja uma postura individual, a gente só vai conseguir adquirir solução para isso, busca de consenso numa perspectiva comunitária, numa perspectiva solidária, numa perspectiva coletiva, né? Então eu acho que esse é o sentido principal do que eh, né, as pessoas que estão nos assistindo hoje eh devem pensar, devem considerar a cultura de paz. Não, não é algo abstrato, não é algo etéreo, não é algo longe, é algo que tá muito perto, né, da vida da gente. É, eh, diz respeito a conflitos são muito cotidianos mesmo na na vizinhança, no com seu, né, com seu vizinho. Outro dia teve uma uma uma fala interessante de um de um companheiro que eh gosta de frequentar parques, né? E agora houve uma liberação, colocar um conflito aqui muito atual aqui em Campinas. Hum. Houve a liberação pela prefeitura de animais domésticos, especialmente cães em parques municipais. E isso tá trazendo uma situação de conflito, especialmente naqueles parques ou bosques em que você tem uma fauna ali, aves, aves aquáticas, pequenos mamíferos, roedores que a princípio estavam liberados, né? Tavam livres desse incômodo dos cães. Como é que resolve isso, né? As cutias lá b as cutias, né? Eh, ah, então assim, os os gansos lá no no no no Hermógenes lá em Barão Geraldo, né, ou lá no Alagoa do Mingone lá em Ouro Verde, enfim. Então são situações em que se a gente não tiver uma instância, né, e aí primeiro a disposição do diálogo, né, olha, pera aí, se o cachorro não tava aqui e ele tem que ficar longe porque a situação anterior sempre foi assim. Uhum. Ô, pera aí, mas tem um você tem uma situação aí de uma quase tem uma demanda chegando, né? Tem uma, tem um certo conflito por direitos, né? Ninguém tem um direito é melhor do que o outro. Uhum. Então, a perspectiva, eu acho, tem que ser, né, de um lado, que as pessoas tenham disposição para o diálogo, né? Quer dizer, não enfrentem eh diretamente, às vezes com violência, com agressão verbal, né, a os outros. E de outro lado aí eu acho falando aqui como, né, vereador que o poder público também possa oferecer esses espaços, esses canais, né, pelo que realmente efetivos. Não se trata de uma mera ouvidoria, né, que ouvidoria é fácil, né? Manda por um 56 ali, faz a sua reclamação, quando que isso vai aparecer como uma solução? Cria uma estatística, né, e pronto. Não, você tem que ter que ter canais efetivos de diálogo, né? E acho que eh a cultura de pais informa muito esse tipo de ação também do poder público, né, do estabelecimento de fóruns, de diálogo, de mesas de negociação, enfim, eu acho que é nesse sentido que a gente deve pensar essa concretude do quando, né, Célio Silvana trazem a questão do festival, trazem a concepção de cultura de pais, né? Eu acho que é uma coisa muito próxima da vida da gente, né, Silvana? E depois, Célio, quais são os obstáculos para que a gente tenha de fato uma realidade diferente dessa que nós estamos vendo de tantos conflitos? Tem a ver só com os governantes ou a sociedade tem um papel importante também? Preferia que não tivesse obstáculo, [risadas] que obstáculo nenhum. Eh, eu os dois, né, lógico, tanto de governantes como dos próprios indivíduos. E aí, eh, o Wagner falando, eu fico pensando aqui, eu falo assim: "É, mas aí é o problema de não pensar o coletivo é pensar individual, né? Eu sou, eu tenho meu cachorro, eu preciso proteger o meu cachorro, ele precisa do espaço dele e eu não consigo pensar no coletivo que isso tem que harmonizar. É, então eu acho que que talvez seja a própria sociedade, ela seja o seu obstáculo e também a sua solução. Eu não consigo ter um obstáculo, uma coisa tão grande assim. Eh, eu acho que as pessoas têm que pensar, quando você fala em paz, todo mundo acha lindo e fala: "Nossa, eu quero a paz". Mas talvez obstáculo esse do indivíduo, ele é incapaz de de repensar suas atitudes para alcançar essa paz coletiva. E isso às vezes são coisas muito simples no seu dia a dia, como eu falei, de escuta, de respeitar o outro, principalmente você não ter uma uma violência assim, não tem uma comunicação violenta que o ofende. O que a gente vê ultimamente, que é um absurdo, são os feminicídios que nós estamos encontrando, tá? Cada dia tá crescendo mais, tá todo mundo falando e parece que quanto mais se fala isso mais cresce. Então é dos próprios vizinhos se preocuparem com isso, a própria família. Eh, eu vejo isso, eu vejo que a paz não é difícil de ser encontrado a partir do momento que tem essa alteração de cada indivíduo, né, Céli? Quero ouvi-lo também. Eu tô aqui pensando nas cutias do bosque, sabe que eu trabalhei no no bosque do Check Tibass, nos museus nos anos 80. E eu gostava de ver as cotinas soltas. E aí quando de lá ainda tá a lá é uma exceção, é a única exceção da bosta de baix, mas a gente tem vários outros que a coisa tá muito solta, né? E eu fico imaginando esse conflito mesmo, [risadas] né, entre as cutias, é real da cidade. Não diria nem entre os cachorros, mas o os tutores dos cachorros assim daqui a pouco perseguindo, né? Então tava pensando nisso, mas é é é muito o que a Sil falou, né? É a busca de de uma harmonização de convivência, porque a natureza ela ela tem convivência. a gente vive o bem viver, né? Qual que é o conceito do bem-viver para explicar que é uma filosofia de tradição ameríndia, né? Foi mais sistematizada ali pelo nos Andes, né? No Equador, Bolívia, né? com culturaquiteimara, mas também aqui no Brasil com os povos indígenas no pros povos guaranil tecoá porã, o modo bom de viver na casa e que é muito simples e compreender o que é o bem viver. O bem viver é a harmonia do indivíduo com ele mesmo, do indivíduo com a comunidade e da comunidade com a coletividade da vida. Isso teve aplicação constitucional. Eh, a Constituição do Equador foi a primeira constituição do mundo de 2017 a incorporar a natureza como sujeito de direitos. É diferente da forma com que a gente trata a natureza. A gente trata da preservação do meio ambiente, mas ainda como uma reserva de recursos para serem usufruídas pelos humanos. No caso da Constituição do Equador, eh, e do bem viver, da filosofia do bem viver, eh, não é isso, é entender que a água, o rio tem direito de ser rio, porque ele é uma comunidade de seres, o bosque, as montanhas, enfim. E e tudo isso a gente consegue compreender quando se aproxima também dessas filosofias de povos e de raiz, como no caso do bem viver, né? O outro é o Ubunto. O Bunto é uma filosofia de de origem banto, né? E que ela é muito prática e Campinas sabe que pratica bem. Inclusive tem o juiz Marcelo, né? Tem um juiz aqui muito muito bacana que eu não conheço pessoalmente, mas que ele trabalha com justiça restaurativa. Uhum. A justiça restaurativa, ela tem origem na filosofia Ubunto, que foi aplicada pelo Nelson Mandela e o Desmo Tutu eh no processo de superação do apartadide. E o que consiste, né? O bunto. A tradução seria força e movimento, mas ela também é traduzida da seguinte forma: "Eu sou porque nós somos". Ou mais que isso, a minha humanidade ela só se realiza em relação com a humanidade do outro. Quando você percebe isso, né? Ou seja, eu eu não serei humano se eu não tiver relação com o outro. Eh, a gente vai ter esse ambiente do que a Wagner aqui colocaram em termos de dessas harmonizações e tentar dar esses equilíbrios. Eu espero que o que as cutias continuem soltas lá pelo bosque, mas pode ter cachorro também lá, dependendo de como se organiza o processo de circulação de vida, né, ou enfim, é o a a o a vida, ela é um sistema complexo, então a gente tem que saber transacionar nele. Mas a a se criou uma cultura de que para se viver em segurança, a complexidade ela tem que ser abolida e você tem que viver em tudo em processos uniformes, tudo padronizadinho, certinho. É aí que ocorre a maior de todas as violências, porque você rompeu com a própria vitalidade, com a energia vital que que rege o conjunto de seres, a existência no planeta. e tudo mais. Romão, vamos falar então sobre essa complexidade na política, né? Porque além dos conflitos que estão acontecendo em praticamente todos os continentes, né, um tema que tem aumentado as tensões é a política brasileira, né, no fator da polarização. A ideia é que eu veja que no passado as divergências existentes eram debatidas em bares, nas praças, em programas televisivos e muitas vezes ficava restrito a isso. e hoje invadiu completamente as famílias, parentes distantes, não conversam mais, clima ruim e de tensão no trabalho, intolerância na internet também. O que que aconteceu com o brasileiro que ele não consegue mais debater política? Uhum. É, eu eu acho que a gente vivia, né, vamos colocar aí depois da redemocratização, década de pelo menos a partir da década de 90, com a eleição do Fernando Henrique Cado, né, uma havia ali uma uma espécie de uma polarização política entre PSDB e PT em nível nacional, né, pra gente não f não ir para municípios, que aí complica demais, mas havia uma polarização política. Esses dois partidos se revesavam em termos de de um de posições muito de de posições eh com com um bom nível de antagonismo em termos de políticas públicas, concepção de Estado, concepção de economia. Eh, mas havia uma certa, de modo geral, né? Claro que pontualmente exceções aconteciam e o terreno da política ele, infelizmente sempre foi muito eivado, né? sempre foi muito preenchido por eh maledicências, por golpes, por traições, né? E de certo modo isso é é o é a parte obscura, né? Da política. Mas faz parte, né? Isso acontecia sempre, né? De algum modo, já desde tempo você falou do Aristóteles, né? Desde lá da da Grécia antiga. Agora, o que aconteceu de uns tempos para cá, eu acho que foi uma invasão do terreno da política. por ah uma espécie de um jogo eh em que aspectos pessoais, aspectos morais, né, eles ficaram muito eh eh tomaram um vulto muito grande, né? De modo a que as pessoas que optam por um ou outro partido político, por uma ou outra liderança política, simplesmente não se suportem, né? não consigam viver em conjunto, não consigam sentar a mesma mesa em que filhos rompem relações com pais e vice-versa e primos, irmãos, né? E e isso é muito e aí o nível da polarização, né? Ele deixa de ser meramente uma polarização política no sentido da disputa, né, sadia que deve acontecer para um nível de um antagonismo absolutamente sem freios. Uhum. Eh, e infelizmente isso foi muito alimentado, né, por eh, pelos campos da política. Eu acho que aqui importa menos saber quem começou essa história, né? Mas de fato, eh, infelizmente muita gente acaba ganhando muito com esse tipo de antagonismo. Ele ele é especialmente no campo das disputas proporcionais, né? ele é eleitoralmente eh ele é eleitoralmente traz votos, né, para para simplificar, né, ele traz votos. Então a gente vê figuras, né, que t uma que fazem um discurso muito violento, que utilizam redes sociais, meios de comunicação de uma maneira muito violenta e que acabam conseguindo ter 1 milhão de votos, né? Eh, e então assim, e gera, isso gera uma prática muito danosa, né? eh pro para pro ambiente político. Então a gente perdeu aí nesse sentido muito do que essa característica tava começando, né? Acho que a primeira questão que você fez tava tentando caminhar um pouco para esse sentido, que é o da negociação, que é o de identificar aquilo que é distinto, aquilo que é diferente, aquilo com o qual eu não concordo e buscar, opa, pera aí, se a gente não concorda com isso, e a gente não concorda com isso, com o que que, afinal de contas, a gente concorda para que a gente possa agir, né, de uma maneira responsável, não para conosco, para pr para reeleições e assim por diante, mas com o cidadão, a cidadã que tá tá esperando uma ação, né, do poder público, né, dos legisladores, do executivo, que talvez não seja que as pessoas aquela perfeita que todo mundo, que as pessoas individualmente querem, mas é aquela que é possível no ambiente coletivo, né, num ambiente eh de coletividade. Então eu penso que é isso que que essa essa esse tipo de acusação, né, que invariavelmente ela vai pro campo moral, né, ela ela ela faz parte de julgamentos, assim, julgamentos que não tem volta, né, e de e de um estigma mesmo, né, sobre determinadas figuras políticas que impede que as pessoas possam sentar à mesma mesa, que as pessoas possam conversar, possam permanecer eh eh em em comunhão ali para determinados propósitos, né? Acho que esse é o aspecto mais terrível do que tem acontecido e e do que do que a violência, pelo menos não só a violência física, a violência política de, né, de morte, de assassinato, que que acontece também já há muito tempo, mas a violência verbal, né, nas campanhas do vamos metralhar, vamos exterminar, vamos acabar com eles. Eh, isso era menos frequente anteriormente, né? E hoje se tornou moeda comum. E, infelizmente, eh, aí de novo, eu vou votar nas redes sociais, não quero culpabilizar a rede social porque eu acho que sempre tem alguém por trás delas, né? Mas, infelizmente, é esse mecanismo que acaba eh eh disseminando isso e fortalecendo isso, né? Então eu acho que é essa situação que a gente tá vivendo e é uma situação muito preocupante. Você falou sobre campos de polarização e tem eh uma analogia que o Marcos Nobre faz, que eu acho muito interessante. Eu quero trazer pra Silvana e pro Célio. Na minha abertura, né? E o Wagner Romão disse agora a gente tá falando sobre polarização. E o Marcos Nobre que é professor titular de filosofia da Unicamp, pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, ele fala que o mundo polarizado acabou. que nós temos hoje duas visões de futuro que são incompatíveis entre si. E aí ele faz uma analogia, né, uma divisão na sociedade entre dois grupos que não compartilham das mesmas premissas e que não existe margem para acordo. É como se existissem aí dois campos de futebol, só que cada time tá num campo. Então eles não jogam entre si, não tem essa discussão, não tem um time contra o outro. Um time tá aqui, ele fala: "Eu torço para esse". Um time tá aqui, um time tá e são dois campos diferentes, não é um mesmo jogo, né? Eh, vocês enxergam dessa maneira também. O mundo hoje estão dois campos ou ainda existe uma polarização? Existe uma margem para negociação? Tem como a gente voltar algumas casas, igual o Romão diz, PT, PSDB da década de 90 aqui, pode ser de outros partidos. Para quem está nos acompanhando, é só dois exemplos. Para que essa disputa continue ou é um caminho meio que ser em volta? Silvano S. Ah, eu sou sempre otimista. Eu não [risadas] acredito. Isso é bom. Eu não consigo conceber na minha cabeça eu acho que o cé assim, mas eu não se tiver divergência é ótimo também. É bom a gente ilumina esse complo. Mas eu não consigo partir dessa concepção e eu posso ser um assim muito iludida, vamos dizer nesse sentido, mas eu acho que se cada vez mais a gente acreditar nisso, isso vai se concretizar, tá? Então eu prefiro acreditar que não, entendeu? que é uma polarização e que ela vai ser revertida, a gente vai voltar a casas, porque eu acredito ainda no ser humano, nas pessoas como vida, como quererem como quererem solidariedade e viver bem, né? Mas o viver bem ou bem viver, né, que eh para mim é uma coisa só, é isso, é você saber que você só vai conseguir tá bem se o outro também tiver, porque senão você não consegue. Eh, eu vejo muito assim, parece que o mundo caminha muito para filme de ficção científica, sabe? Às vezes eu tô vendo o mundo, parece que eu tô vendo um filme de ficção científica, porque eu acredito que é isso que as pessoas estão acreditando e estão achando assim que não tem volta. Quando você fala o problema climático que a gente tem, o que eu mais ouço das pessoas é: "Ah, mas a gente não pode fazer mais nada, que isso é inevitável". E eu acho que não. A gente tem como retroceder as casas. Então, eu acho que mesmo paraa pacificação do mundo, a gente tem que que retroceder, sabe? Então, eu acredito, não consigo, [risadas] respeito muito o professor. Ótimo. Mas eu prefiro acreditar que não. Eu também prefiro. Sério? É bom. Eu concordo com a minha, mas eh há uma sisânia programada, né? Então nós somos, estamos nesse processo de de manipulação algorítmica. Ela ela incentiva essa sisânia também. Um, houve um deslocamento da noção de realidade muito grande. Quando você tem a o deslocamento é isso, cada um vai para um campo, eu vejo esse campo de futebol e eu não vejo esse, que eu me desloqueio e eu trabalho só com uma determinada realidade aí nesse sentido. Concordo com com o nobre, não é? E é possível reverter. É, aí tem um livrinho do Marx eem que ele fala, o título é realismos e capitalista, em que o subtítulo é uma pergunta, né, porque as pessoas eh conseguem enxergar o fim do mundo, mas não o fim do capitalismo. Verdade. O sistema que a gente tem vivido, ele é um sistema absolutamente lógico, porque nós vivemos num num planeta que é finito. Então, os recursos eles têm têm uma dimensão aqui, tamanho do planeta, não tem não tem como pensar numa lógica de acumulação infinita, que é a lógica que move capitalista. Então, é preciso romper com essa lógica. No contrário, a gente vai para uma para uma explosão de vida e e aí a o Lab Gaza terá sido um laboratório de experimentação do que pode acontecer em escala global em algum tempo. Romão, essa polarização política tem dificultado o diálogo aqui na cidade de Campinas, seja ela nas reuniões ordinárias, de comissões, em espaços públicos e também nas redes sociais? Ah, eu acho que assim, o que a Silvana coloca e que acho que é que é muito importante é que há sempre um espaço para pro livre arbítrio, pra ação das pessoas, né? E e acho que há uma, quer dizer, eh especialmente em espaços aqui como a Câmara, né, que nós temos 33 vereadores e vereadoras que é precisam entrar em determinados consensos, né, ou pelo menos buscar isso, né? A lógica da maioria vence tudo, né? Ela é uma lógica ruim nesse sentido. E eu tô na oposição, né? Então aqui nós temos cerca de seis vereadores que fazem essa tentativa de estabelecer um contraponto aqui com posições, né, que são muito marcadas pela maioria do ligada ao governo municipal, né, ligada aos projetos do executivo. Eh, mas eu penso que a maioria de nós, pelo menos, acho que há um desejo, né, tanto das da oposição como também de vários setores da de vereadores ligados ao governo por estabelecer aquilo que possa ser o o melhor projeto, né, pra cidade. Claro que a gente tem posições distintas em muitos momentos, né? Mas eu acho que sobretudo no trabalho que a gente tenta fazer nas comissões, nas audiências públicas, ou seja, nas instâncias previstas no regimento da casa, né? Eh, trata-se de de um trabalho que é muito em prol de buscar a melhor solução pros cidadãos, paraas cidadãs de Campinas, né? Acho que nem sempre isso é possível. às vezes há sim uma uma lógica da maioria que acaba, né, eh, vencendo, né, mas em outras situações, eu posso afirmar que é possível sim estabelecer diálogo, né? É possível sim encontrar canais eh de diálogo entre o campo governista, o campo da oposição. Eh, há muita coisa que tem sido feita, não só por mim enquanto vereador, mas por vários colegas, né, da oposição em diálogo com setores do governo municipal, né? Eh, porque há sim pessoas muito eh eh eh ações políticas muito interessantes em em setores do governo, né? Claro que de maneira geral a gente discorda, né, da da linha geral do governo. Eu acho que eh isso isso se coloca mesmo em posições antagônicas. E acho que aí, nesse caso, nós temos que preservar muito a cordialidade e uma possibilidade de estabelecer uma um confronto político com regras muito bem estabelecidas, né? De maneira que isso também possa servir pra população. Opa, pera aí, eu tenho aqui duas, três opções de candidatos, candidatas a prefeito ou a vereadores, né? Eh, em que eles se diferem, né? Quais são as diferenças? como é que eu posso eh escolher melhor, né? E aí, nesse sentido, é muito importante que os projetos se coloquem, né? De novo, a ideia da voz, a ideia de que sem que a gente possa instituir uma cultura política de eh encontro de seja de e de diferenças, porque nas democracias as diferenças aparecem e é bom que elas apareçam, é só nas ditaduras que não tem diferença nenhuma, né? nas ditaduras não tem não tem eh oposição, né, na ditadura, mas mas não, a gente precisa preservar esses espaços. Então eu acho que eh esse é o espírito do que a gente tem que trabalhar aqui, tanto na Câmara como nas relações do legislativo com o executivo. O Célio eh comentou a respeito de um juiz, né, que tem uma perspectiva de justiça restaurativa, ou seja, de estabelecer [limpando a garganta] diálogo. Eu tenho tido experiências positivas com o Ministério Público, né, como eh de maneira geral, né, como um ente que cobra sim do executivo, mas cobra do legislativo, que tenta mediar conflitos também, né? Não não necessariamente tem uma posição de impor, olha, a Constituição prevê isso aqui, então façam, né? Então eu acho que é ao contrário, né? é de tentar enxergar pros problemas reais e tentar caminhar no sentido de uma solução que possa, se não contemplar todas as partes, porque às vezes é muito difícil realmente, mas encontrar um caminho que seja um caminho de diálogo, né, de comunicação, eh, né, como um dos elementos importantes da cultura de pais, né, a comunicação não violenta, né? E a comunicação não violenta, ela também envolve a existência de fóruns nos quais você possa falar, o outro possa falar, outra possa falar também, que todos possam se escutar, se ouvir, né? Então é isso, acho que a gente tem que caminhar nesse sentido. Acho que combater polarização tem que ser nesse diapazão, né? Tem que ser dessa forma, tem que ser a partir dessa eh orientação política mesmo. Eu acredito nisso também. Aí nesse sentido, estamos estamos juntos. [risadas] programa bom é programa que passa rápido e com muitas informações. Últimos 5 minutos, mas tem duas questões que eu quero abordar ainda. Então vou fazer uma pergunta para cada, tá? a do Festival das Artes da Paz, eu vou deixar com a Silvana e Célia, eu quero com você na questão da educação. Quais são os desafios e qual que é o papel das escolas aqui da cidade de Campinas na formação de uma geração que seja mais tolerante e menos violenta? Humanização, convivência e arte no outro caminho. A arte é que nos mantém humanos e a quando a gente se distancia dessa habilidade, a gente perde a nossa humanidade. Por quê? Porque a arte de toda, todas as criações humanas é a que mais permite com que a gente exercite alteridade, se veja no lugar do outro e se transponha no tempo e no espaço. Então, educação sem arte, sem convivência. Mas as escolas estão preparadas para isso? Elas não estão mais conteudistas. Elas precisam se preparar para isso, porque conteúdo, conteúdo se pega aqui no celular, ele vai tirar. Isso, isso é o que tá acontecendo agora. Isso chupa tudo. Então agora você tem que voltar a ter essa capacidade, arte, arte, arte, convivência e humanidade. Sobre essa arte, então, Silvana, nós tivemos eh a abertura, né, do Festival Artes pela Paz no Teatro de Arena Teresa Guiar, no Centro de Convivência. Teve apresentação da Orquestra Sinfônica, tem uma exposição lá no Saguão para quem quiser conferir. Até 27 de junho, nós teremos eh muitas atividades aqui pela cidade de Campinas. Queria que você falasse sobre essa iniciativa e já fizesse um convite aí para todos os campineiros durante esta época. E a transformação que vocês esperam, feedback que já recebeu do que já aconteceu em Campinas, tá? O festival Artes pela paz, o nome já tá falando, ele é sensorial. É isso que nós queríamos desde o começo, né? Um festival que fosse sensorial para que as pessoas sentissem o que é a paz e como elas podem trazer essa paz para si. E não teria outra forma, como o Célio falou, com a importância da arte. Então, arte sensorial e transformação. É isso que nós pensamos. O festival teve a abertura que o Célio já comentou, tem a exposição. A exposição ela é toda voltada com são 14 módulos voltados paraa paz, né? Ele ele tem esse sentido da paz. Envolveu 32 artistas de Campinas. E como vocês estão falando da educação, é isso, a gente conseguiu junto à Secretaria de Educação de Campinas a visita do de escolas municipais. Serão 150 alunos por dia, ao final de 3.000 alunos que visitarão a exposição. Nós estamos com monitores junto a esses alunos para passar a algumas algum alguns pontos de cultura de paz para que eles sintam o que é a cultura de paz. essa parte de convivência entre eles. Então, é, esse é o nosso começo com os alunos e convido a todos para irem ver exposição que tá muito bonita, ela é muito interativa, eh tem até stickers pela paz, enfim, é uma exposição que tá belíssima. Além da exposição, até 27 de junho, como você falou, nós temos oficinas. entre as oficinas tem de justiça restaurativa que nós estamos conversando. Tudo eh, no festival é gratuito, as oficinas, a exposição, tudo gratuito. Então, as oficinas t de justiça restaurativa, tem uma que eu acho super interessante que são jovens do ensino médio, que vão dar oficina para jovens também de audiovisual e ao final dessa oficina eles vão produzir um audiovisual pela página. Então, essa oficina também tá sendo dada e e várias outras que nós estamos colocando. Gostaria que as pessoas visitassem ou pelo Instagram, que é Festival Artes pela Paz, ou pelo nosso site, institutasacomum.org, que daí tem toda a programação, tem como o pessoal pode se inscrever nas oficinas. Nós vamos ter também um uma peça de teatro com o grupo Último tipo. Vai ser no dia 17 de eu confundo as datas que uma coisa, vai ser 17 de maio, às 15 horas. Estão todos convidados. Que é o rio que passa, né? Um rio que passa lá. Um rio que passa lá, infanto juvenil, né? Principalmente. Isso. Então vai ser assim muito bom. Temos também o grupo Anelo no dia 9 de junho com apresentação musical. Eh, no dia 1eo de maio, nós já pode falar, prima, posso falar? primeiro de maio, o moreno verá também como uma apresentação musical. E o final do do festival, né, o seu encerramento é no dia 27 de junho, vai ser no Teatro de Arena também Teresa Aguiar, eh que nós vamos ter uma apresentação de dança circular com os alunos de da escola municipal também, duas escolas municipais e vamos ter o o grupos de cultura de Campinas que também vão fazer esse encerramento. Programação completa tá no site da Casa Comum. site Instituto Casa Comum e também no Instagram Festival Artes pela Paz também tem a programação. O site é institutoasacomum.org.org. Isso mesmo. E queria só deixar claro que é um festival que tá envolvendo mais de 200 artistas e 200 artistas de Campinas. Ótimo. Boa notícia. Vereador Wagner Romão. Muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite mais uma vez para participar do nosso questão de ordem. Já faço um novo convite, senhor retornar aos nossos estúdios, mas fica aberto as suas considerações finais. Eu quero dizer que é um debate, uma uma pauta, né, a questão da da cultura de pais que é isso de novo, a gente já conversou aqui, ao contrário de ser uma coisa abstrata, de ser uma coisa etérea, de ser uma coisa longe da da vida das pessoas, ela ela permeia toda a nossa vida, né? a vida na escola, a vida no trabalho, a vida na política, a vida na nossa comunidade, na nossa vizinhança, né? Então, eh eu acho que eh eh a gente precisa encontrar mecanismos realmente, né? Eu acho que aqui no campo da Câmara, né, no campo legislativo, de estimular aqui eh poder público, eh poder executivo, eh pensar uma legislação também que a gente possa estimular isso. Cério falou, né, você fez a pergunta sobre as escolas, como é que a gente pensa isso na saúde, né, no serviço público? Como é que a gente pensa a respeito também às pessoas quando a gente cobra eh, por exemplo, que num balcão de atendimento, num centro de saúde, as pessoas sejam recebidas com acolhimento, com dignidade. É disso que a gente tá falando. A gente também tá falando de cultura de pais. A gente, por outro lado, né, pauta um projeto de lei aqui contra a violência, contra profissionais da enfermagem, que às vezes são eh vítimas, né, de de pessoas que estão sentindo dor, que estão tão esperando por muitas horas para serem atendidas. Eh, a gente também tá falando de, opa, pera aí, as coisas não podem ser resolvidas na violência, por mais que as pessoas estejam sofrendo, né? Então isso tá permeando também as nossas preocupações aqui na Câmara, né? Então, queria também agradecer a oportunidade de falar, né, de estar aqui com vocês. Também agradecer a Silvana e ao Célio por essa oportunidade, ao pessoal aqui da técnica também e dizer que tô sempre à disposição. Ótimo, Silvana Bragato também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir aqui nos nossos estúdios, já faça um novo convite para retornar aqui e fica aberto as suas considerações finais. Eu queria agradecer muito a oportunidade de estar aqui com vocês. É sempre bom esse envolvimento e novamente convidando toda a população para ir na exposição e todas as atividades do festival. Célio Turino também muito obrigado por ter aceito o convite para participar aqui do questão de ordem. já faço um novo convite para retornar aqui, para falar isso, mas também outros assuntos e fica aberto as considerações. É só agradecer, aliás, eh a eu queria falar da equipe aqui da davor da TV que eu vim quando vocês acolheram os poetas, né? Sim. que você veja, é muito difícil projetos culturais incorporarem poetas e a gente fez questão de fazer um convite para 20 poetas campineiros escreverem poemas sobre a paz e fizemos uma semeadura lá na no concerto, né, no teatro de arena. E a gente queria que eles pudessem declamar esses poemas, gravar de uma forma bonita, né, organizada assim. E e foi a TV Câmera que os acolheu e eu vim aqui duas vezes. Então fiquei muito feliz pela acolhida e queria parabenizar e agradecer por isso. Nós aqui agradecemos e eu agradeço você de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído com este tema que é tão urgente, né? Todo mundo clama por pais. Mas o que fazer? Acho que a gente deu um bom exemplo aqui do dia a dia, como é que a gente pode construir isso. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Até [música] semana que vem. Ciao. Ciao. [música] [música]
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