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Questão de Ordem | Escala 6x1 em Debate: Impactos para Trabalhadores e Empresas
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Questão de Ordem | Escala 6x1 em Debate: Impactos para Trabalhadores e Empresas

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O programa debate a proposta de redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1. Participam da discussão a vereadora Fernanda Souto, presidente da Frente Parlamentar em Apoio à Emenda Constitucional para Reduzir a Jornada 6x1, e Jaime Vasconcellos, economista do SindiVarejista. O debate aborda os impactos da medida para trabalhadores, empresas, produtividade, geração de empregos, qualidade de vida e os desafios da adaptação do mercado de trabalho a novos modelos de jornada

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Olá, começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai debater o modelo da escala de trabalho, conhecida como 6 por um, seis dias de trabalho e um de descanso. O governo federal enviou um projeto de lei para acabar com esta escala. Anteriormente, a deputada federal Érica Hilton do pessoal de São Paulo e o deputado federal Reginaldo Lopes do PT de Minas são autores de propostas de emenda à Constituição, MAPEC, que também propunham aí a redução da jornada de trabalho. Depois de muitas discussões, a ideia ficou em reduzir a jornada de trabalho das atuais 44 horas semanais para 40 horas semanais, com descanso remunerado de dois dias por semana, sem redução salarial e fortalecer as convenções coletivas para que elas possam tratar das particularidades de cada setor. Só que um levantamento do SIND varegista, Campinas e região aponta que o fim da escala 6x1 pode elevar os custos do comércio local em até R16 milhões deais por ano. Então, sobre benefícios, impactos, recebo aqui no estúdio a vereadora Fernanda Solto. Ela que é presidente da Frente Parlamentar em apoio à emenda constitucional para reduzir a jornada 6 por1. e de forma online o Jaime Vasconcelos, ele que é economista do Sind varigista. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereadora Fernanda Solto, começo com a senhora primeiro. Como é que enxerga este modelo de escala e por que você defende o fim? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada, Gabriel. Eu quero saudar aqui todo mundo que tá nos acompanhando pela TV Câmara, também a participação do Jaime. Bom, eh, a luta pela redução da jornada de trabalho, ela é uma luta histórica que no nosso país, da classe trabalhadora, há quase 40 anos, nós vivenciamos, né, convivemos com uma jornada exaustiva de 44 horas semanais. Então, há bastante tempo, os trabalhadores trabalhadoras brasileiros que estão exaustos, que estão cansados dessa jornada desumana, vem se organizando, planteando a redução da jornada. e no último período, especialmente a partir da juventude, de alguns setores eh da de trabalhadores ligados ao comércio, ao varejo, eh juntando toda essa demanda também com a questão das redes sociais e o movimento vida além do trabalho, essa defesa da redução da jornada que ficou popularmente conhecida como fim da escala 6x1, ela veio ganhando corpo, veio ganhando força, né? Nós tivemos aí em 2024, 23, 24, movimentos muito grandes no país, manifestações muito grandes em defesa dessa pauta. E a nossa deputada federal aqui do estado de São Paulo, a deputada Érica Hilton, do PESSOL, acolheu essa demanda, né, mostrando um compromisso com a juventude, especialmente com as mulheres trabalhadoras, e fez a proposta então da PEC eh para reduzir a jornada para 36 horas sem a redução salarial. Isso é um ponto importante pra gente frisar que a nossa defesa é a redução da jornada sem a redução salarial. Eh, eu vejo isso como uma grande vitória, né? Dado que a gente vem há bastante tempo denunciando essa jornada exaustiva. Os nossos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros estão adoecendo. Só aqui em Campinas a gente teve um dado recente, né, mostrando que quase 80% dos trabalhadores da nossa cidade convivem com algum diagnóstico de depressão ou ansiedade, né? Quase, desculpa, teve um aumento de quase 80% no último período, né, de trabalhadores convivendo com esses diagnósticos. Então, a gente sabe que a jornada tem impacto central na saúde dos trabalhadores. Então, eu vejo como muito positivo que a gente tenha conseguido construir esse movimento e traduzir isso em uma ação prática que foi a proposta da PEC, né? Diante da recusa do Congresso Nacional, hoje comandado pelo deputado federal Hugo Mota, mas dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro de Tarcío de Freitas aqui no estado de São Paulo, em avançar com essa PEC no Congresso. Eh, o governo Lula, vendo essa demora e essa dificuldade, fez a proposta então de um projeto em regime de urgência para que a gente pudesse de de forma mais acelerada pautar isso no Congresso. Afinal de contas, a gente viu nas últimas pesquisas, quase 80% da população brasileira apoia o fim da escala 6 por1. Então é o governo Lula respondendo a essa demanda, acolhendo essa demanda e fazendo o que tá dentro das suas possibilidades para fazer essa pauta avançar no Congresso Nacional. Tivemos uma boa vitória agora, né, que hoje eh após uma reunião com o presidente Hugo Mota e o presidente Lula, foi anunciado então que nós vamos ter, provavelmente na quarta-feira a votação, primeira votação da PEC. sem aquela proposta de transição de 10 anos que a extremire, os bolsonaristas no Congresso Nacional queriam incutir dentro dessa dessa proposta do fim da escala 6x1. Então, mais uma vitória importante pra gente pautar hoje aqui no debate. Jaime Vasconcelos, explique para quem está nos acompanhando qual que é a função da escala 6 por1 para o comércio e se a categoria ou sim de varigista defende a manutenção. Seja bem-vindo ao programa Questão de Ordem. Já agradeço desde já a sua disponibilidade do seu tempo com a nossa equipe. Imagina, é uma satisfação imensa como economista do Sind Varegista Campinas, uma entidade que tá aí há quase 80 anos representando eh os empresários dos mais diversos segmentos do varejo de Campinas e de mais 12 cidades da região. É uma satisfação imensa poder falar de um tema tão importante junto da vereadora, a quem faço meu meus agradecimentos por também estar disponibilizando o seu tempo pra gente debater isso de uma forma, sem dúvida, bastante produtiva. Eh, o varejo, a quem a gente representa utiliza muito da escala 6x1 por ser um setor eh de funcionamento contínuo, trabalha aí de domingo a domingo. Eh, eu não jamais retiraria o mérito do debate. Acho que é um debate que ele é necessário. Ele é um debate que ocorre em outros países e acho que no Brasil não seria diferente. Não pode ser diferente. O que nós do comércio varegista, que temos muitos, muitas atividades, eh, que têm esse funcionamento contínuo, nos preocupamos é com os impactos econômicos que o fim da jornada de 44 horas semanais e da escala 6 por1, porque é bom distinguir, são duas coisas distintas, jornada e escala, né? A jornada é a quantidade de horas trabalhadas dentro da semana e a escala é como se distribui essa jornada. E nós temos essa preocupação muito mais pela forma com que vai ser eh reduzida às 44 horas para 40, né? como a vereadora colocou, nos parece que a despeito de das PECs e eh outros debates até chegar ao ponto de dizer em 36 horas, não nos parece que está sendo acomodado em 40 horas, mas é mais a forma e a velocidade com que isso vai ser imposto pela via legal ou pela via constitucional, que nos preocupa como empresários do varejo, que por muitos podem ser observar o varejo como aquelas grandes redes es como setor concentrado e não é o caso. A maior parte dos empregadores, por exemplo, do varejo de Campinas são micro e pequenos empregadores que fazem os seus próprios touros também trabalham 44 horas semanais ou até mais do que isso, quando fecha a loja. E a nossa preocupação, obviamente, nesse momento, é a forma com que se dará essa imposição do do da diminuição da jornada, do fim da escala. A a vereadora colocou muito bem, no dia de hoje a gente já teve uma primeira visão do que pode acontecer, né? Você tem um acordo para que 2 horas sejam retiradas da da jornada a partir de 60 dias da promulgação da da alteração legal e depois mais 12 meses para que você retire as outras 2 horas. Isso tem sido foi ventilado pela, obviamente, via imprensa hoje, mas nós sabemos que ainda há muito debate a ser colocado, isso vai pro Senado e me parece que pela vertente de ser humano eleitoral, dificilmente nós não iremos ter essa diminuição da jornada e a e a extinção da escala, mas repito, pro varejo, que é um setor que depende muito dessa escala também, o que nos impacta é a forma com que está sendo proposto, a velocidade com que será aplicada, eh porque invariavelmente ente vai significar algum aumento de custo aos empregadores, considerando que você terá uma redução da quantidade de horas trabalhadas? Já já então nós vamos falar mais sobre esses impactos, se tem a ver com a questão é salarial de ter que contratar mais pessoas pro pequeno e pro microempresário, se tem uma relação com a informalidade, tem muitos assuntos pra gente poder abordar. Antes, Fernanda, como tem sido o trabalho da Frente Parlamentar em apoio à emenda constitucional para reduzir essa jornada 6 por1? Como foram as reuniões? Quem vocês trouxeram? Eh, nós criamos a Frente Parlamentar em apoio à PEC pelo fim da escala 6 na com o objetivo de aproximar aqui o parlamento e o município de Campinas dessa discussão que tava sendo eh realizada nacionalmente, mas que impacta com certeza a nossa cidade, o nosso estado. E nós criamos essa frente como um espaço de organização também com o movimento sindical, com as centrais sindicais, com pesquisadores, economistas. Na nossa primeira atividade de lançamento da frente, nós contamos inclusive com a participação da professora Marilane Teixeira, que é pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho, CESIT, da Unicamp, cujo trabalho eh que eh de pesquisa, que já é feito há bastante tempo pela professora, foi um dos trabalhos que fundamentou inclusive o texto da PEC protocolada pela deputada Érica Hilton no Congresso Nacional. Também contamos então com representantes dos movimentos sociais, dos movimentos sindicais, inclusive de eh sindicatos que já conquistaram a o fim da escala 6x1, né, que é a jornada distribuída na semana com pelo menos dois dias de descanso e a redução dessa jornada. Então, nós tivemos aqui, por exemplo, a participação dos petroleiros, a participação do sindicato dos químicos, eh, que já conseguiram a algum tempo instituir a redução da jornada com pelo menos dois dias de descanso, né? Então, a gente, eh, organizou essa frente de forma a fortalecer a luta pelas categorias que ainda não têm esse direito, mas também trazendo a experiência de luta e de mobilização das categorias que já implementaram e que foi um sucesso, né? A gente tem vários, quer perguntar, tem dado certos. Tem dado certo. A gente tem vários estudos, inclusive o CESIT tem produzido bastante sobre isso. O impacto eh da redução da jornada e mais tempo de descanso também significa maior produtividade dos trabalhadores, né? E inclusive um retorno paraa economia. no caso do, né, do comércio, inclusive o que o CESIT eh tem produzido de dados é mostrando que o potencial eh dessa redução da jornada para além da saúde dos trabalhadores é também a recirculação desse recurso, né? A gente vai ter mais empregos. O que eles apontam é que o fim da escala 6 por1 no Brasil pode gerar até 5 milhões de novos postos de trabalho e dessa maneira também injetar mais recursos na nossa economia. Afinal de contas, o trabalhador com mais tempo, mais tempo para lazer, mais tempo para sua família também vai eh movimentar a economia, né? Vai sair mais, vai comprar mais. Eh, aquele trabalhador que antes não tinha um emprego e que na nessa abertura de novos postos de trabalho vai poder ter uma oportunidade de ter um emprego formal, vai poder consumir mais. Então, a gente também tem essa possibilidade de fortalecer a economia, especialmente eh nos bairros, né, desses eh pequenos e médios empresários, que é onde a gente sabe que tem essa maior circulação. E claro, a gente também eh tem debatido bastante através da frente a questão da saúde mental eh dos trabalhadores que estão hoje nessa jornada de 44 horas semanais. No mundo todo, a gente tá vendo eh um avanço no sentido de reduzir a jornada. recentemente tivemos na Alemanha, na Espanha, né? Então não é uma coisa somente do Brasil. Infelizmente temos um um contraexemplo aqui na América Latina. No momento que a gente tá discutindo reduzir de 44 horas para 40 horas, como é o projeto do governo, a jornada na na Argentina, né, com o governo Milei, que é um governo alinhado, né, com a extrema direita brasileira também, eles estão aprovando ali propostas para aumentar a jornada, inclusive para 12 horas por dia, o que é um retrocesso. Então a gente vê que nenhum direito tá permanentemente garantido, a gente sempre tem que estar alerta, mobilizados, mas de fato é que tirando essas exceções, no mundo todo se a gente tem um avanço nessa discussão da redução da jornada, né? E no Brasil, o Brasil é um dos países eh com maior peso da jornada na vida dos trabalhadores, né? E tá mais do que na hora da gente reverter isso. E a gente tem visto os dados sobre o adoecimento mental dos trabalhadores. Isso eh quando a gente fala que a saúde ela é determinada socialmente, né? a gente tem saúde ou adoece a partir das nossas condições de vida, se a gente se alimenta bem, se a gente tem um um transporte público de qualidade, se a gente tem moradia digna, se a gente tem acesso à educação, a lazer, cultura, não dá para pensar eh em saúde sem que a gente debata o trabalho como um desses principais determinantes sociais. afinal de contas, eh, ocupa grande parte da nossa vida o trabalho. Então, a, eh, a gente vê esses dados do adoecimento mental dos trabalhadores no Brasil, não tem como a gente fechar os olhos para isso e não acreditar que isso tem relação direta com esse peso que uma jornada extensa tem sobre os trabalhadores. Claro que com outros determinantes também, a precarização das condições de trabalho. Tivemos uma reforma trabalhista com o governo Temer, eh, que veio legitimar vínculos trabalhistas mais precários, né, jornadas intermitentes, redução salarial. Depois, tivemos a, com o governo Bolsonaro, a reforma da previdência. Isso também impacta diretamente, né, a saúde mental dos nossos aposentados, mas o fato é que a jornada extensa tem impacto sobretudo nesse adoecimento dos trabalhadores. A gente precisa repensar esse modelo que não tá dando certo, né? Se o nosso trabalhador, se o povo brasileiro tá adoecendo, nós precisamos repensar o que tá acontecendo. Ô Jim, quero pegar o gancho disso que a Fernanda Solto disse, porque um dos principais argumentos de quem é a favor do fim desta escala é que ele vai trazer um ganho de bem-estar, qualidade de vida, porque a pessoa ela vai ter mais tempo para poder fazer o que ela quiser, lazer, tempo com a família, marcar consultas, enfim. Eh, tem como ter garantias a categoria oferecer para evitar jornadas abusivas dentro dessa escala 6 por1? Eu lembro que na sua primeira resposta aqui você disse, me corrige se eu estiver equivocado, mas falou: "Olha, é legítimo isso que a Fernanda Solto eh tá dizendo, mas do ponto de vista econômico pode ser que tenha um prejuízo diante deste deste conjunto, né, que foi citado, o trabalhador tendo mais tempo para lazer, isso tem como dar garantias ou não?" É, é importante frisar que o descanso, sem dúvida, é fundamental. qualidade de vida do trabalhador, qualidade qualidade de vida do empregador. Eh, uma sociedade mais saudável é uma sociedade que tem melhor qualidade de vida, que é mais produtiva. Acho que isso, eh, do ponto de vista de qualidade, de forma de vida, sem dúvida, a nossa preocupação é muito em imaginar a absorção do impacto aos empregadores. a vereadora coloca uma uma colocação, a colocação dela é a possibilidade de ao reduzir a jornada e finalizar a escala 61, ter a geração de, segundo ela, 5 milhões de empregos. Eh, eu tenho a, no caso dos empregadores, a nossa dúvida sobre e é séria dúvida sobre a viabilidade desses empregos, porque a gente tá um passo atrás que é o quê? Quem é que gera esse emprego? é o empregador. Considerando a atual realidade econômica do país, a atual realidade econômica do varejo, nós conseguiremos gerar todos esses empregos. É uma dúvida muito séria, até porque eh nós temos uma uma questão também, Gabriel, que e a vereadora também, que não é somente o tempo disponível o condicionante do consumo. Na verdade, o condicionante do consumo das famílias é muito mais ligado à sua, ao seu poder de compra, que é impactado pela inflação, ao custo do crédito, que é impactado pelas altíssimas taxas de juros que se ve no Brasil paraa pessoa física. Por exemplo, no ano passado, nós tivemos as maiores taxas médias no finalzinho do ano passado, desde 2017, para as empresas, da mesma forma. Eh, e quando nós falamos de produtividade, ao reduzir a o número de horas trabalhadas sem redução do salário, você não está aumentando a a produtividade na canetada, você tá aumentando a hora trabalhada, o custo da hora trabalhada. A produtividade depende dentro de uma economia de fatores que em outros países nós temos condições que o Brasil não possui. Você tem países que têm uma produtividade mais elevada e permite uma redução mais severa de horas trabalhadas. Países com melhor com maior nível de automação, melhor infraestrutura, crédito mais barato, menores obrigações acessórias tributárias e trabalhistas. Questões como essa, eu tenho a impressão que o a preocupação do ambiente empresarial se dá muito mais no processo de será que o impacto econômico às empresas, que são as verdadeiras geradoras dos empregos, vai inibir com que ela tenha condições financeiras para gerar esses empregos a mais? Nesse ambiente conjuntural, a economia brasileira, ela está em processo de desaceleração. E não sou eu que estou dizendo, é o próprio IBGE. Saímos de crescimentos de 3, quase 4% pós pandemia. Ano passado ficamos em 2.2. Esse ano a projeção é que o Brasil não cresça nem 2%. Esse processo de desaceleração do consumo, de desaceleração econômica, nós temos condições para gerar emprego, considerando uma mudança abrupta. das jornadas e da escala, que na nossa opinião, e não é só do CIN Varegista Campinas, eh, Gabriel, traga uma observação e, por favor, se eu me alongar, fique à vontade. A vereadora também não, por favor, pode falar. uma na apresentação que o próprio eh ministro Luís Marinho fez na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, isso foi dia no dia 10 de março, eh foi apresentado pelo próprio ministro um estudo que mostra que a redução da jornada de 44 para 40 traria um impacto financeiro às empresas através da folha de pagamento médio, um aumento de 4,7%. Ou seja, não é a alteração da jornada, ela não tem um efeito eh equilibrado, ela tem um efeito, dito pelo próprio ministro, de aumento do custo eh do trabalho. No caso do comércio, isso é a média 4.7. No caso do comércio, o próprio ministro na sua apresentação apresenta um aumento de 8,6%. Portanto, antes de gerar novos empregos, as empresas do varejo, a quem nós representamos, que aí está a nossa preocupação máxima, porque é um setor, como eu disse, que depende bastante dessa jornada e dessa escala. A questão é antes de gerar esses empregos, como é que esses setores, como é que esses empregadores vão absorver este aumento de custo? Porque, sem dúvida nenhuma, você vai ter que ter a necessidade de gerar mais empregos. Agora, antes da necessidade, h, que ter a pergunta, temos condições disso? Hoje eu tenho sérias dúvidas se o nosso setor, formado majoritariamente por micro e pequenos empregadores terá essa condição. Eu já vou entrar nessa parte de economia também com a Fernanda Soltos, só antes, como o Jaim citou e você citou na resposta anterior também sobre o cenário internacional, o Chile aprovou uma redução gradual da jornada de 45 para 40 horas semanais até 2029. A Colômb está em transição de 48 para 42 horas até o fim de 2026. Na Europa, a jornada de 40 horas ou menos já é predominante, né? A França adota 35 horas semanais desde os anos 2000. Países como Alemanha, Holanda operam aí na prática com médias inferiores a 40 horas. Fernanda, o que acontece nos outros países serve como referência? Sem dúvida. E acho que até com um pouco de atraso já, porque a gente teve ao longo desses, é, quase 40 anos aí, dessa jornada de 44 horas, avanço em outros países, inclusive com uma economia com economias inferiores a do Brasil, né, do ponto de vista de de produtividade. Eh, o Brasil chega com atraso, mas antes tarde do que nunca, né? a gente sabe que nós enfrentamos aí na na última década, especialmente desde 2016, né, com o impeachment da presidenta Dilma, né, com golpe parlamentar da presidenta Dilma, com os governos Temer, Bolsonaro, muito eh alinhados aos interesses norte-americanos, europeus, né, não de um projeto de desenvolvimento real, nacional brasileiro. E agora a gente tá resgatando essas pautas que são eh pautas fundamentais em defesa dos trabalhadores brasileiros, né? Então, ter esses exemplos, inclusive aqui na América Latina fortalecem muito. E é importante a gente lembrar que eh nós já tivemos momentos no Brasil em que eh foi veiculado que a criação das férias remuneradas iria prejudicar quebrar a economia, que a instituição de um 13º salário iria quebrar, prejudicar a economia e os setores produtivos eles vão se readequando e vão trabalhando para se adaptar a essa situação, né? Nós temos, claro, eh vamos ter necessidade sim de readequação, redução da jornada de trabalho, vai ampliar a o custo da força de trabalho para as empresas, mas são setores que vão continuar tendo necessidade de oferecer o serviço, né? Não, esse serviço não vai deixar de existir, não vai, o mercadinho não vai fechar no domingo, a farmácia não vai fechar no domingo, vão continuar abertos e vão, portanto, existe vai ser necessário uma reestruturação desse, eh, dessa organização da força de trabalho. E a partir disso que a gente tem então esses dados em que o CESIT tem se debruçado de forma muito intensa e não só agora quando surgiu essa discussão do fim da escala 61. Isso já há algum tempo, né, que a gente vem construindo isso junto com os pesquisadores, economistas da Unicamp, essa possibilidade que a gente tenha essa redução da jornada no país e fazer a adequação estrutural para que isso se torne uma realidade e que a gente possa avançar em conjunto eh nessa melhor condição de vida dos trabalhadores. É possível, né? Nós temos plena convicção e certeza de que o Brasil pode ser um exemplo mundial nessa redução da jornada de trabalho agora, inclusive inspirar outros países, outros movimentos para que também avancem nesse sentido, especialmente aqui na América Latina, né, que como você mesmo disse, nós temos países aqui que tinham jornada mínima de 48 horas, né? Infelizmente existe um grupo lá no Congresso Nacional que diante dessa proposta da PEC queria acabar com a escala 6x1, entre aspas, mas aumentar a jornada mínima de trabalho para 52 horas, ou seja, totalmente eh deformando completamente, né, o objetivo dessa luta, dessa dessa proposta. Então a gente eh a gente sabe que se o o Brasil consegue avançar nisso, nós vamos conseguir fortalecer essa esse movimento pela redução da jornada, inclusive em outros países. E ele já é uma realidade, inclusive em países que têm uma economia muito menor que a do Brasil. Ô Jaime, já que você citou na sua resposta anterior, eu quero ouvi-lo também. Este olhar pro cenário internacional, ele é importante ou o Brasil, com as suas condições próprias não serve muito como referência? Não, eu acho que sim. A gente tem que olhar para fora sempre para avaliar questões que deram certo e as que deram errado. Sem dúvida nenhuma. Você mesmo citou o Chile como um país que tá fazendo uma alteração até 2029. Eh, eu tenho a impressão que o mais importante é respeitar as características das nossas dos nossos setores econômicos. E hoje penso que o gradualismo da mudança é mais relevante do que a própria discussão, que, repito, eh, há quem diga sim, quem diga não, mas me parece que tá bem consolidado, que é o que vai acontecer. Quando eu digo do gradualismo é porque mudanças tão estruturais como a mudança de jornadas e de escala, ela impacta a vida de muita gente também do campo dos empregadores. Eh, é importante frisar eh que quando eu falo do a a vereadora colocou, né, da questão de outros países que tem até uma jornada menor que a do Brasil, o próprio dado do IBGE, que é um dado que eh sempre vai, nesse caso, calibra a média setorial, mostra que a o brasileiro trabalha habitualmente, é a própria expressão do IBGE, menos de 40 horas. Você perguntar para mim assim: "Ah, mas no varejo tem isso?" Obviamente que não é o caso do varejo, é uma média baseada em outros setores da economia que por vezes consegue realmente avançar nesse projeto de redução da carga horária. Mas a preocupação do varejo calca muito na sua própria realidade, a quem nós nos remetemos. Eh, Gabriel e e a nobre vereadora, uma um dado que eu trago que também não é do Sind varegista, é um dado do Ministério do Trabalho. Eh, segundo a Ris, a relação anual de informações sociais, o varejo de Campinas, por exemplo, tem mais de 60.000 trabalhadores com carteira assinada. Você tem desses mais 60, dá por volta de 61.300, 53.000 possuem eh contratadas 44 horas semanais. observe a dependência que o setor possui desta jornada e praticamente todos eles em escala 6 por1 para uma mudança tão abrupta. E é importante frisar, esse é um dado que eu acho que eu chamo a atenção e se eu puder vou repetir ele algumas vezes. Se a gente fala do mercado de trabalho, sabe quantos estabelecimentos empregadores o varejo de Campinas possui? 7.880. 93% deles tem de 1 a 19 trabalhadores. É, a cada 10, nove tem apenas de um a 19 trabalhadores. São micro e pequenos empregadores que t baixa margem final de operação, tem dificuldade para concorrer, para comprar, para ser gerido. esse tipo de de negóci aí, só para frisar, eles nove em cada 10 estabelecimentos do barejo tem de 1 a 19 funcionários e eles representam 55% da força de trabalho, o emprego gerado por eles do varejo, são os maiores empregadores do varejo. eles com as dificuldades intrínsecas do pequeno negócio, que é o nosso que é a nossa maior preocupação de integralizar esse aumento do custo do trabalho, porque invariavelmente ele tem menos capacidade operacional para poder absorver esse tipo de custo. Ele vai repassar isso pro custo final, a não ser que ele diminua seu horário de funcionamento. E essa não é uma observação na média. Isso. Cada empresário vai ter que fazer o seu cálculo e vai avaliar o que ele consegue passar isso para preço e o que ele vai integralizar isso na margem. Então, quando eu faço de uma observação de que é necessário observar as características de cada setor, é exatamente pra preocupação que nós temos de não termos regras gerais impostas a todos se a economia é formada por setores tão diferentes como é o varejo. Ô Jaime, você falou que é uma questão abrupta, né? Se for realmente este prazo de 1 ano, vocês trabalham com algum ideal, seria 3 anos, quando você citou igual do Chile 202 ou até mais de um prazo maior? É, a gente notando sempre as discussões juntos da junto das confederações eh empresariais, as federações que conseguem estar em Brasília de uma forma um pouco mais perene, a possibilidade seria de trabalhar com uma hora, por exemplo, por ano, em 4 anos de transição. Eh, eu concordo até que 10 anos é exagerado. Acho que a gente tem que fugir dessas ideias muito abruptas, tanto do ponto de ser imediato quanto para ser adeto. Acho que isso é realmente marginalizar o debate. Acho que o debate tem que ser produtivo para ambos os lados, mas eu creio que você alterar em 60 dias eh esses pequenos empresários, quem faz o turno, as escalas é o próprio empresário que fica ali e tenta fazer, conversando com o seu contador, morrendo de medo de cometer algum erro e depois ter um passivo trabalhista. Eu sei que isso impacta o trabalhador, mas também impacta o pequeno gestor. Eu acho que nós precisávamos ter mais tempo, principalmente para essa primeira mudança, para que a gente pudesse eh fazer as simulações de alteração de turnos, de escalas, de jornada. E isso muito ligado ao contador, que no fundo no fundo, eh acaba sendo um verdadeiro anjo da guarda dos empresários. Eu recordo, né, em Campinas o varejo, 90% dos empregadores do varejo possuem apenas de 1 a 19 vínculos. são micro e pequenos empregadores e que se vê bastante preocupados com essa alteração que a gente eh eh observa, que dado o afã eleitoral de um ano eleitoral, que acho que também é natural a cada 4 anos nesse no país ou a cada dois pensando nas eleições municipais, sempre eh pode acelerar certas propostas sem a gente tá combinando isso com quem vai ser também muito impactado. no caso, além dos trabalhadores, obviamente, os empregadores. Fernanda, quero repercutir com você agora quando a conversa vai para esse lado da economia, né? na sua resposta, você já deixou muito claro na questão da qualidade de vida, na questão da saúde mental, nas reuniões que foram realizadas aqui pela frente parlamentar e quando chegam esses dados, essas estatísticas, preocupação com os micro, com os pequenos empresários que t poucos funcionários e que daí muitas vezes vai ter que reduzir essa carga, mas a abertura da loja vai continuar no mesmo período? Vocês levam isso em consideração? Isso chegou a ser debatido? O problema da economia? Com certeza. a gente, obviamente que a gente tem eh uma avaliação diferenciada do que é o impacto pros grandes, né, paraas grandes redes, inclusive eh multinacionais, do que é o impacto pros pequenos e médios empresários. Essa é uma preocupação, eh, o Jaime colocou aqui, é uma preocupação que a gente compartilha, com certeza e o esforço que a gente tem feito enquanto nossa frente eh aqui municipal, mas em contato com a nossa frente nacional em defesa do fim da escala 6x1, principalmente através, né, da nossa deputada Érica Hilton, mas com todo o conjunto de parlamentares que compõem essa luta no Congresso Nacional, é estabelecer esse diálogo, é ouvir. Inclusive, a Érica esteve recentemente em reunião, eh, isso também foi veiculado, eh, pelas pelas mídias, né, pela rede, com pequenos e médios empresários que apoiam o fim da escala 6x1, que, eh, legitimaram essa demanda também, né, vendo inclusive micro e e médios e pequenos empresários que já instituíram a jornada de 40 horas com dois dias de descanso no seu trabalho, mesmo sem isso ter sido aprovado. Então nós também estamos em contato permanente de diálogo sobre essas questões, acolhendo essas preocupações. Também temos, né, ninguém eh nós não apoiamos de forma nenhuma uma medida que possa prejudicar o nosso país, né? Na verdade, diante eh das contradições que a gente tem na nossa sociedade, a gente precisa ir construindo esse diálogo e as soluções para encontrar eh, né, o caminho para que a gente possa melhorar a vida das pessoas de fato. Então, essa é uma preocupação que a gente tem, sem dúvida nenhuma, é um compromisso nosso aqui em Campinas também e nacionalmente, né, nós temos mostrado essa abertura pro diálogo. Acho que eh hoje eh ainda vamos aguardar, né, a formalização dessa proposta eh que parece ter sido já acordada entre o governo e o presidente da Câmara Federal, o deputado Hugo Mota. Nós recebemos essa notícia a princípio, agora a pouco pelas, né, pela, pela mídia, então a gente precisa aguardar a formalização. Mas eh o fato é que parece tá tendo um debate, um acordo no sentido de reduzir esse tempo de transição, que a a princípio mais de 170 deputados haviam assinado uma emenda para que esse tempo de transição paraa redução da jornada fosse de 10 anos, o que seria absolutamente absurdo, né? Então, agora que nós tivemos essa notícia, vamos aguardar, vamos conversar aqui à nossa frente também com a nossa frente nacional pra gente eh saber exatamente qual que foi a proposta que foi feita e como que ela vai ser encaminhada pra gente definir uma posição de apoio, né, ou necessidade de reavaliação dessa proposta. Ô Jaime, em algumas entrevistas que eu realizei no jornal Câmara Notícia ou conversando com empresários, com empreendedores, há quase uma unanimidade em torno da dificuldade em se contratar trabalhadores atualmente, ainda mais em um nível de qualificação. Se esse projeto de lei ele for aprovado, você entende que essa dificuldade pro comerciante que quiser ou que precisa manter o mesmo padrão de funcionamento, ele vai se intensificar? Ah, mas não tenha dúvida disso. Eh, quando a gente fala do empregador eh observar os projetos em debate com preocupação, o primeiro momento dele é naturalmente observar e falar: "Eu não tenho condições de contratar mais". é o impacto financeiro para as empresas empregadoras. E como eu disse, o próprio ministro disse que pro comércio esse avanço dos custos com mão de obra pode chegar a 8,6%. Eh, e segunda instância, muito bem colocado, mais do que você analisar a capacidade financeira da empresa em absorver esse aumento de custo, é saber que se ele tiver que contratar, não somente ele vai precisar ter o recurso para fazer esse investimento, porque todo emprego gerado é uma decisão de investimento empresarial, é ver se ele tem mão de obra disponível para isso. É, e agora eu faço até uma segunda observação dos estudos que nós fizemos aqui no Cind Baregista, eh, Gabriel, vereadora, que demonstra a magnitude desse tamanho de aumento de custos, ou, melhor dizendo, em número de trabalhadores, esses 8,6%, caso ocorra de aumento de custo, nós estamos falando de quantos mil empregos a mais que o varejo precisará ter. Como eu disse, eh, o varejo de Campinas tem, segundo a própria Riz, por volta de 61.000 1000 empregos, 53.000 na escala na jornada 44 horas semanais. Se nós eh tivermos uma observação que casa muito bem com a primeira a projeção mais eh eh colocada, né, do do próprio ministro de 8,6 pro comércio, nós estamos falando de um aumento 8,6% desse mercado de trabalho de 61.000, Nós estamos falando de quase 5.400 empregos a mais que ser deveriam ser gerados. A pergunta que não quer calar, o varejo tem condições de gerar 5400 empregos? Eu eu eu já respondo a você, não sabe por que não tem. Ano passado, dado do no CAGED, entre admitidos e desligados, o varejo de Campinas. Sabem qual foi o saldo? 300 vagas geradas. um ano inteiro para gerar 300 vagas. Teremos condições de gerar, óbvio, no limite mais de 5.000 para poder eh absorver esse espaço que a mudança de jornada e de escala vai nos impor. A resposta que eu tenho é que não conseguiremos. Você pode fazer isso de uma forma um pouco mais gradual, obviamente seria a melhor alternativa caso eh realmente seja aprovada a extinção da da escala 61 e a diminuição da jornada. Mas não nos parece que é o que vai acontecer, vai ser mais abrupto, vai ser mais ligeiro. Então, repito, nesse nesse formato, há condições financeiras das empresas absorverem o custo para contratar toda essa mão de obra? Não há mão de obra disponível para ser absorvida. Voltando à sua pergunta e devolvendo a resposta, também não há. Nós iremos agravar este cenário de escassez de mão de obra, que não é só um privilégio, entre aspas, obviamente, um privilégio do varejo. Isso ocorre na construção civil, na agropecuária, na indústria. E nós observamos isso com uma um adicional de preocupação, não é só o impacto financeiro da realidade econômica do caixa das empresas, mas também a pouca mão de obra disponível para que possamos absorver e aumentar o quadro de trabalhadores que é prometido. Mas repito, antes de gerar o emprego, é preciso dizer, há condições de se gerar esse emprego em eh capacidade financeira das empresas e devolvendo na sua pergunta em oferta de mão de obra. É uma realidade, infelizmente é um desafio que vai ficar ainda mais visível. Sobre esse desafio, Fernanda Solto, ainda pegando sobre o jornal Câmara Notícia, né, que é diário, aqui a gente tem o link, né? Então, todas as todos os dias a gente tem entrada ao vivo dos repórters, tal, e a gente acaba falando bastante sobre emprego. A gente fala bastante aqui sobre as vagas do CEPAT Campinas. Então, eu acho que dá uma boa imagem. Sempre quando eu entro lá no site, a gente vai fazer a reportagem, sempre mais de 500, 600, 700. Tem um dia que tem 1000 vagas disponíveis. Eu fico pensando, poxa, é, parece um bom sinal, né? 1000 vagas disponíveis. E às vezes quando a gente vai conversar na Secretaria de Trabalho e Renda, fala: "Olha, a questão de qualificação, a gente tem curso profissionalizante, a gente incentiva, muitas vezes a pessoa chega aqui sem essa qualificação e a empresa acaba eh não contratando essa pessoa." Essa é uma discussão muito importante se for criar mais empregos, a gente já tem algumas vagas que estão disponíveis em Campinas, mas que ela não consegue ser preenchida. caso seja aprovado esse projeto de lei, mais vagas se abrindo no comércio. Essa é uma questão que vai ter que ser mais trabalhada com essas pessoas sobre a qualificação, combate desde vazão escolar, que a gente sabe que existe, muitas vezes na rotina de trabalho das pessoas, elas acabam não conseguindo estudar e aí não é nenhuma cobrança, porque a gente sabe o quanto que é cansativo, né, às vezes quem tem filho, mas a necessidade que o mercado exige, né, da escolaridade posteriormente de uma qualificação. algo que vai ter que ser trabalhado, vai ter que ser estudado para as pessoas conseguirem eh absorver isso e conseguir entrar no mercado de trabalho. É, sem dúvida. Mas inicialmente, assim, eu queria chamar atenção para esse dado da questão do por que que as pessoas não estão ocupando esses postos de trabalho que já estão abertos, né? A gente teve logo no início eh da discussão do fim da escala 6x1, nós tivemos várias reportagens falando sobre os postos de trabalho que estavam abertos, principalmente no setor de comércio e por que as pessoas não estavam buscando esse post de trabalho, seja caixa de supermercado, vendedores, né, ou outras áreas no geral, mas especialmente nessa nessa área do comércio. E a resposta, principalmente quando você vai olhar do ponto de vista dos trabalhadores, são as condições de trabalho que são ofertadas, né? baixos salários, uma escala exaustiva 44 horas, sem eh com praticamente um dia de descanso, que não é o dia de descanso. Importante lembrar que esse dia, normalmente o domingo, mas outro dia da semana, que é o dia de folga remunerada do trabalhador, normalmente é dedicado às tarefas domésticas, em especial para as mulheres, isso tem um peso ainda maior, que normalmente são as principais responsabilizadas pela tarefa do cuidado domiciliar. E as pessoas estão cansadas dessa jornada, né, e com uma remuneração que não acompanha necessidade de eh de vida, né? Então, as pessoas estão optando por fazer outra coisa, eh, trabalhar em aplicativo, eh, abrir uma MEI e fazer um um vender alguma coisa para tentar pelo menos ter a sua eh a sua jornada, não depender de um chefe, brigar ali para ter uma remuneração melhor, ainda que isso seja feito às custas da redução dos seus direitos trabalhistas, porque objetivamente esses postos de trabalho que estão sendo oferecidos são baixa de baixa remuneração e sem condições para que a pessoa possa se desenvol envolver nesse espaço de trabalho. Então, logo que tava sendo discutida essa questão do fim da escala 6x1, nós também tivemos essas reportagens sobre esses postos de trabalho aberto. e volta naquilo que eu tava comentando, né, assim, as projeções que a gente tem dos pesquisadores que estão à frente dessa discussão é que justamente por serem setores em que você não vai eh encerrar a atividade desses setores, né, especialmente no comércio, mas a gente tem outras áreas, áreas da saúde, por exemplo, nós temos hoje, é importante lembrar a enfermagem, o piso da enfermagem para 44 horas. Então o fim da escala 6x1 também vai impactar diretamente trabalhadores da saúde que vão ter direito à sua redução da jornada. Então são em várias áreas isso, né? são setores que vão precisar continuar funcionando para ofertar esse serviço pra população. Então vai inevitavelmente nós vamos ter abertura de novos postos de trabalho. Então, é isso que a gente tava falando, assim, se tem gente, se tem vaga aberta e as pessoas não estão buscando esse eh ocupar esses postos pelas suas condições de trabalho, a tendência é que na medida que você ofereça melhores condições, as pessoas que têm qualificação para aquele posto de trabalho vai ter um motivo a mais para buscar esse emprego e não em trabalhos precários, sem direito trabalhista nenhum, sem direito previdenciário nenhum. Ninguém quer trabalhar por conta própria nessas condições precárias, né? Então, se a gente oferece melhores condições de trabalho, nós vamos ter mais trabalhadores buscando eh a formalidade e não a informalidade. Eh, eu perdi a última pergunta que você falou, não exatamente sobre isso, né, da de desse risco que isso pode acontecer da questão da informalidade também. É, e a gente precisa, claro, o poder público tem que ter responsabilidade de oferecer as eh espaços de qualificação, né? na medida que o setor também produtivo da cidade vai demandando isso, o poder público precisa ter um olhar para isso, a prefeitura, as câmaras legislativas, né, e melhorar eh o que a gente puder abrir de diálogo e construção contínua, né, para que a gente possa melhorar a situação econômica do nosso município, precisa ser feito nesse esforço contínuo, né, nesse esforço conjunto. Mas o fato é que a gente tem uma contradição hoje, postos de trabalho em aberto, muitos trabalhadores em situação informal e precarizada. E a gente precisa fazer um diagnóstico do que que tá acontecendo. E nesse sentido, a jornada de trabalho é um dos pontos que está sendo apontado pelos trabalhadores como a falta de interesse e muitos desses postos de trabalho que estão abertos. Jaime, essa questão de uma de um possível aumento da informalidade preocupa? Você acha que isso pode acontecer caso o projeto seja aprovado nessas condições? É, a nossa maior preocupação é que o trabalhador que terá se eh passada, né, a proposta de ter dois descansos semanais, considerando a a a situação econômica, a situação econômica do próprio trabalhador, se ele vai usar esse segundo dia para realmente ter qualidade de vida, lazer, espaço domiciliar e aquilo que a gente entende que eh iria, né, a ao encontro dessa qualidade de vida. O temor é que ele vá buscar nesse dia, a mais de descanso, eh, incrementar a sua renda exatamente com trabalhos informais, com bicos, para poder ter esse acesso a melhores bens e serviços e não necessariamente a alteração da escala e da jornada significar qualidade de vida e sim mais risco, mais precarização de trabalho. utilizar esse segundo dia para poder, ao invés de se preparar melhor, estudar ou estar em casa ou descansar na atual realidade, a tendência, e nós observamos isso cada vez mais, como a própria vereadora disse, é as pessoas estarem buscando outras formas de renda, muitas vezes eh de forma informal ou através dos aplicativos, e não utilizar esse segundo dia para poder realmente ter uma qualidade de vida maior junto da família ou pensando no lazer ou no descanso. é um risco que a gente vai correr considerando as próprias eh dificuldades estruturais e sociais do nosso mercado de trabalho. E eu reafirmo, né, o que a gente a nossa preocupação em primeira instância é a capacidade da do empregador, pensando no dia a dia do empresário, em absorver esse custo. Segundo, você colocou muito bem, mesmo que ele tenha condições, há mão de obra para isso. E terceiro, nós teremos realmente um aumento desse tipo de qualidade, dessa qualidade de vida do trabalhador, ou ele vai buscar outras formas de renda e vai se tornar ainda uma situação até mais perigosa do que atualmente, pelo que obviamente colocam, já é. São preocupações que em um debate abrupto, em um debate que foi colocado, pelo menos do ponto de vista de apresentação do projeto de lei do governo, eh, e tá e foi está sendo debatido, eh, em 60 dias, eu tenho a impressão que esse tipo de debate precisaria ser colocado, obviamente, e, e aí eu acho que não é só uma questão do atual governo, há uma questão também de ter uma boa vontade dos legislativos, tanto da Câmara, dos Deputados, quanto do Senado para que esse tipo de de assunto estrutural fosse debatido com um pouco mais de calma, observando principalmente a função da negociação coletiva como ferramenta que poderia ajudar esse processo de debate da melhoria da relação capital trabalho, que os sindicatos laborais e empresariais poderiam estar absorvendo esse protagonismo. E acho que o debate não poderia ser nem eleitoreiro e muito menos um debate eh atavalhoado no sentido de velocidade. A gente poderia ter eh estar trabalhando isso com um pouco mais de calma e ouvindo mais os setores, porque há setores que você consegue fazer essa alteração e absorver de uma forma menos pragmática. Agora, no caso do varejo, no caso em caso de alguns segmentos dos serviços, eh esse ajuste ele vai ser bastante custoso, não só por ser setor que tem esse tom de continuímo durante a semana, como é que são setores formados por meio pequenos empresários. Agora, a gente eh observa que esse esse debate mais aprofundado acaba sendo atropelado pelo processo eleitoral e também muito ligado à velocidade com que as coisas têm de acontecer. Infelizmente, o lado do empresário acaba sendo vilanizado. E eu repito, eu tento trazer esse essa humanidade apresentando os números de quem nós estamos representando aqui no varejo. Não é só o trabalhador que é hipossuficiente. O pequeno empregador, ele também tem rotinas exaustivas, ele também tem preocupações severas. E nesse caso ele precisaria ser ouvido com um pouco mais de calma, viu, Gabriel? Vereadora, essa é a nossa posição. Eu só queria pontuar uma situação que é o seguinte. A PEC, pelo fim da escala 6x1, que foi protocolada pela deputada Érica Hilton, ela foi protocolada há quase 2 anos, mais de 1 ano e meio, né? Aí 1 ano e 7 meses, 8 meses. Desde então, né? 2024. Isso. Tanto que a primeira ação do nosso mandato foi apresentar a proposta da frente parlamentar pelo fim da escala 6 por1, quando a gente assumiu em janeiro de 2025. Então, eh, desde então a gente tem feito uma pressão no Congresso Nacional para que essa PEC pudesse ser pautada, né? E ela tá sendo pautada agora em 2026, que é um ano eleitoral justamente pela indisposição do Congresso Nacional, da maioria dos deputados dos senadores, em abraçar essa discussão, apesar de ter uma eh de ter um apelo, né, da população muito grande, quase 80% da população brasileira é favorável ao fim da escala 6. Apesar de todo esse apelo, dessa demanda, o Congresso Nacional, em sua maioria optou por não abrir o diálogo, por não encaminhar essa discussão, né? Então, a forma como eh a gente precisou agora com o governo federal encaminhar um projeto de lei em regime de urgência, foi justamente no sentido de garantir essa abertura do Congresso para pautar uma questão que é central pros trabalhadores brasileiros e que até então tava parada na mesa do presidente Hugo Mota, sem justificativa nenhuma, né? Nesse meio tempo não deixamos de fazer o debate com todos os segmentos, eh, eh, né, o os trabalhadores, com os empregadores, movimento sindical, organizações sociais da da sociedade civil, eh, afetadas, poderiam ser afetadas por essa questão. Mas o fato é que a gente tá discutindo isso em 2026, porque há quase 2 anos o Congresso Nacional, infelizmente optou por fazer essa recusa em abrir esse diálogo e agora com pressão, com a pressão popular crescendo, inclusive, tá sendo obrigada a pautar nesse ano. Ô Jaime, na sua resposta anterior você falou de adaptações custosas. O Paulo Soumut, que é presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, abordou um aumento de custo do trabalho de 20% e que implica em repasse de preços de 7 a 8% para o consumidor final. Os preços devem subir em caso de aprovação do projeto. Isso é uma discussão que acontece no Cindaregista? Sem dúvida. O impactado final sempre vai ser o consumidor. E o consumidor, por vezes, é trabalhador do ponto de vista tradicional, seletista, informal e todos nós, inclusive os empregadores, os consumidores também em alguma instância. É importante frisar quando eu citei a própria projeção do Ministério do Trabalho de custo do da do percentual de projeção de custo de 8,6%, que é o que é previsto para o comércio pelo próprio próprio ministério, eh a gente tem eh projeções que em limites máximos poderia chegar a 16, 17, 18%, próximo do que o Paulo Sou Mult coloca no setor de bares, restaurantes, que também é um setor bastante impactado pelo eh característica, a característica de ser um setor que não fecha, que tem continuidade aí nos sete nos s dias da semana. Mas independente da forma com que o do tamanho desse aumento de custo, se é 8, se é 10, se é 15, 20, no pior das hipóteses, eh nenhuma empresa, principalmente as menores, terá condições de absorver isso na sua própria margem. Um pedaço disso sempre vai ser colocado no preço final. E essa é uma preocupação do ponto de vista macro, não é do varejo somente, não é do atacado, do serviço. E isso é perante todos os setores econômicos. Se você aumenta o custo para o empregador, ele vai transformar isso. Ele vai tentar absorver o que for possível para poder não ter perda de competitividade do teu preço frente aos concorrentes. Sim, mas em alguma monta ele vai passar pros preços finais. do ponto de vista macroeconômico, a tendência, o tamanho disso só vai ser possível depois que a gente tiver a PEC promulgada e saber todos os detalhes. Mas em termos de tendência, eh, o próprio trabalhador que pode ser beneficiado com o dia a mais também pode ser e provavelmente será prejudicado com o aumento dos preços. Considerando um cenário onde hoje a inflação brasileira medida pelo PCA prevista para esse ano já beira novamente o 5% projetado pro final do ano, bem acima do centro da meta do Banco Central de 3%, eh podemos esperar novamente um cenário de preços salgados que continua realmente sendo salgados, que vai impactar inclusive a capacidade do próprio Banco Central de reduzir juros. Do ponto de vista macroeconômico, a preocupação não é só do empresário que vai ter aumento de custo do trabalho, é também da transformação desse aumento de custo lá na ponta via preços aos consumidores finais. Agora, Jaime, uma pesquisa genial mostrou que 72% da população é a favor do fim da escala 6 por1. Quando tem este apelo popular por uma mudança, como faz para dialogar? A primeira coisa é esclarecer pra população que todas as medidas têm seus pontos negativos e pontos positivos. Medidas como a que está sendo debatida e retomam. É legítimo o debate é legítima, sem dúvida nenhuma, a discussão, mas acho que a população tem dificuldade de compreender, infelizmente, e acho que isso faz parte de um cenário onde a educação financeira é tão pouco valorizada no nosso país que todo tipo de decisão política pública que causa aumento de custos a quem gera empregos vai causar aumento de custos na ponta final. Obviamente, se você faz uma pergunta para quem trabalha, obviamente na 44 horas de jornada e na escala 61, se ele prefere que isso diminua, ele vai responder, ainda mais se ele não tiver alteração salarial. Agora, se você faz essa pergunta e no na pergunta você diz: "E se você tiver um risco de perder esse emprego, você ainda eh aceitaria?" Acho que a por mais que a resposta pudesse continuar positiva, ele pensaria duas vezes. Não é o caso e não quero entrar por esse caminho, mas acho que falta pra população que tem tanta dificuldade de avaliar financeiramente o que ocorre em uma economia observando o seu próprio orçamento. A gente tá aqui para dizer, a tendência é que nós tenhamos um aumento ainda maior dos preços da nossa economia. Fernanda, qual o papel das negociações sindicais, dos acordos coletivos na solução desse impasse, né? A lei federal CLT precisa ser alterada ou na sua visão bastam acordos locais? É que só retomando também essa questão do aumento do custo, né, pro consumidor, importante a gente lembrar que o o aumento o custo final pro consumidor, ele não é só a partir da força de trabalho que produziu aquele serviço, que produziu aquela mercadoria. Existem outras questões que estão envolvidas, né? Por exemplo, a questão do preço dos combustíveis é uma questão que impacta o preço final de uma mercadoria e impacta o custo de vida das pessoas, né? No Brasil, nós tivemos eh desde 2016 com Temer Bolsonaro, um avanço nas privatizações de refinarias da BR distribuidora, né? Então o que faz com que o Brasil, por exemplo, tenha perdido o controle estratégico no controle dos preços internos de combustíveis, né? Essa é uma questão que o governo Lula tá retomando. Então, nós estamos discutindo, se não for possível, inclusive a restatização da BR distribuidora, a gente eh conseguir criar uma nova estatal que possa fazer então essa parte da distribuição dos combustíveis e dessa maneira retomar para o estado o controle estratégico dos preços, especialmente nesse momento em que a gente tá tendo a escalada dos conflitos internacionais, o que faz o preço do petróleo aumentar internacionalmente. temos discutido a retomada eh da Eletrobras, que também foi privatizada. Isso impacta diretamente no custo da energia elétrica. Então, todas essas outras questões são questões que impactam no preço que vai para aquele serviço final e o e também no custo de vida das pessoas, né? Então, é importante a gente eh ter essa dimensão dessa diversidade no que é no que é composição final do que chega para as pessoas, porque existem outras frentes que nós podemos atuar para reduzir o custo de vida, reduzir os preços, né? Eh, aqui em Campinas, por exemplo, nós temos uma questão da pressão imobiliária que afeta diretamente os pequenos e médios negócios. Isso também precisa ser rediscutido, né? porque nós temos uma cidade em que eh é a quarta cidade com maior custo de aluguéis do Brasil. Isso impacta no preço eh final, né, da do das mercadorias e e dos serviços. Então são questões que precisam ser avaliadas e precisam ser discutidas pra gente poder de fato construir uma uma um construir um consenso, né, para que avance. Agora assim, eu acho que precisa avançar se vai ser o projeto de lei que foi encaminhado pelo governo federal ou se vai ser a PEC. Nós vamos entender agora na quarta-feira, né? Qual que vai ser a pauta, o que vai ser pautado de fato ali. Ainda vamos, o programa tá saindo no sábado, né? Mas hoje é terça-feira, nós, desculpa, segunda-feira, nós estamos agora com essa esse retorno de que a presidência da Câmara dos Deputados acenou para uma redução eh desse período de transição paraa redução da jornada de trabalho. ainda vamos avaliar como vai se dar essa situação, mas para que a gente possa entender como vai ficar paraas categorias, pros setores, eh, em si, nós vamos primeiro esperar eh esse projeto que vai ser pautado na Câmara pra gente saber qual vai ser o corpo final com que ele vai ser encaminhado posteriormente pro Senado, né? Ah, programa bom, é programa com muitas informações. O meu tempo tá encerrado, mas eu vou fazer mais alguma mais duas perguntas, tá? Pro Jaim e depois eu encerro com a Fernanda. Jaime, existe espaço para projetos piloto em Campinas para saber dos benefícios, do impacto com o fim desta escala e eu já emendo, precisa haver alguma compensação para os empresários? Eu acho que compensação não seria necessária se nós tivéssemos uma transição gradual, eh, principalmente pro micro, pequeno empresário, porque daria tempo para ele se adaptar, reavaliar turnos, reavaliar escalas. Acho que a compensação maior seria trabalharmos com um pouco mais de calma e exatamente pela forma acelerada que hoje é quase impossível você eh sair a campo para fazer projetos pilotos. Por mais que é importante, Gabriel e vereadora, citar, até vou resgato rapidamente a sua pergunta anterior sobre as convenções coletivas e as negociações coletivas. A melhor forma de trabalhar eh alterações de jornadas e escalas não seria pela via legal ou constitucional que cria uma regra geral, como se todos os setores e portes empresariais e vínculos trabalhistas fossem os mesmos. Quem conhece melhor de cada categoria são seus sindicatos laboral e patronal seria via negocial. não é o que foi feito, infelizmente. Não é o que vai ser feito, infelizmente. E nós lamentamos, não só pelo impacto disso tudo ou as empresas, mas também por não proporcionar aos sindicatos que conhecem as suas bases, tanto econômicas e laborais e suas regiões. O que ocorre em Campinas não é o que ocorre em Taubaté. E o que ocorre em Taubaté não é o que ocorre na Baixada Santista, pensando somente no estado de São Paulo. Mas eu creio que o que acontece hoje é que as convenções coletivas vão dar sempre condições mínimas e cada empresa vai poder absorver e trabalhar de acordo com as suas capacidades. Tem empresas que estão testando o 5x2, legal, ótimo. Tem empresas que não conseguem testar o 5x2 pela sua estrutura, principalmente as pequenas. Por exemplo, as convenções dão os pisos salariais, aquilo ali é um limite mínimo. A empresa que consegue conceder um salário maior para absorver talento, poxa, super bacana, não é o que ocorre na média pros pequenos. Por isso que as convenções coletivas e as negociações sempre serão calcadas em parâmetros mínimos. Mas, infelizmente, essa forma atabalhoada e ligeira da discussão tem tolo, inclusive o protagonismo que poderia ser dos sindicatos, tanto laboral quanto empresarial. Eh, uma questão que é importante a gente pontuar é que o que vai ser eh o que tá sendo debatido é a jornada máxima que precisa ser a o que tá sendo debatido é uma reavaliação da nossa constituição para reduzir essa jornada máxima no país que é de 44. E aí a nossa defesa era que fosse para 36 horas, mas tá tendo eh um avanço em sentido de ser para 40 horas, né? O que já reduziria 4 horas semanais, mas é uma é uma mudança do máximo que o trabalhador brasileiro pode trabalhar, né? Nada impede que haja acordos coletivos e debates em categorias, inclusive para reduzir mais do que isso. Eu volto a citar os exemplos do que nós já tivemos eh aqui na de atividades da frente parlamentar, em que mesmo a jornada brasileira sendo de 44 horas, a jornada máxima, nós temos várias categorias que conquistaram 30, 36 horas, né? Então, eh, nada impede que os acordos coletivos possam discutir, inclusive, e oferecer melhores condições paraas suas categorias, se assim for possível. E do ponto de vista da luta sindical, essa redução da jornada é uma pauta central pros sindicatos, né? nós tivemos eh desde eh aí pelo menos nos últimos 20 anos a tentativa de retomar essa discussão. Inclusive quero lembrar aqui do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas que completou 40 anos em 2024, inclusive com o note e 40 anos, 40 horas, porque é uma categoria ainda que responde às 44 horas da jornada. Então, não é uma coisa nova essa discussão da redução da jornada, já era uma coisa que tava sendo construída no Brasil, mas diante da conjuntura que nós estamos vivendo e vivemos nos últimos anos aí de eh intensificação da crise social econômica, especialmente pela pandemia, mas também por uma política econômica baseada no avanço da concentração de renda do nosso país, no avanço do rentismo, no no na na precarização dos vínculos trabalhistas, das condições de vida das pessoas, né, com os governos Temer e Bolsonaro. Essa esse caldeirão de disputa, ele tomou forma especialmente através das redes sociais e com as mobilizações da juventude, das mulheres aí nos últimos anos. Então, não é uma coisa nova, não é uma coisa que surgiu do nada, isso já é uma coisa que vem sendo construída. E eu repito, infelizmente o Congresso Nacional fez opções por não pautar isso quando a questão se colocou, quando foi feito o protocolo da PEC e optou por dar eh prioridade para outras questões como a PEC da bandidagem, né, o apoio ao tarifaço do Trump, eh a dosimetria, né, para quem tava envolvido ali nos atos do da tentativa de golpe de estado, né, uma anistia pros golpistas do 8 de janeiro. Então, foram opções políticas que foram sendo feitas, né, por quem hoje comanda o Congresso Nacional, que fez com que agora se tornasse uma situação insustentável diante da pressão popular não se pautar essa questão em 2026. Jaime Vasconcelos, economista do Sim varegista, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. As informações que foram trazidas aqui, tenho certeza que de grande valia pro nosso telespectador, para quem está nos acompanhando. Já faço um novo convite para você retornar ao programa Questão de Ordem, seja de forma online, seja aqui nos nossos estúdios, mas fica aberto as suas considerações finais. Muito obrigado. É um privilégio poder debater nesse nível que nós debatemos hoje. Eh, e principalmente agradeço em nome da diretoria do Sindivaregista Campinas, através da sua presidente Sanai Saito, a primeira presidente do Sind varegista em seus quat quase 80 anos de história. E em nome da nossa preocupação, que eu acho que é legítima, acho, não tenho certeza que é legítima em nome dos empresários do varejo de Campinas e toda a região. Agradeço profundamente e espero na próxima eh estar presente aí para tomar inclusive um cafezinho. Combinado? Muito obrigado ao Jaime Vasconcelos. Fernanda Solto, presidente também da Frente Parlamentar em Apoio Emenda Constitucional para reduzir a jornada 6 por1. Muito obrigado mais uma vez pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para vir aos nossos estúdios participar do programa. Já faça um novo convite para falar sobre esse tema, mas também sobre outros e fica aberto à suas considerações finais. Muito obrigada, Gabriel. Quero agradecer também o Jaim, né, sindicato varegistas. Muito importante a gente poder utilizar esse espaço do parlamento para debater questões centrais, né, que estão sendo debatidas nacionalmente e que Campinas não pode estar de fora, né? E a gente precisa ter esses espaços de diálogo, espaço de contraposição de ideias. É muito importante pra gente construir saídas em conjunto, né? Afinal de contas, sem dúvida nenhuma, eh nós queremos ver um país melhor para todo mundo, futuro mais justo, mais digno para todo mundo. E a gente ter esses momentos para que a gente possa fazer o debate é fundamental e a Câmara Municipal de Campinas tem que se prestar a essa tarefa. fundamental que a gente possa eh dialogar nesse sentido. Eu espero que a gente tenha contribuído com este debate com opiniões divergentes, mas dentro do mesmo campo, do mesmo objetivo. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência e até semana que vem. Tchau tchau. Segundinhos agora.
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