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Questão de Ordem | Segurança da Mulher
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Questão de Ordem | Segurança da Mulher

15 views Publicado 10/08/2026 HD · 59:18
Resumo editorial

O programa debate a Lei 15.474 de 2026, que autoriza mulheres maiores de 18 anos a adquirir e usar spray de pimenta como medida de defesa pessoal. Autoridades da OAB Campinas e da Guarda Municipal discutem a importância dessa legislação no contexto de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. O debate também ressalta a necessidade de uma rede de apoio integral e de ações contínuas para combater o feminicídio e a violência contra a mulher.

Descrição do vídeo

A Lei 15.474/2026 libera a venda e a posse de spray de pimenta para mulheres a partir de 18 anos, como defesa pessoal contra agressão iminente. Mulheres com medida protetiva vigente recebem o spray de graça. No quadro de direito e cidadania da TV Câmara, a advogada Fábia Bigarani, da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher da OAB Campinas, e a comandante Maria de Lourdes Soares, da Guarda Municipal, avaliam a lei e detalham serviços de proteção como o Gama e a Sala Lilás para mulheres em situação de violência doméstica.

Transcrição completa do vídeo

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Olá, começa agora o programa Questão de Ordem. O governo federal sancionou a Lei 15.474 74 de 2026, que libera a venda e posse de aerozóis de extratos vegetais, como spray de pimenta para mulheres acima de 18 anos, como medida de defesa pessoal. Segundo a lei, o spray pode ser utilizado de forma moderada para repelir agressão injusta, atual ou iminente. A regra estabelece que o uso deverá ser interrompido imediatamente após a neutralização da ameaça. Mulheres com medida protetiva vigente poderão receber o spray gratuitamente. Então, sobre esta medida, eu recebo aqui no estúdio a Maria de Lude Soares, comandante da Guarda Municipal de Campinas, e a Fábia Bigarani, que é presidente da Comissão de Combate à Violência contra a mulher da OAB Campinas. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Fábia, começo com a senhora. Primeiramente, como é que analisou, viu as discussões na Câmara Federal, no Senado, sanção do presidente sobre esta lei que está em vigor. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Ai, muito obrigada pela oportunidade de fala e pelo convite. Eh, o veto presidencial foi essencial em termos de reduzir para maioridade penal, adquirir, porque adolescente às vezes pode utilizar numa discussão, numa briga, numa escola. E na verdade o spray de pimenta, ele tem um uso específico, que é justamente quando a mulher se sente ameaçada, seja num assalto, uma violência urbana ou dentro de uma violência doméstica pelo seu agressor. Maria de Lourdes Soares, comandante da Guarda Municipal de Campinas. Também quero a sua opinião sobre essa liberação da venda e posse de aerozóis de extratos vegetais, como spray de pimenta para as mulheres acima de 18 anos, como medida de defesa pessoal. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Obrigada, Gabriel. Um prazer estar aqui, poder conversar com o público que nos assiste de um tema tão importante, a Fábia. É um prazer estar aqui com você. A gente se encontra muito aí nos eventos eh voltados à mulher. Essa é uma demanda antiga, né? Eu escuto muito mulheres do meu convívio social, por exemplo, né? De falarem: "Poxa, eu queria ter um spray de pimenta, eu queria ter um espedidor de pimenta". Eh, com um sentimento de sensação de segurança maior. Então, acho que é uma medida que vem atender a essa demanda. Concordo com a Dra. Fábia, de que eh ter liberado a partir dos 18 anos foi mais adequado mesmo, né, por conta da gente entender que há uma maturidade um pouco maior para fazer o uso desse spray e é preciso ter algum alguns cuidados também, algumas cautelas no uso e acredito que possa ser sim um equipamento que vem a auxiliar um pouco mais as mulheres em eventos, em situações que sejam situações de risco, com alguns cuidados. Sim, que é necessário que se tenha e observar também outras medidas de segurança são necessárias na rotina, no dia a dia, seja para uma situação de violência doméstica, de violência contra a mulher, propriamente dita, violência de gênero, ou numa outra situação aí quem seja um outro tipo de crime, uma tentativa de roubo, uma importunação sexual, qualquer outra situação e que possa trazer sim pra mulher mais uma linha de defesa, observando alguns os critérios no uso, que isso é muito importante. Ô comandante, o spray de pimenta pode ser considerado uma ferramenta de proteção ou é apenas uma resposta emergencial diante dessa violência, dessa demanda que as mulheres eh trouxeram, que vocês estão escutando aí ao longo dos últimos anos? Sim, é uma eh uma ação para que a mulher possa repelir uma agressão, né? eh naquele momento uma agressão ou que está em vias de acontecer e ela fala: "Nossa, eu vou ser agredida ou vai acontecer alguma situação da qual eu não vou poder eh sair ou me safar". Então, naquele momento ela consegue que aquele agressor com a utilização, é isso que se espera, né, do do agente que estiver ali, o agente químico nesse spray de pimenta, nesse espargidor que será disponibilizado, que naquele momento ela possa, ao fazer o uso que ele traga essa incapacidade naquele momento, é porque ele traz incômodo mesmo para os olhos. É como realmente se você passar pimenta na mão e passar nos olhos, no nariz. Então ele traz esse incômodo e enquanto isso dá tempo daquela pessoa deixar o local e sair do do âmbito de ação desse agressor ou potencial agressor. Então, na verdade, é isso que se espera quando usar este eh este equipamento, de que ela possa eh naquele momento trazer uma encapacitação rápida ali enquanto ela procura ajuda ou ela sai daquele local e foge da agressão. Ô Fábia, essa lei você entende que representa um avanço ou evidencia uma falha aí do Estado em garantir segurança para todas as mulheres? as duas coisas, um avanço em termos de uma medida a mais de proteção paraa mulher, como bem falou a comandante, mas também eh reaccende de que a violência eh urbana ou a violência doméstica em com relação à mulher teve um aumento muito grande. Então também evidencia essa situação, esse cenário em termos de sociedade de violência contra as mulheres. Ô comandante, de alguma maneira fica um sentimento ou uma impressão de que a população está sendo armada porque o estado não consegue ter esse controle sobre tantos tipos de violência que acontecem por aí? Gabriel, eh, eu penso que a gente vai buscando aí meios para aumentar a proteção à mulher, né? Eh, completamos agora 20 anos da da Lei Maria da Penha. Isso foi um grande avanço na defesa da mulher. A partir daí, nós tivemos a lei do feminicídio, eh outras legislações acabaram vindo a reboque da Lei Maria da Penha para trazer essa proteção paraa mulher. Então isso é um avanço, embora os números hoje ainda sejam números alarmantes, números que precisam ser combatidos diariamente, mas eh eu eu sempre digo isso, que a gente avançou de qualquer forma com o programa Gama, por exemplo, que tem um botão SOS Gama disponível para as mulheres com medida protetiva de urgência que estejam inseridas no programa, a gente tem um resultado muito importante. Então, por este lado, eu vejo que há um ganho. as mulheres hoje denunciam mais. Eh, a gente verifica que há muito tempo atrás, nem há muito tempo não, eh, até porque isso também acontece agora, a mulher às vezes nem identifica que ela está numa situação de violência, né? E hoje quando ela identifica, ela tem onde buscar ajuda, eh, dentro da própria segurança pública. Campinas tem uma rede eh de enfrentamento à violência contra a mulher, uma rede protetiva ampla que auxilia de diferentes maneiras essa mulher a e é muito difícil sair de uma situação de violência, demanda tempo. Então, são uma série de de investimentos que a gente precisa fazer para vencer esse ciclo. As conversas que a gente tem com mulheres em situação de violência, de violência de gênero, elas demoram aí 10, 12 anos para de fato interromper uma situação de violência. Fica nessa situação de separa, volta, nós temos que combater eh outras questões que são estruturais, como o machísmo ainda muito presente, essa coisa da posse da mulher. Então, nós temos avanços, mas situações estruturais elas demandam muito tempo para serem sanadas. não é eh de um momento para o outro, demanda bastante tempo. Então, eh, reputo que a gente tem avanço sim e de novo que esse mecanismo agora, o espargidor de pimenta, né, o spray de pimenta é mais uma tentativa que a gente tem de garantir segurança, uma vez que, obviamente, a gente não consegue ter um operador de segurança pública em cada canto da cidade para poder eh levar essa proteção efetiva, que seria eh um mundo dos sonhos, mas é, não é possível. Por isso que é importante que se denuncie, que se faça boletim de ocorrências, que a gente, que a mulher consiga manter uma rede de proteção no entorno dela e aí vem com o espargidor de pimenta, que pode ser assim mais uma mais um mecanismo para trazer eh eh essa segurança. Uhum. Ô, Fábio, é muito tempo, né? comoante estava falando, 10, 12 anos para interromper esse ciclo. Muitas vezes ela não entende que ela tá sofrendo esse tipo de violência ou ela não consegue sair. É óbvio que é um assunto muito delicado, muito difícil, porque a gente sabe que tem a dependência financeira muitas vezes que tá atrelado, tem uma questão de sentimento, de medo. Como é que a OAB Campinas enxerga isso e tenta levar informação pros munícipes de Campinas? Vocês fazem roda de conversa, tem reunião, tem parceria com empresas, a gente tá chegando no Agosto Lilás agora. Como é que a OAB Campinas enxerga isso e faz com que essa informação chegue cada vez mais à pessoas? Bom, a OAB Campinas tem um trabalho interno dentro da casa através de palestras, conhecimentos. Todas as nossas palestras são abertas ao público em geral. Em termos externo, nós temos muita atuação com as munícipes de Campinas, eh, sejam escolas, faculdades, centros, eh, comunidades, porque às vezes é uma comunidade muito pequena, uma ONG muito pequena, é um muito pequeno. Então, nós levamos, além de palestras, nós também levamos roda de conversa. Tudo vai depender de qual é o meio e onde funciona melhor. Por exemplo, quando nós estamos falando, por exemplo, de CRAS, com a parceria que nós temos com a prefeitura, eh, funciona melhor a roda de conversa, porque as mulheres trazem as suas demandas, mas quando nós estamos falando de escola, a palestra é mais efetiva, OK? Porque os alunos vão perguntando, eles vão interagindo com a gente. Se você colocar numa roda, eh, você vai ter um momento de muito silêncio. Então isso é importante porque conhecimento salva vidas para que aquela vítima reconheça que ela está sofrendo uma violência que a maioria não reconhece, como bem diz a comandante. E para que essa mulher possa se sentir fortalecida pela rede de apoio que realmente o comandante Ceta tem em Campinas, é algo que não tem em todos os municípios, mas aqui a rede de apoio é muito forte. eh essa mulher possa ser fortalecida, ela possa ter ciência de que realmente ela sofre violência e principalmente o amparo em termos econômicos para que ela tenha uma nova recolocação no mercado de trabalho ou que ela possa ser uma empreendedora para que aquela mulher tenha uma liberdade financeira que possibilite para ela sair daquele relacionamento. que tudo isso não é só uma questão estrutural e e uma questão patriarcal, é as duas situações, como bem falou a comandante, que fazem com que aquela mulher fique dentro de um relacionamento abusivo. Nós estamos conversando aqui sobre a sanção presidencial que aconteceu, que liberou o uso de spray de pimenta para as mulheres acima dos 18 anos. Comandante, tenho certeza que quem está nos acompanhando tem algumas dúvidas, então vou fazer algumas perguntas aqui sobre eh o dia a dia, sobre esta prática. O spray de pimenta, ele pode realmente impedir uma agressão ou o agressor ele pode reagir de uma maneira mais violenta após esse uso do spray? Como é que ele funciona? Antes disso, Gabriel, posso fazer coro aqui com uma fala da da doutora Fábia, né, que eh eu considero que é bem importante, que é a informação. A mulher em situação de violência, eh, ela precisa ter informação de que há meios, eh, dela buscar ajuda junto a OAB e a gente também faz encaminhamento, se for necessário. É muito importante isso, porque o que acontece com com uma mulher em situação de violência, de toda a experiência que a gente tem, o programa Gama completou 10 anos esse ano, então eh foram mais de 5.000 mulheres assistidas pelo programa. Eh, e aquela mulher, ela, em situação de violência, ela fica isolada, ela normalmente vai perdendo os vínculos ao longo do tempo. Não é uma coisa que acontece do do de um dia para o outro, né? E às vezes ela nem mesmo ela se dá conta disso. Eh, porque no início essa esse afastamento dos vínculos, ele é muito ligado a a um a um discurso assim, ah, se eu não quero que você conviva com essa pessoa, eh, porque tem ciúme aí, acha bonitinho, nossa, você tem ciúme de mim, olha, ah, porque me ama muito, agora é a minha família, né? Isso agora é a gente aqui, né, na nossa casinha e isso vai sendo travestido de amor. Uhum. eh até que ocorre aquele momento em que a mulher se vê afastada da família, dos amigos, eh às vezes até mesmo no emprego, o o autor dessa violência, ele acaba afastando ela do do emprego, porque aí tem ciúme do chefe e aí aquelas coisas de, ah, porque o seu chefe, seu chefe não sei não, deve estar querendo outra coisa, né? Isso vai isolando a mulher quando ela se dá conta anos depois, ela não tem mais vínculo. E as e as mulheres que deixam situações de violência assim, eh, comum, muito comum esse relato. Eh, elas não encontram mais, por exemplo, ah, vou ligar para uma amiga para sair, não tem. Eh, se afastou de todo mundo, ela perde a identidade, ela não sabe mais o que ela gosta, onde ela quer ir, o que ela quer fazer. é muito eh eh triste essa situação de violência e muitas mulheres não sabem que fora desse ambiente aí de amigos, de família que normalmente acaba se afastando, ela tem apoio no serviço público, ela tem apoio numa rede jurídica. Então é muito importante e por mais que a gente fale com as palestras que a UAB faz muito, a gente na guarda faz bastante também, mesmo assim é grande o público quando a gente vai conversar que diz: "Eu não sabia disso, eu não sabia que tinha um programa, eu não sabia que eu tinha esse caminho". Ou até mesmo para pessoas que queiram ajudar mulheres em situação de violência. Às vezes é uma mulher do trabalho, é uma vizinha que você percebe ali que tem uma situação de violência, não sabe o que fazer. pode procurar o programa Gama na Guarda Municipal que a gente orienta também essa pessoa como ajudar. Eh, isso é muito importante. Então, era para aproveitar o gancho da Dra. Fábia, né, e e falar disso que é muito importante, divulgar informação, importante, falar do programa, falar da UAB, que pode buscar a UAB, que também faz essas orientações, faz os encaminhamentos da mulher. Então, é muito importante porque a informação é fundamental paraa mulher que tá em situação de de violência. Voltando então a prática, agora a prática, eh, você pode impedir um agressor, se ele paralisa ou se ele pode ficar ainda mais violento depois do spray. Eu não fiz o teste com esse spray específico, né, que eh vai ser autorizado agora pela Anvisa. Uhum. Assim que ele tiver disponível, que eu tiver acesso, eu vou fazer o teste e quem sabe retornando uma outra vez, eu posso te dizer a diferença do que a gente usa como força policial desse, se é se um é mais potente que o outro ou não, mas eh entendo eu que para esse spray ter sido liberado, né, e com essa prerrogativa de ajudar a mulher, sim, é para dar tempo dela fazer esse uso. é um uso individual, é direcionado para esse autor de violência, seja ele qual for, e que a ação ela é imediata, tá, né? Então, receber o jato no rosto já vai trazer esse incômodo nos olhos, eh, no no nariz, porque é como se você tivesse respirando mesmo, eh, pimenta. Então, isso traz aquela incapacitação ali para que ele conclua ou que ele eh continue com essa agressão. E isso é para dar o tempo exato pra mulher sair deste local, OK? E acionar. é muito importante que faça o acionamento a partir daí de um de um operador de segurança pública, seja a Guarda Municipal pelo telefone 153 ou a Polícia Militar pelo telefone 190, mas que ela faça imediatamente o acionamento para que a gente possa e ela guardar num local seguro, né? Eh, para que a gente possa então fazer a detenção desse indivíduo e fazer a condução ao distrito policial. Isso é fundamental aí para que a autoridade policial tome as medidas decorrentes eh eh desse dessa situação. Por exemplo, se for alguém que está descumprindo uma medida protetiva de urgência, né, eh a ele está sujeito a uma prisão em flagrante pelo descumprimento da medida protetiva. Se for o caso de uma importunação sexual, de uma tentativa de estupro, também fala-se de um outro crime e aí a autoridade policial pode eh aí deliberar pela prisão, por exemplo. Então, é muito importante que após eh se chame um operador de segurança pública. O ideal então é que esse spray seja igual ou parecido que é utilizado pela força policial hoje. Sim. Sim. Para que tenha esse efeito, né? Então eu faço uso e e qual que é esse efeito? A pessoa paralisa? Ela é muito forte. É, é, eh, falei paralisa, mas não é exatamente isso. O, o neuroincapacitador é o, o, a taser, né, ou o, o, a arma de condutividade elétrica, arma de choque, comumente conhecida. Mas este spray ele traz essa é uma sensação muito ruim mesmo, né? Do olho lacrimejar. Você não consegue enxergar, arde, traz essa ardência para os olhos, para o nariz o incômodo. Eu fico às vezes quando a gente passa pro treinamento, fico dias com gosto de pimenta na garganta. Então ele ele traz um incômodo realmente muito ruim. E aí a pessoa vai se voltar para isso, né? Para pr essa questão aí do do rosto, dos olhos. E isso vai impedir ou é para impedir que ela continue eh ou que volte a tentar fazer uma agressão. E aí aí que é importante é que a pessoa realmente a mulher se afaste, saia daí, né? Se afaste. É o tempo para isso, para ela se afastar, buscar um lugar seguro e fazer o contato com o operador de segurança pública. Então a mulher ela mira no rosto desse agressor, tem algum tempo, alguma coisa? É o jato, né? Você fez o jato, por isso que fala da ação moderada, né? Eu vou usar até o momento que eu incapacito. Parou agressão, já reagiu a a a esse a esse eh spray, eu saio do local, eu paro e saio do local, tá? Essa é uma a prerrogativa inicial, né? Então eu faço o uso. Direcionei o jato, acertou. Ele já sentiu ali, eu eh já paro e vou para um lugar seguro buscar ajuda. Fábia vai conseguir se diferenciar legítima defesa de uso indevido. Esse é um problema que pode se criar. Pode. Só que eu vou aproveitar o gancho agora da comandante também para falar sobre o spray. O spray que tá sendo utilizado na legislação, ele é um spray de 50 ml. O jato é menor, não é como spray de pimenta da polícia, que o jato é um pouco mais dispersivo. OK? E a substância, eu espero que a Anvisa revise isso, mas a substância que eles estão pretendendo usar, ela é de menor potencial, ou seja, não se sabe na prática se aquilo vai ser o suficiente, um primeiro jato, para que a vítima, seja de uma violência urbana, de uma violência eh doméstica, consiga eh momentaneamente paralisar o seu agressor ou seu assaltante e consiga eh pedir ajuda ou evadir isso do local, mas é fundamental. Há a possibilidade sim de irritar mais ainda a pessoa caso aquela vítima não consiga mirar nos olhos ou não cause o efeito esperado. Pode acontecer do agressor ter uma reação eh inesperada, mais violenta, que cause um problema maior pra mulher. Então espero que a Anvisa revise a substância que seja utilizada, que coloque similar realmente ao spray de pimenta utilizado ao da polícia. E com relação à pergunta que você me falou sobre a legítima defesa ou uso indevido. Isso. Então, eu considero como legítima defesa, mas pode acontecer sim de, por exemplo, eh, a pessoa não está sujeita vítima a uma violência, apenas ainda há uma discussão. E por isso que existe o uso moderado, que a comandante falou, e tem que também ter o uso consciente. Aquela mulher não pode utilizar o spray de pimenta numa briga doméstica ou numa briga num discussão de rua. É única e exclusivamente para impedir a ameaça iminente. Caso contrário, realmente não briga ali no ponto de ônibus, a pessoa sente no direito discussão de trânsito, por exemplo, que é muito comum, entendeu? Realmente daí a pessoa que não é um agressor, ela pode realmente buscar a justiça, procurando até uma indenização contra aquela pessoa, dependendo do que for causado em termos de malefício para ela. Só pra gente explicar, então, em quais situações a mulher pode responder judicialmente pelo uso do spray? Quando ela usar excessivamente, quando ela usar indevidamente, ela não está sendo ameaçada, não há uma ameaça integridade física dela, nem a integridade sexual dela. Simplesmente ela tá utilizando aquilo para uma discussão, uma discussão corriqueira de trânsito, de como você citou um ponto de ônibus. A ameaça tem que ser a integridade daquela mulher, não uma discussão eh comum. Como que a justiça costuma analisar casos de legítima defesa? A legítima defesa, ela tem que ser única e exclusivamente para que a pessoa ela se resguardou do direito à integridade física dela. Eu me defendi para resguardar minha integridade física. É nesse aspecto, qualquer coisa além disso, por exemplo, tudo bem, pode acontecer de ser uma filha, uma amiga que tá do lado, seria o estado de necessidade, mas a justiça vai avaliar caso a caso. Ainda vão surgir jurisprudência com relação a esse spray, ainda vai ter muita discussão, a gente só vai descobrir, né, comandante, na prática. É a hora que tiver valendo. Comandante, como é que você é na vai ter um preparo, vai ter um treinamento para vocês neste momento aí? Porque certamente o agressor alguém vai se justificar que ele não estava fazendo aquilo. Como é que a Guarda Municipal ela tem esse preparo para poder fazer essa análise aí do agressor que recebeu spray de pimenta ou se foi uma briga, uma confusão, uma discussão ali, algo que talvez não precisasse utilizar esse spray. Gabriel, aí não é necessariamente com a gente, né? Então, fez o uso do espargidor eh do spray de pimenta, chamou a Guarda Municipal, nós vamos até o local. Lógico que a gente faz uma análise aí prévia do que foi que aconteceu. Houve a vítima, houve o o suposto agressor e essa ocorrência deve ser encaminhada ao distrito policial para que se faça o registro de do boletim de ocorrências. E aí cada parte faz o relato no BO do que foi que aconteceu para que a partir daí sim eh se possa avaliar esse caso com maior propriedade eh inclusive daí da conversa do delegado, eh, ou de outras investigações que possam ser feitas após. Então, a partir daí é que se verifica mesmo se eh foi um uso abusivo, se não foi, se poderia ter sido evitado o uso ou não. Então, aí vai depender do que acontecer eh naquela situação específica. Então, cada caso, na verdade, aí passa a ser um caso a ser avaliado, a ser discutido. Importante é que, eh, a mulher saiba como usar esse esse espargidor, esse spray de pimenta, tenha essa consciência e então trabalhar também a conscientização disso. Olha, eu só posso usar em determinadas situações, ter este controle para esse uso moderado. Então, é o uso que eu faço até cessar a agressão. Uhum. ou a eminente agressão, eu consegui que que o meu agressor ou pretenso agressor tá ali, ele não vem mais porque ele já está eh eh cuidando dessa desse incômodo que traz o spray, eu me afasto e pronto, acabou, vou buscar a ajuda. É muito importante isso, trabalhar essa consciência. Pera aí, eu tenho spray de pimenta, eu posso usar, mas quando eu posso usar? Em que circunstância? em que situação existem também ele estar também ele está eh eh na mão, né, assim, eh de de fácil acesso, fesso, porque senão eu posso aí eh inclusive passar por uma situação de violência e eu não conseguir acessar eh o meu espedidor. Então, se é uma mulher que tem medida protetiva de urgência, ela tem um agressor, no caso da violência doméstica, e ela conhece esses atos, ela sabe quais são os locais em que esse agressor pode aparecer, né, de repente. Então, ela já ter esse preparo de onde está esse meu espargidor, que eu possa eh sacá-lo rapidamente para fazer esse uso ou eh não sei, a mulher que faz um deslocamento por um percurso que ela acha que esse percurso ele é inseguro ou que ele pode trazer alguma insegurança, pode trazer algum tipo de abordagem que seja uma abordagem agressiva. Então também isso é importante, né? Porque se deixar guardado dentro da bolsa ou não sei dentro de uma mochila, que a mochila tá nas costas até você ter acesso, se for o caso, aí que precisa da consciência, que se eu tiver fácil acesso também e for usar indiscriminadamente, isso pode trazer um outro problema. Sim, existem situações que ele pode ser mais eficaz em diante de um ambiente fechado, de um ambiente aberto, um ambiente com mais pessoas. um ambiente com mais pessoas, eh, ele, um agressor, talvez ele possa ser contido por outras pessoas, né? Eh, não sei, tô num bar, num restaurante, num ponto de ônibus, eh, aí já é um ambiente aberto, né? Mas ele pode, de repente ser contido por outras pessoas, você tem a mais facilidade em se desvencilhar de uma agressão. Se não for possível, né, aí faça uso também. Mas eh creio eu que esse uso ele possa ser mais utilizado numa situação aí eh mais de dois na rua, num ambiente em que a mulher não tenha outras pessoas que possam auxiliá-la. Fábia, e depois a comandante, vocês enxergam a necessidade de algum treinamento para utilizá-lo de uma maneira correta? um treinamento, uma consciência, porque até mesmo aproveitando o gancho da comandante, um ambiente aberto com muitas pessoas, a mulher não tem mira, imagine só o agressor é um, você acerta mais duas, três pessoas ou acerta em alguma criança. Não se sabe qual o quanto pode lesionar, o quanto pode ocasionar. Então, realmente concordo com a comandante, tem que ter uma noção, uma moderação e uma consciência. E algo também que a comandante falou que eu acho muito importante, estar guardado por conta de crianças. A mulher tem que ter uma consciência que tem que tá guardado, é uma arma, tem que tá guardado devidamente no local que não tem acesso às crianças, porque dentro de casa, se ela tiver a posse, dentro de casa, ele vai est lá. Então, mas não é só isso. Por exemplo, uma criança pode pegar e numa brincadeira acabar causando mal a outras crianças, entendeu? Então é uma arma, tem que ser, tem que ter consciência de uso, de quando guardar, onde utilizar e moderação também, porque você não pode utilizar eh o spray a cada discussão que você tiver. É só realmente para você poder escapar daquele momento de ameaça, seja uma violência urbana ou seja uma violência doméstica, porque senão vai ter muitos precedentes judiciais, porque provavelmente vai ter, vai ter muitas ações. Então é assim, eu acho que é fundamental a mulher ter uma noção. Eu acho que seria interessante fazer uma cartilha, sabe, ser distribuída pras mulheres, as escolas, pô, eh, até nas sedes de apoio para elas ter uma noção de o que é o spray, como você pode utilizar, quando você pode utilizar, se você utilizar indevidamente, o que vai acontecer para você? Esse conhecimento acho que é fundamental, comandante. É favorável também este treinamento porque ele é de fácil manuseio, né? Sim. Mas isso que a falou sobre as consequências, onde usar, como utilizar, veja como importante é preciso. Acho que e tem aí uma gama de mulheres e a gente nunca nem viu um spray, né, de pimenta. Então é importante sim que eh que tenha eh o uso dele de fato não é complicado, né? Porque você n seu, ó, estic o meu braço, eu direcionei pro seu rosto, né? E e então eu tô aqui com o meu esp essa distância que a gente tá, por exemplo, a distância aqui do braço de 1 m, né? Eh, para que também o spray possa alcançar você, senão então nessa distância eu estiquei meu braço e então ele já vai necessariamente direcionar, né? Ou ou se for um homem muito alto, né? Também você tem essa essa linha aqui de de visada, ele é alto, eu vou erguer meu braço, tá? direcionado pro seu rosto. Pronto. Pode eh outras pessoas, se se eu se tiver outras tiverem outras pessoas próximas, pode ser que sintam, sim, pode, né? Mas não é algo que causa um dano permanente de forma alguma. Isso passa. Lava com água corrente, lugar ventilado e tudo bem, ele vai passar. Demanda um tempo, né? Ali alguns minutos. Vai depender também um pouco da da sensibilidade de cada um, mas vai demandar alguns minutos ali para isso melhorar, principalmente se você não tiver disponível ali naquele momento a água corrente para lavar o o rosto. Se a pessoa de fato esfregar os olhos, vai demorar mais, vai provocar mais ardência, eh vermelhidão na pele. Então é para ser o suficiente eh esse eh esse jato, né? Então, teoricamente, não tem e e dificuldade em fazer esse uso, uma vez que é só você direcionar para o rosto. Em casa, lógico, também precisa sim ter esse esse cuidado. E a pessoa ao receber esse jato normalmente eh ela fica meio desesperada. É comum isso. Uhum. É como o o gosto de pimenta fica na boca, fala: "Ai, não consigo respirar, não consigo". Então, se é se é um acidente, se aconteceu em casa, eh, ou de alguma outra maneira, aí tem que tentar acalmar a pessoa para que ela perceba que ela pode respirar assim, que tá tudo bem, que vai passar, mas causa um uma situação ali. Alguns ficam bem no treinamento, às vezes alguns ficam bem ali, nossa, a garganta. Então, eh, eh, é interessante, mas de fato essa consciência para o uso, ela se faz necessária, esse mínimo de treinamento. Então, é importante também que você em casa tenha contato com esse spray. Ele é pequeno, né, mas que você tenha contato e eh faça esse movimento, eh, para, para ter aí esse controle do equipamento. É importante. Ô, Fábio, essa nova lei pode aumentar essa sensação de segurança? Ah, eu acredito que sim. É uma possibilidade a mais de defesa paraa mulher, principalmente para nós que saímos de casa, nós nos preocupamos diariamente. Toda mulher tem essa preocupação. Então, na verdade, ele, além de servir para uma defesa, para uma mulher que sofre violência doméstica, ele também serve para eh uma violência urbana. Então, acredito que a segurança aumente, com certeza. E essa questão da defesa pessoal, isso é importante também, que as mulheres tenham acesso, tenham conhecimento. Fundamental. Eu acho que toda mulher deveria fazer conhecer a defesa pessoal. É fundamental, porque foi o que a comandante falou, às vezes o spray tá dentro de uma bolsa até se retirar. Às vezes a forma como aquele agressor de violência urbana, de violência doméstica chegou até você, então realmente você ter uma noção da violência do da da defesa pessoal é uma vantagem para aquela mulher, diferente de uma outra que não saberia como se defender fisicamente. Com essa sensação de segurança, podendo portar esse spray de pimenta, pode incentivar mais denúncias, porque a gente sabe que o medo é um dos principais fatores, né, que acabam impedindo as mulheres de denunciar. A partir do momento que você tem esse spray, que você tá se sentindo um pouquinho mais segura, a partir do momento que começa, você entende que mais denúncias podem acabar acontecendo? vai acontecer as duas situações, vão ter mais denúncias e ao mesmo tempo vão ter mais eh reclamações do lado oposto de agressores dizendo não foi eh não houve essa foi injusto, foi injusto. É, enfim, ampla defesa, o contraditório e mune eles de uma certa forma, mas pra mulher é sempre positivo, é mais uma oportunidade de defesa para ela, para vocês duas agora, Fábio e comandante Maria de Ludes, numa resposta anterior da Maria de Ludes, ela disse: "Olha, as mulheres estavam pedindo há muito tempo, né, para que tivesse esse spray de pimenta." O Brasil demorou para discutir esse tema muito, muito. É algo, como a comandante mesmo falou, é algo tão simples. Muito tempo, muito tempo. Há quanto tempo comandante é utilizado pela polícia, senhora sabe? Mais ou menos de pimenta? Ah, quantos anos? Ah, tem. Eh, eu estou na guarda há 30 anos e eu já tenho paridor desde que eu entrei na guarda. Eu acredito então que isso daí no mínimo saiu Maria da Penha já deveria desde 2006 já ter essa possibilidade de defesa da mulher, não só por conta da violência doméstica, mas por conta da violência urbana. Demorou. Demorou muito, comandante. Demorou. Pode ser que tenha demorado, sim. É, é um equipamento importante mesmo. Eh, mas é uma discussão que que teria que ser travada mesmo. Eh, eh, é uma demanda que eu escuto muito das mulheres. Ah, eu queria ter um spray de pimenta, queria ter um spray de pimenta. Então, é uma eh, sem dúvida, vai trazer uma e segurança é sensação, né? Eu tenho a sensação de estar segura com aquele equipamento. Eh, se eu estou segura de fato, é mesmo eh só ali a situação que vai me dizer. Então, é importante, é importante saber também e aí eh é necessário, vai ter uma instrução com certeza quando a mulher receber esse esse spray, né? Eh, para que ela saiba que dependendo da situação, pode inclusive ela receber também um pouco desse desse esprento. Ela também precisa saber como é que ela vai fazer se por acaso for atingida. Isso é comum em em diferentes locais. Às vezes, eh, a gente usa o espargador de pimenta em alguma situação, eh, que não tem jeito, tem um vento contrário, vem para você também. Então, dependendo aí da situação, é importante que saiba que isso pode acontecer, mas numa numação que seguramente vai ter, inclusive tá previsto que se tem, é que a mulher seja orientada em como usar. E mas reforço que é necessário que a gente pense também em outras situações, né, de segurança que são importantes e que vão trazer ao longo do tempo uma segurança mais efetiva mesmo paraa mulher, com uma série de ações que são importantes, que já são feitas e que a gente precisa aí aumentar o alcance dessas ações para que, de fato, a mulher esteja segura. Eh, o Fórum Brasiro de Segurança Pública, né, traz nas suas pesquisas, sempre nos seus trabalhos, eh que o lugar que a mulher está mais insegura, infelizmente, é dentro de casa. As agressões, de fato, acontecem no ambiente doméstico, dentro do lar, naquele lugar em que ela teoricamente deveria estar bem protegida. E aí dificulta pra guarda, né? Porque não tem, muitas vezes não tem câmera, não tem acesso, não fica sabendo, até ela eh chegar naquele ponto em que a mulher de fato eh vem paraa agressão física, que é quando é agressão visível, a hora que ela de fato já não suporta mais, ela já vem sofrendo agressão há muito tempo. Então essa agressão quando a gente fala de violência de gênero, ela acontece em sua ampla maioria dentro do olar e de fato é onde a gente não vê. Sobre essas outras ações que a comandante Maria de Ludes citou, Fábia, quais políticas públicas precisam avançar no nosso país? Ah, uma maior conscientização acima de tudo, porque eu acho que a principal coisa que falta é conhecimento. Como a comandante bem falou, a maioria das pessoas com as quases a gente vai conversar na sala de conversa e palestras, a fase que é mais comum elas utilizarem, eu não sabia, eu não tinha esse conhecimento, sabe? Só da física, provavelmente, né? violência física e considera só, às vezes a pessoa acha que a violência doméstica é só física, ela desconsidera as outras, entendeu? E às vezes ela não se reconhece, quer dizer, tem que ter uma ação conjunta, tem que realmente, como a comandante falou, entendeu? Eu acho que o conjunto da obra são todos esses meios para realmente poder defender a mulher, porque a maior agressão é em casa. E uma coisa que eu também acho muito interessante, a mulher tem uma rede de apoio. Campinas é enorme, não dá tempo da polícia chegar a cada esquina que tiver ocorrendo uma violência. Então, você tendo uma rede de apoio entre amigos, vizinhos, você poder ativar aquela rede de apoio para que uma vizinha ou vizinhos vão atar sua casa, possam inibir aquele agressor. Isso é importante até que a polícia possa chegar. Comandante, como é que você enxerga as políticas públicas que nós temos hoje? É preciso avançar? É, como disse inicialmente, a gente já avançou bastante em relação à Lei Maria da Penha, né? Foi um ganho e trouxe aí outras legislações, encorajou mulheres a a fazerem outras denúncias. E então a gente tem uma série aí de legislações importantes para para proteção da mulher e é preciso fazer a denúncia de qualquer forma. Eh, tem que fazer o boletim de ocorrências, precisa pedir a medida protetiva de urgência, então a mulher precisa se cercar. A gente tem um histórico de feminicídios em Campinas, por exemplo, que são mulheres eh e ou que fizeram boletins de ocorrências. Às vezes é dito, ai, mas ela tinha feito cinco, seis bos, eh, ela não tem medida protetiva. A medida protetiva ajuda demais, ajuda demais. Eh, só com o SOS Gama, que foi implantado em 2024, só prisões por descumprimento de vida protetiva a partir da implantação do SOS Gama foram 33. Então, eh, é só pelo acionamento do botão. Então, são agressores que estavam descumprindo essa medida protetiva, foram presos. que saíram eh desse das ruas, né, desse dessa possibilidade de se manter agressor daquela mulher. Fora prisões, o ano passado, não vou me lembrar exatamente, mas acho que mais umas 40 prisões por descumprimento de medida protetiva a partir da ligação do telefone 153. Então é uma outra garantia que a mulher tem. Uhum. eh aquele e e quando ela está no programa Gama, por exemplo, o autor de violência, ela fez a medida protetiva, ele não tomou ciência ainda, não, ele não foi localizado ainda para tomar ciência daquela medida protetiva. Então, a gente chega no local, ele está lá, é um, não é um flagrante de descumprimento porque ele não tem conhecimento, mas a gente desloca esse cidadão até o distrito policial. Uhum. Aí lá ele toma ciências. fala a partir de agora, se você sair daqui e fizer contato com a mulher ali na esquina, você vai ser preso. É um outro ganho que a gente tem quando a mulher faz a denúncia. Então, eh, são essas medidas importantes. Eh, claro que a celeridade da lei, da aplicação da lei, ela é muito importante para ter esse efeito ali imediato para que ele perceba logo que, opa, né, eh, essa mulher aí tá protegida, essa mulher tomou uma atitude que, eh, ele não esperava que ela tomasse. Então isso é muito importante, essa eh essa são essas ações, ela buscar a rede protetiva para ela conseguir eh ter melhorar sua autoestima, ela conseguir ter força para se manter fora de uma relação eh de agressão e a celeridade da lei, do cumprimento da legislação para que esse homem também sinta logo na sequência que olha, essa mulher aí não quer mais. Ô Fábia, você, a senhora e a comandante Maria de Lourdes citaram a importância dessa informação chegar até as mulheres para elas conseguirem identificar que elas estão sofrendo violência, o que fazer depois eh de receber essa agressão. Mas e do outro lado, como conscientizar esse homem? Porque provavelmente ele sabe da violência, ele sabe que ele tá cometendo um um violação. Como fazer essa conscientização? como essa informação chegar de uma forma segura até ele também. Bom, nós temos o programa de o Serave, né, de reeducação daquele homem agressor. Eh, eu acho fundamental esses núcleos para que não só o homem tenha consciência, né, mas que ele também reflita que aquilo realmente que ele produz é uma violência. Por exemplo, uma das violências que eu considero a mais alastrante, a mais que perpetua por anos e a mais silenciosa, a violência psicológica. Uhum. Muitas vezes aquele agressor comete essa violência por anos, o tempo inteiro, e ele simplesmente pelo patriarcado, por uma questão de naturalização, ele não identifica aquela ação, aquela fala, aquele gesto como uma violência psicológica. E a partir do momento que ele está num centro de ressocialização, de reeducação como Serave, ele tem oportunidade de ter ciência e consciência das ações, das falas dele que estão provocando uma violência doméstica e psicológica. Comandante Maria de Lourdes, eh fortalecimento das delegacias da mulher é uma necessidade aqui no município? Nós temos aqui duas DDMs, né, que trabalham eh muitíssimo bem, são parceiras nossas de de serviço. Eh, temos contato direto com o os titulares das DDMs. Então, casos assim mais gritantes, a gente faz contato via telefone, aplicativo, olha, nós estamos aqui com um caso, assim, podemos encaminhar, ó, tem essa situação. Então, a gente tem um um trabalho importante com as DDMs, mais lógico, né, e eu vou legislar em causa de outro eh outro órgão, né, mas é preciso sim ter sempre um olhar diferenciado para paraas delegacias de defesa da mulher, eh com com efetivo, com treinamento, se for o caso, eh eh rotineiro, mas são profissionais altamente dedicados, profissionais que têm essa leitura da dimensão da violência contra a mulher. Então, Campinas tem esse privilégio de ter duas DDMs e isso faz diferença nesse atendimento. E esse contato direto que a gente tem, ele é muito importante essa acessibilidade eh com os titulares da DDM. A Dra. Fábia falando do homem, né, que faz essa essa violência, assim como tem mulheres que não se reconhecem numa situação de violência, não sendo a violência física e e muitas vezes ela também desconstrói como violência e justifica. Ela fala: "Ah, mas eu irritei, ele tava nervoso, eu deveria não ter dito isso, eu provoquei". E aí a mulher vai se imbuindo de culpa, né? ela tem culpa porque ela apanhou, a culpa foi dela. Da mesma forma tem homens e por isso que o será é importante, é importante conscientizar esse homem de que ele precisa eh eh se cuidar, que essa mulher ela pode sair dessa situação de violência e esse homem vai eh ser violento com outra mulher, ele vai fazer uma outra vítima. Então isso é importante e ele muitas vezes não se coloca nessa, não se reconhece nessa situação de autor de violência. também do contrário, muitas vezes tem isso mesmo na violência física. Fala, mas me irritou. Ah, mas poxa vida, ah, eu pedi tal coisa e não fez. Ah, porque eu cheguei em casa, tava como se isso validasse fazer e é uma violência física, mas também paraa violência psicológica, emocional, ele também não se reconhece aí como autor de violência. Já aconteceu em palestra de de homens falarem: "Nossa, eu acho que eu pratico violência com a minha mulher, eu não percebia dessa violência que está na rotina às vezes de desmerecer a mulher eh eh num convívio de amigos, de churrasco, falar coisas em relação à mulher que denigrem a sua imagem. E aí a gente precisa muito de homens que nos ajudem a conscientizar esses seus parceiros ali de trabalho, do futebol, de de qualquer local para dizer: "Olha, eu acho que você tá cometendo uma violência com a sua mulher. Acho que essa fala que você tá fazendo em relação a ela não é uma fala adequada. E isso acontece bastante e passa muitas vezes como rotina, como uma brincadeira. Eh, e aí para isso que a gente precisa muito dos homens, para compor com a gente nessa defesa e nessa conscientização de dizer: "Olha, vai se tratar, você tá precisando eh cuidar disso porque você é um autor de violência, dessas violências que a gente normalmente não entende que são a emocional, a psicológica, a a violência eh patrimonial." Uhum. aquela mulher que depende financeiramente do marido, é muito triste, porque ele impõe, se impõe e com com o dinheiro que ele leva para casa, como se a mulher, pelo fato, por exemplo, de que é uma mulher que não trabalha fora ou se trabalha fora, não recebe, não ganha tão bem como se ela devesse se submeter a uma série de coisas que hoje não cabem mais. Perfeito. Até mesmo a violência sexual. Uhum. né? que existe dentro do casamento. E é muito difícil ainda hoje, tanto paraa mulher quanto o homem reconhecer que existe a violência sexual dentro do casamento. Correto? Exatamente. A partir do momento que falou não interrompe ali mesmo qualquer qualquer momento. Qualquer momento. Estamos já na reta final aqui do nosso programa sobre os programas que a Guarda Municipal mantém de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. Guarda amiga da mulher. O Gama acompanha mulheres com medidas protetivas por meio de visitas periódicas. Em 2025 foram 6.55 atendimentos. Sala lilás, um espaço de acolhimento e orientação para mulheres em situação de violência com o encaminhamento à rede de atendimento. O botão SOS gama, aplicativo que permite aos participantes do programa acionar a Guarda Municipal em situações de emergência. Então, como é que tem sido o trabalho realizado? Se quiser acrescentar mais algum que eu não citei, comandante, é, esse trabalho eh é um trabalho reconhecido dentro do município. Eh, também tivemos o reconhecimento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O programa Gama tem um selo de práticas inovadoras pelo trabalho que a gente desempenhou durante a pandemia. A única Guarda Municipal que tem eh esse selo do fórum. é um reconhecimento pra gente importante desse trabalho. Nenhuma mulher assistida pelo Gama, e nós já passamos aí de 5.000 mulheres, eh foi vítima de feminicídio, felizmente. Então, um programa que eh leva essa proteção de fato pelo número de prisões que a gente efetua. Às vezes tem mulheres que já não correm mais risco. O autor de violência foi embora para outro estado, voltou paraa casa da família em outro local e além quer sair do programa fala: "Não, eu ainda corro isso, quero ficar". Então, eh, isso pra gente é um reconhecimento importante. Fora os números, né? Que os números falam por si só. Então, de fato, nós temos tantas visitas periódicas, a sala lilás, que fica na base centro, o botão de emergência do pânico, que alguns chamam, mais o SOS gama. E também para quem não está na no na rede, no programa, a gente tem o telefone 153, que é o telefone de emergência, também muito acionado, infelizmente a gente queria que não fosse, mas é muito acionado. Daquela mulher por parte da mulher que está em situação de violência, ela liga no 153, o telefone de emergência ou munícipe, outra pessoa que identifica que uma mulher está em situação de violência e e faz a ligação. A gente atende também da mesma maneira. Para encerrarmos, o que que a mulher precisa saber antes de comprar e colocar esse spray de pimenta na bolsa? Fábia, ela precisa ter conhecimento de que há algumas medidas que ele precisa preencher. Ela não pode, como você mesmo comentou no começo, ela não pode ter nenhuma condenação por qualquer ação violenta. Ela tem que ser maior de idade, ela vai ter que assinar um termo de responsabilidade, porque querendo ou não, o spray de pimenta é uma arma, é uma arma de defesa, mas é uma arma. Ela vai ter que ter consciência de como usar, quando usar para que isso não reverta contra ela processualmente, futuramente. Tem algo que te preocupa nesta legislação, comandante? Não. Eu acho que é só mesmo essa responsabilidade no uso, efeito surpresa, porque também um autor de violência eh não vai saber, a mulher tem um spray de pimento, não tem, né? Então, eh, tem também essa essa situação que os homens aí deverão pensar, essa mulher pode ter um spray de pimenta e vai fazer uso, né? É, então não sei se tem, se não tem, então é melhor aí porque é ruim, traz um grande incômodo, sim, né? Passa, mas até passar é muito ruim. Então, eh, vamos aguardar o o caminhar, os primeiros usos e que a mulher tenha essa consciência e eu acredito que vai ter para esse uso adequado. E é assim aí uma mais um elemento que que pode auxiliar nesse momento de de necessidade, naquela situação que olha, eu vou ser agredida, então eu preciso eh garantir que esse agressor vai ser estancado por um momento, né, e até que eu possa buscar ajuda. telefonar com 53, 190 e e obter um outro tipo de ajuda. Daqui alguns anos, como é que vocês gostariam que essa lei fosse lembrada? Como uma medida importante de proteção ou foi um passo temporário até que a violência diminua? Um passo temporário até que a violência diminua. Sem dúvida. Eh, sem dúvida. Falar, pode até eh eh já revogar a lei que não precisa mais. Esse é o mundo dos sonhos, né? que a gente espera lá na frente que de fato esses números o reduzam sensivelmente. Fábia Bigarani, presidente da comissão de combate à violência contra a mulher da OAB Campinas. Muito obrigado novamente pela disponibilidade do seu tempo, as informações que foram trazidas aqui de grande valia pro nosso telespectador. Já faço um novo convite para retornar aos nossos estúdios, que seja sempre num cenário melhor do que o que nós temos hoje, mas também a gente pode falar sobre outros assuntos e fica aberto à suas considerações finais. Eh, gostaria de colocar um ponto que a comandante falou sobre as DDMs. As DDMs t um papel fundamental, mas também eu ouço muito queixa das vítimas e às vezes a vítima não tem condições financeiras de ir acompanhada de uma advogada com uma assistidão. Então, o conselho que eu dou para aquela vítima eh vá com uma vizinha, vá com alguém de confiança, porque às vezes você tá nervosa na hora de você explanar o que aconteceu com você e o outro lado não consegue entender exatamente o que aconteceu. Você estando com uma pessoa que está um pouco mais calma, uma pessoa de confiança do seu lado, uma que você vai se sentir mais segura e outra que essa pessoa vai conseguir verbalizar melhor o que você está passando, porque senão acontece muito da vítima tá muito nervosa, não conseguir se expressar e acabar retornando, falando assim: "Ah, a DDM não funciona". Não, a DM funciona, mas eu acredito que aquela mulher tem que ter um amparo. Por isso que é tão importante a rede de apoio e de bairro, de amigos, é fundamental. Maria de Lour de Sores, comandante da Guarda Municipal de Campinas, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Mais uma vez aceito o convite para participar aqui do Questão de Ordem. também informações importantíssimas para quem está nos acompanhando. Programa vai ficar disponível no YouTube também, então dá para voltar ver as explicações certinho de como funciona, da importância dessa medida que está sendo adotada em todo o país. Já faça um novo convite pra senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberto as suas considerações finais. Gabriel, eu que agradeço novamente esse convite por estar aqui, estar com a Dra. Fábia é uma uma defensora também dessa causa. Então, agradeço. Estamos à disposição para falar de de qualquer outro assunto em outro momento, eh, para falar que experimentar o spray, falar se é diferente, se não é, como é que é. Vou experimentar em você. Não, melhor não. Melhor não. Já faz um teste para você saber também. A gente pode fazer uma reportagem, vai algum repórter lá utilizar, tá certo? Eh, mais importante, né? eh para além do do do spray de pimenta, é a gente ter essa consciência que essa luta eh contra a violência, contra a mulher, ela é absolutamente necessária. Mulheres estão morrendo, são vítimas de feminicídio, elas morrem de verdade. Então é uma luta ainda que nós precisamos travar na nossa rotina, no nosso dia a dia, nas pequenas coisas, naquela violência pequena. a gente precisa rebater desde o menor indício de violência, eh, para que ele não se se eh torne amanhã um feminicídio. Então, isso é muito importante e é uma luta não só das forças de segurança pública, da OAB, mas dos homens que precisam compor com a gente essa luta para que mulheres deixem de morrer em razão da violência. Então, esse conjunto de ações, ele é muito importante pra gente reverter esse quadro. luta de todos nós, homens e mulheres. Vivemos em sociedade, precisamos diminuir o quanto antes, né, para ontem já esses números de violência, começando pela nossa cidade, estado e nosso país. Programa Questão de Ordem fica por aqui. Muito obrigado pela sua companhia, pela sua audiência. Continue na nossa programação e até sábado que vem. Ciao. Ciao. เฮ
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