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Olá, [música] começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje aborda o Outubro Rosa, conscientização, prevenção, a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama e também do colo do útero e mais, acesso a exames, tempo de espera, tratamento, reconstrução mamária, qualidade de vida e políticas públicas. De acordo com o levantamento estimativa 2026/202 incidência de câncer no Brasil, neste triênio são esperados cerca de 78.610 novos casos de câncer de mama no Brasil. Um risco estimado de 71,57 a cada 100.000 mulheres. Estudo organizado pelo INCA, o Instituto Nacional do Câncer, em parceria com o Ministério Público. No Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma, é o câncer mais incidente entre mulheres e o segundo maior na população geral. Apesar da maior prevalência acontecer em mulheres com mais de 50 anos, o número de casos entre mulheres mais jovens tem aumentado. Aqui em Campinas já foi iniciado a programação especial com o tema não é só uma cor, é uma causa. Vão ser oferecidos 2112 exames de mamografia por meio de serviços públicos, hospitais e instituições parceiros. Então, para discutir estes assuntos, eu recebo aqui no estúdio a Talita Coelho Paiva, ela que é oncologista clínica do Centro de Oncologia Campinas e a vereadora Paola Miguel. Talita, começo com a senhora. De que maneira analisa esses dados, né? Mais de 78.000 novos casos por ano, assusta? É esperado, tem o que fazer para não chegar a tanto? Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Muito obrigada. assusta pela quantidade de novos casos, mas tranquiliza um pouco porque a gente tá vendo os pacientes procurando rastreio antes e chegando pra gente com uma doença mais inicial. Uhum. E com isso a gente consegue aí quase 90% de chance de cura para essa paciente. Então os números são gritantes, mas nem sempre eh preocupantes, né? Porque essas pacientes com início de doença a gente consegue ter uma cura para elas, né? E aí quando você falou de 50 anos de idade, de da incidência, é o que a gente vê na literatura, é o que a gente vê na estatística, mas não é o que a gente vê no consultório. Cada vez mais paciente jovem, 30, 40 anos chegando no consultório com diagnóstico de câncer de mão. Então já já nós vamos falar sobre mamografia, sobre os exames, sobre sintomas, o que que precisa ser feito para essa população de 30, 40 anos. Tem muitas informações importantes que nós vamos abordar ao longo do nosso questão de ordem. Vereadora Paula Miguel, quando nós falamos em outubro rosa, normalmente pensamos, né, na mulher fazendo o exame, mas para que isso aconteça, existe também a responsabilidade do poder público que a cidade de Campinas precisa oferecer para que a prevenção não fique apenas no discurso da campanha neste mês. Seja bem-vinda ao programa Questão de Ordem. Muitíssimo obrigada, Gabriel. Dout. Talita, é uma honra tá aqui. Quando a gente pensa, né, no outubro rosa, a gente vê, a gente pensa na maior conscientização da população para que elas possam buscar esse exame, mas a gente sempre fala que é muito importante fazer isso ao longo do ano todo. Então, conscientizar as pessoas para quando chegar em outubro a gente não ter o gargalo, né, um número maior do que a gente consegue executar de política pública. Então, a Dra. Trorita acabou de falar aqui, né, a cada vez mais jovens estão tendo, né, o diagnóstico de câncer de de mama. E a gente também precisa trazer isso nas campanhas de conscientização. Muitas vezes as mulheres só vão ter acesso quando elas têm 50 anos ou quando elas disse já estão no estágio um pouco mais avançado dos sintomas. Então a gente precisa fazer com que a população, através de políticas públicas tenham essa consciência e façam muitas vezes o auto exame, né? E a gente fala muito, né, do outubro rosa, né, diagnóstico em mulheres, mas não somente as mulheres acabam tendo o câncer de mama. Então é fundamental que toda essa formação chegue na ponta, né, chegue nas pessoas. E a gente também tem percebido como é necessário fugir muitas vezes do formato melhor, né, chegar muitas vezes no formato vertical, né, nas campanhas que passam pelas redes sociais, que passam por outros meios digitais. para que de fato ela chegue nas pessoas, principalmente na periferia. Ô Talita, quando a Paola fala sobre essa questão de gargalo, deste excesso, né, que pode acontecer agora, eh, no mês de outubro, eu lembro aqui no questão de ordem, sempre quando a gente fala sobre essa questão de saúde, né, remete à pandemia. Então, muitas pessoas falavam: "Olha, reprimiu". Obviamente, porque a urgência era outra e nos anos seguintes nós vimos aí um acúmulo de casos especificamente sobre o câncer de mama. Isso aconteceu, acontece até hoje. Nós temos um número maior de casos sendo registrados por conta de exames que não foram realizadas 2020, 2021, acho que até 2022 a gente teve ainda, né, muitos casos que acabavam preocupando ou isso já foi algo ultrapassado e ficou até nos últimos anos, na época da pandemia, né, da grande crise, a gente teve sim o a parada de fornecimento de exames para esses pacientes e até o próprio paciente ente que não queria e, né, correr o risco e fazer o exame. Mas o que a gente viu, tem é um estudo mostrando que o número de casos acabou sendo quase igual. O que mudou foi o o tamanho do tumor que a gente encontrou. Então assim, o número de casos não mudou muito. Mudou uma paciente que antigamente ou se tivesse ter feito o exame, tivesse tido acesso a esse exame, teria um tumor inicial. ela chegava pra gente no estágio três ou quatro, que seria o estágio mais avançado, e o quatro com a metástase já. Então, o que a gente percebeu foi que o número de casos ia acontecer, essas pacientes iriam ficar doentes, né? O que o que piorou foi o tempo de tratamento que a gente teve que oferecer para essa paciente, porque a doença estava muito maior. Ô, Talita, existe ainda muita confusão entre prevenção e diagnóstico precoce. Se uma mulher, ela pode fazer tudo certo, ter uma vida saudável e ainda assim desenvolveu o câncer de mama. Ainda sim. A gente tem histórias de pacientes que são triatletas jovens e que ainda sim tiveram câncer de mama jovens, né? 34, 35 anos, não bebendo, não fumando, sendo ativamente fisicamente ativa. Porém, na história da genética dela, né, do DNA dela, tem um um gene que propícia a ter a doença e aí ela manifesta a doença muito cedo. E prevenção e o diagnóstico precoce. A prevenção pra gente é fundamental. Quando a gente fala em rastreamento, em prevenção, é uma paciente que acordou, não tá sentindo absolutamente nada e vai atrás de um diagnóstico, ela vai atrás de um exame para saber se tá tudo bem com ela. Esse é o cenário ideal, porque normalmente a gente encontra doença no menor estágio possível. Quando a gente fala diagnóstico precoce dessas pacientes, eh, que que é o o rastreio trazendo pra gente o menor tamanho de doença e melhor qualidade de tratamento para essas pacientes. Quando a paciente chega no consultório pelo alto exame, que no Brasil é mais de 70% das pacientes diagnosticam câncer de mama a própria paciente, quando ela chega para auto exame ela já chega um pouco mais atrasado do que a gente gostaria que ela chegasse, chegando pela mamografia sem sintoma nenhum, né? Então, a diferença pra gente é gritante. Mamografia é o único exame que é realizado para a população no geral, a gente preconiza a mamografia como rastrei a partir dos 40 anos. E para a população que tem alto risco, ou seja, tem uma história familiar importante, eu já sabidamente tem uma alteração genética que faz eh que tem propiciidade para ter o câncer de mama, eh a gente preconiza fazer a ressonância magnética antes da mamografia, começando pelo menos com os 30 anos, que a mamografia começaria com os 40. Paola sobre as ações que estão sendo realizadas aqui na cidade, entre as principais iniciativas estão multirões, ampliação da oferta de exames, avaliação das mamas, ações educativas sobre o câncer de mama, agendamento das mamografias que deve ser realizado por meio do disc saúde número 160. Além disso, rodas de conversa, palestras, atividades físicas e de bem-estar. Na sua visão, isso está adequado ou ainda existem lacunas na cidade aqui de Campinas? Eh, isso tá adequado, né? Mas ainda existem lacunas. a gente percebe que tem uma diminuição da disponibilidade do ginecologista no centro de saúde. E isso muitas vezes faz com que eh as mulheres, né, apesar de no Brasil ser muito divulgado, né, o alto exame, né, e a maior parte dos diagnósticos chegarem através disso, muitas vezes elas ficam sabendo através de uma amiga, através da rede social e não porque ela teve um médico, né, que a orientou nesse exame recorrente da ginecologia, né? Eh, e a outra coisa é quando a gente pensa, eh, por exemplo, assim, para onde eu vou, que eu busco, né? Eu tive aqui o o percebi que tava, né, que tinha alguma coisa, alguma alguma saliência, algum caroço, para onde eu vou? E muitas vezes a chegada novamente ao posto de saúde, né, para esse diálogo, ele acaba também demorando um pouco mais e fazendo com que essa mulher tenham mais tenha mais dificuldade de chegar até o diagnóstico. Então, quando a gente fala de dar uma quando a gente fala de outubro é o momento que a gente tem tudo isso disponibilizado, mas a gente precisava ter campanhas ao longo do ano para que a gente não concentrasse isso só em outubro. Porque, por exemplo, uma mulher que sente, né, essa saliência em janeiro, que que ela vai fazer em fevereiro, março, abril, maio, junho, né, até chegar ao mês de outubro, né? Então, a gente precisa ter isso mais disponibilizado e ter acesso muitas vezes a um ginecologista. Isso facilita e acelera esse diagnóstico, acelera a conscientização. E a outra coisa que eu acho que é super importante a gente falar também é sobre a reconstrução de mama, que hoje a gente tem as parcerias, mas o município de Campinas tem uma falha também nessa reconstrução, porque muitas vezes eh ele bem entre aspas ele é visto como sendo uma cirurgia plástica, quando na verdade não é uma cirurgia plástica, é uma cirurgia para garantir aquela mulher que ela vá fazer o tratamento completo, porque não é estética, porque eu já ouvi mulheres falando assim: "Mas e agora? que que eu vou fazer? Vou ficar e sem mama, né? Vou ficar minha vida também vai acabar dessa maneira, né? Então, acho que é super importante também a gente olhar pro município de Campinas a importância da gente ter a nível municipal também as reconstruções de mana mama acontecendo frequentemente e os nossos hospitais como o Mario Gat e o Ouro Verde. Porque isso garante que a mulher, para aquela mulher, né, que chegou num estágio mais avançado, né, ou que tava ali, acabou tendo um formação de metástase, que ela não tenha medo de dar continuidade ir até o fim do tratamento, porque ela sabe que tem a possibilidade depois, se for de escolha dela também, se for para mais confortável para que ela possa garantir saúde mental, inclusive a a reconstrução da mama, que isso pode isso significa pras mulheres de fato uma qualidade de vida. Talita a Paula trouxe alguns pontos importantes, né? O primeiro para esta mulher fez o autoexame, tá desconfiada, tá em dúvida de que tem alguma coisa errada ali, que pode ter um caroço, que que ela deve procurar primeiro? A área da saúde, o qual que é um possível local para ela? O que que essa mulher ela consegue na rede de saúde? É, a gente precisa entender os passos, né? A partir do momento que a paciente palpou algum nódulo, algum caroço na no corpo, eh, a gente não tá fazendo mais exame de rastreio, tá? A gente tem que diferenciar o rastreio que a gente faz em outubro, que eh faz campanhas e as carretas da mamografia para rastreio num diagnóstico para essa paciente. Então, o diagnóstico vai passar talvez por outros exames, possivelmente com a ressonância da mama para essa paciente, para entender melhor tamanho e como que a gente vai seguir a partir daí, né? Então, a primeira coisa é procurar um profissional de saúde, mesmo que seja no posto de saúde. Ai, mas só tem enfermeira, ela tá equipada, ela tá preparada para te direcionar para para quem é o responsável ali do caso no momento. E a partir de então começar os exames e entender o que que a gente vai fazer, cirurgia, quimioterapia, hormonoterapia e aí todos os tratamentos que a gente tem disponíveis. O Centro de Oncologia Campinas, ele tá participando dessa programação. Vai ter inclusive ciclos de palestras sobre tratamento, alimentação, direitos do paciente, redes de cuidados. Na sua experiência, quais são as maiores dúvidas que chegam hoje às pacientes de Campinas? Para minhas pacientes, em específico, o que eu vejo não é nem dúvida, é o que fazer depois do diagnóstico. Uhum. É igual ela falou da qualidade de vida, né? Não adianta a gente tratar a paciente e deixar ela sem mama, porque ela já tá num desespero de não saber como vai ser o tratamento, de não saber se vai dar certo, se não vai dar certo. Então, além de tratar essa paciente, a gente precisa tratar os medos e os anseios dela na lá no centro de oncologia nós temos uma equipe mul que cuida de toda essa parte, né? Então, o que o mais importante é ela saber que tem vida pós. Então, o pós câncer é muito pouco falado e muito vivido pelas pacientes. Então, já perdi meu cabelo e agora já perdi a mama e agora meu marido vai me largar porque tem toda a vaidade da mulher. Uhum. E aí tem entra no processo de menopausa, aí começa com ressecamento vaginal, não sabe se pode ou não pode tomar o hormônio. Então eu vejo hoje que precisa a gente tomar mais cuidado e e abraçar essas pacientes não é só tratar, é saber que depois de curada ela ainda vai precisar manter uma equipe com ela para regular o que foi desregulado durante o tratamento. E por na sua visão, por que que essas informações ainda não chegam às mulheres? Existe muito tabu sobre este assunto? É a questão do medo, do receio que muitas vezes acaba paralisando e as pessoas não vão em busca disso? Por que que essa informação não acaba chegando às mulheres? Eu acho que houve um tempo que o câncer era realmente muito perigoso e realmente uma taxa de mortalidade muito grande. Graças a Deus isso acabou. a gente tem muita paciente curando da doença, a gente tem muito tratamento novo para acontecendo, mas eh ainda ficou aquela mentalidade de que é uma doença ruim, de que alta taxa de mortalidade e ainda ficou aquela mentalidade, pelo menos eu estou curada. Hum. Tá ruim, mas eu tô curada. Tô sem mama, mas eu tô curada. E a gente tem que entender que não é só curar essa paciente. Não adianta a gente prolongar a vida se a gente não der qualidade de vida para ela, né? Então acho que o mais importante é mudar a mentalidade mesmo dos próprios pacientes que às vezes nem questionam, eles nem chegam com essa dúvida pra gente, porque ele fala assim: "Mas eu não posso tomar hormônio, eu teve eu tive um câncer de mama, então eu não posso resolver meu problema". pode, a gente tem sempre uma solução para essa paciente. Então, acho que eh lá a gente tem grupo com a psicóloga e mulheres que sobreviveram, entre aspas, né, o câncer e todas elas têm essas mesmas queixas que o que fazer depois. Ela tem dificuldade até de planejar a vida, né? Então, todo mundo planeja: "Ah, no Natal eu vou viajar paraa casa dos meus pais". Aí elas pensam: "Será que eu vou viver até o Natal?" Então isso isso acho que precisa, a gente precisa ainda ajustar. O tratamento melhorou, mas ainda a cabeça precisa lado psicológico, psicológico precisa resolver um pouco ainda, tanto paraas pacientes quanto pros profissionais de saúde. Eh eh eu acho que tem uma coisa que eu observo muito, né, Dutalita, que muitas vezes as pessoas têm até medo de falar a palavra câncer. Então assim, tem muitas pessoas que eu conheço que elas falam: "Ah, pode ser um CA como se fosse assim um grande tabu e você falar sobre isso já seria um problema". E aí muitas vezes, né, a gente nas divulgações, nas campanhas, né, a gente fala até o diagnóstico. A gente não fala eh de como vai ser a vida daquela mulher, a gente não fala de como que vai ser o tratamento. Muitas delas muitas vezes acabam, né, durante o tratamento tendo que se afastar do trabalho, né? E aí elas pensam assim: "Que que vai ser minha vida? depois na hora que eu voltar pro trabalho. Então existe uma grande desconfiança pela falta de informação do que que vai ser esse durante e principalmente o pós. E aí o que acaba chegando, né, de novo a gente usa da grande mídia. Então assim, as eh as atrizes, né, as as modelos, né, que tiveram ali, tem até o caso da da Angelina Joli, né, que é um caso que ficou muito famoso sobre câncer de mama, que que não era eh câncer de mama, mas ela tava fazendo uma uma prevenção. Isso chega pra gente, mas aí muitas pessoas ficam assim, mas eu não tenho as mesmas condições, né, que essas atrizes, eu não vou ter a mesma qualidade de vida do que essas pessoas para realizar a reconstrução da mama. E às vezes elas desconhecem até mesmo aquilo que já tem, que já é oferecido pelo SUS, né, que já é direito delas. Então assim, eu acho que tem uma grande desinformações sobre o pós, né, assim, tipo, receber o diagnóstico, né, a vida ela não termina ali, ela começa uma nova vida de reconstrução da qualidade de vida e principalmente de pensamento coletivo. E eu vejo também muitas mulheres que passaram e venceram o câncer e que elas são muitas vezes que voltam paraos seus territórios. na periferia, nas cidades do interior, né, para poder fazer a conscientização de outras mulheres também, porque elas sobreviveram aquele aquele esse desafio, né, de saúde, mas conseguiram reconstruir a vida e também utilizam para poder fazer campanhas de conscientização. Isso é muito importante. Ota, a Paula relembrou este caso da Angelina Joli, que teve muito holofote na época, né, eh, muitas reportagens sobre este assunto. Eu queria retomar um pouquinho para quem está nos acompanhando. Ela retirou a mama pelo histórico que ela tinha na família como uma forma de prevenção. Como é que, do ponto de vista da saúde, como é que isso é visto? Isso é é aceito? Isso é polêmico? Precisa, não precisa, tem que ter indicação? as mulheres chegam até os consultórios perguntando eh se isso é viável ou não. Na verdade, a história da atriz em específico, ela tem uma mãe, uma tia, uma e uma avó, todas que faleceram antes dos 40 anos por conta de câncer de mama ou de ovar. Então, foi por isso que ela foi atrás, foi por isso que ela fez a investigação. A investigação que ela fez foi uma investigação de genética, tá? que é feita através de sangue ou suabe de oral, de saliva, né? O que que a gente procura? Algum gene que não funciona e por isso é propício para ter o câncer, tá? Tá? No caso da atriz, ela tem um dos genes mais famosos, né? De 5 a 10% das pacientes com câncer vão ser vão ter essa mutação genética. E a maioria da mutação genética vai ser BRCA1 ou BRCA2. são os dois nomes dos genes. Os dois genes são chamados de gene supressor de tumor. Qual que é a função deles? Suprimir qualquer célula que tá errada. Mas pacientes que t a mutação desde o nascimento, esses genes não funcionam, tá? Então toda a célula errada do corpo vai ficar errada e isso é muito mais fácil, mais propício pro câncer, ok? Então essas pacientes vão ter câncer mais agressivo e mais jovens, tá? Então, até homens podem ter câncer de mama que t essa mutação. Uhum. Né? Normalmente os os casos masculinos com câncer são de mutações genéticas. Quando a gente tem especificamente essas mutações BRCA1 ou BRCA2, no caso da atriz é o BRCA1, nós pr pedimos pra paciente, conversamos, entendemos o a situação, se ela quer ou não fazer, mas a gente pede para que seja retirada as duas mamas e os dois ovários, porque são os riscos maiores de tumor, câncer de mama, câncer de ovário, de próstata e de pâncreas para esses dois genes, OK? Tá? Então ela não fez nada absurdo, né? Não foi porque eu tenho dinheiro ou porque eu tenho acesso. Ela fez o que provavelmente o médico recomendou. Vamos tirar. Ela não tirou só as duas mamas. Com 35 ela retirou as duas mamas e com 37 ela tirou os dois ovários. Dois ovários, tá? Entrou na menopausa para evitar o risco de câncer que muito provavelmente ela teria se ela não tivesse ido atrás. E esse exame de sangue do SUAB também, ele é realizado aqui. Isso. A gente tem pacientes específicos, obviamente não é para toda a população, senão até mais assusta do que ajuda, né? Eh, a gente tem pacientes específicos, como no caso da atriz, que tem uma história familiar importante. Todos esses pacientes com história familiar podem se beneficiar do teste genético ou a própria paciente com câncer muito novo, né? Então assim, 30 anos um câncer de mama ou 50 anos um câncer de próstata, a gente consegue fazer esses testes genéticos por via convênio. Por serviço público ainda não está liberado esses testes pra gente realizar, mas com a atriz, né, gerando informação, esses testes baratearam muito e custam cerca de R$.800 pra população, tá? Otita, na sua resposta, você citou que os homens também podem ter câncer de mama. Por exemplo, você tem algum paciente? Tem, tenho um paciente com câncer de mama, assim como a atriz, ele tem uma mutação do BRCA1. Nós retiramos toda a mama desse paciente, como a gente faz com com as pacientes femininas. E ele usa hoje um inibidor de estrógeno, mesmo sendo homem, porque o que tiver sobrando de hormônio no corpo dele para que a gente consiga inibir, tá tratado, tá feliz, tá vivendo a vida. Uhum. E questão de agressividade entre homens e mulheres é igual é o tempo que você descobre a doença? Para homens é sempre mais agressivo do que as mulheres no geral, porque nós estamos falando de um paciente que tem uma mutação, tá? Um câncer de mama masculino. Então os pacientes que t a mutação vão sempre ter um tumor mais agressivo do que os pacientes que têm tumores, a gente chama de aleatório, né? Não causados pela essa mutação genética. Então eles vão ser sempre mais agressivos do que a paciente que que éa é causal por algum outro motivo. Ô Paula, a prefeitura ela anunciou também uma programação em vários centros de saúde com avaliação das mamas e solicitação de mamografias. O desafio agora é fazer com que essa mulher procure a unidade e principalmente consiga completar todo o caminho até o diagnóstico, dependendo do resultado o tratamento. Sem dúvida nenhuma. Eu acho que o nosso maior desafio é fazer isso chegar nas pontas, porque muitas vezes tem alguns territórios que eles são mais susdependente e a gente conseguiu perceber isso também no pós-pandemia, né? As pessoas elas tinham uma uma qualidade, uma condição de vida e aí passando a pandemia, muitas vezes elas voltaram a ser susdependente pela mudança socioeconômica. E aí muitas vezes, né, eh essas mulheres elas têm dificuldade de acessar o posto de saúde pelo horário de trabalho que ela tem. Então, o horário que o posto de saúde tá aberto, é o horário que ela vai est no trabalho. E a outra coisa é sobre a forma com que é marcada os exames nos postos de saúde. Tem posto de saúde que ele marca eh pros grupos específicos em dias específicos. Então, ai a você é do grupo amarelo, do grupo vermelho, do grupo verde, do grupo roxo. Você tem que ir um dia específico no posto de saúde, né, para realizar a marcação daquele daquele exame, assim. Então, eh, eu acho que a gente também precisa pensar a partir da lógica do que é a realidade das mulheres pra gente disponibilizar essas o a as mamografias, né, e todas as políticas públicas a nível municipal. Muitas vezes você abrind num sábado o posto de saúde garante que aquela mulher consiga ter acesso de fato, às vezes abrindo num domingo o posto de saúde, né, mesmo que seja o único do mês, né? Isso facilita muito e muda a realidade de quem trabalha o dia inteiro. E a gente sabe que a mulher ela tem a sobrecarga, né? Então ela chega em casa, cuida dos filhos, cuida dos mais velhos, né? Limpa a casa. Infelizmente a gente não tem essa divisão ainda de forma igualitária. Então as mulheres elas acabam se sobrecarregando. Isso também já foi observado que elas se colocam em segundo plano. A gente sempre fala assim, quem cuida de quem cuida, né? Então acho que é super importante a gente pensar em horários alternativos e de alternativos também para que esse posto de saúde funcione, para que as mulheres consigam acessá-lo. Ô Talito, eu falei na minha abertura que você é oncologista clínica, né, no Centro de Oncologia Campinas. Como é que é o trabalho? Quais são as dificuldades? Como está em questão de exames, de tecnologia? Lá, bom, lá no centro de oncologia a gente tenta fazer esse pegar esse paciente no rastreio e acompanhar esse paciente até o final da vida dele, mesmo que seja curado, acompanhar nessa parte da qualidade de vida e tudo mais. Então, a gente tem lá no centro de oncologia os exames que a gente consegue fazer, tem os os oncologistas, os radioterapeutas, as ginecologistas, urologista pros homens também, né? na cirurgião gástrico e temos nossa equipe multi psicóloga, nutricionista, a nossa enfermeira navegadora, que a função dela é basicamente ajudar a programar os exames, a ter esse contato com o médico que às vezes fica muito difícil a a facilitar a vida do paciente. Além disso, a gente tem um programa chama Integalmente, que essas pacientes já tratadas que não estão mais em tratamento conseguem fazer atividade física, cerâmica, yoga, dança, entre outras coisas, pensando que aquela paciente que sobreviveu, ela precisa viver bem, ela precisa esquecer que teve a doença e viver a vida, fazer só os exames de controle quando a gente pedir. Então a gente precisa ter o processo desde o rastreio até a qualidade de vida dessa paciente. Ô Talita, numa resposta anterior sua, você falou, né, sobre essas mulheres de 30 anos que muitas vezes estão chegando a até a clínica, que antigamente nos livros, né, falava assim no manual dos 50 anos, mas eh mulheres mais novas estão chegando também. Eh, existe uma idade para começar a fazer mamografia? Tem a ver com o histórico, para quem está nos acompanhando, né? Quantos anos? A nossa recomendação de mamografia para pacientes acima de 40 anos, tá? Tá? Para as pacientes que não tm nenhuma história de risco na família. Para as pacientes que têm história de risco na família, a gente pede que feja feito a ressonância e na mamografia, que é um exame um pouco melhor, 10 anos antes do caso índice. Então, ah, eu tive uma mãe com 40 anos, com câncer de mama, com 30, a gente vai começar a fazer ressonância nessas pacientes. As pacientes que já t um diagnóstico de alguma mutação genética, assim que descoberto, a gente começa a fazer ressonância para elas. Paola. No Brasil, dados recentes divulgados pelo Ministério da Saúde Inca e repercutidos aí em muitos veículos, entidades do setor apontam cerca de 76,6.000 novos casos por ano. Ao mesmo tempo, há um desafio, né? A cobertura insuficiente de mamografias e desigualdades regionais de acesso. Há uma preocupação com as mulheres que moram longe do centro de Campinas? Sem dúvida nenhuma. A gente hoje consegue observar, por exemplo, a região do Campo Belo, né, que tem que é um território super adensado e que não tem uma UPA ali próximo. Então, e as mulheres vão no posto de saúde, mas a partir do momento que o posto de saúde ele só abre em de segunda a sexta, em horário comercial, e essa mulher tem dificuldade de chegar em outros espaços onde a carreta pode estar, ela fica sem diagnóstico. E aí quando ela vai buscar muitas vezes essa ajuda, é quando ela já tá com sintoma. Então a gente consegue observar muito, né, principalmente as regiões a nível de Brasil, as regiões de mais difícil acesso. Então e de como a carreta, né, essas carretas que vão, que chega e permanecem ali no território muitas vezes uma semana, 10 dias, elas são revolucionárias. Então, na minha avaliação, a gente precisava pensar na cidade de Campinas essa mesma essa mesma estratégia, assim, então pensar em horários, né, para além do horário comercial, que é muitas vezes a mulher tá no trabalho, pensar em alguma atividade durante o final de semana, porque é onde muitas vezes você consegue ter uma maior liberdade de horário e fazer com que exista de fato uma descentralização. Quem passa pelo centro, quem passa tem acesso muitas vezes ao hospital Mario Gate, U verde, o UAM, o centro de referência, né, os CS. E aí você tem mais informação que também chega na região central. E aí quando você tá na periferia, nas pontas, isso vai até mesmo assim para para Piracambaia, Vale das Garças, o Vida Nova, regiões que são mais afastadas e que têm dificuldade também o transporte público, porque aí isso de fato torna um excludente. Muitas vezes a pessoa demora 2 horas para chegar no centro e aí ela vai demorar 2 horas para chegar no centro, vai ficar mais um tempo esperando para que para ser atendida para depois retornar pra sua casa. E aí, muitas vezes ela perdeu o dia inteiro de trabalho e aí e isso dificulta muito o acesso. Talita, dá para perceber desigualdade também presente em diagnósticos tardios? Dá, infelizmente é uma questão social, assim, quando a gente olha pro Brasil inteiro, a gente vê 70% de todos os casos de mamas concentrados na região sudeste e sul do país. Muito por conta de acesso mesmo, né? Talvez um programa, igual você falou, né? a gente tentar eh diluir essas mamografias ao longo dos anos, porque a carreta só acontece aos outubros. Sim. É uma carreta em fevereiro, né? Numa região que não tem acesso. Quem sabe a gente conseguiria mudar esse esse aí, né? Porque a gente vê cada vez mais as mulheres que têm dificuldade de acesso, né? Tem tem estados do país que tem duas máquinas de radioterapia no estado. Quando a gente tem duas máquinas lá na clínica aqui, então a gente tem uma um privilégio de estar numa região central e isso obviamente acarreta que a paciente que não está chega pra gente com diagnóstico mais tardio. Reforça sobre o tempo para quem está nos acompanhando. Tanto que faz diferença entre uma mulher perceber uma alteração, um nódulo, realizar o exame, receber o diagnóstico, começar um tratamento e aquela que demora para poder procurar um um médico, um centro de saúde. É o que a gente fala é quando a paciente chega no consultório, com ela palpando o nódulo, é pelo menos 2 cm, o nódulo, não tem como ser menor. A paciente, a própria paciente não consegue achar uma nodulação menor. Quando a gente fala na mamografia, a gente tem nódulos às vezes de 0,9 cm, 1 cm. Isso faz diferença. Ai, mas é 1 cm só. Mas faz diferença entre permanecer com a mama inteira ou a gente ter que tirar a mama toda dessa paciente de fazer quimioterapia ou não fazer quimioterapia, né? Isso muda completamente a qualidade de vida e a cabeça dessa paciente, o que que ela vai precisar pensar, né? Como que eu vou eh manter viva aqui a partir de agora? esse diagnóstico, né? Então, muda totalmente. Se quanto mais tempo eu deixar de fazer o rastreio, mais tempo a doença vai evoluir. Ô, Paola, você acha que a comunicação das campanhas consegue chegar justamente a mulher que mais precisa ou ainda estamos falando muito com quem já tem acesso à informação e pouco com quem está fora dessa rede? A gente tá falando com quem tem informação, basicamente quem precisa muitas vezes dessa conscientização não chega. E não chega porque a forma de conscientizar as pessoas hoje em dia, ela não é a mesma. Então você exibir uma uma propaganda na televisão, mesmo que seja no horário nobre, né, que ali maior pico de audiência, às vezes isso não chega nas pessoas. A gente precisa trabalhar muito, muito, muito com rede social, a gente precisa trabalhar com WhatsApp, a gente precisa trabalhar com outras formas de diálogo e comunicação. Às vezes você, eh, fixar um cartaz no posto de saúde também é insuficiente, porque eh a pessoa não tá acessando o posto de saúde, né? Eh, as campanhas que mais são mais efetivas, muitas vezes elas são no transporte público quando isso tá em massa e naqueles eh no relógio, mas isso também fica muito concentrado na região central. Então eu acredito, né, que a nas regiões mais afastadas, mais eh mais periféricas, né, eh com algumas eh classes sociais, a gente precisa pensar em formas alternativas de divulgação que até mesmo passe por espaços não públicos. Isso passa pelo centro comunitário, isso passa ali pelos pelos templos religiosos, isso passa pelas feiras noturnas, isso passa pelos supermercados do bairro, né? Isso passa muitas vezes pra gente utilizar estratégias eh como de carro de som, porque aí isso sim vai conscientizar as pessoas que estão ali naquele território, né? Porque aí elas ouviram ou alguém ouviu e falou com essa pessoa, tá? E às vezes até em colégio, tá? pode assustar, né, quando a gente fala, a vamos falar para criança sobre câncer, mas isso fica na cabeça dessa criança e quando ela chegar na idade ela vai procurar e com a linguagem apropriada para as crianças. Exato. Antigamente, né, quantas campanhas de escovação de dente tiveram em colégios e hoje a gente melhorou essa questão da escovação, né? Então acho que talvez chegar mais no colégio público, né, que ali a gente tem acesso à crianças. Quando elas chegarem em casa, elas falar: "Mamãe, tá na hora de fazer a mamografia". Uhum. Leva informação para dentro de casa, né? É. E as mães quando vão buscar as crianças também, né? Muitas vezes elas vem ali os cartazes, né? Eh, a tia da creche que informa, né? Às vezes fazer reunião com os pais também ajuda nesse momento. Exato. E acho que vai muito da época também, né? O meu primeiro emprego foi numa loja de roupa e eu lembro que na época, né, essa loja que eu trabalhava, ela fez uma campanha com muitas pessoas famosas, com a Angélica, eh, que era aquela roda, né, com escritos, tal, sobre câncer de mama. E aí funcionava muito, as pessoas iam até a loja, procurava essa camiseta, estava estampado também na televisão, acho que no horário nobre de novela, tal, e acho que funcionou muito pra época. Mas é o que a Paula falou, talvez hoje o foco não possa ser só esse, né? Acho que nas redes sociais, internet, em locais descentralizados. Então acho que as campanhas também precisam ter este olhar. E aí, Paola, eu acho que tem que ser de tudo, né? Desde governo federal, estadual, eh, municipal, instituições privadas podem entrar nessa também, né? Eu acho que é um, tem que ser um trabalho em conjunto e de forma integral, né? Tem uma coisa que é muito simbólica, que é a cor do mês, né? Então a gente fala assim, outubro rosa. E aí muitas vezes quando você passa a noite na prefeitura, você vê ela iluminada de rosa. A prefeitura, a Câmara Municipal, a casa de saúde. E aí as pessoas quando elas vem isso, elas associam a campanha. Então isso também é importante. Muitas vezes é sobre semiótica, né, que a gente fala. Então, é o fato de você tá dialogando ali e aí o que acontece, né? Você utiliza também de outras formas de diálogo para também chegar nessas pessoas. Eu acho que não se exclui nenhuma forma de propaganda, né? Seja presencial, seja virtual, seja no conversando com com as vizinhas, seja falando com sendo uma caminhada, né? É, eu acho que tudo isso ajuda a informação chegar mais longe. Ô, Talita, numa resposta anterior sua, você falou sobre tratamentos, né? Nem todo o câncer de mama ele é igual. Como é que funciona? Como é que é definido o tratamento para cada paciente? Não, a gente hoje temos o que a gente chama de subtipo. Para ser bem simplificado, a gente divide o câncer em níveis de de piora, de remédio, do que que a gente vai fazer para esse paciente. Então, a gente tem subtipos que são mais indolentes, subtipos que são mais agressivos e isso vai definir o que a gente vai fazer. Cada paciente vai receber um tipo de tratamento, quase nunca vai ser igual, né? Vai depender do que o que o tumor dela, o tamanho do tumor ela tem no infonodo ou não, quantos anos ela tem, ela está na menopausa, ela não está na menopausa. Então tudo isso vai definir o tratamento. Hoje a gente tem milhares de estudos de câncer de mama e cada cada tratamento é individual. A gente vai pegar o perfil da paciente, o que ela tolera de remédio, o que a gente tem de melhor no mercado e vai oferecer para cada uma de forma individual. Então vai ser muito diferente para cada às vezes elas conversam, né? A, eu tomei a químia vermelha e você. Mas não é não é o mesmo tratamento para pr os pacientes. Quais são a as opções que nós temos hoje? Quimioterapia, radioterapia? É, começou tudo começou com a cirurgia retirada da mama completa. Depois a gente teve entendimento que podia retirar uma parte da mama e e colocar a radioterapia na jogada junto. Então a radioterapia entrou, né, como parte do tratamento. Os a quimioterapia, os a hormônioterapia, 70% dos câncer de mama respondem a hormônio. Então fazer um bloqueio de hormônio é um tipo de tratamento para essas pacientes. E aí teve várias novas invenções, né? eh estudos mostrando outros outros remédios, terapias alvas, bloqueando vias que a gente não conhecia de resistência da doença. Então, a gente tem aí imunoterapia alvo, eh, droga conjugada, tem muita coisa legal que tá gerando vida, tá gerando cura para essas pacientes. E não sei se você vai saber a resposta, mas uma comparação do Brasil com os outros países. O que nós temos hoje é o que tem de melhor? consegue ser disponibilizado paraa população, é só por uma parte. O Brasil tá muito atrasado em relação a outros países. Infelizmente no sistema público a gente tá atrasado, né? Então a gente essas drogas novas, essas imunoterapias, a gente não tem acesso no SUS, né? A gente não tem acesso na saúde pública, mas na saúde privada a gente tem acesso à grande maioria das drogas que chega, né? Depois que tem o estudo, o estudo é consagrado e passa por um por um cvo e libera pra população, a gente tem acesso na saúde privada. Na saúde pública aí a gente ainda, infelizmente tá um pouco atrasado, precisa, precisa melhorar para essas pacientes que dependem do serviço público. Paula, tem que ser um objetivo porque daí sempre entra na questão financeira, né? Tem que ser mais do que objetivo, assim, a gente precisa correr atrás dessas metas. Eu acho que é super importante isso que a Dra. Atalita atrás, porque muitas vezes, por exemplo, se a gente olha pro município de Campinas, a gente, como eu tava falando, a reconstrução, o município não faz e aí a gente joga muitas vezes responsabilidade pro estado. E a gente também precisa pressionar, né, o governo federal para que essas drogas sejam logos incorporadas ao SUS, para que as mulheres tenham de fato acesso aos melhores tratamentos, aos melhores diagnósticos e também para que cada vez mais a gente não segurhe, né, que a gente não faça esse gargalo no mês de outubro. Então, se a gente tivesse uma carreta que funcionasse três vezes ao ano, né, a gente conseguiria diluir um pouco de outubro e a gente teria mais mulheres sendo diagnosticados, né? Se a gente tivesse um processo de descentralização também a gente teria eh mais acelerado, mas a gente não pode contar com a parceria entre público privado. A gente precisa cada vez mais ampliar o nosso serviço público, ampliar o SUS para que a gente consiga garantir o tratamento para todas as mulheres e não só quem tem uma condição financeira de pagar o tratamento e beneficiaria todo mundo, né, Talita? até a rede privada sai ganhando com o SUS, eh, recebendo mais tratamentos, mas principalmente a paciente, né? Eu acho que a gente não pode perder o foco. É, são remédios caros, a gente tem que concordar disso, não tem como negar, mas precisa de uma de uma programa, precisa de um acesso para essa paciente, né? Ela não pode deixar de ser tratada só porque ela não tem condição. Uhum. Ô Talita, e nessa questão eh de tecnologia, de novas ferramentas que estão chegando para vocês, daquilo que você estudou na faculdade, daquilo que você tá vendo na prática hoje, mudou muito ao longo dos anos esse tratamento? muito muito. Tem 6 anos que eu saí da residência e quando eu saí da residência, basicamente a quimioterapia era o tratamento para essas pacientes. Hoje eu dificilmente começo com quimioterapia, tento sempre alguma droga, algum remédio que seja um pouco menos invasivo, menos agressivo para essa paciente, com menos efeitos colaterais. Então isso para paciente, sem dúvida nenhuma, as empresas estão pensando nos nos meios de de resistência da doença, mas também na qualidade de vida da paciente. E Paola, até provando, né, a importância quando a gente fala dessa coisa que tem que ser integrado entre muitas secretarias, aí entra investimento em ciência e tecnologia que também precisa acontecer e que muitas vezes é contestada. a gente acompanha nas reuniões ordinárias, nas reuniões das comissões, né? Investimento para ciência, para tecnologia, para ter acesso. Isso também é uma briga até que antiga, né? Sem dúvida nenhuma. Quanto mais a gente investir eh em ciência e tecnologia, na produção dos equipamentos, nos diagnósticos, né, na na produção diagnóstico com as imagens, né, a gente buscar, né, e fazer com que a população tenha acesso a isso, antes essas pessoas vão chegar até a Dra. Talita, né, até outros outros médicos para buscar esse tratamento. Quando a gente depende somente, por exemplo, de equipamentos importados, a gente tá sujeito que também aconteceu esse ano, né, que é o o tarifaço e aí fazendo com que os equipamentos fiquem mais caros, mais difícis da gente acessar. Quando a gente também investe aqui a nível de Brasil, a gente foge disso. Se tem uma estabilidade internacional, né? A gente não tem a dificuldade de garantir que esses equipamentos cheguem até as pessoas, né? Então, eh, investir em ciência e tecnologia é investir na saúde, sobretudo na saúde da mulher. Tali tá falando sobre a reconstrução mamária. Ela faz parte do tratamento. Todas as mulheres podem fazer. Algumas ficam eh com medo, com dúvida de como será. A gente pede para que não faça as pacientes logo uma reconstrução, mamária definitiva se elas forem fazer radioterapia, porque o processo da radioterapia às vezes vai atrapalhar o processo cicatricial e não vai ficar esteticamente bonito, né? eh esse processo, mas todas as pacientes que sofrem algumas cirurgias que têm que fazer a retirada da mama inteira ou a ou a parcial, elas deveriam ter direito de fazer a reconstrução. Algumas optam por não fazer, mas aí é uma opção da própria paciente. Uhum. Paola e depois Talita. Existe um risco do outubro rosa ficar apenas como uma campanha eh bonita, uma campanha assim com prédios iluminados de rosa, que é importante, mas que fica uma coisa estética, a questão das caminhadas, de mensagens, mas sem enfrentar os problemas estruturais de quem tá no dia a dia ali sofrendo com as filas, não conseguindo o medicamento adequado. Existe, infelizmente existe. existe a possibilidade do outubro rosa ficar só eh na propaganda eh e aí essa mulher receber o diagnóstico e não saber para onde ela vai. Uhum. Né? Não saber quem ela busca, como que ela dá continuidade, né, a esse tratamento. E aí tiveram já alguns relatos, principalmente de mulheres que receberam diagnóstico mais próximo do final do mês de outubro, né? Quando vira novembro, a gente começa uma nova campanha de conscientização que é do câncer de próstata, que é o novembro azul. E aí todo esse giro volta pra saúde do homem. E aí, eh, muitas vezes, essa informação de para onde eu vou agora, com quem eu converso, como eu começo meu tratamento, tudo isso fica, acaba sendo esquecido, porque na hora que ela recebeu o diagnóstico, ela ficou tão chocada com aquilo, né, que ela não absorveu essas informações. E aí essa esse reencontro, né, do tipo assim, ai, para onde eu vou, com quem eu falo e tudo mais, e a vergonha, o medo muitas vezes paralisam essa mulher. Então, eh, é muito, por isso que que eu quero reforçar aqui da importância da gente ter durante o ano inteiro campanha de conscientização para onde as pessoas vão quando elas estão desconfiadas de qualquer tipo, né, de câncer, mas principalmente como que elas vão dar continuidade, como elas vão iniciar o o tratamento após o diagnóstico e que tem vida, né, após o diagnóstico, principalmente depois que ela for curada. Ita, pode ter este outro lado, porque a gente tá falando que é importante ter o outubro rosa, que ele é antigo da década de 90, que ele chama a atenção, a gente tem carreta, tem campanha, tem palestra, tem roda de conversa, mas muitas vezes até nos outros meses ali no dia a dia, isso pode ficar apenas pro mês de outubro como uma campanha bonita ali de divulgação e depois a realidade ser diferente ou não. Eu acho que a gente tem que aumentar a campanha para aumentar quem a gente tá atingindo com a campanha, né? Como a Paul falou, muitas pacientes não conseguem nem chegar a esse a esse movimento. É um movimento muito legal, um movimento muito bonito, mas fica restrito a outubro e fica restrito muitas vezes às pessoas que têm mais informação, né? Então, eh aumentar, né? não deixar que seja só uma propaganda bonitinha, mas que realmente faça diferença na vida das mulheres. Talita, e o quanto que você percebe que o estilo de vida ele interfere nos resultados? Porque hoje em dia a gente tem eh as pessoas adoecendo com depressão, com ansiedade, com estress, tendo dois, três empregos, aquela rotina incessante, é preocupação com o filho, é preocupação com a casa, preocupação com o trabalho e aí tem que fazer o exame, tem que voltar no trabalho para poder ficar o dia inteiro. Enfim, o quanto que o estilo de vida do século XX agora de 2026 que nós estamos vivendo, tem interferido nesses resultados? muito muito é o estilo de vida do que a gente tem de fator de risco pro câncer de mama, o único que a gente consegue mudar é o estilo de vida. Então entra aí o cigarro, bebida alcoólica, sedentarismo, obesidade, que cada vez mais as mulheres estão entrando nesse nesse rumo, né? Antigamente a gente não tinha tantas mulheres fumando, hoje a gente já tem mulher fumando, mulher bebendo, né? Então, cada vez mais o estilo de vida vai fazer, vai ser um fator de risco, né? E na nova geração tá vindo melhorado ou não, não sei, mas eles estão mais conscientes com esse estilo de vida, né? A geração anterior tinha fumavam, bebia, balada, né? Hoje em dia eles têm uma geração mais saúde, né? Vão fazendo corridas, tudo com proteína, né? Então, parece que que a gente vai ter uma uma mudança aí com essa geração que tá vindo, mas a nossa geração que fez tudo isso, a gente precisa mudar, rever nossa cabeça e começar a procurar pra gente mesmo a saúde, né? É uma mudança de cultura, né, Paula, porque antigamente era sinônimo de vitalidade, né? Tanto que a propaganda da marca famosa era sempre o homem no cavalo, um homem forte e o homem associava isso, né? questão de força, de olha como eu sou moderna, olha como sou diferente e isso com o passar do tempo, com as proibições, né? Então, você parou de ter essa divulgação eh na televisão, você parou de ter esse tipo de patrocínio associado a muitos esportes. A Fórmula 1 foi um que proibiu, por exemplo, você teve proibição de cigarros nos locais, porque antigamente tinha área de restaurante, em avião, então essa mudança cultural ela contribuiu também. E aí entra aquela discussão do direito individual e do direito coletivo. Como é que você vê isso? Eu acho que as propagandas, a mídia, né, ela é muito responsável por uma construção de sociedade de pensamentos mesmos culturais. Então, se a gente falar, por exemplo, do cigarro, né, ele era um grande, você podia fumar dentro do avião, né, você podia fumar em locais fechados. E quando teve essa mudança de legislação a nível de São Paulo, isso mudou a lógica das pessoas. Então as pessoas, mesmo os fumantes, né, eles se sentem incomodados muitas vezes de fumar em um local fechado, né, e isso fez também que tivesse, né, com a diminuição das propagandas, do cigarro, de bebidas feitas por jogadores de futebol, né, por outros esportes, isso tem uma mudança de cultura. Uma coisa que tem chegado muito hoje paraa juventude, infelizmente, são os cigarros eletrônicos, os vapes, né, que eles vão na contramão de todas as proibições. Eles foram proibidos também, mas eles ainda, né, são muito utilizados e cada vez mais jovens. E aí foi percebido, né, que o dano que ele causa é mais do que o cigarro tradicional ainda por cima. Então, a gente tem, a gente tá tendo mudança de cultura, né? A gente tem uma juventude que não bebe, uma juventude que não fuma. essa geração saúde, mas por outro lado a gente tem uma juventude que ela é mais nociva, né, que usa os vapes, us os pods, que não pratica esporte, que tá cada vez mais inserido na lógica do fast food, né, dessa comida de acesso fácil, eh, que também não dialoga, né, sobre as questões de prevenção e e saúde, né, a gente teve eh a gente tem a gente tá num momento, né, de muita desinformação, né, a gente falou inclusive sobre grupos específicos que propagam essas essas desinformações. Então, muitas vezes, né, já vi desinformação sobre o auto exame, por exemplo, né? Então, tudo isso a gente tá no momento de virada ainda, né? A gente tem uma uma nova virada. Então, a gente teve uma geração que ela não sabia dos riscos, aí a gente aprendeu os riscos e agora a gente tá tá tendo abre aspas, né, a escolha de se a gente vai viver os riscos ou não num numa guerra para saber o que é verdade e o que que não é. Então isso acaba dificultando muitas vezes o acesso às informações que são reais. Talita, o quão preocupa a questão dos cigarros eletrônicos, porque ninguém sabe o que tem dentro daquele aparelhinho, porque eles são ilegais, então quem vende pode ser qualquer pessoa e a gente não sabe o que tá lá dentro. Então, do ponto de vista da saúde, quanto que preocupa isso? E a questão das fake news, das desinformações, chega também na questão do câncer de mama? Chega, né? O o vape pr, né, os cigarros eletrônicos no geral, pra gente preocupa muito, pro oncologista é terrível. Eles são muito mais viciantes que o cigarro de nicotina puro. E realmente a gente não sabe qual que é a composição inteira. Então, além da nicotina, a gente pode ter outros produtos químicos ali que vão entrar no pulmão e vão piorar a saúde dessa desse adolescente ainda, que tem um pulmão às vezes em formação, né? Então assim, eh, não tem cheiro, a fumaça sai rápido, então eles acreditam que é menos, é menos perigoso, quando na verdade é muito mais perigoso, né? E quando a gente fala de fake news nos nossos consultórios, sempre, né, paciente descobriu um diagnóstico, ela pega o exame, abre o exame, entra no Google [roncando] ou no chat GPT, agora pior [limpando a garganta] ainda, a inteligência artificial. Exatamente. E é aqui que a gente que eu falo pros minhas pacientes, você pode procurar a doença é sua, não tem problema nenhum. Contanto que você ven bater as informações com com um profissional. Então você quer procurar numa inteligência artificial, você quer procurar no Google, você quer entender mais sobre sua doença. Eu acho válido. Contanto que você fale: "Olha, procurei e ouvi dizer que que tal folha seria interessante, o chá de alguma folha. Posso usar?" Muito bem. Aí você tá usando a a inteligência artificial, a internet junto com o seu médico a seu favor. Tem muita solução caseira que chega até o consultório, muita solução. E às vezes coisas que não podem, por exemplo, folha, chá da folha da babosa é tóxico. Ah, mas é folha, mas é tóxico. Então, muitas das vezes a paciente pensa: "Ah, é natural, não vai ter problema e vai ter, né? Então tem que chegar, pode olhar a informação, procura, vê, vê, entende o que que tá acontecendo e pergunta. Nenhum médico vai se ofender e você perguntar, porque é sua doença, é você que tem que saber. Mas aí a gente vai falar a nossa informação e você vai bater com o que você pesquisou na internet e vai tirar para você o que for relevante. Só eh visto muitos canais, né, de de no YouTube, principalmente, fazendo recomendações de como ser mais saudável. E aí recomendações de mistura com água, né? Então assim, ai manhã toma água com mais alguma coisa assim. E aí vi inclusive uma reportagem que trazia, né, sobre essa questão da desinformação de como a inteligência artificial muitas vezes utilizavam de CRM, de médicos verdadeiros para ficar propagando informação falsa e de como isso era muito disseminado e como isso fazia com que muitas pessoas deixassem de buscar os médicos reais, né? que tem compromisso e tudo mais e usassem só daquele daquele que não é nenhum conhecimento dessa desinformação para se tratarem ali no dia a dia. Então eu acho que é super importante trazer essa conscientização, essa reflexão de procure um médico, converse com ele, toda a informação que você encontrar na internet, né, porque tá lá que ela é verdadeira. Pode falar, por favor. E lembrando que hoje em dia muitos profissionais de saúde, muitos profissionais na área do geral usam o Instagram, outras redes sociais para falar com o público. Uhum. Pode ver, é legal a gente assistir às vezes, mas o conteúdo desse profissional é real. Ele é um profissional sério, ele é um profissional registrado no CRM, ele tem a especialidade que ele alega ter. E não é uma consulta também, né? Às vezes ali é só um início que ele tá, só é só um cheirinho de uma informação, né? E procura saber, porque às vezes é uma pessoa recémformada que tá passando uma informação que ela não é especialista, né? Então é é importante também a gente ter esse discernimento. Rede social é ótimo, tem muito acesso, a gente consegue ter uma conversa às vezes maior do que a gente teria no consultório como público, porém precisa ter um profissional que seja qualificado para isso. Tem que saber utilizar muito bem. Eh, Talita, na sua resposta você falou assim: "Os médicos não vão se ofender." E aí, na minha cabeça aqui, eu já formulei uma pergunta e passando até para para outros casos, né? Eh, por exemplo, uma mulher grávida, quando ela recebe ali que o bebê ele tem algum problema, muitas vezes, né, eu já fiz aqui questão de ordem, mas nós já fizemos reportagens também do modo como o médico comunica isso e as mulheres reclamam bastante. Eh, os médicos, em geral, os oncologistas estão preparados para dar essa notícia pra mulher que ela tem um câncer, que ela vai ter que fazer um tratamento? Como é que funciona? este trabalho a partir do momento que você recebe ali o laudo. Eu acredito que durante a nossa formação a gente, pelo menos, né, na minha, a gente teve eh aulas sobre como dar notícias ruins. Então, ou o oncologista, ele tem essa essa formação, porque a nossa prática inteira praticamente vai ser só dar notícias ruins. Uhum. Então, a gente tem essa informação, às vezes não é o que a paciente queria ouvir e ela fica triste, a gente consegue entender, né? Às vezes chega e fala: "Ai, o meu cirurgião falou que eu tava com câncer, mas soltou e mandou mandou procurar o oncologista". Tá? Eh, dói, machuca, ninguém quer receber um diagnóstico desse, né? Mas acredito que todos os oncologistas eles têm essa formação de como dar uma notícia ruim, como abordar a família também, porque às vezes é muito importante a gente dar essa notícia pra família, porque a paciente fala assim: "Eu não vou conseguir contar pro meu marido e paraos meus filhos que eu tenho isso aí". Então, de trabalhar isso tudo de forma mais empática possível, porque é um momento muito difícil, né? no momento de diagnóstico. Isso é importante também, né, Paola, ter este cuidado e este preparo para quem é da saúde também, porque muitas vezes já tá acostumado, como a Talita diz, né? Às vezes no mesmo dia são vários laudos, então para não cair numa normalidade, porque esse paciente ele tá recebendo aquilo pela primeira vez. Eh, eu acho que a a forma com que isso é é comunicado, né, isso faz com que as pessoas muitas vezes elas se paralisem, né, e aí elas não consigam eh buscar ajuda, elas não consigam sair daquela daquela da onde elas estão inseridas, né, daquela daquela daquele sentimento e buscar ajuda, levantar a cabeça, ir pra frente. Às vezes, muitas vezes, é uma alguém que tá começando uma vida. Então assim, é uma mulher de 40 anos que tem um filho pequeno ainda e aí ela não sabe como comunicar isso às pessoas, né? e ela tendo que fazer o tratamento, comunicar no trabalho. Eh, e também e eu acho que a família também nessa rede de apoio, ela é fundamental para saber se vai dar continuidade ou não a esse tratamento. Então, eu já vi, conheci, né, a história de de mulheres que receberam diagnóstico e aí tiveram, né, perderam o cabelo e a família inteira, né, cortou o cabelo. Porque às vezes é uma coisa que parece pequena, né? O cabelo cresce e tudo mais, mas mas essa mulher saber, né, que tem outras pessoas ao lado dela que se importam com ela, que se importam com esse com essa vaidade, com esse autocuidado, faz com que ela queira dar continuidade e se recuperar assim. Então a rede de apoio ela é fundamental e se ela puder, né, tá ali, muitas vezes você não tem rede de apoio, mas se puder tá ali, né, para receber junto, ser diagnóstico, é essa pessoa que vai conseguir olhar, vai falar assim: "Não, bora, estamos junto, vamos fazer esse tratamento, vamos enfrentar o que for necessário para que você consiga se curar e voltar a ter vida normal como antes." É isso. Programa bom é programa com muitas informações e passa rápido, viu? Meu tempo já tá esgotado. Então, Talita Coelho Paiva, oncologista clínica do Centro de Oncologia Campinas, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Uma aula que você deu aqui pros nossos telespectadores, informações de grande valia pro nosso telespectador. Já faço um novo convite pra senhora retornar aqui aos nossos estúdios, que sempre seja num cenário melhor do que o que nós temos hoje e fica aberto à suas considerações finais. Obrigado a vocês pelo convite. É sempre bom poder falar pro público com de câncer, tirar o medo da doença, desmitificar que é uma doença horrorosa, que é uma coisa terrível, quando na verdade a gente já mudou esse paradigma e o câncer precisa ser falado, precisa ser superado o medo e sempre que precisar a gente tá aqui para conversar com o público. Muito obrigado, vereadora Paula Miguel, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo mais uma vez com a nossa equipe, ter vindo aqui nos nossos estúdios. explicar, questionar também o que é feito na cidade de Campinas, o poder público. Já faço um novo convite pra senhora retornar aos nossos estudos para falar sobre esse, mas também outros assuntos e fica aberto à suas considerações finais. Muitíssimo obrigada, Gabriel, Dra. Talito, eu acho que é sempre importante a gente falar sobre isso, porque também traz conscientização para nós mesmas, né? Então, espero que todas as mulheres, todas as pessoas que estão assistindo a gente não aproveite só o mês de outubro, né? Mas qualquer momento que você assistir que você busca, faça o autoexame, vá buscar um profissional, vá, principalmente se você tem mais de 40 anos, né? Busque fazer a mamografia para que cada vez a gente tenha um diagnóstico mais cedo e que a vida seja salva. Então acho que é super importante a gente fazer esse diálogo também a partir da Câmara, porque isso chega para muitas pessoas, pessoas que a gente nem imagina. É isso. E eu agradeço você de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído com este assunto, [música] tenha tirado este tabu, este preconceito, este medo. O receio ele existe, mas tem que ir com um receio mesmo, tem que fazer o exame. [música] faça e este autocuidado dentro da das residências, procure exame de mamografia, um [música] centro de saúde, profissionais aí de confiança para o quanto antes nós diminuirmos, né, a incidência de casos de câncer [música] no nosso país e aumentar sempre aí o a cura. Programa Questão de Orden fica por aqui. Até sábado que vem. Ciao. Ciao. [música] [música] เฮ