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Olá, começa agora o programa Questão de Ordem, que hoje vai abordar o agosto lilás. É o mês de conscientização e combate à violência contra a mulher. Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil registrou 741 feminicídios, dados do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e pelo Ministério das Mulheres, com base nas informações do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública. Em Campinas, neste ano, nós tivemos 3.846 846 denúncias, o que gerou 2262 protocolos de denúncias e 28.402 violações. Por temos ainda números tão alarmantes? Faltam punições, é uma sociedade machista, carece de mais informações? Bom, para discutir as ações que acontecem aqui na cidade de Campinas, eu recebo no estúdio Alessandra Herman, que é a secretária municipal de políticas para as mulheres, e também a Cleudir Sales, que é coordenadora do Conselho da Mulher. Lembrando que o debate vai acontecer. Farei as interrupções apenas quando o necessário. Secretária, começo com a senhora. Pouco mais de um ano depois de assumir a secretaria. como é que tem sido o trabalhos, desafios, já que Campinas é uma metrópole, mais de 1 milhão de habitantes. Seja bem-vinda e uma boa tarde. Muito obrigada pelo convite. Só tenho agradecer essa oportunidade, né, de poder conversar com as pessoas, explicar tudo que tem sido feito durante a nossa gestão. Muito bem dito. A gente completou um ano de secretaria, né, Clé? agora em agosto. Uhum. Então assim, nós já estamos agora a gente já tá bem melhor estruturado, né, no sentido de entender quais são realmente as demandas principais da cidade e as prioritárias também. Uhum. Cleodiran, primeiramente, qual que é o trabalho realizado pelo Conselho da Mulher aqui de Campinas? seja bem-vinda e uma boa tarde. Boa tarde. Também agradeço o convite de estar aqui. Eh, o Conselho Municipal de Giros da Mulher, ele é um conselho fiscalizador, né? Fiscaliza aí os trabalhos e também faz parcerias, né, com a Secretaria da Mulher. Eh, a gente desenvolve ali juntamente com as demais conselheiras, entidades que participam, eh, reivindicações, né, tanto pro legislativo, pro executivo, eh com esse cuidado que a gente precisa ter eh os direitos da mulher no município de Campinas. Então, estamos sempre eh conversando, trocando, eh solicitando, né, aquilo que é necessário para que a secretaria hoje, que é uma reivindicação antiga do conselho, possa eh funcionar de maneira eh de da melhor maneira possível para atender as mulheres com esse número e que você eh acabou nos falando aqui. Para quem está nos acompanhando e não conhece a estrutura do conselho, vocês são em quantas pessoas? Vocês fazem reuniões mensais? Vocês levam essas demandas, fazem diligências? Como é que é o funcionamento? É, somos em 29 conselheiras. Ele é dividido, né, entre entidades classistas, sindicatos, conselhos profissionais. Eh, a gente tem a sociedade civil que participa com as suas entidades e a gente tem a representação do executivo, né? Então, somos em 29. A gente tem reunião mensal que ela é divulgada através de e-mail do Diário Oficial, né, para toda a cidade. É uma reunião que ela é aberta, eh, ali tem direito de participação à sociedade civil. Mas na hora do voto, eh, na hora tem direito à voz, né? Mas a gente precisa e tem que ser eh de fato as conselheiras, né, que atuam ali eh juntamente com, né, através [limpando a garganta] das suas representações. Secretária Alessandra, depois quero ouvir a Cléo também sobre este agosto lilás, né, nós estamos aí neste mês que é importante dedicar, né, a conscientização sobre a violência contra a mulher. que que é feito no município agora em agosto e o que que pode ser levado pro resto do ano. É, o agosto lila é um mês eh fundamental, de suma importância, né, pro nosso país. é um mês que foi constituído através de uma lei 2022 e é uma campanha que dialoga, claro, com a Lei Maria da Penha, que esse ano completa também 20 anos, né? E é o mês dedicado justamente a campanhas e ações de conscientização e combate à violência das mulheres, né? Eh, infelizmente a gente a gente ainda precisa ter um mês, né, para destacar tudo que tem sido feito e tudo que, enfim, precisa ser feito para que a gente consiga melhorar essas estatísticas. E, e é isso que a gente tá ah fazendo aqui em Campinas, né? São várias campanhas de conscientização, são campanhas informativas. Então, a gente tem ido aos territórios, a gente tem ido dentro das empresas privadas conversar com esse público também. Então, assim, a gente tá tentando cercar de todos os lados, né? Eh, ou aonde a gente acha que a informação ainda não está chegando de forma correta, nos lugares que a gente ainda sente que nós não alcançamos. Sim. Eh, recentemente a gente teve, né, a divulgação dos dados do anuário de segurança pública, o anuário brasileiro de segurança pública. E, infelizmente, né, a gente viu que existe eh existiu uma um aumento nos feminicídios, né, a nível nacional de 4%, que é um paradoxo, né, Leo muito muito interessante porque aumenta-se o feminicídio e diminui-se em 8% as mortes violentas no geral. Então isso significa que o país ainda ainda não tem uma resposta à altura do que tá acontecendo. Então realmente eu acho que a gente ainda vai precisar de vários agostos lilazes e de todas essas campanhas ainda por um bom tempo. sobre essa questão aí de respostas antes de de ouvir a Cléo, quando você participa dessas ações ou a sua equipe também, de que maneira que é recebida? Porque de uma certa maneira a senhora entende que ainda existe um tabu de não querer falar sobre esse tema, porque é lógico, é a mulher que é violentada, ela sente medo, ela tá fragilizada, muitas vezes ela não quer conversar sobre este assunto, muitas vezes ela não sabe a quem recorrer. Quando você fala sobre esse agosto lilás, quando você quer passar uma informação, porque muitas vezes essa mulher até tá sendo violentada e ela não sabe como, porque já a gente vai falar sobre os tipos, né? Geralmente as pessoas pensam que é só a física, mas tem muitas outras violências. E às vezes ela tá sofrendo isso dentro de casa e ela não se reconhece que ela está nesse papel. Existe ainda um tabu de conversar sobre este assunto, um mês de conscientização ou as pessoas estão mais abertas, estão mais interessadas? Eu acho que isso foi um avanço nesse sentido, porque o que eu sinto é que as mulheres elas estão muito mais propensas hoje em dia a falar a respeito disso. Tanto que eu tava lendo uma pesquisa do Instituto Patrícia Galvão, eh, onde elas informaram que 39% das mulheres brasileiras hoje já sabem que a violência não é só que a violência doméstica, né, não se limita só à violência física. Então, elas já conhecem as outras violências, elas já tem já tem noção sobre o que que a Lei Maria da Penha prevê. Então, assim, eu acredito que a gente esteja avançando bastante nesse sentido, né? O que eu percebo é que da mesma forma que a gente tem eh avançado, né, na as mulheres estão muito mais conscientes, digamos assim, ainda não existe uma mudança na mentalidade masculina, né, Cléo? não sei se você eh não estão caminhando na mesma velocidade. Então, eu acho que a gente ainda tá um pouco distante aí de ter uma uma sociedade que valoriza e respeita as mulheres de acordo como seria o ideal. Uhum. Mas eh com relação à abertura para discussão, para falar a respeito, eu tenho sentido assim de poucas barreiras, OK? Poucas barreiras. Elas agora estão mais seguras para falar a respeito. Às vezes elas não falam falam de si próprias, mas falam de uma amiga. Aí eu conheço alguém. Então nesse sentido, eu sinto uma uma mudança. Sim. Tá. Cléu quero a sua percepção também. E se é importante ter um mês dedicado a esta temática. Sim, a gente, na verdade, já inicia o ano, né, preparando o o março, né, o 8 de março, que é uma que era uma das datas mais atuantes, né, na questão da mulher. Acho também tem o julho, né, que a gente trabalha e na verdade a gente trabalha o ano todo, né? Aí o agosto lilás, ele tem ficado mais forte também, que eu acho que é isso, a gente precisa trabalhar o ano inteiro em relação a isso. E o agosto ele traz essas campanhas eh que fortalecem, né, e que divulgam as informações, eh, amplia, né, chegar nesses lugares e que vai paraa universidade, que vai para paraas regiões, pros bairos, né? Exatamente. E aí a gente consegue trabalhar isso. Então é importante sim essa essa eh parceria com a secretaria dentro do conselho, com as entidades para poder chegar nessas mulheres. Às vezes a gente não consegue como chegar diretamente o próprio conselho, mas quando você faz um trabalho como esse, você multiplica, né? você amplia essas ações e a pessoa que vem através de uma universidade, eh, como ela disse, conhece um alguém que sofre violência, eh, faz uma formação, já pensa em um em um trabalho mais próximo do bairro, porque isso tem aumentado, né? A gente vê hoje oficinas eh de autodefesa para as mulheres, a gente vê oficinas, né, de formação, de legislação, então tem trabalhos, as mulheres têm avançado muito nessa questão. Isso é importantíssimo para que a gente receba essas mulheres, para que elas entendam a importância, para que elas conheçam os tipos de violência e a gente possa alcançar eh mais rapidamente. E é isso também, né? parece que é um paralelo. Quanto mais a gente avança de um lado, eh, paralelamente a gente vê eh eh o um rumo, né, de um de grupos eh masculinos, talvez não querendo, né, esse avanço, essa e essa esse conhecimento que as mulheres eh têm hoje das leis, né? Então, tem alguns que falam muito mal da lei, Maria Tapin, que não é verdade, ela é protetora. Uhum. né? Ela ela protege as mulheres, né? Os seus direitos, a sua vida, para que ela não eh sofra de violência e acaba acontecendo feminicídio. A gente fez aqui já até uma questão de ordem sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha, né? E e aí pesquisando sobre o assunto, né? Eu fui entrar em rede social e por incrível que pareça, realmente tem gente que critica a Maria da Penha. Ex, secretária, é uma questão de machismo estrutural, você entende desta maneira? Pessoas que foram criadas assim, que foram escutando histórias, você acha que isso é alimentado também por rede social? Por que que esse discurso a gente ouve até hoje e não é só discurso porque na prática acontecem muitas vezes violências? Acontece. Eu eu acredito que seja pelo efeito uma nada mesmo da das redes sociais. E assim, tem um ponto que eu acho interessante a gente debater, porque a Lei Maria da Penha é a principal e, né, de todas de todas que existem hoje, né, no acaboço legal que existe no país. A Lei Maria da Penha é a principal de todas. Só que assim, ela tem as lacunas como todas as outras leis. Ela pode ser usada por pessoas de má fé, né? Porque a gente sabe que existem pessoas de má fé em ambos os gêneros. como em todas as leis também. Então, assim, eu acho que eh eu fico assim profundamente chateada quando eu vejo as pessoas questionando essa lei, porque bem ou mal não é, Cléo, é a única que a gente tem. Então, lógico que de novo, né, o que eu quero salientar, isso pode ser usada de forma incorreta por algumas pessoas, eh, mas assim, protege, é a minoria, protege muitas mulheres, né? Imagina 20 anos atrás quando essa lei não existia, que inclusive foi uma lei criada, né, né, Cléo, Cléo sabe muito bem disso. Foi uma lei criada, não foi porque tava todo mundo preocupado com as mulheres, né? Ela surge de uma punição que o nosso país teve, né, porque pela omissão, né, no caso do julgamento da Maria da Penha. Então assim, já começa por aí, né? Essa lei já foi criada porque o Brasil foi punido, né? Por ter sido omisso nesse julgamento. Eh, então assim, as pessoas que criticam, eu acho que elas deviam repensar a respeito, porque essa lei, desde que ela foi constituída, ela já salvou a vida de muitas mulheres, né? Então assim, eu acho que as pessoas têm que repensar sobre isso. E os homens também às vezes brincam, né, ou não, falando: "Ah, mas também tinha que ter a lei para pro homem, lei". Poxa, gente, estatisticamente, dá uma olhada, né? Assim, se a gente vai falar sobre números, realmente é a minoria da minoria de mulheres que são homicidas, eu acredito que seja em torno de 3% as os as os homicidas mulheres no país. Então assim, poxa, é lógico que a gente que precisa de lei e não os homens, né, por enquanto. É. E secretária, até para furar essa bolha e o agosto Lilá chegar em mais pessoas, as campanhas quando são realizadas, eu falo no plural porque ao longo de agosto tem roda de conversa, vai ter ação aqui na Câmara de Campinas no dia 28. Ela é focada exclusivamente nas mulheres que, por exemplo, já sofreram ou estão sofrendo algum tipo de violência. Ou também ela tenta englobar familiares, amigos, vizinhos. os homens e toda a sociedade. Como é que imagina uma campanha desse porte? É, na verdade assim, é uma lei que eh é uma lei que hoje, não sei se a Cléu tem a mesma opinião que eu, mas assim, é uma lei que ela protege muito as mulheres que já estão em situação de violência. Então tudo que elas o que ela traz é mais nesse sentido. Eu acho que a gente precisa, né, Cléo, trabalhar muito a parte de prevenção, né? Então, para que não para que a violência não chegue a acontecer. E é isso que a gente tem realmente feito aqui em Campinas nesse sentido, né? Você concorda também comigo, né? É, dentro da lei, ela prevê a questão do SERAV, né? Dessa dessa questão de formação, né? trabalhar eh essa recuperação do homem sobre a questão da violência. Aqueles que a gente sabe que tem ali talvez a primeira ocorrência de violência contra a mulher, se ele já for logo encaminhado, você consegue trabalhar essa questão da violência. Para isso a gente tem que precisa de estruturas eh de um seravev, eh de como vai receber essa pessoa, eh quem que é esse, tem que ser um técnico, um profissional técnico a respeito nessa relação. A Campinas tem eh essa prerrogativa, né, de ter uma pessoa. É, e aí você pode, eu acho que falasse um pouco sobre isso, como é que tá hoje, né, quees estavam e admitindo e esse profissional e estruturando o Serave, até para que a gente possa ter uma parceria hoje com as varas e ser encaminhado esses homens para esse lugar. E aí a partir disso também das campanhas que são feitas, por exemplo, já foi campanhas que que a, né, o executivo fez com a universidade e lá vocês têm homens, tem mulheres, né, eh, que são atendidos. a gente tá aqui no lugar eh no legislativo, que a maioria são homens e é importante que eles ouçam, que eles eh acompanhem, porque não é uma luta só das mulheres, né? Pra gente poder avançar, a gente precisa entender como sociedade que isso é uma questão de saúde pública, que a gente precisa andar juntos, né? A gente tá aqui, a gente tem colegas, né? mulheres, homens, a gente lida todos os dias. Isso, não somos um povo eh separado, né? Aqui tem mulher, ali é o grupo, não. A gente vive numa sociedade que a gente precisa avançar juntos e a gente avança com essa questão da violência trabalhando todo mundo junto. Então tem o Serave, isso prevê na Lei Maria Penha. E aí eu acho que isso é de uma grande importância que a secretária pode colocar pra gente como é que tá hoje. Sim. Eh, o Serave, para quem não conhece, é o serviço de responsabilização do agressor. Uhum. E sim, Cléo, ele já tá funcionando o SERAVE aqui em Campinas. Então, os homens podem participar desse desse serviço ou fazer parte desse serviço de forma voluntária, mas a gente sabe que isso normalmente não acontece, né? como é que funciona lá, né? tem um psicólogo, tem um assistente social, né, que que vai ouvi-los, enfim, propor que ele participe de rodas, de conversas com outros homens para, enfim, discutirem todas essas questões. E agora o mais interessante é que a participação dos homens no Serave está sendo previsto, né, pelo juiz assim que ele decreta a medida protetiva. Ótimo. Então eles estão encaminhando esses homens pro Serav. né, para que realmente eles tenham um pouco mais de responsabilização pelo que eles causaram, porque muitas vezes eles acham que ela mereceu, que a mulher mereceu, enfim, que ele estava dentro dos direitos, né, dele e não reconhece aquilo como um crime. E fora isso, aqui em Campinas, o que a gente tem feito nessa questão de prevenção, que é o que a gente entende que hoje em dia, é o mais importante, né? A gente tem atuado muito fortemente dentro das escolas, né? A nossa secretaria, lógico, trabalha intersetoralmente com as outras, com as demais secretarias municipais. Então, nós lançamos vários programas eh muito interessantes e, de novo, focados na prevenção. Então, a gente tá com um trabalho junto com a Secretaria de Educação. Nosso programa chama Mais educação, Menos Violência, onde a gente tem percorrido as escolas, todas as escolas municipais, né? Então, é um grupo de trabalho que percorre essas escolas e se reúne com os meninos e as meninas de oitavos anos. Ótimo. Para falar sobre misogenia, para falar sobre masculinidade, sobre red peill e e e toda toda essa problemática que tem agora, né, sendo desenvolvida aí por esse sendo desenvolvida não, mas eh tem cooptado esse público mais jovem, que é extremamente preocupante, né, porque são eles que vão ser os adultos lá na frente. Então esse tem sido um trabalho muito bacana. Só está fal, só estão faltando agora as regiões, eh, as escolas naedes, né, da região Sul e Sudeste, se eu não me engano. Todos os outros nós já percorremos. Ótimo. Nós estamos com um outro programa que foi até eh iniciado eh devido a uma provocação do Ministério Público, né? Eh, onde a gente tá entrando nos ambientes religiosos também para conversar com essas lideranças religiosas, para capacitá-los, para que eles possam acolher essas mulheres vítimas de violência quando elas procurarem esse porque lá é um ambiente seguro, né? E eles devem ouvir muitas coisas. Eles ouvem. Normalmente essas mulheres são os primeiros lugares ou as primeiras pessoas a quem elas recorrem são, né, os pastores, as pastoras. Eu tô falando eh especificamente do público evangélico, porque esse trabalho surge de um estudo que foi feito na pela Unicamp, né, onde eh foi hã revelado que 42% das mulheres que sofrem violência doméstica são evangélicas. Isso não quer dizer, né, Cléo, que sejam os homens evangélicos que estão cometendo, porque essas mulheres podem ser casadas com com, né, com qualquer pessoa. Enfim, não quer dizer isso, mas como a gente sabe que elas recorrem aos líderes e à líderes, né, religiosas, primeiro, a gente começou essa campanha então de capacitação para que eles saibam como acolher essa mulher dentro do ambiente religioso e como encaminhá-la pra rede de apoio existente na cidade. E isso tem sido também muito interessante no lançamento do programa. Mais de 100 eh eh, desculpa, mais de 100 igrejas evangélicas, é isso mesmo, aderiram ao programa. Então, a gente vai alcançar bastante eh bastante mulheres nesse sentido. Começamos também um trabalho muito interessante dentro da Fundação Casa. Por quê? Ali estão os jovens que desde muito cedo, infelizmente, já tem contato com violência. Então, enquanto eles estão ali cumprindo suas medidas socioeducativas, a gente leva também essas palestras, né, para que eles entendam um pouco mais sobre violência doméstica, né, para que porque eles também futuramente, né, constituirão suas famílias, mostrar um outro caminho ali, isso ressignificar a vida desses rapazes, né, dessa forma. Então, tem sido um trabalho muito interessante e fora todas essas campanhas que a gente tem feito de ir até os territórios, de levar esses serviços que a gente tem hoje muito eh que que são localizados aqui na região central de Campinas para os territórios, levar essa informação até onde, infelizmente ainda não chega. Então tudo isso tá dentro da do dos, né, dos programas e das ações da Secretaria da Mulher. Ótimo, Cléo. Quero ouvi-la também sobre esse trabalho que é realizado na cidade de Campinas. A importância de ser entre intersecretarias. Então, tem a Secretaria da Mulher, mas tem a Secretaria de Educação e aí se juntam para conversar com esses jovens, com a Secretaria de Segurança Pública. Qual que é a importância disso na cidade de Campinas e também já emendando nessa questão da religião? É, é extremamente importante. Tanto que dentro do conselho a gente tem as representações de várias secretarias, né? Não todas, infelizmente, que poderia ter mais, mas a gente tem educação, habitação, mulher, assistência, né, que faz um trabalho. E é tanto é importante que a questão ela da mulher, ela é transversal, porque ela está em todos os lugares, né? Tem questão da moradia, tem questão da educação, da da própria formação da mulher, né, que que é que acaba deixando de estudar em determinado período, né, de dar essas informações para poder ter cuidado do seu lado, da sua família, dos filhos. E quando chega a maturidade, é importante que ela tenha também um o espaço também a oportunidade para ter até sua o conhecimento e para além do conhecimento, a autonomia econômica. Então, a secretaria, por exemplo, eh, a gente tinha representações da educação, que tinha antes até mesmo desse projeto o projeto Pimiquero, né, que que com a Margarida Montejano, né, que era supervisora e que trabalha já nas nos primeiros anos, na educação básica. Isso é super importante, que entrou dentro do projeto pedagógico da escola. Então essa é a importância, é um trabalho, né, conjunto que faz entre a as secretarias, né, conversar e o importante é que venha mais apresentações, né, que a gente tenha mais secretária, eh, até já, né, reivindicando aqui a participação das outras secretarias, por exemplo, desenvolvimento econômico, né, que tem eh um avanço nas empresas, né, que possa participar de uma maneira, que a gente também possa participar dentro dos seus eh eventos para que a gente possa levar a questão da formação. A secretaria já participa, mas eu acho que o conselho também, né, fazendo aqui uma é importante ter esse espaço, né? Então, a questão da mulher evangélica é isso, né? eh tem números altíssimos da questão da violência. Isso já tinha sido percebido, eh, já conversando sobre isso, a gente já percebia isso. Então, assim, quando tem esse estudo, ele vem, né, eh, trazer dados, estatísticas que tá para trabalhar em cima disso, né? Então, assim, você amplia não só para as igrejas evangélicas, que é de grande importância, mas que a gente também possa ver as outras religiões, né? também sofram eh a questão da violência. Então, chamar todas as religiões, né, porque a gente tá falando de estado, estado é laico e a gente precisa eh abarcar aí todas as mulheres que estejam eh nesses grupos e que possam participar e ter informação, a informação correta, para poder combater nesses espaços também a questão da violência. Exato. Ô Cléo, como a gente tá falando sobre violência, vamos falar aqui sobre os tipos de violência para quem está nos acompanhando, porque as pessoas lembram sempre primeiro da violência física, porque aquela que deixa a marca, aquela que no primeiro momento você já consegue identificar, mas existe também a sexual, a psicológica, moral, patrimonial e a vicária, que tá muito em evidência, que é o homem utilizando os filhos dependentes para poder atingir essa mulher. Quanto são preocupantes essas violências? É muito porque assim, se eh a mulher atida na sua parte na violência patrimonial, eh eles tiram os documentos, eh eles expulsam muitas vezes as mulheres de suas casas com seus filhos. Quando a mulher sofre violência, às vezes ela não sofre sozinha. E se ela é aposta para fora da sua própria casa, se não tem uma proteção do estado, a segurança cuidando disso, ela vai ter que ir para um abrigo no primeiro momento, dependendo do seu caso ali, né, ou uma casa de passagem, onde tem uma casa de passagem, mas que é prioridade que o estado, que a segurança possa eh proteger essa mulher nessa questão da violência patrimonial, que é onde atinge, né? Então assim, eh, às vezes essa mulher não trabalha. Quantas vezes a gente viu mulheres sequestradas? Teve um caso recente que a mulher tava sequestrada, sofreu todas todos os tipos de violência e esse homem foi liberto, né? Passou por ali o pela custódia e foi liberado. Como assim? Um homem que faz todos esse tipo de violência, faz sequestro, violência sexual, eh eh todos os tipos de violência psicológica, física e aí libera uma pessoa como essa. A pessoa tinha que tá presa, né? É isso. É, eu acho que é alguma é algo que o legislativo tem que avançar também um pouco nesse sentido, porque nesse caso específico que a Cléu tá mencionando, foi por falta de elementos jurídicos que ele foi solto na audiência de custódia, então porque não tinha um boletim ainda do IML e nem a ficha médica, ele foi solto. Só que assim, muito bem, ele foi solto, não foi decretada a prisão preventiva, ele foi solto e a mulher foi pro abrigo porque para onde que ele e voltaria, né? E ela tá abrigada. Então assim, não faz muito sentido, né? Fica solto, não faz muito sentido. E é muito grande, né, Clé? O número de agressores que são soltos durante a audiência de custódia por falta de elementos jurídicos. Então eu acho que é um problema de leis no nosso país. Isso tem que ser revisto, né? Eu eu acredito que nesses vasos específicos, né? de uma uma revisão, né? Porque você imagina, ele ia voltar para casa. Se ela tivesse lá, o que que ia acontecer? Se for quando é constatado, né? A pessoa tá vendo, sofreu a violência, eh, foi tirada, né, com com eh os profissionais de segurança, tá? Faça, vamos, né, proteger essa mulher, eh, deixa esse essa pessoa presa, esse homem agressor, esse agressor e aí você vai tratar dessa documentação. Eh, como se, ah, a pessoa chega na na saúde, na emergência, pera aí que eu vou fazer primeiro todo o o o ali, né, o cadastro, a pessoa ali tá morrendo. Não, não pode ser dessa maneira, né? Vamos tentar salvar a vida dessa pessoa o mais rápido possível. E aí a gente vai ver essas questões burocráticas. Você não pode libertar uma pessoa por questões burocráticas. Isso precisa ser revisto urgentemente. Ô secretário, até nesta temática, muitas mulheres permanecem em relacionamentos violentos porque dependem financeiramente do agressor. Eh, é difícil romper essa dependência? Com certeza. E essa é a causa número um. pelo é o é o fato delas terem dependência emocional, dependência econômica, dependência habitacional que a Cléo mencionou. Lógico que também tem esse fato dessa da insegurança. Uhum. Né? Por por muitas saberem que isso pode acontecer. Elas vão até lá, elas fazem denúncia, só que enquanto está correndo o processo e ele tá solto. Então assim, ele pode ter atitudes mais drásticas. Então isso também colabora para que elas evitem a denúncia. Mas sem dúvida a independência eh financeira é realmente o que a gente mais precisa trabalhar, né, Cléo? Nesse sentido, então, hoje a gente já tem aqui em Campinas um programa muito bem estabelecido, estruturado, né, eh, que é voltado para as mulheres empreendedoras, para que elas possam recomeçar suas vidas e comercializar seus produtos através de feiras, eh, através das lojas colaborativas dentro dos shoppings. E a gente também tá, eh, desenvolvendo aí um programa para que garanta também a empregabilidade dessas mulheres, porque muitas vezes elas não tem perfil para ser empreendedoras, elas preferem se capacitar e ir pra iniciativa privada, por exemplo. Então, a gente tá trabalhando nesse sentido de auxiliá-las também para que elas tenham essa opção. É difícil, muito difícil, porque a gente sabe, né, né, Cléo, que precisa sempre e de uma rede de apoio para essas mulheres poderem trabalhar. Então, assim, né, teria que ter uma creche que ficasse, né, onde os filhos pudessem permanecer mais tempo ou até mesmo dentro das empresas ter alguma solução, né, para que iniciativa privada também auxilie nesse sentido. A gente e a tal da política do cuidado, né, que a gente precisa também desenvolver bastante aqui nesse país, né, Cléo? Sim, para para dar essa possibilidade real da mulher conseguir trabalhar e ter sua autonomia financeira. Eh, a gente já teve caso, por exemplo, né, que a mulher sofria violência, ela queria se mudar de de bairro, do bairro, mas ela não conseguia vaga na educação. Então, tinha toda uma, a gente como conselho foi verificar o que ocorreu pedindo. Tem toda uma parte realmente eh burocrática. Então, a gente precisa trabalhar nessas questões, como eu te disse, né? Então assim, eh precisa facilitar e eh a vida das mulheres que sofrem para que ela não possa perder o emprego. Então eu não vou poder, eu não posso mudar o meu filho da creche, apesar que tem lei, tem respaldo, mas às vezes não consegue ainda, mesmo que seja ou pel através do conselho ou das uma solicitação da secretaria ou do próprio conselho, que a gente também faz as reivindicações quando elas são necessárias para isso. Então, eh essa consciência, por isso que é importante a participação das secretarias nesses espaços, né, essas parcerias, essas conversas e trabalho de formação, eh, ter esses servidores, né, no caso nosso aqui, para que a gente possa atender da melhor maneira possível essa mulher que tá sofrendo essa violência. Ô, Cléo, até com a sua experiência é algo até que relativamente novo à violência praticada pelo celular, porque daí nós temos monitoramento de mensagens, exigência de senhas, localização em tempo real, exposição de fotos. Como é que essa realidade aparece aí nesses atendimentos, nas diligências que são realizadas? Eh, no caso do conselho, a gente recebe muito pouco em relação a isso, muito poucos casos. Mas hoje, por exemplo, tá acontecendo nos Estados Unidos, né, uma questão com as redes sociais, né, a as grandes eh empresas de mídias, de tecnologia que possa, né, no caso, estão falando de crianças, né, mas que acontece muito facilmente com as mulheres. Então, assim, eh é é emergencial assim uma questão dessa lei de ter uma proteção, ah, eh, uma reculação em relação a isso para que a gente possa proteger as mulheres. já tem, né, eh, delegacias especializadas nessa questão de crime cibernético, mas a gente precisa avançar cada dia mais, porque não tem como voltar, né, a vida, a gente trabalha com celular, a gente trabalha com isso, mas eh cada dia mais também ter esse tipo de conhecimento para que já não venha desde a infância, né, as crianças sendo coptadas, os adolescentes, né, que ali também tem um número grande. Issocia, né? Como que a gente pode eh proteger também já desde os os anos iniciais essa essa criança, essa mulher, essa menina, essa mulher? Secretária, esse é o lado ruim. A tecnologia facilitou o controle sobre as mulheres de novo, como tudo, né? Tudo tem o lado bom e tem o lado ruim. Mas assim, eh, eu acho muito interessante porque isso já é previsto no ECA digital. Uhum. Né? Que exista uma regulamentação dessas dessas empresas aí de tecnologia para quem acessa determinados conteúdos. E hoje isso não tá sendo cumprido, né? Hoje é muito fácil você burlar qualquer eh mecanismo. Por exemplo, você vai comprar bebida alcoólica, você só precisa responder: "Você é maior de 18 anos". Sim. Um, acabou e pronto, você compra, tá, né? Então, existem determinadas plataformas e a gente sabe que essas empresas de tecnologia teriam condição sim, né, de não sei através de que tecnologia especificamente, mas sei lá, de uma leitura facial, não sei, entende? para que as crianças não acessem o que elas estão acessando hoje, porque é um absurdo. É um absurdo eh essas plataformas, principalmente essas plataformas aí que t esses fóruns de violência eh extrema, é livre acesso pelo chat, vão conversando e trocando. Mas assim, é o que na nossa época era o Dark Deep Web, né, que era até mais assim, não era tão fácil acesso. Hoje em dia, qualquer pessoa de qualquer idade, tem e acesso a esse a esse conteúdo. E quanto mais cedo você tem acesso a esse conteúdo, você concorda que você vai ficando cada vez mais dessensibilizado? Sim. Se você vê violência da primeira vez, três, quatro vezes, você já tá assim: "Ah, ok, isso já não me não não me sensibiliza mais". E aí essas crianças desde cedo tendo acesso. Então essa é uma preocupação enorme. Agora existe o ECA digital, estão cumprindo o que é previsto no ECA digital? É outra questão. Essa normalização é um problema, Cléo. Pelo que você percebe, muitas vezes a mulher nem sabe que tá sofrendo essa violência. De tanto que ela tá sofrendo, ela já normaliza ou ela conhece alguém que tá passando pela mesma situação? Eu acredito que normaliza. A gente vê muitos adolescentes hoje, grupos fazendo tal estupro coletivo, né? Eh, isso nos choca, né? Então começa muito cedo, então tem uma normalidade, né, que que a gente percebe e que precisa ser quebrado. E a gente quebra com as regras que precisam ser revistas urgentemente. Se a gente tem um país cada vez mais tecnológico, né, uma sociedade cada vez mais tecnológica, a gente precisa avançar da mesma forma, da mesma forma e muito rapidamente, senão é isso, eh, cada dia mais fazer violência, cada mês, cada vez mais cedo e cada vez com as com as meninas, né, mais, né, a gente tem isso. E também a gente eh a gente não falou aqui de um público, né, da mulher, da pessoa idosa, por exemplo, que também a gente tem ínteses de violência muito grande e aí, né, às vezes no parte a do companheiro, mas às vezes do irmão, do filho, de familiares que também sofre violência física, patrimonial, principalmente patrimonial, e que essa mulher fica mec muitas vezes dessa violência e que a gente precisa precisa também olhar para essa para essa mulher. Ess e esse é o tipo de violência mais difícil de se combater. Não, não a mais difícil, mas muito difícil, porque você denunciaria seu filho, porque normalmente quem tá tá, né, quando a gente fala de pessoas idosas, né, quem tá cometendo aquelas violências são os filhos. Muitas vezes e você denunciaria seu filho. E é uma violência, por exemplo, pegou um cartão emprestado, fez um empréstimo, você não vai avisando, né? Exato. Exato. Então assim, é muito complicada. É uma violência muito complicada eh a patrimonial quando a gente tá falando desse público mais idoso, né? Quando a gente tá falando sobre essa questão é dos avanços, né? para quem está nos acompanhando, é uma questão que precisa aí a partir de um governo federal, então um projeto de estado de país e isso vai chegando aos estados, até os municípios ou o município conhece o seu território, a gente precisa fazer algo aqui e depois isso vai crescendo. Como é que a gente vai fazendo esses passos? É, eu acho que a gente precisa de uma política federativa nacional, tanto que nós participamos o ano passado da quinta conferência de políticas para as mulheres, a gente fez a nossa conferência municipal aqui e um dos eh dos requisitos, né, das reivindicações, é que se faça o Plano Nacional de Políticas para as mulheres. tem dentro do nosso do nosso estudo, do nosso trabalho aqui juntamente com a com a secretaria, que a gente também faça crie o plano municipal de políticas para as mulheres. Então, quando se torna uma política de estado, é, é como hoje é o SUS, como hoje é o suas, né, fica muito mais fácil, né, porque já tá ali dentro da legislação, o que você tem que fazer? Você tem que criar a a as casas de proteção. Você tem que ter, por exemplo, a Casa da Mulher Brasileira, que nós estamos reivindicando paraa cidade de Campinas, que tem uma brecha. Hoje antes era só para as capitais, hoje você pode trazer para uma região metropolitana como Campinas, né? construímos uma comissão, né, secretária, eh, juntamente com o prefeito, juntamente com o legislativo, eh, essa essa comissão já foi eh criada, divulgada em Diário Oficial, que a gente comece a fazer os trabalhos para procurar um espaço, que a gente crie mais um espaço como este, para que a Secretaria da Mulher possa fazer eh o melhor trabalho possível na cidade. E a gente precisa também do estado, por exemplo, o estado de São Paulo, eh, aumentou em 10% o número de violências das mulheres do estado e aí ao mesmo tempo, diminuiu o orçamento, não é, no estado de São Paulo. Então, a gente precisa de recurso. E aí a secretária às vezes não pode pedir, a gente pede para ela. Teremos dinheiro, orçamento, recurso para poder atender eh a a cidade de Campinas da melhor maneira possível, que tenha técnicos, né, que possa atender a sociedade, essa demanda que tem na cidade, eh, e aí eh fazer as formações, ter as diligências necessárias, né, poder trazer mais mulheres, né, pros cursos, eh, e, e que ela tenha os seus direitos eh adquiridos ali, né, secretária? É, eu acho interessante isso porque eh a premissa da Secretaria da Mulher, né, Cléo, é trabalhar, como eu disse anteriormente, eh, de forma intersetorial com as outras secretarias. Eu vou propor agora, Cléo, que cada secretaria deixe lá um um uma verba, então, destinada, né, a projetos para as mulheres, porque eh é, tá inserida em todas as teria que ter em todas as secretarias uma verbinha ali reservada, destinada para nós, para os nossos projetos. Aí sim a gente conseguir, mas assim, eu eu realmente não tô brincando aqui, mas eu não tenho o que reclamar porque assim, eu fui muito eh bem aceita e acolhida pelos os secretários municipais. Tudo que a gente propõe para eles eh eles têm topado. Então, por isso que em um período tão curto de um ano a gente já conseguiu lançar tantos programas. Bacana. Eh, agora semana que vem a gente vai lançar um sensacional que já foi até anunciado pelo prefeito, que chama Rede Atenta. E aí, antes de eu falar sobre esse programa, eu eu vou exemplificar como a gente também eh lógico que quando vem eh, né, em caráter eh eh federal, digamos assim, e estadual, dá muito mais força, mas a gente também não pode ficar parado esperando. Então, por exemplo, eh, esse programa que a gente tá fazendo dentro das escolas, né, municipais aqui de Campinas, isso deveria, você concorda, Cléo, que isso deveria fazer parte do plano pedagógico de todas as escolas do do país, não só violência contra a mulher, fascismo, preservação do meio ambiente. Isso ajudaria, imagina se há 20 anos atrás, quando foi a a Lei Maria da Penha Constituída, isso já tivesse começado a ser ensinado dentro das escolas. Olha o o o mundo que nós viveríamos hoje, né? bem diferente. Então assim, eh, só que a gente não vai ficar esperando. Então, a gente já começou com esse trabalho, potencializou esse trabalho porque foi muito bem dito pela Cléo, começou ali com a Margarida Montejano e a gente potencializou. E agora dentro da saúde a gente vai também fazer a capacitação dos eh dos agentes da saúde da unidade básica, não sei se eu tô falando o termo certinho, né? A nossa expectativa é capacitar mais de 3.200 agentes da saúde básica para que também eles consigam identificar o quanto antes que uma mulher tá passando por violência, não só a física, como você disse, que é muito mais fácil, né, de ser identificada, mas pelas outras também e saiba encaminhá-la pra rede de apoio existente na cidade. Então, um centro de saúde especializado, então, em receber essa mulher, é aqueles agentes que vão dentro das casas. Ah, tá bom, né? aquela aqueles agentes que são os que recebem as mulheres quando elas vão ali no no posto para um primeiro atendimento, né? Então assim, não você não precisa falar, você não, porque muitas vezes elas não conseguem expressar, mas ali baseado no que ela tá relatando, alguns sinais, né, o a gente já pode falar: "Olha, você sabia que existe esse serviço em Campinas? Você sabia que então assim a gente vai lançar esse programa que também eu acredito que deveria ter uma, né, ter um alcance aí nacional, mas enquanto não tem a gente vai movendo aqui com o que dá, né, Cléo? a gente vai se movimentando aqui na cidade com o que a gente pode. Então, é, os agentes de saúde, eh, eu que trabalho descentralizado, a gente vê a importância dos agentes de saúde na cidade e a o a os centros de saúde já faz as notificações, né, tanto que vai pro sis é um dos que mais chegam eh eh na saúde, é no centro de referência de assistência. Então, eh, precisa de fato dessa, né, essa essa formação contínua desses agentes de saúde para porque também vai se renovando os tipos de violência, né? Eh, vai ampliando. Então, o o eh às vezes botou a casa da mulher campineira, tá um ano ali, um ano, um pouquinho mais, né? Eh, foi foi em agosto que chega e aí muda-se, às vezes não tem essa informação. Então, essa eh atualização contínua, ela é super importante, né, tanto lá como nos outros serviços que faz, né, eh nos espaços culturais, por exemplo, que é um espaço que que eu trabalho, ter esse tipo de informação é importantíssimo também. É lá que a gente recebe as pessoas, que a gente conversa com as pessoas, as bibliotecas, por exemplo, municipais, né, que tem um certo público, chega mais à vontade. Quantas vezes você chega, eu que sou bibliotecária, por exemplo, eu recebo pessoas nas bibliotecas que fala sobre a sua vida e você tem é um tipo de serviço que o servidor bibliotecário, especialista na informação pode passar, né, nesse caso e no caso do agente de saúde também super importante. Secretária, quero só voltar no assunto da questão de investimento que a Cléo brincou há pouco, né, falando: "Olha, você não vai falar, mas eu posso aqui aqui na Câmara de Campinas e é um discurso que eu já ouvi no plenário, algumas vereadoras falando que seria importante ter um fortalecimento da questão eh da secretaria. Quero saber como é que é a sua relação também aqui com a Câmara de Campinas, com o Legislativo. Nós temos 33 vereadores, apenas cinco mulheres. É importante ter essa conversa, ter essa reunião de legislativo, de executivo. Como é que foi ao longo deste um ano? Não, sem dúvida nenhuma, é muito importante e acontece e como da mesma forma que eu eu mencionei, né, que eu fui nós a nossa secretaria foi muito bem aceita pelos demais secretários municipais. Isso está nos permitindo ter um trabalho eficiente na cidade. Eh, essa secretaria foi aprovada por de forma unânime por todos os vereadores, tanto de base quanto da oposição. Uhum. Todos eles então eh reconhecem a necessidade, né, de transformar as políticas públicas para as mulheres, eh, de forma permanente, né, na administração municipal. Então, aprovaram a criação dessa secretaria e a gente, na medida do possível, claro, dialoga com todos eles. Nós recebemos emenda de praticamente todos os vereadores e das vereadoras, principalmente também para que a gente eh pudesse executar muito desses programas que a gente tem feito. Então assim, e realmente uma secretaria que não tem um bom diálogo nem abertura com os vereadores, as vereadoras e com secretários municipais está fadada realmente ao fracasso. E com o conselho conselho já puxei, tá? Não, não existe uma secretaria da mulher dessa forma, né? Porque como é que a gente vai trabalhar e ignorando, né? Então assim, determinados atores aí desse cena não existe. E assim, acho que tem tem dado muito certo, sabe? Todos. Então assim, eu eu sinto a nossa secretaria muito aberta para que todos participem, né? Eu acho que é é isso. Até porque, Cléo, a lei orçamentária anual tem que ser enviada pelo poder executivo aqui pro legislativo até 30 de setembro. Então ainda dá tempo ali, né, de fazer um pedido, aumentar um pouco o orçamento aqui, cada um puxando a sardinha paraa sua secretaria. Eh, em cima dos números que a gente recebe, né, de violência, eu acho que a Secretaria da Mulher, eh, precisa de mais orçamento, sim. E até porque nós estamos, né, o conselho da mulher também para eh fazer as suas ações, ela também precisa de orçamento que acaba eh não dando para todos, né, eh desenvolver o seu trabalho da maneira que poderia ser feito, né, com mais qualidade. Então, eh, eu acho, viu, secretária, né, como boa indicação aqui, é que, né, possa puxar, a gente tem que ali agregar mais, né, recurso na parte da secretaria da mulher para poder desenvolver esse trabalho, né, com certeza. Programa bom é programa com muitas informações e passa rápido. Já deu a minha uma hora, então vou fazer só uma uma um último questionamento aqui. Secretário, uma mulher que mora em região mais distante do centro, conseguir acessar essa rede de proteção é um desafio? Sem dúvida. É um desafio enorme, não só de Campinas, mas de qualquer outra cidade que tenha a população que tem aqui, né? Eh, eu estive recentemente com a secretária eh das mulheres de Recife, que tem uma população, a Glácio Medeiros, não sei se você conhece, que tem uma população muito semelhante e eu achei muito bom, lógico que lá a secretaria já existe há muitos anos, né? Então é bem estruturadinho. E o que que eles fizeram, que eu achei super bacana, Cléo, eles têm oito núcleos espalhados pela cidade, oito núcleos de atendimento, porque eu acho que é isso que vai fazer a diferença e não ter um ou dois lugares só. Eh, lógico, a gente tá pleiteando a vinda da da da Casa da Mulher Brasileira, que vai ajudar muito, mas eu continuo achando que a gente precisava ter núcleos menores nos territórios. Entendeu? Eh, para que a mulher, porque dependendo do lugar onde a gente vai escolher, né, Cléo, que essa casa da eh casa da mulher brasileira funcione, vai ficar longe. Hoje a gente vai fazer algumas ações, por exemplo, a gente tá ali na na região central, a gente o gabinete ali na rua 11 de agosto, né? Rua do Veracruz. Até bom divulgar isso. Na rua do Veracruz, às vezes a gente vai fazer uma ação em algum território que dali até o território demora 40 minutos pra gente chegar. É como se a gente tivesse fazendo uma viagem. É, exatamente. Então, olha que desafio, né? E então, a gente precisa pensar no no futuro, Cléo, eh, de descentralizar realmente em pontos estratégicos, sei lá, uns dois núcleos por pelos cinco territórios, não sei, alguma coisa. Aí eu acho que vai ser mais eficaz. Eh, por enquanto a gente tem o o nosso, né, o nosso serviço ali na na na 11 de agosto, mas claro, pretendemos ampliar, mas enquanto a gente não conseguir eh efetivamente chegar mais longe, sempre vai ter essa dificuldade. Olha que quando são casos mais graves, a gente disponibiliza o carro, a gente vai buscar, se a mulher liga pra gente, a gente vai buscar onde for, a gente se esforça ao máximo para não deixar ninguém sem atendimento. E de fato não deixamos, né? Todo mundo que nos procura é acolhido e é atendido, mas esse é um grande desafio pelo tamanho da cidade. É uma é é um desafio muito complexo, mas realmente essa eh descentralização vai sempre fazer vai sempre fazer parte das nossas pautas. Quero ouvê-las? É, é isso. Fico muito contente de ouvir a secretária porque essa é uma refração antiga desde quando a secretária chegou e antes, né, quando fazemos parte da secretaria de assistência, é uma solicitação da sociedade, né, de ter outros espaços, porque a gente sabe do tamanho de Campinas e a gente sabe que, por exemplo, [limpando a garganta] atravessar John Boyon Op para chegar lá no último bairro demora-se eh 40 minutos se tiver tranquilo. Exato. Se não tiver trânsito, se não tiver o trânsito. Ontem a cidade para a região, por exemplo, do Santos do Monte tava um caos. Então a gente precisa sim ter eh em alguns pontos, né, descentralizados, bairros que tem, né, nessa notificação que é feita ainda que subnotificado, ah, ter serviços que possa atender essa mulher para que ela, eh, ela possa chegar mais rápido, né, com com a sua solicitação. Então, é importantíssimo. Por isso que a gente precisa ter eh orçamento, eh ter técnicos, né, profissionais que possam fazer esse atendimento. A gente também reivindica como conselho, já tô falando aqui, viu? por favor, as nossas reivindicações, que a gente tenha um fundo eh dentro do conselho, né, que a gente possa eh utilizar o orçamento e e esse fundo ele é discutido juntamente, né, com a secretaria, com a sociedade civil, eh como hoje é do do da pessoa idosa e e da assistência, eh, pra gente poder também desenvolver o nosso trabalho da melhor maneira possível, que venha a casa da mulher brasileira pra cidade de Campinas, é já eh encaminhando a documentação que é necessário para essa casa chegar. A gente tá em busca de um de um terreno. Já foi conversado isso n na reunião que tivemos junto com o vice-prefeito, né, secretária. E aí eh a gente precisa dar andamento para que isso chegue logo e a gente possa atender tifar das mulheres da melhor maneira possível. Muito trabalho pela frente. Então, secretária, nossa senhora. Que não falta, né? É o que não falta. Cléo Dias, coordenadora do Conselho da Mulher, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo. Ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa Questão de Ordem, informações valiosas para quem está nos acompanhando. Já faço um novo convite pra senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberto à suas considerações finais. Agradeço demais. Eh, vim aqui à TV Câmara que tem, né, a acesso a mais pessoas, eh, quem for nos assistir, quem estiver nos assistindo, eh, saber que existe hoje em Campinas a Secretaria da Mulher. Quem não conhece ainda o Conselho, a gente faz o convite para estar nas nossas reuniões toda segunda, quarta-feira do mês. Esse, em exceção esse, porque a gente teve um feriado, né? Então, a nossa reunião vai ser eh na terceira semana, mas é isso, venha, traz as suas opiniões, diga o que e eh como que nós podemos ajudar. Estamos aqui fazendo trabalho para poder atender da melhor maneira possível. Muito obrigada pelo convite. Nós aqui agradecemos. Alessandra Herman, Secretária Municipal de Políticas para as mulheres, também muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite diante da sua agenda, mas para participar do questão de ordem, para falar das ações que estão sendo realizadas aqui na cidade de Campinas, também já faço um novo convite pra senhora retornar aos nossos estúdios e fica aberta as considerações finais. Eu também só tenho agradecer principalmente a população de Campinas, que nos recebeu tão bem, recebeu essa secretaria aí de braços abertos, né? Uma secretaria que foi criada com muita expectativa, né? porque a gente vem acompanhando tudo que tem acontecido, né, no nosso país. Então, a criação da secretaria foi bem eh nesse momento tenso, né, que nós estamos vivendo. E eu só tenho agradecer todo o apoio que eu tenho recebido novamente, eh, do prefeito, do vice-prefeito, de todos os secretários municipais, de todos os vereadores e vereadoras e claro o Conselho da Mulher também que a gente tá construindo, acho que uma história muito bonita juntas, né? A gente tem nossas desavenças, a gente discute as reivindicações, secretária, que a gente precisa fazer. Exato. Não, com certeza o fiscalizador. Só isso. Sem dúvida. Elas estão cumprindo o papel delas e também elas entendem que a gente tem algumas limitações que, infelizmente, né? Eh, mas eu acho muito bacana isso que tá que a gente tá fazendo junto, Cléo, por ser a primeira secretaria. Então assim, eu tô muito feliz e assim digo que é um é um prazer enorme estar à frente dessa primeira secretaria da mulher da cidade de Campinas, uma cidade tão tão importante e que precisava, né, Cléo? Sim, precisava muito, precisava disso. As mulheres, uma é reivindicação muito antiga que finalmente agora as mulheres podem contar. Eu fiquei feliz também com tantas informações. Agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha contribuído com esta temática, que você converse com o seu vizinho, com os familiares, a importância dessa conscientização, a prevenção para diminuirmos o quanto antes o número de violência contra as mulheres aqui no nosso município, no nosso estado e no nosso país. Questão de ordem fica por aqui. Muito obrigado e até semana que vem. Ciao. Ciao. [música] [música] [música] [música] [música]