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Olá, começa agora o Questão de Ordem e o tema de hoje é o Janeiro Branco, campanha sobre conscientização e proteção à saúde mental. Agora no início do ano, você que está nos acompanhando, Utiliza essa época para reflexões, para planejamentos, mas em relação a políticas públicas, o que é necessário? Bom, sobre este tema recebo aqui no estúdio os vereadores Paulo Haddad, presidente da Comissão de Política Social e Saúde, vereador Paulo Búfalo e de forma virtual o Danilo Costa, psicólogo, pós-graduado em Cuidados Primários e Secundários em Saúde Mental pela Unifesp. Lembrando que o debate vai acontecer, farei as interrupções apenas quando o necessário. Vereador Paulo Haddad, durante o ano de 2021, a comissão se reuniu, analisou projetos, discutiu campanhas como o Cubro Rosa, a pandemia foi tema de diversas reuniões, com impactos em diversas frentes, Inclusive na saúde mental Seja bem-vindo ao Questão de Ordem Muito obrigado, Gabriel Deixar aqui um abraço para o amigo De Legislativo, Paulo Dufalo E o Camilo Costa, que também Está fazendo parte desse nosso debate Foi um ano difícil 2021 foi um ano muito difícil A comissão se reuniu por várias vezes Discutiu vários projetos Mas especificamente Tivemos o olhar voltado Para algumas campanhas O Outubro Rosa A Câmara recebeu alguns especialistas em câncer de mama, passando algumas informações importantes. Tivemos também o Novembro Azul, fizemos uma reunião, um evento grande, que teve a presença e a participação de especialistas na prevenção de câncer de próstata. Enfim, foi um ano produtivo. Também o enfrentamento da Covid, com os nossos secretários e presidentes das autarquias prestando alguns esclarecimentos de como estava o enfrentamento em relação à Covid. Foi um ano de muito trabalho. Espero que esse ano de 2021 nós tenhamos um ano um pouco mais tranquilo e agora debatendo um pouco mais a saúde mental, oportunamente, no início do ano, para que se faça uma projeção de tudo de melhor, para que a gente possa ter uma tranquilidade, um pouco mais de tranquilidade e focando um pouco na saúde mental. Vereador Paulo Búfalo, durante todo o último ano, o senhor apresentou projetos como obrigatoriedade de apresentação de comprovante de vacinação contra a Covid-19, Debater o impacto que o vírus impôs na cultura, na educação infantil, entre outros Neste ano de 2022, acredita que teremos muito impacto? Fala-se muito emprego na parte econômica do país Sequelas para aqueles que tiveram a doença Mas há que se ter um cuidado especial também sobre a saúde mental Seja bem-vindo ao Questão de Ordem Obrigado, Gabriel Castro Quero cumprimentar o vereador Paulo Haddad e também o Danilo, que está participando aqui virtualmente conosco. É importante esse espaço aberto pela TV Câmara para que nós possamos discutir aqui a saúde mental e pensar um pouco o ano de 2022. Quero iniciar lembrando que, quando nós entramos na pandemia, nós já vínhamos arrastando um conjunto de demandas no campo da política em relação à saúde mental. Então, os próprios caminhos que essa política tem tomado em nível nacional, com a nomeação de pessoas vinculadas ainda ao antigo modelo manicomial no país, país, problemas que diz respeito ao excesso de medicalização da população, tudo que influência. Quando nós entramos na pandemia, outros aspectos, a partir do isolamento, da ansiedade, acho que depois o doutor Danilo vai falar a respeito também, e aí nós trouxemos outros elementos Para essa questão da saúde mental Com influência No campo, como você já citou Nós em 2021 Tivemos essas análises Com que isso interferiu Por exemplo na cultura Foi o setor mais atingido Um dos setores mais atingidos Com a parada Que nós tivemos Em todo esse processo Mas foi um setor também Que demonstrou que esse trabalho coletivo, a unidade em torno do debate de saídas, acabou levando à conquista importante, por exemplo, da Lei Aldir Blanc. Então, sinaliza que isso, a discussão coletiva, o protagonismo, inclusive, das pessoas afetadas ou sujeitas a um transtorno, enfim, é fundamental. Então, acho que é importantíssimo a TV Câmara entrar nesse debate, tendo em vista que nós estamos às voltas, inclusive, com a realização da terceira Conferência Municipal de Saúde Mental em Campinas. E esse debate está muito quente aqui na cidade. É a reação diante das adversidades, a questão do fechamento dos manicômios é algo que nós vamos abordar aqui, que é só uma luta que o país enfrentou, de vez em quando ainda enfrenta, e que nós vamos abordar sim. E participa da questão de ordem o psicólogo Danilo Costa. Pegando o gancho dessa minha última pergunta, Danilo, a gente pode entender que o ano de 2020, quando veio a pandemia, todo mundo, ou uma boa parte, Ficou em estado de choque, perdido, sobrevivendo, tentando entender o que era esse vírus, como é que ele se propagava. Depois, em 2021, a gente pode dizer que a ficha caiu, a vacinação aumentou, retomada de muitos setores. Agora, em 2022, a tendência é essa retomada vir com força, voltando à vida como a gente conhecia, ou você acredita ainda em uma ressaca, entre aspas, uma época de transição, aquele receio, as pessoas desconfiadas? No geral, como é que a nossa mente age diante de anos de turbulência, de pelo menos dois anos? Seja bem-vindo ao Questão de Ordem. Bom, primeiro, obrigado pelo convite, Gabriel. Muita honra aqui por fazer parte do programa, desse debate. com o Paulo Haddad, com o Paulo Búfalo, vamos ver se a gente consegue pensar um pouco depois desses dois anos que nos deixaram tão preocupados. Eu não sei dizer sobre o futuro, Gabriel, mas o que eu sei é que transtornos quando são instalados e essas confusões em tempos tão aflitos como foram esses dois últimos anos que a gente viveu, deixam seus prejuízos, e a gente precisa tentar arrumar jeitos de se desenvolver, de trabalhar, de cuidar um pouco mais da nossa mente. Por que foi tão complicado? Eu tenho conversado, parece que muitas pessoas do meu ciclo social estão muito aflitas ainda, caíram em processos de perturbações mentais intensos, o nível de consumo de medicação aumentou, a procura por psicólogos, psicanalistas aumentou também, todos os colegas com as agendas muito cheias. Porque nós somos seres, se a gente parar para pensar, a nossa espécie é constituída do famoso, aquela coisa que a gente aprende na primeira aula de psicologia, biopsicossocial. São as três esferas que definem a nossa espécie, que nós somos seres biológicos, psicológicos, que vai tratar da nossa mente, social. E as três esferas foram muito atingidas. A gente foi privada do nosso convívio social, que é uma fonte de muita saúde, muitas pessoas ficaram com muita saudade, tem aqueles que se viram bem ali sozinhos, isolados, mas a grande maioria sentiu muito esse isolamento forçado, ocasionando problemas na mente e no físico também, porque teve muita gente que teve que interromper processos de academia, acabaram entrando numa questão mais sedentária, e a gente trabalhou bastante também essas questões nas redes sociais, tentando motivar as pessoas, lembro da mídia, tentando falar, olha, descubra um jeito. Então, essa pandemia puxou o tapete de uma maneira muito dura da nossa espécie como um todo, do mundo inteiro. Então, eu acho que a gente tem muito trabalho para fazer, muitos trabalhos. Os prejuízos na educação, por exemplo, ficaram aí coisas por décadas, de que a gente vai ter que trabalhar muito para construir um novo normal que a gente consiga acolher toda a população. E aí é onde entra o trabalho dos vereadores, dos deputados, que precisam trazer políticas públicas, porque a gente não consegue alcançar todo mundo no individual, né, coletivo, né, somos seres coletivos, então eu penso que a gente tem muito trabalho a fazer. Agora, Danilo, tem se popularizado, né, esse termo saúde mental, principalmente na pandemia, se falou muito sobre isso, né, as pessoas, elas ouvem, elas leem sobre esse assunto, mas podem não compreender. Então, assim, o que que é uma saúde mental saudável? O que é estar equilibrado? O que as pessoas devem buscar? A DFQ não tem como viver numa bolha ou armar um escudo contra tudo que está no externo. Então, quando a gente fala sobre saúde mental, o que é uma saúde mental equilibrada, estar saudável? Essa é a pergunta do milhão. Eu acho que equilíbrio é uma palavra boa para a gente poder começar a pensar. Por quê? Porque a gente tem várias questões. Nós temos pensamentos, nós temos perturbações, nós temos ansiedade. Eu vejo as pessoas assim, como eliminar a ansiedade? A ansiedade não se elimina, a ansiedade faz parte do ser humano. Então, a grande jogada é como é que eu posso trazer minha ansiedade para um nível de algum certo equilíbrio. Então, saúde mental, eu acho que começa primeiramente você compreendendo que você possui uma mente e que essa mente tem perturbações, tem partes não saudáveis, partes saudáveis, e que a gente tem que tentar trazê-la para algum tipo de integração e aprofundar o nosso próprio conhecimento na nossa própria mente. Então, por exemplo, ansiedade. Ansiedade diz muito de pessoas que antecipam muitos problemas. Então, a gente pode pegar um recorte da ansiedade. O que gera ansiedade? É antecipar problemas. É o famoso e se. E se eu pegar a corona? Ou e se eu trouxer coronavírus para dentro de casa? E se eu perder o emprego? Só que isso diz respeito ao presente. Então, é você poder trabalhar com a sua mente para trazê-la para o presente, para entender que não existe segurança nenhuma e que a gente vai ter que ir administrando a vida conforme ela acontece, entender que não se resolve, as coisas não se resolvem, a vida não se resolve, que a vida a gente não resolve, a gente administra. E aí você vai tentando construir conhecimentos para alcançar algum nível de equilíbrio. Eu penso que é isso, saúde mental é isso. E isso a gente faz através do relacionamento com o outro, através de ações, através de aprender a pensar, pensar coisas que fujam do nosso status quo, aquilo que eu penso ser a verdade, lembrar que esse conceito de verdade é bastante dúbio, que a gente pode, de alguma forma, desenvolver. Para mim, saúde mental é você aprender a pensar cada vez mais e poder expandir assim a sua mente. É difícil manter esse controle. Talvez seja um pouco mais fácil em janeiro, mês começando, a gente faz muitos planejamentos, mas a gente vai abordar mais sobre esse assunto. Vereador Paulo Haddad, em 2021 eu lembro de uma reunião que você recebeu no plenário, secretário de saúde Laís Zambon, presidente da Rede Mário Gatti, o Sérgio Buzone, a diretora da Devisa, a Andréa Von Zubem, e você questionou sobre a vacinação da Covid-19 no município, questão da testagem. Passado alguns meses, entende como muito intenso todo esse período, a luta contra o movimento anti-vacina, contribuiu para o adoecimento da saúde mental, como que um profissional da saúde viveu e ainda vive no meio de tantos questionamentos? Nós tivemos oportunidades de cobrar, o André, enquanto presidente da Comissão de Política Social e Saúde, e os outros membros, um posicionamento e a prestação de contas da diretora do DERVISA, do secretário de Saúde, do diretor Raíssa Mariugat, sobre quais ações seriam tomadas naquele momento em relação à vacinação. E, de pronto, eles nos apresentaram os números, Falando de Campinas, teria aí talvez um protagonismo como teve na vacinação, ela foi copiada por várias cidades do Brasil agora. Nós terminamos o ano de 2021 com mais de 96% da população campinheira vacinada. Mais de 2 milhões de doses aplicadas. Enfim, tínhamos 96% da população vacinada já em segunda dose. Isso traz, ou trouxe, na verdade, um alento muito grande para a população. Como o Danilo bem pontuou, nós temos que nos desprendermos do passado, virar a página para que a gente não crie problema no presente, vislumbrando um futuro que a gente nem sabe, né, Danilo? Eu acho que isso talvez traga aí um equilíbrio emocional para as pessoas. E claro que a doença física também compromete a parte mental, todo um entendimento. Por que eu fiquei recluso? Por que eu peguei a Covid? E isso não é o pior. Muitas famílias tiveram perdas de seus entes queridos. Isso fragiliza mais ainda as pessoas. Nós temos um quadro de mais de 11,5 milhões de pessoas em situação de depressão, mais de 22 milhões com ansiedade. Então, como é que você trata as pessoas? Isso é um problema de políticas públicas, um problema de saúde pública. A gente tem que enfrentar isso. Mas, pontualmente, do que você me perguntou sobre a Covid, a gente teve uma pronta resposta das autoridades responsáveis. Vereador Paulo Bufalo, como é que o senhor assistiu, ou assiste, movimentos anti-vacinos, notícias fakes, essa confusão, você acha que causa um desgaste ou é algo que sempre existiu e, portanto, esperado? Diga só, eu acho que o doutor Danilo levantou uma questão interessante Apontando como sair da necessidade da reflexão, do pensamento, das ideias Das pessoas se perceberem nesse espaço E eu pergunto isso como muito importante Porque, na verdade, fincada nessa questão do pensamento, das ideias, é que nós estamos tratando caminhos para sair desse impasse. No final de 2021, em pleno debate do passaporte de vacinas, nós vimos começar a circular em redes sociais médicos dispostos a atestar em pessoas que não tomaram a vacina e que não querem, não pediam tomar. Então, isso não tem encaminhamento. Então, essa questão nós precisamos chamar essas pessoas à reflexão, sobretudo, quem teve a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos no campo da ciência, no campo da medicina. Por outro lado, acho também importante nós caminharmos por aí entendendo que há um prejuízo coletivo. É evidente, é incomparável a dor das perdas das famílias, que o vereador Paulo Haddad citou. Mas é importante que nós percebamos que há uma perda coletiva Porque nós estamos, por exemplo, em tempo de planejamento de 2022 na educação Eu sou professor de uma escola pública Então nós temos repartido também a ideia assim Se há um prejuízo coletivo, não tem porquê a gente jogar uma carga imensa Sobre os nossos alunos, que são adolescentes que voltaram, muitos deles depressivos, para pensar que vamos recuperar o que foi perdido. Não, há o prejuízo e nós vamos partir desse patamar, dessa condição de conhecimento e com certeza, ao longo de um período curto ainda, nós vamos conseguir reparar, de certa forma, essas situações. Porque o que nós vimos durante dois anos, destacar aqui inclusive, foi o seguinte, em particular na educação pública, no campo da educação, a tomava-se decisão, daqui dois meses nós vamos voltar. E por isso a gente precisa apresentar um calendário. Só que não combinavam com o vírus. Aí o vírus avançava, aí chegava daqueles dois meses, marcava-se uma outra data. Bom, se fosse só o trato de quando voltaria presencial, quando não voltaria, mas não era. Aprovavam um calendário, por exemplo, já suprimindo as férias dos trabalhadores de educação dos próprios alunos. Ao invés de ajudar, aumentava a angústia. O aluno falava, pô, eu vou entrar o mês de janeiro inteiro com aula. Essa ansiedade, né? A pressão para o futuro. E eu tenho que dizer, em 2020, nós aprovamos, em um ano, vereador, acho que nós aprovamos oito ou nove calendários com toda essa pressão. Aprovar um calendário significa você se debruçar, planejar e ver ali o seu tempo livre, porque o ócio também é muito importante para todo mundo. E a gente vê o nosso tempo livre, o ócio não forçado como nós tivemos aí pela pandemia. Então eu queria destacar um pouco isso nesse processo. Sobre essa realidade imposta e a reflexão que o Paulo Bufo citou, Danilo, eu tenho duas questões para você. A primeira, existe uma simbologia do mês de janeiro? É um recomeço, aquela analogia de 365 dias, de páginas em branco, nós que vamos escrever a história. A nossa psique, o ser humano, ele precisa dessa história de ciclo. Mudou o ano, vai mudar tudo. Eu sou muito a favor dos rituais, né, Gabriel? Eu acho que os rituais nos apoiam para fazer passagens. Aliás, eu sinto falta de rituais. Hoje, por exemplo, a nossa sociedade tem muita dificuldade de criar rituais, por exemplo, da passagem da adolescência para o mundo adulto. Então, eu acho que rituais são muito importantes. Janeiro acende isso. No final do ano, é comum você ver que as pessoas vão se sentindo mais cansadas porque vai chegar em dezembro porque vai chegar as férias e aí em janeiro estou renovado eu acho que isso grande parte disso faz parte de uma fantasia faz parte de uma questão interna mas eu não vejo problema eu acho que ajuda, agora a grande questão é será que você vai mudar? porque o ano muda, e sua mente? sua mente muda de fato o que a gente vê muito acontecer são as famosas listas de metas gigantescas. Esse ano eu vou ser uma pessoa diferente, esse ano eu vou fazer tudo de diferente. Enquanto que, na verdade, mudar é um processo que acontece, mas acontece muito devagar. Eu acho que a gente precisa acordar para quem a gente é, se conhecer, para daí você já não provocar na tua vida um ano de ansiedade. Vou encher minha lista de coisas que eu vou fazer e vou aprender inglês em seis meses, eu vou fazer isso, eu vou fazer aquilo, sendo que você está acostumado a se frustrar com essas listas. Então, eu acho que se conhecer é importante para você se colocar um pouco na real, quem sou eu de verdade? Será que essa lista condiz com quem eu sou? Será que eu vou, de fato, um dia simbólico como esse, vai mudar a minha mente? Então eu acho que é importante Esses rituais são importantes Sem dúvida nenhuma Mas mais importante do que isso É você se conhecer É você saber quem você é Porque você que estava em 2021 Vai junto para 2022 Veio junto para 2022 Então é por isso que é importante a gente se conhecer Agora, Danilo, outro questionamento É cada vez mais frequente as pessoas utilizarem a internet, seja pelo computador, celular, tablets. Hoje em dia, muitas opções de jogos, pagamentos de contas, é banco online para se informarem também. Só que se analisarmos no contexto histórico, é algo novo. As leis ainda estão sendo adaptadas para proibir crimes. Agora em 2022, nós não devemos ter muitas mudanças, o consumo deve aumentar nos aparelhos, não é o que a gente vai discutir em 2022, vai resolver. Ficar muito tempo neste meio também traz um cansaço mental? Essa é uma questão que também a gente vai ter que começar a ter? Eu acho que já passou da hora Ainda mais tendo em vista Que estão vindo aí Os multiversos Que é essa nova tecnologia Que está chegando A gente vê as coisas acontecendo muito rápidas Tem um documentário Diga Sobre o multiverso Seria como se fosse uma realidade No mundo virtual de cidades, de construções, é isso? Exatamente. Está tendo um investimento pesado até do Facebook, que mudou o nome para a meta, e das grandes corporações de tecnologia para trazer essa realidade. Eu acredito muito, eu gosto dessa coisa do futurismo, as pessoas que estudam sobre o futuro. Eu acredito que, de fato, a gente não vai se deslocar tanto quanto se desloca hoje para ir até as reuniões, ir até os escritórios, etc., mas, ao mesmo tempo, a gente precisa muito de regulamentação. O que se vê por aí na internet, as coisas precisam ser minimamente reguladas. Estou tentando lembrar do nome de um documentário, não sei se vocês assistiram, me ajuda a lembrar depois, Gabriel, do canal Netflix sobre as relações, sobre os empresários da grande indústria da internet. É o dilema das redes, não? Esse mesmo, o dilema das redes. Esse documentário é maravilhoso, recomendo muito para o telespectador assistir, principalmente aqueles que têm adolescentes em casa, para entender como a rede precisa ser regulamentada, que você tenha ali crianças, adolescentes, que não basta a página colocar proibido para menores ou coisa do tipo, porque todo mundo tem acesso, vai circular, vai vincular. Então, precisa sim, o poder público precisa se organizar para regulamentar essa utilização. E os neurocientistas já, não é a minha área de estudo, mas a gente sabe que já estão vindo pesquisas comprovando o quanto o cansaço mental vem. Agora, empiricamente, para mim é nítido. Você passar muitas horas em qualquer atividade exclusiva Aí tem, você fazer uma coisa só por muito tempo Isso vai te gerar um cansaço Ou é algum tipo de fuga que vai gerar um burnout, por exemplo A pessoa que só trabalha vai ter alguma questão A pessoa que fica na internet muitas horas Ou no jogo muitas horas Precisa ser avaliado por que não está conseguindo ter uma multiplicidade de atividades na vida. Porque a gente não é uma coisa só. É como alimentação. Não dá para você comer alface e faz bem. Mas se você comer só alface, vai ter déficit de outros nutrientes. Você precisa de calorias, de proteínas, você precisa de outras coisas. Então, nós precisamos desse equilíbrio de novo. A palavra que a gente começou o programa hoje nos perseguindo. Paulo Goffro e Paulo Haddad, como é que vocês utilizam celular, internet, rede social? Há um vício, eles precisam se policiar, falam, tira isso aqui de mim, é só para o hobby que vocês utilizam? Não, eu utilizo muito, assim, e me ampliei no período da pandemia. Porque aí, mesmo nós aqui, nós iniciamos o processo legislativo do ano passado, online, de forma virtual, as aulas ministradas de forma virtual, sofrendo, inclusive, com uma tecnologia de baixíssima qualidade, tendo que correr, iniciando a aula, só para que as pessoas localizem, eu não moro tão longe assim aqui da Câmara, mas aí eu estava no o ambiente, iniciava a aula, travava a internet e corria para um outro local aqui próximo para tentar contornar essa situação. Imagina os alunos, no fim. Então, a utilização, a aplicação é cada vez mais intensa. Então, concordo com aquilo que o Danilo trouxe, dessa regulamentação do acesso a conteúdos, porque hoje os conteúdos são abertos. Há, inclusive, um debate muito recente que está envolvendo o Supremo daquilo de conteúdo que circula nas redes sociais e em toda essa mídia eletrônica. Agora, há uma aplicação também, e nisso nós temos buscado um pouco acessar, de tecnologias assistivas que estão embarcadas, por exemplo, nas redes sociais. Então, do atendimento da pessoa surda, da pessoa cega, enfim, que traz nesse campo das tecnologias assistidas. Agora, eu imagino que todo o campo de conhecimento sofreu um impacto positivo com essas tecnologias. agora essa questão que o Danilo traz de nós sabermos dosar acho que é um grande desafio que nós temos ao debater o tema porque eu confesso você vai para um jogo de futebol daqui a pouco você quer voltar para ver o que circulou de informações lá no grupo ou que estão falando sobre o jogo você está assistindo o jogo E você fala, mas o que será? Será que estão pensando igual? Aí você abre uma rede social, deixa eu ver se as pessoas estão falando sobre... Você fala, é uma loucura estar conectado o tempo inteiro. É isso, o tempo todo, o tempo todo. Você não consegue desligar, então... E às vezes no fim do dia é pausa, um cansaço também. Tem uma hora que você fala assim, eu não aguento mais. Eu pelo menos já tive essa sensação, falo, eu não aguento mais isso aqui. Ah, e aqui o mal que eu tive, eu já tive um sonho por conta de situações como essa. Então, eu sei que eu sou mais... experiência entre todos vocês aqui. Meus cabelos brancos já me deram sim, e eu costumo brincar que eu sou da época do lápis na orelha, mas eu tive que me adequar às novas tecnologias, até profissionalmente, hoje a gente tem dentro do consultório odontológico, consultório médico, scan, enfim, coisas que são extremamente modernas, mas as redes sociais também, elas fazem parte do nosso trabalho legislativo, e o Paulo falou muito bem, A gente tem que estar acompanhando em tempo real aquilo que antigamente os vereadores, aqueles que estavam dentro do poder público, eles sabiam saber por notícias de jornal, ou eventualmente chegavam, demoravam para chegar. Hoje não. O que está acontecendo num lugar talvez tão distante, você está sabendo em tempo real. Então, hoje nós temos que nos policiar e eu procuro fazer isso. Quando eu estou, talvez, no convívio com a família, alguma atividade que requeira mais o meu presencial, a minha interrupção, a conversa, até para a gente não cair naquela situação de ansiedade, de angústia, de depressão, a gente possa fazer essa nossa reunião, essa nossa estada junta aqui, com uma forma mais presencial, produtiva, sem ficar em rede social, como muitas vezes a gente vê, você vê pessoas que saem para almoçar, para jantar, enfim, aí está um celular, outro celular, pai, mãe, filho, E a gente tem que ter isso muito claro, é uma ferramenta de trabalho? É uma ferramenta de trabalho. A gente vai até que horas? Você falou que previne o insônia. Talvez se eu ficar também ali muito atento à rede social, também não vai vir. Mas a tecnologia veio, veio para ficar e cada vez mais temos coisas mais impactantes, novidades que a gente não vai poder deixar de estar trazendo para o convívio do dia a dia, mas elas... Para usar o nosso favor, né? Sim, não há dependência. Não há muita parcimônia, muita sabedoria, eu acho que é por aí. Tudo vai do uso que se faz, né? Por exemplo, aqui agora, a gente está conectado, estou aqui no meu consultório, estou falando com vocês, né? Então, assim, tudo vai do uso que se faz. Por exemplo, rede social, a gente não precisa demonizá-las, mas a questão é estar passando mais de meia hora, quando você está com as pessoas, você está ali toda hora no celular, não consegue mais interagir sem ter o celular em mãos. Então, precisa reavaliar o seu consumo. As próprias aplicativas, as operadoras e tal, disponibilizam, por exemplo, aquela coisa de você limitar, não sei se todos os celulares tem isso, mas você pode limitar o tempo de uso, porque uma coisa que é importante você se dar conta é, e por isso que precisa de regulamentação, muitas coisas que acontecem você não percebe. Então, às vezes a pessoa, naquele documentário mostra isso, você pergunta para alguém, quanto tempo você passa em rede social? Aí a pessoa falava assim, ah, acho que 30 minutos por dia. E aí abria lá no celular o registro e estava às vezes 3 horas e meia a pessoa achando que fazia 30 minutos porque é tudo picado você entra, fica 10 minutos, sai você não percebe o tanto de tempo que vai então eu acho que regulamentar diz disso, nós não somos capazes de fazer isso sozinho a gente precisa de um apoio a gente precisa de uma regulamentação para poder se organizar É isso, Fábio. Muito importante que nós estamos abordando aqui a nossa questão de ordem sobre a saúde mental. A gente vai fazer o seguinte, rápido intervalo, na volta nós vamos falar mais sobre políticas públicas, redes de atendimento psicossocial, a gente vai falar um pouquinho sobre aqui a cidade de Campinas. Então, sai daí, o intervalo é rapidinho. Voltamos com o Questão de Ordem. Hoje nós estamos debatendo janeiro branco, mês de conscientização com campanhas sobre saúde mental. Estão em altas discussões sobre o psicológico das pessoas. Nós já discutimos aqui no nosso Questão de Ordem durante esta pandemia. A Organização Mundial da Saúde, OMS, a Organização das Nações Unidas, a ONU, já fizeram alertas aos governantes para o aumento no número de casos de doenças mentais e na gravidade dos já existentes. O vereador Paulo Haddad falando agora sobre políticas públicas em saúde mental. Aqui no Brasil, o Sistema Único de Saúde, o SUS, ele realiza um atendimento público gratuito. Existe a rede de atenção psicossocial, os centros de atendimento psicossocial, enfim. Como é que você avalia o que já existe na cidade e, pelo que eu estudei, desde 1990, a cidade implementou políticas de saúde mental? Campinas tem uma atenção para o atendimento psicossocial, a saúde mental das pessoas. É claro que muitas vezes a demanda é maior do que a capacidade instalada de atendimento. Nós teremos ainda um agravante esse ano, que são as pessoas vitimadas pela Covid, muitas em estado de ansiedade, depressão. Então, o olhar do agente público, o olhar do administrador da cidade, das pessoas que administram a cidade, eles têm que ser ampliados, ser mais amplos. Criar aí uma ferramenta, e Campinas já sinalizou no final do ano passado, de 2021, que teria uma visão especial para essas pessoas, bem como outras sequelas da Covid, problemas neurológicos, problemas renais, pulmonares, enfim. Mas acho que a saúde mental faz parte desse escopo e ela está sendo conduzida de uma forma Então, eu acredito que a gente vai conseguir dar uma atenção a essas pessoas que necessitam desse tipo de atendimento. O senador Paulo Bufo teria também uma avaliação sua sobre os atendimentos, os serviços que são oferecidos na cidade de Campinas, em especial as famílias que estão em situação de vulnerabilidade, como é que é este trabalho e como que deveria ser. Veja só, Gabriel, trazer um pouco o debate da vulnerabilidade nesse contexto da saúde mental é importante porque já houve um tempo em que a pobreza, de certa forma, era criminalizada e contida com internações, com segregação, por exemplo, das crianças vêm em espaços de contenção. Então, há mais de duas décadas, o Brasil faz uma discussão da superação não só desse modelo, mas do modelo mais impunial. Em Campinas, por exemplo, quero lembrar, nós tínhamos o chamado hospital Santo Isabel, o sanatório Santo Isabel, aqui próximo à Câmara, inclusive na região, o Tibirissá, e o Cândido Ferreira, esse talvez que eu me lembre, que eram aqueles mais fortes. E quando vem a reforma psiquiátrica, vem esse movimento da luta antimanicomial, nós tivemos um processo de envolvimento do governo municipal na superação desse modelo. que trancava, que torturava, que tinha um excesso de medicalização, de contenção, enfim, desses casos que envolviam a saúde mental. Então, desde os anos 90, a cidade, inclusive, tinha um processo de cogestão com o então Serviço de Saúde Cândido Ferreira, que dava essa retaguarda. De certa forma, a cidade de Cantinas inovou naquele momento, trazendo esse hospital que era público, que estava indo à falência, vamos dizer assim, e recuperou para fazer esse atendimento. E no ano passado, nós tivemos, inclusive, a revogação desse processo de cogestão, o que me deixou muito preocupado. Então, nós precisamos apostar que o futuro será um futuro de convivência comunitária, coletiva, dos cuidados com essas pessoas em meio aberto, que essas pessoas possam conviver na sociedade, ter esse equilíbrio que o Danilo propôs no debate e na convivência, que esse equilíbrio também seja um equilíbrio comunitário, solidário, no cuidado com essas pessoas. Então, nesse início de ano, nós estamos aqui fazendo esse processo de transição, de mudança, eu espero que isso prevaleça. Agora, há duas preocupações, só para problematizar. Uma que eu já falei no início do primeiro bloco, que é esse caminho mais da grande política em torno da saúde mental, sob cuidados de gente que ainda defende o modelo antigo, o modelo manicomial. Acho que esse é o problema. E o segundo problema, no meu ponto de vista, é o avanço, de certa forma, do mercado, do setor privado, sobre a área de saúde, sobre o sistema único de saúde, e, consequentemente, sobre a saúde mental. Porque eu avalio que não cabe o cuidado em saúde mental Quando é uma saúde como um todo Não cabe esse modelo meio mercadológico No tratamento, no cuidado Acho que o poder público tem que estar muito mais envolvido nessas relações Danilo, como é que você enxerga a importância de ter uma política municipal, estadual, nacional de saúde, de saúde mental, para o álcool, para outras drogas? Há necessidade de muitas frentes, integração de serviços para o atendimento de indivíduos, grupos e de toda a população? Eu não tenho a menor dúvida. O trabalho que o CAPES faz é um trabalho excepcional. Infelizmente, a gente realmente não alcança todo mundo Isso é um problema espalhado pelo país inteiro Falta unidades, falta profissionais Mas o trabalho que é feito nessas pequenas células Que são os cartos, enfim São trabalhos muito essenciais Que realmente salvam vidas Eu acho que quando a gente tinha esse modelo manicomial mais instalado A gente operava naquele sistema assim Temos um problema e temos que eliminar um problema E eu acho que a compreensão que nós da área da saúde temos hoje É que somos todos seres em algum grau perturbados Nós temos perturbações mentais Uns mais, outros menos Então, se você seleciona um pequeno grupo, essa pessoa tem essa característica, então vou isolá-lo da sociedade, você cria um enorme problema para essa pessoa, mas você o faz para se livrar dos seus próprios problemas. Então, vou jogar lá essa pessoa que está muito perturbada, porque eu não preciso lidar com a minha própria perturbação. Só que os resultados são muito tristes. As histórias que a gente tem das pessoas que passaram por isso, por não ter internações involuntárias, muito prolongadas, diagnósticos errados. Você chegava num hospital desse, você ia se ver lá, de repente você estava tomando 15 remédios, sem uma combinação adequada, com um diagnóstico precoce e muitas vezes errado, e afastado do convívio social, social, ou seja, era só prejuízo para as pessoas que estavam adoecidas, e eu acho que prejuízo para a sociedade como um todo, porque essas pessoas não são inseridas e a gente perde um pouco a nossa humanidade, que é poder nos reconhecer como pessoas comuns, que a gente pode adoecer em algum momento, mas isso não significa ser uma sentença, que você adoece, você se trata, você melhora, você adoece de novo, e assim é. E eu acho que o coletivo ajuda muito. Então, ainda bem que a gente conseguiu mudar muito a realidade do Brasil, sempre tem o que ser feito, e eu acho que precisa, sim, ter um olhar carinhoso e aumentar, assim como em várias áreas, porque é tudo interligado. Você não tem uma boa educação, aí você vai impactar em pessoas, em diversos problemas sociais, de violência, de incapacitação profissional, e aí de doença ou de uma não saúde mental dessas pessoas que não conseguem se colocar, que caem em trabalhos muitas vezes complicadíssimos. Então, a complexidade disso é enorme. E a gente precisa, sim, olhar e tentar, de alguma maneira, ampliar. Mas aí é a parte dos nossos colegas aí da banca, é com eles. E já já eu vou trazer um pouquinho dessa reforma psiquiátrica que houve no Brasil a partir da década de 80. Antes disso, olha só, em julho de 2021, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para discutir sobre política nacional de atenção à saúde mental no Brasil. E houve um consenso sobre a falta de dados sobre o tema no país, uma situação que foi agravada em 2015, quando o relatório Saúde Mental em Dados, do Ministério da Saúde, deixou de ser publicado, além da revogação da Resolução 3 de 2020, que prevê a internação de adolescentes em comunidades terapêuticas e a construção de espaços para garantia e manutenção de direitos no âmbito da saúde mental. Vereador Paulo Haddad, vereador Paulo Búfalo, vocês enxergam a necessidade de mais investimentos, de mais campanhas, de dados para ter um embasamento, de um maior fortalecimento da rede de atenção e potencial, qualificação do cuidado, garantia de acesso aos usuários também, qual que é o problema que nós temos pela frente, que a gente precisa enfrentar para poder fortalecer isso? Eu avalio que, primeiro, as informações são fundamentais, elas não só revelam de fato ao que nós estamos enfrentando, mas subsidiam também o tamanho do esforço necessário do Estado brasileiro para que a gente possa ter um processo de mudança, que possa dar dignidade, ampliar o convívio dessas pessoas com a sociedade vice-défica. Porque nós temos também muito a aprender com as pessoas que estão passando por esse sofrimento mental. Há outra questão que eu considero fundamental, que nós consigamos avançar no debate e na presença dos profissionais de assistência social e de psicologia nas escolas. Isso ainda é um caminho a trilhar, eu diria assim, nós estamos debatendo 2021. Já há algumas redes sinalizando para a efetivação dessa política, isso porque as escolas acabam, para lá vão muitas pessoas, crianças, adolescentes, jovens e adultos, que dependem desse acompanhamento, que, caso sejam diagnosticados com antecedentes no início desse processo, podem também ajudar nessa recuperação, na condição de convívio. Até porque muitos relatam com os professores. Exatamente. Relata, e nós nos deparamos ali com várias atitudes que revelam essa situação. E mais uma questão, eu diria que já há um debate, em particular no campo da psicologia, organizado, inclusive, pelos conselhos regionais de psicologia, debatendo o excesso de medicalização. A ideia de que a criança está agitada, ela está muito lenta, isolada, já tasca de uma receita e já resolve na base da medicação. Então, eu estou trazendo esse tema porque eu acho que nós ficamos, às vezes, tentando resolver situações como essa, por exemplo, que eu citei, com drogas legalizadas, que estão havendo em toda farmácia, em toda esquina, E ficamos querendo discutir de maneira, muitas vezes, do meu ponto de vista, equivocada, outras terapias. E, assim, quando o Estado não chama para si essa responsabilidade do debate, deixa ter influência de setores fundamentalistas, inclusive, você não consegue avançar. Eu cito, por exemplo, os vários tratamentos e benefícios que eu uso da canabidiol. Como essencial, assim, nós avançarmos nesse e em outros debates para poder fazer essa discussão da política de saúde mental, mas com mais leveza. Desmistificar. Isso, desmistificar e sair desse campo do debate moralista em torno de outro tema, tendo em vista que a ciência tem demonstrado os benefícios disso. Então, nós vamos reduzir a medicalização e vamos poder fazer com que as pessoas sejam mais felizes. Quero ouvir o Tandem, Paulo. Eu acho extremamente importante que nós tenhamos todas as informações possíveis, um banco amplo de informações, para que a gente possa, de alguma forma, ter um diagnóstico e ter aí qual seria a melhor política a ser adotada, seja para crianças, adolescentes, jovens, adultos, ter aí um RH, ou seja, profissionais capacitados, Nós podemos seguir diversas correntes em termos de prevenção, diagnóstico, prevenção, tratamento, como foi contemplado pelo colega do Legislativo, Paulo Duplo, o uso do canabidiol. Hoje tem aí talvez uma discussão, ela é ampla, mas poderia ser mais ampla, nós temos tantos medicamentos regulamentados que não tiveram nenhum tipo de impacto, um debate tão grande, Puro e simplesmente, as indústrias farmacêuticas colocaram no mercado e o cara vir de alto, fazer alusão à maconha, ele acaba tendo aí um debate, a meu ver, não tão produtivo, com corrente contrária e corrente favorável. E não se apega efetivamente àquilo que é mais importante, que é a ação, a efetividade da saúde, da saúde da pessoa. lá, canabidiol usado para Parkinson, para epilepsia, enfim, tem tantas e tantas possibilidades de uma atividade terapêutica, o uso terapêutico dessa droga, como outras drogas, quanto menos medicar, quanto mais a gente tem a inclusão dessa pessoa, desse ente dentro do seio da a família do convívio de uma mulher, ele tende a responder melhor ao tratamento. Enfim, eu acho que todas as informações são importantes para que se construam diversas frentes para que o Poder Público possa atuar trazendo um tratamento e opções para que essas pessoas tenham atendido aquilo que é mais importante que a sua saúde mental, que é o que a gente está debatendo aqui hoje. Muitos assuntos importantes foram levantados aqui pelos vereadores. Danilo, pegando o gancho aqui, primeiro, na questão dos psicólogos nas escolas, a gente já citou aqui no nosso questão de ordem, muitos estudantes por conta da pandemia, outros problemas já existentes que podem ter sido potencializados neste período, você acredita que ainda há um preconceito, é difícil para vocês, profissionais da saúde, entrarem nas escolas, fazerem um trabalho com as crianças, com os adolescentes, Ou seja, no EJA também, para adultos, enfim. Como é que você vê esse papel? Vocês deveriam estar mais presentes nas escolas? Sem dúvida. Eu acho que tem uma burocracia para se entrar na escola. Você não pode chegar direto e bater na porta de uma escola e falar assim, eu queria fazer uma palestra ou algum tipo de trabalho aqui. Eu acho que precisaria ter uma contrapartida, tirar dessa coisa só do social, deveria sim trazer os profissionais para poder trazer desenvolvimento para os professores, para o corpo diretivo, para os alunos, porque tem sim trabalho a ser feito, as escolas particulares agora chegam com a questão do projeto de vida de uma maneira interessante, de colocar isso no currículo e estão trazendo psicólogos para exercer essa função. Então, eu acho que tem que ter uma melhora, mas a escola, em geral, sempre nos recebe pelo menos a minha experiência, foi sempre de me receber bem e de criar uma relação e dar sequência. As pessoas, quem é que não gosta de conversar, de bater um papo e de aprender sobre si mesmo, de aprofundar de alguma maneira no conhecimento daquele grupo, de explorar questões que não têm espaços para serem exploradas. Então, acho que o psicólogo traz essa ferramenta, que é a ferramenta de escuta e a possibilidade de falar sobre aquilo que não está podendo ser dito. Então, sem dúvida, psicólogo na escola, eu vejo com bons olhos. Eu adoro escola. E, Danilo, um segundo questionamento que foi levantado aqui em questão da medicalização. Acho que houve um debate, e ainda há, a gente vai escutar bastante sobre isso, é questão de TDAH, do transtorno de déficit de atenção e de hiperatividade, e aí a medicalização para muitas crianças, para muitos adolescentes. Essa discussão, você acha que tem que vir à tona? Em alguns casos, há esse excesso, precisa tomar um cuidado, os pais precisam estudar mais sobre os assuntos, os professores, por isso esse contato também dos psicólogos dentro das escolas? Sim, eu acho que a gente precisa usar aquele conceito de que a gente tem que ser uma aldeia para cuidar de uma criança, não dá para ser isolado. Então, quem é responsável pela medicalização é o médico-psiquiatra ou o neurologista, na grande maioria. Também temos algumas outras especialidades que medicam, mas no geral é isso. Esse problema de medicalização vai em diversas idades. Você tem uma medicalização excessiva nas crianças, sim, mas por outro lado a gente também não pode demonizar aquilo que traz um certo equilíbrio e traz muito apoio para o nosso trabalho, que são as medicações, quando feitas de maneira mais adequada. O que eu penso é assim, a gente precisa trabalhar em conjunto. Não adianta você tomar um remédio e só. Se você quer tratar a sua mente, você precisa tratar a sua mente. O problema é como a gente alcança tanta gente assim. O poder público, por mais que se esforce, eu acho que sempre tem mais para fazer, para se esforçar, mas ainda assim tem uma dificuldade enorme. Por mais que a gente tenha pessoas interessadas, a gente tem um número muito grande de gente para atender e é uma dificuldade logística. Agora, é um debate que precisa ser trazido à tona, sim, porque a droga sozinha, ela ajuda, mas ela não vai tratar dos pensamentos, ela vai trazer um certo equilíbrio quando o bem é administrado, mas a gente precisa se desenvolver, a gente precisa desenvolver aquilo que eu falei lá no começo, nós precisamos aprender a pensar coisas diferentes, a gente precisa aprender a refletir, a conseguir desenvolver maneiras de se vincular. Um grande problema, no meu ponto de vista, e aí eu já ouvi isso da boca de grandes psicanalistas do Brasil, é a questão do vínculo. Nós precisamos desenvolver o vínculo. Nós, essa espécie, necessita de vínculos bons. E o que a gente tem feito? A gente tem esse modelo de família mais atomizada, separada, e os vínculos vão se enfraquecendo, vão ficando fluídos. E isso traz uma enxurrada de problemas que a gente não vai curar com droga só. A gente precisa tratar o todo, a gente precisa tratar a cultura, a gente precisa tratar a mente, a gente precisa de um apoio das drogas, a gente precisa de uma questão mais globalizada, de um olhar mais globalizado. E essa globalização vem da discussão. Então, sem dúvida nenhuma, precisa ter mais discussões. Vocês entendem que ainda há um preconceito quando se fala de saúde mental? Quando vocês falam, ou vai apresentar algum projeto na área da saúde, quando falam sobre psicólogos, sempre vem aquela coisa, mas eu não sou louco, por que eu estou fazendo isso? Vocês ainda enxergam que a gente tem um longo caminho ainda para ser debatido? Eu acredito que sim. Quando se fala que uma pessoa precisa de uma terapia, precisa de uma ajuda profissional, precisa procurar um psicólogo, ou um psiquiatra, ou um psicoterapeuta, enfim. A primeira coisa que vem à mente é a negação. Não, meu filho não precisa, eu não preciso, ou o marido com a mulher. Não, eu estou tranquilo, eu preciso de você, porque você que tem esse tipo de atitude, mal sabe ele que é consequência de várias atitudes que talvez ele tenha tido em relação a ela. A própria criança é fruta do meio, é fruto do meio, ela responde aquilo que ela tem de estilo. Eu vejo com muita preocupação ainda as pessoas negando a necessidade de ter um acompanhamento profissional. O único que faço é falar, porque a pressão alta, eu vou lá no cardiologista, ele vai me medicar, vai passar alguma dieta, enfim, alguma coisa que possa, né? no aerossal, vê lá qual é a causa daquela hipertensão, ou tem lá um quadro de pré-diabetes, enfim, nós vamos trabalhar com algum medicamento e ele vai tranquilo, mas quando se fala em saúde mental, a primeira coisa que vem à mente é a remuneração. Poucos têm o entendimento que é necessário, é importantíssimo o acompanhamento, isso é uma realidade mundial, eu não me corrijo se eu estiver errado, mais de 800 mil suicídios em um dia inteiro. Isso é uma realidade que, às vezes, nós estamos convivendo com ela, nós não estamos nos atendendo e, de repente, acontece o pior, né? A depressão, os extremos de depressão. A coisa não começa já grave, ela vai se agravando com o tempo, na medida que o tempo vai passando. Então é importante que a gente tenha essa consciência, nós enquanto legisladores, estarmos propondo, sempre que tem oportunidade, eu vou à tribuna, eu faço alusão a algumas coisas que são importantes, entre elas o enfrentamento dos problemas de saúde mental, Fala um pouco de suicídio Eu acho que é importante Existe um preconceito de falar sobre isso Mas tem que ser falado, tem que ser trazido a barra Então fica aqui também Para quem nos assiste Saber que é importante Qualquer sinal de problema Dificuldade de relacionamento Enfim, as coisas tem que ser trabalhadas Com alguém que possa dar esse apoio Essa ajuda, essa família, essa pessoa E essa adaptação Eu lembro que quando eu entrei no jornalismo O suicídio não podia falar se não você incentivava, a gente não ia poder abordar de novo o assunto. E com o passar do tempo, falou, ó, vamos mudar, vamos tratar sobre o assunto, você precisa ter um cuidado, é óbvio, mas é um assunto que precisa ser realmente tratado. Então essa foi uma mudança que houve nos últimos 10, 15 anos. Com certeza, uma mudança de paradigma, uma mudança de entendimento, eu acho que a coisa tem que ser, né, tornar pública e conversar e discutir e falar, como tantos outros tabus, né, outros tabus que a gente não conversava lá atrás, E a gente conversa abertamente. É verdade. Concordando com o vereador, eu acho que a gente tem que discutir uma situação que até o Danilo já falou. Do fato da gente não ir caminhar no fio da navalha. Porque quando a gente tem um cenário como esse, qualquer ocorrência de um acidente ou coisa desse tipo pode nos desequilibrar, como o equilíbrio foi a proposta que o Danilo chamou de início, pode nos desequilibrar e levar a um quadro como esse. Então, a partir dessa percepção, eu acho que o estímulo a pensar solidariamente também, a partir do olhar para nós próprios, eu acho que é um debate que nós precisamos fazer. Mas veja só, para a gente perceber isso, é que recente nós não tivemos uma situação de mudança de um serviço, por exemplo, um CAPS, que nós aqui atribuímos. Então, é importante esse processo. Vai alugar um espaço, por exemplo, na cidade, em qualquer bairro. Nos bairros populares, até que são mais fáceis ainda. Agora, em bairros um pouco mais de classe média ou de abastar, Muita resistência, muita resistência, porque atribui a isso, é indesejável estar próximo a essas pessoas e essa diferença de classe parece que aguça mais ainda esse processo. Nós já vimos aqui na casa mesmo, já foi palco de debates muito calorosos quando vai se falar de mudança de endereço de centro de atenção, de círculo social que envolve aluguéis. Aí, quando está na área pública, ainda há certa resistência, mas acaba conseguindo fazer. Mas quando tem uma situação de instalação em uma área particular, mostra, o debate é muito caloroso. Danilo, eu fiquei devendo aquele histórico sobre a reforma psiquiátrica Quero fazer com você agora então Porque no início dos anos 80 existiu uma reforma psiquiátrica no Brasil Uma constatação da violência praticada por hospitais psiquiátricos Em 87 houve uma luta coletiva por uma sociedade sem manicômios Nós tivemos o Manifesto de Bauru Nós tivemos o surgimento do primeiro CATS, Centro de Atenção Psicossocial no Brasil, na cidade de São Paulo. No ano seguinte, com a promulgação da Constituição Federal, garantiu direitos para as mulheres, para as crianças, adolescentes, povos indígenas e população privada de liberdade de exílios. Em 1990, a implementação do Sistema Único de Saúde, do Estatuto da Criança e do Adolescente. em 2001, a Lei Paulo Delgado ou Lei da Reforma Psiquiátrica sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e aí redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Nos anos seguintes, Danilo, você entende que os investimentos foram crescendo ou que análise que dá para fazer do país que nós temos? Algum retrocesso pode acontecer por falta de investimento ou está consolidado esse atual modelo? Olha, no atual país que a gente vive, não dá para dizer que nada está consolidado. A gente precisa ficar muito atento em garantir aquilo que foi conquistado antes de tudo. Porque, sim, a gente tem uma conquista muito grande. Recentemente eu ouvi uma história de uma pessoa do Paraguai que foi atendida e que, sem dúvida nenhuma, aqui no Brasil teria um atendimento muito diferenciado. Então a gente tem que reconhecer que a gente caminhou bastante. O SUS, apesar dos seus percalços, das suas dificuldades, é uma coisa que a gente até vê na rede social, o pessoal defendendo, salve o SUS, viva o SUS sem dúvida nenhuma a gente tem que cuidar muito para que seja mantido tudo aquilo que a gente alcançou hoje você tem, apesar de não alcançar todos que precisam é muito recorrente a procura por trabalhos comigo ou com os colegas de pessoas que não tem acesso a uma atenção, né, só que também não tem condição e a gente vai aos trancos e barrancos, abre um horário aqui, abre outro lá, os colegas em geral sempre têm espaços, movimentos, né, eu sou, eu sou membro filiado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e vira e mexe se organiza grupos para atender a população como um todo, agora tem grupo organizado para atender professores, né, por causa do burnout que a gente está constatando também, muito intenso, então a gente vai se movimentando, agora dizer que está concretizado no país atual, onde muitas vezes a gente vê ameaças e onde a negação impera de diversos fatores, é um pouco exagerado da nossa parte, A gente precisa se manter em pé e ir lutando para manter aquilo que foi conquistado e conseguir dar passos adiante. Paulo Bucco, o senhor participou em 2005 da Semana da Luta Antimanicomial. Como é que foi esse período? Lembra das discussões? Avançamos como deveria? Na cidade de Campinas, o que eu comentei é isso. depois de 1990, vai se consolidando nesse processo da relação da Prefeitura Municipal e o próprio Clínico Ferreira nesse campo da saúde mental, vai se consolidando um processo muito rico aqui, que serve de referência, de diálogo internacionalmente, inclusive com outras experiências de superação desse modelo. Eu me lembro ainda, no início dos anos 2000, num processo que vinha, nesse processo de ampliação do atendimento da luta antimanicomial e a negação que nós discutíamos há pouco, houve um projeto de consolidação de um programa intersetorial que envolvia esse grupo que atuava na saúde mental, um grupo da assistência e da educação, e era um projeto experimental inicialmente para atender 20 crianças e adolescentes em situação de drogadição, e ele seria consolidado lá no distrito de Souros. Cara, isso deu uma comoção social negativa contra o projeto, que ele acabou não sendo consolidado, foi transferido para uma outra região e com pouco tempo não se viabilizou, não foi adiante uma política que poderia ser muito positiva naquele período. Então, acho que isso ainda está muito presente e nós precisamos ir colocando na pauta do cotidiano. E acho que esse cenário que nós vivemos, que já foi exposto aqui, acho que nós ficamos sempre sujeitos a retrocesso. Então, acho que, nesse momento, a nossa batalha, inclusive na formulação local, numa instituição do Estado local, é de tentar consolidar, pavimentar esses avanços que nós tivemos até aqui. Então, colocar a cabeça para pensar, chamar os colegas, homens e mulheres dedicadas à formulação da política a consolidar essas conquistas desse período. Rodalito, como é que você enxergou essa luta antimanicomial que já foi neste século ainda e como é que você entende para poder consolidar esse atual modelo? É extremamente importante. A gente tem que dar dignidade às pessoas que têm problemas psicológicos, os problemas mentais, enfim, que eles não sejam pura e simplesmente levados a um local, que eles vão ficar lá esquecidos, como já foi debatido, medicado, ter lá aquela forma de contenção medicamentosa desse paciente, mas sim inserir novamente a sociedade com terapias mais modernas, que foi, ao longo do tempo, isso foi trabalhado, foi trazido à luz da ciência e trouxe uma oportunidade melhor para essas pessoas. Tivemos outras políticas implementadas que hoje têm um resultado melhor, mas mais do que isso, a gente tem que fortalecer o SUS. O SUS é extremamente importante. Nesses dois anos de pandemia, nós mostramos que nós temos um sistema de saúde extremamente importante Que é um sistema de saúde que traz respostas à sociedade Imagine qualquer um de nós aqui se ficássemos internados em uma UTI por 10, 15, 20, 30 dias Que foi a realidade de muitos brasileiros que ficaram entubados Se nós não teríamos recursos financeiros para honrarmos uma conta de uma UTI ou também uma enfermaria, enfim, vacinação, o brasileiro não falou nada, não falou um centavo para ser vacinado, duas, três doses de vacina. Então, temos aí uma política do SUS, que é extremamente importante. Quantas e quantas pessoas perderam seus empregos e ficaram SUS dependentes, foram para o SUS, tiveram atendimento. Outros tantos que, às vezes, têm diagnóstico de alguma patologia e o plano de saúde não cobra no público, tem que recorrer ao SUS. Então, são políticas importantes. A gente está falando aqui de saúde mental, acho que avançamos muito. Não podemos, né Danilo, perder o foco, Paulo, meu companheiro de legislativo, não deixar com que esses ganhos, eles de alguma forma sejam perdidos ao longo do tempo, muito pelo contrário, que a gente seja mais contundente e pobre do Poder Público e das autoridades, que esses programas sejam cada vez mais presentes e atendam um número de pessoas, de pacientes maior do que se faz em 2021. e eu acho que é valorizar o SUS e propor políticas que tragam incrementos a algumas outras ações que até então a gente não tem. E para a gente poder encerrar a questão de ordem, Danilo, você já citou a síndrome de Bornaut, num passado recente, acho que as pessoas que eram workaholics, que viviam para os seus empregos, eram muito exaltadas e acho que aos poucos está se mudando este conceito conceito das pessoas que vivem sobre isso, na questão da saúde mental, você acredita que esse assunto precisa estar mais estabelecido? A gente já falou da questão das escolas, mas nas empresas, nas instituições, este assunto também tem que ser abordado no âmbito profissional? Eu não tenho dúvida, e a gente pega a empresa quando a gente traz as pesquisas que mostram que os funcionários com a sua saúde mental debilitada causam muito prejuízo financeiro. Então, as empresas mais competitivas, inclusive mais espertas, elas vão trazer uma atenção para os seus colaboradores, porque tem cálculos aí, eu não vou saber dizer agora, citar os números, mas a saúde mental, quando ela não está presente, ela traz prejuízos enormes e econômicos para as empresas. Empresas são feitas de pessoas, e se as pessoas não estão bem para desempenhar suas funções, suas funções, ou então estão tendo que desempenhar a função de dois ou que era para ser feito com duas ou três pessoas, então as empresas vão trazer, vão ter prejuízos, enfim. Então, eu acho que é uma... tudo que a gente tem, né, Gabriel, nessa vida, é a nossa mente, é a nossa saúde mental, tudo, colado nas outras questões que a gente vai trazendo. Mas se você tiver todo o dinheiro do mundo e não tiver uma saúde mental para desfrutar desse dinheiro que você tem, por exemplo, não vai adiantar nada, não vai servir de nada. Se você tiver uma família maravilhosa, Mas não tiver condição de desfrutar do amor, por exemplo Não adianta você ter tudo disponível Então, eu penso Talvez eu puxe a sardinha para o lado daquilo que eu mais estudo Desenvolvo mais Eu penso que a nossa saúde mental É aquilo que há de mais importante Então, aproveitando o convite que você me fez aqui Para participar nesse começo de ano Para falar do Janeiro Branco aproveitando essa nossa conversa, para deixar para as pessoas essa mensagem. Tudo que a gente tem é a nossa mente. Não adianta a gente negar e anestesiar, seja com droga, com álcool, com compulsões. A gente precisa olhar para a gente, a gente precisa trazer os psicólogos, os psiquiatras, os neurologistas para perto da gente. A gente precisa trazer pessoas para perto da gente a gente precisa tentar sempre desenvolver algum tipo de saúde mental em nós e naqueles que estão perto da gente. A gente está caminhando como deveria dentro das empresas, mas acho que está ficando comum, né? Então a gente vê grandes empresas colocando lá uma mesa de tênis de mesa, um espaço para o funcionário poder descansar. Eu já vi reportagem que simplesmente colocar um aquário, ou um dia levar o seu animal de estimação no trabalho, aliviou o ambiente. Eu acho que são políticas que podem estar dentro das empresas que podem aliviar e contribuir também para essa saúde mental dos profissionais. Acho que é um caminho que nós temos pela frente aí. É, eu acredito que sim. A gente tem isso em todas as estatísticas, mostra o absenteísmo, ou seja, as faltas dentro desse processo produtivo de uma empresa, o burnout, que é um quadro de depressão extrema relacionada ao trabalho, ela causa inúmeros prejuízos, ou muito prejuízo para as empresas. Tudo isso que você falou, eu acredito que seja importante. Eu vou arriscar aqui, eu acho que com essa nova modalidade de trabalho remoto... Ou em brilho, pelo menos. É, eu acredito que isso de alguma forma venha ajudar também, porque a pessoa está na casa dela, às vezes está com o filho ali do lado, está podendo ter uma outra... Conforto do lar. Conforto do lar, uma visão diferente, ele não está dentro de seu ambiente de trabalho, às vezes 8, 10, 12 horas, num período estafante de trabalho, mas dentro da sua casa, tendo alguma coisa paralela que ele possa, claro, que não se distrair em relação à atividade dele, vai estar exercendo ou realizando a sua atividade, mas num contexto diferente. Eu estou chutando aqui, mas eu acredito que isso também vai ajudar um pouco essas pessoas que eventualmente têm uma carga muito grande dentro do seu ambiente de trabalho, uma cobrança muito grande na atividade profissional que ela exerce. Pensa dessa maneira também, Paulo? Eu acredito que toda iniciativa para tentar aliviar a crença das pessoas, individualmente, nessa questão que envolve o trabalho, ela é válida. O problema é que, aí se a gente cai na análise sociológica da situação, pensando aqui, por exemplo, o David Harvey vai falar que atual fase de acumulação de capital ela passa pela esfoliação do trabalho e da natureza então a perspectiva de reversão disso a partir desse olhar sociológico é muito difícil porque ao mesmo tempo o cara pode ter acesso a um ambiente melhor para a sua alimentação no seu horário de intervalo, alguma relação coletiva com seus colegas ali, mas ele vai passar todo o tempo do trabalho dele numa linha de produção que continua funcionando, e continua cada carro que é comprado na concessionária dispara a produção daquele carro, daquela cor dentro da empresa. E ele sabe que vai colocar aquelas peças ali. Se o cara para para pensar que o resto da vida ele vai colocar, por exemplo, encaixar limpadores de para-brisa e retrovisores de automóvel, não tem saúde mental que vá resistir, não tem alternativa que vá tirar. Imagina só, não dá para pensar para frente. mas se ele olha aquela linha de produção ali e vai ver aquele bando de carro entrando ali na linha... Falta perspectiva. Vai faltar uma perspectiva, seja de pensamento familiar ou outra. Então, acho que, além disso, nós precisamos contestar essa estrutura socioeconômica que está preparada para consumir gente, feito fervão. Então, é muito difícil isso. Mas a gente tem que seguir na batalha e acreditando que é possível mudar esse cenário. Algum complemento, Danilo, sobre esse atual sistema em que vivemos? Eu penso que há níveis, há níveis e níveis, há cargos e cargos, trabalhos e trabalhos. A gente tem, não só no Brasil, no mundo inteiro, mas no Brasil, que é um país continental, você tem níveis e níveis de cargas, de funções, de exigências. Então, eu não sei muito se tem, eu concordo com o Paulo Búfalo, que eu não sei se neste modelo a gente tem muita saída, nesse modelo cultural, se a gente tem muita saída. Agora, sempre a gente vai tentando se desenvolver e trabalhar com o que a gente tem. Então, as empresas precisam olhar para aquilo que está ao alcance delas. O duro é convencer o empresário a olhar, a ter um olhar mais humanizado para a sua equipe, para os seus funcionários, e para tentar trazer algum tipo de alternativa. Porque você ter um ambiente melhor é um pequeno, é uma pontinha do iceberg. você ter um ambiente físico mais apropriado para acolher os colaboradores. E como é que está a relação de poder, a relação hierárquica? Como é que estão... Essa questão, a gente estava falando da rede social, então tem limite de hora para trabalhar? Não tem. Invade o meu espaço privado? A gente vive uma situação onde o trabalho invade o espaço privado daquela pessoa. Aquela pessoa não tem como, muitas vezes, botar limite. então tem empresas que inibem, proíbem, e-mail só até tal hora, não pode passar disso, se você mandar um WhatsApp fora de horário, você precisa ter uma advertência, porque organize-se para mandar no horário comercial, a gente precisa ter outra vida, não é só o trabalho, tudo bem, quem optar por isso, vai lá, mas o trabalhador que não quer seguir por esse caminho, precisa ter liberdade para ter essa opção. Então, eu acho que a gente tem muito também para desenvolver. Bom, vamos terminar a nossa questão de ordem, com problemas colocados a postos, mas é uma discussão necessária e pensar nesse ano de 2022. Danilo Costa, psicólogo pós-graduado em cuidados primários e secundários em saúde mental pela Unifesp, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo aqui como questão de ordem, que seja um grande 2022 e fique aberto para as suas considerações finais, trazendo um pouquinho de perspectiva para todos. Eu que agradeço o convite, Gabriel. Obrigado por me convidar para bater esse papo. Esse assunto é um assunto que eu me debruço diariamente, esse é o meu trabalho. então agradeço muito eu acho que é muito importante que a gente traga mais assuntos como esse para discussões e eu espero que a gente possa ter contribuído com as pessoas para dizer que todos nós precisamos trabalhar nossa saúde mental, sempre não estou falando que todo mundo precisa de terapia mas todo mundo pode fazer terapia e obrigado ao Paulo Búfalo Paulo Haddad pela gostosa conversa eu que agradeço a disponibilidade do seu tempo, todas as informações e se puder faça terapia sim porque é bom demais, viu Daniel? vereador Paulo Búfalo também, quero agradecer a disponibilidade do seu tempo com questão de ordem todas as informações que foram passadas aqui os debates que foram trazidos já fico convite aqui para uma próxima oportunidade durante todo esse ano de 2022, para a gente poder voltar a conversar sobre esse que houve no Brasil. Eu até agradeço, Gabriel, agradecer também a colaboração, a participação aqui do doutor Danilo, que acrescentou demais, problematizando a partir da especialidade, dos conhecimentos dele, que foram fundamentais aqui para o nosso debate, poder compartilhar com o vereador Paulo Haddad, e vamos esperar que 2022 seja possível de nós darmos passos e mudanças ou de maior conhecimento desse tema e de equilíbrio. E a questão de ordem é positiva, porque sempre acaba problematizando ao final e já vai abrindo outros horizontes. Muito obrigado. Outra janela. Oi, Daniel. Só dizer uma coisa, Gabriel, eu tenho experiência na clínica e muitos colegas também relatam isso a gente recebe às vezes pessoas que estão, para usar uma expressão que o Paulo Bôfalo usou em um momento hoje da nossa conversa, que estão no fio da navalha desesperançosas e a gente vê a transformação é possível mudar a gente precisa ter sempre esperança que às vezes você pode estar num sofrimento profundo, mas é possível mudar. É preciso estender a mão e é preciso que tenha uma mão estendida para segurar. E a gente nunca pode perder a esperança. Sair dessa corda, desse fio da navalha, para caminhar sobre uma ponte. A gente precisa largar isso aí. Vereador Paulo Haddad... É possível, exatamente. Vereador Paulo Haddad, presidente da Comissão de Política Social e Saúde, quero agradecer a disponibilidade do seu tempo com questão de ordem todas as informações os debates que foram trazidos para cá também e já fico convite também para uma próxima oportunidade durante todo esse ano de 2022 para a gente debater bastante este e outros assuntos Gabriel, eu que agradeço o convite para mais um assunto extremamente importante debatido aqui no questão de ordem agradeço aí o companheiro amigo Danilo foi muito bom conosco aqui, com o meu amigo de dois artigos, o Paulo Duco, foi um assunto interessante, o tempo passa rápido, né? Nós ficamos aqui conversando, foi um debate muito gostoso e eu acredito que foi muito produtivo, muito profícuo também. E que nós temos nesse 2022 uma visão mais aguçada, voltada para a nossa saúde mental. A gente, muitas vezes, nós acabamos fazendo uma introspecção, acho que isso que o Danilo deixou muito claro, para que a gente procure achar o nosso ponto de equilíbrio, guardando as devidas proporções, dia ou outro nós estamos em um estágio de um pouco menos eufóricos, ou seja, um pouquinho mais depressivos, enfim, a gente pode falar isso, mas nunca deixando de ter um olhar para aquilo que é importante, a nossa saúde física, um bom usar, uma boa alimentação, a interagir com as pessoas, enfim, eu acho que tudo isso é um conjunto de fatores que faz com que nós possamos ter um olhar diferenciado e talvez um horizonte melhor para esse ano que se inicia. Então, muito obrigado, eu agradeço muito a oportunidade. Nós aqui agradecemos, agradeço você aí de casa também, pela sua companhia, pela sua audiência, Que seja um ótimo 2022, com perspectivas e, com a palavra-chave aqui da nossa questão de ordem, com muito equilíbrio. Até a próxima. Tchau, tchau. Legenda Adriana Zanotto