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Música Olá, começa agora o Questão de Ordem e o tema de hoje é o Distrito do Campo Grande, que conta com cerca de 190 mil habitantes, distribuídos por 90 bairros. É o segundo distrito mais populoso da cidade, atrás do Ouro Verde. Bom, eu falei distrito há pouco, né? Mas esta é uma conquista recente, a partir de 2015 apenas. Para entendermos os problemas da região, os desafios, a vulnerabilidade que tem crescido, eu recebo no estúdio os vereadores Cecílio Santos, presidente da Comissão Especial de Estudos que analisa o desenvolvimento do Campo Grande, Igor Diego, presidente das comissões de representação para a instalação de cartório de registro civil no Campo Grande Ouro Verde e instalação de alças de acesso da Rodovia dos Bandeirantes. E de forma virtual, a Vera Plácido, pesquisadora da PUC Campinas, que vai falar pra gente sobre o estudo que ela realizou, lembrando que o debate acontece entre vocês, farei as interrupções apenas quando o necessário. Cecílio Santos, primeiro, como que surgiu a ideia da criação de uma comissão específica para o Distrito do Campo Grande. Seja bem-vindo ao Questão de Ordem. Minha satisfação está aqui novamente com o vereador Igor, com a professora Vera Plácido. A ideia da Comissão de Estudos do Campo Grande surge, de fato, dessa necessidade que tem o Distrito de alcançar melhorias na qualidade de vida e, portanto, na oferta também de serviços públicos, políticas públicas que cheguem na ponta para os moradores. Nós estamos ali no distrito, na tríplice fronteira, eu digo, é o distrito do Campo Grande faz fronteira com Hortolândia, com o município de Hortolândia, com o município de Indaiatuba, um pedacinho ali perto do aeroporto, e também com o município de Montemor. Então, nós estamos nessas divisas, distante do centro, miolo central da cidade, onde tem ali uma circulação maior, tem maior oferta de serviços. Então, deste olhar das necessidades de chegar para a gente serviços públicos de qualidade, é que surge a ideia de ter, então, a comissão de estudos na casa para poder colher informações, tanto dos especialistas, quanto dos moradores e também da prefeitura, das secretarias, que estão elaborando o plano plurianual, portanto, desdobrando nas leis de diretrizes orçamentárias que vão, de fato, se efetivar a implementação das políticas. Essa razão da gente buscar, na Câmara, constituir a Comissão Especial de Estudos para, ouvindo e analisando estas demandas, elaborar o relatório e apresentar, então, a casa e também ao prefeito para que consolide isso no plano plurianual. A gente vai falar bastante sobre a implementação de estabelecimentos de comércio, de emprego, se eles chegam até a região, se as pessoas precisam se deslocar. Vereador Igor Diego, para quem está nos acompanhando e nunca foi ao distrito, não conhece a região, Você nasceu em 1986. Primeiro, como é que era a região no final da década de 80? E este relato é importante para entendermos os problemas que não são de hoje. Seja bem-vindo ao Questão de Ordem. Muito obrigado. Obrigado pelo convite a todos da TV Câmara. Agradeço ao vereador Cecílio que compartilha comigo o programa, professora, especialista. Já tive a oportunidade de ler algumas coisas para também aprender e enriquecer um pouco mais. Olha, a evolução do Distrito do Campo Grande realmente se deu depois dos anos 80. A gente tinha uma precariedade muito grande na questão de mobilidade urbana, que ainda se faz presente no Distrito. A evolução do Distrito do Campo Grande, que é hoje o que nós mais debatemos, né, vereador? Então, como é esse crescimento de maneira ordenada? Porque o Distrito cresceu muito rápido de maneira, a gente considera, desorganizada, sem as políticas públicas necessárias. Então, hoje, aqui, através dos nossos mandatos, a gente pretende trazer a discussão, trazer estudos, trazer especialistas para tentar organizar daqui para frente e ver o que dá para reorganizar. Então, essa aceleração dos distritos, o Campo Grande e Ouro Verde, que são bem similares na questão da faixa econômica, mas trazendo para o Campo Grande, O nosso objetivo é esse, com as comissões, com a Câmara, trazer o executivo, o legislativo e também o poder público junto aos especialistas. E é olhar para frente, corrigir o passado, então este desafio é que a gente vai abordar bastante aqui na nossa questão de ordem. Participa com a gente a pesquisadora da PUC Campinas, Vera Plácido, E antes de abordarmos o levantamento que você realizou, os estudos, dados, situação de milhares de moradores, quando eu fiz uma busca rápida na internet sobre o distrito, você encontra diversos portais falando em distrito em ascensão, lançamentos imobiliários, área promissora, sistema viário, BRT, centro de saúde. Então, ao mesmo tempo que a região vem se estruturando em relação ao século passado, pós-1950, os problemas estão crescendo na mesma proporção, Vera? Seja bem-vinda ao Questão de Ordem. Muito obrigada, uma grande honra estar aqui, muito obrigada pelo convite. Você pegou num ponto-chave na sua fala Que é exatamente isso A cidade, ela cresce E cresce de uma forma dinâmica De uma forma permanente, eu diria Sempre em uma ascensão Mas ao mesmo tempo que ela está em crescimento Em evolução E algumas pessoas costumam dizer Em desenvolvimento Em franco desenvolvimento Ainda mais considerando a nossa cidade a localização dela, o nó que ela representa do ponto de vista de toda a rede em que ela está inserida, as mazelas anteriores, se é que nós podemos dizer assim, do ponto de vista da formação do território, elas permanecem. E muitas vezes, diante de um crescimento, elas não só permanecem, como elas se tornam mais profundas, se não for pensado com muito cuidado e planejado, obviamente, os rumos desse desenvolvimento, de um determinado tempo para frente. Então, acho que essa é a importância da nossa conversa e do nosso debate, porque é importante olhar para o passado, já vislumbrar o que nós temos à frente, o nosso futuro, do ponto de vista de contextos, mas sem perder a leitura da realidade. E esse vai ser o pontapé que a gente vai dar inicial aí, de colocar na balança, esse avanço que precisa acontecer e, ao mesmo tempo, Já vou dar um spoiler do seu estudo aqui, Vera, porque milhares de pessoas não recebem um salário mínimo mensal, mais de 50 mil pessoas. Então, esse é um grande desafio que a gente vai abordar já já. Cecílio, se você puder falar hoje, quais são os maiores problemas que você pode apontar no Distrito do Campo Grande? Sem dúvida, esse que você mencionou é um deles, né? é as pessoas não terem renda, porque o cidadão viver, a família viver com menos de meio salário mínimo é impossível, é uma sobrevivência. E nós estamos falando de um município que tem quase 7 bilhões de orçamento. Então nós precisamos dar passos para, pelo menos, buscar um equilíbrio mínimo para que essas famílias possam ter acesso à renda. E a gente sabe que não é pendurar as pessoas na política pública, simplesmente, mas é o poder público ser um do todo o desenvolvimento daquela região. Nós temos algumas empresas instaladas lá e, portanto, nós temos grandes áreas disponíveis que podem se instalar mais empresas. Claro, a gente sabe dessa situação da pandemia, como está. É preciso que o poder público seja este que pega pela mão e puxa para cima os seus moradores. E nós, enquanto vereadores, estamos buscando isso, estimulando isso, com a comissão nós queremos isso. Nós temos essa questão do desemprego, mas também tem possibilidades. Uma delas, por exemplo, é a questão de cooperativas. Nós temos uma cooperativa de reciclagem na região e pode ser instalada uma outra. Tem o aterro Delta que está ali na região e é um problema do ponto de vista ambiental e tudo mais, mas pode ser uma solução para o biogás, para a produção de energia limpa, com placas fotovoltaicas e tudo mais. Então, ao mesmo tempo que a gente tem vários desafios como problemas, também nós temos potencialidades. Tem um povo que é trabalhador, que é honesto e que quer buscar seu desenvolvimento. Além desse que citei da questão da renda, também a gente tem um problema que é a ligação entre os bairros. São essas diretrizes viárias, que os bairros não se conectam entre si. E com outras regiões é um grande problema para o desenvolvimento da região, assim como o vereador Igor tem buscado o acesso a bandeirantes. Mas entre os bairros também a gente tem problema e entre a região do Campo Grande e região do Ouro Verde Também falta essa conexão, que é fundamental para a gente chegar no aeroporto, para chegar em outras possibilidades, inclusive de emprego. Quando o senhor fala sobre essas empresas, há espaço para elas se instalarem no distrito? Exatamente. Tem áreas, grandes áreas, que podem ser abrigadas essas empresas e, portanto, ser um indutor de desenvolvimento, de geração de emprego. Porque quando vai a empresa, às vezes ela não gera tantos empregos direto. Mas ela puxa o desenvolvimento, ela gera empregos indiretos, melhora a segurança, melhora a circulação viária e, portanto, a gente tem aí um crescimento. Hoje, nós temos muita dificuldade nessa questão. Então, é preciso que a prefeitura olhe para isso com carinho. Além de possibilitar as pessoas a terem acesso aos programas, porque a gente percebe que tem muitas pessoas que sequer têm informação suficiente suficiente para demandar programas. A professora Vera pode falar sobre isso, no estudo que ela apresenta, as pessoas sequer têm condição de acessar a assistência social e a programas desenvolvidos e apresentados, ofertados pela Prefeitura e pelo Estado. Isso que a gente está falando de condições básicas, já já eu vou falar sobre entretenimento, lazer, que daí... Igor Diego, se você puder apontar os principais problemas hoje do Distrito do Campo Grande, o que você pode nos contar? Olha, eu tenho um canal de notícias, um canal comunitário, uma página no Facebook da internet, ela tem lá 80 mil seguidores, então a gente faz esse atendimento via WhatsApp. Então eu vou passar em cima desse tipo de público, por dia a gente hoje responde cerca de 200 a 300 pessoas no WhatsApp, fora os outros canais, Instagram e tal. Mas o que eu percebi? Durante a pandemia, justamente Cecília, as minhas demandas mudaram as prioridades Antes da pandemia, eu tinha ali saúde como principal demanda E aí eu já passei agora para o transporte público Transporte público era a segunda que eu mais tinha reclamação Hoje o transporte público desceu e subiu justamente a assistência social Então, o que eu mais tenho recebido hoje é pedido, porque na pandemia, a periferia, nós estamos passando não só por a pandemia do coronavírus, mas tem a pandemia da fome que chegou. E ela chega primeiro nesses distritos mais vulneráveis, onde o poder aquisitivo são pessoas que não têm ali uma gordurinha, eles consomem, vivem, é igual o Cecília falou, é uma sobrevivência. Então, diminuiu a oferta de emprego, a oferta de procura. Aí você fala, pô Igor, então o transporte melhorou? Não é que o transporte público melhorou, é que na verdade a assistência piorou. O transporte público continua ruim. Chegou uma outra demanda. É, chegou uma outra demanda e o transporte ruim, por incrível que pareça, ele já era pior ainda. Não teve um período bom, só que a questão social agora, justamente a prefeitura, o poder público, a gente tem que pensar como vamos conseguir fazer essas ações. O Cecílio colocou bem aqui uma situação. O povo precisa, por exemplo, ali do bassole. Nós estamos falando mais de 5 mil apartamentos. a gente desenvolve um local como o Bassole e nós não desenvolvemos equipamentos crescem desestruturados não tinha um posto de saúde agora tem, mas não tinha quantos anos? Hoje já faz 10 anos de Bassole, nós não tínhamos o CRAS, sendo que o público do Bassole é os mais dependentes da serviço de assistente social, os que mais consomem, então eles tinham que andar longe, era uma demanda antiga que, inclusive de outros vereadores, já lutaram por isso. E agora também foi inaugurado lá um CRAS próximo. Mas olha só, dez anos depois, a CRES foi inaugurada depois. Então esse tipo de avanço não traz benefício para o distrito. É um avanço desorganizado. O sonho da casa própria acaba se tornando um pesadelo. Porque aí vem a fome, vem a falta de lazer, que até hoje não foi aprovado o parque lá do Baçó, a área de lazer do Baçó, a saúde. Então, aí a gente não está falando mais em sonho da casa própria, a gente está falando em um depósito de gente que gera muito problema. E eles não merecem, porque, como o Cecílio falou, são pessoas boas, na sua maioria, são pessoas trabalhadoras, são pessoas aguerridas, e acabam trazendo todo esse transtorno. e aí a gente tem problema de segurança pública, e aí um problema traz um outro, um abismo puxa o outro. Antes de eu passar para a Vera sobre o estudo dela, para quem está nos acompanhando e pode estar falando, ah, mas vocês estão falando de desemprego, problema de transporte, isso tem em toda a cidade de Campinas, não é só no distrito do Campo Grande. Vocês acham que Campinas tem muitos problemas, e aí o Campo Grande está inserido nesse contexto, Ou tem algumas características, pela condição de população, até pela vulnerabilidade social, que merece esse olhar com mais cuidado, não que as outras não mereçam, mas que por isso que a gente está dando um enfoque maior para todas essas vulnerabilidades. Como é que vocês entendem isso para quem está em casa e fala assim, ah, mas na minha região também é assim? Com certeza, não tenho dúvida de que, inclusive a professora tem esses estudos, né? bolsões de vulnerabilidade maior no município estão, lamentavelmente, na região do Campo Grande. Era, inicialmente, o Campo Belo, depois foi o São Luís, agora está concentrado no Satélite Íris, uma grande parcela. Isso em função da pandemia também, que as pessoas ficam sem emprego e vão declinando, enfim. Mas ali, infelizmente, nós temos uma concentração grande de vulnerabilidade, E principalmente jovens, que é a força, que não é o futuro, é o presente. Então, inclusive em relação à educação, nessa questão da pandemia, muitos jovens não estão frequentando a escola, ficam sem perspectiva. Evasão escolar muito grande. Muito grande. E isso é muito ruim, porque impacta agora, mas imagine no futuro. Então, a gente pede a compreensão dos demais regiões da cidade, dos outros vereadores e do prefeito, atenção para o Campo Grande agora, porque senão nós podemos ter um problema muito maior lá na frente. Vera, por favor, qual foi o objetivo deste estudo no distrito? O que você analisou? O que pode trazer para nós de números a situação das pessoas que hoje moram lá? Então, é interessante falar do distrito Porque nós estamos falando de uma área Muito considerável do município Nós estamos falando de uma área que hoje Praticamente nós temos aí 19% da população Residindo no distrito de Campo Grande Na região Então, trata-se de um peso muito grande quando pensamos na cidade de Campinas. E se nós queremos um desenvolvimento que seja um desenvolvimento mais equitativo, que seja um desenvolvimento e uma cidade mais, como eu te diria, uma cidade para o habitar e não apenas para o morar, nós precisamos pensar nesta condição de equitativo para todas as áreas. Aí, nesse sentido, eu vejo a importância de olharmos para a região do Campo Grande com muito carinho, né, com muito carinho mesmo, porque ela representa, sim, uma parte significativa da cidade, né, não tem como nós morarmos numa cidade melhor se temos na nossa cidade uma porção significativa do nosso território em uma condição de vulnerabilidade. E aí eu chego no tema que me motivou e por que eu me encontro nesta área, e uma área apaixonante, tanto do ponto de vista geográfico quanto do ponto de vista mesmo do tema que eu investigo. Eu tenho um projeto de extensão com relação à cartografia social, a cartografia social busca entender o território nas condições em que as pessoas vivem os territórios. Então, na nossa perspectiva, os lugares não são apenas aqueles pontos que nós colocamos nos mapas, mas os lugares são vividos e são percebidos por sua população. E esta população é uma população sujeito do seu lugar, ou seja, ela sabe exatamente o que ela precisa. O vereador Igor colocou muito bem, quando você abre um canal para saber com a população o que ela deseja, as demandas são dinâmicas, então antes da pandemia você tem uma relação de demandas, durante a pandemia essa relação muda, por quê? Porque as pessoas falam, as pessoas se comunicam efetivamente, e o mapa, obviamente, deve ser algo aí, até mesmo por conta da minha formação, é algo que nós gostamos de olhar como esse instrumento comunicativo e, ao mesmo tempo, de gestão. Então, nós estamos falando de uma região que tem uma condição de vulnerabilidade preocupante. 19% da população hoje, praticamente campineira, mora nessa região. É uma região que tem, em média, do ponto de vista salarial, do ponto de vista de renda, nós podemos apontar aí, a média salarial é em torno de três salários mínimos. Mas 50 mil pessoas na última década ingressaram ou engrossaram o rol, a porcentagem de pessoas que não chegam a um salário mínimo. Então nós temos uma região muito dinâmica, uma região que acresce constantemente o número de moradores que chegam, grande parte desses moradores. migrantes, então a gente tem uma corrente migratória muito forte dentro do próprio município e região metropolitana e até outros estados então nós temos uma característica demográfica de muita diversidade uma população relativamente jovem, produtiva mas que como nosso vereador Cecílio colocou e ele se preocupa com isso eu concordo plenamente é necessário pensar meios para a produção, porque temos uma população produtiva, mas que não tem acesso, e uma parte significativa da população, numa condição de vulnerabilidade tamanha, que ela não consegue acessar sequer os serviços públicos, até porque muitos desses serviços não estão nas suas proximidades, então ela não tem condição de mobilidade. Esse seria aí um raio-x para a gente pensar questões importantes, bem importantes. Então, atenção, você que está nos acompanhando, mais de 50 mil pessoas estão em condições de vulnerabilidade econômica, segundo este estudo apresentado pela professora. Se compararmos com 2010, aumento de 17% das pessoas que vivem com menos de um salário mínimo mensal, sobrevivem. Estava na casa dos 40 mil e agora 50 mil pessoas tentando sobreviver. Cecílio Santos, Igor Diego, vamos falar então sobre a parte econômica, que é algo muito importante porque ela impacta muitas outras. Se a gente for se alimentar corretamente, pagar botijão de gás que está quase na casa dos 100 reais, contas de água, luz, telefone, internet, todos os impostos, essa conta fecha? De modo algum. Infelizmente, vai faltar alguma coisa. Ou ela compra comida, ou se paga aluguel, que ainda não foi mencionado aqui. Se pagar aluguel é mais complicado ainda. Então, de maneira nenhuma a conta não fecha e falta o necessário para a pessoa sobreviver. É por isso que a gente pede essa atenção agora, para não ter mais complicações lá na frente. E aí, a gente precisa pensar o agora, mas também precisa pensar o amanhã e o depois de amanhã. Portanto, é nossa preocupação que estas áreas que ainda podem ser empreendidas na região, elas sejam destinadas, uma parcela pelo menos, para atrair empresas, porque a gente sabe que isso é a médio prazo, para gerar emprego para aquela população. Outra questão importante é a educação. É preciso que o poder público dê condição e unir esforços com o governo do Estado, com o governo federal, no sentido de dar condição para que o jovem se interesse pela escola, se interesse pelo estudo. Nós temos lá o Instituto Federal, que é uma bela escola, cursos técnicos de excelente qualidade, mas uma parcela significativa da nossa população sequer conhece, muito menos tem acesso. Então, é importante que isso se propague, seja divulgado e que haja cursos que possibilitem, neste curto, médio e longo prazo, a inserção desse jovem, das pessoas que queiram se qualificar, porque a gente sabe que o mercado vai mudando e é preciso que a pessoa esteja qualificada para poder acessar os postos de trabalho. Agora, penso que é muito importante, muito importante, essa atenção nesse momento, seja do ponto de vista do auxílio, para que a pessoa tenha o mínimo para sobreviver. E não é só dar o peixe também, ensinar a pescar, como se diz o ditado. Então, portanto, um reforço na criação das cooperativas, das hortas comunitárias, tem experiências bacanas ali, tem possibilidades na área do meio ambiente, a recomposição de matas ciliares, das nascentes, que é uma região linda. Quem não conhece ainda o Campo Grande, chama o Igor, chama o Cecílio, vamos lá andar. Vamos para vocês conhecerem a região do Campo Grande, quanto é bonito, do ponto de vista geográfico. Agora, é degradado, porque as pessoas não têm ecopontos suficientes para destinar o resíduo da construção civil e aí fica contaminando as nascentes ou as praças poucas que tem, às vezes não tem o cuidado adequado. Precisa haver essa interação. É isso que a gente quer com a comissão, é isso que a gente quer com o trabalho aqui na Câmara, que haja interação, poder público, prefeitura, moradores, a Câmara de Vereadores, as empresas que ali estão instaladas, nós precisamos nos unir, nos dar as mãos para nos ajudar. É esse momento e é esse apelo que a gente faz. Vereador Igor Diego, segundo o estudo da professora Vera, mais de 50 mil pessoas estão em situação de vulnerabilidade Isto é, recebem menos do que um salário mínimo, menos de mil reais e isso vem aumentando, o que agrava Se em 2010 a gente estava na casa das 40 mil pessoas, que já era um problema grave, agora chegamos na casa dos 50 mil Como é que você enxerga esta situação e como é que vê uma saída? É muito importante dizer que além de criar, só para complementar as ideias aqui, além de criar os programas sociais, programas de renda, é importante a gente se preocupar com a comunicação de acesso, porque nós também temos esse problema. Às vezes a prefeitura, o governo federal, o estadual, ele cria o programa, mas a comunicação com a ponta, ela tem muito ruído. Eu digo isso porque só no auxílio emergencial, por exemplo, nós tiramos dúvidas de 9.500 pessoas através do WhatsApp para cadastrar. Então não tinha alguma coisa ali Por exemplo, o governo federal Fala que tem que colocar o número do NIS Pra gente aqui é o PIS Pra aquele povo é o PIS E por causa de uma comunicação Nesse tipo, nesse sentido Umas palavras Muito técnicas Então tinha algumas palavras muito técnicas Ali dentro do cadastro Então a gente também está cobrando Principalmente da prefeitura, da secretária Que use nos seus cadastros Palavras mais simples, mais comum Porque isso também dificulta muito Você acha? A gente não precisaria entrar nessa situação Para ajudar Teria que ser de maneira simples Porque já é um grande desafio Foi comprovado que muitas das pessoas Nunca teve uma conta Para receber o auxílio Teve que se criar ali o caixa Então para você ver São pessoas Extremamente vulneráveis Que geralmente é a pessoa que faz o bico que faz aquele trabalho informal, é o pedreiro, o servente. São pessoas trabalhadoras, mas que se viram numa necessidade de buscar esses auxílios. Então, a comunicação é muito importante, não só criar. Criar, o Cecílio já falou, dá importância e não tem dúvida. A gente, eu acho que todos nós concordamos. Mas essa comunicação, essa maneira, e onde eles vão buscar, se não for uma renda ou dinheiro? Aí é outro problema. Aí nós não temos a lotérica suficiente no distrito. Então, aí nós voltamos para o problema de mobilidade urbana e chega no centro, passagem, dinheiro. Então, assim, tem que se pensar em várias maneiras. Aí eles me falaram que ressacava via QR Code, por exemplo, o governo do estado, através do PicPay. Nunca ninguém na vida daquele pessoal nem sabe o que é o QR Code. Muito menos sacar dinheiro via QR Code. Novo, segundo, que é um termo que não está no português, então assim, dificulta. É, então a minha preocupação e a minha luta é para a gente, lógico, a ferramenta veio para ficar. Acelerou o processo aí, a utilização, tudo bem, mas precisamos simplificar, precisamos também conscientizar nós que somos influenciadores, a prefeitura, criar campanhas, explicando, bem didática, tá bom? E nós temos esse problema, além dos problemas sociais, Porque muitas vezes a pessoa ali de família recebe, a mãe de família recebe o benefício, mas tem problema dentro de casa, o marido quer comprar bebida alcoólica. Então aí é outro problema que é preciso a assistência social estar perto desses núcleos para que ela possa chegar e buscar esse nível 1 de acesso à assistência social. Porque é o primeiro acesso, para depois não precisar ir para um DAS, né? Que é um nível mais alto, já é uma destruição de lar, algum outro tipo de situação. Então, eu acho que esses pontos, nós precisamos trazer esse olhar para esse distrito. Quando você perguntou sobre a diferença entre outros distritos, eu acho que cada distrito tem a sua peculiaridade. E nós conseguimos, porque nós estamos lá, moramos lá, nós conseguimos trazer para o poder público essas características dos nossos distritos. Eu acho que aqueles também têm. Às vezes o problema é igual, mas as peculiaridades ali mudam, tá? Então acho que é, só complementando a pergunta anterior, é importante ver as características de cada distrito, não só da condição ali. Sobre os cursos técnicos, aproveitando que o Cecílio falou, a informação, inclusive, quentinha, é que é boa, vamos falar de uma coisa boa. O governo já anunciou, o prefeito me avisou ontem, Cecílio, e vai dar ordem de serviço lá para a construção do CEPROCAMP, lá perto da Praça da Concórdia, então é uma luta. Só que aí, a mesma coisa, eu falei, prefeito, legal, bacana, era o que precisava, mas quais cursos? Fez uma pesquisa, porque o curso é semelhante a um ônibus, ele começa lotado e chega no ponto final com dois cursos. Essa é a demanda que existe lá. Então tem que ser curso de interesses dos jovens. Claro. tem que ter essa pesquisa então a minha cobrança com ele agora é outra, primeiro para ter a unidade vai ter a partir do ano que vem, vai construir agora, vai dar hora de serviço para a construção então essas questões que eu gostaria de colocar, que eu acho muito importante para as coisas funcionarem, ter efetividade sabe, porque a gente vê pouca efetividade, poucos programas e os que tem ainda diminui a efetividade E justamente, só um complemento, Igor, pela questão de ordem, que essa escuta que a gente pede ao poder público, de modo geral, que às vezes cria um instrumento, um equipamento importante para a comunidade, mas ele não tem essa efetividade, ele não surte essa efetividade justamente em função de não haver a interação. que as pessoas sabem o que elas querem. Precisa fazer essa interação, perguntar, estimular a participação e, com certeza, isso mudaria muito esta correlação, porque as pessoas se sentem corresponsáveis, se sentem motivadas, melhora a autoestima, ela passa a dizer, olha, eu gosto desse lugar onde eu moro, que é fundamental, eu, particularmente, gosto muito de morar no Campo Grande, eu sei que o Igor também, não é à toa que estamos aqui e lutando para melhorar a cidade como um todo, mas também aquela região. Então, é fundamental que haja essa interação, essa intersetorialidade no poder público, na formulação e na implementação das políticas públicas. Vera, dois questionamentos. O primeiro, levantado pelo Igor Diego, eu tenho me questionado muito em relação à comunicação. Além aqui do programa Questão de Ordem, eu apresento o Câmara Total, que é uma revista eletrônica diária, que a gente tem aqui na emissora durante três horas, e eu tenho pensado muito sobre isso, porque a gente tem falado da Covid-19, da utilização da máscara, lavar muito bem as mãos, não se aglomerar, mas como que essa comunicação está chegando, principalmente nas áreas periféricas? Será que a minha fala é muito distante da realidade? Isso que o Igor falou, você acha que esse ruído na comunicação de prefeitura, mesmo aqui da Câmara de Campinas, de todos os órgãos, você encara isso como um problema de como essa informação chega até lá? Então, é muito importante esse debate, realmente esse tema é fundamental para a gente pensar, principalmente na condição da população em situação de vulnerabilidade, porque essas pessoas, elas precisam, antes de tudo, ser visíveis. Então, nós precisamos enxergá-las e enxergá-las para além dos números. Então, é muito importante que elas não apareçam para nós apenas como uma estatística, mas que as suas demandas de fato cheguem. E aí eu tenho pensado bastante como mobilizar espaços de diálogos, porque nós estamos falando de algo que é preciso um processo de escutatória permanente nessas comunidades, porque é a forma como nós temos de captar com elas o que pensam, as suas demandas e como percebem os seus lugares, nós chamamos isso, esse vínculo territorial, essa territorialidade, isso é uma questão importante, e uma outra questão importante, como fazer com que os nossos comunicados cheguem até elas e cheguem com efetividade. Então, eu acredito que nós precisamos fomentar espaços de diálogos, espaços dialógicos mais eficazes nessas comunidades, vias às lideranças comunitárias, vias às instituições que são instituições importantes para elas. a minha pesquisa aponta bastante isso, algumas instituições são instituições ponto em que as pessoas passam permanentemente por elas, eu penso muito o papel das escolas, eu penso muito o papel das igrejas, eu penso muito o papel dos CRAS nos territórios, Então, a gente precisa ter esse mapeamento, né? Quais são os pontos desses territórios que são pontos, não apenas de passagem que a população está passando, mas que a população realmente tem como ponto de apoio. São esses pontos de apoio que nós precisamos mobilizar como espaços também de diálogos e de escutatórias, né? Então, produzir mapas permanentemente do ponto de vista dessa cartografia, desse mapeamento participativo, dessa cartografia social, para que a gente tenha sempre esse retrato mais fiel, né? E, ao mesmo tempo, um espaço aberto de comunicação. Sim, sem dúvida. Esse é um desafio, acho que para todos nós, para a comunicação chegar da melhor forma possível e de uma forma clara e objetiva para toda a população. Vera, um segundo questionamento que eu tenho para você. A gente ouve falar muito que o Brasil não decola como esperado, porque começou errado. Desde o começo, com a chegada dos portugueses, saques, a relação com os índios, enfim. Então, problema desde 1500. O distrito do Campo Grande surgiu por volta de 1950. E a forma como ele se desenvolveu na época, com a vinda de fábricas, agroindústrias, mas sem presença de escolas, de postos de saúde, de um sistema de transporte de qualidade, você acha que trouxe os problemas que nós já alencamos para os dias atuais? Você vê também esse problema começando logo no início, no desenvolvimento do que hoje é distrito, mas que na época era só a região? Você acha que ali, em 1950, a forma como ele surgiu e nos anos consequentes são os problemas que nós encaramos hoje? Acredito que sim. Eu acredito que os problemas... Nós estamos falando aqui de problemas estruturais, de problemas sempre presentes no nosso território que nós, infelizmente, nunca superamos. Mas vale pensar também nas potencialidades. Eu gosto bastante de pensar, temos fragilidade? Temos. A fragilidade diz respeito sempre à nossa formação. Então, quando pensamos nas nossas fragilidades, nós precisamos olhar do ponto de vista histórico, o que você acabou de mencionar, a nossa formação, de onde nós viemos, assim dizendo. Então, a nossa história e conhecer como que essa história nos formou. Eu sinto muita falta disso, desse conhecimento da nossa história espacial, até para que a gente tenha mais vínculos com os nossos lugares. Eu gosto de pensar na ideia que hoje ninguém quer mudar de lugar, todo mundo deseja melhorar o seu lugar. Então, isso já é um ponto muito importante para a gente pensar nas potencialidades. E quando nós pensamos em potencialidades, nós temos que pensar na organização territorial. Então, fragilidade, eu olho para a história. A história explica muito do nosso processo enquanto formação frágil. Mas, por outro lado, essa formação frágil pode ser superada na nossa organização e no nosso planejamento. Então, daí a importância de um planejamento participativo, de um planejamento que ouça mais a população, que crie espaços para que a população possa se manifestar, porque, dessa maneira, os vínculos com os territórios serão mais efetivos. Nós não teremos tanta mobilidade territorial do ponto de vista de pessoas que saem, que mudam dos seus lugares, porque sentem uma necessidade de buscar melhoria de vida, e essa melhoria de vida parece estar sempre longe do lugar que está. Então, assim, não sei se eu respondi a sua questão, mas o que eu penso? Os problemas na região de Campo Grande, nós explicamos olhando para a história da sua formação. Mas a potencialidade desta região, que é uma região de grande potencialidade, está centrada nas nossas mãos agora, num planejamento efetivo que somos capazes de fazer. Então eu vejo muita condição de melhoria. Sobre as potencialidades, então. A gente está falando aqui sobre necessidades básicas, então dificuldade para você pagar a conta de água, de luz, de telefone, todo mundo quer ter um centro de saúde o mais próximo possível da sua residência. Mas então sobre essa potencialidade, sobre atividades extracurriculares, diversão, entretenimento, porque milhares ali não conseguem. Então a gente está falando de 50 mil pessoas que recebem menos de um salário mínimo e, ao mesmo tempo, a gente está cobrando que a pessoa consiga fazer um curso extracurricular, que tenha uma grande faculdade, que tenha cada vez mais shopping centers, que ele não precise se deslocar toda vez para o centro de cidade. Como é que a gente põe isso na balança? Você constrói uma praça para dar esporte, o cara fala, mas não tem médico no meu centro de saúde, por que vocês estão construindo praça? Como é que vocês colocam isso na balança? Isso é muito comum mesmo, o que você colocou e colocou muito bem, em relação às demandas, principalmente a gente tem lutado por todas as áreas, porque a gente agora passa a ter um entendimento sobre as verbas, isso é do esporte, tem que ser gasto com esporte, então nós somos muito cobrados na ponta quando algum equipamento de esporte vem, e por exemplo, hoje nós temos para toda essa potencialidade habitacional, que você falou, 190 mil dentro de um distrito, que depende de uma UPA, que não tem um pediatra, atualmente é assim, E nos últimos oito anos, no mínimo, também era, né, Cecília? Não tem pediatra aos finais de semana. E aí a gente está falando, o desemprego aumentou. Significa que o número de SUS dependentes aumentaram. Porque o trabalhador, às vezes, consegue o convênio lá na empresa. Ele é demitido, toda a família perde o convênio. Então o SUS dependente aumenta, a oferta de profissionais da área da saúde diminui, tá? E aí a gente entra nesse colapso que nós estamos tendo hoje dentro do distrito, por exemplo. Então, é muito difícil colocar na cabeça das pessoas, principalmente dos nossos eleitores, dos nossos colegas, nossos amigos, toda essa complexibilidade de gestão que é a Prefeitura de Campinas. A Prefeitura de Campinas tem essa complexibilidade e os técnicos, muitas vezes competentes, mas é difícil formular individualmente, por distrito, e colocar na cabeça deles essa ideia. Então as nossas demandas são peculiares em área da saúde, são peculiares em área do transporte, então a gente volta a dizer a mesma coisa, precisamos entender os problemas da gestão anterior, das gestões anteriores e criar a partir de agora, como eu falei do início, as potências. Aqui tem pessoas que possam colaborar, talvez a professora mais técnica, eu talvez com um olhar mais de comunicação, o Cecílio também tem já uma vivência junto aos conselhos, um olhar mais técnico também, um olhar de povo. Então, a gente precisa reunir tudo isso para fazer as políticas públicas daqui para frente. E, além de nós, temos outros vereadores que são da região, temos representantes lá, temos lideranças, temos pessoas que não participam da política, mas temos comerciantes. A região é uma região comercial, uma região dormitório. Então, nós temos as potências econômicas comerciais, precisam ser ouvidas, discutidas, discutidas, que hoje quem gera emprego é o comércio no nosso distrito. Tirando a Pirelli, que é a indústria ali, digamos, a maior necessidade. Tem mais alguma? Talvez a Sanfar. A Sanfar, que a floricultura é. Então, enquanto nós não potencializamos, criamos uma característica econômica. A importância do desenvolvimento econômico, industrial, desculpa, é para a gente começar a ter uma característica. Nosso distrito não tem uma característica. Ali o Campo Grande é um polo de empresas testes. por exemplo, que aí vem as pequenas junto, vem as logísticas, vem os fornecedores então nós precisamos entender começar a pensar numa característica, mas pra pensar numa característica, aí vem a mobilidade urbana, como que a logística vai ficar dependendo de uma via só como a de um boy igual o Cecílio falou, a ligação do aeroporto, talvez a da Bandeirantes por isso o motivo da, novamente da comissão, é uma luta muito antiga não é minha, eu só estou dando continuidade para a discussão não acabar. Trazer para a Câmara, para esse espaço, essas discussões. Ela não é uma demanda que o Igor identificou. Não, ela já é antiga. Eu só trouxe, achei importante reabrir, não deixar terminar as discussões, tanto do Cartório quanto da Bandeirantes, para desafogar ali. Mas, por exemplo, eu fiquei sabendo agora que Montemor está ligando diretamente com o Viracopos, uma estrada rural. Passa atrás do bassole, né, estrada rural, rio acima, vai asfaltar. Então, talvez já seja uma oportunidade para a gente já interligar, pelo menos nessa que está mais próxima, se não dá pela bandeirante. Então, essas ligações, elas vão potencializar, porque nós temos hoje as áreas, como o Cecília falou, a professora falou, nós temos as áreas, como elas vão ser ocupadas daqui para frente? Isso é a nossa preocupação. A organização. A organização. Para o crescimento. Desse crescimento. Gabriel, eu acho fundamental que haja uma descentralização da administração. É preciso que a subprefeitura assuma um papel de ser o subprefeito lá, ser o prefeito daquela região, até porque o prefeito tem tantas coisas para cuidar, entende? E ali, então, o subprefeito, a subprefeitura assuma um papel de coordenar estas forças vivas em busca deste desenvolvimento sustentável tão necessário. Veja você, se a gente reunir as pessoas e perguntar para elas qual é o principal problema, qual é a principal prioridade, nós vamos tirar ali, naquele momento, uma, duas, três ou mais prioridades. E vamos trabalhando, não dá para fazer tudo de uma vez. A gente sabe disso. Agora, a gente sabe também que a partir desta reunião, deste encontro com calma, discutindo, elencando as prioridades, delegando responsabilidades, olha o que você também pode fazer para ir melhorando. Isto, além de melhorar a autoestima das pessoas, porque dá corresponsabilidade, ela se sente que é parte do processo, também possibilita este escalonamento dos investimentos, seja do poder público e também da segurança para a iniciativa privada. Dizem, olha, tem uma organização, as pessoas estão organizadas, dá para acreditar, entende? Então, eu me lembro quando do orçamento participativo, em 2002 e em diante, havia esta organização, entende? As pessoas se encontravam, discutiam, às vezes tem lá uns quebra-pau, mas faz parte da vida. E, então, faz este... elenca estas prioridades, está certo? E o poder público vai investindo de forma organizada com um programa mesmo, entende? Consistente, está certo? E aí, tanto a população se engaja e forma ali as lideranças para ir cuidando da região e colaborando com o poder público, buscando este desenvolvimento. Então, é fundamental, no meu modo de entender, que os serviços públicos sejam descentralizados, que haja essa organização com a população. Porque, como você disse, às vezes a gente está falando de um curso técnico, mas o que a pessoa está precisando é de uma cesta básica nesse momento. Então, você fala, mas tem o celular, as pessoas podem se conectar e, inclusive, acessar o serviço público, mas ela não tem acesso à internet, ela pode até ter o aparelho, mas ela não consegue porque ela não tem acesso à internet. Então, a escola pode ser um polo irradiador, o Igor, que é da comunicação, você tem uma escola, você tem ali na Praça da Concórdia, espaços onde tem a internet gratuita para as pessoas ali poderem se conectar e, de repente, fazer, inclusive, acesso a programas sociais, importantes na cidade, entende? Então, eu imagino que existem espaço, condição para a gente aproveitar essas potencialidades. Mas é preciso com calma, dando um passo de cada vez e de forma organizada. Só para corroborar com o Igor essa questão das ligações. Nós temos o município de Hortolândia, que também está ali do lado. Se a gente, usando aquela alça de acesso, a gente pode chegar na Bandeirantes. as empresas que ali se instalarem podem usar a rodovia e essa alça para descolar essa produção. Nós temos ali do lado a Fazenda Cáceas, que é aquele mundaréu de eucalipto, que é importante ter o verde, mas aquilo vai virar urbano um dia, vai ser o que ali? Eu queria contar com o Igor para a gente cobrar que naquela área fosse instalada indústria não incômoda, em indústria de tecnologia, porque as pessoas podem não ter informação suficiente hoje, mas amanhã ela pode ter. Por que nós não podemos ter engenheiros ali? Nós estamos próximos do aeroporto, por que a gente não pode ter no Instituto Federal um curso de mecânica de avião? Então, a gente precisa pensar grande, mas ir agindo paulatinamente, como diz a escada, a gente sobe degrau por degrau. Professora Vera, como é que você vê esse dilema para quem está nos acompanhando? Poxa, não tem um médico, não tem um centro de saúde perto da minha casa, vocês estão falando de shopping center, de indústria. Passa também pela comunicação e a resposta você entende que está nessa potencialidade? Quando isso chegar, é meio que uma bola de neve que vai desencadeando e vai resolvendo os outros problemas? Você encara na potencialidade ou não? Então, acho que é importante a gente pensar a desigualdade, né, a desigualdade que nós estamos falando aqui, Gabriel, é uma desigualdade extremamente desigual no espaço e ao mesmo tempo combinada no tempo, né, então nós temos desigualdades diferentes dentro do mesmo espaço, do mesmo tempo. O que eu penso com relação a isso? Um passo muito importante, e o vereador Cecília levantou uma questão, que é a questão da subprefeitura, eu vejo como muito importante pensar a intersetorialidade em Campinas, numa conexão mais evidente dos serviços que são oferecidos à população. Então, por exemplo, hoje a divisão territorial que nós temos da educação não é a mesma divisão territorial da saúde, não é a mesma da assistência. Então, nós estamos falando de pessoas que são atendidas, do ponto de vista do território, por divisões diferentes. Isto implica numa dificuldade dessas secretarias atuarem conectadas, em prol de determinados lugares. Então, eu mapei uma família, algumas famílias, milhares de famílias, em situação de vulnerabilidade. As famílias que estão em situação de vulnerabilidade, elas precisam ser atendidas sistematicamente e ao mesmo tempo de uma maneira holística, então não é um atendimento com CAS, não é um atendimento via educação, ela precisa de um atendimento integrado e de um atendimento próximo a ela. Então, nesse caso, a curto prazo, a intersetorialidade do serviço público, esse acolhimento dessas famílias, eu acho fundamental, fundamental. Porque se nós temos esse serviço público integrado, acolhendo as famílias, nós vamos ter um mapeamento mais real das suas necessidades. como o vereador Igor levantou, da unidade que chega especialista num determinado conhecimento no território. Cursos técnicos. Quais cursos nós vamos oferecer? Então, nós temos que ter esse mapeamento já em mãos, e esse serviço integrado, comunicativo, conectado, do próprio público, eu acho fundamental para poder fazer esse alicerce importante a essas pessoas e, obviamente, facilitar com que elas saiam de uma condição de vulnerabilidade para uma condição melhor da sua vida. Ao fazer isso, essas pessoas estarão prontas e mais preparadas para acessar outros ativos importantes na qualidade de vida, como, por exemplo, lazer e entretenimento, como, por exemplo, questões relacionadas à cultura, Como, por exemplo, cursos técnicos Primeiro atender as suas necessidades básicas Mas essas necessidades básicas não podem chegar como o programa cá e o programa lá Precisa chegar de uma maneira integrada De uma maneira conectada Com uma comunicação efetiva É isso que ampara as nossas famílias Amparadas, elas terão condição, sim De se inserir numa sociedade Que é uma sociedade desigual mas que nós acreditamos muito, eu acredito demais que nós temos as condições para construir a equidade, lideranças muito envolvidas com essas questões. Uma pergunta para vocês três agora, já que a gente está falando de organização e desse desenvolvimento que precisa acontecer. Corre-se o risco de uma parte do distrito se desenvolver e uma outra não? Então quem está próximo a John Boyd e Dunlop, a um shopping, a uma universidade, se aproveita do crescimento, de obras, de melhorias, e uma outra parte começa a olhar cada vez mais distante algo que estava próximo, corre-se esse risco? Com certeza. Tanto que o valor venal, o valor comercial dos terrenos, das construções, ao longo da avenida, no eixo da avenida, a gente percebe que aumentou exponencialmente. Então, quem está empreendendo, quem está investindo ali na avenida, são comércio de médio, grande porte. Isso é bom para a região? Não deixa de ser, porque leva emprego e tudo mais. Mas, de fato, a gente corre esse risco daquele cidadão que está lá na ocupação, ele cada vez mais ser jogado mais para fora. Isso é um risco, sim, que a gente corre e a gente não gostaria que isso acontecesse. Por isso, a gente imprima por esse desenvolvimento sustentável, integrado e o tecido social na região e na cidade possa ter esta superação da pandemia de tal modo que todos consigam sobreviver e buscar o mínimo para ter esta vida estável. Por isso, é importante o olhar do poder público. Eu, particularmente, não acredito que o mercado se resolva. É preciso a intervenção organizada do Estado para ordenar isso, minimamente, não ter uma massa de miseráveis enquanto alguns têm acesso a um salário, enfim, a essa ascensão social. É importante, eu penso que aí, como você tinha mencionado no início, no momento da fala, as entidades religiosas, as entidades sociais, enfim, todos buscarem que haja esse equilíbrio e o poder público, sem dúvida nenhuma, é um indutor para isso. Por isso, reafirmo o papel importante que tem a subprefeitura naquela região. Como este ordenador ali, que conhece, que ali conhece, a gente conhece quem são as lideranças, quem são as pessoas que podem, e mesmo aqueles que estão nos rincões, ali na ocupação, tem liderança também que faz um belo trabalho, de ajuda, de escuta e de assistência àquele povo. Então, é preciso trazer essas pessoas para essa escuta mesmo, para essa escuta qualificada e buscar essa superação é fundamental. Vereador Igor Diego, entende que corre esse risco de a gente criar mais um degrau dessa desigualdade dentro do distrito? Uma se desenvolve e a outra parte fala, mas e a gente aqui? Não está chegando nada aqui, está ficando tudo próximo de uma área. Olha, eu acho que é inevitável acontecer esse crescimento não ao mesmo tempo, de maneiras iguais. Como a própria cidade, se a gente pegar uma visão macro Campinas, é assim, o distrito também, já hoje já é um pouco assim, ele já tem a característica que pode ser que aconteça, mas não é de todo modo ruim. O que é ruim é um crescer muito e o outro não crescer nada. Aí é muito ruim, mas se nós pensarmos como uma célula, o campo grande de um corpo e as células positivas que se conversam ali, por exemplo, eu posso ter condomínios ali de médio padrão ou alto e o próprio pessoal que presta o serviço mora ali na região, não é ruim, é bom, desenvolvimento assim é legal, é bom, porque hoje isso não acontece. Hoje eu não tenho, por exemplo, eu sou vereador, melhorei um pouquinho a minha qualidade. Se eu quiser ter uma opção melhor que eu posso hoje financeiramente, eu não tenho essa opção ali de alugar uma casa ou um condomínio fechado, se amanhã eu melhorar um pouco mais, virar um deputado e tal. Eu não tenho. Obrigatoriamente eu tenho que sair do meu distrito se eu quiser uma qualidade melhor, segurança de vida para a minha família, se eu optasse por isso. Só estou dando um exemplo. Por que eu digo? Porque tem lá donos de clínicas, tem comerciantes que moram, quer dizer, que trabalham ali e nos procuram. Igor, aqui não tem opção. Eu gostaria de morar aqui, porque todo dia eu tenho que abrir minha clínica, todo dia eu tenho que abrir meu mercado, meu comércio. Então, esse desenvolvimento eu acho importante, tá? O que não pode, esse socialismo urbano, eu acho que não existe. Eu não conheço muito uma região assim, com uma característica só que tudo igual, assim, sabe? Eu acho que acontece, no que não pode é uma discrepância muito larga, aí tem alguma coisa errada, sim. Professora Vera, corre-se esse risco de uma parte do distrito se desenvolver e a outra que estava pertinho ficar cada vez mais distante e entende como Igor, como algo inevitável? Então, não só pode, como esse é o modelo, é o grande padrão da organização dos nossos lugares. Os nossos lugares, sempre que um lugar se desenvolve Por praxe, infelizmente Porque nós desenvolvemos uma cultura Da organização e do planejamento e da gestão No meu ponto de vista Então, geralmente, quando os lugares se desenvolvem Esses lugares, automaticamente, eles passam a valer mais Então, a gente está falando de lugares que valem mais E lugares que valem menos E aí, fazendo uma extensão às pessoas, pessoas valendo de acordo com os lugares. Esse é um modelo de planejamento muito existente no nosso país, infelizmente, presente nas grandes cidades. Então, eu concordo com o Igor, que isso é inevitável. Sim, é inevitável a valorização dos lugares à medida que novas materialidades chegam e são necessárias mesmo e têm que chegar. Agora, eu acho importante e muito importante que a gente não fomente com isso novas exclusões, porque senão a gente acaba tendo exclusão e não resolve a exclusão, e a exclusão é a mãe da vulnerabilidade. Então, quem está em situação de vulnerabilidade? Quem vem de um processo de exclusão que já vem, por sua vez, de um processo de marginalização que começou lá atrás na pobreza. Então, é a pobreza, é a marginalização, é a exclusão, é a vulnerabilidade. Essa é a rota, esse é o ciclo. Então, eu acredito que é muito importante a gente planejar e criar espaços de diálogos e de escuta a essas populações para que o desenvolvimento chegue, mas chegue também na medida em que elas possam ser beneficiárias, porque senão nós vamos criar esses bolsões permanentemente. Então, a população sai daqui porque aqui não dá mais para eu ficar e vai um pouco mais à frente, e o problema permanece, a cidade permanece como uma cidade desigual, mesmo sendo desenvolvida. Uma hora já de debate, de conversa, estamos aqui falando sobre o desenvolvimento do Distrito do Campo Grande no questão de ordem, a gente vai fazer o seguinte, rápido intervalo, não saia daí, que eu vou abordar assuntos importantes. Rapidinho. Questão de ordem de volta, hoje nós estamos conversando sobre o desenvolvimento do distrito do Campo Grande E em 2014, a população de Campinas decidiu através de um plebiscito Se as regiões do Campo Grande e do Ouro Verde seriam distritos e venceu com uma margem, 54,15% disseram sim, 287.408 pessoas e o não ficou com 45,85%, o que dá 243.367 pessoas. E ainda, 111.957 pessoas votaram entre branco e nulo. Nestes sete anos, a proposta do distrito foi acertada, criou-se um problema. Como é que vocês analisam? Olha, eu acho que era importante, sim, a elevação da região a distrito, né? Para que nós dessemos um passo mais à frente. Mas a pergunta que eu faço é assim, o distrito para quê e qual o modelo de distrito? Que talvez as pessoas votaram no sim, não é esse o modelo que nós temos hoje. Esse modelo de distrito, de administração de distrito, eu acho que é uma maneira que nós não acertamos ainda. Nós não conseguimos acertar. Se você perguntar hoje para os moradores quem é o subprefeito, por exemplo, eles não sabem. E não é só morador, aquele que chega à noite, não, é um morador líder de bairro, uma liderança, eles não sabem quem é, por quê? Porque existe um distanciamento muito grande. Hoje o subprefeito acaba fazendo apenas a zeladoria do distrito, ele acaba cuidando ali, tentando cuidar da zeladoria, e não faz uma comunicação com a região, ele não expõe, ele não gerencia, ele não tem esse poder de gerenciamento. na prática de ser o subprefeito, ajudar o prefeito junto àquele povo ali. Então, esse modelo de distrito aqui de Campinas, de subprefeitura, não é um modelo não só do Campo Grande, como do município, eu creio que não é um modelo assertivo. Lá em São Paulo, se a gente pegar, o subprefeito tem autonomia administrativa, não estou falando uma total autonomia, mas ele tem certas autonomias administrativas, eles resolvem ali a questão junto ao cidadão local, ou seja, nós precisamos asfaltar cinco bairros, mas chegou o dinheiro, a verba para asfaltar um, o subprefeito junto à comunidade, as lideranças se reúnem para decidir, ali sai discussão, mas no final, como eu estava conversando com o Cecília há pouco, eles se respeitam essa decisão, Então falta esse tipo de gerenciamento de distrito, um subprefeito com mais autonomia, um braço mesmo do prefeito. Cecília, como é que você entende distrito do Campo Grande nestes sete anos, decisão acertada, e concorda com o Igor que este modelo precisa ser melhorado? Com certeza. Não só o modelo, porque se elevou a distrito, a região, apenas como status, mas como efetividade não se tem. E é preciso, nesse modelo, ser muito objetivo. O subprefeito não pode estar ligado a um vereador, ele precisa estar ligado ao prefeito. Ele é o representante do prefeito lá na região. Precisa ser para ter essa autonomia que o vereador Igor menciona. ter condição de liderar a região junto aos moradores e estabelecer ali combinados. Nós não temos recurso, o município não dispõe de recurso para fazer tudo ao mesmo tempo. Então vamos fazer uma programação, vamos fazer um planejamento e este mês a gente atende o bairro X, amanhã, o mês que vem, atende o bairro Y. Isso é fundamental. Mas é preciso que nós, na Câmara, a gente dá esse apoio, esteja junto, ajudando ali. Mas não seja alguém que responde para um vereador. Precisa responder para o prefeito. O prefeito judário precisa tomar essa decisão. Quanto antes. Eu sou a dizer que nem a Secretaria de Serviços Públicos, a qual o super-prefeito está vinculado, É preciso, aliás, não é só o distrito do Campo Grande, todos os distritos, os administradores regionais, ao meu ver, devem responder direto ao prefeito para ter essa autonomia. Aqui eu sou o representante do prefeito, entende? E aí chamar essa responsabilidade mesmo de organizar os serviços públicos, atender de forma equânime o máximo possível, além dos outros itens que a gente aqui mencionou, de assistência, de educação. Um outro elemento importante que eu julgo é o atendimento cidadão que foi implantado. Ele não pode ser simplesmente cartorial, de protocolo, de despachar. É preciso ser algo a mais, onde as pessoas possam, de fato, resolver os seus problemas. Eu tenho problema com o IPTU, eu não preciso vir no centro, no porta aberta central para resolver. Posso resolver na subprefeitura. Esse é um dos aspectos que foi criado. E o outro, e o vereador Igor tem atuado muito bem, a gente está acompanhando e está apoiando, eles também estão atuando, que é de buscar serviços para o distrito. Cartório, corpo de bombeiro, SAMU, um hospital. Eu acho que é importante a gente olhar para o futuro do distrito do Campo Grande como uma cidade de porte médio que se comunica com as outras três cidades que estão ali do lado, o aeroporto, entende? Então, é fundamental que a gente busque, de fato, essa autonomia administrativa. Não precisa desvincular. Eu não estou aqui dizendo que tem que virar uma cidade. Não é isso que a gente quer. O que a gente quer é que o morador não precise se deslocar do Campo Grande para resolver problemas no Porta Aberta Central. Ele tem que ter uma opção próximo da residência dele. Exatamente, exatamente. Professora Vera, nós tivemos este plebiscito em 2014, uma margem até que apertada, 54,15 contra 45,85. 111.957 pessoas não quiseram se intrometer nem para o sim nem para o não, votaram branco e nulo. Como é que você viu esta decisão e estes sete anos deste modelo em prática? Então, Gabriel, essa decisão talvez mostre para a gente o quanto que nós precisamos pensar em possibilidades, não que a gente não faça esse exercício, mas eu acho que a gente precisa melhorar muito mais esse exercício do cidadão, essa prática do ser cidadão. O ser cidadão enquanto uma percepção clara de que sou cidadão porque tenho consciência do lugar que eu moro, das demandas que aqui possui e percebo a minha representatividade. Então, acho que a gente precisa, de uma maneira em geral, amadurecer muito nessa questão com relação ao exercício da nossa cidadania. Agora, os resultados disso, o nosso modelo de gestão é sempre muito centralizado, então nós temos um modelo centralizado, esse modelo centralizado ele prejudica bastante do ponto de vista de distanciamento da gestão pública e da população, E eu concordo com a questão de uma maior autonomia dos distritos Eu concordo bastante com uma saída factível para os tantos problemas que assistimos Então aí o modelo de gestão passa a ser importante, sim A gente acha que é uma questão crucial Inclusive para impedir o que nós estávamos falando anteriormente De que no processo do desenvolvimento do distrito nós tenhamos a geração de novas exclusões. Então, para evitar esse cenário, é fundamental uma gestão pública muito presente, muito atuante, muito articuladora com os diferentes projetos que existam, e, acima de tudo, extremamente comunicativa, de uma comunicação fácil com todos. Então, acho importante a autonomia dos distritos para a gente minimizar as questões com relação à vulnerabilidade social da região. Vocês conseguem colocar na prática uma coisa que melhorou e uma que piorou depois que virou distrito? Tem como fazer esse exercício? Acho que sim. Melhorou, por exemplo, eu, como associação de moradores, eu precisava protocolar documentos sempre aqui na região central, no protocolo geral da prefeitura. Ali me possibilitou fazer protocolo e me comunicar com a prefeitura por documento mais próximo. Isso é bom. Além disso, ter ali o atendimento da CPFL, ter o atendimento da Sanasa, isso é bom. Agora, o que dificulta? Gerou mais gasto para o horário, porque você tem um subprefeito, você tem um gabinete, E enquanto, do ponto de vista de equipamento, eu fiquei estarrecido, visitei lá a subprefeitura e o subprefeito me disse, olha, eu só tenho uma máquina para atender 190 mil moradores. Responderam um requerimento que não tem, não dispõe a subprefeitura de três sacos de cimento para recolocar a grade ali da Boca de Lobo. Isso é uma aberração, não dá para entender, não dá para acreditar num troço desses. Então, é preciso a gente avançar e avançar bastante. Ponto positivo e um negativo, Igor. Sem dúvida, o ponto positivo é a vinda do Agiliza, que veio depois, após a votação do distrito. Mas é importante ressaltar que não necessariamente precisaríamos ser distrito para ter o posto do Agiliza. não é condicionado a distrito, mas queira ou não queira, como a elevação da região a distrito, então ficou meio que um dever de ter ali como se fosse uma subprefeitura com todos os serviços da prefeitura. E aí veio, inclusive depois veio, aí tem a Sanasa, a Endec, hoje tem a Coab lá dentro, tem o protocolo geral, tem a CPFL. Então é como se fosse, resumindo, um poupatempo que é do Estado, mas com os serviços aqui da prefeitura ali. Então isso foi muito bom, é o que todo mundo gosta, todo mundo procura, vale muito a pena, foi bem assertivo. Agora o que nos preocupa, o ponto negativo é assim, olha, elevou a região a distrito, então a gente se preocupa na questão de valor venal, de PTU, de imóveis, então, poxa, elevou, será que vai mudar? Então isso foi preocupante. O segundo ponto negativo é, como o Cecílio falou, o valor percebido dos moradores. Então, poxa, somos um distrito, mas e aí? A gente não está vendo na prática o que isso trouxe de benefício. Então, esse valor percebido, principalmente para a gente agora, enquanto vereador, a gente é muito cobrado, né? Ó, Cecílio, aqui é um distrito, cara, é o Cecílio. Então, assim, eles esperam algo a mais de um distrito. Então, esse ponto é negativo, porque na prática somos um distrito, mas a regional nossa é a mesma regional de qualquer outro bairro que não é um distrito. Essa potência não se faz na prática em maquinário, em serviço, em agilidade estrutural. Então, não muda nada, por exemplo, do Campo Belo, que não é um distrito, mas é um bairro ali de viracopos muito populoso. Não tem diferença alguma. Então esse é um ponto negativo. Eu estava acompanhando uma reunião da Comissão Especial de Estudos que analisa o distrito do Campo Grande e me chamou a atenção uma fala do vereador Gustavo Peta, quando ele diz que milhares de pessoas moram lá, mas o emprego delas não, que fica muito concentrado no centro e nos bairros em volta da região central. E aí o problema do transporte fica mais evidente, pela perda de tempo de deslocamento, piora na qualidade de vida, que você fica mais tempo no transporte público e menos em casa, no lazer. Vocês entendem também que existe falta de emprego no distrito? Com certeza. Tanto que nós abrimos a nossa fala aqui dizendo da importância que tem nos bairros e nos vazios urbanos ser ocupado por empresas. levar emprego para aquela região é fundamental e dos vários níveis portanto, quando disse de ter uma empresa de tecnologia um polo tecnológico ali, ele é importante e necessário pela localização, proximidades com as rodovias e agora com o Instituto Federal ali também, porque não a gente ter uma universidade federal ali na região Porque você só faz desenvolvimento, no meu modo de entender, quando tem esse misto da tecnologia, do conhecimento, com a moradia, o comércio, a indústria. É isso que faz o desenvolvimento. Esse deslocamento longo, mesmo com a implantação do BRT, aliás a PUC fez um estudo bacana sobre isso, E o mesmo corredor de ônibus pode não surtir o efeito de desenvolver a região onde está passando, porque segrega as pessoas, limita as pessoas a andarem em um único espaço. E, portanto, o comércio, a indústria, o comércio que está do lado, os serviços que estão do lado, as pessoas não acessam, elas não chegam ali. Então, esse modelo de transporte, ao meu ver, ele precisa ser melhorado constantemente para poder ser um indutor de desenvolvimento como se presta a ser. Vereador Igor Dias, como é que você entende essa situação? A gente está falando muito dos problemas de hoje, a gente precisa resolver hoje. Tem pessoas em vulnerabilidade social ganhando menos de um salário mínimo hoje. E a gente está numa pandemia. Quando a gente vê o cenário nacional, a gente vê a Ford saindo do país, a gente vê a LG saindo do país, e a gente fala, mas precisa vir emprego para o distrito do Campo Grande, precisa vir empresa. Como é que a gente consegue conciliar o que o país está vivendo com o desenvolvimento de uma região que está precisando de empresa, e quando a gente vê no geral não é muito o que está acontecendo? Tem alguma outra alternativa para a gente trazer o emprego para essa região? Olha, é importante dizer isso porque, assim, um grande passo está sendo dado hoje. A importância começou lá na urna. O pessoal votou na gente, hoje a gente consegue trazer para outros níveis a discussão. Então já é um passo muito importante através das representatividades que foram feitas nas últimas eleições. Então isso já é um passo muito importante. E aí a gente começa a analisar como, olha, vai estar um tsunami, vai pegar lá Brasília. Como que essa onda chega aqui no Campo Grande? Essa é a grande pergunta. Por isso que eu digo que nós precisamos, no Campo Grande, criar uma característica comercial. Igual agora, eu falei que vai vir o CEPROCAMP, mas o CEPROCAMP vai formar profissionais para quem? Para qual? Se nós tivéssemos uma característica ali, por exemplo, o Senai, quando ele vai para uma cidade pequena, menor até do que o distrito do Campo Grande, ele tem os cursos para aquela característica. Uma parceria com estágio, você já sai com emprego, já sai com uma formação. Então, essa ligação que nós não estamos tendo. Então, eu estou trazendo aí, o prefeito está trazendo, ótimo, mas para quem que ele está formando? Quais são as empresas que precisam dessa mão de obra? Então, eles não estão no Campo Grande. Eles vão se formar, mas não para trabalhar no Campo Grande. Haja vista que a gente está solicitando para o SEBRAE, não, o que cuida das empresas. O SEBRAE. Oi? O SEBRAE. Não, não. É outro, que ajuda a abrir comerciantes, ajuda a parte comercial. Me fugiu o nome agora, daqui a pouco eu recordo. Porque ali a região é uma região comercial. Então, é importante o trabalhador que quer abrir um comércio, que tem essa possibilidade, ele possa ter essa ajuda inicial, porque a maioria também dos nossos comerciantes ali, Cecília, não são grandes comerciantes de grande varejo, de grandes lojas. É aquele que começa com um, que sai da empresa, pega o acerto. Então, eu acho que a criatividade, respondendo a sua pergunta, é a saída. Nós precisamos ser criativos. Foi dessa maneira que o Cecília, que eu, inclusive, nós conseguimos chegar ao pleito de vereador. para disputar contra quase mil candidatos na última campanha se nós não tivéssemos utilizado a criatividade, as ferramentas que estavam disponíveis na nossa mão, que era uma campanha limitada em relação às demais, né, Cecília? Então, acho que a criatividade, precisamos, nesse momento de dificuldade, parar de pensar no Campo Grande e ver ele como o distrito, só aquela região. Vamos pensar na região como uma cidade. Poxa, se o Campo Grande, mesmo que não for, também não estou pedindo a emancipação aqui, não refendo, mas se fosse uma cidade, hoje o que move uma cidade são verbas parlamentares e são os taques. Quanto de taques nós recebemos lá no Campo Grande, em termos de ajuda de condutas, das empresas, do verde, quanto de emendas parlamentares e qual é a arrecadação da região? Então a arrecadação é baixa, por mais que é um distrito populoso, a informação que eu obtive, não tenho inscrito, mas vou solicitar, fiquei sabendo que é uma arrecadação de imposto muito baixa de IPTU, mas ITAC e verbas parlamentares. Então aí a gente começa a ver que nós estamos muito atrasados. Se fosse cidade, se o Campo Grande visto como cidade, a gente está parado há muito tempo. É um número muito abaixo das demais cidades menores que o distrito do Campo Grande. Se o Campo Grande fosse uma cidade, aqui na RMC nós temos 20 cidades. Eu creio que nós seríamos a 12ª, se eu não me engano, na última pesquisa, que eu fiz por número de população. Olha só. Então, pega e se compara o investimento. Lógico que também não podemos ser assim, colocar que faz parte de um todo, mas fica muito longe, então nós temos que pensar sim no Campo Grande como cidade e usar a criatividade no momento de dificuldade, eu acho que é esse o caminho. A instituição que ajuda as empresas era o SEBRAE, que você estava tentando lembrar ou não? Isso, muito obrigado, o SEBRAE, então nós estamos solicitando uma parceria com a prefeitura, tentar junto ao secretário Gustavo Tela de Trabalho e Renda, já fiz uma indicação para ele tentar esse laço para trazer o Sebrae para o Campo Grande tem que ajudar lá o povo de lá tem que ter um atendimento inclusive na subprefeitura lá que é o Agiliza coloca ali para quem quer ir lá começar um comércio porque a vocação hoje é comercial então naturalmente eles estão partindo para tentar seu próprio negócio seja até web como eu falei, inovar, muita gente quer abrir seu próprio negócio lá do campo grande web, quer vender online não precisa fisicamente, quer pôr no iFood isso aconteceu muito a gente ajudou pessoas a receber o auxílio emergencial, depois ela entrou em contato com o dinheiro do auxílio, ela fez pote do sonho um doce lá gostoso, bonito, até me mandou aí ela está vendendo no iFood porque ela não tem uma condição de mas ela vende, colocou e hoje já tem duas funcionárias trabalhando. Então, é a criatividade, mas ela precisa, a partir de agora, de uma orientação, de um plano de negócio, saber o que é um capital de giro, porque ela não vai conseguir essa escalabilidade por muito tempo. Então, eu acho que é isso, as criatividades, junto com horta comunitária, É uma saída, horta comunitária, horta orgânica, cultura. Os jovens do Campo Grande, os jovens da periferia, eles são um poço de cultura. E a cultura vale alguma coisa e paga-se bem pela cultura. E geralmente quem paga é quem tem dinheiro. Então tem que explorar a cultura da periferia, uma cultura valiosa, e lá tem esse potencial. Então, acho que é importante nós pensarmos com criatividade e olhar para sair desse laço da pobreza, desse laço que aprisiona e a gente não vê uma situação. Aí entram as associações, as igrejas, o poder público, a gente provocando as secretarias. Então, eu acho isso. Essa linha, Gabriel, rapidamente, o turismo rural. Turismo rural, que é uma região bonita, é uma região geograficamente alta. E tem espaços onde se andar, fazer uma caminhada, andar de bicicleta. Ali tem um clube de campo pertinho, Santa Clara, que é um clube de campo. Por exemplo, se tivesse a ligação no aeroporto de Viracopos, hoje Campinas é um polo de turismo, de comércio, comercial. Mas o cara pode optar a 15 minutos, se tivesse a ligação, de ficar num clube de campo hospedado. Seria uma opção, ao mesmo tempo que ele gasta para ir, talvez, num hotel, mas se ele quer um clube de campo, vir com a família, já vou numa reunião em Campinas, já vou passar lá, teria essa opção. Então a gente precisa desenvolver muito bem lembrar disso. E já fica a dica então, né, para os nossos governantes. Vera Plácido, sei que já ultrapassou o seu tempo combinado, quero agradecer muito a disponibilidade do seu tempo com o programa questão de ordem aqui da TV Câmara Campinas, e deixo esse último espaço para você falar alguma coisa que eu não tenha te perguntado. Gabriel, muito obrigada, eu que agradeço a oportunidade de estar aqui, muito gostoso, a gente sempre, esse diálogo sempre abre muitas possibilidades, né? O que eu gostaria de deixar, assim, o que eu trago sempre, Gabriel e todos aqui, é muito importante nós pensarmos o desenvolvimento como algo integral, como algo local, então eu gosto muito da ideia do desenvolvimento a partir da identidade, então é importante a gente perceber a identidade dos nossos locais e a partir da identidade dos nossos locais, considerando as questões que o vereador Cecílio e o vereador Igor já colocaram, a partir dessas potencialidades pensar redes, né, então nós temos que pensar em formar redes nos nossos territórios a partir dessas identidades, né, então a cultura forma uma rede maravilhosa e belíssima, a questão mesmo dos serviços oferecidos também nós temos redes aí fantásticas que a gente pode potencializar o local e a região como um todo, as próprias escolas desenvolvendo os seus projetos, em articulação com os agentes culturais. Então, eu vejo que a gente precisa explorar a nossa identidade. A importância de ser distrito, no meu ponto de vista, é exatamente isso. Ser distrito nos possibilita refletir sobre quem nós somos e o que queremos. Então, acho que é nesse sentido que eu imagino que a gente precisa trabalhar. Então, ser distrito aumenta a responsabilidade. Olha, somos importantes, nós somos um distrito E agora a questão que vem Qual é a nossa identidade? Por onde que vamos? Há muitos caminhos, a gente precisa partir da identidade E dos vínculos territoriais Para poder alcançar esse desenvolvimento mais integral Esse desenvolvimento local E um desenvolvimento que minimize cada vez mais a vulnerabilidade É isso Eu agradeço novamente a oportunidade. Nós aqui agradecemos a sua participação, com mais uma ótima colocação agora no final, sobre a questão da identidade, acho que isso é fundamental. Porque quando a gente fala bairro taquarau, você já pensa na Lagoa. Quando você fala no Cambuí, você já associa aos bares. Barão Geraldo, tem a Unicamp, tem as praças. Então o distrito do Campo Grande, ele precisa da sua identidade. Sousas, Joaquim Egídio. Exatamente, você vai fazer uma caminhada de bicicleta, vai para Sousa, vai para Joaquim Egídio, que é gostoso. Então, o distrito do Campo Grande, ele precisa dessa identidade, e talvez a partir dali, ir começando essa construção em volta. Com certeza, e nós estamos em busca disso, de construir isso, né, Igor? E com a ajuda da professora, das universidades, eu tenho certeza, e também da vontade política da gestão. Eu acho que a gente só vai ter êxito se houver esta integração, a universidade, a pesquisa, o parlamento aprovando, regulamentando aquilo que precisa ser transformado em lei, mas também o poder público, a prefeitura, os órgãos à disposição para fazer essa escuta e para fazer essa interação. Na comissão de estudos a gente tem percebido que há esta disponibilidade, a gente quer aqui agradecer aos secretários que têm enviado seus representantes ou participado diretamente para a escuta, para a interação e isso é fundamental. A gente não está aqui como oposição simplesmente para tacar pedra de maneira nenhuma, mas para construir este diálogo em busca de uma melhor qualidade de vida para o nosso município. Quero agradecer aqui à TV Câmara, que faz esse debate muito importante para o município de Campinas, dando a contribuição nesta perspectiva de melhorar a qualidade de vida da população. Acho que é fundamental isso. E, sem dúvida nenhuma, explorar as potencialidades do município, como a gente terminou falando aqui do turismo rural, é fundamental. Talvez por aí a gente consiga, com que as pessoas se interessem, se possam investir nesta área e o Distrito do Campo Grande buscar uma melhor qualidade de vida para toda a população. Vera, muito obrigado e já fica o convite aqui para uma próxima oportunidade para a gente poder voltar a conversar. Com certeza, Gabriel Obrigada a todos vocês Obrigada à TV Câmara também Enfim, sempre à disposição Sempre à disposição Combinado então, professor Fico mais um pouquinho aqui ainda Com os vereadores Igor Diego e Cecílio Santos Vocês sentem, veem Ou ficou no passado Um preconceito com quem mora Em áreas distantes do centro, em bairros periféricos Isso existe, existiu O que vocês podem falar, vocês que moram há tanto tempo por lá? Ah, existe, né, Cecília? Existiu, ainda existe, nós temos, como você disse muito bem na pergunta passada, sobre criar identidade. Eu acho que não só criar, mas também desconstruir a identidade negativa que se formou. Então a nossa principal luta é desconstruir, que é uma região que só tem bandido, como a gente gosta de escutar aí, desconstruir quando o morador do Campo Grande vai procurar um emprego que o povo do Campo Grande não é confiável ou sempre chega atrasado porque é longe, porque nós estamos falando de 19 quilômetros da região até o centro. É uma região para quem vai de ônibus longe. Então, a gente tinha aqueles péssimos serviços de transporte público que sempre quebrava, Então, criou uma identidade de, pô, mora no Campo Grande, vai chegar atrasado, vai dar mancada, é problema. Então, nós temos um desafio muito grande para desconstruir tudo isso, que essas pessoas que dependem dos serviços públicos, que são a maioria ali do Distrito do Campo Grande, são pessoas, na verdade, trabalhadoras, são pessoas honestas, sinceras, e então criar, a partir daí, uma identidade, né, Cecília? é o nosso grande desafio e eu acho que nós começamos com dando passos certos, estamos aqui hoje, volto a dizer, já é um grande passo, a nossa conduta, a nossa oportunidade que nós estamos tendo também vai ajudar isso, são vereadores do Campo Grande, raízes do Campo Grande e no final fala assim, olha, terminaram o mandato, um mandato íntegro, reto, que lutou então a gente também hoje é referência e temos que ter essa consciência, nós vereadores do distrito, todos os vereadores do distrito, que nós temos não só um mandato, mas nós estamos sendo observado pelo restante da cidade e nós representamos toda uma parcela da população, então quando se fala mal de um vereador ou cai em corrupção, ou cai em alguma situação, num descrédito é ruim pra região, porque hoje Nós estamos aqui defendendo a região. Amanhã, se for negativo, a imagem também é verdadeira. Então, olha o tamanho da responsabilidade. Então, começamos com nós. Começa comigo, o Cecílio começa com ele, aí nós dois começamos com os assessores, e aí a gente vai conseguindo mover uma massa muito grande para construir essa identidade positiva dentro do município. Viu e sentiu esse preconceito, Cecília? Com certeza, em muitas situações. E é por isso que eu, sempre que tenho oportunidade, eu digo e adoro morar no Campo Grande. E nós vamos transformar o Campo Grande, juntos. Porque sozinho, ninguém faz nada sozinho. É importante ressaltar isso, como disse o vereador Igor, as pessoas precisam acreditar na política, a boa política, não a politicagem. O Campo Grande tem potencialidades, assim como tem outras regiões Mas nós que estamos morando no Campo Grande E que de lá saímos com uma votação expressiva É fundamental que aquela população acredite na gente e acredite na boa política É fundamental isso E ajude a gente a construir e a buscar políticas públicas que atendam aquele povo Para superar esse preconceito Eu digo isso com muita tristeza, que às vezes as pessoas têm vergonha de dizer que moram em determinado bairro da região. Não tem. Pode afirmar com toda certeza que os representantes de vocês que estão aqui na Câmara de Vereadores têm orgulho da população do Campo Grande e se orgulham também de ser aqui reconhecidos como os vereadores daquela região. Então, podem ter certeza. Nós vamos lutar, digo por mim, evidentemente, lutarei muito, com todas as minhas energias, para superar esta discriminação de certa forma, este preconceito que tem na região. E com qualidade de vida, porque a gente se orgulha de morar na cidade de Campinas. Eu vim da Bahia para cá, nunca mudei de Campinas, sempre morei aqui. E me orgulho disso, porque bem acolhido, tenho certeza que a população da região do Campo Grande É uma região, é uma população trabalhadora, honesta, em sua grande maioria, gente que quer se dedicar para ver uma cidade melhor. E ali, o Igor nasceu lá, eu mudei para lá, casei, tenho meus filhos que moram lá, que nasceram ali, então é o que a gente quer. É desenvolver a região, é melhorar a nossa cidade, superar isso com certeza. Nós lutaremos com todas as forças para superar esse preconceito. Para a gente poder encerrar, Cecília, comissão especial de estudos, a gente pode dizer que definiu três eixos, planejamento urbano, desenvolvimento econômico e políticas públicas, para discutir e encontrar soluções, e para quem está nos acompanhando, existe um prazo para o término desta comissão. Exatamente, Gabriel, nós queremos chegar até o final do mês de maio, com todo este apanhado, escuta, dos comerciantes, dos religiosos, das empresas, dos especialistas, da população de modo geral na região, esse apanhado todo num relatório que seja consistente, no qual a gente deve apresentar a Câmara e também encaminhar o prefeito. Esse é o nosso desejo. Esses três eixos, a princípio, porque a gente entende que são, digamos assim, o tripé, que pega diretamente nas necessidades da grande massa da população. Igor, e você como presidente das comissões de representações para a instalação do cartório de registro civil e também de alças de acesso das rodovias dos bandeirantes, qual que é a sua análise e o trabalho que você tem desenvolvido? Olha, a gente pediu um prazo ali de 180 dias inicialmente das duas comissões, né? Vamos começar pela do cartório. A demanda do cartório ali para o Distrito Campo Grande e Ouro Verde, como é que funcionou? É bom explicar. O anteprojeto, o projeto inicial, ele nasceu do TJ, do Tribunal de Justiça. Ele precisava ali ser feito pelo Tribunal de Justiça, não poderia ser pela Câmara de Vereadores nem de deputados. E eu participei da sessão de votação, ele foi aprovado. Então o projeto inicial já foi aprovado, quais são os próximos passos? Agora segue para a LESP, que é a Assembleia Legislativa, os deputados ali votam, inclusive hoje nós pedimos, né Cecílio, em conjunto a celeridade, que seja votado o quanto antes, aí vai para o governador sancionar essa lei e depois abre o chamamento público, através de concurso público. O processo mais difícil era do TJ, que demorou até hoje. Todo início da luta lá, era do TJ se convencer dessa necessidade. Então, o mais difícil, eu creio que já foi. Acreditamos que até o final do ano, essa situação já está resolvida. Temos a pandemia e a questão do concurso público pode dificultar um pouco, mas a nossa esperança é que até o final do ano esteja concluído esse processo. Já da alça de acesso da Bandeirantes, que é a imobilidade urbana, da John Boy e do Lope, nós tivemos uma resposta já da Alespe, que é a agência que regulamenta essa questão das rodovias no Estado, que ali na rodovia Bandeirantes é muito complicado, é muito complexo essa ligação da John Boy na Bandeirantes, por se tratar de uma rodovia de alta velocidade, 120 km por hora. E outra coisa, Bandeirantes é a número um rodovia eleita por muitos anos consecutivos, a melhor rodovia do país. Exatamente. Então eles ficam meio assim, pô, para que eu vou abrir mais acesso se eu já sou a melhor? Então eles vêm de uma maneira geral. Mas existe uma saída, que é através da rodovia Adalberto Panzan. Obrigado, Cecília. Adalberto Panzan, que fica ali junto da John Boy também. Então tem as três ali, a Bandeirantes passa por cima, Adalberto Panzan e a Bandeirantes. Então seria ligar a John Boy na Panzan que já cai na Bandeirantes, por trás do shopping, Então essa é uma viabilidade, só que é uma viabilidade com custo alto, eles me passaram que mais ou menos esse acesso todo, essa complexibilidade, ficaria em torno de 800 milhões, eles acham um valor muito alto, e esse valor o governador colocaria para a concessionária, que ali é a Autobahn, e a Autobahn ganharia prazo para operar a rodovia. Então eu não sei se é do interesse do governador, mas continuamos na luta, nessas lutas ali no distrito do Ouro Verde também, então ainda ali não tem a da Alberto Panzan, aí já fica um pouco mais difícil ainda mas também continuamos, vamos convidar para participar a LESP a Autobahn, então a Autobahn tem interesse, agora a gente precisa convencer um acordo político do governador, a gente vai pedir apoio do prefeito, do secretário de transporte que inclusive já participou da comissão aqui para nos ajudar com esse apoio político. Só um complemento, Gabriel, a Artesp, que é a agência de regulação, faz essas tratativas também, e a Assembleia Legislativa, né, Igor? Acho que é importante também a gente movimentar os deputados estaduais que nos apoiem nesse pleito, que ali não é só uma questão de, ah, mas por que vocês querem que a John Boyd Loto tenha acesso para bandeirantes, Campo Grande ter acesso para Bandeirantes. Não é só. É também a Rui Rodrigues. Nós estamos falando dos dois distritos mais populosos da região de Campinas que não têm acesso a essas rodovias. Eles têm acesso a Anhanguera lá na frente, depois de andar vários quilômetros, congestionando, porque a rodovia, tanto a Jambói do Lopo quanto a Rui Rodrigues, coleta trânsito de vários bairros. Portanto, é necessário que tenha, se não é possível um acesso direto, como disse o Igor, e eles reclamam isso, eles falam isso, os técnicos da Artesp, é então importante que se faça marginais. Possível construir marginal ali, Igor, que vai até a rodovia Santos Dumont, portanto ela coleta o trânsito da Rui Rodrigues e leva até a Santos Dumont, onde dá acesso a Bandeirante e inclusive a Santos Dumont. Então, alternativas existem, é preciso a gente organizar as forças políticas e, portanto, sensibilizar o governo do Estado e os técnicos para que achem essa solução. Engenharia está aí para resolver problema, né? E o mais importante, Cecília, o importante dizer, o mais importante, o objetivo exclusivamente dessa da acesso à rodovia, o mais importante é eu chegar, Cecília, no final dessa comissão e ser transparente. Eu acho que nesse período todo, enquanto nós estávamos fora do processo legislativo, a gente dependia muito do que era dito. Então, sempre se tornou uma bandeira política de alguns candidatos. Então, a gente quer, enfim, chegar para o povo e falar, olha, nós estamos lutando, nós desejamos que sim, mas se é sim, sim, se é não, não. Não vai sair. E eu acho que está na hora de mudar o tipo, igual o Cecílio falou, parar de politicagem, de sonhos, e falar a verdade. Olha, não é que não vai ser porque nós não queremos, nós lutamos, mas... Tentamos e a realidade é essa. Então, o objetivo final, né, Cecílio, é apresentar o resultado, seja ele positivo ou seja negativo, mas com transparência. É isso que estava faltando, eu acho que é a nova política, é o nosso anseio, custe o que custar, mas o povo vai entender. Falou, peraí, aqui não deu, mas aqui outra situação deu, aquilo não deu, então acho que o povo vai entender bem, tá? E lembrando que todas as novidades das comissões, as informações, mesmo de reuniões extraordinárias, você sempre acompanha aqui na TV Câmara Campinas, na nossa revista eletrônica, no Câmara Total, que faz esse trabalho de acompanhamento do legislativo. Vereador Igor Diego, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo, todas as informações que você passou aqui para a gente, já fica o convite aqui para uma próxima oportunidade para a gente poder voltar a conversar e que seja falando só de coisas positivas e do crescimento que lhe aconteceu. Eu que agradeço, agradeço a TV Câmara, agradeço a todos os profissionais que estão aqui, que é um trabalho que envolve muitas pessoas e gostaria de agradecer ao público também que nos assiste através desse canal, espero que tenha sido um debate construtivo, evitamos de ficar aqui debatendo a política de maneira eleitoral, conversamos de ideias, de propostas, não uma questão de campanha, a campanha já passou, o Cecílio já está aqui, eu já estou aqui, e agora você aí precisa começar a ter o resultado desse trabalho, dessa confiança que vocês depositaram na gente. Então, acho que a gente conseguiu, né, Cecílio, fazer um programa voltado de ideias para o povo, para você cidadão, principalmente distrito do Campo Grande, né, que não tinha tantas informações e agradeço a professora que contribuiu bastante, aprendi bastante aqui com o Cecílio e com a professora. Sem dúvida. Cecílio Santos, muito obrigado pela disponibilidade do seu tempo e também todas as informações que você passou aqui para a gente. Já fico o convite aqui para uma próxima oportunidade para a gente poder voltar a conversar. Obrigado, Gabriel. Em teu nome, cumprimento toda a equipe da TV e agradeço o convite. O Igor é humilde nele de estar aprendendo, imagina, eu que estou aprendendo com ele também aqui. E é importante, a gente agradece a participação da professora Vera Plácido, pesquisadora, que está sempre nos ajudando a trazer informações precisas, qualitativas para a nossa população. E é assim que a gente vai aprimorando tanto o trabalho aqui na Câmara, como também as nossas indicações, os nossos requerimentos, as nossas cobranças ao prefeito para qualificar cada vez mais a política pública que chega na ponta, lá para o cidadão, que é isso que interessa. Quando o eleitor elege nós como representante, ele espera da gente este retorno, né, de trabalhar em benefício de políticas públicas para a população. E é isso que a gente quer, é isso que nós estamos buscando. Um abraço a todos, muito obrigado, obrigado a você que está nos acompanhando. E eu quero agradecer a você que nos acompanhou aqui no Questão de Ordem para falar sobre o desenvolvimento do Distrito do Campo Grande. Perdeu alguma parte? Quer rever? Youtube.com.br, TV Câmara Campinas, você assiste na íntegra este e outros programas. Continue na nossa programação. Até a próxima. Tchau, tchau. Legenda Adriana Zanotto