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QUESTÃO DE ORDEM - A MULHER NEGRA NA ATUALIDADE
Em destaque · HD Vídeo · QUESTÃO DE ORDEM

QUESTÃO DE ORDEM - A MULHER NEGRA NA ATUALIDADE

55 views Publicado 16/11/2022 HD · 1:25:59

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[Música] Olá você que assiste a TV Câmara Campinas a partir de agora fique com a gente no questão de ordem que hoje discute a mulher negra na atualidade nas nossas convidadas são as vereadoras Paola Miguel e Guida Calixto ambas do PT e também nós contamos hoje com a secretária Eliane Joselaine Pereira que está na pasta de gestão e desenvolvimento de pessoas da Prefeitura de Campinas e esse Secretária de Assistência Social Direitos Humanos aqui da cidade também com a Gislaine Antônio que é consultora de diversidade e inclusão étnico racial coach de carreiras membro do Conselho da comunidade negra de Campinas e do comitê de igualdade racial do grupo mulheres do Brasil sejam todas bem-vindas a gente vai começar por um ponto são vários aspectos mas vamos falar um pouquinho sobre emprego Olha que nós fizemos uma breve pesquisa e no primeiro trimestre de 2022 taxas de desemprego entre as mulheres negras apresentou uma forte queda em relação ao mesmo período do ano passado mas permaneceu na casa de dois dígitos 16.3% e distante dos demais grupos demográficos essa porcentagem representa mais de quatro. milhões de mulheres negras desempregadas e ainda a gente tem a questão da taxa da informalidade Olha só nós tivemos 43.3% das mulheres negras que estavam em alguma ocupação impostos de trabalho informais uma taxa superior a Nacional por exemplo dos homens brancos e amarelos que é de 34.8% a taxa de toda a população é 40 conta um ponto um por cento e temos ainda das mulheres brancas e amarelas que é uma taxa de 32 por cento diante disso eu coloco essa reflexão aqui na nossa mesa sobre qual é o papel da mulher quando a gente pensa nesses números No que diz respeito ao emprego São vários avanços e e que reflexão a gente pode fazer nesse primeiro quesito digamos assim vou começar pela Gislaine que Inclusive fala sobre carreira sobre uma série de coisas seja bem-vinda obrigada obrigada uma honra estar aqui quero também já aproveitar fazer agradecimento a nossa querida Jace Elaine super parceira né e da Calixto aí nos aguerrida né não sou uma data assim como Paola então é um prazer imenso estar aqui primeiramente e aí dando segmento né a pauta a gente sabe que é tudo isso advém obviamente do racismo estrutural e quando a gente pega né a pirâmide gênero a gente sabe que a mulher preta ela tá lá embaixo né abaixo de todos embora a mulher preta é a que a protagonista né do empreendedorismo é e muito aguerrida em todas as questões aí mas que devido todo o nosso processo de colonização a gente sabe o quanto é não somos valorizadas né então a gente precisa de fato falar realmente sobre isso né embora muita gente falar de novo né estamos falando novamente disso mas é importante porque aqui eu preciso fazer a divisão mulheres não negras e mulheres negras porque porque a gente sabe o quanto para a mulher negra está mais difícil e os números ele acaba falando por si eu costumo dizer que muitas vezes a gente nem precisa de dados né porque se a gente olha para os lados e tem um olhar mais mais crítico e analítico a gente percebe né a gente percebe onde Aonde estão as nossas mulheres pretas se você tá dentro do seu ambiente organizacional Aonde estão as mulheres pretas se você tá dentro do Poder Legislativo Aonde estão as mulheres pretas então quando a gente faz uma amplitude de visão a gente vê realmente é a porcentagem com relação mulheres pretas ela é muito baixa por conta realmente desse racismo estrutural que sempre foi colocado que o lugar né de mulheres pretas seriam na cozinha que assim que pensam os colonizadores sim agora eu vou falar então com a secretária ele Joselaine que inclusive trata hoje a frente da gestão de pessoas e é a primeira negra em Campinas já esteve à frente da Secretaria de Assistência Social pessoa com deficiência direitos humanos e ainda não sei se naquela época era segurança alimentar também você já englobava segurança alimentar já englobava né primeiro queria que você falasse desse seu papel é a frente da secretaria e como você se vê como mulher negra num cargo de poder e o que hoje a gente precisaria ter para que mais mulheres também pudessem ter essa representatividade seja bem-vinda bom Boa tarde a todas aí que nos assistem todos que nos acompanham aqui pela TV Câmara primeiro agradeceu o convite assim como a Gislaine me sinto extremamente honrada em estar aqui nessa mesa com as nossas vereadoras É sempre bom estar com mulheres pretas gente assim a princípio a gente precisa falar disso né muito bom a gente poder fazer uma conversa qualificada com pessoas e com mulheres que ocupam cargos de importância na nossa cidade e que trazem reflexões importantes não só pela sua própria trajetória mas especialmente pela sua atuação Então me traz muita felicidade mesmo esse convite e poder partilhar esse momento agradecer a nossas vereadoras Paola Guida pelo excelente trabalho realizado aqui na Câmara Essa verença é muito representativa no quesito raça né a gente tá aqui com duas mulheres negras com pautas raciais importantes mas falta de direitos humanos que são Funda quando a gente fala de legislatura quando a gente fala de políticas públicas quando a gente fala de progresso social e Desenvolvimento Social então muito obrigada pela representatividade que vocês têm aqui na Câmara e pela atuação que vocês estão realizando Gislaine também na sua atividade junto às empresas conversavamos aqui um pouquinho antes sobre isso fundamental mas eu tenho dito que assim a minha trajetória eu falo que ela não é fruto de meritocracia eu falo que ela é Ela é fruto da minha ancestralidade minha ancestralidade de mulheres pretas empregadas domésticas e Trabalhadores Rurais Esse é o ponto fundamental da minha trajetória e que é vamos dizer assim a essência que me traz até aqui a Gislaine Ela trocou em Pontos importantes né a colonização e o racismo estrutural é importante que a gente também desmembra um pouco essas categorias né quando a gente fala da colonização ela não foi só o princípio ela foi o princípio meio e ainda está vivendo no nosso em cima né porque esse processo de colonização Ele é cruel nas nossas vidas o que que é a colonização faz entre muitas outras coisas violentas ela despersonifica a pessoa de personifica né um grupo identitário um grupo racial e quando a gente está falando das pessoas negras a gente tá falando dessa dispersonificação do apagamento histórico cultural religioso social né que a gente vem assistindo desde a origem né do país Desde da origem da Nação e essa descolonização ela é fundamental para manutenção desse sistema que é o racismo estrutural não existe né do ponto de vista de quem detém o poder vontade de quebrar esse sistema porque esse sistema afunda né a lógica de ganho que hoje vive no nosso país no nosso sistema e que pergunta esse sistema racista Mundial então é essa lógica principal que a gente precisa cobrar e começa com a descolonização do pensamento por isso as atividades que tratam do letramento racial que tratam das instituições de políticas públicas a desigualdade racial de Equidade de gênero e também as discussões dos movimentos sociais populares elas são fundamentais para que a gente possa gerar mais consciência de raça mais consciência de classe né para as pessoas se libertarem desse pensamento colonizador e a partir daí se verem ativamente como participante desse processo de desconstrução do racismo e consequentemente um avanço né dentro do nosso país então eu falo não tem possibilidade de você falar de meritocracia no ambiente onde virgem um sistema que dá manutenção cotidianamente a essa colonização e eu falo que a minha ancestralidade me trouxe até aqui porque para furar isso a gente precisa de muita resiliência a gente precisa muita de muita força né de muito amor de muita compaixão e eu tive a felicidade de ter mulheres pretas na minha vida que conseguiram afirmar a minha resiliência que tornou possível apontar o caminho da educação como o caminho fundamental para a gente chegar e galgar lugares onde os pretos os negros não não estão não ocupam né e ainda continuam às vezes não ocupando né então chegar no serviço público municipal levar 15 anos para ser gestor Municipal quando as pessoas brancas às vezes levam Muito menos tempo do que isso para chegar aos cargos de gestão é muito representativo né e eu digo que eu tenho um orgulho Sim claro de tecido A primeira é mulher negra ocupar o cargo de secretária Mas isso também diz muito sobre a nossa cidade isso também diz muito né sobre o que que a gente está tratando aqui sobre a necessidade de falar sobre raça sobre racismo na nossa cidade né diz muito porque Capítulo 248 anos de demora 200 Né desde a minha primeira vez 245 anos de demora para que isso acontecesse então a gente precisa a partir disso refletir sobre esse histórico mas também aproveitar as nossas representatividades para que a gente repense as políticas públicas necessárias e que a gente consiga fazer as leituras né de que o espaço dado às mulheres negras hoje vem dessa objetificação dos corpos venda sexualização dos copos da mulher vem também de uma pandemia que também faz com que as mulheres negras percam seus postos de trabalho é porque mulheres com filhos mãe solos que não tiveram a possibilidade de garantir a sua continuidade no mercado de trabalho é esse o índice que você traz no primeiro momento quando você coloca as estatísticas Isso não é um acaso Esse é o processo progressivo desse racismo estrutura sim agora a gente vai então dar as boas-vindas a vereadora Guida Calixto e que análise já isso para as duas vereadoras a gente lembra que é a primeira vez em Campinas que a câmara Tem quatro mulheres vereadores e dentre elas duas mulheres negras e eu queria que só falasse justamente sobre essa questão de uma mulher negra na Câmara depois né duzentos e tantos anos e agora também com essa missão de estar aí à frente da Comissão da mulher Olá Mirna quero antes de complementar as minhas colegas aqui de mesa Quero Agradecer mais uma vez ao espaço que a TV Câmara nos dá para a gente debater esse tema tão importante para nós né Principalmente nesse mês né que é o mês de novembro que é o mês que muitas vezes nós fazemos as nossas reflexões é que o povo negro o povo Preto reflexão todo tempo isso ano inteiro que sugira em torno da nossa vida isso é uma questão da nossa militância inclusive da nossa sobrevivência né É uma questão de luta nossa mas a gente agradece esse espaço então quero agradecer né esse momento agradecer ao servidores dessa casa né os servidores da TV Câmara que que pode que estão garantindo esse momento aqui para nós debatemos esse tema bom quero cumprimentar também a Gislaine uma alegria ter aqui com você debatendo contigo aqui nessa tarde agradecer também a Eliane jocelane secretária né a gente fala secretária de RH que a gente é antigo né da prefeitura mas é a secretária de gestão de pessoas é muito bom é ter aqui porque a gente sabe também que são duas mulheres que tem bastante acúmulo nessa pauta nessa agenda e que quando a gente vai debater nos enriquece bastante né no debate como a própria jucilaine disse a secretária disse é muito bom estarmos entre nós mulheres negras né porque a gente nós nos reconhecemos e nos acolhemos nesse momento também muito bom eu ter a Paola Miguel que minha companheira de bancada Paola vereadora aqui e a gente já nesses dois anos né Paola a gente já enfrentou Alguns bocadinhos alguns momentos aqui bastante intenso tensos importantes aqui nessa casa e eu não tenho a menor dúvida que não por eu ser uma né Por ser o nosso mandato mas eu tenho bastante convicção que são mandatos aqui que realmente tem trazido esse debate né para essa casa que muitas vezes ficou ausente né mas agora querendo ou não vão ter que enfrentar até porque esse é um espaço que historicamente não foi organizado para ter a presença de duas mulheres no perfil como eu e a Paola né então a todo momento a gente está enfrentando questões por conta da nossa da nossa cor de pele por conta do nosso cabelo por conta das marcas que a gente carrega nos nossos corpos Isso incomoda muito muitos que estão aqui que participam das sessões mas né como a própria secretária que falou a gente é forjado muito Na luta né a nossa ancestralidade as mulheres Principalmente as mulheres negras que vieram Antes de nós é nos deixar esse Legado de muita luta de muita resistência Eu sou filha de uma mulher preta uma mulher negra que sempre que sempre foi militante que sempre lutou e aí às vezes eu sempre brinco sabe Mãe se eu tivesse pelo menos a pontinha do dedo mindinho dela se eu fosse né a pontinha eu acho que as tensões é que seriam muito maiores né então é isso me honra muito tá aqui e honra muito o que a gente a forma como a gente chega a esse momento mas debatendo um pouco sobre essas questões mina que você nos traz né E sobre o que tanto a agir a Gislaine como a secretária é debateu falou é a gente vive né No momento de crise econômica de crise social que crise política muito grande né e como a própria Gi falou e a própria Elaine também Eliane coloca veja Não no momento de crise econômica é as camadas mais vulneráveis são aquelas que mais vão sofrer né todos os efeitos todos os impactos desse momento de desmonte de crise que a gente enfrenta e quando a gente vai olhar quem que tá na base disso são as mulheres e principalmente as mulheres negras até quando a gente vai pegar os dados aí sobre violência são as mulheres negras quando a gente olha no Brasil os números de feminicídio fala que houve uma um aumento do número de feminicídio mas quando você olha nas duas categorias mulheres brancas e mulheres negras mulheres pretas o aumento está E aí tão assim não tem como a gente deixar de apontar porque somos nossas mulheres pretas que estão que estamos principalmente nas tarefas de maior de maior precarização mas não porque a gente quer né É porque a gente enfrenta uma sociedade que nos coloca que tenta nos colocar nesse lugar por isso que muito é isso quando você vai ver o número de desemprego aonde que afeta mais né o número de violência Quem são as mais afetadas enfim somos nós mas muitas de nós estamos nesse papel né de luta de resistência Principalmente nesse movimento de uma apoiar a outra isso e isso é uma coisa né é uma rede tão bem organizada que nesse processo da colonização coloca muitos né nesse nesse contexto mesmo de acabar com a nossa autoestima anos de nos rebaixar cada vez mais e é uma luta muito enorme tanto do ponto de vista econômico social que a gente tem que enfrentar e também do ponto de vista individual né É extremamente violento o que nós mulheres negras enfrentamos numa sociedade que é estruturalmente racista como essa sociedade brasileira Então eu fico muito contente por estarmos aqui né ao lado diz eu estava ao lado de quatro mulheres negras e inclusive né agia a secretária a Paola Mais também a menina que é uma jornalista reconhecida eu fico muito feliz porque nós estamos fazendo esse processo histórico nessa luta Histórica de nos colocarmos como representar outras mulheres não é pouca coisa a história da Gislaine não é pouca coisa a história da Eliane jucelane não é pouca coisa a história da Paola Miguel não é pouca coisa a minha história monitora né nasci Morei muito tempo em favela vim de uma família muito pobre não tinha nem o que comer não por conta de uma questão ah individual não é isso né não é isso é para uma questão mesmo é de como a secretária disse de uma ancestralidade que pauta as mulheres porque até para a gente ser mãe Nina é a gente tem que enfrentar o racismo né porque é o racismo que mata os nossos filhos é o racismo principal fator que gera violência política a violência de estado né E também a violência urbana que muitas vezes tira a vida dos nossos filhos é o racismo que acaba com a autoestima dos nossos filhos então assim até para a gente conseguir querer te usar o papel de uma mãe negra é uma luta nós sim é uma luta imensa Então é isso não é pouca coisa que a gente tem que as lutas que a gente tem que fazer muitos devem estar falando Ah todas as mulheres lutam assim todas as mulheres lutam não tenham a menor dúvida disso mas é o lugar que colocam a mulher negra é muito mais violento é muito mais agressivo mas como todas aqui já falaram nós estamos aí nós fomos forjadas na luta e dela a gente não vai nos afastar até para garantir a nossa vida e a vida dos nossos filhos e de quem a gente ama então é isso obrigada vereadora e agora a gente falar com a vereadora Paola Miguel vou pedir para vereadora falar também sobre as suas reflexões em relação ao seu papel como parlamentar a senhora que inclusive é presidente da Comissão de Direitos Humanos aqui da Câmara Municipal e como se como tem sido esse essa questão de transcender tantas coisas para estar hoje entre uma das vereadoras em especial né A senhora ia ver a doutora Guida as vereadoras negras aqui da nossa cidade depois de tantos anos que a cidade elege duas vereadoras tão importantes para esse trabalho aqui da Câmara Municipal bom primeiro Quero Agradecer aqui o convite por estar aqui hoje acho que é importantíssimo a gente ter esse diálogo né E essa discussão A partir da Nossa Ótica de mulheres negras quero saudar aqui a Gislaine que tá aqui conosco a Jucilene Nossa secretária vereadora Guida que tem me ajudado a enfrentar quem eu acho que a gente se Ajuda a enfrentar Os desafios da câmera Mirna né nossa jornalista hoje aqui e eu acredito né assim como a verdadeira falou que a gente a gente discute esse ano inteiro né Mas no mês de novembro de fato eu acho que a sociedade se abre um pouco mais para nos ouvir né então todos os dias a gente discute como que a gente pode garantir a nossa sobrevivência como que a gente pode garantir que no mercado de trabalho né como foram usados iniciais a gente consiga nos manter lá né as mulheres negras foram as primeiras a serem demitidas quando a pandemia começou e são as últimas a serem recontratadas por isso que os números começaram a melhorar né A partir do momento que a gente tem um período mais longo onde a gente consegue voltar para nossa normalidade mas ainda a gente não conseguiu recuperar a nossa renda então quando a gente pensa por exemplo Nos programas sociais né como era anteriormente com minha casa minha vida e o bolsa família né eles eram direcionado para as mulheres em especial de baixa renda que são na sua grande maioria infelizmente entre as mulheres negras e isso que foi revolucionário transformador Então nesse momento eu acho que a gente precisa discutir como que a a gente ainda tem esses desafios né Para Vencer é mesmo tendo avançado quando a gente fala na política racial quando a gente pensa em políticas públicas é a lei de cotas ela é uma lei transformadora que conseguiu permitir que um número grande de jovens especial negros entrasse na universidade e Isso mudou também a renda das famílias mas quando vem a pandemia de novo né são os primeiros que tiveram que abandonar a escola quando a gente fala das mulheres negras é uma coisa que é crucial para a gente entender nesse momento é como que a gente ainda é sub representado você mesmo trouxe aqui os dados de Campinas né pela primeira vez a gente tem duas mulheres negras vezes não ao mesmo tempo mas quantas mulheres negras a gente tem em Campinas Por que que a gente infelizmente só tem duas mulheres negras eleitas dentro dessa Câmara por que que a gente tem apenas uma secretária né a gente teve a primeira secretária Negra na legislatura passada quando a gente fala de prefeitura e isso é um reflexo direto de como a cidade de Campinas né do fato da cidade de Campinas tem sido a última cidade do mundo a libertar o povo negro escravizado Então essas discussões né a gente quando a gente tem aqui na Câmara a gente ainda é não consegue avançar muito bem a gente teve algumas polêmicas quando a gente foi aprovar por exemplo a lei de a lei de cotas em estágios aqui na câmara de Campinas quando a gente foi falar sobre uma Moção da vereadora Guida de a ele nós né que colocava ali o recurso justamente para fazer reparação histórica a população negra Latina porque entendia né que esses anos que foram de repressão ela foi institucionalizado e no Brasil a gente não consegue avançar com relação a isso e eu acho que a gente tá no momento de no momento de confronto né entre as duas narrativas algumas pessoas que querem negar o racismo porque elas querem elas acham que negando o racismo elas vão conseguir sair dessas dessas opressões institucionais que a gente acaba passando né então para essas pessoas vocês não existe e para outras pessoas que é necessário sim a gente não só fala que o racismo existe mas pontuar onde ele existe como que ele age Então dentro da câmara né somos dos vereadores Como que o racismo age com relação a nós né como que racismo agia quando eu tava trabalhando antes de ser vereadora enquanto o engenheiro de computação como que racismo age né quando a gente fala do nosso Servidores Municipais como que racismo age quando a gente fala por exemplo das jornalistas que a gente tem como que o racismo vai agindo né E como que essas formas sutis do dia a dia vai fazendo muitas vezes nós mesmos negarmos ou até mesmo reproduzir essas opressões eu não tô falando quando quando nós não necessariamente nós estamos aqui na mesa mas a sociedade como um todo então eu acho que essas reflexões são importantíssimas para a gente começar a entender do porquê que muitas vezes a gente tem uma uma solado de uma empresa a gente tem uma única pessoa negra trabalhando nessa empresa e quando essa pessoa vai recrutar outras pessoas ela não recruta as pessoas negras né ou então como que nós é nos cobramos mais sobre aqueles pontos e aqui para concluir minha fala minha mãe sempre ela falava para mim assim ó para você ser igual você tem que dormir não fazer o dobro e como que a gente se cobra o tempo todo de fazer mais esse perfeccionismo muitas vezes isso também acaba nos mobilizando para buscar novos voos porque a gente acha uma carga muito forte né porque a gente não é capaz de estar ocupando aquele espaço Então eu acho que inicialmente algumas das reflexões que eu acho importante a gente fazer aqui hoje dentro dessa reflexão Gislaine vem traga essa cobrança a vereadora colocou Inclusive essa questão daquela pessoa que vai fazer o processo seletivo e não escolhe né o outro candidato negro não é ele que passa mas eu acho que a gente pode voltar um pouquinho e falar também da questão do acesso à educação que eu creio que isso permeia o acesso à educação tanto que como a vereadora falou e eu mesma já ouvi Nossa que bom você conseguiu ser jornalista Olha né então a gente acaba sendo pessoas fora da curva que não era para ser né então eu queria que você falasse um pouquinho sobre essa questão até porque você trabalha com carreiras e deve ter muita coisa para nos apresentar nesse momento e até pego um gancho da fala da secretária da questão da meritocracia né E aí Impossível a gente colocar né se colocar estamos todas aqui né num determinado acesso mas é impossível se colocar numa meritocracia diante de uma base que ela não não é igualitária né então a questão Educacional ela é fundamental mas a gente tem muitas lacunas muitas lacunas E aí como trouxe a vereadora Paola a questão das cotas né das políticas afirmativas e a importância de entendermos isso né enquanto reparação e não assistencialismo estamos falando de reparação porque é sobre isso então quando a gente parte a gente entende a qual é o princípio o princípio é a educação e que ela não é igualitária né E aí a gente sabe que ponto chega por exemplo quem está numa escola particular no colégio no ensino né aonde ele é particular e quem hoje tá com ensino público que é e os esforços como a Paola trouxe que a mãe dela dizia Olha você tem que fazer mais e é isso para a gente que é nós que somos pessoas pretas é sempre isso né Nós temos que fazer 10 vezes mais então quando eu vi a reportagem de um rapaz que passou ele demorou 12 anos para passar em medicina todo mundo oh não é gente não tem nada de ó sabe porque 12 anos e quanto aquele aluno que ele teve a oportunidade né a oportunidade de estar em um colégio particular e ele conseguiu porque ele teve uma base né estruturada E aí ele consegue ingressar a uma universidade federal é em dois anos um ano e o outro vem com 12 15 anos Aonde está o ônus E aí a gente percebe o quanto as pessoas elas valorizam melhor elas naturalizam a dor assim como naturalizo o racismo né Assim como naturaliza opressão então é tudo isso somatiza uma pessoa preta por exemplo que ela está ali traçando a carreira profissional dela primeiro que a gente não tem muito tempo a gente trabalha estuda é E aí a gente não tem muito tempo de pensar no depois porque eu tô aqui ó somando porque eu tenho que trabalhar para pagar os meus boletos porque geralmente a gente é rimo de família é então eu tenho que pagar os meus boletos E aí eu tenho que ter um diploma eu não vou ter um inglês porque eu não vou ter tempo sem sabe então são essas coisas que eu falo que dentro da nossa educação ela as nossas educação ela acaba sendo precária e não traz uma base igualitária para a gente falar da meritocracia é E aí eu não posso de forma alguma colocar cota sociais por exemplo que é muito falado né as pessoas nós somos de falar não mas educação é para todos então eu sou a favor de cotas sociais a questão é que a gente preta tem uma história de desumanização essa é a questão e para aí não precisa muito ou se alguém precisa de mais vai ler sobre a escravização das pessoas pretas vai ver que pessoas pretas foram arrancadas da sua do seu estado raiz das suas origens tirando tudo cultura idioma tirando tudo fazendo um apartamento e que isso é trazido até os dias de hoje então quando a pessoa ela vai fazer uma entrevista o entrevistador o recrutador ele já está fazendo um processo de exclusão já está em muitas vezes é condicionado para ele fazer o processo de exclusão Olha o seu currículo é muito bom mas o perfil não é perfil é tom de pele não é perfil é tom de pele e a gente sabe disso a gente entende isso uma criança de dois três anos ela entende a professora que está sendo racista que tá cantando a musiquinha do macaco Ah mas o macaco é só um animal ele é tão bonitinho mas existe um histórico profundo de desumanização e principalmente trazendo a questão estética da pessoa preta né para o feio para o ruim para o negativo né tudo que é negro é ruim é negativo Então existe todo esse histórico por de trás e aí quando eu trago isso para uma questão de empregabilidade a pessoa quando ela vai fazer uma entrevista a pessoa preta ela já recebeu 50 não ela já e ela chega um ponto a autoestima dela já tá lá embaixo né não já não tem mais não existe porque chega um ponto que você fala chega eu tô entregue Não dá mais é porque isso é a nossa saúde mental né Isso é simplesmente anulador né E aí é só a gente que sabe né a gente sabe por exemplo quando a pessoa chega e fala nossa mas você é jornalista sabe a gente é a questão do velado do racismo velada e isso só te olha diferente tá no olhar ela te mede né ela coloca não aceitação no olhar e a gente entende e a gente entende então a questão é de mercado de trabalho né E aí do racismo institucionalizado ela vem igual eu com a secretária a gente estava conversando antes ela vem de uma tradicionalidade né da cultura organizacional ali inserida que ela leva na questão do padrão e a gente sabe o padrão estética é que inclusive por muito tempo né mulheres até hoje muitas mulheres até mulheres não negras elas fazem de tudo estarem né enquadradas ali naquela naquele formato padrão e isso é causa assim a pessoa ela sai literalmente da Essência dela sim agora a secretária do ponto de vista já que a gente vai aproveitar da sua expertise no serviço público do ponto de vista de políticas públicas afirmativas O que que a gente pode falar que é de responsabilidade governamental para minimizar ou então para avançar No que diz respeito a diminuir toda essa diferença que ainda existe em todos os setores bom menina é primeiro agradecer a oportunidade de fazer esse diálogo né sobre as políticas públicas acho que isso é extremamente fundamental mas eu quero pegar os Ganchos do que as meninas já disseram eu uso meninas de forma carinhosa né a gente aqui entre amigas e colegas né pegando gancho que as meninas Já trouxeram aqui né a vereadora Paula ela falou de Como o racismo ele é insidioso né Ele é insidioso por no mínimo três pontos né o primeiro ponto que eu tenho refletido muito sobre isso tô até escrevendo sobre isso que eu acho que o Brasil precisa fazer uma terapia social né a gente precisa entrar em terapia enquanto nação porque é como um indivíduo né quando a gente tem muitos traumas muitas violências muitas feridas que a gente carrega e se a gente não se entende com esse traumas com essas feridas a gente não consegue ir para frente a gente não consegue se reconhecer a gente não consegue dar nome para aquilo que a gente está sentindo é a mesma coisa do nosso país né nosso país tem uma origem em trauma em violência e expropriação e atividades propriatórias dos nossos povos originários a gente não lidou com isso a gente não fez terapia social a gente não faz essa negação né que a que a vereadora traz né e a vereadora Guida também falou disso é de colocar debaixo do tapete é a nossa dificuldade de lidar com aquilo que dói porque dói né Essas feridas esses traumas todos que a gente atravessa enquanto nação dói é difícil tratar disso enquanto o indivíduo e enquanto sociedade então a gente joga para debaixo de tapete a gente cava um buraco bem fundo e tudo aquilo que incomoda a gente vai jogando nesse buraco através do séculos é isso que a gente tem feito então a gente precisa em primeiro momento entrar numa terapia social porque quando a gente vem com um discurso de que somos todos humanos é mais uma forma da gente negar esse traumas e mais uma forma da gente negar a necessidade da gente racializar os grupos e reconhecer que nós não podemos entrar num normativo Branco eurocêntrico hétero né a gente precisa é fazer essa terapia e é incidioso porque esse traumas né faz com que a gente cria a gente criou um complexo de inferioridade enquanto nação né o famoso complexo de vira-latas que a gente tem enquanto país advém disso porque porque aquele processo Colonial que despersonifica a pessoa né ele tira toda a nossa história faz com que a gente Assuma a história de um outro país de uma outra cultura e a gente não se reconhece a gente perdeu a nossa identidade a gente não sabe quem a gente é né E aí o que que é bom é bom a cultura do colonizador então a gente adota Cultura colonizadora a gente adota cultura europeia eurocêntrica e a gente projeta o que a gente é a partir disso então tem que construir a minha economia Eu Tenho que construir a minha vida social Eu Tenho que construir a minha religiosidade Eu Tenho que construir Na aparência neste padrão porque este padrão que é bom né então assim esse complexo faz com que a gente renegue a nossa identidade enquanto país e se a gente renega essa identidade enquanto o país baseado em que a nossa origem se dá com a escravização e com os povos originários Onde está nossa identidade onde está a nossa verdadeira identidade quem que constrói né a solidez do trabalho a solidez do desenvolvimento nesse país quem que traz né com a produção cafeeira com a produção de açúcar quem faz com que o nosso país cresça Quais são as mãos que trabalharam Quais foram os sangues o sangue que foram derramados para que a gente prosperasse enquanto o país a gente renega isso porque a gente não reconhece essa identidade então em primeiro lugar a gente precisa fazer uma terapia social a gente precisa provocar uma terapia social em segundo lugar a partir disso a gente precisa contar nossa história né sobre o outro aspecto sobre outra narrativa tem uma escritora que eu acho que eu não sei a pronúncia correta mas eu acho que essa dia rátima que é uma escritora americana que fala sobre os povos americanos Ela usa uma frase que é assim ó na rara é reviver os mortos a gente precisa reviver os nossos a gente precisa relembrar nosso identidade enquanto país afro brasileiro para a gente se compreender e a partir daí a gente cunhar nossa identidade porque quando você conhece identidade você se dá bem com ela você se reaver com ela e aí você começa a racializar digamos as fases E aí você começa a racializar os grupos você entender tem o brancos tem os negros Tem o amarelo tem o indígenas e isso tudo faz parte da minha identidade isso tudo faz parte da minha história né e eu me vejo como sujeito político ativo no combate ao racismo no combate a desigualdade no combate ao padrão normativo de gênero normativo de gênero né eu faço parte disso Além disso é insidioso também o racismo porque porque na medida em que as pessoas não se veem participante e não se vê ativamente responsáveis por esse processo elas não ajudam a fortalecer as políticas pública porque elas não participam dos processos políticos ou quando participam participam de forma a simplesmente ser levado pela condução desses processos políticos e não estarem dentro desses pontos desse processo e também não participam dos movimentos que construam as políticas públicas por isso que também nesse ponto as políticas públicas elas são essenciais Mas elas são construídas pela administração nos seus universos níveis Mas pela população que precisa ativamente está envolvida nisso mas compreender o que esse processo significa E aí nesse ponto de vista desenvolver políticas públicas não é só é uma carta de princípios né precisa ser de fato o desenvolver de ações de um conjunto de ações que gradualmente porque é um processo gradual a gente entrou nesse processo de estruturante estrutural das nossas Relações raciais por séculos a gente vai levar um pouco um tempo ainda a gente conseguir de fato estabelecer um parâmetro de igualdade mas esse processo ele precisa existir e precisa ter um parâmetro de concretude de realização dessas políticas públicas Por isso as cotas instituídas na gestão passada e aplicadas agora nos concursos públicos são fundamentais mas não basta a aplicação por isso eu tenho falado muito com a nossa equipe a gente precisa criar um programa de aferição sobre a efetividade das cotas tanto para reafirmar sua necessidade quanto também para que a gente tenha um acolhimento para esses primeiros servidores que vão entrar a partir das cotas porque a gente sabe que também isso pode ter um reverso negativo se a gente não cuida disso se a gente não fala disso internamente se a gente não estabelece possibilidade de que essas lideranças se desenvolvam para que daqui uns anos estejamos aqui na Câmara com corum muito maior de secretários negros de mulheres negras encargos de diretoria falando sobre orçamento falando sobre tantas outras questões a gente precisa avançar um pouco mais nisso e ter outras políticas setorizadas comprometidas com isso na educação na saúde porque impacta o emprego porque impacta nossa realidade impacta também nas nossas relações afetivas tudo isso traz Impacto ao nosso desenvolvimento enquanto pessoa né Então essa é a sensualidade das políticas públicas do nosso município Tá certo então a gente vai para um breve intervalo e já já está de volta com questão de ordem não saia daí [Música] segundo bloco do questão de ordem que hoje discute a mulher negra na atualidade as nossas convidadas as vereadoras Guida Calixto e Paola Miguel e também Eliane joselene Pereira secretária de gestão e desenvolvimento de pessoas da Prefeitura Municipal de Campinas e Gislaine Antônio que é consultora de diversidade inclusão étnico racial e também coach de carreiras a secretária falou no bloco anterior a respeito da de toda essa terapia social e na culminância em políticas públicas vereadoras nesse ponto a gente fala do papel da mulher na participação mas eu acho que inclusive outro de ouvir as pessoas como que as mulheres vão participar da política vão cumprir as cotas se elas têm que cuidar dos seus filhos elas não consegue por exemplo nas reuniões de muitos dos partidos Elas têm as outras atividades a fazer como que a gente vai conseguir avançar principalmente no sentido da mulher é participar muito mais dessas decisões até porque hoje a política pública muitas vezes é feito de cima para baixo mas a gente também quer que seja feito de um movimento que também olha eu tenho que ouvir a voz dessa mulher mas muitas vezes ela não consegue colocar a sua voz a ser ouvida por questões eles de trabalho de que ela não teve essa oportunidade de participação por conta da sua rotina e das oportunidades que ela não teve no decorrer da vida bom eu me na ótima questão que você coloca porque dá um gancho bastante importante com a fala da secretária aqui de gestão de pessoas do município porque acho que no final ela fala né se você não adianta você apresentar uma política pública se ela não for parte de um contexto de luta social de um contexto né de muita interação e de um debate público muito bem apropriado principalmente por aqueles que vão inclusive utilizar e que são aqueles que mais precisam dessa política pública então por exemplo a gente vai dar a gente até falou um pouco nas falas tanto da Gislaine falou sobre essa questão também da educação uma das grandes lutas Nossa por exemplo é a pauta da educação anti-racista né então e por que isso eu venho da educação infantil seu da educação infantil Eu lembro que acho que uns dois anos no período da pandemia mesmo eu lembro dá um dá um exemplo bem concreto assim né Bem bem fácil da gente da gente entender por exemplo teve uma compra né de literaturas né Vamos fazer a compra de literaturas que contemplam a pauta da educação anti racista aí aparece né a literatura os livros lá a coleção tal e aí quando a gente se depara com os livros tá lá o livro assim Olha numa sociedade nós somos todos temos tem pessoas que são diferentes aí eu falei bom se tem diferentes É porque tem o padrão né Já começamos a ficar com medo não porque Fulano é negro Fulano é gordinho então quer dizer e já tava ali caminhando né para uma figura para um perfil que é padrão é isso é um exemplo assim né dos mais mínimos que a gente pode pode falar de uma educação mas dentro de uma sala de aula mas o cotidiano das salas de aula o cotidiano dos espaços que a gente tem públicos enfim é um cotidiano que reflete uma sociedade que essa sociedade racista que a gente vive quando a gente vai falar da pauta dos negros na educação quando a gente começa a falar né só na educação formal da pauta dos negros entra no processo de que caracterização que a gente passou no país como se nós negros né como a Gi falou é naturaliza que nós somos escravos já nascemos escravos né Nós não nós somos escravizados num processo de colonização de dominação não isso tudo é apagado E aí quando vai se discutir a história o que que se coloca Ah vamos discutir a história a história geral a história europeia a história né de territórios e se faz um completamente apagamento né do que foi a contribuição da população negra da população africana para o mundo quem não sabe né o território do Egito é um território negro né então assim isso tudo é apagado a gente vive nesse processo de apagamento e que dá e que gera é que chega na consequência né de uma desumanização então é esse é isso tudo que a gente tem tem que enfrentar Então até hoje mulheres que possam também estar Veja uma mulher negra que passou por todo esse processo desde a educação infantil onde ela nunca se viu representada onde ela nunca foi valorizado uma criança vou dar o outro exemplo eu sou da Educação Infantil gente eu sou cheia de creche né as tias de creche Geralmente penteiam as crianças de cabelo liso né As crianças de cabelo crespo não recebo o mesmo tratamento de carinha afeto a gente sabe disso né a gente sabe eu tô há 25 anos lá dentro eu também fui criança de creche isso então como é que você vai tratar como é que você vai garantir que essa mulher negra quando chegue na fase dela adulta ela vai conseguir chegar em condição de autoestima dela servida dela né dela isso tudo ela passa por um processo tremendo violento agressivo né de desumanização né de ataque a nossa a nossa autoestima então isso tudo já é a gente já tem que enfrentar no cotidiano da vida as mulheres negras elas são afetadas na linguagem porque elas são a todo momento reprimidas enfim a gente passa por esse processo né de pagamento de silenciamento de desumanização quando a gente vê nos partidos a luta das mulheres hoje a gente ainda enfrenta muitos homens e muitos partidos que são totalmente a ver sua nossa pauta contra a nossa pauta vem isso que a Gislene falou no começo da fala dela vamos falar disso de novo vamos falar disso de novo a gente não superou quando a gente superar a gente para de falar a gente não superou Então a gente vai falar Então como que uma mulher negra que que enfrenta um cotidiano violento Né desde a sua infância de ataque a sua autoestima depois quando ficar adulta ela é responsável inclusive por te sustentar a sua casa porque a maioria das Mães solos são as mulheres negras a maioria das mães que tem que enfrentar todo a dificuldade de garantir a sobrevivência da sua família são as mulheres negras né então assim como que uma mulher dessa vai ter ainda condição vai ter condição de pensar que ela tem que pode estar no espaço de um partido político de lutar naquele espaço de valer ali o seu posicionamento a sua representação Então não é algo muito fácil por isso que a gente tem que contar assim com medidas de punição a esses partidos tem que ter sim cotas de negros tem que ter valorização principalmente nas representações pena que tem muita gente que utiliza essa luta histórica nossa né sendo Branco aqueles que sempre estiveram no lugar de Privilégio se utiliza muitas vezes de políticas que nós lutamos né Toda hora por exemplo do partido falar assim tá bom Mulher Vem traz seu filho a gente arruma aqui um jeito de cuidando dele enquanto você vai ter que fazer uma luta intensa sobre isso para garantir esse espaço no movimento sindical a gente sempre fez essa discussão para uma mulher poder fazer uma greve por exemplo ela precisa ter aqui um espaço para poder acolher os filhos dela porque é isso porque ainda nós que estamos nas esferas dos cuidados ainda somos nós que somos responsáveis pelos filhos pelo pelos doentes e isso impacta muito mais a vida das mulheres Então veja eu sou totalmente favorável aí a isso né e a gente luta internamente quando começa as discussões da ocupação dos cargos de direção pelo menos dentro do PT a nossa a nossa resolução É 50%. tem que cumprir a legislação eleitoral fala entre 30%. a nossa é 50%. e também tem que garantir a cota de negros de indígenas enfim se a gente não fazer valer Isso é uma forma que a gente tem de pressionar a investir principalmente nesses quadros a gente não vai mudar o que tá aí com a gente continua tendo parlamentos brancos continua tendo parlamentos que representam uma elite continua tendo espaços né pouquíssimos espaços de direção ocupada por mulheres negras por negros enfim mas a gente vai continuar lutando aí para garantir a nossa luta principalmente na representatividade Paola Bom eu acho que [Música] tudo que foi foi trazido aqui me fez refletir né em outros aspectos acho que essa questão da gente acabou de sair do período eleitoral né acho que todo mundo acabou se envolvendo de uma forma ou de outra mas eu acho uma coisa que é importante a gente refletir sobre isso é quando a gente tem né O que vai durar aqui atrás justamente isso para gente ter né a garantia de que a gente vai conseguir ocupar aqueles passam muitas vezes a gente precisa melhorar outra mulher né então não é simplesmente os partidos precisam organizar precisam mas a gente precisa discutir enquanto sociedade eu acordo muito com a nossa secretária é de como que a gente pode compartilhar isso como os nossos companheiros também né Não somente com as mulheres porque a gente coloca mais mulheres para estarem lá dando essa responsabilidade para que a gente tenha na discussão na greve né geralmente a gente faz o que a gente quando se tem filho geralmente você acabaneirando uma irmã uma mãe uma tia uma avó né a filha mais velha e a pandemia trouxe muito isso né quando as crianças abandonaram a escola né as meninas abandonaram porque ela sabe ficar em casa cuidando dos irmãos mais novos no trabalho de casa limpeza da casa no modo geral comida e também permitindo que os pais pudesse trabalhar e os meninos porque eles foram incidos no mercado de trabalho de serviços né Então essa divisão de tarefas né enquanto sociedade isso que é isso que dificulta e quando a gente faz uma mulher negra a gente tá falando de não ter essa rede de não ter esse apoio né de você não ter essa estrutura de quem você vai recorrer né eu venho de uma família pequena né sua filha única então além da minha mãe quem que eu posso recorrer quem que eu vou recorrer para que me ajude administrar as tarefas né quem quer quando ela precisa administrar a tarefa ir no médico fazer essas coisas e eu acho que a gente quando a gente fala desses aspecto da mulher eu acho que tem algumas coisas tão sutis que a gente acaba é simplesmente ignorando no dia a dia por exemplo a gente lá para essa mesa é todo mundo tá utilizando algum tipo de maquiagem mas você vai comprar maquiagem na pele negra você não consegue encontrar o BB Cream de r$ 15 por exemplo você precisa de uma marca específica e se você for uma mulher retinta isso ainda é mais difícil acaba ficando mais caro Então como que você como a gente aqui né consegue reconhecer que as mulheres negras vindo da Periferia consegue ter acesso a uma maquiagem que você já pensou tão de pele bons produtos para o cabelo bons produtos para o cabelo porque isso inclusive é uma questão recente Antigamente você não tinha isso né o próprio cabelo né como a vereadora Guida atrás ele acaba virando um trauma ao longo da vida na infância ninguém Coloca a mão né na escolinha ninguém vai ali PE seu cabelo e tudo mais na hora que chegar na adolescência o que você ouve são as piadinhas né que muitas de nós provavelmente passaram aí você entra no processo de querer buscar aceitação E aí você vai para química que muitas vezes acaba a longo prazo fazendo o que que as mulheres inclusive percam o cabelo né E aí você chega no momento determinado momento da vida que você tem que escolher ou você vai continuar naquela química que quando eu fazia me causava muita dor física inclusive ou você vai aceitar aquela dor que é uma dor que as outras pessoas causam a você por conta disso né E isso acaba virando um trauma ao longo da vida eu sempre falo isso porque eu acho que é uma das coisas mais mais interessantes que quando a gente tem essa referência em África é uma outra questão você tem outras formas de lidar com o cabelo né a própria questão do turbante né as tranças isso também não passa por uma questão de que quando a gente inclusive vai pesquisar a gente vê poucas referências femininas médico as heroínas femininas então a gente pesquisa geralmente Olha a gente tem muitos homens até negros mas quando a gente vai procurar uma mulher preta Olha eu acho poucas eu tenho poucos nomes de referência para ser minha minha ídala digamos assim não passa por isso também nesse processo de colonização sim com certeza com certeza passa mas isso é Reflexo direto do racismo sim né isso reflexo direto assim concreto disso e sempre que eu pergunto para as pessoas a pergunta assim você acha que racismo acontece só só comigo eu falei assim olha para o cinema quantos heróis negros a gente tem a pensar no cinema quantas heroínas negras a gente tem apresentado no cinema quantas quantas atrizes negras receberam Oscar Ou foram indicadas ao Oscar por exemplo o absurdo que a gente teve recentemente daquela discussão da sereia por que que a sereia negra né Então até no entretenimento a gente tem todas as vezes alguém querendo cutucar E aí uma coisa que foi dito aqui né o contrário não é questionado quando a gente tem um herói que historicamente negro né e ele é reconhecido como negro mas ele é embranquecido no entretenimentos não é um problema o problema é justamente quando a gente vai abrir aspas na contramão de uma fantasia né de que não existia de fato isso né ele não foi uma pessoa real Então esse apagamento né E essa resistência da gente conseguir se ver plenamente nas telas isso é um movimento não só do Brasil não só de Campinas mas o movimento Infelizmente o racismo ele é uma doença Mundial eu acho que em Campinas a gente consegue ter a percepção do que é o fato de ter sido a última cidade e como que essas marcas se dão diariamente é uma pessoa atravessa na rua não dirigindo a palavra quando você quando nós aqui né pelo menos eu já passei por isso de chegar no gabinete perguntar onde está a vereadora né conversar com alguém que não negro que tá lá presente eu acho que essas questões a gente a gente consegue perceber muito mais nitidamente do que em outras regiões onde isso é naturalizado que a naturalidade de poder por exemplo mas não dá para a gente falar que não existe racismo em algum lugar gostaria de poder falar isso olha então o lugar não existe lá a gente tem o mundo ideal Mas infelizmente não é isso que a gente tá vendo Principalmente nesse momento de conjuntura nacional e internacional também será que a gente consegue pensar hoje em todas em todos esses desafios de que forma a gente agindo cada uma no seu trabalho cada uma no seu setor para entrelaçando isso para que a gente possa fluir um pouco melhor e avançar a gente sabe que não ainda não vai resolver vai precisar conversar ainda muito sobre isso não só em novembro mas durante todo o período mas como a gente consegue avançar em algumas coisas Gislaine então eu quando eu idealizei o projeto né de inserir pessoas pretas no mercado de trabalho para as multinacionais foi entendendo Exatamente isso o que eu enquanto mulher negra que passei por tudo que já tinha passado o que eu poderia contribuir mais para a minha população para que de fato eu pudesse fortalecer nossa população diante desse cenário né então foi eu acredito que cada um cada uma de nós mata gestoras inclusive né que vem vamos matriarcado na nossa centralidade cada uma de nós temos a nossa potencialidade e a gente multiplica né É o que eu sempre falo o quanto é importante a gente multiplicar saberes Então sempre que eu posso tá impulsionando sempre que eu posso tá encorajando sempre que eu posso tá falando com uma pessoa preta para falar olha vai que você consegue vai que é assim mesmo é assim como minha professora de história quando eu tava na segunda série ela me deu uma nota 10 no trabalho que eu fiz sobre escravidão eu tento reproduzir essa ação que ela fez para mim é que embora fosse uma professora Rude né mulher preta Rude mas eu entendi como uma forma de afeto dela e colocando ali para mim enquanto criança olha vai que você tem um caminho lindo pela frente então eu tento colocar isso para todas as pessoas pretas que passam pelo meu caminho né pela minha vida para que de fato a gente Pelo menos é Se fortaleça para que isso não não não cause mais dano ainda para gente então acho que as ações elas acabam sendo de cada um cada um de nós de fortalecimento de empoderamento eu não gosto muito da palavra empoderar mas é do acesso ao poder que a gente tem ancestral sabe eu sempre falo isso não perca a sua essência Não deixe de ser quem você é a sua essência é o seu farol para iluminar e dizer qual é o caminho que você deve seguir Tá certo vereadora olha veja a Paola tava falando sobre a cidade né de Campinas que a gente sabe muito bem desse histórico né um histórico difícil né o histórico é uma cidade extremamente importante para o cenário econômico Nacional tá à frente de muitas capitais Inclusive a do ponto de vista econômico da arrecadação né da do desenvolvimento tecnológico enfim da produção de conhecimento e ela ela vem nesse histórico né aqui Campinas no período que o povo negro foi escravizado era uma cidade muito violenta o nosso histórico nos conta né que inclusive eu fazendo algumas reportagens é um Historiador disse que ah conta-se que na época dizia assim para algum escravo de outro lugar se você continuar assim eu vou te mandar para Campinas eram duas né que eram bem violentas conhecidas nacionalmente uma delas era Campinas então por isso que a gente sabe que a gente carrega até hoje então quando a gente vai fazer o nosso inventário a gente vai ver tá lá no nosso inventário né quem o que é Campinas mas ao mesmo tempo Campinas é uma cidade que forjou muitos negros e negras lutadores e lutadoras tem esse lado tem esse lado e a gente continua guerreando né como a própria Joselaine disse esse processo de colonização ainda continua então a gente continua guerreando mas a gente nós temos vários lutadores aqui é da cidade de Campinas por exemplo que sai Armando Gomes que nem nos livros meus de referência que fazem a discussão da Luta dos trabalhadores brasileiros a irmã do Gomes foi um Sindicalista né do movimento anarco Sindicalista que comandou um processo de resistência na greve de 17 né que culminou aí no evento que foi muito importante que teve o massacre o massacre conhecido como massacre da porteiro do Capivara e esse movimento de greve Foi comandado por um homem negro e nem nas nossas literaturas fazem essa referência né É daqui que sai João Barbeiro é daqui que foi o lutador pela Abolição pela Liberdade né do povo negro é daqui que sai laudelina de Campos Melo laudelina de Campos Melo foi uma trabalhadora doméstica internacionalmente hoje conhecida uma mulher que organizou o primeiro sindicato a primeira Federação de trabalhadoras domésticas né que é um segmento profissional majoritariamente composto por mulheres negras as trabalhadoras domésticas nem na Constituição de 88 elas foram reconhecida como trabalhadoras mas foi lá do Olinda de Campos Melo que em anos que ela era dirigente ela conseguiu fazer uma greve numa categoria que veja empregadas doméstica Imagina a gente não consegue fazer uma greve numa empresa que tá todo mundo junto convencer todos os trabalhadores a fazer uma greve logo ele ainda conseguiu fazer isso né greves e a Laudelino era muita questão da educação principalmente a questão da educação e a questão da autoestima das mulheres negras principalmente ela valorizava muito isso ela que fez o concurso Pérola Negra aqui na cidade então assim tem esse histórico e hoje né a gente pode falar que Campinas tem Gislaine tem a Elaine Joselaine tem a Guida tem A Paola tem a Mirna então aqui apesar da gente ser uma cidade que traz esse histórico né Nós temos aqui muitos lutadores a gente tem um movimento negro muito muito importante Campinas tem uma referência muito grande né do ponto de vista da luta do povo negro tanto para educação saúde né debates mais Gerais internacionais de extrema importância é daqui da nossa cidade somos nós né protagonistas também desse desse território né e é na cidade de Campinas que tentaram caçar uma vereadora né Negra tentar uma uma HQ que debate que valoriza que homenageia os nossos territórios negros Então é isso né a nossa a nossa vida é essa esse campo né de luta de resistência mas nós estamos aqui não sei se era bem essa questão mina que você estava trazendo mas eu que fiz questão de de tocar nesse ponto esse mês a gente vai fazer um debate também é sobre essa explosão que tá acontecendo com a nossa juventude assim prozão não a gente já sabe que isso tem muito tempo mas que tá dando publicidade né que a questão do racismo contra as nossas crianças principalmente nas escolas né e espaços públicos o que foi que aconteceu com o filho da advogada taísca querer Masco que foi matéria né na mídia Nacional O que aconteceu com aquela criança que estava com avó no shopping que foi negado um sorvete é o que tá acontecendo com jovens a gente tem acompanhado também outros jovens que tem sofrido racismo nas escolas então a gente quer entrar nessa discussão a gente quer de fato dar porque só quando a gente deve visibilidade para isso para a gente constranger essa essa questão né que constranger os racistas né E também tentar avançar aí rumo a gente eliminar de vez o racismo tinha uma pauta que passa pela educação novamente até porque a gente tem mesmo essa questão de claro que veio a público o caso recente aqui de uma escola particular mas isso é muito comum nas escolas públicas inclusive de crianças brancas em relação a crianças negras que as crianças chegam em casa e falar ai falando me chamou de tal coisa o que eu faço né e super meia com certeza discussão uma outra discussão vereadora Paula Bom eu acho que uma das coisas fundamentais que a gente tem que fazer principalmente na cidade de Campinas é entender que o racismo existe né porque a partir disso a partir desse reconhecimento a gente consegue pensar em formas de combate ao racismo de pensar uma cidade anti-racista Campinas como a verdadeira trouxe é uma das cidades importantíssimo que a gente tem no país é a cidade né região metropolitana fora de uma capital né é uma das cinco maiores cidades que a gente tem é no Brasil a maior cidade do interior e aqui a gente considerar da cidade de inteligente a cidade inteligente e a gente aqui tem uma divisão que é feita por rodovias então cada uma das rodovias que a gente tem em Campinas cria um abismos e opressões e uma das formas né que a gente teria de diminuir essa desigualdade por exemplo é um transporte público que parece que uma coisa simples que atinge todo mundo mas ajuda fundamentalmente as pessoas da Periferia que são sua grande maioria Negra então limita Por exemplo quando vai ter acesso à saúde Quando vai ser ter acesso ao trabalho quando chega na entrevista Ah mas você mora muito longe né vai demorar para chegar aqui vai se atrasar se você não consegue ter dinheiro para ter carro nessas regiões você tem essa dificuldades em Dobro em triplo né aqui na cidade acesso ao lazer a cultura e a gente sabe que isso faz com que a gente mude também nosso pensamento porque a cultura ela consegue muitas vezes trazer algumas questões que a gente tem dificuldade de falar E mesmo quando a gente fala a gente não é ouvido então tem músicas importantíssimas né como da Bia Ferreira cota não é esmola que eu acho que ela traz uma historinha que sempre fica muito bem né do porque que não é porque que é uma reparação histórica das que a gente tem ao longo de toda uma vida como a gente trouxe aqui uma música que tem cinco minutos né então esse debate que a gente fez que muitas vezes a gente faz né sobre cotas E como que isso acontece que a gente demora horas para fazer ou uma música de cinco minutos consegue trazer muito bem exemplificar muito bem então a gente precisa entender que muitas vezes a gente precisa olhar para o todo para a gente conseguir diminuir essas dificuldades e essas desigualdades o que a gente busca né é Equidade salarial e cuidar de racial a gente quer as mesmas oportunidades apenas isso nada além disso a gente não quer ser mais do que ninguém mas a gente sabe que a gente não é menos do que ninguém então discutir a partir disso né e reconhecer que o racismo infelizmente ele existe que ele precisa ser combatido esse é o ponto fundamental para a gente garantir Inclusive a nossa sobrevivência eu não tenho dúvidas que nenhuma de nós aqui né mesmo acendendo socialmente a gente ainda passa por questões diárias do racismo ou algumas mais dolorosas outras mais naturalizadas porque a gente também vai criando mecanismos ali ao longo da vida para que a gente não sofra todos os dias e isso que é um outro ponto que eu acho que é fundamental a gente entender que não é o fato da gente acender socialmente que tira a gente das opressões e das questões sociais como a gente trouxe muito bem quando a gente fala das cotas por exemplo não são apenas quatros sociais porque uma pessoa negra uma pessoa negra na mesma origem né a pessoa não Negra tem 17 vezes mais chances de conseguir sair daquela situação Então não é simplesmente uma questão financeira É sim uma questão racial mas essas coisas não são desassociadas então quando a gente tem por exemplo porque por exemplo jogadores de futebol muito famosos não sentem essa essa opressão é porque ele não sofre com racismo Não não é por isso são por outras questões ele sofre com outras questões a partir da Ótica de ser um homem negro e com uma mulher negra numa classe social mais alta você passa por outras opções então a gente precisa entender que as opressões é que a gente tem hoje elas são raciais elas são de classe e elas são por essa estrutura né do patriarcado que a gente está inserido e essas coisas não são desassociadas porque eu nunca fui apenas uma pessoa negra Eu nunca fui apenas uma mulher eu sempre fui uma mulher negra né LGBT no caso e isso me faz passar por outras opressões que muitas vezes a gente também precisa dar conta então eu acho que reconhecer é o primeiro passo para a gente conseguir bom acho que assim eu acho que penso a minha a minha contribuição em algumas aspectos da minha multidimensionalidade enquanto o ser humano né porque Paola acabou de falar nós não somos um recorte só racial a gente é mais do que isso né princípio a gente é ser humano mas a gente tem muitas dimensionalidades que precisam ser levadas em conta no gozo do nosso exercício do direito de existir né então assim eu acho que na primeira que eu destacaria é a minha relação enquanto pessoa mesmo né Eu acho que a gente precisa também enquanto pessoas negras que tem uma trajetória de muitas dificuldades e de muitos impactos pelo racismo no nosso cotidiano a gente também tem que cuidar muito da gente mesmo então eu tenho que eu tenho exercido muito isso esse cuidado né esse alto amor esse auto cuidado que ele é muito fundamental no momento que a gente vive no momento social que a gente vive político que a gente vive a gente precisa muito cuidado nossa saúde mental e cuidar muito desse bem-estar né então e você vai colocando limites né nas coisas naquilo que te sobrepuja naquilo que te sobrecarrega Porque é importante também quando a gente está falando também das questões raciais né então acho que a minha contribuição primeiro lugar é comigo mesmo né de me autocuidar e de também estabelecer esses limites nas relações afetivas nas relações amorosas nas relações sociais isso é muito importante porque a gente precisa rever né O que a gente muitas vezes aceitou E hoje a gente não pode aceitar mais né como onde a gente se colocava e agora a gente não pode mais se colocar não deve mais colocar eu acho que essa é a primeira contribuição como mãe eu também tenho uma contribuição né essencial especial que eu tenho que dar nesse momento onde a gente também vive uma maior liberdade de nos expressar enquanto pessoas em uma maior liberdade de pensar formas né coibiu o racismo como mãe com três filhos Eu tenho essa atribuição não só da maternagem mas de conseguir auxiliar os meus filhos nesse processo de compreensão da realidade auxiliar os meus filhos com ferramentas que permita eles vivenciarem com mais autonomia mas também com mais senso de potencialidade para lidar com essa realidade muito difícil que eles encontram né então acho que essa contribuição quando a gente fala de mãe negra de mãe preta para filho preto é muito importante ela é muito essencial não que a gente Deva fazer isso sozinho né quem tem parceiro como foi dito aqui pela Paola a gente precisa fazer uma repartição de igualdade nesse sentido também mas essencialmente a gente trabalhando a questão do afeto né eu me lembro muito de um livro que eu li que é chama-se espírito da intimidade da sombra e ela traz muito essa questão da comunidade da afetividade ancestral e a gente precisa resgatar isso né de como o amor de como afeto ele é fundamental para nos dar essa potência de sobrevivência de né de comunidade de solidariedade eu acho que por fim dentro dessa dinâmica profissional né é saber o lugar que hoje eu culpo né da responsabilidade do lugar que esse ocupa mas dá oportunidade do lugar que eu ocupo né e que não tem tempo para perder né que a gente precisa aproveitar o máximo possível dentro das nossas atribuições e eu tenho essa clareza para a gente produzir esse diálogo social né quebrando essa sócio dinâmica da estigmatização né cotidiana Norbert Elias fala muito disso né de que as relações hierarquias de poder que faz com que a branquitude né se beneficia dos privilégios do racismo estrutural precisa ser debatido e a gente precisa construir isso então acho que as políticas públicas e por isso eu tenho tentado trabalhar tão ativamente nesse sentido para que na administração pública e agora nessa parte de gestão e desenvolvimento de pessoas a administração se torna o mais diversa possível para que essa representação se faça nas diversas cabeças pensantes dos diversos segmentos que possam refletir em políticas públicas que representam a sociedade e que façam com que os avanços sejam de fato conquistados Tá certo nós estamos chegando ao final então do programa eu vou pedir aqui começando pela Paola para que vocês olhem bem naquela câmera ali do meio e manda em uma mensagem para as mulheres em especial para mulher negra que está nos assistindo em uma frase Eita Desafio em uma frase começar ainda Bom eu acho que [Música] não dá para nunca desista né Eu acho que essa é uma uma frase importante porque é isso que passa na nossa cabeça todos os dias né quando a gente logo na infância né a gente deixa receber afeto na adolescência aquilo vira uma piada na vida adulta você tenta se encaixar e não consegue muitas vezes você é serciada pelos colegas né O que muitas vezes a gente quer desistir mas quando eu entrei nessa câmera eu soube que eu não podia fazer isso né Não podia simplesmente desistir não podia simplesmente um dia levantar ir embora porque isso não é somente sobre mim isso é sobre todas nós né E também é sobre as mulheres que vieram antes de mim que deram a vida lutaram para que eu aqui então não quer desista Guida bom é era mais ou menos isso que eu pensei na hora que você falou para Paola essa questão da de continuar né lutar resistir desistir jamais algo nesse sentido tem uma imagem de mulheres negras eu faço parte de um grupo de mulheres negras que o grupo né de WhatsApp e tem uma imagem que que faz a ilustração do nosso grupo que são mulheres negras e a gente acabou aproveitando essa imagem no nosso HQ né na nossa história em quadrinhos HQ territórios negros nossos passos vem de longe são mulheres que estão tipo uma na frente da outra tipo em fileira mulheres negras com os braços erguidos e aquilo serve disso com esses braços serve de uma escada para as nossas crianças e é isso né é essa base essa essa Fortaleza que a mulher negra representa e que ela busca muitas vezes eu faço uma certa analogia com Baobá que é uma árvore africana que tem aí uma duração de vida né de mais de mil anos e representa a Fortaleza a resistência né é a resiliência Enfim então é isso é isso que a gente representa então não tem o que falar fora disso então nunca desistir não desistir vamos em frente Enfim uma figura muda a outra ninguém solta a mão de ninguém vamos estar sempre apoiando umas as outras porque com certeza a base de uma do povo negro está nas mulheres Obrigada Eliane Joselaine negras bom vou usar mesmo uma frase né Eu acho que a frase que eu escolho aqui pensando aqui agora é que as dificuldades do caminho elas não tiram a beleza do trajeto quando a gente está junto né porque afinal de contas o bom Tour né Somos Todos Um obrigada Gislene e seguindo né todo fortalecimento aqui das colegas e a Jacilene que trouxe a questão do afeto é para que possamos nos acolher né a sociedade ela já nos critica demais ela já não exclui então vamos aproveitar né Inclusive a fala da secretária e olhar para gente com afeto olhar para a gente com carinho e naquele momento que a gente se sentir que tá lá embaixo né a gente a gente vai lá e se acolhe porque é isso que a gente precisa para a gente mesmo sabe se acolher e dizer o quanto a gente é importante para a gente mesmo Obrigada meninas e o questão de ordem fica por aqui eu agradeço a sua participação com a gente de ter assistido Mande a sua contribuição seu comentário aí no youtube.com/tv câmaracampinas E você também pode assistir o nosso programa nos canais 11.3 da TV aberta o canal 4 da net e o canal 9 da Vivo fibra a gente fica por aqui Continue com a nossa programação [Música] [Música] Olá você que assiste a TV Câmara Campinas a partir de agora fique com a gente no questão de ordem que hoje discute a mulher negra na atualidade nas nossas convidadas são as vereadoras Paola Miguel e Guida Calixto ambas do PT e também nós contamos hoje com a secretária Eliane Joselaine Pereira que está na pasta de gestão e desenvolvimento de pessoas da Prefeitura de Campinas e esse Secretária de Assistência Social Direitos Humanos aqui da cidade também com a Gislaine Antônio que é consultora de diversidade e inclusão étnico racial coach de carreiras membro do Conselho da comunidade negra de Campinas e do comitê de igualdade racial do grupo mulheres do Brasil sejam todas bem-vindas a gente vai começar por um ponto são vários aspectos mas vamos falar um pouquinho sobre emprego Olha que nós fizemos uma breve pesquisa e no primeiro trimestre de 2022 taxas de desemprego entre as mulheres negras apresentou uma forte queda em relação ao mesmo período do ano passado mas permaneceu na casa de dois dígitos 16.3% e distante dos demais grupos demográficos essa porcentagem representa mais de quatro. milhões de mulheres negras desempregadas e ainda a gente tem a questão da taxa da informalidade Olha só nós tivemos 43.3% das mulheres negras que estavam em alguma ocupação impostos de trabalho informais uma taxa superior a Nacional por exemplo dos homens brancos e amarelos que é de 34.8% a taxa de toda a população é 40 conta um ponto um por cento e temos ainda das mulheres brancas e amarelas que é uma taxa de 32 por cento diante disso eu coloco essa reflexão aqui na nossa mesa sobre qual é o papel da mulher quando a gente pensa nesses números No que diz respeito ao emprego São vários avanços e e que reflexão a gente pode fazer nesse primeiro quesito digamos assim vou começar pela Gislaine que Inclusive fala sobre carreira sobre uma série de coisas seja bem-vinda obrigada obrigada uma honra estar aqui quero também já aproveitar fazer agradecimento a nossa querida Jace Elaine super parceira né e da Calixto aí nos aguerrida né não sou uma data assim como Paola então é um prazer imenso estar aqui primeiramente e aí dando segmento né a pauta a gente sabe que é tudo isso advém obviamente do racismo estrutural e quando a gente pega né a pirâmide gênero a gente sabe que a mulher preta ela tá lá embaixo né abaixo de todos embora a mulher preta é a que a protagonista né do empreendedorismo é e muito aguerrida em todas as questões aí mas que devido todo o nosso processo de colonização a gente sabe o quanto é não somos valorizadas né então a gente precisa de fato falar realmente sobre isso né embora muita gente falar de novo né estamos falando novamente disso mas é importante porque aqui eu preciso fazer a divisão mulheres não negras e mulheres negras porque porque a gente sabe o quanto para a mulher negra está mais difícil e os números ele acaba falando por si eu costumo dizer que muitas vezes a gente nem precisa de dados né porque se a gente olha para os lados e tem um olhar mais mais crítico e analítico a gente percebe né a gente percebe onde Aonde estão as nossas mulheres pretas se você tá dentro do seu ambiente organizacional Aonde estão as mulheres pretas se você tá dentro do Poder Legislativo Aonde estão as mulheres pretas então quando a gente faz uma amplitude de visão a gente vê realmente é a porcentagem com relação mulheres pretas ela é muito baixa por conta realmente desse racismo estrutural que sempre foi colocado que o lugar né de mulheres pretas seriam na cozinha que assim que pensam os colonizadores sim agora eu vou falar então com a secretária ele Joselaine que inclusive trata hoje a frente da gestão de pessoas e é a primeira negra em Campinas já esteve à frente da Secretaria de Assistência Social pessoa com deficiência direitos humanos e ainda não sei se naquela época era segurança alimentar também você já englobava segurança alimentar já englobava né primeiro queria que você falasse desse seu papel é a frente da secretaria e como você se vê como mulher negra num cargo de poder e o que hoje a gente precisaria ter para que mais mulheres também pudessem ter essa representatividade seja bem-vinda bom Boa tarde a todas aí que nos assistem todos que nos acompanham aqui pela TV Câmara primeiro agradeceu o convite assim como a Gislaine me sinto extremamente honrada em estar aqui nessa mesa com as nossas vereadoras É sempre bom estar com mulheres pretas gente assim a princípio a gente precisa falar disso né muito bom a gente poder fazer uma conversa qualificada com pessoas e com mulheres que ocupam cargos de importância na nossa cidade e que trazem reflexões importantes não só pela sua própria trajetória mas especialmente pela sua atuação Então me traz muita felicidade mesmo esse convite e poder partilhar esse momento agradecer a nossas vereadoras Paola Guida pelo excelente trabalho realizado aqui na Câmara Essa verença é muito representativa no quesito raça né a gente tá aqui com duas mulheres negras com pautas raciais importantes mas falta de direitos humanos que são Funda quando a gente fala de legislatura quando a gente fala de políticas públicas quando a gente fala de progresso social e Desenvolvimento Social então muito obrigada pela representatividade que vocês têm aqui na Câmara e pela atuação que vocês estão realizando Gislaine também na sua atividade junto às empresas conversavamos aqui um pouquinho antes sobre isso fundamental mas eu tenho dito que assim a minha trajetória eu falo que ela não é fruto de meritocracia eu falo que ela é Ela é fruto da minha ancestralidade minha ancestralidade de mulheres pretas empregadas domésticas e Trabalhadores Rurais Esse é o ponto fundamental da minha trajetória e que é vamos dizer assim a essência que me traz até aqui a Gislaine Ela trocou em Pontos importantes né a colonização e o racismo estrutural é importante que a gente também desmembra um pouco essas categorias né quando a gente fala da colonização ela não foi só o princípio ela foi o princípio meio e ainda está vivendo no nosso em cima né porque esse processo de colonização Ele é cruel nas nossas vidas o que que é a colonização faz entre muitas outras coisas violentas ela despersonifica a pessoa de personifica né um grupo identitário um grupo racial e quando a gente está falando das pessoas negras a gente tá falando dessa dispersonificação do apagamento histórico cultural religioso social né que a gente vem assistindo desde a origem né do país Desde da origem da Nação e essa descolonização ela é fundamental para manutenção desse sistema que é o racismo estrutural não existe né do ponto de vista de quem detém o poder vontade de quebrar esse sistema porque esse sistema afunda né a lógica de ganho que hoje vive no nosso país no nosso sistema e que pergunta esse sistema racista Mundial então é essa lógica principal que a gente precisa cobrar e começa com a descolonização do pensamento por isso as atividades que tratam do letramento racial que tratam das instituições de políticas públicas a desigualdade racial de Equidade de gênero e também as discussões dos movimentos sociais populares elas são fundamentais para que a gente possa gerar mais consciência de raça mais consciência de classe né para as pessoas se libertarem desse pensamento colonizador e a partir daí se verem ativamente como participante desse processo de desconstrução do racismo e consequentemente um avanço né dentro do nosso país então eu falo não tem possibilidade de você falar de meritocracia no ambiente onde virgem um sistema que dá manutenção cotidianamente a essa colonização e eu falo que a minha ancestralidade me trouxe até aqui porque para furar isso a gente precisa de muita resiliência a gente precisa muita de muita força né de muito amor de muita compaixão e eu tive a felicidade de ter mulheres pretas na minha vida que conseguiram afirmar a minha resiliência que tornou possível apontar o caminho da educação como o caminho fundamental para a gente chegar e galgar lugares onde os pretos os negros não não estão não ocupam né e ainda continuam às vezes não ocupando né então chegar no serviço público municipal levar 15 anos para ser gestor Municipal quando as pessoas brancas às vezes levam Muito menos tempo do que isso para chegar aos cargos de gestão é muito representativo né e eu digo que eu tenho um orgulho Sim claro de tecido A primeira é mulher negra ocupar o cargo de secretária Mas isso também diz muito sobre a nossa cidade isso também diz muito né sobre o que que a gente está tratando aqui sobre a necessidade de falar sobre raça sobre racismo na nossa cidade né diz muito porque Capítulo 248 anos de demora 200 Né desde a minha primeira vez 245 anos de demora para que isso acontecesse então a gente precisa a partir disso refletir sobre esse histórico mas também aproveitar as nossas representatividades para que a gente repense as políticas públicas necessárias e que a gente consiga fazer as leituras né de que o espaço dado às mulheres negras hoje vem dessa objetificação dos corpos venda sexualização dos copos da mulher vem também de uma pandemia que também faz com que as mulheres negras percam seus postos de trabalho é porque mulheres com filhos mãe solos que não tiveram a possibilidade de garantir a sua continuidade no mercado de trabalho é esse o índice que você traz no primeiro momento quando você coloca as estatísticas Isso não é um acaso Esse é o processo progressivo desse racismo estrutura sim agora a gente vai então dar as boas-vindas a vereadora Guida Calixto e que análise já isso para as duas vereadoras a gente lembra que é a primeira vez em Campinas que a câmara Tem quatro mulheres vereadores e dentre elas duas mulheres negras e eu queria que só falasse justamente sobre essa questão de uma mulher negra na Câmara depois né duzentos e tantos anos e agora também com essa missão de estar aí à frente da Comissão da mulher Olá Mirna quero antes de complementar as minhas colegas aqui de mesa Quero Agradecer mais uma vez ao espaço que a TV Câmara nos dá para a gente debater esse tema tão importante para nós né Principalmente nesse mês né que é o mês de novembro que é o mês que muitas vezes nós fazemos as nossas reflexões é que o povo negro o povo Preto reflexão todo tempo isso ano inteiro que sugira em torno da nossa vida isso é uma questão da nossa militância inclusive da nossa sobrevivência né É uma questão de luta nossa mas a gente agradece esse espaço então quero agradecer né esse momento agradecer ao servidores dessa casa né os servidores da TV Câmara que que pode que estão garantindo esse momento aqui para nós debatemos esse tema bom quero cumprimentar também a Gislaine uma alegria ter aqui com você debatendo contigo aqui nessa tarde agradecer também a Eliane jocelane secretária né a gente fala secretária de RH que a gente é antigo né da prefeitura mas é a secretária de gestão de pessoas é muito bom é ter aqui porque a gente sabe também que são duas mulheres que tem bastante acúmulo nessa pauta nessa agenda e que quando a gente vai debater nos enriquece bastante né no debate como a própria jucilaine disse a secretária disse é muito bom estarmos entre nós mulheres negras né porque a gente nós nos reconhecemos e nos acolhemos nesse momento também muito bom eu ter a Paola Miguel que minha companheira de bancada Paola vereadora aqui e a gente já nesses dois anos né Paola a gente já enfrentou Alguns bocadinhos alguns momentos aqui bastante intenso tensos importantes aqui nessa casa e eu não tenho a menor dúvida que não por eu ser uma né Por ser o nosso mandato mas eu tenho bastante convicção que são mandatos aqui que realmente tem trazido esse debate né para essa casa que muitas vezes ficou ausente né mas agora querendo ou não vão ter que enfrentar até porque esse é um espaço que historicamente não foi organizado para ter a presença de duas mulheres no perfil como eu e a Paola né então a todo momento a gente está enfrentando questões por conta da nossa da nossa cor de pele por conta do nosso cabelo por conta das marcas que a gente carrega nos nossos corpos Isso incomoda muito muitos que estão aqui que participam das sessões mas né como a própria secretária que falou a gente é forjado muito Na luta né a nossa ancestralidade as mulheres Principalmente as mulheres negras que vieram Antes de nós é nos deixar esse Legado de muita luta de muita resistência Eu sou filha de uma mulher preta uma mulher negra que sempre que sempre foi militante que sempre lutou e aí às vezes eu sempre brinco sabe Mãe se eu tivesse pelo menos a pontinha do dedo mindinho dela se eu fosse né a pontinha eu acho que as tensões é que seriam muito maiores né então é isso me honra muito tá aqui e honra muito o que a gente a forma como a gente chega a esse momento mas debatendo um pouco sobre essas questões mina que você nos traz né E sobre o que tanto a agir a Gislaine como a secretária é debateu falou é a gente vive né No momento de crise econômica de crise social que crise política muito grande né e como a própria Gi falou e a própria Elaine também Eliane coloca veja Não no momento de crise econômica é as camadas mais vulneráveis são aquelas que mais vão sofrer né todos os efeitos todos os impactos desse momento de desmonte de crise que a gente enfrenta e quando a gente vai olhar quem que tá na base disso são as mulheres e principalmente as mulheres negras até quando a gente vai pegar os dados aí sobre violência são as mulheres negras quando a gente olha no Brasil os números de feminicídio fala que houve uma um aumento do número de feminicídio mas quando você olha nas duas categorias mulheres brancas e mulheres negras mulheres pretas o aumento está E aí tão assim não tem como a gente deixar de apontar porque somos nossas mulheres pretas que estão que estamos principalmente nas tarefas de maior de maior precarização mas não porque a gente quer né É porque a gente enfrenta uma sociedade que nos coloca que tenta nos colocar nesse lugar por isso que muito é isso quando você vai ver o número de desemprego aonde que afeta mais né o número de violência Quem são as mais afetadas enfim somos nós mas muitas de nós estamos nesse papel né de luta de resistência Principalmente nesse movimento de uma apoiar a outra isso e isso é uma coisa né é uma rede tão bem organizada que nesse processo da colonização coloca muitos né nesse nesse contexto mesmo de acabar com a nossa autoestima anos de nos rebaixar cada vez mais e é uma luta muito enorme tanto do ponto de vista econômico social que a gente tem que enfrentar e também do ponto de vista individual né É extremamente violento o que nós mulheres negras enfrentamos numa sociedade que é estruturalmente racista como essa sociedade brasileira Então eu fico muito contente por estarmos aqui né ao lado diz eu estava ao lado de quatro mulheres negras e inclusive né agia a secretária a Paola Mais também a menina que é uma jornalista reconhecida eu fico muito feliz porque nós estamos fazendo esse processo histórico nessa luta Histórica de nos colocarmos como representar outras mulheres não é pouca coisa a história da Gislaine não é pouca coisa a história da Eliane jucelane não é pouca coisa a história da Paola Miguel não é pouca coisa a minha história monitora né nasci Morei muito tempo em favela vim de uma família muito pobre não tinha nem o que comer não por conta de uma questão ah individual não é isso né não é isso é para uma questão mesmo é de como a secretária disse de uma ancestralidade que pauta as mulheres porque até para a gente ser mãe Nina é a gente tem que enfrentar o racismo né porque é o racismo que mata os nossos filhos é o racismo principal fator que gera violência política a violência de estado né E também a violência urbana que muitas vezes tira a vida dos nossos filhos é o racismo que acaba com a autoestima dos nossos filhos então assim até para a gente conseguir querer te usar o papel de uma mãe negra é uma luta nós sim é uma luta imensa Então é isso não é pouca coisa que a gente tem que as lutas que a gente tem que fazer muitos devem estar falando Ah todas as mulheres lutam assim todas as mulheres lutam não tenham a menor dúvida disso mas é o lugar que colocam a mulher negra é muito mais violento é muito mais agressivo mas como todas aqui já falaram nós estamos aí nós fomos forjadas na luta e dela a gente não vai nos afastar até para garantir a nossa vida e a vida dos nossos filhos e de quem a gente ama então é isso obrigada vereadora e agora a gente falar com a vereadora Paola Miguel vou pedir para vereadora falar também sobre as suas reflexões em relação ao seu papel como parlamentar a senhora que inclusive é presidente da Comissão de Direitos Humanos aqui da Câmara Municipal e como se como tem sido esse essa questão de transcender tantas coisas para estar hoje entre uma das vereadoras em especial né A senhora ia ver a doutora Guida as vereadoras negras aqui da nossa cidade depois de tantos anos que a cidade elege duas vereadoras tão importantes para esse trabalho aqui da Câmara Municipal bom primeiro Quero Agradecer aqui o convite por estar aqui hoje acho que é importantíssimo a gente ter esse diálogo né E essa discussão A partir da Nossa Ótica de mulheres negras quero saudar aqui a Gislaine que tá aqui conosco a Jucilene Nossa secretária vereadora Guida que tem me ajudado a enfrentar quem eu acho que a gente se Ajuda a enfrentar Os desafios da câmera Mirna né nossa jornalista hoje aqui e eu acredito né assim como a verdadeira falou que a gente a gente discute esse ano inteiro né Mas no mês de novembro de fato eu acho que a sociedade se abre um pouco mais para nos ouvir né então todos os dias a gente discute como que a gente pode garantir a nossa sobrevivência como que a gente pode garantir que no mercado de trabalho né como foram usados iniciais a gente consiga nos manter lá né as mulheres negras foram as primeiras a serem demitidas quando a pandemia começou e são as últimas a serem recontratadas por isso que os números começaram a melhorar né A partir do momento que a gente tem um período mais longo onde a gente consegue voltar para nossa normalidade mas ainda a gente não conseguiu recuperar a nossa renda então quando a gente pensa por exemplo Nos programas sociais né como era anteriormente com minha casa minha vida e o bolsa família né eles eram direcionado para as mulheres em especial de baixa renda que são na sua grande maioria infelizmente entre as mulheres negras e isso que foi revolucionário transformador Então nesse momento eu acho que a gente precisa discutir como que a a gente ainda tem esses desafios né Para Vencer é mesmo tendo avançado quando a gente fala na política racial quando a gente pensa em políticas públicas é a lei de cotas ela é uma lei transformadora que conseguiu permitir que um número grande de jovens especial negros entrasse na universidade e Isso mudou também a renda das famílias mas quando vem a pandemia de novo né são os primeiros que tiveram que abandonar a escola quando a gente fala das mulheres negras é uma coisa que é crucial para a gente entender nesse momento é como que a gente ainda é sub representado você mesmo trouxe aqui os dados de Campinas né pela primeira vez a gente tem duas mulheres negras vezes não ao mesmo tempo mas quantas mulheres negras a gente tem em Campinas Por que que a gente infelizmente só tem duas mulheres negras eleitas dentro dessa Câmara por que que a gente tem apenas uma secretária né a gente teve a primeira secretária Negra na legislatura passada quando a gente fala de prefeitura e isso é um reflexo direto de como a cidade de Campinas né do fato da cidade de Campinas tem sido a última cidade do mundo a libertar o povo negro escravizado Então essas discussões né a gente quando a gente tem aqui na Câmara a gente ainda é não consegue avançar muito bem a gente teve algumas polêmicas quando a gente foi aprovar por exemplo a lei de a lei de cotas em estágios aqui na câmara de Campinas quando a gente foi falar sobre uma Moção da vereadora Guida de a ele nós né que colocava ali o recurso justamente para fazer reparação histórica a população negra Latina porque entendia né que esses anos que foram de repressão ela foi institucionalizado e no Brasil a gente não consegue avançar com relação a isso e eu acho que a gente tá no momento de no momento de confronto né entre as duas narrativas algumas pessoas que querem negar o racismo porque elas querem elas acham que negando o racismo elas vão conseguir sair dessas dessas opressões institucionais que a gente acaba passando né então para essas pessoas vocês não existe e para outras pessoas que é necessário sim a gente não só fala que o racismo existe mas pontuar onde ele existe como que ele age Então dentro da câmara né somos dos vereadores Como que o racismo age com relação a nós né como que racismo agia quando eu tava trabalhando antes de ser vereadora enquanto o engenheiro de computação como que racismo age né quando a gente fala do nosso Servidores Municipais como que racismo age quando a gente fala por exemplo das jornalistas que a gente tem como que o racismo vai agindo né E como que essas formas sutis do dia a dia vai fazendo muitas vezes nós mesmos negarmos ou até mesmo reproduzir essas opressões eu não tô falando quando quando nós não necessariamente nós estamos aqui na mesa mas a sociedade como um todo então eu acho que essas reflexões são importantíssimas para a gente começar a entender do porquê que muitas vezes a gente tem uma uma solado de uma empresa a gente tem uma única pessoa negra trabalhando nessa empresa e quando essa pessoa vai recrutar outras pessoas ela não recruta as pessoas negras né ou então como que nós é nos cobramos mais sobre aqueles pontos e aqui para concluir minha fala minha mãe sempre ela falava para mim assim ó para você ser igual você tem que dormir não fazer o dobro e como que a gente se cobra o tempo todo de fazer mais esse perfeccionismo muitas vezes isso também acaba nos mobilizando para buscar novos voos porque a gente acha uma carga muito forte né porque a gente não é capaz de estar ocupando aquele espaço Então eu acho que inicialmente algumas das reflexões que eu acho importante a gente fazer aqui hoje dentro dessa reflexão Gislaine vem traga essa cobrança a vereadora colocou Inclusive essa questão daquela pessoa que vai fazer o processo seletivo e não escolhe né o outro candidato negro não é ele que passa mas eu acho que a gente pode voltar um pouquinho e falar também da questão do acesso à educação que eu creio que isso permeia o acesso à educação tanto que como a vereadora falou e eu mesma já ouvi Nossa que bom você conseguiu ser jornalista Olha né então a gente acaba sendo pessoas fora da curva que não era para ser né então eu queria que você falasse um pouquinho sobre essa questão até porque você trabalha com carreiras e deve ter muita coisa para nos apresentar nesse momento e até pego um gancho da fala da secretária da questão da meritocracia né E aí Impossível a gente colocar né se colocar estamos todas aqui né num determinado acesso mas é impossível se colocar numa meritocracia diante de uma base que ela não não é igualitária né então a questão Educacional ela é fundamental mas a gente tem muitas lacunas muitas lacunas E aí como trouxe a vereadora Paola a questão das cotas né das políticas afirmativas e a importância de entendermos isso né enquanto reparação e não assistencialismo estamos falando de reparação porque é sobre isso então quando a gente parte a gente entende a qual é o princípio o princípio é a educação e que ela não é igualitária né E aí a gente sabe que ponto chega por exemplo quem está numa escola particular no colégio no ensino né aonde ele é particular e quem hoje tá com ensino público que é e os esforços como a Paola trouxe que a mãe dela dizia Olha você tem que fazer mais e é isso para a gente que é nós que somos pessoas pretas é sempre isso né Nós temos que fazer 10 vezes mais então quando eu vi a reportagem de um rapaz que passou ele demorou 12 anos para passar em medicina todo mundo oh não é gente não tem nada de ó sabe porque 12 anos e quanto aquele aluno que ele teve a oportunidade né a oportunidade de estar em um colégio particular e ele conseguiu porque ele teve uma base né estruturada E aí ele consegue ingressar a uma universidade federal é em dois anos um ano e o outro vem com 12 15 anos Aonde está o ônus E aí a gente percebe o quanto as pessoas elas valorizam melhor elas naturalizam a dor assim como naturalizo o racismo né Assim como naturaliza opressão então é tudo isso somatiza uma pessoa preta por exemplo que ela está ali traçando a carreira profissional dela primeiro que a gente não tem muito tempo a gente trabalha estuda é E aí a gente não tem muito tempo de pensar no depois porque eu tô aqui ó somando porque eu tenho que trabalhar para pagar os meus boletos porque geralmente a gente é rimo de família é então eu tenho que pagar os meus boletos E aí eu tenho que ter um diploma eu não vou ter um inglês porque eu não vou ter tempo sem sabe então são essas coisas que eu falo que dentro da nossa educação ela as nossas educação ela acaba sendo precária e não traz uma base igualitária para a gente falar da meritocracia é E aí eu não posso de forma alguma colocar cota sociais por exemplo que é muito falado né as pessoas nós somos de falar não mas educação é para todos então eu sou a favor de cotas sociais a questão é que a gente preta tem uma história de desumanização essa é a questão e para aí não precisa muito ou se alguém precisa de mais vai ler sobre a escravização das pessoas pretas vai ver que pessoas pretas foram arrancadas da sua do seu estado raiz das suas origens tirando tudo cultura idioma tirando tudo fazendo um apartamento e que isso é trazido até os dias de hoje então quando a pessoa ela vai fazer uma entrevista o entrevistador o recrutador ele já está fazendo um processo de exclusão já está em muitas vezes é condicionado para ele fazer o processo de exclusão Olha o seu currículo é muito bom mas o perfil não é perfil é tom de pele não é perfil é tom de pele e a gente sabe disso a gente entende isso uma criança de dois três anos ela entende a professora que está sendo racista que tá cantando a musiquinha do macaco Ah mas o macaco é só um animal ele é tão bonitinho mas existe um histórico profundo de desumanização e principalmente trazendo a questão estética da pessoa preta né para o feio para o ruim para o negativo né tudo que é negro é ruim é negativo Então existe todo esse histórico por de trás e aí quando eu trago isso para uma questão de empregabilidade a pessoa quando ela vai fazer uma entrevista a pessoa preta ela já recebeu 50 não ela já e ela chega um ponto a autoestima dela já tá lá embaixo né não já não tem mais não existe porque chega um ponto que você fala chega eu tô entregue Não dá mais é porque isso é a nossa saúde mental né Isso é simplesmente anulador né E aí é só a gente que sabe né a gente sabe por exemplo quando a pessoa chega e fala nossa mas você é jornalista sabe a gente é a questão do velado do racismo velada e isso só te olha diferente tá no olhar ela te mede né ela coloca não aceitação no olhar e a gente entende e a gente entende então a questão é de mercado de trabalho né E aí do racismo institucionalizado ela vem igual eu com a secretária a gente estava conversando antes ela vem de uma tradicionalidade né da cultura organizacional ali inserida que ela leva na questão do padrão e a gente sabe o padrão estética é que inclusive por muito tempo né mulheres até hoje muitas mulheres até mulheres não negras elas fazem de tudo estarem né enquadradas ali naquela naquele formato padrão e isso é causa assim a pessoa ela sai literalmente da Essência dela sim agora a secretária do ponto de vista já que a gente vai aproveitar da sua expertise no serviço público do ponto de vista de políticas públicas afirmativas O que que a gente pode falar que é de responsabilidade governamental para minimizar ou então para avançar No que diz respeito a diminuir toda essa diferença que ainda existe em todos os setores bom menina é primeiro agradecer a oportunidade de fazer esse diálogo né sobre as políticas públicas acho que isso é extremamente fundamental mas eu quero pegar os Ganchos do que as meninas já disseram eu uso meninas de forma carinhosa né a gente aqui entre amigas e colegas né pegando gancho que as meninas Já trouxeram aqui né a vereadora Paula ela falou de Como o racismo ele é insidioso né Ele é insidioso por no mínimo três pontos né o primeiro ponto que eu tenho refletido muito sobre isso tô até escrevendo sobre isso que eu acho que o Brasil precisa fazer uma terapia social né a gente precisa entrar em terapia enquanto nação porque é como um indivíduo né quando a gente tem muitos traumas muitas violências muitas feridas que a gente carrega e se a gente não se entende com esse traumas com essas feridas a gente não consegue ir para frente a gente não consegue se reconhecer a gente não consegue dar nome para aquilo que a gente está sentindo é a mesma coisa do nosso país né nosso país tem uma origem em trauma em violência e expropriação e atividades propriatórias dos nossos povos originários a gente não lidou com isso a gente não fez terapia social a gente não faz essa negação né que a que a vereadora traz né e a vereadora Guida também falou disso é de colocar debaixo do tapete é a nossa dificuldade de lidar com aquilo que dói porque dói né Essas feridas esses traumas todos que a gente atravessa enquanto nação dói é difícil tratar disso enquanto o indivíduo e enquanto sociedade então a gente joga para debaixo de tapete a gente cava um buraco bem fundo e tudo aquilo que incomoda a gente vai jogando nesse buraco através do séculos é isso que a gente tem feito então a gente precisa em primeiro momento entrar numa terapia social porque quando a gente vem com um discurso de que somos todos humanos é mais uma forma da gente negar esse traumas e mais uma forma da gente negar a necessidade da gente racializar os grupos e reconhecer que nós não podemos entrar num normativo Branco eurocêntrico hétero né a gente precisa é fazer essa terapia e é incidioso porque esse traumas né faz com que a gente cria a gente criou um complexo de inferioridade enquanto nação né o famoso complexo de vira-latas que a gente tem enquanto país advém disso porque porque aquele processo Colonial que despersonifica a pessoa né ele tira toda a nossa história faz com que a gente Assuma a história de um outro país de uma outra cultura e a gente não se reconhece a gente perdeu a nossa identidade a gente não sabe quem a gente é né E aí o que que é bom é bom a cultura do colonizador então a gente adota Cultura colonizadora a gente adota cultura europeia eurocêntrica e a gente projeta o que a gente é a partir disso então tem que construir a minha economia Eu Tenho que construir a minha vida social Eu Tenho que construir a minha religiosidade Eu Tenho que construir Na aparência neste padrão porque este padrão que é bom né então assim esse complexo faz com que a gente renegue a nossa identidade enquanto país e se a gente renega essa identidade enquanto o país baseado em que a nossa origem se dá com a escravização e com os povos originários Onde está nossa identidade onde está a nossa verdadeira identidade quem que constrói né a solidez do trabalho a solidez do desenvolvimento nesse país quem que traz né com a produção cafeeira com a produção de açúcar quem faz com que o nosso país cresça Quais são as mãos que trabalharam Quais foram os sangues o sangue que foram derramados para que a gente prosperasse enquanto o país a gente renega isso porque a gente não reconhece essa identidade então em primeiro lugar a gente precisa fazer uma terapia social a gente precisa provocar uma terapia social em segundo lugar a partir disso a gente precisa contar nossa história né sobre o outro aspecto sobre outra narrativa tem uma escritora que eu acho que eu não sei a pronúncia correta mas eu acho que essa dia rátima que é uma escritora americana que fala sobre os povos americanos Ela usa uma frase que é assim ó na rara é reviver os mortos a gente precisa reviver os nossos a gente precisa relembrar nosso identidade enquanto país afro brasileiro para a gente se compreender e a partir daí a gente cunhar nossa identidade porque quando você conhece identidade você se dá bem com ela você se reaver com ela e aí você começa a racializar digamos as fases E aí você começa a racializar os grupos você entender tem o brancos tem os negros Tem o amarelo tem o indígenas e isso tudo faz parte da minha identidade isso tudo faz parte da minha história né e eu me vejo como sujeito político ativo no combate ao racismo no combate a desigualdade no combate ao padrão normativo de gênero normativo de gênero né eu faço parte disso Além disso é insidioso também o racismo porque porque na medida em que as pessoas não se veem participante e não se vê ativamente responsáveis por esse processo elas não ajudam a fortalecer as políticas pública porque elas não participam dos processos políticos ou quando participam participam de forma a simplesmente ser levado pela condução desses processos políticos e não estarem dentro desses pontos desse processo e também não participam dos movimentos que construam as políticas públicas por isso que também nesse ponto as políticas públicas elas são essenciais Mas elas são construídas pela administração nos seus universos níveis Mas pela população que precisa ativamente está envolvida nisso mas compreender o que esse processo significa E aí nesse ponto de vista desenvolver políticas públicas não é só é uma carta de princípios né precisa ser de fato o desenvolver de ações de um conjunto de ações que gradualmente porque é um processo gradual a gente entrou nesse processo de estruturante estrutural das nossas Relações raciais por séculos a gente vai levar um pouco um tempo ainda a gente conseguir de fato estabelecer um parâmetro de igualdade mas esse processo ele precisa existir e precisa ter um parâmetro de concretude de realização dessas políticas públicas Por isso as cotas instituídas na gestão passada e aplicadas agora nos concursos públicos são fundamentais mas não basta a aplicação por isso eu tenho falado muito com a nossa equipe a gente precisa criar um programa de aferição sobre a efetividade das cotas tanto para reafirmar sua necessidade quanto também para que a gente tenha um acolhimento para esses primeiros servidores que vão entrar a partir das cotas porque a gente sabe que também isso pode ter um reverso negativo se a gente não cuida disso se a gente não fala disso internamente se a gente não estabelece possibilidade de que essas lideranças se desenvolvam para que daqui uns anos estejamos aqui na Câmara com corum muito maior de secretários negros de mulheres negras encargos de diretoria falando sobre orçamento falando sobre tantas outras questões a gente precisa avançar um pouco mais nisso e ter outras políticas setorizadas comprometidas com isso na educação na saúde porque impacta o emprego porque impacta nossa realidade impacta também nas nossas relações afetivas tudo isso traz Impacto ao nosso desenvolvimento enquanto pessoa né Então essa é a sensualidade das políticas públicas do nosso município Tá certo então a gente vai para um breve intervalo e já já está de volta com questão de ordem não saia daí [Música] segundo bloco do questão de ordem que hoje discute a mulher negra na atualidade as nossas convidadas as vereadoras Guida Calixto e Paola Miguel e também Eliane joselene Pereira secretária de gestão e desenvolvimento de pessoas da Prefeitura Municipal de Campinas e Gislaine Antônio que é consultora de diversidade inclusão étnico racial e também coach de carreiras a secretária falou no bloco anterior a respeito da de toda essa terapia social e na culminância em políticas públicas vereadoras nesse ponto a gente fala do papel da mulher na participação mas eu acho que inclusive outro de ouvir as pessoas como que as mulheres vão participar da política vão cumprir as cotas se elas têm que cuidar dos seus filhos elas não consegue por exemplo nas reuniões de muitos dos partidos Elas têm as outras atividades a fazer como que a gente vai conseguir avançar principalmente no sentido da mulher é participar muito mais dessas decisões até porque hoje a política pública muitas vezes é feito de cima para baixo mas a gente também quer que seja feito de um movimento que também olha eu tenho que ouvir a voz dessa mulher mas muitas vezes ela não consegue colocar a sua voz a ser ouvida por questões eles de trabalho de que ela não teve essa oportunidade de participação por conta da sua rotina e das oportunidades que ela não teve no decorrer da vida bom eu me na ótima questão que você coloca porque dá um gancho bastante importante com a fala da secretária aqui de gestão de pessoas do município porque acho que no final ela fala né se você não adianta você apresentar uma política pública se ela não for parte de um contexto de luta social de um contexto né de muita interação e de um debate público muito bem apropriado principalmente por aqueles que vão inclusive utilizar e que são aqueles que mais precisam dessa política pública então por exemplo a gente vai dar a gente até falou um pouco nas falas tanto da Gislaine falou sobre essa questão também da educação uma das grandes lutas Nossa por exemplo é a pauta da educação anti-racista né então e por que isso eu venho da educação infantil seu da educação infantil Eu lembro que acho que uns dois anos no período da pandemia mesmo eu lembro dá um dá um exemplo bem concreto assim né Bem bem fácil da gente da gente entender por exemplo teve uma compra né de literaturas né Vamos fazer a compra de literaturas que contemplam a pauta da educação anti racista aí aparece né a literatura os livros lá a coleção tal e aí quando a gente se depara com os livros tá lá o livro assim Olha numa sociedade nós somos todos temos tem pessoas que são diferentes aí eu falei bom se tem diferentes É porque tem o padrão né Já começamos a ficar com medo não porque Fulano é negro Fulano é gordinho então quer dizer e já tava ali caminhando né para uma figura para um perfil que é padrão é isso é um exemplo assim né dos mais mínimos que a gente pode pode falar de uma educação mas dentro de uma sala de aula mas o cotidiano das salas de aula o cotidiano dos espaços que a gente tem públicos enfim é um cotidiano que reflete uma sociedade que essa sociedade racista que a gente vive quando a gente vai falar da pauta dos negros na educação quando a gente começa a falar né só na educação formal da pauta dos negros entra no processo de que caracterização que a gente passou no país como se nós negros né como a Gi falou é naturaliza que nós somos escravos já nascemos escravos né Nós não nós somos escravizados num processo de colonização de dominação não isso tudo é apagado E aí quando vai se discutir a história o que que se coloca Ah vamos discutir a história a história geral a história europeia a história né de territórios e se faz um completamente apagamento né do que foi a contribuição da população negra da população africana para o mundo quem não sabe né o território do Egito é um território negro né então assim isso tudo é apagado a gente vive nesse processo de apagamento e que dá e que gera é que chega na consequência né de uma desumanização então é esse é isso tudo que a gente tem tem que enfrentar Então até hoje mulheres que possam também estar Veja uma mulher negra que passou por todo esse processo desde a educação infantil onde ela nunca se viu representada onde ela nunca foi valorizado uma criança vou dar o outro exemplo eu sou da Educação Infantil gente eu sou cheia de creche né as tias de creche Geralmente penteiam as crianças de cabelo liso né As crianças de cabelo crespo não recebo o mesmo tratamento de carinha afeto a gente sabe disso né a gente sabe eu tô há 25 anos lá dentro eu também fui criança de creche isso então como é que você vai tratar como é que você vai garantir que essa mulher negra quando chegue na fase dela adulta ela vai conseguir chegar em condição de autoestima dela servida dela né dela isso tudo ela passa por um processo tremendo violento agressivo né de desumanização né de ataque a nossa a nossa autoestima então isso tudo já é a gente já tem que enfrentar no cotidiano da vida as mulheres negras elas são afetadas na linguagem porque elas são a todo momento reprimidas enfim a gente passa por esse processo né de pagamento de silenciamento de desumanização quando a gente vê nos partidos a luta das mulheres hoje a gente ainda enfrenta muitos homens e muitos partidos que são totalmente a ver sua nossa pauta contra a nossa pauta vem isso que a Gislene falou no começo da fala dela vamos falar disso de novo vamos falar disso de novo a gente não superou quando a gente superar a gente para de falar a gente não superou Então a gente vai falar Então como que uma mulher negra que que enfrenta um cotidiano violento Né desde a sua infância de ataque a sua autoestima depois quando ficar adulta ela é responsável inclusive por te sustentar a sua casa porque a maioria das Mães solos são as mulheres negras a maioria das mães que tem que enfrentar todo a dificuldade de garantir a sobrevivência da sua família são as mulheres negras né então assim como que uma mulher dessa vai ter ainda condição vai ter condição de pensar que ela tem que pode estar no espaço de um partido político de lutar naquele espaço de valer ali o seu posicionamento a sua representação Então não é algo muito fácil por isso que a gente tem que contar assim com medidas de punição a esses partidos tem que ter sim cotas de negros tem que ter valorização principalmente nas representações pena que tem muita gente que utiliza essa luta histórica nossa né sendo Branco aqueles que sempre estiveram no lugar de Privilégio se utiliza muitas vezes de políticas que nós lutamos né Toda hora por exemplo do partido falar assim tá bom Mulher Vem traz seu filho a gente arruma aqui um jeito de cuidando dele enquanto você vai ter que fazer uma luta intensa sobre isso para garantir esse espaço no movimento sindical a gente sempre fez essa discussão para uma mulher poder fazer uma greve por exemplo ela precisa ter aqui um espaço para poder acolher os filhos dela porque é isso porque ainda nós que estamos nas esferas dos cuidados ainda somos nós que somos responsáveis pelos filhos pelo pelos doentes e isso impacta muito mais a vida das mulheres Então veja eu sou totalmente favorável aí a isso né e a gente luta internamente quando começa as discussões da ocupação dos cargos de direção pelo menos dentro do PT a nossa a nossa resolução É 50%. tem que cumprir a legislação eleitoral fala entre 30%. a nossa é 50%. e também tem que garantir a cota de negros de indígenas enfim se a gente não fazer valer Isso é uma forma que a gente tem de pressionar a investir principalmente nesses quadros a gente não vai mudar o que tá aí com a gente continua tendo parlamentos brancos continua tendo parlamentos que representam uma elite continua tendo espaços né pouquíssimos espaços de direção ocupada por mulheres negras por negros enfim mas a gente vai continuar lutando aí para garantir a nossa luta principalmente na representatividade Paola Bom eu acho que [Música] tudo que foi foi trazido aqui me fez refletir né em outros aspectos acho que essa questão da gente acabou de sair do período eleitoral né acho que todo mundo acabou se envolvendo de uma forma ou de outra mas eu acho uma coisa que é importante a gente refletir sobre isso é quando a gente tem né O que vai durar aqui atrás justamente isso para gente ter né a garantia de que a gente vai conseguir ocupar aqueles passam muitas vezes a gente precisa melhorar outra mulher né então não é simplesmente os partidos precisam organizar precisam mas a gente precisa discutir enquanto sociedade eu acordo muito com a nossa secretária é de como que a gente pode compartilhar isso como os nossos companheiros também né Não somente com as mulheres porque a gente coloca mais mulheres para estarem lá dando essa responsabilidade para que a gente tenha na discussão na greve né geralmente a gente faz o que a gente quando se tem filho geralmente você acabaneirando uma irmã uma mãe uma tia uma avó né a filha mais velha e a pandemia trouxe muito isso né quando as crianças abandonaram a escola né as meninas abandonaram porque ela sabe ficar em casa cuidando dos irmãos mais novos no trabalho de casa limpeza da casa no modo geral comida e também permitindo que os pais pudesse trabalhar e os meninos porque eles foram incidos no mercado de trabalho de serviços né Então essa divisão de tarefas né enquanto sociedade isso que é isso que dificulta e quando a gente faz uma mulher negra a gente tá falando de não ter essa rede de não ter esse apoio né de você não ter essa estrutura de quem você vai recorrer né eu venho de uma família pequena né sua filha única então além da minha mãe quem que eu posso recorrer quem que eu vou recorrer para que me ajude administrar as tarefas né quem quer quando ela precisa administrar a tarefa ir no médico fazer essas coisas e eu acho que a gente quando a gente fala desses aspecto da mulher eu acho que tem algumas coisas tão sutis que a gente acaba é simplesmente ignorando no dia a dia por exemplo a gente lá para essa mesa é todo mundo tá utilizando algum tipo de maquiagem mas você vai comprar maquiagem na pele negra você não consegue encontrar o BB Cream de r$ 15 por exemplo você precisa de uma marca específica e se você for uma mulher retinta isso ainda é mais difícil acaba ficando mais caro Então como que você como a gente aqui né consegue reconhecer que as mulheres negras vindo da Periferia consegue ter acesso a uma maquiagem que você já pensou tão de pele bons produtos para o cabelo bons produtos para o cabelo porque isso inclusive é uma questão recente Antigamente você não tinha isso né o próprio cabelo né como a vereadora Guida atrás ele acaba virando um trauma ao longo da vida na infância ninguém Coloca a mão né na escolinha ninguém vai ali PE seu cabelo e tudo mais na hora que chegar na adolescência o que você ouve são as piadinhas né que muitas de nós provavelmente passaram aí você entra no processo de querer buscar aceitação E aí você vai para química que muitas vezes acaba a longo prazo fazendo o que que as mulheres inclusive percam o cabelo né E aí você chega no momento determinado momento da vida que você tem que escolher ou você vai continuar naquela química que quando eu fazia me causava muita dor física inclusive ou você vai aceitar aquela dor que é uma dor que as outras pessoas causam a você por conta disso né E isso acaba virando um trauma ao longo da vida eu sempre falo isso porque eu acho que é uma das coisas mais mais interessantes que quando a gente tem essa referência em África é uma outra questão você tem outras formas de lidar com o cabelo né a própria questão do turbante né as tranças isso também não passa por uma questão de que quando a gente inclusive vai pesquisar a gente vê poucas referências femininas médico as heroínas femininas então a gente pesquisa geralmente Olha a gente tem muitos homens até negros mas quando a gente vai procurar uma mulher preta Olha eu acho poucas eu tenho poucos nomes de referência para ser minha minha ídala digamos assim não passa por isso também nesse processo de colonização sim com certeza com certeza passa mas isso é Reflexo direto do racismo sim né isso reflexo direto assim concreto disso e sempre que eu pergunto para as pessoas a pergunta assim você acha que racismo acontece só só comigo eu falei assim olha para o cinema quantos heróis negros a gente tem a pensar no cinema quantas heroínas negras a gente tem apresentado no cinema quantas quantas atrizes negras receberam Oscar Ou foram indicadas ao Oscar por exemplo o absurdo que a gente teve recentemente daquela discussão da sereia por que que a sereia negra né Então até no entretenimento a gente tem todas as vezes alguém querendo cutucar E aí uma coisa que foi dito aqui né o contrário não é questionado quando a gente tem um herói que historicamente negro né e ele é reconhecido como negro mas ele é embranquecido no entretenimentos não é um problema o problema é justamente quando a gente vai abrir aspas na contramão de uma fantasia né de que não existia de fato isso né ele não foi uma pessoa real Então esse apagamento né E essa resistência da gente conseguir se ver plenamente nas telas isso é um movimento não só do Brasil não só de Campinas mas o movimento Infelizmente o racismo ele é uma doença Mundial eu acho que em Campinas a gente consegue ter a percepção do que é o fato de ter sido a última cidade e como que essas marcas se dão diariamente é uma pessoa atravessa na rua não dirigindo a palavra quando você quando nós aqui né pelo menos eu já passei por isso de chegar no gabinete perguntar onde está a vereadora né conversar com alguém que não negro que tá lá presente eu acho que essas questões a gente a gente consegue perceber muito mais nitidamente do que em outras regiões onde isso é naturalizado que a naturalidade de poder por exemplo mas não dá para a gente falar que não existe racismo em algum lugar gostaria de poder falar isso olha então o lugar não existe lá a gente tem o mundo ideal Mas infelizmente não é isso que a gente tá vendo Principalmente nesse momento de conjuntura nacional e internacional também será que a gente consegue pensar hoje em todas em todos esses desafios de que forma a gente agindo cada uma no seu trabalho cada uma no seu setor para entrelaçando isso para que a gente possa fluir um pouco melhor e avançar a gente sabe que não ainda não vai resolver vai precisar conversar ainda muito sobre isso não só em novembro mas durante todo o período mas como a gente consegue avançar em algumas coisas Gislaine então eu quando eu idealizei o projeto né de inserir pessoas pretas no mercado de trabalho para as multinacionais foi entendendo Exatamente isso o que eu enquanto mulher negra que passei por tudo que já tinha passado o que eu poderia contribuir mais para a minha população para que de fato eu pudesse fortalecer nossa população diante desse cenário né então foi eu acredito que cada um cada uma de nós mata gestoras inclusive né que vem vamos matriarcado na nossa centralidade cada uma de nós temos a nossa potencialidade e a gente multiplica né É o que eu sempre falo o quanto é importante a gente multiplicar saberes Então sempre que eu posso tá impulsionando sempre que eu posso tá encorajando sempre que eu posso tá falando com uma pessoa preta para falar olha vai que você consegue vai que é assim mesmo é assim como minha professora de história quando eu tava na segunda série ela me deu uma nota 10 no trabalho que eu fiz sobre escravidão eu tento reproduzir essa ação que ela fez para mim é que embora fosse uma professora Rude né mulher preta Rude mas eu entendi como uma forma de afeto dela e colocando ali para mim enquanto criança olha vai que você tem um caminho lindo pela frente então eu tento colocar isso para todas as pessoas pretas que passam pelo meu caminho né pela minha vida para que de fato a gente Pelo menos é Se fortaleça para que isso não não não cause mais dano ainda para gente então acho que as ações elas acabam sendo de cada um cada um de nós de fortalecimento de empoderamento eu não gosto muito da palavra empoderar mas é do acesso ao poder que a gente tem ancestral sabe eu sempre falo isso não perca a sua essência Não deixe de ser quem você é a sua essência é o seu farol para iluminar e dizer qual é o caminho que você deve seguir Tá certo vereadora olha veja a Paola tava falando sobre a cidade né de Campinas que a gente sabe muito bem desse histórico né um histórico difícil né o histórico é uma cidade extremamente importante para o cenário econômico Nacional tá à frente de muitas capitais Inclusive a do ponto de vista econômico da arrecadação né da do desenvolvimento tecnológico enfim da produção de conhecimento e ela ela vem nesse histórico né aqui Campinas no período que o povo negro foi escravizado era uma cidade muito violenta o nosso histórico nos conta né que inclusive eu fazendo algumas reportagens é um Historiador disse que ah conta-se que na época dizia assim para algum escravo de outro lugar se você continuar assim eu vou te mandar para Campinas eram duas né que eram bem violentas conhecidas nacionalmente uma delas era Campinas então por isso que a gente sabe que a gente carrega até hoje então quando a gente vai fazer o nosso inventário a gente vai ver tá lá no nosso inventário né quem o que é Campinas mas ao mesmo tempo Campinas é uma cidade que forjou muitos negros e negras lutadores e lutadoras tem esse lado tem esse lado e a gente continua guerreando né como a própria Joselaine disse esse processo de colonização ainda continua então a gente continua guerreando mas a gente nós temos vários lutadores aqui é da cidade de Campinas por exemplo que sai Armando Gomes que nem nos livros meus de referência que fazem a discussão da Luta dos trabalhadores brasileiros a irmã do Gomes foi um Sindicalista né do movimento anarco Sindicalista que comandou um processo de resistência na greve de 17 né que culminou aí no evento que foi muito importante que teve o massacre o massacre conhecido como massacre da porteiro do Capivara e esse movimento de greve Foi comandado por um homem negro e nem nas nossas literaturas fazem essa referência né É daqui que sai João Barbeiro é daqui que foi o lutador pela Abolição pela Liberdade né do povo negro é daqui que sai laudelina de Campos Melo laudelina de Campos Melo foi uma trabalhadora doméstica internacionalmente hoje conhecida uma mulher que organizou o primeiro sindicato a primeira Federação de trabalhadoras domésticas né que é um segmento profissional majoritariamente composto por mulheres negras as trabalhadoras domésticas nem na Constituição de 88 elas foram reconhecida como trabalhadoras mas foi lá do Olinda de Campos Melo que em anos que ela era dirigente ela conseguiu fazer uma greve numa categoria que veja empregadas doméstica Imagina a gente não consegue fazer uma greve numa empresa que tá todo mundo junto convencer todos os trabalhadores a fazer uma greve logo ele ainda conseguiu fazer isso né greves e a Laudelino era muita questão da educação principalmente a questão da educação e a questão da autoestima das mulheres negras principalmente ela valorizava muito isso ela que fez o concurso Pérola Negra aqui na cidade então assim tem esse histórico e hoje né a gente pode falar que Campinas tem Gislaine tem a Elaine Joselaine tem a Guida tem A Paola tem a Mirna então aqui apesar da gente ser uma cidade que traz esse histórico né Nós temos aqui muitos lutadores a gente tem um movimento negro muito muito importante Campinas tem uma referência muito grande né do ponto de vista da luta do povo negro tanto para educação saúde né debates mais Gerais internacionais de extrema importância é daqui da nossa cidade somos nós né protagonistas também desse desse território né e é na cidade de Campinas que tentaram caçar uma vereadora né Negra tentar uma uma HQ que debate que valoriza que homenageia os nossos territórios negros Então é isso né a nossa a nossa vida é essa esse campo né de luta de resistência mas nós estamos aqui não sei se era bem essa questão mina que você estava trazendo mas eu que fiz questão de de tocar nesse ponto esse mês a gente vai fazer um debate também é sobre essa explosão que tá acontecendo com a nossa juventude assim prozão não a gente já sabe que isso tem muito tempo mas que tá dando publicidade né que a questão do racismo contra as nossas crianças principalmente nas escolas né e espaços públicos o que foi que aconteceu com o filho da advogada taísca querer Masco que foi matéria né na mídia Nacional O que aconteceu com aquela criança que estava com avó no shopping que foi negado um sorvete é o que tá acontecendo com jovens a gente tem acompanhado também outros jovens que tem sofrido racismo nas escolas então a gente quer entrar nessa discussão a gente quer de fato dar porque só quando a gente deve visibilidade para isso para a gente constranger essa essa questão né que constranger os racistas né E também tentar avançar aí rumo a gente eliminar de vez o racismo tinha uma pauta que passa pela educação novamente até porque a gente tem mesmo essa questão de claro que veio a público o caso recente aqui de uma escola particular mas isso é muito comum nas escolas públicas inclusive de crianças brancas em relação a crianças negras que as crianças chegam em casa e falar ai falando me chamou de tal coisa o que eu faço né e super meia com certeza discussão uma outra discussão vereadora Paula Bom eu acho que uma das coisas fundamentais que a gente tem que fazer principalmente na cidade de Campinas é entender que o racismo existe né porque a partir disso a partir desse reconhecimento a gente consegue pensar em formas de combate ao racismo de pensar uma cidade anti-racista Campinas como a verdadeira trouxe é uma das cidades importantíssimo que a gente tem no país é a cidade né região metropolitana fora de uma capital né é uma das cinco maiores cidades que a gente tem é no Brasil a maior cidade do interior e aqui a gente considerar da cidade de inteligente a cidade inteligente e a gente aqui tem uma divisão que é feita por rodovias então cada uma das rodovias que a gente tem em Campinas cria um abismos e opressões e uma das formas né que a gente teria de diminuir essa desigualdade por exemplo é um transporte público que parece que uma coisa simples que atinge todo mundo mas ajuda fundamentalmente as pessoas da Periferia que são sua grande maioria Negra então limita Por exemplo quando vai ter acesso à saúde Quando vai ser ter acesso ao trabalho quando chega na entrevista Ah mas você mora muito longe né vai demorar para chegar aqui vai se atrasar se você não consegue ter dinheiro para ter carro nessas regiões você tem essa dificuldades em Dobro em triplo né aqui na cidade acesso ao lazer a cultura e a gente sabe que isso faz com que a gente mude também nosso pensamento porque a cultura ela consegue muitas vezes trazer algumas questões que a gente tem dificuldade de falar E mesmo quando a gente fala a gente não é ouvido então tem músicas importantíssimas né como da Bia Ferreira cota não é esmola que eu acho que ela traz uma historinha que sempre fica muito bem né do porque que não é porque que é uma reparação histórica das que a gente tem ao longo de toda uma vida como a gente trouxe aqui uma música que tem cinco minutos né então esse debate que a gente fez que muitas vezes a gente faz né sobre cotas E como que isso acontece que a gente demora horas para fazer ou uma música de cinco minutos consegue trazer muito bem exemplificar muito bem então a gente precisa entender que muitas vezes a gente precisa olhar para o todo para a gente conseguir diminuir essas dificuldades e essas desigualdades o que a gente busca né é Equidade salarial e cuidar de racial a gente quer as mesmas oportunidades apenas isso nada além disso a gente não quer ser mais do que ninguém mas a gente sabe que a gente não é menos do que ninguém então discutir a partir disso né e reconhecer que o racismo infelizmente ele existe que ele precisa ser combatido esse é o ponto fundamental para a gente garantir Inclusive a nossa sobrevivência eu não tenho dúvidas que nenhuma de nós aqui né mesmo acendendo socialmente a gente ainda passa por questões diárias do racismo ou algumas mais dolorosas outras mais naturalizadas porque a gente também vai criando mecanismos ali ao longo da vida para que a gente não sofra todos os dias e isso que é um outro ponto que eu acho que é fundamental a gente entender que não é o fato da gente acender socialmente que tira a gente das opressões e das questões sociais como a gente trouxe muito bem quando a gente fala das cotas por exemplo não são apenas quatros sociais porque uma pessoa negra uma pessoa negra na mesma origem né a pessoa não Negra tem 17 vezes mais chances de conseguir sair daquela situação Então não é simplesmente uma questão financeira É sim uma questão racial mas essas coisas não são desassociadas então quando a gente tem por exemplo porque por exemplo jogadores de futebol muito famosos não sentem essa essa opressão é porque ele não sofre com racismo Não não é por isso são por outras questões ele sofre com outras questões a partir da Ótica de ser um homem negro e com uma mulher negra numa classe social mais alta você passa por outras opções então a gente precisa entender que as opressões é que a gente tem hoje elas são raciais elas são de classe e elas são por essa estrutura né do patriarcado que a gente está inserido e essas coisas não são desassociadas porque eu nunca fui apenas uma pessoa negra Eu nunca fui apenas uma mulher eu sempre fui uma mulher negra né LGBT no caso e isso me faz passar por outras opressões que muitas vezes a gente também precisa dar conta então eu acho que reconhecer é o primeiro passo para a gente conseguir bom acho que assim eu acho que penso a minha a minha contribuição em algumas aspectos da minha multidimensionalidade enquanto o ser humano né porque Paola acabou de falar nós não somos um recorte só racial a gente é mais do que isso né princípio a gente é ser humano mas a gente tem muitas dimensionalidades que precisam ser levadas em conta no gozo do nosso exercício do direito de existir né então assim eu acho que na primeira que eu destacaria é a minha relação enquanto pessoa mesmo né Eu acho que a gente precisa também enquanto pessoas negras que tem uma trajetória de muitas dificuldades e de muitos impactos pelo racismo no nosso cotidiano a gente também tem que cuidar muito da gente mesmo então eu tenho que eu tenho exercido muito isso esse cuidado né esse alto amor esse auto cuidado que ele é muito fundamental no momento que a gente vive no momento social que a gente vive político que a gente vive a gente precisa muito cuidado nossa saúde mental e cuidar muito desse bem-estar né então e você vai colocando limites né nas coisas naquilo que te sobrepuja naquilo que te sobrecarrega Porque é importante também quando a gente está falando também das questões raciais né então acho que a minha contribuição primeiro lugar é comigo mesmo né de me autocuidar e de também estabelecer esses limites nas relações afetivas nas relações amorosas nas relações sociais isso é muito importante porque a gente precisa rever né O que a gente muitas vezes aceitou E hoje a gente não pode aceitar mais né como onde a gente se colocava e agora a gente não pode mais se colocar não deve mais colocar eu acho que essa é a primeira contribuição como mãe eu também tenho uma contribuição né essencial especial que eu tenho que dar nesse momento onde a gente também vive uma maior liberdade de nos expressar enquanto pessoas em uma maior liberdade de pensar formas né coibiu o racismo como mãe com três filhos Eu tenho essa atribuição não só da maternagem mas de conseguir auxiliar os meus filhos nesse processo de compreensão da realidade auxiliar os meus filhos com ferramentas que permita eles vivenciarem com mais autonomia mas também com mais senso de potencialidade para lidar com essa realidade muito difícil que eles encontram né então acho que essa contribuição quando a gente fala de mãe negra de mãe preta para filho preto é muito importante ela é muito essencial não que a gente Deva fazer isso sozinho né quem tem parceiro como foi dito aqui pela Paola a gente precisa fazer uma repartição de igualdade nesse sentido também mas essencialmente a gente trabalhando a questão do afeto né eu me lembro muito de um livro que eu li que é chama-se espírito da intimidade da sombra e ela traz muito essa questão da comunidade da afetividade ancestral e a gente precisa resgatar isso né de como o amor de como afeto ele é fundamental para nos dar essa potência de sobrevivência de né de comunidade de solidariedade eu acho que por fim dentro dessa dinâmica profissional né é saber o lugar que hoje eu culpo né da responsabilidade do lugar que esse ocupa mas dá oportunidade do lugar que eu ocupo né e que não tem tempo para perder né que a gente precisa aproveitar o máximo possível dentro das nossas atribuições e eu tenho essa clareza para a gente produzir esse diálogo social né quebrando essa sócio dinâmica da estigmatização né cotidiana Norbert Elias fala muito disso né de que as relações hierarquias de poder que faz com que a branquitude né se beneficia dos privilégios do racismo estrutural precisa ser debatido e a gente precisa construir isso então acho que as políticas públicas e por isso eu tenho tentado trabalhar tão ativamente nesse sentido para que na administração pública e agora nessa parte de gestão e desenvolvimento de pessoas a administração se torna o mais diversa possível para que essa representação se faça nas diversas cabeças pensantes dos diversos segmentos que possam refletir em políticas públicas que representam a sociedade e que façam com que os avanços sejam de fato conquistados Tá certo nós estamos chegando ao final então do programa eu vou pedir aqui começando pela Paola para que vocês olhem bem naquela câmera ali do meio e manda em uma mensagem para as mulheres em especial para mulher negra que está nos assistindo em uma frase Eita Desafio em uma frase começar ainda Bom eu acho que [Música] não dá para nunca desista né Eu acho que essa é uma uma frase importante porque é isso que passa na nossa cabeça todos os dias né quando a gente logo na infância né a gente deixa receber afeto na adolescência aquilo vira uma piada na vida adulta você tenta se encaixar e não consegue muitas vezes você é serciada pelos colegas né O que muitas vezes a gente quer desistir mas quando eu entrei nessa câmera eu soube que eu não podia fazer isso né Não podia simplesmente desistir não podia simplesmente um dia levantar ir embora porque isso não é somente sobre mim isso é sobre todas nós né E também é sobre as mulheres que vieram antes de mim que deram a vida lutaram para que eu aqui então não quer desista Guida bom é era mais ou menos isso que eu pensei na hora que você falou para Paola essa questão da de continuar né lutar resistir desistir jamais algo nesse sentido tem uma imagem de mulheres negras eu faço parte de um grupo de mulheres negras que o grupo né de WhatsApp e tem uma imagem que que faz a ilustração do nosso grupo que são mulheres negras e a gente acabou aproveitando essa imagem no nosso HQ né na nossa história em quadrinhos HQ territórios negros nossos passos vem de longe são mulheres que estão tipo uma na frente da outra tipo em fileira mulheres negras com os braços erguidos e aquilo serve disso com esses braços serve de uma escada para as nossas crianças e é isso né é essa base essa essa Fortaleza que a mulher negra representa e que ela busca muitas vezes eu faço uma certa analogia com Baobá que é uma árvore africana que tem aí uma duração de vida né de mais de mil anos e representa a Fortaleza a resistência né é a resiliência Enfim então é isso é isso que a gente representa então não tem o que falar fora disso então nunca desistir não desistir vamos em frente Enfim uma figura muda a outra ninguém solta a mão de ninguém vamos estar sempre apoiando umas as outras porque com certeza a base de uma do povo negro está nas mulheres Obrigada Eliane Joselaine negras bom vou usar mesmo uma frase né Eu acho que a frase que eu escolho aqui pensando aqui agora é que as dificuldades do caminho elas não tiram a beleza do trajeto quando a gente está junto né porque afinal de contas o bom Tour né Somos Todos Um obrigada Gislene e seguindo né todo fortalecimento aqui das colegas e a Jacilene que trouxe a questão do afeto é para que possamos nos acolher né a sociedade ela já nos critica demais ela já não exclui então vamos aproveitar né Inclusive a fala da secretária e olhar para gente com afeto olhar para a gente com carinho e naquele momento que a gente se sentir que tá lá embaixo né a gente a gente vai lá e se acolhe porque é isso que a gente precisa para a gente mesmo sabe se acolher e dizer o quanto a gente é importante para a gente mesmo Obrigada meninas e o questão de ordem fica por aqui eu agradeço a sua participação com a gente de ter assistido Mande a sua contribuição seu comentário aí no youtube.com/tv câmaracampinas E você também pode assistir o nosso programa nos canais 11.3 da TV aberta o canal 4 da net e o canal 9 da Vivo fibra a gente fica por aqui Continue com a nossa programação [Música]
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