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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre tabagismo. Mas antes de entrar aqui no nosso assunto, eu tenho um recado para você que tá em casa. Para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema aqui para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato com o nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Pela primeira vez, desde 2007, o Brasil registrou um aumento importante no número de fumantes. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram um crescimento de 25% no número de fumantes no país entre 2023 e 2024, o que acende um alerta em vários aspectos, mas principalmente na área da saúde. E para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a pneumologista Maria Enedina Esquarcialup, coordenadora da Comissão Científica de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia. Doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Olá, Ana. Eu que agradeço o convite. É muito importante a gente est falando sobre esse assunto. Exatamente. Eh, doutora, pra gente entrar, né, no nosso assunto definitivamente, eu gostaria que você caracterizasse um pouquinho o que que é esse quadro de tabagismo. Então, o tabagismo é um vício, né, uma dependência química relacionada diretamente à nicotina. E ela é considerada uma doença, né? Tem um código internacional de doença, o F17. Então, a pessoa tem uma doença de dependência química que leva a outras doenças pelo menos 50 doenças. O cigarro comburente, o cigarro comum, ele tem mais de 5.000 substâncias químicas. Eh, todas elas provocam danos à saúde, provocam cânceres. E agora a gente teve a introdução do cigarro eletrônico, do Vap, do POD. Então, houve uma nova opção de se eh vaporizar, de se usar nicotina. Então, uma situação crítica, né, que existe tratamento médico porque é uma dependência química, é um vício. E além de tudo, a gente tem que olhar com muita atenção, porque a pessoa já pode ter adquirido algumas doenças, seja cardiovascular, seja respiratória, seja diversos cânceres induzidos pelos componentes químicos, tanto do cigarro eletrônico como o cigarro de papel comum. também é causador. Eh, a principal causa de câncer de pulmão, né, mais de 80% tá relacionado ao uso eh dos derivados de tabaco, dos componentes de nicotina. E, doutora, quais são as consequências do cigarro para o pulmão especificamente, né? Você como pneumologista deve saber bastante sobre isso. Além do pulmão também para as vias respiratórias. Sim. H, você tá colocando uma fumaça para dentro das vias respiratórias, para dentro do pulmão, né? E essa fumaça cheia de material particulado químico, que induz reações inflamatórias intensas, uma irritação muito intensa. E dessa irritação, ao longo dos dias, dos meses, dos anos, vão fazendo lesões permanentes, né? Destruindo, por exemplo, os cílios. Nós temos cílios microscópicos dentro da árvore respiratória que servem para fazer a limpeza de tudo que a gente respira do ambiente. Então, o ambiente já tem poluentes, né? O ar que a gente respira não é totalmente puro. E aí você tá colocando mais eh substâncias ruins para dentro do pulmão, destrói células de defesa. Então, inicialmente você tem um processo inflamatório que vai se perpetuando e chega um momento que esse processo é contínuo, né, induzindo a pessoa a ter facilidade de pegar viroses, influenza, COVID, pneumonias bacterianas, tuberculose que está muito prevalente. E aí doenças específicas do pulmão, por exemplo, fibrose pulmonar, que é uma cicatriz intensa no pulmão que não volta, enfizema pulmonar, que a gente chama a doença DPOC, doença pulmonar objetiva crônica, e mais ainda o câncer de pulmão, que é extremamente prevalente. E além, né, desse desses prejuízos para o o pulmão, tem um outro órgão que também é bastante acometido, né, quando a pessoa é fumante, que é o coração. É isso, né? Também sim, porque através do pulmão, através da das vias respiratórias e da corrente sanguínea no pulmão, essas substâncias químicas vão atingir através do sangue outros órgãos, coração também. Então você pode ter infarto, insência cardíaca, atingir cérebro também. A nicotina vai direto para o cérebro, né, pra célula cerebral, disparando o hormônio do prazer, que é a dopamina. E você pode ter um AVC, você pode ter lesões renais, lesão na mama, na próstata, na bexiga, né? Uma grande parte do do cigarro ele é eliminado pela urina, substâncias químicas. Então é muito comum câncer de bexiga. Então através do pulmão, a porta de entrada dessas substâncias químicas, desse material particulado, é o pulmão alcança a corrente sanguína e se distribui pelos diversos tecidos do corpo humano. É, doutora, acho importante a gente usar esse espaço, aproveitar aqui, né, para falar com a população e explicar por que é importante as pessoas pararem de fumar, né? Por que que elas devem imediatamente largar esse vício? Sim, Ana. Eh, eu acho que isso é uma coisa já de conhecimento. Muitas pessoas que fumam sabem que aquilo provoca o mal, né? às vezes não sei se fica contando com a sorte, acha que não vai acontecer, mas a gente sempre fala adoecer do cigarro não é uma questão de sorte ou de azar, é uma questão de tempo. As doenças do cigarro comburente, elas vão acontecer por volta de 40, 45 anos de idade e aí vão atingir um pico com 60 anos e elas são muito eh provocam muitos danos, muito sofrimento, eh invalidez, né, e morte mesmo, tá? Então, adoecer do cigarro é não é não é uma coisa de sorte ou de azar, é inevitável. Qual das 50 doenças a pessoa vai ter? Vai depender da genética daquela família, do ambiente que a pessoa vive. Então, é, é, você tá provocando, é um, é um erro calculado, ou seja, eu estou fumando, quando que vai aparecer a doença? Então, em algum momento vai aparecer e o sofrimento é muito grande. Então, a gente não tem que com tantas coisas que a gente já tem na vida, tantas dificuldades, eh, problemas de do meio ambiente, do ar que a gente respira, da alimentação, você tá provocando um veneno dentro do seu organismo. E agora a maior preocupação ainda é com o cigarro eletrônico, porque o cigarro eletrônico está baixando a idade de adoecimento, né? A gente já teve mortalidade no Brasil de jovem de 15 anos de idade, com insência respiratória aguda e levando à morte. A gente pode ter também a DPOC mais precoce, ao invés de aparecer com 45 anos, vai aparecer aí por volta dos 25, 30 anos de idade. Então a gente já tá observando, já tá recebendo pessoas adoecidas pelo o uso do cigarro eletrônico do vape. Então é mais preocupante, é mais intenso, tá? eh tendo uma precocidade das doenças. Então, pessoas jovens vão ficar incapazes e inválidas precocemente também por outro problema de substâncias químicas, material ultra particulado dentro dos pulmões atingindo os tecidos. Então, não vale a pena, não faz sentido. A população tem que se conscientizar. Quem está parando de fumar, procurar ajuda. Existe sim tratamento, existe ajuda. Quem não fuma, não experimente, não, não vá procurar saber como que é, porque a dependência pode ser muito rápida, dependendo de pessoa para pessoa. Então, assim, só de experimentar, fuma mais um, fuma mais outro e lá aquela hora já se torna eh dependente das das drogas que eh existem nos cigarros, tanto de comburente, de papel como cigarro eletrônico. que tem que tá falando atualmente das duas modalidades, vaporizar e fumar, porque é uma realidade. Talvez eh as pessoas achem que eh vai usar o vaper menos dano. É, eh, tem aquela frase, né, que todo mundo já tá conhecendo, não é não é não é danoso, não tem perigo, não faz mal, é vaporzinho d'água. Eu acho que as mídias já têm divulgado bastante que não é vapor de água, tem substância química lá, tem a nicotina que provoca a dependência química, tem outras substâncias como anfetamina, derivados do do cannabis, então várias substâncias que podem provocar dependência química e doenças da mesma forma do cigarro comburente. Não vale a pena fumar, definitivamente. Não existe nenhuma forma segura de fumar, tá? e procurar a ajuda. É muito importante que essa ajuda existe tanto na nas vias de saúde pública como de saúde complementar. Existem médicos, existem profissionais de saúde, fisioterapeutas, psicólogos. Então, eh existe uma ampla rede no Brasil respeitada internacionalmente para tratamento da cessação de tabagismo. E, dout. Maria, quando as pessoas, né, tomam essa decisão, decidem aí parar de fumar, qual que é o principal benefício, né, a primeira a primeiro benefício que ela já começa a perceber ali no organismo, no corpo, na saúde em geral? Olha, imediatamente são as as eh consequências cardirculatórias. Isso é muito importante. A gente já vê uma normalização da frequência do batimento cardíaco, da pressão arterial. Você, quem conhece, quem convive com a pessoa já vê que a pele da pessoa muda, né? O brilho do olhar, o cabelo, cheiro, paladar, né? Então, sentir o o o sabor das comidas, sentir o cheiro das comidas e o próprio cheiro do cabelo, da roupa da pessoa. Então, é muito rápido a parte cardiovascular, ou seja, a chance de ter AVC e infarto, ela cai rapidamente igual à população geral, ou seja, aqueles que não usam o cigarro. Com o passar do tempo, você vai diminuindo os danos da parte respiratória de pulmão. O pulmão é mais demorado e também para evitar câncer é mais demorado. Então é urgente parar de fumar é para ontem, porque mesmo você parando, você ainda pode ter riscos de desenvolver a doença. Às vezes as pessoas falam: "Eh, eu tava fumando, tava bem, parei de fumar, comecei a torcir, a ter cansaço". Não, não foi porque parou, porque o cigarro já vinha provocando lesão e no momento que a pessoa parou de fumar já estava portador de alguma doença. Então não é o ato de parar que faz a doença aparecer, é que quando a pessoa para ela começa a perceber que tinha uma tosse. TCI não é normal. Se o indivíduo tá torcindo, tem alguma coisa errada com as vias respiratórias. E aí essa tosse vai perpetuar porque eh a doença já estava instalada. Mas mesmo assim, digamos que eu tenho um diagnóstico de DPOC, tenho um diagnóstico de câncer, a parada do tabagismo vai fazer com que a doença regra, com que ela estacione, com que os tratamentos que a gente tem funcionem, tá? Então, parar de fumar em qualquer momento, seja ainda saudável, seja doente, sempre o indivíduo vai ter benefício. As doenças que já existidem estarão com maior controle, com maior resposta aos tratamentos e eh redução de progressão da doença se o indivíduo parar de fumar, porque se ele tá tendo um estímulo do cigarro, a doença vai continuar avançando, avançando. Então, qualquer momento é hora de parar de fumar. É importante parar de fumar, mesmo que já tenham hipertensão, que tenham diabetes, porque o cigarro descompensa todas essas doenças e e leva as consequências de lesões por causa da da do ação dos componentes do cigarro naquela doença crônica pré-existente. Doutora, você comentou dos benefícios aí pra pele, pro cabelo. Uma outra coisa que chama bastante atenção é a saúde bucal, né? A pessoa ali fica com os dentes amarelados, né? quando fuma e depois que para você já vê uma melhora logo ali no sorriso, né, também. Perfeito, bem lembrado, realmente a saúde bucal é importante. Os odontólogos eh são também eh pessoas profissionais que podem ajudar o indivíduo, podem dar uma palavra, podem dar uma orientação, porque você tem perda de dentes, né? você tem uma periodont, uma gengivite muito intensa e às vezes o indivíduo, o dente cai sem necessariamente ele tá fazendo algum ato de mastigação. Então a gengivite, a periodontite que o cigarro provoca é muito intensa, não só a coloração dos dentes, mas lesões inflamatórias em toda a arcada dentária e leva a perda de dentes, que é ruim, né? faz parte da nossa alimentação. É necessário a gente ter dente. É melhor ter o dente natural do que do que ter a prótese. Então, a perda de dente é uma das consequências do ato de fumar. E, doutora, quais os sintomas que quais os sintomas de privação que a ausência do tabaco provoca? Porque a gente sabe que é é uma luta bem difícil, né, pra pessoa que tá tentando deixar esse esse vício. E e vão ocorrer os sintomas, né? Quais são esses principais sintomas? Olha, Ana, eh, a síndrome de abstinência, ou seja, a falta da droga, né? Eh, às vezes as pessoas não aceitam nicotina como droga, mas é uma droga, por isso que tem síndrome de abstinência. Ela ela é uma droga que ela entra rapidamente na célula cerebral, assim que você pisca e inala a aquela fumaça, ela já tá dentro da célula, eh, disparando na corrente sanguínea um hormônio do prazer chamado dopamina, tá? Por isso que é difícil largar o cigarro, porque o cigarro traz prazer, ele não é calmante, ele provoca prazer, como outras atividades na vida. Então, quando o indivíduo tira isso da célula cerebral, ele vai ter eh sensações de ansiedade, de tremores, de irritabilidade, de suó, alterações do sono, pesadelos, são uma série de de sintomas que às vezes o indivíduo não tolera. Eles não são insuportáveis, tá, Ana? A gente deveria tentar não supervalorizar isso, isso não ser motivo do indivíduo não parar de pegar o cigarro novamente. Esses sintomas, eles são controláveis, eles são limitados. Então, dependendo de pessoa para pessoa eles vão durar de 15 a 30 dias. Então, a síndrome de abstinência não dura meses, ela dura 30 dias. ela pode ser diminuída com eh medicações, com terapia cognitiva, eh com treinamento de habilidades para naquele momento superar a falta da droga, tá? Então ela é autolimitada, vai passar, tem como ser administrado com medicamentos e com atitudes comportamentais. A síndrome de abstinência não é permanente. O indivíduo que ele fuma, ele tem três modalidades de dependência. Ele tem a tem a dependência química, tem a dependência comportamental e emocional. Então, a gente tem que trabalhar cada dependência. A imediata é a química, que é a síndrome de abstinência. Depois vem a emocional e a comportamental, que a gente tem que treinar habilidades de vida do dia a dia, ocupar a mente, a mão e a boca com outra coisa que não seja o cigarro. Doutora, e é possível a pessoa parar de fumar sem qualquer ajuda? Sim, sim, é possível. Já já conheci várias pessoas que decidiram eh se conscientizaram isso está me fazendo mal e eu vou parar. e parou imediatamente, jogou fora o masso de cigarro. Mas isso é uma porcentagem bem menor, tá? Bem mais rara. Em geral, a grande maioria precisa de ajuda, mas existe sim essa possibilidade. É uma questão de tomada de decisão, né? Uma determinação. Não vou fumar. Até mesmo para quem faz o tratamento, há uma tomada de decisão, né? O médico não vai, o, o, o psicólogo, o odontólogo não vai parar de fumar no lugar da pessoa, ele vai estender a mão, ele vai dar eh meios, recursos, orientação para que a pessoa tome a decisão de parar de fumar. Então, uma tomada de decisão. Não existe, eu não consigo, existe eu não quero, eu não estou decidido, tá? Então, a gente tá aqui para dar apoio, para dar orientações, eh para para orientar saídas que a pessoa aplique na sua vida, no dia a dia, para que o cigarro não faça parte da sua vida. Ninguém nasceu fumando, aprendeu a fumar. Então, a pessoa tem que fazer o trajeto ao contrário, né? Tem que desaprender a fumar. Exatamente. Com certeza. E, doutora, quando a pessoa tá tentando parar de fumar, ela tem uma recaída. o que que ela deveria fazer nesse nesse caso daí? Olha, você falou bem a palavra recaída eh aquela questão que a pessoa pegou o cigarro e voltou a a fumar normalmente. A gente tem uma outra palavra que chama lapso. Então eu estou no meu processo de tentativa de de parar de fumar e eu acendo um cigarro. Isso não, a gente não considera recaída, a gente considera lapso. Então, repensar, analisar aquela situação, aquele momento, por que eu acendi esse cigarro? O que me levou a acender? O que que eu poderia ter feito de diferente? O que eu posso fazer de diferente se novamente acontecer essa vontade imperiosa de acender um cigarro? Tá? Então o lapso não é uma falência de tratamento, pode acontecer. A pessoa não pode se desestimular, desanimar e achar que perdeu, que faliu tudo. Então é analisar aquele momento. Eu acendi por tal motivo, eu poderia ter evitado de tal e tal forma. A recaída é quando a pessoa volta à mesma quantidade que fumava antes, ou seja, ela desistiu do processo de censação de tabagismo e ela volta a fumar. Isso aí é que a gente chama de recaída, mas tenta novamente, tá? Nem todo mundo consegue parar de fumar na primeira tentativa. Às vezes leva três, 5, 6, 7, eh, momentos na vida pra pessoa parar de fumar. Isso varia muito de pessoa para pessoa e a gente não desiste, a gente tá lá do lado e também o indivíduo não deve desistir, tá? pode acontecer de voltar uma vez, duas, três, qu o apoio sempre vai ser o mesmo, a a tentativa, ajuda sempre vai ser a mesma até que chegue o dia que o indivíduo se livre totalmente do tabagismo. É que se a gente fosse fazer até um comparativo, é como as pessoas, né, viciadas em álcool também, né? Às vezes vai ter aquele momento que tem um gatilho ali, uma certa situação, a pessoa vai, né, recorrer ao vício e aí acho que é ponderar mesmo. Não, eu preciso disso, né? O que que eu posso fazer diferente, né, doutora? Isso. Existem os grupos, né, de apoio ao alcoolismo, alcoolista e existem grupos também na na nas unidades de da atenção primária do do Brasil, do SUS, que tem esses grupos de acompanhamento, tá? Então, existe uma ajuda, existe eh momentos cognitivos, comportamentais para as pessoas realmente entenderem como que ela pode ter seu controle. É a vida dela. O cigarro não controla a sua vida, é você que controla o cigarro. Cigarro não é ser humano, não é pessoa para mandar na sua vida. Ele não toma decisões, ele não paga contas, ele não resolve desavenças, né? Pelo contrário, você continua tendo seus problemas, suas chateações, seus desafios e adquire um outro que é a perda da sua saúde. E aí, se você perde a saúde, como é que você resolve as suas preocupações, os seus problemas, os seus desafios? Se você agora tá numa cama, se você tá no hospital, se você tá com uma doença que te impede de fazer o que você gostaria. Então, ele não é solução para nada, pelo contrário, ele só vai atrapalhar a sua vida em todas as esferas. Eh, doutor, e tem aquela questão também de das pessoas que param de fumar, geralmente elas tentam compensar esse vício em alguma outra coisa. Também tem a questão alimentar, pode desenvolver uma compulsão, eh, pode aí voltar pro álcool, né, ou para em comida em excesso. Existe isso? Olha, existe. Todos nós estamos eh tentando achar prazer na vida. qualquer ser humano quer alegria, quer prazer, a gente busca de diversas formas. Então, se eu tiro o prazer do cigarro, eu posso tentar substituir esse prazer com outras coisas, mas tentar ter a consciência que eu não vou substituir uma droga por outra droga, né? Então, passar a beber, bebê também provoca doença, doença intensa no coração, no fígado, né? Tem sérias consequências. Alimentação, ganhar peso demais também é adoecimento, né? Obesidade é uma doença. Ah, o cigarro tem substâncias químicas, tanto cigarro como vape, que favorecem o emagrecimento. Por isso, muitos jovens usam também, muitas meninas usam eh o cigarro, porque tem substâncias que levam a reduzir a fome, o paladar e aumenta o metabolismo, provoca o emagrecimento. Então, se você tira essas substâncias, naturalmente você vai ter um certo ganho de peso. Já existe um cálculo mais ou menos que em média pode acontecer de 5, 7, 9 kg eh no máximo nas pessoas naturalmente. E isso é depois reestruturado, recompensado com passar do tempo. Não dá pra gente ah entre aspas torturar a pessoa em duas coisas. Parar de fumar e fazer uma dieta de emagrecimento. A gente tenta dar orientação de ter uma escolha de de alimentos mais saudáveis, tá? As frutas, verduras, elas ajudam muito a parar de fumar. Existem em estudos dizendo que se o indivíduo aumentar muito a a ingesta de frutas, verduras, legumes e beber bastante água, isso também vai ajudar naquele processo de cessação de tabagismo e tá ajudando na saúde. Então, exercício físico, exercício físico é uma forma da gente liberar a dopamina no sangue. Então, a forma de substituir o cigarro é o exercício físico e é necessário, todo mundo tem que fazer exercício físico, porque o exercício físico ajuda a prevenir doenças, hipertensão, diabetes, osteoporose, uma série de outras doenças, eh previne o indivíduo acamar quando ficar mais idoso, com 70, 70 e tantos anos. Então, o exercício físico é necessário, a gente precisa de musculatura. A musculatura ela evita doenças, ela evita o indivíduo ficar frágil, acamar e ficar dependente dos outros. Então é o que você vai escolher para substituir. Você só a escolha tem que ser consciente. O profissional de saúde pode ajudar o que que você gosta de fazer ou que você gostava de fazer e deixou de fazer porque o cigarro tá preenchendo isso. Então voltar a ter outras habilidades que ajudem o cigarro não fazer parte daquele momento e que também não tragam danos à saúde. Então existe apoio e a gente conscientiza as pessoas quais são a a que que eu posso escolher, né? E se eu vou ganhar peso, eu ganhei 2 3 kg, calma, não é esse o momento, né? Vamos rever a alimentação, vamos intensificar a atividade, o exercício físico para que você não ganhe peso. Então é administrável, isso é uma coisa que é totalmente passível de ser feita. Como eu te falei, Ana, é uma tomada de decisão. Se o indivíduo tomando essa decisão, ele vai ter consciência, vai ter clareza paraas escolhas que vai fazer dali para frente. Ele vai fazer bem a si próprio. Se é um homem, vai fazer bem a sua esposa, seus filhos, seus netos, né? Ninguém quer ver seu ente querido, amado, doente, né? Precisando de ajuda, acamado, eleito de hospital. Então isso é um benefício não só para si próprio, mas para todos que convivem com a pessoa. Até a questão do fumante passivo, né? Se a mulher fuma, o homem tá respirando aquela fumaça, seja cigarro eletrônico, seja cigarro de papel, a criancinha tá respirando. Não adianta você escovar a boca e ir brincar com o seu netinho, porque durante a sua respiração você continua exalando substâncias químicas que você colocou para dentro do pulmão. Não é só aquela fumaça. A respiração do indivíduo que fuma também exala a substância química. Então não resolve falar: "Ah, eu amo meu netinho, quero brincar com ele, mas não vou largar o cigarro". Eu deixo ele lá em um num cantinho, vou lá fora da casa, vou lá fora do apartamento fumar, quando voltar eu lavo minha boca, lavo minhas mãos, diminui, mas não protege. O netinho, o filhinho vai ter mais chance de ter asma, mais chance de ter infecção respiratória, tá? Não é não, não, não existe segurança. Então, o indivíduo que fuma prejudica a si próprio e prejudica ao redor. A fumaça é danosa. A fumaça tem eh material microparticulado que penetra no pulmão dos outros e a respiração do indivíduo também exala as substâncias que quem tá do lado pode est eh absorvendo essas substâncias. Com certeza, doutora. Muito importante esse alerta sobre o fumador passivo, né? os riscos que isso tem. E muitas vezes as pessoas nem têm consciência, acha que só o fumante que vai ser prejudicado e a gente sabe que não é verdade. A gente vai fazer um rápido intervalo, doutora, porque no próximo bloco nós vamos falar sobre os tratamentos para o tabagismo e a importância de ações de prevenção, conscientização sobre os riscos do cigarro. Nós já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde à Vida e hoje falando sobre o combate ao fumo com a pneumologista Maria Esquarcial, ela que é coordenadora também da Comissão Científica de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisologia. Eh, doutora, a gente comentou um pouquinho, né, no primeiro no primeiro bloco aqui do programa, né, uma uma forma mais geral sobre o tabagismo, o que que ele provoca aí nos pulmões, vias respiratórias, coração. Falamos um pouquinho do cigarro eletrônico. Agora, doutor, eu queria que você abordasse especificamente sobre os tratamentos que a gente tem eh disponíveis hoje para quem quer, né, abandonar aí de vez o cigarro. Sim, Ana, existem tratamentos, tratamentos eficazes, tá? Eh, em todos os âmbitos. O SUS, né, o nosso Sistema Único de Saúde tem atendimento principalmente eh nos postos da atenção primária. Então, existem grupos cognitivos, né, para orientar as pessoas eh como que pode eh se desfazer do cigarro, reagir a momentos de de abstinência. Existem os tratamentos medicamentosos, eh, também convênios, né? Eh, eh, a medicina privada existem vários, principalmente os de classe, que têm esses grupos de sensação de tabagismo, de apoio e os profissionais de saúde de uma forma geral. seu odontólogo pode lhe ajudar, seu médico, seu psicólogo, fisioterapeuta. Existem muitas pessoas, são várias modalidades de de profissionais da saúde que são treinados para dar esse apoio. E médicos, né, perguntem aos seus pacientes, o senhor fuma? A senhora fuma? E três palavrinhas, né? Está querendo parar de fumar? Eh, como que eu posso te ajudar? orientar, se você não tem treinamento, buscar saber onde são os locais que esses pacientes podem ser encaminhados. Então, a gente tem a eh duas situações. A gente tem o tratamento cognitivo comportamental, que é a conscientização do do processo do tabagismo, a conscientização quais são os passos para acessar o tabagismo, seja cigarro eletrônico, seja cigarro de papel e também o que que o indivíduo pode fazer no dia a dia para que o cigarro não faça mais parte da vida dele. e outros mecanismos ele pode introduzir na vida? Habilidades manuais e habilidades mentais, o exercício físico, a alimentação mais saudável e o tratamento medicamentoso. A gente tem medicações que vão eh tá atuando nessa parte neurológica, nessa parte dos hormônios do prazer, da serotonina, da dopamina e a gente vai ter as substituições da nicotina. No Brasil a gente tem duas modalidades, o adesivo e a goma de mascar. Então aquele aquela nicotina é uma nicotina diferenciada, medicamentosa, que vai fazer com que a pessoa não sinta tanta necessidade, o cérebro não sinta tanta necessidade da nicotina dos cigarros. Ã, o adesivo é colocado na pele, né, numa região que não seja exposta ao sol e ele é trocado a cada 24 horas. Existem dosagens diferentes de miligramas diferentes. Então existe de 21 mg, 147. O a o máximo de cigarro total tem 20 mg. No Brasil, cada cigarro tem 1 mg de nicotina. E a goma de mascá, que é em torno de 4 mg de nicotina, ela tem suas vantagens porque ela tem a questão eh da da parte oral, né, de você tá eh mascando a nicotina e não não tem como você mascar uma goma e tá fumando. Então você tem a ocupação da boca, você tem a liberação da nicotina na corrente sanguínea, que é uma uma nicotina medicamentosa, não vai ter a mesma ação da nicotina do cigarro ou do vape. Ã, é uma goma diferenciada, não é um chiclete comum, é um medicamento, tá? E aí você tem que mascar de uma forma diferente, você tem que deixar absorver eh na mucosa da boca, né, na na gengiva. Então são essas modalidades. A gente tem tentado quanto Sociedade Brasileira de Pneomologia, como médica mesmo, eh, Anvisa, Inca, né, com esses programas, trazer mais modalidade de medicamentos para o Brasil. É necessário a gente ampliar o nosso arsenal, tá? existem medicamentos fora do país, eh, que não estão sendo, eh, introduzidos, comercializados no país, porque a gente tem vários perfis de pessoas, né? Existem vários medicamentos que são usados na área eh psiquiátrica que pode ser utilizado, né? A bopropiona é uma das medicações que se mostrou de grande sucesso, né? E, eh, mesmo em mais de uma tentativa, o indivíduo pode repetir, tá? Às vezes o o o paciente ele tem, eu já tomei esse medicamento, mas como se ele não fosse funcionar, funciona. Mesmo que seja na primeira, segunda, terceira tentativa, a gente repete o tratamento porque é voltado para isso. Então, cada momento eu vou ter que controlar a parte emocional e a parte química. Então, dependendo dessa intensidade de dependência química, a gente tem necessidade de um medicamento de ação que controle esses hormônios do prazer e a gente tem uma uma necessidade de substituir a nicotina do cigarro, tá? Então são tratamentos eficazes, mas é como eu te falei no no começo, primeiro bloco, precisa de uma do indivíduo eh estar determinado, querer, tá? E a gente tá ali para ajudar ele entender que ele deve fazer esse escolho, ele deve querer. Então é uma conjunção de pilares que fazem o indivíduo ficar definitivamente sem fumar. Então orientações psicológicas, medicações orais e substituição da nicotina, seja por adesivo ou por goma de mascarte. existe distribuição eh no SUS gratuitamente de medicações e existe nas farmácias eh privadas de uma forma geral no Brasil, mas a gente ainda tem outros medicamentos que precisamos tentar trazer para o Brasil. A gente tinha um excelente que era a Varene Clina. ela teve problemas eh na produção industrial, foi descontinuada no Brasil e no mundo, só que ela eh voltou com outro fabricante em vários países de da América do Norte, da América do Sul, mas o Brasil ainda não tem. E esse medicamento ele foi criado especificamente para a sensação de tabagismo. Ele não é para outra coisa. Ele é um substituto, ele ele preenche os receptores de nicotina nas células cerebrais e aí o indivíduo não tem mais aquela sensação de prazer quando tá usando a nicotina. Infelizmente a gente não tá com essa medicação disponível no Brasil agora, mas estamos tentando conversar com os órgãos competentes para trazer de volta. Eh, seria fundamental, né, trazer esse medicamento novamente. Tem alguma previsão, doutora, para que ele volte a ser disponibilizado aqui no país? Não, ainda não. Ainda não. Eu eu tô tentando ver e outros colegas, né, para que a gente converse com os fabricantes e tem que ter um interesse de mercado, faz parte também do mercado, né? Então, eh, na verdade, a gente precisa buscar, né, para ver se eles eles têm interesse de vir pro Brasil. Isso aí não é uma coisa de de órgão público, é mais do lado privado mesmo. E aí tendo isso, o público ele absorve também. E doutora, quais ações de prevenção que a gente poderia destacar aqui no programa, eh, que possam ajudar essas pessoas, né, e ajudar também as pessoas a nem entrarem, né, nesse vício? É, eh, como a gente viu que o ano passado saiu Vigitel, houve um aumento de 9% para 11,6% do tabagismo no Brasil, em parte tem essa entrada do cigarro eletrônico ilegalmente, né? Nós temos a lei de 2009, a RDC 46 ano, que eh tem várias regras com relação a ao tabagismo, tanto do cigarro comburente como do Vape. O vaper é totalmente proibido, né? não pode comercializar, não pode propagar, eh ele não pode entrar no país, ele tá entrando de forma ilegal, como existem cigarros de papel também de forma ilegal. Eh, o contrabando é crime, né? Então, as pessoas têm que entender isso. As punições estão chegando e vão chegar. Então, uma forma que foi para as pessoas cessarem foram as propagandas de uma forma geral, h as fotos no maço de cigarro, eh os as proibições, então restaurante, teatro, cinema, ambiente de trabalho. Então essa proibição fez com que as pessoas tivessem muita dificuldade e se sentissem constrangidas também, porque as outras pessoas não fumavam e o fumante passivo começava a ficar incomodado. Então, foi toda essa questão. Talvez a gente tenha relaxado um pouco com relação às campanhas midiáticas e precisamos voltar intensificar isso para as pessoas entenderem e a colaboração de empresários eh da da das mídias, dos jornalistas, todo mundo, para voltar a falar e a conscientizar os mais jovens a não iniciar o tabagismo. Então a prevenção é mais de informação, é o mais importante, né? o aumento dos impostos do cigarro no Brasil ainda eh o imposto é a quem de outros países. Isso também limita, né? Como se torna um produto muito caro, o indivíduo tem mais dificuldade de adquirir, ele pensa mais, ele diminui, ele reduz e reduzir eh a quantidade de de cigarros eh ilegais no país também. É porque a gente quando é ilegal, você não tem controle, você não sabe que substâncias tem dentro, né? Então, apesar de de ser ruim, mas o cigarro legalizado, ele tem um controle de do teor de nicotina, de outras substâncias, mas continua ruim, tá bem claro isso. Não é porque é legalizado, que é legal, é sempre toda forma de tabagismo é danosa à saúde, provoca doença, provoca morte e as sanções para quem for realmente quem tiver comercializando. Então o cigarro eletrônico tem que começar a ver as punições. A as pessoas já estão bem conscientes os empresários, né? Então existe uma lei no Brasil que um estabelecimento eh que tenha CNPJ que seja legalizado, se ele for peg comercializando o cigarro eletrônico, ele perde o CNPJ. E o cigarro de papel também ele não pode, ele é mutado. Essas é uma série de de de atos, de atitudes, tanto privadas como governamentais, para proteger a saúde do indivíduo, né, para proteger o o brasileiro de uma forma geral. Então, as campanhas são muito importantes, a conscientização, a educação continuada, nossos nosso papel de profissionais da saúde, nossos ambientes de trabalho, eh as oportunidades que a gente tiver de sempre tá informando as pessoas e estendendo a mão para não começar a fumar e se está fumando, parar de fumar. Eh, doutora, até esse aumento de consumo entre os jovens é bem bem assim preocupante, alarmante, né? esses dados estão crescendo, como a gente pode ver nas pesquisas, e a gente pode considerar que isso é um retrocesso. O Brasil avançou muito nessa questão, né, proibindo as pessoas de fumarem em ambientes fechados, restaurantes. Na Europa, por exemplo, eh os europeus fumam muito em qualquer lugar e aqui, por outro lado, isso é proibido, mas o jovens estão aumentando aí o consumo do cigarro, principalmente do cigarro eletrônico. Então, a gente pode considerar que a gente deêu uma aí uma uma retrocedida nessa questão? É, na verdade sim, a gente retrocedeu numa numa caminhada, numa luta que a gente vinha, né, cair para 9%, existia eh uma perspectiva de cair mais para 5%. do Brasil é referência no mundo com relação a às à ass a ao controle do tabagismo. Mas, Ana, também vários países estão preocupados com cigarro eletrônico. Alguns países eh eles voltaram atrás em muitas decisões. A Inglaterra sempre se torna uma referência que foi ruim para todo mundo, né? A Inglaterra fez o engano achando que o cigarro eletrônico poderia ser uma forma de censação tabagismo. Hoje eles eles assumem que não é. Então eles não distribuem mais. Do jeito que a gente distribui a goma de de de nicotina, que a gente distribui o o adesivo, a Inglaterra comprou uma época o cigarro eletrônico e distribuía para as pessoas pararem. Eles não distribuem mais, recolheram. Eles proibiram os cigarros eletrônicos descartáveis. Eh, Estados Unidos aumentou a idade de de compra para 21 anos de idade. O Canadá e limitaram o Tô de nicotina. Então assim, quem já estava liberado é tem uma grande dificuldade, né? Já tá liberado para você voltar atrás é complicado. Então eles estão eh provocando limitações cada vez mais eh estreitas para fazer com que as pessoas não consumam, né? Até países que existem proibições, como no Brasil, vários países estão partindo paraa proibição total, tá? Tanto na América do Norte como na América do Sul, existem países que também é proibido o cigarro eletrônico. H, é, é, é uma moda, né? É aquela questão do jovem se sentir pertencente a grupo. Então, meu amiguinho vaporiza e fala: "Ah, isso não é nada demais. Olha como é legal, é cheiroso, eh não tem mau cheiro, não tem mau gosto, a boca não fica ruim, eh, ele é atrativo, isso é uma estratégia perversa de marketing da indústria trabalheira para eh encantar o jovem, que é aquela fase do moderno, do digital, né? Então eles têm aparências bonitas, coloridas, 7.000 E os sabores, sabores. A fumaça é clara, branca, eh tem perfume, ele passa despercebido dos pais, parece um batom, eh, alguns têm cristais esvarobes, eles parecem um pen drive, parece eh pequenos frascos de perfume, imitam formatos de pequenos de de mini celulares. São várias modalidades que é é muito óbvio que é é bonito, é atrativo para o jovem se encantar com isso, para ser uma peça eh do do do seu guarda-roupa, uma peça da bolsa da menina. Então, os pais têm que ficar muito atento, tá? se vê um carregador, porque eles são recarregáveis, diferente, né, dos celulares, dos computadores em casa, uma fumaça mais perfumada, aquele aquele adolescente tá mais trancado no quarto, olho avermelhado, né, uma tosse, uma irritação na garganta persistente, eh mudanças eh na qualidade do sono, no ritmo do sono, sentar e conversar. A conversa sempre é o melhor, né? é o ideal conversar, orientar, tentar se informar eh em jornais, em revistas sérias, Instagram de sociedades médicas, de como que aborda esse filho, quais são os prejuízos, o que pode ser falado. a gente tem feito campanhas, a Sociedade Brasileira de Epneumologia faz campanhas, o Inca, o Ministério da Saúde tem campanhas, eh tem cartazes, tem uma série de de informações, né, nas redes sociais, TikTok, Instagram, para que as pessoas entendam o que que esse cigarro eletrônico é, que realmente é um dano à saúde, eh provoca dependência química e que é proibido no país, né, não poderia nem tá usando e que existe o vaporizador, fumante, sei lá que nome que se dá, passivo, tá? Então, o restaurante ele pode ser punido, eh, o cinema, a, os estabelecimentos não podem aceitar, tem que chegar no seu cliente e dizer, né, tem alguns restaurantes que já tede o símbolo proibido, cigarro eletrônico proibido vape, e conscientizar o cliente, olha, eh, isso é proibido, eu posso ser punido por isso, você tá prejudicando sua saúde e da mesa vizinha, por exemplo, num restaurante, no basinho, qualquer ambiente fechado, qualquer ambiente que tenha aqueles guarda-çóis com mesinha na calçada, como tem no Rio de Janeiro, no Nordeste, em alguns locais que gostam desse tipo de basinho, é considerado ambiente fechado e é proibido fumar cigarro comum e cigarro eletrônico. E, doutora, homens e mulheres, eles estão na mesma proporção quando o assunto é tabagismo ou os homens ainda estão fumando mais? Ainda, mas muito leve, tá? A diferença tá tipo 1 e meio para um. Então as mulheres aumentaram muito e em muitos estados existe uma utilização do vape nas meninas maior do que os meninos. Isso é preocupante. A saúde da mulher é um pouco mais frágil do que a saúde do homem. Ela tem mais facilidade de intar, de terc, de ter cânceres do que o homem. Isso faz parte da natureza, da parte hormonal. Tem uma série de explicações fisiopatológicas, tá? Então, uma outra preocupação nossa, além de ser uma predominância do vape no nos jovens, existe uma predominância também nas meninas. E outra preocupação é o extremo de idade. As pessoas, por exemplo, de 70 anos, elas estão fumando muito ainda em comparação aos outros extratos de idade, tá? Então, existe uma dificuldade com a idade, nos mais idosos, de parar de fumar. Eles persistem. Ah, já fumei a vida inteira. Não é verdade, tá? 70 anos é uma idade crítica. Se de repente a pessoa descobre um câncer, ela continuar fumando, perder a chance daqueles tratamentos da quimioterapia funcionar. Então são duas preocupações atual, a o aumento também da tabagismo nas mulheres e nos idosos, como também nos jovens. São os dois extremos que t aumentado. A idade de experimentação do cigarro eletrônico é 13 anos. E a idade de predominância varia dos 18 aos 24 anos. É muito preocupante. Exatamente. Doutora, tem até um dado aqui que chama muita atenção, que o Brasil gasta mais de 150 bilhões todos os anos com as doenças relacionadas ao tabagismo. Então, a gente pode considerar que o tabagismo já é uma epidemia? Sim, sim. Há muitos anos é uma epidemia, Ana. Com certeza. É isso que eu te falei, é os danos não só você perder vida na família, mas é um dano econômico, é um dano geral para toda a população. Então, eh, o que mais o SUS gasta são com doenças relacionadas ao tabagismo. O câncer de pulmão é o é o câncer, o primeiro câncer de só atrás de próstata e mama, tá? E é o primeiro de mortalidade, é o que mais mata, certo? Então, ã, o gasto é intenso, que existe até uma argumentação aí que às vezes a gente não gosta nem de est valorizando isso, de que é, estamos perdendo impostos, vamos taxar, porque aí a gente pega o imposto do cigarro para reverter eh no tratamento da saúde. Primeiro que não tá chegando, né, e segundo que a conta não fecha. É mais de 150 bilhões de gasto com a saúde, você tem 13 bilhões de impostos. Então, não é uma justificativa jamais. né? Arrecadar imposto com a compra do cigarro eletrônico, legalizar o vap para arrecadar imposto é uma falácia, é um absurdo. Jamais o que se arrepada de imposto vai conseguir tratar a saúde dos dos adoecidos do cigarro eletrônico, do cigarro eh comburente. Não vai recuperar vidas, tá? E não vai trazer de volta a saúde, né? Não não não dá para tratar não. Não é uma conta que fecha jamais, Ana. Isso é um absurdo. A população tem que ter consciência disso, que às vezes, ah, eu tenho que ter direito a escolher minha modalidade de eh consumir nicotina. Não é uma questão de direito, tá? Porque você passa a ter muitos prejuízos sociais, ambientais. Cigarro eletrônico é bateria, tem lítio, danifica o bem o ambiente. Cigarro de papel, a gente sabe, são mais de 50 anos para ele ser destruído na natureza. Então é é uma cadeia perversa, terrível, tá? Que se não tira a saúde do de quem tá fumando, tira a saúde dos outros, dos mares, do ambiente. Então é um é um mal, uma epidemia terrível paraa saúde direta do ser humano e pro meio ambiente, tá? Como que vão se descartar esse esses aparelhinhos, né? É mais um aparelho. Além de celular, computador, todo o lixo que a gente tá provocando, vem mais o cigarro eletrônico para ser outro dano na natureza, tanto dos componentes dele como de substâncias que contêm dentro porque eles não são totalmente esvaziados, eles vão ser lançados no ambiente e prejudicar. E os cigarros de papel também, as bitucas de cigarro, elas são extremamente prejudiciais, vão pros oceanos. É, é, é uma catástrofe. Realmente, o ser humano tem que acordar para isso. O que que a gente tá fazendo com o nosso planeta, com nossos filhos, com nossos netos. Exatamente, doutora. E pegando um pouco esse gancho do que você falou, eh, ainda faltam mais ações, mais políticas públicas relacionadas a esse tema. É, aumentar essa conscientização? Acho que sim, dos anos para cá, assim, depois da pandemia, eu, como eu te falei, eu acho que a gente relaxou um pouco, a gente precisa voltar a intensificar, tá, a conscientizar mais a população nas mídias, eh, nas salas de cinema onde estão jovens, eh nos ambientes de de de eh culturais, de shows, de teatro, eh de restaurantes, de bares, tá? Então a gente precisa e precisa também eh de ter pessoal de de fiscalização, né? Pessoal do ProC, da Anvisa, eles são muito atuantes, são agências muito boas, muito competentes, mas eu acho que ainda tem um número de pessoal insuficiente para dar conta do volume, né, de dessa de indústria tabageira, da capacidade de mídia de divulgação e de persuasão da indústria tabageira. a gente tem que tá lutando e quem quem tiver interesse de todas as formas, cada sementinha é importante para salvar vidas. Exatamente, doutor. até gostaria que você falasse um pouco eh sobre a importância, né, do apoio da comunidade, né, da sociedade como um todo e principalmente esse apoio psicológico que que essas pessoas precisam ter para eh conseguir dar esse primeiro passo, né, que a consciência, eu acho que é o principal ponto, você tendo consciência de que o vício vai fazer mal, vai prejudicar sua saúde, acho que isso aí já é o o primeiro passo mesmo pra pessoa mudar de vida e conseguir sair do vício, né? É, a gente tem o o a gente tem que identificar quem é o o ator que vai ser mais ouvido, mais valorizado para essa pessoa. Às vezes, eh, pessoal reclama: "Ah, minha esposa tá enchendo minha paciência, meus filhos, não gosto disso". Não adianta ficar insistindo. Quando existe essa resistência é pior, tá? Então tem que se descobrir qual é o ator que aquela pessoa eh da vida daquela pessoa que ela escuta, que ela valoriza e também focar os benefícios, sabe, Ana? É outra vida, é outra pessoa, né? Se a gente também pudesse fazer os depoimentos dos exfumantes, né? Já existiu isso, mas a gente poderia intensificar como a vida da pessoa se transforma em qualidade de vida, né? em respirar leve, respirar melhor, eh ter prazer em sentir o sabor verdadeiro do alimento, a qualidade do sono, a energia, né? O cigarro tira energia, o indivíduo fica mais lento, né? Ele fica mais indisposto, tá? Então, às vezes tem gente que fala: "Vou fumar para estudar, para trabalhar mais". Não, na verdade não é. Ele existem trabalhos, estudos mostrando que o tabagista ele rende mais menos, bem menos do que o não tabagista. Antes era porque ele se retirava, né? Agora nos trabalhos não pode se retirar do ambiente. Ele vai ter sanções no trabalho se ele se retirar para fumar. Mas eh o cigarro ele ele ele não ajuda o ser humano em nada. E você parar de fumar melhor a aparência do rosto, o ânimo, o odor da pessoa, né? o paladar, a qualidade do sono, toda a resistência às doenças, às infecções, certo? Então, só tem a ganhar. Eh, é, é uma transformação de vida, né? É, eh, eh, a menina antes e pós cigarro é o menino antes e pós cigarro, né? é um outro ser humano. Eh, isso se externa até no olhar e no brilho do do rosto da pessoa. É, doutora, pra gente começar a encerrar então aqui nosso segundo bloco, eu gostaria que você deixasse uma mensagem ou reforçasse algum aspecto desse dessa conversa que a gente teve para quem tá tentando, né, abandonar esse vício ou tem alguém conhecido em casa, até mesmo os pais, né, que tem um adolescente que é que o filho tá usando aí o cigarro eletrônico. queria que você deixasse então pra gente encerrar um recado, uma orientação aqui, uma uma mensagem de esperança mesmo aqui. Então, nós respiramos e vivemos, né? respirar imprescindível na vida do ser humano. E os cigarros, todos eles, seja narguilê, seja eh fumo preto, cigarro eletrônico, cigarro de palha, qual seja, ele vai interferir imensamente com nossa respiração. A gente já vive num mundo que é exposto a outras partículas, então é imprescindível parar de fumar, é necessário ter empatia, ter acolhimento, né, ter apoio, ajuda. Isso existe, existe em todas as esferas de tratamentos eh da área de saúde e que as famílias também acolham, converse com seus jovens, converse mais olho no olho, tá? O amor ajuda a saúde também. Então, respirar é uma necessidade básica e respirar bem é mais necessário ainda. O cigarro não faz parte de respirar bem. O cigarro não faz parte de saúde. Procure ajuda. Existe ajuda. Doutora, muito obrigada pela sua disposição em atender aqui a nossa equipe e por compartilhar, né, todo o seu conhecimento a respeito desse tema. Muito obrigada mesmo. Eu que agradeço imensamente, Ana. Fico feliz pelo apoio da do jornalismo geral no Brasil e me ponho à disposição como pneumologista e como presidente da comissão de tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia. O Saúde à Vida fica por aqui. Obrigada ao pessoal de casa também pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]