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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre o setembro amarelo, o mês de prevenção ao suicídio. Mas antes de entrar aqui no nosso assunto, eu tenho um recado para você que tá em casa. Para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema aqui para o programa é bem fácil. É só você entrar em contato com o nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar. pelo celular. O suicídio é um importante problema de saúde pública, com impactos na sociedade como um todo. Segundo dados da OMS, que é a Organização Mundial da Saúde, todos os anos mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que por HIV, malária ou câncer de mama ou até mesmo guerras e homicídios. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o suicídio foi a quarta causa de morte depois de acidentes no trânsito, tuberculose e também violência interpessoal. Trata-se de um trata-se de um fenômeno complexo que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sexos, culturas, classes sociais e idades. Para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos. Doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa. Eu é que agradeço o convite em nome da Brata e de todas as pessoas que possam estar precisando se informar um pouquinho mais sobre o tema. Com certeza, doutora. Vamos falar então por que que é tão importante a gente tá aqui, né, abordando esse tema e falando eh um pouquinho sobre saúde mental. Qual que é o conceito de saúde mental? Olha, saúde mental é mais do que ter a saúde física, saúde psíquica, de ter um bem-estar, de ter qualidade de vida, é a pessoa poder estar bem com ela mesma e bem no ambiente onde ela tá. E nisso, né, nós quando falamos de saúde, a gente sempre esquece a parte mental, só pensamos na parte física. Por isso a importância de cada vez mais diminuir o estigma, o preconceito quando falamos da nossa mente, do nosso psiquismo, para que as pessoas possam lembrar que isso é parte importante da vida. E doutora, quais são os problemas de saúde mental, né, relacionados a isso mais frequentes na população brasileira? Olha, mais frequente no Brasil é a ansiedade, que infelizmente o Brasil ganha assim no ranking de país mais ansioso, embora temos um clima tropical, sejamos um um país abençoado, mas a ansiedade, segundo dados da própria Organização Mundial de Saúde e também dado de pesquisa aqui do Brasil, é a ansiedade. Depois, a depressão. A depressão nas Américas é o segundo lugar, só perde para os Estados Unidos. Então, com todos as benéficios que nós temos no nosso país, ansiedade e depressão são bastante prevalentes na população brasileira. O que a gente tem que procurar cuidar da saúde como um todo, principalmente jovens que têm aí um futuro pela frente para que não sejam acometidos tão precocemente. Eh, doutora, tem um estudo que foi realizado aqui pela Unicampir em algum momento, já pensaram seriamente em dar um fim à própria vida. E esses, desses 17%, 4,8% chegaram até a elaborar um plano para isso. Eh, que sinais que uma pessoa com ideias suicidas ela começa a emitir, né? Pra gente deixar aqui uma uma forma de alerta também pra população ajudar alguém que conheça. É, esse estudo foi muito importante, é de 2006, feito pelo colega da Unicamp, o Neuri Botega. onde mostra assim que a população tem pensamentos suicidas. Então, a qualquer momento, por alguma alguma contrariedade, algum problema mental, ele pode pensar em querer morrer, mas ele demove aquele pensamento, tira da cabeça e vai. À medida que a situação não vai melhorando, esse pensamento pode progredir para uma ideia de suicídio, o desejo, a intenção de se matar. E aí o ato, muitas vezes as pessoas às vezes comentam, falam com quem tá do lado, seja pai, mãe, filhos, parentes, na escola, no trabalho, fala alguma menção de que a vida não tá valendo a pena viver. Se eu pudesse eu morreria, eu queria desaparecer. expressões assim que muitas vezes no corre do nosso dia a dia a gente passa desapercebido e não percebe que aquela pessoa está deixando de ter motivos para viver. E se nós não identificarmos e auxiliá-la ou esta pessoa que tá tendo esse pensamento pedir ajuda, que eu acho que este é o grande recado que eu quero deixar hoje, que as pessoas que assim tiverem esses pensamentos procurar ajuda, porque uma vez que a gente consegue auxiliar, ajudar, tratar essas pessoas, a ideiação suicida desaparece e a pessoa volta a se equilibrar e ter motivos para seguir a vida e viver com prazer, com qualidade. E doutora, como que a gente pode ajudar essas pessoas, né, assim que a gente nota esses essas frases, essas falas? Olha, quando ouvir essas frases, essas falas, às vezes comportamento de se desfazer de coisas, de eh distribuir determinadas coisas que são queridas para ela, começa a fazer doações de objetos. Ah, nós temos que começar perguntando pra pessoa, não é perguntando como se já fosse uma crítica, um julgamento. Você não tá pensando em se matar, não. Não é essa a expressão. Que que tá acontecendo com você? que pensamento você tem e mostrar uma certa empatia com a dor, com o sofrimento que ela possa estar sentindo e sem julgamento. O movimento é de ajuda para que a pessoa possa se abrir. E quando a pessoa percebe esse movimento, essa fala de quem tá próximo dela, ela vai entender que tem pessoas ah percebendo o sofrimento dela e que estão dispostas a ajudá-la. Então, a conversa não é para ficar com medo, não é para ficar com receio, porque é o mito de que, ah, se eu perguntar, eu vou dar ideia, não. Se eu perguntar ela vai partilhar conosco a ideia e nós vamos poder auxiliar. Não se deve deixar a pessoa sozinha, isolada, não se deve abandonar, de preferência procurar um profissional de competência e capacitação para lidar com esses casos de comportamento suicida. Eu acho que o mais importante, né, doutora, nesse momento, é sempre acolher a pessoa e não, como você disse, julgar, né? Sim. Esse esse acolhimento, essa atenção que nós temos que dar é importante para que a pessoa possa se desmontar em termos de defesa, de negar a ideia, o o comportamento, para que ela sinta-se que há alguém que tá entendendo o sofrimento, a dor. A muitas vezes fazemos julgamento assim: "Ah, mas ela tem marido, tem esposa, tem trabalho, tem dinheiro, tem isso, tem aquilo." A pessoa pode ser estar cercada de todos esses benefícios, mas principalmente o quadro chamado depressão faz com que a pessoa não tenha um sentimento aí de autoestima presente, um sentimento às vezes de inutilidade e uma desesperança. E a gente sempre costuma falar que a esperança é a última que morre. Quando a pessoa está com desesperança, nós temos que ligar os faróis vermelhos de alerta, porque essa pessoa está eh com intenção de fazer algo contra a própria vida. Então, é importante a gente perceber essas dicas e atuar de modo bastante e eh importante de auxiliá-la. Eh, doutor, existem grupos que são mais vulneráveis ao suicídio, por exemplo, os idosos, um idoso que tá acamado, eh, um idoso que tá com depressão, eles podem estar mais vulneráveis a fazerem alguma coisa contra a própria vida? Sim, o que nós temos é assim, dois picos de idade que tem bastante eh em relação à idade que bastante risco, né? a população de idoso, principalmente quando, como você fala assim, por exemplo, tá acamado, tá doente, mas muitas vezes ele não tá acamado, mas assim, ele tá deprimido ou tem alguma outra coisa, não necessariamente acamado, e ele sente assim que ele não é útil, que ele não tem atenção da família, que cada um tá cuidando da sua vida, fazendo, ele vai sentindo a inutilidade, não quer atrapalhar os filhos, os parentes e aí pensa eh em tentar contra a própria vida e é um grupo de alto risco pela idade, porque eles acabam não se sentindo aí com utilidade e como se atrapalhasse os outros. Outra população de pico de risco são os adolescentes, como você frisou no começo da reportagem, que de duas décadas para cá vem aumentando e, infelizmente não mostra uma pausa ou um decréscimo, ao contrário, vem gradativamente preocupando mais a população de adolescentes. Isso quando a gente fala de a eh sexo, né, masculino, feminino, quando nós falamos de idade, aí a aliás, quando a gente fala de sexo masculino e feminino, os homens são mais sujeitos a o suicídio. A mulher tenta mais suicídio, mas os homens acabam tendo mais letalidade na proporção de três ou quase até quatro para um. E importante a gente lembrar de que quando falamos de sexo masculino, feminino, há uma população que quase nós não temos pesquisa, porque no atestado de óbito não vai a questão do da da do gênero, não é LGBTI, que aí a mais não vai notificado, mas sabemos que é uma população também de alto risco até pelo desajuste, pelos tabus, pelos estigmas que eles enfrentam na nossa sociedade. Exatamente, doutora. E como você falou dos jovens, eh como que esse assunto pode ser abordado com os adolescentes, né, com os jovens dentro das escolas? Qual que é o papel, acho importante, né, a gente falar sobre isso, das escolas também, porque esse assunto ainda é tabu. Veja bem, o assunto é tabu, mas assim, se nós olharmos para trás, ele era muito mais tabu, né? ah, em relação a se conversar, se falar do que atualmente. Tanto que nós estamos fazendo a reportagem porque estamos quebrando, né, esse tabu, esse estigma que tem sobre o assunto. Que que nós devemos alertar população jovem, adolescentes, principalmente pais e mães de de adolescente, as escolas, né, de um modo geral, os tutores de de da da população de crianças e adolescentes, de observar comportamento, que é o principal, se a pessoa eh tinha um comportamento, a criança ou adolescente e começa a ficar retraído, começa a ficar isolado, se é vítima de bullying, de cyber bullying, que reações tem, por exemplo, de irritabilidade, de ficar muito isolado, fechado no quarto, ficar na rede social. Quanto mais tempo ficam na rede social, mostra mais que tem sinais de depressão, sinais de isolamento e muitas vezes choro, irritabilidade, agressividade é muito comum. Outra coisa comum, principalmente na população de adolescente, é abuso de substância, que começa às vezes muito cedo o uso de álcool, de maconha e outras drogas. E isso piora o quadro depressivo e, infelizmente, favorece o impulso suicído, o comportamento suicida. Então, pais, professores, todos devem ficar alerta a essas alterações de comportamento. E se ele tem alguma outra patologia, se tem TDH, se tem depressão, se tem pânico, ansiedade, se tem alguma outra coisa que possa est fazendo com que ele aí venha a ter ah possibilidade, uma doença física debilitante, mesmo em adolescente, determinadas coisas do quadros neurológicos, quadros deformantes, né, vítimas após um acidente, após uma queimadura por acontecimentos, ela pode desenvolver um quadro depressivo e com isso não desejar viver. Eh, doutora, existem algumas atividades que podem ajudar essas pessoas a afastar essas ideias suicidas, por exemplo, atividade física, eh algum curso, alguma, alguma algum exercício mesmo que que essas pessoas possam se dedicar ali para que ajude nesse momento, né, que ela tá vivendo de dificuldade? Então, veja bem assim, aí nós falamos dos fatores de proteção para que ela venha poder ficar bem. Isso, independente de ela ter aí comportamento ou ideiação suicida, todas as pessoas, todos nós temos que desenvolver atividade física, porque isso aumenta a serotonina e favorece com que a gente elimine grande parte do estress, do dia a dia, da escola, do trabalho, do da próprio ambiente, a situação econômica. Então é importante assim, mas qual atividade física é a melhor? É a que ela gostar, né? Muitos estudos mostram que a corrida, isso, aquilo, mas é o que ela gostar. Pode ser a corrida, pode ser dança, pode ser natação, pode ser esporte, atividade física que seja do agrado da pessoa. Us, o horário de sono é outra coisa fundamental, principalmente na população jovem, mas em qualquer idade, até porque a falta de sono ao longo do tempo favorece a as perdas neuronais e a gente pode desenvolver no futuro um quadro de Alzheimer. E o que a gente vê, né, que cada vez mais todo mundo, não só os adolescentes, mas principalmente adolescentes, fica muito tempo na rede social, vai pra cama, pro quarto e fica no celular, no tablet, no computador e com isso o cérebro não desliga, não descansa, não tem horas de sono. Se não tem horas de sono, não acontece o que a gente fala a glifage, que é uma espécie de linfa, né, que o cérebro tem que na precisa limpar pelo menos de 6 a 8 horas por dia para que haja uma desintoxicação. Com essa desintoxicação, a pessoa acorda bem disposta, acorda bem humorada e segue a vida. Se ela não tem horas de sono adequada, ela vai acordar com a sensação cansada, não vai ter as funções cognitiva, tensão, raciocínio, memória, tudo isso atrapalha. Isso vai mexendo com a autoestima dela e aí vai trazendo consequências. Procurar ter amigos, né? Ah, não, mas eu tenho tantos seguidores, não, não estamos falando de amigos virtuais, amigos reais. Então, teu grupo de amigos sair, ir para compromisso com os amigos, com família saudáveis, né? Em vez de se reunir amigos para usar droga, álcool, que sejam conversas sadias, que sejam assim, tudo isto tem estudos mostrando que as pessoas acabam tendo melhor qualidade de vida, melhor autoestima. Outra coisa importante é a pessoa assim, se ela está tendo alguma coisa, ela procurar ajuda. Pais, né, mães, professores, sempre procurar fortalecer a autoestima, dar eh estrutura para que ela desenvolva a resiliência, que é a capacidade de enfrentar adversidades. Se ela enfrenta adversidades, ela vai ficar mais longe de pensar em acabar com a vida, de ter ideiação suicida, porque ela está bem com ela. Todos nós temos um lado que fica às vezes triste, né? Às vezes não é todo dia que estamos de bom humor, mas isso é passageiro e acaba se vencendo isso. Quando esses estados começam a ficar mais constante, começa a ficar mais presente e não reduz, procurar ajuda ou oferecer ajuda, se você tá diante de um filho, de um aluno que precisa, para que a gente possa oferecer isso também numa empresa, em qualquer idade, porque eh no começo você falou, o suicídio ele não escolhe idade, gênero, sexo, eh profissão. Pode acometer todas as classes e todas as pessoas. Por isso a gente tem que ficar alerta. E se tem problemas mentais na família por genética ou mesmo a pessoa já tem, também temos que estar alerta e oferecer ajuda a estas pessoas. É exatamente isso, doutora. Inclusive o setembro amarelo de 2025, né, deste ano, o tema é se precisar peça ajuda. Então, acho que a gente tem que reforçar aqui que é muito importante pedir ajuda. É importante pedir ajuda e quem receber esse pedido de ajuda, saber oferecer ajuda. como a gente já enfatizou, não vim com julgamento, não vim com crítica, pelo contrário, estar bastante empático, aceitar e a gente perceber a dor de quem tá procurando ajuda, a dor que ele tá sentindo. Ah, mas eu no lugar dele não sentiria, você não é ele. Você tem que olhar como é que ele se sente e oferecer ajuda do que a pessoa precisa. Porque muitas pessoas às vezes procuram ajuda, mas não são compreendidas, não é entendida claramente do que acontece, da necessidade que tem. Eh, doutor, aproveitando até queria que você falasse um pouquinho sobre a campanha, a importância dessa ação da sociedade. A gente disse, né, ainda é tabu, mas tá melhorando muito. As pessoas estão mais abertas a esse tema, tão falando sobre isso. É, veja bem, a campanha começou já há muitos anos atrás. No Brasil foi em 2014, mas já a Organização Mundial já tinha feito antes, a partir de um jovem americano que eh tinha um carro, ele reformou o carro todo, um camaro amarelo, e todo mundo era conhecido no bairro, no interior do dos Estados Unidos. E de repente, assim, do nada, sem que as pessoas tivessem percebido que ele não tava bem, ele se suicidou. E aí ali a vizinhança fez cartõezinhos, né, os adultos, eh, escrevendo justamente isso que é o a o lema da campanha deste ano. Se você estiver se sentindo com angústia, com alguma coisa, peça ajuda. E entregou um cartãozinho para todos os jovens na época. E isso tinha uma fitinha amarela. Isso ficou como símbolo. A Organização Mundial adotou outros países, assim como o Brasil. O Brasil pegou forte pela Associação Brasileira de Psiquiatria junto do CVV, junto do Conselho Federal de Medicina, que espalhou-se mais a campanha do setembro amarelo. Mas eu quero enfatizar que não é só setembro. Setembro é quando a gente comemora o dia eh eh mundial da prevenção do suicídio, mas a gente tem que estar disposto a ajudar ou pedir ajuda o ano inteiro. Eu sempre falo bastante sério, né? Eu as pessoas acham que é brincadeira, mas é bastante sério que assim é amarelo o ano todo, a prevenção se faz o tempo todo. Tem períodos que isso fica mais sério. Por exemplo, final do ano, quando as pessoas fazem balanço do que fez, do que planejava fazer em 2025, conseguiu, não conseguiu. E às vezes algumas pessoas ficam contrariadas. Datas de aniversário, datas comemorativas são eh momentos oportunos. Então, a gente sempre tem que tá pensando que o tempo todo nós temos que estar fazendo prevenção. Então, é amarelo o ano todo para que a gente possa estar ligado, alerta, oferecendo ajuda ou se a pessoa está dentro disso, ela ã pedir ajuda. Porque eu acho que é uma coisa importante, toda pessoa com comportamento suicida, ela tem o que nós chamamos a ambivalência. Ela quer morrer, não, ela quer sair do problema da dor, do sofrimento que ela está. É uma dor psíquica intensa. Se nós oferecermos ajuda, a gente consegue gradativamente com que ela venha ter motivos para viver. E é esse o nosso grande eh alerta de procure ajuda, porque motivos para viver você vai encontrar mesmo. Doutora, a gente pode falar da própria pandemia, né, que trouxe aí uma uma onda de casos de depressão e também de ansiedade. Foi um momento assim que muitas pessoas ficaram eh nervosas, né? foi uma dificuldade muito grande para muita gente e isso acabou resultando no que a gente vê acho que muito hoje, né? Essas essas ansiedade, essa depressão, esses momentos também influenciam, né? Sim. Veja bem, a pandemia, né? Eu acho que de de todas as pandemias que se teve ao longo de de mais de um século, né, todos os desastre e guerra, a esta pandemia da Covid-19, ela sem dúvida mexeu com todo o planeta e o número de mortes foi assustador e também o número de pessoas que ficaram, né, diante de tanta reportagem, de tantas mortes, de tantas perdas, acabaram ficando com o que a gente fala, depressão, ansiedade e também o transtorno do estress resposta também aumentou a dependência ao álcool, isso por estudos, aumentou a casos de divórcio, né, porque as pessoas passaram a ficar mais próximas. Então, assim como a violência doméstica. Então, a pandemia ela trouxe bastante consequências e isso repercutiu no estado mental das pessoas. Então, é importante também a gente pensar de que a pandemia ela meio que autorizou as pessoas que antes tinham algum problema mental, mas tinham vergonha de falar, tinha o estigma, o preconceito. Após a pandemia, muitas pessoas passaram a procurar ajuda médica, ajuda psiquiátrica ou psicológica, porque não depois da pandemia eu fiquei mais ansioso, eu fiquei mais deprimido. passou a ter um motivo, né, uma uma desculpa de que com a pandemia, muito embora alguns a gente perceba que e já estivesse doente antes mesmo da pandemia, mas a pandemia agravou muitos quadros. Vale lembrar, né, de que a grande atleta Simone Bos na Olimpíada em Tóquio, ela estava lá, né, e tinha assim todo o o sucesso que já tinha anteriormente, estava ali sendo cotada como uma das melhores, né? Chegou no meio da competição, ela simplesmente parou e não competiu, né? Por emocionalmente ela não estava bem. E eu lembro muito da frase dela que ela fala: "Tudo bem, não estar bem". Isso é importante para que a gente possa entender o que Simone Baios, assim como outros influencer, outros atletas param e dizem: "Não estou bem mentalmente fazer o tratamento para que possa com isso evitar uma tragédia maior." É tratando o transtorno mental, tratando o emocional que a gente evita o comportamento suicida. Exatamente. É, foi fundamental esse ato, né, da Simone. E doutora, qual como que as pessoas podem buscar ajuda, né? Como tô tendo pensamentos suicidas, como buscar ajuda? Quais centros a gente pode procurar? tem o CCV, que é um que faz um trabalho muito importante. É, o CVV, ele faz um trabalho de 24 horas todos os dias do ano. é uma ligação intermitente, mas também tem um telefone do do governo, eu não lembro agora o número, e também tem o mapa de mental que tem psicólogos à disposição, mas na verdade cada um pode procurar na sua própria região, seja na UBS ou na AMA, procurar assistência médica de um psiquiatra, de um médico. Algumas regiões não têm, mas procurar o do seu convênio. O importante é que procure uma pessoa capacitada para poder atender e se precisar medicação não ter a o preconceito. Ah, remédio eu não vou tomar. É importante que as pessoas vençam esse tabu de não querer tomar remédio para área psiquiátrica. Porque assim, se eu tô doente do coração, eu tenho que tomar o remédio ou paraa minha coronária ou pra pressão arterial. Se eu tô doente de um problema no intestino, no estômago, eu tenho que tomar remédio. Se eu tô doente eh de um problema mental, eu tenho que tomar remédio para isso. Não é que vai ficar dependente, a pessoa vai acabar sendo beneficiada. Por exemplo, eu uso óculos, eu tô dependente do óculos. Não, se eu tirar, eu não enxergo. Mas se eu colocar o óculos novamente, eu passo a enxergar. Não é dependência. Eu tenho uma deficiência visual que faz com que eu tenha que corrigir com a lente. Isso é a mesma coisa para o cérebro. a gente vai precisar fazer aí a reposição de alguma substância, de alguns neurotransmissores para que a pessoa se equilibre e deixe de ter depressão, ansiedade, pânico, bipolaridade, esquizofrenia, aí uma série de outras doenças que podem estar acometendo a pessoa. Eh, doutor, então, paraa gente encerrar aqui o nosso programa, eu gostaria que você deixasse uma uma mensagem aqui pro nosso público, eh, alertando mesmo, né, sobre esse assunto, reforçando a importância aí da campanha do setembro amarelo. Sim, acho que o a grande mensagem é procure ajuda, né, como tá sendo o a o lema da campanha de 2025. Não tenha vergonha, tenha a humildade de dizer: "Não, estou bem, preciso de ajuda." Procurar pessoas competentes. Quem recebeu pedido de ajuda, não deixar a pessoa sozinha, procurar encaminhá-la para alguém de competência, seja um médico, seja um psiquiatra, para que possa ajudá-la. e sempre pensar que no fundo as pessoas não desejam morrer, desejam se ver livre da dor, do sofrimento emocional, da dor psíquica que é muito grande e que tudo tem solução, tudo tem saída. Basta a gente pedir ajuda que a gente encontra o caminho certo. A todos eu digo que a gente tem que ter motivos para viver. E como diz o Sagles Brown, que ele fala: "Ah, um dia nós vamos morrer, um dia, muitos dias nós vamos viver." E é nesses muitos dias que nós vamos aí tá pensando que a gente tem motivos para viver. Tá bem, doutora? Muito obrigada pela sua participação, pelos seus esclarecimentos e informações aqui passadas pro nosso público. Muito obrigada. Eu é que agradeço e espero que todos possam assistindo a tua entrevista dizer para outras pessoas se beneficiarem com estas informações, não é assim? Com certeza. Muito obrigada. O Saúde e a Vida fica por aqui. Obrigada ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. เฮ [Música] [Música]