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Olá, estou na área para falar de saúde. Olha, um assunto que tem preocupado muita gente é o novo coronavírus, né? Tem preocupado as autoridades de saúde, os médicos e a população. E uma das preocupações são as sequelas deixadas pela doença. Por isso, eu vou conversar com o doutor aqui que está comigo, o doutor Gilberto. Tudo bem, doutor? Seja muito bem-vindo aqui ao nosso programa. Olá, André. Olá a todos da TV Cama. Eu agradeço a oportunidade para a gente poder falar um pouquinho dessa novidade que é o coronavírus, que está atrapalhando muita gente, principalmente na parte e o olfato, que é sentir o cheiro e o paladar, que é sentir o gosto, que a gente está tendo aqui um angulatório só disso devido à frequência que isso está ocorrendo devido ao coronavírus. Agora, essa doença ainda está em estudo, né, doutor? A gente não sabe precisamente como é que ela se comporta, mas, igual o senhor falou, alguns sintomas a gente já dá para perceber? Sim, a gente tem uma perda de olfato, né, que a gente chama, que, de repente, do dia para a noite, a pessoa para de sentir cheiro, e a diferença disso é que é de uma forma muito rápida. Então, a pessoa, de uma hora para a outra, ela para de sentir o cheiro. Isso é bem característico do coronavírus mesmo, nesse tipo de epidemia. Quando a gente tinha isso na gripe A, que é o do H1N1, ou da gripe normal, era, às vezes, uma coisa mais evolutiva, a pessoa perdia aos poucos, demorava uns dois, três dias, ia sentindo essa perda, né, e a frequência, né, o que a gente tinha de frequência em torno de um e meio, dois e meio, né, nas gripes normais aí, vamos dizer assim, no coronavírus aumentou muito, a gente tem um angulatório aqui com mais ou menos 180 pacientes, e a gente está vendo que essa frequência é muito maior em relação a isso, e que perde o cheiro e fica com o cheiro totalmente perdido, que nas outras gripes era por volta de mais ou menos 1,5%, aqui é 4,5%. Nossa, é bastante. 4,5%, aumentou muito, quatro vezes mais do que uma gripe normal. E a pessoa que confunde o cheiro, porque às vezes a pessoa só, depois que ela tem isso, ela só perde o cheiro, mas ela confunde. O que é confundir o cheiro, para a gente entender? A pessoa, por exemplo, o cheiro do café, e ele vai sentir, às vezes, só uma parte daquele cheiro. Por exemplo, só o torrado. Então, o café fica com cheiro de fumaça. Perde a noção, né, doutor? Isso. Então, a pessoa começa a ter o cheiro errado nesse sentido. E o que é mais importante a gente conversar com uma pessoa que perde o cheiro? É realmente que a gente não nota, mas o cheiro faz parte da proteção do nosso dia a dia. É isso que eu ia perguntar para o senhor, qual que é a importância da gente sentir o cheiro, né, gente? A gente está tão acostumado que a gente ainda nem se deu conta da importância da gente sentir cheiro, né? Isso, a primeira importância é a comida, né? O cheiro é a nossa principal arma para saber se aquela comida está estragada ou não está. Então, quem está sem cheiro é aquela pessoa que não vai poder comer alguma coisa sem saber ou a validade ou outra pessoa avisando, né? O que eu tive aqui? Pessoas com intoxicação alimentar mesmo. Nossa, é perigoso, então. Leite estragado, tomou o leite, não sentiu nem o gosto, nem o cheiro, porque a maioria do gosto é cheiro, né? E acabou intoxicado, acabou tendo que ir para o hospital, tomar soro, fazer um monte de coisa, podendo até, no caso, graças a Deus, foi uma intoxicação grave, mas podendo ser uma intoxicação grave. E outra coisa de segurança que a gente tem muito no cheiro e a gente faz isso sem perceber, é quando a gente está mexendo com produtos ou que são amáveis, ou que pegam fogo, então a maioria dos pacientes queimaram comida... Não tem controle, a gente nem sabe que pé que está a panela. Não sabe o que está, e pegou fogo mesmo, e fumaceiro, e a pessoa só percebe a hora que a fumaça está grande. A gente teve pessoas que tiveram problemas com escape de gás, deixou o gás ligado, não sentiu o cheiro, e quando as outras pessoas entraram na casa, foram socorrer, tiveram que abrir a casa, porque a casa estava cheia de gás, gasolina também, e eu tive alguns problemas com cloro, A pessoa foi limpar o banheiro, deixou muito cloro, ficou muito forte o cloro, a pessoa sai desmaiando por causa daquele cloro e ela não sente o cheiro. Ela não tem uma medida, né, doutor? Isso, é um fator de proteção, né? Então, as pessoas que perderam o cheiro, a primeira coisa é ela cuidar com a alimentação e toda vez que ela for trabalhar com algum produto, que seja químico, mais forte, um cloro, ou um gás, ou fogo junto, né, gás, gasolina, essas coisas, para ela prestar uma atenção maior, porque é um perigo real e causa acidentes. E pedir ajuda também, já que está enfrentando essa situação, né, doutor, que ela não é capaz de perceber o cheiro das coisas, até pedir ajuda, como o doutor falou, é bastante arriscado, pode causar problema aí na sua saúde e também na sua segurança, né, doutor? Na segurança também. Então, isso é muito importante e eu acho que o cheiro tem uma coisa que é muito importante para as pessoas, que também é um prazer. A gente sentir um perfume bom, é um prazer. O gostinho do café. É, por exemplo, o gosto, como é que a gente sente o gosto, como é que a gente tem o paladar da comida, né? O azedo, salgado, amargo e doce, isso tá na nossa língua, isso é um nervo específico que dá esse tipo de coisa. O nervo olfatório, que é o nervo que sente o cheiro, ele vai dizer se aquele salgado que você tá comendo é o chuchu ou é uma picanha. E ajuda a gente a identificar, né? A pessoa não identifica. Isso a gente vê no dia a dia, que quando a gente está resfriado, a gente sente essa sensação de que está tudo com gosto de chuchu, vamos dizer assim. Tudo que você come não está com gosto adequado, porque você não está sentindo o cheiro. Então você sente que é um salgado, você sente que é um doce, mas na verdade aquele sabor, ele sumiu, né? E é um prazer que a gente tem desde que nasce até quando morre, a alimentação para a gente é algo prazeroso, né? Então é muito difícil ficar nessa situação, as pessoas se queixam assim de uma forma importante, né? Porque como eu não vou sentir o gosto da comida, né, da minha mãe, vai ter o gosto do Natal, né? A gente brinca, a gente olha o gosto do natal, a gente acaba ficando sem sentir coisas que pra gente é muito importante, até emocionalmente, né? É isso que eu ia perguntar. Acaba afetando o lado emocional também desse paciente, né, doutor? Porque o senhor falou que sentir o cheiro e também sentir o gosto tem a ver com as sensações também, né? Com o prazer, é prazeroso. Então a pessoa que tá enfrentando isso pode até desencadear aí um problema com depressão, alguma coisa nesse sentido? Sim, isso já soma esse enclausuramento nosso aí do Covid, nós já estamos limitados ao máximo, ainda foi o escape de muita gente, na verdade, todo mundo tem o seu bolinho, o seu chocolatinho lá que dá uma aliviada. Ah, nem me fala, hein, doutor? Foi meu escape o chocolate. você perde inclusive esse tipo de situação você perde essa coisa de você ter um alívio às vezes naquele chocolatinho a mais ali que te dava uma força nesse momento então realmente as pessoas estão vindo bem receosa, sentindo bem que a falta de cheiro é uma coisa que atrapalha bastante as pessoas e a mãe também tem muita coisa com as mães uma coisa diretamente com a mulher que ela controla muito a criança pelo cheiro. A mãe sabe se fez xixi, se fez cocô, se está doente. Muita coisa é o cheiro. A mulher tem esse cheiro mais apurado exatamente para cuidar das crianças e ela que cuida normalmente da alimentação. E quando a mãe perde isso, e eu tive algumas mães que perderam aqui, que elas ficam desesperadas, porque ela estava acostumada a resolver aquilo rápido. Tinha mãe que já chegava e já sabia até o que era Está doentinho, já sabe pelo cheiro da criança É uma ferramenta das mães É uma ferramenta muito importante para as mães E de repente se perde essa ferramenta de uma hora para outra De forma bruta, de forma muito rápida Uma forma que é uma reclamação também no nosso ambulatório É aqui que a gente acabou anotando isso daí. Agora, doutor, atinge mais alguma faixa etária, por exemplo, os adultos ou os mais jovens ou até os idosos? Ou não tem isso por enquanto, está atingindo todo mundo essa perda de olfato por conta do coronavírus? A gente está vendo mais frequente naquele paciente que às vezes é um adulto jovem e muitos desses pacientes que eu estou atendendo, ele não tem tanta complicação. e eu acho que a gente, quando tem a pessoa internada, isso é um número muito maior pelos trabalhos científicos. A gente teve trabalho aqui nos Estados Unidos com 80%, acho que foi o trabalho que eu vi mais, perda olfatória, a Itália também está com diagnóstico naqueles pacientes internados. O paciente que não é internado, que só teve realmente a perda de olfato, é um paciente mais jovem, é um adulto jovem, Então, a pessoa lá entre 40 e 60 anos, que a gente está vendo mais perto dos 40, 30 anos, muita perda de olfato. E aí a gente faz alguns testes, esses testes são feitos, primeiramente um teste mais simples, que é medir o cheiro através de uma régua específica, e esse valor da régua vai dar se a pessoa está com uma perda de olfato, está com olfato normal, uma perda leve, a gente chama de microosmia, ou está com uma anosmia, quer dizer, uma coisa a menos de 5 centímetros do nariz, a pessoa não sente cheiro nenhum. Doutor, mas ele atinge as mucosas também, ou só essa sensação, só o cheiro mesmo? Incrível que no Covid a gente não está vendo aquele nariz entupido, que é o comum nas outras gripes. você vê que o nariz realmente limpo e com perda de cheiro e isso fala a favor de ser uma lesão diretamente ou ali no nervo ou na bainha do nervo uma lesão mais dentro de onde o nervo sente a respiração isso a gente está estudando aparentemente tem umas pessoas que tem a lesão só na capa do nervo o nervo é como se fosse um fio que tem uma capinha, esse fio normal, e tem gente que parece que tem lesão só nessa capinha, que é na mielina só. Essas pessoas, elas têm um distúrbio de cheiro muito frequente, que é, olha, eu estou sentindo cheiros diferentes, ou estou sentindo um cheiro que não aparece. Que é como se eu tivesse um monte de fio desencapado. Eles cruzam entre eles, mas depois que encapar, isso mais ou menos volta ao lugar. E tem pessoas que tiveram lesões que é como se tivesse cortado o fio por dentro, cortado aquela parte do meio do fio. Só que aquilo é como se fosse um monte de fiozinho, como se fosse um cabo de internet, assim. E a hora que ele liga, ele liga meio errado. Então, aí é que a gente vai agir com umas terapias para a cabeça entender que aquelas ligações mudaram, né? Que o café não tem cheiro de fumaça, fumaça é uma coisa, café é outra. Então, a gente tem os treinamentos olfatórios que vão levar a gente a voltar o cheiro, né? O que eu tenho hoje em dia é que uma população que acompanhou três meses, no mínimo, porque o cheiro, ele demora para voltar. Normalmente, numa doença normal, ele pode levar, para você ter noção, até dois anos para voltar. É muito tempo, doutor? É bastante. Na maioria, a gente tem aquela recuperação, na grande maioria, até 10, 15 dias, né? pessoas que tiveram lesão leve, que graças a Deus é a maioria, né, tá entre os 80% aí do nosso ambulatório específico, né, que aqueles pacientes não tão graves, esses recuperam sozinho. Agora, passou de 10 dias, a gente vê que se não recuperou ou tá confundindo o cheiro, aí nesses outros pacientes, né, esses 20% aí que tem confusão de cheiro ou tem realmente a perda de olfato, e aí a gente chega num ponto que realmente a gente ainda não consegue responder. Mas uma boa notícia é que em alguns casos, na grande parte pelo que o senhor falou, tem um tratamento, então. Tem, tem tratamento. A gente entra com tratamento com remédios já de cara, já tem as medicações específicas, inclusive uma delas é o corticóide, que usa para o tratamento do COVID internado mesmo, A gente tem tratamentos com vitaminas, reposição de zinco, de metais, de outras coisas que vão ajudar na reformulação do nervo. A gente tem uma lavagem nasal específica, que seria a lavagem de alto fluxo, que ela é específica para as anosmia, e a gente também está usando isso aí no COVID, É lavar o nariz com uma intensidade maior do que nas lavagens normais. Isso a gente está usando. E tem remédios específicos que tem que o médico passar, porque depende um pouquinho dessa característica. Se sente cheiro que não existe, se sente cheiro trocado, se não sente cheiro nenhum. Então, essas características ajudam. Então, aqui em São Paulo, a gente tem uma coisa que aí não é muito frequente todo mundo ter, que seria um teste de olfato específico que a gente está trazendo da Pensilvânia. Olha, uma novidade importante, né, doutor? Até para o senhor falar bastante desse teste, porque é uma novidade e é importante até uma esperança para quem está enfrentando esse problema, né, doutor? Como é que funciona? É um teste que veio de fora? Isso, a Universidade da Pensilvânia é o centro de olfato do mundo, sempre foi o lugar onde a pesquisa do olfato foi mais feita, e eles criaram um teste que são 40 cheiros, que vem em umas cartelas, a pessoa quando risca aquela cartela, ela solta, emite o cheiro, e ela tem que dar uma resposta em quatro alternativas. Então, com isso, a gente consegue avaliar esse cheiro no primeiro momento. Então, não só a quantidade, mas a qualidade dessa perda, né? Então, aquela classificação que era 3, aí eu passo a ter 6 classificações, né? Para a gente ter mais diferenças de tratamento e conseguir tratar mais específico. Para saber que estágio está também, né, doutor? Isso. E o bacana dessa tabela é que ela também é usada no sentido de acompanhamento. Então, essa mesma cartela que você usa a primeira vez, a gente consegue usar até mais vezes. E nessas mais vezes a gente usa para fazer o acompanhamento de como está evoluindo. Tem muita coisa ainda que nós estamos fazendo trabalhos ainda. A gente está, as pessoas que topam fazer o trabalho lá, eu estou fazendo o trabalho para ver quais realmente dessas terapias, nesses tipos de perda, a gente tem um resultado melhor. Então esse teste, doutor, ele deixa até o tratamento, ele direciona melhor vocês para decidir qual tratamento adotar para o paciente? Sim, tem que direcionar, porque o cheiro, ele tem várias partes no nervo que sentem cheiros diferentes, né? Então, depende da parte, a gente sabe o que está acontecendo. Eu tive um paciente agora, essa semana passada, passada ou retrasada, retrasada, que ele tinha, na verdade, um ossinho que crescia na parte anterior do nervo fatório, né? Então, ele veio com Covid, mas, na verdade, ele já tinha uma lesão anterior. E o teste dele naquela região da lesão é todo falho. E todo... ele conseguiu fazer muito bem. Então, assim, é um diagnóstico que acabou sendo conjunto com o Covid. Praticamente, de Covid, ele sarou. Já tratou do... anterior, que causa ele não sentir cheiros numa determinada, num determinado espectro, que a gente chama, como é que eu já... Tem alguns cheiros que ele não sente. Mas é porque também é relacionado a outros problemas que ele tinha anteriormente, né, doutor? Problema anterior, né, que a gente vai tratar o problema anterior dele, mas é um aspecto aí diferente aí que a gente pode ver, e se você não tem o exame, né, A pessoa recuperou 90% do cheiro, você não identifica que precisa de uma tomografia, usar melhor para poder achar uma coisa que ele tinha antes, né? Então, isso daí é importante a gente pormenorizar, porque às vezes a pessoa já tem uma perda ou vai evoluindo, né? A gente naturalmente perde o cheiro, tá? Isso também é uma coisa... Isso acontece, doutor, conforme a gente vai envelhecendo? Conforme vai envelhecendo, a gente vai perdendo a capacidade de sentir cheiros. Isso é natural. A audição, a visão, o cheiro também a gente vai enfraquecendo. Vai diminuindo o cheiro. A pessoa vai diminuindo o cheiro. Às vezes a gente briga com o idoso, porque às vezes ele está um pouquinho sem o desodorante adequado, mas ele perdeu um pouquinho a capacidade de cheiro. Então é uma coisa que a gente tem que às vezes avisar Falar, ó, aí você tem que tomar um pouquinho mais cuidado aí Reforça aí os cuidados, né, doutor? Porque ele não tem ainda mais a percepção, né? Isso, a pessoa acaba ficando com cheiro Às vezes a gente brinca, ah, tá com cheiro de velho, né? Na verdade é porque muitas vezes perdeu o olfato E aí a higiene pessoal acaba ficando um pouco diminuída Doutor, infelizmente nosso papo terminou mas eu queria agradecer as suas orientações, que foram muito importantes para nós. Eu agradeço, Andréia. Qualquer coisa aí, nós estamos com ambulatório lá no Hospital Paulista também, se a gente sabe que está com muita dificuldade ainda de profissionais ainda habilitados, a gente está tentando que mais médicos saibam mais, entendam mais, estamos tentando não só educar aí o corpo, mas os médicos também, mas enquanto isso, a gente está aqui no hospital com ambulatório específico, e tentando ajudar vocês aí, nesse momento aí de pandemia mais difícil. É uma ajuda preciosa, a gente sabe, né? É um esforço, né, doutor, além que vocês que estão aí na linha de frente têm feito em prol da nossa saúde, né? E para combater essa doença aí que veio como uma avalanche, né, para todos nós. Tá bom, obrigado. Doutor, muito obrigada. E olha, eu vou fazer mais um convite, volte sempre que quiser, viu? Sua participação é muito importante aqui. Tá ok, depois da pandemia a gente fala sobre Masterchef e cheiros Isso, melhor! É isso mesmo É um assunto muito mais tranquilo É mais light, é mais cheiroso esse assunto Isso, perfumes, Masterchef, como o sommelier faz São coisas muito mais interessantes da gente conversar Isso mesmo, muito obrigada doutor E obrigada você também que esteve comigo até agora Faça igual o doutor falou, qualquer alteração procure ajuda médica e cuide-se. Até nosso próximo encontro. Tchau!