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Saúde é Vida | Novembro Roxo - Prematuridade: sinais, riscos e cuidados essenciais
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Saúde é Vida | Novembro Roxo - Prematuridade: sinais, riscos e cuidados essenciais

225 views Publicado 17/11/2025 HD · 40:35

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A prematuridade é hoje uma das maiores preocupações da saúde materno-infantil e representa o principal risco de mortalidade neonatal. No Brasil e no mundo, milhares de famílias enfrentam os desafios de um nascimento antes do tempo — e é sobre isso que falamos no episódio de hoje do Saúde é Vida. Recebemos especialistas para explicar de forma clara, humana e acessível o que é a prematuridade, quais são suas causas, os fatores de risco, as complicações mais frequentes e, principalmente, os cuidados que fazem a diferença na sobrevivência e no desenvolvimento desses bebês tão frágeis. Ao longo do programa, você vai entender que prematuridade significa nascer antes de 37 semanas de gestação, e que existem diferentes graus — desde o bebê extremamente prematuro, com menos de 28 semanas, até o prematuro moderado e tardio, entre 32 e 37 semanas. Também falamos sobre a importância do peso ao nascer: abaixo de 2,5 kg já indica risco, que aumenta quanto menor for o peso. Entre as causas, abordamos fatores como doenças maternas (hipertensão, diabetes gestacional), complicações na gravidez, rompimento prematuro da bolsa, trabalho de parto antecipado, tabagismo, gravidez precoce e questões sociais. Mas também destacamos um dado importante: metade dos partos prematuros acontece em mulheres sem qualquer fator de risco identificado, o que reforça a necessidade do acompanhamento pré-natal cuidadoso e constante. Nosso programa também explica de forma detalhada as principais consequências da prematuridade, como a imaturidade dos pulmões, que costuma exigir suporte respiratório; o maior risco de infecções devido ao sistema imunológico imaturo; e as possíveis sequelas neurológicas, motoras, visuais e auditivas. Falamos ainda da necessidade de internação em UTI neonatal, muitas vezes por longos períodos, até que o bebê esteja apto a ir para casa com segurança. Além disso, discutimos estratégias fundamentais de prevenção — do pré-natal rigoroso às intervenções médicas como progesterona, cerclagem do colo do útero, uso de antibióticos e orientações para repouso. Também destacamos os sinais de alerta que nenhuma gestante pode ignorar: contrações antes da hora, sangramentos, perda de líquido e sintomas de pressão alta. O episódio termina com orientações importantes sobre os cuidados após a alta: evitar contato com pessoas doentes, manter a casa arejada e higienizada, atualizar a vacinação de todos da família, seguir acompanhamento médico especializado e priorizar a amamentação sempre que possível. Este é um conteúdo essencial para gestantes, famílias, profissionais da saúde e para quem deseja entender melhor como prevenir, identificar e cuidar de casos de prematuridade. Assista, compartilhe, deixe seu comentário e leve informação adiante — ela salva vidas.

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Olá, [música] seja muito bem-vindo. Estamos chegando aqui na TV Câmara Campinas com o nosso programa Saúde é Vida. Neste mês de novembro, uma cor especial ganha destaque, é o roxo. O novembro roxo é uma campanha de conscientização sobre a prematuridade, uma condição que afeta milhares de famílias todos os anos e exige cuidados muito específicos. O Dia Mundial da prematuridade é celebrado no dia 17 de novembro e o slogan da campanha desse ano é: Garanta aos prematuros começos saudáveis para futuros brilhantes. Hoje vamos entender o que é um parto prematuro, como prevenir e quais avanços têm ajudado esses pequenos guerreiros a vencer seus primeiros desafios de vida. Para conversar com a gente sobre o tema, eu recebo Marina Carvalho de Morais Barros. Ela é pediatra neunatologista e vice-presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Seja muito bem-vinda, doutora. Prazer de receber aqui no nosso Saúde é Vida. Bom dia a todos. Prazer é meu de estar aqui com vocês, conversando aí sobre um tema bastante importante que é a questão da prematuridade. Então, o nosso novembro roxo, um mês de alusão ao prematuro para sensibilizar a população, né, das intercorrências da prematuridade, das causas, o que a gente pode fazer para prevenir e como orientar aí eh as mães, as famílias de bebês prematuros. Então vamos conversar aí um pouquinho. Excelente, doutora. Agora, então, pra gente começar, é importante a gente saber o que realmente significa um parto prematuro, o que é, né, como se caracteriza um bebê prematuro. Então, quando a gente fala da gestação, né, então o prematuro é aquele que nasce antes da gestação ser completa. Então, uma gestação completa, ela tem 40 semanas de duração, né? Eh, a gente considera um bebê a tero, ou seja, que nasceu no tempo adequado, aquele que nasce de 37 semanas até 41 semanas e 6 dias, né? Esse é o bebê que nasce a termo. Óbvio, quem nasce com 42 ou mais semanas é o pós termo. E o prematuro é aquele que nasce antes de 37 semanas, tá? Tá? Então, até 36 semanas e 6 dias aí de gestação, tá? Óbvio que quando a gente fala de prematuro, a gente tem uma uma ampla faixa, né? Desde bebês de 24 semanas que chegam a sobreviver até bebês que ficaram intentútero até a 36ª semana. Então, é uma faixa bastante grande. É óbvio que eh de 24 para 36 semanas são 12 semanas de intervalo. São 12 semanas muito importantes em termos de desenvolvimento desses fetos intraútero e com certeza vão ser bebês bastante diferentes. Até por isso que a gente classifica eles, né? Não dá pra gente eh ver todos esses prematuros de um modo igual. Então assim, a maioria dos prematuros são os prematuros tardios. Eh, 70% dos prematuros são tardios, nascem com 34 a 36 semanas e 6 dias. E a gente tem aí os bebês eh que são prematuros moderados, que nascem de 32 a 34 semanas. os muito prematuros que nascem de 28 a 32 semanas e aqueles prematuros extremos que nascem com menos de 28 semanas, né? Então, cada bebê desse é um desafio pra gente e também para as famílias. E como a gente foi dito numa preocupação porque a prematuridade tem uma frequência elevada no nosso país, tá? Então, em 2024 a gente teve aí 12% de partos prematuros. o que dá aí cerca de 290.000 bebês por ano, um pouquinho mais. Então é grande o número de crianças prematuras e uma frequência que é até um pouquinho mais alta aqui nos Estados Unidos, que tá ao redor de 10, 11% e bem mais elevada se a gente considerar países nórdicos como Finlândia, Escócia, Noruega que ficam aí entre 5 e 6%. Então, sem dúvida, a prematuridade é aqui no Brasil um problema de saúde pública e que a gente tem que abordar. E aí a importância do novembro hoje o mês da gente tá sensibilizando toda a população com essa questão. Excelente, doutora. Agora, quais as causas, né? Por eh alguns bebês nascem antes do tempo? Quais as causas de um parto de um bebê prematuro? Então, aí são diversas as causas, né? A gente pode ter causas relacionadas às condições maternas. Então, mães com doenças como a hipertensão arterial, o diabetes mesmo, colagenos levam a parto prematuro ou infecções que essa mãe tem infecção urinária, a principal causa de trabalho de parto prematuro, infecções vaginais, a cóionite, que é infecção das membranas ovulares. Tudo isso pode levar a desencadear o trabalho de parto e o bebê nascer prematuro, né? Ah, você vai ter causas relacionadas às vezes às condições da gestação, por exemplo, uma placenta prévia, né? A placenta que não tá inserida no fundo do útero, que a mãe cursa com sangramento e a criança às vezes nasce prematura. O escolamento prematuro da placenta também pode levar eh ao parto prematuro. As infecções congênitas que o bebê pode apresentar intra útero, né? Ã, e em relação ao concepto, além das infecções, lembrar das gelaridade, né? Então hoje bastantes aí com os programas de reprodução assistida, é mais frequente percentual de cesáreas, de partos gemelares e com isso mais prematuros. Então eu diria que essas são as principais causas e a gente tem que estar atento a isso durante a gestação. E por isso é fundamental a realização do pré-natal, um pré-natal feito desde o início da gestação, com consultas regulares para que então a obstetra consiga identificar essas intercorrências, tratar as gestantes e com isso diminuir o impacto no feto e diminuir eh o trabalho de parco prematuro, a prematuridade é uma luta, né? É uma luta pela vida. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 340.000 bebês nascem prematuras no Brasil todos os anos, o que equivale aí a 931 por dia ou 6 a cada 10 minutos. Mais de 12% dos nascimentos no país ocorrem antes das 37 semanas de gestação. O dobro da taxa observada em países europeus, assim como muito bem pontuou a doutora, né? Considera-se prematuro aquele bebê que nasce antes das 37 semanas, sendo que uma gestação completa dura entre 37 e 42 semanas ou aproximadamente 9 meses. Doutor, esse nascimento, né, de um bebê prematuro, ele traz uma série de desafios tanto para o bebê quanto a família e também para o corpo médico em geral. Como é que é o atendimento nas UTI neonatais? a gente que está fora, né, desse mundo de hospital, a gente eh às vezes não tem nem noção de como funciona esse atendimento e da luta pela vida desse pequeno serzinho que nasceu antes do tempo. E aí a importância da gente falar desse atendimento da equipe médica e também muito me chama atenção a questão da doação de leite materno, que também vai ajudar muito eh nessa questão aí do nascimento prematuro. Então é um logo desafio, né? Um desafio para todos, tá? para o bebê que nasceu pequenininho antes da hora, pra mãe, pro pai, paraa família, para toda a equipe que trabalha dentro de uma utatal. Mas eu gostaria de começar falando antes da gente entrar na UTI do prematuro tardio, porque ele representa 70% dos prematuros. Então, normalmente o prematuro tardio, como eu já disse, são aqueles que vão de 34 até 36 semanas e 6 dias. A maioria deles eles têm um peso bom, né? 2200, 2,400, 2,700. E algumas vezes, ou seja, até na maioria das vezes, eles vão ficar junto com suas mães no que a gente chama de alojamento conjunto ou bersário normal, enfim. Eh, e, eh, junto com bebês a termo, né, que nasceram com 38, 39 semanas. E eu quero quero chamar a atenção, já que nós estamos falando aí da prematuridade, que a gente deve ter especial atenção a esses bebês também, né? Então são bebês que fazem mais intercorrência nesses dois, três dias que eles ficam na maternidade. Às vezes tem até que internar. Eh, eles fazem maisí que aquela coloração amarelada da pele, eles fazem mais hipoglicemia, glicose baixa, superar baixo no sangue, eles fazem mais desconforto respiratório. E uma preocupação temos também com o aleitamento materno, porque são bebês mais prematuros que dormem bastante, tem menos força muscular para sução, né? Eh, então várias vezes eles necessitam de apoio, de um apoio, de um suporte maior nesse aleitivamento materno para conseguir estabelecer eh com que ele consiga mamar bem e ganhar peso só com o seio materno. Então, antes da gente entrar na UTI, chamar atenção também para esses prematuros eh um pouco maiores. No contexto da UTI, eu diria que a gente tem alguns pilares ali. É óbvio que hoje pra gente eh conduzir adequadamente prematuros eh pequenos, né, filhos de 28, 30, 32 semanas, a gente precisa de toda uma infraestrutura de equipamentos, então uma incubadora que vai manter o bebê aquecido, às vezes de ventiladores para ajudar na respiração. Nós vamos precisar de monitor para ver como é que tá a função cardiorrespiratória, identificar as alterações e tratar. a gente precisa de catéteres, de sondas, eh, para poder fazer infusão de dietas, infusão de medicações, enfim, uma série de cuidados que hoje a gente precisa dentro da UTI e outros equipamentos aí que são fundamentais, como as bombas de infusão, né, para poder infundir as soluções numa velocidade correta, numa quantidade correta. Eh, além dessa parte de infraestrutura, hoje a gente pensa numa UTI onde o cuidado é centrado na família, né? No bebê, na mãe, no pai e até nos avós. Os irmãozinhos também têm entrada dentro da UTI para est convivendo aí com o novo bebê que chegou nesses lares, né? Então, é fundamental eh a gente estabelecer esse vínculo com esta família. e torná-la parte do cuidado, né? A mãe algumas vezes se sente muito medo de que vai ser a vida com esse bebê pequeno, tanto dentro da UTI como depois da alta, muita ansiedade porque ela não sabe o que vai est acontecendo no dia a dia, né? Então tem jeito melhor da gente fazer isso do que trazê-la para dentro do cuidado, para dentro da UTI. conversar com essa mãe, ter uma escuta empática para com essa família, entender o que que eles já compreenderam da situação do filho e prosseguir aí no dia a dia com as informações de da evolução clínica do bebê, contando o que que vai acontecer, o que que não aconteceu, por que aconteceu assim ou não, quais são os próximos passos, como eu tô fazendo para tratar esse bebê. Então esse diálogo aberto, completo, com todas as informações, ele é fundamental pra gente estabelecendo uma confiança na mãe desde o primeiro momento e fundamental também para que essa mãe vá se empoderando do seu bebê, né, para que lá na frente ela consiga eh tomar conta dele, prestar os cuidados de de higiene, troca de fralda, banho, alimentação de uma maneira tranquila, sem muito estress. Eu falo muito porque um pouquinho de estress ocorrer, né? Mas aí a gente para isso a gente tem que trazer essa família para dentro da unidade desde o início. E é muito importante aí então o papel não só da mãe como do pai da criança tá junto aí nessa batalha longa aí de internação que às vezes dura dois a três meses. E aí a gente permite então a entrada nos finais de semana dos avós também e dos irmãozinhos. tudo bem organizado, principalmente com as crianças, né? Porque às vezes impactam para elas aquele ambiente de uma uti que é bastante diferente do que elas estão eh acostumados, né? Então isso é importante. Então além da infraestrutura e da família, que a família para mim é um ponto fundamental, temos que ver a equipe, né? E a equipe é uma equipe que vai est lado a lado desse bebê, momento a momento, dia após dia, uma equipe que é multiprofissional. Então, a gente precisa do médico, do pediatra, neonatologista, a gente precisa da enfermeira, das técnicas de enfermagem, da fonudiologia, da fisioterapia, o pessoal do banco de leite, do posto de coleta do leite humano, a nutrição lá do lactário, assistente social tem um papel importante, então a gente tem que integrar saberes pra gente poder melhor cuidar. desde bebê, né? E sempre colocando a família como ponto principal. Então, a UTI, o cuidado na UTI, ele é cheio de protocolos e de rotinas, mas que eu diria que a equipe tem que ser sábia tá adaptando, mudando, adequando esses protocolos, essas rotinas à família que está ali, né? Cada família tem suas particularidades, tem as suas dificuldades. Então, algumas famílias conseguem chegar mais cedo, outras não e conseguem ficar mais tempo, outras ficam período curto de tempo e a gente tem que ir moldando essas esses cuidado para que a família participe cada vez mais, para chegar no momento da alta, a gente ter uma alta mais segura. Eu acho que de modo geral, em termos de cuidado da UTI, eh, era mais isso que que a gente tem a colocar. Excelente, doutora. É muito importante a sua pontuação, a sua explicação, porque na gestação, né, a gente não espera que isso aconteça, ou pode ser que tenha sido dito a possibilidade no pré-natal, mas a realidade é totalmente diferente com aquilo que nós pensamos. e a importância de toda a equipe médica, a importância da expertise de vocês médicos e também do apoio que é dado a família nesse momento tão frágil e especial. E com toda a certeza aquela mãezinha que tá com o bebê na UTI, ela não vê a hora de levar essa criança para casa, mas aí tem o detalhe do cuidado e eh esse esse atendimento com a família é muito importante. E quando a gente fala em novembro roxo, a gente tá falando também de informação e de empatia, que foi muito bem eh pontuado, colocado pela Dra. Marina aqui agora, eh, eu gostaria do seu ponto de vista, da sua visão, né, como eh eh uma médica, uma pediatra, como campanhas como essas ajudam a conscientizar a população, a valorizar esse cuidado neonatal, que é um cuidado específico, né, para essa criança? Então, acho que as campanhas elas vêm aí justamente pro que você falou, pra gente tá informando a população, né? Eu acho que não tem maneira melhor da gente eh prover eh sensibilizar essa população em relação a questão, mostrando a importância, o que que a gente pode fazer para melhorar a situação, o cuidado do prematuro ou mesmo a prevenção da prematuridade através da transmissão de conhecimento, né? Então, eh, quanto mais a gente conseguir passar para a população, qual é a o parto prematuro? O que que é um parto prematuro? Por que ele acontece? Quais são os cuidados que eu tenho que ter com esse bebê, né? Que tem vários desafios pela frente. Como é que eu posso ajudar essas famílias? Como é que as os familiares podem ajudar esses pais ou mesmo os amigos, os parentes podem ajudar? eh os pais, os bebê na situação da prematuridade. Então, acho que para isso essas campanhas são excelentes. É por meio de entrevistas como essa, por meio de lives, por meios de distribuição de material impresso, até eventos, tipo caminhadas, né, eh, um com entretenimento com a população. Eu acho que isso é extremamente válido, né, no sentido da gente poder tá passando informações sobre o que é prematuridade, por que ela acontece e então aconteceu, qual é a melhor maneira de eu tá eh eh ajudando, auxiliando para melhor evolução aí desses pequenos? Muito bem, doutora. Então, quando a gente fala de um parto prematuro, a gente imagina eh que todo parto prematuro seja necessariamente uma cesariana, né, uma cesárea, mas existe a possibilidade de um parto prematuro ser um parto normal. Eh, qual que é a questão do risco da de vida, né, da mãe e desse bebê? Esse risco ele tem sido cada vez menor com o passar dos anos. Temos tecnologia, a ciência vem avançando. Qual que é a sua avaliação sobre a mudança eh eh de um parto prematuro eh há 30 anos atrás? E para um parto prematuro hoje, a gente conseguiu avançar? A gente tá garantindo mais vida para esses bebês? Então, em relação ao parto, vai tudo depender da causa da prematuridade, né? Então, algumas vezes em decorrência das doenças maternas, uma gestante diabética, uma gestante hipertensa ou condições relacionadas ao bebê, ao feto, ele tá em sofrimento fetal, então vai ter situações em que eu vou ter que interromper essa gestão, essa gestação, quer seja por condição materna ou quer seja por sofrimento do fétro. Aí sim a gente vai ter um parte cesárea, né, indicado pela equipe de obstetrícia que avalia muito bem as condições maternas e as condições fetais nesse processo de decisão, qual é a melhor abordagem para a criança, né, e para a mãe também, pensando na segurança da mãe, tá? Eh, algumas vezes essas mães elas entram e trabalham de parto espontaneamente, rompem bolsa, né, né, perde o líquido e entram em trabalho de parto. Às vezes elas chegam na maternidade já com dilatação importante e às vezes é tranquila, tá tranquila a evolução em termos das condições do útero. E a obstetrícia, de novo, avalia muito as condições maternas. as condições do feto e às vezes pode sim optar por parto normal. Então, nós temos eh nós temos eh bebês prematuros que nascem de parto normal. Sim. O importante é que a gestante e o feto sejam bem avaliados pela equipe aí da dos obstetras, tá bom? Pela obstetrícia. Eh, uma vez que o bebê nasce prematuro, né? né? Eu acho que avanços a gente teve ah na nos cuidados de reanimação, né? Porque algumas vezes eles vão necessitar de ajuda para transicionar do que é a vida fetal para o que é agora a vida pós-natal, né? E aí uma boa reanimação feita por médicos capacitados é fundamental nesses primeiros momentos. Eu diria que esse é o primeiro desafio do recém-nascido, né? eh eh passar por esse momento do nascimento, os primeiros minutos. Importante lembrar que serem prematuros, eles têm mais risco de hipotermia, né, temperatura baixa. E a temperatura baixa, ela não é boa para ninguém, ainda mais para um bebê pequeno que não tem reserva, né? Então é importante que nós vamos colocar em volto por um saco plástico, vamos colocar numa fonte de calor radiante, vamos colocar touquinha dupla para diminuir a perda de calor pela fontanela, né? Então, todas essas manobras sempre eh pegá-lo com panos aquecidos, depois se tiver que transportar em incubador aquecida. Então, a prevenção da hipotermia na sala de parto é fundamental nesses bebês. Outro ponto que a gente tem que ver é como é que foi aí o estabelecimento, né, da função respiratória do bebê. Então, bebês que nascem bem, eles já respiram e choram logo. E aí a gente vê desse ponto de vista, tá tudo bem. Mas tem bebês que nascem e não respiram ou tem aquela respiração irregular. Então aí a gente tem que dar algum suporte de oxigênio, às vezes só dando uma o que a gente chama do CEPAP, uma pressão de distensão desses alvéulos, a gente aplica aqui no nariz, já é suficiente, mas algumas vezes eu vou ter que entubar esse bebê, então passar um caninho que vai até o pulmão para tá ventilando esse bebê. E aí a importância de eu ter eh eh profissionais, médicos atuando na sala de parto capacitados em reanimação neonatal, né? E para isso a Sociedade Brasileira de Pediatria tem um programa fenomenal aí de reanimação neonatal. Então esse é um grande desafio dos bebês e essa parte da reanimação, eu acho que ela avançou bastante. O cuidado muito mais eh eh assertivo, muito mais padronizado ao longo dos últimos anos, tem propiciado aí uma uma passagem melhor aí dessa vida fetal paraa vida pós-natal e contribuído aí para esses bebês, né? Então, eh, em termos de cuidado, de nascimento, é importante isso. Eh, e depois esses bebês vão paraa UTI, né, os muito pequenininhos. Então, geralmente bebês abaixo de 2,2g eles vão paraa unidade neonatal, eles não ficam em alojamento conjunto e lá na UTI, né, na unidade neonatal, eles vão ser avaliados e vão, se a gente vai dar os cuidados que forem necessários para eh estabilizar esse bebê e tratar as intercorrências da prematuridade. Então a gente tem que ter noção que esse bebê que nasceu vai com 28, 30, 32 semanas, às vezes um pouco menos, um pouco mais, tá numa fase de franco desenvolvimento intraútero, né? ele sai de um ambiente ideal para esse desenvolvimento e vai para um ambiente extra útero. Você pode ter ainda as condições maternas, né, que ou que levaram esse parto prematuro, interferindo negativamente também nesse desenvolvimento. E quando o bebê vai pra UTI, a gente tem que dar conta de tratar todas essas intercorrências que os prematuros apresentam de uma maneira que a gente diz eh gentil, mas porque eu tenho também que propiciar o desenvolvimento deles. Então é diferente de eu tratar uma criança grave em UTI pediátrica, por exemplo, onde este já é um organismo desenvolvido aqui no recém-nascido prematuro, não. tudo que eu fizer vai ter que ser muito cuidado, com muito cuidado para não atrapalhar esse esse desenvolvimento, né? E aí eh os cuidados eles são diversos, né? Então, problemas respiratórios, eu posso ajudar aí com a ventilação mecânica, se ele tiver com dificuldade para estabelecer as trocas respiratórias com o uso do surfatante, a monitorização cardiorrespiratória. E aí então eu vou conseguir ver se ele precisa de algum ajuste em termos de volemia, em termos de medicação para esse coração funcionar melhor. o aquecimento, que eu já falei para vocês, então da incubadora para eles se manterem aquecidos, a nutrição, a infusão de soluções, a parenteral que vai ajudar na nutrição desses prematuros pequenos nos primeiros dias de vida. Enfim, toda a monitorização que é necessária e os cuidados que tem que ser bastante assertivos pra gente poder eh ter o melhor resultado desse bebê. que é o que a gente quer, né? O que que a gente quer? Um PB que tem alta em boas condições, né? E para isso ele vá ser uma criança feliz. Mas são mesmo muitos desafios que ele enfrenta que ele enfrenta na UTI neonatal, né? E como eu já disse, a participação da mãe, do pai, da família é fundamental. Que a gente tem que lembrar também que ele tá numa fase de desenvolvimento do sistema nervoso também, né? Não só o pulmão tá em desenvolvimento, o coração, o intestino, né? Então tem dois pontos que são importantes, a alimentação e o desenvolvimento. Quando a gente pensa no desenvolvimento do bebê, eh, lembrar do desenvolvimento neurossensorial, né? Então, o desenvolvimento neurossensorial, o tato, a propcepção, o olfato, a visão, audição, tudo isso tá ocorrendo em franco desenvolvimento e a gente tem que ajudar com estímulos para que eh essas vias neurais se desenvolvam. Óbvio que esses estímulos eles devem ser dosados. a gente não pode também sobrecarregar o bebê de estímulo, que a gente vai falar também, isso é ruim, mas uma maneira da gente conseguir eh essa questão é a posição canguru, né? Então, colocar o bebê na posição canguru é fundamental. Como é que é essa posição canguru? O bebê vai ficar na posição vertical contra o peito aqui da mãe ou do pai. bebê só de fraldinha, a mãe o pai também sem blusa, de maneira que a gente estabeleça o que a gente chama contato pele a pele. Então, colocar na posição canguru, colocar na posição do contato pele a pele é diferente de colocar o bebê no colo, tá? E por que que isso é importante? que na hora que eu coloco o bebê em contato pele a pele, palma da mão, planta do pé é cheio de receptores estáis. E na hora que o bebê com a mãozinha pega o corpo materno, o bebê chuta a barriguinha da mãe ou do pai, ali, ele tá gerando estímulos que vão tá estimulando esses receptores e desenvolvendo as vias na hora que a mãe respira, né? Então esse balancinho da respiração sobe, desce, desenvolve a própcepção. O bebê colocado aqui no no no contra o peito materno, vai tá sempre com o cheiro da mãe, né, que lhe é um cheiro familiar e isso favorece o desenvolvimento do olfato também, né? Sem contar que a mãe também vai conversar mais com o seu bebê, do mesmo jeito que ela conversava com ele intraultra agora aqui no num contato pele a pele. E isso estimula a audição, o desenvolvimento da audição. E por fim, né, até a visão, a gente sabe que o bebê pouco enxerga aí no período neonatal, mas vai enxergando sempre o mesmo triângulo da face materna e isso também vai desenvolver as vias relacionadas aí à visão, né? Então, eh, o que a gente fala é que a posição cangucuru, ela promove uma estimulação multisensorial, tá? Dos vários sistemas sensoriais, tá? próprio ou fato, audição, visão. Então, por isso que a gente tem com a posição canguru como parte do tratamento. A gente prescreve, a gente põe na prescrição posição canguru e a enfermagem checa se a posição canguru foi feita ou não. Só que cabe ao pediatra, a enfermagem, as fisioterapeuta, enfim, a equipe de saúde tá mostrando para essa mãe a importância disso, que ela vai tá ajudando no cuidado do bebê, ajudando no seu desenvolvimento. Só assim a gente consegue uma maior aderência para tá fazendo com que a mãe faça o canguru. E quanto tempo pode fazer canguru? todo tempo que for prazeroso, tanto para ela ou pai ou pro bebê. O que a gente recomenda é no mínimo uma hora, né? Mas quanto mais tempo ela fizer, tudo bem. Ah, mas não é perigoso. Até um tempo atrás a gente não recomendava o canguru nos primeiros três dias de vida, que é o perigo, o período de maior instabilidade clínica do bebê. E aí o medo de sangrar na cabeça e tudo, isso não existe mais. Colocando o bebê com calma, ele vai ficar confortado no no contato pele a pele, organizado, aquecido. E isso tudo não leva, não aumenta a chance de sangramentos, né? Então, é sim recomendado desde o primeiro dia de vida, desde que o prematuro esteja estável e a mãe também, né, possa ir até a unidade neonatal e ficar lá na poltrona ao lado do seu bebê, colocá-lo em posição canguru, né? É óbvio que vamos colocar com cuidado, porque ele pode estar com uma cânula na ventilação mecânica, ele pode estar com uma sonda, mas tudo isso é feito com muito cuidado e durante esse período que a criança tá lá, ela tá sendo monitorada pela equipe de saúde da unidade, tá? Então, eh, a recomendação é forte para que essas crianças realizem a posição canguru e mais uma vez lembrar que posição canguru não é colocar eh o bebê no colo, tá? Mesmo depois que os bebês saem da incubadora e vão pro bercinho, quando eles já estão maiores e aí eles vão estar com roupa, o que se recomenda é que a gente tire a roupinha do bebê e coloque-o na posição canguru, tá? lembrar que isso ajuda o desenvolvimento eh dos do vias sensoriais aí eh no desenvolvimento neurológico. Tá bom? Excelente, excelente, doutora. Quanta informação, quanto conhecimento, informação transforma, salva vidas e a gente quer agradecer a sua presença, a sua participação e essa troca muito importante eh aqui no nosso saúde é vida. Agora, eh, pra gente encerrar, doutora, eu gostaria que a doutora deixasse, então, eh, uma mensagem especial paraas mãezinhas, as famílias que estão passando por esse momento de muita esperança e de muito amor. Então, eh, uma mensagem para essas mães, né? Nós temos um momento difícil da vida dessas famílias, mas a gente não deve nunca perder as esperanças. a importância de viver o dia, o presente e comemorar cada conquista do seu bebê. A conquista de ter nascido, mesmo que prematuro, já é uma grande conquista. Depois, a retirada do oxigênio, ela deve ser comemorada. O ganho de peso no dia a dia, a gente tem que comemorar. a gente tem que comemorar eh quando o bebê começa a a receber o leite. Nós vamos falar um pouquinho só do leite, que acho que é importante não deixar de falar. H, quando o bebê consegue tirar a sondinha, porque a gente começa a alimentar o bebê por sonda, porque ele não consegue coordenar, sugar, deglutir, respirar, é muito desafio para ele. Então, eh, a gente tem que comemorar isso quando ele vai pro seio a primeira vez, quando ele sai da incubadora. Então são várias conquistas que a gente tem que comemorar sim durante essa estadia na UTI. Vai ter dia de tropeços, né? Ai não aconteceu como eu iria, tive que voltar para trás, não tem problema. Nada como um dia após o outro. Lembrar que cada bebê tem o seu tempo e a gente tem que respeitar. e que as mães precisam sim bastante apoio do pai e da família para ajudar a transportar eh eh passar por essa fase que realmente não é fácil, né? E só a questão do leite, isso é um outro papel importante da mãe durante toda essa trajetória. A gente começa já no primeiro dia oferecendo o colostro. Às vezes os bebês nem sucam nada ainda, mas a gente coloca um pouquinho de colosto na do lado da dos dois lados da boquinha do bebê já no primeiro dia. E se ele tiver mais ou menos está ainda no primeiro dia, a gente começa a oferecer o leite pela sondinha e depois eh esse leite vai aumentando de volume. Mais paraa frente a gente vai corrigindo a idade dele quando tiver lá por volta de 32 semanas. Que que é isso? corrigir a idade. Imagine que o bebê nasceu com 28 semanas, ele agora tá com 4 semanas de vida, ele tá com 32. E aí a gente consegue então começar a transicionar ele paraa via oral. Tudo isso o leite materno é o ideal. Então tem uma grande participação das mães, né, dos prematuros para extrair o leite no posto de coleta, né? E a esse leite se cru, eh, de imediato até 12 horas dá para oferecer o leite cru, mas disso a gente pasteuriza e vai oferecendo pro bebê aí nos dias subsequentes. Então, não queria deixar de de falar dessa questão que é fundamental a participação da mãe paraa extração do leite, para poder nutrir esses bebês da melhor maneira possível. Não digo que seu leite materno é bom para um bebê que nasce a termo, imagine pro prematuro. Então, só te dizer que novembro roxo a gente tá aí parceiro aí das famílias na tentativa de ajudá-las a passar por essa fase aí de de da prematuridade de seus filhos e todas as intercorrências que a gente não sabe, não é fácil e estamos aí presentes para ajudar no que for preciso. Nossa, quanta informação, quanta empatia, conhecimento, carinho e toda essa informação com certeza transforma. Doutora, muito obrigado pela sua participação com a gente aqui no nosso Saúde é Vida. Fico muito feliz em ter conseguido contato contigo para que você pudesse trazer pra gente toda essa informação que que que você falou, eh, repassou aqui. Com certeza alguma mãe em casa se sentiu acolhida e gratidão, gratidão por ter escolhido essa profissão que salva, né, que salva os nossos guerreirinhos. Muito obrigada pela sua participação aqui no programa, viu? Bom, eu que agradeço aí a oportunidade de estar difundindo aí o conhecimento da prematuridade e um bom dia a todos. Então, maravilhosa. Muito obrigada. Muito obrigada a você de casa que acompanhou o nosso Saúde é Vida. Hoje falamos da falamos da prematuridade, falamos do novembro roxo, né? Então continue ligadinho com a gente. A qualquer momento nós nos encontramos aqui na programação da TV Câmara Campinas. Grande abraço para você. Até lá. [música] [música]
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