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[Música] [Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre o março lilás, o mês de luta contra o câncer do colo do útero. Mas antes eu tenho um recado aí para você. Para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. O câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil e ocupa a quinta posição na região sudeste. Segundo estimativas do Inca, o Instituto Nacional do Câncer, mais de 17.000 Novos casos são registrados anualmente no país entre 2023 e 2025. E para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a Larissa Gomes, oncologista da Oncoclínicas e também mestre em tumores ginecológicos. Dout. Larissa, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Olá, Ana. Olá a todos. É um prazer estar aqui conversando com você sobre esse tema tão importante e falando sobre uma doença que é completamente erradicável, né, Ana, que é passível da gente erradicar essa doença no nosso país. Certeza. Doutora, para começar então na introdução desse assunto, vamos explicar pro pessoal que tá em casa acompanhando aqui o programa o que que é o câncer eh de colo do útero. Bom, o colo do útero, ele é a porção do útero em forma de canal que conecta com a vagina. o câncer do colo de útero. Então, ele se desenvolve mais comumente nessa região, na zona de transformação, em que é passar através do exame do Papa Nicolau. Quando a gente realiza o exame ginecológico, é feita a visualização direta do colo do útero. Então, quando a gente fala em câncer do colo de útero, é justamente alguma lesão que se desenvolveu nessa região e mais frequentemente ele vem para fora. É raro a doença em que a gente tem um desenvolvimento de um tumor ou de uma nodulação em que fica para dentro da cavidade uterina. E é nesses casos que é muito importante a mulher estar atenta aos seus e sintomas, ou seja, prestar atenção naquilo que mudou, né? se apresentou alguma coisa diferente, se tá com uma dor diferente, porque isso pode auxiliar o diagnóstico. Mas de uma maneira geral, o câncer de colo ginecológico, justamente por essa facilidade da visualização direta. Doutora, você falou desses sinais, né? Acho importante a gente falar quais quais então são esses sintomas, esses sinais aí que as mulheres precisam ficar realmente atentas. É, nas suas fases iniciais, o câncer de coloa, mas geralmente quando ele já está um pouco mais avançado, já envolve mais todo o colo de útero ou envolve até mesmo a ao redor a a parede lateral do útero ou até mesmo a o canal vaginal, a gente pode ter sangramento vaginal, um sangramento que pode não ser apenas na menstruação, é um sangramento persistente ou até mesmo um sangramento durante a relação sexual ou um corrimento que não melhora, uma secreção vaginal que não é normal, já foi tratada e permanece em quantidade, cor e odor, ainda apresentar dor pélvica, dor para urinar ou dor para ir ao banheiro evacuar, algum desconforto também durante as relações sexuais. Tudo isso podem ser sinais de que há alguma coisa errada. e que pode estar envolvendo o colo do útero. E sobre o diagnóstico, né, você falou um pouquinho do exame de Papa Nicolau. Além desse exame, né, que é muito importante que a mulher faça, né, periodicamente, tem algum outro tipo de exame? Como que é em geral o diagnóstico desse tipo de câncer? Bom, o diagnóstico do câncer de colo de útero, ele é feito através de biópsia. Então, durante o exame ginecológico é feito o Papa Nicolau, que é aquele exame de esfregaço do colo do útero. Ao mesmo tempo, quando não é algo visível aos olhos, muitas vezes os médicos usam de artifícios, como por exemplo, a coposcopia, que é um exame em que a gente coloca alguns ácidos que colorem o colo do útero e que facilitam a identificação de possíveis alterações naquela camada mais externa do colo do útero. Quando isso acontece, a gente tendo um achado suspeito no exame, é um indicativo de que a gente deveria biopsiar essa região. E outro exame que foi aprovado mais recentemente pelo Ministério da Saúde, que teve agora eh em março a portaria sendo aprovada e e divulgada no Diário Oficial da União, foi o teste de detecção do HPV DNA ou do DNA HPV, em que é feita a coleta no colo do útero e pode ser feito também na parede vaginal ou na vulva para identificar se essa paciente tem ali o vírus do HPV. Esse que é a principal causa do câncer de colo identifica o HPV, a é importante que a gente saiba, Ana, que nem sempre vai ter lesão. Então, a mulher ela pode ser portadora do vírus HPV e não ter nenhuma alteração no colo do útero. E aí você pode estar se perguntando: "Poxa, mas o diagnóstico daí foi do vírus e não da doença?" Mas é importante porque se a mulher tem, por exemplo, um subtipo do vírus HPV que poderia gerar um câncer, essa paciente ela vai receber orientação do seu ginecologista ou do médico que tá atendendo ela a fazer um acompanhamento mais precoce, porque geralmente a maioria das mulheres são imunocompetentes e conseguem eh ter competência imunológica para combater o vírus. E é o mesmo passo em que se é feito o exame ginecológico e descoberto alguma lesão muito inicial, muitas vezes a gente consegue já tratar ali ou já acompanhar e resolver o problema precocemente, evitando que essa paciente tenha um diagnóstico muito tardio e que precise de fazer uma cirurgia ou uma quimioterapia ou uma radioterapia lá na frente. Interessante também, né, a gente reforçar que o HPV ele é uma infecção que não apresenta, né, muitas vezes sintomas, né, doutora. Isso que dificulta também o diagnóstico. Exatamente. O HPV, quando a gente tem a infecção ou contato com ele, não necessariamente a gente vai ter algum sinal infeccioso, alguma inflamação, febre ou algum outro comemorativo. E geralmente isso ocorre justamente em infecções genitais persistentes pelo vírus HPV que gera o câncer do colo do útero. Isso ocorre, né, se a gente olhar as pessoas que desenvolvem o câncer, 90% dos casos. Essas infecções pelo vírus HPV, elas são consideradas sexualmente transmissíveis, faz parte das doenças sexualmente transmissíveis. E ela é muito incomum tanto em homens quanto mulheres, né? Às vezes a gente fala assim, existe até um mito de achar que o HPV é coisa só de mulher e não é, né? Mas é importante a gente lembrar que tem alguns outros fatores de risco que facilitam essa infecção persistente do HPV e uma baixa resposta da nossa imunidade frente ao vírus. Um desses fatores de risco, por exemplo, é o tabagismo. Pacientes que fazem uso de cigarro, fazem uso de cigarro, usar eletrônico, que fumam há muito tempo, essas pacientes acabam desenvolvendo uma inflamação crônica e que facilita o desenvolvimento de doenças oncológicas de câncer. Ainda a baixa imunidade frente ao uso de medicamentos ou presença de imunodeficiências, isso pode acarretar em facilitar com que o corpo não consiga combater o vírus do HPV e desenvolva um câncer também. E isso ã leva anos, né, Ana? É importante a gente falar que isso não é algo que acontece da noite pro dia. Então, por isso a importância de realizar o Papa Nicolau, fazer o rastreamento com o próprio teste de DNA e essa rotina ginecológica pra gente poder identificar possíveis lesões pré-malignas ou pré cancerosas e ainda a questão da vacina, né, doutora, o Papa Nicolau ele deve ser feito de quanto em quanto tempo? Qual que é o período aí ideal para que as mulheres façam esse exame? Então, o Papa Nicolau, ele é indicado pelo Ministério da Saúde para mulheres de 25 a 64 anos de idade. Eh, essa rotina ela deve ser feita as primeiras duas coletas anualmente. Se não tiver nenhuma alteração, o Ministério da Saúde autoriza que ele seja feito a cada 3 anos. É importante a gente lembrar que pacientes que têm hã HIV ou algum problema no sistema imunológico, como eu havia comentado, esse exame ele deve ser feito anualmente para que a gente identifique precocemente se a paciente apresenta alguma célula, alguma alteração naquele colocu, ele é um exame indolor, é um exame rápido e simples e ainda um erro muito frequente quando eu tô apresentando um sangramento, não, né? Já passou o meu período menstrual, mas mesmo assim eu continuo sangrando, alguma coisa tá errada. Insista, faça um exame ginecológico e é importante que seja feito Papai Nicolau mesmo assim para identificar, porque às vezes é alguma lesão que está causando esse sangramento. E até lembrar que o exame de Papa Nicolau ele é oferecido pelo SUS, né, o Sistema Único de Saúde. Então as mulheres podem buscar a unidade mais próxima aí da residência, né, e fazer o exame, né, agendar para fazer o exame. Perfeito. ainda lembrar e que mulheres grávidas também podem coletar o Papa Nicolau sem ter comprometimento à sua saúde ou à saúde do bebê. Então, se é algo que a paciente precisa fazer, não fez, é no período que deveria coletar o seu Papa Nicolau, vá ao médico, consulte, isso é disponível no SUS. é um exame importante e capaz de novo, de precaver eh de um diagnóstico tardio ou de uma doença muito ruim, como o câncer do colo do útero. É só para as pessoas entenderem melhor, doutora, porque esse exame ele vai detectar exatamente aquelas lesões que podem se transformar em câncer. É isso, né? Isso, exatamente. Esse exame ele faz um esfregaço da parede do colo do útero e colocado em lâmina. E essas lâminas elas são avaliadas e a gente consegue avaliar as células ali presente. Então nós conseguimos identificar se há alguma alteração precursora de câncer ou se há alguma alteração que já é um câncer ou ainda com uma pesquisa do HPV DNA. Se você tem o HPV ali presente, mas não tem nenhuma alteração na parede do colo do útero, ou já tem o HPV e tem uma alteração na parede do colo do útero e intervir precocemente. Eu acho que outra coisa importante de se destacar é que o câncer do colo de útero, ele é a principal causa de morte por câncer nas pacientes abaixo de 36 anos. Mas a gente também tá em visto um aumento importante nas pacientes idosas. E aqui eu acho que eu é importante a gente fazer um apelo nas mulheres que t mais de 64 anos, né, que o ministério ele fala para ir até o 64, mas as mulheres que têm mais de 64 anos e que vão interromper o seu exame de rastreamento, é importante que elas tenham tido pelo menos dois anos seguidos de exames normais, pelo menos 2 anos. Algumas recomendações da literatura vão até além, vão até 5 anos para que a gente possa interromper. Porque hoje em dia a nossa população está vivendo mais e também tendo relação sexual até mais tarde. Então, mulheres com mais de 64 anos que nunca fizeram o exame do Papa Nicolau, eh, acho muito difícil a gente simplesmente tirá-las do rastreamento. Acho importante que a gente indique que elas mantenham esse acompanhamento. Claro, depois de passar aí um tempo feito esses de dois até 5 anos de exames e todos eles normais, aí acredito que sim. é possível da gente eh suspender o rastreamento. Doutora, falando um pouquinho ainda, né, do HPV, quantos tipos de HPV existem? A gente sabe que existem mais de 100 subtipos de vírus HPV. E quando a gente fala em HPV, esse vírus, ele tem dois subtipos que são principalmente ligados a verrugas genitais, como por exemplo o 6 e o 11, e ainda o 16 e o 18, que são considerados de alto risco para o desenvolvimento de câncer. E é justamente esses subtipos e conhecimento deles é que nos permitiu o desenvolvimento das vacinas. Tanto é que a primeira vacina que surgiu contra o HPV, ela buscava justamente atacar esse eh subtipo 16 e 18. Lembrar que ainda com a nossa imunidade competente, nós somos altamente capazes de combater esse vírus e eliminá-lo. Ou seja, nós conseguimos evitar o desenvolvimento de uma doença. O que a vacina traz de benefício é que ela aumenta essa chance de ã nos prevenir contra infecções por esse vírus e também diminui a incidência de lesões pré-malignas. Então, por isso que a gente fala tanto na vacinação e no quanto ela é capaz de nos proteger. Eh, com certeza, doutora. eh essa esse tratamento, né? Na verdade, não sei se é bem esse o termo, né? A gente fala assim, a mulher identificou que ela tá com HPV, teria um tratamento para isso ou como você disse, o próprio organismo, se tiver bem, né, com a imunidade em dia, vai conseguir eliminar esse vírus. Como que isso funciona? Essa é uma pergunta muito frequente no consultório. Uma vez que você tem o HPV, o que a gente precisa saber é se você no seu exame ginecológico, no seu Papa Nicolau, apresenta alguma alteração ou não. Se você não apresenta nenhuma alteração no exame do Papa Nicolau e apresenta HPV positivo no colo do útero, a gente recomenda que o Papa Nicolau seja feito mais precocemente. Agora, se a mulher já apresenta alguma alteração no colo do útero, muitas vezes a gente já tem a necessidade de fazer alguma intervenção, fazer uma biópsia, tentar identificar o que que é e às vezes até mesmo fazer algum tratamento. Esses tratamentos, eles são tratamentos locais e que são feitas muitas vezes pelo próprio ginecologista ou pelo próprio médico do posto de saúde ou às vezes necessitando de alguma de algum encaminhamento, dependendo do lugar em que é essa unidade básica de saúde. Segundo, a grande maioria das vezes, se são lesões pequenas, que a gente chama, por exemplo, a gente divide em subcategorias, como, por exemplo, neoplasia intraepitelial um, né, que é a pequena camada inicial que tem o envolvimento ou que tem alguma alteração e que isso é decorrente do HPV. Às vezes, realizando a vacina ou melhorando a nossa própria imunidade, a gente tem relatos na literatura. de que essas lesões elas regridem. Então, por isso a importância do acompanhamento e por isso também que o Ministério da Saúde fez esse esforço de trazer esse teste do DNA HPV, porque aí eu consigo identificar se o HPV tá presente lá ou não e se a paciente tem ou não alguma alteração para eu poder tomar melhor conduta. Outra coisa importante, quando você é diagnosticada com um HPV e não tem nenhuma alteração ou já apresenta alteração do seu Papa Nicolau, converse com o seu médico sobre a disponibilidade de fazer a vacina contra o HPV. A gente tem a vacina no SUS, como a gente já comentou, e também tem a vacina que é realizada no setor privado. E quando a gente fala de algumas ã alguma, a gente vai falar em breve sobre isso, mas em algumas situações é permitido com que a gente faça a vacinação até mesmo no sistema público de saúde se tiver o laudo médico explicando que essa paciente tem um um maior risco e que está contemplada conforme as orientações do ministério. Eh, doutora, além, né, dessa infecção pelo HPV, há outros fatores que podem aumentar o risco da mulher desenvolver o câncer do colo de útero? Existe aí o fator genético também? Não. Na verdade, aqui no câncer do colo do útero é muito raro ter correlação genética. Eh, quase 90%, mais de 90% dos casos, eles são desenvolvidos pelo vírus HPV. Outras causas aqui que auxiliam eh no desenvolvimento do câncer de colo de útero é justamente a questão do tabagismo, que eu já comentei. Então, ã, pessoas que fumam cronicamente há muito tempo, pessoas que apresentam baixa imunidade, então aqui leia-se pessoas que têm o vírus HIV ou ainda pessoas transplantadas ou pacientes que estão em tratamento por uma doença oncológica, como por exemplo, uma mulher que está em tratamento por câncer de mama, está fazendo quimioterapia, está com redução da sua imunidade, que a gente sabe que pode acontecer durante o tratamento. Essa mulher, ela tem um risco maior de desenvolver um câncer de colo útero se ela tiver o HPV presente lá no colo do útero. Então, por isso a importância num acompanhamento. Outra coisa, eh, que acho que vale a pena citar aqui, pessoas que têm uma doença rara, mas que é correlacionada também ao HPV, como por exemplo, a papilomatose respiratória recorrente. Essas pessoas elas podem fazer a vacinação também para se precaver, porque elas a gente sabe que elas têm um maior risco de desenvolver essa doença. Eh, doutora, como que é feito? Falar um pouquinho agora da parte de tratamento, né? Como que é feito em geral o tratamento do câncer de colo? Bom, o tratamento vai depender do grau em que você descobriu, né? Pra gente descobrir ã qual a extensão do tumor, é necessário que se façam alguns exames, como por exemplo, tomografias de abdômen, pelv e até mesmo do tórax, se a gente suspeitar de alguma doença mais à distância ou tomografia ou ressonância nuclear magnética para nos auxiliar a ver qual que é a extensão dessa doença dentro da pelv feminina. Uma vez feito esses exames e com a biópsia, confirmando que se trata de um câncer do colo de útero, a gente cai numa classificação. E baseado nessa classificação, que é o chamado estadiamento, eu consigo determinar qual o tratamento que a minha paciente ã deve seguir. Quando a gente fala em termos de tratamento para doenças iniciais, muitas vezes apenas a cirurgia é o suficiente, em que podem ser feitas cirurgias. A gente tá falando aqui de uma população que geralmente é nova e que tem desejo de engravidar. Então, a gente tá falando de cirurgias que podem preservar a fertilidade e isso num cenário inicial, quando num cenário mais avançado, em que, por exemplo, o câncer do colo do útero já invadiu as paredes próximas ao colo do útero, laterais ao útero, geralmente essa doença já tem um envolvimento vascular ou linfático ou acomete linfonodos. é necessário um tratamento complementar com quimioterapia ou radioterapia. Até antigamente, até pouco tempo atrás, para essas pacientes havia apenas um esquema de quimioterapia junto à radioterapia. Hoje em dia, com o advento, né, de todas as tecnologias que a gente tem, nós sabemos que até mesmo no SUS é possível fazer quimioterapia isoladamente em alguns casos, seguido de químio e radioterapia. Então veja que a gente tá saindo de uma doença que poderia ser precavida, né? poderia ser identificada precocemente e não fazer nada até fazer um tratamento extremamente agressivo que chega ao ponto de falar em quimioterapia ao mesmo tempo, que é bastante agressivo para as nossas pacientes. Falando no pior cenário, quando uma doença já está muito avançada e já produziu metástases, infelizmente o único tratamento passível para essas pacientes acaba sendo quimioterapia isolada. Eh, doutora, como você disse, né, a vacina, né, do HPV, ela é uma luz aí no fim do túnel, né, e só que, infelizmente, ela, muitas mulheres mais velhas que têm esse tipo de câncer não tiveram acesso a essa vacina, né? Isso é uma é uma pena, né? É uma pena. E por isso também, Ana, que eu acho que o Ministério vem ampliando essas indicações, né, não só pela questão do envelhecimento populacional e também porque eu sou, faço parte de uma geração que não teve oportunidade de fazer o a vacina contra o HPV na escola quando a gente era jovem, né, adolescente, mas também porque a gente sabe que a vacina ela é segura e eficaz não apenas contra o câncer do colo do útero, ele também protege contra outros tipos de câncer, né? né, como por exemplo, de vagina, de vulva, canal anal, no homem de pênis e também em ambos de boca e garganta. Então assim, hoje em dia existe um esforço paraa ampliação nessa cobertura vacinal, né? Se a gente olhar eh as indicações do Ministério da Saúde até pouco tempo atrás era apenas meninos e meninas dos 9 aos 14 anos. Hoje em dia isso já ampliou. A gente sabe que é indicado desde o ano passado, se eu não me engano, abril do ano passado, que a ministra da saúde definiu como meta realizar a vacinação de meninos e meninas 9 a 14 anos, uma dose única. E para grupos mais específicos, fazer o esquema de três doses, como, por exemplo, pacientes que têm o HIV transplantados, pacientes que têm ã estão em vigência de algum tratamento oncológico, ã, esses pacientes que eu comentei que tapilometose respiratória recorrente ou até mesmo ã pacientes ou pessoas até 45 anos de idade que tiveram alguma alguma exposição ao vírus HIV. Vou dar um exemplo aqui. Nós médicos, quando estamos fazendo algum procedimento, por exemplo, nos cortamos, acontece algum acidente, tive contato com o vírus HIV, está indicado que a gente faça profilaxia para o vírus HIV. Isso existe e é disponível inclusive nas unidades básicas de saúde. Quando isso acontece, a gente toma algumas medicações e ao estar usando essa medicação e está nesse período de risco de infecção do vírus, está indicada a vacina do HPV. Então, por isso que eu falo, sempre que a gente puder, tem que conversar com o médico sobre isso, porque às vezes você pode ser contemplado a ser a utilizar a vacina que é oferecida pelo SUS. E caso eh você não esteja nesses grupos que eu comentei, nesse público alvo que o ministério estabelece, nós podemos realizar vacina contra o HPV no sistema privado, né? fazer o o pagar eh para ter o acesso à vacina, seja ela quadrivalente ou a nona valente. A gente, né, que não teve acesso a essa vacina aí na nossa da infância para adolescência, né, e a gente tomou essa vacina um pouco mais tarde, ela vai ter o mesmo efeito, a mesma proteção do que se a gente tivesse tomado lá atrás? Sim, Ana. Os dados mostram que mesmo tendo contato com o vírus HPV, realizando a vacina, você reduz drasticamente a chance de desenvolver alguma doença pelo vírus HPV. Inclusive, eh, os estudos são bem interessantes. Eles mostram que pacientes que não tinham tido contato nos protege mais. quem teve contato e isso reduz a virulência, reduz a chance da pessoa desenvolv desenvolver alguma coisa e aquelas pacientes que apresentavam, por exemplo, alguma alteração, alguma lesão pré-maligna, estavam em acompanhamento, a vacina é capaz de involuir essas lesões. Então, veja o quão importante é. Hoje, se uma paciente, por exemplo, aparece para mim no consultório com câncer de coloc, eu tendo a indicar a vacinação, porque eu sei que até com que se inicie o tratamento, essa vacina vai ajudar por conta de ter muita correlação com a imunidade. Então assim, a gente sabe que é algo que tá ainda sobre muita análise, muita pressão como um todo mundo, porque essa é uma doença que tem chance de serradicada. Hoje em dia, a gente sabe que realizar a vacina, mesmo já tendo passado seu, esse período que a gente comentou, ele é capaz sim de reduzir e te trazer benefícios para que não desenvolva nenhuma doença no futuro. É, doutor, agora a gente vai fazer um rápido aí intervalo, porque no próximo bloco nós vamos falar sobre a importância do Márcio Lilás, campanha que busca garantir a redução da mortalidade relacionada ao câncer do colo de útero, fortalecendo a conscientização das mulheres sobre o autocuidado. Nós já voltamos. [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde à Vida e hoje falando sobre o Março Lilás, que é o mês de luta contra o câncer do colo de útero com a oncologista Lar Larissa Gomes. Larissa, agora estamos aqui, né, de volta no segundo bloco. Eh, Larissa, eu gostaria que você falasse, então, né, que a gente explicasse um pouquinho aqui pro pessoal que tá em casa também acompanhando qual que é a importância então exatamente dessa campanha, dessas ações como o Márcio Lilás, especialmente, né, num mês que é dedicado aí às mulheres. Ana, não sei se você sabe a história do Márcio Lilás. Márcio Lilás foi uma campanha idealizada por uma médica oncologista, Raquel Cosset. A Dra. Raquiel, ela desenvolveu essa campanha, na verdade, no mês de março, pensando em utilizar a questão de ser o mês das mulheres, né? Dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher. E por conta disso e também vendo um número crescente do câncer de colo de útero no nosso país, né, em que a gente tem 17.000 casos por ano, 7.000 1000 mortes por ano, que é muita coisa, né? Principal causa de câncer de de morte por câncer em pacientes abaixo de 36 anos. Foi por esse motivo que ela pensou, vamos fazer alguma coisa e a cor da conscientização do colo de útero é lilás. Então, por isso que a gente trouxe o março lilás. Desde 2016 é realizada essa campanha de conscientização. E qual que é a base dessa campanha? É justamente falar que ela é uma doença 100% prevenível, uma doença que se eu utilizar a vacinação nos nossos adolescentes e crianças e também nesses adultos que têm um risco maior e aliar o Papa Nicolau, que é um exame que como você mesma comentou tá disponível no SUS. é fácil, seguro e acessível, eu consigo identificar muito precoce essa doença e evitar que esse número tão grande de 7.000 mortes por ano siga sendo frequente, né? Então, por isso o Márcio Lilás vem para fazer um apelo, não só eh ao estado, mas principalmente à nossa população, né? que ela esteja atenta, procure o seu médico, vá, não falte as consultas. Eu já trabalhei no SUS, tinha uma coisa que me indignava era o povo faltar. Às vezes demorava meses para marcar e não ia. E às vezes tá deixando a oportunidade de alguém que tá precisando ir lá e fazer um diagnóstico precoce. Então assim, meu apelo aqui à população é: não falte as suas consultas, marque os seus exames com regularidade, uma vez por ano, pelo menos passe no médico, no posto de saúde, com o ginecologista ou até mesmo clínico geral, faça os seus exames de rotina, descubra se você tem ou não indicação de fazer a vacina, mesmo estando fora dos 9 e 14 anos, porque às vezes só essa atitude já pode nos ajudar a baixar esses números e me ajudar como médico. a não ter que ficar dando esse tipo de notícias tão cruéis aí para pessoas tão novas que estão interrompendo as suas vidas, deixando de lado seus sonhos de ter filhos muitas vezes para fazer um tratamento extremamente agressivamenteente, né, doutor? Então, nesse sentido, a gente pode falar que essa doença, ela tem quantos por cura aí se for tratada já logo no início, né, com todas essas estratégias, a gente fala em até mais de 90% de chance de cura se identificado precocamente. Então, por isso a necessidade de um acompanhamento de rotina e realizar esse Papa Nicolau bem feito. E por isso que eu comentei também, Ana, se você identificou algum sinal, algum sintoma, mudou alguma coisa, procure um médico, procure auxílio, não fique esperando. A gente sabe que às vezes demora, né? A gente sabe que o sistema também é difícil, mas esteja atenta, não ignore os sintomas e não ignore os achados também dos exames, né? Que às vezes as pessoas recebem o exame e não olham, né? não checam, não vão lá no médico para conferir. Então não deixe para depois o que pode ser feito hoje, porque a gente tá falando aqui numa redução muito importante e a detecção precoce possibilita a cura dessas pacientes. Né doutor? E também acho que se informar é sempre importante buscar sobre a doença, o que que é. O que a gente tá fazendo aqui já é uma um caminho muito, né, legal de informar a população, mas sempre tá buscando, né, sempre conversar com outras pessoas. outras pessoas também que tiveram a doença para aí, né, ter bastante informação, ter bastante conhecimento. Isso eu acho que é uma boa eh ajuda bastante também, né, a população. Com certeza a gente trazer informação paraa população, informação de qualidade e dizer não para alarmar, mas para dizer assim: "Olha, a gente tem como se precaver disso tudo". E se a gente parar para pensar, as pessoas falam muito assim que tem muito medo de câncer, né, Ana? Mas assim, vamos parar para pensar. Eu tenho duas vacinas que combatem câncer. Uma é amplamente utilizada, vacina contra a hepatite B, né, que evita o câncer de fígado. Segunda vacina que já não é tão utilizada é a vacina do HPV. Um dos motivos é esse que a gente comentou. Eu e você fazemos parte de uma geração que, infelizmente, não foi contemplada, mas a gente tá aqui falando sobre isso. Eu, né, já tive a oportunidade de me vacinar, fiz o pagamento lá na na rede privada, mas é importante a gente lembrar que isso existe, né, e que é passível de ser feito se você procurar a ajuda, se você procurar a informação de qualidade e for atrás, é algo que vai fazer diferença na sua vida. trazer essa erradicação é fazer uma geração nova dos nossos filhos, nossos netos, sem ter que se preocupar com essa doença tão agressiva. Certeza, doutora. Eh, tem algumas dúvidas aqui que eu pontuei que o pessoal sempre eh pergunta, né, quando esse é o tema. O sangramento vaginal na menopausa, ele pode ser sintoma de câncer do colo de útero? Excelente pergunta. Pode, eh, como eu tava comentando, a gente tem visto um aumento no número de casos de câncer de coloc que tá acontecendo? as pacientes estão vivendo mais, tão tendo relação sexual e muitas vezes interrompendo precocemente esse exame de rastreamento. E quando eu entro na menopausa, a grande maioria das vezes em que ocorre um sangramento uterino que não é mais esperado, a gente tem uma chance considerável de sucer câncer. principal causa é a atrofia, é falta de hormônio mesmo, a pele fica muito sensível, então é fácil ter um sangramento. Mas se esse sangramento ele é persistente, a gente sempre tem que investigar. A gente tem também não só apenas o câncer de colo útero, mas também, por exemplo, o câncer de útero que se apresenta dessa forma, né? o câncer de endométrio ou do útero, 90% das pacientes apresentam algum sangramento. Então assim, sangramento na pós-menopausa é ida ao médico, é sinônimo de ir ao médico, realizar exame ginecológico, realizar um ultrassom, identificar a causa, se tem alguma alteração no colo de útero, se tem uma alteração no útero ou é um diagnóstico de exclusão em que nós não temos nenhum achado. Isso foi uma atrofia, né? Foi por conta da falta de hormônios. Outra questão também que sempre gera aí uma uma dúvida muito grande entre as mulheres, né? O mioma ele pode virar câncer de útero? Úo? Não, não. Na verdade assim, é muito raro a mulher que tinha o mioma e desenvolveu algum câncer. raro assim, ao ponto de ser, de novo, um diagnóstico muito difícil de ser realizado, porque isso geralmente são não são bem miomas, né? A imagem parece ser miópsia é um mioma, mas houve alguma transformação ali que levou ao desenvolvimento de um câncer. Isso é muito raro, né? E a gente geralmente tem a diferenciação nos exames de imagem, alguns sinais na imagem que nos levam a pensar que aquilo não é apenas um mioma. E muitas vezes a esse diagnóstico de um câncer que veio de um mioma, na verdade não era isso. Era um câncer e as pessoas achavam que era um mioma, né? Então o que que acontece? A pessoa vai operar esse mioma, vai por algum motivo pra cirurgia ou pra biópsia e quando isso acontece não era um mioma, era uma doença oncológica. Ou ainda, se a gente parar para pensar em termos de de frequência, o mais frequente na população é que seja realmente um mioma. O que que a gente precisa fazer? Eu tenho um mioma, então eu vou preciso operar para ter certeza que não é um câncer. Não é isso. Se você tem um mioma uterino, a gente precisa acompanhar, fazer outro ação com regularidade. Por isso que o médico pede, porque se ele tem um aumento de tamanho, mudou a característica, ah, ele tem alguma vasos em volta, tá diferente, aí sim que segue-se a investigação. O grande problema, Ana, é que às vezes a pessoa tem um mioma, nunca mais faz exame, né? Some, não aparece, volta anos depois. E aí que acontece às vezes da pessoa descobrir e falar que o mioma que trouxe o câncer, entendeu? Exatamente. Doutora, uma outra ainda questão, os cistos ovarianos, eles representam algum risco? Ou seja, eles também podem virar algum tipo de câncer? A gente tem eh a avaliação de cisto ovariano, uma recomendação muito precisa. Isso por guidelines, tanto internacionais quanto brasileiro. Sempre que a gente tem um cisto ovariano, a gente faz uma classificação. Assim como no câncer de mama, a gente tem a classificação do birrads, que as pessoas já devem ter ouvido falar. A gente tem no ovário o OHABS, que é na verdade uma classificação que auxilia o médico a saber que se aquilo é uma lesão potencialmente benigna, benigna ou com características malignas ou maligna mesmo. E muitas vezes a mulher que tem cisto de ovário, a gente precisa olhar se ela tá em qual período do ciclo menstrual, se ela realmente não tá ovulando. Às vezes a gente repete aquele ultrassom e sumiu aquele cisto. era um período de ovulação em que a paciente estava. Além disso, dosar os hormônios para ter certeza que isso não tem correlação hormonal. Ainda a se ela não é portadora da síndrome de ovários policísticos, né, precisa excluir todas essas causas antes de citar o cisto como um fator de risco e pensar em câncer, né? Além disso, se é um cisto isolado, a entra nessa classificação que eu comentei do Orhats. Então, tendo a classificação, você consegue determinar se é um cisto que eu preciso investigar, fazer uma ressonância ou até mesmo fazer uma cirurgia. E não é raro a gente operar paciente e ser um cisto benigno. Ele é mais comum do que o maligno. Eh, doutor, agora, mito ou verdade? Eu sei que você já falou um pouquinho sobre isso no primeiro bloco, mas é legal a gente reforçar aqui também no segundo. Os homens não desenvolvem doenças relacionadas ao HPV. Esse é um mito muito frequente. Como eu comentei, o HPV no homem desenvolve o câncer de pênis e o homem ele pode ser o transmissor do vírus HPV, assim como a mulher. Então, uma vez que você tem o contato com o vírus HPV, você pode transmiti-lo para outras pessoas. Então, outra coisa assim é você achar que a camisinha vai te precaver. E, na verdade, a camisinha não necessariamente vai precaver que você tenha um contato com vírus HPV. Quando a gente tem contato sexual, isso pode acontecer de n formas e que pode sim te transmitir o HPV. Então é importante a gente lembrar, acabei matando dois mitos de uma vez só, né, Ana? Foi exatamente o da camisinha e o outro o do homem. Então o homem também pode ter HPV e é por isso que a vacinação inclui eles, né? Inclui meninos e meninas. Eh, doutora, agora toda mulher com HPV vai ter o câncer de colo do útero? Não. Eh, a mulher que tem o HPV detectado, ela não necessariamente vai desenvolver câncer, porque a grande maioria de nós, mulheres, somos capazes de combater, termos imunidade competente para eliminar o vírus e evitar que se desenvolva lesões no colo de útero e, por consequência, o câncer de colo útero. Então, uma vez que você descobre que possui o HPV, você possui duas indicações. Uma realizar a vacinação, conversar com o seu médico sobre a vacinação. E, segundo, conversar com o seu médico sobre o acompanhamento, descobrir se você tem ou não alguma alteração que possa facilitar o desenvolvimento de alguma alteração, né, de alguma doença ou não. Eh, doutora, agora eu gostaria de falar um pouquinho da fertilidade, né? Essas pacientes que precisam aí fazer uma cirurgia, precisam entrar em tratamento, descobriram aí que estão com câncer de colo, né, do útero. Como que fica essa questão da fertilidade, né, como que isso é trabalhado após esse diagnóstico? Gostaria que você explicasse um pouquinho. Perfeito. Eh, lembrar que quando a gente fala em termos de cirurgia, a gente tá falando geralmente de doenças iniciais. A gente tem alguns tipos de cirurgias que são realizadas pro câncer de colo de útero. Um deles é bem conhecido, que é o chamado conização. Outro dele é a traquelectomia e ainda a retirada do útero por completo, né, que a gente chama de estereectomia total ou até mesmo a hiserectomia radical. Quando a gente fala em preservação de fertilidade, ou seja, uma mulher que descobriu uma doença extremamente inicial e que gostaria de ser mãe no futuro, de gestar no futuro, a gente tem duas opções para essa paciente. Uma delas é conização, em que é feita a o recorte em formato de um cone do colo do útero e que engloba toda a base ali do do colo até afundar em direção ao canal cervical que liga ao útero. A traquelectomia, ela já é uma cirurgia um pouquinho maior que consiste na retirada total do colo uterino até a união lá com o corpo do útero. E, ã, ela acaba na remoção dos ligamentos ali, né, que a gente tem ligamentos para sustentar a posição, né, do colo do útero e que seriam um local ali de disseminação eh desse colo que vai determinar se essa paciente vai fazer uma conização ou uma traquelectomia. O que determina é justamente aqueles exames iniciais que eu comentei, né? Então, por exemplo, fazer uma biópsia, ter um resultado de anátomo patológico compatível com câncer. Segundo passo é sempre realizar uma ressonância, porque a ressonância consegue nos dizer qual o tamanho ou não que você tem ã dessa doença e se isso se estende ou não paraa parede pélvica ao redor ou até mesmo para linfonodos. Então, por exemplo, doenças iniciais que têm menos de 4 cm, doenças que não tm nenhum envolvimento, a gente pode discutir e realizar a preservação da fertilidade. Doenças que geralmente têm maior tamanho, maior de 4 cm. Antigamente a gente até só dividia por quatro. Hoje em dia a gente já divide em subcategorias de 2 cm e vai avaliando. Eh, a gente identifica se essa paciente eh pode ou não realizar essas cirurgias. É, e doutora, para essas mulheres que estão aí descobriram a doença no início, depois elas vão ter que fazer algum tipo de tratamento paraa fertilização para conseguir engravidar? Então, depende da técnica que você realizar, mas de uma maneira geral, uma paciente que foi diagnosticada, fez o tratamento, é recomendado que seja feita ã o acompanhamento que a gente chama de gestação de alto risco. Quando a gente vai na UBS, vai no médico, ele fala: "Você tem uma gestação de alto risco ou de baixo risco?" Alto risco. Toda mulher que teve algum tratamento oncológico tem um fator de risco. Então, por esse motivo, ela é de alto risco e é feita a cerclagem, né? Que que é isso? a gente faz tipo uma costura ali na parte final do útero para que quando a criança nasce, né, se a gente lembrar do parto normal, geralmente a criança nasce de cabeça ou até mesmo com um bumbum, né, e tá está sentada ali sobre o colo de útero para que isso não abra e ocorra o aborto ou que ocorra um parto precoce, prematuro. para que isso não ocorra feita a cerclagem, que é essa essa amarração, né? Vários ã pontos que a gente dá ali naquela região para que se evite esses desfechos. Doutor, e quais são as chances desse câncer voltar após o tratamento? Então, depende de qual o risco que essa paciente apresentava no início. Então, por exemplo, se eh eu fiz um diagnóstico de câncer de colo útero e eu passei por uma cirurgia, a chance de cura ela é muito maior, por exemplo, do que uma mulher que precisou fazer cirurgia e que posteriormente descobriu que precisava fazer quimia e radioterapia, por exemplo, ou uma mulher que já descobriu uma doença mais avançada e que já precisou ir direto paraa quimioterapia e e radioterapia. Então, eh eh isso acaba dependendo muito do risco inicial dessas pacientes para saber se elas vão ou não apresentar uma recidiva. Uma vez que você apresenta essa recidiva, o risco maior é nos primeiros 2 anos. Então, por isso que o acompanhamento ele é bem específico. Por exemplo, terminei, realizei a cirurgia, agora eu só volto no médico ano que vem, certo? errado. Eu devo voltar a cada três em três meses nesses primeiros do anos, porque é onde ocorre o maior risco dessa doença retornar. Após o segundo ano, a gente já fica um pouco mais tranquilo, mas ainda assim nós mantemos um acompanhamento próximo até completar 5 anos. Ainda é importante falar que a gente faz alguns exames de rotina para que a gente veja se teve eh resposta ao tratamento, né, no caso de uma cirurgia, de tá terminando a a quimioterapia, a radioterapia e segundo para identificar eh depois desse período, né, se teve algum retorno ou não da doença. que que inclui, né, aqui inclui avaliação ginecológica, que é justamente o exame ginecológico, inclui aqui alguns exames de imagem e de exames laboratoriais. Mas de novo, mais uma vez, é super importante que a paciente se conheça. Tá tudo bem comigo? Não tô sentindo nada, de repente comecei com sangramento, vai ver, né? Então a gente muda a o acompanhamento conforme o risco da paciente, se ficou ou não alguma alteração por exames e também sintomas, né? sintomas são importantes, sem dúvida. Eh, Dra. Larissa, como que fica a vida dessa mulher após o tratamento, após cirurgia? Existe alguma terapia complementar que possa ir ajudar essa mulher a ter mais qualidade de vida? Eu acho que na verdade essa questão da qualidade de vida, Ana, ela começa a ser conversada quando a gente fala que vai necessitar de um tratamento ou quando faz o diagnóstico. É aí que a gente já deve começar a conversar sobre ã sobreviver, né? Sobre ter esse diagnóstico e conviver com ele e estar eh em acompanhamento. Que que a gente precisa prestar? atenção aqui no no caso, um dos de uma das das dos pilares do acompanhamento é justamente a questões físicas, né? Então, por exemplo, fiz uma cirurgia, fiquei com dor pélvica ou fiz a cirurgia e fiquei eh com um sangramento ou um corrimento, tenho alguma dificuldade para ir ao banheiro. Quando eu terminei o meu tratamento, eu tive necessidade de ã fazer alguma fisioterapia ou eh preciso de algum acompanhamento maior, isso tudo entra em questão. Então, por exemplo, como existe o risco da paciente desenvolver alguma dessas alterações, a gente recomenda que as pacientes troquem essas ideias constantemente com seus médicos durante o tratamento em si e ao final dele avalie a necessidade de fazer fisioterapia ou necessidade de eh fazer ã acupuntura se a paciente tem dor ou algum outro tipo ah, de reabilitação funcional. Lembrando que uma das consequências é da do tratamento é justamente a disfunção sexual. Então, por exemplo, se a paciente está com algum desses sintomas, a gente indica uso de dilatadores, acompanhamento com ginecologista, uso de lubrificantes, tudo isso entra em questão para que a gente possa eh melhorar a qualidade de vida dessas pacientes. Outro pilar seria a questão psicológica. Então assim, eh, a gente precisa ter um acompanhamento psicológico dessas pacientes. Afinal de contas, eu tô fazendo uma agressão ao corpo delas, né? Eu tô fazendo uma cirurgia retirada de um órgão. Eu, além disso, eh, posso estar fazendo uma quimioterapia, posso estar fazendo uma radioterapia. A radioterapia muitas vezes queima, né? queima no sentido de sensação de ardor, de desconforto. Então, eh isso abala o psicológico da mulher no sentido de segurança, de segurança dela com ela mesma, de como as pessoas vão me olhar depois disso tudo, de libido, né, de não conseguir mais ter interesse naquele momento. ou até mesmo após a radioterapia, muitas vezes a mulher entra mais precocemente na menopausa, ocorre aquela labilidade emocional, um dia tá super feliz, um dia tá muito triste, um dia odeia, no outro dia ama. Então para tudo isso é importante que tenha esse esse acompanhamento psicológico e também a questão do medo, né, Ana? o medo de que isso retorne, o medo de fazer exames, o medo de retornar ao mercado de trabalho, de não se sentir segura, de não se sentir mais a mesma. Então, por isso que toda essa questão de de autoestima e de como vai ser esse acompanhamento posterior, ele acaba sendo importante desde o início do diagnóstico. Receber informações, estar ter uma boa relação, estar aberto a falar tudo isso com seu médico, vai fazer diferença. E terceiro e não menos importante, considerar modificar o seu estilo de vida, né? A gente sabe que a atividade física é importante, manutenção do peso, uma boa alimentação, a alimentação aqui que a gente fala uma dieta não rica em gordura, açúcar, né? Uma dieta leve e buscando principalmente o equilíbrio, equilíbrio emocional, equilíbrio na alimentação em termos de de nutrientes, equilíbrio também na nossa rotina, trabalhar, cuidar da família e e fazer a sua atividade física. Então, todas essas questões acabam entrando na nossa conversa quando ocorre um diagnóstico de câncer de colo de útero, sem dúvida para as nossas pacientes. Doutora Larissa, eu gostaria de agradecer a sua participação aqui no programa no Saúde é Vida, abordando aí um tema tão importante, né, para nós mulheres. Muito obrigada. Eu que agradeço, Ana, e parabéns a vocês da TV Campinas, Câmara Campinas, por pensarem em trazer o Márcio Lilás e falar sobre esse tema tão importante. Mais uma vez, obrigada. O Saúde a Vida fica por aqui. Obrigado ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música] [Música]