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Olá, [Música] pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre os linfomas. Mas antes de entrar aqui no nosso assunto, eu tenho um recado para você. Para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema aqui para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato com o nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377, que vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Com sintomas silenciosos que levam ao tratamento tardio, o linfoma é uma doença muito perigosa que pode ser fatal. Segundo dados do Inca, que é o Instituto Nacional de Câncer, cerca de 4.000 pessoas morrem anualmente deste tipo de tumor no Brasil e os casos vêm dobrando nos últimos 20 anos. Ainda de acordo com o Inca, o país deve registrar cerca de 15.000 novos casos de linfoma em 2025. Para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a hematologista Marta Mariana Ruda, médica titular do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês. Eh, doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde a Vida. Seja bem-vinda. Obrigada. Eu agradeço o convite, doutora. Vamos explicar um pouquinho porque para falar de linfoma a gente precisa entender um eh sobre o sistema linfático. Eu gostaria que você explicasse um pouquinho o que que é o sistema linfático e também um pouquinho sobre as células sanguíneas, certo? Então, a o sistema linfático é aquilo que a gente chama grosseiramente de defesa ou imunidade, né? A a imunidade, na verdade, é uma associação de múltiplos sistemas. Alguns deles que só tem a capacidade de reconhecer coisas muito grosseiramente diferentes. É o sistema de imunidade inato, que na evolução praticamente todas as classes dos animais têm. E os animais superiores desenvolveram uma especificidade, um sistema mais específico que é capaz de reconhecer coisas que são não próprias, mas eh doenças, eh células que não se multiplicaram de forma adequada, patógeno, bactéria, vírus, protozoário, enfim, esse sistema mais especializado, ele é principalmente baseado no sistema linfático. que é a associação dos linfócitos, às células de defesa, ah, os linfonodos, que são os órgãos eh linfoides secundários, a as pessoas chamam de íngua, quando ela cresce, o basso, eventualmente o fígado. Então, nesses locais a gente produz linfócito e esses linfócitos fazem a a ação de combater patógenos de uma forma específica. aquele sistema que é treinado com doença prévia, com vacina e que é capaz de reconhecer, por exemplo, uma célula nossa que se multiplicou de forma inadequada. Eh, e doutora, falando especificamente agora, o que que é o linfoma, portanto, né? Isso. E o linfoma é quando esse sistema resolve e resolve é uma palavra ruim, mas a gente acaba usando, né? Mas é aleatório, você não consegue prever como é que isso acontece, mas na hora que essas células estão se expandindo para responder um antígeno, para responder uma agressão, eh essa expansão vem de forma inadequada e aí as células perdem a capacidade de regular o próprio crescimento e começam a crescer de forma desordenada. a gente passa a falar de um câncer. Eh, crescimento desordenado é um outro jeito de falar câncer, especificamente do sistema linfático. Os linfomas não é uma doença única. A gente tem quase 200 tipos de linfomas diferentes. Eh, todos eles são a algum momento a célula de defesa não conseguiu controlar o próprio crescimento e começou a se multiplicar de forma desordenada. E isso acaba trazendo prejuízo tanto pra pessoa quanto paraa própria imunidade. Entendido? E doutora, quais são os tipos de linfoma, né? Se a gente pode dividir em grupos? Sim. Eh, tem várias formas da gente classificar, mas o que a gente mais faz do ponto de vista médico é separar os linfomas em linfomas indolentes, que são doenças de crescimento muito lento, eh, que vão vão progredindo devagar e que, a princípio são condições que não têm cura, mas que na maioria das vezes a gente também não precisa agir imediatamente para tratar. Tá? Então a gente pode acompanhar e os linfomas que você tava citando no começo, os agressivos que precisam de tratamento relativamente rápido ou tratamento imediato e que tem o potencial de que se não tratados de forma adequada colocar a vida em risco. Dentre os linfomas agressivos, as os mais comuns são o não rodin difuso e o hodking. São dois tipos, dois grandes grupos de doença diferentes que as pessoas normalmente já ouviram falar, né? Exatamente. Os indolentes, na maioria das vezes, são não hodking. É. E doutora, você poderia explicar de uma forma bem breve, geral, assim, o que que é o linfoma hodking e o não hodking e qual deles seria o tipo mais agressivo? E nem sempre o mais agressivo é o mais comum. Sim. Então, na verdade, o que separa essas doenças é apresentação clínica, eh, do ponto de vista de epidemiologia. Então, hodin costuma ser doença de gente jovem. Então, a gente vê muito mais hodking em pacientes mais jovens, adolescentes, adultos jovens. Eh, a apresentação é a clássica de linfoma agressivo. Começa a aparecer linfonodo periférico. Então, normalmente essas essas línguas eh quando elas estão funcionando de forma adequada, ela cresce na hora que ela entra em contato com o antígeno e quando a resposta imunológica resolve a infecção, ela desaparece. Em criança a gente vê muito isso. Criança faz muito íngua, né? Ela enche de língua, de linfonodo e depois de um tempo esses linfonodos desaparecem. Bom, quando esse linfonodo aparece e persiste e continua crescendo, isso é um sinal de que a gente não tá lidando com uma condição normal. Então, geralmente os pacientes com linfoma de Rodkin se apresentam com linfonodomalia, eh, que pode ou não tá associada com um grupo de sintomas que a gente chama de sintomas B, que é febre persistente, perda de peso inexplicada, calafrios, sudorese noturna e a uma boa parte dos pacientes pode aparecer de forma completamente assintomática. foi fazer um ultrassom para ver alguma coisa e nota lá que tem um linfonodo grande. Eh, esse linfonodo tá maior do que o normal, a gente acompanha, ele continua crescendo e aí, enfim, na verdade eram hodking. Já os não hodking a gente não consegue colocar num numa numa caixa única. Eh, eu tenho os não rodins que são indolentes, que são essas condições que eu te falei que são eh de comportamento bem lento, eh na maioria das vezes assintomático e que a gente tende a não tratar de cara porque eles são incuráveis. Então, a gente só trata quando ele começa a trazer problema pro indivíduo. E existem os não rodkins agressivos, o mais comum deles é o difuso e que precisa de tratamento rápido, mesma coisa. linfonodomegalia, as ínguas de crescimento progressivo rápido. Esses não rodam tendem a ter mais sintoma B, perda de peso, febre, calafrio. Então as pessoas aparecem com mais sintoma em média, né? Eh, e existe um subtipo específico que é extremamente agressivo, que a gente chama de linfomas burkt ou burkt, que esses sim são aqueles que se a gente não tratar rápido tem o potencial de ameaçar a vida. Como a gente tem linfonodo no corpo inteiro, ele pode crescer muito rápido e comprimir uma estrutura nobre. Então, às vezes a gente tem como apresentação falta de ar porque comprimiu traqueia, eh algum problema na circulação do pescoço porque comprimiu os vasos do pescoço. Enfim, eh são condições mais agressivas e que t um um potencial maior de gravidade. E doutora, essas condições, elas afetam mais mulheres e ou homens, né? E qual a faixa etária geralmente essa esse tipo de câncer costuma, né, afetar? É, não tem predilição por sexo, então é é mais ou menos igual homem e mulher. Tem alguns subtipos que aparecem mais em mulheres e outros que aparecem mais em homem, mas no grosseiro, no geral, não existe predileção. E a maioria dos linfomes aparecem na a partir da sexta década de vida. Eh, então, ao contrário do Hodkin, que é uma doença que acomete mais adultos jovens, os linfomas, de um modo geral, são doenças de pessoas mais idosas a partir de 50 a 60 anos. O pico de incidência da maioria deles é em torno de 60 anos. E, Dra. Marta, a gente pode dizer que é uma doença hereditária, tem alguma causa específica? Sim. Eh, então, a a o que assusta as pessoas quando a gente começa a discutir linfoma é que não existem, grosseiramente falando, fatores de risco claros. Ah, todo mundo sabe que fumar aumenta risco de câncer de pulmão, que obesidade, história familiar positiva aumenta risco de câncer de mama. Eh, a gente tem eh na população bem claro alguns fatores de risco que são muito diretos para algumas neoplasias, alguns cânceres sólidos, né? Linfome é uma doença que não tem fator de risco claro, a não ser em situações muito específicas. O vírus da do HIV é um fator de risco independente. Então, pacientes que convivem com o vírus HIV t risco maior de desenvolver lem fome. Aí a gente acaba acompanhando essas pessoas. Eh, portadores de doença autoimune também tem um risco aumentado. O os reumatologistas, imunologistas também costumam acompanhar essas pessoas para para detectar quando acontece. Mas na população, de forma geral, não existe um fator de risco claro. E quando não tem fator de risco, eu não consigo prever. E tudo aquilo que eu não consigo prever, eu não consigo prevenir. Eh, não não existe uma campanha para não faça isso, porque isso aumenta seu risco de linfoma porque isso de fato não acontece. Do ponto de vista de família, ah, existem algumas condições, alguns dos linfomas que a gente vê que recorrem na família, mas de um modo geral também a gente não tem uma associação clara eh com hereditariedade, como a gente vê, por exemplo, com câncer de mama, com câncer de intestino, né? Ah, não existe uma predileção clara para cometer pessoas da mesma família. Não é bem complicado, né, doutora? Porque parece que é uma disfunção do próprio organismo da pessoa. Isso. Eh, eh, os cânceres eles eles na maioria das vezes eles têm fator de risco, né? Alguma coisa que predispõe. Mas esse predisponente ele não é destino, ele aumenta a chance. precisa de uma série de coisas que acontecem de forma simultânea e que não são corrigidas para que o câncer se desenvolva. Ah, na maioria das vezes, essas coisas todas são aleatórias. Então, às vezes as pessoas chegam no consultório e falam assim: "Mas eu como bem, eu durmo bem, eu faço atividade física, eh, por que que eu fiz para merecer isso?" Ah, linforma é uma doença que você não fez para merecer. ela acontece de forma randômica, aleatória, e então a gente lida com o que tem, né? Vamos tratar. Exatamente. E acho que por isso que é mais difícil ainda, né, pro paciente aceitar, porque não existe essa meia culpa, né? Você não, a pessoa não fuma, não, não, não, não, não bebe, né, todos os dias, tal, tem uma vida equilibrada e de repente recebe o diagnóstico. É, coisas ruins acontecem com pessoas boas. Exatamente. E, doutora, mas vamos falar, né? Existe chance de cura eh essa essa taxa é alta se ele for detectado precocemente. É, então diagnóstico precoce aqui também não é exatamente a questão. Eh, pros linfomas indolentes, por exemplo, a última coisa que eu quero é diagnóstico precoce. justamente por isso. Eu vou criar uma peste de doença. Então, a pessoa sabe que ela tem uma doença, mas eu só vou tratar essa doença quando essa doença resolver se manifestar clinicamente. Ah, obviamente que isso não é o mais comum, né? O que a gente tá discutindo aqui são linfomas agressivos. A vantagem de um linfoma agressivo é que, de um modo geral, é uma doença curável. É uma doença altamente curável. A a hematologia, a onco hematologia se desenvolveu muito nos últimos 20 anos. A gente tá com arsenal terapêutico incrível, inclusive com novas técnicas de terapia celular, mas mesmo as quimioterapias padrão, elas já trazem respostas muito boas. Para um tipo específico de linfoma tem mais ou menos 25 anos que o tratamento não mudou. Agora, recentemente, ele mudou, mas foram quase 25 anos de desenvolvimento para conseguir derrubar esse tratamento, para vir um tratamento melhor do que esse, porque esse já era muito bom. Eh, então quando a gente sair do bom pro ótimo, eh, às vezes é um pouco, dá um pouquinho de trabalho, né? E hoje a gente tá lidando com uma, um momento, eh, que a gente tem muita coisa ótima, então, com altas taxas de cura e capacidade de suporte. que faz com que, óbvio, não é um passeio, né? Tratar um câncer não é legal, mas a gente hoje consegue fazer isso de forma, eu diria até confortável. Felizmente, né, esse avanço da medicina permite, né, que as que os pacientes tenham essas opções, né, outras opções e que consiga, né, bons resultados. Sim. Eh, doutora, vamos falar um pouquinho sobre algumas dúvidas que às vezes as pessoas têm, né, quando o assunto é linfoma, eh, a incidência é maior entre os fumantes. Existe algum estudo que comprove essa relação? Não é uma não é uma associação direta, mas a gente sabe que o fumo é tem uma série de substâncias carcinogênicas. Então, naquela naquela sequência de coisas que acontecem para gerar doença, eh, uma delas é justamente a exposição a fatores que são mutagênicos, que que geram mutação e que geram carcinogênese, desenvolvimento de tumor, de câncer. Ah, então isso que a gente falou, né? o cigarro, o tabaco, a o álcool, a obesidade, a falta de atividade física, radiação ionizante, o sol, excesso de sol, alimento ultraprocessado, baixa ingesta de fibra, tudo isso expõe a pessoa a mais mutações. As mutações elas podem ser, elas são na maioria das vezes aleatórias, mas elas podem acontecer em sítios em que mutação acontece com mais frequência. E é esse sítio que é o primeiro passo para desenvolver a doença. Então é, sem dúvida nenhuma, uma pessoa que tem uma vida menos saudável, né? E o conceito de saudável tem mais ou menos 50 anos que não muda, né? dieta, atividade física, manter o peso, diminuir o açúcar, colesterol, enfim, todas essas condições que fazem com que a vida seja mais saudável, elas diminuem o risco de você ser apresentado a um mutágeno. Não zera, porque a gente tá sendo exposto a carcinogênico o tempo todo, né? Risco não é destino, mas se você tá aumentando o seu risco, enfim, né? tem mais chance de esse evento acontecer e ser um evento inicial para uma doença ruim. Exatamente. É aquilo que a gente fala, a gente não sabe se tem a genética ou não, mas em todo caso sempre é bom se cuidar, evitar se expor ao máximo aos aos riscos, né, ao aos fatores que favorecem ainda, né, se você tiver uma genética, então aí que fica mais difícil. Isso é uma outra dúvida, doutora, que surge também eh quando a gente aborda esse assunto é o sobre as ínguas. Sempre que uma íngua surgir no corpo, isso significa que já é um sintoma de um linfoma? Então, eu sou mãe também, né? Isso é o tipo da coisa que desarvora a mãe, porque como a gente já citou, íngua acontece em criança com uma frequência muito grande. E não, íngua é uma resposta natural do organismo a uma agressão. Essa agressão pode ser, na maioria das vezes, é uma infecção, né? a exposição a um a um agente que causa doença, mas pode ser até contaminantes do ambiente, enfim, eh agressão na pele. Então, a íngua em si não é um problema. A íngua, ela tem que crescer, cumprir com a sua função, que é fazer a produção dos linfócitos, crescimento dos centros em que esses linfócitos vão ser produzidos. vão se especializar, vão gerar células de memória ou vão gerar anticorpos para que a gente não responda de forma tão ampla a uma próxima exposição antígeno. E aí isso tudo deu, eu controlei a infecção, acabou a agressão, eu volto a diminuir. Então o linfonodo que era grande, a íngua, volta a pro tamanho normal dele, que na maioria das vezes a gente a gente tá cheio de linfonodo no corpo inteiro, eles não não são palpáveis, né? Na hora que eu passo a mão, não sinto. A língua que me preocupa é aquela que persiste. E o intervalo que de um modo geral a gente orienta as pessoas a aguardar, a acompanhar sem desarvorar, é de seis semanas. Então eu comecei falando, eu também sou mãe, porque às vezes é muito difícil para uma mãe esperar isso tudo. Porém, antecipar essa avaliação não ajuda. Ah, o diagnóstico, ele vai ser feito definitivo com uma biópsia. E aí o patologista, que é o médico que avalia a biópsia, ele tem muita dificuldade de separar uma reação normal de alguns subtipos de linfoma. Então, muitas vezes eu preciso da clínica para permitir que eu consiga interpretar a biópsia. Não é uma coisa 100%. Então, em média, a gente aguarda e acompanha esses pacientes por quatro a seis semanas. o linfonodo não resolveu e ele continua crescendo, esse linfonodo demanda investigação e uma das possibilidades a linfa, mas é uma das possibilidades. E aí sim a gente abre a investigação específica para isso muitas vezes. E se o linfonodo apareceu uma vez na criança, no adolescente e depois sumiu e nunca mais voltou, tá tudo certo. Tudo certo. E na verdade não, ele apareceu e ele sumiu. E depois de um tempo ele apareceu de novo e ele sumiu, continua tudo certo. A, o câncer é uma incapacidade de controle de crescimento. Então, por definição, não some. Ele cresce, cresce, cresce, cresce. Então o comportamento também é crescimento progressivo. Exatamente. Doutora, uma última dúvida aqui também que sempre surge é com relação ao linfedema, que é aquele acúmulo, né, de circulação linfática em um gangnglio. Isso também é fator de risco ou não tem nada a ver com o assunto? Não, são condições diferentes. Ah, o sistema linfático, ele é principalmente o sistema que produz imunoglobulina e linfócito, né? células da imunidade adquirida, dessa imunidade mais especializada, mas ele também faz o resgate dos líquidos que foram encaminhados pra periferia a partir das artérias no sangue e não voltaram pelas veias. Então tem uma série de líquidos, uma série uma série de volumes que voltam que voltam pro centro a partir dos vasos linfáticos. Eh, quando a gente tá com inchaço, né, o médico chama de edema, a gente às vezes faz drenagem linfática para ajudar a drenar esse edema, eh, porque eu devolvo esses líquidos pro sistema linfático para que ele volte pro centro, né, volte a ser circular. Eh, são duas ações completamente diferentes. O que um limfoma ou qualquer tumor pode fazer é comprimir um desses vasos. Do mesmo jeito que ele é capaz de comprimir um vaso venoso e aí causa uma trombose, é uma complicação relativamente comum dos linfomas daqui de cima. A compressão dos vasos do pescoço faz uma síndrome chamada de síndrome de veia cava. É porque o tumor cresceu e ele aperta a veia. pode acontecer especialmente na região que é aqui na na virilha. Ah, quando o linfonodo cresce muito ou cresce muito rápido, ele comprime alguns dos vasos que fazem esse retorno de veia e de líquidos e aí causa um inchaço importante. Mas é uma coisa aguda. o linfedema é uma condição crônica, enfim, de de problema de circulação, de peso, né, de lidar com determinadas inflamações, geração de fibrose, de cicatriz, eh, no tecido, que faz com que a pessoa tenha um inchaço crônico e um e dor, né? É, são coisas bem diferentes, não tem relação. Entendido, doutora. Agora a gente vai fazer um rápido intervalinho, porque no próximo bloco nós vamos falar sobre diagnóstico e os tratamentos para os linfomas. Nós já voltamos. [Música] [Música] Estamos de volta com Saúde à Vida e hoje falando sobre os linfomas com a hematologista Marta Mariana Ruda. Ela é médica titular do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês. No primeiro bloco, né, doutora, a gente falou um pouquinho de uma forma bem geral sobre os linfomas, os tipos, né, grupos, quais os sintomas. Agora vamos falar um pouquinho eh especificamente sobre o diagnóstico, como que é feito todo esse processo, né, de detecção da doença. Então, a gente tava discutindo que os os sintomas, né, mais importantes paraa gente pensar em linfoma é justamente o aparecimento e a persistência de uma íngua, de um linfonodo aumentado, que tem esse comportamento de crescimento progressivo, ele não diminui, que seria a resposta que eu esperaria de um linfonodo que cresce normalmente. E aí, ah, pra pr aparecimento de linfonodomalia persistente, não existe só linfoma como diagnóstico diferencial. a gente pode estar diante de algumas condições autoimunes que são bem raras, mas enfim, acontece com a síndrome de queuchi fugimoto. Existem ah doenças que não são exatamente linfomas, mas são consideradas pré-linfomas, eh, que tem esse mesmo comportamento como a síndrome de Cemon. H, tem alguns outros tumores que não são de linfonodo, mas que faz um diagnóstico diferencial às vezes complicado na imagem, como tumor de tioide ou tumor de alguns alguns nervos, um tipo específico de tumor de nervo, muito mais comum do que tudo que eu falei, infecção crônica, como a mononucleose, o citomeglovírus, a toxoplasmose, que mantém uma e adenomegal né, o linfóc linfonodo grande persistente e finalmente os linfomas para resumir a história. E aí o diagnóstico de linfoma, como o diagnóstico de todo o câncer é com biópsia, tá? A gente não foge disso. Ah, quando eu fazia medicina 20 anos atrás, era obrigatório que se fizesse a excisão do linfonodo. Então, eu tinha que abrir, tirar o linfonodo e mandar pro laboratório da patologia. Isso é complicado, né? Isso encontrar que é uma cirurgia, deixa um uma cicatriz, enfim. Hoje em dia a gente consegue dar mais de 80% dos diagnósticos com biópsia, porém feita por agulha. Então, um radiologista intervencionista, um radiologista que faz procedimento, ele usa um ultrassom ou uma tomografia, entra com uma agulha grossa que tira os fragmentos do tumor, coloca na lâmina e manda pro patologista. E aí o patologista vai dar esse diagnóstico. Eh, a gente obviamente faz a biópsia quando imagina que não é nada daquelas outras condições que eu falei. Eh, então, eh, parte do diagnóstico fazer investigação dessas doenças eh infecciosas que eu coloquei, né? Eu tinha esquecido de falar do HIV. O HIV também é uma é uma condição que faz diagnóstico diferencial. pacífiles voltou com tudo. Eh, enfim, então essas condições causadas por infecção viral crônica, por esses esses vírus e esses essas bactérias que que deixam uma infecção mais crônica é o primeiro diagnóstico diferencial na maioria das vezes. E se a gente não vê isso, a gente já parte pra biópsia. E é mais complexo, né, falar de sistema linfático porque parece que ele é mais abstrato que os outros sistemas, né, que os outros órgãos também. Então a gente fica tentando aqui imaginar, né, nossa, como que seria isso, o sistema linfático, né, o tumor crescendo ali. Então é, acho que é bem mais complexo, né, doutora? É, na verdade é porque assim é que o outro órgão é mais fácil de vislumbrar. Então, quando a gente tá falando de patologia, por exemplo, eu enxergo o tumor, um tumor de mama, às vezes na macroscopia, às vezes só de olhar o grande, sem precisar mergulhar no microscópio. Por quê? A característica do tumor, ela é muito diferente da característica normal do órgão. Já os linfomas muitas vezes simulam comportamento normal do sistema imunológico, que é extremamente complexo. Então, a essa existem mais nuances para esse diagnóstico. De um modo geral, o patologista que faz doença hematológica, as doenças de sangue é um patologista especializado. ele ele precisa estudar mais, ele precisa se aprofundar nessas patologias de sangue, porque é um diagnóstico de verdade mais difícil de dar um pouquinho, né, que a gente tá falando do sistema linfático, onde entram essas questões aí das células sanguíneas, né? Qual que é a relação? Só pra gente entender melhor também, é outra outro conceito que as pessoas têm errado às vezes e a maioria dos linfomas não altera as células do sangue, tá? Então eu não consigo enxergar, na maioria das vezes, linfomas no sangue. Existem condições que eu enxergo e aí muitas vezes eu nem preciso da biópsia. Eu consigo fazer o estudo da assinatura dessas células para dizer o nome delas, exatamente do ponto de vista imunológico com um exame de sangue que chama imunofenotipagem de sangue periférico. Mas isso é exceção. Na regra, os linfomas não alteram o hemograma, que é o exame de sangue clássico que vê as células sanguíneas. Quando altera, o primeiro achado é aparecer linfócito, que é justamente a célula que tá alterada no linfoma. Então, quando esse linfoma ele se espalha de tal forma que ele chega na fábrica do sangue, a medula óssea, começa a aparecer linfócitos aumentados ou linfócitos anômalos no sangue periférico. E aí a gente tem a pista da doença mais fácil do que fazendo biópsia. Mas isso é a exceção. Na regra, a o linfoma não altera as células do sangue. Porém, o linfócito eu enxergo no sangue, né? é um linfócito normal. Ele, quando a gente olha o leucograma, que são as células brancas, uma das células brancas do leucograma é justamente o linfócito, tá certo, doutora? E quais são os tratamentos recomendados? Eles são iguais, né? São o É o mesmo tratamento para todos os tipos de linfoma? minha vida ia ser bem mais fácil se fosse. Não, a gente tem milhões de protocolos diferentes para doenças diferentes. Então também falar linfoma, como a gente já estabeleceu, não é falar de uma coisa só, né? Você tem vários subtipos. Então, quando um paciente chega e eu acho que ele tem um linfoma, eu falo: "Olha, eu acho que você tem um linfoma, mas esse é o nome. Eu preciso do sobrenome. Eu preciso saber especificamente de que doença a gente tá falando para poder te explicar qual vai ser a história natural dessa doença, o que que eu espero dela, qual é o prognóstico dessa doença, o que que eu espero pro futuro tratando essa doença e fazer o planejamento do tratamento específico. Ah, grosseiramente, na maioria absoluta das vezes, a gente tá falando de quimioterapia. Linfomas que precisam de tratamento são doenças sistêmicas. Eh, e sendo sistêmico, eu não consigo curar com medidas locais. Então, câncer de mama, por exemplo, tem um nódulo na mama, essa doença tá restrita à mama, o tratamento vai ser a cirurgia, eu tiro essa lesão. E a quimioterapia, ela pode vir para ajudar a diminuir a lesão, diminuindo o tamanho da cirurgia, ou para ajudar a evitar que essas células se espalhem. Eu não enxerguei espalhamento, não tem metástase, mas eu uso a quimioterapia para evitar que essa metástase aconteça. Agora, o controle do tumor mesmo foi a cirurgia. Nos linfomas, na maioria das vezes, a gente não usa cirurgia para tratamento. Por isso é que a nossa biópsia hoje pode ser uma biópsia localizada. eu não preciso tirar a lesão. Eh, na hora que eu começo a tratar com quimioterapia, ela rapidamente desaparece. E aí, quimioterapia é um nome feio, né? É um nome muitas vezes mais feio do que câncer. As pessoas têm mais medo do tratamento do que da doença. E eu preciso dizer isso. A doença não pode ser menos pior do que o tratamento, né? a gente tem um um norte, um benefício claro, um objetivo onde a gente quer chegar quando a gente faz quimioterapia. Eh, existe um preço a ser pago, sem dúvida nenhuma, mas a nossa capacidade de dar conforto, de diminuir eh desconfortos para esses tratamentos hoje em dia, inclusive no SUS, porque eu também trabalho no SUS e a gente também tem essas ferramentas no SUS, melhorou muito aquela ideia que quimioterapia fazia a pessoa ser doente, emagrecer, eh não conseguir comer, vomitar, isso acabou. Ah, inclusive hoje uma das dificuldades que eu tenho é falar pro meu paciente não ganhar peso durante o tratamento. Ah, a gente tem a capacidade de dar suporte e obviamente as drogas melhoraram, então hoje eu consigo fazer drogas que são menos tóxicas e uma grande parte dos meus pacientes com linfomas agressivos continuam trabalhando por vontade. Eles têm direito ao afastamento, obviamente, né? mas querem continuar vivendo a sua vida mesmo durante o tratamento. Eh, porque isso também traz saúde, né? Traz saúde mental, você continua vivendo a vida, enfim, ser retirado do seu meio é um fator de adoecimento, né? Então, no resumo, você me perguntou uma coisa, eu acabei expandindo a pergunta, mas o tratamento principal de linfoma é sim quimioterapia, mas isso não pode ter o estigma e o peso que teve eh, que ainda tem, né, nos nossos dias, porque não é por aí. Exatamente isso que eu ia até falar sobre o estigma, né? Eu acho que tá muito relacionada à questão da quimioterapia ao estigma, porque a pessoa vai perder o cabelo, né? vai ficar careca, perde sobrancelha, vai perder cílios. Então acho que isso, principalmente com a mulher, né, mexe muito com autoestima. Isso. Nem toda a quimioterapia faz isso, né? Eu preciso te dizer que a maioria das minhas fazem, mas eu tenho alguns tratamentos hoje para linfomas e leucemias que se comportam como linfomas, que é medicação oral, é comprimido, eh, e que não faz nada disso, tá? Então, assim, até mesmo o perfil de toxicidades mudou com a evolução dos tratamentos e aquilo entendo também é quimioterapia. Eh, a gente leva muito isso em consideração. Então, no serviço onde eu trabalho, eh, junto com a assistência médica, existe a a oferta de um, um consultor de imagem para que a pessoa passe a trabalhar com essa nova imagem que ela vai apresentar ao mundo, pelo menos durante um período. Eh, porque isso é um período da vida, não é para ser o resto da vida. Então, o momento que a gente vai passar, mas a gente precisa fazer o que a gente pode para minimizar o sofrimento. Ah, existe hoje uma especialidade médica que é 100% voltada para cuidar das pessoas. a gente fala cuidados paliativos, parece que tá falando de cuidados de fim de vida, de morrer. Eh, e OK, existem os cuidados de fim de vida, mas a a principal coisa que os cuidados paliativos fazem, que a equipe de cuidados paliativos fazem, é controlar sintoma, é lidar com essas nuances de consequências que vão acontecer durante o tratamento e que não podem transformar a vida daquela pessoa no inferno. Ela tem que viver e continuar vivendo e não traumatizar com aquilo, porque de novo, muitas vezes o nosso objetivo é que ela tenha a vida inteira pela frente. Então, junto comigo trabalha o pessoal da enfermagem que cuida da da parte de acessos, eh, de coleta de exame, de transfusão, enfim, diminuindo a dor, a a o desconforto desses procedimentos. pessoal da imagem que lida com essa questão da autoimagem mesmo para você lidar com isso, trabalhar com isso, buscar alternativas para vivenciar isso. pessoal dos cuidados paliativos que trabalha com controle de sintomas, enfrentamento, ajuste, o pessoal da psicologia, pessoal da nutrição, eh, que trabalha com a formas de você se alimentar, eh, diminuindo sintomas para pacientes que ainda têm náusea. Hoje vômito é para ser pouco, tá? para não dizer zero, mas a gente trabalhar com a náusea, trabalhar com a nutrição, não permitir a desnutrição, enfim, pessoal da equipe da fisioterapia e da do o profissional de de educação física. Recentemente você deve ter visto que sai um estudo imenso publicado na maior revista do planeta, mostrando que exercício físico tem impacto em redução de morte de paciente com câncer sólido. A gente sabe que esse dado é generalizável, então é importante que o meu paciente continue se exercitando. Isso melhora a eficácia da minha quimioterapia. Então, tudo isso é um conjunto de coisas que a gente faz e que a gente deveria fazer mesmo para que o caminho seja menos doloroso, né? Para que não seja tão estigmatizante nem tão difícil, porque depois do tratamento tem a vida toda pela frente. É isso que a gente quer ofertar para as pessoas e a gente consegue, com certeza. E doutora, eh, pegando o gancho aí do exercício físico, hoje ele até parte do tratamento, a gente pode dizer, né? É sempre recomendado isso, a não ser que o paciente tenha alguma contraindicação óbvia, mas eh às vezes até tem gente que acha que a gente tá de maldade, né? a pessoa tá imobilizada na perna, eu mando levantar peso no braço. Eh, existe sim alguma atividade física que você pode fazer durante o tratamento e ela ajuda em tudo, né? No ânimo, na no estigma, na imagem, na desnutrição, no músculo, na força, no cansaço. Eh, então assim, a atividade física é absolutamente fundamental e é pedra angular no tratamento do câncer, qualquer câncer. No caso dos linfomas, a imunoterapia também é recomendada. Quem inaugurou imunoterapia foi hematologia no tratamento dos linfomas. a a como o linfome é uma doença da imunidade, já há muitos anos a gente vem trabalhando para eh lidar com a imunidade, combatendo a doença da imunidade. Eh, então a primeira imunoterapia no tratamento de de câncer que houve na humanidade foi justamente o rituim, que é um anticorpo anti a assinatura gênica do linfócito B, que é o CD20, né? esse anticorpo combate diretamente o CD20, fazendo esse CD, esse essa essa célula morrer, ser induzir à morte, eh, sem quimioterapia, sem quimioterapia tradicional, né? A, e daí paraa frente abriu-se a porta para as imunoterapias que a gente vê hoje. Grosseiramente, imunoterapia é toda a manipulação que eu faço do sistema imunológico para tratar câncer. Mas pro câncer sólido, principalmente, o que se faz é ensinar o sistema imunológico da pessoa a combater a doença. E isso também é bem bem importante na no nosso na nossa área, no nosso meio para tratar linfoma, para tratar leucemias, especialmente leucemias B. Eh, e aí além dos anticorpos monoclonais que combatem um um a doença diretamente, né, que age diretamente em cima da doença. E além ah desses dessas dessas desses tratamentos em que eu ensino a imunidade da pessoa a combater a doença, hoje a gente consegue fazer isso tanto com um remédio específico que existe na farmácia, que faz esse esse direcionamento da imunidade com as terapias celulares. Nos últimos 5 anos, a gente tem discutido muito as células carter ou carte cels, que que é justamente um processo em que eu utilizo a imunidade da pessoa, trabalho geneticamente essa imunidade e devolvo um míssel taleguiado voltado pro tratamento da doença. As doenças mais passives de tratamento com carticel são justamente as leucemias B e os linfos. E doutora, acho importante a gente frisar isso aqui. Você até mencionou que esse tratamento então ele é coberto tanto pelos planos de saúde quanto pelo SUS. Eh, em níveis, né? O SUS tem vários níveis de assistência de tratamento eh para linfomas. Ah, e e a cobertura de de medicina suplementar, né, de de plano de saúde que a gente fala, é regida pela NS. Então, à medida em que uma tecnologia nova vem, ela é incorporada e aí passa a ser de cobertura obrigatória. Ã, já a terapia celular de muito alto de muita alta especificidade, tem alguns serviços SUS que estão fazendo, especialmente a USP. Vocês devem ter visto, saiu muito na mídia dois anos atrás os protocolos do Instituto Butantã com a USP. Eh, mas essas são são terapias de alcance mais limitado pelo custodo, pesquisa com novidades para essa área, novidades com relação ao tratamento. Tem alguma coisa já no exterior sendo estudada para que que vocês, né, da comunidade médica já estejam sabendo assim que pode ser promissora. Não, toda semana. É, é uma área que que assim a expansão é absurda, tá difícil de acompanhar. Ah, dessa revista que eu citei, né, a New England, toda semana, literalmente sai um estudo novo, pelo menos um estudo novo para tratamento de doença oncoematológica. Eh, a gente nos últimos 20 anos especificamente teve um uma explosão. Eh, e isso acaba chegando. Mesmo as coisas que são ainda muito caras e que ainda tem acesso muito limitado, o tempo vai passando e essas essas esses o acesso aumenta, né? Então, quando eu comecei fazer hematologia, esse Rituximab que eu citei, que existe há tranquilamente mais de 20, 25 anos, a gente ainda não tinha acesso no SUS. Hoje não existe tratamento de linfoma B no SUS que não tem acesso a rituximape. 100% das pessoas que tratam linfoma B vão usar rituximape, né? É um, às vezes a evolução chega lá fora ou no Brasil, mas a gente ainda não tem acesso. Só que e isso é uma corrente do bem. em algum momento esse esse avanço chega, né, e ele passa a ser universal, a gente consegue oferecer para todo mundo que precisa. E doutora, quais são as perspectivas após o tratamento para esse paciente? Então, a doença que é curável, né, aquilo que a gente entende como doença curável, é pra pessoa voltar pra vida dela, é como se aquilo, tudo que aconteceu fosse um sonho ruim, tá? Não é para ficar nenhuma sequela. E é por isso que a gente se preocupa tanto com a questão psíquica, né? Porque as principais sequelas não são físicas, é trauma mesmo. E e isso a gente a gente lida muito e age muito para que aquilo não inviabilize o resto da vida da pessoa. Porque se a gente trata direito e a doença responde bem e essa pessoa tá curada, é curada mesmo. Eh eh curada para para não ter que se preocupar com aquilo mais. É claro que a gente se apega, então o paciente vai fazer acompanhamento, enfim, ele vai ficar em acompanhamento meses, anos. Eh, lembrando que cura é sempre um diagnóstico retrospectivo, né? Depois de muitos anos, eu digo que a pessoa estava curada, mas eu não consigo dizer que uma pessoa tá curada hoje, né? Ela está em remissão, que é o primeiro passo paraa cura. Eu não ser capaz de enxergar a doença é o primeiro passo paraa cura. Uma vez que essa remissão ocorra e que o paciente continue em remissão, ele tá em protocolo de cura. E aí depois de alguns anos, eu sou capaz de dizer que ele tá curado. Nesse intervalo, vida normal, né? Trabalho, filho, saúde, enfim, eh, cuidados, tocar a vida, ser ser produtivo, ser feliz, de preferência sem sequelas. Exatamente. Acho que é isso que você falou, até mesmo durante o tratamento, se o paciente tem condições, acho que é tocar a vida mesmo, né? Seguir normalmente, porque eu acho que você ficando em casa, pensando só naquele problema, isso fica toma uma proporção eh gigantesca aí e afetando a saúde mental, você vai afetar o o corpo todo também, né, doutora? É, casa, oficina do do cão, cabeça vazia, é outra das frases que a gente usa bem no consultório. Então, eu inclusive confesso que eu prefiro que o paciente continue trabalhando. Faz parte. Tem algum tipo de restrição durante essa fase do tratamento com relação assim a também a alimentação e atividade física ou praticamente isso que você falou? Se ele tem condições, vida normal mesmo. Isso. Se ele tem condições, vida normal mesmo. O cuidado mais importante que uma pessoa que está em tratamento quimioterápico precisa ter é entender que uma condição de infecção, por exemplo, a exposição a uma infecção numa pessoa em tratamento, vai dar mais trabalho do que uma pessoa que não está em tratamento. Tem sim o potencial de ser mais grave do que uma pessoa que não está em tratamento. Então, a gente deveria ter aprendido algumas coisas com COVID, né? Uma delas é: gente doente fica em casa. Gente doente não é para est na rua, não é para est trabalhando, não é para est espalhando vírus por aí. Não tem jeito de eu proteger o meu paciente do ambiente, mas eu posso proteger o ambiente do doente, do sabidamente doente. Então, a primeira coisa que um paciente oncoematológico vai escutar, e ele vai escutar mil vezes é: "Não se exponha a pessoas doentes." Pode continuar tocando a vida, pode continuar trabalhando ind para academia, pro cinema, pro shopping, pra missa, porém vai em momentos que você esteja menos exposto a gente doente ou potencial de encontrar a gente doente. É por uma gripe num paciente em quimioterapia vai fazer ele ganhar uma tarde no pronto socorro até eu explicar que, ó, foi só uma gripezinha, ele perdeu uma tarde no pronto socorro, ele ganha uma internação de graça e eventualmente ele pode se comportar mal, porque a capacidade de lidar com a infecção, que é a imunidade, tá comprometida tanto pela doença quanto pelo tratamento. Isso a parte vida normal e inclusive em relação à alimentação, tá? a gente não faz restrições alimentares de pacientes que não tenham motivos médicos para restrição alimentar. Eh, e doutora, com relação às crianças e aos adolescentes, o tratamento é também basicamente o mesmo? Quais seriam as orientações que você daria pros pais, né, que estão, que se encontram nessa situação, que tiveram aí recentemente o diagnóstico de um linfoma aí pro pras crianças ou pros adolescentes? É, de certa forma a recomendação é a mesma, não muda. As crianças eh especialmente a gente tá falando de linfoma, mas no espectro das doenças linfoproliferativas tem as leucemias, né? A leucemia aguda B é o principal câncer em criança. A as doses e a intensidade da quimioterapia que a gente faz para tratamento de leucemia de criança é impensável para um adulto, justamente porque a criança tolera muito mais, né? E muitas vezes a gente tá lidando com doenças mais agressivas. Então eu uso o calibre do meu revólver de acordo com o bicho que eu tô tentando matar. a gente acaba fazendo tratamentos muito mais intensivos paraa criança e eles toleram. Eh, o o a especificidade é principalmente social, né? Na criança a gente tem muito essa questão de não pode ficar sequela além da cura, eu preciso não permitir que isso seja um problema paraa vida, né? Então, a gente enfoca bastante nisso, mas eh é igual, não faz muita diferença em relação ao tratamento pro adulto, pro idoso, não. A não ser, claro, na questão da intensidade. Doutora, paraa gente encerrar então aqui esse segundo bloco, para quem tiver em casa acompanhando o assunto, né, qual que é a principal orientação que você deixa aqui com relação a esse tema e também se a pessoa notar alguma coisa no corpo, algum eh algum caroço e já procurar qual especialista. Isso. Então, eh, paraas paraas condições de ínguas, né, a primeira coisa que eu quero é reafirmar que a gente tá lidando com benignidade na maioria absoluta das vezes. A gente tá falando muito sobre o tema, mas linfoma não é uma doença extremamente comum. Todo mundo conhece alguém que já teve, mas eh se você coloca no âmbito do câncer sólido, por exemplo, você teve muito, você conheceu muito mais gente que teve câncer de mama, de intestino, de pulmão, do que próstata, do que linfoma, né? Então a estatística ela tá no nosso favor. Na maioria das vezes, uma íngua que aparece, uma febre persistente, eh sudarese noturna, enfim, não é linfome. Porém, se esse sintoma, então a primeira coisa é calma. Vamos, vamos ver evolução. Eh, em sala de aula eu digo muito pros meus alunos que o melhor amigo do clínico é o tempo. Se eu tenho dúvida, eu acompanho, né? As condições, muitas vezes elas vão se mostrar, obviamente que com atenção para não colocar ninguém em risco, mas na maioria das vezes observação é suficiente. E aí, se a situação ela se coloca como não, de fato, eu tô diante de uma linfoproliferação possível, né? né? Um linfonudo que tá em crescimento, sintomas B, enfim, não conseguir achar uma outra explicação, a gente tem solução, a gente tem resposta e hoje a gente tem tratamento para que isso seja, como eu falei, uma notícia ruim que passou, um evento ruim que aconteceu na sua vida que passou, que ficou para trás. Eh, então nem sempre uma notícia como essa é uma notícia aterradora, né? Eu falo pros meus pacientes que eles têm o direito de ficar 24 horas chateado até eu arrumar a casa, porque amanhã nós vamos começar e aí quando a gente começa, a gente começa é paraa frente, é para cima, né? Sempre olhando, esperando melhor. Eh, e de novo tentar diminuir o estigma dos tratamentos, né? Os tratamentos eles não são tão ruins quanto o consciente coletivo da população brasileira tem. Eh, a gente quer sim que a pessoa passe por isso, porque a gente quer curá-la, mas ela a gente quer que ela passe por isso da melhor forma possível e não é tão ruim quanto a nossa expectativa. Eh, isso é importante. Então, primeiro, tranquilidade, acompanhamento e segundo, expectativa de coisas boas e fé na ciência, né? a gente tá melhorando, a gente tá estudando, eu, eu e os meus colegas, a gente investe a nossa vida nisso, a a nosso, nosso, todo o nosso tempo eh voltado para isso. E assim, tem sido bem gratificante. Doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Obrigada pela disponibilidade, por atender a gente aqui e explicar, né, tudo sobre esse assunto pro nosso público aqui da TV. Muito obrigada. Foi um prazer, uma honra e eu tô sempre à disposição. O Saúde a Vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. A gente se vê no próximo. Saúde à Vida. [Música] [Música]