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Olá, [Música] pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre as hérnias, mas antes eu tenho um recado para você que tá acompanhando o nosso programa aí de casa, que para sugerir um tema para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Estatísticas de 2025 mostram que a hérneia inginal, ou seja, aquela na virilha, é a cirurgia mais realizada no Brasil, com mais de 323.000 atendimentos através do SUS, que é o Sistema Único de Saúde. Aproximadamente 28 milhões de pessoas convivem com algum tipo de hérneia abdominal. E para falar sobre esse tema, o convidado do programa de hoje é o cirurgião geral Ernesto Alarcon, especialista em videolaparoscopia e atuação com ênfase em cirurgia geral de hérneas e também digestiva. Dr. Ernesto, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Olá, Ana Paula, toda a equipe jornalística e telespectadores. É um prazer para mim estar aqui com vocês. Prazer é nosso aqui, doutor. Pra gente começar então esse bate-papo, eu gostaria que o senhor explicasse um pouquinho, né, de uma forma bem geral, o que que é a hérneia e quais são os principais tipos de hérnea que a gente tem. Perfeito. Quando a gente fala em hérnea, eh, eu vou me limitar aqui a falar sobre as hérnias da parede abdominal, tá? Porque também existem as hérneas de disco, herneas de ato, né, que são outros tipos de héres. Mas acho que o tema do assunto aqui vem mais eh em relação às hérneas da parede abdominal. E aí eh a hérnea, ela é um uma fraqueza da parede muscular, né, onde eh aparece um buraco ali, uma passagem, né? Então, eh, através desse buraco da parede muscular sai conteúdo intraabdominal para fora, né? Causando aquele abaulamento, trazendo dor. Os mais variados sintomas pode ir desde assintomático até sintomas mais eh intensos, a gente provavelmente vai falar sobre eles aí mais para frente. E os pontos mais comuns de hérnia é na linha média do do abdômen, né? Então, na região epigástrica, na região umbilical, eh, e nas regiões inginais, tá? Esses são os pontos mais frequentes e é uma doença muito prevalente, né? Então, é por isso que a gente vê com muita frequência eh a procura por atendimento, tanto no consultório quanto na rede pública, por esse tipo de de queixa, né? Exatamente. Doutor, e por que que as hérneas ocorrem? Tem alguma explicação específica para isso? Sim, existem algumas explicações, mas eh eu entendo como ponto fundamental para ocorrência da hérnia a gente ter uma fragilidade na estrutura da parede abdominal, né? né? Então, o tecido que dá resistência ali, eh, o colágeno, né, que sustenta essa essa parede abdominal, ele tá enfraquecido, né, por algum motivo, ele tá enfraquecido e geralmente essa causa tá relacionado eh geneticamente. E aí existem uma série de fatores que vão contribuir para que esse colágeno vá se rompendo, né, até formar uma hérneia. Então tudo o que a gente faz ali que aumente a pressão abdominal, né? Então, a gestação na mulher, onde a barriga, né, expande muito, eh, carregar peso, eh, pacientes mais constipados, que fazem muita força, eh, abdominal, né, paraas suas necessidades. eh todas essas questões, a tosse crônica, né, um torcedor crônico, e o tabagismo que a gente sabe que eh enfraquece, né, a parede, a estrutura da parede abdominal. Então, tudo isso vai contribuir para o aparecimento de uma hérnia. É, eu achei interessante quando eu tava pesquisando, né, sobre esse assunto que o cigarro, né, o tabagismo tá relacionado também a herne. Uma coisa que a gente nem imagina, não é, doutor? Sim, ele tá relacionado e de duas formas principais, né? Ele tá relacionado tanto no enfraquecimento da parede mesmo, quanto pelo fato de que o tabagista geralmente é um torcedor, né? Eh, pode não ser logo no início, mas ele vai ser um torcedor e toda vez que ele torce, ele tá aumentando a pressão intraabdominal ali, né? Ele faz um esforço abdominal. Então, dessas duas formas aí, ele eh tem uma contribuição bastante significativa pro aparecer de héros. Eh, doutor, eu gostaria que o senhor explicasse também o que que é a hérneia de iato e se ela é parecida ou diferente da hérneia abdominal. É, a hérneia de ato é um pouquinho diferente, né? porque ela é uma hérne que tá dentro do nosso abdômen. Então, onde a gente tem eh a gente tem a região torácica, né, mais alta e tem a região abdominal eh abaixo. Existe uma musculatura aqui que divide o que tá no tórax e o que tá no abdômen, que é o diafragma, né? Esse músculo, ele sobe quando a gente eh expira, né? Solta todo o ar, ele sobe, tal, a barriga ganha mais espaço e ele desce quando a gente inspira, né? Eh, na passagem do esôfago pro estômago, existe um buraquinho ali. O esôfago fica dentro do tórax, né? E na passagem dele para o estômago, a gente chama de iato, que é a região ali onde vai dividir, né, o esôfago para cima, o estômago para baixo. Algumas vezes a gente tem um alargamentozinho desse ato e o estômago sobe um pouquinho, né? Então, a esse alargamento, né, quando esse quando o iato não está justa posto à musculatura e você tem um uma subida do estômago para cima, a gente fala em hérneia de ato, tá certo? E a hérneia de ato, eu tava pesquisando sobre esse assunto, né, uma dúvida, ela pode causar câncer? Não, a hérneia de ato por si só não tem relação com o câncer. A questão é que eh a deato, ela pode estar relacionada a um aumento eh na intensidade do refluxo naqueles pacientes que já t refluxo, né? Então isso vai depender do tamanho da hérnea, da quantidade do refluxo, da intensidade do refluxo, do hábito alimentar, de várias questões. O fato é que se o paciente tem um refluxo crônico mais intenso e ele acaba evoluindo para um esôfago de barret, por exemplo, o esôfago de barretão pré-cancerosa, né? né? Embora tenha uma baixa taxa de eh displasia até virar um tumor, um câncer, eh ele é uma lesão pré-cancerosa. Então a hérneia de ato pode até acentuar essa questão, mas eh a hérneia por si só não tem relação com câncer, tá certo, doutor? E agora eh as hérneas também elas são, algumas hérneas são classificadas como complexas. O que seria isso? Hérnias complexas, né? a gente pensando em parede abdominal, é complexas são aquelas énias que eh ou tem uma destruição muito grande da parede abdominal, eh pro tratamento muitas vezes a gente não consegue simplesmente fechar o defeito, né? Então a gente eh existem hérneas abdominais, por exemplo, herneas incisionais grandes, onde a barriga do paciente tá toda né? que a parede tá destruída ali. Então, se a gente põe todo aquele conteúdo para dentro de novo e a gente fecha a barriga do indivíduo corrigindo aquela hérnea, eh, o aumento de pressão abdominal é tão grande que o indivíduo não consegue respirar, né? Então, a gente não pode fazer isso. A gente fala que houve uma perda de de sítio ali, né? Então, eh, esses são são exemplos de de héras complexas, né, onde o tratamento vai envolver aí, eh, uma série de medidas. Às vezes a gente tem que ir expandindo essa barriga aos poucos para ir ganhando mais espaço para depois fazer o tratamento cirúrgico e fechar essa hérnea. Às vezes a gente tem que tirar um segmento eh intestinal de colon para diminuir o conteúdo abdominal para poder fechar a barriga e não ter um aumento de pressão eh tão tão importante, né? e que seja compatível para manter um padrão respiratório pro paciente. Existem as hérniascrotais também que podem ser muito grandes, né, e tornar-se hérneas complexas. Eh, pensando dessa, usando desse mesmo raciocínio, né, de que muitas estruturas migram para onde não deveriam estar, né? Então, esses são exemplos aí de héras complexas. Eh, doutor, eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho também. São vários tipos de hérneas abdominais que a gente tem. Eu queria que o senhor explicasse um pouquinho cada uma delas, assim, de uma forma bem geral, claro, para que a população, né, que tá em casa acompanhando entenda um pouquinho sobre esse assunto, tá? Então, vamos falar sobre as principais aqui, né? Eh, na linha média abdominal a gente tem a hérneia epigástrica. Então, todas as héras que estão na linha média, né, que vem aqui do umbigo até o apêndiceifoide aqui, que é embaixo do externo, onde começa o a costela, né, o o tórax, eh, as hérnias que aparecem nessa região aqui são as hérneas epigástricas. Quando a gente tem a hérneia na região do umbigo, a gente diz que é uma hérneia umbilical, né? Quando a gente tem as hérnias nas virilhas, a gente diz que é uma hérneia inginal. E quando a gente tem a hérnea em uma cicatriz cirúrgica, a gente diz que é uma hérneia incisional, tá? Essas são as principais hérneas que a gente tem na parede abdominal e e todas elas, né, em sendo hérneas, são falhas da parede. A gente dá esses nomes diferentes de acordo com a localização. Exatamente. É, doutor, também tem a hérnia de de iato, né? Na verdade não, a hérneia de ato não, a hérneia de disco, só que ela é um pouquinho diferente porque é na coluna. É isso. Isso. A hérna de disco aí já é um é uma outra questão, né? A hernia de disco é quando você tem o escorregamento de um disco intervertebral, né? A gente tem as vértebras e entre cada vértebra a gente tem o disco intervertebral ali que eh mantém a vértebra acomodada, né? E e tem a passagem dos nervos também, né? que passam lateralmente nas vértebras e internamente também no canal medular. Então, quando esse disco se desloca, a gente diz que o disco está erneado, mas aí eh vai fugir um pouquinho da minha expertise aqui, né? Aí geralmente é o pessoal da neurocirurgia ou ortopedia de coluna, quem acaba lidando com esse tipo de Sim, sim, com certeza. Eh, doutor, por que que o senhor acha que esses dados, né, até levantei aqui no começo que essas cirurgias de hérneas elas estão crescendo bastante, né, através do Sistema Único de Saúde, principalmente da hérnia inginal, né, que é na virilha. Eu acho que ela tá crescendo primeiro porque essa é uma doença muito prevalente, né, e depois porque eu acho que a gente não tratava tanto, né? Eh, eu acho que a a incidência eu não acredito ter mudado muito eh em termos populacionais, tá? Mas hoje eu acho que a gente faz mais diagnóstico e a gente trata mais, então a gente tem melhor esses dados e com isso tem um aumento de dados, porque muita gente que não estava sendo tratada anteriormente, hoje hoje é tratado. E também acho que um conhecimento maior da população, né? Eh, acho que a população tende a a passar mais, a cuidar pela saúde, né? Hoje em dia, eh, acho que antigamente a gente tinha poucos poucos médicos, a população era mais rural, eh, e, e menos conhecimento, claro, né? Então, hoje a pessoa eh ela já ouviu falar de hern algum momento ela já ouviu ou vai ouvir e aí ela ouve que aquela protuberância, aquele carocinho na barriga pode ser uma hérneia, mas às vezes fica assustado também que pode ser um câncer, alguma coisa, já procura um atendimento, a gente faz o diagnóstico, né, quando isso muitas vezes era negligenciado anteriormente. Então, acho que esse é um dos fatores também. E a rede pública eh vem fazendo mais esse tipo de cirurgia também, né? Então, foram criados aí eh centros de tratamento, hospitais dias, né, que por ser uma cirurgia que na grande maioria das vezes não exige uma alta complexidade, então conseguiu se vem se conseguindo, na verdade, né, fazer muito dessas cirurgias assim de um eh em estruturas de hospitais dia, hospital eh day hospital mesmo ou esses eh ambulatórios, né, com o centro cirúrgico. Então, acho que esses são os motivos aí da gente ter eh visto, ter mais dados e ter muita gente operando e procurando tratamento. Eh, nesse sentido, com certeza também. E o acesso da própria população ao SUS, né, que também cresce bastante. Exatamente. Eh, doutor, vamos falar um pouquinho, né, algumas dúvidas que surgem quando a gente fala sobre hérneas. pessoal que vai paraa academia, levanta peso, isso pode prejudicar de alguma forma? Tem que ter algum cuidado? Eh, assim, o fato de levantar peso isoladamente não é isso que vai causar a hérnia, né? Eh, eu sempre falo os meus pacientes no consultório que eh a gente a gente vê hérnia eh em num paciente idoso acamado que não tinha hérnea e desenvolve hérnea e tem alterofilista que não tem hérnea. Então, e a gente não pode culpar o peso, né? Eh, eu acho que o fator principal aí realmente é é a resistência do colágeno, do tecido desse desse paciente, que é determinado geneticamente e por alguns comportamentos eh ambientais do paciente, né? Então, se esse paciente não tem alteração nessa estrutura, não é tabagista, eh dificilmente ele vai ter hérnea, mesmo carregando muito peso, fazendo esforço, fazendo academia. E e a academia ela é recomendada, é de regra, né? O exercício físico é é muito importante, principalmente paraa saúde cardiovascular, né? Eh, e isso pode trazer um fortalecimento de parede também. Então, eh, não dá pra gente fazer nenhum eh essa associação, né, de que a academia pode trazer a hér. Eh, a gente pode dizer que o esforço abdominal repetitivo em pessoas suscetíveis que já têm uma fragilidade ou que já tenham até uma hérneia não diagnosticada, né, pode sim precipitar quadro de dor e piorar a hérnea ou até aumentar o tamanho de uma hérneia pré-existente. Exatamente. É o caso daqueles trabalhadores, né, também que carregam muito peso no dia a dia, carregando caixas. Isso também é um é um ponto que favorece, né? Exatamente. Então, o esforço físico repetitivo, né? Carregar peso, tudo que faz pressão na barriga favorece o aparecimento da hérnea. Sim, mas a pessoa tem que ter eh uma suscetibilidade genética para isso, realmente, o enfraquecimento da do do colágeno ali, né? O que não dá é pra gente ver um tabagista inveterado, não tem nenhum antecedente, não tem susetibilidade, nada. e carrega um monte de peso, mas é um tabagista veterado, tá? Ele vai falar que ele ficou com a hérnea porque ele carrega peso do trabalho. Não dá pra gente fazer essa associação direta. Eh, doutor, e quem que é mais propenso a ter a hérnea, o homem ou a mulher? E qual a faixa etária mais ou menos que essa hérneia costuma aparecer? Existem vários tipos de hérneia, né? A hérneia é um pouco mais frequente no homem quando a gente fala em hérneas do eh genericamente, né? Mas se a gente for pegar grupos populacionais específicos, eh, quando a gente fala assim, hernias é um pouco mais prevalente no homem, mas se a gente for falar, por exemplo, uma hérneia umbilical, eh, a a mulher tem bastante herneia umbilical pós gravidez, por exemplo, né? Às vezes até já tinha essa herneia umbilical, a gente tem as héras congênitas, né? Então, tem muito bebezinho que já nasce com herneal, com herne umbilical, né? e que e que não vai fechar ao longo da vida. Inclusive a quando quando tem quando criança já já tem indicação cirúrgica, a gente nem espera, né, assim, não existe dar uma chance para ver se se resolve, né, no caso de mering não umbilical ainda a gente até pode esperar um pouquinho para ver se vai fechar a parede abdominal, mas umbilical não. Então é difícil a gente falar assim genericamente, né? Eh, acho que dá para dizer que de forma geral o homem tem um pouco mais, mas eh tem grupos específicos, né? Então tem a herneia congênita, tem a herneia umbilical, tem a herneigastica, tem a herneia incisional, tem a hérnia inginal, né? Cada grupo vai ter os seus fatores de risco e prevalência um pouquinho diferente. Com certeza. Doutora, até ia perguntar sobre a questão das crianças mesmo, se isso era comum acontecer em crianças, até bebês, como o senhor comentou. É comum sim. É comum sim. As hérneas mais comuns da infância são as hernias umbilicais e ingis, né? A as herneas inginais normalmente são operadas já na infância mesmo, né? as hérnias umbilicais a gente pode ainda acompanhar um pouquinho na dependência do tamanho da hérnea, porque eh logo após o nascimento, a parede abdominal ainda pode est em processo de fechamento daquela daquela região, né, que era onde tava eh onde tinha o cordão umbilical, né, que era ligação ali com a mãe. Então aquilo cai e geralmente vai fechando. Agora, quando a criança persiste com com uma herne umbilical, né, depois dos 3, 5 anos, aí ela realmente não vai ter mais chance de de fechar isso de forma natural, fisiológica, né? Aí tem que ter que passar por cirurgia mesmo. E isso é um é um é um motivo de preocupação pros pais. Eles já devem procurar um atendimento, um especialista, né? Como que eles devem conduzir quando a criança já apresenta essa hérneia, doutor? Eles devem acompanhar, né? Se a criança tá com herne, eles devem acompanhar com pediatra ou com cirurgião pediátrico, eh, que eles vão orientar, né, qual é o momento de operar, se é o momento de operar, qual é a urgência, né, se há alguma urgência nesse tratamento ou se é um tratamento totalmente eletivo. Isso vai variar de caso a caso, tá certo, doutora? A gente vai fazer um rápido intervalo porque no próximo bloco nós vamos falar sobre prevenção, diagnóstico e tratamento para as héras. Nós já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde à Vida e hoje falando sobre as hérneas com o cirurgião geral Ernesto Alarcon. Dout. Ernesto, a gente falou um pouquinho, né, no primeiro bloco sobre as hérneas de uma forma geral, quais eram os tipos, um pouquinho das causas. Agora, neste bloco, vamos falar um pouquinho, então, pro pessoal que tá em casa acompanhando aqui o programa, como que é possível a gente prevenir as hérneas, se é que é possível, né, por conta dessa questão hereditária. Sim. Eh, bom, existem algumas coisas que a gente pode fazer, sim, claro, né? Acho que assim, uma alimentação saudável eh é importante porque se a gente tem todos os micronutrientes, ali tem proteínas, eh tem tudo que a gente preca, uma uma dieta equilibrada, né? Então, a estrutura eh corpórea fica eh mais fisiológica, né, e mais adequada eh no sentido de força muscular, de parede, de eh de novas células que vê surgindo de uma forma saudável, né, ali em todos os tecidos. Eh, outra coisa é eliminando aqueles hábitos eh que são da nósos a nossa saúde. Eh, e aqui eu vou destacar o principal deles como tabagismo, né, no caso das héras. Então, eh, cigarro é um veneno muito grande, né? Eh, não só paraas hérneas, mas para vários outros tipos de lesões aí, né? lesões no pulmão, vários tipos de cânceres, gargantas, ôfagos, eh vai trazer muito prejuízo. A atividade física também eh é importante, né, o fortalecimento muscular, porque você mantém parede abdominal e uma musculatura geral eh mais saudável, né? Eh, e uma outra questão também que eu vou destacar aqui, né, como eh medidas preventivas é o é estar com um peso adequado, né? Porque quanto a a obesidade, quanto mais peso a gente ganha, eh, mais aumenta a pressão abdominal também, né? Maior vai ser o esforço intraabdominal. Então vai ser um fator de risco. Eh, além de um problema muito sério de saúde para várias doenças, eh vai aumentar a chance das hérnias aqui também. Exatamente, doutor. E agora vamos falar um pouquinho então como que é o diagnóstico de dessas hérneas, principalmente dessas que a gente tá falando, que são aqui da região abdominal. Perfeito. Eh, essas hérneas muitas vezes eh o paciente vem com queixa mesmo, né, de um abaulamento na parede abdominal nessas regiões onde eu citei como mais eh mais prevalentes, né? Então, na região epigástrica, na região umbilical e nas regiões enginis. Então, muitas vezes o paciente sente que sempre que ele faz algum esforço, ele vê que sai como se fosse uma bolinha ali para fora e volta. Sai uma bolinha e volta. Eh, e também a dor, né? Esses são os principais sintomas desse abaulamento e dor que levam o paciente a buscar eh atendimento por esse motivo, né? né? E a gente acaba fazendo diagnóstico de hérneia. Uma outra questão também é é o aparecimento das hérneas em exames de rotina, exames outros que o paciente possa vir a fazer aí, né? Hoje a gente tem eh muitas vezes o ultrassom de de abdômen, de parede abdominal ou uma tomografia de de abdômen que o paciente faça até por um outro motivo mesmo, né? né? Às vezes o paciente tá investigando lá um cálculo renal, uma dor abdominal e faz uma tomografia e a gente acaba vendo lá, é, olha, eh, às vezes o colega nem sabe dizer se a dor tá relacionada exatamente com a RN, às vezes foi por outra queixa, mas já achou. Uma vez que achou, seria prudente você passar numa avaliação aí com cirurgião para ver o que fazer nesse sentido. Então, acho que essas são as formas principais aí, né? avaliação clínica, a a busca por conta do sintoma e achados de de exames também. Os exames principais para esses casos são as a os ultrassons, os exames de imagem, de uma forma geral, eh todos os exames de imagem que avaliam a parede abdominal, né? Então, ultrassom, ressonância, tomografia, a gente consegue visualizar isso. Doutor, vamos falar um pouquinho então do tratamento. Qual é o tratamento mais indicado para cada caso de hérne aí, no caso, né, das abdominais, tá? O tratamento via de regra é um tratamento cirúrgico. Eh, a hérnea, como eu já falei anteriormente, ela é um defeito na parede abdominal, é um buraco, né? Então a gente não tem remédio que faça esse buraco fechado. A gente tem que tem que fazer a cirurgia, tem que ir ali, vai fazer uma incisão onde tá naquela região onde tem o buraco. E o cirurgião vai fechar esse buraco com pontos, né? Eh, hoje a gente já tem diversos tipos de próteses também de tela e em determinados casos a gente vai lançar mão aí do seu uso também, né? seja para fazer o fechamento do defeito, ou seja para fazer um reforço do fechamento. Eh, existem eh outras as medidas comportamentais e dietéticas são importantes também, né, para que haja um fortalecimento maior da parede abdominal. E e tem alguns pacientes, a gente só não vai fazer o tratamento cirúrgico naqueles pacientes onde o risco cirúrgico é maior do que o benefício que a gente vai ofertar para ele, né? Aí, nesses casos, a gente vai ter que eh propor a ele alguma forma de contenção da EGA, né? Então existem também eh aqueles aquelas fundas, né, que são aquelas proteções iguinais, uns cintos que ficam bem apertadinhos segurando assim para que a não saia e não fique causando dor no paciente. Tem os cintos abdominais também, aquelas faixas elásticas que a gente pode usar eh para que o paciente eh mantenha a barriga sem fazer uma grande eh expansão, né? com isso não tem a queixa da hérneia e infesta o seu a sua evolução aí também, mas seriam tratamentos sintomáticos, né? O tratamento definitivo é cirúrgico. E essa cirurgia, doutor, ela é considerada uma cirurgia perigosa, de risco? Essa cirurgia, ela é uma cirurgia muito frequente, né? E por ser muito frequente, ela tem uma baixa taxa de complicação quando a gente fala de modo geral, mas eh a gente tem que avaliar caso a caso, né? Primeiramente assim, toda cirurgia tem seus riscos e todo paciente tem que saber disso, né? Tem o risco de ter um sangramento, tem o risco de ter uma lesão, tem o risco de ter eh uma reação, algum remédio que nunca usou ali na hora. Então, eh, esses riscos são todos hoje muito minimizados, né, com os recursos que a gente tem, estando num ambiente adequado, com a realização correta de exames pré-operatórios e, principalmente, estando em assistências, eh, assistencialmente, né, com médicos capacitados, né, bons, bons médicos, mas o risco sempre existe, mas de forma geral o risco é baixo para essa cirurgia, né, né? Essa é uma cirurgia de baixo risco que a gente classifica na grande maioria das vezes como uma cirurgia de pequeno ou médio porte. No caso das crianças, a cirurgia também é recomendada da mesma forma. Sim, no caso das crianças, como eu falei, né, aquelas hérnias umbilicais onde não houve o fechamento, a gente já guardou mais de 3, 5 anos ou nas hérneas inginais, tá indicado o tratamento. E no caso das crianças, o risco é é baixo, né, até mais baixo do que em diversas situações de de adultos aí, embora, como eu já disse, toda cirurgia tem essa exatamente, doutor. É, uma outra dúvida, né, quanto a esse assunto, é depois da cirurgia, né, depois da operação, quanto tempo aí o paciente leva para fazer essa recuperação? É, e essa ida ao médico ela é frequente depois? Como que fica esse pós-operatório? Eh, isso vai depender bastante de do tamanho da hérnea, das comorbidades do paciente, de como transcorre a cirurgia e também na técnica cirúrgica empregada. Então, esses fatores todos vão determinar aí qual vai ser a necessidade de de repouso, né, de contenção do do paciente. A gente tem basicamente três técnicas hoje para corrigir a hérnea, que é a forma convencional, como sempre foi feito, através do corte. a gente tem a forma videolaparoscópica, né, onde a gente faz eh são, é uma forma minimamente invasiva, né, a gente faz furinhos pequenos na barriga e corrige através de de pinças, né, como se fosse como se o médico tivesse jogando um videogame ali para fazer. eh, e a forma robótica, que é o mesmo princípio da cirurgia videolaparoscópica aí com uma mudança da da estrutura, né? Eh, nas formas minimamente invasivas, porse ter cortes menores, geralmente a recuperação é mais rápida e menos dolorosa. Eh, nem todos os casos são elegíveis a essas técnicas, né? Isso o cirurgião tem que ser bastante criterioso para poder indicar. Para fazer essa técnica, a gente tem que ensuflar um gás na barriga do paciente, tem que fazer anestesia geral e tem paciente que não vai tolerar esse tipo de eh esse tipo de situação, né? Então, acaba ficando contraindicado. Tem hérneas também muito complexas do que a gente não consegue fazer através dessa via, né? Da via convencional. Então, cada caso é um caso, mas de forma geral, as técnicas minimamente invasivas, hoje a gente costuma pedir para que os pacientes fiquem as primeiras duas semanas com um repouso mais intenso e depois disso é praticamente vida normal com restrição de esforço apenas, né? Carregar peso eh por um período aí de 30, 45 dias. Nas formas convencionais, geralmente esse período é um pouquinho maior. Então, normalmente a gente pede eh repouso, né, e não carregar peso aí por cerca de 60, às vezes um pouco mais eh dias. Eh, e o tempo de internação paraa cirurgia, ele é longo? Como via de regra também, para simples, geralmente o paciente opera e ou sai no mesmo dia ou sai no dia seguinte. Bem tranquilo. Então é bem tranquilo. Por isso que essa cirurgia vem sendo mais realizada também, né, principalmente no SUS, em ambientes de hospital dia. É uma cirurgia que o paciente chega de manhã lá, faz a cirurgia, fica meio período ali, vai embora para casa se tiver tudo bem depois. Isso aumentou muito, né, a produção, a realização desse procedimento, eh, no SUS, né? E as técnicas com certeza de cirurgia estão mais avançadas, né, doutor? Como o senhor disse, a questão da robótica não não existe mais aquele corte, né, todo é bem menos invasivo hoje. Isso, a gente tem essa opção, né? Eh, dificilmente a gente encontra essa opção no SUS, tá? Eh, são raríssimos os lugares que têm essa estrutura no SUS para tratamento de herne, até porque isso traz um custo eh muito maior, né, um custo agregado muito maior pela aparelhagem, pelo material. Eh, e em termos de resultado pro paciente também não há grandes diferenças eh no sentido de da resolução da hérneia. a no sentido de dor pós-operatória, tempo de internação, né? Então isso acaba sendo minimizado nas técnicas eh menos invasiva. Eh, mas a forma convencional, que é a forma que a gente eh já tem há muito tempo, né? E acho que a forma mais realizada, principalmente no SUS, eh ela é uma forma que atende muito bem também, se realizada por cirurgião experiente num ambiente de boa estrutura. eh, costuma ter um ótimo resultado também. Eh, doutor, em quais casos que os pacientes não seriam submetidos a cirurgia? O senhor comentou, mas eu gostaria que o senhor falasse mais especificamente desses casos. São pessoas com alguma doença crônica, algum problema mais grave de saúde, é isso? Ou com a idade mais avançada? É, eh, a gente tem sempre que avaliar quando o cíjão avalia um paciente, a gente tem que avaliar ele de uma forma criteriosa, né, e ver o paciente como um todo, pensando em quais são as comorbidades, quais são os riscos envolvidos em eu propor um tratamento cirúrgico para ele e se o benefício que eu vou trazer a esse paciente compensa o risco ou não, né? Então, um paciente jovem com exames normais, que tem uma hérnea, que tá incomodando, o benefício que eu vou trazer para esse paciente é gigantesco, né? Porque ele tem uma expectativa de vida longa, ele tem um baixo risco cirúrgico. Então, esse é um paciente onde indicação cirúrgica é muito boa, né? é assertiva, tem tem que ser feito realmente. Agora, se a gente pega um paciente eh, por exemplo, que é um paciente tabagista, tá com diabetes descontrolado, tem uma função cardíaca muito ruim, tem eh a parte respiratória, uma asma muito grave, por exemplo, eh a gente tem que ver se o risco em se fazer uma cirurgia, em deprimir esse paciente não vai ser maior do que o benefício que eu vou oferecer para ele, né? Então, eh, às vezes mesmo pessoas de mais idade que tem uma herna pequena e que tá assintomático, eh, a gente tem que ser muito criterioso, né? Tem que ser muito criterioso para para poder fazer uma boa indicação. Acho que além de uma boa cirurgia, eh talvez até mais importante é uma boa indicação. Doutor, só pra gente recapitular aqui, os principais sintomas das hérneas em geral é é essa dor mesmo. Isso, abaulamento e dor, né? Então o paciente vai notar uma profusão ali, né? uma bolinha e a dor nessa região que geralmente está associada ao esforço, né? Então, quando a pessoa levanta, quando a pessoa torce, quando a pessoa faz algum exercício, geralmente tá associado, eh, a pessoa refere que nesses momentos a dor se intensifica ou aparece ou piora. Entendi. Eh, Dr. Ernesto, também queria que o senhor falasse um pouquinho qual que é a importância de eventos como o Congresso Brasileiro de hérnia. Ele é realizado a cada 2 anos. pela Sociedade Brasileira de Énia da Parede Abdominal. Então aí trazendo acho que técnicas novas, né, muita muitas coisas eh muitas novidades a respeito desses desse assunto, né, da hérneia abdominal. Sim, sim. Os congressos são essenciais pr pros médicos que atuam nessas áreas, né? A gente tem que est sempre acompanhando a evolução, porque a medicina, de uma forma geral, ela vem evoluindo muito, né? E nos últimos anos a gente vem a gente vem presenciando aí uma super especialização, né? Então cada área vem se super especializando e trazendo tratamentos novos, alternativas novas. Eh, então nesse sentido, eh, não foi diferente paraa héra, né, que que a gente acabou criando entre os cirurgiões, a gente acabou criando uma sociedade de hérnia mesmo, né, um grupo específico que estuda só hérnia. Então, é um congresso onde vai se falar só de hér das técnicas novas, eh dar dicas de tratamento, eh ver cirurgias mesmo, né? Como que o pessoal tem feito para ter uma segurança maior, né? É, é essencial isso. É muito importante, é muito bacana. Tem pessoas muito boas eh que estão na direção, que estão à frente desses desses congressos e as pessoas que estão envolvidas aí também são pessoas eh muito sérias e boas. Com certeza, doutora. Após a cirurgia, a pessoa, né, realizou a cirurgia ali da hérne abdominal, eh, ela tem que tomar algum cuidado depois, né, assim, ou é vida normal mesmo, praticar exercício, algum exercício não é recomendado. Alimentação tem alguma coisa específica que que não pode ser ali eh ingerida? Então, como eu disse, eh, para aqueles cuidados pós-operatórios, né, no no pós-operatório imediato, aquelas primeiras duas semanas ali, o paciente, até por conta da da de dor mesmo, de tá muito recente a cirurgia, o paciente tem uma mobilidade menor, né, e tem que ter mesmo, né, ele não pode carregar peso, não pode ficar subindo escada, não pode dirigir, não pode ficar agachando. Então, esses são cuidados de um pós operatório imediato que são muito importantes. Além disso, por conta da menor mobilidade, geralmente o paciente pode eh apresentar um pouco de constipação, né? porque a atividade física, eh, a ingestão de líquidos, a qualidade alimentar, tudo tá envolvido no nosso hábito intestinal, logicamente, se a pessoa tira esse eh esse fator atividade física, mobilidade, então isso pode acabar deprimindo um pouquinho, né, a o ritmo intestinal aí. Por isso é importante no pós-operatório imediato também a gente aumentar a quantidade de líquidos, de fibras, né, frutas, verduras que que vai comer. Mas depois, né, daquele período inicial e daquele período de cicatrização total ali, né, e reparação da hérnia, não vai haver restrição. O paciente vai poder viver normalmente, fazer todas as atividades físicas, as restrições do dos pacientes ficarão restritas aos às comorbidades prévias. né? Não ao fato de ter feito a a, né? Então, por exemplo, paciente diabético, ele vai sempre ter que eh tirar o carboidrato, os açúcares, né? Mas não é por conta da hérne, é por conta do diabetes. Tá certo? Então, doutor, eu gostaria de agradecer muito a sua participação e a sua disposição em atender aqui a a nossa equipe. Muito obrigada. Foi um prazer. Fico sempre à disposição aí sempre que precisarem. Eh, quem quiser procurar no meu Instagram também, @dernestalaron, eu tenho bastante postagens lá de hérneas e outros temas de saúde relacionados aí à clínica cirúrgica, né, que podem dar algum eh alguma informação adicional aí pros pras pessoas. Com certeza, doutor. O Saúde à Vida fica por aqui, então, obrigada ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]