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[Música] Olá pessoal, mais um Saúde à Vida começando aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre as hepatites e os riscos que elas podem causar a nossa saúde. Mas antes de entrar nesse assunto, eu tenho um recado aí para você que tá em casa, que para participar do Saúde à Vida e sugerir um tema aqui para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. A hepatite já é a segunda doença infecciosa que causa mais vítimas fatais no mundo. São 1,3 milhões de mortes anuais. Segundo a OMS, a Organização Mundial de Saúde no Brasil, a luta contra as hepatites B e C é uma prioridade de saúde pública. Tanto é que o Ministério da Saúde instituiu com o programa Brasil Saudável a eliminação das hepatites virais como meta a ser alcançada até 2030. Para explicar tudo sobre esse tema, o convidado do programa de hoje é o infectologista Pedro Martins. Dr. Pedro, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde a Vida. Tô à disposição para tentar tirar as dúvidas sobre esse tema que é tão nevrálgico assim, né? tão importante pra gente, doutor. Vamos então começar explicando o que que acontece eh quando alguém está com hepatite. Quais são aí os primeiros sinais que a pessoa começa a apresentar? A as hepatites a gente eh recebe os pacientes geralmente, né, assintomáticos, especialmente se tratando de hepatites B e C. Às vezes o paciente não tem nenhum sintoma e ele acaba descobrindo o diagnóstico a partir da testagem. Só quando a gente fala em hepatite, a gente pensa imediatamente já num problema do fígado. Então, eh, os mais antigos vão lembrar daquele amarelão que às vezes dá nos olhos, na pele, embaixo da língua. Então, quando a gente tá pensando numa hepatite e aguda, ela se manifesta geralmente dessa forma. O sintoma mais importante assim que chama mais atenção é a icterícia, que é a coloração amarelada da pele das mucosas, né? Então, dos olhos, da língua, eh da boca. Isso geralmente acontece no paciente e também pode ter alguns sintomas um pouco mais gerais assim específicos, né, de náusea, vômito, um pouco de dor abdominal e às vezes quando tem um comprometimento mais grave do fígado, o paciente muda um pouco a coloração da urina, ela fica um pouco mais amarronzada, eh, e pode também mudar a cor das feeses, ela fica um pouco mais clara. Então, esses são os principais sintomas, assim, geralmente acontecem na hepatite aguda, eh, mas também podem acontecer nessas outras hepatites que são mais crônicas, quando o fígado tá um pouco mais machucado, digamos assim. Eh, doutor, até gostaria que você explicasse um pouquinho pro pessoal que tá acompanhando o que que acontece quando a pessoa, né, tá infectada com algum vírus da hepatite. O qual o órgão mais comprometido é o fígado, tem outros órgãos que ficam também comprometidos? como que é a ação, né, viral no organismo? A gente tem cinco tipos de hepatites virais. Eh, a gente chama de de hepatite de uma maneira mais ampla, né? Mas os vírus eles são um pouco diferentes entre si, mas a gente aglutinou eles nesse nome de hepatites, porque eles dizem respeito, né, eles eles têm como alvo principal esses vírus a a lesão no fígado mesmo. Então o fígado ele geralmente é o primeiro órgão e e o e o mais importante a ser acometido pela pela pelas hepatites virais, pelos vírus da hepatite. É, mas às vezes também a gente pode ter algumas e eh manifestações que a gente diz à distância, né? manifestaçõespáticas, manifestações clínicas que acontecem fora do fígado. Então, a pessoa às vezes, dependendo eh de quanto tempo ela tem o vírus ou de quão grave tá a situação, ela pode às vezes ter alguns sintomas que são não são muito característicos, né, de de doença no fígado, mas pode reclamar de algumas alterações na pele, pode ter algumas queixas de dor nas articulações, eh pode ter algumas alterações renais, então às vezes o exame de urina também vem um pouco alterado. Em casos mais graves, a urina pode se tornar espumosa e até em estágios muito mais avançados da da hepatite, pode ter até um comprometimento do sistema nervoso central, né, do cérebro, da pessoa ficar um pouco mais lenta, um pouco mais eh eh com dificuldade de de processar as informações, né, como se ela tivesse eh ficando meio que sedada, né? A gente a gente chama isso de encefalopatia hepática. eh eh é uma consequência de um de um de uma função muito ruim do fígado, é de um dano muito grave do fígado eh que se instalou. E aí a pessoa pode até apresentar sintomas que são compatíveis coma, né, de perder a consciência, de precisar de de atendimento de emergência ali imediato. Então é uma doença que tem o fígado como o principal eh alvo, mas que em alguns casos ela também pode fazer algumas manifestações à distância. E doutora, aqui no Brasil, quais são os principais tipos de hepatite? que são mais recorrentes, né? A gente falou um pouquinho na abertura do dos tipos B e C, mas existem outros tipos também, né? É, a gente na dentro as hepatites virais, a gente elas são eh numeradas por ordem alfabética, né? A gente tem hepatite A, B, C, D e E. Eh, no Brasil o que é o mais comum eh são as hepatites B e C. A hepatite C é a mais comum, né, no no mundo como um todo, né, a hepatite C é a mais comum, seguida pela hepatite B e a hepatite A. A hepatite D, ela também que a gente chama de hepatite Delta, ela também acontece no Brasil, eh, mas ela tá um pouco mais restrita à região norte do Brasil. Então, a gente geralmente quando tá com um paciente que a gente questiona a possibilidade dele ter eh hepatite D, a gente pergunta se houve alguma viagem ao norte do Brasil, se se existe alguma relação epidemiológica com ele ter frequentado aquela região por algum tempo, que a gente consiga cruzar com a possibilidade dele estar com essa doença. Eh, e a hepatite E, ela também ocorre, mas em muito menor número. Eh, eh, 02% dos casos de hepatite viral no Brasil são por hepatite E. Ela tá mais restrita eh a Ásia e a África, o Sudeste asiático e a África sub-saariana. Então, no Brasil eh hepatitis A, B e C sendo eh a ordem de ocorrência, né, ao contrário, C, B e A. E doutor, quais são as principais formas de de transmissão, principalmente dessas hepatites que são mais recorrentes aqui, né, no Brasil? As hepatites A e E elas são transmissíveis pela via fecal oral. Então, é quando a gente tem contato a partir da boca, né, a gente acaba levando alimentos contaminados à boca, né? Então, a a hepatite A, que acontece de forma mais eh proeminente no Brasil, né, ao contrário da ECATA mais restrita à África e a Ásia, a hepatite A, o principal meio de transmissão dela é a partir do contato com alimentos contaminados. Então, eh, se nós temos uma eh uma alimentação que é feita em algum local que não tem um preparo adequado eh da da dos alimentos, especialmente alimentos que tão cruz ali ou mal cozidos, eh eh pela manipulação da da da pessoa, né, do cozinheiro, da pessoa que tá preparando eh um alimento pra gente, se essa pessoa que tá preparando alimento tiver com hepatite A, existe um risco de ao não fazer uma higiene adequada das mãos, ela levar o vírus até o alimento. E aí quando a gente esver consumindo alimento, a gente pode eh adquirir o al e a o vírus a partir da da alimentação. Fontes de água contaminadas também é é uma uma forma relativamente comum. Então, eh pessoas que têm eh eh a aquisição de água que não é encanada, né, a partir de de poços artesianos, se existe algum risco de contaminação ali do poço por conta de um paciente que tá eh eh positivo com hepatite A e acabou eh eh tendo as feeses ali perto do manancial, isso pode contaminar a fonte de água e pode ser uma fonte de disseminação também. A hepatite A, ela também se apresenta de uma maneira um pouco eh diferente das outras, assim, no sentido de que ela também pode ser considerada uma infecção que pode ser sexualmente transmissível, né? Então, durante o o ato sexual, se a pessoa leva a boca ao anos, existe um risco de caso a pessoa que tá recebendo sexo oral tiver os vírus da hepatite Ali no anos e tiver eliminando na nas feeses, existe o risco da pessoa adquirir a a infecção por hepatite A eh a partir do sexo também, não pela penetração, não pelo contato do semen, mas pelo esse contato durante o sexo oral. Eh, já as hepatites B e C, eh, elas têm uma forma de transmissão um pouco diferente, que a gente chama de parenteral, que é uma é uma via que tá mais relacionada ao contato com sangue contaminado e a relação sexual. Então, eh, as duas principais formas de aquisição das hepatites B e C são, né, eh, a partir desse contato, de um contato com sangue contaminado. Então, a gente destaca muito assim, eh, eh, das mulheres que vão ao salão para poder fazer unha, né, eh, o alicate de unha, se ele não for bem esterilizado, ele pode transmitir a hepatite. A gente não valoriza, nem acha que é uma coisa frustra, eh, mas é um é um mecanismo de transmissão importante. se a gente não consegue garantir que aquele salão de beleza, aquela eh aquele local, aquele centro de estética não faz a esterilização adequada dos dos objetos, a gente pode pegar hepatitear a partir da manicure. Então, a gente sempre eh eh frisa com as com as pessoas que vão ao salão para poder eh fazer unha, que essa é uma via de transmissão. A gente conversa com com os homens também que geralmente vão no barbeiro, né, fazer fazer a barba, eh, cortar o cabelo. E aí, às vezes, o barbeiro usa a gilete também, né? usa aquela lâmina eh para poder fazer o o acabamento, ele se ele ele precisa trocar essa lâmina a cada a cada cliente, né? Porque se houver o contato com sangue de um cliente com outro, existe esse risco de transmissão. Eh eh locais que fazem eh piercing, tatuagem, isso tudo tem que ser feito com material estéreo, tem que ser feito com material descartável. Eu não posso aproveitar a agulha que eu usei numa num cliente para poder fazer uma tatuagem, para poder fazer com uma outra pessoa, porque existe o risco de transmissão também dessa forma a partir do contato com o sangue, né? Eh, até 1993 a gente também não testava eh o vírus da hepatite C durante as transfusões, né? A gente não conhecia o vírus da hepatite C. Então, pessoas que receberam sangue, né, receberam derivados de sangue de 93 para trás, podem ter adquirido hepatite C a partir dessa via transfusional, né, de ter recebido uma bolsa de sangue, podem ter adquirido. Eh, e a outra eh eh via de transmissão também acaba sendo a via de transmissão sexual. Acho que essas são as mais importantes assim que a gente tem para para poder delimitar eh do do compartilhamento de objetos, né, com potencial eh contaminação por sangue. Eh, uso de droga injetável também é importante. Então, eh é importante ter o descarte apropriado das seringas e das agulhas, não compartilhar a agulha durante o uso, eh, para minimizar o risco de transmissão dessas hepatites que, eh, se transmitem a partir do contato com sangue contaminado. É muito importante você ter chamado atenção para essa questão da das manicures, né, da questão das tatuagens, os os piercings, né, porque as pessoas acabam fazendo e não se atentando muito realmente a essa questão da segurança sanitária, né, doutor? Eh, a gente tem assim, tem tem algumas tem alguns locais assim de grandes centros assim de festa, vezes festivais e tal, eh, que tem muita tatuagem flash, né? você eh tem um um painel de tatuagens assim exibidas, tá tá tá num preço barato e aí você faz assim: "Ah, vou fazer uma tatuagem agora para poder eh gravar esse momento que eu tô aqui com os meus amigos e tudo mais". Certifique-se sempre de que as coisas estão sendo feitas da maneira mais segura possível, que as agulhas são descartáveis, que eh a a tinta tá sendo utilizada ali só para você, né? Eh, a gente tem uma a eh sempre um existe um certo receio, né, de falar sobre hepatites virais, de pensar de que isso isso é uma eh única, exclusivamente um IST. A gente recebe às vezes umas senhoras, alguns senhores de idade assim no consultório, eles ficam muito consternados assim quando a gente fala assim: "Olha, o resultado deu positivo para hepatite B ou C e eles pensam assim: "Nossa, mas eu sou casado há 20 anos, eu só tenho meu marido, eu não tenho relacionamento com mais ninguém." E a gente vai tentar procurar um pouco na história. Foi uma uma transfusão que ela fez na década de 80, é a manicure que que usa eh o alicate. E aí a gente não tem uma uma garantia de que isso tá sendo esterilizado da maneira mais correta. Então a gente tenta desmistificar um pouco também esse estigma que envolve eh algumas doenças que têm potencial de transmissão sexual, mas que também não são a única via, né? Então, eh eh ter noção de que essas coisas podem acontecer e que elas não estão necessariamente eh relacionadas ao comportamento sexual único e exclusivamente, é importante pra gente poder alcançar essas pessoas, entender que elas não estão isentas de risco, né, e que elas podem eh buscar eh diagnóstico, né, fazer os testes para ver se estão com a doença e buscar tratamento. Com certeza. E também, Dr. Pedro, é muito comum a hepatite medicamentosa por conta aí da automedicação. Essa também é uma preocupação de vocês, né, médicos, tem aumentado esse número com relação à hepatite medicamentosa. Quando a gente eh pega os dados do Ministério assim da saúde para poder eh eh entender, né, quais são os estados mais afetados, aonde tá o problema, tá no Sul, tá no Sudeste, tá no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, tá no Rio de Janeiro, tá em São Paulo, tá em Santa Catarina, enfim, eh, a gente tem os dados do que é de notificação compulsória, né, do que o Ministério pede pra gente notificar obrigatoriamente, pra gente justamente ter uma uma noção de eh aonde que o problema tá acontecendo, aonde de que o ministério deve eh alocar os recursos, né? Então, se eu se eu tô tendo mais casos no no Sul e no Sudeste, talvez o investimento para para hepatites virais tenha que ficar mais no Sul e no Sudeste do que no Norte e no Nordeste. Ou então, pelo contrário, será que eu tô tendo menos casos porque eu tô diagnosticando pouco? Então, será que eu não preciso intensificar eh a minha política de de testagem? enfim, hepatite medicamentosa acaba que não entra eh no no no rall de doenças que são de notificação compulsória pelo ministério, então acaba sendo um problema um pouco oculto, né? Eh, a gente reforça que eh eh o paciente deve evitar automedicação, né? Eh, uma das preocupações é é é justamente a hepatite medicamentosa, a sobrecarga do fígado por conta do uso dos remédios em em dosagens incorretas ou até em dosagens corretas. eh uma dosagem que ele já tá acostumado a usar, que ele já usou numa outra vez, que ele recebeu a prescrição para um outro tipo de problema, só que dependendo do que estiver acontecendo naquele momento, às vezes um comprimido só às vezes é o suficiente para poder eh eh desencadear uma hepatite, né? não é não é necessariamente dose dependente, não seriam necessários eh eh 10 comprimidos para poder fazer eh eh uma hepatite medicamentosa. Então, tem alguns remédios anti-inflamatórios, eh o paracetamol também a gente se preocupa bastante, alguns antibióticos que ele tem um potencial muito grande de gerar um dano no fígado. Então, a gente sempre pede para que eh se evite a a automedicação, que se possível busque uma unidade de atendimento eh de pronto atendimento ou unidade básica de saúde para poder tentar receber essa prescrição de um profissional de saúde. E, doutora, assim, quais são as principais consequências das hepatites pro nosso corpo, né, pro organismo, até por conta assim da pessoa não ter diagnosticado precocemente, aquilo foi sendo deixado, né? Ela, a pessoa foi vivendo e aí as consequências aparecem, elas elas são graves. A gente tem um potencial de de que as hepatites evoluam com gravidade. Geralmente as hepatites que são agudas, né, eh, geralmente são coisas que já levam o paciente pra emergência, porque é uma coisa que clinicamente o paciente já se sente mal, ele já se assusta com aquilo, porque é um é um tipo de manifestação que o paciente vai chegar no na emergência amarelo reclamando que ele tá eh com náusea, com vômito, que tá com muita dor abdominal, que mudou a cor do xixi, mudou a cor das feeses. Então, geralmente a hepatite aguda já leva o paciente direto paraa emergência. ele não ele não costuma esperar resolver porque ele já sente literalmente na pele, né, que a pele fica amarela, que tem tem alguma coisa de errado acontecendo, ele precisa descobrir o que que tá o que que tá havendo. Mas as hepatites B e C, elas às vezes elas não dão nenhum sintoma, então elas conseguem progredir de maneira muito silenciosa, eh, e aí elas podem ter alguma complicação, eh, eh, eh, a longo prazo, né? A, a, a principal complicação que pode acontecer é a cirrose, né? É a gente ter uma substituição do tecido normal do fígado por fibrose, vira uma cicatriz. E aí, sabe quando a gente se machuca na pele e aí fica aquela cicatriz assim no braço, na perna? Quando você passa a mão, você sente que cicatrizou, mas não é a mesma pele, a sensibilidade não é a mesma coisa. Você sente que faz, é tipo um, faz um elevadozinho assim, não é, não é a mesma pele, né? Então, se o fígado é machucado e ele é substituído por uma cicatriz, o a função que ele tinha antes, ele para de fazer, ele não consegue desempenhar tão bem. E isso acontece, né? A gente fala de cirrose, a gente pensa logo na pessoa que bebe, que isso tá relacionado a um problema de uso de álcool, de etilismo. E os vírus da hepatite, eles podem causar cirrose, mesmo a pessoa sendo completamente abstêmia, nunca tendo, eh, colocado uma gota de álcool na boca. Então isso é uma preocupação, porque às vezes isso a gente faz o diagnóstico da hepatite, às vezes só quando o paciente já chega pra gente em cirrose. Então já é um quadro muito avançado e que infelizmente quando o acirrose já tá instalado, a gente não consegue reverter. a complicação mais grave que vem ainda depois da cirrose, que a gente se preocupa, é o câncer de fígado. Eh, esse esses essa esse processo de inflamação e reparo, você machuca o fígado, seu fígado tenta consertar, machuca, tenta consertar. as várias vezes que o fígado vai tentando consertar isso a longo prazo, isso pode, em algum momento, da engrenagem não funcionar bem e aí o fígado pode eh uma das células pode se diferenciar em um câncer de fígado. Então essa acho que é a complicação mais drástica, assim, mais grave, né? Eh, que geralmente acontece na maioria das vezes depois que a cirrose já tá instalada. E, doutora, aqui até uma pergunta, né, que pode ajudar outras pessoas. Eh, acredito que estou com hepatite. Onde buscar ajuda? A gente geralmente orienta que a unidade básica de saúde seja sempre a porta de entrada da pessoa pro pro pro SUS em caso de atendimento na rede pública, né? Então, se existe essa suspeita, se você eh teve contato com alguma pessoa que talvez pudesse estar positiva para hepatite, se você teve uma relação sexual com ela e você se preocupa dessa via disposição, você ouviu essa entrevista, ouviu em algum outro lugar, a gente tá no meio do Júlio Amarelo, que é uma campanha do Ministério da Saúde que tenta fomentar eh o aumento do número de diagnósticos de casos. Você tá querendo buscar testagem só porque você viu esse panfleto? Enfim, a unidade básica de saúde geralmente é aonde a gente recomenda que você vá como porta de entrada, né, como sendo uma uma uma queixa ambulatorial, uma queixa eh eh clínica que pode ser resolvida em consultório de buscar o tratamento, buscar a a o diagnóstico. Se você acha que você tem eh alguma manifestação já de doença clínica, talvez o melhor seja emergência, né? Se você já tá amarelo, se você tá comer, vômito, dor abdominal, o melhor lugar para você buscar atendimento talvez seja uma unidade de emergência, uma unidade hospitalar, uma unidade de pronto atendimento. Mas se é um um desejo só de talvez buscar a testagem, o melhor lugar se é a unidade básica de saúde. Então é a sua clínica da família, é o seu centro municipal de saúde, é o centro de testagem anônima. Então, sempre que você puder ter a entrada a partir dessas unidades básicas, seria o melhor local para você poder fazer essa investigação. Doutor, com certeza. Eh, a gente vai fazer agora um rápido intervalo, porque no próximo bloco, eh, nós vamos falar sobre a importância de conscientizar a população sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das hepatites. Nós já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com Saúde a Vida e hoje falando sobre as hepatites virais com o infectologista Pedro. Martins, Dr. Pedro já explicou pra gente no primeiro bloco as principais hepatites, né, as mais comuns aqui no Brasil, os sintomas, os sinais. Agora, doutor, vamos falar um pouquinho como que é feito o diagnóstico das hepatites em geral. de uma maneira geral, eh, a gente basicamente só consegue entender o que que tá acontecendo, quem é a hepatite responsável, né, a partir do exame de sangue, né? A gente tem eh ofertas de testagem na nas unidades básicas de saúde, nas clínicas da família, nos CTA, que a gente tenta aproveitar a oportunidade diagnóstica da daquele paciente que vai ao centro de saúde para que a gente teste HIV, hepatite B, hepatite C e sífiles de uma vez só. Então, geralmente com o teste rápido, aquele teste que fura o dedinho, aí a gente consegue eh fazer a a a dosagem ali a beira leito, né? Sem precisar de uma estrutura laboratorial avançada, sem precisar coletar o sangue do braço, a gente consegue dar o resultado pro paciente em no máximo meia hora. A gente consegue pelo menos identificar se ele tá com hepatite B ou hepatite C. Eh, a gente ainda não tem assim com tanta rapidez, né, com tanta eh velocidade, um teste rápido de hepatitear, então a gente acaba se guiando um pouco mais eh pelo diagnóstico clínico, né, pro paciente que se apresenta com sintoma de hepatite mesmo. Eh, e aí a gente acaba precisando do exame de sangue. Mas a gente tem uma pras outras duas hepatites, a hepatite B e C, a gente tem a possibilidade de fazer o teste rápido, diagnóstico em dar o resultado pro paciente em 20 minutos, meia hora, que é uma coisa super e eh eh eh positiva pro paciente, porque a gente já consegue a partir dali eh encaminhar ele para um para um tratamento, para um segmento especializado. Esses testes são excelentes, né, doutor? a pessoa vai até o o Sistema Único de Saúde e consegue já fazer esse teste rápido, como o senhor disse, em minutos já sabe o resultado. Isso facilita muito o tratamento, né? É assim, isso é excelente. É um teste que tem, as pessoas às vezes no consultório elas ficam muito reciosas assim, né, de elas falaram assim: "Ah, eu fiz um teste de dedinho, mas eu não não levei muita fé, não. Não acreditei, eu achei que não fosse, eu acho que o que vale a pena mesmo é o do exame de sangue. Às vezes a gente até precisa de algum ou outro exame de sangue para poder confirmar, mas a ideia é que esse teste ele seja extremamente sensível, né, que a gente eh não deixe passar nenhum diagnóstico. Então, às vezes é preferível, né, vou falar uma coisa meio ruim, às vezes é preferível a gente dar um diagnóstico errado, falar assim: "Olha, seu exame deu positivo paraa hepatite B, hepatite C, a gente vai ter que fazer uma segunda dosagem". E aí a gente faz a segunda dosagem e vê que deu negativo. Ó, desculpa o susto, perdão, é porque o teste é sensível demais e aí veio positivo. É preferível que isso aconteça do que a gente liberar uma pessoa com um teste falsamente negativo, né? a pessoa ter a hepatite, a gente não conseguir diagnosticar e aí ela achar que tá tudo bem porque o teste deu negativo, né? Então, e e seguir a vida dela, né? Fazer o a próxima testagem dela só daqui a três meses, daqui a seis meses. Então, esse exame é super confiável, ele é super sensível, ele é super eh eh eh importante pra gente poder ter esse dimensionamento e ele consegue dar pra gente uma resposta em minutos, né? você vai pro pro pra clínica da família com a sua queixa, você eh eh esse teste é oferecido a você e aí uma vez que você faça o teste dando positivo, né, a gente vai fazer o direcionamento pro pro tratamento da melhor forma. Com certeza. E são testes eh sigilosos, assim, às vezes as pessoas ficam com vergonha, ficam com ficam tímidas, né, de procurar um posto de saúde, procurar uma unidade, falar: "Ah, eu quero solicitar o teste da hepatite". Porque, como você disse, tem esse estigma, né? relacionado aí à prática sexual, que todo mundo acha que quem tem hepatite é porque, enfim, não usou o preservativo, né? E tem tem esse preconceito ainda, infelizmente, né? É uma coisa assim, eu eu costumo falar que assim, uma coisa que pode acontecer com qualquer pessoa, ainda que tenha sido por por via sexual, eu acho que isso não pode ser um impeditivo para que você busque eh atendimento. Eh, e o o paralelo que eu faço é muito simples assim, né? Imagina que às vezes tem tem pessoas que perdem a virgindade, na primeira relação elas engravidam. E tem casais aí que estão tentando engravidar há anos e anos e fazendo, né, várias várias tentativas eh acompanhamento com com o ginecologista, com obstetra e não conseguem engravidar. Então, assim, não é uma coisa preto no branco de que você precisa de muitas relações sexuais, de que isso tá relacionado de alguma forma à promiscuidade, a muitas parcerias. Não é isso que acontece. da mesma maneira que você pode eh ter 50 relações no mês e não não adquirir nenhuma, e você pode ter uma e adquirir, né? Então, acho que isso eh eh a a possibilidade de aquisição das doenças pela via sexual não deve ser um impeditivo, um um uma coisa que eh dificulte o paciente a chegar para procurar eh eh o atendimento. Então, eh existe uma preocupação também em relação a a eh a conhecer as pessoas, né? Eh, a gente tem uma uma política de unidade básica de saúde que prevê que o centro de saúde ele seja um pouco territorializado paraa gente conhecer as demandas daquele local, né? Então assim, as demandas de Campinas não são as mesmas de de Bragança Paulista, entendeu? Então, assim, a gente tem eh eh diferenças regionais ali que precisam ser de alguma forma territorializadas no espaço para para entender quais quais que são as principais eh formas de intervenção. Então, às vezes isso gera um pouco de desconforto no paciente pelo medo dele encontrar algum conhecido procurando serviço de saúde, pelo medo dele encontrar um agente comunitário de saúde que seja morador da comunidade onde ele tá. Então, às vezes, isso são coisas que a gente percebe que afastam a pessoa do do diagnóstico e do tratamento, mas para doenças que são sigilosas, então para eh hepatite B, hepatite C, HIV, tuberculose, ranseníase, o paciente que ele procura atendimento pelo SUS, ele consegue procurar atendimento em qualquer unidade básica, né? ele não precisa procurar em uma unidade próxima do território dele. Então, se se eh frequentar o a unidade básica de saúde próxima ao território for um problema, ele pode tentar procurar uma unidade que seja perto do trabalho, perto da casa dos pais, perto da casa do amigo, que distancie um pouco desse desse medo, né, que que às vezes o paciente sente de procurar eh o atendimento no território pelo medo do julgamento, né, pelo medo do estigma que ronda algumas dessas doenças, né? são são diagnósticos que às vezes as pessoas lindam com um pouco de vergonha, por mais que a aquisição tenha sido eh às vezes a partir de uma tatuagem ou às vezes eh por conta da manicure, as pessoas pensam que o que que as pessoas vão pensar de mim, né? Então eh eh eu acho que não é por aí. Eu acho que a gente tem que tem que trabalhar muito ainda nessa desconstrução do estigma, né, enquanto sociedade, para que ainda que tenha sido buscado, né, um teste diagnóstico por conta de uma contaminação a partir de uma relação sexual, que isso não seja um impeditivo, né, para que a pessoa busque o tratamento e o e o e o diagnóstico nas unidades básicas de saúde. Com certeza, né, esse medo do julgamento acaba afastando a pessoa do diagnóstico precoce e consequentemente aí do tratamento quanto antes possível. É, a gente tem, eu tenho alguns relatos de alguns pacientes que eh tem tem muito paciente fofoqueiro também, né, assim, de digo de tá no meio do no mesmo local, né? Aí você encontra um conhecido na fila da farmácia, aí você pergunta assim: "Que que você tá fazendo aqui?" O que eu tô fazendo aqui é problema meu, diz respeito a mim, né? E aí, só que às vezes essa pergunta, né? você já tá com medo ali, com receio de ter um diagnóstico de uma doença que o médico falou que se você não tratar pode dar uma cirrose. E aí isso vai acumulando na sua cabeça, você encontra um conhecido, ele pergunta assim: "O que que você veio fazer aqui na farmácia do do Centro de Testagem Anônima?" E aí eu tenho um paciente que ele fala: "Ó, tipo assim, vim fazer a mesma coisa que você e aí ponto, né? Se se o paciente não quiser não quiser avançar na na conversa, ele não avança. Mas eu tenho eu tenho relatos ruins também de que isso eh afastou as pessoas completamente do tratamento. Assim, eu não eu não vou voltar para pr paraa unidade básica de saúde tendo o risco de encontrar com meu vizinho, encontrar com com com a pessoa com quem eu trabalho. Então, é e esse medo do julgamento, esse estigma que ronda ainda algumas doenças, né, especialmente as que têm um potencial de transmissão eh a partir da via sexual, isso é uma coisa que eh afasta as pessoas do do diagnóstico, do tratamento mais precoce, né, que a gente consegue evitar eh uma uma progressão mais mais grave da doença pelo medo delas serem julgadas, pelo medo do estigma, pelo medo do que que as outras pessoas vão pensar. Mas o que o que eu digo para eles assim enquanto profissional de saúde, né, é que essas doenças em específico elas são eh completamente protegidas por lei e de que a quebra do sigilo é crime, é grave, né? é uma é uma é uma é uma condição que é, por mais que você encontre, né, um profissional de saúde, um agente comunitário de saúde que seja seu vizinho, eh uma técnica de enfermagem, um enfermeiro que seja seu vizinho de de prédio, de rua, enfim, nenhuma dessas pessoas tá de forma alguma autorizada a quebrar o seu sigilo, eh, porque isso é crime, né? Isso é isso é um crime que é que é imputável pela Constituição Federal e que a pessoa pode responder legalmente por isso, né? Então, se alguém eh eh deu com a língua entre os dentes e aí eh disse o seu diagnóstico para uma outra pessoa eh sem a o seu consentimento, isso pode ser pode ser você pode tomar as medidas cabíveis pela lei, porque isso infringe o seu direito ao sigilo médico. Então, não deixe de buscar o seu tratamento, o seu diagnóstico por conta desse medo da das represálias que você pode sofrer e saiba que a lei tá do seu lado, né? Se alguma coisa desse tipo acontecer, você pode e procurar as medidas legais. Com toda certeza. Eh, doutor, até emendando um pouco esse assunto, então, reforçar aqui pra população por que o diagnóstico precoce é tão importante. O diagnóstico precoce dá oportunidade pra gente eh começar a tratar as doenças antes que elas possam desenvolver eh alguma alguma complicação e maior gravidade, né? Então, se a gente consegue fazer o tratamento eh o mais precocemente quanto possível, a gente evita de perder o paciente, né, do do paciente não valorizar a importância de de tratar ele naquele momento. E aí, às vezes, ele só volta a tratar, só volta a buscar ajuda médica quando eh eh ele já fez um problema hepático muito grave, um problema muito grave no fígado, às vezes já quando tá em cirrose ou às vezes já quando tem um câncer de fígado eh instalado. Então o que a gente procura com tratamento precoce é justamente isso, né? é controlar a doença, no caso da hepatite C, curar a doença. A gente tem essa possibilidade com os remédios de hoje, eh, e permitir que a pessoa viva uma vida completamente normal, eh, que não vai ter nenhuma nenhuma repercussão clínica dali pra frente após esse diagnóstico, esse início de tratamento. É, doutora, até a aproveitando aí que você falou da hepatite C, que ela tem cura, as demais hepatites tem cura ou tem controle apenas? A hepatite A, ela geralmente tem ela ela tem um curso autolimitado, né? Ela não tem nenhum tratamento específico, que é aquela que é transmitida a partir do contato com alimento contaminado ou a partir do sexo oral, eh quando a pessoa leva a boca ao anos. Eh, então, geralmente ela ela termina sozinha, né? O tratamento que a gente faz são medidas de suporte, só se a pessoa tá com dor, toma remédio para dor. Se a pessoa tá com enjoo, toma remédio para enjoo. tá desidratado, tá vomitando muito, faz hidratação com soro. Então assim, às vezes a gente até precisa internar o paciente, mas para um para um tratamento sintomático, né? Não tem nenhum medicamento específico para hepatite A. E aí, uma vez que você tem hepatite A, você tá curado da infecção, eh, e você consegue imunidade para ela pro resto da vida. você não vai ter hepatite A de novo. A hepatite C a gente tem cura hoje com o tratamento. Eh, é um tratamento que pode durar aí entre 3 a 6 meses, dependendo do caso. Eh, mas que tem a possibilidade de curar completamente a pessoa da hepatite C, eh, de forma que não existe a possibilidade dessa doença voltar no futuro, se a sua imunidade cair. Não acontece. se você tá curado da hepatite C, você está curado. Eh, já hepatite B, ela é uma doença que ela tem um pouco mais de controle do que de cura. ela tem eh alguns alguns marcadores específicos assim que a gente pede nos exames de sangue, quando a gente tá tentando ver se o tratamento foi eficaz, a gente vai acompanhando isso a longo prazo. Em algumas situações específicas, a gente consegue suspender a medicação, mas às vezes, na maioria das vezes, é um tipo de hepatite que tem controle, que a gente vai usar um medicamento que às vezes precisa se estender pelo resto da vida para poder evitar que a doença progrida, mas em alguns casos específicos a gente também consegue alcançar a cura. Eh, falando um pouquinho do tratamento, a maioria então é tratada com medicamentos e esses medicamentos são estão, né, disponíveis no SUS? O tratamento de todas as hepatites virais, ele é completamente coberto pelo SUS. Eh, é uma medicação que você consegue pegar em algumas unidades, é, não sei como é que funciona especificamente em São Paulo, mas tem algumas unidades satélite assim específicas que você consegue eh eh pegar com facilidade. Talvez você não encontre eh em toda a clínica da família, né, mas eh se você mora em determinada região, talvez naquele posto maior que tem ali na sua cidade, talvez ali você consiga pegar se não tiver na sua clínica da família em específico. Mas o tratamento ele é todo garantido pelo SUS. Ele é ele é é mediante uma dispensação de um formulário que a gente preenche durante as consultas. Eh, e enquanto o tratamento da hepatite B se torna, na maioria das vezes, um tratamento de uso contínuo, né, uma medicação que você vai retirar com alguma periodicidade na na farmácia eh do do SUS, o tratamento de hepatite C, ele tem uma dispensação limitada, você vai retirar no SUS também, mas por um período ali que vai durar geralmente entre 3 a 6 meses. Eh, não existe possibilidade de você adquirir esses eh medicamentos pela via particular. Então, se você quiser comprar numa farmácia particular, você não vai conseguir achar essas medicações para esse fim específico. Eh, ainda que o seu tratamento seja conduzido eh na saúde privada, se você foi num infectologista particular, se você foi num hepatologista particular e ele prescreveu para você, você vai fazer a retirada da medicação pelo SUS. Da mesma maneira que o HIV e a tuberculose, todos os medicamentos da hepatite, eles estão só pelo SUS. E doutor, que práticas são importantes e que podem ajudar a prevenir as hepatites? A gente para para as hepatites de transmissão fecal oral, né, a gente eh orienta sempre que você sempre procure se alimentar num local que você conheça, que a cozinha seja eh eh passe por vistoria da vigilância sanitária, que seja uma uma não seja não tenha uma uma preparação duvidosa ali dos alimentos, né? Então, se você especialmente dos cruzes, né? eh eh saladas assim, eh comida japonesa, não por conta eh eh do peixe cru, eh da carne crua, do porco cru, não é não é especificamente por algum alimento em específico, mas é pelo mau preparo, né? Se a pessoa que tá preparando tiver o vírus e aí acabar passando o vírus ali durante a a a o preparo dos alimentos. Então, procurar sempre eh eh se alimentar, né, eh eh em locais que tenham um um uma higiene adequada do do domente de trabalho e que os cozinheiros não estejam trabalhando doentes, né, que acho que esse é o principal. eh eh fontes de água sempre encanadas, né, ou de água mineral, tentar procurar consumir eh uma água filtrada própria para consumo, evitar eh consumir água de de uma nascente que você não conhece, de uma de um lago, de uma cachoeira ou de um poço cartesiano que talvez possa estar contaminado com com o vírus, né? Eh, acho que esses são os principais mecanismos de transmissão, como evitar no dia a dia, né? Hepatite A também tem vacina, que é outra maneira da gente se prevenir. Eh, é uma vacina que tá disponível na rede pública para as crianças. Eh, até é uma vacina que tá prevista para ser administrada aos 15 meses de vida. Então, quando a criança tiver 1 ano e 3 meses, ela toma essa vacina. E caso ela tenha perdido essa oportunidade de tomar aos 15 meses, ela pode tomar até os 5 anos. Do contrário, ela só tá disponível na rede particular. Para algumas populações específicas, a gente também consegue fazer eh a hepatite A pelo SUS, a vacina de hepatite A pelo SUS. Eh, então, eh pessoas que fazem uso de PREP podem procurar a a imunização para hepatite A pelo SUS, que também vão conseguir fazer. Pelo particular, a vacina custa em torno de R$ 600 a dose, mais ou menos. E aí precisa ser dado duas doses com intervalo de 6 meses nos adultos, né? Eh, nas crianças é uma dose única só aos 15 meses. Eh, em relação à hepatite B, a gente também tem vacina, né? A hepatite B, a gente consegue com a vacina da hepatite B proteger contra a hepatite B e a D, porque o vírus da hepatite D precisa do vírus de hepatite B para poder entrar no corpo da pessoa. Então, se você tiver tomado a vacina da hepatite B de bola, você está protegido contra a hepatite Delta, hepatite D, tá? Então, também é uma vacina disponível no SUS para todo mundo. É uma vacina que não tem nenhuma restrição eh eh de comorbidade. Você, adulto, jovem, saudável, de 25 anos, se você não tomou, se você não sabe se tomou, perdeu o cartão de vacina, você pode procurar o a unidade básica de saúde para poder atualizar seu cartão e tomar a vacina da hepatite B. Eh, a hepatite C não tem vacina, dentre elas, então o que a gente orienta são as formas de prevenção da aquisição eh no dia a dia, né? Então, a gente pede uma atenção especial a você que é profissional de saúde, então você que é dentista, enfermeiro, médico, técnico de enfermagem, cirurgião, eh eh qualquer pessoa que tenha o risco de estar envolvida ali num contato hospitalar, de eh manipular um um teste de glicose, um fio de sutura, qualquer objeto perfuro cortante, uma seringa, uma agulha, né, se qualquer bisturi. a partir desses e mecanismos, caso você e entre com esse pérfo cortante no paciente, você se fure sem querer, depois você sofre um acidente, isso pode ser uma via transmissão da hepatite. Então você tem que procurar seu médico do trabalho, fazer seus testes, né, para poder eh ver se você eh não tem indicação de fazer alguma prevenção ali após. E estando com as suas vacinas de hepatite B em dia, você não vai eh correr o risco de adquirir infecção por hepatite B, mas hepatite C ela pode acontecer. Então você tem que est junto com seu seu serviço de medicina do trabalho para poder fazer esse esse esse acompanhamento. Eh, a gente sempre orienta sexo seguro, né? Eh, então sempre que tiver relação com com camisinha. Eh, mas a gente entende que às vezes a camisinha não é uma uma eh uma realidade factível para algumas pessoas. Então, a gente sugere fortemente que essas pessoas estejam vinculadas à PREP, que é a profilaxia pré-exposição, um medicamento que você toma para evitar a aquisição da infecção pelo HIV. E à medida que você entra na prep, você também eh prevê uma rotina mais frequente de testagem. Então você se testa de três em três meses pelo menos para poder caso você descubra alguma alguma infecção sexualmente transmissível, você já tratar ali de maneira eh eh imediata, quase, né? Uma uma janela muito curta para eh eh possibilitar que a doença avance e que você eh possa talvez eh transmitir para outras pessoas a partir da relação também. E aí a última recomendação é dos objetos assim de dia a dia, né? Então, eh, não compartilhar, eh, alicate de unha, mesmo dentro de casa. Então, assim, se a sua mãe tem o alicate, é o alicate da sua mãe, tem o alicate do seu pai, não use eh o alicate compartilhado dentro de casa. Lâmina de barbear não use eh para mais uma pessoa dentro de casa. sempre que for procurar esse tipo de serviço ou de manicú ou de barbeiro eh na rua, né, em em em em salões de beleza ou cabeleireiro, sempre se certificar de que eh as lâminas estão sendo descartadas, né, e são de uso único e que os alicates e e todos os outros instrumentos da manicure estão sendo esterilizados. Se você não sabe, não tem como garantir isso, leva o seu, né? Às vezes a manicure reclama, né? fala que o seu alicate é cego, que ele não corta direito, que você precisa, tem que usar o dela, que o dela é melhor. Mas podendo evitar esse risco, leva o seu, leva num num para molar, para ficar do jeito que ela gosta de usar, mas eh se você não tiver garantia de que eh tá sendo bem bem esterilizado num estúdio de tatuagem, num estúdio de piercing, de brinco, eh leve o seu equipamento para poder e evitar qualquer tipo de transmissão a partir dessa via de contato com com o sangue contaminado. Então acho que essas são as principais formas de prevenção, né? A gente tem vacina para hepatite A e B, para C não temos. e essas outras orientações que são basicamente tentar comer num local direitinho que tenha um preparo adequado dos alimentos, sexo seguro com camisinha e evitar ao máximo o compartilhamento de objeto de uso pessoal que tem contato com o sangue. Eh, Dr. Pedro, pra gente encerrar então, né, nosso segundo bloco, além das campanhas que o governo faz, qual que é a importância também, né, do governo federal avançar nessas ações paraa eliminação das hepatites virais até 2030, ele recentemente falou de um plano, né, que tá sendo feito para que esse para que essa meta, né, seja cumprida aí até esse período aí de 2030. Eu queria saber da sua opinião sobre essa movimentação, essa mobilização do governo para dar mais atenção a esse assunto aqui. Eh, antes o tratamento da das hepatites ele era um pouco complicado, assim, ele não era uma coisa tão simples, né? Às vezes tinha alguns medicamentos que eram injetáveis, que precisava fazer subcutâneo como se fosse insulina. Eh, hoje, de uns tempos para cá, assim, digo, de dos últimos 8 anos, a situação mudou muito no tratamento da das hepatites virais e o SUS conseguiu incorporar essas tecnologias, esses medicamentos a o rol de de eh de de fármacos, né, de drogas que a gente tem disponível pro tratamento da das infecções. Então, ter incorporado isso no SUS já foi um avanço muito grande, porque a gente tem a possibilidade de e essa meta de 2030 é é a proposta da OMS, da Organização Mundial de Saúde, de tentar eliminar a hepatite viral como um problema de saúde pública, né? E o que que seria isso? É, é eliminar uma grande parte das complicações de hepatitrais, eliminar uma grande parte dos dos casos novos de hepatite viral. eh, e minimizar o máximo o número de mortes por hepatite viral, né? A gente a gente eh não pode ter hoje um cenário que a gente tem uma medicação que é distribuída gratuitamente no SUS, que é altamente eficaz e a gente consegue eh tratar as pessoas com uma eficácia de acima de 98%, se ela tomar um remédio direitinho. A gente não pode continuar hoje em 2025 tendo eh pessoas morrendo de hepatite C, né? Eh, a hepatite que mais mata, né? 75% dos óbitos de todas as hepatites são pela hepatite C. Então, acho que a principal coisa que foi feita eh ao longo desses últimos anos foi a incorporação desses novos medicamentos no SUS. Eh, mas eu acho que a gente ainda sofre um pouco com a dificuldade de eh diagnosticar novos casos. Eu acho que existe um um número de casos que tá represado assim de pessoas que têm eh o vírus da hepatite C, mas que e da hepatite B, mas que não não conhecem o próprio diagnóstico, né? Então, a gente precisa orientar para que essas pessoas busquem o o a testagem, né, pelo menos uma vez na vida, eh, que elas vão ao posto eh eh fazer essa testagem, eh, para que a gente consiga identificar quem são essas pessoas, né, que que tão eh com o vírus, mas que ainda não tiveram, não foram oferecidas o tratamento, entender que elas podem tratar, elas podem curar ou elas podem manter eh a doença controlada de forma que ela não progrida, né? Então, acho que o que falta eh investir, né, pra gente alcançar esse essa essa meta, né, eh é um um esforço maior em relação à testagem, né, a gente ter campanhas de testagem eh de maneira mais eh eh eh forte. E aí o Júlio Amarelo, ele serve a a essa bandeira, né? Ele é uma uma tentativa de, da mesma maneira que a gente tem o outubro rosa de visibilidade pro câncer de mama, o novembro azul pro câncer de próstata, a gente tem um mês dedicado a a conscientização sobre as hepatites virais, né, pra gente para que a gente esclareça cada vez mais a população, para que a gente busque mais diagnóstico e que a gente vincule essas pessoas ao sistema de saúde para que elas possam se tratar. Doutor, eu gostaria de agradecer muito a sua explicação, né, aqui durante todo o programa e sua participação aqui no Saúde a Vida. Muito obrigada mesmo. Muito obrigado, gente, pelo convite. Fico honrado. É um prazer, assim, é um tema que eu que eu adoro falar, gosto muito. Eh, e assim de mensagem final que eu que eu puder deixar sempre que vocês tiverem oportunidade, vocês colegas de saúde, né, profissionais de saúde, eh, peçam o exame pro seu paciente, né? não não tragam para si, paraa sua prática clínica, a o preconceito que existe, né, né, eh, lá fora, né, ah, essa essa senhora de 65 anos nunca vai ter hepatite, não vou pedir o exame para ela. Peça, né, porque e eh esse esse estigma ele é perpetuado por nós também, profissionais de saúde. Então, se você só suspeita de hepatite, se você só suspeita de HIV eh em populações específicas, sua prática tá errada. Você tem que tentar ampliar um pouco seu leque, você tem que tentar alcançar essas pessoas que não estão sendo alcançadas até hoje para evitar que elas eh eh padeçam de de manifestações mais graves, de cirrose, de câncer de fígado. Então, eh e pra população de uma maneira geral, busquem eh eh os serviços de saúde para poder se testar, porque existe tratamento, existe manejo, não é uma uma sentença de morte, não é uma um atestado de de promiscuidade. Não vejam as coisas dessa forma, né? eh eh busquem cuidar da sua própria saúde, porque a sua própria saúde diz respeita apenas a você. Então, o que aconteceu é é eh eh não é de juízo de ninguém, né? E o seu o seu caso, ele vai ser manejado da melhor maneira possível sobre sigilo, para que eh nenhuma dessas informações que são tão valiosas, né, tão tão particular suas, sejam eh comentadas com outras pessoas. Então, tenham total segurança de buscar o atendimento, de buscar a testagem, porque a gente tá esperando vocês para poder tratar. Obrigado, gente. O Saúde a vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]