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Saúde é Vida | Fertilidade e reprodução: como aumentar as chances de engravidar?
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Saúde é Vida | Fertilidade e reprodução: como aumentar as chances de engravidar?

63 views Publicado 03/08/2025 HD · 41:09

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Uma pesquisa global revelou um dado preocupante: embora 88% das mulheres conheçam métodos contraceptivos, mais da metade ainda desconhece procedimentos como congelamento de óvulos ou tratamentos para infertilidade. E muitas só procuram ajuda médica quando o tempo já está contra elas. Para esclarecer as principais dúvidas e ajudar quem está tentando engravidar ou apenas quer se planejar para o futuro, convidamos a médica ginecologista Michele Panzan, especialista em reprodução assistida e coordenadora médica da unidade Huntington em Campinas. Durante a entrevista, você vai entender: Como saber se você (ou seu parceiro) é infértil; Quando e como fazer o congelamento de óvulos; Se o diagnóstico de infertilidade é uma sentença ou se há esperança; Os principais tratamentos, como fertilização in vitro, inseminação artificial e uso de tecnologias como biópsia embrionária e inteligência artificial para análise de embriões; Mitos e verdades sobre engravidar após os 40 anos; Dicas práticas para aumentar a fertilidade de forma natural; E também falaremos sobre os desafios da fertilidade para famílias LGBTQIA+, inclusive a possibilidade de homens trans doarem óvulos. Além disso, a Dra. Michele aborda temas fundamentais como: A escolha entre priorizar carreira e fertilidade: é possível conciliar? A importância da conscientização sobre fertilidade nas escolas, empresas e redes sociais; O papel da medicina reprodutiva no enfrentamento de doenças hereditárias. Este é um programa informativo, acolhedor e necessário, feito para mulheres, homens, casais e todas as pessoas que desejam entender mais sobre o próprio corpo, planejar a maternidade (ou paternidade) com responsabilidade e ter autonomia sobre as próprias escolhas reprodutivas. 💡 Assista agora ao Saúde é Vida e compartilhe com quem precisa dessas informações. Informação é poder — e pode mudar vidas! 📌 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre fertilidade, mas antes de abordar o nosso assunto e tema aqui, no programa, eu tenho um recado para você que tá em casa, que para participar do Saúde à vida e você sugerir um tema aqui pra gente discutir e tirar muitas dúvidas, é bem fácil, é só você entrar em contato com o nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Uma pesquisa recente de uma empresa global de ciências e tecnologias mostrou que, embora 88% das mulheres conheçam métodos contraceptivos, apenas 58% tem alguma compreensão sobre o que é infertilidade e 55% desconhecem procedimentos como o congelamento de óvulos. O estudo também mostrou que muitas mulheres buscam ajuda médica para fertilidade, mas quando já é tarde demais. E para abordar esse tema e esclarecer todas as questões que envolvem o assunto, a convidada do programa de hoje é a médica Michele Panzan, especialista em reprodução assistida e coordenadora médica da unidade Ringintington em Campinas. Eh, Dra. Michele, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Eu que agradeço, Ana Paula, por ter por poder participar e esclarecer as dúvidas de todos. Com certeza. Doutora, vamos falar um pouquinho como que uma pessoa descobre se ela é infértil. A gente define infertilidade como aquele casal que tem menos de 35 anos, né? A mulher tem menos de 35 anos e está tentando engravidar no por um período de 1 ano. Um casal então que tem relações sexuais regulares de duas a três vezes por semana, que a mulher menstrua regularmente, né, pelo menos uma vez a cada 40 dias, eh, e que não engravida num período de 1 ano, é considerado um casal infértil e tem necessidade de investigação. Quando a mulher tem mais de 35 anos de idade e também segue as mesmas regras, né? Relações sexuais regulares, ciclos, eh menstruações regulares, o período cai. Então, aquele casal que tenta engravidar por um período de 6 meses e não acontece a gravidez, também é considerado um casal infértil e que tem necessidade de investigação. É, agora, doutora, a infertilidade ela não é uma questão só das mulheres, os homens também são inférteis, né? Sim. Eh, eh, o que a gente divide por porcentagem, né? Normalmente a gente diz que 40% das causas de infertilidade são femininas, 40% são masculinas e 20% das vezes é do casal, né? Então, tanto o homem quanto a mulher podem ter alguma causa de infertilidade. Uma dúvida muito comum, né, que surge nesse assunto, quando as mulheres não estão conseguindo engravidar, o que que elas devem fazer? Buscar qual, qual ajuda? Qual médico, qual especialista? Normalmente elas acabam procurando primeiro o ginecologista delas, né? O ginecologista geral, que a gente chama, né? que não tem uma especialidade específica, mas que é aquele que ela costuma eh procurar todo ano para ir em consulta. Eh, mas o ideal mesmo é que elas já procurem algum especialista em reprodução assistida ou em reprodução humana. Por quê? Porque nós especialistas a gente acaba direcionando a pesquisa para coisas mais específicas. O ginecologista generalista, muitas vezes ele deixa de perceber coisas mais específicas. A gente fala aquela agulhinha do palheiro, né, que tava faltando para fazer aquele diagnóstico final. Então, muitas vezes acaba passando desapercebido algumas questões e e o ele acaba dizendo: "Olha, você não tem nada, tá tudo ótimo com você, tenta mais um pouco". E nesse tenta mais um pouco, é que às vezes faz um pouco de diferença paraa mulher, principalmente aquelas mulheres que já estão numa idade mais avançada, né, e que poderiam ter sido tratadas seis meses antes e que talvez fizesse toda a diferença. Qual que é a idade limite assim, doutora, para que a mulher comece a procurar esses procedimentos? Por exemplo, o congelamento de óvulos é um procedimento. Qual que é o momento certo, né, para congelar os óvulos e a idade também, né? Sim. Eh, a gente considera ideal o nosso mundo dos sonhos, né? É aquela mulher que chega pra gente entre 30, no máximo com uns 34 anos de idade, né? Isso não. Por que isso? Porque a gente define a taxa de gravidez baseado na idade da mulher. Então, quanto mais jovem a mulher, maior a taxa de gravidez e menos óvulos eu vou ter que ter congelados para cada filho que ela quer ter. E quanto mais velha ela for, mais óvulos eu vou ter que ter congelados para cada filho que ela quer ter. Isso não significa que uma mulher, por exemplo, de 35 ou 36 ou 37 ou até 40 anos não possam congelar óvulos. Sim, elas podem, né? Só que, por exemplo, uma mulher de 30 anos que congela com 30 anos, ela entre 8 e 10 óvulos já congelado, já é suficiente para ela ter um filho. Uma mulher de 40 anos vai ter que ter o dobro de óvulos congelados. pro mesmo filho que ela deseja ter. Então, o que acaba acontecendo é que a mulher mais jovem num ciclo, né, num ciclo, num tratamento de retirada de óvulos, ela já retira tudo que ela precisa e a mulher de 40 anos talvez vá precisar de duas, às vezes três coletas de óvulos, três tratamentos para conseguir congelar aquele número de óvulos necessários pro filho que ela deseja ter. E doutora, esse esse procedimento eh do congelamento de óvulos, ele é simples? Quanto tempo demora? Como que ele deve ser feito? O congelamento de óvulos parece que é muito demorado, mas não é não. Ele é tão, ele é mais simples do que a maioria imagina. Tudo começa com a menstruação, né? Então o que que a gente faz? a mulher menstrua e vem aqui no segundo dia ou no terceiro dia da menstruação, menstruada ainda para fazer um ultrassom, exames de sangue. E aí ela vai tomar medicação por mais ou menos 10 a 11 dias. É um tratamento rápido, são injeções que são aplicadas na barriga para estimular a ovulação, né? Então, eh, são injeções igual de diabético também, insulina, né, com aquela agulhinha pequenininha por 10 dias. E nesse período de 10 dias, ela tem que vir mais ou menos umas quatro vezes para fazer o controle ovulatório, pra gente ver se o óvulo tá crescendo, se o folículo tá crescendo, né, para saber que se tá dando certo, se a quantidade de medicação tá correta, se estamos no caminho correto e se tá indo bem o tratamento. E nesse caso, eh, é bem rápido. E esse tratamento ele tem um custo, né, pela rede privada, mas a rede pública, infelizmente, acho que ainda não oferece, né? Não, eh, em rede pública ainda não, mas dentro da clínica a gente tem o trintou congelou, né, que é um, a gente fez esse projeto exatamente para tentar baratear para que o custo fique mais acessível para essas mulheres que desejam postergar a maternidade e desejam priorizar o trabalho ou a vida de casal para depois ter os filhos. Eh, e doutora, essa injeção, né, que você comentou, que as mulheres precisam aplicar ali na barriga, ela vai ter alguma contraindicação? Vai gerar algum efeito, algum efeito colateral, que eu digo, no corpo da mulher? Bom, eu vou explicar para vocês como é que funciona todo mês. Imagina que uma mulher, hoje mesmo atendi uma paciente, ela tinha uma contagem de óvulos ali de 16 bolinhas, 16 folículos. O que que acontece todo mês? Todo mês a nossa, a gente tem uma glândula aqui na cabeça que se chama hipófise, que manda comida para que um desses 16 óvulos cresça, certo? Então ela vai ovular um e 15 vão morrer, certo? Então o que que é a minha medicação? A minha medicação nada mais é do que a mesma medicação que a nossa hipófise produz. Só que eu dou comida pros 16. Então a nossa hipófise manda comida para um e eu quero os 16. Então eu mando comida para 16 para que os 16 cresçam. Com isso, o que que eu vou ter? Imagina nós mulheres ovulando uma vez um folículo só por mês. A gente tem a barriga um pouquinho mais inchada, tem os sintomas de de TPM, os inchaços, né? pré-menstruais. O que que essa mulher vai sentir? Então, da medicação em si, ela não vai ter efeito colateral, ela não vai ter muitos sintomas, porque é o mesmo hormônio que a gente mesmo produz. A questão é que ela vai produzir 16 óvulos e não um, então a barriga vai ficar 16 vezes mais inchada, certo? eh vai reter mais líquido porque são 16 vezes mais estrogênios circulantes, mas do nosso próprio corpo. Então os ovários vão ficar maiores, a barriga vai ficar mais inchada, a mama vai ficar mais inchada, então a gente vai fica um pouco desconfortável, mas não é nada do tipo, nossa, que que horror, estou passando mal. Não é isso, é que é uma super ovulação, então a gente tem uma produção maior de estrogênio e com isso sintomas hormonais maiores e mais desconfortáveis. Não sei se deu para entender. Sim, sim, deu para entender perfeitamente. E Dra. Michele, como que é como que é feita, né, toda essa investigação a respeito da infertilidade? tem algum exame específico que que faz uma medição ali hormonal? Sim. Eh, nós temos alguns exames básicos que a gente recomenda. Um deles é o hormônio antimileriano, que é o exame um exame de sangue e que faz a e que que mede a reserva ovariana, né, da mulher. Então, quanto tempo e quantos óvulos? Qual é a reserva? se falta, se tá mais perto da menopausa ou mais longe da menopausa. Além disso, a gente faz toda uma investigação em sangue, né, de exames hormonais, de tireoide, de prolactina, a gente investiga endometriose, faz uma série de sorologias, eh, investiga também a parte de trombofilia para saber se essa paciente tem risco de rejeitar o embrião ou não. tem um exame muito importante que é esterosalpingografia, que tem esse nome feio, mas é um exame super importante porque ele vai avaliar se as trompas não estão obstruídas, entupidas, né? Porque é na trompa onde o óvulo encontra o espermatozoide, se ela tiver entupida ou se ela tiver aderida, grudada em algum lugar, não vai ter como o óvulo encontrar com espermatozoide. Então esse é um exame muito importante. E da parte masculina, o espermograma, né? A, a gente tá falando muito da mulher, da mulher, da mulher, mas existe a porcentagem dos homens que vão ter um quadro de infertilidade. Então, assim, muitas vezes a gente sai procurando eh a parte feminina e no fundo só de fazer um espermograma, às vezes a gente já encontra a causa da infertilidade. Exatamente. E doutora, uma vez que uma mulher recebe o diagnóstico de infertilidade, isso já é uma sentença, ela nunca vai poder engravidar? Não. Não, de jeito nenhum, não. Eh, quando a gente faz o diagnóstico, não significa necessariamente que essa paciente tenha que ir para uma fertilização em vitro. O diagnóstico ele pode ser no sentido, olha, o esperma ele não está tão bom, mas ele pode melhorar. Então existem medicações que podem fazer com com que esse esperma melhore e nem precise de uma fertilização em vitro. Ou então ela tem uma a trompa obstruída. Existem eh cirurgias que podem desobstruir a trompa. Eh, se ela tem endometriose, ex, existem cirurgias que podem ser feitas. Então, assim, às vezes é uma a tireoide que tá um pouquinho desregulada, você regula a tireoide lá e ela ovula direitinho e engravida. Ou tem uma infecção, você trata infecção que é uma coisa boba, toma lá sete dias de antibiótico e no mês seguinte engravida. Então assim, o diagnóstico ele não necessariamente indica uma fertilização em vitro, mas indica aonde está o problema e o que deve ser resolvido, inclusive antes de uma fertilização em vitro. Eh, doutora, até tocando nesse assunto da fertilização em vitro, eu gostaria que você explicasse sobre esse procedimento, o que que é e também como que ele é feito e em que casos que precisa, né, ser realizado também, tá? Eh, a fertilização em vitro, o que que ela é? É quando eu retiro o o óvulo, né? Eu faço uma coleta de óvulos. É um procedimento que precisa de sedação, né? Então, a paciente como de endoscopia ou de uma colonoscopia, então a paciente ela é estimulada com as mesmas injeções do jeito que a que eu expliquei anteriormente. E aí ela vai pra coleta de óvulos. Então, quando essas bolinhas, os folículos lá, os 16 folículos, por exemplo, tiverem grandes, né? Ela vai para essa retirada de óvulos. Como é que funciona? Então ela toma essa sedação, dá uma dormidinha, enquanto ela dorme, eu entro com uma agulha pela parede da vagina e faço a aspiração desses óvulos pela parede da vagina. E esses óvulos são avaliados pela embriologia, pelas elas são biomédicas que são especialistas em óvulos espermatozoides. Ao mesmo tempo, o marido faz a coleta de esperma, né? E aí a gente junta o óvulo com esperma em laboratório e acompanha o crescimento desse embrião até ele chegar à fase de blastocisto, que é aquele embrião com células incontáveis, né, como se fosse uma massinha. E aí a gente tem duas opções, na verdade a gente tem a opção de colocar o embrião de volta no útero imediatamente ou a gente tem a opção de congelar este embrião para colocar de volta no útero num no mês seguinte ou no quando eles desejarem. Eh, esse tipo de tratamento ele tá indicado, então, para aqueles casais onde o homem tem uma contagem de esperma abaixo de 5 milhões, né? Então lá no espermograma vem uma contagem muito baixa. Ele também tá indicada para aquelas pacientes que têm algum fator tubário, né, na trompa, então que a trompa não consegue fazer o encontro do esperma com o óvulo. E em alguns casos que a gente chama, acaba eh quando a gente não tem um diagnóstico preciso e a gente não consegue, na verdade eu costumo dizer que não é que não existe uma causa, a causa ela existe. Eu só não consigo dizer qual é porque eu não sei o que tá acontecendo exatamente lá dentro da trompa, né? Então, nesses casos que a gente chama de infertilidade sem causa aparente também é uma indicação. E naquelas pacientes que acabam eh tendo uma reserva variana menor do que o que a gente espera e a gente tem que acelerar o passo, né? Tipo, não dá para ficar esperando um ano para ver se ela consegue engravidar ou não, sendo que às vezes ela tá mais próxima da menopausa, então não dá para ficar enrolando, tem que ir direto pra fertilização em vitro. E doutora, hoje as mulheres elas têm buscado muito esse congelamento, né, dos óvulos, até por conta da carreira, dessa questão profissional de esperar um pouco aí para para ser mãe. Eh, a senhora tem visto também essa essa crescente procura por por esses procedimentos? Sim, cada vez mais, ainda mais, porque e eu e finalmente as empresas eu vejo que elas estão abordando isso, mais até do que o ginecologista, as próprias empresas têm valorizado, né, o funcionário e e visto a importância de paraa mulher que tá ali se dedicando ao trabalho, tá se dedicando da empresa e que tem desejo da maternidade. Então, muitas empresas têm custeado isso, né, pros paraas próprias funcionárias. Então, eu vejo que isso aumentou a procura e também eu acho que as mulheres estão escutando mais, né? Eh, elas têm procurado e elas têm uma amiga conversa com a outra que conta que congelou os óvulos ou então a amiga conta, olha, não enrola para engravidar. Olha só, eu tô tendo que fazer tratamento porque eu tô mais velha. Se eu tivesse congelado meus ovos lá com 30 anos, eu não estaria passando por isso que eu tô passando agora. Mas eu ainda sinto que os ginecologistas gerais eles têm que abordar mais isso com as pacientes, né? Eles têm que conscientizar. Tipo, a paciente chegou lá para uma consulta de rotina, tá com 30 anos, às vezes tem marido, mas não quer ter filhos ainda, ou então quer postergar, ou então não tem um parceiro ou uma parceira, né? Então, por que não questionar? Você vai querer ter filhos? Você já pensou sobre ter filhos ou não, né? Eh, eu costumo dizer que o congelamento de óvulos é o seguro do nosso carro, que aquele seguro, você paga o seguro do carro, mas você não quer usar, mas se você precisar usar, ele tá ali para te salvar, né? E aí o congelamento de óvulos é exatamente isso. Você não sabe se você quer ter filhos ainda, mas uma hora você pode querer. Você pretende, não sabe se vai querer. Então por que não congelar? Porque não ter a opção de da escolha? Porque não poder decidir mais para frente se vai querer ou não ter os filhos com os próprios óvulos. Se não quiser, ótimo, joga fora. É uma célula, tá tudo bem. O problema é que a mulher ela tem prazo de validade. Infelizmente nós subimos na carreira, nós atingimos os objetivos. Nós conquistamos espaço, mas esqueceram de contar isso pros nossos ovários. Infelizmente esqueceram de contar. Então é importante lembrar que sim, temos que conquistar, temos que batalhar, mas temos que lembrar que os nossos óvulos envelhecem e que os nossos óvulos acabam. Então, que tem que pensar na preservação da fertilidade. Exatamente. Até por isso essa conscientização, né, doutora, ela é muito importante porque muitas mulheres, como apontou a pesquisa, elas procuram eh a solução tarde demais, né, sabendo que existem outros procedimentos que mais simples até, né, que é fertilização em vitro, que poderiam ser usados e não foram. É exatamente isso. E aí o duro é pensar, por que é que eu não fiz isso antes? Porque é que eu não procurei ajuda antes, né? E aí quando vê é tarde demais. E o óvulo é é uma parte muito importante da pro sucesso do tratamento. Quem dirá não o mais importante, mas muito mais que o espermatozoide. Eh, e doutora, as pacientes, né, chegam com muitas dúvidas no consultório. Existem muitos mitos envolvendo essa questão da fertilização, principalmente com relação à questão da fertilização em vitro. Sim, elas têm muitas dúvidas. Eh, elas têm elas eh tem receio, elas têm medo. Uma pergunta que sempre me fazem, eh, eu vou vou congelar meus óvulos, então eu vou entrar na menopausa mais cedo? Não, não vai entrar. Eu só vou tirar os óvulos daquele lote que naturalmente ela perderia. que naturalmente morreriam, né? Como eu disse, ovula um, o restante morre. Eu só vou aproveitar o todos os óvulos daquele lote de óvulos. No mês seguinte vai vir um outro lote. Então, não tô antecipando a menopausa. Tem muitas perguntas, muitas dúvidas. Exatamente. E tem os avanços da medicina, né, doutora, que a gente sabe que hoje a gente já consegue aquela fazer aquela biópsia embrionária para identificar futuras doenças. Isso é importante também, esse crescimento, esse avanço da medicina com relação não só à reprodução, né, mas também com relação às próprias doenças. Sim, sem dúvida. Hoje a gente consegue diagnosticar no embrião doenças eh que são transmitidas, né, de de pai para filhos, né? Então, por exemplo, a fibrose cística, eh a talacemia, anemia falsiforme, a patologias como X frágil. Então, todas essas doenças genéticas eh que são que podem ser transmitidas de pai para filho, elas podem ser diagnosticadas no embrião antes de que esse embrião volte pro útero. Isso são doenças mais específicas, mas além disso, no próprio embrião a gente consegue diagnosticar todas as trissomias e monossomias, que são síndrome de Down, síndrome de Edward Stern, Patal, Kleining Felter, que são essas síndromes que são as síndromes mais comuns e que também a gente consegue diagnosticar e detectar no embrião antes de colocar ele de volta no útero. Eh, e doutor, o que que as pessoas, tanto homens quanto mulheres, podem fazer para para aumentar a fertilidade? Tem algum segredo aí para para aumentar? Na verdade, não tem, mas tem para não diminuir, né? Então, evitar eh bebida alcoólica, tabagismo, então fazer esporte, comer frutas, comer verduras, não viver só de fast food. Eh, então é uma qualidade de vida boa e equilibrada, eh, para que a fertilidade ela permaneça estável, pelo menos de acordo com a idade de cada pessoa. E, Dra. Por que que é tão difícil, né, a mulher engravidar aí de forma natural, né? Eu digo depois dos 40. A gente tem casos, né? Isso pode acontecer, mas é bem mais difícil. Então, é bem mais difícil. Por quê? Porque a qualidade do óvulo ele diminui. Então, quando o óvulo ele não é de boa qualidade, ele acaba não fertilizando. Ou se fertiliza, essa mulher até engravida, mas evolui para abortamentos. Se, então, se a gente, se o óvulo não é bom, mesmo que a trompa pegue esse óvulo, mesmo que esse óvulo encontre com espermatozoide, ele acaba não virando embrião porque ele não não ele perdeu qualidade e às vezes ele até fertiliza, mas quando ele fertiliza ele forma embriões com alterações genéticas e a natureza é sábia e não permite que essa gestação evolua e acabe acaba evoluindo para um abortamento, acontecendo um aborto, uma perda gestacional. Então, a idade ovular, ela como ela altera a qualidade do óvulo e aumenta o risco de alterações genéticas nesses embriões, ela acaba diminuindo a taxa de gravidez nas mulheres a partir dos 38 anos de idade, né? Então, por isso que acaba ficando um pouco mais difícil engravidar. E doutora, com relação a essa questão ainda, né, no caso das mulheres, elas podem eh ter algum hábito assim que você que você considera o mais importante com relação à fertilidade? Como você disse, a gente não tem como aumentar, mas, né, não é possível não diminuir. O mais importante de tudo é primeiro não fumam. Então fumei de jeito nenhum. Cigarro acaba com os óvulos. Segundo ter uma vida equilibrada. Nem esporte em excesso, nem em falta. Não pode comer sua pizza no final de semana, seu hambúrguer no final de semana pode, mas não dá para comer pizza e hambúrguer a semana inteira, né? Então, ter uma vida saudável a semana inteira, com atividade física equilibrada, mas o principal, não fumem, por favor. Doutor, uma dúvida muito comum das mulheres, aquelas que tiveram abortos espontâneos, elas podem iniciar algum tipo de tratamento para fertilização em seguida? Tem que esperar um tempo. Como que é esse processo para essas mulheres? o primeiro ela precisa de um diagnóstico, né? Eh, existem várias causas de abortamento, né? Então, a gente divide em causas maternas e causas fetais. Então, antes de começar um tratamento, mesmo que seja de fertilização em vitro ou qualquer outro tipo de tratamento, é importante que ela tenha um diagnóstico, né, do por está abortando. Eh, e aí a partir desse diagnóstico, sim, ela pode em seguida, ela não precisa ficar esperando muito tempo para fazer um tratamento. Normalmente a gente espera ter uma menstruação espontânea. Então aquela mulher que teve um abortamento, aquela primeira menstruação, ela é a o sangramento do aborto. Então ela não conta, mas a partir da menstruação seguinte, em que ela já ovul, está menstruando espontaneamente, aí ela já pode ir para um tratamento. Mas é muito importante que antes que vá para um tratamento que ela tenha um diagnóstico do motivo do abortamento, porque às vezes ela vai para um tratamento e o tratamento não vai resolver, né? E não é o a fertilização em vitro às vezes não é o tratamento. Exatamente. Doutora, agora eu queria que a senhora falasse um pouquinho sobre as opções de fertilidade para as famílias LGBTQ mais. Quais seriam, né, as possibilidades, tá? Eh, para esses casais, então, no caso de meninas, né, a gente a gente pode usar o óvulo de uma delas ou até das duas. Aí a opção, elas que decidem. E aí a gente, elas adquirem o esperma de banco de esperma, que pode ser nacional ou pode ser internacional. E aí a gente dá as opções e também ensina elas como acessar e como fazer as escolhas. Eh, e aí é uma ou uma delas ou as duas aí elas que decidem passam por essa estimulação ovariana, que é são as injeções na barriga para pela coleta de óvulos e aí a junção do esperma com o óvulo em laboratório. Pros diga não, pode falar, pode continuar. No caso, a gente precisa de um óvulo doado, né? E a gente precisa de um útero de substituição, né? Então, o óvulo doado, no caso aqui da clínica, a gente tem um banco de óvulos, de doadoras de óvulos. Então, a gente tem esse banco e dentro do nosso banco eles podem escolher o a doadora ou também poder, a gente pode adquirir de bancos internacionais, só que aí acaba ficando um pouco mais caro, eh, porque o custo, lógico, eh, em dólar ou às vezes em euro é bem mais eh, fica bem mais eh custoso. e o útero de substituição, no caso, né, que pode ser uma parente deles até terceiro grau, eh, que possa gestar para um deles, eh, para, ou para eles, ou então, no caso, se não existir ninguém que possa fazer isso, existe a possibilidade de ser uma amiga, uma conhecida, e aí a gente entra com um pedido no CRM. para que eles autorizem e no caso a gente explica que não tem nenhuma parente que possa fazer eh gestar para eles e que aí essa amiga se se sujeitou, se disponibilizou a gestar e a gente entra com esse pedido para ver se é autorizado ou não. Eh, Dra. Michele, um outro ponto que eu acho legal a gente esclarecer aqui também é sobre os homens trans, se eles podem doar os óvulos. Então, os homens trans, eles na verdade quando eles usam muito androgênio, né, que é a testosterona, eles acabam eh eles acabam tendo uma atrofia dos óvulos, né? né? Então os óvulos acabam regredindo e aí fica difícil a estimulação ovariana. Se não fez uso de tanta testosterona e os óvulos estão lá e estão em eh e aceitam a a estimulação, né? Que eles têm que crescer. Então se eles aceitam, dá sim para estimular. Eh, doutora, por que que a senhora acredita que a que essa conscientização sobre fertilidade não é um assunto que a gente fala todo dia? Como você disse, os próprios médicos ginecologistas não abordam tanto isso, né, com as pacientes explicando quais são as possibilidades. Por que você acredita que falta ainda essa conscientização não só pro público feminino, mas também pro masculino? É. Eh, é uma boa pergunta. E você sabe que ultimamente a gente tem feito mais palestra para ginecologistas gerais para exatamente alertar eles. Olha, você precisa falar isso com a sua paciente, você precisa alertar ela de que o tempo tá passando e se ela já pensou se ela quer ter filhos, né? Eh, porque muitas vezes você não para, você não para para pensar e você não lembra disso. Eh, eu eu acho que isso tem melhorado. Eu eu eu vejo isso no na no consultório. Eh, e eu vejo que as próprias, os próprios ginecologistas agora eles têm tocado mais nesse assunto e e inclusive estimulado as próprias pacientes a procurar, porque às vezes eu acho que muitas vezes eles ficam receosos também em abordar, porque tem muita paciente que fala assim: "Ah, mas eu não quero ter filhos", né? Então você fala, quando você vai abordar, ela já fala: "Mas eu não quero ter filhos". Aí eu olho para muitas que eu tenho pacientes ginecológicas também, eu falo assim: "Você não quer agora, né? E daqui 10 anos você não vai querer? Você tem certeza? Se você tem certeza, para mim tá tudo bem. Eu só não quero que daqui 10 anos você olhe para trás e pense: "Por que eu não congelei meus óvulos e se arrependa?" Então pensa direito, né? Então muitas vezes eu acho que eles não abordam, não é nem porque pelo desconhecimento ou pela falta de tempo, mas é porque também às vezes as pacientes não dão abertura para isso, né? E às vezes dão essa resposta e o médico fica até meio assustado, né? Ai meu Deus, como que eu vou abordar isso? Eh, eh, eu acho que é tá melhorando, mas ainda precisa, precisa que todas as mulheres quando chegam no ginecologista com 30 anos sejam questionadas sobre isso, sobre o desejo da maternidade ou não. Eh, doutora, pra gente encerrar aqui então o nosso programa, eu gostaria que você deixasse uma um recado, uma mensagem, uma orientação final para essas mulheres que estão acompanhando e até pros homens com relação a essa questão da fertilidade. Eh, não tenham medo de avaliar as mulheres, principalmente a reserva ovariana, né? Eh, o fato de você diagnosticar eh uma reserva ovariana mais baixa não significa que você não possa ter filhos, apenas que precisa de uma atenção, né? Eu falo que é o sinal amarelo, né? De que o passo tem que ser acelerado. E pros homens também, né? Muitas vezes homem associa a masculinidade com a capacidade de de engravidar uma mulher, o que não tem nada a ver, né? Então, muitas vezes o homem não procura para fazer um espermograma, não vai atrás, não questiona, escuta, não é melhor eu avaliar para ver se eu sou fértil ou se eu sou infértil, se minha contagem de esperma é normal, né? E aí, porque muitas vezes dá tempo de melhorar e de não deixar piorar ou de não chegar a zerar, né, o esperma se você se tiver o cuidado antes. Então eu acho que mais é nesse nesse conceito de não ter medo do diagnóstico e não ter medo de avaliar seu esperma, sua reserva ovariana, eh, e de congelar os óvulos para postergar essa maternidade mais tarde, tá certo? Então, doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa e pela disponibilidade, pelas informações também compartilhadas aqui. Eu que agradeço. É um prazer falar com vocês. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. เฮ [Música] [Música]
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