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Olá, [Música] pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre a escoliose. Antes eu tenho um recado aí para você que tá acompanhando Saúde à Vida, que para sugerir um tema para o programa é bem fácil, é só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Um problema que tem diversas causas e afeta desde crianças a idosos. Estamos falando da escoliose, popularmente conhecida como a coluna em S ou C. De acordo com a OMS, que é a Organização Mundial da Saúde, a escoliose acomete cerca de 2% da população mundial. No Brasil existem mais de 6 milhões de pessoas com esse diagnóstico, segundo dados de 2023. Para falar sobre esse tema, o convidado do programa de hoje é o fisioterapeuta André Pegas, responsável pela rede de clínicas Dr. Énia. Eh, Dr. André, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Seja bem-vindo. Olá, tudo bem? né? É um prazer aí poder esclarecer a a população e as pessoas sobre essa patologia, né, relativamente frequente que é a escoliosa. Com certeza, doutor. Pra gente começar, então vamos explicar de uma maneira bem didática pro pessoal de casa o que que é a escoliose? Então vamos lá. A escoliose é considerada como uma falha postural. Então a falha postural mais comum que a gente vê é a pessoa curvada pra frente, né, que são que são os cfóticos, os corcundas, né, no termo popular. A escoliose ela é o desvio lateral. Então a pessoa ela não desvia pra frente, ela desvia pro lado. Então a coluna dela fica em forma de C, como você colocou, ou às vezes ela tem um duplo desvio, um desvio e uma compensação que faz a coluna dela ficar numa forma de S, né? Então é um desvio postural para o lado, não para a frente. E doutor, qual que é a causa de dessa doença, né, desse quadro? Então a gente tem que considerar assim, ó. Primeiro, 80% das causas da escoliose nós não conhecemos, né? Então, 20% das causas somente são conhecidas. Então, a gente pode dizer assim: "A escoliose mais frequente é a escoliose do adolescente". Então, as crianças em fase de crescimento, elas podem desenvolver a escoliose. Causas conhecidas, por exemplo, se ela tiver uma perna mais curta que a outra, isso pode dar uma obliquidade da bacia e gerar um desvio compensatório da coluna. Se essa criança tem alguma doença, como por exemplo, a fusão de costelas, as costelas nascem grudadas umas nas outras, conforme ela vai crescendo, ela vai se curvando pro lado da costela que tem esse esse esse problema. Algumas doenças pulmonares podem gerar escoliose, mas como disse, a grande maioria é desconhecida. E aí nós temos a escoliose do adulto, né? Então o adulto pode ter escoliose por fratura de coluna. Então ele fratura a coluna, a vértebra fica torta, ele desenvolve a escoliose. O idoso, pelo desgaste acelerado da coluna, ele pode ter a escoliose de origem degenerativa, né, que é por desgaste. Então, algumas causas a gente conhece, mas a grande maioria a gente vai tratar a escoliose sem conhecer ao certo o que tá causando ela. E, Dr. André, existe a causa hereditária também? Sim. Eh, é é colocado sim eh alguns estudos científicos que observam famílias que você pode ter a herança genética eh transmitida de de pais para filhos da escoliose. Sim. Então, é uma pergunta importante para fazer eh se na família existe alguém com esse problema, porque pode aumentar a chance sim de desenvolver escoliose de origem genética. Eh, doutor, também queria que o senhor esclarecesse quais são os tipos de escoliose e quais mais acometem aí a população. Então, assim, como falei, né? Então, a escoliose do adolescente é aquela escoliose que começa durante o estirão de crescimento. É importante a gente levar em consideração eh porque a causa ela leva ao tratamento, né? Então, a escoliose, o objetivo do tratamento, isso é meio é existe uma controvérsia científica, não não existe assim um um uma um consenso muito específico, mas o objetivo do tratamento da escoliose não é necessariamente corrigir a curvatura, mas é deixar a coluna o mais funcional possível. Eh, são classificados hoje em 3 graus de escoliose, né? Então, a escoliose que vai aí até em torno de mais ou menos uns 10 a 15º, as as escolioses pequenas, essas escolioses, o tratamento é basicamente com atividade física, exercício, que pode ser fisioterapia, pode ser pilates, enfim, a atividade física para fortalecer essa musculatura e dar mais capacidade para ela. É a escoliose mais comum que acontece no adolescente. Mas é importante a gente salientar que quando a escoliose ela passa desses 15º e tá ali num grau dois, que é entre 15 a 30º mais ou menos, a literatura já fala que além da atividade física, a o adolescente precisa também usar o colete corretivo, porque o colete corretivo ele vai impedir que essa escoliose entre no grau três. A escoliose, quando vai pro grau três, acima de 30º, ela já pode colocar em risco a vida do adolescente, porque ela pode exercer pressão no coração e levar a uma insuficiência cardíaca. Então, num grau três, já é recomendado o tratamento cirúrgico, fazer a correção da escoliose de uma maneira mais agressiva, visando no o custo benefício de não levar o adolescente desenvolver eh uma eh uma insuficiência cardíaca ou uma insuficiência respiratória grave, né? Mas basicamente a grande maioria dos adolescentes estão em escoliose grau um. Ou seja, atividade física, exercício físico a ajudaria essas crianças a finalizarem o crescimento ósseo delas sem que essa escoliose ultrapasse para o grau dois. A gente tem que garantir que a criança termine o crescimento ósseo dela com a menor angulação possível, porque uma vez finalizado o crescimento ósseo, a escoliose se estrutura. Ela não vai nem paraa frente, nem para trás, ela para naquela angulação. Então eu preciso garantir que ela pare na menor angulação possível. Aí um erro muito comum é os pais quando levam esses adolescentes a buscarem tratamentos, pro pai o tratamento da escoliose é corrigir a curvatura. Para nós da área da saúde, o tratamento é segurar essa escoliose e corrigir o máximo que dá paraa criança finaliza o eh o crescimento ósseo com a menor angulação possível. E aí a gente vê às vezes algumas divergências. Ah, eu levei meu filho para tratar escoliose e não adiantou nada. É muito importante quando um adolescente vá a um tratamento que o profissional consiga esclarecer os familiares sobre qual é o objetivo do tratamento para que não crie essas falsas impressões, né? O objetivo do tratamento não é reduzir a escoliose a zero, mas é garantir que ela tenha a menor angulação possível até esse adolescente se estruturar e a eh finalizar o crescimento ósseo e essa escoliose então se estrutura e não cresce mais. É muito importante que durante o tratamento o profissional continue acompanhando a escoliose, porque muitas vezes a criança que tem uma escoliose, uma escoliose grau um, que inicia um tratamento por exercícios, essa escoliose continue aumentando e ela passe para um grau dois. Então, a gente precisa, além do exercício, entrar com o colete para que essa para que essa escoliose agressiva não vá para um grau três. O grau três seria o grau cirúrgico. Então, a escoliose ela precisa de acompanhamento do adolescente, né? eh está em tratamento, mas a cada 6 meses, eh, a cada 1 ano, é preciso refazer os exames e a radiografia para ter certeza que essa escoliose não está aumentando. De fato, o tratamento está estabilizando ela. Isso é um ponto importante. Quando a gente vai paraa escoliose do adulto, né, que é causada normalmente por fraturas ou por eh desgastes, essa escoliose ela já gera sintoma, ela já pode gerar desconforto, pode gerar dor. E a gente então vai fazer um tratamento funcional para eliminar a causa da dor, porque a escoliose a gente não consegue mais corrigir quando ela tá estabilizada no adulto, né? E a escoliose da criança, ela praticamente não gera sintoma. Por isso que é difícil descobrir, porque a criança não sente nada. As meninas normalmente descobrem antes que os meninos, por conta que vai lá se olhar no espelho para experimentar uma roupa, né? a menina mais vaidosa, ela começa a identificar que um ombro tá mais alto que o outro, que uma mama tá mais pra frente que a outra, que a cintura tá numa forma diferente. E aí então ela vai comunicar a mãe e aí a mãe vai levar para poder eh eh examinar e ver o que tá acontecendo e descobre a escoliose nos meninos descobre bem mais tardiamente e descobre normalmente as escolioses mais graves. é nas meninas não, a gente consegue já e descobrir as escolioses mais e eh de intensidades menores, de angulações menores, justamente porque a mulher, por ser mais vaidosa, ela acaba percebendo melhor isso no início, então a gente consegue trabalhar aí mais cedo com as meninas. Até, doutor, queria entrar nessa questão dos sintomas. O senhor comentou, né, que a escoliose dos adultos que geralmente eh que vai gerar aí algum sintoma. Esses sintomas não existem então na na escoliose do adolescente, nem na do na da criança, e dos idosos também não? Como que como que fica esse quadro nos idosos? Porque assim, ó, na criança quando ela tem o desvio da da da coluna, que é um desvio postural, esse desvio ele não ele não chega a sobrecarregar as estruturas moles, que são os nervos, os ligamentos, as estruturas que provocam dor na coluna, né? Então, a única coisa que vai ter é mesmo a o desvio postural, a estética alterada e a postura inclinada pro lado. Já no adulto, essa escoliose ela já pode eh levar a desgastes estruturas sensíveis. Por exemplo, ela pode desgastar os discos, desgastar os ligamentos e exercer pressão nos nervos. Aí sim o sintoma aparece. Então, a escoliose normalmente ela é sintomática mais paraa frente, lá no adulto. E a gente vai ter que identificar qual foi o tecido que desgastou, que levou esse sintoma, fazer um tratamento paliativo para esses tecidos e aí acompanhar, porque como a gente não consegue reduzir a escoliose mais, eu preciso acompanhar porque frequentemente essa pessoa vai precisar de ajustes, vai precisar de tratamento, porque a escoliose vai ficar sobrecarregando esses tecidos, esses tecidos ficam machucando a coluna, gerando dor. Então, no adulto, normalmente a escoliose está mais sintomática. Já no adolescente, na criança ela não não tem sintoma, ela não a criança não sente dor, né? E nos idosos também tem esse quadro de dor ou não? A escoliose do idoso, ela acontece por desgaste e o desgaste por si só pode gerar pensamento de raiz nervosa, já pode gerar eh eh alguns quadros que geram dor, né? Então, a escoliose ela se sobrepõe ao que o idoso já vai ter na coluna, que são os desgastes. Enfim, somando com a escoliose, isso pode gerar dor. Aí o tratamento vai ter que identificar o que foi que aconteceu para pra gente ver o que é possível fazer no idoso, né? Se o desgaste é muito grande, a gente não consegue fazer muito, né? Mas se o desgaste tá em grau inicial, a gente já consegue eh fazer aí um um um bom tratamento. Dr. André, vamos falar um pouquinho então dos coletes ortopédicos. eles podem ajudar de que forma, né? E como que os pais, por exemplo, eles podem eh ser orientados no sentido de qual é o melhor colete, qual médico levar, como que tem que ser todo esse processo, especialmente paraa criança e pro adolescente? O colete ele tá indicado justamente para criança e adolescente, tá indicado durante a fase de crescimento. São coletes específicos que são feitos para poder estabilizar a escoliose e a indicação do colete, ela justamente tá indicado para as pessoas, né, para as crianças, adolescentes que têm escoliose em grau dois. Quem pode fazer esse diagnóstico? Tanto o médico ortopedista como o fisioterapeuta especialista em coluna. Na avaliação física vai ser identificado que a criança ex tem um desvio importante da coluna, é solicitada radiografia, tá? Então a escoliose ela ela avaliação clínica, a gente desconfia que existe o problema. Com a radiografia nós confirmamos e medimos a escoliose, né? Então, com a radiografia, a gente consegue então fazer a medição, identificar quantos graus aquela aquela aquele adolescente tem de escoliose, se já está dentro de um grau dois, aí então é feita a confecção do colete. A criança vai usar esse colete a priori o dia todo. Ela tira o colete para dormir e para para tomar banho, enfim, pr pr pra higiene, mas usa o colete o dia todo. E acompanhamos essa escoliose a cada 6 meses. O colete visa o quê? freiar a escoliose no grau dois, não deixar ela evoluir pro grau três. Algumas pessoas reduzem a a o grau de escoliose usando o colete, mas o objetivo principal dele não é esse. O objetivo principal dele é estabilizar essa curvatura e não deixar ir para um grau três, que já é aí é um grau cirúrgico. E aí a cirurgia de escoliose é uma cirurgia extremamente agressiva. Eh, doutor, falando um pouquinho ainda desses coletes, eles são prescritos então pelos médicos, né? Não é a pessoa que sai comprando aleatoriamente. É isso. É isso. Esse colete ele precisa ser prescrito, porque esse colete ele é personalizado, né? Então você com a radiografia em mãos, a medição da radiografia, identificando quais são as vértebras que estão envolvidas na escoliose, a gente faz a prescrição do colete com uma precisão muito grande. Então o colete deve exercer pressão especificamente neste nível, se é um colete de três pontos, de dois pontos, dependendo do tipo de escoliose que a criança tem. Então ele é feito sob medida. Tá? Então tem que fazer um molde da da criança. O colete é feito extremamente sob medida e na na na posição correta paraa escoliose especificamente que aquela criança tem. Eh, doutor, até achei muito interessante o que você comentou, né, que a escoliose ela pode afetar outras partes do corpo, né, afetar aí a função pulmonar, até o coração. Acho importante a gente explicar isso aqui pra população entender que é um assunto que às vezes parece que não tem tanta importância, né? Ah, mas é um problema na coluna, logo resolve ou, né, é só fazer fisioterapia. E não é bem assim, né? a gente sabe que é um problema que afeta inclusive outras partes do organismo, né, doutor? Porque assim, a grande maioria das escolioses são escolioses pequenas, grau um, que nunca vão levar a problemas mais sérios, mas ela precisa ser acompanhada porque é uma escoliose que chega num grau três, ela começou pelo grau um. Então a gente precisa acompanhar essa escoliose. Então uma criança que tem escoliose não pode ser negligenciado o acompanhamento. Uma vez identificada uma escoliose pequena, gra, inicia-se o tratamento, mas o acompanhamento radiológico deve acontecer a cada 6 meses para eu ter certeza que essa escoliose não tá crescendo, não tá aumentando. Como ela entorta todo o nosso corpo, além de prejudicar as funções da coluna, ela prejudica tudo que tá preso na coluna, ou seja, todos os nossos órgãos. Então, um pulmão vai ficar mais apertado, amassado que o outro. Ela, a coluna, ela se curva sobre o coração, podendo exercer pressão, dificuldade eh cardíaca. Ela muda a posição dos órgãos. Então, eventualmente o intestino pode funcionar de uma maneira diferente, numa escoliose muito grave. O aparelho reprodutor feminino, úteros, ovários podem estar em posições eh alteradas. Ela pode sim exercer a alterações funcionais para outras estruturas. Correto? Que isso não é a regra, tá? Isso é exceção. Isso acontece na numa minoria muito muito grande, mas nós precisamos acompanhar porque se a escoliose ela avança por um grau três, a correção cirúrgica é importante justamente para evitar que ela continue sobrecarregando outras estruturas do corpo. Até por conta mesmo, né, doutor, de uma questão também de autoestima do paciente, as meninas, por exemplo, né, se esse grau avança, isso prejudica também a imagem da pessoa, a qualidade de vida, não é mesmo? muito, muito mesmo, porque a escoliose além de deformar a coluna, ela deforma também as costelas. O gradio costal fica deformado. Então, um lado as costelas ficam mais para trás, no outro lado a costela fica mais pra frente. Então, nas meninas que a gente tem a mama posicionada ali na frente do tórax, essas mamas vão ficar assimétricas. Uma mama vai ficar mais pra frente, a outra vai ficar mais para trás. Muitas vezes as mamas ficam com tamanhos diferentes. Isso incomoda muito as meninas. A cintura de um lado fica mais reta e do outro lado fica mais acinturada. Então essas meninas elas têm vergonha de usar um biquíni ou uma roupa que mostre o abdômen. Então elas elas acabam se escondendo, cobrindo isso com mais roupas. Isso mexe muito com com a autoestima da da das meninas, muito mesmo. Então, além de afetar organicamente, né, a a pessoa que tem escoliose, ela pode também afetar psicologicamente algumas pessoas por conta dessas assimetrias e dessas alterações estéticas. Exatamente. Tanto é que existem campanhas também de conscientização sobre esse tema, né, alertando aí a comunidade sobre essa doença, sobre eh como é importante fazer o diagnóstico precoce também. É isso mesmo. Assim, que eu que eu recomendo a todas as famílias é para as crianças atividade física. Isso é muito importante, se movimentar, não deixar a criança ficar sentada no computador, no videogame, mais que uma hora por dia. Isso a própria OMS estabelece, tá, que crianças em fase de crescimento não deve ficar mais de uma hora por dia em atividades sentadas. aos professores nas escolas que entre as aulas eh estimulem as crianças a levantar, a se movimentar, evitando de dar três, quatro aulas na sequência com aquela criança sentada por horas. Então, a cada 40, 50 minutos, a criança precisa levantar. Levantou, abaixou, levantou, deu uma volta na cadeira, se movimentou um pouquinho, senta e segue, né? Isso é muito importante, a criança evitar de ficar muito sentada. E no contraturno da escola, atividade física, exercício. E as mães e os pais ficar de olho nas crianças, acompanhar, porque eles que vão perceber. E o teste que eles podem fazer em casa para tentar descobrir se a criança tem algum problema ou não é colocar a criança de pé, falar pra criança alcançar o chão, mantendo os joelhos esticados, como se fosse fazer um alongamento. E aí os pais olham a coluna da criança por cima, por trás dela. Os dois lados da costelas, eles têm que estar na mesma linha. Se quando a criança tá curvada pra frente, eu noto que uma costela tá mais elevada que a outra, isso é um sinal que existe um desvio na coluna. Aí ela pode levar pro profissional pra gente fazer a radiografia e poder então concluir o diagnóstico se existe essa criança tá desenvolvendo um processo de escoliose. Ah, é muito interessante essas dicas, né, doutor? Eu acho que é até uma forma de orientar mesmo, né, as famílias, os pais sobre o que fazer. Então, falando disso, é possível a gente prevenir a escoliose? Então, é possível prevenir eh a evolução dela, prevenir o acontecimento da escoliose é muito difícil, porque a gente tá falando de uma doença que 80% da causa a gente não conhece. Então, do que a gente conhece, a gente tenta fazer o máximo possível, se cercar do máximo possível de cuidados para evitar que ela apareça. E o que a gente pode fazer no adolescente é exercício físico, tá? Aí, uma vez identificada a escoliose, nós vamos buscar por outras causas conhecidas. se identificarmos, trataremos essa essa essas outras causas em conjunto. Eh, mas na grande maioria a gente não acha causa nenhuma. Então, a gente vai ter que tratar a escoliose sem conhecer a causa, com exercícios específicos, atividades de fortalecimento, eh, na grande maioria das pessoas que tm uma escoliose gra. Eh, doutor, vamos entrar um pouquinho na parte do diagnóstico. Eu sei que você já comentou sobre radiografia, mas como que se dá o primeiro passo aí, né? a pessoa, os pais descobriram aí que a criança tá com um problema na coluna, levou pro médico. Qual que é o primeiro passo que o médico faz para dar o diagnóstico? Então, o primeiro passo, tanto o médico quanto o fisioterapeuta, tá? Então, o primeiro passo é pedir a radiografia. Então, com a radiografia em mãos, a gente tem ali a a presença da escoliose, a gente vai fazer a medição para ver quantos graus essa escoliose tem para daí classificar essa essa essa essa criança em grau um, dois ou três. A partir dessa classificação vai nascer o tratamento. Se é um grau um, exercício, um grau dois, exercício mais colete. Grau três, cirurgia. Mas o diagnóstico ele é um diagnóstico extremamente simples, aparentemente simples, é uma radiografia, mas vale muito a gente salientar que não é qualquer radiografia, tá? Então a criança quando for fazer a radiografia paraa escoliose, é importante que a radiografia seja feita de pé, nunca deitada. E a gente vê um número muito grande de radiografias que é tirado deitado. Radiografia que é tirado deitada não vale paraa avaliação postural. Paraa avaliação postural precisa estar de pé. Então a radiografia tem que ser feita de pé. Esse é um ponto bem importante, descalço, tá? Então, tirar o calçado com a com os pés no chão feita a radiografia. Se a criança usa óculos, é importante fazer a radiografia com os óculos e não sem os óculos, né? Então, é uma radiografia que tem, ela é muito específica para dar pra gente uma precisão do diagnóstico, porque às vezes fez a radiografia deitada, apareceu uma escoliose, mas a criança nem tem escoliose, ela só deitou torta, entende? Então o exame ele é simples, mas ele precisa ser bem feito para que a gente tenha um diagnóstico preciso e aí entrar com tratamento preciso. Senão pode até acontecer um diagnóstico errado, né? Tratar uma escoliose que nem existe. É, que não existe. Isso acontece bastante, viu? Os falsos positivos. né? Então o exame mostra uma escoliose, tá tratando, aí quando vem pro consultório a gente vai avaliar, fala: "Nossa, mas seu filho não tem escoliose, né? Vamos fazer essa radiografia de novo, desse dessa maneira". E aí vem e fala: "De fato, ele não tem". Então foi uma radiografia que foi tirada equivocada e gerou um diagnóstico equivocado e a partir daí um tratamento equivocado. Existe medicação, a pessoa tem que tomar algum analgésico aí paraa dor, né? Quando tem um sintoma. E depois queria que o senhor comentasse sobre a cirurgia, como que ela é feita. Eh, o senhor já disse que ela é bem invasiva, né, bem complicada. Como que se dá todo esse processo do tratamento? Então, pro adolescente que não sente sintoma nenhum, o tratamento basicamente são os exercícios, né? Agora, quando a pessoa já sente dor, né? Então é um adulto, é um idoso que tem dor e escoliose, nós precisamos fazer assim um diagnóstico diferencial, entender assim, é ter uma escoliose, o que mais além da escoliose essa pessoa vai ter, porque ela pode ter uma escoliose e uma hernia de disco, ela tem dois problemas na coluna, né? Ela pode ter uma escoliose e uma artrose importante. Então, a gente vai tratar os problemas que aparecem. Esses, isso pode ser feito com medicação, isso pode ser feito com tratamento específico de de fisioterapia, tratar a causa dessa dor do paciente para que o paciente tenha a coluna mais funcional possível. Às vezes, até na maioria das vezes, a gente consegue eliminar a dor, tá? Mas a escoliose permanece. Por isso, a gente tem que então ter um acompanhamento com esse paciente. Quando ele vai para grau três e precisa da cirurgia, eu não sou cirurgião, mas a gente aqui acaba atendendo pacientes que fizeram cirurgia, né? Mas a cirurgia era uma cirurgia extremamente agressiva. É um é um corte que abre a coluna inteira do paciente, ou seja, do pescoço até a bacia. E são colocadas astes metálicas que podem serstes rígidas, astes flexíveis, depende do tipo de cirurgia. E vai então desentortar essa coluna o máximo que consegue com ases metálicas, né? Então uma cirurgia bem agressiva. A criança que submete a uma cirurgia, ela também não tem a escoliose totalmente revertida. Ela entra pra cirurgia lá, por exemplo, com 35º de escoliose e aí o médico na cirurgia vai ver o quanto que ele consegue desentortar, qual é o máximo que ele consegue desentortar. Então, às vezes ela de 35 vai para 25, às vezes de 35 vai para 30, ele desentorta o que consegue e aí costura a coluna. Então, além das assimetrias que vão ficar, né, que a gente comentou de mama e tudo mais, ainda vai ter uma cicatriz nas costas inteira. Então isso abala mais ainda, né, as as meninas. E a cirurgia ela é o de fato o último recurso. Poucos pacientes precisam a cirurgia, mas quando chega num grau três é indicado por conta, nós comentamos os riscos para outras estruturas importantes do nosso organismo. Eh, doutor, e como o senhor disse, né, essa cirurgia, ela é uma cirurgia arriscada paraa criança, pro adolescente, até pro adulto, né? Toda a cirurgia envolve risco, tá? Então, eh eh o risco inerente da cirurgia, né, anestesia, infecção hospitalar, então toda cirurgia é uma cirurgia que tem um risco maior. Essa cirurgia ela não corre risco, a a o a o ato cirúrgico em si, risco de vida nenhum, né? Mas é uma cirurgia agressiva, né? Não é uma cirurgia arriscada à vida, mas é uma cirurgia agressiva para pr pra coluna do paciente, mas necessária, né? Ela é de fato quando chega nesse ponto, ela é necessária. Agora, em termos de risco, é o risco inerente da própria cirurgia, de qualquer outra cirurgia. Qual que é o tempo ideal assim de internação para fazer essa cirurgia e o pós-tratamento, né? Como fica o paciente? O tempo de recuperação é longo? Então, como eu não sou cirurgião, né? Isso é muito específico do próprio cirurgião, né? Então, o quanto tempo vai ficar internado, qual como que vai ser esse pós-operatório em hospital, isso assim é é muito específico. A gente recebe o paciente já depois da alta médica, então toda o processo de cicatrização da da pele já bem feito, a as metálica já bem bem fixada, bem integrada. Então, quando o médico observa que já venceu essa etapa da cicatrização do procedimento cirúrgico, ele libera esse paciente então pra volta do exercício, pra volta da fisioterapia. Isso às vezes pode se dar 60 dias depois da cirurgia, 90 dias depois da cirurgia, depende do caso, depende de de como foi o processo de recuperação da da pessoa, né? Mas isso é muito específico, daí na avaliação porque é muito muito individualizado isso, né? Por exemplo, ó, uma pessoa que vai fazer uma cirurgia de coluna e é fumante, ela tem um prognóstico de recuperação bem maior do que um que não é fumante, né? Então assim, tem alguns detalhes aí que podem e influenciar nessa recuperação. Dra. Andra, além da cirurgia, né, que é um o aí o último recurso aí pro tratamento, existem existem outras alternativas, por exemplo, RPG, várias sessões de fisioterapias, alguns exercícios específicos que que podem ser aliados nesse tratamento. Sim, o exercício ele sempre vai entrar aliado no tratamento da escoliose, né? E agora, quais exercícios? Existe uma imensa modalidade, né, desse exercício, como você citou, o RPG é um tipo de exercício que trabalha a coluna, o Pilates é um tipo de exercício é que trabalha a coluna, o ISO stretching, a própria academia, os exercícios funcionais. Então assim, tem várias modalidades de de exercício paraa coluna. Eh, o que o que é importante é que esses exercícios sejam muito bem específicos. Então, uma pessoa que tem uma escoliose em C concavidade à direita, ela não pode fazer o mesmo exercício de uma outra que tem uma escoliose em S, né? Então, a especificidade do exercício, ela é muito importante. Então, o profissional que vai avaliar essa essa essa criança, esse adolescente, né, essa pessoa com escoliose, ele tem que prescrever um exercício específico e especializado. Ela não pode entrar em grupos. Ah, então eu comecei a fazer lá um pilates em grupo, todo mundo fazendo a mesma coisa. Não, isso é um exercício inespecífico. Ela precisa de coisas muito bem específicas. Então, estudar a imagem, entender a escoliose, entender para que lado é essa escoliose e entrar com os exercícios bem específicos. Isso é muito importante. Agora, a modalidade de exercício é vai muito do da da disponibilidade da pessoa. Por exemplo, o RPG é uma vez por semana, pilates são duas ou três. Então, depende muito daí da disponibilidade da pessoa e como que ela vai ajustar isso. Mas o exercício ele é aliado da do tratamento em praticamente todas as escolioses. Tá certo, doutor? Agora o senhor, né, como um fisioterapeuta, eu gostaria que o senhor passasse aqui algumas dicas, né, pro pessoal que tá em casa acompanhando como que a gente pode manter a coluna saudável, né? Dicas de como manter a postura, como sentar corretamente, deitar também, né, na hora de dormir muita gente aí se atrapalha, dorme de uma dorme de uma forma bem errada, né? Como que a gente pode preservar ao máximo a nossa coluna? Isso é muito importante. Cuidar bem da coluna é a grande prevenção. Então assim, o cuidado começa assim, ó, tomando água, né? Então assim, 80 85% do nosso disco é água. Então ele tem que tá bem hidratado. A gente tem que ter um consumo de água ao longo do dia. Isso é muito importante. Cuidar das questões ergonômicas, posturais. Então assim, não adianta você ter uma boa cadeira e sentar torto na cadeira. Você tem que sentar encostado, os pés apoiados no chão, o encosto da cadeira apoiando a sua coluna, não ficar mais do que 45, 50 minutos sentado, sem levantar. Quem trabalha de pé, um bom calçado que tá saltos muito muito alto, eh, um calçado que assim que dê um suporte melhor, não ficar mais do que 45, 50 minutos de pé, procurar sentar para para descansar. Isso isso são coisas muito importantes com relação a deitar, né? às vezes investe num bom colchão, mas deita todo torto. Então, cama ela não é feita para estudar, para ler, para assistir televisão. Então, aquela pessoa que deita na cama e coloca três, quatro travesseiros para poder ficar com a cabeça alta assistindo televisão, isso é péspa coluna. Pessoa que deita na cama e vai ler, vai usar o computador, notebook deitado, que inclina o tronco pra frente. Então, bota lá o travesseiro numa medida mediana aí, mais ou menos a a o comprimento do do teu ombro, deita de lado, bem acomodado, evita de você de ficar muito encolhido, muito torto na cama, tá? de fazer atividades na cama que não sejam e de fato deitar e e dormir. Eh, e assim, o que é unanimidade científica, que é o melhor, a melhor coisa para prevenir doenças de coluna, a atividade física. A atividade física é assim de disparadamente, cientificamente, o que é mais indicado pra prevenção de problemas de coluna é manter o seu exercício, manter a musculatura profunda bem fortalecida. Isso vai dar mais sustentação para você de pé ou sentado, vai eh ajustar melhor a sua postura e manter a sua coluna mais saudável. O exercício é uma ferramenta essencial na prevenção eh dos problemas de coluna. É isso. Não só paraa coluna, né, doutor, para qualquer doença. É, acho que o exercício, né, é válido para tudo, né, para melhorar tudo, tudo, tudo. O exercício é assim, ó, tem que tá na nossa rotina, né? Então eu quem quem tem exercício na rotina, eu falo assim: "Olha, eh vai ter menos gasto com remédio lá na frente". Então prefira investir numa mensalidade de uma academia do que numa mensalidade de remédio lá pra frente. Então o exercício ele é a grande prevenção eh de problemas e assim, sem dúvida nenhuma também cuidar da saúde emocional, né? Então, uma pessoa que tá emocionalmente abalada, a postura dela tá modificada. Uma pessoa triste, ela tem uma postura característica, né? uma uma pessoa feliz tem uma outra postura característica. Então assim, é tudo muito interligado. A postura, ela se conecta com várias partes do organismo, várias várias questões do organismo, né? Então as questões emocionais são de fato também importantes paraa prevenção, porque os os problemas emocionais eles afetam a nossa postura. Doutor, pra gente começar a encerrar então o nosso programa para as crianças, a recomendação aí para dar uma orientação pros pais, essa eh essa orientação para preservar a coluna, basicamente já é o que você falou ou tem alguma adaptação necessária para esse público do dos das crianças e dos adolescentes? É, crianças e adolescentes estão em fase de crescimento, a gente precisa cuidar muito com excesso de carga. Então, por exemplo, a criança faz academia, faz musculação, então ela tem que ter um acompanhamento, porque ela não pode usar cargas muito pesadas nos exercícios, né? Isso interfere no crescimento ósseo. Então, eh, tem que acompanhar, então, o exercício físico acompanhado como profissional para não exercer esse tipo de coisa. Eh, cuidado com postura sentada, oferecer paraa criança um bom ambiente ergonômico em casa, sofá, computador, altura de mesa, para ela ter para que ela tenha uma boa ergonomia e estimular o exercício físico. Pros adultos, para as pessoas que têm escoliose e t dor, é importante fazer uma consulta para identificar por é que ela tá tendo a dor. Identificar o problema, tá, né, que tá gerando dor e aí formular um tratamento personalizado para para essa pessoa. Então, tem dor, não mascara a dor com medicamento. Vá procurar ajuda pra gente entender o que que tá causando essa dor, para daí a gente tratar a origem do problema e não ficar tratando somente a a o sintoma. Com certeza. E pra gente encerrar, gostaria que o senhor falasse algumas dicas também pros idosos aí manter a coluna mais saudável. A gente sabe que com a idade a questão da coluna começa a pegar mais, né, não é mesmo? Então, acho que é importante também a gente falar com esse público e falar o que que eles precisam fazer para melhorar também essa questão da postura e evitar também um grau aí mais elevado da escoliose. É muito importante. Com a idade as articulações vão desgastando e o idoso ele vai se tornando mais rígido. Então ele não tem mais a mesma mobilidade que uma pessoa mais jovem, né? Tanto os joelhos, quadril, a coluna também ela fica mais rígida. Então, pro idoso é muito importante exercícios de mobilidade, sabe? Ganhar movimentos, inclinar para um lado, inclinar pro outro lado, para frente, para trás. Eh, a água quente que ajuda a relaxar a musculatura. Então, se tem se tem eh se tem como eh ir para uma piscina aquecida, fazer exercício de mobilidade lá dentro ou então em casa mesmo, embaixo do chuveiro, colocar o cabinho de vassoura aqui na atrás dos ombros, sabe? E vira para um lado, vira pro outro. exercícios lentos e suaves de mobilidade, dão bastante conforto paraa coluna do idoso, tá certo? Então, eu agradeço muito a sua participação aqui no Saúde é Vida. Muito obrigada pela sua disposição e por compartilhar todo o seu conhecimento. Eu que eu que agradeço e fico à disposição aqui a a e para as pessoas aí que tm problema de coluna, procurem sempre a ajuda de um especialista, evitem automedicação, evitem tratamentos. não tem o cunho científico para que você possa melhorar o mais rápido possível. E obrigada pelo convite também. O Saúde a vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música] la [Música] Yeah.