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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje o tema é esclerose múltipla. Mas antes eu tenho um recado para você que para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema para o nosso programa é bem fácil, é só você ir entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Segundo o Ministério da Saúde, a esclerose múltipla é uma das doenças mais comuns do sistema nervoso central, afetando 2,8 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla estima que cerca de 40.000 brasileiros convivem com a doença. Depois de doenças neurológicas decorrentes de traumas, de acidentes, a esclerose múltipla é a maior causa de incapacidade neurológica em adultos jovens. E para falar sobre esse tema, o convidado do programa de hoje é o neurologista do Hospital Sírio Libanês, Pedro Torreta. Pedro, eh, muito obrigada pela sua participação aqui no nosso programa no Saúde à Vida. Eu que agradeço oportunidade. Eh, doutor, pra gente começar então explicando pro pro pessoal de casa, eh, eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho, né, de uma forma bem geral, o que que é a esclerose múltipla. [Música] Olha, a esclerose múltipla ela é uma doença autoimune, tá? O que acontece na esclerose múltipla é que o nosso corpo ele passa a identificar eh eh proteínas eh eh substâncias presentes na na bainha de mielina que compõe nossos neurônios, como eh eh um agente externo, como agente infeccioso, algo que tem que ser combatido. E aí ele monta uma resposta inflamatória que acaba agredindo essas estruturas, tá? E e quando isso acontece, isso leva a formação de áreas de desmelinização no cérebro, né? Inicialmente a lesão apenas dessa bainha de mielina, mas eventualmente em casos de inflamação mais crônica, eventualmente pode ter até lesão do próprio neurônio que passa por dentro dessa bainha também, tá? E como toda doença autoimune, ela tende a ocorrer em surtos de atividade, né? Então, a pessoa tá bem, ela desenvolve um sintoma neurológico que se instala geralmente em mais de 24 horas. Então, percebe às vezes uma fraqueza, uma alteração de sensibilidade que geralmente evolui progressivamente durante esse intervalo de pelo menos 24 horas. E eh, essa esse esse sintoma ele tende a perdurar durante um período que pode variar de algumas semanas e muitas vezes ele até tem uma melhora depois de algum tempo, tá? pela pela melhora da atividade inflamatória, mas o efeito da inflamação tá lá no cérebro, né? Ele continua lá. Tá certo do Ah, pode continuar, por favor. Não. E e e isso é a fase mais inicial da doença, né? Que é a fase que a gente chama de recorrente remitente, que é a essa fase e é eh mais inflamatória, né, da esclerose múltipla, né? pessoas às vezes que não tem um tratamento adequado um diagnóstico precoce, por exemplo, eh tem uma chance maior às vezes de evoluir por uma forma depois um pouco mais progressiva, que aí sim é um pouco mais difícil de tratar em fases mais avançadas. Eh, doutor, e quem que tá mais sujeito a desenvolver essa doença? são os homens, as mulheres, os mais jovens, os adultos. A a população de risco maior, né, para para desenvolver esclerose múltipla são mulheres jovens entre 20 e 30 anos, tá? O que não significa que pessoas mais velhas na faixa etária dos 40, 50 anos, às vezes a gente vê iniciar em manifestações da doença e e homens também pode desenvolver, tá? Mas o pico de incidência entre 20 e 30 anos, tá? É possível desde a faixa etária pediátrica, né, manifestações, né, ali, às vezes do início da adolescência, geralmente até até os 40, 50 anos é possível iniciar manifestações relacionadas à doença, tá? É, e doutor, já se sabe porque as mulheres têm essa maior tendência para desenvolver a esclerose múltipla? Eh, é uma é uma pergunta, mas suspeita-se que alguns fatores hormonais estejam envolvidos com isso também, né, com esse risco um pouco aumentado das mulheres, né, e alterações na na resposta imunológica, né, entre o sexo masculino e feminino também pode ter uma participação nisso, tá? Mas o por exatamente as mulheres têm essa tendência um pouco maior, não é algo que é totalmente esclarecido, tá? Eh, doutor, já se sabe qual a causa da dessa doença crônica? eh uma um avanço grande que teve agora, né, a a em torno de 2020, 2021, é que eh entendeu-se que para desenvolver esclerose múltipla era muito importante ter um contato com um vírus que é muito comum na população, quase todos nós vamos ter contato com esse vírus eh eh uma vez na nossa vida que chama epistem, tá? E o que acontece é que esse vírus ele a gente tem contato com ele, ele causa uma doença eh eh que pode ser na infância, geralmente na adolescência, de eh que parece um um resfriado, às vezes um resfriado um pouco mais prolongado, aquilo que se chama de mononucleose, né? um quadro de faringite muitas vezes. E para algumas pessoas esse vírus ele pode se alojar dentro eh eh eh dos neurônios, né, dessas células e e ela ele muda a forma que essas células se comunicam com o nosso sistema imunológico, com o nosso sistema de defesa do organismo. E e muitas vezes essa essa mudança pode levar ao desenvolvimento de esclerose múltipla não no contexto da infecção pelo vírus, mas muitas vezes 5, 10 anos depois a pessoa às vezes pode começar a manifestação. não é que há uma preocupação em relação a essa exposição, porque isso até que é algo que é muito difícil da gente controlar, porque é um vírus que circula e quase toda a população acaba tendo esse contato com vírus em algum momento da vida, mas eh eh sabe-se que eh eh essa exposação ela é importante dentro da sequência de ventos que leva ao desenvolvimento da esclerose múltipla, tá? Agora, não é nem de longe, é uma proporção muito pequena das pessoas que têm exposição a esse vírus que vão desenvolver manifestações relacionadas a doença, tá? Eh, eh, eh, como eu disse, pelo fato da exposição ser muito frequente, né, eh eh precisa ter uma série de outras condições para que comece o processo inflamatório e e leve a formação dessas áreas de desmilenização, tá? Eh, doutora, essa a esclerose ela pode ter pode ter diversas formas. Qual que é a forma mais comum que mais acomete aí a população brasileira e até mundial, né? Então, a forma mais comum essa forma remitente recorrente, né, como eu mencionei, que é a forma inflamatória, que é a forma do adulto jovem, tá? E aí que ela tende a se comportar mais como uma doença autoimune mesmo, né? Porque o que acontece é que a pessoa tá bem e eventualmente começa essa atividade inflamatória, forma áreas de desmilinização e quando essas áreas de desminização têm localizações importantes do nosso cérebro, isso leva ao desenvolvimento às vezes de uma fraqueza, uma alteração de sensibilidade, uma dificuldade de marcha, às vezes uma perda visual, né, nourite óptica que também é e é uma forma de surpo. E isso pode evoluir de um intervalo que, como eu disse, vai de pelo menos 24 horas. É, é até em torno de algumas semanas, às vezes as mesas de um sintoma que permanece. Depois, geralmente esse sintoma, ele tem uma recuperação que geralmente é parcial, não há uma recuperação completa, tá? E esses surtos eles vão se acumulando ao longo do tempo, né? Quando a pessoa não faz um diagnóstico apropriado nessa fase, é que essa atividade inflamatória vai se acumulando, esse processo inflamatório, ele ele vai eh eh se intensificando no cérebro e muit e quando eh eh muitas vezes perde o momento adequado da questão do de inicial de fazer o diagnóstico inicial tratamento, isso pode evoluir depois para uma segunda fase, que é a outra forma de esclerose múltipla que chama secundariamente ente progressiva, tá? Que é evolução dessa forma remitente, recorrente, sem tratamento, tá? E nessas nessa segunda fase, a pessoa ainda às vezes pode ter surto, mas ela começa a ter às vezes uma piora neurológica que vai evoluindo ao longo do tempo, né? Que piora progressivamente, não piora eh eh de forma súbita e melhora como o o o surto da doença, tá? É, e desculpa, pode continuar, não pode continuar a o raciocínio. Uhum. né? E só comentar que existe uma terceira forma que é uma forma mais rara, que algumas pessoas às vezes podem começar com essa forma progressiva. Eh, eh, isso acende acontecer mais em homens, homens de uma idade um pouco mais avançada, que às vezes pode começar de uma forma mais progressiva desde o início da da doença, que é forma primariamente progressiva, tá? Mas isso ainda bem é uma forma mais rara, né, de de início início da doença. Eh, Dr. Pedro, quais são os sintomas típicos da esclerose? Acho importante a gente falar um pouco disso também até por uma questão de alertar, né, a população, as mulheres, né, principalmente, porque muitas vezes esses sintomas também podem podem ser confundidos com outras doenças. Então é bom a gente, né, fazer esse esse esse alerta aqui. Não, sem dúvida. A as formas os o sintoma mais comum, né, os sintomas mais comuns de surto é alteração de sensibilidade, né, alteração de força motora. Eh, nem sempre, mas esses sintomas eles tendem a ser lateralizados. Então, é uma fraqueza numa perna que às vezes evolui por braço do mesmo lado, é uma alteração de sensibilidade que às vezes começa também no membro e às vezes acaba pegando o corpo inteiro ou parte, né? Eh, às vezes alteração de equilíbrio e marcha pode acontecer também alterações de coordenação motora, né? e eh dificuldade de coordenação às vezes para pegar objetos, para caminhar, por exemplo. E uma outra forma de surto bastante comum é neurite óptica, que é o acometimento visual de um molho. É uma baixa da cuidade visual. Eh, eh, não é aquele embaçamento de visão, né, que às vezes a gente tem que é comum. é uma piora mesmo que impede às vezes de ler eh eh letras pequenas, as cores ficam mais claras, a gente perde essa definição de cores, frequentemente tem dor a movimentação ocular também, né? E e uma coisa muito importante que a gente vê, porque muitas vezes a gente vê as pessoas eh eh com às vezes com receio de algum surto por um sintoma, às vezes um formigamento às vezes que deu numa mão que veio e foi embora, por exemplo. Isso não é surto de esclerose múltipla, tá? Eh, eh, para, pra gente pensar como um surto tem que ser um sintoma neurológico que se instala e evolui durante esse intervalo mínimo de 24 horas. Menos que isso, pouco provável que que se trate de algo relacionado, tá? É importante esse esclarecimento, né? Porque às vezes as pessoas ficam até apavoradas, né? Como o senhor disse mesmo, essa esse formigamento muita gente já teve, né, nos pés, nas mãos. Sim, todos nós temos, né, formigamento. A gente apoia o braço às vezes de um determinado jeito, dorme, né, em cima do braço, numa posição, é comum ter formigamento, isso é algo habitual. A diferença é que é um sintoma que se instala e geralmente evolui durante pelo menos 24 horas. E na verdade para ele se instalar totalmente, geralmente o intervalo que demora mais de uma semana. Eh, doutor, existem fatores que podem piorar o quadro da esclerose, podem intensificar, né, na verdade, os sintomas? Eh, eh, sim, existem uma série de fatores. Eh, a gente sabe que pessoas às vezes que tem obesidade, tabagistas, né, pessoas às vezes que têm um controle ruim, eh, eh, do ponto de vista cardiovascular, eh, tem uma chance eh eh tender ter uma evolução pior da doença eh eh ao longo ao longo do seu curso, né? Eh, e algumas existem alguns outros fatores protetores também, como realização de atividade física, por exemplo. Eh, eh, ter níveis adequados de vitamina D é algo que a gente procura buscar nas pessoas que têm risco, né, para desenvolver a doença. Embora esse efeito da vitamina D seja pequeno, é algo que a gente gosta de deixar eh eh dentro dentro dos níveis recomendados, mas a a eh para as pessoas que têm esclerose múltipla, o mais importante é ter hábitos de vida saudável. O que eu costumo às vezes explicar paraas pessoas, pros pacientes, é assim, quando eh eh a gente pensa ao longo do nosso processo de envelhecimento, eh a gente imagina que a gente vai ter dificuldades motoras, às vezes necessidade de algum apoio ou alguma coisa numa idade mais avançada, né? E e quem tem esclerose múltipla tem um um outro fator, né, que às vezes pode levar a ao desenvolvimento de incapacidade de uma forma um pouco mais precoce. Então, o que a gente pode fazer para retardar isso tanto pelo nosso envelhecimento normal quanto pela doença, a gente tem que fazer. E isso geralmente dá muito certo, né? A gente vai falar ainda um pouco sobre as estratégias de tratamento, mas com as possibilidades de tratamento atuais para controlar essa atividade inflamatória mais do início da doença, eu tendo atos de vida saudável, atividade física, né, uma boa constituação ósteomuscular, eh eh eh alimentação saudável, isso ajuda muito ao longo do controle, né, ao longo dos anos, né, e e e e permite uma manutenção de funcionalidade muito melhor. Eh, entrando um pouquinho agora no diagnóstico, né, Dr. Pedro, como que ele é realizado até para que a esclerose seja detectado quanto antes, né, e o comércio e o tratamento adequado. Então, o o em primeiro lugar, acho importante falar, você comentou, né, que há uma estimativa em torno de 40.000 eh eh brasileiros com a doença, pode ser um pouco mais, um pouco menos, mas não é e é é uma doença que não chega a ser rara, mas não é uma doença que a gente tem aquela preocupação de fazer às vezes um um exame para saber se eu tenho, por exemplo, assim, não eh eh eh a chance de você fazer, né, um exame complementar sem sintomas, sem um quadro clínico sugestivo e vir com alterações de esclerose múltipla é mínima, tá? Agora, eh, eh uma pessoa que teve realmente, ah, um histórico de formigamento que durou algumas semanas e melhorou e aí vem com quadro às vezes de pior visual, uma alteração de força, a gente tem suspeita que isso possa ser um surto de desminização. Aí essa pessoa, ela vai fazer uma uma ressonância magnética, né, que é o exame que é o exame inicial. Eh, se a ressonância magnética for normal, praticamente excluída a a doença, tá? Eh, a questão é que às vezes a ressonância vem com lesões, com uma distribuição característica, né, de um uma aparência característica que permite eh eh a gente ter uma suspeita um pouco mais forte. E aí, geralmente, nem sempre, mas geralmente é feito um exame de líqua para complementar eh eh eh a investigação diagnóstica, né, para para ver eh eh se existe uma inflamação, né, dentro do sistema nervoso central, que é algo que que a gente consegue estabelecer através desse exame. E e é de acordo com a com a aparência dessas lesões, quantidade, resultado do licorro, aí pode ser que a gente chega ao diagnóstico da doença, né, que estabeleça esse diagnóstico de forma definitiva. É, até recentemente, doutor, uma modelo recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla, mas ela disse numa entrevista que havia confundido sintomas com menopausa. Então eu achei isso bem interessante, né? Porque olha só como que esse quadro ele pode ser confuso, né? Tanto pro paciente, às vezes até pro médico mesmo. Sem dúvida, sem dúvida. E, eh, e o que é curioso é que um dos sintomas até mais incapacitantes da esclerose múltiplo para que os pacientes se queixam mais, é, é, é uma sensação de fadiga, uma sensação de cansaço muito importante que, assim como a menopausa, ela tende a piorar em ambientes quentes, situações de aumento de temperatura corporal, às vezes um quadro infeccioso leve, um quadro gripal. Mas eu diria assim, eh óbvio que na dúvida é sempre bom procurar o neurologista conversar, mas eu diria assim, de forma geral, é eh é eh você ter só a sensação de fadiga, só a sensação de cansaço sem os outros sintomas associados, é muito pouco provável pensar no diagnóstico de esclerose múltipla, né? Fadiga algo muito mais comum, né, do que do que a esclerose múltipla, tá? Mas é de fato há alguns sintomas sim que podem podem passar desapercebidos e lembrar uma uma um sintoma de menopausa ou alguma ou ou algo semelhante, tá? Eh, doutora, a esclerose múltipla ela é hereditária? É muito pouco hereditária, tá? Por exemplo, se você pegar dois genos idênticos, né, assim, com a constituição genética absolutamente igual, eh, a chance dos dois desenvolverem a esclerose múltipla é uma chance pequena. O mesmo vale para irmãos, o mesmo vale transmissão de pai para filho, né, que eh eh costuma ser muito baixo. Então, não é que não acontece, mas é bastante raro da gente ver famílias que têm, né, e eh eh pessoas, né, várias pessoas com diagnóstico de esclerose múltipla, tá? tem algumas mutações genéticas que aumentam um pouco o risco, tá, de desenvolver a doença, mas eh eh isso na prática é algo que, por exemplo, a gente não indica realização de teste genético ou investigação complementar, porque no máximo vai aumentar um pouco o risco, não vai ser algo que que eh eh seja nem de perto determinante pro desenvolvimento da doença. Mesmo que a pessoa tenha essas essas alterações genéticas, o mais provável é que ela não desenvolva a doença em nenhum momento da sua vida. Eh, doutor, uma dúvida que surge com esse assunto e o medo também que vem acompanhado, né? Ter esclerose múltipla significa que eu vou ficar numa cadeira de rodas. Isso ainda é uma realidade nos dias atuais? Eh, eh, a a esclerose múltipla, isso vale, acho que para todas as doenças inflamatórias, né, autoimunes, mas ela tem muitas formas de manifestação, né, de de eh tem muitas formas de evolução da doença. Então, você tem desde pessoas que tiveram às vezes um surto leve e que não tem surto há muito tempo e e permanecem instáveis, permanecem dessa forma por tempo indeterminado. até pessoas que às vezes têm uma doença mais ativa ou às vezes iniciam com uma forma progressiva de uma forma um pouco mais grave, um pouco mais refratária os tratamentos de reabilitação, eventualmente tratamentos medicamentosos que possam ser indicados. Então você tem vários espectros de evolução, mas o que eu posso dizer é que eh se você muito do que a gente encontra até a gente encontra às vezes na internet quando procura, né, eh digita na internet, a gente vê dados sobre evolução, são dados bastante antigos, né, de casuísticas antigas da década de 90, do início dos anos 2000. E só para ter uma ideia, até eh a metade, né, em torno de 2004, 2005, tinham três opções para tratamento de esclerose múltipla, que eram opções que a gente chama hoje de baixa eficácia, né? Reduz em 30%, talvez a chance da pessoa desenvolver um surco, né? De lá para cá surgiram diversas outras opções. Aí a gente fala em torno de 60, 70, 80% de taxa de redução de surto. Na prática, talvez mais que isso, porque as pessoas parem de ter surto, né? Então mesmo para aquelas pessoas hoje que t uma doença um pouco mais complicada, que tem mais atividade inflamatória, frutos um pouco mais debilitantes, a gente consegue controlar bem essa inflamação. Então, eh eh ainda a gente tenta entender melhor, né? é algo que sempre é estudado, isso sempre é revisto, né? principalmente as pessoas que usam esses tratamentos de eficácia mais alta desde o início, como que vai ser evolução a longo prazo. É algo que às vezes a gente precisa de muitos anos para responder essa essa pergunta. Mas o que a gente vê é que a chance da pessoa evoluir para uma fase secundariamente progressiva, evoluir com déficit que não responda bem aos tratamentos que a gente tem disponíveis, ela é muito, muito menor. Então eu diria que boa parte dos pacientes, né, boa parte das pessoas que a gente acompanha, principalmente as que têm feito diagnóstico, né, nessas fases com maior, né, nesses momentos com maior disponibilidade de tratamento, tem tido uma vida muito mais próxima do normal. É, doutor, pra gente encerrar esse primeiro bloco, o senhor acredita que as pesquisas e os estudos com relação a esse tema estão avançando? Eh, a esclerose múltipla, ela é uma doença que eh eh ela tende a cometer eh eh até países que tem bastante tradição em pesquisa, né, e muito recurso para investimento e tem uma frequência muito alta, né, de de tem uma incidência muito alta nesses países. Então isso torna dela uma das doenças mais investigadas do mundo, né, e em relação a a a estudos em andamento, eh eh em relação a possibilidades terapêuticas em diversas linhas, tanto de medicações modificadoras de evolução de doença, eventualmente algo que a gente espera talvez uma vacina contra esse vírus, né, que a gente entende que tem uma relação com a exposição, mas isso tudo são coisas para as próximas décadas, talvez, né, da gente Mas eh eh a evolução tem sido exponencial, vamos dizer assim, né? Se a gente pegar a quantidade de medicações que a gente tinha disponível até pouco tempo atrás e o que a gente tem hoje para fazer, isso evoluiu demais nos últimos anos, né? E e eu tenho certeza que esse caminho vai vai ser continuado e talvez com opções para as pessoas que talvez perderam um pouco essa janela de controle inicial, né? A gente espera que tenha mais evoluções para esse grupo de pacientes também. Certeza, doutora. A gente vai para um rápido intervalo agora, porque no próximo bloco nós vamos falar sobre a importância do diagnóstico precoce e os tratamentos disponíveis para a esclerose múltipla. Nós já voltamos. [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde à vida e hoje falando sobre a esclerose múltipla com o neurologista do Hospital Círio Libanês, Dr. Pedro Torreta. Eh, doutor, muito obrigada, né, pela sua participação aqui conosco neste programa. Eh, agora no segundo bloco, eu gostaria que a gente falasse especificamente, né? No primeiro a gente abordou de uma forma geral sintomas, um pouquinho do diagnóstico. Agora, a importância então desse diagnóstico precoce eh relacionado aí com a qualidade de vida do paciente, o quanto é importante essa doença ser diagnosticada o mais breve possível? Eh, o essa questão do diagnóstico precoce é algo que cada vez mais a gente tem atentado, né, para para essa questão. E com o aumento da disponibilidade, né, do do exame de ressonância magnética, tem ficado um pouco mais fácil identificar pessoas num estágio mais inicial, mas a é um desafio muito grande, né, pro pro sistema de saúde reconhecer os sintomas, né, e fazer os exames complementares, né, disponibilidade de ressonância, por exemplo, eh eh no SUS ainda eh eh tá longe do ideal, né, principalmente algumas localidades. Mas a a questão do diagnóstico e diferencial, a do diagnóstico precoce, desculpa, ela é muito importante porque a gente sabe que o o efeito dessas medicações mais potentes, né, as medicações que controlam a atividade inflamatória, esse efeito ele é muito mais importante numa idade mais jovem, no início da manifestação do que depois, tá? a a a magnitude desse efeito, né, o efeito dele a longo prazo, paraa gente prevenir que a pessoa acumule atividade inflamatória e evolua para uma forma secundariamente progressiva, acaba sendo muito maior, né? Inclusive, tem estudos que foram feitos que eles compararam eh eh pessoas com diagnóstico recente, com medicações às vezes de uma eficácia um pouco mais baixa, com uma eficácia mais alta. E também as pessoas que já recebem as medicações de eficácia mais alta, né, principalmente aquelas com uma atividade inflamatória maior, logo no início, elas tendem a também a ter um curso mais brando, né, e e e uma chance menor de de acumular eh eh de acumular incapacidade ao longo do tempo, tá? Então é importantíssimo. O desafio é reconhecer o sintoma e e ter acesso ao exame de ressonância magnética para fazer o diagnóstico, né? Isso que a gente vê na prática. Eh, Dr. Pedro, agora eu gostaria que o senhor falasse um pouquinho quais são os tratamentos mais atuais e que estão disponíveis também no SUS para esclerose múltipla. eh o em relação ao tratamento, eh, existem eh eh várias opções, né? Tem tem diversas medicações disponíveis hoje, ainda bem. Eh, ainda são disponíveis aquelas medicações mais antigas, né, que seria um téfero, um acetato de glatirânio, que são medicações eh eh de administração subcutânea ou ou intramuscular. Eh, eh, e essas medicações elas acabam tendo uma eficácia um pouco mais baixo. Então, por conta disso, a gente não tem utilizado tanto na prática hoje em dia, né? O que a gente tem utilizado mais são eh eh as opções orais que aí entra o o fumarato de de metila, né, a periflunanida e e o fingolimod, né, que são opções orais de uma eficácia um pouco mais moderada, geralmente paraas pessoas que têm às vezes uma doença um pouco mais branda, né, uma atividade inflamatória que não é tão importante, um surto um pouco mais leve, mas para aqueles pacientes que a gente acha que tem um risco maior de progressão, às vezes um surto com mais déficit, uma localização de lesão que preocupe mais uma quantidade de lesões na ressonância maior. A regra geralmente tem sido logo paraa alta eficácia, né? E aí a gente vai paraas opções injetáveis, né? Que aí entra o o natalizomab, né? que foi uma medicação que eu acho que foi importantíssima, que mudou muito o panorama da esclerose múltipla quando ela começou ali em torno de 2005, né, 2006. E a e e donatalizumab eh eh era até não muito tempo atrás a única opção de altaficácia que a gente tinha e hoje tem diversas outras, pelo menos quatro disponíveis no sistema de saúde suplementar, tá? Eh, eh, em relação ao SUS, isso é algo que eu acho que ainda é um desafio, né? Incorporação dessas medicações de eficácia mais alta no SUS. Eh, eh, o natalismab tá disponível, a cladribina, que é uma opção oral, na verdade, mas que entra nesse grupo de autoeficácia, também deve ser incorporada, também deve começar a ser um pouco mais utilizada, mas o desafio é incorporar essas outras opções também para, né, porque às vezes o paciente não pode usar uma determinada medicação por conta de algum motivo, a gente tem que transicionar para outra. E hoje dentro do protocolo, da forma como ele é estruturado, ainda há alguma limitação nesse sentido, né? Alguns medicamentos são mais de custo maior, né, também. Então, muita gente não consegue ter acesso a esses remédios e o ideal seria conseguir pelo SUS, né, doutor? O ideal seria, né, o ideal seria que todo mundo tivesse acesso a todas as medicações pelo SUS por conta dessa por conta dessa do fato de que uma medicação se adapta melhor a uma determinada situação, né? Cada uma dessas existem pessoas que não toleram, não podem utilizar uma determinada medicação por algum motivo. No SUS ainda quando você chega na alta eficácia ainda e é você precisa de opções de altaficácia. Às vezes a pessoa, por exemplo, não pode usar uma telumab de forma segura por mais de 2 anos e aí você faz o quê depois, né? Ah, tudo bem, possibilidade de quadribina, ótimo. Eh, mas isso poderia ser algo que que sem dúvida tem um espaço para evolução aí, né? Agora, eh, eh, o fato de ter essas opções disponíveis já é já é uma ótima notícia, né? Isso já ajuda muito e e tem muitas pessoas que vão estabilizar e que vão continuar usando essas medicações a longo prazo. Então, doutor, o o tratamento é basicamente com medicação. Sim. Sim. Uma coisa que eu acho relevante falar é que às vezes preconiza- seesse tratamento com altas doses de vitamina D, né, para esclerose múltipla. Isso é algo às vezes que se encontra, mas infelizmente é algo que não tem uma um um embasamento científico, né? Essas estratégias elas não foram estudadas como as outras medicações. Não entende-se o tanto perfil de segurança a longo prazo quanto o principalmente perfil de eficácia, né, dessas estratégias a longo prazo, né? E, infelizmente a gente vê alguns pacientes que às vezes saíram dessa janela, né, de benefício das medicações aí sim imunobiológicas, né, com ação mais eficaz no momento ideal de controle da doença e às vezes ficaram com protocolo de tratamento de vitamina D em alta dose. Depois elas voltam com déficit maior, né, e e e só que às vezes fora daquela janela ideal de tratamento. Então, e o tratamento ele é feito com essas medicações e eh preconizadas e e eu digo que para pra grande paraa inúmera parte dos pacientes, algum isso acaba se acertando em algum momento, a pessoa acaba usando uma medicação que controla a atividade inflamatória e consegue amenizar muito a a os efeitos da evolução da doença. Eh, até gostaria de saber a opinião do doutor sobre o uso da cannabis medicinal para o controle dessa doença. Eu acho que uma coisa que a gente tem que entender é um pouco o que e a gente espera, né, eh em relação ao uso da cannabis, em relação ao controle, em relação ao manejo de sintomas, tá? Eh, eh, então, em relação ao controle, eu acho que não há uma expectativa da comunidade científica, né, até pelo mecanismo de ação, né, do canabidiol, a forma como age a medicação, que ela seja uma medicação eficaz para controlar a atividade inflamatória, tá? o que talvez ele possa ajudar, mas isso em casos muito selecionados, eh das pessoas que têm às vezes formas mais progressivas ou que t déficites significativos, às vezes espasticidade, às vezes eh eh uma dificuldade de alimentação por conta da doença em estágios mais avançados. E, é para esse grupo de pessoas, talvez o o a cannabis e o canabidol possa ajudar um pouco no manejo de alguns sintomas, né? Mas existem além do canabidiol diversas outras opções que que são são muito úteis, né, para para minimizar, né, para para reduzir esses esses sintomas decorrentes dos suros ou da progressão da doença, né, e e o controle desses sintomas ou da fadiga, né, os outros sintomas relacionados na prática, é eh é é uma minoria de pacientes que que acaba tendo indicação, né, e que mantém o uso do cannabidiol, né, ou da cannabis medicinal e eh durante um tempo. né, ao lobo durante o curso de evolução da doença. E como você mesmo comentou, né, doutor, no primeiro bloco tem a questão do do estilo de vida da pessoa também, né, que eu acho que é um grande aliado aí no tratamento. Esse estilo de vida mais saudável pode ser um grande uma grande vantagem, né? É, eu acho que junto da atividade, eu acho que na verdade são as duas coisas, né? o controle precoce da atividade inflamatória, né? Você cortar a inflamação ali no começo da doença com medicações eficazes, principalmente para quem realmente precisa disso. E e o segundo ponto é a a esses hábitos de eh esses hábitos de vida diária mesmo, né? De prática de atividade física, eh uma uma alimentação saudável, hábitos regulares de sono, evitar o tabagismo, né? evitar evitar e eh hábitos que sejam deletérios ao nosso organismo, porque isso vai fazer muita diferença lá na frente, um ponto de vista de risco de progressão, mesmo para as pessoas que t eh eh que às vezes t essa doença de caráter um pouco mais progressivo, eh fazer atividade de reabilitação, ter hábitos de vida saudável ajuda muito mais, por exemplo, do que as medicações que a gente tem disponível para essa fase hoje. Talvez isso mude um pouco mais pra frente, mas é é é é uma parte tão importante do tratamento quanto o uso das medicações corretas no momento apropriado. Eh, Dr. Pedro, existem outras terapias que também podem servir de apoio para esse tratamento aí inicial, esse tratamento convencional? Sem dúvida. Sem dúvida. Por exemplo, para fadiga, né? ter um acompanhamento às vezes psicológico, uma terapia cognitivo comportamental. Eh, a gente precisa muito de ajuda da fisioterapia numa série de de situações, né, quando a pessoa tá num momento ali de recuperação do su precisa reabilitar algum déficit neurológico. Eh, precisamos ajuda, muitas vezes do da fonodologia, né, paraas pessoas às vezes que têm uma dificuldade deção. Cada vez mais a gente tem também eh eh conversado com com os nutricionistas também, né, para adaptação de dietas saudáveis, né, para para as pessoas com esclerose múltipla, né? Então, tudo isso eh eh interfere, né? E é muito frequente precisar desse desse segmento, desse acompanhamento multidisciplinar. Isso é importantíssimo também. É, você comentou até desse desse apoio psicológico. Isso é muito importante pro paciente, né, Dr. Pedro? Sem dúvida. e às vezes é o mais importante, né, para algumas pessoas, né, às vezes o o o impacto em relação ao diagnóstico, um pouco daquele rótulo antigo que a gente tem da esclerose múltipla na cabeça como sendo uma doença intratável eh eh e progressiva, né, que enfim tá muito longe da realidade de hoje em dia. Eh, o o é comum, é mais frequente depressão, né, e ansiedade, né, a própria fadiga, tudo isso eh é eh muitas vezes os psicólogos conseguem abordar melhor, né, conseguem eh eh não é uma questão medicamentosa aí, né, mas os psicólogos conseguem trabalhar bem essas questões e e às vezes é é o ponto da doença que mais pega para uma pessoa, né? E e isso a gente vê com bastante frequência, às vezes as repercussões do diagnóstico são muito maiores do que o diagnóstico em si. Com certeza. Eh, doutor, uma dúvida, né, que chegou aqui pra gente, eh, a pessoa se ela tem esclerose múltipla, ela pode engravidar? pode eh eh tem inclusive entre as opções de alta eficácia, vamos pegar às vezes uma mulher jovem que começou com uma atividade inflamatória mais intensa e deseja engravidar. Tem uma série de estratégias que a gente pode utilizar até com medicões de alta eficácia como clilisumbre, cladribina. tem uma série de estratégias que você pode utilizar que permitam que ela engravide e um pouco por conta daquela questão eh hormonal também pelo fato da gestação, tem uma série de alterações, né, no próprio organismo que eh eh melhora a nossa tolerância imunológica, eh a gestação em si costuma ser um período tranquilo, né, de de evolução da própria esclerose múltipla, baixa um pouquinho a taxa de surto, né, a a atividade inflamatória. costuma ser um pouco menor, então costuma ser muito tranquilo a a a gestação junto da esclerose múltipla. A esclerose múltipla isoladamente não pior o prognóstico da gestação desde que tomados os devidos cuidados. Isso não vale para todas as medicações. Tem que ser feito um planejamento em relação a isso. É isso até que eu queria questionar, né? As medicações podem aí ter algum trazer algum prejuízo pra criança, pro feto ou não? Algumas delas, sim, né? Algumas eh é totalmente proscrito, né? Teriflunamida, por exemplo, é é perigosíssimo engravidar, né? A paciente tem que tá em uso de métodos anticoncepcionais eficazes, preferencialmente a associação para usar a medicação. Agora, para outras, os dados de segurança são muito muito eh eh eh satisfatórios, né? E e também por ser uma doença eh eh que acomete mulheres em idade jovem, há muita experiência com gestação, esclerose múltipla, né? Você tem é é algo eh eh é é comum encontrar boas informações em relação a isso, né? estudos relacionados a isso. Então, eh eh a gente sabe que para várias opções a segurança da gestação é muito é muito boa. É, doutora, uma outra dúvida também, quando a pessoa é diagnosticada, né, com a esclerose múltipla, ela pode já em tratamento fazer alguma prática esportiva? Isso tá liberado? É, não só pode como deve, né? O ideal é fazer, né? Eh, o o a a a prática esportiva, ela ela sabidamente reduz os riscos, né, de existe uma melhora inflamatória mesmo da da realização de atividade esportiva, né, uma e, por exemplo, você evitar obesidade, você não ter excesso de tecido adiposo, por exemplo, algo que controla até essa atividade inflamatória, mas principalmente pensando na na e eh mesmo no sistema osteomuscular mesmo, né, no músculo, no osso, no nervo que chega lá, eh, é na integridade deles e pensa lá na frente, naquele risco de progressão, a, a, a prática de atividade física é é excelente para prevenir isso, né? Então, é mais do que recomendado que faça atividade física. Um cuidado tem que ser tomado só às vezes as pessoas que tiveram um surto às vezes um déficelar, por exemplo. Aí tem que ser uma atividade que tem que ser planejada eh eh individualmente para aquela pessoa, para que ela não seja submetida a um risco, né? Mas algum tipo de atividade física sempre é bom, independente do do déficit ou do grau de limitação. Eh, doutor, a gente falando, né, sobre tudo isso neste bloco sobre tratamento, prevenção, eh, diagnóstico precoce, é possível a gente pensar em prevenção quando a gente tá falando aí de de esclerose múltipla? né? Eu acho que eu acho que vale a pena talvez falar de uma forma um pouco mais ampla dessa dessa noção de prevenção, porque eh eh você falar às vezes prevenção de uma doença não muito, mas relativamente rara, né? Vamos falar em torno de 40.000 brasileiros acometidos. Mas o que eu posso dizer é o que que vale paraa esclerose múltipla vale paraas outras condições e condições mais comuns como doenças cardiovasculares, né? vale para para doença coronariana, vale para prevenção de AVC, né? vale vale eh eh para eh eh doenças, né, que que são muito mais frequentes na população, que é prática de atividade física, alimentação saudável, evitar o sobrepeso, obesidade, controlar fatores de risco como hipertensão, né, a a dislipidemia, né, o o colesterol elevado, né, tudo isso ajuda também na prevenção da esclerose múltipla, né, mas além da esclerose múltipla você vai prevenir muito mais coisa. né? Você vai vai prevenir, vai ter um envelhecimento muito mais saudável, né? Uma e uma vida com uma qualidade de vida muito melhor se você tomarse e eh essas eh eh tivesse esses cuidados. Também ajuda na questão da prevenção da esclerose múltipla. É o que eu é o que a gente fala, né? Você nunca perde por fazer exercício, por se alimentar bem, né, doutor? vai prevenir aí uma gama, né, de doenças e o envelhecimento com certeza também mais saudável, né, mais independência quando ficar idoso também. Então nunca se perde, né? Exato, né? pensar no envelhecimento saudável, chegar lá na frente, né, com com independência, com mobilidade, né, com condição de fazer o que quiser, né, isso vale eh tanto para as pessoas com diagnóstico de esclerose múltipla quanto para todo mundo, né? É, doutora eh eh e desculpa, pode falar, não pode continuar, por favor. Não é falar só que ter esses hábitos vai ajudar todo mundo, né, lá na frente. Eh, doutor, quando o paciente tá ali, né, fazendo todo o tratamento, esse tratamento é pra vida toda, existe uma qualidade de vida, assim que a gente pode dizer aceitável, até razoável para esse paciente que já tá muito tempo em tratamento? Como que fica isso, né, durante todo esse tempo que ele tá passando com essa medicação? Eh, isso algo que não é muito claro nem na literatura científica e algo que a gente individualiza muito ainda de paciente para paciente, é por quanto tempo vai usar medicação, né? Eh, eh, se, mas algum algumas pessoas às vezes esses quadros mais brandos, né, e leves e a pessoas não tem surto há muito tempo, quando conforme vai chegando numa idade mais avançada, às vezes a gente até retira a medicação, observa, continua repetindo os exames, a ressonância, né, e e vai fazendo segmento. Agora, em relação às pessoas que tm um déficit mais significativo, eh, aí isso também tem que ser individualizado, né? Porque a gente tem que ter uma ideia clara do benefício de determinada medicação, né, em relação a a a alguns riscos do tratamento, em relação ao benefício em quadros mais avançados. e e eh muitas vezes nessas situações a importância da nutrição, do acompanhamento fisioterápico, do acompanhamento fonodiológico, eh eh a a importância, né, do do tratamento multidisciplinar às vezes é muito maior do que o tratamento medicamentoso e faz muita diferença, né? Pessoas que têm um bom segmento disso muitas vezes mantém qualidade de vida e se mantém ativas, tem as limitações, né? tem que lidar com isso. Eh, eh, eh, mas, mas conseguem manter função, né, manter a funcionalidade delas e e e sem dúvida com essa abordagem multidisciplinar tende a ter uma evolução bem melhor do que sem ela. Eh, Dr. Pedro, pra gente já começar a finalizar então esse segundo bloco, eu gostaria de saber sua opinião, né, só sobre as campanhas e ações voltadas para divulgar essa doença, né, divulgar a esclerose múltipla para que essas informações cheguem, né, pra população e a população tenha conhecimento que existe, né, essa doença crônica. Muita gente nunca ouviu falar, às vezes nem sabe, né, do que se trata. Uhum. Eh, e e quando as pessoas ouvem, muitas vezes elas imaginam que vai ser uma doença progressiva, que a pessoa vai ter incapacidade, vai ter, né, eh não vai conseguir desempenhar as atividades de vida dela, quando na verdade a nossa expectativa é justamente o contrário disso, né? Então, eu acho que eh eh as campanhas de divulgação importantes para reconhecer às vezes os sinais, né, de surto, né, para informar a população dos sinais de risco impottencial paraa pessoa procurar assistência médica, né, e fazer eh os exames necessários. Agora, talvez até mais do que isso, algo que eu acho essencial eh é para as pessoas entenderem que quem tem diagnóstico de esclerose múltipla eh eh pode trabalhar, pode fazer as atividades, pode eh eh eh produzir, deve fazer atividade esportiva, deve ter uma vida mais próxima do normal. a gente vê que às vezes ainda a questão do rótulo do diagnóstico é complicado, às vezes no sentido até ocupacional, às vezes até profissão, né, da pessoa ser rotulada como, né, e e quando a expectativa é que essa pessoa tenha uma vida e uma capacidade normal igual a todo mundo, às vezes com alguma adaptação, às vezes com algum cuidado especial, às vezes evitando exposição ambientes quentes por conta da fadiga. Mas a a a nossa expectativa, o que a gente quer, o que os pacientes querem e é que eles sejam e eh eh eh que tenha produtividade, funcionalidade totalmente preservada, né? Então eu acho que essas campanhas elas são importantes também para paraa sociedade em geral para entender que a pessoa com esclerose múltipla ela tá habilitada a fazer tudo que ela quiser, né, que ela que ela puder fazer. E para encerrar então, né, doutor, para quem recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla, qual que é o recado que você deixaria para essas pessoas, né, para que elas, né, não desanimem, né, não acreditem que isso é uma sentença, né, que é possível sim tratar, tem os medicamentos, tem essa questão do estilo de vida também, sem dúvida. Eh, eh, o recado que eu deixaria e é para eh eh fazer obviamente, né, o o um um acompanhamento próximo, né, fazer os exames complementares, as ressonâncias como elas têm que ser feitas de tempos em tempos, eh eh e fazer um segmento neurológico próximo para eh eh ver se há uma atividade inflamatória, para ver se precisa eventualmente mudar alguma medicação. É, e o outro recado seria das pessoas que tm diagnóstico enfatizar essa importância da do dos hábitos de vida diária, né, de ter uma vida saudável. Isso vai ajudar muito em vários aspectos, né? Mas para quem tem esclerose múltipla, a balança é um pouquinho maior que para as outras pessoas ainda, né? já é importante para todo mundo, mas essa importância fica ainda maior. E e a a o que eu falaria, o recado que eu deixaria é esse, que a gente tá numa fase, na verdade, de muito desenvolvimento científico. Eh eh existem diversas opções de tratamento, futuramente teremos mais opções, né? Talvez o panorama da doença mude muito nos próximos anos, né? a gente tá na expectativa, né, de uma série de de avanços científicos, né, de uma série de de medicações novas que estão sendo testadas nos estudos e, sem dúvida vamos ter mais opções mais para frente, tá? Então, não é, a a a o recado é justamente para não desanimar e continuar eh fazendo tratamento de forma regular e fazer atividade física e e ter hábitos de vida saudável, né? Porque vale a pena e e é possível controlar a a tanto os frutos de inflamação quanto a progressão da doença a longo prazo. Doutor, muito obrigada pela sua participação e pela sua disposição em atender aqui a nossa equipe toda. Obrigada. Imagina. Prazer foi muito. Tá bom. Obrigada. Tchau. Tchau. O Saúde e a vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas. E não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música] [Música]