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Saúde é Vida | Doenças autoimunes da tireoide: doença de graves e hashimoto
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Saúde é Vida | Doenças autoimunes da tireoide: doença de graves e hashimoto

103 views Publicado 18/05/2025 HD · 49:47

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🔬 No Saúde é Vida de hoje, vamos entender mais sobre as doenças autoimunes da tireoide, que afetam milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Com foco em duas condições principais — a Doença de Graves e a Tireoidite de Hashimoto —, recebemos no estúdio a endocrinologista Laura Sterian Ward, referência na área e integrante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional São Paulo. 📌 Você sabia que essas doenças ocorrem quando o sistema imunológico ataca a própria glândula tireoide? Isso pode gerar inflamação, alterações hormonais, distúrbios metabólicos e sérios impactos na saúde. 🩺 BLOCO 1 – DOENÇA DE GRAVES Começamos o programa explicando o papel da tireoide no organismo e como identificar sintomas de alerta para um possível distúrbio. A Dra. Laura detalha o que é a Doença de Graves, seus sintomas, fatores genéticos, exames de diagnóstico, além de abordar as diferenças entre Graves e o hipertireoidismo comum. Também esclarece o que é a doença ocular da tireoide, um sintoma frequente em pacientes com Graves. 🩺 BLOCO 2 – TIREOIDITE DE HASHIMOTO Na segunda parte do programa, mergulhamos na Tireoidite de Hashimoto, uma condição autoimune que costuma levar ao hipotireoidismo. A médica explica os sintomas, causas, diagnóstico, tratamento e a relação da doença com deficiências nutricionais, gestação e microbiota intestinal. Outro ponto abordado é por que essas doenças são mais frequentes em mulheres e o papel do sistema imunológico nesse padrão. 📲 Quer sugerir um tema para o Saúde é Vida? Envie sua sugestão para o nosso WhatsApp: (19) 97829-3776 Ou use o QR Code exibido na tela durante o programa! 🎥 Assista agora e compartilhe com quem precisa dessas informações! ✅ Informação confiável, com linguagem acessível e especialista de referência. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas 🎥 Vídeos relacionados da TV Câmara Campinas: Distúrbios da Tireoide: Quando é hora de procurar um médico? 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=6fVDFmDOxDU Como a alimentação interfere na saúde da tireoide? 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=tD0U7xUS0wY Saúde Hormonal da Mulher: Entenda os principais sinais 🔗 https://www.youtube.com/watch?v=u_no9jitKI4 #doencadegraves #hashimoto #tireoide #doencasautoimunes #lauraward #endocrinologia #saudeetireoide #hipotireoidismo #hipertireoidismo #tireoidite #tvcamaracampinas #campinassp #autoimunidade #mulheresaudaveis #vitaminad #selênio #doencasautoimunesdatireoide #doencasdaterceiraidade #microbiotaintestinal #hormonios #gravidezesaude #tireoideemmulheres #reelsbrasil #shortsbrasil #videosaudavel #programasaude #tvpublica #educacaosaudavel #prevencao #diagnosticoprecoce #qualidadedevida #endocrinologistabrasil #dicasdesaude #informacaoconfiavel #tireoideemfoco #vidaautoimune #sintomasdetireoide #campinasbrasil

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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre as doenças autoimunes da tireoide. Mas antes eu tenho um recado aí para você que tá em casa, que para participar do Saúde à vida e sugerir um tema para o programa é bem fácil. É só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. As doenças autoimunes da tireoide são condições em que o sistema imunológico ataca a glândula tireoide, causando inflamação e danos. As duas mais comuns são a tireoide de Hashimoto e a doença de graves. Ainda em 2025, essas doenças continuam sendo uma preocupação de saúde, afetando cerca de de 2 a 5% da população. E neste primeiro bloco nós vamos abordar sobre a doença de graves. para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a Laura Esterian, Ward, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia da Regional São Paulo. Dra. Laura, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. É um prazer. Eu que agradeço, Ana Paula, porque realmente falar sobre doenças autoimunes da tiroide é muito importante. Com certeza. Doutora, antes da gente abordar de fato essas duas, né, doenças, eu gostaria que a senhora explicasse um pouquinho pra gente sobre a tireoide, a importância dessa glândula pro nosso organismo. A tireoide é uma glândula muito importante pro nosso organismo. De fato, Ana Paula, desde a gestação até a senescência, o envelhecimento, a tiriide é uma maestra no funcionamento, primeiro no desenvolvimento durante a a gestação, durante a formação do embrião e depois do feto e a seguir durante o crescimento da criança na adolescência, na gestação E também na vida adulta e no processo de envelhecimento, a tireoide funciona como uma coordenadora de todos os nossos órgãos e sistemas. durante a gestação, ela é fundamental para o desenvolvimento neurootor, eh, daquele concepto. Eh, isso afeta de forma muito impactante o recém-nascido. Tanto é que nós, por lei, somos obrigados a fazer o famoso teste do pezinho para detectar a deficiência ou a ausência de hormônios tirianos e corrigir a tempo antes que se instale um déficit intelectual e motor naquela criança durante o crescimento. novo, a tiroide vai ser super importante para permitir o crescimento adequado do desenvolvimento neurológico e esquelético da criança na vida adulta. A tiroide, os hormônios tiroidianos são fundamentais paraa manutenção de todas as funções, principalmente do metabolismo. Na gestação, de novo, os hormônios tirianos são essenciais para o desenvolvimento neuromotor do feto da criança. E na menopausa, durante a senescência, de novo, os hormônios tiroidianos vão ser importantes reguladores de todo nossas todas as nossas funções orgânicas. É. E doutora, quais sinais que podem indicar aí que a tireoide tá começando a apresentar algum distúrbio, né, para pra população ficar mesmo atenta a esses sinais? Como você mesma falou, as doenças mais importantes são as doenças de autoimunidade, em que a glândula ela é autoatacada pelo nosso próprio organismo. a tiroidite de Hashimoto, que vai evoluir para uma destruição da glândula tiroide e a doença de graves, que é o contrário, vai fazer com que aquela glândula seja hiperestimulada e produza muito hormônio. Os primeiros sinais são muito evidentes na doença de graves quando há hipertiroidismo, porque esses sinais aparecem numa população mais jovem, como em todas as doenças autoimunes e principalmente as doenças autoimunes da tiroide. As mulheres são mais afetadas. Então, rapidamente, de um dia pro outro, em dois três dias, começam as manifestações clínicas, sudorese, muito importante, agitação, nervosismo, a gente pode falar um pouquinho mais daqui a pouco. O hipotiroidismo, ao contrário, que é a o resultante da destruição da tiriroide por causa da tiroidite de Rashimoto, as manifestações são muito mais sutis, são muito menos fáceis de se identificar. E esse é um problema sério na doença eh causada pela tiroidite de Hashimoto, que é o hipotiroidismo. As manifestações são pouco específicas, se confundem com outros problemas, principalmente da mulher, que é a mais afetada na idade que coincide frequentemente com a menopausa. Então, lentidão, desânimo, às vezes um pouco de ganho de peso, alterações no intestino que começa a ficar mais lento. Tudo isso vai se instalando aos poucos. E não é fácil de ser reconhecido, é muitas vezes confundindo com a própria menopausa, com ansiedade. Você sabe, né, Ana Paula, justamente por volta dos 50 e poucos anos, a mulher tem a síndrome do ninho vazio, os filhos que tão indo embora, que estão se formando. E tudo isso complica a avaliação dos sintomas iniciais. É, até ia comentar com você mesmo que muitos sintomas podem ser confundidos com a famosa menopausa, né, doutora, que tanto as mulheres se queixam também, né? Exatamente, né? é uma fase em que as duas alterações se sobrepõ e não é fácil distinguir o que é causado por uma menopausa fisiológica do que é causado por uma doença, que é a falta ou a diminuição dos hormônios tiroidianos. Com certeza. Eh, doutora, só para para eu saber como que se fala corretamente, é doença de graves também pode ser falado ou é graves mesmo? A gente fala doença de grez, Ana Paula, até para não confundir com doenças graves, né? Mas quem primeiro ou um dos que primeiro diagnosticaram e relataram os sintomas foi um indivíduo chamado Graves, junto com um outro pesquisador e chamado Bedov. Então, muitas vezes a gente fala em doença de base of graves. Ah, é certo. Eh, doutora, entrando então um pouquinho nessa doença, eu gostaria que a senhora explicasse pro público que tá acompanhando o nosso programa o que que é essa doença e quais são aí os os principais sintomas e sinais que ela vai apresentando. A doença de Graves é uma doença autoimune em que o nosso organismo começa a produzir anticorpos contra o receptor do TSH. esse receptor do TSH que fica nas células tirioidianas, eh, ele acaba sendo, eh, estimulado por esses autoanticorpos e ele entende ou ele transmite paraas células paraas células da tiroide um sinal de que elas precisam crescer e produzir mais hormônios. Então, as células tiroidianas, elas começam a desbragadamente produzir T3 e T4. Por causa dessa hiperprodução, o organismo vai sentir os efeitos clássicos do hipertirioidismo. Então, o a pessoa começa a ficar muito agitada, eh, taque cárdica, aceleram os batimentos cardíacos. o intestino começa a ficar acelerado, ele passa a evacuar muito mais frequentemente, eh ele começa a eh ter muito mais atividade, agitação, insônia, um monte de sintomas causados pelo excesso desses hormônios que vão acabar resultando em perda de peso, principalmente perda de massa muscular. ular, isso é um problema sério, padença, problemas cardíacos que podem até resultar em graves complicações e eventualmente até mesmo na morte do paciente numa crise tirotóxica que felizmente é muito rara, porque como nós já explicamos, né, Ana Paula, os sintomas são evidentes. Então aquela pessoa que era uma pessoa normal passa a ser uma pessoa agitada, uma pessoa que fala muito, que tá correndo de lá para cá, que sua profusamente, a pele fica muito úmida, até quente e isso costuma ser diagnosticado de maneira mais fácil, digamos. É, e doutora Laura, já existe uma explicação, né, uma causa para que isso aconteça, né, ou seja, que o próprio organismo da pessoa ataque a glândula e provoque todos esses sintomas. Infelizmente, Ana Paula, como em todas as doenças autoimunes, temos muitas teorias, mas não existe um fator determinante, único ou mais importante. a gente conhece alguns dos mecanismos envolvidos nesse processo de autoimunidade, mas não há uma causa única ou super importante que a gente possa atacar e impedir o o desenvolvimento das doenças autoimunes em geral e da doença de greves em particular. a gente sabe que existe uma predisposição genética e conhecemos alguns dos genes que causam essa predisposição. E a gente sabe que existem alguns fatores desencadeadores, triggers, né? Fatores que podem estimular esse processo autoimune a começar. Um deles é o estress, né? Estress é um dos fatores desencadeantes de uma série de doenças autoimunes e a doença de greves está relacionada com estress. Isso ficou muito evidente nas guerras, né? Quando acontecem conflitos, logo que eles aparecem ou principalmente logo depois que que esses conflitos são desencadeados, aumenta o número de casos de doenças autoimunes e da doença de greves em particular. Interessante, né, doutora? Eh, as mulheres são as mais eh atingidas, né, por essas doenças autoimunes. A partir de qual idade que é comum começar a aparecer esses sintomas e a e a mulher desencadear essas doenças? A doença de greves realmente prefere mulheres até cinco vezes. Eh, a doença é mais frequente nas mulheres do que nos homens, mas homens também podem ter doença de greves. E a faixa etária mais acometida é por volta dos 30, 40, 50 anos de idade. Eh, doutora, uma outra dúvida que a gente tem aqui é qual a diferença entre hipertiroidismo e a doença de graves? A doença de graves é a causa de hipertirioidismo. Mas o hipertirioidismo pode ter outras causas, né? Existe, por exemplo, o hipertirioidismo causado pelo uso excessivo de hormônios tiroidianos. E você sabe, Ana Paula, até não muito tempo atrás era uma moda tomar hormônio tiroidiano. Eh, infelizmente, né, todas as bobagens que são ditas em mídias apregoavam o uso de hormônio tiroidiano para fazer a pessoa emagrecer. E o hormônio tiroidiano faz mesmo a pessoa emagrecer e emagrecer muito. Só que o excesso de hormônios tiroidianos faz perder peso as custas de massa magra, de músculo, que é tudo que a gente não quer perder. Entrando um pouquinho nessa questão do emagrecimento, hoje a gente sabe que tem as injeções, né, a eh Monjaro e enfim, entre outras, elas de alguma forma também interferem aí no funcionamento da glândula da tireoide. Não, a semaglutida, que é o princípio ativo de desses eh dessas novas formulações que atuam eh e que acabam levando a uma perda de peso, mas também a um controle muito bom do diabetes, tem mecanismo de ação bem diferente do mecanismo de ação e da fisiologia dos hormônios tiriroidianos. Então, até agora, pelo menos, não sabemos de nenhum efeito do uso da semaglutida ou da tisepatida, das novas apresentações que estão entrando comercialmente no Brasil sobre os hormônios tiroidianos. Eh, doutora, falando agora um pouquinho do diagnóstico, quais exames são necessários para confirmar que aquela paciente ou o paciente, né, estão com a doença de graves? Ah, isso é relativamente simples e fácil, Ana Paula. É um simples exame de sangue. A gente dose o TSH. Eu não falei que o que acontece é que um anticorpo vai lá e ocupa o receptor de TSH. Aí a nossa hipófise que produziria TSH normalmente não precisa mais porque o receptor tá ocupado. Então o TSH cai e a gente diagnostica isso facilmente com um examezinho de sangue relativamente barato e fácil de ser feito. Também podemos dosar os próprios hormônios tiroidianos, mostrando que eles estão elevados em circulação. Então é algo bem rápido e bem simples de ser feito, né, doutora? Não precisa ninguém ficar com medo, né, de saber se tem ou não tem, porque o caminho é fácil. Exatamente. E o tratamento também, né? Eu sei que você já ia falar do tratamento, Ana Paula, mas é claro que quando a gente diagnostica, logo em seguida a gente já pode tratar o hipertiroidismo causado pela doença de greves. É, então, entrando inclusive no tratamento, doutora, já vamos aproveitar e falar disso. Eh, quais são os principais tratamentos que hoje estão disponíveis para essa para essa doença? Então, Ana Paula, a gente tem três maneiras de controlar o hipertiroidismo causado pela doença de Graves. Infelizmente, nós não temos ainda como atingir a causa, a fisiopatogenia da doença, mas a gente pode eliminar ou diminuir drasticamente os efeitos que ela produz. Nós podemos bloquear a produção de hormônios tiroidianos com drogas antitianas. A mais conhecida é o metimol. Então são alguns comprimidos que o paciente vai tomar e isso vai fazer com que aquela glândula, aquela célula que tá hiperestimulada pare de produzir hormônios tiroidianos em excesso. Nem sempre eh isso leva a uma hã autorregulação do organismo. Então, geralmente nós usamos as drogas antitiodidianas por um período de meses a um a do anos e aí a gente espera que o próprio organismo se reequilibre, que aquele processo autoimune desapareça e o paciente não precise mais da droga antitiroidiana. Infelizmente nem todos os pacientes conseguem se reequilibrar. Então nós temos outras duas opções que é simplesmente eliminar a glândula tiriroide cirurgicamente ou de uma maneira mais fácil com iodo radioativo. Você sabe, Ana Paula, que o iodo é a matériapra da formação dos hormônios tirianos. Então, se a gente coloca um isótopo radioativo no iodo, ele vai ser captado pela célula tiroidiana, que tá louca para captar iodo, né? Ela tá estimulada para produzir o hormônio. Então, ela precisa do substrato desse hormônio. Ela capta o iodo e o isótopo radioativo queima, né, destrói essa célula. Então, nós podemos usar droga antitiana, usar o rádio iodo, que é a iodoterapia, ou fazer uma ablação cirúrgica, mandar o paciente para um colega cirurgião que vai tirar a glândula. Correto, doutora? No caso da pessoa que remove a glândula, depois ela vai precisar tomar medicamentos para que os medicamentos simulem aí a função da tireoide. Nesse caso, eles precisam ter algum cuidado específico. Muito bem, Ana Paula. Se você não tem mais a fonte, você vai ter que tomar o hormônio tiroidiano. Mas felizmente nós temos hormônio tiroidiano sintetizado em forma de comprimidinhos, em múltiplas apresentações, múltiplas dosagens e a gente consegue dar para esse paciente que não tem mais a glândula o hormônio tiroidiano de que ele precisaria. a levo tiroxina. E no caso vida normal para esse paciente e pros demais também. Vida normal, sem dúvida. Vida normal. Ele vai tomar levotiroxina e vai ter todas as funções normais dos hormônios tiroidianos. Eh, doutora, com relação ainda à doença de graves, é possível a gente falar em cura após o tratamento ou isso aí é é já se tornou algo crônico, né, para pr pro paciente? a gente fala em remissão, né, de maneira geral, nas doenças autoimunes. Como a gente não ataca a causa, a gente fala que a doença remitiu, ficou silenciosa. Claro que em termos práticos, esse paciente que remitiu tá curado, né? Eh, quando a gente queima ou tira cirurgicamente a glândula também a doença vai desaparecer. o efeito da doença vai desaparecer, né? A causa dela não. Nós não atacamos o processo autoimune. Mas com o desaparecimento do objeto de autoimunidade, com a remoção da glândula, os autoanticorpos também vão cair progressivamente, desaparecendo. Eh, agora, doutora, se a doença não for tratada, quais complicações ela poderia trazer aí pro paciente? Além de emagrecer muito, não conseguir dormir, suar bea, ter o intestino todo desregulado, eh, a pele extremamente quente, úmida, o cérebro funcionando a 1000 por hora, esse paciente pode ter uma arritmia cardíaca muito importante. a gente fala em crise tiriotóxica, em que o coração entra numa insuficiência cardíaca por causa do excesso de batimentos cardíacos. Ele pode ter arritmias importantes e eventualmente morrer por causa disso, certo? Eh, doutora, pra gente já começar a finalizar aqui o nosso primeiro bloco, existe também a doença ocular de graves, né? também conhecida como doença ocular da tireoide. Eu gostaria que você falasse um pouquinho também sobre esse tema. É até cerca de 1/3. As tem algumas estatísticas que chegam a falar de metade dos pacientes t alterações oculares causadas pela doença de greves. Essa autoimunidade não se reflete apenas no receptor de TSH da célula tiroidiana, mas também em uma série de elementos que vão fazer com que o olho acumule uma série de substâncias e comece a ter acúmulo de gordura nos músculos e na parte retroorbitária, fazendo com que o olho fique saltado. é o que a gente chama de probose ou exoftalmo. A pálpebra também fica muito retraída, principalmente por causa do efeito adrenico do excesso de hormônios tiidianos. Isso vai fazer aquele aspecto clássico do indivíduo com hipertiroidismo, principalmente pela doença de greves, que é o olho saltado, né? Parecendo que ele tá para fora da órbita. E geralmente ele tá mesmo um pouco para fora da órbita. Essa é a doença ocular tirioidiana. Felizmente, eh, ela tende a ser leve na maior parte dos casos. São raros os casos em que isso acomete de forma tão importante que pode levar até a alterações de visão e a perda de visão. E para esses casos, nós temos atualmente uma droga extremamente eficaz, o téprumab, e podemos eventualmente usar mão de o que nós mais frequentemente fazemos, corticoides para diminuir esse processo inflamatório e nos casos muito graves até mesmo cirurgia para recolocar esse globo ocular dentro da órbita, corrigir eventuais estrabismos ou alterações oculares produzidas pela doença de greves. Certo, doutora? Agora a gente vai fazer um rápido intervalo porque no próximo bloco nós vamos falar sobre a tireoide de Hashimoto, que é uma outra doença autoimune muito comum. Nós já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde é Vida e hoje falando sobre as doenças autoimunes da tireoide com a endocrinologista Laura. Word. Eh, Dra. Laura, agora neste segundo bloco, a gente vai abordar especificamente sobre a tireoide de Hashimoto. Então, gostaria que eh você explicasse, né, pro pessoal que tá acompanhando aqui o nosso programa, o que que é essa doença. Eh, Ana Paula, a gente fala tireoidite. O IT é um sufixo utilizado para para designar inflamação, mas você não tá errada, né? dizer tiriide do hashimoto, porque realmente o que o Dr. Hashimoto desreveu foi um processo inflamatório da glândula tiriroide, por isso tirioidite de Hashimoto, um processo inflamatório destrutivo causado de novo por autoimunidade, porque nosso próprio organismo começa a produzir autoanticorpos, anticorpos que vão reconhecer elementos da glândula tiroide, como se eles fossem tem elementos estranhos ao nosso organismo. Então, esses anticorpos destróem produção eh de tirioperoxidase. Então, um dos alvos desses eh anticorpos é a tírioperoxidase, uma enzima normal da nossa célula tirioidiana e destróem também a tirioglobulina, que é uma proteína que carrega os hormônios tiroidianos. Por isso que daqui a pouco a gente vai falar sobre diagnóstico, né, Ana Paula? A gente fala em dosagem de anticorpos, antirioperoxidase e antitioglobulina. O efeito dessa destruição é a perda progressiva de produção de hormônios tirianos, que vai levar ao hipotiroidismo. No caso aí o hipotiroidismo, só pra gente fazer uma uma diferença com o hipertiriodidismo, né, doutora? São sintomas diferentes, né? São sintomas opostos, né? de um mesmo espectro da doença autoimune. Enquanto na doença de graves você tem um aumento dos hormônios tireidianos levando ao hipertiroidismo. Na tirioidite de Hashimoto, você tem uma destruição das fontes produtoras de hormônio tirioidiano, levando ao hipotiroidismo. Um aumenta, o outro diminui a produção de hormônios tirianos. O hipertirioidismo é causado pelo excesso de hormônios tiroidianos. O hipotiroidismo pela falta de hormônios tiroidianos. No caso então da tiroidite de Hashimoto, quais seriam os principais sintomas? Quando você tem diminuição desses hormônios que são fundamentais desde o recém-nascido, ainda na na formação fetal, mas também durante a infância, em toda a vida adulta, durante a senescência, você vai ter diminuição de todas as funções que dependem desses hormônios tiroidianos. Então, o hipotiroidismo congênito, que acontece pela falta dos hormônios tiroidianos ainda dentro do útero, vai fazer com que uma série de estruturas cerebrais sejam prejudicadas em sua formação. Você tem alteração do desenvolvimento neurológico e motor. Então essa criança eh vai nascer com um alterações importantes que se não forem rapidamente eh reconhecidas e tratadas pode levar a um déficit mental, a uma perda de QI e graves alterações neurológicas e óseas. H, no indivíduo de mais idade, na infância, a falta de hormônios tiroidianos pode prejudicar a atividade física e mental dessa criança. Então, são aquelas crianças que param de se movimentar como antes, ficam mais lerdas, começam a ter o intestino mais preso. idade escolar são crianças que começam a ir mal na escola, em que a professora fala: "Ah, a Mariazinha que participava sempre da aula, agora tá lá no cantinho sonolenta, meio apática. Esses sintomas vão sendo mais evidentes também na adolescência, eh, que podem até resultar em alterações menstruais, eh, em alterações cardíacas, com a bradicardia, ao contrário do que a gente tinha falado na doença de greves, aqui o coração fica lento, o intestino também fica lento, todas as funções cognitivas, né? o cérebro fica lento, a fala fica mais lenta, mais pastosa, a o paciente começa a sentir frio, ele tá sempre com a pele seca. Na mulher, frequentemente a gente escuta queixa de queda de cabelo, de unhas fracas. H, e isso tem um impacto importante durante a gestação que pode ter uma série de intercorrências e de problemas. Como eu falei, pode afetar o o feto, o desenvolvimento do bebê. E na mulher um pouco mais idosa, pode se somar a todos os sintomas da menopausa de durante a senescência no indivíduo mais idoso. Isso pode levar a problemas cardíacos, inclusive a insuficiência cardíaca, de novo, alterações em todos os espectros, né? eh, cardíaco, pulmonar, gastrointestinal, eh tudo fica lentificado. Eh, doutora, como na doença de graves, eh, essa a tiroidite de Hashimoto, ela também tá relacionada com fatores genéticos? Tem tem um fator ali que desencadeia também? Sim, como na doença de gregos, nós não sabemos o que é que causa especificamente a formação de anticorpos que vão querer destruir a nossa tiroide, mas a gente reconhece que existe uma predisposição genética. Aliás, as doenças autoimunes de eh da tiroide aparecem em cluster familial, né? É frequente que a mãe tenha tiroidite de Hashimoto, assim como a avó teve, assim como a menina, a filha tem. Mas lembre-se, embora de novo a doença, a tiroidite de Hashimodo seja mais frequente em mulheres, ela também acomete os homens. Eu acho que a gente devia de lembrar, Ana Paula, o quanto isso é frequente, né? H, a gente tem estudos, inclusive estudos brasileiros que mostram a prevalência da doença de greves, cerca de 1 até 1.5% da população. e da tiroidite de Hashimoto, que espante-se, Ana Paulo, acontece em cerca de 5% da nossa população. E em indivíduos mais idosos, chega a 10, até mais do que 10, em alguns estudos, até 15% dos pacientes idosos tiroidite de Hashimoto, tem hipotiroidismo, principalmente na forma subclínica. da doença. A gente poderia relacionar isso com alguma questão alimentar da população também, porque muita gente relaciona, né? Ai, você tá comendo muito sal, é muito iodo, isso tem alguma relação, tem algum fundamento? Sim. Ah, como em todas as nossas doenças, uma vida saudável é importante e uma alimentação equilibrada é fundamental. Eh, como nós já comentamos, a produção de hormônio tiroidiano depende do iodo, que é a matéria prima paraa formação de hormônio. você tem uma alimentação pobre em iodo e isso não era raro até há tempos não tão longincos. H, você sabe que existe um programa nacional de iodação do sal de cozinha por causa disso, porque nós tínhamos até mesmo boso endêmico, né, que eram aquelas pessoas que vinham com aquele papo, né, com aquela glândula imensa por falta de iodo. Então, a glândula crescia para conseguir mais iodo, para conseguir produzir hormônio tiediano. Graças a Deus e graças à iodação do sal de cozinha o boss endêmico no Brasil praticamente desapareceu. Mas eu preciso de iodo. Então, alguns indivíduos que t uma restrição no na ingestão de iodo e, infelizmente algumas dietas muito restritivas eh acabam diminuindo o aporte de iodo na alimentação, podem sofrer as consequências disso e isso pode tá relacionado sim com o aparecimento da tiroidite de Hashimoto. Outros elementos importantes da dieta, selênio no Brasil não é um problema porque nós temos castanhas, principalmente a castanha do Pará, que é rica em selênio, mas de maneira geral, outros microelementos também são importantes e precisam estar numa dieta equilibrada, numa dieta normal. É, doutora, até você comentou sobre as gestantes, né? Quais são os cuidados que essas mulheres, acho que é bem legal a gente falar aqui, que essas mulheres precisam ter com relação à tiroidite de Hashimoto? É, na gestante isso é fundamental porque ela precisa cuidar da tiroide dela para evitar complicações da gravidez e da tiroide do bebê para evitar aquelas alterações no desenvolvimento, principalmente neurológico, que depende de hormônios tiroidianos. Então, ela precisa ter um aporte de iodo adequado. Por isso a gente naquela, naqueles eh comprimidinhos, né, naquelas eh formulações que toda grávida toma, tem que ter um pouquinho de iodo. Então, nas vitaminas utilizadas na no pré-natal, na mulher gestante, tem um pouco de iodo e ela não deve fazer grandes restrições nutritivas. Então, aquelas dietas malucas, eh, dietas muito restritivas em sal, peixes, que são fonte importante de iodo, frutos do mar, não devem ser eh normais na gestante. Eh, tem uma série de alterações produzidas eh pela falta de iodo. Então, nesse período, que é extremamente importante, não devemos ter eh fazer dietas muito restritivas e devemos dar paraa gestante um pouco mais de iodo. Eh, doutora, você comentou aí sobre o selênio e a vitamina D, ela acaba sendo aí também uma grande aliada nessa questão. eh, especificamente para tiroide, eh, ainda é controverso o papel da vitamina D, mas a gente sabe que a vitamina D é fundamental para, principalmente a nossa saúde óssea. Então, ela também faz parte de uma vida saudável e de uma alimentação equilibrada e saudável. Eh, Dra. Laura, a gente tá falando da doença de graves agora da tirioidite de Hashimoto. Existe alguma relação dessas doenças com a pessoa desenvolver futuramente um câncer de tireoide? Boa pergunta, Ana Paula. Eh, existe uma relação entre tirioidite de Hashimoto e câncer de tiroide, principalmente o câncer papilífero. Ainda é controverso, isso se discute na literatura. Parece que ter tiroidite de Hashimoto poderia ser um dos múltiplos fatores de propensão a câncer de tiide. Seguramente não é um fator extremamente importante, mas pode ser que ele favoreça o aparecimento de câncer de tiroide. Mas a gente tem dados que mostram que a presença de tiroidite de Hashimoto pode ser melhor em termos de evolução, em termos de prognóstico dos pacientes que têm câncer de tiroide, tá certo? Eh, vamos falar então um pouquinho de como é feito o diagnóstico também da tiroidite de Hashimoto, se são também através de exames, né, algo simples, como da doença de graves, como nós comentamos, Ana Paula, as os sintomas da do hipotiroidismo produzido pela progressiva destruição da glândula vão se instalando lentamente e eles não são tão evidentes. como os sintomas da doença de GREF são muitas vezes confundidos com outros sintomas. É frequente dizerem: "Ah, é porque essa senhora tá deprimida, é porque os filhos foram embora ou porque ela tá em menopausa". Então, importante ter o a percepção de que pode ser que essa tristeza dessa senhora, o ganho de peso, as queixas de queda de cabelo, de unha fraca, enfim, de intestino lento, sejam por hipotiroidismo. Por isso, a suspeita clínica é muito importante. O diagnóstico é relativamente fácil. De novo, eu vou fazer um simples exame de sangue e de novo eu vou dosar o TSH. Se no hipertirioidismo o TSH tava baixo, suprimido, no hipotiroidismo, ao contrário, ele está aumentado, tá elevado. Mas cuidado, Ana Paula, porque a gente tem feito muito diagnóstico de hipotiroidismo subclínico, sem que a paciente tenha ou paciente tenha realmente um hipotiroidismo definitivo, um hipotiroidismo instalado. Eu acho que é muito importante a gente falar sobre isso, porque tem muita gente sendo tratada indevidamente. a gente trata de uma forma muito fácil ou déficit de produção de hormônio tiroidiano, porque como nós já comentamos, eu tenho o hormônio tiroidiano, então eu posso repor, eu posso dar o hormônio tiroidiano, mas é muito importante ter certeza do diagnóstico. E para isso eu preciso ter a dosagem de TSH confirmada. Não é assim fazer um TSH vem um pouquinho alto e pronto, eu já sei que eu sou hipotiroideia. Não, o exame é extremamente sensível. Então existem muitas causas de pequenas elevações de TSH temporárias, elevações que depois normalizam sem você fazer nada. Então tem que dosar o TSH para fazer o diagnóstico, mas esse TSH tem que ser repetido. E se eu realmente acho que é uma tiroidite de Hashimoto, eu doso o hormônio, eu doso T4 livre e posso dosar os anticorpos, antitirioperoxidase e antitirioglobulina. Então os tratamentos também são a base de medicamento. É isso, doutora? Exato. Sua tiroide não tá produzindo hormônio em nível suficiente, eu te dou o hormônio tiroidiano na quantidade que você necessita e com isso eu faço desaparecer os sintomas do hipotiroidismo. E como você falou, né, tão importante do diagnóstico, né, a pessoa ficar atenta, né, para fechar o diagnóstico, correto, é também procurar o especialista da área, né, porque às vezes as pessoas não buscam o endocrinologista e de repente vai num clínico geral que não é o especialista nesse assunto, né, doutora? Também é é importante sempre procurar um bom médico, né? mesmo não sendo especialista ou um bom clínico geral, ele sabe que ele não deve tratar um TSH elevado sem confirmar que ele tá mesmo elevado e que se mantém elevado. Ele precisa repetir esse TSH com três a 4 meses de intervalo. Então, se você teve um TSH alterado, um pouco elevado, eu não tô falando daquele TSH de 20, né? O TSH normal geralmente até 4,5, mas a gente vê muita gente com cinco que já tá tomando hormônio tiradiano. Não se precipite. primeiro repete o TSH e aí se ele realmente continuar elevado, vier um T4 livre baixo ou até um T4 livre normal, mas se o teu médico achar que você tem fator de risco para evoluir para um hipotiroidismo, por exemplo, você é um cardiopata, ou tem níveis de anticorpos, antitioperoxade, principalmente muito elevados, aí sim ele pode sugerir para você começar a tomar leva o tiroxina para repor o hormônio que a sua tiroide não tá conseguindo produzir. Eh, doutora, como são doenças mais frequentes em mulheres, já existe alguma algum estudo ou alguma alguma pesquisa também relacionada ao sistema imunológico da mulher? Existem várias pesquisas. do meu próprio grupo de pesquisa aqui na Unicamp tem se dedicado a investigar fatores que justifiquem o porqu essa doença, assim como a doença de graves, é tão mais frequente nas mulheres. Pode estar sim relacionado a um perfil imunológico, mas também a um perfil hormonal, né? O que nós temos investigado no meu grupo de pesquisa é a relação com hormônios sexuais. Ah, interessante. É, o que que seria, se você puder explicar um pouquinho pra gente, qual que seria essa relação, né, com os hormônios sexuais, doutora, nós temos vários mecanismos de regulação dos hormônios estrogênicos. Eh, então pode ser que algumas variações, alguns polimorfismos eh nesses reguladores do da produção e da eliminação dos hormônios sexuais esteja relacionado com distúrbios imunológicos e daí com o aparecimento de doença de graves e de tiroidite de Hashimot. Eh, dout. Laura, pra gente encerrar então este segundo bloco. Eu tava lendo também sobre esse assunto e vi que tem aí uma relação da microbiota intestinal com os distúrbios da tireoide. Também já tem vários estudos e e pesquisas nesses sentidos, né? De novo, Ana Paula, tem muitos estudos, mas nada definitivo. A gente sabe que a microbiota reflete aquilo que a gente insiste tanto em falar, né? Uma dieta equilibrada, um um um meio de vida eh melhor ou um meio de vida mais natural. E isso, sem dúvida, tem relação com tudo no nosso organismo e também com os nossos hormônios tiroidianos, com o nosso sistema imunológico. E é claro que vai sempre haver uma associação entre os efeitos da nossa dieta e do nosso modo de vida na nossa microbiota intestinal e, portanto, com as doenças autoimunes da tiroide também, tá joia? Então, doutora, eu quero agradecer sua participação aqui no Saúde é Vida e obrigada, né, por compartilhar com a gente aí tanto conhecimento. Foi um grande prazer. Obrigada a você e a todos aqueles que tiveram a paciência de nos escutar. O Saúde é Vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]
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