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Saúde é Vida | Doença de chagas
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Saúde é Vida | Doença de chagas

68 views Publicado 07/04/2025 HD · 47:30

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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. E hoje nós vamos falar sobre a doença de chagas. Mas antes eu tenho um recado aí para você que tá em casa para participar do Saúde é Vida e sugerir um tema para o nosso programa é bem fácil, é só entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Estima-se que entre 6 a 7 milhões de pessoas estejam infectadas com a doença de chagas no mundo. São cerca de 30 a 40.000 novos casos registrados todos os anos. Até hoje, aproximadamente 10.000 pessoas morrem anualmente com a doença. E para esclarecer tudo sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a Fernanda Rique, médica infectologista da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial. Doutora Fernanda, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida. Eu que agradeço o convite, doutora. Vamos começar então explicando pro pessoal de casa o que que é a doença de Chagas. Bom, a doença de Chagas ela é transmitida através do barbeiro, né? Um inseto que tá presente principalmente eh nas áreas eh rurais, né? E ele gosta muito de de casas de de palafita, de madeira. Antigamente tinha muita casa de pau a pique, né? hoje já não são tão frequentes, mas ele gosta de entulhos, de madeira, de galhos e é um é um inseto que tá presente na natureza, né? Um um inseto eh silvestre. E existe o quando esse barbeiro ele tá infectado pelo parasita tripanossoma cruze, ele é capaz de transmitir a doença. E aí ele pode transmitir através da sua picada, ele pode picar as pessoas e na hora que ele eh o barbeiro defeca e quando ele defeca ele elimina esse parasita. E a pessoa ao se coçar por conta da picada, ela acaba levando as feeses com parasita para dentro da pele através dessa eh picadura. Então é a transmissão que a gente chama vetorial através do vetor que é o barbeiro. Barbeiro é o funciona como o ônibus, né? o o veículo de transporte pro pro para entre o o parasita, né, dentro do do barbeiro até o ser humano. Mas existem outras formas também que é a através da transfusão de sangue, principalmente antes de 92, eh onde agora os bancos de sangue testam, né, para paraa doença de chagas, mas antes de 92 esse teste não era feito. Pode ser também através da transmissão vertical durante o parto, durante a gravidez. E também existe a transmissão oral quando esse barbeiro infectado com parasita, ele pode ser triturado eh no junto com o processamento de de alimentos, por exemplo, com a cana de açúcar, com o açaí. Então, são essas são as formas de transmissão mais comum. Eh, doutora, como que essa doença ela é diagnosticada? Eh, infelizmente menos de 7% da das pessoas são diagnosticadas hoje no Brasil com doença de de chagas. Existem exames laboratoriais que você faz no sangue da pessoa, né? exames de sorologia principalmente, mas a principal eh forma de diagnóstico ou o início desse diagnóstico deveria se dar através da investigação clínica, né, quando a pessoa apresenta eh sinais e sintomas sugestivos de doença de chagas, né? Eu falei na primeira parte sobre a transmissão, mas a doença de chagas ela tem duas formas, a aguda e a crônica. Na forma aguda, você pode ter febre, mal-estar, inchaço, principalmente das pálpebras, você pode ter distúrbios do coração. Então isso se dá de forma assim aguda, repentina e e isso pode acontecer eh de alguns dias a poucas semanas do contato com com o parasita, mas também tem a forma crônica. Muitas pessoas são portadores crônicos que não sequer sabem que são portadores, eles não têm sintomas e ou eles podem vir a desenvolver a doença crônica, que aí pode dar tanto distúrbios cardíacos, eh, e, eh, algumas alguns distúrbios que nós chamamos de de mega esôfago, de megacolo, aonde afeta o o sistema digestivo e transforma esse esses órgãos em em megaórgãos e aí acaba afetando a motilidade, o nosso trato digestivo. Mas a a se a gente não pensa que que essa doença existe, a gente não vai sequer buscar as ferramentas eh diagnósticas e pedir os exames adequados. Exatamente, doutora. Isso tudo significa que uma uma pessoa pode estar infectada e nem saber disso. Exato. Exato. é uma doença considerada uma doença negligenciada pela Organização Mundial de Saúde, o que significa que é uma doença não só eh grave e importante, mas é uma doença que não recebe a a sua devida atenção não só da dos profissionais de saúde, mas também do do governo, das autoridades, não? não recebe tecnologias, né, de de diagnóstico, de tratamento de cuidado adequados, investimentos adequados, não só no cuidado, mas como na prevenção. Uma doença também que tá relacionada a fatores de de vulnerabilidade social e econômica. Eh, doutora, as chagas tem cura? Existe algum tipo de vacina? Qual seria o tratamento para essa doença? Então, existem alguns tratamentos específicos, principalmente para paraa fase aguda. Eles estão disponíveis no no SUS, porém eles devem ser prescritos por profissionais de saúde habilitados para isso. É quando, principalmente na fase crônica, quando você já tem insuficiência cardíaca, megacolon, mega esôfago, você tem que fazer outros tratamentos, eh, como se fossem, não vou dizer paliativos, mas de suporte, né? Às vezes até, eh, tratamentos cirúrgicos para você melhorar a condição de de vida daquela pessoa. Não existe vacina. Eh, a prevenção se dá principalmente, né, da gente tentar evitar o contato com com inseto, com o barbeiro e aí eh limpeza do do dos quintais dos arredores da casa, evitar que a casa tenha fras, né, onde esse inseto possa habitar, principalmente casas de madeira, eh evitar o o a a o contato, né, do do do barbeiro com os alimentos. Então, por exemplo, para teorizar o o açaí, eh, evita a a transmissão, a contaminação pelo pelo parasita, pode eliminar o o parasita, mas, infelizmente a gente, por ser uma doença negligenciada ainda faltam tecnologias como como vacina e eh tratamentos mais eficazes até para paraa prevenção das complicações. tomar muito cuidado, né, com aquelas aqueles comércios, né, que vendem caldos de cana, sem saber exatamente a procedência, como é feito todo o preparo, né, doutora? Exato. E é claro que desde que seja feito o cuidado, a inspeção, por exemplo, da da da cana, né? Porque ali, exatamente, esse esses amultuados ou ou de cana ou de madeira, de galhos, é onde o barbeiro gosta de de habitar. Então, deveria haver uma inspeção melhor desses de de desses materiais, desses desses alimentos, né, Fernand? Porque ele pode ter o, desculpa, o barbeiro infectado pode ser triturado junto com a cana e aí eh o caldo de cana fica contaminado. Eh, doutora Fernanda, acho importante a gente falar aqui pro pessoal de casa que tá acompanhando como que o eh a forma, né, do barbeiro, se ele tem cor, o formato para as pessoas saberem identificar, né? Nossa, isso aqui é é aquele inseto que eu preciso tomar cuidado. E você poderia comentar um pouquinho, por favor? Olha, é difícil difícil descrever assim, né? O o o barbeiro ele é um ele é como se fosse um um bisourinho mais achatadinho e ele tem as pintinhas assim na borda. O que eu o acho que o que é mais eh efetivo nesse caso é as pessoas procurarem, por exemplo, imagens na internet, sites do do governo, do Ministério da Saúde, da Fiocruz, são extremamente eh seguros, com informações precisas e ali acho que as pessoas podem de fato encontrar eh uma imagem eh que possa ajudar na identificação, né? A gente tá falando para pra TV de Campinas, lembrando que o estado de São Paulo é um dos estados que mais notifica a doença de de chagas no Brasil, junto com Minas Gerais, com Goiás, Bahia e o Pará eh é o estado onde a gente mais observa casos de chagas agudo. Então, principalmente nesses lugares, eu recomendo que a população eh procure na internet a imagem do barbeiro. E é importante se você encontra esse o barbeiro na no seu quintal ou nas suas redondezas, que você não destrua o barbeiro com as não mate, porque ele pode est infectado e aí você pode acabar de alguma forma eh se infectando com parasita. Então, o ideal é que você recolha o inseto com um saco plástico, que você esteja com as suas mãos protegidas e leve para uma autoridade sanitária, leve para um serviço de saúde informando: "Olha, encontrei esse inseto na minha casa, eu tenho uma suspeita de que ele seja o barbeiro da doença de chagas". Eu trouxe aqui para vocês examinarem, mas é muito importante que ao encontrar eh um inseto que vocês suspeitem, que vocês não destruam com as próprias mãos esse inseto. É muito importante essa orientação. Doutora, com relação ao tratamento, houve algum tipo de avanço recentemente nesse sentido? Olha, é uma, como é uma doença negligenciada, eh, a gente tem poucas eh evoluções ainda. Existem tratamentos ainda que são eficazes pro para principalmente paraa fase aguda, mas a gente ainda precisa de muito investimento em pesquisa, eh, para se desenvolver tratamentos mais eficazes e, e melhores para para essa doença. Só pra gente entender melhor aqui o assunto, o tratamento ele é basicamente com medicamentos, é isso? Ele tem uma parte que é de medicamento e ele tem uma parte que vai tratar, por exemplo, complicações. Uma vez que você desenvolveu megaesôfago, megacolum, insuficiência cardíaca, arritmias, eh eventos tromboembólicos, você vai tratar esses eventos e você não vai conseguir tratar exatamente a a doença de chagas. Mas quando você tem a doença de chagas aguda, por exemplo, você consegue eh eh dar um tratamento para que a pessoa eh não evolua para para essas complicações, mas não existe. dependendo da fase a aonde essa pessoa se encontra, não vai existir exatamente um tratamento específico, aonde eh você vai sanar essas complicações. Uma vez que você desenvolveu as complicações, você vai tratar essas complicações eh eh de acordo com os sinais e sintomas que que elas tenham. Então esse tratamento não vai, por exemplo, eh resolver a arritmia cardíaca ou megacólum. Por exemplo, o megacolon eles ele é tratado cirurgicamente com através de de cirurgia. Então depende muito da da da fase da doença que que você se encontra para qual tipo de tratamento você vai receber. O ideal é que nós tivéssemos mais desenvolvimento tecnológico, mais investimento em pesquisas para que a gente tivesse diagnósticos mais rápidos, mais precisos e que a gente conseguisse entrar também com tratamentos e medicamentos que evitassem de uma forma as eficazes essas complicações ou que combatessem essas complicações, mas a gente ainda não tem tratamentos extremamente eficazes para doença de chagas. Uma pessoa infectada, ela pode morrer por conta da doença de chagas? A doença de chagas mata cerca de 4.000 pessoas ao ano no Brasil. Eh, só a doença crônica, a doença aguda também pode matar. Eh, as complicações da doença de chagas, como eu falei, elas podem ser relacionadas ao coração ou ao sistema digestivo. Então, principalmente complicações como arritms cardíaca, eh tromboismo, elas são extremamente perigosas. E e aí eh quando a gente fala que a gente tem 4.000 mortes por ano, cerca de alguns estudos falam de estimativas de de 2 a 4 milhões de pessoas eh com doença de chagas no no Brasil. e a gente ainda não tem tecnologias efetivas paraa prevenção e pro cuidado. A gente eh realmente fala o quanto que essa doença é negligenciada, mas o quanto que ela impacta, né? Eh, não só a gente tem que falar da mortalidade da da da dessa doença que que é alta, é uma é uma letalidade que pode variar aí de de 20% a a 5%, dependendo da da região. A gente tem um problema também de como a gente não diagnostica, a gente não notifica e esses números não são tão claros, mas eh dá necessidade mesmo da gente falar mais sobre o tema e a gente conseguir eh levantar mais eh eh essa questão para que que a gente consiga talvez num diagnóstico mais precoce, a gente consiga que os tratamentos evitem essas complicaçõ que levam à morte. É, doutora, sendo uma doença, né, que afeta principalmente pessoas que vivem em comunidades rurais, aquelas pessoas infectadas em grandes cidades, né, nas metrópoles, elas já vieram com a doença ou pode ter aqueles hospedeiros nas grandes cidades também? Olha, eh, hoje com a nossa falta de planejamento urbano, com a intensidade dos desmatamentos, eh, que, que nós vivemos, é claro que existe a possibilidade de você ter casos de doença de chagas, mesmo em zonas urbanas, principalmente quando a gente fala da transmissão oral da doença de chagas, mas eh a migração também é muito é um fator muito importante. Então, às vezes as pessoas se infectaram numa área rural, migraram para para uma cidade e elas são portadoras da doença ou vem vão virão a desenvolver a a doença e aí serão diagnosticadas na área urbana. Mas são são fatores também importantes, né, da da gente lembrar. E aí eu gostaria de lembrar também quando a gente fala de mortalidade e e de pessoas mais vulneráveis que não só doença de chagas mata, mas como ela causa um impacto econômico enorme por conta das suas complicações e e a a debilidade que as pessoas ficam, né? às vezes elas ficam impossibilitadas mesmo de de trabalhar. Quem tem uma insuficiência cardíaca importante, um megaacolo, um mega esôfago, dificilmente vai conseguir manter a sua atividade econômica eh regular. Mas, doutora, só pra gente também esclarecer esse ponto, ela é contagiosa, uma pessoa passa para outra ou não? Não, não passa. Ela é uma doença de transmissão através do barbeiro. Pessoa também uma outra dúvida que chegou aqui pra gente, uma pessoa com a doença de chagas, ela pode receber um transplante de coração? É, é um dos tratamentos paraa doença de chagas. O oposto é que não pode acontecer. uma pessoa com doença de chagas, ela não poderá doar seu órgão ou doar seu sangue. Mas eh inclusive é uma das principais causas de de transplante cardíaco na América Latina é a doença de chagas. Então ela pode receber o transplante. É um do das principais indicações na nossa região desse transplante, ela não teria qualquer problema, ela não seria infectada novamente, não teria eh preocupação com relação a isso, até porque os órgãos serão testados também, os órgãos a serem doados são testados para várias doenças, né? Então, claro que se esse órgão ele tá infectado com a doença de chagas, com o parasita, ele não está apto à doação. Mas a pessoa que recebeu o esse transplante, ela ela ela fica livre, vamos dizer assim, ela não vai ter essa preocupação desse novo coração ser infectado, não? Porque é eh quando você recebe um um órgão, esse órgão foi testado não só pra doença de chagas como para outras doenças. Então não há o risco de se recontaminar pelo através do do transplante. Eh, Dra. Fernanda, é verdade que a doença de chagas, ela também pode ser transmitida por grãos contaminados, feijão, lentilha, e que por isso que é preciso deixar esses grãos imersos em vinagre por 15 minutos? Isso é correto afirmar? Não. O o que acontece é que você pode ter o barbeiro dentro dos grãos. E claro, se você se você cozinhar o o o barbeiro, o parasita que tá dentro do barbeiro, vai se tornar inviável. o o o que transmite chagas através, né, da transmissão oral é você triturar o barbeiro e eliminar o o o parasita naquele alimento cru, mas a gente limpa o o os alimentos por conta de outras bactérias, de outros vírus. Eh, mas a o o óbvio, o barbeiro ali de um um num saco de de grão grande, ele ele pode você pode encontrar o barbeiro ali dentro. Se você triturar o o barbeiro de alguma forma e e ingerir, você pode se contaminar, mas não é a a a via que ocorre, porque esse o grão geralmente vai ser cozido. Eh, doutora, qual você queria, qual você acredita, né, na verdade, que seria a melhor estratégia a ser tomada pelas autoridades, né, com relação às políticas públicas para que essa doença não seja assim tão negligenciada, né, como a gente acompanha atualmente. Acho que primeiro eh existem, né, na na comunidade científica internacional, organismos eh eh não governamentais eh internacionais, que fazem uma coalizão para que se aumente os investimentos eh em doença de chagas. Então, acho que a o primeiro fator seria que as autoridades governamentais se alinhassem mais a essas agendas, a essas pautas, a essas instituições, organizações, para que eh houvessem investimentos eh sérios e importantes eh necessários para para a doença de chagas, não só na prevenção como como no cuidado, né? Então, existiria desde a prevenção formas de você eliminar o o barbeiro até eh desenvolvimento de ferramentas diagnósticas mais eh eficazes, mais rápidas, mais específicas, tratamentos mais eh eficazes. Então, eh, eu acho que além, claro, né, da da gente falar de eh limpeza urbana, limpeza de de de quintais, cuidado no desmatamento, planejamento urbano, né, isso é importante para todas as doenças que são transmitidas por vetores, não só a doença de chagas, mas, por exemplo, doenças transmitidas por mosquitos. Então, eh, a gente desmata hoje com muita facilidade, eh, constrói condomínios, resortes em áreas de de floresta, áreas de mata, sem pensar naquele ecossistema, como que a gente tá perturbando aquele ecossistema e levando mosquitos, insetos, animais que convivem ali com a a a aqueles parasitas, aquelas doenças. mas que não transmitem paraos seres humanos. Mas quando a gente invade o ambiente deles, eles acabam invadindo também o nosso ambiente. Então, há uma necessidade das autoridades pensarem em coleta de lixo, em saneamento, em planejamento urbano e e um maior respeito a ao meio ambiente. Doutora, pra gente encerrar então esse primeiro bloco, é possível a gente falar de erradicação da doença de chagas nesse cenário atual? É, no cenário atual, eh, com pouco investimento, com, eh, eu acho que com se pouco conhecimento, a pouca divulgação, eu acho que é muito importante eh o trabalho que vocês estão fazendo agora de divulgar eh eh falar sobre a doença de chagas. porque uma doença é negligenciada, desconhecida, mas existem sim eh esforços internacionais eh para que a doença de chagas seja erradicada. do que a gente precisa é de maior esforço por parte das autoridades eh de saúde, eh agrícolas, eh de planejamento de de cidades que de tecnologia, de ciência que levem mais a sério. Eh, e essa pauta. é possível erradicar, mas a gente precisa de fato eh divulgar, conhecer e exigir respostas mais eficientes. Doutora, muito obrigada pela sua participação e sua disposição. Eu que agradeço o convite. No próximo bloco, nós vamos falar sobre os desafios de identificar mulheres em idade fértil com chagas congênita e que residem em regiões de alto risco. Nós vamos para um rápido intervalo e já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde à Vida e hoje falando sobre a doença de Chagas. Neste segundo bloco nós vamos abordar sobre a doença de chagas congênita. Para abordar esse assunto, eu converso com o Marcelo Gonçalves, farmacêutico e bioquímico da Viner Lab. Eh, Marcelo, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde à Vida neste segundo bloco. Eu que agradeço, Ana, de participar de um assunto tão importante. Marcelo, vamos explicar um pouquinho, então, né, pra gente começar aqui o nosso bate-papo. Primeiro ponto, o que que é a doença de chagas congênita? A doença de chagas congênita é quando a mãe eh transmite o parasita pro filho através da placenta ou no momento do parto, tá? Então é o que a gente chama de transmissão vertical, a doação de órgãos e e também as transfusões são sanguíneas são muito controladas aqui no Brasil. Essa via de transmissão quase que não existe no país. E sendo assim, a transmissão vertical é uma das mais importantes, tá? que é a transmissão da mãe para o filho. Quais são os desafios para que essa identificação, né, dessa transmissão vertical eh seja aí controlado, né? Quais são os principais obstáculos para que isso aconteça? Tá? Nós temos aí dois grandes desafios. Primeiro é identificar as mulheres na idade fértil, que são portadoras da doença de Chagas, porque a doença de Chagas na fase crônica, né, eh, ela não apresenta sintomas e muitas pessoas têm a doença e não sabem. Então, essas mulheres, eh, deveriam ser identificadas e tratadas antes da gravidez, tá? Caso isso ocorra, a mulher já esteja com a doença eh e já está grávida, o importante então é identificar o bebê, tá? Existe hoje metodologias bem mais sensíveis que a gente consegue detectar eh eh o DNA do do tepanossoma cruz no bebê ainda quando ele está na maternidade e aí sim iniciar o tratamento precoce. E eh estudos mostram que o tratamento nessa fase inicial da doença, ela praticamente tem 100% de cura. as chances são muito grandes. Então, a gente precisa encontrar essas mulheres que estão com chagas e tratar os bebês que venham a ser positivos. Eh, nesse caso, né, Marcelo, as mães elas costumam apresentar algum sintoma quando estão infectadas, né, com a doença de chagas? A doença de chagas, ela é muito difícil de se identificar, tanto na fase aguda, tá, quanto na fase crônica. Então, muitos dos pacientes eh acabam descobrindo que tem a doença de chagas quando a doença já se instalou e já gerou algum problema físico, um problema cardíaco, um problema digestivo. Então, eh muitas vezes é é surpresa eh quando a mãe faz o teste de chagas e e ela encontra o resultado positivo. Eh, Marcelo, uma outra questão, né? Existem riscos para os recém-nascidos que que com doença de chagas, né, que não for aí detectada essa doença de chagas congênita, quando não detectada, né? queria que você explicasse um pouquinho quais os riscos pros bebês. Sim, então, a as crianças muito muito novas, elas não produzem esses anticorpos ainda, elas não têm um sistema imunológico tão efetivo, então fica difícil a gente identificar com alguns testes. Então, tem que ser feito um teste molecular, tá? para que você identifique o quanto antes essa doença e comece o tratamento para pra gente obter a cura desse dessa criança. Se se estender o prazo, essa criança vai entrar na fase crônica, tá? E os medicamentos na fase crônica, eles não são tão efetivos, principalmente para curar as chagas. Eles sim vão manter o controle, tá? Algumas pessoas podem não desenvolver a a o os sintomas mais agressivos das chagas, né? Mas é um risco muito grande. Então, o importante eh eh de se obter a cura das chagas ou chegar próximo eh eh um tratamento 100% é identificando no início da doença, tá? Que não que esse bebê não entre eh na fase crônica. Até isso que eu ia te perguntar, né? se essa chagas congênita, ela tem uma chance de cura e como que seria a melhor forma aí da dos governos, né, das políticas públicas voltadas para que isso possa ser combatido da melhor maneira. O grande desafio das autoridades eh são identificar essas mulheres eh eh que vivem nessas regiões endêmicas, né? O importante é testá-las, tá? identificá-las, iniciar o tratamento e dar toda orientação antes da gravidez, tá? Isso é o maior desafio. Então, tem que ser feito testagens em massas. A as indústrias diagnósticas já disponibilizam alguns testes eh com um custo bem mais reduzido, onde você consegue fazer essa essa triagem em grande escala, tá? Principalmente nas regiões eh eh endêmicas. Então, temos que que fazer isso, temos que identificar essas mulheres e sim também disponibilizar testes mais eh sensíveis e específicos para esses bebês que nascem de mães que já estão contaminadas. Eh, Marcelo, esses testes, eles já existem na rede pública de saúde ou ainda não? O Brasil, o Ministério da Saúde, junto com a Fiuz, já existe um projeto piloto em cinco regiões eh eh do país. Acho que são duas cidades do Norte, eh Minas, eh Rio Grande do Sul e Bahia, fazendo um teste piloto, onde eles estão fazendo a triagem dessas mulheres. Então, identificado no teste de triagem, é um teste rápido. Essas mulheres então são encaminhadas para um centro de saúde para fazer a confirmação, ou seja, elas vão irão fazer outros testes para confirmar a doença de chagas, já inicia um tratamento eh eh imediato e recebe a orientação caso elas pretendem eh eh engravidar ou ou ter filhos, né? Voltando aí um pouquinho ao assunto, né? pros bebês, essa doença de chagas, tanto na fase aguda ou quanto aí na fase mais grave, ela pode deixar sequelas paraa criança futuramente? Sim, as sequelas são visíveis, né? Então, a criança realmente, se ela não for tratada na fase aguda, ela vai entrar na fase crônica e aí correu o risco de ter as doenças eh eh da doença de chagas, que é a a parte cardíaca, que é a mais grave, né, que representa 90% da morte desses pacientes, né, a causa cardíaca, como também os os problemas eh intestinais. É uma doença muito grave. Eh, Marcelo, eu gostaria que você explicasse agora sobre o kit de alta sensibilidade para a detecção de DNA do parasita tripanossoma cruzi, que é o o chamado barbeiro, né? Eh, a até anos atrás, a o único teste que se fazia dessas crianças, né, quando se detectava que a mãe era positiva para chagas, era um teste de pesquisa do parasita. Então, a gente colhe uma gotinha de sangue do bebê, faz a lâmina e observa se há o parasita nessa lâmina. Mas é um teste ainda muito eh eh muito pouco sensível, depende muito da da expertise do operador que faz esses testes e pode dar falsos negativos, né? Porque você tá pesquisando o parasita numa gota de sangue. Agora, com o desenvolvimento de testes moleculares, nós detectamos e o DNA do parasita, ou seja, a quantidade mínima de parasita que existe nessa criança, nós conseguimos detectar. Por isso que é um teste muito mais eh sensível e específico, tá? E a gente consegue detectar, é um teste que é feito de um dia para o outro, tá? Então, eh, se amostra num dia, no outro dia já tem o resultado. É bem rápido. Então, sim. E é é eficaz esse teste, Marcelo. A, a chance dele diagnosticar aí é é bem preciso. Então, sim, é bem preciso. Tanto a sensibilidade, né, quanto a especificidade, chega a quase 100%. Então, a gente consegue identificar eh se aquela criança eh está contaminada com o tripanossoma cruz. Além desse teste, Marcelo, existem outros tipos de testes ou diagnóstico para esse tipo de chagas, né? As chagas congênita? Olha, eh, o que nós disponibilizamos são esses dois testes hoje, que é o é o teste do parasita, tá? eh, diretamente. E agora esse teste de biologia molecular que veio a somar eh eh trazendo mais especificidade e e qualidade no teste, mas nós não temos muita opção. Ah, entendi. Marcelo, como essa doença ela é pouco falada, né, até negligenciada, a gente pode dizer, você acredita que faltam ainda mais campanhas de informação, mais divulgação sobre esse assunto para toda a população ficar atenta? Sim, Ana, falta muito, né? Ela é uma doença que depende de ações sanitárias, né? Então, é uma doença que ela foi descoberta eh em 1909 e até hoje nós temos eh uma quantidade enorme de pessoas eh eh com essa doença, né, infectadas ou ou morrendo por motivo dessa doença. Então, ela depende de ações conjuntas, principalmente de de ações sanitárias, né? melhorar a habitação das pessoas, o saneamento básico, então, eh o combate ao inseto, né, o triatomínio. Eh, também eh eh um ponto também de transmissão dessa doença são as contaminações por ingestão de alimento em algumas regiões do norte, por exemplo, cana de açúcar, açaí, podem estar contaminada com barbeira que pode ser eh eh triturado, né, junto com o alimento no momento do processamento. e esse alimento ser ingerido e e causar a transmissão do parasita pra pessoa. E a forma congênita, né? Então, e a forma congênita depende dessas ações, identificar essas mulheres, fazer testagens em massa, né? E o tratamento desses bebês, tá? No caso das mães, né, Marcelo, eh, como que seria o tratamento, se elas já se elas já estão grávidas na gestação, como que é esse tratamento para essas mulheres? É, o Ministério da Saúde já disponibiliza, né, o o o antiprotozoário, né, que é o que é o o medicamento usual na fase crônica. Mas na fase crônica o paciente, o o tratamento é mais para se evitar a parasitose, né? Eh eh geralmente ele tem pouca ação de cura. Eu acho que menos de 5% das pessoas se curam na fase crônica, mas elas mantêm equilibrado a quantidade de parasita e elas podem conviver eh eh com essa doença sem ter os o os problemas graves. O problema maior é que a pessoa não identifica ou quando identifica essa doença, ela já está num estágio avançado, tá? Aí vão exigir outros outros tratamentos. por exemplo, se o coração já foi eh eh atingido, eh a pessoa já pode estar com uma insuficiência cardíaca grave e necessitando até mesmo de transplante do coração, tá? Eh problemas de eh digestivos também graves e geralmente essas pessoas são identificadas já numa fase mais eh eh problemática da doença. Eh, como farmacêutico, né, e também bioquímico, você acha que faltam avanços? relacionados a esse tema, eh, para diagnóstico, para pesquisa mesmo, né, sobre a doença de chagas. Olha, a empresa diagnóstica, ela ela realmente está indo atrás eh desenvolvendo esses testes, mas a gente vê a indústria farmacêutica eh não tem um interesse tão grande, né? Porque é uma doença de países subdesenvolvidos, né? O Chagas, a grande maioria do do das pessoas infectadas com Chagas são aqui na América Latina, eh um pouco na Ásia, na África, né? Então, realmente, essas doenças negligenciadas elas eh têm uma carência de estudos maiores, de medicamentos. Eh, realmente isso é verdade. Falta aí um pouco, né, de esforço, então, para que eh novos diagnósticos apareçam e ajudem nessa população também, né, Marcelo? Sim. Novos tratamentos também, né? eh o desenvolvimento de de medicamentos mais eficazes também e de repente até proporcionar a cura na fase crônica. Eh, Marcelo, você, né, como especialista aí nesse assunto também, você acredita que o Brasil, né, a gente pode ajudar de alguma forma a levar tratamento pros demais países aí da América Latina? Isso é possível também? Sim, sim. Esse projeto do Ministério da Saúde da Fioocruz envolve outros países, como Paraguai e Bolívia também. Então, eh eh há um trabalho muito forte na Argentina também eh eh há um trabalho muito forte do do combate às chagas. Então, esses países se unem sim quando possível em projetos eh eh de grande porte paraa identificação desses pacientes. Eh, Marcelo, só pra gente retomar então um pouquinho aqui neste segundo bloco, é a forma de transmissão principal, né, da doença de chagas e o que que as pessoas que estão em casa acompanhando, eh, precisariam fazer, né? Recorre a qual médico? Busca primeiro qual diagnóstico, qual exame? Tá? A população que vive em área de risco tem que ficar atenta com relação ao inseto, ao barbeiro, né? Ao bicho barbeiro. Identificando esse inseto, colete esse inseto, leve para um posto de saúde que o pessoal vai saber se ele é eh hematófago, porque el esse esse inseto, ele tem eh várias eh eh espécies semelhantes, né? Algumas delas se alimentam de seiva, de seiva, de de frutos. Então ele não não causa a transmissão do Chaves, mas é importante a gente identificar, tá? Eh eh fazer triagem, eh fazer os testes também, as pessoas que moram nessas eh regiões também, procurar um centro de saúde, fazer o teste de chagas, tá? eh tratar as crianças que que são filhas de de são filhos de de mulheres chagásicas e o cuidado com a alimentação e o país também eh eh procurar eh eh orientar a população e também investigar esses alimentos, né, que são coletados principalmente eh eh de matas, né, como o açaí ou de plantações próximas a matas, como cana de açúcar, tem um maior controle desse do processamento desses alimentos. né, que hoje essas três formas de transmissão são as mais graves aqui no país. Então, para quem, né, só para reforçar, a população precisa ficar atenta e quando tiver aí um primeiro sintoma já buscar esse diagnóstico. É isso? Sim, sim. Eh, eh, a doença de chagas na fase aguda, ela é uma doença que causa uma febre, malestar, às vezes vômitos. Ela ela se se confunde muito com outras doenças. O importante é a população buscar essa ajuda médica, principalmente se se observou que existe o inseto próximo à sua residência, tá? eh orientar o médico para que ele ele ele possa aí eh eh solicitar esse exame e e conseguir identificar ainda na fase aguda da doença, que é o início da doença. E iniciando o tratamento imediato, as chances de cura é muito grande. Eh, Marcelo, até para as crianças, né, que já estão, infelizmente, aí com a doença, já estão infectadas, esse tratamento difere em alguma coisa com o tratamento aplicado pros adultos? Não, o medicamento é o mesmo, tá? O que muda é a dose das crianças, tá? Eh, a grande dificuldade do tratamento na fase crônica é que esse esse parasito, o tripanossoma, ele invade as células, né, principalmente do coração, rim, do intestino, e se alojam ali. Eh, e é difícil você eliminá-lo quando ele está nessa fase. Então, o que a gente vai mantendo é o equilíbrio para que quando ele entre na fase infectante e eh ele não entre em grandes proporções, tá? Então você vai medicando essas pessoas, equilibrando e depois também tratando as doenças eh eh que vão causando eh eh causadas pela pelo Chagas. Então, além da própria doença em si, ela vai aí causando outros problemas no organismo da pessoa. Quais seriam esses outros agravantes, né, Marcelo? Tá. É, o na parte intestinal o parasita, ele acaba se alojando eh eh em algumas partes do intestino, né, causando megaisôfago. O isôfago acaba aumentando de tamanho e perdendo a a aquele movimento peristáltico. Então, a pessoa tem dificuldade de engolir alimentos, de tomar líquidos, né? e também o megacolon, que é a parte final do intestino, onde onde se encontram as feeses, eles se eles também vão perdendo o peristaltismo. Então essas pessoas têm dificuldades eh eh de evacuar as feeses. E e é um transtorno muito grande, né? Pode causar outros transtornos grandes pra pessoa. E o maior mal do do da doença de chagas é quando o parasite se aloja nas células do coração, tá? Então esse coração eh vai se lesionando ao longo do tempo, né? Eh eh ele costuma aumentar de tamanho e perder sua função. Ele diminui os batimentos cardíacos e a pessoa entra num processo que a gente chama de insuficiência cardíaca. E a insuficiência cardíaca cardíaca é irreversível, né? Então ela só tende a progredir. Então ali eh eh já a você tem que fazer o tratamento do do do parasita, mas você também agora tem que começar a tratar o coração com outros medicamentos, tá? E e algumas pessoas eh eh tendem até a necessitar de um transplante cardíaco. Eh, Marcelo, eu gostaria de agradecer a sua disposição aqui, né, com a nossa equipe e também a sua participação aqui no Saúde à Vida. Muito obrigada. E eu que agradeço, Ana, de participar de um assunto tão importante. O Saúde é Vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música] الله [Música]
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