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Saúde é Vida | Dezembro Vermelho: hiv, aids e prevenção
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Saúde é Vida | Dezembro Vermelho: hiv, aids e prevenção

878 views Publicado 07/12/2025 HD · 32:42

Descrição do vídeo

No Saúde é Vida de hoje, abordamos um tema essencial para a saúde pública e para a vida de milhões de brasileiros: Dezembro Vermelho, a campanha nacional de conscientização sobre HIV, Aids e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Em um bate-papo esclarecedor com a infectologista Gisele Cristina Gozuen, da Universidade Federal de São Paulo e coordenadora do Comitê de Comorbidades da Sociedade Brasileira de Infectologia, discutimos prevenção, diagnóstico, tratamento e, principalmente, os desafios atuais na luta contra o HIV. Dados recentes do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2024 revelam um cenário de atenção: houve um aumento de 4,5% nos diagnósticos de HIV em 2023, reflexo tanto da maior testagem quanto da ampliação do acesso aos serviços de saúde. Em contrapartida, a taxa de mortalidade por Aids caiu para 3,9 óbitos por 100 mil habitantes — a menor desde 2013. Esses números mostram avanços, mas também reforçam a urgência da conscientização contínua. Ao longo da entrevista, explicamos de forma clara as diferenças entre HIV e Aids, os sintomas, o período de janela imunológica e a importância do diagnóstico precoce. Falamos também sobre as pessoas assintomáticas que, por não apresentarem sinais clínicos, podem passar anos sem saber que são portadoras do vírus — e por isso mesmo reforçamos a necessidade de testagem periódica, inclusive com o autoteste, disponível gratuitamente pelo SUS. Um ponto central do programa é a explicação sobre as formas de prevenção combinada, que vão muito além do preservativo. A médica detalha como funciona a PrEP (profilaxia pré-exposição), disponível gratuitamente no Brasil, e também a PEP (profilaxia pós-exposição), indicada em situações emergenciais, como violência sexual ou acidentes ocupacionais. Também discutimos a ascensão da sífilis e outras ISTs, que vêm crescendo de forma preocupante, especialmente entre jovens e pessoas que não associam sua rotina sexual a riscos reais. Falamos ainda sobre o impacto do preconceito e da desinformação, que afastam muitas pessoas dos serviços de saúde e dificultam o combate ao vírus. Explicamos como o HIV NÃO é transmitido e reforçamos a importância da conversa aberta dentro de casa e nas escolas — porque educação sexual salva vidas. Outro ponto fundamental é a mensagem de esperança: quem vive com HIV e realiza tratamento corretamente pode ter vida absolutamente normal, com qualidade e longevidade. Pessoas em tratamento contínuo, com carga viral indetectável há pelo menos 6 meses, não transmitem o HIV, uma informação essencial para reduzir estigmas. Este episódio é indispensável para quem deseja entender melhor o HIV hoje, aprender a se proteger e ajudar a combater preconceitos. Assista até o fim, compartilhe informação e faça parte dessa corrente de conscientização. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[música] Olá, começa agora mais uma edição do Saúde é vida, levando muita informação para você que acompanha a programação da TV Câmara Campinas. Hoje o tema é dezembro vermelho, a campanha brasileira de conscientização sobre HIV, Aides e outras doenças sexualmente transmissíveis. O boletim epidemiológico de HIV e Aides de 2024 do Ministério da Saúde apontou que em 2023 houve um aumento de 4,5% nos casos de HIV em comparação a 2022, demonstrando aí um aumento da capacidade de diagnósticos dos serviços de saúde. Além disso, em 2023 a taxa de mortalidade por Aides foi de 3,9 óbitos. a menor desde 2013. Pra gente conversar sobre esse assunto, bater esse papo, né, a gente convidou a Gisele Cristina Gozuen, ela que é infectologista da Universidade Federal de São Paulo e coordenadora do Comitê de Comorbidades da Sociedade Brasileira de Infectologia. Seja muito bem-vinda, Gisele. É um prazer recebê-la aqui no Saúde é Vida. Eu que agradeço. Bom dia a todos. Gisele, pra gente começar, a gente vai falar um pouquinho sobre a importância, né, dessa conscientização dezembro vermelho, não só nesse mês, né, que vai iniciar, mas também é importante falar sobre as doenças sexualmente transmissíveis dentro de casa, nas escolas. É muito importante isso, né? Com certeza. Eh, eu sou partidária da importância da educação continuada, né? Começando, como você acabou de dizer, pelas escolas, passando por todas as fases da vida, porque nunca demais se instruir e a possibilidade de se prevenir contra infecções sexualmente transmissíveis é fundamental. ainda existe, né, um tabu falando sobre as doenças sexualmente transmissíveis, né, que na verdade deveria ser o oposto, né, Gisele? É, mas é porque elas estão ligadas eh a comportamentos que ainda são tabus na sociedade, né? Eh, entende-se que quem adquire uma infecção sexualmente transmissível está se colocando em risco, seja pela multiplicidade de parceiros, seja pela forma com que se conseguiu essa infecção e isso ainda é gera muito preconceito por parte da sociedade como um todo. Perfeito. Bom, então pra gente eh contextualizar, né, sobre tudo isso, quero que você fale um pouquinho sobre as doenças, né, falando sobre HIV, Aides e também outras doenças sexualmente transmissíveis. Gisele, então, a o HIV é o vírus da imunodeficiência humana, é o vírus causador da síndrome da imunodeficiência adquirida, conhecida como Aides. E existe na atualidade inúmeras formas de prevenção, além do uso do preservativo, que é de fundamental importância para a prevenção das outras infecções sexualmente transmissíveis. Com relação ainda ao HIV, nós podemos utilizar medicações na chamada profilaxia pré-exposição, onde as pessoas podem utilizá-las eh antes de ter essa relação sexual e de uma forma contínua ou mesmo intermitente, de acordo com a frequência com que se relaciona sexualmente. No Brasil ainda não foi instituída a profilaxia para outras infecções sexualmente transmissíveis eh bacterianas, mas isto vem ganhando uma força na comunidade internacional e muito provavelmente o nosso protocolo deve mudar também com relação à doxp, que é a utilização de um antimicrobiano chamado doxiclina para prevenção de sífiles e gonorreia. Perfeito. Esse medicamento, né, que você falou, ele é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde, como que funciona essa questão? E a pessoa ela vai, ela chega antes mesmo de iniciar, né, a vida sexualmente? Como que é na prática isso? Antes de iniciar a vida sexual, é importante ressaltar eh a vacina contra o HPV, que é o papiloma vírus humano, que é responsável pela grande maioria de cânceres, tanto do trato genital feminino, mas também do trato genital masculino. E com relação ao uso dessa medicação eh que eu citei paraa profilaxia do HIV, ela está disponível no Sistema Único de Saúde. Basta que a pessoa se dirija a um centro de testagem e aconselhamento ou a um centro de referência ou a um serviço de atendimento especializado, onde ela vai realizar alguns testes rápidos para sífiles, hepatites e o próprio HIV. e então será avaliada a a melhor indicação dessa profilaxia a depender do comportamento sexual de cada indivíduo. Num primeiro momento, as populações mais vulneráveis, como profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens, foi eh preferencial, mas eh mulheres que t parceiro soro diferentes, ou seja, o parceiro tem HIV e a pessoa não tem HIV, ela também pode se beneficiar da utilização dessa medicação gratuitamente. Tá certo, Gisele? Eh, a gente vai falar um pouquinho sobre eh o HIV, né, os sintomas e também uma curiosidade, né, uma pessoa, ela pode ter o HIV e não desenvolver a aides. Ela pode, principalmente se ela tiver um diagnóstico precoce, quando essa infecção não foi capaz de debilitar o sistema imunológico desse indivíduo. Por isso a importância de sempre se testar, porque eu costumo dizer que pior do que se conhecer soro positivo é não saber que tem a infecção e só descobri-la quando se está muito doente, com a muito avançada. E quanto tempo leva, né, para pro HIV ele ser detectado após essa infecção? Quais são os sintomas? E existem também pessoas que são assintomáticas, por exemplo. Sim, existe esses dois cenários, né? Se eu tiver falando de uma infecção pelo HIV na forma aguda, essa pessoa pode ter sintomas como qualquer quadro infeccioso viral, como coriza, aumento dos gangnglios, principalmente na região do pescoço, dor de garganta e ela pode ser confundida como infecção viral, como outra infecção viral qualquer. E da mesma forma a pessoa pode se infectar e passar muitos anos sem desenvolver nenhum sintoma e muitas vezes fazer o o diagnóstico porque foi se testar eh como rotina e infelizmente o resultado veio positivo sem que ela manifestasse qualquer sintoma, certo? Então, a importância, né, obviamente desse de detectar quanto mais cedo, justamente para fazer esse tratamento adequado, né, qual é o tratamento pro pro vírus HIV, como que a pessoa ela deve se comportar diante esse tratamento? Eh, tem também a prevenção combinada. Eu queria que você explicasse o que vem a ser essa prevenção combinada, Gisele. Então, essa prevenção combinada é justamente o que eu já citei. Por muito tempo nós reforçávamos só a importância do preservativo, mas hoje a gente tem a utilização dessas outras medicações que combinadas com o uso do preservativo vão prevenir essa esse indivíduo de adquirir qualquer infecção sexualmente transmissível. Essa é a chaven combinada, porque não adianta a gente ficar insistindo na importância do uso do preservativo numa população que não tem a cultura do seu uso, né? Principalmente a população mais idosa, que não se vê a mulher, por exemplo, em possibilidade de engravidar por conta da menopausa e, portanto, ela não se sente exposta em risco, né? E você perguntou também com relação, além da à prevenção combinada, a questão do tratamento. Hoje em dia, o tratamento, já hoje em dia não, já há muitos anos, o tratamento é disponibilizado pelo Ministério da Saúde também de maneira gratuita e ele deve ser indicado no momento do diagnóstico. Quanto mais precoce o início do tratamento antiretroviral, maior a chance dessa pessoa conseguir viver com qualidade e tanto quanto uma pessoa que não vive com HIV, certo? Eh, a gente até comentou falando sobre essa questão, né, da qualidade também do preconceito, da discriminação, porque muita gente, acredito eu, que ainda acha, né, que a transmissão ela acontece assim aleatoriamente, né? Muita gente que conhece alguém que tenha o vírus, acaba tendo um certo receio. Isso acontece pela falta de conhecimento sobre a doença mesmo, Gisele? Com certeza. e principalmente pela discriminação, como a gente falou no início dessa conversa, né? Eh, aides, ela não se pega por um abraço, por um aperto de mão, por um beijo, por uso de talheres, por compartilhar o mesmo copo. Ela é transmitida por relação sexual ou contato íntimo com sangue contaminado. Eh, houve um tempo em que a gente se preocupava muito com os bancos de sangue, mas existe um controle extremamente rigoroso eh no nosso país e essa forma de transmissão ainda é muito rara. Eh, devemos lembrar da importância do uso de materiais perfortantes de maneira individual, como, por exemplo, alicates de unha, aparelhos de barbear, que passa inclusive é uma questão de higiene, né? Cada um deve ter o seu e esses objetos não devem ser compartilhados. para quem frequenta salão de beleza, eh, lembrar da importância de saber se tem autoclave nesses serviços, porque o uso de estufas para esterilização desses materiais, ele é proibitivo, tá certo, Gisele? Bom, eh, eu queria falar um pouquinho, né, sobre essa questão ainda, né, do diagnóstico e falando também em relação à mortalidade e a gravidade da da doença, né? Qual é o estágio mais grave da doença? É, não fazendo esse tratamento adequado. Quais são as sequelas também? Se a pessoa ela já tem uma imunidade baixa ou se ela tem algum outra alguma outra comorbidade, como que funciona no organismo? ela tendo sendo diagnosticada com a então quanto mais precoce o diagnóstico, eh menor o risco dessa pessoa desenvolver qualquer doença relacionada ao HIV, certo? Então, por isso a importância de diagnosticar e já iniciar o tratamento. Quanto mais debilitado o sistema imunológico, maior o risco dessas pessoas desenvolverem as chamadas infecções oportunísticas que acometem justamente eh pessoas que tenham a contagem de linfócitos TCD4 muito baixas, abaixo de 200, por exemplo. E o problema de não se conseguir eh interromper essa cadeia de transmissão é justamente porque graças ao tratamento essas pessoas não adoecem e principalmente os jovens eh pensam que é uma doença que não mata mais, né? Eh, o que é uma grande bobagem porque como eu disse também no decorrer dessa conversa, muitas pessoas estão infectadas, não sabem que tem a infecção e consequentemente não se tratam. E o vírus ele evolui, na verdade, a carga viral vai aumentando de modo a debilitar ainda mais essa pessoa até o ponto que ela fica extremamente doente e muitas vezes a gente não consegue retroceder esse quadro e o indivíduo acaba indo a óbito, tá certo? em relação à à faixa etária, né, esse levantamento que nós acabamos, né, apontando do Ministério da Saúde foi um levantamento, um boletim epidemiológico de 2024 com base, né, em 2023. acredito eu que tenha assim mais dados já números, né, maiores do que esse, Gisele, falando um pouquinho sobre essa questão da adolescência mesmo, né, como você disse, muitos ainda acham que é uma doença que não está afetando, que não leva ao óbito. Você acredita que os jovens e adolescentes eles não falam muito sobre por essa questão mesmo de achar que nada vai acontecer mesmo porque no Sistema Único de Saúde tem o teste rápido, tem a a o acesso fácil de preservativo. Então assim, tem muita informação, muita eh coisa fácil pros adolescentes e ainda assim tem números maiores sobre essa questão mesmo da doença. Então, na verdade, o que a gente vem observando é um aumento no número de casos, principalmente em jovens, como você citou, mas também na população idosa, que, como eu já disse, não se vê em risco para adquirir essa infecção. O jovem, o adolescente, por si só, ele, nessa fase da vida, a gente é mais desafiador, né? a gente acha que pode tudo, que nada de ruim vai acontecer conosco e, portanto, não tem por eu me preocupar, não há porque eu me prevenir, porque eu não me vejo em risco para adquirir uma infecção dessa. Você citou da disponibilidade do preservativo, mas nós também temos nos nas unidades de saúde geolubrificante, que é dado gratuitamente, o preservativo masculino, mas também o preservativo feminino, para quem se sente desconfortável em usar o preservativo masculino e o autoteste. A pessoa não precisa nem se testar no serviço de saúde. ela se sentir mais confortável de levar esse kit para casa e fazer o auto teste em casa, isso também é possível, tá certo? É importante a gente levar exatamente essa informação, né, tirando um pouquinho de lado esse tabu e mostrar mesmo essa conscientização que já está disponível aí para todo mundo, né, para todas as comunidades. Então, talvez falta mesmo esse conhecimento de fato. Gisele, uma pergunta. que eu queria fazer em relação às outras doenças sexualmente transmissíveis, né? Você como infectologista, quais dessas doenças elas estão sendo mais acometidas, né? Além do HIV Aides, tem essas outras doenças também, sífiles, por exemplo, você viu, percebeu também um aumento nesses casos? a gente teve um aumento de mais de 700% no número de casos de sífiles. E isso é uma grande eh preocupação, porque principalmente levando em consideração a sífiles neonatal, né? Se essa gestante não fizer um pré-natal adequado e se e se ela não for testada eh em todo o período da gestação, ela pode fazer com que essa infecção passe pro bebê, trazendo uma série de de problemas, eh inclusive podendo até fazer com que essa criança evolua a óbito. É isso é uma preocupação, porque as pessoas muitas vezes utilizam a PREP, que é a medicação que eu falei para você, que é a coformulação da intricitabina com tenofovir e acham que estão protegidas contra toda e qualquer infecção sexualmente transmissível. É importante ressaltar que essa medicação só protege para paraa aquisição do HIV, mas a única forma de prevenir outras ISTs é realmente com uso de preservativo. Eu acho que uma coisa que falta bastante é falar mais sobre essas infecções, falar mais sobre aides. Antigamente, principalmente no início da pandemia de aides, no mundo, existiam propagandas maciças, né, na inclusive na mídia leiga, eh, chamando a atenção da população como um todo sobre a importância de se prevenir, mas, infelizmente, com o passar dos anos, isso foi diminuindo e hoje, eh, muito se fala no mês de dezembro, né, por conta do dia primeiro, que é o dia mundial de luta contra Aides, mas a gente esquece que a vida continua nos outros 11 meses, né? Então, eu acho que que seria muito importante a gente retomar eh a propaganda a respeito dessas infecções, tentando trazer um esclarecimento maior a toda a população. Também acho importante que os pais, a família, é, se sinta à vontade para conversar com seus filhos adolescentes mesmo antes deles iniciarem a vida sexual, porque muitas vezes a gente deixa isso a cargo das escolas e essa responsabilidade definitivamente não é da escola. Essa responsabilidade é dos, começa em casa, é dos pais e ela deve ser continuada, né, como uma forma de associação nos outros locais onde essa esse adolescente frequente. Exatamente, Gisele, você comentou falando sobre essa questão mesmo, né, de ampliar o conhecimento, de ampliar as informações. Antes a gente ouvia muito mais, né, falar sobre tinham os comerciais. Hoje já não se fala tanto, né? talvez pela falta de informação ou apenas só para deixar no mês de dezembro como outras doenças, né, que acometem também outros meses também tem outras cores, né, como a gente já vem falando aqui também na programação da TV Câmera, mas levar em consideração que esse assunto ele é importante e precisa sim ser disseminado aí nas escolas, mas como você disse, principalmente dentro de casa, que é onde realmente inicia, né, essa essa conversa, mas ainda falta talvez essa essa sensibilidade também, né, por parte de alguns familiares de ter vergonha ou receio, né, de esperar a o adolescente perguntar e não, o ideal é não esperar perguntar e já iniciar essa conversa, né? Com certeza. de uma forma como se conversa a respeito de todo e qualquer outro assunto. Nós precisamos tirar esse tabu eh na como eu falei na sociedade sobre sexo, sobre uso de drogas, porque faz parte da realidade da vida de toda e qualquer pessoa em algum momento da vida. E a gente precisa tá eh ciente, né, dos riscos que a gente vai se expor para poder se prevenir, tá certo? Só pra gente eh contextualizar novamente falando sobre a esse medicamento, Gisele, algo que eu não perguntei, eh, tem uma idade mínima para iniciar o uso dessa medicação? Geralmente pessoas com 18 anos ou mais. Eh, mas se um adolescente procurar numa faixa etária inferior a 18 anos, procurar um serviço de saúde, ele vai ser acolhido, vai ser orientado e ele pode, sim, a partir dos 16 anos, eh, retirar essa medicação também de forma gratuita. Eu gostaria de salientar aqui também a importância de uma prática que não era comum eh na nossa sociedade, que é o uso de drogas injetáveis. Isso vem se tornando cada vez mais frequente e por isso temos nos preocupado bastante em fazer o que a gente chama de prevenção de danos, porque a partir do momento que a pessoa está sobre efeito de alguma droga ilícita, ela muitas vezes não tem consciência do que pode acontecer com ela. Então, é muito importante a gente salientar o não compartilhamento de seringas, eh a importância de de fazer uma antissepsia adequada antes da utilização dessa droga. Isso tudo também pode ser orientado e os insumos podem ser fornecidos nos serviços de saúde. Perfeitamente, Gisele. Bom, pra gente ir encerrando, né, a nossa conversa, há alguma limitação para esse paciente diagnosticado? Ele tem alguma restrição eh alimentar, alguma restrição que ele não possa fazer algo relacionado, né, à doença ou não? é vida normal, mantendo aí esse tratamento adequado. Com relação ao HIV, é vida normal, sem nenhuma restrição. Inclusive, eu gostaria de chamar atenção pelo pro fato do paciente que tem a carga viral indetectável por um período de 6 meses, mínimo, né, de 6 meses, ele não transmite o HIV. mesmo que ele não utilize o preservativo, mesmo que ele se relacione com uma pessoa que não está em uso de PREP, eh, ele não transmite mais o HIV. Então, mais uma vez, a importância de se fazer o tratamento adequado de maneira regular, sem interrupções, porque isso gera a resistência do vírus e a cada resistência a gente pode ter mais dificuldade para encontrar um esquema que possa atender essa pessoa. Então, eh, eu não falei aqui também, mas uma outra forma de prevenção do HIV é a profilaxia pós exposição, que pode ser utilizada em acidentes ocupacionais, caso uma pessoa se infecte, por exemplo, porcionando uma veia ou mesmo para violência sexual. Essa esse atendimento também está disponível no SUS e também é distribuída a medicação, é fornecida a medicação de maneira gratuita. Esse medicamento é como que ele funciona na prática, né? O que que ele ele o o paciente como que ele funciona no organismo desse paciente essa medicação, Gisele? Para quem está infectado ou para quem vai se prevenir da infecção? Pros dois, no caso. Queria que você explicasse isso, por gentileza. Então, as medicações da atualidade, elas são extremamente bem toleradas. O paciente geralmente não senta, não sente absolutamente nada. São medicações potentes e com uma comodidade de uso também eh muito boa, né? São apenas dois comprimidos uma vez ao dia. A depender da pessoa, ela pode utilizar apenas um medicamento, que já vem comformulado, eh, dois antiretrovirais. Então, vai depender da situação. Eu costumo dizer que a doença é a mesma, mas as pessoas, a medicação também é a mesma, mas nós somos únicos. Então o a terapia ela tem que ser individualizada a depender de cada pessoa. Não tem eh contraindicação pro seu uso. Nós temos que estar atentos apenas a outras comorbidades que essa pessoa, porventura tenha para ver se não há interação medicamentosa que possa promover algum grau de toxicidade. Mas isso é feito de maneira sistemática cada consulta. Perfeito. Depende então de cada paciente mesmo, de cada organismo. Ah, falando também sobre a questão de algum efeito colateral, isso tudo vai depender e é feito esse acompanhamento, né? é feito principalmente no início do tratamento. O retorno ele é feito de maneira mais precoce, em torno de 15 dias até no máximo um mês, mas sempre deixando a porta do serviço aberta. Caso essa pessoa venha a apresentar algum efeito que ela acredite ser por conta do antiretroviral, o serviço tá sempre de portas abertas para poder atendê-lo. Certo? Gisele, você comentou a respeito sobre, a gente falou um pouquinho sobre as pessoas assintomáticas, né? Eu queria fazer uma pergunta em relação, por exemplo, uma mulher que ela está infectada e ela está gestante, por exemplo, qual como que é feito esse esse tratamento? Como que ela passa esse esse pré-natal? Tem algo específico por conta da criança? Qual o risco para esse bebê? Então, na verdade, paraa gestante, a nossa prioridade, além da gestante, obviamente, mas é principalmente evitar a transmissão materno fetal do HIV. essa gestante em tratamento antiretroviral eh adequado, né, contínuo, ela não corre o risco de passar o HIV para esse bebê durante toda a gestação. E ainda assim, eh, no momento do parto, tanto ela quanto a criança vai receber medicação injetável e, posteriormente esse bebê por mais 12 semanas. Mas eh hoje em dia a gente praticamente erradicou a transmissão eh do HIV, pelo menos aqui em São Paulo. Então eh você observando que não houve casos, né, sobre essa questão da mãe eh passar a doença paraa criança, isso já tá muito bem controlado, né? Um problema que a gente enfrenta ainda com relação à transmissão materno fetal, eu eu digo isso no país como um todo, é por conta do pré-natal. Muitas mulheres não fazem o pré-natal adequado e chegam no momento do parto quando é feito o diagnóstico de HIV. Para essas mulheres, a preocupação é ainda maior, porque geralmente elas chegam com carga viral muito elevada e, infelizmente, eh, algumas vezes a gente não consegue evitar essa transmissão. Por isso, a importância de um pré-natal adequado eh em unidade de saúde também feito de maneira gratuita no país todo, certo, Gisele? a gente fala muito sobre essa questão, né, da gratid gratuidade da dos medicamentos e também dos atendimentos, né, pelo Sistema Único de Saúde. Você acredita que essa, tanto essa doença como outras doenças, né, HIV, Aides, tanto outras doenças sexualmente transmissíveis, elas atingem mais pessoas em situação de vulnerabilidade, por exemplo, justamente por essa falta de conhecimento? Na verdade, eu digo para você que qualquer pessoa que tenha comportamento de risco, ou seja, tem uma relação sexual desprotegida, compartilhe seringas paraa utilização de drogas injetáveis, elas estão em risco, seja quem for. É diferente do que era no início, porque as pessoas eram estigmatizadas por conta do seu biotipo, né? As pessoas infectadas pelo HIV na no final da década de 80, quando a gente não tinha um tratamento eficaz, elas eram elas morriam praticamente iguais, né? Todo mundo do mesmo jeito. A gente era capaz de caminhar pelas ruas e detectar quem tinha HIV e quem não tinha. Hoje em dia, com as medicações muito menos tóxicas, você não consegue perceber quem tem ou quem não tem HIV só de olhar. Então, a importância de se prevenir se faz ainda mais necessária por conta eh de não ser não dá para para não é não é algo aparente, né, de eu olhar e saber se a pessoa tem ou não tem. Ex. Qualquer pessoa pode estar em risco, não precisa ser população vulnerável. Só é óbvio. A profissional do sexo que recebe mais por um programa, por não usar preservativo, ela vai est se expondo mais do que uma pessoa que tem uma relação sexual com parceiro fixo. Mas não dá para garantir que isso vai ser sempre assim, né? mesmo para aquela que tem o parceiro fixo e que acredita que aquela relação é monogâmica, porque muitas vezes não é. É, eu acho que a orientação mesmo, né, Gisele, foi muito esclarecedor as suas eh respostas. Talvez a o resumo, né, a informação que a gente deixa aqui é que hoje tem sim a possibilidade de qualquer pessoa se dirigir até um centro de saúde pelo Sistema Único de Saúde, fazer então esse autoteste, né, conhecer o seu corpo, buscar informação, buscar ajuda. Não precisa ter vergonha porque as informações estão aí. ela não precisa, né, ter essa vergonha com ela, independente se ela está ou não infectada, mas o conhecimento e buscar isso é paraa saúde mesmo, paraa qualidade de vida. Então, acho que esse é o resumo que fica, né, a pessoa ter esse amor à vida, ao corpo e buscar essa orientação, né? Eu costumo dizer que é importante, eu pelo menos pra gente, a gente tem que ser a pessoa mais importante do mundo, né? Então, não dá para transferir para o outro a responsabilidade sobre o meu corpo. Eu tenho que me preservar, né? Eu tenho que me prevenir do de todas as doenças da melhor maneira possível, como por exemplo, vacinação, né? Eu eu penso que toda doença que possa ser prevenida por vacina, ela deve ser vacinada. Mas lembrar que todo cidadão brasileiro tem acesso gratuito ao atendimento, assim como ao uso das medicações. Para quem faz o acompanhamento médico na rede privada, essas medicações também estão disponíveis de maneira gratuita. Então, eh eh entender que a Aides é uma infecção crônica, assim como diabetes, hipertensão, que também são doenças crônicas que não têm tratamento e que as pessoas tratando vão viver muito bem, tá certo? Então, muito obrigada, Gisele, pela sua participação, por ter aceito aqui o nosso convite para você aí. Obrigada também pela audiência e continue acompanhando a programação da TV Câmara Campinas e até o próximo programa. Saúde à vida. [música] เฮ [música] [música]
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