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[Música] Olá pessoal, mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre o câncer de ovário. Mas antes eu tenho um recado para você que tá em casa, que para participar do Saúde à Vida e sugerir um tema para o programa é bem fácil. É só você entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. Considerado o oitavo tipo de tumor mais comum entre as mulheres no mundo, o câncer de ovário merece atenção. De acordo com o Inca, o Instituto Nacional de Câncer é estimado que até neste ano sejam diagnosticados 7.310 310 novos casos da doença. Para explicar tudo sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a oncologista Larissa Gomes. Doutora Larissa, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde a Vida. Olá, Ana Paula. Olá a todos os ouvintes. É um prazer estar aqui com vocês falando sobre esse tema super importante, câncer de ovário, um dos tumores ginecológicos que mais matam as mulheres brasileiras e também no mundo. Exatamente. Doutora, até pra gente iniciar aqui o nosso bate-papo, eu gostaria que você explicasse um pouquinho pro pessoal de casa, né, de uma forma bem geral, claro, o que que é o câncer de ovário. Bom, o câncer de ovário é a doença maligna que afeta os ovários. A grande maioria dos tumores de ovário, eles se iniciam na cápsula, ou seja, na superfície externa do ovário. Esse é o subtipo mais comum. O câncer de ovário, ele é responsável por cerca de 7.310 casos que acometem a mulher brasileira, ou seja, ele fica em terceiro lugar dentre os tumores ginecológicos, perdendo para colo útero e para tumores de origem uterina. Mas a grande questão aqui quando a gente fala em câncer de ovário é com relação à sua letalidade, em que nós vemos que o câncer de ovário ele é um dos mais agressivos e também que leva as mulheres a óbito. Por que que isso acontece? Porque a gente tem dois problemas aqui, a questão de que nós não temos um exame de rastreamento como câncer de colo útero que a gente identifica no Papa Nicolau. E o segundo problema é com relação aos sintomas, em que nós temos sintomas muito inespecíficos e muitas vezes essa mulher ela fica rodando em diversos médicos, posto de saúde, exames de imagem, até que ela seja diagnosticada. Isso na literatura, Ana, para você ter uma ideia, pode chegar até 6 meses, até mesmo um ano, pra mulher descobrir que tem um câncer de ovário. Então, por isso que é tão importante a gente falar sobre ele. Exatamente, doutora. E como que esse câncer ele vai se desenvolvendo? Então, o câncer de ovário, ele pode se originar, como eu comentei, tanto na cápsula do ovário, ou seja, na superfície externa, na sua, no seu conteúdo interno, que são os as carcinomas estromais, que a gente chama, ou ainda dentro do óvulo, né, nas suas células germinativas. Esses dois últimos são bem menos frequentes. O mais frequente são os carcinomas epiteliais, ou seja, da superfície do ovário. Ou seja, essas alterações genéticas que podem ocorrer no câncer de ovário, elas dão origem a mutações e alterações que vão gerar o câncer. Esse câncer geralmente ele acomete um único ovário e conforme o seu crescimento, ele pode envolver não apenas a cápsula, o ovário como um todo, mas também o outro ovário, o ovário contralateral, envolver útero, envolver pelo se espalhar para linfonodos ou até mesmo a gordura que fica sobre a frente dos demais órgãos abdominais, que é o que a gente dá o nome de peritônio. Inclusive, quando a gente fala em câncer de ovário, o tratamento, seja de ovário, de tubas uterinas ou até mesmo do peritônio, é o mesmo tratamento, porque a origem é a mesma. Inclusive existem linhagens aí de estudos que trazem que o câncer de ovário ele tem origem nas fímbrias da tuba, né? Então, a gente tem o ovário, as fimbras, a tuba uterina que captam o óvulo, o óvulo na hora da ovulação. A a acredita-se que algumas pacientes tenham um surgimento da sua doença justamente nessas fímbrias da tuba. Eh, e doutora, qual que é a faixa etária mais comum, né, para que as mulheres apresentem esse tipo de câncer? Então, a parte etária mais comum, ela fica em torno dos 60, 65 anos de idade e a grande maioria das mulheres já estão na pós-menopausa, ou seja, já tiveram a menopausa. Esses tumores que a gente estava comentando mais eh antes, né, que são os os as doenças estromais ou de células germinativas, esses podem estar ligados a um diagnóstico mais cedo, mais precoce em mulheres mais jovens. Então, eh, de uma maneira geral, como a gente estava comentando, os mais frequentes, que são os cerosos, os epiteliais, eles acometem principalmente a faixa etária de 60. Os germinativos e estromais, eles podem ocorrer em faixa etárias de 35, 40 anos ou até mesmo antes disso. Eh, doutora, quais são os fatores de risco eh mais associados a essa doença? Então, um dos principais fatores de risco associados ao câncer de ovário é a questão da história familiar. história familiar. Aqui se relata, eh, por exemplo, familiares que tenham câncer de mama ou até mesmo câncer de ovário, em que sejam mães ou tias ou avós, essas mulheres acabam carregando muitas vezes presença de mutações genéticas hereditárias, ou seja, um gene que veio alterado da sua avó, que passou paraa sua mãe e que agora está com você. Um dos maiores eh exemplos disso é os genes BRCA1 e BRCA2. Então assim, toda paciente que tem história de algum parente de primeiro grau, mãe, irmã, filha, com câncer de ovário, ela pode aumentar em duas vezes o risco dessa mulher ter câncer de ovário. E esse risco, ele pode aumentar em até cinco vezes se você tiver duas parentes próximas com câncer de ovar. Isso particularmente ocorre nessas pacientes assim até mais jovens, né? Às vezes a gente descobre que a mãe tá com câncer de ovário e a filha lá por volta dos 40 acaba desenvolvendo ou descobrindo um câncer de ovário também. Como eu tava comentando, eh, a grande maioria é relacionada aos genes BRC1 e BRC2. Então, a gente sabe que cerca de 25% das mulheres com câncer de ovário, desses tumores epiteliais, podem ter essas mutações genéticas. E quando eu tenho a identificação desses genes mutados ou alterados, eles estão associados a um alto risco da paciente desenvolver o câncer de ovário e o câncer de mama. E outro tipo de herança genética também relacionada ao câncer de ovário é a chamada síndrome de lint, que daí não tem nada a ver com mama, é quando a gente tem história familiar relacionada a câncer de intestino e também de útero. Além disso, acho que a gente vai falar um pouquinho mais paraa frente sobre essa questão genética. Eh, a idade não deixa de ser um fator de risco, né? Então, as pessoas que têm mais de 60 anos, elas têm um risco maior. Esse risco ele aumenta com a idade. Então, quanto maior a sua idade, maior o risco da gente desenvolver o câncer de ovário. E outro fator que vem crescendo muito o risco para essa doença é a questão da obesidade. Então, mulheres obesas que no início da da vida adulta elas têm um risco maior de ovário e pioram o seu prognóstico caso sejam diagnosticadas com essa doença. Então, assim, obesidade, aqui a gente fala sedentarismo, é a presença de um diabetes méitos não controlado, dislepidemia, né, que é o aumento do colesterol triglicerídeos, a falta de controle desses fatores e que acarretam no sobrepeso e no aumento de peso gradual, colocam a mulher sob risco de desenvolver ao longo da vida o câncer de ovário. Eh, outros fatores menos associados, mas que a gente ainda vê em alguns casos, a endometriose. Ela pode estar associado ao câncer de ovário. E aqui ela desenvolve um subtipo específico que é o carcinoma endometrioide e tem uma origem um pouquinho diferente. E ainda é importante a gente falar que mulheres que começaram a menstruar muito cedo, antes dos 12 anos de idade, ou mulheres que nunca tiveram filhos, ou mulheres que têm uma menopausa tardia, ou seja, que demoraram para entrar na menopausa, essas mulheres também podem ter um risco maior aí associado ao câncer de ovário. É, doutora, mas entre todos esses fatores, o hereditário ainda é o mais predominante? É isso exato. O hereditário é tão importante que quando a gente faz um diagnóstico de câncer de ovário, a gente é obrigado a solicitar um teste genético e a fazer esse aconselhamento genético. Que que é aconselhamento genético, né? Para quem não sabe, é justamente conversar com o paciente sobre a questão familiar. eh vê se o paciente, a sua família tem algum risco elevado de câncer e se existe alguma predisposição específica, né? Se existe algum caso em que não foi feito esse teste ou se já foi feito o teste, porque essa testagem genética nos permite não apenas identificar se a paciente tem essa esse gene alterado, como também nos auxilia no tratamento, né? Porque o tratamento das mulheres que têm a mutação, por exemplo, do GNBRCA1 e do GNBRCA2 é diferente das mulheres que não têm mutação. E além da mutação do gene BRCA1, BRCA2, a gente também pode ter outros genes ali envolvidos que predispõe o surgimento do câncer de ovário. Mas de novo, a gente só vai saber isso se fizer testagem. Exatamente, doutor. Uma dúvida, né? Uma curiosidade até mesmo que essa mulher tenha esse gene alterado, é uma sentença ela ter esse câncer de ovário ou nem sempre isso acontece? Ela tem o gene, mas ela pode não desenvolver o câncer? Nem sempre isso acontece. Essa é uma excelente pergunta. Vou usar como exemplo aqui um dos casos mais ilustrativos que a gente tem de mutação de NBRC1, BRCA2, que é o caso da Angelina de Oli. Não sei se você lembra, quando nós éramos mais novas, a Angelina de Oli foi capa da revista Time porque a mãe dela descobriu um câncer, fez a testagem e era portadora do GNBRCA2, se eu não me engano. A Angelina fez a testagem por ser filha, né? E na na testagem dela, ela tinha mutação do gene BRCA. Os genes BRC1 e BRC2 estão presentes em todos nós. São genes considerados supressores tumorais. Que que é isso? Eles são dois guardiões do nosso DNA. Então, se acontece alguma mutação e eu tenho o GNB BRA1, BRCA2 preservado, funcionando bem, ele vai me proteger de desenvolver algum câncer. Agora, se eu tenho algum defeito, seja no BRCA1 ou no BRCA2, isso pode passar. Então, se chega uma mutação no meu corpo, pode ser que ela passe, ela entre e desenvolva um câncer. É isso que acontece, é uma falha. Aí você me perguntou assim: "Nossa, mas se eu tenho isso, significa que eu vou ter câncer obrigatoriamente?" Não, porque a gente tem outros mecanismos de proteção do DNA, tá? E não necessariamente essa mulher vai ter todas as falhas da cadeia. Porém, é sabido que quem é portador de uma mutação do GNBRCA deve ter um acompanhamento com um oncogeneticista específico justamente para procurar doenças e para evitar. A gente tem cirurgias inclusive que são indicadas para essas pessoas para evitar que a pessoa tenha algum câncer. Então você vê como isso é importante, porque você ajuda uma família inteira se você descobre, né? Eu já tive pacientes aqui que a mãe tinha, a filha tinha, a neta tem, entendeu? Então assim, eh, a gente consegue mudar isso. A, então só tratei a a primeira paciente, a filha e a neta não estão precisando de tratamento, entendeu? Eu consigo precavê-las. Por isso a importância da testagem genética e por isso que a gente tem que falar tanto sobre isso. Agora vem um problema, né, Ana, que é a questão do acesso. A gente sabe que os testes no Brasil eles ainda têm um custo e que, infelizmente, isso não tá disponível na nossa rede pública. Mas, de novo, o conhecimento ele faz diferença aqui, seja pro diagnóstico quanto pro acompanhamento dessas pacientes. Exatamente. Doutora, até gostaria da gente reforçar esse assunto, né, essa esse ponto principalmente quando então uma mãe ela tem o câncer de ovário, a filha tem que tomar esse esses esse certo cuidado, né? Procurar fazer esse teste quando for possível. Aí, como você disse, não tá disponível ainda na rede pública. É, e assim, mesmo que você não consiga fazer o teste, o fato da sua familiar ter sido diagnosticada com câncer de ovário já é um sinal de alerta. Então assim, comente com o seu médico, né, seja do posto de saúde, seja o ginecologista, o médico clínico geral, o médico que lhe acompanha, que você tem esse diagnóstico em casa, até para que ele possa guiar a as as o rastreamento necessário. O que que é o rastreamento? Aqui vou dar um exemplo, né? Eu tenho um familiar com câncer de ovário e eu tô passando com o meu médico, então, possivelmente, ele não vai deixar de me pedir o ultrassom das mamas, a mamografia, se eu já tiver na idade adequada. né? A questão de fazer um ultrassom transvaginal, talvez um ultrassom de abdômen, de vez em quando, sentir alguma coisa diferente, o médico também levar em consideração essa história familiar e ter essa suspeita. Então, é importante que você comente com o seu médico para ter um acompanhamento adequado para você, né? A gente sempre acaba falando, mas o tratamento ele é individualizado e o acompan acompanhamento dessas famílias também é diferente entre si. Eh, doutora, eu, você já comentou um pouquinho, né, o que o câncer de ovário ele se divide aí em alguns tipos, mas eu gostaria que você que você falasse um pouquinho mais especificamente daquele que é mais comum, né, que mais acomete mulheres. Perfeito. Então, como a gente comentou, a primeira divisão que a gente faz dos tumores de ovário é com relação à sua origem. Então, os epiteliais de superfície, os de células aminativas e os estromais. Quando eu falo de tumores epiteliais, a gente subdivide em cinco categorias. Eu tenho os carcinomas cerosos, que eles podem ser de baixo e alto grau. Os carcinomas cerosos são correspondentes a cerca de 70% dos tumores epiteliais, ou seja, esse é o subtipo mais comum. E aqui entre os cerosos, o alto grau é muito mais frequente do que o baixo grau. O baixo grau, ele tende a ter uma baixa agressividade, enquanto o alto grau ele é mais agressivo. Além disso, a gente tem os carcinomas endometrioides, como a gente já comentou, que podem ter correlação de origem à endometriose. Eles geralmente têm um crescimento mais lento e uma menor probabilidade de metástase quando comparado aos carcinomas cerosos de alto grau. Eu posso ter ainda os carcinomas muscinosos, produtores de muscina também extremamente raros e o células claras que é um é um outro subtipo raro, mas considerado mais agressivo. E para finalizar essa categoria de cerosos, o tumor borderline, que ainda é um subtoo de tumor epitelial, que não é considerado nem benigno e nem maligno em algumas literaturas, mas ele tem um potencial de evolução também mais lento e uma característica aí mais benigna, tanto que a gente ã tende a ser muito mais agressivo do ponto de vista cirúrgico, tentar fazer uma cirurgia completa nesses casos, porque é a chance que a paciente tem de curar. Então acho que o recado que tem que ficar que tudo que a gente for falar aqui nessa nessa discussão e quando eu falo principalmente de tumores de ovário, eu falo principalmente de tumores epiteliais, superfície, de origem cerosa e de alto grau. Eh, doutora Larissa, você disse, né, que não tem rastreamento, né, um exame específico para detectar esse tipo de câncer. Isso também dificulta. Ele ele é silencioso, né, a gente sabe. E mas a gente fala um pouco também daquele marcador tumoral, o CA15. Eu gostaria que você explicasse um pouquinho se ele não pode ajudar nessa detecção, qual que é o principal objetivo desse desse exame, né? Adorei a sua pergunta, porque isso tem um benefício enorme paraa nossa população. CA15 é um marcador tumoral em que todos nós temos. Eles são proteínas os marcadores tumorais que nós temos. Eu tenho um CA 125, você tem um CA15. Isso pode variar as dosagens entre si. As dosagens do CA 125 variam conforme o ciclo menstrual na fase em que a mulher se encontra e também eles podem variar e e serem encontrados em doenças benignas também. Por isso que ele não é utilizado como um marcador específico para câncer. Ele é altamente sensível, ou seja, ele aumenta se eu tiver uma infecção, se eu tiver menstruando, se eu tiver endometriose, se eu tiver, por exemplo, uma infecção urinária ou uma inflamação. Então ele, muitas vezes, as pacientes nos procuram com o aumento do CA 125 e a gente vai investigar e não encontrar absolutamente nada. Por isso que ele não é utilizado como método de rastreio para essas pacientes, porque ele não é específico de câncer, mas ele é altamente sensível. Agora, quando que o CA 125 é importante? Quando eu realmente tiver uma paciente com diagnóstico de câncer e aí se o CA15 estiver aumentado, eu considero ele um marcador tumoral, entendeu? Agora, se existe também pacientes que t o câncer, a gente dosea o C 125 e ele vem normal. Então eu chamo essa paciente que aviso ela que ela tem uma doença que não marca, ou seja, que não corresponde aumento de marcador de do CA 125 nem do CEA. Outro dado assim que eu acho importante a gente falar que nas pacientes que são portadoras do GNB BRC1 e BRC2, a gente não tem também assim um rastreamento definido. O que a gente tem realmente é fazer o acompanhamento, né, e indicar o que a gente estava falando ali antes de cirurgias que reduzem um risco de doença, né, de desenvolver alguma alguma algum câncer ou alguma neoplasia no futuro. Então assim, o recado que tem que ficar aqui é: não existe rastreamento para câncer de ovário, não existe nenhum exame, seja pra população mutada, seja pra população que não é multada. O que vai corresponder aqui é saber os fatores de risco que a gente comentou, cuidar o excesso de peso, ter hábitos saudáveis e fazer consultas regulares com os médicos para não ter nenhuma surpresa no futuro. Eh, doutora, o como a gente disse, né, ele é um câncer silencioso, mas quando os sintomas já começam a surgir, quais são os principais, né? O que que a mulher começa a sentir? que que que a mulher que tá em casa acompanhando o programa, o que que ela precisa ficar alerta mesmo? Bom, eh, o câncer de ovário, ele é extremamente silencioso. Quando as pacientes começam a apresentar algum sinal ou sintoma, geralmente é dor ou inchaço abdominal, uma sensação de pressão ou de estufamento abdominal na região de pelv, ou pode até mesmo sentir essa pressão na parte inferior das costas. Eh, pode aumentar a barriga, ou seja, você começa a notar que a cintura era de um tamanho e ficou maior. Às vezes as mulheres até acreditam que tão tendo um aumento de peso e na verdade não é peso, é excesso de líquido na barriga, é a presença de líquido na barriga que é a chamada cite. Pode haver também problemas gastrointestinais como gases, digestão, sensação de estufamento, dessa distensão abdominal até náuseas. comeu e já fica saciada rapidamente. Por isso que muitas mulheres às vezes com câncer de ovário procuram primeiro clínico geral ou até mesmo gastroenterologista. podem ter mudanças no apetite. Às vezes, na normalmente a paciente associa a perda do apetite porque fica com a sensação de que tá estufada e essa sensação de saciedade precoce n sintomas assim mais avançados ou quando a gente já tá num estágio mais avançado do câncer de ovário, pode haver alteração do na hora que a mulher vai urinar, pode haver uma um aumento da frequência ou uma sensação de urgência de ter que correr pro banheiro ou até mesmo alteração do hábito intestinal. E, de novo, por esse motivo, muitas vezes procuram primeiro o gastroenterologista, ainda e menos infrequente, mas algumas mulheres podem palpar, podem sentir no abdômen alguma massa ou caroço ã na barriga o que fazem procurar os médicos. Eh, doutora, agora eu vou te perguntar algumas dúvidas, né, que são dúvidas muito comuns, né, da população em geral. A primeira, né? Quem tem síndrome do ovário policístico pode ter o câncer de ovário. A síndrome do ovário policístico, ela tem uma origem completamente benigna. É uma doença que gera múltiplos cistos na superfície do ovário e não tem correlação com o câncer de ovário, tá? A gente sabe que essa é uma condição benigna e que pode muitas vezes provocar alterações hormonais e também desenvolver alterações do fluxo menstrual, mas não tem correlação na literatura com o câncer de ovário. É uma outra dúvida também, a pílula anticoncepcional, ela pode prevenir o câncer de ovário e por quê? Essa é uma excelente pergunta. A pílula anticoncepcional, ela eh acaba trazendo uma menor chance de desenvolver o câncer de ovário, uma vez que a pílula acaba exigindo menos ovário. Quando a gente faz uso da pílula anticoncepcional, é como se eu deixasse o meu ovário instanty. Ele não fica funcionando o tempo todo. Por isso que a gente tem uma interrupção eh da da menstruação ou até mesmo uma diminuição do fluxo menstrual e também as mulheres não engravidam. E isso acaba tendo um efeito protetivo. Outra coisa que melhora o o diminui o risco, né, de desenvolver o câncer de ovário, é também a amamentação. Muitas vezes as mulheres perguntam isso, né? Quanto mais tempo a mulher amamenta, menor é o risco de desenvolver o câncer de ovário. Interessante, né, doutor? Essa ligação da amamentação com eh com esse fator de proteção, né? Tem alguma explicação para isso? Tem essa questão hormonal também, porque quando a gente tá amamentando, eu também tô produzindo hormônios. Tanto é que algumas mulheres, você eh você deve ter visto isso já, quando a gente tá amamentando por conta da questão hormonal, eu não não menstruo, eu não ovulo, então o ovário fica ali parado em standby. Então por esse motivo é que o risco é menor. Cada vez que a gente dá pausas pro ovário, ou seja, que ele tem uma folguinha no trabalho dele, ele acaba se se proliferando menos, né? Porque imagina, cada ciclo menstrual, o ovário passa por um momento de estresse, ele gera o óvulo, o óvulo tem que ser expulso dele, né, de dentro do ovário, cair na tuba uterina e ainda tentar ser fertilizado ou não, se é o desejo da paciente. Então, assim, ele passa por um estress mês. Se eu uso anticoncepcional, se eu tô amamentando, são períodos que a gente fala de standby, ele fica ali paradinho, ele não passa por esse estress. Por isso que quando a mulher para de amamentar, o ginecologista já fala: "Então nós vamos fazer alguma coisa para você não engravidar de novo, porque o ovário volta a funcionar". Entendi. Doutoria. Uma outra dúvida ainda é se a reposição hormonal ela pode ajudar, né, ou aumentar os riscos pro câncer de ovário. Depende. Depende, porque a mulher que faz terapia de reposição hormonal apenas com estrogênio, após a menopausa, ela tem um risco maior. Agora, se ela faz terapia combinada estrogênio e progesterona, isso tem um efeito semelhante ao anticoncepcional de proteção. Então aqui varia, se é só estrogênio, essa mulher aumenta o risco, porque o estrogênio estimula o ovário. Agora quando eu faço o contraponto com a progesterona, não, daí ele fica em standby também, tá certo? Eh, doutora, e uma outra questão que eu gostaria que você explicasse também é a relação do câncer de ovário com o câncer de mama. Porque eu conheço mulheres que tiveram o câncer de ovário e depois de cinco fizeram todo o tratamento, quimioterapia e depois de 5 anos elas foram diagnosticadas com o câncer de mama. Por que que isso acontece? Então, a correlação é justamente pelo risco e por alterações, principalmente alterações genéticas correlacionadas, tá? O câncer de mama, ele tem vários genes que também são os mesmos genes que estão envolvidas no surgimento do câncer de ovário. E de novo, posso estar sendo um pouco repetitiva, mas é o de novo aquele questão dos genes BRCA1 e BRCA2. Por esse motivo, essa essa questão eh ela é tão interligada que quando nós carregamos uma puntação do GNB BRC1 ou BRC2 e eu tenho, por exemplo, um câncer de mama, já é indicado a retirada dos ovários para que a gente não ã tenha um risco de no futuro desenvolver o câncer de ovário. Então assim, é isso é um também acho que é uma uma um alerta assim de saúde pública, porque quando eu tenho câncer de mama, alguns subtipos em específicos eles estão mais correlacionados aos aos tumores ovarianos. Por exemplo, eh os tumores triplonegativos da mama, a gente sabe que cerca de 10% deles tem correlação genética. Então essa é a paciente que valeria a pena eu fazer uma testagem genética e me assegurar de que ela não tem um risco maior desenvolver um câncer no ovário no futuro. Inclusive, quando a gente fala é disso, eu também preciso conversar com a minha paciente com relação ao que que ela deseja, se ela quer ser mãe, se ela tem alguma predisposição genética maior, eh se ela gostaria de de ter ainda algum desejo reprodutivo ou não. E obviamente que tem a questão também aqui de qualidade de vida. é muito melhor que essa paciente eh tenha um acompanhamento com uma equipe multiprofissional, porque eu tô falando de promover a menopause uma mulher muitas vezes jovens, né? A gente vê tumores triplonegativos acometendo pacientes aqui de 30, eu tenho paciente aqui no consultório de 23 anos com câncer de triplo negativo. Então assim, eh são pacientes muito novas e que eu tenho que pensar não só agora, mas no futuro dessa paciente, né? a gente tá tratando a doença, óbvio, mas eh para evitar que esse capítulo da história dela se repita, eu preciso olhar pra frente. Eu preciso avaliar se ela tem alguma correlação genética, algum risco atrelado, tá certo, doutora? A gente vai fazer um rápido intervalo porque no próximo bloco nós vamos falar sobre o diagnóstico e também o tratamento para o câncer de ovário. Nós já voltamos. [Música] [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde é Vida e hoje falando sobre o câncer de ovário com a oncologista Larissa Gomes. Dout. Larissa, agora neste segundo bloco, eu gostaria de focar aqui com você como que é feito o diagnóstico, né, para esse tipo de câncer e quais exames são solicitados a partir da suspeita. Bom, se o médico tem a suspeita do câncer de ovário, o médico deve começar pela história da paciente. Geralmente ela tem aquelas queixas que a gente comentou no bloco anterior. O exame físico também já pode nos dar alguns sinais, mas existem alguns exames que nos auxiliam no diagnóstico. As pacientes às vezes começam com já chegam pra gente com diversos exames, como eu comentei, demoram 6 meses, um ano às vezes para receber esse diagnóstico. Então ela já possivelmente tem alguma medida de CA 125, né, do marcador tumoral que a gente comentou. Às vezes chegam também com ultrassom transvaginal, mostrando, por exemplo, alguma alteração no tamanho dos ovários ou, por exemplo, a presença de líquido na cavidade pélvica. Mas exames que principalmente nos auxiliam a determinar o tratamento dessas pacientes e a extensão dessa doença são as tomas de pelv, abdômen superior e tórax ou ainda uma ressonância magnética nuclear nuclear magnética do abdômen total. Esses exames eles permitem eh não só saber o tamanho do ovário, mas também nos mostram se ele tem uma infiltração maior de outras estruturas da cavidade pélvica, acometimento de linfonodos e até mesmo do peritô. Algumas pacientes me perguntam muito sobre o uso do PETCT, né, que é uma tomografia com um contraste por glicose marcada. Essa, esse tipo de exame, ele pode ser usado, pode nos auxiliar no diagnóstico, mas ele é algo mais restrito. A gente não tem um amplo acesso para câncer de ovário e muitas vezes ele não consegue nos mostrar se tem acometimento ou o envolvimento do peritônio, dessa gordura, né, que fica à frente dos órgãos, que muitas vezes a ressonância já é o suficiente para nos dar alguma informação. Ã, ainda eu acrescentaria aqui o teste genético que a gente vinha comentando, né? O teste genético também pode nos auxiliar, por exemplo, se a paciente já tinha alguma história familiar e ela traz o teste genético de alguma famíar, isso também já me auxilia a determinar o diagnóstico da paciente. E por fim, a gente faz a comprovação de um câncer de ovário através de uma biópse. Quando não é passível de se realizar uma cirurgia já de cara, né, ou seja, já entrar e retirar toda a doença, o que a gente faz é uma laparoscopia, né, que é colocar um uma câmera, um por vídeo, que a gente chama, eu faço a avaliação de todo o abdômen e às vezes a gente faz a remoção de um tecido específico, como por exemplo a a gordura ali, o peritônio que a gente comentou, e a gente consegue determinar o estadiamento, ou seja, eu consigo dizer qual que é o grau, qual que é o estágio que essa paciente se encontra? Eh, doutora, uma dúvida também é as mulheres vão ao ginecologista, aí elas fazem aquele acompanhamento Papa Nicolau, transvaginal. Eh, quando faz o transvaginal, o médico olha ali o tamanho dos ovários, vê se tá tudo certinho, né? tem ou tem a medição. Se o ovário ali já tá aumentado, isso já é um risco. A paciente já tem que ficar preocupada buscar uma outra um outro médico. Não necessariamente, porque, por exemplo, quando nós estamos ovulando, a gente pode ter o um o corpo lútilo, que a gente chama, que é de onde vai surgir o óvulo e ele vai ser expulso lá pro pra tubo uterterina. Então, o ovário vai est um pouquinho maior, né? Então assim, depende do ciclo menstrual, depende qual que é a característica. Inclusive a gente consegue determinar por imagem se é um cisto, se é um nódulo, se é algo suspeito. Assim como na mama, talvez a população já tenha visto, nos laudos de mama vem escrito birads, né, em que a gente faz uma classificação das imagens da mama que vai de zero até seis. A mesma coisa existe pro ovário em que a gente tem o OHADS. Então, se existe alguma alteração no ovário pelo ultrassom é mais difícil porque muitas vezes já tem gases, o médico não consegue olhar muito bem, a imagem não tá muito boa, mas por tomografia e principalmente por ressonância, aí sim a gente consegue caracterizar. Então assim, o ovário tá um pouquinho aumentado. Primeiro olhar qual que é o ciclo, se tá durante o ciclo menstrual, acabou de menstruar ou não. Por isso que sempre perguntam pra gente quando a gente vai fazer um exame de ultração transvaginal, se qual que é, se tá menstruando ou não. Mulheres na menopausa, ou seja, que já pararam de menstruar, essas mulheres têm os ovários evoluídos, ovários menores. E nessas mulheres, sim, se estiver um pouquinho aumentado, aí vale a pena a gente seguir uma investigação. E se a gente parar para pensar, geralmente são mulheres na menopausa em que a gente faz o diagnóstico do câncer de ovário, ou seja, geralmente nessa população tem alguma coisa errada. Exatamente. E o pessoal, o pessoal não, né, as mulheres também confundem muito, né, a questão do Papa Nicolau. Ele não vai detectar, né, o câncer de ovário. Acho que é bom também a gente esclarecer isso aqui. Com certeza. O Papa Nicolau, ele é um exame que tem por finalidade a avaliação do colo de útero, que é a parte inicial do útero, fica lá embaixo. Os ovários já são lá em cima, ficam na cavidade pélvica intraabdominal, não sendo passível de avaliação pelo Papa Nicolau. É, doutora, eu queria que você falasse um pouquinho agora como que é feito o tratamento pro câncer de ovário, se é recomendado já uma uma cirurgia inicialmente ou já entra com a quimioterapia, imunoterapia, como que é todo esse processo? Bom, o tratamento ele vai ser determinado conforme o estágio em que a doença se encontra. Por exemplo, pacientes que têm uma doença que é restrita ao ovário, essa paciente possivelmente vai ser submetida a uma cirurgia já de cara. A cirurgia já faz a retirada dos ovários, já faz a avaliação de toda a cavidade pélvica e já acaba tratando essa paciente. Posteriormente essa cirurgia a gente, as pacientes são encaminhados para nós oncologistas para passar por uma avaliação pra gente saber se é necessário fazer o tratamento complementar ou não. Existem critérios inclusive para essa indicação. Se a paciente tem um estágio dois, por exemplo, a doença já está para fora do ovário, já está na pel, essa paciente também é avaliada pelo cirurgião. Se é passível de cirurgia, faz a cirurgia primeiramente e posteriormente encaminhada para nós para já realizar tratamento. Ou seja, a partir de estágio dois, estágio 1 C, na verdade, ou seja, que tem rotura da cápsula, essa paciente já é candidata à quimioterapia após a cirurgia. O estágio três é quando a paciente já tem uma doença que já se espalhou pela cavidade abdominal, já tem envolvimento de linfonodos. No estágio três, aqui a gente já começa a discutir com o cirurgião, com o radiologista, se essa é uma cirurgia passível de redução, de citorredução, que a gente chama primária. Que que é citorredução primária? Ou seja, o cirurgião entra e já consegue tirar toda a doença de uma única vez. Se isso acontece, ela vai primeiro pra cirurgia. Agora, tem casos em que o cirurgião, por exemplo, faz essa vídeo que eu comentei ou que o radiologista olha e fala: "Gente, tem muito volume de doença, tem uma uma doença extensa" ou até mesmo já tá em outros órgãos, como por exemplo, fígado ou pulmão, que daí já é estadio quatro, em que a gente indica realizar primeiro a quimioterapia. Por que a quimioterapia primeiro? porque eu consigo reduzir essas lesões. E aí, baseado na resposta em que a paciente apresenta a quimioterapia, a gente faz a cirurgia após três sessões de quimioterapia ou após seis sessões de quimioterapia. Infelizmente a gente sabe que nem todo lugar é tão fácil essas discussões interdisciplinares, mas assim, o tratamento do câncer de ovário, acho que o recado que tem que ficar aqui, ele envolve uma equipe multidisciplinar. Ela envolve um bom patologista, radiologista, cirurgião, oncologista. E por isso que tem feito muito esforço todas as sociedades médicas a promover uma educação continuada, não é só dos pacientes, né, de procurarem os médicos, mas dos médicos também saberem como tratar o câncer de ovário, porque a gente sabe que a cirurgia tem um potencial muito grande de deixar essa paciente até mesmo curada, tá? O câncer de ovário, a gente pode falar em cura para câncer de ovário, principalmente esses estágios um, estágio dois, até mesmo estágio três, em que a paciente recebe o tratamento adequado. Estágio quatro realmente é mais difícil, mas não é impossível. A gente tem, felizmente, muitas medicações vindo eh e trazendo aí essa possibilidade pras pacientes. É, doutora, até ia te perguntar exatamente isso, né? A chance de cura, porque é um câncer, né? silencioso e exatamente por isso demora, né, para começar o diagnóstico e depois o tratamento. E como que fica a qualidade de vida da mulher, né, depois desse processo ou até mesmo durante o tratamento? É possível ela ter uma vida normal? Sim. Eh, aproveitando o que você comentou, o câncer de oválio tem problemas aqui também na questão de ser silencioso e, infelizmente, a grande maioria das mulheres quando são diagnosticadas elas estão nesses estágios três e qu, ou seja, nesses estágios mais avançados. Cerca de 70% da população que é diagnosticada com câncer de ovário está nesses estágios mais avançados, ou seja, requer uma cirurgia grande, que é uma cirurgia que eu vou retirar os dois ovários, as duas tubas, o útero inteiro, vou retirar esses linfonodos, vou retirar a gordura ali, o peritônio e fazer biópsia, às vezes tira até pedaços do fígado, por exemplo, se tem alguma lesão lá no fígado. E então assim, a gente tá falando de uma cirurgia extremamente agressiva, né, em que posteriormente ou antes da cirurgia ainda tem quimioterapia associada. Então eu não vou te mentir hoje em dia a questão de qualidade de vida tem pesado muito na nossa conduta terapêutica. Vou te dizer que a cirurgia, conduta minha e também assim de grandes centros eh especializados em tratamento de ovário é de que a gente tem um acompanhamento com o fisioterapeuta, porque como a gente retira toda a estrutura da pel, né, que que tira o ovário e o útero, muitas vezes as alças intestinais mudam de lugar e às vezes até as mulheres têm que fazer alguma reecção, por exemplo, de intestino, o que acaba dificultando a volta do seu hábito intestinal habitual. Então, a fisioterapia pélvica é algo que ajuda muito a diminuir dores pós-operatórias, a tentar buscar a manter essa competência, essa essa questão eh de entender o seu intestino, como que ele funciona ou até mesmo a questão da bexiga. Às vezes tem mulher que sente uma pressão que fica na bexiga por conta dessas alterações do posicionamento das alças intestinais. Além disso, a gente com a quimioterapia também pode ter alguns efeitos relacionados à gastrointestinal, mas eh existe sim qualidade de vida. A gente sabe que isso é passível ã de ser alcançável, mas de novo, uma equipe multidisciplinar aqui faz toda a diferença, né? Nutricionista, psicóloga, porque é um momento difícil paraa mulher. São muitas mudanças associadas, às vezes mudanças físicas inclusive, né, da dela não se reconhecer como mulher, né, por tá passando por tudo isso. Eh, faz parte do tratamento a gente prestar atenção em todos esses detalhes. Eh, doutor, e a paciente ela precisa ser acompanhada, né, por quanto tempo? até ter uma alta assim definitiva, eh, receber, né, o o diagnóstico, não, receber assim o aval do médico, né, não, realmente agora tá curada, está tudo certo, né? É, a gente fala em cura e como o câncer de ovário é muito bandido, a gente fala em cura quando eu atingjo pelo menos 5 anos de acompanhamento. Então, veja, a gente tá falando aí de um tratamento com quimioterapia que dura cerca de 6 meses mais uma cirurgia e ainda dependo, por exemplo, essas pacientes estadio tr e 4, hoje a gente faz terapias de manutenção. Que que é uma terapia de manutenção? esse paciente vai ficar utilizando algum tipo de tratamento posteriormente para evitar que ocorra uma recidiva da doença. Esse acompanhamento, essa terapia de manutenção, ela tende a durar de 2 a 3 anos. Então, essas pacientes acabam passando, pelo menos aqui, sendo muito otimista, a cada três meses com seu oncologista e também tendo o acompanhamento com o cirurgião e de demais profissionais. De uma maneira geral, quando passa esses 3 anos, a gente tende a espaçar um pouquinho mais as suas visitas. Então, por exemplo, a cada 6 meses até completar os 5 anos. Passou os 5 anos, a gente pode fazer visitas anuais. Alguns pacientes preferem até continuar conosco, sabe, Ana? por receio de que a a doença do ovário acabe voltando ou traga alguma surpresa ou pela confiança que elas depositam na gente mesmo. Eh, doutora, pra gente então começar já encerrar o nosso segundo bloco, falar então um pouquinho, né, a importância, né, também do apoio familiar e terapêutico nesse processo todo e para as mulheres realmente, né, se atentarem com qualquer mudança no corpo, procurar sempre atendimento, ficar sempre atenta com essa questão hereditária, familiar, não é mesmo? Exato. Eu acho que o que a gente deve chamar atenção paraa nossa população é que ela deve se conhecer. Como é que é o seu intestino, como é que é seu hábito intestinal? Você come e se sente bem? Come e tá sentindo alguma coisa diferente? tem feito seus exames de acompanhamento. A gente recomenda que as mulheres passem pelo menos uma vez por ano com o seu ginecologista, não só para coletar o Papa Nicolau, mas para também falar sobre esses sintomas, ele avaliar ou falar com o seu médico clínico geral, com médico do posto de saúde, para que identifique precocemente se tiver alguma alteração. E aqui fica uma dica, né? Então, por exemplo, se eu nunca tive nenhum sintoma ao me alimentar, a fazer a ao ao ingerir um determinado alimento e de repente aquilo começa a me fazer mal, eu começo a ficar estufada, eh, o meu hábito intestinal que funcionava todo dia começou a funcionar a cada três dias. Isso serve não apenas para doenças ginecológicas e tumores ovarianos, mas isso também serve até mesmo para tumores gastrointestinais, para outras doenças. Então assim, se a gente tem alguma anormalidade no que era habitual, procure a a avaliação médica. Não é ser hipocondríaco, isso é prestar atenção no seu corpo, prestar sinais que ele possa dar. E é melhor a gente ir ao médico e o médico falar assim: "Não é nada do que eu ficar aguardando aquilo piorar, né? um sintoma piorar, um sangramento aparecer, por exemplo, ou eh eu começar a ter sintomas piores e maiores, dores insuportáveis no abdômen ou até mesmo o que acontece muito eh ainda no Brasil, infelizmente, é de muitas mulheres procurarem o pronto socorro e aí no pronto socorro fazerem uma tomografia e descobrirem que tem uma doença do ovário, por exemplo. Então assim, essa é uma dica, né? Preste atenção na sua, nos seus hábitos, como você está, nos seus sintomas, considere-os e tenha a consciência com relação a aos seus familiares. Alguém da minha família teve uma doença oncológica, teve um câncer, procure saber qual que é. Eu sei que muitas vezes eh existem famílias em que não se falam, né, não se conversam, isso é difícil, né? a gente entende essas dinâmicas, porém se possível, né, se souber, procure discutir com a sua família a a questão de teste genético, se é necessário ou não, dependendo da doença. Aqui no câncer de ovário, ela é extremamente importante e pode mudar sim o rumo de muitas famílias. E aqui acho que vale a pena comentar, quando uma pessoa é diagnosticada com uma alteração genética, ah, existem laboratórios, existem lugares que até dão o teste de graça para demais familiares. Então assim, é algo que às vezes custa, né? tem um custo, eu entendo, mas que às vezes é um custo que pra família faz sentido ter aquele custo naquele primeiro momento, porque pode ter um benefício muito grande posteriormente. Ninguém quer passar por isso. Apesar de eu trabalhar com isso todo dia, quanto menos pessoas eu vendo no meu consultório com câncer de ová, melhor vai ser, sem dúvida. Menos notícia ruim eu vou dar. Exatamente. Doutora, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde é Vida. Obrigada pela disposição em atender aqui o nosso pedido. Eu que agradeço. Parabéns a vocês por darem esse espaço para essa doença que, infelizmente, não tem um rastreamento, mas de novo é passível da gente se precaver e também trazer informação de qualidade aqui pra nossa população. Obrigada a vocês. O Saúde a vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]