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Saúde é Vida | Câncer de ovário: sintomas, diagnóstico e tratamentos
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Saúde é Vida | Câncer de ovário: sintomas, diagnóstico e tratamentos

55 views Publicado 29/09/2025 HD · 38:04

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No Saúde é Vida de hoje, o oncologista clínico Higor Mantovani, do Grupo SOnHe, fala sobre o câncer de ovário, um dos tumores ginecológicos mais agressivos e silenciosos. 🔎 Apesar de não haver exame eficaz de rastreio, reconhecer os sinais é essencial para aumentar as chances de tratamento. Entre os principais sintomas estão: Inchaço ou distensão abdominal. Dor pélvica persistente. Alterações intestinais. Saciedade precoce e falta de apetite. Necessidade frequente de urinar. ⚠️ O câncer de ovário é frequentemente diagnosticado em estágio avançado. A prevenção envolve atenção aos sintomas e consultas ginecológicas regulares. ➡️ Tratamentos: cirurgia, quimioterapia e radioterapia, dependendo do tipo e estadiamento do tumor. ➡️ Dados do INCA estimam mais de 7 mil novos casos por ano no Brasil, com grande impacto na saúde feminina. Assista e saiba mais sobre como identificar sinais, buscar ajuda médica e entender os avanços no tratamento. 📺 Acompanhe tudo no canal da TV Câmara Campinas e fique por dentro das principais notícias da cidade! 👉 Siga também nas redes sociais: Instagram | Facebook | YouTube | Twitter: @tvcamaracampinas

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[Música] Olá, seja bem-vindo. Está começando mais um Saúde é Vida aqui na TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar de uma doença silenciosa e que ainda é pouco discutida. Hoje o nosso bate-papo é sobre o câncer de ovário, considerada a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero. Para nos ajudar a entender melhor sobre prevenção, diagnósticos e tratamento, vamos receber o oncologista clínico, Dr. Igor Mantovani. Seja muito bem-vindo, doutor. Obrigada pela sua presença aqui no Saúde é Vida. Eu que agradeço. Um prazer estar com vocês. Uma honra poder discutir um tema tão importante para as nossas telespectadoras, para as mulheres que nos escutam. Excelente. É importante destacar um dado do Inca, o Instituto Nacional do Câncer. O Brasil registra mais de 7.000 1 novos casos de câncer de ovário por ano. E, infelizmente, cerca de 4.000 mulheres ainda morrem em decorrência dessa doença. São números que reforçam a importância de falar sobre esse tema. Doutor, vamos lá. O que exatamente é o câncer de ovário e quais são os tipos principais que podem surgir? Perfeito. Essa é uma uma introdução necessária, né, para as mulheres que nos escutam. Eh, o ovário faz parte, Rúbia, do sistema reprodutor, do sistema hormonal das mulheres. Eh, ele é um um órgão duplo. Nós temos dois ovários, né? As mulheres têm dois ovários, o ovário do lado direito, ovário do lado esquerdo. Eles ficam localizados na na região da pelv da mulher, então no abaixo do abdômen, né? Eh, numa numa região eh recoberta por uma capa. Eh, eu costumo até explicar pro pros pacientes, para as pacientes, que é como se fosse uma uma região recoberta por uma capa eh por um filme, como se fosse um plástico filme, sabe? que gruda nas nas estruturas e que realmente tá muito próximo ali do útero, muito próximo ali da bexiga, muito próximo do intestino. H, o ovário ele tem a sua funcionalidade eh mais eh eh presente na fase reprodutiva da mulher. Então, na mulher em que ainda se há a produção de hormônios, em que a mulher ainda pode gestar e na mulher eh que vai caminhando ali para cima dos 50, 60 anos, ele deixa de ser um órgão importante e vai admitindo dimensões menores. O que nós sabemos sobre o câncer do ovário é que ele pode acometer o acometer, pode nascer das estruturas muito próximas ali, as tubas uterinas e até mesmo essa membrana que reveste o ovário chamada peritônio. Eh, o tipo de câncer mais frequente é o câncer que nasce nessas células chamadas cerosas, nessas células que revestem o ovário. E é, apesar, né, dos números que você nos contou serem números alarmantes, o câncer de ovário, ele é uma doença pouco falada porque tem de fato menos incidência do que outros cânceres femininos, como o câncer da mama e o câncer eh do colo do útero. Eh, existem tumores, eh, do ovário da mulher muito jovem, em idade reprodutiva, 20, 30 anos, mas que de fato são cânceres, são a exceção dos cânceres de ovário. E existem também eh os cânceres da mulher mais velha, o câncer próximo da mulher acima de 50, 60 anos, que costuma representar a grande maioria desses casos que você nos falou. Então, em torno ali dos seus eh mais de 60 70% dos casos de câncer do ovário são representados pelas pelas doenças da mulher mais velha e, portanto, o tipo de câncer chamado ceroso de ovário. Esse câncer, por aparecer nessas camadas cerosas que revestem o ovário e essas estruturas que estão em volta ou ele geralmente demora a dar sintomas porque ele vai crescendo muito devagarzinho, ele é imperceptível e por isso você bem nos trouxe esse termo silencioso, né? um período eh pré-clínico, pré-sintomático da do desenvolvimento do câncer de ovário. E daí é o grande desafio, porque nós profissionais não temos como identificar essa doença nessa etapa. E o câncer vai ser identificado quando ele começa a crescer e a se, vamos dizer assim, se alastrar ali pelas estruturas adjacentes, aumentar o volume do abdômen dessa mulher, trazer uma sensação de de estufamento, de abdômen eh eh avantajado, abdómen crescido por acúmulo eventualmente até de líquidos. E daí o câncer de ovário se apresenta na sua maioria das vezes como uma doença já avançada. Tá bem? É importante, né, doutor, quando a gente fala de câncer de ovário, entender que nós não estamos falando de apenas um único tipo, né, um único eh tipo de câncer, mas de diferentes formas que podem se desenvolver nesse órgão feminino tão importante. Agora eu pergunto, doutor, como esse tumor surge? Quais são as células mais afetadas? E por que o câncer de ovário ele costuma ser considerado tão agressivo? Perfeito. Eh, eh, você eh nos trouxe exatamente o que o que a gente discute em reuniões eh de profissionais de saúde, né? O câncer de ovário ele não engloba uma doença apenas, são várias doenças num nome só. E e claro, existem cânceres muito raros do ovário, como eu disse, o câncer da mulher muito jovem, mas o câncer mais frequente é o câncer da mulher já na faixa etária idosa, eh, representado por essas células chamadas cerosas. Eh, muito se se entende hoje, Rúbia, a respeito da de componentes genéticos relacionados ao desenvolver desse câncer do ovário, tá? Então a gente estima que aproximadamente 50% de câncer de ovário estão relacionados a alterações da forma como o DNA da célula se recupera, né? Nós é como se fosse uma um defeito aí na linha de produção de células numa numa estrutura que faz, vamos dizer assim, a a verificação de que a produção está correta. e a gente acaba por por ter esses defeitos já conhecidos na na ciência moderna, na ciência que estuda e e conduz os cânceres do ovário. E 50% dos casos estão relacionados a esse tipo de alteração. Eh, e a gente acaba, evidentemente, usando isso para compreender a célula do câncer de ovário, mas também usar isso para oferecer tratamentos eh mais avançados para pro câncer do ovário. Como a gente falou há pouco, a a existe um período em que a mulher está com o câncer de ovário, mas que a gente não consegue identificar clinicamente, ela não sente nada ou ela sente sintomas inespecíficos. E às vezes até os exames de imagem, exames de sangue são, eh, digamos assim, insuficiente para encontrar o câncer de ovário ativamente. E daí por que que ele é tão desafiador e por ainda responde por um grande número de de falecimentos, um grande número de óbitos, eh, no que se refere a cânceres femininos? Porque quando ele se apresenta, na grande maioria das vezes, 2/3 dos casos, ele se apresenta de maneira avançada. E quando eu uso esse termo avançado, eu quero dizer, ele já está disseminado na cavidade abdominal, ele já tá impactando negativamente na qualidade de vida dessa paciente, dessa mulher. E o o as formas de tratamento são bastante agressivas quando se fala em cirurgias, em medicamentos. Porém, apesar da agressividade, a gente não consegue um tempo muito longo de controle. Na grande maioria dos casos. Câncer do ovário. Eu costumo eh dividir com os pacientes. É como se a gente visse um filme várias vezes. A barriga incha, o câncer tá ativo, a gente opera, faz quimioterapia, fica um tempo em recesso e passa-se um período, aquele filme volta no começo, a barriga incha, os sintomas voltam, a gente pode discutir novas cirurgias, novas quimioterapias e é como se fosse um capítulo que vai se repetindo dentro dessa novela. E daí o desafio em conseguir curar e e e melhorar esses números percentuais que você nos trouxe, né, mostrando que, apesar aí de uma doença que é muito agora tá muito sendo falada nesse mês em que estamos, a gente ainda tem um desafio grande em conseguir curar as mulheres. Muito bem, doutor. É muito relevante, né, a gente trazer e aqui pra TV Câmara Campinas, é dentro desse programa Saúde e Vida, essa questão do câncer de ovário, porque como o senhor disse, eh os exames eh não ajudam a identificar o câncer de ovário. Não existe um rastreio, né, eficaz. Eh, a mulher ela às vezes não consegue identificar um sintoma que ela possa chegar até o seu médico para pedir aí no caso da mamografia ou do Papa Nicolau é um pouco diferente, né? Agora, como que essa mulher ela precisa fazer para se prevenir? já que a gente tem uma dificuldade na questão da identificação desse câncer de ovário. Então, qual que é a dica que o doutor deixa para que as mulheres possam fazer a prevenção? Perfeito, Rubé, você tocou em pontos muito importantes, né? De fato, vou frisar isso porque acho extremamente relevante. diferente de outros cânceres, como o câncer da mama, em que se tem a mamografia e como o câncer do colo do útero, em que se faz os exames de papa nicolau e detecção de HPV, eh, não há, infelizmente, uma rotina organizada de rastreamento, não porque não tenha sido tentado, mas porque ele não mostrou uma capacidade de reduzir eh os casos de câncer de ovário e também eh a mortalidade por câncer de ovário, né? Então, o rastreamento paraas paraas mulheres, pros homens que nos escutam, é uma uma modalidade de de rotinas médicas que a gente faz periodicamente, né, em em indivíduos assomáticos, ou seja, sem sintomas, buscando encontrar a doença antes dela aparecer, antes dela se manifestar. E tudo que foi tentado no câncer de ovário, exame de sangue, exame de imagem, ultrassom, pequenas cirurgias de visualização da cavidade abdominal foram eh frustradas, né, por resultados que não mudaram o desfecho e a história do câncer do ovale. Então, realmente não há uma rotina de rastreamento. O que a gente quer que a gente, o que que a gente deve passar paraa nossa telespectadora aqui da TV Câmara? Eh, é importante que a mulher se atente aos seus sintomas abdominais. Eh, eu, apesar de médico eh aqui na na condição de homem falando para mulheres, eh a gente vê que é muito frequente as mulheres aceitarem sentir desconforto, sentir dor, muito porque a mulher tolera um período gestacional, porque a mulher tolera uma rotina menstrual periódica por muitos anos e ela acostumou a sentir desconforto, dor e isso não pode ser tolerável. Claro, existem dores, existem sintomas abdominais que vão ser, a grande maioria deles, benignos e decorrentes do mecanismo fisiológico da mulher, da menstruação, do período pré-menstrual, da gestação. Mas tudo que foge ao ao normal e que se transforma refratário, que se e que aumenta, que cresce, deve ser investigado. Então, que as mulheres que me escutam, que elas procurem a a se atentar por qualquer sintoma abdominal de inchaço, de mudança do hábito urinário, mudança do hábito intestinal que possa inferir alguma coisa errada acontecendo naquele abdômen. Você falou da palavra prevenção, né, e prevenção é a gente atuar de maneira a evitar que o câncer apareça. Infelizmente não há nenhuma nenhuma receita mágica para que qualquer câncer evite de aparecer, exceto cânceres em que a gente dependa, por exemplo, de vacinação, como é o caso do câncer do col uterino. No câncer do ovário, a gente não tem uma uma receita mágica para prevenção, mas existe sim eh eh adoção de hábitos mais saudáveis para minimizar o risco do desenvolvimento do câncer e do ovário e de outros cânceres. É importante frisar aqui pras nossas telespectadoras que o câncer ele é uma doença do envelhecimento. Então veja, o câncer do ovário ele tem a sua o seu pico de ocorrência na mulher acima dos 50 anos. Então essa mulher está envelhecendo, ela está tendo todos os os processos de envelhecimento natural e é importante que ela busque envelhecer com saúde, se alimentando bem, então consumindo menos alimentos processados, evitando o consumo excessivo de álcool, eh combatendo ativamente o o o hábito do tabagismo, né, do cigarro, seja o cigarro convencional ou o cigarro eletrônico, e praticando atividade física. E isso parece ser muito genérico, né, obviamente, mas isso é muito relevante para cânceres femininos, para câncer de mama, câncer de útero, câncer de ovário. Então, já que todos nós, como homens, mulheres, queremos envelhecer, que a gente busca um envelhecimento com saúde, flertando com bons hábitos, acho que essa é a melhor receita que eu como profissional posso dizer para prevenir tumores, né? E claro, as rotinas de saúde, o acompanhamento médico periódico que a mulher faz paraa mama, pro coluterino e para o acompanhamento da saúde ginecológica, ele deve ser feito e estimulado e, claro, se atentar a sintomas de que algo esteja acontecendo de maneira errada no abdômen, né? Porque daí a gente pode pensar num diagnóstico precoce que é difícil no caso do câncer de ovário por causa dessa dessa situação silenciosa que eu comentei, que você mesmo nos trouxe no início do da nossa fala, mas que em alguns casos nos ajuda a descobrir precocemente o câncer do ovário. Excelente, Dr. Igor. Agora, quando a gente fala de câncer de mama, né, tem aquela questão do histórico familiar. Eu gostaria que o senhor nos explicasse referente ao câncer de ovário, né, se tem aquela questão do histórico familiar, de mutações genéticas, se aumentam as chances de desenvolver esse câncer ou se não tem nada a ver com essa questão de histórico familiar. Ótimo. Us. Esse é um ponto importantíssimo que a gente deve eh passar pros nossos telespectadores, a a relação entre câncer de mama e câncer do ovário, né? Então, esses são cânceres que se conversam, sim. Eh, a mulher que está aqui me ouvindo e que tem na sua família ou na sua história pessoal câncer de mama, câncer de ovário, ela precisa se atentar quanto ao que nós chamamos de hereditariedade. A gente, como eu disse há pouco, a gente acredita que uma parcela grande dos cânceres de ovários se relacionem com alterações genéticas, 50% delas. H, e uma parcela dessas alterações genéticas podem ser herdadas, tá? Podem ser uma herança que circula por essa família. E daí quando a gente vai olhar a história familiar ou a história individual daquela mulher que tá ali se consultando, a gente vê câncer de mama, câncer de ovário, câncer de próstata nos homens, câncer do pâncreas, tanto em homens e mulheres. Então, sim, a mensagem que fica aqui pros nossos telespectadores da Telecâmara é que a presença de câncer de ovário na história familiar deve chamar atenção quanto àitariedade, visto essa relação com questões genéticas que a gente tem. Isso ganhou força e e atingiu até o o o mundo público com a descoberta de algumas mutações genéticas. Uma delas eh ficou bastante famosa em meados dos anos 2013, 2014, quando uma atriz famosa descobriu uma alteração genética de favorecimento para câncer de mama e ovário. E ela foi eh e e se eh obviamente que orientada por profissionais, fez o que nós chamamos de cirurgia preventiva, cirurgia que reduz o risco do desenvolvimento do câncer. Então veja, não é uma regra para todas as mulheres, é uma opção para mulheres que tenham alguma alteração genética conhecida e que dentro de uma abordagem multiprofissional e muito bem eh relatada, muito bem eh acordado com os pacientes, a gente pode discutir cirurgias que retiram aqueles órgãos de risco de câncer de maneira precoce antes do desenvolvimento daquele câncer. Então isso ficou bastante famoso aí e ganhou a cena, né, na na mídia, ganhou cena nas discussões multiprofissionais de saúde quanto a questões genéticas. E pro câncer de ovário, sim, isso é um ponto relevante. Rú, muito bem. Bom, já que não existe um exame de rastreamento eficaz, né? O que a mulher pode fazer para se prevenir ou pelo menos detectar precocemente a doença é ter o cuidado contínuo, então, como disse o doutor, com a saúde ginecológica e mesmo sem ter sintomas aparentes, você precisa sim visitar regularmente o seu médico, principalmente uma mulher que já está na fase da menopausa. Isso quando a gente tá falando de câncer de ovário, por conta das alterações harmonais e também por conta, de acordo com a fala do doutor, o câncer de ovário ele acomete mulheres eh em uma idade, uma faixa etária aí de 50 a mais. Então, a gente precisa sim do tratamento eh eh do ginecologista, de estar sempre presente eh fazendo a manutenção de saúde. Agora, doutor, falando em tratamento, né, a partir do diagnóstico, quais são as principais formas disponíveis hoje? Eh, cirurgia, quimioterapia, radioterapia? Como é que são eh definidos esses protocolos de tratamento pós a descoberta aí de um câncer de ovário? Muito bem. Ah, Rúbia, o tratamento do câncer do ovário, ele tem como pilar a cirurgia, tá? Então, eh, nós não tratamos, eu como oncologista não trato o câncer do ovário sozinho. A gente sempre vai estar junto de um time de profissionais que estão habituados a tratar uma doença que sim é muito desafiadora. Então, as cirurgias oncoginecológicas, né, então feitas por um ginecologista especializado em em oncologia, ela tem um papel de retirar toda a doença possível do abdômen. Nós chamamos de redução máxima, de retirada máxima da doença e que é visível no abdômen. Então são cirurgias grandes, de bastante impacto na recuperação das mulheres, mas que quando feita de maneira eh exata, né, adequada por por colegas médicos com expertise disso em ambientes que tenham expertise de tratamento de câncer de ovário, tem um desfecho muito importante na capacidade de de controle do câncer. E às vezes, eh, a cirurgia não é feita de imediato porque é uma doença realmente muito robusta. muito grande. Então, a gente acaba optando por fazer uma inversão do tratamento da cirurgia com a quimioterapia. Eu diria que a grande maioria dos cânceres de ovário vão precisar de quimioterapia. Existe uma um conhecimento hoje já muito sólido na oncologia que o câncer de ovário ele tem sensibilidade, ele é sensível a quimioterápicos que a gente tem disponível tanto no cenário de saúde pública como no cenário de saúde suplementar. Então, seja operando primeiro e fazendo químio depois, seja fazendo químio antes e depois operando, mas essa dupla de tratamento, quimioterapia e cirurgia habitualmente fazem parte e conseguem controlar uma boa parcela da doença. A grande, o grande desafio, como eu disse há pouco, é que mesmo com um esforço cirúrgico muito grande, com quimioterapias exigentes, não é infrequente que depois de um período essa doença volte a incomodar a mulher. E daí é aquela história do capítulo que se repete, né? E a gente, claro, fazer novas cirurgias é sempre um desafio, mas é possível em casos selecionados. E a cirurgia geralmente é seguida de quimioterapia, como falei. Ah, a gente teve está tendo um um avanço de ciência muito grande na questão de de entendimento genético, como já falamos. Existem hoje medicamentos voltados para essas alterações genéticas. São comprimidos que podem ser utilizados naquela mulher que tem alguma alteração genética do câncer do ovário. E também mostraram uma capacidade de controle do câncer de ovário ainda maior quando a gente soma cirurgia, quimioterapia e os comprimidos. A radioterapia Uber, que é uma uma modalidade eh de de tratamento localizado em que se usa eh a radiação como uma forma de controle de células tumorais. Ela é pouco utilizada no câncer de ovário, visto que eh geralmente essas células não estão localizadas num ponto único, elas estão disseminadas pelo abdômen e fica difícil fazer a localização exata daquele daquele tecido que vai ser tratado pela radioterapia. Então são casos de exceção que a gente vai usar a radioterapia. É importante trazer para as mulheres que a gente tem cada vez mais eh avanços chegando, né, no no cenário da oncologia. Então, há poucas semanas a gente teve a aprovação de um remédio novo para câncer de ovário no Brasil, uma droga de mecanismo de ação inteligente que busca entregar um forma de controle eh digamos assim bem direcionada, como se fosse com um mensageiro específico, nós chamamos de anticorpo, eh, conjugado a drogas e que está agora disponível, já comercializada no Brasil. Então, existe um um esforço contínuo pra gente tentar cada vez mais eh eliminar essa doença do radar das mulheres. É óbvio que eh como você bem disse, infelizmente muitas mulheres acabam por ter um desafio à frente e vê até a a perecer devido a a ao câncer do ovário. Mas e o esforço é contínuo para tentar melhorar a qualidade de vida delas, para tentar tratar da melhor maneira possível as mulheres que precisarem eh desses tratamentos. a gente fica muito feliz, né, com com todo esse avanço eh da medicina em relação à saúde da mulher, porque a gente sabe, doutor, eu sou mulher, estou na fase já eh eh da pré-menopausa e a alteração hormonal, ela acaba eh eh judiando muito da mulher. E aí quando a gente fala dessa questão do câncer de ovar, o senhor trouxe para nós aqui como exemplo o câncer de mama, eh, e a prevenção, né? Então, uma uma artista muito conhecida, ela optou eh pela retirada da mama mediante a questão eh eh familiar, né? E aí fez um planejamento e retirou essa mama. No câncer de ovário, o senhor também trouxe, pontuou pra gente a possibilidade da retirada, né? como forma de prevenção. Agora, eh qual a faixa etária que a gente pode entender que seja possível a retirada do ovário como forma de prevenção? E aí, eh, retira-se o ovário e o útero ou somente o ovário? Excelente questionamento, Rúbia. Essa é uma decisão que precisa ser pautada por muita cautela, né? Nós estamos avançando diariamente no conhecimento genético e os exames de sequenciamento genético estão cada vez mais disponíveis para para eh eh para que os pacientes o façam. Antes de fazer exames genéticos, a mulher precisa ser aconselhada a dos possíveis resultados, das indicações, né? não é simplesmente fazer o exame, porque às vezes a gente se depara com resultados que podem eh atrapalhar mais do que ajudar aquele caso em específico. Mas criando aqui uma situação hipotética da mulher que descobre ter uma alteração genética de alto risco de câncer de mama e ovário, a discussão quanto a cirurgia de prevenção, a cirurgia de redução de risco de câncer de mama, ela muitas vezes acontece bem precocemente na mulher. na faixa etária próxima aos 25, 30 anos, independente dela ter gestado, tá? Então, ela ainda eh eh talvez não vá poder amamentar se eh assim for o entendimento daquele daquela equipe médica que estiver cuidando dela. Então isso tem que ser muito bem alinhado com a mulher, porque eh o o processo de amamentação, ele é não só importante paraa mulher que deseja ser mãe, mas também muitas vezes um um desejo da mulher, né, que pode, claro, ser substituído por eh eh alimentos eh preparados pro bebê, mas que muitas vezes é uma privação de um sonho daquela mulher que precisa ser respeitado, né? Então, né, acho que eh não devemos eh pensar que a descobrir uma alteração genética, vou sair retirando a mama da mulher, não. A gente vai programar isso conforme os valores individuais dela, conforme a indicação e conforme o desejo eh dela em eh consocia com a definição técnica do médico. Isso pode acontecer na faixa etária de 25, 30 anos. E claro, ao passo que a idade avança, o risco de câncer de mama para mulheres com alterações genéticas às vezes se transforma em algo perigoso. E daí a gente realmente traz essa discussão de maneira mais incisiva para proteger essa mulher. No que se refere ao câncer de ovário, quando a gente fala de mutações genéticas, eh nós começamos a a refletir sobre esse tema, a partir dos 35, 36 anos, né, quando a gente imagina que aquela mulher já tenha eh refletido ou pensado na na possibilidade de gestar e quando ela já, digamos assim, aproveitou uma parte dos hormônios dela, porque uma vez que a gente retira os os ovários, a gente vai pensar tá? Eh, a gente vai transformar essa mulher numa mulher sem hormônios, portanto na menopausa. Então, isso tem que ser muito cuidadoso, muito cauteloso. Existe uma discussão sobre a possibilidade de preservar o útero e e retirar somente as trompas, que é onde a gente imagina que os principais casos de câncer de ovário se iniciam e daí ela ficaria com os ovários por mais um tempo e depois mais adiante a gente tira os ovários e o útero também. Eh, mas a faixa etada de discussão começa-se a partir dos 35 e varia em torno dos 42 45 anos de discutirmos a retirada cirúrgica e preventiva dos ovários. Lembrando que isso não é uma obrigação, isso é uma recomendação baseada num conhecimento genético que tem que ser muito bem amadurecido para com a paciente, com a família dela, né, e estar em conso desejos, com as o entendimento daquela mulher. Eu tenho pacientes que têm alterações genéticas e que não desejaram nenhum tipo de cirurgia. E a gente como profissional precisa respeitar, orientá-la e acompanhar essas mulheres. É óbvio que muitas vezes, como a gente tá falando de doenças desafiadoras, né, ou a câncer de mama, câncer de ovário e que se tratando de situações hereditárias e genéticas, muitas vezes essas mulheres têm exemplos nas suas famílias de familiares próximos que vieram a falecer ou que sofreram com tratamentos agressivos. aquela mulher muitas vezes se motiva de maneira muito forte a fazer os seus tratamentos preventivos eh com as cirurgias redutoras de risco. Desafiador, não é, doutora? A partir do diagnóstico, tem aí um desafio muito grande pela frente e tem também o impacto emocional. Bom, vamos lá. Eh, como lidar com esse impacto emocional que esse diagnóstico traz um diagnóstico positivo, não é, do câncer de ovário, ele traz para a mulher e também para a família dessa mulher. Doutor, o senhor deve ter aí situações de mulheres que eh caíram ao chão quando receberam o diagnóstico. E a gente sabe que o psicológico faz parte também do tratamento do corpo físico. Então, como que a gente alinha isso? Como que a gente lida com isso na hora do diagnóstico positivo? Esse é um ponto importantíssimo dentro de qualquer doença desafiadora. né? O, e o câncer ele traz não somente um desafio que passa por sintomas físicos, mas também um desafio que passa por eh sintomas emocionais, né, por dores emocionais, dores psíquicas, eh muito muito estigma, né, do passado, daquela questão do descobrir um câncer e vou morrer. Então, acho que o primeiro ponto que a gente precisa eh combater aqui nas nossas conversas, né, desmistificar, é de que câncer é igual à morte, né, não é, né? A gente eh acho que tudo nesses anos de oncologia, o que eu que eu tenho aprendido com os meus pacientes é que, de fato, câncer não é morte. Câncer é uma uma chance de ressignificar, uma chance de trazer novas novos horizontes, de perceber eh a importância das das coisas que valem na nossa vida, que é a pessoa as pessoas que a gente gosta, os nossos amigos, as nossas familiares, as pessoas que realmente se importam com a gente, né? Então, não infrequentemente eu, depois de um término de tratamento ou depois de um de um momento desafiador na vida de homens e mulheres com câncer, eu recebo uma devolutiva deles de que eles se importam menos com problemas bobos que eles se importavam antes, se estressam menos com coisas eh que não t valor hoje em dia, eh dão menos valor porque os outros pensam e sim porque ele vive com a sua família, com seus filhos, com as pessoas que ele gosta. Então, eh, e, e sim, veja, eu, apesar da gente tá falando de câncer, eu tô falando de pessoas que estão vivendo, né? Então, eh, o diagnóstico não deve ser atrelado à morte. Sim, existem desafios, existem de fato pessoas que vão vir a descansar, a falecer devido a doenças desafiadoras como o câncer e outras doenças, mas que a gente não pode eh deixar esses pacientes se sentirem sozinhos, esses pacientes se sentirem estigmatizados, porque isso não é e não deve ser a realidade do diagnóstico oncológico. a gente precisa de apoio psicológico, a gente precisa de apoio eh social para pacientes, porque muitas vezes o câncer vem em famílias que estão estruturadas, com redes de apoio, com uma possibilidade financeira, mas ele também bate na porta do indivíduo que está eh com algum desfavorecimento financeiro, que está sozinho naquele momento, que terminou o seu relacionamento, que perdeu pessoas próximas e que estava eh, vamos dizer assim, voando solo e de repente vem o câncer e tira, né, dele a a possibilidade de voar, ele precisa estar tratando, tendo sintomas, tendo desafios à frente. Então, acho que o abraçar multiprofissional em termos de psicologia, em termos de assistência social, em termos de espiritualidade, né, de conhecer os valores desse indivíduo, não somente valores religiosos, mas do que ele acredita, do que ele tem para si como importante. Acho que cada vez mais isso faz parte do tratamento oncológico. ele tá longe de ser uma cirurgia, um remédio, né? Ele tá, ele faz parte do cuidado daquele paciente. Então, a mensagem que fica pros nossos pacientes é o o o abalar psicológico, ele existe, ele acontece, mas ele não deve vencer o desejo de de lutar, o desejo de combater a doença e ele se sentir apoiado pelo seu médico, mas não somente pelo médico, pelo enfermeiro, pelo psicólogo, pelo nutricionista, né? E uma uma mensagem aqui também, Rúbia, se me permite, para quem acompanha esses pacientes. E daí muitas vezes, no caso da mulher, pro parceiro, paraa parceira, né? Para que não volte atrás, para que seja parceiro mesmo, para que seja companheiro, para que não abandone nesse momento, né? A gente tem um dado que eu tenho até, de certa maneira vergonha de falar, mas que 30 a 35% das mulheres em tratamento, no caso de câncer de mama, perdem o seu parceiro. Isso é vergonhoso, né? Vergonhoso, porque vai ficar careca, porque o cabelo vai cair, porque vai ter rotinas diferentes, vai ter impacto na vida sexual. Isso tem que ser combatido ativamente, né? Não pode, não, não pode acontecer, né? E curioso que quando o homem descobre câncer de próstata, a mulher é a primeira a tá lá do lado dele, parceira, acompanhando, fazendo os exames. Então, esse apoio familiar, esse apoio emocional, esse apoio multiprofissional, ele é essencial pro pro sucesso do tratamento, como você bem disse, pro bem-estar daquele indivíduo e pra gente combater qualquer tipo de de situação que eh possa estigmatizar o paciente oncológico. Excelente. muito conhecimento compartilhado aqui no nosso programa Saúde é Vida. Eu gostaria de agradecer a sua presença, Dora Igor Mantovani, muito obrigada por compartilhar essas informações conosco de grande valia, viu? Gratidão pela sua participação. É, Rúbia, eu que agradeço vocês da TV Câmera, do do Saúde Vida. É um prazer poder falar de desse tema, poder levar informação. Quero tomar a liberdade aqui de de deixar um recado pros nossos telespectadores para nos acompanharem, acompanharem vocês, mas nos acompanharem também nas redes sociais. Nós, eu faço parte de um grupo de oncologia eh da região de Campinas chamado grupo Son, né? E e esse nome ele é proposital, né? porque vem trazer coisas boas, vem trazer pessoas que estão eh eh disponíveis aqui para ajudar no diagnóstico oncológico. Então, nos acompanhe nas redes sociais, Grupo Sonem. Será um prazer compartilhar, assim como aqui nesse programa, informações de qualidade, informações científicas e apoio para quem precisar de tratamento e segmento oncológico. Igor Mantovani, gratidão. O Saúde é Vida falou hoje sobre o câncer de ovário, um tema que precisa ser sempre discutido. Agradecemos então ao oncologista Dr. Igor e a você que nos acompanhou até aqui. Continue cuidando da sua saúde, prestando atenção aos sinais do seu corpo e fazendo acompanhamento regular com o seu médico. E até o próximo programa Saúde é Vida. Fique bem, cuide-se e até lá. เฮ [Música]
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