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SAÚDE É VIDA - ANEMIA
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SAÚDE É VIDA - ANEMIA

23 views Publicado 14/07/2021 HD · 38:32

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SAÚDE É VIDA - ANEMIA - 13-07-2021

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Olá, mais um Saúde e a Vida no Ar. A você de casa, muito obrigada pela companhia. Antes de falar sobre o tema de hoje, eu quero lembrar a você de casa que também pode participar aqui do nosso programa. Tem alguma dúvida, quer saber sobre alguma doença? Mande a sua sugestão para a gente. É fácil, é só mandar uma mensagem nesse WhatsApp que está aí aparecendo no seu vídeo que a gente vai atrás de um especialista para tirar todas as dúvidas. E foi o que a gente fez no programa de hoje. Vem cá, você sabe tudo sobre anemia? Se não, então fique com a gente até o final, porque hoje eu recebo aqui a Clarice Lobo. Ela que é hematologista e aceitou o nosso convite. Obrigada, Clarice. Olha, obrigada. É um prazer estar aqui com vocês hoje e poder discutir um pouco sobre esse tema tão empolgante para mim e que eu tenho certeza que vai sensibilizar várias das pessoas que estão me ouvindo. Clarice, então para a gente começar de uma maneira geral, o que é anemia? Anemia é a diminuição do número de glóbulos vermelhos no sangue. Isso faz com que a gente tenha uma diminuição da quantidade de oxigênio que está circulando. Apesar do povo achar que só existe um tipo de anemia, que é por falta de vitamina, que é por falta de ferro, existem vários tipos de anemia e algumas delas até com excesso de ferro no organismo. Quando a pessoa aí fala que tem anemia, normalmente descobriu como? Ela começou a sentir o quê? Tem alguns sintomas ou essa é uma doença silenciosa? Não, anemia é um sintoma, na verdade, de alguma doença. Em muitas vezes. E em outras vezes, como nos casos das anemias que começam na fábrica do sangue, ela é uma doença primária da fábrica do sangue. Mas o maior sintoma que a pessoa vai ter, na grande maioria das vezes, é cansaço. Cansaço, falta de ânimo de fazer as coisas. Não é nem cansaço de falta de ar, é cansaço, parece que você acordou de manhã, fez qualquer atividade, já fica como se já estivesse no final do dia daquele cansaço importante. Agora, é legal a gente colocar que algumas pessoas nascem com anemia e o organismo se adapta a uma condição de menos oxigenação cronicamente. Até um determinado nível, que a gente diz que é uma anemia moderada, até 10 de hemoglobina, isso pode acontecer. O indivíduo não sente absolutamente nada, porque ele nasceu com aquela condição. Isso é o caso das anemias hereditárias, das talassemias menores, não das talassemias maiores, mas a talassemia menor, que é muito frequente em São Paulo e no sul do Brasil, que veio da Itália, ela traz essa característica. Quando a pessoa só porta um pedacinho do gene, ela tem, do gene alterado, ela tem então uma diminuição da quantidade de hemoglobina entre 10, 10,5 até 11 de hemoglobina. Vale lembrar que a hemoglobina da mulher normal é acima de 12 e do homem normal acima de 13 e abaixo dessas condições a gente então chama de anemia. Então essa anemia que eu estava falando antes de 10,5, 11 é uma anemia moderada E, portanto, o indivíduo pode se adaptar e ser uma pessoa, até um atleta, sem sentir nenhum tipo de sintoma. Mas as anemias mais graves, hereditárias, como a anemia falciforme, que está presente em 60 a 100 mil brasileiros, ela pode levar a números muito baixos de hemoglobina, até 6, 5 de hemoglobina, então metade da quantidade de oxigênio circulante, e esse indivíduo não é um indivíduo que consiga fazer as atividades normais de um atleta, ou de fazer muito exercício, porque ele se cansa com facilidade, uma vez que ele tem baixa de oxigenação. O oxigênio não chega no cérebro, não chega no músculo, e a pessoa se sente cansada. Clarissa, você falou aí que existem vários tipos de anemia, a gente consegue detalhar as principais? Qual é a mais comum que se vê hoje? A mais comum de todas as anemias no mundo é a anemia por falta de ferro, daí o povo achar que a anemia é sinônimo de falta de ferro, a anemia por falta de ferro, ela acontece, vamos fazer a vida do indivíduo, o bebê pode nascer com uma quantidade de ferro pequena, menor do que ele deveria, porque a mamãe já teve uma anemia na gravidez, Aí o bebê nasce e ele começa a crescer. Cada vez que o bebê cresce um centímetro, ele tem que fabricar milhares de novas hemácias, de novas bolinhas do sangue para carregar oxigênio para aquele lugar que está crescendo. Então, esse indivíduo vai ter a necessidade de repor as hemácias que estão nascendo, de repor as hemácias que estão morrendo, que toda a hemácia dura 120 dias, Então, a hemácia morre e ele tem que repor essa hemácia. E, ao mesmo tempo, essa hemácia usa o ferro que já está dentro dele. E, ao mesmo tempo, ele tem que ter ferro estocado para fabricar nova hemácia. Então, o bebê, até um ano de idade, tem um alto risco de desenvolver anemia por falta de ferro. Daí, os pediatras, pela Organização Mundial de Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, recomendarem o uso de ferro profilático no bebê, na grande maioria das vezes esse ferro é utilizado, mas mesmo o ferro profilático acontecendo, o bebê pode desenvolver anemia dependendo do grau de ferro que ele nasceu vindo da barriga da mamãe. Aí depois ele continua crescendo, essa criança continua precisando fabricar mais hemácias para crescer, e pronto, ela chega na adolescência, a menina começa a menstruar, e aí na menstruação ela começa a perder ferro, como todas as mulheres em idade fértil, e além disso ela tem que ter ferro para estocar, para crescer ainda, e aí o adolescente está em alto risco de anemia ferro-prima. Chegamos na idade adulta, a mulher começa a ter filhos, e aí cada vez que o bebê é gerado, ele precisa de muito ferro. Aí a gente fecha o ciclo daquele bebê que nasce sem ferro, porque a mamãe não tinha ferro. Então, a falta de ferro, não só de anemia, mas de falta de ferro no estoque, é a principal causa de cansaço na população geral. Hoje nós temos, Viviane, uma coisa muito dos dias atuais, que nos últimos 20 anos aumentou muito o número de mulheres que realizam cirurgia bariátrica. Homens também realizam, mas as mulheres são mais frequentes nessa prática. Acaba que a gente ganha peso quando engravida, ganha peso porque fica em casa cuidando dos filhos, acaba que belisca mais comida, não sei, mas acaba que nós ganhamos muito peso. E até hoje, nos dias de pandemia, a obesidade é um fator de risco para desenvolver COVID grave e muitas mulheres, então, procuram a cirurgia bariátrica. E aí eu chamo a atenção que as mulheres pós-bariátricas, elas se sentem mais bonitas, elas engravidam muitas vezes, elas vão querer fazer as cirurgias reparadoras depois e elas se deparam com anemias graves. Elas podem fazer anemias de até 5 de hemoglobina, igual aquela anemia que eu falei que as pessoas podem ter nascida com ela. Essa anemia grave só é corrigida com a reposição de ferro parenteral O que é isso? É um ferro que é colocado num soro e é colocado na veia do indivíduo Uma vez que a cirurgia bariátrica faz um bypass, corta caminho do estômago A comida não passa mais dentro do bolo do estômago e com isso o ferro não consegue ser preparado para ser absorvido pelo organismo. Então, mesmo que a pessoa tome comprimido de ferro ou coma uma dieta rica em ferro, ela vai ter falta de ferro. Isso é uma tônica hoje nos pós-operados. Eles têm falta de ferro e falta de vitamina B12, que também só é reposta através da B12 sublingual ou intramuscular. E isso é um grande problema, porque essa pessoa ficou ótima, ela largou mão do diabetes que ela poderia já estar, do aumento de colesterol, toda a síndrome metabólica, que é uma inflamação, na verdade, que o organismo faz no tecido conjuntivo, mas adquire essa outra mazela que muitas vezes elas não estão atentas a isso. Então, eu chamo a atenção, a pessoa que já fez cirurgia bariátrica, observe a taxa de ferro, a taxa de B12 e a hemoglobina, porque fatalmente a mulher, menstruando, tendo filhos, etc., ela pode desenvolver anemia ferropriva grave por conta dessa situação. E essa situação pode levar à morte, doutora? Olha, anemia, para ela levar à morte, significa que o indivíduo está com tanta baixa de oxigênio que ele pode sofrer um infarto? Pode. Ele pode sofrer um acidente vascular isquêmico? Pode. Mas não é comum que a gente tenha morte por anemia, porque o indivíduo vai desmaiar, porque ele está com baixa de oxigênio, ele vai perder os sentidos, ele vai desmaiar, como se diz no termo popular, e então ele vai ser levado a uma unidade hospitalar. Lá vai fazer um hemograma e vai tomar sangue. Então, é muito improvável que um indivíduo morra por anemia, por hipóxia. A anemia, e outra coisa que eu queria chamar bem atenção, é que a anemia não leva à leucemia. Isso é uma crença popular, e que é um grande problema, porque as famílias ficam muito estressadas quando as crianças e os adolescentes desenvolvem anemia, pensando que vai virar a leucemia. A confusão é o seguinte, é que quando pessoas têm leucemia, a fábrica do sangue fica tomada de células ruins e as hemácias, que são as células vermelhas, que são as células que carregam oxigênio, param de ser produzidas. Então, uma pessoa que tem leucemia, muitas vezes ela começa apresentando uma anemia. Mas não é anemia por falta de ferro, não é anemia que nasceu com ela, não é esse tipo de anemia. É uma anemia porque a fábrica não está conseguindo fabricar sangue. É uma anemia por invasão da fábrica do sangue pelas células malignas. E, claro, essa pessoa vai ter anemia que já era uma leucemia desde o início. Então, essa daí é uma situação. A outra situação é a pessoa que tem anemia por falta de uma vitamina ou que nasceu com essa deficiência, e aí ela nunca vai ter mais chance de desenvolver a leucemia do que uma outra pessoa igual a ela. Eu não estou dizendo que ela é isenta de desenvolver porque tem essa anemia, mas ela não vai ter maiores chances de desenvolver anemia por conta disso. A anemia é, por si só, um sintoma. Então, por exemplo, um indivíduo que tem doença renal crônica, ele tem anemia. Essa anemia é uma anemia chamada anemia inflamatória, anemia de doença crônica. Nesse caso, não falta ferro, não falta vitamina B12 e não é que nasceu com ele. Nesse caso, falta uma outra substância do corpo chamada eritropoetina. A eritropoetina também fica frequentemente em falta quando nós temos qualquer processo inflamatório grave, como artrite reumatóide, lúpus, doença hepática. Todas essas doenças, por isso a anemia da inflamação, a anemia da doença crônica, levam à baixa de eritropoetina. A eritropoetina é como se fosse um fermento da fábrica do sangue. O corpo precisa fabricar a eritropoetina para que a eritropoetina funcione, estimulando a medula óssea a fabricar. Então, nesse caso, a gente precisa não dar ferro, nem B12, nem nada. A gente precisa da eritropoetina, que é uma outra gama de anemias. E temos ainda as anemias que não melhoram com nada e nós precisamos transfundir. A pessoa, por exemplo, com talassemia maior está nesse grupo. Você falou em talassemia, né? Qual que é o tipo, como que ela é, qual que é a diferença das demais? A talassemia vem de uma alteração na cadeia da hemoglobina. A hemoglobina, se a gente imaginar, a bolinha do sangue, a hemácia, ela tem dentro dela como se fosse um ninho, um novelo, que é a hemoglobina. Vamos imaginar que nesse ninho se deita o oxigênio e depois se deita o gás carbônico na hora que a célula troca o oxigênio pelo gás carbônico. E aí, essa hemoglobina, esse novelo, ele é composto de quatro fios de proteína. Como se a gente pensasse no seu cabelo agora e a gente fosse fazer uma trança no seu cabelo. E aí a gente trança o seu cabelo com quatro pedaços, duas cadeias de proteína alfa e duas cadeias de proteína beta. Na talassemia, falta um pedaço de uma cadeia, ou de alfa ou de beta. Então, a talassemia beta minor só falta um pedacinho de uma das cadeias, e aí, como aquele caso que eu falei que a pessoa tem uma anemia leve. Mas na talassemia beta major, falta a cadeia beta praticamente inteira. Então, com isso, esse novelo que o oxigênio deveria se deitar, ele se desfaz. E se desfazendo, essa hemácia é destruída muitas vezes antes de sair da medula óssea, porque ela é mal formada. E com isso, essa criança tem que começar a ser transfundida muito precocemente, porque ela não fabrica sangue. A talassemia maior, então, que é chamada lá fora de talassemia major, ela não tem cadeia de hemoglobina nenhuma. Perdão, de hemoglobina beta, nenhuma. Só tem a cadeia alfa. E essa hemoglobina, então, não é estável o suficiente para ficar passeando pelo corpo, levando oxigênio várias vezes. A pessoa com talassemia maior precisa ter vindo de um casamento com duas pessoas de talassemia menor Então isso ficou muito mais frequente no sul do Brasil Quando os colonos italianos, gregos vieram e se fecharam em comunidades Como eles se fecharam em comunidades, eles começaram a casar entre si E a talassemia menor é frequente, é prevalente nesses países na Itália, na Grécia, no Líbano, e com isso, então, nós temos uma população grande de pacientes com talassemia maior no sul do Brasil. No Rio de Janeiro, a gente tem pouca talassemia maior, uma vez que houve mais miscigenação entre as comunidades, porque as comunidades que se fixaram no Rio, elas eram menores e acabaram abrindo-se mais. Clarice, eu ainda tenho muita pergunta para te fazer sobre esse tema, mas eu vou precisar dar uma pausa para a gente beber aquela água. Você de casa, não saia daí, o Saúde e a Vida volta já, já. Saúde é vida de volta e hoje a gente está falando sobre anemia, o que é, os sintomas, tratamento, os tipos. Quem está explicando tudo é a hematologista Clarissa Lobo, que está aqui comigo. Clarissa, a gente estava falando aí de talassemia. Como é a vida de uma pessoa que tem esse tipo de anemia? Bom, a vida dessa pessoa é normal, mas ela precisa utilizar sangue, pelo menos a cada três semanas, para manter a hemoglobina acima de 10 e ter uma vida normal. Então, o que acontece com ela? São duas coisas básicas. Primeiro, ela tem que estar próximo de um serviço que possa prover a ela sangue. Esse sangue, como ela é uma pessoa que transfunde muito, esse sangue não pode ser só cruzado com, igual o sangue de uma pessoa que não toma sangue toda hora, que é o ABO e RH, todo mundo sabe, ah, eu sou A positivo, eu sou O positivo, eu sou B positivo, eu sou AB, eu sou O, né? As pessoas sabem esses dois grupos sanguíneos, que são os dois grupos sanguíneos principais. Mas existem mais de 120 grupos sanguíneos. Então, essa pessoa que toma sangue toda hora, ela tem que ser cruzada não só com ABO e RH, mas também com outros subgrupos, para que ela não desenvolva anticorpos contra esses subgrupos e aí pare de aproveitar o sangue. Então, a gente chama que esse sangue dessa pessoa tem que ser fenotipado. O fenótipo é como se fosse uma carteira de identidade do sangue, com todos aqueles subgrupos, e aí, como eu falei, tem vários, tem MNS, tem SSO, tem vários subgrupos, e nós temos então que saber se essa pessoa é KEL positivo, KID positivo, MNS positivo, o que ela tem para que a gente possa procurar um sangue igual ao dela, para que ela não desenvolva anticorpos. Se ela for negativa para um anticorpo, para um antígeno, e ela tomar um sangue daquilo, ela vai desenvolver um anticorpo contra aquele sangue. O próximo sangue que ela tomar, ela não vai aproveitar, o hematócrito não vai subir. E aí, isso é para o resto da vida. Não existe, atualmente, está chegando no mercado um medicamento que ainda não está disponível no Brasil, que estimula a produção de uma hemácia modificada e que pode diminuir a necessidade transfusional da talassemia mágica. Mas isso ainda é uma realidade de médio prazo, vamos dizer assim. Nesse momento, o que nós dispomos é a transfusão de sangue, que começa muito cedo, antes de um ano de idade, quando o bebê para de fabricar hemoglobina fetal, aos seis meses, ele começa a necessitar de transfusão de sangue na talassemia mágica. E a outra situação que acontece é que, quando a gente toma sangue, a gente acumula ferro, e o ferro, fora do lugar, em excesso, ele fica fora do lugar onde ele tem que ser armazenado, e aí ele pode levar a fibroses no fígado e no coração. Essa comunidade de pacientes precisa, então, tomar um medicamento oral, hoje é oral, ele já foi subcutâneo, mas hoje ele é oral, todo dia tomar um comprimido, ou três vezes ao dia de um tipo, ou à noite de um outro tipo, existem dois medicamentos disponíveis para que ele possa jogar fora, pela urina ou pelas fezes, o excesso de ferro que está se acumulando por conta da transfusão de sangue. Então, a vida do talacêmico mágico, a gente tem hoje talacêmicos mágicos que já casaram, têm filhos, mas a vida é permeada por essas idas ao hospital e transfusão de sangue. E das demais pessoas que têm anemia, existe cura, é só um medicamento, é para o resto da vida também? Como que é? Anemia hereditária, a única cura que existe, tanto para a talassemia quanto para as doenças falciformes, que eu vou falar a seguir, é o transplante de medula, para você ficar curado de uma doença hereditária, você tem que transplantar a sua medula e receber uma matriz de hemácias que não tenham aquele defeito genético. Na doença falciforme, o defeito genético não é na quantidade de uma cadeia de hemoglobina, mas sim na qualidade dela, ela muda, ela se modifica, Essa alteração da doença falciforme surgiu na África, na África malarígena, na África equatorial. Quando ela surge, assim como a talassemia minor, ela não tem problema. O traço falciforme, quando só uma cadeia de beta-globina é modificada, o indivíduo continua tendo uma cadeia normal e uma cadeia modificada. Essa condição de traço, assim como o traço talassêmico, ela é muito assintomática. E nessa área malarígena ela traz uma vantagem e fez essa vantagem evolutiva, ela fez com que a hemácia morresse antes do ciclo completo do bichinho da malária, que se chama falcíparo, conseguir amadurecer. Esse falcíparo é um vermezinho pequenininho, ele entra dentro da hemácia e aí ele cresce, ele cresce e amadurece. E aí quando ele amadurece, ele rompe a hemácia, dá filhotes e entra em outra hemácia. E assim ele vai causando a doença malária. Quando uma pessoa tem um ciclo de vida da hemácia mais curto, não dá tempo do bichinho ficar pronto, ficar maduro. E aí essas pessoas têm menos malária, ou seja, elas tinham vantagem por sobre a pessoa que era AA, que era normal. E aí, pessoas começaram a casar com AS, com traço falciforme. Então, daqueles pessoas assintomáticas, dois indivíduos com traço, quando se casam, têm a chance de 25% a cada gestação de gerar um bebê doente, com a doença falciforme. Aí ele ganha a hemoglobina, a beta-globina modificada de um pai e a beta-globina modificada do outro. E aí ele faz uma anemia muito grave, com dores ósseas, com equiterícia, olho amarelo, porque a hemácia é destruída muito facilmente no corpo dele. Mas o pior da doença falciforme são as infecções no início da vida, as dores ósseas e a degeneração dos órgãos vitais precocemente, fazendo com que a pessoa com doença falciforme viva até 20 anos a menos do que da população geral. Nossa, e uma pessoa que não tem anemia? Quais os cuidados que ela tem que ter? A alimentação, a nossa, hoje em dia, é o suficiente para repor esse ferro? Como que funciona? Qual que é a orientação que vocês dão? Olha, funciona como uma gangorra. A gangorra tem que estar equilibrada, reta. Aquilo que sai tem que ser igual àquilo que entra. Então, se uma mulher, em idade fértil, tem um filho atrás do outro, sai muito ferro, porque o bebê puxa o ferro. E aí ela vai precisar de reposição de ferro, não vai bastar o alimento. Por outro lado, uma menina que começa a menstruar e tivesse pouco estoque de ferro, ela vai ficar anêmica, ela precisa de repor ferro, não basta o ferro alimentar. No caso, por exemplo, das bariátricas que eu acabei de falar, não vai servir nem o ferro oral, muitas vezes vai ser necessário o ferro venoso, o alimento sozinho não vai resolver. Mas numa situação do dia a dia, o que a gente deve fazer? Bem, existe toda uma corrente vegana, uma corrente vegetariana que está cada vez mais popular, principalmente entre mulheres, e eu chamo a atenção dessas mulheres que o ferro não heme, que é o ferro do alimento vegetal, ele é absorvido 20 vezes menos do que o ferro de origem animal. Então, não basta a gente comer um prato de couve ou um pote de feijão, que o paralelo é assim, um bife de 100 gramas teria o equivalente a gente comer um quilo de feijão, de cada vez, para absorver o mesmo ferro. Uma vez que a gente pode ter a convicção de que a gente deva ser vegano ou que a gente deva ser vegetariano, mas o nosso corpo biológico não é. O nosso corpo biológico é carnívoro. Nascemos assim. Então, as nossas bactérias, as nossas enzimas, elas foram preparadas ao longo da espécie, do surgimento da espécie, para digerir muito bem o ferro animal. Então, os veganos, vegetarianos, muitas vezes precisam fazer reposição de ferro, como precisam fazer reposição de B12, porque a fonte principal de B12 é a carne. Então, não adianta a gente comer sem nenhuma proteína animal, e achar que mulheres, principalmente, eu digo mulheres porque menstruam e tem uma perda constante de ferro. Aquela mulher que não menstrua, ela fica com muito menos risco de desenvolver anemia. Então, hoje temos os DIUs, as colocações do DIU de Mirena, o DIU de hormônio, ele faz com que a mulher não menstrue mais. O DIU de cobre, não, ele aumenta o fluxo menstrual. Então, nós temos que atentas a isso. Se sair muito, muitas vezes tem que repor com remédio. Se não sair muito, nós ficamos numa estabilidade da gangorra. A gangorra não fica nem para cima, nem para baixo. Se a gangorra ficar... Essa gangorra, fazendo um paralelo, é igual àquilo que eu falei da pessoa que tem que tomar ferro. A pessoa que... Perdão, tomar sangue. A pessoa que tem que tomar sangue, ela fica com um acúmulo muito grande. Então, ela tem que fazer uma dieta que diminua a absorção do ferro. E para que nós possamos aumentar a absorção do ferro, devemos fazer suco cítrico na refeição. Quem não come carne e peixe deve ficar atento, mesmo tomando suco cítrico na refeição, deve ficar atento a esse desbalanço do ferro. Mas vamos falar da população que come carne. A população que come carne, carne e peixe é a mesma coisa. Carne e peixe, é lenda achar que a carne tem que ser músculo, não pode ser outra carne. A fibra da carne é que tem o ferro, não é o sangue da carne. Então, aquela lenda de comer fígado cru para curar a anemia, o fígado cozido ou fígado cru tem a mesma quantidade de ferro, não é o sangue que sai da carne. que tem o ferro, é a fibra da carne, é a fibra do fígado. E a fibra do peixe, a fibra do camarão, a fibra do marisco também tem muito ferro. E é curioso isso, porque a gente fica achando que o peixe para ter ferro, ele tem que ser o peixe escuro, porque a gente associa o ferro a uma coisa escura, mas não é. O peixe mais branquinho tem bastante ferro. Então, pessoas que não comem carne, mas fazem uma dieta com peixe, elas também estão protegidas para anemia ferropriva, mas não é peixe uma vez por mês, é peixe pelo menos em quatro refeições da semana, cinco refeições da semana, igual seria a carne. O frango, gente, tem muito pouco ferro e a dieta do brasileiro, ainda mais agora com a pandemia, com o aumento do preço da carne, e está muito rica em frango. O frango é muito pobre em ferro. Agora, as vísceras do frango têm bastante ferro. Então, quem come coração, moela, fígado de frango, está comendo um aporte de ferro bastante razoável. Me fala sobre os idosos. Eles também estão bem suscetíveis até anemia ou não? Depende da pessoa? Os idosos, quando têm anemia, nós temos dois blocos de anemia do idoso. Um bloco é a anemia por falta de ferro Se o idoso desenvolve anemia por falta de ferro Ou por falta de vitamina B12 Tem alguma doença acontecendo com ele Uma vez que a mulher idosa e o homem idoso não sangram E eles tinham um acúmulo de ferro no organismo Que tinha ficado verdadeiro ao longo da vida E aí o que acontece? Esse acúmulo de ferro foi embora Porque está havendo perda de sangue Então, se um idoso chega para a gente com anemia ferropriva, nós temos que procurar perda de sangue. E a perda de sangue, na grande maioria das vezes, vai ser no tubo digestivo. Então, pode ser uma úlcera no estômago, pode ser uma lesão no intestino grosso, pode ser uma lesão no intestino delgado, a lesão no intestino grosso e no estômago são mais frequentes. Então, uma endoscopia e uma colonoscopia são muito importantes. Mas para começar, a gente pede uma pesquisa de hemoglobina nas fezes, porque se houver sangue nas fezes, hemoglobina humana nas fezes, a gente tem que então focar na identificação de onde é o local da lesão para que a gente possa certamente avaliar essa pessoa, fazendo com que ela seja corrigida a falta de ferro. a gente repõe o ferro e faz a correção da falta de ferro. Quando falta vitamina B12, tem algum problema no estômago desse indivíduo, que pode ser uma gastrite, por atrofia da mucosa, pode ser um tumor no estômago, porque a vitamina B12, para ser absorvida, ela está no alimento, mas ela precisa se misturar com uma substância que é produzida no estômago, chamado fator intrínseco, e é o fator intrínseco que é absorvido no intestino. E aí o que acontece? Esse indivíduo tem uma outra doença. Agora tem um outro bloco de adultos, idosos, que desenvolvem anemia por uma doença crônica adjacente. Então, o diabetes pode levar à anemia, a incência renal pode levar à anemia, a esteatose hepática grave pode levar à anemia, artrite reumatoide, lúpus, incência cardíaca congestiva, todo esse bloco de doenças pode levar à anemia por aquela condição que eu comentei antes, que é a falta da eritropoetina. Então, o que o idoso tem, na grande maioria das vezes, é anemia de doença crônica, anemia da inflamação, que é corrigida com eritropoetina. Mas, mais uma vez, como você chamou atenção antes, é para sempre? Geralmente é para sempre, porque a eritropoetina parou de ser produzida ou diminuiu a produção. E essa diminuição da produção de eritropoetina faz com que exista a diminuição da exposição desse indivíduo Há essa substância e aí é como se faltasse fermento para fabricar o sangue. E me fala uma coisa, coronavírus e anemia, existe alguma relação? Existe algum perigo maior? Anemia, propriamente dita, não. Existe um perigo maior das condições que levam anemia e têm inflamação. Então, existe um perigo maior na doença falciforme, existe uma taxa de mortalidade bastante mais significativa nas pessoas com doença falciforme que desenvolvem coronavírus do que a população normal, existe a possibilidade de gravidade no talacêmico major, porque também, mais uma vez, é um indivíduo que está com uma inflamação, geralmente ele tem um acúmulo de ferro, como a gente falou, mesmo ele tirando, ele tem um acúmulo de ferro, então esse acúmulo de ferro faz uma inflamação no organismo. Agora, anemia por anemia não leva a uma piora na performance do indivíduo com infecções virais, pelo menos não tem nada na literatura até agora falando isso, o coronavírus pode, assim como qualquer infecção, ele pode piorar a condição do indivíduo, se o indivíduo já está com uma hemoglobina muito baixa, ele vai ter mais cansaço no início, enfim, ele pode não complicar, mas ele pode se sentir pior no início, no primeiro momento. E Clarice, para a gente encerrar, qual o recado que você deixa para quem está assistindo a gente e tem aí uma suspeita de anemia ou tem anemia, qual o recado? Olha, o recado é, anemia não é só por falta de ferro. É importante que o indivíduo que esteja fazendo um tratamento de anemia não abandone o tratamento. Para as pessoas pós-bariátricas, é importante que você faça o acompanhamento. Muitas vezes o pós-bariátrico sai daquele convênio que fez a cirurgia nele e aí ele já está magro, ele esquece que ele já fez a cirurgia bariátrica. Não esqueça que você fez isso, porque isso é uma coisa que você tem que acompanhar para a vida toda. E, muito importante, anemia e leucemia são duas doenças diferentes e não misturadas. Uma coisa não leva à outra. Quem tem anemia não tem mais chance de desenvolver leucemia. As pessoas que têm dúvida quanto a ter ou não anemia, o SUS tem, na saúde da família, disponibilidade de hemograma. O hemograma é o primeiro exame que pode ser feito e que é de fácil acesso a toda a população. Claro que depois de um hemograma com anemia, o ideal é a gente ter a ferritina para ver se essa anemia é falta de ferro ou não. Mas um hemograma já ajuda bastante. Ele sozinho, quando você tem acesso através de serviço de saúde ou através do próprio SUS, de fazer uma ferritina, uma vitamina B12, é muito legal você fazer. Mas não deixe de ir só porque só tem o hemograma. Anemia é uma alteração que leva ao mal-estar, que leva à diminuição de ânimo para fazer as coisas do dia a dia. Então, não deixe para lá. Vá e faça o diagnóstico. Clarice, muito obrigada por participar aqui do nosso programa. Tenha certeza que foram informações, assim, muito ricas. Muito obrigada, foi um prazer para mim, Viviane. Muito obrigada, conte comigo. Pode deixar, a gente vai te convidar para um próximo programa. Obrigada. Você de casa também? Muito obrigada. Lembrando que para rever este programa com a Clarice Lobo, é só acessar as nossas redes sociais. Facebook da TV Câmara Campinas, a gente também tem o Instagram e o YouTube. Você confere lá, tudo na íntegra. A gente se vê na próxima edição. Tchau!
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