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[Música] Olá, pessoal. Mais um Saúde à Vida começando para você aqui na programação da TV Câmara Campinas. Hoje nós vamos falar sobre o Abril Azul, o mês dedicado à conscientização do autismo. Mas antes eu tenho um recado aí para você. Para participar do Saúde à Vida e sugerir um tema para o programa é bem fácil, é só entrar em contato pelo nosso WhatsApp. O DDD é o 19, o número é o 97829377. Vai aparecer aí na sua tela também um Qcode para você acessar pelo celular. O TEA, o transtorno do espectro autista, é uma condição do neurodesenvolvimento que impacta milhões de pessoas no mundo todo. Apesar dessa maior visibilidade, indivíduos com autismo e suas famílias ainda seguem enfrentando desafios no acesso ao diagnóstico precoce, intervenções de qualidade e suporte ao longo da vida. Por isso a necessidade de campanhas de conscientização como o Abril Azul. E para falar sobre esse tema, a convidada do programa de hoje é a pedagoga Maria Edu Virges, mestre em linguagem e suas tecnologias, especialista em pessoas com deficiência e transtornos e também professora convidada do grupo REMA. Maria, muito obrigada pela sua participação aqui no Saúde é Vida. É um prazer estar com vocês. É um prazer participar deste mês tão importante de conscientização do autismo. Porque quando a gente fala de conscientização do autismo, a gente pensa que é só profissionais da área educacional, da área da saúde, que precisam ter esse conhecimento. Todos precisam desse conhecimento. São pessoas que trabalham no supermercado, são pessoas que atendem nas lojas, são pessoas que atendem num posto de combustível, são pessoas, todas precisam dessa conscientização porque muitas vezes elas enfrentam pessoas, estão diante de pessoas que não sabem o que fazer. Um dia eu entrei no mercado e a pessoa disse assim: "Mas eu não sei como conduzir". Então existe uma dificuldade muito grande. Então eu tenho trabalhado na conscientização dessas pessoas. Vou em shoppings, eu vou em grupos que me chamam para que a gente possa e eh levar este conhecimento, que é um conhecimento tão simples, mas ao mesmo tempo ele é desafiador. Como fazer uma pessoa que é diferente na sua interação? como fazer uma pessoa que é diferente na sua comunicação e consequentemente comportamentos alterados aí ele inserir no nosso mundo que é tão diferente. Nós temos um mundo totalmente sensorial, onde tem uma parcela muito grande de pessoas dentro do espectro que tem dificuldades na integração sensorial. Quanto mais nós falarmos sobre este tema e levar esse conhecimento, mais nós estaremos realmente trabalhando com essa pessoa, com todo o respeito que ela merece. E o tema da campanha eh de do autismo este ano de 2025 é: informação gera empatia e empatia gera respeito. Eu acho que o próprio tema já fala tudo que nós precisamos. Mas nós precisamos de muito conhecimento. A ciência tem nos dado bastante informações, mas ainda esse conhecimento não tem chegado a tanto. O grupo REMA é um grupo que trabalha com pós-graduação, com cursos e ele tem levado este conhecimento para todo o país, tem levado esse conhecimento para mais países e com isso nós estamos literalmente cumprindo o nosso papel social, nosso papel educacional de levar o conhecimento para que mais pessoas tenham a conscientização do atendimento, porque ela só é diferente. ela não se mexe no processo de inteligência dessa pessoa. Se a pessoa tem, ela recebe as informações e ela aceita as informações da forma diferente do que a de vocês, do que nós. É só um exemplo, Ana, é que eu gosto sempre de falar. É assim, eu estou falando para vocês, mas se fosse um autista, ele estaria preocupado com aonde eu estou, aonde você está, qual vai ser a conduta e a forma que você vai me perguntar. Então, eu preciso de uma de uma antecipação. Se eu fosse autista, e a gente tem dificuldade, porque hoje nós estamos num mundo que gira rápido e não dá tempo de antecipar as coisas. Então, se fosse uma pessoa autista que estivesse no meu lugar, ela teria que ter uma nova forma de ver, de conversar com ela para que ela possa interagir com com, como é que se diz, uma boa interação, uma boa comunicação. O que que é de forma geral, né, o autismo e por que atualmente o autismo é chamado de TEA, que é o transtorno do espectro. Nós temos uma história, né? O Teia em manuais passados, a ciência dizia quando falava em autismo, falava em psicose, falava em esquizofrenia. Então ainda sofremos um ranço muito grande da pessoa que tinha isso em manuais anteriores, essa criança era chamada como psicótica. Então, ainda os pais têm medo deste diagnóstico devido a isso daí. Mas hoje nós temos, nós chamamos de transtorno do espectro autista. A Organização Mundial da Saúde fala através do seu CID. A social, a Associação Americana de Psiquiatria fala através do DSM. Então a gente começa a perceber que hoje a criança, a pessoa autista, ela é aquela pessoa que tem prejuízos, que tem dificuldade nas, porque ela se mostra diferente na sua interação, na sua comunicação e consequentemente pela falta de comunicação e de interação, ela tem dificuldade de comportamento. Por isso que ela chega num lugar e muitas vezes ela tem um comportamento diferente. Então hoje nós chamamos de teia, transtorno do espectro autista, porque o espectro é muito grande, é como se fosse um efeito guarda-chuva. Nós temos crianças de todas as formas dentro dessas características, interação, comunicação e comportamento. Mas como o espectro é muito grande, vai desde um apoio, de um suporte um até o suporte três, porque significa qual o nível de atendimento que essa pessoa precisa. O um, nós podemos dizer de acordo com a nomenclatura anterior que é leve. E o três, o nível de suporte três é um nível de que ele precisa de muito mais suporte. Essa é a grande dificuldade da comunidade que trabalha na educação, de quem está na rua, de quem está em outros meios, a não ser no meio da escola, entender esse espectro. Por isso que nós chamamos transtorno do espectro autista, porque vai uma variabilidade de sintomas, mas sempre baseado na comunicação, na interação e no comportamento. Nós não deixamos de falar autismo, ele é um transtorno do espectro autista que afeta toda a interação e interação desse sujeito não é só eu interagir com você, Ana, não é só a interação de pessoas. para estar aqui, eu tive que nós precisamos interagir com a comida que nós comemos, interagir com a roupa que vestimos, com o espaço que nós estamos, com as pessoas que nós conversamos, com aquilo que nós fazemos. Então isso é interação e por isso que ele é um espectro pela grande dificuldade de interação dele, porque ele vê o mundo de forma diferente da nossa, ele sente, ele percebe o mundo de forma diferente. Então quem convive com o autismo sabe deste universo como é muito grande. E às vezes a gente coloca um impecílio nesta pessoa porque nós queremos que ele funcione como a gente. Não, ele é será sempre assim. é nós que temos que realmente entendê-lo, conhecê-lo dentro do espectro. Tá bom? Eh, Maria, qual que é a causa do autismo? Já se sabe, né, a que alguns fatores influenciam, né, os ambientais, por exemplo, mas existem outras causas também, né? É, o a ciência tem realmente procurado responder a esta pergunta. A ciência ainda, por mais que ela tenha investigado, mas ela não tem todas as respostas. Às vezes, eh, tem algumas informações que chegam até nós e e que às vezes a gente fica questionando, né? Porque olha bem, às vezes a ciência tem mostrado para nós que às vezes a criança recebe o material genético, genético da mãe. Às vezes a própria criança desenvolve o material genético dos pais. às vezes ela tem material genético para se constituir do pai ou da mãe. Tô explicando de uma forma bem simples para que todos entendam este diagnóstico. Mas muitas vezes essa criança não recebe material genético, nem materno, nem paterno, e nem dos dois. A própria criança desenvolve o material genético. Daí fica um ponto de interrogação onde a ciência fala dos fatores ambientais. Então, quais são esses fatores ambientais? Então, temse questionado alimentação, temse questionado muitas vezes a questão de de agrotóxico, tem que tem que se tem se tem discutido muito a questão de medicação, mas tudo isso são ainda algo que é um ponto de interrogação, nós não sabemos. Então, a causa do autismo ela cresce, o que mais cresce na linha de frente é a causa genética. Mas vai adiante, um pouquinho atrás, vai a causas ambientais. Eu acredito que num breve tempo nós já saberemos quais são realmente as causas do autismo, mas a família pode ficar tranquila porque muit sendo genética ou seja ambiental, esta pessoa desde criança até na fase adulta ela precisa ser atendida por profissionais que entendam todo o seu desenvolvimento. Como que esses tipos, né, esses graus são diferenciados numa criança, por exemplo? Então, vamos lá, vamos pegar, nós não usamos mais essa nomenclatura leve, mas nós falamos em níveis de suporte. Então, nível de suporte um, vou usar ainda a nomenclatura anterior, leve é aquela criança que também tem prejuízos, tem prejuízos na interação, tem prejuízo na comunicação e consequentemente comportamento. Mas isso passa muito discretamente na vida dessa pessoa. E aqui que nós precisamos nos ater, porque esse nível de suporte um, tá? Ela também precisa de atendimento, porque a gente vê no comum das pessoas dizerem assim, os pais mesmos dizer, mas ele é tão inteligente, professora. Ele é inteligente. Ele é muito inteligente. Muitas vezes nós vemos até uma inteligência no nível de suporte um até às vezes acima da normalidade, mas ele tem sérios prejuízos de interação, não é? Inteligência é uma coisa, habilidades sociais é outra. Eu sempre falo esse assim, mostro com a minha mão, porque assim, a inteligência está aqui totalmente preservadíssima, mas falta habilidades sociais, habilidades de interagir com as pessoas, de interagir com alimentação, de interagir no espaço, de interagir muitas vezes com os cheiros, com as o excesso de sensibilidade. Então, tudo isso é interação. Só que muitas vezes, por ser um nível de suporte um, a família fala, mas ele é inteligente, ele não precisa de atendimento e vai deixando. Quando vai crescendo, as demandas vão aumentando. Ele chega na adolescência, entra na sexualidade, entra na parte de profissionalizante e ele não sabe, aumentou demais as demandas, então daí sim que a gente começa a perceber o prejuízo. Então, todas as crianças, independente do seu nível de suporte, todas precisam ser atendidas. Todas precisam de profissionais que saibam como atender. É aqui o nosso grande desafio. Como é que nós vamos atender uma criança de nível de suporte um e como nós vamos atender uma pessoa nível de suporte três? O nível de suporte três é aquela criança que precisa de muito suporte. E às vezes a gente acha suporte só uma pessoa. Ah, eu ele tem um profissional de apoio. Suporte é além disso. Suporte é um profissional que conhece essa criança, desde o professor, o profissional de apoio. Todas as pessoas da escola precisam ter esse conhecimento de como atendê-la. Então, esse é o nosso grande desafio, está sendo no atendimento dessas pessoas. Sabemos que nós temos excelentes profissionais neste nosso país. Eu tenho um profundo respeito por profissionais, aprendo todos os dias com esses profissionais, mas ainda nós estamos eh realmente com grande desafio, porque nós temos que haver escola, família e saúde, todos trabalhando para que esta pessoa possa melhorar o seu desenvolvimento. Isso não significa que ela será curada. Não existe cura. Autismo não é doença. O autismo é uma alteração que muitos pesquisadores falam de alterações a nível cerebral que impedem essa criança de melhorar as suas interações. OK? Ceto, doutora. Eh, uma questão, né, que eu acho importante a gente colocar aqui pros pais, como que os pais, né, as famílias podem identificar essa criança, né, que tem o autismo, quais são os principais sinais, sintomas que que a pessoa com com esse transtorno ela vai dando ali e já no já no comecinho da infância. Então, tá, então vamos lá falar dos primeiros sinais. Todo pai, todo pai, toda mãe, toda a família, isso agrega todos, avó, avô, tio, espera de uma criança que tem um desenvolvimento típico. Então, se ela nasce uma criança sindrômica, já tem sinais característicos de uma síndrome, que síndrome literalmente é na parte visual. E lógico, daí vem outros desafios, mas a nossa criança, ela nasce uma criança perfeita, muito bonita, e ele vai começando a perceber nos primeiros dias, tem um choro diferente, uma forma de se aninhar no colo diferente, uma forma de interagir, porque olha bem, a mãe acende a luz, apaga a luz, a mãe põe fralda, a mãe tira fralda. A mãe põe roupa, tira roupa, conversa com a criança, de repente a vó, que criança. Eh, essa criança ao nascer tem que se ajustar a todas esses comandos. E daí que a a gente percebe que a criança não aceita esses comandos, ela não entende, porque existe alguém que troca, alguém que fala, alguém que esquenta mamadeira, alguém que entra no quarto para visitar, que sai do quarto. A luz acende, a luz apaga a luz. Olha bem. Quantas coisas essa pessoa ao vir ao mundo tem que interagir. Então ela vai se mostrando diferente. Então tem um sono diferente, ela às vezes tem uma alteração motora, depois mais tarde vai apresentando. Não estou dizendo que todas essas crianças t estes sinais, mas os sinais que mais chamam atenção é o logo que nasce é o choro, a parte motora tem dificuldade de interagir com as outras crianças. Por exemplo, uma criança quando chega perto de outra criança, ela pega na mão, ela, se ela não pede, ela pega e fica com aquilo na mão. Então, ela sabe como interagir. A nossa criança, a gente começa vendo os prejuízos dela na interação. E comunicação não é só linguagem, eu posso não falar, mas, por exemplo, eu posso dar um sinal. E uma das coisas que mais chamam atenção é a atenção compartilhada. Por exemplo, o pai fala: "Olha o avião, a criança não olha. Olha a bolinha, a criança não olha". Então isso é a dificuldade da atenção compartilhada também que a gente começa a perceber na no desenvolvimento de uma criança. E com isso a família começa a perceber: "Ah, ele é diferente". Mas ele vai aprendendo outras coisas. Então ele organiza em vez de ele dele brincar, ele pega os carrinhos e organiza. Eu vi um conheci uma criança que ela ela organizava naquele tempo dos CDs e DVDs. Ela sabia o que era música e o que era o que era imagem. Olha bem. Olha somente no CD da parte Ela não sabia ler, mas ela lia a parte lisa. né, do outro lado, porque do outro lado estava realmente identificando se era um CD ou era um DVD. Então, quantos detalhes. Então, ela sabia fazer isso, mas não sabia interagir com a criança. E quando a gente fala da organização, ela colocava os CDs, ela coloca os carrinhos por cores e isso assusta a família, porque a família fala assim: "Nossa, ele é muito inteligente". Não, ele simplesmente está organizando e a organização dele é diferente da nossa. Então, esses são os sinais que logicamente aparece. Às vezes atraso na fala, né? E daí quando atraso na fala leva para fono. E a fono diz assim, mas ele neste momento ele não tem nenhum problema fono articulatório, então o problema dele está na interação com as pessoas. Por isso a intenção da fala demora muitas vezes e nós vamos ter muitas crianças autistas que não tem a interação de falar. Eh, Maria, como que é confirmado então o diagnóstico do Teas? São são é um diagnóstico assim, acho que multifatorial, né? Muitos especialistas envolvidos são os primeiros a identificar é a escola. E daí daí é o desafio. Chama-se a família e e conversa com a família. Olha, pai e mãe, ele tem um jeito de interagir diferente, ele tem uma dificuldade de se comunicar, muitas vezes ele não interage em espaços maiores, muitas vezes ele tem uma seletividade alimentar na escola, muitas vezes ele tem crises. Então, começa a se chamar a família e a família muitas vezes não aceita este tem duas respostas, o sim e o não. Às vezes ela aceita e vai investigar, mas uma grande parte dos pais não aceita. Ah, professora, mas ele é muito inteligente. Daí essa essa e sim, ele é muito inteligente, só que a inteligência dele falta as habilidades sociais. Então aqui está a inteligência e aqui está a habilidades sociais. Então, aí começa o diagnóstico, mas quem fecha o diagnóstico, nós profissionais da educação, terapeutas, nós levantamos hipóteses de características dentro do espectro, OK? Só que quem fecha esse diagnóstico é um médico neurologista especialista em autismo ou é um médico eh psiquiatra especialista em autismo? Então, como você vê, eh, e às vezes a quando a família não aceita, ela não leva. E daí esses prejuízos, sabe, Ana, vai vão aumentando. Pensa bem, se um pai que está me ouvindo aqui está realmente, ah, mas ele é inteligente, professora, ele só tem dificuldade de comer, de interagir com as pessoas, mas é inteligência. Mas na vida eu preciso de habilidades sociais. Eu preciso de saber o que fazer diante de situações diferentes. Será que toda festa, eu falo pros pais sempre isso, será que toda festa de aniversário é igual a outra? Não é. Então assim, ele não às vezes ele não consegue interagir ou às vezes aprende a interagir de uma forma, quando ele vai para outra festa, ele vai com aquela ela não, ele não consegue mudar, tá? E daí a grande dificuldade, ó, só dar um exemplo de festa. Eu vou numa festa, tem uma música, tem pessoas que vão de roupas diferentes, tem salgadinhos diferentes, tem doces diferentes, não tem cheiros, tem espaços diferentes, tem sons diferentes, tem cores diferentes, tem movimento das pessoas diferentes e essa é a grande dificuldade de transitar nisso. Daí ele vai em outra festa. Então, naquela festa, muitas vezes, a família conseguiu com que ele se interagisse, leva para outra festa. Outra festa é diferente. Tem outros salgadinhos, outros doces, outras pessoas. Às vezes o som é mais alto, às vezes a luminosidade é diferente e é essa grande dificuldade de interação. A inteligência dele é preservada em muitos casos, mas muitas vezes ele tem sérios prejuízos de interação. os familiares, as pessoas próximas, pais, mães, eles também deveriam passar passar assim, né, por um processo de terapia, até por conta dessa questão de fazer esse acolhimento da criança, aceitar esse diagnóstico também, né? O desafio da família, família, eu sempre digo sempre assim, família a gente tem que acolher. Ah, a senhora não sabe a dificuldade que é a minha família. A família, ela é uma parceira, desde que haja uma um bom acolhimento. A família muitas vezes não sabe como fazer. Ela muitas vezes ela quer tratar o filho como atendia os outros filhos, como ela atendia ou muitas vezes buscando algumas informações de outras pessoas. Então, ela quer atender seu filho dentro de um desenvolvimento típico. Ele não é uma criança típica. Ele é uma criança que tem alterações de comportamento, tem alterações emocionais, tem alterações de habilidades sociais. Então, família, busquem de todas as formas entender esse espectro e jamais deixem de buscar o entendimento médico de fechar um diagnóstico. É como se fosse assim: "Ai, mas meu filho é um teia de nível de suporte um, ele é muito inteligente." Sim, ele é muito inteligente, mas ele precisa de profissionais que eu ensine as habilidades sociais. Ah, ele é muito, ele é muito distraído. Sim, ele é distraído porque ele não interage assim como eu e vocês. Nós olhamos no olho, nós eh conversamos a conversa do outro, nós muitas vezes nós comemos até experimentamos algo que nós não gostamos, mas nós experimentamos por são habilidades sociais da vida que nós conseguimos fazer. Essa é o grande desafio do autista. Então, a família tem que buscar conhecimento e buscar terapeutas que possam gerenciar esta criança. E escola precisa também de ter conhecimento, porque e pais a gente acolhe. Independente de de como é o comportamento desses pais, eles precisam ser acolhidos. Eles precisam de receber informações sobre seu filho. Não adianta dar de frente com famílias. Eu sou família. Não adianta. Não adianta você querer mostrar como o filho dele funciona. A gente, como dizia minha mãe antigamente, a gente vai comendo pelas pelas bordas. A gente precisa de acolher essa família até chegar nas mudanças que são necessárias. Nós não mudamos o Altíssimo, mas nós adaptamos, a palavra exata é adaptamos ele deste mundo nosso que é tão intenso, tá? É tão intenso. Próximo bloco nós vamos falar sobre aprendizagem e inclusão escolar para crianças com tea. Nós vamos para um rápido intervalo e já voltamos. [Música] [Música] Estamos de volta com o Saúde é Vida e hoje falando sobre o Abril Azul, o mês dedicado à conscientização do autismo com a pedagoga Maria Edu Virges. especialista em pessoas com deficiência e transtornos. Maria, agora nesse segundo bloco, né, eu gostaria que a gente abordasse um pouquinho da questão escolar mesmo, essa questão da aprendizagem, como que é eh pra criança eh autista aprender, né, como que é isso, esse processo dentro de uma sala de aula, dentro de uma escola. Então tá, para aprender, processo de aprender é muito simples. Eu preciso do que para aprender? Vocês estão me assistindo, eu preciso do quê? Preciso de atenção. Atenção é o mais rudimentar dos processos cognitivos. preciso de atenção. Depois que eu presto atenção, eu preciso estar dentro de um espaço que eu não tenha muitos distratores. Eu preciso de sentar na escola. Eu preciso de sentar. Então, em primeiro lugar, quando nós falamos de processo de aprender, nós temos que pensar num comportamento adequado para esta criança. O processo de aprender depende da base do sistema nervoso central, que é a parte sensorial. Para sentar, eu preciso estar conhecer o ambiente. Para sentar, a escola precisa diminuir os distratores. E para aprender eu preciso memorizar e preciso ter atenção. Então, uma um cérebro de uma criança que tem alterações das suas amídalas cerebrais, que é a parte emocional, que tem algumas alterações no lobo pré-frontal, que é planejamento. Então, nós temos que adaptar a criança dentro deste meio. E quando nós falamos de adaptação, daí está a formação do profissional. A escola precisa de profissionais habilitados. Eu já ouvi muitas vezes pessoas dizendo para mim assim: "Mas professora, eu não não quero aprender sobre estas crianças, porque eu sou professora de crianças de um desenvolvimento típico. Hoje nós não podemos mais ter escolher a criança. Hoje nós estamos numa sala onde nós temos crianças com na sua neurodiversidade cérebros diversos que aprendem de forma diferente. E se eu não conhecer um pouco da neurociências de como esse cérebro aprende, eu vou ensinar para um grupo muito pequeno de pessoas. Então essa criança vai andar na sala de aula, vai gritar na sala de aula. Então, em primeiro lugar, a nossa pessoa autista, ela precisa de do quê? De pistas visuais. As pistas visuais são imagens para que ela possa se acomodar. Aonde a a porta de entrada da sala, onde é imagem, aonde é sua carteira, imagem, quem é sua professora, imagem. Então ali nós estamos fazendo um passo a passo do quê? De atividades antecipatórias para que essa criança, ao ver essas imagens ela possa se acomodar. Só que nada na no processo de aprender do autista é algo mágico. Não é algo mágico. É algo que eu vou fazer hoje, amanhã, depois de amanhã, depois, até que essa criança aprenda, porque ela tem que, o corpo dela tem que entender que ela precisa sentar ali, ela precisa prestar atenção para que a para que o profissional que esteja atendendo ela possa literalmente ensiná-la. Então, todo profissional, seja da área terapêutica, seja dentro de uma escola, seja família, em primeiro lugar nós temos que acomodar este corpo que tem uma interpretação do mundo diferente. Mundo é sensorial. O mundo é totalmente sensorial. Olha bem, o mundo tem cores, tem formas, tem tamanhos, tem espessuras, tem cheiros, tem espaços. E ela tem que aprender tudo isso. Então, se nós não acomodarmos através das pistas visuais, esta criança ela não irá aprender. Ah, mas ela é inteligente. Sim, ela é inteligente. Mas aquele contexto de escola, de entrar, de sentar, de prestar atenção, ela precisa de profissionais que entendam esse contexto. Tem até uma questão, né, que é a aprendizagem baseada em brincadeiras para as crianças com tea. Isso funciona, Maria? Sim, sim. O que o autista é ele, toda criança precisa da ludicidade. A ludicidade é a ferramenta do da criança do zero até os 12 anos. Uma criança com quem é a criança? Zero aos 12. Então, a criança precisa de informações lúdicas. Eu aprendo através da ludicidade. Criança aprende através da ludicidade. Por exemplo, eu e você, Ana, nós aprendemos através de informações auditivas. Nós aprendemos através de informações visuais e aprendemos até de através de informações de onde nós realizamos. A base nacional comum curricular vem cooperar o nosso trabalho educacional com nossa land da ludicidade. Então, do zero aos 12, a criança prende o lúdico. Do zero ao seis, a base nacional comum curricular da educação infantil fala assim que a criança precisa sentir, perceber e experimentar. Como fazer isso com a criança? Sentir, perceber e experimentar. Vou trazer essa bolinha aqui que tá na minha mão. Essa bolinha eu, para aprender eu preciso pegar. Aqui eu tenho um material e aqui eu tenho outro material. Aqui tem som. Aqui tem tem uma forma de apertar. Se eu apertar isso, eu não consigo. Então, a criança, a autista dentro do espectro, na ludicidade, nós temos que dar a ela todas as informações para que ela possa se apropriar desse mundo. Então, a ludicidade, a brincadeira, os jogos, é a ferramenta de trabalho do profissional que atende crianças, principalmente crianças dentro do espectro autista. Ninguém aprende se não tiver uma informação lúdica. O material do professor, ele é diversificado. Quando eu faço um passo a passo, dou ao cérebro dessa criança informações do que vai acontecer naquele dia, eu estou usando pistas antecipatórias tão necessárias no processo de aprender. Então, não dá mais pra gente ficar, ah, eu vou ensinar ela do jeito que eu ensino as outras. Não tá. O processo de aprender da criança e da pessoa autista, ele é diferente. Ele tem sensações diferentes, percepções diferentes e experiências diferentes. Por isso que a Base Nacional Comum Curricular trabalha com essas três palavrinhas que eu digo, palavras de comando, palavras mágicas, sentir, perceber e experimentar. Até nós mulheres, quando vamos comprar algo, você precisa pegar, né? você precisa sentir, daí você compra. Ah, essa é legal, essa eu gosto desse tecido e isso me incomoda. Então a gente, mas nós sabemos a diferenciação dessas percepções. O autista tem que aprender. Isso são habilidades sociais. Eh, Maria, até uma questão que eu que eu gostaria, né, de ouvir sua opinião é sobre a inclusão escolar. Se você acredita que realmente essas crianças estão incluídas nas escolas brasileiras ou o que ainda falta para melhorar mais esse ponto? Então, a inclusão é um movimento mundial. Incluir é entender o outro. Incluir é saber como o outro funciona, tá? Por exemplo, quando eu quebrei o meu pé, eu tive que funcionar de forma diferente. Eu precisei de uma adaptação, eu preciso fazer uso de muletas para poder andar. Então, essa essa essa exemplo que eu estou dando é para dizer para vocês que inclusão é adaptar, inclusão é entender o outro. Não é a não é a criança que tem que entender a escola, não é a criança que tem que entender a festa. Não é a criança que tem que entender onde ela está num shopping. É nós que temos que olhar para essa criança, respeitar esta criança, saber como essa criança se desenvolve, saber como essa criança se posiciona neste mundo e adaptar. Primeiro é a escola que tem que entender esta pessoa. Ele é um movimento mundial. O Brasil foi signatário, ele é signatário de documentos internacionais. A nossa lei, ela é completa, só que o que falta é aqui o chão da escola. Nós precisamos de profissionais qualificados, nós precisamos de terapeutas qualificados, porque este mundo do autismo está crescendo cada vez mais. Então não dá mais pra gente ficar com aquele com aquela velha metodologia, com aquela com aquele velho ranço que a gente tem de aprendizagem. Então nós precisamos de metodologias novas, de técnicas novas para poder entender todo o desenvolvimento de uma criança dentro do espectro autista. Essa é a nossa responsabilidade. Educação é entender o outro como ele é e não e não tentar transformar ele numa pessoa típica. É entender como ele é. Ah, quantas vezes eu já vi a escola, ah, a criança tá dando muito trabalho, liga pra mãe, pega o telefone ali. Não, não é o nosso papel. Nosso papel é entender como é que essa criança está. Nosso papel é estar adaptando todas as atividades, adaptando todo o contexto de espaço da escola para atender essa criança. Mas ainda nós temos uma caminhada pela frente, porque por isso que eu falo, eu trabalho num grupo onde a, o grupo REMA, ele trabalha na formação de profissionais. Então, cada vez mais a gente tá vendo pessoas buscarem conhecimento, mas precisamos de um todo. Todos que trabalham na educação precisam de fazer especializações, de entender o desenvolvimento de uma pessoa, não é só da criança, é de uma pessoa. Nós estamos vendo essas pessoas chegarem no mundo, no universo do trabalho, sem os sem os gestores terem conhecimento de quem é esta pessoa. Tá bom? Será que eu fiz entender? Sim. Até mesmo, né, existe a lei que existe a lei, né, para que haja um profissional dentro das escolas para acompanhar esses alunos, né, para dar suporte, apoio no aprendizado desses alunos com Teia. Mas isso não é uma realidade ainda, né, em todas as escolas, infelizmente. Não é uma realidade. A gente tem caminhado neste país nosso, não é uma realidade, mas a educação vai ter que se adaptar de uma forma contínua, primeiro buscando profissionais capacitados. Por isso eu falo assim, tanto o profissional de apoio quanto os profissionais da área terapêutica, como professora, nós temos que estar em constante conhecimento. Não dá mais pra gente entender essa pessoa da forma como deixa para lá, ela vai ter que aprender desse jeito ou de outro. Isso não é conhecimento, é ser simplesmente eh deixar o problema passar. Só que conforme vai essa criança vai crescendo, as demandas vão aumentando. Entra na adolescência, as demandas são diferentes. No mundo adulto, as demandas são diferentes. Então, a gente vê pessoas fechadas entram de um quarto, porque nós a nós não soubemos como atender e conhecer esta pessoa. Importante, né, Maria, a gente falar sobre o tratamento pro pras pessoas com autista, porque por que eh com autismo, né, desculpa, porque tem, né, são alternativas que os pais, as famílias conseguem aí trabalhar essa questão, né? Então, tá, vamos falar de tratamento. Tratamento não é só medicamentoso, tá? Quando nós falamos em tratamento, a primeira coisa que pula na nossa cabeça é medicação. Literalmente, não existe uma medicação para o autista. O que tem são para os sintomas dele, tá? Ele tem uma hiperatividade, ele tem um muitas vezes uma falta de atenção. Então a gente vê um comportamento desafiador. Ele só irá tomar remédio se ele tiver uma necessidade. Então aí está um tratamento medicamentoso. Nós profissionais da educação, precisamos conhecer esses medicamentos. Não pra gente ficar na porta e dizer: "Ah, seu filho precisa de medicamento". Não é só para ter conhecimento como é que essa criança se porta diante de um medicamento. OK? Nós precisamos de terapeutas que trabalham na formação. Eu trabalho dentro da análise do comportamento, que é uma ciência do comportamento, porque o grande desafio não está na sua inteligência, está no seu comportamento. Então, a análise do comportamento, ela vem auxiliar família, escola para atender essas pessoas. Então, este é um tratamento também. Nós temos uma a metodologia, nós temos estratégias diversificadas. Por exemplo, você mesmo falou sobre a ludicidade, sobre as brincadeiras. Na infância, a ludicidade não pode ser deixada de lado. Na infância, nós temos que trabalhar com brinquedos, com brincadeiras, com jogos para que essa criança possa trabalhar, para que essa criança possa se desenvolver e consequentemente esta criança vai aprender. Mas depende de profissionais que estejam conhecendo o desenvolvimento desta pessoa. Comum que surge também, né, pros pais, é se eles devem eh colocar muitas tarefas, né, para essa criança. A agenda da criança tem que ser cheia ou não? Como que tem que como que isso é trabalhado, né, Maria? Então, vamos lá. O processo de aprender. Eu vou dar para você, Ana, hoje 30 atividades para você fazer até a hora do almoço. Você vai fazer todo o possível dentro da do seu tempo de fazer, mas muitas você não vai terminar, porque o processo de aprender necessita de primeiro eu inicio e concluo. Tudo que eu começo, eu tenho que terminar. E o que está acontecendo quando nós damos um excesso paz, um excesso de atividades para ele? Nós estamos fazendo com que esse cérebro literalmente não interprete o que está acontecendo. Porque até eu tomei um copo de água, eu tomei água, essa água tem que eu tenho que colocar essa água aqui neste momento é aqui, mas depois eu tenho que colocar na pia da cozinha. Então, tudo que começa termina. Esse é o processo de aprender. O processo de aprender precisa, eu sentei na na mesa para fazer uma atividade, eu vou fazer uma atividade. É melhor dividir essa atividade em pedaços curtos para que ele conclua. Já vi pais ou escolas que mandam atividades, muitas atividades. Essa criança não conclui. Daí essa criança simplesmente não interpreta este mundo, não realiza atividade. E muitas vezes essa criança entra em estado de sofrimento porque ela não sabe como, ela não sabe dizer para você: "Olha, vamos diminuir essa atividade, eu vou fazer esse pedacinho, vou dar uma volta para descansar e depois eu volto". Ela não vai dizer isso para você, mas ela vai entrar em crise. Muitas crianças entram em crise devido ao excesso de estímulos. Então a gente vai tomar muito cuidado. Eu sei que muitos pais levam terapia de manhã, de tarde, vai, mas sempre lembrando, ele está começando e terminando a atividade. Por exemplo, vou dar um exemplo para vocês. Existem pistas antecipatórias para dormir. para dormir, o que que a família faz ou se deve fazer? Então, quer dizer, dormir diminui as luzes, é uma informação. Colocar um pijama é outra informação, um lençol no quarto, uma cama arrumada é outra informação. É guardar os brinquedos é outra informação. Então, quando nós fazemos isso, nós proporcionamos com essa criança o quê? uma hora de dormir com menos desafios. Então, o aprender, o ato de aprender não é só na escola. Eu tenho que aprender. Eu tenho que aprender a entrar num supermercado, uma criança autista. Muitas vezes tem pais que não levam mais no supermercado, não levam mais nas festas, não levo mais nas igrejas. Então, a gente tá vendo que a as a comunidade não consegue entender esta criança e sempre tenho sempre alguém culpado nessa situação. Não tem um pai, não tem uma mãe. Gente, muitas vezes esses pais não sabem como atender esses filhos. Eu sempre que posso, eu converso com os pais. Este mês de abril, que é dia de conscientização da pessoa, onde nós estamos dando acesso a informações e o canal de vocês é um de acesso a informações. Eu converso com pais, eu sento com pais, ouço paz e dentro de uma forma bem simples, nós temos que levar este conheço conhecimento para que esse pai entenda como que o filho dele funciona. Maria, eu gostaria de agradecer muito a sua participação aqui, né, com sua disposição em atender aqui a nossa equipe. Muito obrigada pelas informações. Muito obrigada. Eu fico feliz, me coloco à disposição de vocês para que mais horas nós possamos trocar informações, porque isso se precisa ser muito ventilado dentro da nossa sociedade brasileira e que cada pai ou cada mãe que está assistindo, cada profissional que está assistindo, eh, converse com entre vocês. Será que eu estou no caminho certo? Será que eu entendo o desenvolvimento do meu filho? Será que eu entendo o desenvolvimento do meu aluno, do meu paciente? Será que eu sei como conduzir toda a dificuldade dele? Precisamos de buscar conhecimento e eu me coloco à disposição de vocês, tá bom? Certeza. Muito obrigada. O Saúde à Vida fica por aqui. Obrigada também ao pessoal de casa pela companhia. Lembrando que você pode conferir todos os conteúdos no YouTube da TV Câmara Campinas e não se esqueça de nos acompanhar nas redes sociais. A gente se vê no próximo programa. [Música]