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Olá, [Música] começa mais uma edição do Saúde Agora e vamos falar hoje sobre os casos de intoxicação por metanol que tem repercutido bastante e, evidentemente por uma questão de saúde pública. Segundo o balanço do Ministério da Saúde, divulgado em 6 de outubro, o Brasil tem 17 casos confirmados de intoxicação por metanol e contabiliza 217 notificações, sendo que 200 estão sendo investigadas. O estado de São Paulo confirmou 15 casos e três mortes. E pra gente abordar esse tema tão preocupante, a gente recebe hoje a Joseliar. Ela é farmacêutica e diretora técnica da CBDL, Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial. Muito obrigada pela presença e por abordar esse tema tão importante, Joseli. Pra gente começar então esse bate-papo, a gente vai falar um pouquinho sobre a questão do diagnóstico mesmo, né, como qualquer outra enfermidade, o quanto antes detectar menos risco mesmo de gravidade. Como que funciona esse diagnóstico? Bom, no caso, eh, obrigado pelo convite pra gente trazer aqui algum esclarecimento, né? No caso da eh intoxicação por metanol, tem uma série de variáveis que influenciam. Então, lógico que é muito importante quando o paciente começa a se sentir mal em casa, que ele tem náusea, eh, vômito, dores abdominais, eh, procurar o pronto atendimento. Quando ele chega no pronto atendimento, algumas informações são muito importantes. Claro que se ele referir que ele fez eh uso de bebidas alcoólicas, ajuda muito o médico na namnese. Eh, há quanto tempo isso aconteceu também é bastante importante. É, a manifestação dos sintomas, ela também varia de indivíduo para indivíduo. Então, eu posso ter uma situação em que eu fiz uso de bebida alcoólica h poucas horas ou há muitas horas. Eu posso ter indivíduos que, por exemplo, t um uma um peso corporal maior e aí ele é mais tolerante a altas altas doses do eh do metanol. E tem porque tem uma taxa de metabolização eh individual deste metanol. Isso varia de indivíduo para indivíduo, se o indivíduo tava alimentado, se não tava alimentado, tudo isso influencia. O que que acontece quando com o metanol? O metanol, diferente do etanol que a gente eh usa regularmente nas bebidas alcoólicas recreativas, tal, existe uma enzima no organismo da gente chamada álcool desesidrogenase. O nome dela mesmo diz álcool desidrogenase. Então ela é uma enzima que ela tem preferência pelo álcool, pelo etanol. Quando essa eh a pessoa fez ingesta do metanol, ela vai eh esse metanol chega no fígado, mas é que em contato com essa enzima álcool deshidrogenase, eu tenho a produção de formaldeído e ácido fórbico. Então estes produtos de degradação do metanol é que fazem mal. Eles é que são os responsáveis pelo agravamento dos casos. Então, eh, um médico quando ele faz anamnese, ele vai olhar essa história desse paciente. Se tiver referência na bebida alcoólica e sinais compatíveis com ertoxicação, ele vai eh solicitar alguns exames neste ambiente aí eh ambulatorial ou do pronto socorro para avaliar a situação do paciente. O que que é grave? é grave um quadro que a gente chama de acidose eh metabólica, porque a acidose é um desequilíbrio de dos componentes dos gases e dos eletrólitos. E é isso que o médico tem que fazer a intervenção o mais pronto possível para ir minimizando esse desequilíbrio gerado pela ingestão do metanol. Perfeito. Então, Joselie, então, eh, os sintomas eles acontecem no caso, quando então a pessoa ela fica mais tempo, né, com essa substância no organismo, porque de imediato o sintoma ele é como se fosse de uma ressaca comum. É mais ou menos isso. Isso é uma ressaca. Só que essa ressaca que tem esses sintomas dor de cabeça, tal, ela quando ela é uma ressaca por etanol, nós temos essa enzima álcool deshidrogenase que vai degradar o etanol em substâncias que não são nocivas pro organismo, ao passo que esta mesma enzima ela vai degrado. para o eh é o antídoto para o metanol. Por que que o etanol é é um antídoto? Porque ele vai eh competir com essa enzima. Então eu dou etanol para este paciente e aí eu vou competir. Quando eu eh ocorre essa competição no fígado, eu vou acabar eh gerando menos produtos tóxicos. Então essa é uma das estratégias de tratar a infecção por metanol. A outra alternativa é o uso de uma droga que o ministério tá comprando emergencialmente agora, chamada fometisol. Fomepisol. E o fomepisol, então ele eh compete pela enzima, ele não deixa a enzima eh atuar na degradação do metanol. Não ocorrendo essa degradação ou porque a enzima tá ocupada com etanol ou porque ela tá bloqueada pelo fometol, eu não faço esses produtos tóxicos. não fazendo esses produtos tóxicos, eu tenho uma eu não tenho agravamento do caso. Perfeito. Então, falando um pouquinho, né, já ah, você já iniciou falando sobre a questão do tratamento. Então, esse tratamento tem esse antídoto importado, né, que já foi divulgado também a chegada desse medicamento importado aqui no Brasil. Depois a gente tem essa outra alternativa, no caso do etanol. Em alguns casos também eh tem os pacientes que eles são acometidos à hemodiálise. Explica pra gente esse outro tratamento também, qual que é essa gravidade e os casos também, o que que faz no organismo no sentido de sequelas, problemas neurológicos, cegueira. Então, olha, o esse quadro tóxico eh do metanol, o que o médico vai fazendo nesse paciente vai ser monitorar essas essa condição bioquímica desse paciente com exames laboratoriais diversos, que os nomes são muito complexos, os molaridades séricas, os eletrólitos séricos, ele vai monitorando essa condição de acidose, que é a condição que é grave pro paciente. Então, eu tenho que eh fazer duas coisas, ajudar também o organismo a me livrar eh desse metanol. Eu posso tentar eh alcalinizar este paciente com bicarbonato para ajustar essas condições dele para uma condição de neutralidade eh eh da corrente sanguínea ou colocar esse paciente em diálise. Por quê? A diálise é um mecanismo que vai me ajudar a remover este metanol. da corrente sanguínea. Então, a diálise, ela é um tratamento eh bastante eficaz. Eh, lógico que ela é um tratamento eh eh importante, tem que ser feito no hospital, mas ela o que que ela faz aí? Então, veja bem, eu ingeri o metanol sozinho, eu não consegui metabolizar esse metanol, consegui metabolizar um pouco, mas eu gerei componentes tóxicos. Então, a diálise vai ajudar a remover esses componentes tóxicos da degradação do metanol, remover o próprio eh metanol e outras substâncias que o organismo vai gerando nessa eh situação que é uma é uma catarse, não é uma situação de fácil manejo pros médicos para tentar manter esse paciente equilibrado. Passado um tempo, estas substâncias que ficam na corrente sanguínea, se elas não forem degradadas ou eliminadas, elas eh eh podem agredir alguns órgãos. E eh são duas as manifestações mais importantes. Uma é a dos sintomas eh visuais. Então, eh, o, o, o paciente começa a ter, eh, distúrbios visuais e que às vezes eles podem ser irreversíveis e alguns distúrbios neurológicos também bastante importante, né? Eh, uma coisa importante, assim, nós temos uma situação eh aguda de muitos casos, mas mundialmente existe aí um número eh basal de eh intoxicação por metanol, que elas ocorrem não só no Brasil, mas em todo o mundo, porque, lamentavelmente nós temos aí alguns mercados que fazem uso dessas bebidas que não são eh produzidas da forma adequada ou as garrafas que não sejam lavadas. Então, nós temos uma situação aguda nesse momento com muitos casos. Acho importante eh todas essas ações, porque nós temos que identificar exatamente a origem deste metanol para eh identificando a origem eh atuar de forma que a gente tem um número menor de casos, mas existe um número eh de infecções por metanol que são relativamente constantes, baixos, graças a Deus, eh eh ao longo do ano. E neste momento temos uma situação aguda com o aumento do número de casos. E é uma situação bem complicada mesmo, Joseli, porque assim, nesses casos, né, a pessoa que ela vai até um estabelecimento, ela compra essa bebida, a olho nu, ela não tem como perceber de fato se tem alguma adulteração, não tem cheiro, não tem cor, não tem sabor. Então, eh, nessa situação, né, várias ações estão sendo adotadas, né, em todo o estado, no Brasil como um todo, para tentar identificar também essas essas bebidas. Mas qual a dica então diante, né, desses casos, embora sejam pequenos, né, como você mesmo compartilhou, para que a pessoa então ela não fique, né, a mercer dessa situação também? Bom, procurar eh bebidas, seja lá adquiridas em garrafas fechadas ou eh quando utilizadas em estabelecimentos comerciais de boa procedência, né? Agora, nós temos visto aí nas imagens da televisão que este mercado paralelo de bebidas ilegais, ele é bastante sofisticado, né? Usa muitas vezes garrafas originais. Eh, eh, existe toda uma eh eh uma questão de fazer o rótulo mais parecido possível, inclusive um selo de segurança, né? Então, eh hoje o governo tá pensando em outras medidas de eh levar mais segurança paraa aquisição dessas bebidas. É um momento bastante frágil esse. A gente tem visto nas imagens da televisão também que os os estabelecimentos comerciais eh tão sofrendo as consequências disso, porque se estabeleceu aí uma preocupação geral na população com relação às bebidas alcoólicas. É muito difícil para um indivíduo eh eh diferenciar exatamente se essa bebida eh é de boa procedência ou se a garrafa é íntegra e tal. O ideal é sempre utilizar bebidas em garrafas fechadas, né, porque você tem um pouquinho mais eh mais de segurança, né, e os proprietários dos estabelecimentos comerciais observarem, quer dizer, bebidas oferecidas a um preço muito longe dos preços de mercado, tem que ter atenção para esse tipo de de situação. Mas são todos fatores subjetivos. nós ainda não temos uma eh atitude que diga assim: "Olha, com isso nós garantimos a procedência dessa bebida". Existem estabelecimentos comerciais. Andou também agora um pouco divulgado, é que existem algumas iniciativas acadêmicas de testes que podem ser feitos nas garrafas de bebidas. são testes eh simples, baratos, mas que ainda não teve interesse da indústria para eh eh para poder produzir esse tipo de teste. Então, nós temos iniciativas acadêmicas que poderiam ser uma uma alternativa. Eu acho que eh a gente precisa de fiscalização para coibir estas eh comercializações de produtos regulares, tá certo? Então, muito obrigada pela sua pelo seu esclarecimento aqui diante de um assunto tão preocupante, né? Um assunto de saúde pública mesmo. Agora a gente vai ficando por aqui. Então, hoje a gente conversou com a Joseliarela, farmacêutica e diretora técnica da CBDL, Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial. Obrigada a você pela companhia aí de casa e até o próximo. Saúde agora. [Música]