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Olá, mais um Saúde Agora começando aqui pela tela da TV Câmara Campinas, a você mais uma vez obrigada pela companhia e audiência ao longo das nossas edições. No quadro de hoje a gente vai falar um pouquinho sobre hiperhidrose, já ouviu falar? Pois é, eu confesso que não, viu? Por isso a gente convidou a dermatologista Natália Venturelli, ela que vai tirar todas as dúvidas, explicar afinal o que é hiperhidrose, mas antes de começar o nosso bate-papo, tirar todas as dúvidas aqui Natália, eu quero agradecer você por aceitar nosso convite e participar aqui do Saúde Agora. Oi Viviane, obrigada a vocês pelo convite, é ótimo poder esclarecer um pouquinho das dúvidas sobre um assunto que é bem importante. Pois é, eu queria saber o que é hiperhidrose, né? Porque é um nome diferente, eu acho que muita gente não sabe, afinal, o que é? Então, a hiperhidrose é uma coisa muito comum, é o excesso de suor, tá? É quando a nossa glândula sudorípa, que é a glândulazinha que produz o nosso suor, é hiperfuncionante, ela funciona demais. E aí causa alguns constrangimentos, tem gente que fica com a axila, Fala que fez uma pizza, né? Fica suado na axila, fica suado nas mãos, plantas dos pés e rosto E o couro cabeludo também é bem acometido São os lugares que a gente mais tem esse tipo de glândula Então a gente acaba tendo, às vezes, um excesso de suor Algumas pessoas, né? Ela acomete 1 a 5% da população, é bem frequente E, Natália, você falou aí, tem gente que fala, né? Nossa, eu suo muito Às vezes a pessoa tem hiperhidrose e nem sabe E acha que é normal suar tanto? Você sabe que muitas pessoas, às vezes, não procuram, nem sabem que pode ter um tratamento ou que precisa procurar um médico, né? Quando a gente fala nesse excesso do suor, o suor é muito importante. O suor protege o nosso corpo do excesso de temperatura. E ele é comum. Ah, eu fui para a academia, eu vou suar. Eu estou em um lugar muito quente, eu vou suar. Mas a hiperhidrose, esse excesso do suor, quando eu estou sem fazer atividade física, quando eu não estou em um ambiente de muito calor, ela é considerada hiperhidrosa. Existem alguns testes que a gente pode fazer para confirmar, mas normalmente a pessoa fala que piora quando ela está às vezes estressada, num momento de tensão, ou às vezes do nada, ela começa a suar sem estar em nenhum movimento, ela começa a suar sem ter algum controle sobre isso. E existem tipos, eu estava vendo que tem o primário e o secundário, é isso? Isso mesmo. O mais comum é ser primário, o que é? Na infância, na adolescência, eu começo a apresentar esse sintoma de suar demais. Ou nas mãos, ou na axila, normalmente em um ou dois lugares. Ele acontece do nada e tem um fator hereditário aí. Às vezes alguém na família também tem, mas ele não tem uma causa específica. Eu não consigo falar, olha, começou por causa de alguma coisa. Então, ele é primário. Quando eu falo em secundário, quer dizer que eu vou investigar alguma coisa que causou essa sudorese. Então, pode ser geralmente numa fase adulta, Quando eu começo alguma medicação, quando eu tenho alguma doença, algum problema de saúde ou até a própria menopausa, pode causar o excesso de suor. Entendi. E pode afetar homens e mulheres? Ou homem normalmente sua mais? Não, é igual entre homens e mulheres e a população é acometida de forma regular. Não é mais em homem e mais em mulher, é igual entre os sexos. E qualquer pessoa pode ter, então? De repente, começar a desenvolver? Pode sim. A primária, que é a mais comum, normalmente ela vai falar que começou ou na infância ou na adolescência. Às vezes vai fazer prova na escola, fica com a mão toda suada, às vezes tem que levar uma toalhinha. Eu tenho um paciente, por exemplo, que é maquiadora, então quando ela vai fazer a maquiagem, a mão começa a suar muito, isso é muito desconfortável durante o trabalho, né? Pode dificultar algumas relações de trabalho. Tem uma paciente que fala assim, nossa, eu ficava desconfortável quando ia ter qualquer coisa na escola que tinha que fazer dupla e que eu tinha que pegar na mão. Porque eu já ficava pensando que a minha mão ia estar muito molhada e o que a pessoa ia pensar? Então, causa inúmeros constrangimentos mesmo na vida da pessoa. E como que a pessoa sabe que está na hora de procurar um médico, que esse excesso de suor não é normal? Então, quando ela começa a sentir ou que a mão fica suada de repente, ou várias vezes ao dia, axila, a região do couro cabeludo e do rosto, ela já sente desconfortável, aquele suor que ela não estava fazendo nada, ela está em casa e de repente fica pingando a mão, ou ela está durante um momento de estresse, mas não está no calor ou fazendo atividade física, ela tem suor. Quando ela procura ajuda médica, a gente pode fazer algum teste para ver se ela tem hiperhidrose. Esse teste é chamado de iodoamido, é uma solução com iodo, que a gente passa naquela área que ela diz que tem o suor, espera uns minutos, põe amido de milho e aí o suor começa a acontecer e fica azul aquela região. Então ele consegue delimitar toda a área que ela tem esse excesso de suor. E você disse aí, desde os seus primeiros exemplos, mão, aquicila, couro cabeludo, são os lugares mais frequentes, então, desse suor excessivo aparecer? Isso, são esses lugares. Os pés também são bem acometidos. Muita gente se queixa de ter a sudorese e a hipersudorese nos pés, que também é um local frequente. A virilha também pode ser acometida, mas o mais frequente que chega no consultório, acho que é o mais desconfortável, são mãos e axilas. Entendi. E como que é o tratamento? Fez esse exame que você falou, esse teste, O diagnóstico saiu lá, que a pessoa tem, então, hiperhidrose. E aí? O tratamento tem diversos tratamentos. A gente tem solução antitranspirante com cloreto de alumínio, que são vendidos nas farmácias, que são tópicos, são creminhos que a gente passa para diminuir a produção de suor naquela glândula. Além desses tratamentos, a gente tem tratamento com comprimidos, tratamentos bioral, que são anticolinérgicos, que também atuam para diminuir a produção de suor nessas glândulas. É que tem um desconforto de, às vezes, ter um ressecamento em outras áreas. Então, às vezes, fica com o olho ressecado, outras regiões também com ressecamento. O tratamento muito feito no consultório é um tratamento com toxina botulínica. A gente aplica o Botox, a toxina botulínica, nessas regiões e ele deixa a glândula não produzir suor pelo período de mais ou menos oito meses a um ano, aí tem que reaplicar, né? Então, você pode aplicar toxina botulínica nessas regiões e ter uma produção diminuída de suor. O último tratamento é um tratamento cirúrgico, chama simpatectomia, que é um tratamento, uma cirurgia simples, é coberta pelo SUS, em que você faz a secção aí do nervinho para parar o suor. Mas o inconveniente é que às vezes começa a suar em outra região. Então, eu faço a cirurgia para resolver o suor da mão e aí eu começo a suar no dorso, às vezes na barriga. Então, existe essa complicação cirúrgica. Diante da sua resposta, tem cura? Não tem cura, né? Mesmo se eu começo com comprimido, se eu começo com a toxina, esse tratamento vai ser feito ao longo da vida, né? Existem momentos em que ela pode ter um excesso de suor pior e em alguns momentos melhor, né? Mas existe um tratamento, um acompanhamento clínico mesmo, né? Tem que ter algum médico que acompanhe essa paciente, a não ser que ela opte pelo tratamento cirúrgico, aí sim ela pode ter a chance de ter cura, mas pode ter o inconveniente de suar em outras regiões. Natália, a hiperhidrose é considerada uma doença? A hiperhidrose é considerada uma doença, ela não acomete nenhum outro órgão, não tem nenhum outro problema. Acho que o problema maior da hiperhidrose é o desconforto, é o que causa para a pessoa na parte emocional, na parte de atividade, na parte de trabalho, é o que limita a qualidade de vida desse paciente. É isso que vai nortear até o tratamento. Se é muito desconfortável para essa paciente, a gente vai buscar todos os tratamentos. Se é uma coisa simples, que para ela não incomoda, a gente pode ser mais leve no tratamento, porque não vai causar nenhum outro mal para essa paciente. E pode indicar também que a pessoa está com outras doenças? Ela está relacionada a outras doenças ou não? A secundária que a gente conversou, que não é aquela que começa na infância e na adolescência, ela é diferente. Ela não vai ter essa região. Ah, só axila, só couro cabeludo, só as mãos. Ela é uma sudorese generalizada. Eu não tinha nada, estou na minha vida adulta, e de repente eu começo a sentir suor no corpo inteiro, um suor que pode ser até durante o sono, e um suor generalizado, todo o corpo sua. Essas pacientes a gente precisa investigar melhor. A gente precisa ver se ela está tomando alguma medicação que pode estar causando isso, se ela tem alguma outra doença que pode estar levando a essa sudorese, e aí a gente precisa buscar a causa, E tratar a causa e não o suor. Se não tratar, pode vir a piorar? Como que fica a vida do paciente? Esse que acha que é normal suar bastante. Normalmente, esse suor localizado em uma região que é o primário, ele não vai piorar. Ele é sempre desconfortável. Ele vai melhorar durante o tratamento e depois ele vai voltar. O generalizado é fundamental a gente buscar a causa, saber o que está acontecendo e tratar para que ela não tenha mais suor. Mas lembrando que era uma pessoa que não tinha esse sintoma E começa a desenvolver o sintoma de sudorese Dá para ter uma vida normal fazendo o tratamento? Porque você até comentou, é bem desconfortável Se a pessoa se importa, às vezes acaba evitando de fazer algumas atividades por causa disso Como que faz? O tratamento possibilita ela fazer atividades que antes ela não fazia voltar a fazer? Sim, Viviane, o tratamento é muito eficaz, tá? Algumas pacientes respondem bem, só com o tópico, às vezes, que é o cloreto de alumínio em dosagens diferentes, e ela responde muito bem. Alguns pacientes precisam de algo a mais, aí a gente começa a medicação oral, que também tem ótimas respostas, é um bom tratamento. E algumas pacientes não gostam nem de passar o tópico, nem de tomar o comprimido, por isso a gente opta pela toxina botulínica, que é extremamente eficaz. essa minha paciente que é maquiadora, a gente faz sempre perto do verão, porque ela acha que com o calor pioram a sensação de suor, então a gente programa de naquela época sempre fazer a toxina botulínica, porque ela não precisa lembrar de tomar o remédio, não precisa aplicar o produto, e também ela achava que o comprimido resolveu até certo ponto, e passou um momento que aquele comprimido não resolvia mais. Aí a gente começou a fazer as aplicações, todo ano a gente faz a aplicação de toxina botulínica, e isso causa um extremo conforto para ela, ela fala, nossa, eu vou tão mais segura trabalhar, eu vou mais tranquila sabendo que isso não vai acontecer enquanto eu estou fazendo uma maquiagem, enquanto eu estou me apresentando, enfim. E isso causa muito conforto, o tratamento é muito eficaz. Natália, eu vou pegar o gancho aí da sua resposta. Os sintomas, o suor excessivo, aparecem mais no verão ou no inverno? É a mesma coisa para quem tem a hiperhidrose? Olha, o relato dos pacientes é que ele vai piorar no verão. Não é uma regra, mas o calor pode ser sim um fator de piora. Os momentos de estresse também. O estresse, uma parte emocional, é muito ligada à sudorese. Entendi. Então, vamos voltar de novo a essa resposta. Eu já até fiz a sua pergunta. O que a pessoa tem que ficar atenta, então? Qual o momento para procurar um médico? A paciente que tem uma sudorese que atrapalha a vida dela. Então, é aquele suor excessivo que acontece mesmo sem ela ter atividade física, sem mesmo ela estar sendo exposta a um calor excessivo, e ela tem um suor que atrapalha qualquer atividade da vida dela. Seja fazer uma prova por causa do suor nas mãos, seja axila que fica molhada e causa um desconforto frente a outras pessoas. Esse é o momento de procurar ajuda médica. E em crianças, o que os pais devem ficar atentos? A criança, normalmente, ela vai pedir uma toalhinha, ela vai mostrar que a mão está pingando. Esses dias eu atendi um paciente, era um bebezinho. Enquanto eu estava fazendo o exame clínico, a mão pingava. Eu mostrei para a mãe e falei, olha, ele tem perigrose. Sua muito, sua de pingar a mão sem ele estar fazendo nada. Ele estava ali no colo da mãe, muito bebezinho. Mas, normalmente, é na adolescência, acho que é o principal. Ela vai crescendo e ela vai tendo esse sintoma. Vai ser diagnosticado na escola, normalmente. Ela vai fazer prova, molha a prova, molha o papel da prova. Então, ela começa a traçar uma estratégia para ir levar uma toalhinha, alguma coisa que ela seque a mão para não molhar o papel, por exemplo. Atividade física e alimentação influenciam em alguma coisa? Ou até a roupa que a pessoa usa, dependendo da roupa, pode ajudar ou não? Ou nada a ver? Quando a gente usa roupas de algodão, a gente deixa que o suor seja absorvido, às vezes, pelo algodão e não fica retido nessas roupas de tecido, mas que não permitem a transpiração. Mas quando eu tenho hiperhidrose, nada disso vai influenciar. Eu vou suar independente da roupa que eu estou, independente do momento que eu estou, independente se eu estou fazendo atividade física ou não. Pode piorar com atividade física, pode piorar com calor, mas eu vou suar mesmo sem essas condições. Entendi. Qual que é a dica, orientação que você deixa para quem está assistindo a gente aí, que tem esse suor e que nunca tinha nem ouvido falar sobre hiperhidrose? bom já procurar um médico Isso, se você tem esse suor excessivo nas mãos, na axila no rosto ou até nos pés e isso causa desconforto nas suas atividades diárias, no seu trabalho na sua escola, procure ajuda médica, vocês viram que existem diversos tratamentos, todos eles muito eficazes no tratamento da hiperhidrose se você tem um bom acompanhamento médico, ele vai saber traçar esse tratamento pra você, pra que isso não seja mais desconfortável na sua vida Então, um recado da Natália Venturelli, ela que é dermatologista. Natália, muito obrigada por tirar as nossas dúvidas e fica aqui o convite para você participar de mais um Saúde Agora, porque tenho certeza que tema que não falta aqui. Obrigada, Viviane, foi ótimo estar aqui esclarecendo dúvidas e pode deixar que eu volto sim. A gente vai fazer o convite. Mais uma vez, obrigada a você de casa também, muito obrigada pela companhia e audiência e a gente se vê no próximo Saúde Agora. Se cuida, tchau! Legenda Adriana Zanotto