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[Música] Olá, nesta edição do Saúde Agora, vamos falar sobre métodos contraceptivos de longa duração. De acordo com o estudo publicado pela revista científica de Lencen, mulheres com idades entre 49 anos demonstraram um maior, uma maior preferência pelos métodos de longa duração. Pra gente então esclarecer essas dúvidas e explicar sobre as diferenças e como age no organismo, nosso convidado de hoje é o ginecologista e obstetra Leonardo Gobira. Seja muito bem-vindo, Leonardo. Grato aí pela oportunidade de sempre tá contribuindo com um tema tão relevante que é o planejamento familiar. Eh, lembrando sempre das políticas públicas do Ministério da Saúde, um compromisso do SUS, da nossa constituição com os direitos reprodutivos da mulher. Exatamente, Leonardo. Então, pra gente iniciar, né, esse bate-papo, eh, muitas pessoas ainda têm dúvidas, né, em relação ao qual contraceptivo mais eficaz. A medicina ela tem avançado bastante, né, eh, tem vários métodos disponíveis hoje, inclusive falando um pouquinho sobre a disponibilização também deles pelo SUS. Então, queria que você falasse, né, um pouquinho sobre esses métodos aí, principalmente esses de longa duração. Por que que as pessoas têm buscado esse método? Ele é mais eficaz mesmo? Olha, a gente tem que levar em consideração eh uma prerrogativa, uma premissa básica, que é a construção de uma eh nova mulher, por não dizer assim, no mundo ocidental, com uma mulher hoje independente, que quer ter domínio sobre a sua vida reprodutiva, sobre o seu corpo, sobre os sintomas que podem estar relacionados ao à menstruação, né, ao processo que toda mulher passa de forma fisiológica. Então, são mulheres hoje que estão em voga na sociedade, estudando, trabalhando, exercendo direitos e deveres eh no ambiente familiar também, como mãe, como mulher, como companheira. Então, a gente tem que levar em consideração que hoje a mulher ela quer praticidade, ela quer eficiência com segurança e ela quer reversibilidade. Em função disso, a gente coloca em segundo plano hoje métodos mais antigos, como a pílula anticoncepcional e os eh anticoncepcionais injetáveis. Por quê? Porque hoje os lars, né, que é uma sigla em inglês, longebra, ela ela traz pra gente esses métodos com essas três características que eu acabei de falar, né? a segurança, a praticidade e a reversibilidade. Então, a mulher que não tem tempo mais de ficar se preocupando em usar comprimido todos os dias, em utilizar uma injeção intramuscular uma vez por mês, ela quer a praticidade de poder usar um método de longa duração, ela quer segurança e esses métodos dão 99% de eficácia e ela quer a reversibilidade. se chateou com o método, não se sentiu bem, ela vai até o seu médico e pede para retirar o método, né? Então, a gente tem três principais larques hoje eh no mundo da ciência do planejamento familiar, que são o diobre, o di progesterona e o implante hormonal subcutâneo ou transdérmico, tá certo? Então é, Leonardo, você falou sobre essa questão, né, e da mulher que ela acaba querendo ter mais praticidade. Exatamente. Mesmo porque né, convencional acaba tendo aquele esquecimento, né, na correria do dia a dia, ela acaba esquecendo de tomar naquele horário exato. Então, com esses novos métodos, né, chegando agora, torna-se mais então praticidade, como eh você mesmo disse. Falando um pouquinho sobre o DI, você falou que tem duas, né, duas opções de D. Qual que é a diferença deles? É, um, ele não tem a parte hormonal, não é isso? Exatamente. Eh, o mais eh antigo, né, digamos assim, é o di de cobre, que já é utilizado em várias partes do mundo ocidental, no Brasil, eh implementado aí ao final dos anos 80, começo dos anos 90. E os milhares de mulheres utilizam o di de cobre, né, que promove uma reação iônica do cobre, eh, diminuindo a motilidade, velocidade, eh, diminuindo a implantação, o caminho que o espermatozoide ele alcança, eh, o ovócio secundário, que é o óvulo para ocorrer a fecundação. Então, ele prejudica ali o funcionamento, a fisiologia dos espermatozóides. Então essa é a farmacodinâmica, digamos assim, é a característica que promove eh essa anticoncepção através do di de cobre. O dia de progesterona, como você bem disse, ele tem uma substância, um progestágino que imita um hormônio produzido pelo ovário, que é fundamental no caso do de progesterona, eh, especificamente um tipo de progesterona que eu levo estrel promove algumas coisinhas bem interessantes, eh, a intensificação ou aumento do muco cervical, né? Além disso, uma atrofia do endomério, que é aquela carninha que desclama quando a mulher menstrua e onde se implanta o saco gestacional e também dificultando a fecundação. Então não é um mecanismo único, né, no diro progesterona. Então você tem três mecanismos principais. Por isso uma taxa tão elevada de confiabilidade de 99%. Um implante subcutâneo, ele também tem as mesmas características. Ele também tem um tipo de progesterona com pouquíssimos efeitos colaterais, em que a mulher vai ter também aumento do múco cervical, atrofia desse endométrio e vai conseguir eh também ter uma maior dificuldade na fecundação eh por diminuição também da liberação desse ovócio, que nada mais é do que a ovulação. Então, não é como os métodos contraceptivos anteriores, eh, que a gente tinha, os mais antigos, em que você só tinha um mecanismo de ação através da inibição da ovulação. Então, por isso eles são altamente eficazes, né? E promove, através de sua eficiência e poucos efeitos colaterais uma rápida adesão por parte das pacientes. Tá certo? Bem interessante, Leonardo, essa sua colocação em relação, né, a esses métodos, porque o Dil de cobre ele ainda é o mais comum, acredito eu, né, que esse que ele seja o mais comum aí entre as mulheres. Eh, eu queria que você falasse um pouquinho sobre a implantação dele mesmo, né? qualquer pessoa, qualquer mulher em qualquer faixa etária pode utilizar, ele é recomendado para quem já teve assim uma primeira gestação, como que funciona exatamente essa parte prática? E além disso também eles além de evitar a gravidez obviamente eles também trazem benefícios para a mulher, né? Não tem tanto esse efeito colateral como as pílulas convencionais. Então, explica pra gente exatamente na prática como que funciona, se qualquer, qual que ele é mais recomendado, né? Como que a mulher ela pode identificar, qual é o melhor método para ela em relação também a essa faixa etária. É, o ginecologista hoje ele tem que ter o pressuposto básico que cada mulher é um universo. É um universo de características eh biossoeconômicas, é um ecossistema. E esses métodos eles vão ser indicados levando muito em conta a particularidade de cada mulher. O objetivo do planejamento familiar, o tratamento de outras doenças, porque você pode estar promovendo anticoncepção e tratando outras doenças. Então vamos lá. O di de cobre. O di de cobre hoje existe de di de cobre para paciente no Lípara, isto é, paciente que nunca engravidou, que nunca teve filho, né? Isso é uma novidade dos últimos anos e pode ser reservado para pacientes que têm contraindicação absoluta de utilizar métodos contraceptivos de larga duração ou não que contém hormônio. Então, por exemplo, pacientes com eh doenças autoimunes, eh pacientes com doenças reumatológicas, pacientes hipertensas, que já tiveram trombose, pacientes com trombofilia, trombembolismo pulmonar, trombose venosa profunda e que tem contraindicação da utilização de hormônios, são pacientes ideais paraa utilização de dial de cobre. O dial que contém a progesterona, né? Hoje no mercado a gente tem uma marca que é o Mirena. A gente não tem aqui nenhum conflito de interesse, existem outras marcas, mas é uma muito conhecida. A gente utiliza em pacientes, por exemplo, que tangramentos uterinos anormais, entendeu? O que que significa isso? O sangramento uterina normal, ele pode ser dito disfuncional, quando existe uma alteração hormonal inespecífica, ou ele pode ser através de uma alteração em uma glândula ou mesmo alterações anatômicas no útero. Então, mulheres com biomas que sangram muito, mulheres com alterações na tireoide, mulheres com outras doenças mais que promovem eh um sangramento anormal, são pacientes candidatas à utilização do mirena. Então você vê dentro dessa característica de se ter um universo, uma individualidade em cada paciente, a gente vai tendo as indicações precisas. Um implante hormonal é para aquela paciente que quer muito mais praticidade, não quer correr o risco, por exemplo, de eh um deslocamento, porque é uma das características tanto do dial de cobre quanto do dial de progesterona, você tem um acompanhamento suscinto após a inserção dele, que é feita ambulatorialmente, sem o uso de anestesia. Então essa paciente tem que est voltando com o seu médico para ver se não houve o deslocamento desse dial, tanto de cobre quanto o di de progesterona. No implante subcutâneo, a gente dá uma anestesia local, procedimento ambulatorial hospitald dia e implanta debaixo da pele esse implante subcutâneo. Então você já tem uma praticidade maior, uma preocupação a menos, né? Tem paciente que se esquece, meu Deus, doutor, já deu 3 anos, é o tempo máximo de utilização do implante subcutâneo, né? Enquanto o DI de cobre você tem de 5 a 10 anos de utilização e o dial de progesterona de 3 a 8 anos, é o que a gente tem hoje no mercado. Então você vê que cada um deles tem uma função, tem uma indicação para cada tipo de mulher, para cada característica na presença de doenças de base ou não e contribuindo com o planejamento familiar através da anticoncepção segura com 99% de eficácia. Maravilha, Leonardo. São métodos contraceptidos, contraceptivos que já estão aí no mercado, né? pra pessoa então ela saber exatamente qual é o mais indicado, mais recomendado. Nada, né, que justifique aí a não ida, né, ao ginecologista, de fato, ir até o médico, fazer essa bateria de exames para saber qual método é mais eficaz para ela e o que ela busca naquele momento, né, porque eles têm aí, cada um tem a sua particularidade, que traz os benefícios com com menos efeitos colaterais também. E os três podem ser utilizados e a pessoa ela pode conseguir de fácil acesso pelo Sistema Único de Saúde. Você tava falando sobre o o Implanon, né? E o implanton, né? Esse método plan que é o subcutâneo isso ele muitas adolescentes, eu tava fazendo uma pesquisa, que já estão buscando esse método também no Sistema Único de Saúde. Ele já é recomendado também para para adolescentes que estão assim na primeira menstruação. Como que você avalia isso? É, como eu te falei, é muito da individualidade, da indicação da história clínica de cada paciente, né? cada uma um ecossistema, um universo definido em que a gente vai precisar avaliar qual o melhor método. Eh, existem efeitos colaterais que são muito baixos nesses tipos de eh larques, né, que são esses métodos de longa duração. Eh, em geral, eh no no subcutâneo às vezes pode haver alguma reação, presença de vermatoma, eh são pacientes que às vezes podem reter um pouco mais de líquido, ganhar peso. No é no di de progesterona, a gente pode ter sangramentos de escape, deslocamentos, como eu já falei, é sangramentos anormais. No di de cobra, a gente pode ter deslocamento também, tem que ter muito cuidado com processo infeccioso. É legal a gente falar que a avaliação de um ginecologista de forma criteriosa é muito importante. Existem exames que tm que ser realizados, né? A gente tem que ter certeza absoluta que essa paciente não tá grávida, tem que ser solicitado um bethc antes da inserção do DI ou do implante, né? A gente tem que fazer uma ultronografia transvaginal. Existe um protocolo para inserção de dial e para esses métodos de longa duração que inclui também uma ultrassonografia transvaginal pra gente saber se a presença de algum artefato, presença de algum tipo de tumor, tanto no colo do útero quanto no útero, que são os miomas, principalmente os pólipos. se há alguma massa anexial, alguns exames hormonais que vão trazer pra gente também se essa paciente tem eh está liberada, tem prerrogativa para ser feito a a essa progesterona, né, tanto no caso do Di quanto do implan. a consulta médica, todos os exames são impreensíveis, né, para pra pessoa ela conseguir identificar qual o melhor método. Então, realmente a pessoa ela não pode deixar, né, a mulher não pode deixar de fazer os exames, de fazer um acompanhamento para ter certeza do método e também ficar atenta aos sinais, né, de repente uma rejeição, ir até o médico, explicar exatamente como que o corpo, como que o organismo tá sentindo, né, aquele dispositivo, é algo, é um algo estranho, né, algo diferente dentro do corpo. Então ela precisa estar atenta aos sinais, né, Leonardo? É, não deixa, não deixa de ser um corpo estranho, principalmente o dispositivo intrauterino, seja ele com progesterona ou não. Eh, você pode ter realmente rejeição, você pode ter a manifestação de sintomas específicos depois da inserção, como dor pélvica e sangramento uterino anormal. Então são sinais de alerta que fazem com que essa cliente tenha que voltar para o seu médico para fazer uma nova avaliação. Eu achei interessante no que você falou, né? Hoje a gente tem a disponibilidade eh principalmente do DD cobre na rede pública em muitos municípios do Brasil. Existe um programa do governo federal para inserção de DI, né? muito interessante também com uma compra aí por parte do Ministério da Saúde eh e adesão de milhares e milhares de de dispositivos eh prontos para serem inseridos e serem eh uma referência de planejamento familiar no Brasil. A gente ainda não conseguiu ter uma política pública de saúde já relacionada ao de cobre ou mesmo ao implante subcutâneo, né? Mas a gente espera que num num num espaço de tempo aí bem curto já esteja sendo disponibilizado na maioria dos municípios do Brasil. Porque o planejamento familiar hoje ele fala em qualidade de vida paraa mulher e essa qualidade de vida tem que ser uma qualidade de vida reprodutiva também para ela poder se planejar e poder realizar seus sonhos e poder ter um desenvolvimento biopsicosocial adequado para o que ela sonha. muito obrigada pelas suas informações, pelos seus esclarecimentos, né, e passar pra gente todas essas tirar, né, todas essas dúvidas em relação aos métodos. Muito obrigada pelo seu tempo, por estar aqui conosco, Leonardo. Gratidão é minha, sempre pronto para est contribuindo com eh a valorização da mulher em nossa sociedade e em defesa dos direitos reprodutivos da mulher, tá bom? Um forte abraço para vocês. Muito obrigada para você. Obrigada também pela audiência. A gente vai ficando por aqui e até a próxima edição. Ciao [Música]